Johann Sebastian Bach (1685-1750): Missa em Si Menor (versão de Karl Richter)

Eu estava no Rio de Janeiro em fevereiro de 1981 quando abri o Jornal do Brasil e dei de cara com a manchete do Caderno B: “Morre o mensageiro de Bach”. Como eu, PQP, estava ali, lendo o jornal, o morto só podia ser Karl Richter ou Gustav Leonhardt. Era Karl Richter (1926-1981) e a manchete era justa. Para os de minha geração, Karl Richter e sua Orquestra Bach de Munique eram a garantia do melhor Bach. Ele morreu quando as performances com instrumentos históricos estavam engatinhando. Tinha uma forma excessivamente romântica de dirigir seus músicos absolutamente fantásticos e eu já tinha comprado em 1975 a gravação decisiva em meu amor pelas interpretações autênticas: os Concertos de Brandenburgo pelo Collegium Aureum com direção de Franzjosef Maier (violinista) e que tinha um cravista que vou contar para vocês… Era apenas Gustav Leonhardt. Eu estava sendo apresentado a ele naquela gravação e ele fazia misérias no Concerto Nº 5. Mas, voltando a Karl Richter, ele ainda era em 1981 o mais bachiano de todos os músicos vivos e tinha sido vitimado por um reles ataque cardíaco aos 54 anos. Hoje, ouvindo novamente sua gravação da Missa, realizada em 1962 porém com som que parece ter sido gravado ontem, a emoção do primeiro Bach que ouvi retornou mais ou menos como se fosse o primeiro sutiã da propaganda.

Uma das maiores burrices que um ser humano pode cometer é a de não mudar de opinião. Hoje, eu acho esta versão muito ruim. Ela é patchy, uma colcha de retalhos às vezes estranhos um ao outro, mas há a excepcional participação de Hertha Töpper no Agnus Dei e o melhor Cum Sancto Spiritu que já ouvi. Algo arrebatador.

Johann Sebastian Bach – Missa em Si Menor – BWV 232

CD1

1-01 Missa: Kyrie: Kyrie eleison
1-02 Missa: Kyrie: Christe eleison
1-03 Missa: Kyrie: Kyrie eleison
1-04 Missa: Gloria: Gloria in excelsis Deo
1-05 Et in terra pax
1-06 Missa: Gloria: Laudamus te
1-07 Missa: Gloria: Gratias agimus tibi
1-08 Missa: Gloria: Domine Deus
1-09 Missa: Gloria: Qui tollis
1-10 Missa: Gloria: Qui Sedes
1-11 Missa: Gloria: Quoniam tu solus
1-12 Missa: Gloria: Cum Sancto Spiritu

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – CD 1

CD2

2-01 Symbolum Nicenum: Credo: Credo in unum Deum
2-02 Symbolum Nicenum: Credo: Patrem omnipotentem
2-03 Symbolum Nicenum: Credo: Et in unum Dominum
2-04 Symbolum Nicenum: Credo: Et incarnatus est
2-05 Symbolum Nicenum: Credo: Crucifixus
2-06 Symbolum Nicenum: Credo: Et resurrexit
2-07 Symbolum Nicenum: Credo: Et in Spiritum
2-08 Symbolum Nicenum: Credo: Confiteor
2-09 Symbolum Nicenum: Credo: Ex expecto
2-10 Sanctus: Sanctus
2-11 Osanna, Benedictus, Agnus Dei et Dona nobis pacem: Osanna
2-12 Osanna, Benedictus, Agnus Dei et Dona nobis pacem Benedictus
2-13 Osanna, Benedictus, Agnus Dei et Dona nobis pacem: Osanna
2-14 Osanna, Benedictus, Agnus Dei et Dona nobis pacem: Agnus Dei
2-15 Osanna, Benedictus, Agnus Dei et Dona nobis pacem: Dona nobis pacem

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – CD 2

Maria Stader, soprano
Hertha Töpper, contralto
Ernst Haefliger, tenor
Dietrich Fischer-Dieskau, baixo
Kieth Engen, baixo
Coro Bach de Munique
Orquestra Bach de Munique
Karl Richter

PQP

14 comments / Add your comment below

  1. Acredito que pior que o antigo comentário sobre a gravação de Richter, PQP, é seu comentário sobre óperas, exatamente no link passado nessa postagem.

    Espero que também tenha mudado de idéia. Não precisa mudar quanto a Wagner, apenas a óperas, pois decididamente estranhei-me ao vê-lo maldizê-las pela simples “espontaneidade” de resposta a um comentário de um wagneriano.

  2. Nícolas, um dia, complementarei minha opinião a respeito da vulgaridade e constrangedora simplicidade da imensa maioria das óperas. Na Arena de Verona, elas podem até impressionar, mas via de regra é música de segunda categoria a não ser que um Mozart ou outro gênio transforme uma bobagem como A Flauta Mágica numa obra de arte transcendente.

    Por que o plot das óperas é tão fraco?

  3. Ópera, por si só, já impregna uma idéia musical essencialmente, e não literária. O enredo sempre torna-se secundário à potencialidade da música, bem como, por vezes, comprometedor. Isso é evidenciado pelo fato óbvio de não haver, no roteiro da obra, um Mozart, um Verdi ou um Beethoven.

    Felizmente, porém, houve um Wagner, que criou um novo conceito de ópera, e a revolucionou: o drama. É injustiça, porventura preconceito, dizer mal dos enredos de Wagner, pois eles são absolutamente superiores a quaisquer outros anteriores (e para mim, os melhores de todos os tempos).

    Se fosse olhar por sua perspectiva, eu descartaria simplesmente TODAS as obras sacras, independentemente do tipo (missas, cantatas, motetes etc), pois seus temas e desenvolvimentos são muito supérfluos, repetitivos e… religiosos. Pouco me importa os “ave maria, nossa senhora”, “obrigado, senhor, pai nosso abençoado, de divino coração” e afins; eu aproveito a música.

  4. Karl Richter abraçou com devoção incondicional a obra de Bach
    tanto como organista, cravista e regente, solistas fantásticos e sua criação da
    Orquestra e Coro Bach de Munique. E deixou este legado gravado para nós e
    para as futuras gerações. Cumpriu sua missão na terra. Grato.Abraço.Dirceu.

  5. maravilhosa postagem!!!! sou um fã inconteste de karl richter!!!!!! por favor revalide o post com os 13 concertos para cravo de bach com ele. mil vezes agradecido!!!!!

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