Haydn (1732-1809): 3 Quartetos de Cordas – Quatuor Ébène

Haydn

Quartetos Op. 64, 5 – Op. 33, 1 – Op. 76, 1

Quatuor Ébène

 

Se você for um blogueiro de música e houver um daqueles dias nos quais as ideias sobre postagens mostrarem-se rarefeitas, não se preocupe, sempre há Haydn!

Quartetos de cordas, por exemplo, inúmeros. Não recomendo postagem da integral, isto dará um trabalho insano e a inspiração pode fugir. Sem contar que não parece ser boa política fazer canja de galinha boa poedeira.

Pois eu sou assim, gosto de Haydn, especialmente estes discos com umas duas ou três de suas peças. Portanto, quando avistei este álbum, saltei-lhe logo em cima. É claro, eu precisava antes ser convencido que valeria a postagem. Afinal, para os senhores, apenas o melhor! Pois bem, aqui está, o disquinho é danado de bom.

Gravado ao vivo na Abadia Real de Fontevraud, este é o primeiro álbum do famoso Quatuor Ébène, que já tem uma outra formação. No libreto há uma entrevista na qual o grupo explica as escolhas feitas para o disco: gravação ao vivo e repertório.

Sobre a gravação, eles falam sobre a energia que recebem da audiência. A adrenalina do momento aumenta a concentração, segundo eles, e também ajuda a dar um certo sentido de improvisação.

Sobre o repertório, observam que Haydn é o princípio desta formação musical e que uma vez alcançado o domínio dessas estruturas musicais estariam preparados para outros estágios, tais como os quartetos de Beethoven e Bartók.

Eles buscaram entre os tantos quartetos de Haydn aqueles que pela genialidade do compositor mais espontaneamente mostrassem um apelo ao grupo. Chegaram assim a três quartetos de diferentes períodos da vida de Haydn, o que mostra o quanto era a sua inspiração renovável e infalível.

O Quarteto Op. 64, 5, The Lark (l’Alouette, A Cotovia) é um dos mais famosos quartetos de Haydn e combina sutileza e elegância com extrema vitalidade. Composto em 1790, reflete a alegria que Haydn sentia com a perspectiva da viagem à Londres e por estar finalmente livre de suas obrigações com a família Esterházy.

O Quarteto Op. 33, 1 foi composto em 1781 quando Haydn tinha 48 anos e estava no auge de sua capacidade criativa, autoconfiante, resultando assim em uma obra repleta de audácia e criatividade. Eles mencionam a decisão de substituir o convencional minueto por um surpreendente scherzo e o quanto isto deve ter deixado estupefatos os músicos de Paris e de Viena. Há uma teoria de que esta obra teria persuadido Mozart a escrever a sua série de quartetos que foi dedicada a Haydn. Pela primeira vez Mozart teria se sentido superado por outro compositor.

O Quarteto Op. 76, 1 foi composto em 1796, quando Haydn já estava de volta de suas viagens a Londres e ainda mantinha a mesma incrível energia além de um grande domínio sobre a arte de compor quartetos. Ao longo da peça ouvimos as quatro vozes em total harmonia enquanto passam de um movimento ao outro, deixando momentos de provocação, meditação, vivacidade, terminando com rústica alegria, típica de Haydn.

Com uma estreia assim propícia, não é surpresa que o Quatuor Ébène continue a produzir discos tão bons como os que conhecemos. Para uma crítica bastante equilibrada deste álbum, você pode acessar este link.

Joseph Haydn (1732-1809)

Quarteto de cordas em ré maior, Op. 64, No. 5 (Hob. III. 63) – “l’Alouete”

  1. Allegro moderato
  2. Adagio cantábile
  3. Menuet – Allegretto
  4. Finale – Vivace

Quarteto de cordas em si menor, Op. 33, No. 1 (Hob. III. 37)

  1. Allegro moderato
  2. Scherzo – Allegro di molto
  3. Andante
  4. Finale – Presto

Quarteto de cordas em sol maior, Op. 76, No. 1 (Hob. III. 75)

  1. Allegro com spirito
  2. Adagio sostenuto
  3. Menuet – Presto
  4. Finale – Allegro ma non troppo

Quatuor Ébène

Pierre Colombet, violino
Gabriel Le Magadure, violino
Mathieu Herzog, viola
Raphaël Merlin, violoncelo
Produção: Cécile Lenoir

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FLAC | 266 MB

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MP3 | 320 KBPS | 132 MB

Uma noite na Abadia ouvindo três dos melhores quartetos de Haydn interpretados pelo Quatuor Ébène… quer mais?

René Denon

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