Schubert (1797-1828): Sonatas – Wilhelm Kempff (parte 1 de 2)

Schubert (1797-1828): Sonatas – Wilhelm Kempff (parte 1 de 2)

Em algum lugar eu li e nunca mais esqueci: “Schubert nasceu para a música como as fagulhas saltam para o ar. De todos os compositores com um dom acima do mortal, o seu foi talvez o mais espontâneo, o mais abundante, o mais puramente lírico”. Sem dúvida estas Sonatas que ora vamos compartilhar com os amigos do blog em duas partes são uma pequena porção do gênio criativo e abundante criador de melodias que foi Schubert. Todos os escritores dizem que ele era amável, sincero, alegre, generoso, sem o menor vestígio de rancor ou inveja. Se algum de seus amigos dava um baile, ele era capaz de improvisar valsas durante horas. Alguns compositores vivem para a música. Schubert era a música. Diz a lenda que ele dormia muitas vezes de óculos a fim de não ter que perder tempo a procura-los se lhe ocorresse alguma ideia a noite. O amigo de Schubert o pintor Moritz von Schwind disse certa vez: “Não poderia haver existência mais feliz. Todas as manhãs, Schubert compunha alguma bela peça e toda tarde ia passear e encontrava os amigos, tocava e cantava, ficávamos arrebatados, depois íamos a alguma taverna jogar bilhar e beber. Não tínhamos um tostão, mas éramos felizes”.

Devemos a redescoberta das Sonatas ao grande pianista austríaco Artur Schnabel, cujas execuções dessas obras vieram como grande revelação ao mundo musical. As sonatas para piano de Schubert permaneceram desconhecidas um tempo muito longo. Para se ter uma ideia Rachmaninov não sabia de sua existência. Um dos motivos pode ser que o caráter das sonatas tem visão diferente da forma convencional, são obras longas, “comprimento celestial”, e tocante leveza lirica vienense. Schubert venerava Beethoven e parece que ele estava muito consciente de suas próprias deficiências, não em ideias ou inspiração, mas em controlar o material que dispunha e desenvolvê-lo de maneira pianística. As sonatas, não são tão dramáticas quanto as de Beethoven e nem tão conhecidas quanto as de Mozart ou ainda tão conhecidas como os seus Impromptus. No entanto elas são alegres e ótimas de ouvir.

Confesso que quando me deparei com este álbum num sebão do centro de São Paulo ainda no início deste século, fiquei emocionado. Acho as performances de Kempff (1895 – 1991) atraentes, com uma variedade fabulosa de cores tão apropriadas à música de Schubert, interpreta as sonatas com um romantismo lírico contido. As leituras são silenciosas, meditativas e focadas. Como Kempff afirma em suas anotações: “Schubert revela seus segredos mais íntimos para nós no pianíssimo”, gravou as sonatas de Schubert entre 1965 e 1969 em Hannover, Alemanha dividi em 2 postagens os 7 CDs da coleção.

A DG resolveu colocar em ordem decrescente as sonatas, nesta primeira parte com 4 CDs temos a última das sonatas de 1828 (dois meses antes da morte prematura do gênio), a maravilhosa Sonata em Ré maior, D960, esta obra começa como muitas das canções de Schubert e seu primeiro tema suave domina o movimento. O movimento lento tem uma bela serenidade e é seguido por um scherzo delicadamente gracioso. O alegre rondo final sugere a influência do movimento final do quarteto op. 130 de Beethoven, este final exemplifica a qualidade da dimensão celestial da música de Schubert tantas vezes citado pelos escritores. O brilho translúcido da interpretação de Kempff da sonata D840 combina maravilhosamente e acredito que faz valer a afirmação (um tanto exagerada talvez) de que “Schubert é como Beethoven no céu”. Kempff está inspiradíssimo quando interpreta as cinco delicadas peças que completam o primeiro CD elas são obras de beleza única, adoro o piano de Schubert com o Kempff. Resumindo um pacotaço com a mais sublime e delicada música pela música (Schubert).

Schubert Sonatas primeira parte – Wilhelm Walter Friedrich Kempff
CD1
01 – Sonata No.21 in B flat major, D.960 – I. Molto moderato
02 – Sonata No.21 in B flat major, D.960 – II. Andante sostenuto
03 – Sonata No.21 in B flat major, D.960 – III. Scherzo Allegro vivace
04 – Sonata No.21 in B flat major, D.960 – IV. Allegro ma non troppo
05 – Five Piano Pieces (Sonata No.3 in E major), D.459 – I. Allegro moderato
06 – Five Piano Pieces (Sonata No.3 in E major), D.459 – II. Allegro
07 – Five Piano Pieces (Sonata No.3 in E major), D.459 – III. Adagio
08 – Five Piano Pieces (Sonata No.3 in E major), D.459 – IV. Scherzo Allegro
09 – Five Piano Pieces (Sonata No.3 in E major), D.459 – V. Allegro patetico

CD2
01 – Piano Sonata No. 19 in C minor, D. 958 Allegro
02 – Piano Sonata No. 19 in C minor, D. 958 Adagio
03 – Piano Sonata No. 19 in C minor, D. 958 Menuetto & Trio, Allegro
04 – Piano Sonata No. 19 in C minor, D. 958 Allegro
05 – Piano Sonata No. 20 in A major, D. 959 Allegro
06 – Piano Sonata No. 20 in A major, D. 959 Andantino
07 – Piano Sonata No. 20 in A major, D. 959 Scherzo & Trio, Allegro vivace… Un poco piu lento
08 – Piano Sonata No. 20 in A major, D. 959 Rondo, Allegretto

CD3
01 – Schubert, Sonata No.18 in G major, D. 894, I. Molto moderato e cantábile
02 – Schubert, Sonata No.18 in G major, D. 894, II. Andante
03 – Schubert, Sonata No.18 in G major, D. 894, III. Menuetto. Allegro moderato
04 – Schubert, Sonata No.18 in G major, D. 894, IV. Allegretto
05 – Schubert, Sonata No.17 in D major, D. 850, I. Allegro vivace
06 – Schubert, Sonata No.17 in D major, D. 850, II. Con moto
07 – Schubert, Sonata No.17 in D major, D. 850, III. Scherzo. Allegro vivace
08 – Schubert, Sonata No.17 in D major, D. 850, IV. Rondo. Allegro moderato

CD4
01 – Piano Sonata No. 16 in A minor, D. 845 (Op. 42) Moderato
02 – Piano Sonata No. 16 in A minor, D. 845 (Op. 42) Andante poco moto
03 – Piano Sonata No. 16 in A minor, D. 845 (Op. 42) Schero & Trio, Allegro vivace… Un poco piu lento
04 – Piano Sonata No. 16 in A minor, D. 845 (Op. 42) Rondo, Allegro vivace
05 – Piano Sonata No. 15 in C major (‘Relique’), D. 840 Moderato
06 – Piano Sonata No. 15 in C major (‘Relique’), D. 840 Andante
07 – Piano Sonata No. 14 in A minor (‘Grande Sonate’), D. 784 (Op. posth. 143) Allegro giusto
08 – Piano Sonata No. 14 in A minor (‘Grande Sonate’), D. 784 (Op. posth. 143) Andante
09 – Piano Sonata No. 14 in A minor (‘Grande Sonate’), D. 784 (Op. posth. 143) Allegro vivace

Wilhelm Walter Friedrich Kempff – Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Kempff ensaiando nos estúdios do PQP Hall

Ammiratore

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (9/9) #BTHVN250

Gulda arremata a integral das sonatas para piano de Beethoven com excelentes interpretações para as três derradeiras. Gosto especialmente da Op. 110, e admiradores de sua versão antológica para o “Cravo bem Temperado” ouvirão seus ecos na incrível fuga final. Já quem esperava que o também jazzista Fritschi fosse botar as manguinhas de fora nos trechos do assim chamado “proto-jazz” nas sublimes variações que concluem a Op. 111 vai se surpreender com o pulso que ele mantém ao longo de todo movimento, coroando sem arrebatamentos a série que é um dos pináculos da literatura pianística. E espero que quem conhece Gulda somente como o tiozão excêntrico de barrete na cabeça, imagem que ele consolidou na maturidade e velhice, possa admirar o consumado mestre que ele era e, em que pese a má qualidade de som de suas gravações de juventude (pois Gulda é, disparadamente, o mais mal gravado dos grandes pianistas), explorar um pouco mais sua vasta e muito variada discografia.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

1 – Sonata para piano no. 30 em Mi maior, Op. 109 (1820)
– Vivace ma non troppo – Adagio espressivo – Prestissimo
– Andante – molto cantabile ed espressivo
– Moderato cantabile – Molto espressivo

2 – Sonata para piano no. 31 em Lá bemol maior, Op. 110 (1821)
– Allegro molto
– Adagio ma non tropo – Fuga – Allegro ma non troppo

3 – Sonata para piano no. 32 em Dó menor, Op. 111 (1821-2)
– Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
– Arietta – Adagio molto semplice e cantabile

Friedrich Gulda, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Vassily

– Wie geht’s?

 

#BTHVN250

Johannes Brahms (1833-1897) & Paul Hindemith (1895-1963): Quintetos para Clarinete

Johannes Brahms (1833-1897) & Paul Hindemith (1895-1963): Quintetos para Clarinete

Apenas 30 anos separam os quintetos de clarinete de Brahms e Hindemith. No entanto, as diferenças não são apenas nos temperamentos dos dois artistas, nem somente na diferença dos conceitos e das estéticas. O que os separa é todo o mundo que há entre a harmonia e a desordem. Mas não pense assim, apressado leitor, amo a ambos.

O quinteto para clarinete mais popular é o de Mozart (104 gravações), seguido pelo de Brahms (87), que é baseado no primeiro. Nenhuma outra peça nessa formação rivaliza com essa dupla em popularidade, embora a literatura inclua joias como os quintetos de Weber e Reger.

Assim como eu, Erico Verissimo amava o quinteto de Brahms, tanto que chamou sua autobiografia de Solo de Clarineta. Há toda uma lenda em torno da obra. É obra belíssima.

Já Hindemith nunca derreterá corações como Brahms, e, na verdade, seu quinteto coloca-se contra a tradição musical do pré-guerra. Ele é contemporâneo de vários dos concertos da série Kammermusiken, mas não tão bons. Longe de ser uma homenagem a Brahms, o trabalho parece exorcizar o mestre mais velho.

Brahms & Hindemith: Quintetos para Clarinete

Johannes BRAHMS (1833-1897)
Clarinet Quintet in B minor, op. 115 (1891) [37:48]
I. Allegro 13:29
II. Adagio 10:29
III. Andantino 4:28
IV. Con moto 9:21

Paul HINDEMITH (1895-1963)
Clarinet Quintet, op. 30 (1954 version) (1923/1954) [19:45]
I. Sehr lebhaft 2:12
II. Ruhig 6:35
III. Schneller Ländler 5:42
IV. Arioso. Sehr ruhig 2:55
V. Sehr lebhaft, wie im ersten Satz 2:19

Raphaël Sévère (clarinet)
Pražák Quartet

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Paul Hindemith e Darius Milhaud em uma daquelas coisas de “enfie a cabeça e tire uma foto”.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (8/9) #BTHVN250

Cada vez que, numa integral das sonatas para piano de Beethoven, se chega à tiranossáurica “Hammerklavier”, eu falto com educação para com as pobres sonatas que dividem o disco com a avantajada Op. 106. Não será o caso nesta série de Gulda, pois a peça que abre o CD é uma obra-prima consumada, a Op. 101, normalmente considerada a primeira obra do visionário período final da produção do compositor, e que termina, assim como sua vizinha de disco, com um magistral movimento contrapontístico.

Falando em contraponto… Bem, eu lhes falei que me é muito difícil não falar da Op. 106 – e talvez melhor seja chamá-la assim, pois a denominação “Hammerklavier” que a consagrou também foi aplicada por Beethoven à Op. 101. O que mais me intriga nela nada tem a ver com o movimento de abertura, que chega-chegando, mostrando que o que vem em seguida é algo sem precedentes na história da música, nem com o lilliputiano Scherzo que antede do transcendental Adagio, o mais longo e sentido movimento de uma sonata para piano até então. O que me faz sempre voltar a ela é o complicadíssimo finale, uma fuga colossal que abre com longuíssimo e bizarro tema, toma várias liberdades em relação às regras canônicas, e que impõe dificuldades nababescas ao executante, e de tal maneira que mesmo grandes pianistas deixam nele transparecer suas humanas limitações e, não raro, seu alívio ao martelar aquele acorde de Si bemol final (aos que duvidam de mim, sugiro procurarem o vídeo de Brendel tocando esse acorde para verem que não exagero). Talvez não exista uma interpretação totalmente satisfatória deste Leviatã, mas o fato é que Gulda é dos poucos que conheço que conclui a travessia sem aparentar dificuldades técnicas, e despacha os compassos finais com uma secura de quem, sem se impressionar com tantos trinados e semicolcheias, parece já estar pensando na Op. 110.

FRIEDRICH GULDA SPIELT BEETHOVEN – SÄMTILCHE KLAVIERSONATEN (8/9)

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

1 – Sonata para piano no. 28 em Lá maior, Op. 101 (1816)
– Allegretto ma non troppo
– Vivace alla Marcia
– Adagio ma non troppo – Con affetto – Presto – Allegro

2 – Sonata para piano no. 29 em Si bemol maior, Op. 106, “Hammerklavier” (1817-8)
– Allegro
– Scherzo – Assai vivace – Presto
– Adagio sostenuto
– Largo – Allegro risoluto –  Fuga a tre voci con alcune licenze

Friedrich Gulda, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Vassily

PROFESSOR DE MARTHA ARGERICH. Sem mais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

#BTHVN250

Rachmaninov / Scriabin / Ligeti / Prokofiev: The Berlin Recital (Yuja Wang)

Rachmaninov / Scriabin / Ligeti / Prokofiev: The Berlin Recital (Yuja Wang)

Yuja Wang e Khatia Buniatishvili são livres para se vestirem como quiserem. É justo. Mas boa parte do público as conhecem mais através das pernas de uma e dos seios e costas da outra do que por suas qualidades musicais. É injusto. Wang é efetivamente uma tremenda pianista, mas creio que o mesmo não se possa dizer de Buniatishvili, uma instrumentista que aposta apenas na emoção. Para comprovar o que digo, este CD da DG venceu vários prêmios de melhor disco erudito solo de 2019. Isto é, Wang merece ser ouvida. O Ligeti e o Prokofiev dela são sensacionais. Já Rachmaninov e Scriabin são compositores tão estranhos a meu gosto que não vou falar. A 8ª Sonata de Prokofiev é notavelmente interpretada. Como Sviatoslav Richter, ela consegue integrar o poder e o lirismo que caracterizam os longos movimentos externos. Ao manter o Andante sognando estável, elegante e discreto, os toques expressivos de Wang tornam-se ainda mais significativos. Dos três Estudos de Ligeti, o Vertige é o melhor, e raramente soou tão suave e transparente.

Rachmaninov / Scriabin / Ligeti / Prokofiev: The Berlin Recital (Yuja Wang)

Sergey Vasil’yevich Rachmaninov (1873 – 1943)
1.Prelude in G Minor, Op. 23, No. 5 3:53
Études-Tableaux, Op. 39
2.No. 1 in C Minor 3:25
Études-Tableaux, Op. 33
3.No. 3 in C Minor 4:15
4.Prelude in B Minor, Op. 32, No. 105:32

Alexander Scriabin (1872 – 1915)
5.Piano Sonata No. 10, Op. 70 11:44

György Ligeti (1923 – 2006)
Études pour piano
6.No. 3 “Touches bloquées” 1:53
Études pour piano
7.No. 9 “Vertige” 2:39
Études pour piano
8.No. 1 “Désordre” 2:35

Sergei Prokofiev (1891 – 1953)
Piano Sonata No. 8 in B-Flat Major, Op. 84
9.1. Andante dolce 13:49
10.2. Andante sognando 4:39
11.3. Vivace 10:46

Yuja Wang, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Yuja Wang: excelente pianista que aposta no seu par de pernas

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (7/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatasPUBLICADO POR FDP BACH EM 21/7/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 22/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: o colega FDP Bach publicou os três últimos discos da integral das sonatas para piano de Beethoven com Gulda numa só postagem. Tomei a liberdade de dividi-la em três partes, uma para cada disco – e, quando vocês ouvirem a “Appassionata” de Gulda, talvez me deem razão, querendo algum sossego para os ouvidos inquietos. Ainda assim, guardem um pouquinho de tímpanos para a Op. 78 – uma das melhores de toda a série, e das preferidas do próprio Beethoven – e para uma Op. 81a com uma constrição e expressividade que refutam alguns dos estereótipos que atribuíam à consumada arte do doidão vienense.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH ACERCA DOS TRÊS ÚLTIMOS DISCOS:

Muito bem, vamos acabar com esta coleção. Nem preciso dizer que são imperdíveis, e Gulda se consolida definitivamente como um grande intérprete de Beethoven.
O sétimo cd começa apenas com a “Apassionata“, um marco da linguagem pianística, e também uma prova de fogo para qualquer pianista. Começa  a 150 km/h e termina a 300 km/h, com uma das mais sensacionais páginas do piano. Simplesmente fantástico o que Ludwig conseguiu fazer aqui. Eis o que meu biógrafo favorito de Beethoven, Maynard Solomon, escreveu esta sonata e sobre a Waldstein:

“Com as Sonatas Waldstein e Appassionata op. 53 e 57, compostas principalmente em 1804-1805, Beethoven transpôs irrevogavelmente as fronteiras do estilo pianístico clássico, criando sonoridades e tessituras que nunca haviam sido antes obtidas. Ele deixou de limitar as dificuldades técnicas de suas sonatas para permitir a execução por amadores competentes mas, pelo contrário, dilatou as potencialidades do instrumento e da técnica até os seus limites exteriores. As dinâmicas foram grandemente ampliadas; as cores são fantásticas e luxuriantes, aproximando-se de sonoridades quase orquestrais. Por esta razão, Lens chamou Waldstein “uma sinfonia heróica para piano“. A Apassionata – a qual a par de op. 78 foi a sonata favorita de Beethoven até o seu op. 106 – suscitou comparações com o Inferno de Dante, com o Rei Lear e Macbeth, e com as tragédias de Corneille, Cada uma das sonatas é em três movimentos, mas em ambos os casos _especialmente no op. 53 – os movimentos lentos estão organicamente ligados aos finales, de modo a dar a impressão de obras em dois movimentos ampliados. Enquanto a Waldstein fecha sobre a típica nota beethoveniana de jubilosa transcendência, a Apassionata mantém do começo ao fim uma incomum atmosfera trágica. (…)” Este mesmo sétimo cd ainda traz outra pintura, a Sonata Les Adieux . 

Alguém talvez possa estranhar a leitura de Gulda, que explora outras possibilidades em sua interpretação, principalmente aqueles que, como eu, são absolutamente viciados na Apassionata e que conhecem diversas outras versões, como os clássicos Kempff, Brendel e Gilels, falando dos antigos, ou mais recentemente, Paul Lewis. Mas basta prestarem atenção que os senhores entenderão a proposta deste grande pianista, Friedrich Gulda.
A partir do oitavo cd o bicho pega, e aí definitivamente é coisa de gente grande. Hammerklavier”, op. 106, nas palavras de Solomon citadas acima a favorita do próprio Beethoven,  e as últimas três, de op. 109, op. 110 e op. 111.

Sem temer ser redundante, tratam-se de três cds absolutamente “IM-PER-DÍ-VEIS” !!!

CD 7
1 Sonata No.23 in F minor Op.57 ”Appassionata” (1804-05) – 1. Allegro assai
2 Sonata No.23 in F minor Op.57 ”Appassionata” (1804-05) – 2. Andante con moto
3 Sonata No.23 in F minor Op.57 ”Appassionata” (1804-05) – 3. Allegro ma non troppo – Presto
4 Sonata No.24 in F-sharp major Op.78 ”A Thérèse” (1809) – 1. Adagio cantabile – Allegro ma non troppo
5 Sonata No.24 in F-sharp major Op.78 ”A Thérèse” (1809) – 2. Allegro vivace
6 Sonata No.25 in G major Op.79 (1809) – 1. Presto alla tedesca
7 Sonata No.25 in G major Op.79 (1809) – 2. Andante
8 Sonata No.25 in G major Op.79 (1809) – 3. Vivace
9 Sonata No.26 in E-flat major Op.81a ”Les Adieux” (1809-10) – 1. Adagio – Allegro
10 Sonata No.26 in E-flat major Op.81a ”Les Adieux” (1809-10) – 2. Andante Espressivo
11 Sonata No.26 in E-flat major Op.81a ”Les Adieux” (1809-10) – 3. Vivacissimamente – Poco andante
12 Sonata No.27 in E minor Op.90 (1814) – 1. ”mit Lebhaftigkeit und majorchaus mit Empfindung und Ausdruck”
13 Sonata No.27 in E minor Op.90 (1814) – 2. ”nicht zu geschwind und sehr singbar vorzutragen”

Friedrich Gulda – Piano

CD 7 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

Friedrich Gulda
Friedrich Gulda
#BTHVN250

Pietro Mascagni (1863-1945): Cavalleria Rusticana

Pietro Mascagni (Livorno a 7 de dezembro de 1863, 2 de agosto de 1945) então professor de piano e diretor da escola municipal de música da cidade de Cerignola (entre a canela e o calcanhar da bota italiana) resolveu participar, em 1890, de um concurso patrocinado pelo editor Sonzogno, que oferecia um belo prêmio à melhor ópera apresentada. Muito jovem ainda Pietro lutava com dificuldades financeiras, então apareceu uma despretensiosa oportunidade: um “Concorso di Incoraggiamento al Giovani Compositori Italiani”. Resolveu entrar na competição na esperança de conseguir ser percebido e até mesmo, quem sabe, ganhar o tão suado dim-dim extra que todos precisamos. Durante dois meses empenhou-se em criar a peça, que pelo regulamento do concurso deveria ter somente um ato. Escolheu então uma peça teatral do escritor siciliano Giovanni Verga (1840-1922), na época um dos autores de maior prestígio na Itália. Verga havia publicado uma coleção de narrativas “da vida real”, Vita dei Campi, que obtivera grande repercussão. “Cavalleria Rusticana” (Cavalheirismo Rústico) de 1884 é uma destas narrativas.

Anuncio do “Concorso”, 1888

Para sintetizar em um único ato a grande densidade dramática do conto de Verga, que Giovanni Targioni-Tozzetti e Guido Menasci haviam transformado em libreto, Mascagni lançou mão do notável artifício – um prelúdio, com canto no meio. Consistia em apresentar, através do tenor e antes do início do drama, uma menção do enredo sugerindo a razão da trama passional que a seguir iria se desenrolar.

No dia da apresentação no concurso o próprio Macagni executou a ópera ao piano para os membros do júri. Tinha apenas 26 anos e era completamente desconhecido. Mas havia criado uma obra surpreendente, que escapava por completo aos padrões de estruturação e desenvolvimento da ação dramática então em voga. O prêmio lhe foi dado e a 17 de maio de 1890, “Cavalleria Rusticana” estreou no Teatro Costanzi, em Roma, para uma plateia numerosa. O sucesso foi absoluto. Depois da terceira apresentação, Mascagni recebeu o título de Cavaleiro da Coroa da Itália e após a sétima o seu nome foi incorporado à famosa antologia operística de Guido Mazzoni. De repente, o jovem e obscuro professor de piano e compositor principiante do interior da Itália, via-se como uma celebridade ( título este que se converteria num sério problema em sua vida, no correr dos anos seguintes: estreara com uma obra prima e o público passaria a exigir que ele criasse apenas obras-primas ). Pietro Mascagni realizara uma façanha sem precedentes no mundo do teatro lírico: chegara ao apogeu da fama, tornando-se um ídolo com sua primeira ópera.

Teatro Costanzi – Roma, século XIX.

Em seis meses, a ópera fora montada em todas as capitais da Europa, conseguindo êxito em todas elas. Embora surpreendente, o sucesso da peça de Mascagni era compreensível: numa Itália efervescente, que experimentava grandes e profundas transformações, os teatros continuavam apresentando os dramas musicais do romantismo wagneriano, que já não diziam quase nada de novo ao público. Na última década do século XIX plateia, editores, músicos, cantores e críticos italianos estavam de saco cheio da teatralidade fantasiosa das grandes óperas. Careciam de boas novidades.

A novidade apareceu na “Cavalleria Rusticana”, toda a ação se passa ao ar livre e o povo subiu ao palco para encenar um episódio dramático do seu cotidiano. E a plateia, que também era povo, sentiu ser sua vida que ali se estava cantando, identificou-se com ela e foi por ela envolvida. Um golaço de placa. Mascagni ofereceu ao mundo um quadro intenso e comovente da vida do interior, que conhecia bem, mostrava um momento da realidade de uma gente simples, de atividade modesta e anônima, de paixões intensas e desencadeadas. Gente rústica do interior da Itália. Musicou um relato simples e sem sutileza analítica: a crônica de um crime passional num vilarejo do interior. Suas personagens não vivem em castelos, entre plumas e armaduras, em mosteiros, prisões e campos de batalha. Elas surgem numa praça e cantam como todos os dias se ouve pelas estradas e campos italianos. Rústicos, reais e expressivas, como verdadeiros aldeões. Até mesmo a “siciliana” ele conservou em dialeto para maior autenticidade.

A música brota unicamente da situação e não segundo o velho esquema da construção baseada na ária, com as consequentes e inevitáveis repetições. De cada cena, de cada situação o compositor soube colher a atmosfera exata, destacando com admirável coerência os diferentes momentos cênicos, para valorizar adequadamente cada particularidade do enredo.

O Enredo

Vizzini em 1892

Podemos dizer que “Cavalleria” é uma sombria história de amor e vingança. Se passa num domingo de Páscoa o que ajuda a aumentar a dramaticidade dos fatos. A ação é centralizada em Turiddu, jovem soldado que mora com a mãe. Ela tem uma espécie de taberna de vinho na praça da vila da aldeia de Vizzini (sul da Sicilia). Depois de prestar serviço militar e dar baixa, o jovem Turiddu volta para casa. Quando foi servir o exército ele era noivo de Lola, mas, ao voltar, encontrou-a casada com Alfio, o carreteiro mais próspero da aldeia. Para esquece-la Turiddu iniciou um namoro com a jovem Santuzza. Mas o amor que um dia havia sentido por Lola não morrera e Turiddu abandonou Santuzza. Lola, apesar de casada, também continuava a amar o antigo noivo e, aproveitando-se das frequentes ausências do marido, voltou a encontrar-se com Turiddu. Este então passa a rondar a casa de Alfio, que nada desconfia. Esta é a situação quando se inicia a ópera.

Pietro Mascagni na época da Cavalleria

O prelúdio orquestral apresenta vários temas que são importantes no desenvolvimento do drama. Após calmos compassos de abertura, que simbolizam a paz do Dia de Páscoa, surge o tema do apaixonado pedido de Santuzza pelo amor de Turiddu. O prelúdio é subitamente interrompido pela voz de Turiddu atrás da cena. Com um marcante acompanhamento de harpa, ele canta a “Siciliana”, que como disse no início do texto, Mascagni escreveu originalmente para o dialeto siciliano em lugar do italiano, e que é uma serenata amorosa no tradicional estilo siciliano. Turiddu compara os lábios de Lola com framboesas vermelhas, fala do brilho de amor em seus olhos, e compara a cor de suas faces com cerejas silvestres. O homem que conquistar estes tesouros para si será mesmo feliz. Então, numa sinistra previsão de tragédia, Turiddu vê sangue na porta da casa de Lola. Mas, acrescenta, mesmo a visão da morte não o amedronta. Somente se entregará ao desespero se não encontrar Lola esperando por ele no Paraíso. A serenata morre lentamente, com notas sustentadas, e a orquestra toca, então, temas vivos da tragédia que se seguirá.

O subir das cortinas é acompanhado do repique de sinos. Vemos uma praça deserta de uma aldeia da Sicília. À direita, a entrada de uma igreja; à esquerda, a taberna e a casa de Mamma Lúcia. Amanhece. A medida que a música se torna brilhante e alegre, camponeses e aldeões cruzam a praça, suas vozes cobrindo o acompanhamento da orquestra com frases simples e curtas. Algumas pessoas entram na igreja, enquanto outras passeiam na rua. Ouvem-se vozes femininas cantando a alegria do Domingo de Páscoa, como os gorjeios dos pássaros e a fresca beleza da primavera que, desperta, se misturam com as ternas confissões de amor.

Quando as mulheres entram lentamente na cena, ouvem-se as vozes masculinas louvando a diligência feminina e os encantos das mulheres que dominam os corações. Surgem os homens depois, e todas as vozes se misturam num melodioso coro saudando as alegrias da primavera e o amor. As últimas notas ecoam encantadoras atrás da cena, à distância. As pessoas deixam a praça, que mais uma vez fica vazia.

Abruptamente, a tonalidade musical muda para um sombrio motivo anunciando a tragédia. A medida que ela cresce em intensidade, surge Santuzza, e encontra Mamma Lúcia saindo da taberna. A moça pergunta por Turiddu. Quando Lúcia pergunta por que ela veio procurar seu filho, Santuzza simplesmente responde que deseja vê-lo. Agitada, Lúcia replica que não sabe onde está seu filho, acrescentando que não deseja brigas. Desesperada, Santuzza implora-lhe que tenha piedade, como Cristo teve piedade de Madalena. Suplica que Lúcia lhe diga onde está Turiddu.

Lúcia responde afinal que ele foi buscar vinho em Francofonte. Santuzza declara que Turiddu foi visto na aldeia na noite passada. Alarmada, Lúcia pergunta quem lhe disse isso, por que Turiddu não voltou para casa. Depois, comovida pela tristeza da jovem, Lúcia convida a entrar em casa. Santuzza exclama que não pode entrar porque foi excomungada. Temerosa, Lúcia pergunta o que Santuzza sabe a respeito de seu filho, mas Santuzza fala apenas da angústia em seu coração.

Nesse momento, a música se transforma lentamente em um rítmico staccato que vai crescendo. Ouvem-se o estalar de um chicote e o badalar alegre dos sinos quando Álfio entra na praça, acompanhado por amigos. Canta uma viva canção acerca de seu belo cavalo, dos sinos que repicam, e do chicote que estala (“II cavallo scalpita”). Ele trabalha com sol e chuva. Os homens unem suas vozes, saudando o carroceiro como um bravo rapaz em cujo trabalho não tem rival. Alegremente, Álfio canta da felicidade que o espera em casa sua bela mulher, Lola, nessa comemoração da Páscoa. Cada vez mais chegam pessoas para ouvir Álfio, unindo-se a ele num poderoso coro.

Quando a multidão se dispersa, Lúcia cumprimenta Álfio, que pergunta-lhe se ela ainda tem algum do seu bom vinho. Lúcia responde que Turiddu foi a uma vila próxima para reabastecê-la. Outra vez ela é contraditada, pois o carreteiro diz que viu Turiddu naquela manhã perto de sua casa. Quando Lúcia faz uma indagação de surpresa, Santuzza pede que ela se cale. Álfio então se vai, exortando os outros a irem à igreja.

Dentro da Igreja, o coro inicia o majestoso incrível e belo “Regina Coeli”. Pessoas que estão na praça, calmamente assumem atitudes de oração respondendo ao coro com “Aleluias”. Então, todos se unem no profundamente comovedor Hino da Ressurreição, tão apropriado para aquele Domingo de Páscoa. A voz de Santuzza soa acima do coro quando ela conduz a melodia em frases marcadas e respeitosas até seu clímax.

Em seguida, as pessoas entram na igreja, e finalmente apenas duas ficam na praça, Santuzza e Lúcia. Em um recitativo, Lúcia pergunta a Santuzza por que ela lhe pediu que se calasse quando falava com Álfio. Santuzza responde na famosa ária “Voi lo sapete”, na qual conta à velha toda a amarga história. Diz que Turiddu, antes de ir servir no exército, tinha um compromisso com Lola. Quando voltou, encontrou-a casada com outro. Para se consolar, prossegue Santuzza, despertou o seu amor, e ela amou-o loucamente por sua vez. Mas Lola, cheia de inveja e ciúmes, roubou outra vez Turiddu de seus braços. Agora, conclui Santuzza, nada mais lhe resta senão chorar.

Lúcia expressa horror por aquela terrível história contada num dia santo. Santuzza exclama que está condenada, e pede a Lúcia que reze por sua alma. Acrescenta que irá procurar Turiddu mais uma vez, e lhe implorará o amor. Fazendo uma prece por Santuzza, Lúcia lentamente entra na igreja, deixando a jovem sozinha na praça.

Nesse ponto, Turiddu aparece, demonstrando surpresa por ver Santuzza (“Tu qui Santuzza?”). Tenta evitar responder suas perguntas sobre onde ele estava, dizendo que acaba de chegar de Francofonte. Santuzza retruca que ela própria o viu na aldeia, e, ainda mais, ele foi visto perto da casa de Lola naquela mesma manhã. Irritado, Turiddu acusa-a de espioná-lo. Santuzza nega, dizendo que o próprio Álfio contou a história, e a espalhou através da aldeia.

Tentando blefar, Turiddu repreende a jovem por suas suspeitas, e ordena que o deixe. Nega amar Lola. Santuzza, agora se recobrando, acusa-o, e como Turiddu recua aterrado, ela declara que Lola o roubou de si. Então, as furiosas acusações dos dois conduzem a um dueto intensamente dramático (“Bada, Santuzza, schiavo non sono”). Violentamente, Turiddu ordena que Santuzza se cale, protestando que ele não é escravo do ciúme dela. Angustiada, Santuzza exclama que ele pode bater-lhe ou insultá-la que ela continuará a adorá-lo.

Santuzza, Turidu e Lola

De súbito, eles são interrompidos por uma voz feminina ao longe. Com alegre sarcasmo, ela fala de seu “rei das rosas” (“Fior di giaggiolo”), e logo surge Lola. Fingindo surpresa, pergunta a Turiddu se viu Álfio. Não dá atenção à resposta embaraçada de Turiddu, acrescentando com despreocupação que Álfio provavelmente está tratando com o ferreiro. Com deliberada malícia, Lola pergunta a Turiddu e Santuzza se eles estão assistindo à missa da praça. Turiddu, agora completamente confuso, tenta explicar. Santuzza, irritada, responde que é Páscoa e que Deus vê tudo. Lola pergunta se ela vai à missa. Intencionalmente, Santuzza replica que somente vão à missa aqueles que não têm pecado. Com irreverência, Lola agradece a Deus por não ter pecado, enquanto Santuzza sardonicamente cumprimenta-a por essas belas palavras. Impaciente, Turiddu interrompe o diálogo, e começa a seguir Lola à igreja. Com um riso, ela lhe diz que deve ficar com Santuzza, que renova seus pedidos a Turiddu. Mais como uma blasfêmia do que como uma prece a Santuzza, Lola entra na igreja.

No, No Turiddu !

Furioso, Turiddu se volta para Santuzza, iniciando-se uma nova discussão, que conduz de novo a um apaixonado dueto. Santuzza, desesperadamente, tenta evitar que Turiddu entre na igreja, implorando-lhe que a deixe (“No, no! Turiddu, rimani, rimani ancora”). Brutalmente, Turiddu lhe pergunta por que ela persiste em espioná-lo. O dueto cresce até um poderoso ápice quando Santuzza implora a Turiddu que não a abandone, enquanto ele, irado, ordena-lhe que o deixe. Subitamente, raivoso, grita-lhe que não se preocupa com a ira da jovem, e entra na igreja. Ela lhe lança uma maldição, e o acusa de traidor.

Santuzza vê Álfio se aproximar. Rapidamente, ela se recompõe e segue seus passos. Foi o próprio Senhor quem o enviou naquele momento, diz ela a Álfio. O carroceiro lhe pergunta em que ponto está a missa. Ela responde que a missa já vai adiantada, acrescentando significativamente que Lola e Turiddu estão assistindo à missa juntos. Sem perceber, Álfio pergunta o que ela quer dizer com isso. Em gélida fúria, Santuzza lhe diz que, enquanto ele está fora ganhando a vida, Lola procura prazer com outro. Álfio, transtornado, quer saber o que ela está dizendo. A verdade, responde Santuzza simplesmente. Turiddu abandonou-a porque não conseguiu resistir aos encantos de Lola. Álfio ameaça arrancar-lhe o coração se ela estiver mentindo. Santuzza replica que não tem o hábito de mentir, e confessa que, para sua verdadeira desonra e vergonha, o que ela diz é verdade.

Há uma longa pausa. Calmamente, então, Álfio agradece a Santuzza. Ela expressa vergonha por ter falado, mas Álfio declara que infames são os dois. Eles pagarão, e ele terá sua vingança antes que o dia acabe. Segue-se um tempestuoso dueto, no qual Santuzza expressa sua agonia e remorso por ter traído Turiddu, enquanto Álfio deseja terrível vingança (“Infami loro”). No final do número, ambos saem, deixando a cena completamente deserta. Segue-se, então, o famoso Intermezzo, tocado pela orquestra, enquanto a praça permanece vazia, e esta calma e doce música traz um momento de distensão à ópera. Mas esta calma é como aquela terrível calma que precede a tempestade. A tragédia já está anunciada, e é apenas adiada a vingança de Álfio porque os amantes estão na igreja. Quando termina o Intermezzo, os aldeões e os camponeses deixam a igreja. Todos estão alegres. Alguns se reúnem na frente da taberna de Lúcia e enchem seus copos. Os homens, cantando mansamente, pedem a todos que vão para suas casas para as alegrias do lar após os deveres religiosos do dia. As mulheres repetem o refrão, e depois todos cantam juntos. Lola e Turiddu chegam da igreja. Turiddu, indicando as pessoas, pergunta alegremente a Lola se ela vai embora sem cumprimentar os velhos amigos. Lola diz que tem de ir para casa porque ainda não viu Álfio. Despreocupadamente, Turiddu replica que ela provavelmente verá o marido na praça. Turiddu convida as pessoas a beber, iniciando, então, o Brindisi, o famoso brinde, “Viva il vino spumeggiante”. Quando o número termina num vibrante coro, surge Álfio de repente. Faz uma saudação, respondida pelos seus amigos.

Turiddu desafia Alfio

Turiddu oferece-lhe um copo. Álfio recusa, dizendo que não pode aceitar beber o vinho de Turiddu, pois poderia estar envenenado. Turiddu reconhece o insulto, e joga fora o vinho. Lola dá uma exclamação de medo, enquanto as outras mulheres aconselham-na a sair. Quando elas saem, os dois homens se defrontam. Turiddu pergunta a Álfio se ele tem alguma coisa a dizer. Quando a resposta é não, Turiddu dá início ao tradicional desafio, colocando-se “às ordens” de Álfio. Álfio aceita. Então, de acordo com o verdadeiro costume siciliano, os dois se abraçam e Turiddu morde a orelha de Álfio. Significativamente, Álfio nota que eles parecem se conhecer um ao outro.

Numa súbita mudança de comportamento, Turiddu confessa que errou com Álfio, e que merece a morte de um cão. Lamenta que, se for morto no duelo, sua “pobre Santuzza” ficará sem seu amado. Mas, acrescenta desafiador, saberá certamente enterrar sua faca no coração de Álfio. Friamente, o carroceiro aconselha-o a pensar melhor no que acaba de dizer. Diz que esperará Turiddu atrás do muro do jardim, e vai embora.

Turiddu, subitamente tomado de pânico, chama sua mãe. Hesitante, conta-lhe que bebeu muito vinho, e que está indo dar um passeio para clarear as ideias. Antes de ir quer a bênção dela, da mesma maneira quando ele foi servir no exército. Então, em frases apaixonadas, pede que Lúcia prometa que será uma mãe para Santuzza, se ele não voltar, pois tinha prometido levá-la ao altar (“Voi dovrete fare”).

Mataram o compadre Turiddu !

Lúcia, aflita, pergunta-lhe por que ele está dizendo aquelas palavras estranhas. Ele explica que foi o vinho que lhe subiu à cabeça. Incisivamente, implora perdão a Deus, e pede à sua mãe um último beijo de adeus. Numa frase musical forte, Turiddu pede outra vez que sua mãe cuide de Santuzza, saindo em desespero.

Aterrada, Lúcia tenta segui-lo, chamando-o. Santuzza corre para ela, e a toma nos braços. Pessoas correm nervosamente pela praça. Subitamente, uma mulher grita angustiada: “Turiddu foi morto!” “Mataram o compadre Turiddu!” Todos gritam horrorizados. Santuzza e Lúcia caem desmaiadas. A cortina desce rapidamente.

Cavalleria no cinema
A incrível meia hora final do filme de 1990 de Francis Ford Coppola, “O Poderoso Chefão: Parte III”, temos uma série de assassinatos por vingança cuidadosamente coordenados mostrada em vários locais, enquanto a família Corleone chefiada pelo chefe da máfia Don Michael Corleone (Al Pacino) – assiste a uma performance na Sicília da “Cavalleria Rusticana” no qual Tony filho de Michael interpreta Turiddu. Notadamente estas cenas coordenadas com o coro do Hino da Páscoa é marcante. Quando saem da casa de ópera em Palermo, a ação culmina com a tentativa de assassinato do próprio Don Corleone. Em vez disso, sua filha Mary, interpretada por Sofia Coppola, é baleada na frente dele. Em câmera lenta, ao som do Intermezzo, assistimos à família Corleone entrar em pânico e o Don desabar nos degraus abraçando desesperadamente o corpo inerte da filha baleada, com o rosto chocado com a terrível realização do que aconteceu. A função estrutural da ópera no filme é incrivelmente bem elaborada e a dramaticidade se encaixa perfeitamente sobretudo no final… grande Coppola.

Um copo de vinho, algumas torradas com queijo, azeite e orégano, uma cadeira confortável, se tiver sorte uma companhia que também goste de ópera ….. Olhos fechados enquanto a música de Mascagni enche a sala e absorve pensamentos de estresse ou as atividades do dia a dia …. esta ópera pede um ambiente assim. Pessoal abrem-se as cortinas e apreciem a soberba Cavalleria Rusticana, desta vez compartilho quatro versões nota dez !!!! O Enredo foi baseado no livro do Milton Cross, “As mais famosas Óperas”.

Cavalleria Rusticana – Pietro Mascagni

Esta é uma performance profundamente comovente da Cavalleria Rusticana (a trilha sonora original do filme de Franco Zeffirelli). Os cinco cantores são soberbos, o coro é maravilhosamente ressonante e finamente equilibrado com a orquestra, e o famoso interlúdio é tocado de maneira bonita em um ritmo bem lento. Placido Domingo dá vida a esta obra-prima, junto com Elena Obraztsova (estelar !!), simplesmente imbatíveis. A maneira como Georges Pretre conduz é original, magnífico. Esta é a versão que mais gosto. Meu amor por esta ópera é gigantesco ouvi-la traz à tona memórias de criança e memórias genéticas que nunca soube que tinha !

Elena Obraztsova – Santuzza
Placido Domingo – Turiddu
Fedora Barbieri – Mamma Lucia
Renato Bruson – Alfio
Axelle Gall – Lola

Maestro – Georges Pretre
Teatro alla Scala, Milão 1983

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Esta gravação de 1953 está com um som muito bom. Mostra Maria Callas no auge dramático. O momento em que ela começa a cantar a voz é distintamente diferente da de qualquer outra cantora, não tem jeito, ela é poderosa demais para transmitir emoções. Muitos afirmam ser esta a melhor Cavalleria. Maria Callas é a Santuzza definitiva e canta o papel com grande emoção. Ela estava no auge vocal quando a gravação foi feita (1953), Callas já havia retirado Santuzza de seu repertório, esta é uma de suas performances que podem ser apreciadas sem reservas – a voz é segura e firme e ela demonstra sua capacidade de transmitir uma gama completa de emoções sem exagero. Di Stefano também é excelente, fazendo Turiddu parecer muito machista. Panerai é um Alfio verdadeiramente excepcional, cantando a música magnificamente e fornecendo uma caracterização que é muito mais sutil do que o marido traído padrão de inúmeras óperas. A regência de Serafin é típica: ampla e pesada, sem ser lenta, e suas seções de sopros e cordas “cantam” tão eloquentemente quanto seus solistas. Esta é a gravação que eu recomendo para o pessoal que nunca a ouviu antes. Esta foi uma época de ouro da ópera, na minha simples opinião.

Maria Callas – Santuzza
Guiseppe Di Stefano – Turiddu
Rolando Panerai – Alfio
Anna Maria Canali – Lola
Ebe Ticozzi – Mamma Lucia

Ochestra e Coro del Teatro alla Scala, Milano
Chorus Master: Vittore Veneziani
Conducted by Tullio Serafin YEAR: 1953
Gravado em 1953, Basilica di Santa Euphemia, Milano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Maravilhosa esta gravação da Cavalleria Rusticana com a incrível voz de Pavarotti com seu inconfundível canto cheio de paixão, drama e fogo. A gravação oferece um elenco fantástico, Julia Varady como Santuzza está muito bem, seu canto comovente está perfeito. O Alfio de Piero Cappuccilli está bem convicente, ótimo cantor. Não há mais nada a acrescentar aqui. No dueto “Ah! Io vedi, che hai tu detto?” Pavarotti e a Julia Varady estão bem entrosados, lindo dueto que rouba a cena da gravação. Um grande momento, um festival de vozes e a grande e trágica ópera italiana. Recomendação incondicional para todos os amantes de ópera.

Julia Varady – Santuzza
Luciano Pavarotti – Turiddu
Piero Cappuccilli – Alfio
Carmen Gonzales – Lola
Ida Bormida – Mamma Lucia

National Philharmonic Orchestra, 1976
Maestro – Gianandrea Gavazzeni

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Esta gravação do início dos anos 60 tem del Monaco e MacNeill em seu auge. Esta gravação, foi a primeira versão integral que ouvi desta ópera, era um antigo disco estéreo FFRR da London, fui fisgado. Muito tempo depois , fiquei emocionado ao encontrar em CD. Giulietta Simionata é uma bela Santuzza, às vezes suplicante, irritante, mal-humorada e patética … e você não pode deixar de sentir por ela. Mario Del Monaco, nem sempre apreciado porque era uma voz “grande” sem muita restrição, é muito emocionante como Turiddu. Poderoso “tenori di forza”. A ária onde Santuzza implora para Turiddu ficar com ela é cheia de clímax, e a música de despedida de Turiddu para sua mãe quando ele sabe que vai morrer é arrepiante. MacNeil, excelente barítono, entregando um Alfio muito bom. A orquestra e a direção são perfeitas. Serafin mantém a orquestra quase tensa às vezes, o ritmo é sem pressa, mas não silencioso, e cria um nervosismo que muitas performances mais modernas, como a de Levine, carecem. Um conjunto que para mim é um verdadeiro tesouro! Fico feliz em poder compartilhar esta versão tão cara para mim.

Mario Del Monaco – Turiddu
Guilietta Simionato – Santuzza
Anna di Stasio – Mamma Lucia
Cornell MacNeil – Alfio
Ana Raquel Satre – Lola

Coro e orquestra dell’Accademia di Santa Cecília
Maestro – Tullio Serafin, 1961

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Frase dita na última visita que o Dom fez na sede do PQP.

BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Violin Concerto in D, Op.61, Violin Romance Nos.1 & 2 – Shlomo Mintz, Sinopoli, Philharmonia Orchestra

Trago hoje uma das melhores gravações do Concerto para Violino de Beethoven que já tive a oportunidade de ouvir. Não foi a primeira gravação que tive desta obra, mas provavelmente a segunda ou terceira. Sei lá, já faz bastante tempo.
Por algum motivo inexplicável, Shlomo Mintz pouco apareceu aqui no PQPBach. Nasceu em Moscou em 1957 mas com apenas dois anos de idade seus pais se mudaram para Israel. Violinista virtuose, teve Isaac Stern como mentor. E foi com a Filarmônica de Israel que estreou como solista, com apenas 11 anos de idade. Atualmente se apresenta tanto como solista quanto como como maestro aclamado. É com certeza um dos grandes violinistas que surgiram a partir do último quarto do século XX.
Este registro que ora vos trago é histórico. Ele está ao lado de Giuseppe Sinopoli, que aqui dirige a Philharmonia Orchestra. Vale e muito sua audição.
Para completar o CD, temos também os dois Romances para Violino.
Mais um CD que leva o registro de qualidade PQPBach de IM-PER-DÍ-VEL !!!

01. Violin Concerto In D, Op.61 – 1. Allegro ma non troppo – Cadenza Fritz Kreisler
02. Violin Concerto In D, Op.61 – 2. Larghetto – Cadenza Fritz Kreisler
03. Violin Concerto In D, Op.61 – 3. Rondo. Allegro – Cadenza Fritz Kreisler
04. Violin Romance No.1 in G major, Op.40
05. Violin Romance No.2 in F major, Op.50

Shlomo Mintz – Violin
Philharmonia Orchestra
Giuseppe Sinopoli – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

#BTHVN250, por René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (6/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatasPUBLICADO POR FDP BACH EM 11/7/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 21/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: a trinca do Op. 31 é aqui concluída com a sonata em Mi bemol maior, em cuja pujança Gulda se esbalda. Segue o minipar de sonatas do Op. 49, das quais a de no. 2 é tão fácil que até eu a conseguia tocar, que mal e mal servem como um modesto prelúdio para a genial “Waldstein”, que deveria terminar o disco, mas só não o faz porque a Amadeo resolveu nele atochar também a concisa, enigmática Op. 54.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH:

Hoje é dia de Greve Geral, convocada pelas centrais sindicais, e resolvi ficar em casa, claro que com a autorização do chefe, ouvindo Friedrich Gulda, sempre impecável, encarando o repertório beethoveniano, e dar uma geral na minha bagunça.
Aliás, quando contei para minha esposa, que está viajando, que ia receber a visita do Carlinus, ela se exasperou: você está recebendo seu amigo no meio daquela bagunça? O Carlinus, educado e diplomático como só ele consegue ser, apenas sorriu quando falei do comentário dela, e mais tarde elogiou como organizo meus arquivos nos trocentos terabytes que tenho de material, até já perdi a conta. Mas é curioso como a cabeça da gente funciona: não sei tudo o que tenho, mas sei o que não tenho. Vai entender…
Mas vamos ao que interessa…

Sonata No.18 in E-flat major Op.31-3 (1801-02) – 1. Allegro
Sonata No.18 in E-flat major Op.31-3 (1801-02) – 2. Scherzo – Allegretto vivace
Sonata No.18 in E-flat major Op.31-3 (1801-02) – 3. Menuetto – Moderato e grazioso
Sonata No.18 in E-flat major Op.31-3 (1801-02) – 4. Presto con fuoco
Sonata No.19 in G minor Op.49-1 (1795-1798) – 1. Andante
Sonata No.19 in G minor Op.49-1 (1795-1798) – 2. Rondo – allegro
Sonata No.20 in G major Op.49-2 (1705-1798) – 1. Allegro ma non troppo
Sonata No.20 in G major Op.49-2 (1705-1798) – 2. Tempo di Menuetto
Sonata No.21 in C major Op.53 ”Waldstein” (1803-04) – 1. Allegro con brio
Sonata No.21 in C major Op.53 ”Waldstein” (1803-04) – 2. Introduzione – Adagio molto
Sonata No.21 in C major Op.53 ”Waldstein” (1803-04) – 3. Rondo – Allegro moderato – Prestissimo
Sonata No.22 in F major Op.54 (1804) – 1. In tempo d’un Menuetto
Sonata No.22 in F major Op.54 (1804) – 2. Allegretto

Friedrich Gulda – Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDP Bach

#BTHVN250

 

Haydn (1732-1809) & Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Olivier Cavé #BTHVN250

Haydn (1732-1809) & Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Olivier Cavé #BTHVN250

 

Haydn ֍ Beethoven

Sonatas para Piano

 

O pianista suíço Olivier Cavé chamou a minha atenção com um ótimo álbum – três lindos concertos para piano de Mozart, de períodos diferentes. O disco foi postado aqui mesmo no PQP Bach…

Assim, quando me deparei com este álbum, mais do que depressa, apanhei-o! E não é que gostei deste também? E então, os senhores sabem, se eu gosto, eu posto.

Você poderia achar estranho, reunir em um disco duas sonatas de Haydn com três de Beethoven. Mas, pensando um pouco, a ideia é boa. Permite que tenhamos uma perspectiva de quanto o compositor mais velho influenciou o voluntarioso Ludovico, mesmo que este não o admitisse.

Papa Haydn

As sonatas de Haydn são de períodos diferentes na carreira do compositor. A Sonata em si menor é do período em que Haydn trabalhava para a família Esterházy e não podia negociar diretamente com os editores. Assim, a sonata é, por assim dizer, para consumo interno. Já a outra sonata, em dó maior, foi composta sob comissão do editor Breitkopf, de Leipzig, e visava público mais amplo.

As três sonatas de Beethoven são de seu primeiro período de composição, nos seus primeiros anos em Viena. As duas primeiras do Opus 2, dedicadas a Haydn, e a segunda sonata do Opus 10.

O jovem Ludovico

Estas sonatas são obras típicas do período clássico, cheias de ótimas ideias e muito bom humor. Especialmente bonito é o movimento lento da Sonata Op. 2, 2 – Largo appassionato. E veja que todos os movimentos finais das sonatas do disco são grazioso, presto e prestíssimo!

A seguir, uma tradução livre do texto da página do disco.

Ludwig van Beethoven havia acabado de fazer vinte anos quando encontrou-se com Joseph Haydn pela primeira vez, em 1790. Dois anos depois, o jovem compositor reuniu-se aos muitos alunos do mestre vienense. Mas, cansado das constantes faltas do professor e incomodado por suas críticas, ele logo deixou as aulas, afirmando anos depois, de maneira amarga, não ter aprendido qualquer coisa com Haydn. É esta distância, esta diferença de estilos e de aspirações entre Beethoven e seu antigo professor que está para ser ouvida neste novo álbum de Olivier Cavé […]. A Sonata Hob. XVI: 32 (1776) de Haydn aponta para um estilo clássico mas vigoroso, Hob. XVI: 48, composta apenas quatro anos depois, é mais moderada e acadêmica. Beethoven almejou quebrar com este classicismo, permitindo-se um escopo expressivo maior e trocando o tradicional terceiro movimento – minueto – por um scherzo, na sua segunda sonata, um claro sinal de seu espírito revolucionário.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para piano No. 1 em fá menor, Op. 2, 1
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegretto
  4. Prestissimo

Franz Joseph Haydn (1732 – 1809)

Sonata para piano em si menor, Hob. XVI: 32
  1. Allegro moderato
  2. Minuet – Trio
  3. Presto

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para piano No. 2 em lá maior, Op. 2, 2
  1. Allegro vivace
  2. Largo appassionato
  3. Scherzo: Allegretto
  4. Rondo: Grazioso

Franz Joseph Haydn (1732 – 1809)

Sonata para piano em dó maior, Hob. XVI: 48
  1. Andante con espressione
  2. Presto

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para piano No. 6 em fá maior, Op. 10, 2
  1. Allegro
  2. Allegretto
  3. Presto

Olivier Cavé, piano

Gravação feita em setembro de 2017 – Studio TELDEX, Berlim
Produção: Johannes Kammann

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 400 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 181 MB

Olivier dando um rolé em Veneza, após um almoço com a turma do PQP Bach…

Esta postagem é parte de nossas homenagens ao grande Ludovico: Vivat, vivat Beethoven! – 2020

Aproveitem!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (5/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatasPUBLICADO POR FDP BACH EM 2/7/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 20/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: neste disco, a ordenação das sonatas por parte da Amadeo acaba sendo, mais por coincidência do que por juízo, bastante feliz. Gulda abre os trabalhos com a ótima “Pastoral”, numa das melhores interpretações do ciclo, e prossegue com as duas primeiras da trinca do essencial Op. 31, talvez as primeiras sonatas com a linguagem beethoveniana, inconfundível, altamente pessoal com que Lud Van nos presentearia em suas melhores obras: a no. 1, em Sol maior, repleta de senso de humor, com seu Adagio grazioso altamente ornamentado e prolixo, e a obra-prima em Ré menor, a no. 2, apelidada de “Tempestade”, como o toró que caía sobre o telhado de FDP Bach enquanto ele preparava a postagem original, e não pouco afim a esta que ora encharca minhas redondezas.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH:

Pois bem, eis o quinto cd desta excelente integral de Gulda, e que traz outras duas peças fundamentais do repertório pianístico, a de op 28, “Pastorale”, e a de op. 31-2, intitulada “Der Sturm”. Pois foi uma legítima “Sturm” que me impediu de preparar essa postagem antes. Caiu uma tempestade violenta durante a madrugada e durante boa parte da manhã aqui em minha cidade. Com direito a raios e trovões.

Enfim, espero que gostem deste cd. Eu gosto, e muito. Como diria nosso colega Carlinus, uma boa apreciação. Com ou sem “Sturm”. Por aqui, ela voltou… e com toda a força.

Sonata No.15 in D major Op.28 ”Pastorale” (1801) – 1. Allegro
Sonata No.15 in D major Op.28 ”Pastorale” (1801) – 2. Andante
Sonata No.15 in D major Op.28 ”Pastorale” (1801) – 3. Scherzo – Allegro vivace
Sonata No.15 in D major Op.28 ”Pastorale” (1801) – 4. Rondo – Allegro ma non troppo
Sonata No.16 in G major Op.31-1 (1801-02) – 1. Allegro vivace
Sonata No.16 in G major Op.31-1 (1801-02) – 2. Adagio grazioso
Sonata No.16 in G major Op.31-1 (1801-02) – 3. Rondo – Allegretto – Adagio – Presto
Sonata No.17 in D minor Op.31-2 ”Der Sturm” (1801-02) – 1. Largo – Allegro
Sonata No.17 in D minor Op.31-2 ”Der Sturm” (1801-02) – 2. Adagio
Sonata No.17 in D minor Op.31-2 ”Der Sturm” (1801-02) – 3. Allegretto

Friedrich Gulda – Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDP Bach

Jean-Baptiste Lully (1632-1687): Symphonies, Ouvertures & Airs À Jouer

Jean-Baptiste Lully (1632-1687): Symphonies, Ouvertures & Airs À Jouer

A orquestra de Savall… Nada pode sair ruim com um time desses. Grande disco. Como caminho de fones e é verão, acelerava meus passos conforme o ritmo das muitas danças deste disco. Lully era dançarino, dançava e faz ainda dançar. Resultado: cheguei suando como um porco no trabalho.

Jean-Baptiste de Lully, nascido Giovanni Battista Lulli (Florença, 28 de novembro de 1632 – Paris, 22 de março de 1687), foi um compositor italiano, naturalizado francês. Passou a maior parte da vida trabalhando na corte de Luís XIV . Compositor prolixo, seu estilo foi largamente imitado na Europa. Casou-se com Madeleine Lambert, filha do compositor Michel Lambert. Considerado mestre do barroco francês, tornou-se súdito francês em 1661. Começou a trabalhar para Luís XIV da França no final de 1652 e início de 1653, como dançarino. Compôs algumas das músicas para o Ballet de la nuit, agradando imensamente ao rei. Foi nomeado compositor de músicas instrumentais do rei, conduzindo vinte e quatro violinos da Grande Bande. Cansado com a falta de disciplina da Grande Bande e com a autorização do rei, formou os Petits Violons. Lully compôs muitos balés para o Rei durante as décadas de 1650 e 1660, nos quais o Rei e Lully dançaram. Teve também um tremendo sucesso compondo a música para as comédias de Molière, incluindo Le Mariage forcé (1664), L’Amour médecin (1665) e Le Bourgeois gentilhomme (1670). Quando conheceu Molière, Lully formou o Comédie-ballet. Entretanto, o interesse de Luís XIV pelo balé foi diminuindo com o passar dos anos, e suas habilidades para a dança declinaram (sua última performance foi em 1670) e então Lully dedicou-se inteiramente à ópera. Ele comprou o privilégio para a ópera de Pierre Perrin e com o apoio de Jean-Baptiste Colbert e do próprio Rei, criou um novo privilégio, que dada exclusivamente a Lully o controle completo de toda música apresentada na França, até sua morte,quando morreu de gangrena em 1687. Era conhecido por ser um libertino. Em 1661, em cartas de naturalização e em seu contrato de casamento com Madeleine Lambert, filha do seu amigo e companheiro Michel Lambert, Giovanni Battista Lulli declarou-se como “Jean-Baptiste de Lully” filho de “Laurent de Lully, cavalheiro florentino”. Em 8 de janeiro de 1687, Lully estava conduzindo um Te Deum em honra de Luís XIV, recém recuperado de uma doença. O compositor marcava o tempo, batendo com um grande bastão (o precursor da Batuta) no chão, como era usual nesse período, quando atingiu o próprio pé, provocando uma infecção. Essa ferida evoluiu para uma gangrena, mas Lully recusou-se a amputar o pé. Acho que o compreendo. Em consequência, acabou morrendo em 22 de março de 1687. Ele deixou sua última ópera, Achille et Polyxène inacabada. Seus dois filhos, Jean-Louis Lully e Louis Lully também tiveram uma carreira musical na corte.

Jean-Baptiste Lully (1632-1687): Symphonies, Ouvertures & Airs À Jouer

1ère Suite: Le Bourgeois Gentilhomme, 1670
1 Ouverture 2:59
2 Gavotte 1:41
3 Canaries 1:16
4 Marche Pour La Cérémonie Turque 2:03
5 1er Air Des Espagnols: Sarabande 2:08
6 2ème Air Des Espagnols: Gigue 1:12
7 L’Entrée Des Scaramouches, Trivelins Et Arlequins 2:33
8 Chaconne Des Scaramouches, Trivelins Et Arlequins 3:30

2ème Suite: Le Divertissement Royal, 1664-1670
9 Danse De Neptune 1:36
10 Les Suivants De Neptune 1:46
11 Prélude Des Trompettes 1:44
12 Les Hommes Et Femmes Armés 1:54
13 Rondeau Du Mariage Forcé (1664) 2:31
14 Second Air (Le Mariage Forcé) 2:36
15 Bourrée Du Mariage Forcé (1664) 1:52
16 Bourrée Du Divertissement De Chambord (1669) 1:25
17 Symphonie Des Plaisirs 3:06
18 Les Esclaves 1:38
19 Menuet Pour Les Trompettes 1:41

3ème Suite: Alceste, 1674
20 Marche Des Combattans 2:36
21 Menuet 1:49
22 Loure Pour Les Pêcheurs 1:31
23 Echos 1:02
24 Rondeau De La Gloire 1:13
25 La Pompe Funèbre 3:24
26 Rondeau Pour La Fête Marine 2:30
27 Les Vents 1:15
28 La Fête Infernale: 1er Air 1:19
29 2ème Air: Les Démons 3:28
30 Marche Des Assiégeants 1:12

31 Chaconne De’ L’Amour Médecin (1665) 3:32

Bassoon – Claude Wassmer, Josep Borràs
Cello [Basse De Violon] – Antoine Ladrette, Claire Giardelli, Detmar Leertower, Laura Folch, Michel Murgier
Contrabass – Richard Myron, Xavier Puertas
Flute [Flûte Traversière] – Charles Zebley, Frank Theuns, Marc Hantaï
Oboe [Hautbois] – Alessandro Piqué*, Alfredo Bernardini, Ann Vanlancker, Marcel Ponseele, Paolo Grazzi, Taka Kitazato, Xavier Blanch
Percussion, Timbales – Michèle Claude, Pedro Estevan
Theorbo [Théorbe], Guitar [Guitare] – Rolf Lislevand, Xavier Díaz*
Trumpet [Trompette] – Guy Ferber, Pascal Geay, Roland Callmar
Viola [Hautes-contre De Violon] – Angelo Bartoletti, Giovanni De Rosa, Judit Földes, Martín Barrera
Viola da Gamba [Viole De Gambe] – Eunice Brandao, Sergi Casademunt, Sophie Watillon
Violin [Dessus De Violon] – Alba Roca, Davide Amodio, Helène Plouffe, Lydia Cevidalli, Mauro Lopes*, Santi Aubert, Silvia Mondino
Violin [Premier Violon], Concertmaster – Manfredo Kraemer
Violin [Violon Il] – Pablo Valetti
Orchestra – Le Concert Des Nations
Jordi Savall

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Cantatas – Vol. 17 de 22 – Ton Koopman, Sandrine Piau, Paul Agnew, Klaus Mertens, etc, Amsterdam Baroque Orchestra

COMPACT DISC 1 

“Gott soll allein mein Herze haben” BWV 169
Dominica 18 post Trinitatis

01. Sinfonia
02. Arioso (Alto): “Gott soll allein mein Herze haben”
03. Aria (Alto): “Gott soll allein mein Herze haben”
04. Recitative (Alto): “Was ist die Liebe Gottes?”
05. Aria (Alto): “Stirb in mir, Welt”
06. Recitative (Alto): “Doch meint es auch dabei”
07. Choral: “Du süße Liebe, schenk uns deine Gunst”

“Liebster Jesu, mein Verlangen” BWV 32
Concerto in Dialogo
Dominica 1 0post Epiphanias

08. Aria (Soprano): “Liebster Jesu, mein Verlangen”
09. Recitative (Bass): “Was ists, daß du mich gesuchet?”
10. Aria (Bass): “Hier in meines Vaters Stätte”
11. Recitative (Soprano, Bass): “Ach! heiliger und großer Gott”
12. Aria (Duet: Soprano, Bass): “Nun verschwinden alle Plagen”
13.Choral: “Mein Gott, öffne mir die Pforten”

“Ach Gott, wie manches Herzeleid” BWV 58
Dominica post Festum Circumcisionis Christ

14. Duetto (Soprano, Bass): “Ach Gott, wie manches Herzeleid”
15. Recitative (Bass): “Verfolgt dich gleich die arge Welt”
16. Aria (Soprano): “Ich bin vergnügt in meinem Leiden”
17. Recitative (Soprano): “Kann es die Welt nicht lassen”
18. Duet (Soprano, Bass): “Ich hab für mir ein schwere Reis”

“Ich bin vergnügt mit meinem Glücke” BWV 84
Dominica Septuagesima At the Sunday Septuagesima

19. Aria: “Ich bin vergnügt mit meinem Glücke”
20. Recitative: “Gott ist mir ja nichts schuldig”
21. Aria: “Ich esse mit Freuden mein weniges Brot”
22. Recitative: “Im Schweiße meine Angesichts”
23. Choral: “Ich leb indes in dir vergnüget”

COMPACT DISC 2

“Es erhub sich ein Streit” BWV 19
Festo Michaelis St. Michael and All Angel

01. Chorus: “Es erhub sich ein Streit”
02. Recitative (Bass): “Gottlob! der Drache liegt”
03. Aria (Soprano): “Gott schickt uns Mahanaim zu”
4. Recitative (Tenor): “Was ist der schnöde Mensch”
6. Recitative (Soprano): “Laßt uns das Angesicht”
7. Chorale: “Laß dein Engel mit mir fahren”

“Meine Seufzer, meine Tränen” BWV 13
dominica 2 post Epiphanias

08. Aria (Tenor): “Meine Seufzer, meine Tränen”
09. Recitative (Alto): “Mein liebster Gott läßt mich annoch”
10. Chorale: “Der Gott, der mir hat versprochen”
11. Recitative (Soprano): “Mein Kummer nimmet zu”
12. Aria (Bass): “Ächzen und erbärmlich Weinen”
13. Chorale: “So sei nun, Seele, deine”

“Ich will den Kreuzstab gerne tragen” BWV 56
Dominica 19 post Trinitatis

14. Aria (Bass): “Ich will den Kreuzstab gerne tragen”
15. Recitative (Bass): “Mein Wandel auf der Welt”
16. Aria (Bass): “Endlich wird mein Joch”
17. Recitative (Bass): “Ich stehe fertig und bereit”
18. Chorale: “Komm, o Tod, du Schlafes Bruder”

COMPACT DISC 3 

“Geist und Seele wird verwirret” BWV 35
Dominica 12 post Trinitatis

Prima parte
01. Concerto
02. Aria (Alto): “Geist und Seele wird verwirret”
03. Recitative (Alto): “Ich wundre mich”
04. Aria (Alto): “Gott hat alles wohlgemacht”

Seconda parte
05. Sinfonia
06. Recitative (Alto): “Ach, starker Gott, laß mich doch dieses stets bedenken”
07. Aria (Alto): “Ich wünsche nur bei Gott zu leben”

“Wer Dank opfert, der preiset mich” BWV 17
Dominica 14 post Trinitatis

Prima parte
08. Chorus: “Wer Dank opfert, der preiset mich”
09. Recitative (Alto): “Es muß die ganze Welt”
10. Aria (Soprano): “Herr, deine Güte reicht”

Seconda parte

11. Recitative (Tenor): “Einer aber unter ihnen”
12. Aria (Tenor): “Welch Übermaß der Güte schenkst du mir!”
3. Recitative (Bass): “Sieh meinen Willen an”
4. Chorale: “Wie sich ein Vatr erbarmet”

“Selig ist der Mann” BWV 57
Dialogus Feria 2 Nativitatis Christi

15. Aria (Bass): “Selig ist der Mann”
16. Recitative (Soprano): “Ach! dieser süße Trost!”
17. Aria (Soprano): “Ich wünschte mir den Tod”
18. Recitative (Bass, Soprano): “Ich reiche dir die Hand”
9. Aria (Bass): “Ja, ich kann die Feinde schlagen”
20. Recitative (Bass, Soprano): “In meinem Schoß liegt Ruh’ und Leben”
21. Aria (Soprano): “Ich ende behende mein irdisches Leben”
22. Chorale: [Jesus]: “Richte dich, Liebste, nach meinem Gefallen und gläube”

Sandrine Piau, Johannette Zomer, Sibylla Rubens – Sopranos
Bogna Bartosz, Nathalie Stutzmann – Altos
Paul Agnew, Jörg Dürmüller, Christoph Prégardien – Tenor
Klaus Mertens – Bass

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (4/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatas

PUBLICADO POR FDP BACH EM 26/6/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 19/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: prometêramos parar de reclamar do selo Amadeo, não? Pois nos calamos em boa hora, já que o empenho da gravadora de organizar as sonatas em ordem cronológica de publicação funciona muito bem por aqui. O CD abre com a boa sonata op. 22, uma das preferidas de Beethoven, que talvez só não seja conhecida como merece porque não lhe deram um apelido como, por exemplo, “Appassionata”. Em seguida, uma de minhas sonatas favoritas, a Op. 26, que abre com belíssimas variações, às quais Gulda atribui uma gravidade tão grande quanto o cerne da obra, a marcha fúnebre que, muitas vezes, apelida a obra. Concluindo, o ótimo duo do Op. 27, das quais a mais conhecida é a no. 2, a de epíteto famoso. Gulda adere ao Adagio sostenuto prescrito pelo compositor e encerra o disco com um Presto realmente feérico. Minha favorita, no entanto, ainda é a no. 1, que assim como seu par foi alcunhada por Beethoven de “quasi una fantasia”, mas injustamente eclipsada, também suponho, pela falta de um apelido famoso.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH:

Ah, a “Sonata ao Luar”… quantos romances já se iniciaram após os casais ouvirem tal peça… sublime, uma das maiores criações humanas, sem dúvida. E Gulda, ao tocar um pouco mais lentamente, transforma esse verdadeiro poema musical em algo ainda mais leve, mais apaixonado, mais introspectivo. Um gigante esse pianista.

Ideal para ouvir ao lado da amada, ainda mais com essa lua cheia maravilhosa que tivemos nos últimos dias. acompanhados, é claro, de um bom vinho.

Sonata No.11 in B-flat major Op.22 (1799-1800) – 1. Allegro con brio
Sonata No.11 in B-flat major Op.22 (1799-1800) – 2. Adagio con molto espressione
Sonata No.11 in B-flat major Op.22 (1799-1800) – 3. Menuetto
Sonata No.11 in B-flat major Op.22 (1799-1800) – 4. Rondo – Allegretto
Sonata No.12 in A-flat major Op.26 (1800-01) – 1. Andante con Variazioni
Sonata No.12 in A-flat major Op.26 (1800-01) – 2. Scherzo – Allegro molto
Sonata No.12 in A-flat major Op.26 (1800-01) – 3. Marcia funebre
Sonata No.12 in A-flat major Op.26 (1800-01) – 4. Allegro
Sonata No.13 in E-flat major Op.27-1 (1800-01) – 1. Andante – Allegro
Sonata No.13 in E-flat major Op.27-1 (1800-01) – 2. Allegro molte e vivace
Sonata No.13 in E-flat major Op.27-1 (1800-01) – 3. Adagio con espressione
Sonata No.13 in E-flat major Op.27-1 (1800-01) – 4. Allegro vivace – Presto
Sonata No.14 in C-sharp minor Op.27-2 ”Mondscheinsonate” (1801) – 1. Adagio sostenuto
Sonata No.14 in C-sharp minor Op.27-2 ”Mondscheinsonate” (1801) – 2. Allegretto – Trio
Sonata No.14 in C-sharp minor Op.27-2 ”Mondscheinsonate” (1801) – 3. Presto agitato

Freidrich Gulda – Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Friedrich+Gulda+gulda
Friedrich Gulda pensando em como tornar o belo ainda mais sublime…!

Bach (1685-1750): Concertos para Pianos – Anna Vinnitskaya & Kammerakademie Potsdam

Bach (1685-1750): Concertos para Pianos – Anna Vinnitskaya & Kammerakademie Potsdam

 

J.S. Bach

Concertos para Pianos

 

O piano é o instrumento que melhor realiza a música, na minha opinião. É o instrumento que produz o som que eu mais gosto de ouvir. Depois, o piano e outro instrumento, o piano e ainda mais alguns instrumentos, e também o piano e muitos instrumentos, enfim o piano e vozes. Bem, vocês devem ter pego a ideia.

Os concertos para piano são as peças que eu mais frequentemente escolho para ouvir, aquelas que normalmente preenchem meus CDs preferidos assim como meus pendrives.

Bruckner, Mahler, Debussy, Schubert não escreveram concertos para piano, mas ninguém é perfeito.

Os concertos, estes começaram com ELE, o grande, João Sebastião Ribeiro. Bach em sua genialidade e simplicidade (há algum tipo de genialidade que não seja simples?) adaptou concertos que já funcionavam bem com outros instrumentos para instrumentos de teclas como solistas.

Adaptou o concerto para quatro violinos do Padre Vermelho, depois suas próprias obras, concertos para violino ou dois violinos. Tão genial que escreveu para piano (claro, para piano, ouça as peças deste disco se não acreditas) antes mesmo deste instrumento estar completamente desenvolvido.

Anna Vinnitskaya

Ouvir uma seleção como a que está neste álbum é uma fonte de prazer. Para realizar este álbum, reuniu-se um time de pianistas vindo do frio. Os solistas são eslavos – Anna Vinnitskaya, Evgeni Koroliov e Ljupka Hadzi-Georgieva – e se conhecem muito bem. Anna Vinnitskaya foi aluna de Evgeni Koroliov na Hochschule für Musik und Theater, em Hamburgo, e Evgeni é casado com a Ljupka.

A orquestra é a Kammerakademie Potsdam e é excelente também na música de Bach.

O álbum começa com o mais famoso e mais robusto dos concertos para piano, em ré menor, BWV 1052, tendo como solista Evgeni Koroliov. Na sequência temos os concertos para dois ou três pianos, intercalados eventualmente por um concerto para piano solo. Os solistas também vão se alternando.

Ljupka e Evgeni

NÃO é uma postagem com TODOS os concertos, não é uma INTEGRAL dos concertos, mas é uma coleção ainda mais adorável por isso. Parece que os concertos foram escolhidos pelos músicos devido as suas próprias predileções.

Fechando o cortejo temos o maravilhoso e já mencionado Concerto para Quatro Pianos em lá menor, BWV 1065, mas adaptado para três pianos, uma vez que temos apenas três solistas. Não tem por isto, caro seguidor do blog, com o que preocupar-se. Lembremos, o próprio concerto é uma transcrição feita por Bach do maravilhoso concerto de Vivaldi!

KAP

A gravação é excelente, as interpretações balanceadas entre a excelência técnica e a sensibilidade dos intérpretes, especialmente nos movimentos lentos. Para se ter uma ideia, basta ouvir o Alla siciliana do Concerto para Três Pianos em ré menor, BWV 1063.

Enfim, prepare-se para uma festa, um banquete de boa música. Difícil ficar melhor…

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

CD1

Concerto para piano No. 1 em ré menor, BWV 1052
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro
Concerto para dois pianos em dó menor, BWV 1060
  1. Allegro
  2. Largo ovvero adagio
  3. Adagio
Concerto para piano No. 7 em sol menor, BWV 1058
  1. […]
  2. Andante
  3. Allegro assai
Concerto para dois pianos em dó menor, BWV 1062
  1. […]
  2. Andante e plano
  3. Allegro assai
Concerto para três pianos em dó maior, BWV 1064
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro assai

CD2

Concerto No. 4 em lá maior, BWV 1055
  1. Allegro
  2. Larghette
  3. Allegro ma non tanto
Concerto No. 5 em fá menor, BWV 1056
  1. […]
  2. Largo
  3. Presto
Concerto para dois pianos em dó maior, BWV 1061
  1. […]
  2. Largo ovvero adagio
  3. Vivace
Concerto para três pianos em ré menor, BWV 1063
  1. […]
  2. Alla siciliana
  3. Allegro
Concerto para quatro pianos (arranjado para três pianos) em lá menor, BWV 1065
  1. […]
  2. Adagio
  3. Allegro assai

Emil Koroliov, piano

[1053, 1060, 1058, 1064, 1061, 1063, 1065]

Anna Vinnitskaya, piano

[1062, 1064, 1055, 1056, 1061, 1063, 1065]

Ljupka Hadzi-Georgieva, piano

[1060, 1062, 1064, 1063, 1065]

Kammerakademie Potsdam

Concertmaster: Suyeon Kang

Gravado na Jesus-Christus-Kirche, Berlim

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 469 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 330 MB

Aqui um pequeno vídeo com os intérpretes. Não é necessário saber alemão para entender tudo. Aproveite!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (3/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatas

PUBLICADO POR FDP BACH EM 23/6/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 18/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: Gulda segue sua série, e a Amadeo segue com seu expediente de encaixar as sonatas de Beethoven nos discos, do jeito que couberem, como melancias numeradas talhadas a facão, na ordem de publicação. Prometo que reclamarei menos do selo, até porque há muito aqui o que elogiar, mas não sem antes, entre resmungos, dizer que acho estranho abrir um recital com algo da estirpe da Op. 10 no. 3 e encerrá-lo com algo levinho como a quase-sonatina Op. 14 no. 2. Gulda, sempre meio alheio a todos e a tudo, exceto ao teclado, encerra a tríade das Op. 10 com brilho e nos entrega uma “Patética”  sensacional.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH:

Mais um cd da série que traz o grande pianista austríaco Friedrich Gulda tocando as sonatas para piano de Beethoven. E este cd traz pelo menos dois monumentos da literatura pianística, as sonatas de n° 7 e 8. Creio que depois da sonata ao luar, que conheço desde que me conheço por gente, a sonata de n° 8 também me é conhecida há incontáveis eras, graças a um velho Lp do grande Alfred Brendel que trazia algumas destas sonatas. Coisa finíssima. E curiosamente ainda devo ter o LP, em uma edição da Philips alemã.
Mas aqui temos Gulda, outro mito do piano. E se preparem pois ele não deixa pedra sobre pedra, já desde o Presto inicial da Sonata de n°7.

Sonata No.07 in D major Op.10-3 (1796-98) – 1. Presto
Sonata No.07 in D major Op.10-3 (1796-98) – 2. Largo e maesto
Sonata No.07 in D major Op.10-3 (1796-98) – 3. Menuetto – Allegro
Sonata No.07 in D major Op.10-3 (1796-98) – 4. Rondo – Allegro
Sonata No.08 in C minor Op.13 ”Pathétique” (1798-1799) – 1. Grave – Allegro di molto e con brio
Sonata No.08 in C minor Op.13 ”Pathétique” (1798-1799) – 2. Adagio cantabile
Sonata No.08 in C minor Op.13 ”Pathétique” (1798-1799) – 3. Rondo – Allegro
Sonata No.09 in E major Op.14-1 (1798-99) – 1. Allegro
Sonata No.09 in E major Op.14-1 (1798-99) – 2. Allegretto
Sonata No.09 in E major Op.14-1 (1798-99) – 3. Rondo – Allegro commondo
Sonata No.10 in G major Op.14-2 (1798-99) – 1. Allegro
Sonata No.10 in G major Op.14-2 (1798-99) – 2. Andante
Sonata No.10 in G major Op.14-2 (1798-99) – 3. Scherzo – Allegro assai

Friedrich Gulda – Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

#BTHVN250, por René Denon

Béla Bartók (1881-1945): Os Quartetos de Cordas

Béla Bartók (1881-1945): Os Quartetos de Cordas

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Vocês podem ficar com as musiquinhas de vocês, mas digo-vos: as maiores obras do século XX são os 6 Quartetos de Béla Bartók. E tenho dito! Os quartetos do leste europeu são os campeões neste repertório, mas estou ouvindo o inglês Belcea Quartet e é muito bom, com aqueles momentos de selvageria e aspereza bem calibrados.

Putz, acabo de descobrir que a líder do quarteto, Corina Belcea-Fisher, é romena…

Erico Verissimo amava esses quartetos, porém durante a Guerra do Vietnam, disse que não conseguia mais ouvi-los, pois eles lhe evocavam um mundo rumando para a destruição. Imagine se ele estivesse vivo, vendo todo o descaso das pessoas em relação à educação às mudanças climáticas. O grupo dos quartetos de cordas de Bartók é  uma das três  pedras fundamentais do repertório para esta formação. Eles se comunicam entre si em vários níveis. Sejam vistos como um ciclo ou como seis obras individuais, continuam sendo obras-primas do design formal, sendo cada trecho claramente parte de um grande plano. Eles podem ser misteriosos, íntimos, inovadores, transcendentes, francos ou terrenos, enquanto sua infinita sutileza merece estudos e louvores de toda uma vida. Os jovens embaixadores musicais do Belcea Quartet tocaram todos os quartetos de Bartók nos últimos meses e eles continuarão a aparecer fortemente em sua agenda de turnês. O ciclo completo foi apresentado no Wigmore Hall e a interpretação desses quartetos realmente capta a atenção dos ouvintes. O quarteto comentou: “Quanto mais nos envolvemos nessas obras, mais beleza e riqueza descobrimos nelas e esperamos que esse apelo ainda aumente no futuro. porque definitivamente consideramos esses quartetos as maiores obras-primas do século passado”. O 1º Quarteto é o mais romântico em espírito e na verdade abriga uma história de amor. Ele marca uma retirada afetuosa de um fin-de-siécle romântico tardio. O 2º (1915-1917) leva-nos de alguma maneira em direção ao Bartók corajoso e contundente do meio da década de 1920. Em 1927, Bartók, um excelente pianista, estava desfrutando de uma carreira de concertos mundiais e ia absorvendo o que esse mundo tinha a oferecer. Uma influência provável foi a Suíte Lírica de Alban Berg, uma obra-prima com uma infinidade de complexidades. O 3º Quarteto de Bartók parece imitar uma rapsódia húngara (a alternância de música rápida e lenta), enquanto pega pequenas células temáticas e as transforma em ninhos de fervilhante de atividade musical. Os próximos dois quartetos de Bartók são escritos de maneira não convencional em cinco movimentos e em desenho simétrico, semelhante a um arco. O 4º (1928) tem em seu centro um exemplo evocativo, embora austero, da “música noturna” de Bartók que se abre com um solo de violoncelo, que imita o canto dos pássaros. O 2º e 4º movimentos deste quarteto são scherzi. O 5º Quarteto (1934) é construído em uma escala muito maior. Bartók modifica a forma do arco colocando um scherzo no centro, um movimento de dança sincopada no ritmo búlgaro, cercado de dois movimentos lentos (2º e 4º) usando sequências de acordes semelhantes. O ar de tristeza infindável que paira sobre o último quarteto de Bartók (1938) reflete não apenas uma Europa doente, mas também uma tragédia pessoal: a jornada de sua mãe rumo à morte terminaria em dezembro de 1939. Todos os quatro movimentos se abrem com um mesto. Nunca um ciclo de quartetos terminou tão inequivocamente ou soou um aviso mais verdadeiro.

Béla Bartók (1881-1945): Os Quartetos de Cordas 1-6

CD1:
1. String Quartet No. 1 in A minor, Sz. 40, BB 52 (Op. 7): 1. Lento
2. String Quartet No. 1 in A minor, Sz. 40, BB 52 (Op. 7): 2. Allegretto
3. String Quartet No. 1 in A minor, Sz. 40, BB 52 (Op. 7): 3. Introduzione (Allegro) – Allegro vivace

4. String Quartet No. 3 in C sharp major, Sz. 85, BB 93: 1. Prima parte: Moderato
5. String Quartet No. 3 in C sharp major, Sz. 85, BB 93: 2. Seconda parte: Allegro
6. String Quartet No. 3 in C sharp major, Sz. 85, BB 93: 3. Ricapitolazione dell prima parte: Moderato – Coda: Allegro molto

7. String Quartet No. 5 in B flat major, Sz. 102, BB 110: 1. Allegro
8. String Quartet No. 5 in B flat major, Sz. 102, BB 110: 2. Adagio molto
9. String Quartet No. 5 in B flat major, Sz. 102, BB 110: 3. Scherzo (Alla bulgarese) – Trio
10. String Quartet No. 5 in B flat major, Sz. 102, BB 110: 4. Andante
11. String Quartet No. 5 in B flat major, Sz. 102, BB 110: 5. Finale (Allegro vivace)

CD2:
1. String Quartet No. 2 in A minor, Sz. 67, BB 75 (Op. 17): 1. Moderato
2. String Quartet No. 2 in A minor, Sz. 67, BB 75 (Op. 17): 2. Allegro molto capriccioso
3. String Quartet No. 2 in A minor, Sz. 67, BB 75 (Op. 17): 3. Lento

4. String Quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: 1. Allegro
5. String Quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: 2. Prestissimo, con sordino
6. String Quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: 3. Non troppo lento
7. String Quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: 4. Allegretto pizzicato
8. String Quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: 5. Allegro molto

9. String Quartet No. 6 in D major, Sz. 114, BB 119: 1. Mesto – Vivace
10. String Quartet No. 6 in D major, Sz. 114, BB 119: 2. Mesto – Marcia
11. String Quartet No. 6 in D major, Sz. 114, BB 119: 3. Mesto – Burletta (Moderato)
12. String Quartet No. 6 in D major, Sz. 114, BB 119: 4. Mesto

Belcea Quartet:
Corina Belcea-Fisher, violino
Laura Samuel, violino
Krzysztof Chorzelski, viola
Antoine Lederlin, violoncelo

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Quem seria?

PQP

C.P.E. Bach (1714-1788) – Symphonies, Cello Concertos – Leonhardt – Bylsma

coverMais uma vez tenho o maior prazer em repostar este CD duplo, que já me proporcionou momentos muito prazerosos.

Emprestei do blog do aliomodo o seguinte texto, que ele tirou da conceituada revista Gramophone:

Preciso dizer mais alguma coisa? Ah sim, podem apreciar sem moderação.

C.P.E. Bach – Symphonies, Cello Concertos – Leonhardt – Bylsma

CD 1

1. Symphony No. 1 in D Wq 183 (H663): I. Allegro di molto
2. Symphony No. 1 in D Wq 183 (H663): II. Largo
3. Symphony No. 1 in D Wq 183 (H663): III. Presto
4. Symphony No. 2 in E flat Wq183 (H664): I. Allegro di molto
5. Symphony No. 2 in E flat Wq183 (H664): II. Larghetto
6. Symphony No. 2 in E flat Wq183 (H664): III. Allegretto
7. Symphony No. 3 in F Wq183 (H665): I. Allegro di molto
8. Symphony No. 3 in F Wq183 (H665): II. Larghetto
9. Symphony No. 3 in F Wq183 (H665): III. Presto
10. Symphony No. 4 in G Wq183 (H666): I. Allegro assai
11. Symphony No. 4 in G Wq183 (H666): II. Poco andante
12. Symphony No. 4 in G Wq183 (H666): III. Presto
13. Symphony No.5 in B minor Wq182 (H661): Allegretto
14. Symphony No.5 in B minor Wq182 (H661): Larghetto
15. Symphony No.5 in B minor Wq182 (H661): Presto

Cd 2

1. Cello Concerto in A major Wq.172 / H.439 (Cadenzas: Anner Bylsma): I. Allegro
2. Cello Concerto in A major Wq.172 / H.439 (Cadenzas: Anner Bylsma): II. Largo con sordini, mesto
3. Cello Concerto in A major Wq.172 / H.439 (Cadenzas: Anner Bylsma): III. Allegro assai
4. Cello Concerto in A minor, Wq.170 / H.439 (Cadenzas: Anner Bylsma): I. Allegro assai
5. Cello Concerto in A minor, Wq.170 / H.439 (Cadenzas: Anner Bylsma): II. Andante
6. Cello Concerto in A minor, Wq.170 / H.439 (Cadenzas: Anner Bylsma): III. Allegro assai
7. Cello Concerto in B flat major, Wq.171 / H.436 (cadenzas: Anner Bylsma): I. Allegretto
8. Cello Concerto in B flat major, Wq.171 / H.436 (cadenzas: Anner Bylsma): II. Adagio
9. Cello Concerto in B flat major, Wq.171 / H.436 (cadenzas: Anner Bylsma): III. Allegro assai

Anner Bylsma – Cello
Orchestra Of The Age Of Enlightenment
Gustav Leonhardt – Conductor

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (2/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatas

PUBLICADO POR FDP BACH EM 15/6/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 17/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: segue a série do genial bicho-grilo Gulda tocando a integral das sonatas de Lud Van. O selo Amadeo, cujo dístico em alemão só pode ser “Fick dich, lausige Zuhörer“, atocha de maneira que lhe é muito típica as sonatas, todas em faixa única, e em ordem crescente de numeração, sem qualquer consideração ao pútrido ouvinte. Assim, a peculiar Sonata Op. 7 abre o disco só porque veio antes das Op. 10, e deixa o coeso trio das Op. 10 incompleta, por ficar de fora justamente a melhor delas, a Op. 10 no. 3, a primeira das grandes sonatas de Beethoven. Gulda, que não estava nem aí para isso (porque “Fick dich” também era decerto seu lema), dá-nos a ótima leitura que poderíamos esperar dele.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH:

Fiquei contente com a repercussão que essa postagem do Gulda tocando Beethoven trouxe. Realmente trata-se de um excelente pianista, com muitos recursos, e sua leitura destas sonatas são muito conceituadas. Pena que não a postei antes, mas antes tarde que nunca, não é mesmo?

Lembro que já foram postados outros cds dele aqui no PQPBach, mas não sei se os links estão ativos. E não lembro se em algum destes cds ele incursiona pelo jazz, outro terreno em que também se notabilizou. Seria a praia do velho cão sarnento, bluedog, mas ele ainda está escondido em algum canto, sem nos dar o prazer de seu retorno, curtindo seu acervo …

Sonata No.04 in E-flat major Op.7 (1796-97) – 1. Allegro molto e con brio
Sonata No.04 in E-flat major Op.7 (1796-97) – 2. Largo- con gran espressione
Sonata No.04 in E-flat major Op.7 (1796-97) – 3. Allegro
Sonata No.04 in E-flat major Op.7 (1796-97) – 4. Rondo – Poco allegretto e grazioso

Sonata No.05 in C minor Op.10-1 (1796-98) – 1. Allegro molto e con brio
Sonata No.05 in C minor Op.10-1 (1796-98) – 2. Adagio molto
Sonata No.05 in C minor Op.10-1 (1796-98) – 3. Finale – Prestissimo

Sonata No.06 in F major Op.10-2 (1796-98) – 1. Allegro
Sonata No.06 in F major Op.10-2 (1796-98) – 2. Allegretto
Sonata No.06 in F major Op.10-2 (1796-98) – 3. Presto

Friedrich Gulda – Piano

CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Friedrich Gulda
Friedrich Gulda
#BTHVN250, por René Denon

François Couperin (1668-1733) e Claude Debussy (1862-1918): Les ondes – Amandine Habib, piano

François Couperin (1668-1733) e Claude Debussy (1862-1918): Les ondes – Amandine Habib, piano

Couperin  ֎  Debussy

Músicos Franceses

 

Um álbum reunindo obras de Couperin e Debussy não é algo com o que nos deparamos a todo o instante. Assim, este aqui chamou-me a atenção no momento que o notei em meio a vários outros. A capa de fundo escuro com uma flor dente-de-leão estilizada, letras dispostas na vertical e estilo minimalista, como o belíssimo nome – Les ondes – deram o empurrão final.

Você deve estar se perguntando: o que há em comum entre estes dois compositores que viveram duzentos anos um do outro, além de serem franceses?

Pois há várias coisas, como nos adianta e explica no interessante texto do livreto, incluído nos arquivos, a ótima pianista Amandine Habib. Para começar, ambos foram inovadores e dedicaram-se à música para o teclado. Couperin foi deixando o formalismo das danças que predominava nos seus dias – minuetos, gavotas e outras  – mantendo seus ritmos em suas músicas, mas cobrindo-as com mais poesia. Os nomes de suas peças dão-nos um prazer e um estímulo a mais. Poesia e imaginação também estão presentes nas peças de Debussy, assim como a arte de escolher os nomes – que não se impõem, mais se insinuam.

No disco, Amandine intercala Couperin e Debussy e disto eu muito gostei. Percebemos nas obras de Couperin uma faixa tonal mais estreita, afinal suas peças não foram compostas para grande piano. Mas não lhes faltam vivacidade e cores. Podemos perceber certos ecos destes ritmos nas peças de Debussy, que teve o privilégio de conhecer bem as peças do mestre mais antigo.

A escolha das peças também é enorme mérito da pianista e dos produtores, e eleva este disco bem acima da média dos que tenho ouvido.

Amandine nasceu em Marseille em uma família que ama a música, de maneira eclética, e estudou em Marseille e Lyons. Tem já uma carreira de concertista e de atuação em música de câmera bem estabelecida, além de fazer duo com Raphaël Imbert, um saxofonista de jazz.

Gostei muitíssimo de suas interpretações neste disco, que já ouvi muitas vezes. Espero que isso aconteça também com você.

François Couperin (1668-1733)

Claude Debussy (1862-1918)

  1. L’Étincelante ou la Bontemps (Couperin)
  2. Doctor Gradus ad Parnassum (Debussy)
  3. La Flore (Couperin)
  4. Bruyères (Debussy)
  5. Les lis naissans (Couperin)
  6. Les colliens d’Anacapri (Debussy)
  7. Le dodo ou L’amour au berceau (Couperin)
  8. Toccata (Debussy)
  9. Le tic-toc-choc ou Les maillontins (Couperin)
  10. Les Jumèles (Couperin)
  11. La Cathédrale engloutie (Debussy)
  12. Les ondes (Couperin)
  13. Poissons d’or (Debussy)
  14. Les Ombres errantes (Couperin)
  15. Les tierces alternées (Debussy)
  16. Les Tricoteuses (Couperin)
  17. Les rozeaux (Couperin)
  18. L’Isle joyeuse (Debussy)

Amandine Habib, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 207 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 150 MB

Para explorar mais o tema da influência sobre Debussy e sua relação com a música de Couperin e Rameau, sugiro a leitura deste texto, que é proveniente da página de Jeffrey La Deur.

Aproveite!

René Denon

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Violin Concertos – Shunske Sato, Il Pomo D´oro, Zefira Valova

Já há algum tempo que ensaio postar este CD, mas enfim, ei-lo. Mais uma sensacional gravação do Conjunto Barroco Il Pomo D´Oro, com um excelente solista japonês, um especialista no violino barroco, Shunske Sato.
Temos diversas gravações destes concertos aqui mesmo no PQPBach, mas não canso de postar outras versões, que saem às dezenas anualmente. Tratam-se de obras fundamentais no repertório violinístico, obrigatórias no currículo de qualquer violinista que queira se destacar. Já ouvi estas obras dezenas, quiçá centenas de vezes e nunca canso de ouvir as novas gravações para exatamente indentificar as novidades que podem ser extraídas da partitura. São obras que nunca irão se esgotar.
Shunske Sato me era um total desconhecido até ter acesso a esse CD. Aí fui pesquisar a biografia do rapaz e me supreendi pelo seu currículo. Possui uma carreira estável já há duas décadas, e vem se apresentando com as mais diversas orquestras e maestros ao redor do planeta. Atualmente é o Diretor Artístico do prestigiada Netherlands Bach Society.
Um belo CD, sem dúvida, para quem admira o violino barroco. Rachel Podger e Amandine Beyer já tem seu sucessor.

1 Violin Concerto No. 1 in A Minor, BWV 1041- I. Allegro moderato
2 Violin Concerto No. 1 in A Minor, BWV 1041- II. Andante
3 Violin Concerto No. 1 in A Minor, BWV 1041- III. Allegro assai
4 Violin Concerto No. 2 in E Major, BWV 1042- I. Allegro
5 Violin Concerto No. 2 in E Major, BWV 1042- II. Adagio
6 Violin Concerto No. 2 in E Major, BWV 1042- III. Allegro assai
7 Concerto for 2 Violins in D Minor, BWV 1043- I. Vivace
8 Concerto for 2 Violins in D Minor, BWV 1043- II. Largo ma non tanto
9 Concerto for 2 Violins in D Minor, BWV 1043- III. Allegro
10 Violin Concerto No. 5 in G Minor, BWV 1056R- I. Allegro (Arr. Forkel)
11 Violin Concerto No. 5 in G Minor, BWV 1056R- II. Largo (Arr. Forkel)
12 Violin Concerto No. 5 in G Minor, BWV 1056R- III. Presto (Arr. Forkel)

Shunske Sato, Zefira Valova – Violins
Il Pomo D´Oro

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (1/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatas

PUBLICADO POR FDP BACH EM 12/6/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 16/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: Lud Van merece, e por isso celebraremos seu jubileu de maneira que, até o dia de seu 250° aniversário, a integral de suas obras esteja disponível em nosso acervo – das obras de infância até os sublimes, derradeiros quartetos de cordas -, alcançando-lhes novas interpretações, particularmente do ciclo das sonatas para piano, bem como restaurando gravações importantes de suas obras que se perderam no “internéter”. Começamos por esta leitura do notável maluco-beleza vienense, repleta do inconfundível “toque Gulda”, talvez por demais frenética para alguns ouvidos, mas sem dúvidas indispensável a qualquer acervo fonográfico. A qualidade do som não é o forte do selo Amadeo, que também não se dá ao trabalho de separar os movimentos entre faixas, atochando-nos obras inteiras em faixas simples. Ainda assim, e particularmente nestas sonatas da juventude do compositor, Gulda faz a amolação valer a pena.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH:

Em um primeiro momento pensei em postar a coleção toda de uma só vez, mas pensei melhor e decidir postar um por um, para ser melhor degustado, afinal trata-se de Friedrich Gulda tocando Beethoven, e isso definitivamente não é pouca coisa. Tenho essa coleção há algum tempo e a ouço também de vez em quando. Como se tratam-se de gravações da década de 60, esta caixa fica numa pasta chamada gravações históricas, à qual volto de vez em quando. Ultimamente tenho ouvindo os pianistas mais novos, como Lewis e Brautigam, ou Angela Hewitt, mas de vez em quando preciso ouvir esses caras da velha, pero non mucho, guarda.

Este primeiro cd traz, é claro, as três primeiras sonatas, de op. 2. Deleitem-se.

Sonata No.01 in F minor Op.2-1 (1795) – 1. Allegro
Sonata No.01 in F minor Op.2-1 (1795) – 2. Adagio
Sonata No.01 in F minor Op.2-1 (1795) – 3. Menuetto – Allegretto
Sonata No.01 in F minor Op.2-1 (1795) – 4. Prestissimo
Sonata No.02 in A major Op.2-2 (1795) – 1. Allegro vivace
Sonata No.02 in A major Op.2-2 (1795) – 2. Largo apassionato
Sonata No.02 in A major Op.2-2 (1795) – 3. Scherzo – Allegretto
Sonata No.02 in A major Op.2-2 (1795) – 4. Rondo – Grazioso
Sonata No.03 in C major Op.2-3 (1795) – 1. Allegreo con brio
Sonata No.03 in C major Op.2-3 (1795) – 2. Adagio
Sonata No.03 in C major Op.2-3 (1795) – 3. Scherzo – Allegro
Sonata No.03 in C major Op.2-3 (1795) – 4. Allegro assai

Friedrich Gulda – Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

#BTVHN250, por René Denon

Prokofiev (1891-1953): Sonata para Violino, Percussão e Orquestra de Cordas, Op. 80

Prokofiev (1891-1953): Sonata para Violino, Percussão e Orquestra de Cordas, Op. 80

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Vi Sebastian Bohren em ação no Piano Salon Christophori, em Berlim. (Como se pode descrever este lugar? O Piano Salon Christophori é uma espécie de garagem, na verdade uma ex-fábrica de pianos. Imagine uma garagem semi-abandonada, imagine que ela seja utilizada como sala de concertos e centro cultural, decorada com parte de pianos penduradas nas paredes, quadros, cadeiras, velhos sofás e lustres pendurados por correntes. E que tenha uma bela acústica. É mais ou menos isso). Bem, foi uma apresentação impressionante de Bohren. Trata-se de um extraordinário violinista de habilidade, musicalidade e sonoridade espetaculares. Esta versão da sonata para violino solo, orquestra de cordas e percussão foi uma iniciativa dele. A transcrição do Op. 80 de Prokofiev foi encomendada a Andrei Pushkarev, percussionista da “Kremerata Baltica” de Gidon Kremer, um arranjador talentoso cujos arranjos podem ser encontrados no repertório de inúmeros músicos. Esta Sonata é absolutamente esplêndida, ficando entre o sublime, a tristeza e o agressivo. Ela foi escrita entre 1938 e 1946 e completada dois anos após a Sonata para Violino Nº 2. É uma das obras mais sombrias do compositor e Prokofiev recebeu o prêmio Stalin de 1947 por ela. O disco é, sim, imperdível.

Violin Sonata No. 1 in F Minor, Op 80 (Sonata for Violin, Percussion and String Orchestra (Live)
I. Andante assai (Arr. for Violin, Percussion and String Orchestra) [Live] 7:10
II. Allegro brusco (Arr. for Violin, Percussion and String Orchestra) [Live] 7:12
III. Andante (Arr. for Violin, Percussion and String Orchestra) [Live] 8:45
4 IV. Allegrissimo (Arr. for Violin, Percussion and String Orchestra) [Live] 8:57

Sebastian Bohren
Georgian Chamber Orchestra

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

O excelente Sebastian Bohren

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Cantatas – Volume 16 de 22 – Sandrine Piau, Annette Markert James Gilchrist, etc., Amsterdam Baroque Orchestra, Ton Kopman

COMPACT DISC 1
Ich habe genung BWV 82
Festo Purificationis Mariae

1. Aria: “Ich habe genung”
2. Recitative: “Ich habe genung! Mein Trost ist nur allein”
3. Aria: “Schlummert ein, ihr matten Augen”
4. Recitative: “Mein Gott! wenn kömmt das schöne: Nun!”
5. Aria: “Ich freue mich auf meinen Tod”

Wer weiß, wie nahe mir mein Ende BWV 27
Dominica 16 post Trinitatis
6. Chorale and Recitative (S, A, T): “Wer weiß, wie nahe mir mein Ende”
7. Recitative (Tenor): “Mein Leben hat kein ander Ziel”
8. Aria (Alto): “Willkommen! will ich sagen”
9. Recitative (Soprano): “Ach, wer doch schon im Himmel war!”
10. Aria (Bass): “Gute Nacht, du Weltgetümmel!”
11. Chorale: “Welt, ade! ich bin dein müde”

Herr Gott, dich loben wir BWV 16
Festo Circumcisionis Christi
12. Chorus: “Herr Gott, dich loben wir”
13. Recitative (Bass): “So stimmen wir bei dieser frohen Zeit”
14. Aria (Bass) and Chorus: “Laßt uns jauchzen”
15. Recitative (Alto): “Ach treuer Hort”
16. Aria (Tenor): “Geliebter Jesu, du allein”
17. Chorale: “All solch dein Gut wir preisen”

Appendix:
Herr Gott, dich loben wir BWV 16
18. Aria (Tenor): “Geliebter Jesu, du allein” 8’55

Ich habe genung BWV 82
19. Aria (Bass): “Schlummert ein, ihr matten Augen”

COMPACT DISC 2

Vergnügte Ruh, beliebte Seelenlust BWV 170
Dominica 6 post Trinitatis
1. Aria: “Vergnügte Ruh, beliebte Seelenlust”
2. Recitative: “Die Welt, das Sündenhaus”
3. Aria: “Wie jammern mich doch die verkehrten Herzen”
4. Recitative: “Wer sollte sich demnach”
5. Aria: “Mir ekelt mehr zu leben”

Herr, deine Augen sehen nach dem Glauben BWV 102
Dominica 10 post Trinitatis
Prima parte
6. Chorus: “Herr, deine Augen sehen nach dem Glauben”
7. Recitative (Bass): “Wo ist das Ebenbild”
8. Aria (Alto): “Weh der Seele, die den Schaden nicht mehr kennt”
9. Arioso (Bass): “Verachtest du den Reichtum seiner Gnade”

Seconda parte 10. Aria (Tenor): “Erschrecke doch, du allzu sichre Seele”
11. Recitative (Alto): “Beim Warten ist Gefahr”
12. Chorale: “Heut lebst du, heut bekehre dich”

Gott der Herr ist Sonn und Schild BWV 79
Festo Reformationis
13. Chorus: “Gott der Herr ist Sonn und Schild”
4. Aria (Alto): “Gott ist unsre Sonn und Schild!”
15. Chorale: “Nun danket alle Gott” 2’05
16. Recitative (Bass): “Gottlob, wir wissen den rechten Weg zur Seligkeit”
17. Aria (Soprano, Bass): “Gott, ach Gott, verlaß die Deinen nimmermehr”
18. Chorale: “Erhalt uns in der Wahrheit”

COMPACT DISC 3

Ich geh und suche mit Verlangen (Dialogus) BWV 49
Dominica 20 post Trinitatis

1. Sinfonia
2. Aria (Bass): “Ich geh und suche mit Verlangen”
3. Recitative (Soprano, Bass): “Mein Mahl ist zubereit”
4. Aria (Soprano): “Ich bin herrlich, ich bin schön”
5. Recitative (Soprano, Bass): “Mein Glaube hat mich selbst so angezogen”
6. Aria and Chorale (Soprano, Bass): “Dich hab ich je und je geliebet”

Gott fähret auf mit Jauchzen BWV 43
1737 Festo Ascensionis Christi

Prima parte
7. Chorus: “Gott fähret auf mit Jauchzen”
8. Recitative (Tenor): “Es will der Höchste sich ein Siegsgepräng bereiten”
9. Aria (Tenor): “Ja tausend mal tausend begleiten den Wagen”
10. Recitative (Soprano): “Und der Herr, nachdem er mit ihnen geredet hatte”
11. Aria (Soprano): “Mein Jesus hat nunmehr”

Seconda parte

12. Recitative (Bass): “Es kommt der Helden Held”
13. Aria (Bass): “Er ists, der ganz allein die Kelter hat getreten”
14. Recitative (Alto): “Der Vater hat ihm ja ein ewig Reich bestimmet”
15. Aria (Alto): “Ich sehe schon im Geist”
16. Recitative (Soprano): “Er will mir neben sich”
17. Chorale: “Du Lebensfürst, Herr Jesu Christ”

Brich dem hungrigen dein Brot BWV 39
Dominica 1 post Trinitatis

Prima parte
18. Chorus: “Brich dem hungrigen dein Brot”
19. Recitative (Bass): “Der reiche Gott wirft seinen Überfluß auf uns”
20. Aria (Alto): “Seinem Schöpfer noch auf Erden”

Seconda parte
21. Aria (Bass): “Wohlzutun und mitzuteilen”
22. Aria (Soprano): “Höchster, was ich habe”
23. Recitative (Alto): “Wie soll ich dir, o Herr, denn sattsamlich vergelten”
24. Chorale: “Selig sind, die aus Erbarmen”

Appendix:
Gott fähret auf mit Jauchzen BWV 43

13. Aria (Bass): “Er ists, der ganz allein”

Johannette Zomer, Sandrine Piau, Sibylla Rubens soprano
Bogna Bartosz, Annette Markert alto
James Gilchrist, Paul Agnew, Christoph Prégardien tenor
Klaus Mertens bass

THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN

BAIXE AQU – DOWNLOAD HERE

 

O Mestre Esquecido, capítulo 9 (Liszt – Sonata Dante – Consolação no. 3 – Transcrições de Lieder de Schubert – Antonio Guedes Barbosa)

O Mestre Esquecido, capítulo 9 (Liszt – Sonata Dante – Consolação no. 3 – Transcrições de Lieder de Schubert – Antonio Guedes Barbosa)

Convidamos os fãs do Mestre Esquecido a acompanharem o GRUPO “ANTONIO GUEDES BARBOSA” no Facebook e contribuírem com lembranças, relatos, material iconográfico e gravações de que dispuserem, no intuito de preservar a memória e promover o legado artístico de um dos mais brilhantes pianistas do século XX.

Depois de mais de quatro anos, e por mea maxima culpa, retomamos com uma postagem inédita a série dedicada ao Mestre Esquecido, enquanto esperamos concluí-la antes de 2023, ano em que Antonio completaria 80 anos, e no qual lamentaremos os 30 anos de sua morte.

As obras que ora apresentamos foram gravadas nos Estados Unidos em dois momentos distintos da carreira de Barbosa. Os arranjos de Liszt para os Lieder de Schubert foram gravados em 1979, e são as mais belas leituras que conheço dessas partituras que, convenhamos, são bem mais Liszt do que Schubert, e que sob mãos menos hábeis acabam soando como pichações sonoras das sublimes melodias inventadas pelo Franz mais velho. Já a Consolação e a Sonata Dante, gravadas em abril de 1993, mostram o Mestre no auge de sua forma e, salvo melhor juízo, foram seu canto de cisne fonográfico – as últimas gravações que faria antes de sucumbir, no setembro seguinte, a um infarto fulminante.

LISZT – SONATA DANTE – 9 TRANSCRIÇÕES DE LIEDER DE SCHUBERT – CONSOLAÇÃO NO. 3 – ANTONIO GUEDES BARBOSA

Franz LISZT (1811-1886)

1 – Années de pèlerinage, deuxième année, S, 161,”Italie” – no. 7: Après une lecture du Dante
2 – Six Consolations pour piano, S. 172: no. 3 em Ré bemol maior – Lento placido

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828), transcrições de Franz LISZT

3 – Die Forelle, S. 564
4 – Erlkönig, S. 558
5 – Auf dem Wasser zu singen, S. 558 no. 2
6 – Du bist die Ruh’, S, 558 no. 3
7 – Ständchen, S. 558 no. 9
8 – Wohin?, S. 565 no. 5
9 – Frühlingsglaube, S. 558 no. 7
10 – Gretchen am Spinnrade, S. 558 no. 8
11. – Ellens Dritter Gesang  (“Ave Maria”), S. 558 no. 12

Antônio Guedes Barbosa, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Capa do mesmo álbum nos Estados Unidos, onde foi lançado pela Connoisseur Society. Barbosa faleceria poucos dias depois do lançamento brasileiro, pela saudosa Kuarup

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

\

Vassily