Domenico Scarlatti (1685-1757) – Sonatas (Essercizi) – Horowitz

41SKJWMX6BLPara desespero dos tantos que o detestam, Horowitz está de volta.

Defendo minha postagem: acho que os truques pianísticos de que Horowitz tanto abusava se prestam muito bem às obras de Scarlatti. O colorido e o staccato de Volodya, em especial, deixam estas deliciosas miniaturas ainda mais atraentes.

Horowitz, que já alimentava um séquito de ferozes odiadores desde o começo de sua carreira nos Estados Unidos, viu o coro do desprezo aumentar às custas de suas interpretações de Scarlatti, porque, claro, não podiam conceber que alguém executasse ao piano peças compostas originalmente para o cravo. A favor de Horowitz contam a amizade, as consultorias e a estreita colaboração com o cravista Ralph Kirkpatrick, a maior autoridade da época na obra de Scarlatti – o “K.” que acompanha a numeração das Sonatas (ou “Essercizi”, como preferia o compositor) nada mais é que a abreviatura de “Kirkpatrick”, responsável pela elaboração do catálogo cronológico dos “Essercizi”, que substituria a até então consolidada classificação de Alessandro Longo (“L.”).

Ok, não é um cravo, e sim um Steinway, e não temos um cravista, mas um feiticeiro prestidigitador com um sem-fim de truques pianísticos. Detestem-no ou não, Horowitz imprime sua cara a estas obras, e sob suas mãos elas me soam sensacionais.

Sim, eu gosto de Horowitz. Sim, tem gosto pra tudo.

Julguem-me.

Domenico SCARLATTI (1685-1757)

Sonatas (“Essercizi”) para teclado

01 – Em Ré maior, K. 33 (L. 424): Allegro
02 – Em Lá maior, K. 54 (L. 241): Allegro
03 – Em Fá maior, K. 525 (L.188): Allegro
04 – Em Fá maior, K. 466 (L. 118): Andante Moderato
05 – Em Sol maior, K. 146 (L. 349): Allegretto
06 – Em Ré maior, K. 96 (L. 465): Allegro
07 – Em Mi maior, K. 162 (L. 21): Andante
08 – Em Mi bemol maior, K. 474 (L. 203): Andante e cantabile
09 – Em Mi maior, K. 198 (L. 22): Allegro
10 – Em Ré maior, K. 491 (L. 164): Allegro
11 – Em Fá maior, K. 481 (L. 187): Andante e cantabile
12 – Em Lá maior, K. 39 (L. 391): Allegro
13 – Em Sol maior, K. 547 (L. 528): Allegro
14 – Em Si maior, K. 197 (L. 147): Andante
15 – Em Fá sustenido maior, K. 25 (L. 481): Allegro
16 – Em Ré maior, K. 52 (L. 267): Andante moderato
17 – Em Sol maior, K. 201 (L. 129): Vivo
18 – Em Dó maior, K. 303 (L. 9): Allegro

Vladimir Horowitz, piano

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A Cornucópia de Truques de Horowitz, capítulo MCLVI: como tocar com as MÃOS ESPALMADAS
Da Cornucópia de Truques de Horowitz, capítulo MCLVI: como tocar com as MÃOS ESPALMADAS


Vassily Genrikhovich

9 comments / Add your comment below

  1. Os cães ladram, e a caravana passa!! O Horowitz foi um fenômeno… Acho aquele vídeo de sua viagem a Moscou uma lindeza. É claro que não há unanimidade, mas esse disco de Scarlatti é um DISCÃO!!
    E vamos que vamos!

    1. Também acho um tremendo disco. Como pianista (ou tocador-de-piano) que sou, fico admirado com o que Horowitz conseguia tirar de um teclado. Muitos outros pianistas – grandes pianistas, quero dizer, e não diletantes como eu – também eram tietes dele: tenho uma entrevista com o maravilhoso Antônio Guedes Barbosa em que ele tece loas a estes sons que só Horowitz conseguia produzir. O caso de Glenn Gould é parecido: fico impressionado com a técnica assombrosa e a clareza da polifonia, especialmente em Bach, enquanto muita gente o detesta pelo que consideram ser desrespeito às intenções dos compositores.

  2. Que coisa linda, essas gravações são preciosas. O seu texto fala com razão. O mago pianista transforma as Sonatas em algo próprio. Amo as 555 sonatas de Scarlatti, tenho todas com o fabuloso Scott Ross. Fazer comparações entre Scarlatti ao cravo e ao piano, sobretudo com Horowitz, me parece perda de tempo. Como disse Oscar Wilde, ‘é melhor aproveitar a rosa do que analisar a sua raiz ao microscópio’. São mundos distintos, ambos belos, mas é preciso um super pianista para fazer valer e compensar a prodigiosa gama de cores que existe nessas sonatas. É o caso. Horowitz é espetacular. Grato!

  3. Só para mencionar, também adoro o disco do (outro enigma) Ivo Pogorelich tocando Scarlatti e o álbum duplo (2 CDs) do Pletnev! Ah, ia também esquecendo, o Alexandre Tharaud…
    Ao cravo, tenho três discos do Staier que são IM-PER-DÍ-VEIS, como se costuma dizer aí no jargão do site…

  4. Vai ser difícil alguém deixar Horowitz fora de qualquer lista dos maiores pianistas de todos os tempos. Novo ou velho, sua magia é surpreendente.
    Fico aguardando novas postagem desse Russo fabuloso.
    Grato e um forte abraço do Dirceu.

  5. Quem também tocou e gravou sonatas de Scarlatti foi o Michelangeli, deixando raivosos alguns puristas…
    Vou ouvir o Horowitz, vale a pena nem que seja pra falar mal depois!

    1. Opinião do pianista Nelson Freire:

      http://www.institutopianobrasileiro.com.br/post/visualizar/Depoimento_de_Nelson_Freire_para_a_inauguracao_do_IPB_parte_1_2

      Um trecho…

      “AD – O que você gosta pelo Horowitz?
      NF – Adoro o Horowitz! Ele é único. Não há ninguém que se lhe compare, é hors concours.
      AD – Consta que em 1979 você estava na plateia com a Martha Argerich quando o Horowitz tocou o Rach 3.
      NF – Em 1978. Foi a rentrée dele [com Eugene Ormandy]. Depois ele tocou com o Zubin Mehta. Eu e a Martha combinamos de ir. Foi incrível. Foi também a primeira vez, e foi mais do que a gente esperava. Foi um choque.
      AD – Costuma-se dizer que nesta época ele já não tinha mais aquela técnica [aos 75 anos].
      NF – Mas ninguém tem aquela técnica. Mesmo sem técnica, o som, a eletricidade, o tocar dele tem uma coisa – não sei se o martelo bate de outro jeito. O pedal dele é uma coisa impressionante também. A construção, o temperamento, acho fantástico.”

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