Schumann (1810-1856): Carnaval, Op. 9 (Versão Orquestral) e outras peças para balé de outros compositores

Bob Schumann posou especialmente para o PQP Bach

Bob Schumann posou especialmente para o PQP Bach

Acho que é notório que eu, Marcelo Stravinsky, adoro arranjos orquestrais de peças pianísticas e vice-versa. Gosto muito, também, de suítes para balé, e aproveitando a deixa do Carlinus, em reviver Schumann , quero compartilhar uma peça que buscava há um certo tempo. Carnaval, Op. 9, é uma série de 22 pequenas peças para piano, baseada nas personagens da Commedia dell’arte.  Escrita no período de 1834 a 1835, foi dedicada ao violinista Karol Lipiński. É subtitulada Scènes mignonnes sur quatre notes (Pequenas cenas em quatro notas).

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Carnaval, Op. 9

Em cada seção de Carnaval, aparecem uma ou ambas das duas Séries de notas musicais. São elas:
* Lá, Mi bemol, Dó, Si (A-E♭-C-B); em alemão são escritas como A-Es-C-H
* Lá bemol, Dó, Si; em alemão (A♭-C-B): As-C-H.

Essas duas Séries na verdade soletram o que, em alemão, é o nome da cidade onde a namorada de Schumman, Ernestine von Fricken, nasceu (Asch, que agora é Aš, pertencente à República Checa). São também as letras musicais de seu próprio nome: Schumann’.

Em Carnaval, Schumann vai musicalmente além de Papillons, para quem ele mesmo concebeu a história de que era uma ilustração musical. Carnaval permanece famosa por suas passagens resplandecentes de cordas e por seu deslocamento rítmico.

Dentre os vários que orquestraram Carnaval, temos Ravel, que fez arranjos de apenas algumas partes. A versão aqui apresentada, tem orquestrações de Alexander Glazunov, Nikolai Rimsky-Korsakov, Anatoly Lyadov e Alexander Tcherepnin, por encomenda dos Balés Russos, na pessoa de Sergei Diaghilev.

Fonte: Wikipédia

Uma ótima audição!

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Ernest Ansermet – Original Masters Vol. 3

Delibes, from Copélia
01. Tableau 1 – Prélude – Mazurka 05:37

Delibes, from Sylvia
02. Suite – 1. Prélude – Les Chasseresses 05:10

Franck, Le Chasseur Maudit
03. Symphonic Poem 14:39

Chabrier, Joyeuse Marche
04. 03:58

Chabrier, from Le Roi Malgré Lui
05.  Danse slave 05:04

Faure, from Pénélope
06. Prélude 07:55

Schumann, Carnaval, Op. 9 (orchestral version)
07. Préambule 02:33
08. Pierrot 01:17
09. Arlequin 01:09
10. Valse noble 01:37
11. Eusebius 01:27
12. Florestan 00:59
13. Coquette 01:36
14. Papillons 00:59
15. A.S.C.H. – S.C.H.A. 00:52
16. Chiarina 00:56
17. Chopin 01:47
18. Estrella 00:33
19. Reconnaissance 01:33
20. Pantalon et Colombine 01:05
21. Valse Allemande 00:56
22. Paganini 01:26
23. Aveu 01:00
24. Promenade 01:33
25. Pause 00:26
26. Marche des “Davidsbünler” contre les Philistins 02:53

Suisse Romande Orchestra, Ernest Ansermet

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Ernest Ansermet em pose clichê.

Ernest Ansermet em pose clichê.

Marcelo Stravinsky

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Isaac Albéniz (1860-1909): Suite Espanhola para Orquestra

Isaac Albeniz, assim como Mozart, foi uma criança prodígio, aos 4 anos já se apresentava em público, porém, o talentoso espanhol viveu um pouco mais, até os 48 anos. Foi um rapaz muito rebelde. Aos 12 anos embarcou clandestinamente em um navio, fugindo para Argentina. Nesse período, ganhou a vida tocando em bares, até que conseguiu organizar uma série de concertos, o que lhe rendeu uma certa quantia, permitindo-lhe viajar para a Cuba, Porto Rico e Estados Unidos. Nos Estados Unidos batalhou bastante, chegando a trabalhar como porteiro de cais, de forma paralela, continuava tocando piano, ganhando dinheiro suficiente para voltar a Europa. No ano seguinte aos 13 anos, foi aceito no Conservatório de Leipzig.

A maior parte de sua produção musical foi para piano, mas é em transcrição para violão que sua Suite Espanhola é mais ouvida, seja ao vivo ou em gravações.  O grande regente espanhol Rafael de Burgos, compelido pela vivacidade e força da música de Albeniz, pegou sete peças da Suite Espanhola [com exceção de Cuba (Capricho)] e mais a canção espanhola “Cordoba” e arranjou-as para orquestra. Seu sucesso foi total, ao transferir a música de teclado para orquestra, o que nem sempre é uma tarefa fácil – podemos citar como exemplo famoso, o arranjo de Ravel para Quadros de uma Exposição de Mussórgsky. A música de Albéniz está impregnada com o sabor mais forte e mais colorido da música ibérica, nunca soando, nem um pouco, kitsch. Algumas dessas seleções estão impregnadas de uma atmosfera sensual das localidades do sul espanhol, descritas, também, por Debussy em sua Iberia.

Fontes de pesquisa: Wikipédia e Audad

Uma ótima audição!

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Albéniz-De Burgos: Suite Espanhola para Orquestra

Suite Espanhola
01 Castilla (Seguidillas) 2:30
02 Asturias (Leyenda) 6:27
03 Aragon (Fantasia) 5:05
04 Cadiz (Cancion) 4:52
05 Sevilla (Sevillanas) 4:15
06 Granada (Serenata) 5:36
07 Cataluna (Corranda) 3:01

08 Cordoba 5:30

New Philharmonia
Rafael Frühbeck De Burgos

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Linda franjinha, não?

Albéniz: desgrenhado sexy

Marcelo Stravinsky

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Liduino Pitombeira (1962): Grupo Syntagma – Syntagma (Música Medieval, Renascentista e Nordestina)

syntagmaO Syntagma surgiu em 1986 com a proposta de resgatar e recuperar as sonoridades da música antiga (medieval, renascentista e barroca), fazendo um elo de ligação com a música nordestina atual. Desde então, conquistou um público cativo e obteve sucesso no meio artístico cearense. Atualmente composto por nove músicos, o grupo Syntagma sempre serviu como um laboratório para os mais de quarenta instrumentistas que já passaram por ele e para os que o compõem atualmente. O cearense Heriberto Porto responde pela direção de música antiga e nordestina e o grande compositor cearense Liduino Pitombeira pela maior parte dos arranjos de música nordestina. O resultado da união de talentos é uma música da melhor qualidade. Para conseguir este som único, o Syntagma utiliza uma mistura de instrumentos antigos — como o saltério, o alaúde e o cravo — aliados a instrumentos mais comuns, como as flautas doce e transversa, o violão e percussão. Gravado no final de 1997, este é o primeiro CD do grupo, retrato fiel do trabalho aprofundado de pesquisa musical desenvolvido desde o início. O Syntagma está sempre em busca de um grande refinamento musical, trabalhando de forma rica a sonoridade de cada instrumento.

O disco traz uma pluralidade de estilos e autores característicos do repertório do Syntagma. Um ambiente onde convivem com harmonia uma mistura de anônimos medievais e renascentistas com clássicos nordestinos de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. O toque cearense fica a cargo das composições e arranjos de Liduino Pitombeira, único remanescente da formação inicial do Syntagma e que atualmente estuda nos Estados Unidos, de onde compõe novas peças.

Fonte (site do grupo): http://syntagmaceara.vilabol.uol.com.br/

Liduino Pitombeira (Russas-Ceará, 1962) é um compositor brasileiro. Ph.D. em Harmonia e Composição, pela Universidade do Estado da Luisiana, nos EUA, onde estudou com Dinos Constantinides.

No Brasil, estudou com Vanda Ribeiro Costa, Tarcísio José de Lima e José Alberto Kaplan.

Suas obras já foram executadas por orquestras como o Quinteto de Sopros da Filarmônica de Berlim e foram premiadas em primeiro lugar no II Concurso Nacional de Composição Camargo Guarnieri com Suite Guarnieri e no Concurso Nacional de Composição “Sinfonia dos 500 Anos” com Uma Lenda Indígena Brasileira.

Também contam, em sua biografia, apresentações com a OSESP – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, Orquestra Sinfônica do Recife, Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho, do Grupo Syntagma (Brasil), e da orquestra Filarmônica de Poznan (Polônia).

Pitombeira atualmente é professor do Departamento de Música da Universidade Federal de Campina Grande. Tem especial interesse na relação subjacente entre música e matemática, tendo escrito artigos a respeito.

Fonte: Wikipedia

BOA AUDIÇÃO!

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Grupo Syntagma – Syntagma

01- Schaffertänz (Anônimo medieval) 1:12
02– Parti de Mal (Anônimo medieval) 3:21
03– Algodão (Luiz Gonzaga e Zé Dantas) 3:45
04- Basse Dance (Anônimo renascentista) 2:30
05– Saltarello (Anônimo medieval) 1:24
06– Variações sobre o Juazeiro (Liduino Pitombeira) 5:19
07– Pase El Agua (Anônimo renascentista) 1:46
08– Allegro do Divertimento (Giuseppe Sammartini) 2:46
09- Baião (Luiz Gonzaga-Humberto Teixeira) 3:20
10– Bransle (Anônimo) 1:30
11– Hoboeckentanz (Anônimo) 2:42
12– Ajubete Jepê Amo Mbaê (Liduino Pitombeira) 5:59
13– Come Again (John Dowland) 3:50
14– Courante (Michael Praetorius) 2:02
15– Cantiga (Clóvis Pereira) 5:05
16– Kalenda Maya (Rambaudt de Vaqueiras) 3:43
17– Qui nem Jiló (Luiz Gonzaga-Humberto Teixeira) 2:09
18– Saltarello (Anônimo medieval) 2:28
19– Variações sobre a Muié Rendêra (Liduino Pitombeira) 4:57

Grupo Syntagma (Formação neste cd)
Luduino Pitombeira
Duda di Cavalcanti
Heriberto Porto
Jorge Santa Rosa
Solange Gomes
Giovanni Pacelli
Roberto Gibbs
Mirella Cavalcante

Obs.: Infelizmente o encarte do cd não informa o(s) instrumento(s) de cada membro.

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Liduíno Pitombeira com o Syntagma em Fortaleza, no ano de 1987

Liduíno Pitombeira com o Syntagma em Fortaleza, no ano de 1987

Marcelo Stravinsky

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Yngwie Johann Malmsteen (1963): Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra in Em, Opus 1 "Millennium"


Trago-lhes um álbum que, com certeza, fará com que os mais conservadores “tremam suas carnes”.

Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra in Em, Opus 1 “Millennium” é uma obra para orquestra e coro, com solos de guitarra elétrica e violão acústico, composta pelo guitarrista sueco Yngwie Malmsteen, mais conhecido pelo virtuosismo com a guitarra e riffs de heavy metal. Algumas partes do Concerto foram baseadas em temas de seus álbuns de heavy metal. Uma obra de muita inspiração, vigor e sobretudo virtuosismo.

Yngwie Malmsteen, nome artístico de Lars Johan Yngve Lannerbäck, é um virtuoso guitarrista sueco. Nasceu em Estocolmo, Suécia, 30 de junho de 1963. Guitarrista conhecido por sua incrível velocidade,teve aulas de piano e trompete e aos 5 anos ganhou seu primeiro violão, que ficou parado até 18 de setembro de 1970 quando viu um especial na TV sobre a morte de Jimi Hendrix.O que lhe chamou a atenção não foi a técnica de Hendrix mas sim o momento em que ele pôs fogo em sua guitarra após quebrá-la.
Aplicando sua intensa curiosidade e tenacidade primeiro com uma velha guitarra Mosrite e depois uma barata Stratocaster, Yngwie entrou na música de bandas como Deep Purple. Sua admiração pelas influências clássicas de Ritchie Blackmore levaram-no a conhecer Bach, Vivaldi, Beethoven, Mozart e Paganini, entre outros compositores.
O primeiro disco solo de Yngwie, “Rising Force”, entrou nas paradas da Billboad no 60º lugar, uma ótima marca para um disco quase todo instrumental. Esse álbum ganhou uma indicação para o Grammy e várias votações em revistas como Revelação, Melhor Guitarrista, etc. Seus duelos com o grande tecladista Jens Johansson (ex Stratovarius) fizeram nascer um novo estilo musical: o metal neo-clássico, mais tarde chamado de Baroque & Roll.
As composições neo-clássicas de Yngwie alcançaram novas alturas em 1986 no álbum “Trilogy”. Até os dias de hoje esse é um dos seus discos favoritos, tanto nas letras quanto musicalmente.
Fonte: Wikipédia

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Yngwie Malmsteen: Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra in Em, Opus 1 “Millennium”

01 Icarus Dreams Fanfare (5:22)
02 Cavalino Rampante (3:54)
03 Fugue (3:35)
04 Prelude to April (2:42)
05 Toccata (3:54)
06 Andante (4:17)
07 Sarabande (3:19)
08 Allegro (1:29)
09 Adagio (3:07)
10 Vivace (4:47)
11 Presto Vivace (3:39)
12 Finale (1:49)

Yngwie Johann Malmsteen, electric and acoustic guitar
Czech Philharmonic Orchestra
Yoel Levi, conductor
David Rosenthal, orchestrations

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Na humilde opinião de PQP, o pior disco postado por este blog em todos os tempos

Na humilde opinião de PQP, o pior disco postado por este blog em todos os tempos

Marcelo Stravinsky

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Bruce Broughton (1945): Cartoon Concerto

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Na essência de minha ecleticidade, gosto muito da música e efeitos sonoros orquestrais que embalam alguns desenhos animados, pelo menos os mais bem produzidos,e quero apresentar a vocês um disco muito interessante de um compositor já muito experiente no mundo da música, especialmente do cinema.

Bruce Broughton é um compositor norte-americado nascido em 1945 em Los Angeles. Compôs inúmeras trilhas de filmes, entre elas, Young Sherlock Holmes (O Enigma da Pirâmide, aqui no Brasil de 1985), Baby’s Day Out (Ninguém Segura Esse Bebê de 1994), Moonwalker (Filme com Michael Jackson de 1988). Foi nomeado ao Oscar em 1986 pela composição para o filme Silverado de 1985 e recebeu diversas outras premiações (entre outros, nove prêmios Emmy) e nomeações.

Cartoon Concerto é uma obra difícil de definir. Trata-se de um concerto? Uma trilha sonora? É uma amálgama de melodias em ritmos frenéticos, jazzísticos, melodias burlescas e múltiplas referências que dura cerca de uma hora e quando menos se espera já terminou. Extremamente empolgante!

Mais informações sobre cada uma das faixas vocês podem encontrar neste endereço (texto em espanhol).

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Bruce Broughton: Cartoon Concerto

01. An American Prologue (03:37)
from the short cartoon “Off His Rockers” (Disney, 1992)

02. Carnival Presto (06:35)
from the Roger Rabbit short cartoon “Rollercoaster Rabbit” (Disney, Amblin, Touchstone, 1990)

03. Scherzo Berzerko in 3 Portions (18:35)
score of the Tiny Toon Adventures episode “Journey to the Center of Acme Acres” (Warner Bros., Amblin, 1990)

04. Outdoor Interlude (08:19)
score of the Roger Rabbit short cartoon “Trail Mix-Up” (Disney, Amblin, 1993)

05. Le Grande Finale in 4 Portions (18:39)
score of the Tiny Toon Adventures episode “Hog-Wild Hamton” (Warner Bros., Amblin, 1991)

06. Teeny Tiny Coda (01:04)
theme song of the end credits of Tiny Toon Adventures (Warner Bros., Amblin, 1990-1992)

Total Duration: 00:56:49

Composto e conduzido por Bruce Broughton

Sem informações sobre a orquestra.

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Roger Rabbit

Roger Rabbit

Marcelo Stravinsky

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Louis Moreau Gottschalk (1829-1869): Grande Fantasia Triunfal Sobre o Hino Nacional Brasileiro

Que tal uma homenagem ao Hino Nacional Brasileiro feita por um compositor norte-americano?!?!

O compositor, pianista e regente norte-americano Louis Moreau Gottschalk (1829-1869) foi um dos primeiros artistas estrangeiros a empolgar o público brasileiro no tempo de D.Pedro II. Compositor dedicado a diversos gêneros e tendo se apresentado em vários países, inspirou-se notavelmente nos ambientes musicais locais, tendo escrito peças alusivas, entre outras, dedicadas a Cuba e ao Uruguai.

Sua “Grande Fantasia Triunfal com Variações sobre o Hino Nacional Brasileiro”, é de grande sucesso no repertório não só de nossos pianistas, como nos de outros países. A música, baseada no original de Francisco Manoel da Silva, foi dedicada à Condessa d”Eu , a Princesa Isabel, filha de D. Pedro II que, como todos sabem, assinou em 1888, a Lei Áurea, acabando com a escravidão no Brasil.

A estréia da “Grande fantasia Triunfal” ocorreu no Rio de Janeiro em 1869, num “concerto-monstro“, executada por 650 músicos! Segundo carta que escreveu para seus amigos nos Estados Unidos, Gottschalk afirmou :“Os meus concertos no Brasil são um verdadeiro furor… o Imperador, a família Imperial e a Corte não perderam um só dos meus concertos e a minha “Fantasia Triunfal” agradou a D. Pedro II. Cada vez que me apresento, tenho que tocar essa obra… “.

A “Grande Fantasia Triunfal com Variações sobre o Hino Nacional Brasileiro” é uma das mais empolgantes exaltações musicais de brasilidade e tem sido usada com prefixo de um determinado partido político atual no horário de propaganda política da televisão. Foi através dessa composição que o espírito polêmico de Louis Moreau Gottschalk se prolongou até os dias atuais.

Entretanto, em 1973, uma consulta de origem desconhecida à Comissão Nacional de Moral e Civismo, ameaçou por algum tempo de proibição a peça de Gottschalk. O processo rolou por alguns anos até que, graças principalmente ao parecer do musicólogo Alfredo Melo, que esclareceu devidamente a diferença entre “arranjo” e “variação”, e condenou “essa interdição como um “crime de lesa-cultura”, a “Grande fantasia Triunfal”, foi liberada. Finalmente, a 7 de setembro de 1981, junto ao Monumento do Ipiranga, ela foi executada em apoteose para 800 mil pessoas, no melhor estilo “gottschalkiano”.

Texto de Roberto Muggiati.

As Obras
Para quem não sabe, a Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro é aquela música majestosa que inicia as propagandas eleitorais do PDT e que foi utilizada como fundo musical na transmissão do funeral de Tancredo Neves.
The Union é uma obra essencialmente marcial baseada em três temas norte-americanos, no Star-Splangled Banner, hino nacional norte-americano; no hino americano não-oficial Hail, Columbia e na canção patriótica Yankee Doodle.
A Marcha Solene Brasileira é uma imponente marcha para grande orquestra com banda militar e canhão, também baseada no Hino Nacional Brasileiro.
A Grande Tarantela, trata-se de uma obra vigorosa, empolgante e muito inventiva baseada nos ritmos da dança tradicional italiana. O primeiro contato, inconsciente, que tive com a obra de Gottschalk foi com essa tarantela. Era a abertura de um programa de música erudita (senão me engano chamava-se “Os Clássicos”) que passava na TV Educativa.

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Gottschalk: Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro

01. Grande Fantasia Nacional sobre o Hino Nacional Brasileiro, op. 69
Arranjo para piano e orquestra: Samuel Adler
Orquestra Sinfônica de Berlim
Eugene List, piano e Samuel Adler, regência

02. “The Union” Concerto-Paráfrase sobre Árias Nacionais Norte-Americanas, op. 48
Arranjo para piano e orquestra: Samuel Adler
Orquestra da Ópera do Estado de Viena
Eugene List, piano e Igor Buketoff, regência

03. Marcha Solene Brasileira, para orquestra e banda militar com canhão
Revista e orquestrada por: Donald Hunsberger
Orquestra Sinfônica de Berlim e Banda
Samuel Adler, regência

04. Grande Tarantela para piano e orquestra
Reconstruída e orquestrada por Hershy Kay
Orquestra da Ópera do Estado de Viena

Eugene List, piano e Igor Buketoff, regência

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Gottschalk; chatinho, na opinião de PQP.

Gottschalk; chatinho, na opinião de PQP.

Marcelo Stravinsky, revalidado por PQP

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Grandes Aberturas Francesas

Este é um cd importado cujo encarte não possui simplesmente nenhuma informação além da lista de músicas e compositores, a orquestra e o regente, ou seja, não se trata de uma grande produção, mas muito interessante para quem gosta de música clássica ligeira.

Na gravação a seguir temos oitos aberturas francesas com sete compositores românticos, com destaque para Louis Herold, Daniel Auber, Adolphe Adam, Luigi Cherubini e Etienne Mehul, esse último já postado aqui no blog . Talvez a mais popular dessas aberturas seja Zampa de Herold. Lembro-me de ter ouvido trechinhos de Zampa em alguns desenhos animados como Pica-Pau com o Andy Panda e um antigo da Turma do Mickey Mouse.

Bon appétit, mes amis!

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Grandes Aberturas Francesas

1. Louis Herold – Zampa
2. Daniel Auber – La Muette De Portici
3. Adolphe Adam – La Poupee De Nuremberg
4. Adolphe Adam – Si J’Etais Roi
5. Etienne-Nicolas Mehul – La Chasse Du Jeune Henri
6. Francois Boieldieu – Le Calife De Bagdad
7. Luigi Cherubini – Medea
8. Andre Gretry – La Magnifique

Münchener Rundfunkorchester
Kurt Redel

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Segundo o Google Images, Abertura Francesa é isso aí acima.

Segundo o Google Images, Abertura Francesa é isso aí acima.

Marcelo Stravinsky

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Cancionero Musical de Palacio – Music of the Spanish Court (1505-1520)

Possuo este CD há bastante tempo e costumo ouvi-lo, pelo menos, duas vezes por mês. Ele é a minha referência de música medieval da melhor qualidade. A partir dessa gravação, passei não só a apreciar um pouco mais a música vocal, como também a música produzida antes do século XVII.

É uma bela amostra do que foi produzido na corte espanhola entre os anos de 1505 e 1520. O álbum traz desde composições anônimas a composições de Enzina e Alonso, entre outros. Você, com certeza, irá impressionar-se com canções como: Rodrigo Martinez, Si abrá en este Baldrés, Levanta Pascual, La Tricotea, Tres morillas m’enamoran, além da espetacular versão instrumental de Todos los bienes del mundo e a famosa Danza Alta.

Uma deliciosa e empolgante seleção interpretada pela Ensemble Accentus, um grupo estabelecido em Viena, especializado em música medieval espanhola, formado por mais de 30 integrantes, entre cantores e instrumentistas, com a direção de Thomas Wimmer.

Boa audição!

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Cancionero Musical de Palacio – Music of the Spanish Court (1505-1520)

01. Rodrigo Martinez (Anonimo) 2:11
02. Con amores, mi madre (Juan de Anchieta) 2:34
03. Pues que jamás olvidaros (Juan del Enzina) 5:49
04. Si abrá en este baldrés (Juan del Enzina) 1:27
05. Si d’amor pena sentis (Anonimo) 4:40
06. Tir’alla, que non qui (Alonso) 2:49
07. Todo quanto yo serví (Lope de Baena) 2:21
08. Levanta Padcual (Juan del Enzina) 2:53
09. Malos adalides fueron (Badajos) 5:01
10. Todos los bienes del mundo (Juan del Enzina) 3:01
11. Durandarte (Millán) 3:23
12. Fata la parte (Juan del Enzina) 2:00
13. Pedro, i bien te quiero (Juan del Enzina) 3:01
14. Danza Alta (Francisco de la Torre) 1:44
15. Qu’es de ti, desconsolado? (Juan del Enzina) 3:41
16. La tricotea (Alonso) 3:29
17. Ay triste, que vengo (Anonimo)
18. So ell enzina (Anonimo) 1:49
19. Como está sola me vida (Ponce) 2:20
20. O voy (Anonimo) 1:43
21. Tres morillas m’enamoran (Anonimo) 4:54
22. Hoy comamos y bebamos (Juan del Enzina) 4:10

Ensemble Accentus
Thomas Wimmer

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Velasquez, As Meninas, 1656

Velasquez, As Meninas, 1656

Marcelo Stravinsky

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Johannes Brahms (1833-1897): Danças Húngaras (Versão Orquestral)

Puxa, e como é bom poder postar novamente! Estava tão envolvido com o meu trabalho de final de curso que nem lembro mais minha última contribuição.

O que venho oferecer aos caros leitores, é algo que deveria ter sido feito há algum tempo atrás… Inspirado pela postagem do mano CVL, das Danças Eslavas de Dvorák, trago-lhes essas pequenas bagatelas orquestrais. Acho até que demorei a postá-las, já que, normalmente, postamos aquilo que estamos ouvindo; e as Danças Húngaras, principalmente essas versões orquestrais, sempre estão presentes nas, já famosas, listas de músicas que costumo ouvir enquanto dirijo.

As Danças Húngaras são um conjunto de 21 danças folclóricas bem animadas em geral, baseadas, sobretudo em temas húngaros. Somente as de números 11, 14 e 16 são composições totalmente originais. A de número 5 é baseada na czárda “Bartfai emlek” de Béla Kéler, que Brahms, equivocadamente, pensou tratar-se de uma música folclórica tradicional húngara.

Brahms as escreveu originalmente para dois pianos, mais tarde arranjaria as 10 primeiras para piano solo e logo depois orquestraria somente as de número 1, 3 e 10. Outros compositores, incluindo Dvorák, orquestraram as outras danças. Johan Andreas Hallén a de número 2, Paul Juon a número 4, Martin Schmeling a sequência de 5 a 7, Hans Gál as de números 8 e 9, Albert Parlow a sequência de 11 a 16 e Dvorák orquestrou os números restantes. A mais famosa é a de número 5, em Fá Sustenido Menor (Sol Menor na versão orquestral).

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Brahms: Danças Húngaras (Versão Orquestral)

01. Hungarian Dance No.01 in G minor – Allegro molto (2:55)
02. Hungarian Dance No.02 in D minor – Allegro non assai – Vivace(2:38)
03. Hungarian Dance No.03 in F major – Allegretto (2:19)
04. Hungarian Dance No.04 in F sharp minor – Poco sostenuto – Vivace (4:09)
05. Hungarian Dance No.05 in G minor – Allegro – Viivace (2:18)
06. Hungarian Dance No.06 in D major – Vivace (3:06)
07. Hungarian Dance No.07 in F major – Allegretto – Vivo (1:38)
08. Hungarian Dance No.08 in A minor – Presto (2:49)
09. Hungarian Dance No.09 in E minor – Allegro ma non troppo (1:39)
10. Hungarian Dance No.10 in F major – Presto (1:38)
11. Hungarian Dance No.11 in D minor – Poco andante (2:28)
12. Hungarian Dance No.12 in D minor – Presto (2:18)
13. Hungarian Dance No.13 in D major – Andantino grazioso – Vivace (1:38)
14. Hungarian Dance No.14 in D minor – Un poco andante (1:35)
15. Hungarian Dance No.15 in B flat major – Allegretto grazioso (2:43)
16. Hungarian Dance No.16 in F major – Con moto (2:20)
17. Hungarian Dance No.17 in F sharp minor – Andantino – Vivace (2:48)
18. Hungarian Dance No.18 in D major – Molto vivace (1:27)
19. Hungarian Dance No.19 in B minor – Allegretto (1:59)
20. Hungarian Dance No.20 in E minor – Poco allegretto – Vivace (2:25)
21. Hungarian Dance No.21 in E minor – Vivace (1:17)

Orquestra Filarmônica de Viena
Claudio Abbado

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Melhor capa impossível.

Melhor capa impossível.

Marcelo Stravinsky

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Albert Ketèlbey (1875-1959): Orchestral Works

O anúncio de um editor no jornal da Sociedade de Direitos de Execução Britânica em outubro de 1929 disse tudo: “É de ARTHUR W. KETÈLBEY (o maior compositor inglês vivo) uma nova e bela inspiração, A Hora Sagrada”.

Pondo de lado o fato não insignificante de que homens da estatura criativa de Elgar, Vaughan Williams, Holst e Bax viviam ainda nessa época, há uma certa elegância freudiana na própria circunstância de que o próprio editor não deu o nome de Sir Ketèlbey direito! Ele era, realmente, Albert W. Ketèlbey, mas, era o sobrenome, e não o prenome, que normalmente causava problema. A bem da verdade, o público tendia a colocar o acento no lugar errado – fazendo-o na segunda sílaba: Ke-tèl-bey. Quando não, pessoas desavisadas a ele se referiam como Kettleboy ou Kettlebay e diversas outras variações de nomenclatura.

É preciso alertar para o fato, porém, de que, embora tudo isso, ele sempre soube absorver essa confusão. Diz-se surpreendentemente, embora ninguém ainda o tenha dado certeza, que ele teria nascido simplesmente William Aston, todavia, como veio ao mundo em Aston, distrito de Birmingham, é possível que tal nome tenha surgido em razão dessa indistinção! Onde, quando e como ele assumiu tal troca de nomes permanece no mistério, exceto que tenha sido em tempos muito distantes. Chegou-se a buscar o novo nome como ligado a origens dinamarquesas, a teoria sendo calcada a seguinte: “o ke tendo o papel de prefixo ligado ao Ke nos nomes “Kenelm”. “Kesteven”, “K’nut”, “Quebec”, ou seja, Ke-bec, o Que vindo a ser o equivalente do francês Ke“, alguém tendo de ser perdoado por esse retrocesso. Presume-se que o “W” signifique William mas, de novo, inexiste evidência incontestável que confirme isto.

De um modo ou de outro, Albert William Ketèlbey que seja, nasceu, como já afirmou, em Birmingham, no dia 4 de agosto de 1875. Parece haver demonstrado talento para música muito cedo, com aparente aptidão para o piano. Certa tendência para a composição terá se manifestado muito rápido nele, pois, com apenas 11 anos de idade, escreveu uma Sonata para piano que foi executada em um recital havido no recinto da Prefeitura de Worcester, a qual, depois, iria ganhar a admiração de alguém do porte de Sir Edward Elgar. Em Birmingham, seus estudos foram feitos sob as orientações de Alfred Gaul e do Dr. Herbert Wareing, ambos havendo-o preparado para a admissão em um dos colégios de música londrinos. Supôs-se, inicialmente, que ele pudesse ter ingressado no Colégio Real de Música, mas, por qualquer razão, perdeu o prazo para uma bolsa de estudos lá e optou por outra, a Bolsa de Estudos da Rainha Vitória, no Colégio Trinity. Tinha apenas 13 anos, mas, com facilidade, ganhou o primeiro lugar, obtendo muitas notas mais altas que o seu colega concorrente, Gustav Holst, quase um ano mais velho do que ele.

Ketèlbey viveu 84 anos e, compreensivelmente, seu ritmo de vida foi diminuindo bastante nos últimos tempos de existência. Com uma criação musical comovente atrás de si, satisfez-se no gozo do tranqüilo ambiente da Ilha de Wight ao lado de sua segunda mulher, Maud. Não tinha família, mas isto parecia não aborrecê-lo. Morreu no dia 26 de novembro de 1959, época em que já se tornara uma espécie de fora-de-moda. Uma nota de obituário absolutamente prosaica no Times de Londres anunciou a sua morte, tendo sido isto o mais favorável que encontraram: “desenvolveu talento para a escrita descritiva… na qual mostrou habilidade para captar sonoridade ambiental”.

As Obras

No Jardim de um Mosteiro (In a Monastery Garden)

Este foi o “intermezzo característico”, publicado em 1915, primeiro responsável pelo deslanchar de Ketèlbey na vanguarda dos compositores de música ligeira. O próprio compositor providenciou descrição para a peça: “O primeiro tema representa o devaneio de um poeta na quietude do jardim de um mosteiro, em meio a um belo arredor – s serena tranquilidade do ambiente -, árvores frondosas e pássaros cantando. O segundo tema, em tom menor, expressa uma nota mais “pessoal” de tristeza, de apelo e de penitência. Nesse momento os monges são ouvidos cantando o “Kyrie Eleison” com fundo de órgão e o sino da capela soando. O primeiro tema é ouvido novamente de modo tranquilo, como se houvesse se tornado mais etéreo e distante; o canto dos monges se faz ouvir outra vez – fica mais forte e insistente, levando a peça a uma conclusão exultante”.

Chal Romano (Jovem Egípcio)

Esta “Abertura Descritiva”, datada de 1924, dá uma boa demonstração da atuação de Ketèlbey naquilo que se pode perceber como estruturas mais “formais”, fora daquelas adotadas em suas miniaturas pictóricas. A invenção melódica é, na verdade, indistinta, embora conduzida com inegável maestria, e revela inteiramente as qualidades de um artista que sabe como tirar o máximo de uma orquestra.

Suíte Romântica (Suite Romantique)

Esta comovente suíte orquestral surgiu, igual a peça antecedente, em 1924, trazendo uma dedicatória a Sir Dan Godfrey (1868-1939), esse incansável campeão dos compositores ingleses, cujo brilhante trabalho com a Orquestra Municipal de Bournemouth muito fez para erguer o padrão de concertos na Inglaterra, e não só ao nível local, mas também, nacional. Cada um dos três movimentos traz um título romântico caracterizante (em francês, naturalmente!).

Capricho Pianístico (Caprice Pianistique)

Uma dentre outras peças compostas para uso próprio, este agradável destaque serve para lembrar-nos a destreza de Ketèlbey como pianista virtuose. Definida como “Piano Novelty” (Novidade para Piano), é uma obra relativamente recente, tendo surgido após a Segunda Grande Guerra, em 1947. Tem acentuação bem definida de “capricho”, oferecendo uma despreocupação onde, ao se buscar aproximação com elementos mais sérios, cede-se lugar a um ânimo galhofeiro.

O Relógio e as Figuras de Porcelana (The Clock and the Dresden Figures)

Publicada em 1930, esta encantadora fantasia foi dedicada a um amigo do compositor, Tenente W. J. Dunn, e, consequentemente, por um toque possível de incongruência, há dela uma versão para piano e banda militar, além desta mais convencional, para piano e orquestra, aqui registrada.

Suíte Cockney (Cockney Suite)

Os cinco movimentos da Suíte Cockney (um Cockney, ao acaso, pode ser definido como alguém nascido ao som do Bow Bells no leste londrino, se não todos da própria área leste da cidade) constituiu outro produto do industrial ano de 1924 e, sob muitos aspectos, serviu de tributo à cidade onde Ketèlbey residiu por inúmeros anos e que contribuiu para a sua fama e fortuna (de uma maneira bem semelhante à retribuição feita por Eric Coates na suíte “Londres”. Os locais por ele escolhidos para inspiração cobrem o spectrum total da sociedade londrina. Aqui podemos apreciar os movimentos de números 5 e 3.

Ao Luar (In the Moonlight)

Esta miniatura é descrita como um “Intermezzo Poético” e foi subtitulada em francês como Sous la Lune, no intuito de se acrescentar apropriada aura romântica. Acima de tudo uma peça de época, tem o mérito de encantar por seu valor melódico. Foi modelada no esquema A B A C A e mais a coda, com C servindo de apaixonado fecho relativo de B. Teve sua estreia relativamente cedo na carreira do compositor no âmbito da música ligeira, em 1919.

Wedgwood Melancólico (Wedgwood Blue)

De modo algum Josiah Wedgwood iria imaginar, quando fundou sua hoje famosa fábrica de cerâmicas em 1759 que, 161 anos depois, seu empreendimento seria homenageado numa dança por Albert W. Ketèlbey. A dança em foco é uma gavota, encerrando uma seção contrastante intermediária da qual se encarregam solos de violoncelo e de violino. Inteiramente despretenciosa, esta peça fascina por sua evocação, há muito desaparecida.

Sinos Através das Campinas (Bells Across the Meadows)

Uma das mais conhecidas composições de Ketèlbey, este fragmento declaradamente sentimental surgiu em 1921. Para as modernas audiências, este trabalho oferece emanação equivalente às pinturas de Myles Birket Foster sobre as cenas do passado – casinhas de teto vegetal com flores entrelaçadas, em meio a jardins repletos de malva – rosas com gracioso regato borbulhando adiante e vacas pastando sossegadamente além.

A Melodia Fantasma (The Phantom Melody)

Este é um trabalho que proporcionou a Ketèlbey um prêmio de 50 libras no concurso organizado por August Van Biene e que atraiu o interesse do compositor para a música ligeira. Nesta versão orquetral, os violinos tomam o lugar originalmente entregue ao violoncelo solista. O próprio Biene havia ganho fama em 1893 com uma peça intitulada The Broker Melody (A Melodia Partida) e é bem possível que Ketèlbey haja escolhido este tipo e título em homenagem ao criador do concurso. Mais tarde, uma canção foi adaptada desta obra, com o título de I Loved You More Than I Knew.

Em um Mercado Persa (In a Persian Market)

Sem dúvida a mais, mundialmente, popular de todas as suas composições. Esta é uma das peças que, ouvindo-a, as pessoas já dizem “é assim que ela se chama!?”. É um tema que muita gente conhece há anos. Designada como “Intermezzo-Scene” pelo próprio compositor e publicada em 1920, ela descreve o seguinte cenário: “Cameleiros se aproximam gradualmente do mercado; gritos de mendigos por ‘Back-shees’, são ouvidos entre o alvoroço. (O lamento todo é “Back-sheesh, Allah, empshi, ‘empsi’, sabemos, significa ‘vá embora!’). Sua fama mundial se deve, principalmente, ao fato de ter sido gravada uma versão pop do seu intermezzo, pela cantora Della Reese, intitulada “Take My Heart”.

Fonte: Encarte do CD, Tim McDonald

Boa audição!

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Ketèlbey: Orchestral Works

01. In a Monastery Garden (5:15)

02. Overture: The Adventures (4:31)

03. Chal Romano (10:06)

Suite Romantique
04. Nº 1 Romance “Réveil d’Armour” (6:49)
05. Nº 2 Scherzo “Pensés Troublées” (3:02)
06. Nº 3 Valse Dramatique “Querelle et Réconciliation” (4:57)

07. Caprice Pianistique (3:33)

08. The Clock and the Dresden Figures (4:06)

Cockney Suite
09. Nº 5 “Bank Holliday” (2:36)
10. Nº 3 “At the Palais de danse” (2:53)

11. In the Moonlight (5:09)

12. Wedgwood Blue (4:11)

13. Bells across the Meadows (5:09)

14. The Phantom Melody (3:54)

15. In a Persian Market (5:34)

Slovak Philharmonic Male Chorus in 01, 15
Czecho-Slovak Radio Symphony Orchestra (Bratislava)
Adrian Leaper

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Albert Ketèlbey: esquecido, talvez merecidamente

Albert Ketèlbey: esquecido

Marcelo Stravinsky

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Sonatas para Flauta, BWV 1020, 1030-1032, Partita para Flauta Solo, BWV 1013

51oRRwQd5MLLink Revalidado a pedido do Charlles Campos. Esta postagem foi feita lá nos primórdios do blog, em 2007, há quase dez anos. O tempo passa, o tempo voa. Mas a qualidade desta gravação continua a mesma.

A PEDIDOS REUPEI O MEU CD QUE TEM 16 FAIXAS, COM A PARTITA PARA FLAUTA SOLO. QUEM QUISER, PODE BAIXAR NOVAMENTE ….

Como o final de semana está chegando, FDP Bach resolveu fazer três postagens peso-pesado para seus leitores/ouvintes, que apenas aos sábados e domingos tem tempo disponível para baixar e ouvir com mais atenção a estas pérolas…
Começarei com uma gravação antológica, e aproveitando também para fazer uma contraposição à última postagem do nosso colega Blue Dog: Algumas das mesmas sonatas para flauta de Bach postadas na versão de Jarrett/Petri nas mãos mágicas de Aurelè Nicolet e Karl Richter, dois dos maiores intérpretes do século XX da obra de nosso pai. Já a tive em vinil, aliás ainda a tenho, e quando a encontrei em cd nacional (????) quase tive um infarto de tão emocionado que fiquei..

P.S. Segundo comentário de cliente da amazon esta gravação não é apenas a melhor gravação já realizada destas obras mas a melhor gravação já realizada na história da indústria fonográfica.

Bem, vamos ao que interessa…

Johann Sebastian Bach – Sonaten für Flöte und obligates Cembalo BWV 1020, 1030-1032 e Partita a-mol für flöte solo BWV 1015

1 – Sonata in B minor BWV 1030 – Andante
2 – Sonata in B minor BWV 1030 – Largo e dolce
3 – Sonata in B minor BWV 1030 – Allegro

4 – Sonata in E flat major BWV 1031 – Allegro moderato
5 – Sonata in E flat major BWV 1031 – Siciliano
6 – Sonata in E flat major BWV 1031 – Allegro

7 – Sonata in A Major BWV 1032 – Vivace
8 – Sonata in A Major BWV 1032 – Largo e dolce
9 – Sonata in A Major BWV 1032 – Allegro

10 – Sonata in G minor BWV 1020 – Allegro
11 – Sonata in G minor BWV 1020 – Adagio
12 – Sonata in G minor BWV 1020 – Allegro

13 – Partita in A minor for flute solo, BWV 1013 – Allemande
14 – Partita in A minor for flute solo, BWV 1013 – Corrente
15 – Partita in A minor for flute solo, BWV 1013 – Sarabande
16 – Partita in A minor for flute solo, BWV 1013 – Bouree anglaise

Karl Richter – cravo
Aurelè Nicolet – Flauta

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topelement

Aurèle Nicolet (1926-2016) – Uma singela homenagem a um dos maiores flautistas do Século XX, que faleceu no mês de Janeiro.

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Orquestra Ribeiro Bastos: Antônio dos Santos Cunha (17xx? – 18xx?) – Missa a 5 Vozes

fotototototoPostado originalmente em 10.12.07 pelo PQPBach. Repostado pelo Avicenna para incluir faixas mais fiéis ao original e para disponibilizar um link para arquivo flac.

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Nossos amigos que têm blogs sobre música são de extrema gentileza. O Heitor, do desNorte, por exemplo, é um gentleman, e o Fulano Sicrano, do Um que tenha, nem se fala. Pois um belo dia o Fulano, que tem um tesouro imensurável sobre música popular brasileira, mandou-me um presente. Era, na verdade, um repasse de um e-mail que ele tinha recebido:

Prezado Fulano,

Envio-lhe as minhas “Jóias da Coroa”, desencravadas de uma coleção de LPs já um tanto esquecida em um escritório!

Trata-se do LP da Orquestra Ribeiro Bastos interpretando a Missa A 5 Vozes, composta por Antônio dos Santos Cunha (17xx? – 18xx?), e distribuído a muito poucas pessoas. Não foi comercializado.

LP catalogado pela Tapecar Gravações S.A. com o número T 004, produzido sob o patrocínio da Xerox, da Fundação Roberto Marinho e da Funarte, resultado do projeto “Música Sacra no Campo das Vertentes”, foi gravado ao vivo em 21 de abril de 1981, em Ouro Preto, MG, quando esta cidade recebia o título de Monumento Mundial, numa apresentação em homenagem a Amadou-Mahtar M’Bow, Diretor Geral da UNESCO. Regência de José Maria Neves.

Os integrantes da Orquestra e Coral Ribeiro Bastos, desde sua fundação em 1790 aproximadamente, sempre foram moradores de São João del-Rey e cidades vizinhas, cada um com sua profissão, que se reúnem com missão de cultivar e preservar o “Barroco Mineiro”. Para esta apresentação foram convidados o soprano Marly Spiller, o contralto Maria Antonieta Andrade, o tenor Ricardo Tuttman e o barítono Ataíde Beck.

Os 84 integrantes desta apresentação memorável são alfaiates, comerciantes, ferroviários, estudantes, industriários, do lar, advogados, militares, funcionários públicos, professores, contabilistas, músicos militares, bancários, tipógrafos, pintores, bombeiros hidráulicos, datilógrafos, costureiras, gráficos, operários, enfermeiras, modistas, hoteleiros, secretárias, pedreiros e cabeleireiros, como se pode ver nas imagens que anexo, escaneadas do LP.

Gostaria de compartilhar com você e com os usuários do seu blog esta autêntica prova de quantos tesouros e potenciais desconhecidos tem o nosso tão vilipendiado Brasil!

Permita-me a liberdade de sugerir a faixa 5, Cum Sancto Spiritu, como a música “o que tem”.

Abraços.

Não tenho autorização para declinar nomes e nem o Fulano sabe ainda desta postagem. Mas, vamos adiante. Um registro raríssimo, sem dúvida. A interpretação desta orquestra amadora é comovente com seus erros e intervenções muitas vezes desafinadas.

A seguir, o histórico da Orquestra Ribeiro Bastos conforme informa seu site :

Data de início das atividades: Século XVIII

Histórico da instituição: Já é quase habitual associar-se a música colonial mineira ao nome da Orquestra Ribeiro Bastos, em razão das inúmeras apresentações do repertório desta época realizadas por este grupo nos quatro cantos do país e pela divulgação trazida pela difusão de seus discos. Mas isto não represente a verdade, ainda existem e atuam em Minas Gerais outras corporações musicais antigas, que prolongam a antiga tradição musical da região e preservam documentos trazidos de outros pontos do Brasil.

Sabe-se que a vida musical nas Minas Gerais e no Brasil no século XVIII era rica e intensa, em grande parte por causa das necessidades da liturgia católica. Cada vila pouco mais importante tinha seus compositores e suas corporações que reuniam cantores e instrumentistas. Mas a diminuição das riquezas, durante o século XIX, foi fatal para estas vilas e corporações: as vilas ficaram estagnadas em sua vida passada, quando não regrediram até o desaparecimento, e as corporações, por perderem sua função religiosa e social, deixaram de existir. A perda desta função causou o desaparecimento de antigas corporações também em vilas que tiveram um certo grau de crescimento material, mas onde a preocupação com o fato cultural tornou-se secundária.

Hoje, graças a estudos musicológicos mais aprofundados, pode-se aquilatar o que foi este momento musical e sabe-se o valor de compositores como Emerico João de Deus, Manoel Dias, Gerônimo de Souza Lobo, Santos Cunha e muitos outros.

São João Del-Rei foi caso raro: os dois grupos tradicionais da cidade mantiveram-se vivos e atuantes até hoje, através da atividade de amadores que, no correr dos anos, tiveram consciência da importância da herança que recebiam de seus antepassados musicais (estes, profissionais) e lutaram para preservá-la. Em todos os dias do ano, as missas principais são acompanhadas por uma das duas orquestras, que mantém os antigos contratos assinados com as irmandades religiosas. No que se refere à Orquestra Ribeiro Bastos ela está presente em duas missas semanais na Matriz do Pilar (da Irmandade do Santíssimo e da Irmandade de Passos) e na grande missa dominical da Ordem Terceira de São Francisco, além de responsabilizar-se pelo serviço musical de diversas novenas (Carmo, São Francisco, Cinco Chagas, Conceição) e de todos os ofícios da Festa de Passos e da Semana Santa. Esta é, sem dúvida, a época mais rica do calendário musical da cidade, uma vez que até hoje são cantadas não só as Missas Solenes, mas também cada Via Sacra, o Ofício de Ramos, os Três Ofícios de Trevas, as Paixões, o Ofício de Páscoa, as procissões, perfazendo algumas centenas de obras e enorme tempo dedicado com amor à música sacra.

A Orquestra Ribeiro Bastos é, antes de tudo, uma função: ela deixaria de existir se não estivesse respondendo à uma necessidade religiosa e cultural. Seus membros, todos amadores, dedicam seus dias às mais diversas ocupações e guardam seu tempo livre para ensaios e participação em cerimônias religiosas. Por isso mesmo, nem em São João Del-Rei nem em lugares onde vá, esta corporação não pode ser ouvida como uma orquestra de concertos. É parte da vida e da cultura daquela cidade e de Minas. Hoje como há duzentos anos atrás. É grupo que se esforça por manter viva a tradição, que busca construir repertório recuperando esta mesma tradição, que se preocupa em manter viva a chama e que, vez por outra, sai de sua cidade para dar a conhecer a maior número de pessoas algumas das preciosidades de seu acervo. Preservando não apenas papéis, mas também uma tradição interpretativa, certamente bem próxima da maneira como seu repertório era tocado no passado.

“Missa A 5 Vozes”, de Antonio dos Santos Cunha (17xx? – 18xx?)

Gravado ao vivo em 21 de abril de 1981, em Ouro Preto, MG, quando esta cidade recebia o título de Monumento Mundial.

Apresentação em homenagem a Amadou-Mahtar M’Bow, Diretor Geral da UNESCO.
1. Kyrie
2. Gloria/Laudamus/ Gratia agimus
3. Domine Deus/Qui tolli
4. Qui sedes/Quoniam
5. Cum Sancto Spiritu

Orquestra Ribeiro Bastos – 1981
Regência de José Maria Neves

Esta gravação, nem o Heitor possui. Duvido.

acervoBAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
XLD RIP | FLAC | 133,7 MB

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MP3 | 320 kbps | 81,8 MB

powered by iTunes 12.4 | 40 min

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PQP Bach

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Violin Concertos – Podger

frontLINK RESTAURADO !!!

Aí alguém se importa se for postada mais uma versão desses monumentos da literatura violinística? Ainda mais com uma grande especialista no repertório, Rachel Podger? E que foi quase unanimidade entre os clientes da Amazon? E gravação esta que procurei como um alucinado quando soube de seu lançamento?

Os nossos mais fiéis e antigos leitores / ouvintes devem se lembrar de uma gravação dos concertos para cravo que postei há algum tempo atrás com o Pierre Hantai, que me deixou maravilhado. Reconheço que o impacto desta gravação da Podger não foi tão grande num primeiro momento quanto aquela gravação do Hantaï. Mas temos de tirar o chapéu para esta excepcional instrumentista e pesquisadora do barroco. Ela arrisca e se dá muito bem. Começando pelo reduzido número de instrumentistas que a acompanham:apenas sete músicos, mas sete músicos especialistas neste repertório, e que Podger dirige com competência e talento. Um exemplo é o imortal Largo do BWV 1056, que um comentarista daqui do blog já classificou como perfeito e não há como discordar dele.

Talvez a juventude e o respeito à partitura não tenham dado à instrumentista a mesma liberdade e paixão que observamos na leitura de Oistrakh, feita há mais de cinquenta anos, se não estou enganado. Digamos que à seu favor estão os anos e anos de evolução da musicologia, e das pesquisas realizadas por tantos grupos que surgiram especializados em música barroca. Nos tempos de Oistrakh eles não existiam, talvez Harnoncourt, Leonhardt e os irmãos Kujiken já estivem começando a se envolver com a questão, mas na grande época dos violinistas do nível de Oistrakh, Heifetz, Szering entre outros eles ainda eram estudantes, portanto estes “dinossauros” reinavam absolutos sobre a terra.

Em tempo: Mestre Avicenna assoprou velinhas nessa última semana. 22Apesar de estar afastado do blog por motivos particulares, mantemos contato direto. Há algum tempo atrás ele se deu ao trabalho de mandar para alguns membros do blog cópias de um excepcional filme, ou mini-série se preferirem, do Fassbinder, e não nos cobrou nada por isso.

Dedico então esta postagem à sabedoria e generosidade deste grande intelectual com quem tenho o prazer de compartilhar este espaço.

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Violin Concertos – Podger

01. Concerto in A Minor, BWV 1041 – 1. Allegro
02. 2. Andante
03. 3. Allegro Assai
04. Concerto in E Major, BWV 1042 – 1. Allegro
05. 2. Adagio
06. 3. Allegro Assai
07. Concerto in G Minor After BWV 1056 – 1. Allegro
08. 2. Largo
09. 3. Presto
10. Concerto in A Major After BWV 1055 – 1. Allegro
11. 2. Largetto
12. 3. Allegro Ma Non Tanto

Brecon Baroque
Rachel Podger – Violin & Director

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A Quatro Mãos: Johannes Brahms (1833-1897) – Danças Húngaras para piano a quatro mãos – Katia e Marielle Labèque (REVALIDADO)

518il4y1RkLPOSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH EM 4 /7/2007, LINK REVALIDADO POR VASSILY EM 30/11/2015

Na estreia de uma nova série aqui no PQP Bach, dedicada à música para dois pianistas, revalidamos uma postagem dos primórdios deste blogue, com a clássica gravação das Danças Húngaras de Brahms tocadas pelas irmãs Labèque. Colorida e cheia de verve, é a melhor introdução possível para estas semanas a quatro mãos que preparamos para vocês.

Vassily Genrikhovich

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH EM 4/7/2007

FDP Bach resolveu fazer uma postagem um tanto quanto diferente: as Danças Húngaras de Brahms, mas em uma versão pouco conhecida: para piano a quatro mãos. Possuo esse cd já há alguns anos, e nunca me canso de ouvi-lo, devido à consistência de sua interpretação e também à sua dinâmica.
Esta versão para dois pianos é riquíssima em termos de arranjo. E as irmãs Labeque, Katia e Marielle, bem elas são um caso à parte… além de lindíssimas, são grandes intérpretes. Para quem já teve a oportunidade de assisti-las ao vivo, deve ser difícil saber no que se deve prestar atenção: nas pianistas ou na música…
Brincadeiras à parte, vamos ao que interessa.

Johannes Brahms (1833-1897) 21 Hungarian Dances, WoO 1

01 – Allegro molto
02 – Allegro non assai
03 – Allegretto
04 – Poco sostenuto
05 – Allegro
06 – Viace
07 – Allegretto
08 – Presto
09 – Allegro non troppo
10 – Presto
11 – Poco andante
12 – Presto
13 – Andantino grazioso
14 – Un poco andante
15 – Allegretto grazioso
16 – Con moto
17 – Andantino
18 – Vivace
19 – Allegretto
20 – Poco allegretto
21 – Vivace

Katia e Marielle Làbeque, piano

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Franz Liszt (1811-1886) – Années de pèlerinage – Nicholas Angelich – REVALIDADO

51Ay94V1d5LPOSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH EM 8/9/2007, REVALIDADA POR VASSILY EM 25/8/2015

Alguém solicitou a um tempo atrás mais obras de Liszt. Já havíamos postado os concertos para piano com o Richter, porém, reclamaram que faltavam mais obras.
Pois bem, sensível ao apelo, FDP Bach resolveu cobrir uma das falhas do blog, a saber, mais obras pianísticas do sogro de Wagner. E vai jogar pesado, dessa vez… trata-se de uma coleção de 3 cds, interpretados pelo excelente Nicholas Angelich, da enorme série “Années de pèlerinage

FRANZ LISZT (1811-1886)

ANNEES DE PELERINAGE

Nicholas Angelich, piano

CD 1 – Première année: Suisse

01. Chapelle de Guillaume Tell
02. Au lac de Wallenstadt
03. Pastorale
04. Au bord d’une source
05. Orage
06. Vallée d’Oberman
07. Eglogue
08. Le mal du pays
09. Les cloches de Genève

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CD 2 – Deuxième année: L’Italie

01. Sposalizio
02. Il penseroso
03. Canzonetta del Salvator Rosa
04. Sonetto 47 del Petrarca
05. Sonetto 104 del Petrarca
06. Sonetto 123 del Petrarca
07. Après une lecture de Dante, Fantasia quasi Sonata
08. Venezia e Napoli – Gondoliera
09. Venezia e Napoli – Canzone
10. Venezia e Napoli – Tarentella

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CD 3 – Troisième année

01. Angelus ! Prière aux anges gardiens
02. Aux cyprès de la Villa d’Este, Thrénodie no. 1
03. Aux cyprès de la Villa d’Este, Thrénodie no. 2
04. Les jeux d’eau de la Villa d’Este
05. Sunt lacrymae rerum – en mode hongrois
06. Marche funèbre
07. Sursum corda

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Franz-Joseph Haydn – Ronald Brautigam plays Joseph Haydn Concertos – Brautigam – Concerto Copenhagen

frontLINK RESTAURADO À PEDIDOS !!!
Problemas técnicos alheios à minha vontade tem me impedido de postar com mais frequência, mesmo estando em férias. Para compensar tenho ouvido muita música e lido bastante.
E eis que encontro esta beleza de CD, com um cara de quem já virei fâ: Ronald Brautigam. Até então tinha sua integral das sonatas de Mozart e de Beethoven, e me encaminhava para conseguir sua integral de Haydn, todos estes CDs produzidos pelo excelente selo sueco BIS. Mas este Haydn que ora trago é delicioso. Ele se utiliza de um pianoforte em suas interpretações, dando mais ênfase, portanto, às gravações ditas históricas. E o resultado é de se tirar o chapéu. A sonoridade de seu pianoforte, aliado à excelente orquestra dinamarquesa, nos deixam extasiados. Nada tão xiita quanto algumas gravações que encontramos no mercado, mas no final das contas, temos a plena certeza de dever cumprido. É para se ouvir diversas vezes seguidas, sem temer enjoar, afinal de contas, senhores, trata-se de Haydn, ora bolas.

01. Concerto in D major, H.XVIII11 – I. Vivace
02. II. Un poco adagio
03. III. Rondo all’Ungarese (Allegro assai)
04. Concerto in F major, H.XVIII3 – I. Allegro
05. I. Largo cantabile
06. III. Presto
07. Concerto in D major, H.XVIII2 – I. Allegro moderato
08. II. Adagio molto
09. III. Allegro
10. Concerto in G major, H.XVIII4 – I. Allegro
11. II. Adagio
12. III. Rondo (Presto)

Ronald Brautigam – Pianoforte
Concerto Copenhagen
Lars Ulrik Mortensen – Conductor

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FDPBach

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Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) – Sinfonias 4, 5 e 6 – Mravinsky – REVALIDADO

POSTADO POR FDP BACH EM 8/7/2012, REVALIDADO POR VASSILY EM 19/8/2015

Mesmo que não tivessem chovido pedidos ao nosso SAC, não tínhamos como deixar esta gravação MEGAFODÁSTICA de fora do acervo, né?

Ela fica como homenagem ao nosso patrão, patrono e sumo-sacerdote, o PQP, no dia de seu aniversário. Parabéns aê, chefia!!!

Vassily

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH EM 8/7/2012

Para muitos, um paradigma a ser quebrado, uma das maiores gravações da história da indústria fonográfica, um “must have”, enfim, Tchaikovsky sob a batuta de Mravinsky. Alguns dizem que um dos motivos que tornaram possíveis este desempenho é que Mravinsky mergulhou fundo na alma russa presente nestas obras e a arrancou com sangue, suor e lágrimas. Exageros a parte, temos aqui um Tchaikovsky em sua essência, para satisfazer o mano PQP, que só admite este autor quando interpretado pelo grande maestro russo.

Abaixo, o texto do editorial da Amazon.com :

These recordings by Evgeny Mravinsky and his Leningrad Philharmonic, taped in the autumn of 1960 while they were on tour in London, are among the absolute classics of the catalog. They are readings of hair-raising intensity–the finale of the Fourth is marked allegro con fuoco, and if you want to know what con fuoco means, all you have to do is listen for a moment. No one else has ever had the nerve, or the ability, to play the music this way. The treatment is very Russian: the extremes are more extreme, the passions more feverish, the melancholy darker, the climaxes louder. In that department, the development section of the first movement of the Pathètique has to be heard to be believed. The sound is remarkably good for the time, a little edgy in the loudest pages but wonderfully present, just like the performances themselves. –Ted Libbey

Piotr Ilyich Tchaikovsky – Symphonies nº 4, f-moll, op. 36, Nº5, e-moll, op. 64 e nº6, h-moll, op. 74, “Pathétique”

CD 1

1 – Symphonie Nr.4 f-moll op.36 – I. Andante sostenuto – Moderato con anima – Moderato assai, quasi andante – Allegro vivo
2 – Symphonie Nr.4 f-moll op.36 – II. Andantino in modo di canzone
3 – Symphonie Nr.4 f-moll op.36 – III. Scherzo. Pizzicato ostinato. Allegro
4 – Symphonie Nr.4 f-moll op.36 – IV. Finale. Allegro con fuoco
5 – Symphonie Nr.5 e-moll op.64 – I. Andante – Allegro con anima
6 – Symphonie Nr.5 e-moll op.64 – II. Andante cantabile, con alcuna licenza – Moderato con anima – Andante mosso – Allegro non troppo

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CD 2

1 – Tchaikovsky Symphonie Nr.5 e-moll op.64 – III. Valse. Allegro moderato
2 – Tchaikovsky Symphonie Nr.5 e-moll op.64 – IV. Finale. Andante maestoso – Allegro vivace – Molto vivace-Moderato assai e molto maestoso
3 – Tchaikovsky Symphonie Nr.6 h-moll op.74 ‘Pathetique’ – I. Adagio – Allegro non troppo
4 – Tchaikovsky Symphonie Nr.6 h-moll op.74 ‘Pathetique’ – II. Allegro con grazia
5 – Tchaikovsky Symphonie Nr.6 h-moll op.74 ‘Pathetique’ – III. Allegro molto vivace
6 – Tchaikovsky Symphonie Nr.6 h-moll op.74 ‘Pathetique’ – IV. Finale. Adagio lamentoso

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FDP

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[Franz] Joseph Haydn (1732-1809): 11 Piano Sonatas – Alfred Brendel (Parte 2 de 2) – REVALIDADO

5183vyeJwbLPOSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH EM 18/2/2010, REPOSTADO POR PQP BACH EM 18/5/2012, REVALIDADO POR VASSILY EM 12/8/2015

Complementamos a postagem dessa caixa essencial de Haydn, na leitura de Alfred Brendel, com seus dois últimos CDs.

Aos que estranham o “Franz” do nome de Haydn entre colchetes: trata-se do nome de santo de Haydn (batizado Franciscus Josephus Haydn), e que era dado, conforme costume da época, em homenagem ao santo celebrado no dia de seu batismo (São Francisco de Paula, 2 de abril). Esse prenome quase nunca usado pelo próprio compositor, que invariavelmente se assinava “Joseph” ou “Giuseppe Haydn”. Um leitor apontou isso num comentário à postagem original e eu, que não fazia a menor ideia do assunto, resolvi aceder. Assim, mantemos a coerência com a prática que nos leva a chamar a pessoa batizada Johannes Chrysostomus Wolfgangus Teophilus Mozart, nascida no dia de São João Crisóstomo (27 de dezembro), de Wolfgang Amadeus Mozart.

Vassily

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH EM 18/2/2010

Eis então os dois CDs que faltavam para essa série do grande pianista Alfred Brendel interpretando Haydn. Trata-se de uma série conceituadíssima, que não pode faltar na discoteca dos amantes da obra do mestre austríaco.

Enfim, para tornar mais agradável este feriadão eis os dois últimos cds desta excelente série da Philips.

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Franz-Joseph Haydn (1732-1809): 11 Piano Sonatas – Alfred Brendel (Parte 2 de 2)
Alfred Brendel, piano

CD 3
01 – Sonata in C, Hob. XVI_48 – 1. Andante con espressione
01 – Sonata in C, Hob. XVI_48 – 2. Rondo (Presto)
02 – Sonata in D, Hob. XVI_51 – 1. Andante
03 – Sonata in D, Hob. XVI_51 – 2. Finale (Presto)
04 – Sonata in C, Hob. XVI_50 – 1. Allegro
05 – Sonata in C, Hob. XVI_50 – 2. Adagio
06 – Sonata in C, Hob. XVI_50 – 3. Allegro molto

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CD 4
01 – Sonata in E flat, Hob. XVI_52 – 1. Allegro
02 – Sonata in E flat, Hob. XVI_52 – 2. Adagio
03 – Sonata in E flat, Hob. XVI_52 – 3. Finale (Presto)
04 – Sonata in G, Hob. XVI_40 – 1. Allegretto e innocente
05 – Sonata in G, Hob. XVI_40 – 2. Presto
06 – Sonata in D, Hob. XVI_37 – 1. Allegro con brio
07 – Sonata in D, Hob. XVI_37 – 2. Largo e sostenuto
08 – Sonata in D, Hob. XVI_37 – 3. Finale (Presto, ma non troppo)
09 – Andante con variazioni in F minor, Hob. XVII_6

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Brendel_e_Minnie

FDPBach
(revalidação do link e foto de Brendel com Minnie por PQP)

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[Franz] Joseph Haydn (1732-1809): 11 Piano Sonatas – Alfred Brendel (Parte 1 de 2) – REVALIDADO


5183vyeJwbLPOSTADO ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 9/2/2010 E POR PQP BACH EM 18/5/2012, REVALIDADO POR VASSILY EM 11/8/2015.

Dia desses alguém pediu ao nosso SAC a repostagem desta excelente gravação de Brendel. Atendemos prontamente, pois acreditamos que ela não possa faltar em qualquer discografia.

Aos que estranham o nome “Franz” entre colchetes, aguardem a segunda parte da postagem!

Vassily

Postagem original de FDP Bach:

Minha vida anda muito corrida, e com esse calor que fez nos últimos dias não tenho vontade de fazer nada, desculpem, nem respondo meus emails. Aliado à isso, estou com problemas de saúde na família, então, a vontade de responder se resume a nenhuma.

Essa série do Brendel tocando Haydn já está no rapidshare há algum tempo. São quatro cds, estou postando dois, e outra hora coloco os outros dois.

Material de primeira linha, poderia classificá-lo facilmente como IM-PER-Dí-VEL.  Divirtam-se.

Franz-Joseph Haydn – 11 Piano Sonatas (Parte 1 de 2)
Alfred Brendel, piano

CD 1:
1. Keyboard Sonata in C minor, H. 16/20: 1. Moderato
2. Keyboard Sonata in C minor, H. 16/20: 2. Andante con moto
3. Keyboard Sonata in C minor, H. 16/20: 3. Finale. Allegro

4. Keyboard Sonata in E flat major, H. 16/49: 1. Allegro
5. Keyboard Sonata in E flat major, H. 16/49: 2. Adagio e cantabile
6. Keyboard Sonata in E flat major, H. 16/49: 3. Finale. Tempo di minuetto

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CD 2:
1. Keyboard Sonata in E minor, H. 16/34: 1. Presto
2. Keyboard Sonata in E minor, H. 16/34: 2. Adagio
3. Keyboard Sonata in E minor, H. 16/34: 3. Vivace molto, innocentemente

4. Keyboard Sonata in B minor, H. 16/32: 1. Allegro moderato
5. Keyboard Sonata in B minor, H. 16/32: 2. Menuet. Tempo di menuet
6. Keyboard Sonata in B minor, H. 16/32: 3. Finale. Presto

7. Keyboard Sonata in D major, H. 16/42: 1. Andante con espressione
8. Keyboard Sonata in D major, H. 16/42: 2. Vivace assai

9. Fantasia (Capriccio) for piano in C major, H. 17/4

10. Adagio for keyboard in F major, H. 17/9

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Brendel_e_MinnieFDP Bach
(revalidação do link e foto de Brendel com Minnie por PQP)

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 – Konstantin Scherbakov

Publicação original: 28.05.2007

Nota de Ranulfus: Esta postagem do nosso grão-mestre PQP foi a primeira de seis postagens dos Prelúdios e Fugas do Shosta que apareceram aqui – e precisamente a que me conquistou. Depois o próprio PQP publicou a de Nikolayeva, tida como a referência nesta obra, em áudio (2009) e em vídeo (2010), a de Keith Jarret (de que ele gostou e eu não gostei) em 2012, a de Melnikov em 2013. Além disso, o Carlinus publicou a de Ashkenazy em 2010. Pois mal: devido aos acidentes a que o compartilhamento tem estado sujeito, nenhuma delas chegou a 2015 no ar – o que foi trágico, pois avalio esta obra como um clássico maior, ainda insuficientemente conhecido, mas digno de ficar para sempre – e desde já!

Então está aqui de novo a versão de Scherbakov – e quem sabe os colegas se animem a revalidar também alguma(s) das outras!

Texto de Anderson Paiva (fragmento). Em 1950, comemorava-se o bicentenário da morte de Johann Sebastian Bach, em Leipzig. O festival foi o palco da Competição Internacional Bach de Piano, que requeria a execução de qualquer um dos 48 Prelúdios e Fugas do Cravo Bem-Temperado. Entre os jurados, estava Dmitri Shostakovich.

A vencedora do concurso foi Tatiana Nikolayeva, que tocou não apenas um dos prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado, conforme requeria a competição, mas executou todos os 48 Prelúdios e Fugas. Ela ganhou a medalha de ouro.

Dmitri Shostakovich, que entregou o prêmio à vencedora de 26 anos (na condição de presidente do júri), ficou impressionado com a interpretação da jovem pianista.

A última atração do evento foi o Concerto em Ré Menor para Três (cravos) Pianos, de J. S. Bach, tendo Maria Youdina, Pavel Serebriakov e Tatiana Nikolayeva como solistas. Incrivelmente, após Youdina machucar o dedo, Shostakovich, sem nenhuma preparação, e de última hora, tomou o seu lugar ao piano.

O mestre russo havia sido convidado para participar do festival de Leipzig em uma época que sua música silenciara na União Soviética, após o Decreto de Zhdanov (1948). Mas em meio ao silêncio, ele prosseguia compondo. E após retornar de Leipzig, contagiado pelo espírito de Bach – num primeiro momento, pretendia escrever apenas exercícios de técnica polifônica –, resolveu compor os seus próprios Prelúdios e Fugas. A partir daí, nasceria uma das maiores obras para piano do século XX: os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87.

O trabalho é um verdadeiro monumento à arte de J. S. Bach. Shostakovich admirava-o grandemente, e a música do mestre de Leipzig é um dos pilares de sua obra. Aos 44 anos, e a exemplo de compositores como Mozart, Beethoven e Brahms, que em sua fase outonal voltaram-se para o passado em uma justa reverência ao mestre barroco, aqui Shostakovich aprofunda-se no estudo do contraponto e faz música polifônica da mais alta qualidade.

Por que vinte e quatro? São 24 os Prelúdios e Fugas do CBT I, e são 24 os Prelúdios e Fugas do CBT II, de J. S. Bach – que integram os 48 prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado. Vinte e quatro são os Prelúdios de Chopin, e são vinte e quatro os Caprichos de Paganini. O número 24 não é por acaso – ele corresponde aos vinte e quatro tons da música ocidental: doze maiores e doze menores.

Na Idade Mádia e em todo o Renascentismo, não havia música tonal. A música era modal. Predominavam os modos antigos (modos gregos), que eram sete. A partir do sistema tonal, que se consolidou no barroco, passaram a existir somente dois modos: o modo maior e o modo menor. Antes, haviam os complicados sistemas de afinação (temperamento), a fim de fazer os “ajustes das comas”. A coma é a nona parte de um tom inteiro, e é considerado o menor intervalo perceptível ao ouvido humano. Os físicos e músicos divergiam sobre o semitom diatônico e o semitom cromático. Para os músicos, o semitom cromático (de dó para dó sustenido) possuía 5 comas, e o diatônico (de dó sustenido para ré) possuía 4. Os físicos afirmavam o contrário. Durante muito tempo persistiu esse dilema, e os diferentes sistemas de afinação. O cravo precisava ser afinado (temperado) constantemente, de acordo com o modo da música que se estava a tocar. Até que surgiu a idéia de afinar o cravo em doze semitons iguais, com um sistema de afinação fixa, de modo que o intervalo entre cada semitom ficasse ajustado em 4 comas e meia (diferença imperceptível ao ouvido humano), quando o teórico Andreas Werckmeister publicou um documento com essa teoria, em 1691. Desse modo, qualquer peça poderia ser transposta para qualquer tonalidade sem precisar fazer constantes “reajustes” de afinação.

Essa idéia foi recebida com polêmica, mas Johann Sebastian Bach foi um dos primeiros a reconhecer a importância da inovação. Em 1722, publicou sua coleção de 24 Prelúdios e Fugas, para cada uma das doze tonalidades maiores e menores, e a chamou “Cravo Bem-Temperado, ou Prelúdios e Fugas em todos os Tons e Semitons”, provando que era possível tocar e transpor uma música para qualquer tonalidade, com o sistema temperado, sem precisar alterar a afinação. Em 1744, vinte e dois anos depois, publicaria o segundo volume (agora chamado Cravo Bem-Temperado, Livro II). Portanto, cada um dos volumes do CBT foram escritos em épocas distintas de sua vida, e é notável o fato de que a primeira parte foi escrita no mesmo ano em que Jean-Philippe Rameau publicou o seu Tratado de Harmonia (1722), com o mesmo objetivo. Ambos trabalhos foram decisivos para a consolidação do sistema tonal, que revolucionou a Harmonia e as técnicas de composição. O Cravo Bem-Temperado é considerado a “bíblia do pianista”, e permaneceu reconhecido mesmo após a morte de Bach, quando todas as suas outras obras foram esquecidas, de modo que o sistema tonal que prevaleceu até a época de Schöenberg, e que ainda é uma vital referência em nossos dias, é o legado de Johann Sebastian Bach.

A combinação entre o Prelúdio e a Fuga (considerada, mais do que uma forma musical, uma técnica de composição) é um casamento perfeito entre duas “formas” distintas, duas forças, dois opostos. A fuga é provavelmente a técnica de composição mais complexa da música ocidental. Ápice da música polifônica, e com regras que submetem o tratamento dos elementos musicais a padrões extremamente rígidos, reúne arte e ciência.

O Prelúdio é uma “forma” musical de caráter extremamente livre, como a Fantasia e o Noturno, e também de caráter improvisatório, como a Toccata e o Impromptu. Remonta à era da Renascença, desde as composições para alaúde, passando a ser utilizado como introdução das suítes francesas no século XVII. O “prato de entrada”, com a função de Abertura, como as antigas Sinfonias barrocas, e de curta duração, com passagens de difícil execução, sempre fazendo improvisar o virtuose (como a Toccata), com o objetivo de chamar a atenção da platéia, antes da execução da “peça principal”. Johann Pachelbel foi um dos primeiros a combinar Prelúdios e Fugas, e a partir de J. S. Bach, o Prelúdio adquiriu grande importância, sendo utilizado depois mesmo individualmente, por compositores como Beethoven, Chopin, Debussy, Rachmaninoff, Hindemith, Ginastera, etc.

A Fuga é utilizada desde o período medieval, e é uma técnica de composição polifônica que segue o princípio de imitação, como o Canon, porém muito mais complexa do que esse. Toda fuga começa com uma voz sem acompanhamento expondo o tema, que é o sujeito. A seguir, entra a segunda voz repetindo o sujeito na dominante (uma quinta acima ou uma quarta abaixo da tônica), enquanto a primeira voz prossegue, agora dando início a um segundo tema contrastante, que é o contra-sujeito. Os temas devem ser independentes, (como melodias distintas que se combinam), e a distinção entre as vozes, clara. Mas devem “afinar” entre si – e esse é o ponto de desafio que alia a estética da arte à engenharia da ciência. Os temas se contrapõem na direção da música polifônica, que é considerada “horizontal”, ao contrário da música homofônica, em que as partes são dependentes e simultâneas, considerada “vertical”. O contraponto é muito complexo, restrito a muitas regras de consonância e direcionamento de vozes, e, da sua complexidade, a fuga é a expressão máxima. Após todas as vozes exporem o sujeito (a fuga pode ser a duas, três, quatro ou a cinco vozes, etc.) e o contra-sujeito, segue-se um complexo desenvolvimento de temas e
motivos que culminam no ponto alto e de tensão da fuga: o stretto. É onde as vozes se aproximam, cada vez mais – e as vezes ocorrem entradas paralelas –, produzindo a impressão de que uma voz está perseguindo a outra, daí o nome fuga.

Palestrina e outros compositores utilizaram a fuga no Renascentismo. Teve o seu ápice no Barroco, sendo usada por compositores como Sweelinck, Froberger, Corelli, Pachelbel, Buxtehude e Händel. Mas foi através de Bach, com o Cravo Bem-Temperado e A Arte da Fuga, que essa magistral arte e ciência do contraponto atingiu o seu ponto culminante. Depois ela cairia em parcial esquecimento, mas sendo aproveitada por compositores como Haydn, Mozart e Beethoven, no Classicismo; Mendelssohn, Brahms, Schumman, Rmski-Korsakov, Saint-Saëns, Berlioz, Richard Strauss, Rachmaninoff e Glazunov, no Romantismo; e, no século XX, por Max Reger, Kaikhosru Sorabji, Bártok, Weinberger, Barber, Stravinsky, Hindemith, Charles Ives e Dmitri Shostakovich.

Ah! Quão belos e magistrais são os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 de Shostakovich! Elaborados, profundos, sinceros, é arte que desabrocha, ora sutil, ora retumbante, do mais íntimo e abissal silêncio. É música que, uma vez expandida, repreendida e calada, retorna a si, ao íntimo do compositor, e tácita e reflexiva, espera a sua hora, para irromper como um monumento, colosso perpétuo para as gerações futuras que ouvirão, ao seu tempo, os pensamentos calados e as palavras não ditas. Shostakovich, de mão dadas a Bach, como um furacão transcende o momento, atravessa o tempo, e chega como brisa aos nossos ouvidos. Quando ela foi executada pelo pianista soviético Svyatoslav Richter, um crítico que estava presente disse: “Pedras preciosas derramaram-se dos dedos de Richter, refletindo todas as cores do arco-íris”. Essa obra, Shostakovich iniciou após retornar do festival de Leipzig, trabalhando rapidamente, levando apenas três dias em média para escrever cada peça. O trabalho completo foi escrito entre 10 de outubro de 1950 e 25 de fevereiro de 1951. Após concluir a obra, Shostakovich dedicou-a a Tatiana Nikolayeva, a pianista que o inspirou, e que brilhou vencendo a competição do festival do bicentenário de Bach em Leipzig, executando os prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado. Assim que ele completou o ciclo, ele a chamou ao seu apartamento em Moscou para lhe mostrar o seu trabalho. Shostakovich tocou a obra na União dos Compositores Soviéticos, em maio de 1951, e Nikolayeva estreou-a em Leningrado, à 23 de dezembro de 1952.

Mas os 24 Prelúdios e Fugas não foram bem recebidos pelos críticos soviéticos, a princípio, especialmente na União dos Compositores. Desagradaram-lhes a dissonância de algumas fugas, e eles também a reprovaram por a considerarem “ocidental” e “arcaica”. E essa obra, hoje acessível, permanece ainda, por muitos, desconhecida.

Tatiana Petrovna Nikolayeva, pianista russa, como Shostakovich, e também compositora, foi uma das maiores pianistas soviéticas do século XX. Nasceu em 1924 e começou a aprender piano aos três anos de idade. Depois entrou para o Conservatório de Moscou e estudou com Alexander Goldenweiser e Yevgeny Golubev. Após vencer a Competição Internacional Bach de Piano de Leipzig, acumulou um imenso repertório, abrangendo Beethoven, Bártok e diversos compositores. Foi uma das grandes intérpretes de Bach. Enquanto muitos pianistas escolhiam tocar em instrumentos de época, Nikolayeva preferia tocar Bach no moderno piano Steinway, sempre com grande sucesso. Suas composições incluem um concerto para piano em si maior, executado e gravado em 1951 e publicado em 1958, um trio para piano, flauta e viola, gravado pela BIS Records, prelúdios para piano e um quarteto de cordas. A partir de 1950, ela passaria a ser uma das grandes amizades de Dmitri Shostakovich.

Após Nikolayeva gravar os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87, surgiram outras grandes gravações. Vladimir Ashkenazy, pela Decca, Keith Jarret, pela ECM, Konstantin Scherbakov, pela Naxos, e Boris Petrushansky, pela Dynamic, estão entre os poucos discos que disputam no mercado. Keith Jarret, mais conhecido como músico de jazz, afirmou o seu nome na música clássica pela ECM, com o seu toque de impecável técnica. Vladimir, Scherbakov e Petrushansky fizeram gravações notáveis, cada um com a sua interpretação única. E o próprio Shostakovich também gravou os seus 24 Prelúdios e Fugas, pela EMI. Dessas gravações, a que possuo, até o momento, é somente a de Sherbakov, a qual considero uma pérola musical.

Mas é Tatiana Nikolayeva a maior intérprete dessa obra cheia de nuanças, e quem desvenda com toque de perfeição o universo musical de Shostakovich. Ela gravou a obra por três vezes: duas pela BGM-Melodya, em 1962 e 1987, e a terceira pela Hyperion, em 1990. Todas as gravações supracitadas (exceto a primeira de Nikolayeva pela Melodya) encontram-se na internet.

Essa obra completa dura mais de duas horas. Os pianistas costumam executá-la em duas apresentações, tocando metade do ciclo em cada uma.

A ordem dos prelúdios e fugas não é aleatória, nem escolhida por um critério extra-musical qualquer. Partindo de dó maior, percorre um ciclo de progressões harmônicas. Os prelúdios e fugas de Bach, no paralelo maior/menor, seguem a ordem da escala cromática ascendente (dó maior, dó menor, dó sustenido maior, dó sustenido menor, etc.). Mas Shostakovich, a exemplo dos 24 Prelúdios de Chopin, com a relação do par maior/menor, segue o ciclo das quintas (dó maior, lá menor, sol maior, mi menor, ré maior, si menor, etc.). E se a obra é construída em torno das 24 tonalidades, quer dizer que a música é tonal. Sim, Shostakovich faz música tonal em plena era do atonalismo, mas com incursões atonais, abuso de dissonâncias e domínio da técnica com diferentes assimilações que sustentam o seu estilo singular e “poliestilista”. Nos Prelúdios e Fugas de Shostakovich há citações de Bach. Mas a substância dessa obra é a expressão musical única e interior do próprio compositor, Shostakovich, que com grande capacidade eclética e assimilativa, e sendo, ao mesmo tempo, profundamente original, percorre os mais diversos climas e variações de humor, com modulações ora bruscas e desconcertantes, ora tênues e elegantes. Serena, como na fuga n.º. 1 ou na fuga n.º. 13, brincalhona, como na fuga n.º. 3 ou no prelúdio n.º 21, a música de Shostakovich permeia os mais distintos aspectos da expressão musical. Estranhas são as fugas n.º 8 e n.º 19, misteriosas; cômica é a fuga n.º 11, ousada é a fuga n.º 6, luminosa é a fuga n.º 7. Os prelúdios de Shostakovich às vezes combinam-se perfeitamente com as fugas, e eles se atraem; e às vezes se contrastam. As fugas magnificamente elaboradas são emolduradas pelos belos prelúdios que, no entanto, não devem ser considerados obras menores. Cada peça, além de ser parte essencial de um todo, é também uma pequena obra-prima à parte, de modo que o conjunto de 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 formam, na verdade, uma coleção de 48 obras agrupadas em torno de um trabalho monumental e único.

Dmitri Shostakovich
24 Preludes and Fugues, Op. 87
Konstantin Scherbakov, piano

CD 1

  1. Prelude No. 1 in C major: Moderato 02:50
  2. Fugue No. 1 in C major: Moderato 04:02
  3. Prelude No. 2 in A minor: Allegro 00:52
  4. Fugue No. 2 in A minor: Allegretto 01:33
  5. Prelude No. 3 in G major: Moderato non troppo 01:51
  6. Fugue No. 3 in G major: Allegro molto 01:56
  7. Prelude No. 4 in E minor: Andante 01:57
  8. Fugue No. 4 in E minor: Adagio 05:35
  9. Prelude No. 5 in D major: Allegretto 01:44
  10. Fugue No. 5 in D major: Allegretto 02:01
  11. Prelude No. 6 in B minor: Allegretto 01:42
  12. Fugue No. 6 in B minor: Allegro poco moderato 04:00
  13. Prelude No. 7 in A major: Allegro poco moderato 01:24
  14. Fugue No
    . 7 in A major: Allegretto 02:47
  15. Prelude No. 8 in F sharp minor: Allegretto 01:18
  16. Fugue No. 8 in F sharp minor: Andante 07:10
  17. Prelude No. 9 in E major: Moderato non troppo 02:36
  18. Fugue No. 9 in E major: Allegro 01:36
  19. Prelude No. 10 in C sharp minor: Allegro 01:52
  20. Fugue No. 10 in C sharp minor: Moderato 05:43
  21. Prelude No. 11 in B major: Allegro 01:22
  22. Fugue No. 11 in B major: Allegro 02:10
  23. Prelude No. 12 in G sharp minor: Andante 03:13
  24. Fugue No. 12 in G sharp minor: Allegro 03:28

CD 2

  1. Prelude No. 13 in F sharp major: Moderato con moto 01:56
  2. Fugue No. 13 in F sharp major: Adagio 04:55
  3. Prelude No. 14 in E flat minor: Adagio 03:33
  4. Fugue No. 14 in E flat minor: Allegro non troppo 02:17
  5. Prelude No. 15 in D flat major: Moderato non troppo 03:03
  6. Fugue No. 15 in D flat major: Allegretto 01:54
  7. Prelude No. 16 in B flat minor: Allegro molto 02:37
  8. Fugue No. 16 in B flat major: Andante 06:46
  9. Prelude No. 17 in A flat major: Allegretto 01:57
  10. Fugue No. 17 in A flat major: Allegretto 03:51
  11. Prelude No. 18 in F minor: Moderato 02:21
  12. Fugue No. 18 in F minor: Moderato con moto 02:54
  13. Prelude No. 19 in E flat major: Allegretto 02:13
  14. Fugue No. 19 in E flat major: Moderato con moto 02:34
  15. Prelude No. 20 in C minor: Adagio 03:47
  16. Fugue No. 20 in C minor: Moderato 05:08
  17. Prelude No. 21 in B flat major: Allegro 01:16
  18. Fugue No. 21 in B flat major: Allegro non troppo 02:59
  19. Prelude No. 22 in G minor: Moderato non troppo 02:08
  20. Fugue No. 22 in G minor: Moderato 03:15
  21. Prelude No. 23 in F major: Adagio 02:52
  22. Fugue No. 23 in F major: Moderato con moto 03:14
  23. Prelude No. 24 in D minor: Andante 03:44
  24. Fugue No. 24 in D minor: Moderato 07:23

Total Playing Time: 02:23:19

BAIXE AQUI (Download)

PQP, 28.05.2007. Revalidado por Ranulfus, 2015

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