Wynton Marsalis (1961): Violin Concerto / Fiddle Dance Suite

Wynton Marsalis (1961): Violin Concerto / Fiddle Dance Suite

Pedir uma peça a um jazzista é algo inteligente, sem dúvida. De origem italiana e nascida na Escócia, a violinista Nicola Benedetti é uma jovem e talentosa violinista apaixonada pela educação musical, com sua própria fundação e seu canal no YouTube. Mas também dá concertos pelo mundo, claro. Seu último álbum, com gravações de obras escritas para ela por Wynton Marsalis, é realmente muito bom.

Na verdade, parece uma fantasia sonhada por um executivo de gravadora: um concerto escrito pelo mundialmente famoso trompetista de jazz e band leader Wynton Marsalis, feito especialmente para uma carismática e competente violinista. Mas não é uma fantasia: Benedetti tem tocado o vibrante Concerto para Violino de Marsalis por todo o mundo desde sua estréia em 2015. Melhor ainda, os dois artistas são amigos há anos e o concerto reflete sua amizade e admiração mútua.

Isso não quer dizer que não houve problemas ao longo do caminho. Notem, por exemplo, a primeira reação de Benedetti ao ler a partitura. “Minha resposta inicial foi a de que não era desafiador o suficiente para o violinista e que ele precisava reescrever boa parte do concerto. Expliquei a ele que estou acostumada a tocar peças que literalmente me levam semanas antes que eu possa tentar tocá-las.”

Outros compositores poderiam ter se ofendido, mas Marsalis permaneceu deboas. “Afinal, foi ela quem pediu as peças. Ao longo dos anos, falei com Nicola de vez em quando e conversávamos sobre todo tipo de coisas”, disse Marsalis. “Ela é interessada em muitos tipos diferentes de música.”

Então, como surgiu o concerto? Benedetti explica que ficou tocada ao ouvir uma apresentação de A Fiddler’s Tale, de Marsalis, em Londres. Ela se perguntou como algo podia ser tão complexo e inteligente, com tanta profundidade e todo mundo ainda sair sorrindo do concerto. Quero isso pra mim! Benedetti e seu agente foram aos bastidores conversar com Marsalis e “começaram o processo de implorar para ele escrevesse algo para violino”, disse ela. Demorou dois anos. Parecia que seria uma peça para violino solo, mas depois veio um concerto. Aliás, ela conseguiu tudo, basta ouvir a Fiddle Dance Suite, para violino solo, também no novo CD. Mas, por um tempo, não ficou claro se Nicole veria a peça à luz do dia.

Wynton Marsalis (1961): Violin Concerto / Fiddle Dance Suite

Violin Concerto in D Major (43:25)
1 I Rhapsody 12:38
2 II Rondo Burlesque 10:10
3 III Blues 10:18
4 IV Hootenanny 10:19

Fiddle Dance Suite (23:38)
5 I Sidestep Reel 3:59
6 II As The Wind Goes 4:07
7 III Jones’ Jig 4:05
8 IV Nicola’s Strathspey 4:27
9 V Bye-Bye Breakdown 7:00

Violin – Nicola Benedetti
Orchestra – The Philadelphia Orchestra
Conductor – Cristian Măcelaru

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Final feliz.

PQP

Lost and Found – 18th Century Oboe Concertos – Albrecht Mayer

Lost and Found – 18th Century Oboe Concertos – Albrecht Mayer

4792942Um agradável álbum e mais algumas figurinhas para o rol de compositores do acervo do PQP Bach, em obras desencavadas de arquivos da Saxônia e Turíngia pelo solista Albrecht Mayer, primeiro oboísta da Filarmônica de Berlim.

Nenhuma dessas obras que voltam à luz é pérola comparável ao Concerto K. 314 de Mozart, mas todas elas oferecem ótimas oportunidades para o Mayer brilhar com seu bonito som. Ainda que os concertos de Hoffmeister e Lebrun sejam talvez os que menos chances tenham de reencontrar a poeira, foram o rondó de Koželuh e o adágio de Fiala (e o belíssimo timbre do corne inglês) aqueles que cá comigo deixaram o melhor retrogosto.

LOST AND FOUND – CONCERTOS PARA OBOÉ DO SÉCULO XVIII

ALBRECHT MAYER, oboé e regência
Kammerakademie Potsdam

Franz Anton HOFFMEISTER (1754-1812)

Concerto em Dó maior para oboé e orquestra

01 – Allegro con brio
02 – Adagio
03 – Rondo. Allegro

Ludwig August LEBRUN (1752-1790)

Concerto no. 2 para oboé em orquestra em Sol menor

04 – Allegro
05 – Adagio
06 – Rondo. Allegro

Josef FIALA (1748-1816)

Concerto em Dó maior para corne inglês e orquestra

07 – Allegro moderato
08 – Adagio cantabile
09 – Allegro assai

Jan Antonín (Johann Anton) KOŽELUH (1738-1814)

Concerto em Fá maior para oboé e orquestra

10 – Vivace
11 – Adagio
12 – Rondo. Allegretto

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Vassily Genrikhovich

Joseph Haydn (1732-1809): Sinfonias 22 ● 26 ● 67 ● 80 – BBC Philharmonic ● Nicholas Kraemer

Joseph Haydn (1732-1809): Sinfonias 22 ● 26 ● 67 ● 80 – BBC Philharmonic ● Nicholas Kraemer

Haydn

Sinfonias 22 ● 26 ● 67 ● 80

BBC Philharmonic 

Nicholas Kremer

Imagine a alegria de um entusiasmado jornalista instalado na seção de música clássica de uma enorme emissora de rádio ao receber sua tarefa: ouvir a cada uma das sinfonias de Haydn e colocá-las em ordem de grandeza ou brilho, como melhor lhe aprouver.

Acredito que a tarefa o deixou um pouco lelé por uns dias. Mas foi levada a cabo e o resultado você pode conferir aqui, mesmo que lembremos do adágio “gosto não se discute”!

Realmente, eu mesmo não ouvi a todas as sinfonias escritas por Haydn, mesmo se considerarmos, como o fez o jornalista, apenas as “oficialmente” numeradas.

Há um projeto já em curso – Haydn 2032 – que refere-se ao ano no qual comemorar-se-á os 300 anos de nascimento de Haydn, de gravar todas as sinfonias por ele escritas, inclusive as que serão descobertas até lá. O projeto envolve mais do que uma orquestra e os discos (alguns já lançados) trazem além das sinfonias de Haydn, peças de compositores seus contemporâneos, para colocar suas obras em alguma perspectiva.

Ah, as efemérides! Se não fosse por elas, o que seria dos marqueteiros? Bom, acredito que eles inventariam algo…

Bem, deixemos de digressões e vamos ao disquinho da postagem: quatro sinfonias de Haydn gravadas ao vivo pela BBC Philharmonic sob a regência de Nicholas Kraemer entre os anos de 2007 e 2009, reunidas neste álbum lançado em 2009 como parte das homenagens a Haydn na ocasião da passagem de 200 anos desde a sua morte. As sinfonias foram compostas entre os anos 1764 e 1784 e formam um pequeno painel da produção sinfônica de Haydn no seu período intermediário.

Decidi postar o disco pois a seleção é ótima, a interpretação se beneficia do senso de ocasião e o conjunto da obra é excelente.

Quem não estaria feliz ao reger tão lindas sinfonias?

Nicholas Kraemer, o regente, não é nome totalmente estranho aqui no PQP, mas é mais associado ao universo barroco. Este disco mostra que ele é ótimo também em outras circunstâncias e trataremos de convidá-lo mais vezes às nossas paragens.

As duas primeiras sinfonias recendem a incenso e poeiras de igreja. A Sinfonia No. 22 em mi bemol maior, com apelido “O Filósofo”, é de 1764 e destaca-se pelo uso de cornes-ingleses no lugar de oboés. Além disso, lembrando a estrutura da sonata da chiesa, seus movimentos são lento-rápido-lento-rápido. Você poderá saber mais sobre esta sinfonia aqui.

A Sinfonia No. 26, em ré menor, de apelido “Lamentatione”, é uma das primeiras do chamado grupo Sturm und Drang, e também uma das primeiras sinfonias de Haydn escrita em tom menor. O apelido se deve ao uso no adagio de uma melodia de um antigo cantochão sobre a Paixão de Cristo.

Em seguida a Sinfonia No. 67 em fá maior , composta em 1767 e bastante experimental. O grande musicólogo e expert em Haydn, H.C. Robbins Landon disse sobre essa sinfonia: one of the most boldly original symphonies of this period, ressaltando sua originalidade. Desde a sua abertura, até o uso de um violino diferenciado no minueto, temos sempre a presença do inesperado.

Para terminar a lista, a Sinfonia No. 80, em ré menor, que fazia parte de um grupo de três sinfonias, com as de números 79 e 81. Elas foram compostas em 1784 a pedido do Príncipe Nikolaus para serem apresentadas nos Lent Concertos – Concertos da Quaresma, em Viena, em março de 1785. Esta sinfonia está a um passo dos grupos de grandes sinfonias que viriam a seguir, as Sinfonias de Paris e as Sinfonias de Londres, e mostra como Haydn havia se preparado para esta última fase de sua carreira de compositor de (grandes) sinfonias.

Joseph Haydn (1732-1809)

Sinfonia No. 22 em mi bemol maior – O Filósofo

  1. Adagio
  2. Presto
  3. Menuetto e Trio
  4. Presto

Sinfonia No. 26 em ré menor – Lamentatione

  1. Allegro assai con spirito
  2. Adagio
  3. Menuetto e Trio

Sinfonia No. 67 em fá maior

  1. Presto
  2. Adagio
  3. Menuetto e Trio
  4. Finale: Allegro di molto – Adagio e cantábile

Sinfonia No. 80 em ré menor

  1. Allegro spiritoso
  2. Adagio
  3. Menuetto e Trio
  4. Finale: Presto

BBC Philharmonic

Nicholas Kraemer, regente

Produção: Mike George

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FLAC | 297 MB

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MP3 | 320 KBPS | 170 MB

 

Aposto como você não deixará de ler o artigo escrito pelo audaz jornalista e verificar em que posições ele ranqueou as sinfonias deste disco delicioso. Veja lá se você concorda com as escolhas dele. Basta ouvir as sinfonias e ir tomando notas. Pode começar com estas quatro aqui…

Aproveite!

René Denon

Frederic Chopin – Complete Works for Piano Solo – Nikita Magaloff

Minha geração cresceu ouvindo Chopin com dois pianistas cujos nomes viraram quase sinônimos do mestre polonês: Arthur Rubinstein e Nikita Magaloff. Foram dois excepcionais músicos, que viveram muito, cruzaram praticamente o século, que se tornaram lendas em seus instrumentos. Sobre Rubinstein nem preciso falar muito, já que é citado constantemente aqui no PQPBach.
Mas quem foi Nikita Magaloff? Bem, foi um pianista georgiano – russo, ou seja, filho de georgianos, mas nascido em São Petersburgo. Com a Revolução Russa de 1917 sua família fugiu para a Finlândia, e de lá,e estimulado pelo amigo de família Sergey Prokofiev, foi para Paris estudar, onde fez amizade com muita gente conhecida, incluindo Maurice Ravel.
Foi o primeiro músico a gravar a integral das obras para piano de Chopin, e a interpretava ao vivo, em uma série de seis recitais (que memória o homem tinha).
Esta integral tem 13 cds. Vou trazê-los aos poucos, conforme meu tempo disponível para tanto. Sei que todos irão gostar.

CD 1

01. Piano Sonata No.1, Op.4 (1978) – 1. Allegro maestoso
02. Piano Sonata No.1, Op.4 – 2. Minuetto. Allegretto
03. Piano Sonata No.1, Op.4 – 3. Larghetto
04. Piano Sonata No.1, Op.4 – 4. Finale. Presto
05. Piano Sonata No. 2, Op. 35 (1976) – 1. Grave – doppio movimento
06. Piano Sonata No. 2, Op. 35 – 2. Scherzo. Piú lento – Tempo I
07. Piano Sonata No. 2, Op. 35 – 3. Marche funebre. Lento
08. Piano Sonata No. 2, Op. 35 – 4. Finale. Presto
09. Piano Sonata No. 3, Op. 58 (1976) – 1. Allegro maestoso
10. Piano Sonata No. 3, Op. 58 – 2. Scherzo. Molto vivace
11. Piano Sonata No. 3, Op. 58 – 3. Largo
12. Piano Sonata No. 3, Op. 58 – 4. Finale. Presto non tanto

Nikita Magaloff – Piano

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Nikita Magaloff (1912-1992)

Nelson Freire, 75 anos – Nelson Freire: Encores

Nelson Freire, 75 anos – Nelson Freire: Encores

Estamos no último minuto do 18 de outubro, e ainda em tempo de celebrar o septuagésimo quinto aniversário do Sr. Nelson José Pinto Freire, nascido no rio Grande, não o Rio Grande donde eu venho, mas o que banha a pacata Boa Esperança das Minas Gerais, um cidadão do mundo, e certamente um dos compatriotas que nunca nos deixará sem respostas se alguém nos perguntar o que de bom tem o Brasil, além de butiás e jabuticabas. Parabenizamos o célebre Sr. Freire e abraçamos o gentil Nelsinho, alcançando-lhe nossa gratidão pela longa e profícua carreira, que não para de nos trazer alegrias nessas já tantas décadas que o veem elencado entre os maiores pianistas em atividade. Além do quilate artístico, o mineirinho Nelson é um amor de criatura, ouro maciço. Discreto, caseiro e reservado, vive para a arte e para os amigos. Agora há pouco cheguei a brincar com os companheiros de blog, imaginando-o a bebemorar seu aniversário, entre um cigarro e outro, com a grande amiga Martha Argerich, parceira de vida e arte há seis décadas, só para depois me lembrar de ter lido numa entrevista que ele parou de fumar há alguns anos, por querer manter-se por muito tempo ainda ativo: menos em recitais e concertos, pois a rotina de viagens lhe aborrece muito, e cada vez mais em gravações, depois de por tanto tempo relutar em fazê-las, e legar ao futuro uma resposta a quem quer que pergunte “como tocava Nelson Freire?”.

Numa bonita postagem, o Pleyel já afirmara que muito se poderia “falar do talento de Nelson para escolher peças de bis, parte essencial de recitais à moda antiga”. Pois neste fresquíssimo álbum, nosso cintilante compatriota apresenta-nos parte de seu arsenal de tira-gostos, digestivos e, também, fogos de artifício para arrematar concertos e recitais, abarcando o longo arco de tempo entre os gênios de Purcell e do tabagistíssima Shostakovich. O pianismo é, naturalmente, de chorar de bom, e ao final da guirlanda de peças a gente só consegue se admirar por lhe descobrir mais um talento: o de fazer um recital coeso só com tantos, e tão diversos, e diminutos bombons e bagatelas.

Que sirva de exemplo para tantos outros. E muitas outras.

E, sim: refiro-me a ti, gostosona.

NELSON FREIRE – ENCORES

Christoph Willibald GLUCK (1714-1787)
Arranjo de Giovanni Sgambati
1- Orfeo ed Euridice: Melodia

Henry PURCELL (1659-1695)
2 – Hornpipe em Mi menor

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1759)
3 – Sonata em Ré menor, K. 64
4 – Sonata em Si menor, K. 377

Zygmunt Denis Antoni Jordan de STOJOWSKI (1870-1946)
5 – Aspirations, Op. 39: no. 1, “Vers l’Azur”

Ignacy Jan PADEREWSKI (1860-1941)
6 – Miscellanea, Op. 16: no. 4: Noturno em Si bemol maior

Richard Georg STRAUSS  (1864-1949)
Arranjo de Leopold Godowsky
7 – Seis Lieder, Op. 17: No. 2, Ständchen

Edvard Hagerup GRIEG (1843-1907)
Das “Peças Líricas” para piano:
8 – Livro I, Op. 12 – no. 1: Arietta
9 – no. 2: Valsa
10 – no. 5: Melodia Popular
11  – Livro II, Op. 38 – no. 1.: Berceuse
12 – Livro III, Op. 43 – no. 2: Viajante Solitário
13 – no. 4: Pequeno Pássaro
14 – no. 6: À Primavera
15 – Livro IV, Op. 47 – no. 4: Halling
16 – Livro V, Op. 54 – no. 1: Jovem Pastor
17 – Livro VIII, Op. 65 – no. 6: Dia de Casamento em Troldhaugen
18 – Livro IX, Op. 68 – no. 3: A seus pés
19 – no. 5: No berço

Anton Grigoryevich RUBINSTEIN (1829-1894)
20 – Duas Melodias, Op. 3 – no. 1 em Fá maior

Alexander Nikolayevich SCRIABIN (1872-1915)
21 – Dois Poemas, Op. 32 – no. 1 em Fá sustenido maior

Sergei Vasilyevich RACHMANINOV (1873-1943)
22 – Prelúdios, Op. 32 – no. 10 em Si menor: Lento
23 – no. 12 em Sol sustenido maior: Allegro

Dmitry Dmitryevich SHOSTAKOVICH (1906-1975)
Danças Fantásticas, Op. 5
24 – no. 1: Marcha. Allegretto
25 – no. 2: Valsa. Andantino
26 – no. 3: Polka. Allegretto

Enrique GRANADOS Campiña (1867-1916)
27 – Goyescas, Suíte para piano – no. 4: Quejas ó la maja y el ruiseñor

Frederic MOMPOU Dencausse (1893-1987)
28 – Scenes d’enfants – no. 5: Jeunes filles au jardin

Isaac Manuel Francisco ALBÉNIZ y Pascual (1860-1909)
29 – España, Op. 165 – Tango em Ré maior (arranjo de Leopold Godowsky)
30 – Navarra (completada por Déodat de Sévérac)

Nelson Freire, piano

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Nelson com Guiomar Novaes, 1977. Foto do acervo particular de Nelson Freire, publicada pelo sensacional Instituto Piano Brasileiro (http://institutopianobrasileiro.com.br), comandado pelo indispensável Alexandre Dias, apoiado por Nelson e que recomendamos demais.
No vídeo abaixo, parte do documentário “Nelson Freire” de João Moreira Salles, o aniversariante de hoje relembra a influência inspiradora de Guiomar em sua carreira, enquanto ouve, com olhos suados, a melodia de Gluck (que abre o CD que ora compartilhamos) na interpretação de sua ídola. E a “Nise” a que ele se refere é Nise Obino, sua maior mestra, decisiva para Nelson superar a transição de menino-prodígio a jovem artista e que, como descobrimos pelo documentário (que não podemos recomendar o bastante aos fãs de Nelson), muito mais que professora, foi-lhe uma grande paixão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vassily, com um agradecimento ao incansável FDP Bach por lhe ter alcançado esta gravação.

Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Dvořák, Grieg, Kancheli, Kempff, Ligeti, Liszt, Mendelssohn, Pärt, Ravel, Scarlatti, Scriabin, Tchaikovsky: Motherland (com Khatia Buniatishvili)

Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Dvořák, Grieg, Kancheli, Kempff, Ligeti, Liszt, Mendelssohn, Pärt, Ravel, Scarlatti, Scriabin, Tchaikovsky: Motherland (com Khatia Buniatishvili)

Lembram daquela série interminável de discos da Philips — lançados nos anos 70 e 80 — que eram seleções malucas de clássicos e que tinham gatinhos na capa? Ali, o Aleluia de Händel podia vir antes de um trecho de Rhapsody in Blue, o qual era seguido pela Abertura 1812 e pela chamada Ária na Corda Sol (mentira, corda sol coisa nenhuma) de Bach, por exemplo. Salada semelhante é servida por Khatia Buniatishvili neste CD. Mas o importante é faturar enquanto a beleza não abandona a pianista. Ela tem alguns anos de sucesso ainda. Como habitualmente, neste disco ela é muita emoção e languidez — principalmente a última –, acompanhada de um talento que não precisaria ter registros gravados. Temos tanta gente melhor! Depois deste disco altamente suspeito, ela sucumbe aqui. Só a aparência não basta. Afinal, ouvimos o CD. Vocês sabem que eu amo as belas musicistas, mas tudo tem limite.

O volume 1 da numerosa série

Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Dvořák, Grieg, Kancheli, Kempff, Ligeti, Liszt, Mendelssohn, Pärt, Ravel, Scarlatti, Scriabin, Tchaikovsky: Motherland (com Khatia Buniatishvili)

1 Johann Sebastian Bach: Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd, BWV 208: IX. Schafe können sicher weiden (Arr. for Piano)
2 Pyotr Ilyich Tchaikovsky: The Seasons, Op. 37b: X. October (Autumn Song)
3 Felix Mendelssohn-Bartholdy: Lied ohne Worte in F-Sharp Minor, Op. 67/2
4 Claude Debussy: Suite Bergamasque, L. 75: III. Clair de lune
5 Giya Kancheli: Tune from the Film by Lana Gogoberidze: When Almonds Blossomed
6 György Ligeti: Musica ricercata No. 7 in B-Flat Major
7 Johannes Brahms: Intermezzo in B-Flat Minor, Op. 117/2
8 Franz Liszt: Wiegenlied, S. 198
9 Antonín Dvorák: Slavonic Dance for Four Hands in E Minor, Op. 72/2: Dumka (Allegretto grazioso)
10 Maurice Ravel: Pavane pour une infante défunte in G Major, M. 19
11 Frédéric Chopin: Etude in C-Sharp Minor, Op. 25/7
12 Alexander Scriabin: Etude in C-Sharp Minor, Op. 2/1
13 Domenico Scarlatti: Sonata in E Major, K. 380
14 Edvard Grieg: Lyric Piece in E Minor, Op. 57/6: Homesickness
15 Traditional: Vagiorko mai / Don’t You Love Me?
16 Wilhelm Kempff: Suite in B-Flat Major, HWV 434: IV. Menuet
17 Arvo Pärt: Für Alina in B Minor

Khatia Buniatishvili, piano

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Desculpe, Khatia, não rolou.

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Concertos de Brandenburg – Pinnock

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Concertos de Brandenburg – Pinnock
O link acima leva para uma caixa com bem mais do que os Concertos de Brandenburg. A edição em que baseei esta postagem está aparentemente esgotada.
O link acima leva para uma caixa com bem mais do que os Concertos de Brandenburg. A edição em que baseei esta postagem está aparentemente esgotada.

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 28/7/2015

Seis Concertos
Com diversos Instrumentos
Dedicados
À Sua Alteza Real
Senhor
Christian Ludwig
Margrave de Brandenburg & c. & c. & c.,
por Seu mui humilde & mui obediente Servo
Johann Sebastian Bach
Mestre de Capela de Sua Alteza Real O
príncipe reinante d’Anhalt-Cöthen

Meu Senhor

Como tive, há poucos anos, a felicidade de me fazer escutar junto à Vossa Alteza Real, em virtude de suas ordens, e como eu então percebi que Vossa Alteza teve algum deleite com os pequenos talentos que o Firmamento me concedeu para a Música; e, quando a me retirar da presença de Vossa Alteza Real, Ela houve por bem me fazer a honra de me mandar o envio a Vossa Alteza de algumas peças de minha composição; eu, de acordo com as mais graciosas ordens de Vossa Alteza, tomei a liberdade de cumprir meus humílimos deveres para com Vossa Alteza Real com os presentes Concertos, que arranjei a diversos Instrumentos; rogando mui humildemente que não julgue sua imperfeição ao rigor do gosto fino e delicado que todos sabem que Vossa Alteza tem pelas obras musicais, mas de ter sobretudo em Benigna consideração o profundo respeito, e a mais humilde obediência que eu tento demonstrar a Vossa Alteza (…)

Senhor
De Vossa Alteza Real
O mais humilde e mais obediente servo
Johann Sebastian Bach. Cöthen, 24 mar 1721

O Margrave, aparentemente, se lixou para a oferta de Bach, que, mesmo com toda a rasgação de seda, não conseguiu trabalhar em sua corte. As partituras dos Concertos empoeiraram nas estantes de Sua Alteza Real, de onde sairiam vendidas como papel velho por alguns poucos centavos.

Mas isso não importa.

Não fossem os “pequenos talentos” concedidos pelo Firmamento ao “mui humilde servo” Johann Sebastian Bach, o mundo provavelmente não se lixaria para o nome do tal Christian Ludwig.

Os nobres perecem.

BACH VIVE.

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)

OS CONCERTOS DE BRANDENBURG, BWV 1046-1051

THE ENGLISH CONCERT
TREVOR PINNOCK, regência

CD 1

01 – Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046 – [sem indicação de tempo]
02 – Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046 – Adagio
03 – Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046 – Allegro
04 – Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046 – Menuetto – Trio I – Polacca – Trio II
05 – Concerto de Brandenburg no. 2 em Fá maior, BWV 1047 – [sem indicação de tempo]
06 – Concerto de Brandenburg no. 2 em Fá maior, BWV 1047 – Andante
07 – Concerto de Brandenburg no. 2 em Fá maior, BWV 1047 – Allegro assai
08 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – [sem indicação de tempo]
09 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Adagio
10 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Allegro

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CD 2

01 – Concerto de Brandenburg no. 4 em Sol maior, BWV 1049 – Allegro
02 – Concerto de Brandenburg no. 4 em Sol maior, BWV 1049 – Andante
03 – Concerto de Brandenburg no. 4 em Sol maior, BWV 1049 – Presto
04 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Allegro
05 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Affettuoso
06 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Allegro
07 – Concerto de Brandenburg no. 6 em Si bemol maior, BWV 1051 – [sem indicação de tempo]
08 – Concerto de Brandenburg no. 6 em Si bemol maior, BWV 1051 – Adagio ma non tanto
09 – Concerto de Brandenburg no. 6 em Si bemol maior, BWV 1051 – Allegro

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O fac-símile da dedicatória dos Concertos de Brandenburg, i.e., a rasgação de seda que traduzi livremente mais acima
O fac-símile da dedicatória dos Concertos de Brandenburg, i.e., a rasgação de seda que traduzi livremente mais acima

Homenagem a Johann Sebastian Bach, o maior gênio criador que já habitou este planeta, postada originalmente em 28/7/2015 – ducentésimo sexagésimo quinto aniversário de seu falecimento.

Vassily

Serge Prokofiev (1891-1953): Sonatas para Violino – Alina Ibragimova & Steven Osborne

Serge Prokofiev (1891-1953): Sonatas para Violino – Alina Ibragimova & Steven Osborne

PRKFV

Sonatas para Violino

Ibragimova & Osborne

 

Disco primoroso! Adorei, do início ao fim. Mas é música que demanda um certo esforço, música que se precisa conquistar, especialmente a primeira sonata.

Prokofiev começou a sua composição sob a sombra do Grande Terror imposto por Stalin. A sonata está carregada de sentimento de perda deixado no compositor pelo desaparecimento de vários amigos durante este período. Os dois primeiros movimentos foram compostos em 1938, mas a composição empacou. O primeiro movimento é sombrio, mesmo desolador. O segundo é mais afirmativo, com algumas melodias belíssimas, mas ainda bem serioso, brusco. Vieram outros projetos e o tempo passou. Em 1943 Prokofiev retomou a composição, mas achou difícil prosseguir, como confidenciou ao amigo Myaskovsky.

A garota é Elizabeta Gilels, violinista e filha de Emil Gilels, lendário pianista

Na verdade, o projeto só seria completado após a “composição” da segunda sonata para violino e piano, uma transcrição da sonata escrita originalmente para flauta e piano. Esta transcrição resultou do encorajamento dado pelo amigo e virtuose violinista David Oistrakh. Oistrakh sabia dos dois movimentos guardados e esperava que o projeto da transcrição ajudasse a desbloquear a composição do que faltava. E assim foi, mais dois movimentos foram acrescentados à sonata, terminada em 1946 e dedicada à Oistrakh.

As Melodias para Violino e Piano novamente são adaptações de composições feitas originalmente para voz (sem palavras) e piano, escritas para a mezzo Nina Koshetz. Estas lindas peças servem aqui neste álbum como uma bem vinda transição para a segunda e belíssima sonata.

Alina e Steven

Eu já conhecia estes intérpretes, mas nunca os havia ouvido em duo. Achei que a parceria funcionou maravilhosamente e não posso imaginar gravação melhor do que esta para as peças. Sei que há outras, especialíssimas, como a feita por Martha Argerich e Gidon Kremer, sem falar na gravação de Oistrakh e Richter, da primeira sonata, tomada ao vivo pelo selo Orfeo, em 1972, no Festival de Salzburg.

Mas hoje, estes dois excelentes artistas merecem aplausos de plateia em pé.

A produção de Andrew Keener é primorosa e o selo Hypérion, desta vez, escolheu uma bela capa.

Prokofiev, por Matisse

Serge Prokofiev (1891-1953)

Sonata para violino e piano No. 1 em fá menor, op. 80

  1. Andante assai
  2. Allegro brusco
  3. Andante
  4. Alegrissimo

Cinco melodias para violino e piano, op. 35b

  1. Andante
  2. Lento, ma non troppo
  3. Animato, ma non alegro
  4. Allegretto leggero e scherzando
  5. Andante non troppo

Sonata para violino e piano No. 2 em ré maior, op. 94a

  1. Moderato
  2. Scherzo: Presto
  3. Andante
  4. Allegro com brio

Alina Ibragimova, violino

Steven Osborne, piano

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Aproveitem!

René Denon

Antonio Vivaldi (1678-1741) – Il Progetto Vivaldi 2 – Sol Gabetta, Andres Gabetta, Capella Gabetta

Como diria o velho filósofo do futebol, uma coisa é uma coisa, outra coisa, é outra coisa completamente diferente (não sei se essa é a frase correta, mas o sentido é o mesmo). Me utilizo desta expressão para de certa forma discordar do grande Igor Stravinsky que em determinado momento de sua vida teria declarado que Vivaldi compôs a mesma obra centenas de vezes. Não tenho certeza se ele realmente falou isso, e em que contexto, mas se formos aplicá-la a estes concertos para violoncelo  até poderíamos entendê-la. Com isso, não estou afirmando que ele compôs a mesma obra (e jamais faria tal afirmação), e sim que elas são semelhantes, porém totalmente diferentes.

Quatro anos após o lançamento do primeiro CD, Sol Gabetta retornou aos Concertos de Vivaldi em 2011, desta vez acompanhada por seu irmão, Andres, que também dirige o Conjunto ‘Capella Gabetta´. E claro que aqui qualquer semelhança não é mera coincidência. Enfim, neste segundo CD, ela demonstra uma maior maturidade artística, e nos brinda com um delicioso repertório, e uma lufada de ar fresco na interpretação. Como bem observou um cliente da amazon, ‘Sol Gabetta has found a refreshing energetic approach to Vivaldi which is the perfect match to the instrumental strengths of camera Gabetta. Strongly recommend for shear exuberance and clarity of instrument voicing .’

Altamente recomendado, com certeza. Em alguns dias, trago o terceiro CD.

Ah, não posso esquecer de avisar: neste CD o clã Gambetta também interpreta obras de outros dois compositores contemporâneos de Vivaldi: Leonardo Leo e Giovanni Benedetto Platti.

1 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 423: I. Allegro
2 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 423: II. Largo
3 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 423: III. Allegro
4 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 416: I. Allegro
5 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 416: II. Adagio
6 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 416: III. Allegro
7 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 420: I. Andante
8 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 420: II. Adagio
9 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 420: III. Allegro
10 Sonata for Violoncello and Basso continuo, RV 42: I. Preludio. Largo
11 Sonata for Violoncello and Basso continuo, RV 42: II. Allemanda. Andante
12 Sonata for Violoncello and Basso continuo, RV 42: III. Sarabanda. Largo
13 Sonata for Violoncello and Basso continuo, RV 42: IV. Giga. Allegro
14 Concerto for Violoncello and Orchestra in D major: I. Andantino grazioso
15 Concerto for Violoncello and Orchestra in D major: II. Con bravura
16 Concerto for Violoncello and Orchestra in D major: III. Larghetto, con poco moto
17 Concerto for Violoncello and Orchestra in D major: IV. Allegro di molto
18 Concerto for Violoncello and Orchestra in D major: V. Fuga
19 Concerto for Violoncello and Orchestra in D minor, Op. 657: I. Non tanto allegro
20 Concerto for Violoncello and Orchestra in D minor, Op. 657: II. Adagio
21 Concerto for Violoncello and Orchestra in D minor, Op. 657: III. Alla breve. Fuga

Sol Gabetta -Cello
Capella Gabetta
Andres Gabetta

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O Mestre Esquecido, capítulo 5 (“Dear Fritz”: Fritz Kreisler Melodies – Wanda Wiłkomirska e Antônio Guedes Barbosa)

O Mestre Esquecido, capítulo 5 (“Dear Fritz”: Fritz Kreisler Melodies – Wanda Wiłkomirska e Antônio Guedes Barbosa)

71JPdm2xGBL._SL1024_Convidamos os fãs do Mestre Esquecido a acompanharem o GRUPO “ANTÔNIO GUEDES BARBOSA” no Facebook.

A exígua discografia de Antônio Guedes Barbosa inclui uma significativa parceria com a violinista polonesa Wanda Wiłkomirska (1929), que resultou em alguns álbuns que, claro, compartilharemos com vocês.

Este, dedicado inteiramente a miniaturas compostas pelo violinista austríaco Fritz Kreisler para seu próprio usufruto nas salas de concerto, é um prato cheio para os fãs da ótima Wiłkomirska. Já os fãs de Barbosa lamentarão, talvez, a frugalidade das partes de piano, que é aqui um simples coadjuvante do violino exibido. Para os fãs lamentosos, então, fica um consolo: a parceria de Barbosa com Wiłkomirska rendeu gravações muito mais significativas, com as sonatas de Brahms, Ravel e Franck, além da “Primavera” de Beethoven que, obviamente, também postaremos aqui.

Notem que as peças “ao estilo” de Pugnani e Tartini, compostas por Kreisler, foram por muitos anos atribuídas aos mestres do passado. Da mesma maneira, as célebres “Liebesfreud”, “Liebesleid” e “Schön Rosmarin” eram tidas como obras do valsista Joseph Lanner (1801-1843). Essas atribuições foram deliberadamente feitas e mantidas por Kreisler, que apresentava tais obras como se fossem da lavra de outros compositores e muito se divertia, tanto com os rasgados elogios ao talento dos supostos compositores, quanto com o protesto dos críticos quando, já idoso, trouxe a farsa à tona.

DEAR FRITZ: FRITZ KREISLER MELODIES

Friedrich (“Fritz”) KREISLER (1875-1962)

01 – Liebesfreud
02 – Schön Rosmarin

Cyril Meir SCOTT (1879-1970)
Arranjo de Fritz Kreisler

03 – Lotus Land, Op. 47 no. 1

Isaac Manuel Francisco ALBÉNIZ y Pascual (1860-1909)
Arranjo de Fritz Kreisler

04 – España, Op. 165 – no. 5: “Tango”

Fritz KREISLER

05 – Liebesleid
06 – Praeludium e Allegro no estilo de Pugnani

Richard Franz Joseph HEUBERGER (1850-1914)
Arranjo de Fritz Kreisler

07 – Der Opernball: Mitternachtsglocken (Midnight Bells)

Fritz KREISLER

08 – Tambourin Chinois
09 – Caprice Viennois

Folclore Irlandês, arranjo de Fritz KREISLER

10 – Londonderry Air

Fritz KREISLER

11 – Variações sobre um tema de Corelli, no estilo de Tartini

Wanda Wiłkomirska, violino
Antônio Guedes Barbosa, piano
(gravação de 1971 do selo Connoisseur Society, nunca lançado no Brasil, esgotado tanto em LP quanto em CD)

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Kreisler: cinófilo e gozador
Kreisler: cinófilo e gozador

Vassily Genrikhovich

 

Anthony Hopkins (1937): Anthony Hopkins Composer

Seu personagem mais famoso, o notório Dr. Hannibal Lecter, gostava tanto de ópera quanto de carne humana. Mas quem pensaria que o próprio Sir Anthony Hopkins provaria ter aptidão para escrever música erudita? Certamente não o ator vencedor do Oscar, cuja confiança em sua capacidade de compor se limitava a improvisações ao piano em casa, tocando apenas para seu próprio prazer. Sua esposa Stella foi quem o levou a expandir seus horizontes, a explorar mais seu talento, e o resultado final foi um concerto com a City of Birmingham Symphony Orchestra, gravado pela Classic FM.

Por um lado, Hopkins teve muita sorte, pois poucos compositores contemporâneos são estreados direto por uma orquestra tão boa quanto o CBSO. No entanto, por outro lado, a música tinha que ser boa. Ok, é média. Hopkins escreve com considerável talento e confiança. A sensação é a de que ouvimos um homem que adora fazer música e que escreve instintivamente a partir de suas emoções. Com esse instinto, ele demonstra talento para criar obras curtas e cinematográficas, em vez de formas sinfônicas complexas. Ainda assim, dentro destes parâmetros, Hopkins desenvolve seu trabalho com musicalidade e nunca se limita à meras repetições. Ele já escreveu trilhas para filmes e sua música parece perfeita para acompanhar cenas. Hannibal adoraria tê-lo.

Anthony Hopkins (1937): Composer

1 Orpheus 5:02
2 Stella 6:27
3 Evershaw Fair 5:37
4 And The Waltz Goes On 5:44
5 Amerika 6:26
6 Margam 7:08
7 Circus 4:49
8 Bracken Road 4:10
9 The Plaza 3:02

City of Birmingham Symphony Orchestra
Michael Seal

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Hopkins: sem dúvida, um homem multifacetado

PQP

A Família das Cordas: Henry Purcell (1659-1695) – Fantasias for the Viols – Jordi Savall

81B3lfZG1YL._SL1274_Para encerrar essa série dos arcos, nada melhor que compartilhar com vocês algumas das mais maravilhosas obras já dedicadas a esses instrumentos: as Fantasias para violas compostas por Henry Purcell. Reunidas num consort – conjunto de instrumentos de mesmo feitio e tamanhos variados, que vai de soprano a viola da gamba baixo – as violas do Hespèrion XX fazem cintilar as ricas texturas sonoras compostas pelo gênio de 21 anos que, ninguém discute mais, foi o maior compositor já parido pelas ilhas inglesas. Na regência, só para arredondar, está o MIDAS Jordi Savall, que assegura a esta gravação o tão típico rótulo pequepiano que eu nunca antes usara e que agora estreio a plenos brônquios:

IM – PER- DÍ – VEL!!!

Henry PURCELL (1659-1695)

FANTASIAS FOR THE VIOLS (1680)
HESPÈRION XX – JORDI SAVALL

01 – Fantasia sobre uma nota

Fantasias em três partes
02 – Fantasia I
03 – Fantasia II
04 – Fantasia III

Fantasias em quatro partes
05 – Fantasia IV
06 – Fantasia V
07 – Fantasia VI

08 – In Nomine em seis partes

Fantasias em quatro partes
09 – Fantasia VII
10 – Fantasia VIII
11 – Fantasia IX

Fantasias em três partes
12 – Fantasia X
13 – Fantasia XI
14 – Fantasia XII

15 – In Nomine em sete partes

HESPÈRION XX

Jordi Savall, viola soprano e regência
Wieland Kuijken, viola baixo
Sophie Watillon, viola contralto
Eunice Brandão e Sergi Casademunt, violas tenores
Marianne Müller e Philippe Pierlot, violas baixo

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Aprendi que, nos quadros de Vermeer, o virginal (instrumento de teclado) representa a mulher, e a viola da gamba (normalmente atirada no chão), o homem. A paixão seria representada pela música tocada no virginal causando ressonância por simpatia nas cordas da gamba - a voz de uma mulher, enfim, tocando as fibras do coração de um homem. Johannes Vermeer van Delft, "A Lição de Música" (1692-1695).
Aprendi que, nos quadros de Vermeer, o virginal (instrumento de teclado) representa a mulher, e a viola da gamba (normalmente atirada no chão), o homem. A paixão seria representada pela música tocada no virginal causando ressonância por simpatia nas cordas da gamba – a voz de uma mulher, enfim, tocando as fibras do coração de um homem.
Johannes Vermeer van Delft, “A Lição de Música” (1692-1695).

Vassily Genrikhovich

Kimmo Pohjonen (1964) / Samuli Kosminen (1974): Uniko

Kimmo Pohjonen (1964) / Samuli Kosminen (1974): Uniko

Este elogiado disco não me entusiasmou muito. Há partes que parecem rock progressivo. Rock progressivo pior do que o que os caras faziam nos anos 70. Quem salva a coisa é o acordeon de Kimmo Pohjonen e o Kronos, sempre oportuno e com grande musicalidade. Mas, OK. Deixemos os meninos se divertirem. Bem, quem está aqui? Está o sensacional Kronos Quartet juntamente com o duo finlandês formado pelo acordeonista Kimmo Pohjonen e o guru do sampler Samuli Kosminen. Tudo produzido pelo islandês Valgeir Sigurosson, conhecido por sua colaboração com Bjork. Uniko foi encomendado pelo Kronos em 2003 e estreou no Festival de Helsinque em 2004. Em seguida, atraiu plateias lotadas em Moscou, Molde (Noruega) e Nova York. O acordeon de Pohjonen é eletrificado e Kosminen reproduz o acordeon de seu colega finlandês e o Kronos, além de outros sons. Os samplers, juntamente com as cordas e acordeão elétrico, criam efeitos e um mundo sonoro pelo qual não me interessei muito.

Kimmo Pohjonen (1964) / Samuli Kosminen (1974): Uniko

1 I. Utu 6:58
2 II. Plasma 6:16
3 III. Särmä 5:34
4 IV. Kalma 11:01
5 V. Kamala 5:38
6 VI. Emo 10:20
7 VII. Avara 6:01

Accordion, Voice – Kimmo Pohjonen
Arranged By [Strings] – Samuli Kosminen
Cello – Jeffrey Zeigler
Composed By, Arranged By – Kimmo Pohjonen, Samuli Kosminen
Electronics [Strings & Accordion Samples], Programmed By – Samuli Kosminen
Performer – Kronos Quartet
Viola – Hank Dutt
Violin – David Harrington, John Sherba

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Uniko: Kronos Quartet, Kimmo Pohjonen & Samuli Kosminen

PQP

A Família das Cordas: Playing for the World – The New Violin Family

newviolinfamilyPois a história de Grigoriy Sedukh e seus violinos miúdos não parou em sua gravação que apresentamos ontem: esses instrumentos são apenas três duma série de oito, concebidos e confeccionados pela luthier Carleen Hutchins para reproduzir, em diferentes tamanhos, as qualidades sônicas do violino.

A luthier buscava criar um conjunto de instrumentos, ao estilo dos consorts de violas do século XVII, que tivessem características sonoras homogêneas, baseadas no violino. Seu trabalho, que envolveu colaboração com físicos, resultou num octeto de instrumentos que vão do sopranino ao contrabaixo, mas que são, essencialmente, violinos.

octet horizontal

Um desses instrumentos, o violino contralto, foi usado por Yo Yo Ma para tocar o Concerto para viola de Bartók, com recepção mista. Alguns saudaram o som como “revelador”, mas muita gente estranhou. A riqueza de timbre da viola se perde em prol de mais brilho e projeção, que é… bem, justamente aquilo que a gente não espera de uma viola.

Não obstante, várias instituições dedicam-se à divulgação do legado de Hutchins, alguns com devoção quase religiosa a sua figura, e comissionando novas composições para o peculiar conjunto instrumental.

Sério: olhem o T A M A N H O do violino contrabaixo!!!
Sério: olhem o T A M A N H O do violino contrabaixo!!!

Nesse álbum, gravado no que parece ser um congresso da The New Violin Family Association, várias peças de exibição são tocadas nos diversos instrumentos do octeto. A qualidade um tanto precária da gravação deixa para a nossa imaginação muito do tão apregoado brilho desses novos instrumentos, mas ouvir a Fantasia de Vaughan Williams tocada por eles, numa massa sonora mais homogênea que uma orquestra de cordas moderna, faz pensar que o sonho de Hutchins pode ter virado realidade.

Mais sobre a The New Violin Family Association em seu sítio na grande rede.

THE NEW VIOLIN FAMILY – PLAYING FOR THE WORLD

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
01 – Suíte no. 2 em Si menor, BWV 1067 – Badinerie

Jean-Marie LECLAIR (1703-1777)
02 – Sonata em Mi maior – Adagio

Johann Sebastian BACH
03 – Concerto em Ré menor para dois violinos e orquestra, BWV 1043 – Largo

Marin MARAIS (1656-1728)
04 – L’Agréable

05 – Improvisação de Stephen Nachmonavitch e Sera Smolen

Jules Émile Frédéric MASSENET (1842-1912)
06 – Thaïs – Méditation

Diana GANNETT (1947)
07 – Simple Grace

Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
08 – Evgenyi Onegin, Op. 24 – Ária de Lensky

Ottorino RESPIGHI (1879-1936)
09 – Danze ed Arie Antiche – Danza d’il Conte Orlando

George GERSHWIN (1898-1937)
10 – Porgy and Bess – Summertime

Ástor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)
11 – Libertango

Ralph VAUGHAN WILLIAMS (1872-1958)
12 – Fantasia em vinte e três partes sobre um tema de Tallis

Albert Consort
Hutchins Consort
The New Violin Family Association Festival Orchestra

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A família completa
A família completa

Vassily Genrikhovich

Guia de Gravações Comparadas PQP – Beethoven: Symphony no.6 in F major op.68 ‘Pastorale’

Sim, precisamos falar sobre a Pastoral.

É uma questão importante, urgente, até. Considero esta a mais difícil das sinfonias de Beethoven em termos de categorização histórica. É uma sinfonia clássica com antecipações românticas, mas também é uma sinfonia já romântica em espírito, porém clássica em forma. Seria uma obra atemporal que reivindica independência a uma classificação de estilo? Seja como for, permanece num limiar sutil entre a pura expressão sensível (quase um poema sinfônico) e a forma-sonata expandida. Entre tantas possibilidades, de certa forma algo contraditórias, mantém a Pastoral sua imponente beleza além de qualquer conflito de interpretação. Mas qual delas consegue traduzir de maneira mais plena seu espírito universal? Considero impossível haver um consenso, já que falamos de expressão sensível, mas aponto algumas gravações que entendo como referenciais para esta obra:

1.Bruno Walter, Columbia Symphony Orchestra CBS (1962)

Esta gravação já consagrada é sem dúvida uma das preferidas de público e crítica. É uma leitura sincera e espontânea, que prima pelas harmonias sutis das mudanças de tom, e preserva a orquestração clássica original, quase camerística. Um fato inusitado para a época. Walter capta o estilo bucólico sem preconceitos estilísticos, e essa honestidade de propósitos se configura numa Pastoral de universalidade emocional patente. O último movimento é de uma sutileza comovente.

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2.Herbert von Karajan, BPO DG (1962)

A contrapartida é a leitura de Karajan do mesmo ano 1962. Insípida e afetada, destoa das demais sinfonias gravadas neste ciclo também já clássico, que (re-)lançou a Filarmônica de Berlim como orquestra de excelência pelo mundo afora, depois do trauma da II Guerra. É uma interpretação bastante forçada, e muito pouco inspirada, trazendo o mesmo Beethoven titânico da V Sinfonia para esta, de caráter absolutamente diverso. Serve para estabelecer um termo de comparação bastante útil entre as leituras clássicas e românticas. A última versão da Pastoral gravada por Karajan em 1984 não é nem digna de estar neste post.

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3.Nikolaus Harnoncourt, The Chamber Orchestra of Europe TELDEC (1991)

No pioneiro auge das gravações que se pretendiam ‘históricas’ ou ‘de época’, Harnoncourt se mostra surpreendente. Na mesma pegada que outros maestros se aventuraram, notadamente John Eliot Gardiner e Christopher Hogwood, Harnoncourt é o que consegue melhor equilíbrio entre o clássico formal e o bucolismo romântico. Seus ritmos são notadamente clássicos, mas tem uma suavidade ambígua que o coloca num limiar bastante diverso de seus colegas. Gardiner e Hogwood são bem mais carregados de modismos estilísticos que se caracterizam pela leitura histórica, e Harnoncourt opta por deixar a música fluir. A Tempestade nos remete às fúrias de Gluck, e soa com ecos da tempestade e ímpeto que tanto mobilizaram os imediatos antecessores de Beethoven. É a gravação que melhor capta o que talvez teríamos escutado em sua época, combinado com as intenções descritivas pré-românticas do mestre.

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4.Karl Böhm, VPO DG (1971)

Böhm também pertence à tradição romântica alemã, da qual Karajan é seu representante mais famoso. Mas Böhm tem um diferencial: não foi diretamente afetado pela fama megalomaníaca, e se reserva por isso o direito de fazer uma leitura sincera. É um Beethoven romântico por excelência, mas nem por isso menos interessante. Pelo contrário, a sinceridade de Böhm nos contagia, deixando-nos acreditar que talvez Beethoven pudesse ser, na verdade, um romântico enrustido.

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5.Liszt Transcription – Cyprien Katsaris TELDEC (1981) 

Para quebrar a hegemonia, uma versão para piano. Esta gravação, feita em 1981 pelo pianista grego-francês Cyprien Katsaris foi, estranhamente, a primeira vez que se lançou a transcrição de Liszt. Não é uma versão qualquer, tem a marca de pelo menos dois gênios. Eu gosto muito porque realça as mudanças harmônicas que na orquestra ficam diluídas nos timbres. Aqui, a tonalidade fica em evidência, e percebe-se o quanto essa tal harmonia era cara a Beethoven. E nos mostra uma outra faceta curiosa: música boa é sempre boa, quer original ou transcrita.

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6.Kurt Masur, Gewandhausorchester Leipzig PHILIPS (1973)

Essa gravação eu conheci através da Enciclopédia Salvat dos Grandes Compositores, uma publicação espanhola que teve seus dias de glória no Brasil no final da década de 80. No início me parecia muito razoável, mas só depois que ouvi diversas outras versões (Bernstein-NYPhO, Abbado-VPO e as demais aqui descritas) é que me dei conta que é a leitura que melhor capta o clima de espírito pastoral, independente da abordagem de estilo. Andamentos suaves, dinâmica sutil, timbres bem delineados. Uma tempestade épica, um finale glorioso, faz parecer que todo o universo dança.

Ao lado da gravação de Bruno Walter, considero esta a verdadeira Pastoral. A gravação de Masur com a mesma Gewandhaus de Leipzig feita nos anos 90 não chega aos pés dessa. Confiram.

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CHUCRUTEN

A Família das Cordas – Violino Piccolo – Grigoriy Sedukh

gscd– Um álbum só de violino piccolo, Vassily?

Quase.

Desde a primeira vez em que escutei os Concertos de Brandenburg de Bach, chamou-me a atenção aquele violininho serelepe e pungente a buscar espaço com valentia em meio aos tantos sopros do Concerto no. 1:

Nunca mais ouvi falar do tal violino piccolo, de tamanho a um violino 3/4 para jovens, com algumas diferenças de construção e que soa uma terça acima dos violinos convencionais, até encontrar alguns vídeos do ucraniano Grigoriy Sedukh tocando o que chamava de piccolo em peças convencionais do repertório violinístico.

Sem ler muito as letras miúdas, comprei seu CD (lançado pelo pitorescamente batizado selo “The Catgut Acoustic Society Co.”) para só depois descobrir – mais surpreso, talvez, que decepcionado – aquela história do gato comprado por lebre.

Pois aqui Sedukh não toca exatamente o instrumento de que Bach lançara mão, mas sim num chamado “violino sopranino”, que soa uma oitava acima do violino convencional e que tem, guardadas as proporções, as mesmas proporções deste. A gravação inclui somente uma faixa com um instrumento semelhante ao piccolo barroco, o  “Adagio” de Grazioli, executado num violino dito “soprano” (uma quarta acima do convencional, mais ou menos como o piccolo), além de uma peça num “mezzo” (afinado exatamente como o convencional).

O repertório é um balaio de gatos que, obviamente, não tem razão outra de ser que não a de exibir as qualidades dos instrumentos e do intérprete. Eu acho estranho abrir uma gravação com a Polonaise de Bach, que é uma obra que parece já começar no meio, mas depois as coisas melhoram bastante. Sedukh é bom violinista e, neste pequeníssimo nicho musical, mostra-nos um bom cartão de visitas.

GRIGORYI SEDUKH – VIOLIN SOLOIST

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Suíte Orquestral no. 2 em Si menor, BWV 1067
01 – Polonaise
02 – Badinerie

Giovanni Battista  GRAZIOLI (1756-1820)
03 – Adagio*

Niccoló PAGANINI (1782-1840)
04 – Sonatina no. 1 para violino e violão
05 – Sonatina no. 3 para violino e violão

Joseph Joachim RAFF (1822-1882)
06 – Cavatina, Op. 85 no. 3

Piotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
07 – O Lago dos Cisnes, Op. 20 – Entrée et Adagio
08 – Álbum para a Infância, Op. 39 – no. 22: Canção da Cotovia
09 –  O Lago dos Cisnes, Op. 20 – Adagio †
10 –  O Lago dos Cisnes, Op. 20 – Dança Russa

Jules Émile Frédéric MASSENET (1842-1912)
11 – Thaïs – Méditation

Nikolay Andreyevich RIMSKY-KORSAKOV (1844-1908)
12 – A Lenda do Czar Saltan – O Vôo do Zangão (Шмель, Mamangaba)

Riccardo Eugenio DRIGO (1846-1930)
13 – Les Millions d’Arlequin – Adagio

Friedrich (Fritz) KREISLER (1875-1962)
14 – Marcha dos Soldados de Brinquedo

Grigoryi Sedukh, violinos sopranino, *soprano e † mezzo
Inga Dzektser, piano

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Vassily Genrikhovich

Dzektser, Sedukh - e violinos para todos os gostos
Dzektser, Sedukh – e violinos para todos os gostos

 

Johannes Hieronymus Kapsberger (1580-1651): Libro Quarto D’Intavolatura Di Chitarone – Rolf Lislevand

Johannes Hieronymus Kapsberger (1580-1651): Libro Quarto D’Intavolatura Di Chitarone – Rolf Lislevand

 

 

Il Tedesco della Tiorba

 

 

 

Johannes Hieronymus Kapsberger deve ter sido chamado Giovanni por toda a sua vida. Entendi que ele nasceu em Veneza, para onde o Coronel Wilhelm (Guglielmo) von Kapsberger, da Casa Imperial de Áustria, fora de armas e bagagens. Por volta de 1609, Kapsberger, o filho, estava em Roma onde ganhou fama de virtuose das cordas – alaúde, tiorba, guitarra e instrumentos do gênero. Ele deve ter passado uma temporada em Nápoles. Casou-se com Gerolima Rossi, de família nobre napolitana. Aqui você encontrará uma entrevista com uma estudiosa de Kapsberger, revelando o quanto se tem descoberto sobre esse interessante personagem.

Este compositor não é um total estranho aqui nas paradas do PQP. Seu nome aparece em algumas postagens. Em uma delas, um álbum gravado pelo Hespèrion XX e Jordi Savall, temos duas faixas dedicadas a Kapsberger, ambas se repetem aqui – Canario e Arpeggiata. E ambas dividem o mesmo intérprete principal, o mago das cordas tangidas, o norueguês Rolf Lislevand. Aqui temos um álbum dedicado totalmente a Kapsberger. As peças do Libro Quarto d’Intavolatura di Chitarone. Você poderá ver o Rolf em ação, aqui.

The CD is on the table!

Lislevand também contribuiu para o texto do livreto e afirma em aparente contradição: Kapsberg era tão mau compositor quanto era excelente instrumentalista. Ainda segundo Rolf, a música de Kapsberger tem falhas na coerência e sua estrutura é imprevisível (criatividade?). É assim um desafio para os intérpretes. Aqui uma característica deste maravilhoso disco: a música é apresentada não apenas pelo solista, mas tem o acompanhamento de vários outros músicos. Para que você julgue por si mesmo, compare a interpretação dada neste álbum para a faixa denominada Canario, com a interpretação dada por outro intérprete, aqui.

Com uma execução como esta, para uma coleção tão diversa e surpreendente, temos um álbum delicioso que continuará lhe dando muito prazer mesmo após diversas audições. As minhas faixas favoritas são a Capona-Sferraina, Canario e Ciaccona. Mas há muito mais em que se deleitar.

Giovanni Girolamo Kapsberger

Johannes Heronymus Kapsberger (1580-1651)

 Libro Quarto D’Intavolatura Di Chitarone, Roma 1640
  1. Toccata Prima
  2. Capona – Sferraina
  3. Toccata 9na
  4. Toccata Xma
  5. Passacaglia In 1a
  6. Canario
  7. Ballo Primo (Uscita – Ballo – Gagliarda – Corrente)
  8. Toccata 7ma
  9. Ciaccona
  10. Passacaglia In Re
  11. Oassacaglia In Sol
  12. Bergamasca
  13. Canzone Prima
  14. Toccata 2da
  15. Kapsberger
  16. Battaglia
  17. Colasione
  18. Toccata Seconda Arpeggiata

Rolf Lislevand, théorbe, colascione

Eduardo Eguez, chitarra batente
Brian Feehan, chitarrone, colascione
Guido Morini, organ, harpsicord
Lorentz Duftschmid, violino
Pedro Estevan, percussion

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Rolf Lislevand

Uma prova de que as interpretações de Kapsberger eram impressionantes e apaixonadas está na descrição feita por seu amigo, o poeta Ciampoli, quando este louvou as festividades de coroação do papa Urbano VIII:

“Di lunghe fila armata
Tiorba à febo amica
Con Alemanno ardir fulmini, e tuoni.”

Salve, Tedesco!

René Denon

Astor Piazzolla (1921-1992) – Soul of the Tango – The Music of Astor Piazzolla – Yo-Yo Ma

A despeito do destaque na capa, o ótimo Yo-Yo Ma não tem tanto protagonismo neste álbum de pérolas de Astor Piazzolla. Com a reverência que lhe é tão própria, ele se alinha a grandes nomes do tango, ao Duo Assad e, notavelmente, ao próprio Astor Piazzolla (no dueto “Tango Rememberances”, cujas partes foram gravadas com dez anos de diferença) para render tributo ao mestre argentino. Claro que há muito mais em sua obra desenfreada do que cabe num só CD, e que existem roupagens muito mais radicais dessas composições já tantas vezes regravadas. Ainda assim, o que ouvimos nesta “Alma do Tango” é uma tremenda introdução a Piazzolla, com um belíssimo “Libertango” que eu deixaria tocando em loop pelo resto dos meus dias.

YO-YO MA – SOUL OF THE TANGO – THE MUSIC OF ASTOR PIAZZOLLA

Astor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)

1 – Libertango

2 – Tango suite, para dois violões: Andante

3 – Tango suite, para dois violões: Allegro

4 – Regreso al Amor (da trilha sonora do filme “Sur”)

5 – Le Grand Tango

6 – Fugata

Astor Pantaleón PIAZZOLLA e Jorge CALANDRELLI (1939)

7 – Tango Rememberances

Astor Pantaleón PIAZZOLLA

8 – Mumuki

9 – Tres Minutos con la Realidade

10 – Milonga del Ángel

11 – Café 1930

Yo-Yo Ma, violoncelo

Astor Piazzolla, bandoneón (faixa 7)

Sergio e Odair Assad, violões

Kathrin Scott, piano

Nestor Marconi, bandoneón

Antonio Agri, violino

Horacio Malvicino, violão

Hector Console, contrabaixo

Leonardo Marconi, piano

Gerardo Gandini, piano

Frank Corliss, piano

Edwin Barker, contrabaixo

Jorge Calandrelli, direção musical

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Vassily

De quando Piazzolla aprendeu a fazer caipirinha, por Beto Barreiros (https://www.revistaversar.com.br/memorias-do-box-quando-astor-piazzolla-aprendeu-a-fazer-caipirinha/)

 

 

 

 

 

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. V – Clori, Tirsi e Fileno

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. V – Clori, Tirsi e Fileno

IM-PER-DÍ-VEL !!!

E vamos para mais um CD da excelente série de Cantatas Italianas, de Handel. Estou me enrolando para concluir esta série por absoluta falta de tempo, às vezes dá vontade de pedir mais umas férias para o PQP, outras vezes dá vontade de postar três CDs de um só vez. Outro motivo que me impede de postar mais é o péssimo serviço que a OI oferece aqui na minha área. Se privilegiam de não terem concorrência. Portanto, se de repente eu sumir é por que mandei essa porcaria de serviço de internet para o inferno.

Roberta Invernizzi volta neste CD, e novamente dá um banho de interpretação. Como diz o mano PQP, “Dás um banho, querida”. Mas está bem acompanhada. As outras duas solistas também são excelentes. E o Conjunto “La Risonanza” continua competente como sempre, dirigido por Fabio Bonizzoni.

Vamos ao que interessa.

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. V – Clori, Tirsi e Fileno

01 – Ouverture
02 – Aria (T) – Cor Fedele
03 – Recitativo (T) – Povero Tirsi
04 – Aria (T) – Quell’ erbetta
05 – Recitativo (T) – Se il guardo non vaneggia
06 – Aria (C) – Ca col canto lusingando
07 – Recitativo (C,T)  – Se il guardo non vaneggia
08 – Aria – (F) – Sai perché l’onda del fiume
09 – Recitativo (C) – Vezzoso Pastorello
10 – Aria (C) – Conosco che mi piaci
11 – Recitativo (F,C) – Dunque sperando in vano
12 – Aria (C) – Son come quel nocchiero
13 – Recitativo (C,T,F) – S’altra pace non brami
14 – Duetto (C,F) – Scherzano sul tuo volto
15 – Duetto (C,T) – Fermati! No, crudel!
16 – Recitativo (T) – Creder d’un angue
17 – Aria (T) – Tra le fere la fera più cruda
18 – Recitativo (C) – Tirsi, mio caro Tirsi
19 – Aria (C) – Barbaro, tu non credi
20 – Recitativo (T,C) – Pur cederti mi è forza
21 – Aria (C)  – Amo Tirsi
22 – Recitativo (F) – Va, fidati a promessa
23 – Aria (F) – Povera fedeltà
24 – Recitativo (T) – Non ti stupir, Fileno
25 – Aria (T) – Un sospiretto d’un labbro pallido
26 – Recitativo (F) – Tirsi, amico e compagno
27 – Aria (F) – Come la rondinella
28 – Recitativo (C,T,F) – Così, felici
29 – Terzetto (C,T,F) – Vivere e non amar, amare e non laguir, languire e non penare.

Roberta Invernizzi – Soprano
Yetzabel Arias Fernández -Soprano
Romina Basso – Alto
La Risonanza
Fabio Bonizzoni – Harpsichord & Direction

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Handel não podia andar na rua sem ser abordado por fãs

FDPBach

Dmitri Kabalevsky (1904-1987) – Concerto para piano no. 3, “Juventude” – Gilels – Kabalevsky

0888608558273_600Estava preparando uma postagem pesadíssima para este Dia das Crianças, data frívola criada pelo comércio para, entre outras coisas, vender brinquedos e promover concursos de beleza de bebês lindamente (e, pelo menos para o Brasil, atipicamente) brancos.

A semana, no entanto, foi medonha, e como vocês não têm culpa alguma por estarem vivendo um ensolarado e colorido feriado, resolvi guardar o chumbo grosso para outro dia.

Deixo-lhes hoje este agradável concerto para piano de Kabalevsky, dedicado aos jovens pianistas da União Soviética, que com ele passaram a ter a seu alcance uma obra concertística cheia de verve, sem terem que vencer grandes dificuldades técnicas. O primeiro movimento, particularmente, é muito evocativo da galhardia da juventude. Aqui, o solo fica a cargo de gente bem grande – ninguém menos que o colosso Emil Gilels, que seria capaz de tocá-lo de costas, e com uma só mão -, sob regência do próprio compositor.

Este concerto muito breve, com meros dezoito minutos, será muito familiar aos ouvintes da FM Cultura de Dogville que, como eu, a escutavam nos bons (e velhos) tempos em que ela tocava música erudita. Sempre que sobrava uma brecha na programação, esta gravação de Gilels era um dos “tapa-buracos” de que a rádio lançava mão para arredondar a hora na grade e, quem sabe, permitir que o pessoal do estúdio tomasse um cafezinho.

Dmitri Borisovich KABALEVSKY (1904-1987)

Concerto para piano e orquestra no. 3 em Ré menor, Op. 50, “Juventude”

01 – Allegro molto
02 – Andante con moto
03 – Presto

Emil Gilels, piano
Grande Orquestra Estatal da Rádio e Televisão da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Dmitri Kabalevsky, regência

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Emil Gilels - um gigante nada pueril
Emil Gilels – um gigante nada pueril

Vassily Genrikhovich

Antonio Vivaldi (1678-1741): Amor Profano – Árias

Antonio Vivaldi (1678-1741): Amor Profano – Árias

Um bonito disco com a extraordinária Simone Kermes e grupo. É maravilhoso que os trabalhos vocais de Vivaldi estejam gradualmente ganhando exposição, porque realmente são um tesouro de música absolutamente maravilhosa e Kermes é uma de suas mais recentes evangelistas. Amor Profano é a continuidade do projeto que começou com o esplêndido álbum Amor Sacro que Kermes também gravou com Marcon e sua Orquestra Barroca de Veneza. Claro, ao contrário de Amor Sacro, este disco tem repertório não litúrgico, mas mundano, retirado de várias óperas. São momentos dramáticos e bem acessíveis de Vivaldi.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Amor Profano: Arias

1 L’Olimpiade, RV 725 – Siam Navi All’Onde 6:46
2 La Fede Tradita E Vendicata, RV 712 – Sin Nel Placido Soggiorno
Cello – Francesco Galligioni
7:43
3 Orlando Furioso, RV 728 – Ah Fuggi Rapido 2:29
4 Tito Manlio, RV 738 – Non M’Afflige Il Tormento Di Morte 4:06
5 Semiramide, RV 733 – Quegl’ Occhi Luminosi 5:06
6 Il Tigrane, RV 740 – Act 2 – Squarciami Pure Il Seno 3:21
7 Catone In Utica, RV 705 – Act 1 – Se In Campo Armato 6:28
Sinfonia – Il Tamerlano [Il Bajazet], RV 703
8 Allegro 2:22
9 Andante Molto 2:39
10 Allegro 0:56
11 Griselda – Dramma Per Musica, RV 718 – Agitata Da Due Venti 5:31
12 Tito Manlio, RV 738 – Act 3 – Dopo Sì Rei Disastri 1:40
13 La Verità In Cimento, RV 739 – Act 1 – Amato Ben Tu Sei La Mia Speranza 7:25
14 Tito Manlio, RV 738 – Act 2 – Combatta Un Gentil Cor
Trumpet – Gabriele Cassone
4:34
15 La Farfalletta, RV 660 – La Farfalletta 6:47
16 Il Giustino, RV 717 – Act 3 – Or Che Cinto Ho Il Crin D’Alloro 3:36

Adapted By – Andrea Marcon (tracks: 1 to 7, 11 to 16)
Bassoon – Andrea Bressan (2)
Cello – Francesco Galligioni, Matteo Fusi
Conductor – Andrea Marcon
Harpsichord – Andrea Marcon, Luca Scandali
Horn – Dileno Baldin, Francesco Meucci
Lute – Evangelina Mascardi, Ivano Zanenghi
Oboe – Davide Bettin, Michele Favaro
Orchestra – Venice Baroque Orchestra
Recorder – Arrigo Pietrobon, Giuliano Furlanetto
Soprano Vocals – Simone Kermes
Timpani – Riccardo Balbinutti
Trumpet – Gabriele Cassone, Jonathan Pia
Viola – Alessandra Di Vincenzo, Mauro Righini
Violin [I] – Giuseppe Cabrio, Luca Mares, Massimiliano Tieppo, Vania Pedronetto
Violin [II] – Gianpiero Zanocco, Giorgio Baldan, Jonathan Guyonnet, Massimiliano Simonetto
Violone – Alessandro Sbrogiò

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Canaletto: “O Grande Canal e a Igreja da Saúde” (1730).

PQP

Antonio Vivaldi (1678-1741) – Il Progetto Vivaldi 1 – Sol Gabetta, Sonatori de La Giocosa Marca

Não sei com relação ao senhores, mas a música de Vivaldi tem a incrível capacidade de melhorar meu dia, transformar em ensolarado mesmo um dia nublado e chuvoso. É meu para-quedas, meu guarda chuva contra as adversidades do dia a dia. A genialidade de Vivaldi se estende em todas os instrumentos para os quais compôs, e aqui temos uma prova disso, nos Concertos para Violoncelo.  Nosso colega René Denom recém postou dois cds maravilhosos desta figura ímpar, dando ênfase às gravações com instrumentos de época, focados em interpretações historicamente informadas. Mas com Sol Gabetta não temos esta preocupação de interpretações historicamente corretas, ela não se importa em fazer uma leitura ‘moderna’ destas obras primas, mesmo acompanhada por orquestras especializadas.

A violoncelista argentina lançou nos últimos anos três cds que intitulou ‘Il Progetto Vivaldi’, projeto este que iniciou lá em 2007,  que trouxe obras para violoncelo e cordas do padre ruivo. Volto a ressaltar, Gabetta faz uma leitura mais ‘atualizada’,  ao contrário de músicos do nível de Marco Ceccato, genial violoncelista do projeto de Amandine Beyer, Il Gli Incognito’ ou então de Christopher Coin ou de outro gigante do instrumento, recém falecido, Anner Bylsma.

Sempre muito bem acompanhada por excelentes conjuntos orquestrais,  Gabetta nos mostra todo seu talento neste projeto. Neste primeiro CD, ela tem como parceiros o conhecido conjunto barroco ‘Sonatori de la Giocosa Marca’, que já deu o ar de sua graça aqui no PQPBach.

Como não poderia deixar de ser, o resultado é excelente. Vale conferir. Vou postar um CD de cada vez, para melhor serem apreciados.

01. Cello Concerto F major, RV 410_ Allegro
02. Largo
03. (Allegro)
04. Violin Concerto A minor, RV 356_ Allegro
05. Largo
06. Presto
07. Cello Concerto A minor, RV 418_ Allegro
08. Largo
09. Allegro
10. Cello Concerto B flat minor, RV 424_ Allegro
11. Largo
12. Allegro
13. Cello Concerto G major, RV 413_ Allegro
14. Largo
15. Allegro
16. Cello Concerto C minor, RV 401_ Allegro non molto
17. Adagio
18. Allegro ma non molto
19. Violin Concerto F minor, RV 297 – ‘Winter’ from ‘The Seasons’_ Allegro non molto
20. Largo
21. Allegro

Sol Gabetta – Violoncelo
Sonatori de La Giocosa Marca

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A Família das Cordas: Per la Viola da Gamba – Hille Perl

51KabaD+lcL._SY355_Se dependesse de mim, cretino gambista subamador, vocês teriam gamba aqui todos os dias.

Como isso acarretaria meu desterro deste pago bloguístico que tanto prezo, eu tento me coordenar. Hoje, entretanto, tenho um bom pretexto: estou a falar dos membros em desuso da Família das Cordas e, ei, a viola da gamba anda, infelizmente, menos em voga do que mereceria.

A situação, claro, já foi pior. É uma lástima, sem dúvidas, que o lindo timbre e som ricamente ressonante da gamba tenham sido preteridos em prol do também belo, mas bem mais robusto violoncelo com cordas de metal, espigão, e outros aditivos mais apropriados a amplas salas de concerto. Por outro lado, é impossível reclamar da qualidade dos gambistas em atividade. Já lhes apresentamos anteriormente o Midas catalão Jordi Savall e o mago italiano Paolo Pandolfo. Hoje, trazemos para vocês Hildegard Perl – Hille, para os íntimos.

Se essas peças todas de Bach serão familiares à maior parte das senhoras e dos senhores, asseguro-lhes que sua roupagem é bastante diferente. A Suíte BWV 1011, transposta para Ré menor, ganha muita riqueza, especialmente nos fugatos do prelúdio. O novo arranjo da Sonata/Suíte BWV 1025, originalmente para violino e cravo e baseada em uma obra para alaúde de Sylvius Leopold Weiss, soa muito mais convincente aqui como trio-sonata, com o alaúde a tocar a parte original de Weiss, e a viola da gamba. Por fim, a Sonata BWV 1029, a única das obras de álbum concebida para a gamba, ganha uma roupagem concertística que a deixa ainda mais parecida com o terceiro Concerto de Brandenburg.

PER LA VIOLA DA GAMBA – HILLE PERL

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Suíte no. 5 para violoncelo solo em Dó menor, BWV 1011
(transcrita para viola da gamba por Hille Perl, transposta para Ré menor)

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Gavotte I-II
06 – Gigue

Sonata (Suíte) em Lá maior para violino e cravo, BWV 1025
(baseada numa Suíte para alaúde de Sylvius Leopold Weiss e transcrita por Hille Perl para alaúde, viola da gamba e contínuo)

07 – Fantasia
08 – Courante
09 – Rondeau
10 – Sarabande
11 – Menuett
12 – Allegro

Sonata para viola da gamba e cravo no. 3 em Sol menor, BWV 1029
(arranjo de Hille Perl para violino, viola da gamba e contínuo)

13 – Vivace
14 – Adagio
15 – Allegro

Hille Perl, viola da gamba baixo
Lee Santana, alaúde
Andrew Lawrence-King, harpa cruzada*
Veronika Skuplik, violino
Barbara Messmer, viola da gamba baixo

* o termo “harpa cruzada” foi o melhor que encontrei para descrever a harpa sem pedais (em inglês, “double harp”). Se houver tradução melhor, peço a gentileza de me fazerem saber.

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Além de boa, é linda. A gamba, claro.
A gamba de Hille Perl e sua fiel escudeira

Vassily Genrikhovich

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Mingus

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Mingus

(PQP garante: este é um dos melhores discos que ele já ouviu).

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Tropeçava em latas de lixo quando encontrei a capa abaixo, e imediatamente me vi cheio de interrogações.

Joni Mitchell? Mingus? Que diabos. Ou, que diabos Mitchell está fazendo com Mingus? Por aí já podem notar minha desconfiança em relação à cantora. Mas eu prefiro ficar surdo a desistir antes de tentar. E lá fui, farejando, descobrir que Joni foi criticadíssima à época do disco, 1979; apontaram-na como decadente, esnobe por tentar dar verve ao pop, tentando pegar uma carona na então recente morte do underdog.

Mas quando se cava mais um pouco, se descobre que Mingus havia chamado Joni para ajudá-lo a musicar o Four Quartets de T. S. Eliot alguns meses antes, o baixista já imobilizado pela doença que o mataria em seguida. E que, fruto disso, cresceu a amizade – e mesmo Joni pôde sair de um bloqueio criativo que a consumia durante longo tempo. Donde o disco-homenagem, que ela não imaginava que seria póstumo. Tanto que Mingus só não chegou a escutar uma das faixas, a primeira, composição totalmente dela – ao invés das outras, versões de Mingus, com letras por Joni escritas, e abençoadas pelo mestre.

Não apenas na aura criada pelo duo; Joni, que não era boba, cercou-se de um pequeno grupo de pilares do jazz para gravar o álbum. Em Mingus, a base é a do Weather Report – confira a nominata logo abaixo. (Ame ou odeie o fusion, todos sabemos dos pedigrees.) Aqui só adianto que é um dos mais brilhantes, e por vezes experimental, trabalhos de Jaco Pastorius. Seu baixo é o condutor dessas faixas de um jazz relaxante, espaçado, cheio de respiros – e sim, sob bela e macia voz, bem colocada, discreta. Os detratores estavam errados. Ou com ciúmes. Ainda: um atrativo a mais são os “raps” que entremeiam as canções – vinhetas com gravações de Mingus em conversas, cenas cotidianas, até um scat em duo com Joni. (O que, inclusive, faz deste um disco curto, de apenas seis músicas.)

Joni Mitchell – Mingus (1979)
Joni Mitchell: guitar, vocals
Jaco Pastorius: bass
Wayne Shorter: soprano saxophone
Herbie Hancock: electric piano
Peter Erskine: drums
Don Alias: congas
Emil Richards: percussion

produzido por Joni Mitchell para a Asylum

01 Happy Birthday 1975 (Rap) 0’57
02 God Must Be A Boogie Man (Mitchell) 4’35
03 Funeral (Rap) 1’07
04 A Chair in the Sky (Mingus) 6’42
05 The Wolf That Lives in Lindsey (Mingus) 6’35
06 I’s a Muggin’ (Rap) 0’07
07 Sweet Sucker Dance (Mingus) 8’04
08 Coin in the Pocket (Rap) 0’11
09 The Dry Cleaner from Des Moines (Mingus) 3’21
10 Lucky (Rap) 0’04
11 Goodbye Pork Pie Hat (Mingus) 5’37

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Joni & Mingus em linda foto
Joni & Mingus em linda foto 2
Vejam só quem está no disco. Erskine, Mitchell, Pastorius e Hancock. Poderia dar errado?

Boa audição!
Blue Dog

Ainda mais Cordas: o Ukulele (Johann Sebastian Bach – Partita em Mi maior, BWV 1006 e outras obras – John King)

51R4BSKPY1LDepois do banjo de ontem, ainda mais tomates?

Pois bem: podem atirá-los, mas não sem antes esquecerem a capa bem tosquinha do CD, desvestirem todas as lembranças que podem ter do ukulele no Feitiço Havaiano a que assistiram nas matinês (para os mais velhos) ou na Sessão da Tarde (para os nem tanto) e deixarem de lado o ranço que possam ter para com seu primo, o cavaquinho: quem assim o fizer, e depuser os tomates, irá se surpreender com a excelência desse disco.

John King (1953-
2009), que teve excelente formação como violonista clássico, dedicou sua vida a granjear reputação para o miúdo ukulele nas salas de concerto. Encomendou instrumentos a excelentes luthiers (um dos quais atende o monstro Julian Bream) e, emprestando ao diminuto braço e às delicadas cordas sua ótima técnica violonística, deixou-nos gravações que deixariam Johann Sebastian totalmente pimpão.

Aqui, King adota a técnica chamada “Campanella” (italiano para “sineta”), que leva cada nota a ser tocada numa corda diferente, resultando num som bastante límpido e ressonante, muito reminiscente daquele de uma harpa. Escutem as transcrições dos excertos de suítes, sonatas e partitas para violino e violoncelo do Demiurgo Bach, não deem muita bola para a transcrição meio perdida do “Jesus, Alegria dos Homens” que encerra o álbum, e deleitem-se!

JOHANN SEBASTIAN BACH – PARTITA NO. 3 AND OTHER WORKS TRANSCRIBED FOR UKULELE – JOHN KING

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
transcrições para ukulele de John King

Suíte para violoncelo em Sol maior, BWV 1007

01 – Prelude
02 – Sarabande
03 – Gigue

Suíte para violoncelo no. 6 em Ré maior, BWV 1012

04 – Gavotte I-II

Suíte para violoncelo no. 5 em Dó menor, BWV 1011

05 – Gavotte I-II

Suíte para violoncelo no. 4 em Mi bemol maior, BWV 1010

06 – Bourrée I-II

Partita para violino no. 3 em Mi maior, BWV 1006

07 – Prelude
08 – Loure
09 – Gavotte en rondeau
10 – Menuet I-II
11 – Bourrée
12 – Gigue

O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Dó maior, BWV 846

13 – Prelúdio

Cantata “Herz und Mund und Tat und Leben”, BWV 147

14 – Coral: “Jesus bleibet meine freude”

John King, ukulele

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John King - grandes perfumes dos menores frascos
John King – tirando grandes perfumes dos menores frascos

Vassily Genrikhovich