Carl Phillip Emanuel Bach (1714-1788) – CPE Bach Project 2 – Ophélie Gaillard – Pulcinella Orchestra

Por muitos anos, os filhos compositores de Johann Sebastian Bach eram vistos apenas como epígonos pálidos e distantes de suas pai, sem genialidade — uma visão sem sentido que pode somente ser explicado pelo conhecimento inadequado de suas obras.

Hoje, com melhor acesso às suas composições, podemos ter um melhor entendimento de seu verdadeiro valor, principalmente de seus dois filhos mais velhos, Wilhelm Friedemann e Carl Philipp Emanuel. É claro que a única opção deles era escapar da sombra gigantesca lançada sobre eles devido a grandeza de seu pai. Johann Nikolaus Forkel, o primeiro biógrafo de Johann Sebastian, que os conhecia pessoalmente, escreveu em 1802:

‘Tanto ele [C. P. E. Bach] e seu irmão mais velho admitiram que eles foram levados a adotar um estilo próprio pois desejam evitar a comparação com o pai incomparável”. Carl Philipp Emanuel Bach, que era um admirador forte da genialidade de seu pai e um ardente propagandista de sua obras, abriu um novo caminho para si mesmo nessa nova era de sensibilidade vibrante. Altamente admirado em seu próprio século por Haydn, Gluck e Mozart, ele se destaca hoje como um brilhante e compositor altamente original.”

O texto acima foi livremente traduzido por mim, com ajuda do Google Translator, porém é bem maior. Pode ser lido em sua íntegra no booklet que segue em anexo.

Sinfonia No. 3 in C major, Wq. 182/3 (H. 659)
1. Allegro assai
2. Adagio
3. Allegretto

Cello Concerto No. 2 in B-flat major, Wq. 171 (H. 436)
4. Allegro
5. Adagio
6. Allegro assai

Sinfonia in E minor, Wq. 178 (H. 653)
7. Allegro assai
8. Andante moderato
9. Allegro

Piccolo Cello Sonata in D major, Wq. 137 (H. 559)
10. Adagio, ma non tanto
11. Allegro di molto
12. Arioso

Harpsichord Concerto in D minor, Wq. 17 (H. 420)
13. Allegro
14. Un poco adagio
15. Allegro

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FDP

Bedřich Smetana (1824-1884): Minha Pátria (Má Vlast) – Harnoncourt

Bedřich Smetana (1824-1884): Minha Pátria (Má Vlast) – Harnoncourt

Minha Pátria é um conjunto de seis poemas sinfônicos escritos por Bedřich Smetana. De inspiração nacionalista, este poema tem por objetivo retratar cenas da região da Boêmia, de onde o compositor era oriundo.

Smetana passou a vida defendendo a libertação de sua querida pátria das mãos do poderoso Império Austro-Húngaro.  Também é conhecido como o pai da música tcheca.  Talvez ele tenha sido o primeiro compositor a se utilizar dos elementos do folclore e da música popular de seu país. Foi um grande amigo e maior influenciador de Antonín Dvořák, que é o compositor tcheco mais conhecido.

Nikolaus Harnoncourt dispensa apresentações. Com uma carreira internacional reconhecida já há mais de 50 anos, tornou-se um dos grandes regentes do século XX e deste início do século XXI. Suas gravações são sempre reconhecidas como de excepcional qualidade. E nesta sua leitura de Smetana não é diferente.

Convenhamos que com uma orquestra do nível da Filarmônica de Viena as coisas até se tornem um pouco mais fáceis, mas claro que ele impõe sua marca, utilizando um tempo mais cadenciado. Alguns comentaristas se enfureceram com isso. Não vou perder tempo com estas considerações, deixo para os senhores tirarem suas próprias conclusões depois de lerem o excelente booklet assinado pelo próprio Harnoncourt.

(PQP achou o disco sensacional).

Bedřich Smetana (1824-1884): Minha Pátria (Má Vlast) – Harnoncourt

1-1 Vyšehrad 15:55
1-2 Vltava 12:54
1-3 Šárka 10:41
2-1 Z Českých Luhů A Hájů 13:52
2-2 Tábor 14:25
2-3 Blaník 15:28

Wiener Philharmoniker
Nikolaus Harnoncourt – Director

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FDPBach (com PQP)

Sergei Vasilievich Rachmaninoff (1873-1943): Destination Rachmaninov Arrival – Pianos Concertos nº 1 e 3, The Bells, Vocalise

Daniil Trifonov desembarca em grande estilo de sua aventura rachmaninoviana tocando o Primeiro e o Terceiro Concertos para Piano. Trifonov ainda é jovem, e acredito que vai voltar a estes concertos em alguns anos, mais experiente e maduro. Técnica ele tem sobrando. Falta talvez um pouco de maturidade e experiência, que os senhores vão encontrar sobrando com o Horowitz / Ormandy e com outra gravação histórica que o René Denon irá postar logo, logo, com Sviatoslav Richter.

Não poderia afirmar que estas gravações de Daniil Trifonov são as minhas favoritas, mas, repito, ele tem a juventude a seu favor. Lembro de outras duas gravações sensacionais destes Concertos de Rachmaninov, com os solistas ainda jovens: Ashkenazy / Previn, lá dos anos 70, e a incrível gravação de Martha Argerich do Terceiro Concerto, com o Chailly. São com certeza duas gravações históricas para serem usadas como comparação. Então vamos ao que viemos?

Sergey Vasil’yevich Rachmaninov (1873 – 1943)
The Bells, Op. 35
Arr. Trifonov for Piano
1.1. Allegro ma non tanto (The Silver Sleigh Bells)

Daniil Trifonov – Piano

Piano Concerto No. 1 in F-Sharp Minor, Op. 1
2.1. Vivace
3.2. Andante
4.3. Allegro vivace

Daniil Trifonov
The Philadelphia Orchestra
Yannick Nézet-Séguin

5.Vocalise, Op. 34, No. 14 (Arr. Trifonov for Piano)

Daniil Trifonov

Piano Concerto No. 3 in D Minor, Op. 30
6.1. Allegro ma non tanto

7.2. Intermezzo (Adagio)
8.3. Finale (Alla breve)

Daniil Trifonov
The Philadelphia Orchestra
Yannick Nézet-Séguin

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Sergei Vasilievich Rachmaninoff (1873-1943): Destination Rachmaninov – Departure – Daniil Trifonov, The Philadelphia Orchestra Yannick Nézet-Séguin

Nascido em 1991, ou seja, meros 29 anos de idade, Daniil Trifonov vem se afirmando como um dos grandes pianistas do novo século. Vencedor de inúmeras competições, recebeu elogios de Martha Argerich, que o considerou um fenômeno, afirmando que é ‘tudo e mais ‘. e “o que suas mãos fazem é tecnicamente incrível.” Acho que Martinha sabe do que fala, não acham?

Aqui neste CD embarca no que ele chama de ‘Destino Rachmaninov’, projeto no qual ele gravou os quatro Concertos do compositor russo, além de outras obras. É acompanhado por outro jovem músico, que também vem se destacando nos últimos anos, o ótimo maestro  Yannick Nézet-Séguin, que dirige a tradicional Orquestra da Filadélfia.

Aí alguém pode me questionar, poxa, Rachmaninov novamente? Não creio que se trate apenas de postar novamente Rachaminov, mas sim de mostrar os novos talentos que surgem. E Daniil Trifonov não é apenas o futuro, ele já é o presente. Tenho certeza de que ainda iremos ouvir falar muito dele.

Sergey Vasil’yevich Rachmaninov (1873 – 1943)
Piano Concerto No. 2 in C Minor, Op. 18
1.1. Moderato
2.2. Adagio sostenuto
3.3. Allegro scherzando

Daniil Trifonov
The Philadelphia Orchestra
Yannick Nézet-Séguin

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
Partita for Violin Solo No. 3 in E Major, BWV 1006
Arr. Piano by Rachmaninov
4.1. Preludio3:48
5.3. Gavotte2:45
6.6. Gigue1:42

Daniil Trifonov

Sergey Vasil’yevich Rachmaninov (1873 – 1943)
Piano Concerto No. 4 in G Minor, Op. 40
7.1. Allegro vivace (Alla breve)
8.2. Largo
9.3. Allegro vivace

Daniil Trifonov
The Philadelphia Orchestra
Yannick Nézet-Séguin

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G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. VI – Olinto Pastore

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. VI – Olinto Pastore

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Após um hiato entre estas postagens handelianas, volto para postar mais um cd dessa coleção maravilhosa. Reconheço que desconhecia uma boa parte destas peças, e elas são realmente espetaculares. Além da qualidade da música, lindíssima, a interpretação também é excelente.

Não sei o por quê, mas sempre acabo me envolvendo com estas coleções, e dentre os outros membros do blog, minha internet deve ser a pior e mais lenta. É o preço por viver “afastado” da civilização, em um sítio, onde mal chega a linha telefônica. Afastado em termos, pois moro ao lado de uma Rodovia Federal que dá acesso à minha cidade, e os engarrafamentos são constantes nos horários de pico. Digamos que a tranquilidade venha apenas nos finais de semana.

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. VI – Olinto Pastore

Olinto, Pastore Arcade (Oh! Come Chiare E Belle), HWV 143
1 Sonata: (Allegro) 1:08
2 Aria: Oh! Come Chiare E Belle [R1] 3:17
3 Recitativo: Ma Quel Che Più D’ogn’altro [R1, RB]] 1:05
4 Aria: Chi Mi Chiama? [RB] 2:58
5 Recitativo: Dell’arcadi Foreste [R1, RB] 1:02
6 Aria: Più Non Spero [RB] 0:20
7 Recitativo: Per Te Non Più Rubella [R1, RB] 1:37
8 Aria: Caro Tebro [YAF] 3:46
9 Recitativo: Si, La Gloria Son Io [YAF] 0:44
10 Aria: Tornami A Vagheggiar [YAF] 2:29
11 Recitativo: Tebro, Tu Non Respondi? [R1] 0:32
12 Aria: Al Suon Che Destano [R1] 1:32
13 Recitativo: Di Stupor, Di Diletto [RB, YAF] 1:03
14 Aria: Io Torno A Sperare [RB] 2:44
15 Recitativo: Di Si Giuste Speranze [YAF] 0:41
16 Aria: Astro Clemente [YAF] 1:58
17 Recitativo: Tebro, Ti Dissi Il Vero [R1, RB] 1:06
18 Aria: Alle Voci Del Bronzo Guerriero [R1] 2:47
19 Coro: Viva, Viva! 0:27

Duello Amoroso (Amarilli Vezzosa), HWV 82
20 Sonata: (Allegro) 1:33
21 Menuetto 0:50
22 Recitativo: Amarilli Vezzosa [RB] 0:35
23 Aria: Pieto Sguardo [RB] 3:08
24 Recitativo: Dunque Tanto S’avanza [YAF] 4:24
25 Aria: Piacer Che Non Si Dona [YAF] 4:05
26 Recitativo: Si, Si, Crudel, Ti Accheta [RB, YAF] 0:40
27 Aria: Quel Nocchiero [YAF] 2:13
28 Recitativo: Amarilli, Amarilli [RB] 0:33
29 Aria: È Vanità D’un Cor [RB] 4:40
30 Or Su, Giacché Ostinato [YAF, RB] 1:47
31 Aria: Si, Si, Lasciame, Ingrate [YAF, RB] 2:00

Alpestre Monte, HWV 81
32 Accompagnato: Alpestre Monte [YAF] 0:49
33 Aria: Io So Ben [YAF] 5:01
34 Recitativo: Quindi Men Vengo A Voi [YAF] 1:05
35 Aria: Almen Dopo Il Fato Mio [YAF] 5:18

Cello – Caterina Dell’Agnello
Double Bass – Davide Nava
Ensemble – La Risonanza
Soprano Vocals – Roberta Invernizzi
Violin – Carlo Lazzaroni, Elena Telò, Leila Schayegh, Raffaello Negri, Rossella Borsoni, Silvia Colli

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Ainda há vida do banquete, Adriaen van Utrecht, 1644

FDPBach (revalidado por PQP)

Carl Phillip Emanuel Bach (1714-1788) – CPE Bach Project 1 – Ophélie Gaillard – Pulcinella Orchestra

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Quando fiz a postagem deste primeiro CD ainda não conhecia muito bem esta excepcional instrumentista, arranjadora, violoncelista, musicóloga, e sei lá quantos mais adjetivos poderia acrescentar. Recentemente Gaillard concluiu o que intitulou de CPE Bach Project, lançando o segundo CD. Mas antes de apresentá-lo, precisamos atualizar esta postagem, trazendo novo link e maiores informações sobre o projeto. E é a própria Ophelie Gaillard quem se encarrega disso:

“Depois de dedicar um primeiro álbum às sonatas para violoncelo de Antonio Vivaldi, em 2005, em seguida homenageando em 2009 ao mais brilhante dos violoncelistas, Luigi Boccherini, cruzamos, com meus cúmplices do conjunto Pulcinella, o universo das cantatas de Johann Sebastian Bach via violoncelo piccolo. Além de sua sexta suíte, o Kantor confiou nada menos que nove árias a esse instrumento ao longo de seus diferentes períodos criativos. E foi dentro deste curso de explorar o repertório concertante com violoncelo na última década, um compositor conseguiu nossa atenção e continuamente voltava sob nossos dedos: Carl Philipp Emanuel Bach.

Longe de ser um epígono pálido de seu pai, a quem ele tanto admirava, sendo um de seus defensores mais ardentes e também muito longe da estética galante de sua Berlim do seu colega flautista Quantz, realizada a esse respeito por Frederico II da Prússia, Carl Philipp Emanuel de fato revelou-se em toda a sua singularidade e literalmente reinventou todos os gêneros que ele tocou. Ele revolucionou o trio sonata tanto quanto o concerto ou sinfonia, derrubou formulários e códigos até modificar a posição do solista em relação à orquestra. Aqui o violoncelo não é mais um baixo contínuo ou mesmo parte do tecido orquestral, mas realmente incorpora a alteridade, posicionando-se radicalmente de frente para a orquestra e criando um diálogo que às vezes é violento, às vezes extremamente sensual. Anuncia assim as horas de glória do violoncelo nos repertórios clássico e romântico, de Haydn a Schumann. Mozart não se enganou quando ele falou sobre C.P.E: ‘é o pai, nós somos seus filhos’. Que reviravolta no destino desse “filho de …”!
Há nove anos, estamos em companhia deste gênio surpreendente. Isso é longo ainda, ao mesmo tempo, não há muito para fazer um balanço dessa revolução. Precisamos de mais tempo para elaborar o tecido orquestral, para trabalhar no arranjo do discurso, para domesticar as eruptivas nuances de sua linguagem muitas vezes desconcertante e sua dramaturgia e lirismo poderosamente eficazes. E tempo também para absorver os conselhos do próprio compositor, que recomenda total emoção e envolvimento sensível por parte do músico, ao contrário de seu amigo Diderot em seu “Paradoxe du comédien”. Assim, ele escreveu: “Você deve primeiro sentir a emoção que você despertará no ouvinte ”
P.S. Livre tradução deste que vos escreve, com uma pequena ajuda do Google Translator.

Mais um belo CD que mostra o talento desta excepcional voloncelista, Ophélie Gaillard. Já postei outros cds com algumas destas obras, com músicos igualmente excepcionais, e lhes garanto que a francesa está no mesmo nível. Oferece uma leitura mais crua, eu diria, e o excelente conjunto Pulcinella é um destaque à parte. Sugiro aos senhores que ouçam esse CD com fones de ouvido, para melhor poder apreciar os timbres dos instrumentos, principalmente do violoncelo solista.

O segundo CD desse projeto já está sendo providenciado.

01 – Concerto pour violoncelle en La Mineur, Wq 170-I. allegro assai
02 – Concerto pour violoncelle en La Mineur, Wq 170-II. andante
03 – Concerto pour violoncelle en La Mineur, Wq 170-III. allegro assai
04 – Sinfonia No. 5 en Si Mineur, Wq 182-I. allegretto
05 – Sinfonia No. 5 en Si Mineur, Wq 182-II. larghetto
06 – Sinfonia No. 5 en Si Mineur, Wq 182-III. presto
07 – Concerto pour violoncelle en La Majeur, Wq 172-I. allegro
08 – Concerto pour violoncelle en La Majeur, Wq 172-II. largo
09 – Concerto pour violoncelle en La Majeur, Wq 172-III. allegro assai

Ophélie Gaillard
Pulcinella Orchestra

10 – Sonate en Ut Mineur pour deux violons et basse ”Sanguineus & Melancholicus”, Wq 161-I. allegretto
11 – Sonate en Ut Mineur pour deux violons et basse ”Sanguineus & Melancholicus”, Wq 161-II. adagio
12 – Sonate en Ut Mineur pour deux violons et basse ”Sanguineus & Melancholicus”, Wq 161-III. allegro

Thibault Noally, violin – violon I
Nicolas Mazzoleni, violin – violon II
Ophélie Gaillard, cello – violoncelle
Francesco Corti, fortepiano – pianoforte

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The 20th-Century Piano Concerto, Vol.2 – Vários compositores e artistas

O segundo CD desta curiosa série traz ao menos dois registros memoráveis, a saber, o Segundo Concerto de Prokofiev com Alexander Toratze acompanhado pelo então jovem Valery Gergiev, e a histórica gravação do Segundo Concerto de Béla Bártok com Stephen Kovacevich.
Para muitos essa mistura pode soar estranha, afinal o CD termina com o Concerto para Piano de Schönberg, cmo ninguém mais ninguém menos que Alfred Brendel. O ultra romântico Terceiro Concerto de Rachmaninoff ao lado de Bártok e de Prokofiev… enfim, escolhas do produtor. Mas o que vale realmente é audição destas gravações.

Disc 1
Piano Concerto No. 2 In G minor, Op. 16
Composed By – Prokofiev*
Conductor – Valery Gergiev
Orchestra – Kirov Orchestra
Piano – Alexander Toradze
1.1 I. Andantino
1.2 II. Scherzo. Vivace
1.3 III. Intermezzo. Allegro Moderato
1.4 IV. Finale. Allegro Tempesto
Piano Concerto No.3 In D Minor, Op. 30
Composed By – Rachmaninoff*
Conductor – Edo de Waart
Orchestra – The San Francisco Symphony Orchestra
Piano – Zoltán Kocsis
1.5 I. Allegro Ma Non Tanto
1.6 Intermezzo (Adagio)
1.7 III. Finale (Alle Breve)
Disc 2
Piano Concerto In G major
Composed By – Ravel*
Conductor – Ivan Fischer
Orchestra – Budapest Festival Orchestra
Piano – Zoltán Kocsis
2.1 I. Allegramente
2.2 II. Adagio Assai
2.3 III. Presto
Piano Concerto No. 2, BB 75
Composed By – Bartók*
Conductor – Sir Colin Davis
Orchestra – BBC Symphony Orchestra
Piano – Stephen Kovacevich*
2.4 I. Allegro
2.5 II. Adagio – Presto – Adagio
2.6 III. Allegro Molto
Piano Concert, Op. 42
Composed By – Schoenberg*
Conductor – Rafael Kubelik
Orchestra – Bavarian Radio Symphony Orchestra*
Piano – Alfred Brendel
2.7 I. Andante
2.8 II. Molto Allegro (Bar 176)
2.9 III. Adagio (Bar 264)
2.10 IV. Giocoso (Moderato) (Bar 329)

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The 20th-Century Piano Concerto, Vol.1 – Vários compositores e artistas

A Coleção Philips DUO era uma espécie de Best of do selo Philips, e sempre tive um sonho de completá-la, pois foi graças a estas gravações que tive acesso a muita coisa boa. Felizmente, nos últimos anos acho que consegui alcançar meu objetivo de ter todos os volumes. E volto a repetir, tem muita coisa boa.

O Volume que ora vos trago (na verdade, serão dois volumes com dois cds cada) traz o que os produtores consideram os Melhores Concertos para Piano do Século XX, com toda a gama de artistas que tinham contratos com aquela gravadora. Alguns mais conhecidos, outros menos conhecidos, enfim, é uma boa oportunidade para conhecermos um pouco a produção do Século XX. Para quem gosta de gravações antigas, principalmente realizadas entre os anos 50, 60 e 70, é um prato cheio.

Neste primeiro volume teremos desde Prokofiev até De Falla, passando, é claro, por Bártok, Stravinsky, Gershwin e Ravel. Temos aqui intérpretes como Clara Haskill, Steven Kovacevich, Zóltan Kóscis, dentre outros. Gostei muito da escolha do repertório e dos músicos envolvidos. Para pincelar um panorama do piano no século XX creio que todos estão muito bem representados. Na sequência trarei o segundo volume. Vamos, no momento, nos degustar com o Bártok de Kovacevich, o Prokofiev de Byron Janis, e o magnífico De Falla de Clara Haskill. Só tem fera aqui.

CD 1

Piano Concerto No. 3 In C
Composed By – Prokofiev*
Conductor – Kiril Kondrashin
Orchestra – Moscow Philharmonic Orchestra
Piano – Byron Janis
1.1 1. Andante – Allegro
1.2 2. Tema Con Variazione
1.3 3. Allegro Ma Non Tropo
Nights In The Gardens Of Spain
Composed By – De Falla*
Conductor – Igor Markevitch
Orchestra – Orchestre Des Concerts Lamoureux
Piano – Clara Haskil
1.4 1. En El Generalife
1.5 2. Danza Lejana
1.6 3. En Los Jardines de la Sierra de Córdoba
Piano Concerto In F
Composed By – Gershwin*
Conductor – Howard Hanson
Orchestra – Eastman-Rochester Orchestra
Piano – Eugene List
1.7 1. Allegro
1.8 2. Adagio
1.9 3. Allegro Agitato

Piano Concerto No. 3
Composed By – Bartók*
Conductor – Sir Colin Davis
Orchestra – The London Symphony Orchestra
Piano – Stephen Kovacevich*
2.1 1. Allegretto
2.2 2. Adagio Religioso
2.3 3. Allegro Vivace
Concerto For Piano And Wind Instruments
Composed By – Stravinsky*
Conductor – Sir Colin Davis
Orchestra – BBC Symphony Orchestra
Piano – Stephen Kovacevich*
2.4 1. Largo – Allegro – Più Mosso – Maestoso
2.5 2. Largo
2.6 3. Allegro
Rhapsody In Blue
Composed By – Gershwin*
Conductor – Howard Hanson
Orchestra – Eastman-Rochester Orchestra
Piano – Eugene List
2.7 Rhapsody In Blue
Piano Concerto In D For The Left Hand
Composed By – Ravel*
Conductor – Ivan Fischer
Orchestra – Budapest Festival Orchestra
Piano – Zoltán Kocsis
2.8 1. Lento
2.9 2. Allegro
2.10 3. Tempo I

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Anton Bruckner – Sinfonias 7, 8 e 9 – Eugen Jochum, Staatskapelle Dresden

Agora o bicho pega. Só tem peso pesado nesta conclusão de mais uma integral, desta vez, das Sinfonias de Bruckner, este compositor tão único dentro do universo de grandes compositores contemporâneos seus, como Brahms, Schumann, Wagner, Tchaikovsky, entre tantos outros. Mais do que nunca, nestas últimas três sinfonias é mais que nítida a influência da música de Wagner, a quem reverenciava.

Eugen Jochum como sempre reina soberano neste repertório, e a Staatskapelle Dresden sob seu comando dispensa comentários.

01. Symphony No.7 in E Major, WAB 107, 1. Allegro moderato
02. Symphony No.7 in E Major, WAB 107, 2. Adagio (Sehr feierlich und sehr langsam)
03. Symphony No.7 in E Major, WAB 107, 3. Scherzo (Sehr schnell)
04. Symphony No.7 in E Major, WAB 107, 4. Finale (Bewegt, doch nicht schnell)

01. Symphony No.8 in C Minor, WAB 108, 1. Allegro moderato
02. Symphony No.8 in C Minor, WAB 108, 2. Scherzo (Allegro moderato) –
03. Symphony No.8 in C Minor, WAB 108, 3. Adagio (Feierlich langsam)
04. Symphony No.8 in C Minor, WAB 108, 4. Finale (Feierlich)

01. Symphony No. 9 In D Minor, WAB 109, 1. Feierlich. Misterioso
02. Symphony No. 9 In D Minor, WAB 109, 2. Scherzo (Bewegt lebhaft) –
03. Symphony No. 9 In D Minor, WAB 109, 3. Adagio (Langsam, feierlich)

Staatskapelle Dresden
Eugen Jochum – Conductor

 

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Anton Bruckner – Sinfonias 4, 5 e 6 – Eugen Jochum, Staatskapelle Dresden

Continuando a integral, hoje estou trazendo três obras primas absolutas de Bruckner (não que as outras não sejam, principalmente as últimas), o cara que criou um mundo sonoro próprio em pleno Romantismo. Hoje temos a mais ‘acessível’ das sinfonias, a Quarta Sinfonia, um petardo sonoro, que nos deixa atordoados em um primeiro momento, mas com o tempo nos envolve até nos deixar totalmente saciados. Comentei em postagem anterior que para melhor entendermos este universo sonoro são necessárias muitas audições, para melhor absorvermos sua complexidade. E Jochum, melhor que ninguém, é maestro ideal para nos apresentar isso.

O maior bruckneriano do grupo, sim, ele mesmo, o próprio PQPBach, já nos deu diversas ‘aulas’ sobre o compositor e sua obra. Sugiro a leitura de seus antigos posts para uma melhor compreensão do homem-compositor.

01. Symphony No.4 in E flat major – ‘Romantic’, WAB 104, 1. Bewegt, Nicht Zu Schnell
02. Symphony No.4 in E flat major – ‘Romantic’, WAB 104, 2. Andante Quasi Allegretto
03. Symphony No.4 in E flat major – ‘Romantic’, WAB 104, 3. Scherzo: Bewegt – Trio: Nicht Zu Schnell
04. Symphony No.4 in E flat major – ‘Romantic’, WAB 104, 4. Finale: Bewegt, Doch Nicht Zu Schnell

01. Symphony No.5 in B Flat Major, WAB 105, 1. Introduction (Adagio) –
02. Symphony No.5 in B Flat Major, WAB 105, 2. Adagio (Sehr langsam)
03. Symphony No.5 in B Flat Major, WAB 105, 3. Scherzo: Molto Vivace – Schnell
04. Symphony No.5 in B Flat Major, WAB 105, 4. Finale: Allegro Moderato

01. Symphony No. 6 in A Major, WAB 106, 1. Maestoso
02. Symphony No. 6 in A Major, WAB 106, 2. Adagio. Sehr feierlich
03. Symphony No. 6 in A Major, WAB 106, 3. Scherzo: Nicht Schnell – Trio: Langsam
04. Symphony No. 6 in A Major, WAB 106, 4. Finale: Bewegt, Doch Nicht Zu Schnell

Staatskapelle Dresden
Eugen Jochum – Conductor

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Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonias 1, 2 e 3 – Eugen Jochum, Staatskapelle Dresden

Eugen Jochum já estava com seus setenta e muitos anos quando gravou novamente a integral das Sinfonias de Bruckner, desta vez com a magnífica Staatskapelle Dresden. E é esta integral que vou trazer para senhores, de três em três, para serem melhor degustadas. Sim, porque Bruckner não é um compositor que se deva ouvir sem se prestar a devida atenção. É muita informação que recebemos em cada compasso, gosto da expressão que diz suas sinfonias parecem Catedrais Musicais, tamanha sua portentosidade e magnificência. Exageros a parte, a música de Brucker é realmente difícil de ser assimilada em um primeiro momento. São necessárias várias audições de cada uma delas para se entender um pouco de sua complexidade.

Neste primeiro momento vou trazer as três primeiras, Jochum não gravou a Sinfonia nº 0. Ao menos nesta integral. para os senhores terem ideia da importância deste registro, basta dizer que a Warner Classics, que detém os direitos da EMI, lançou novamente esta integral no mercado, pela enésima vez, creio.

Tenho certeza de que os senhores irão degustar com muito prazer essa papa finíssima…

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonias 1, 2 e 3 – Eugen Jochum, Staatskapelle Dresden

01. Symphony No.1 In C Minor, WAB 101, 1. Allegro molto mode
02. Symphony No.1 In C Minor, WAB 101, 2. Adagio
03. Symphony No.1 In C Minor, WAB 101, 3. Scherzo. Lebhaft
04. Symphony No.1 In C Minor, WAB 101, 4. Finale. Bewegt und

01. Symphony No.2 in C Minor, WAB 102, 1. Moderato
02. Symphony No.2 in C Minor, WAB 102, 2. Andante
03. Symphony No.2 in C Minor, WAB 102, 3. Scherzo. Maessig schnell
04. Symphony No.2 in C Minor, WAB 102, 4. Finale. Mehr schnell

01. Symphony No.3 in D Minor, WAB 103, 1. Mehr langsam, Misterioso
02. Symphony No.3 in D Minor, WAB 103, 2. Adagio, bewegt, quasi Andante
03. Symphony No.3 in D Minor, WAB 103, 3. Ziemlich schnell
04. Symphony No.3 in D Minor, WAB 103, 4. Allegro

Staatskapelle Dresden
Eugen Jochum – Conductor

 

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FDP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Violin Concerto, Romances, The Creatures of Prometheus – Lorenzo Gatto, Orchestre de Chambre Pelléas, Benjamin Levy

Vamos deixar os dinossauros descansarem um pouco e vamos ouvir algo bem mais recente, 2014, para ser mais exato. Foi quando o violinista Lorenzo Gatto uniu-se ao maestro Benjamin Levy e à Orchestre de Chambre Pelléas para gravarem o monumental Concerto para Violino de Beethoven, uma das maiores criações de Ludwig, e provavelmente o maior dos Concertos já compostos parar este instrumento.

Alguns mais acostumados com a obra podem estranhar um pouco a sonoridade da Orquestra, afinal se trata de uma Orquestra pequena, ao contrário de uma Sinfônica ou uma Filarmônica com trocentos músicos. Mas creio que esse pequeno número de músicos torna tudo mais intimista, e Lorenzo Gatto pode melhor explorar todo o lirismo da obra. Prestem atenção nos momentos mais lentos do primeiro movimento para melhor entenderem do que estou falando. Gatto é um grande músico, sem dúvida. O texto abaixo foi retirado do site do próprio violinista:

As Lorenzo says, in an interview by Frederike Berntsen: ‘Beethoven’s freedom, his revolutionary sense of liberty, appeals to me greatly. The structure in his music is very strong, the rhythm powerful. At the same time, there is an idealistic, romantic undertone.’
Conductor Benjamin Levy: ‘We share a strong common ground; to avoid an overly romantic interpretation, we studied the historical practice of playing whilst using modern instruments. Our interpretation is a mix of old and new. We feel that our chamber music like approach makes this music stronger compared to a big orchestra.’
Lorenzo: ‘We do try to convey Beethoven’s message, but not by studying tempo and dynamics with rigor. If his message is one of revolution and ideals, intertwined with life’s tragedies, than why should we think small?’”

Uma grande gravação, com certeza. Lorenzo Gatto ainda é jovem, meros 34 anos de idade, e com certeza irá retornar a este concerto dentro de alguns anos, talvez com uma nova abordagem, um novo entendimento. Quem viver, verá.

01. Die Geschöpfe des Prometheus (The Creatures of Prometheus), ballet, Op. 43 O
02. Violin Concerto in D major, Op. 61 1. Allegro ma non troppo
03. Violin Concerto in D major, Op. 61 2. Larghetto
04. Violin Concerto in D major, Op. 61 3. Rondo Allegro
05. Romance for violin & orchestra No. 1 in G major, Op. 40
06. Romance for violin & orchestra No. 2 in F major, Op. 50

Lorenzo Gatto – Violin
Orchestre de Chambre Pelléas
Benjamin Levy – Conductor

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Sonatas nº 14, 26, 24 e 23 – Robert Casadesus

Ainda fuçando no baú, encontrei esta pérola, esta jóia, gravada lá em 1953, quando este que vos escreve ainda nem era projeto de gente.

Outro grande beethoveniano, e quiçá o maior intérprete de Mozart do século XX, Robert Casadesus (1899-1972) – realiza aqui uma das mais belas gravações da Sonata ao Luar que já ouvi em minha vida. E olha que já ouvi muita gente tocando isso. Já era um experiente músico na época destas gravações, mas sempre é um prazer imenso podermos ouvir todo o talento deste grande músico, nascido francês, que cruzou o Século mostrando a sua arte ao redor do mundo. Os senhores poderão encontrar muita informação sobre Casadesus no sinte http://www.robertcasadesus.com/index.php?req_lang=en. 

Importante salientar que essas gravações ainda foram realizadasm em Mono.

01.Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 – ”Moonlight” I. Adagio sostenuto
02. Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 – ”Moonlight” II. Allegretto
03. Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 – ”Moonlight” III. Presto Agitato
04. Sonata No.26 in E flat, Op.81 – ”Les Adieux” I. Adagio – Allegro (Les Adieux)
05. Sonata No.26 in E flat, Op.81 – ”Les Adieux” II. Andante espressivo (L’absence)
06. Sonata No.26 in E flat, Op.81 – ”Les Adieux” III. Viviacissimamente (Le Retour)
07. Sonata No.24 in F sharp, Op.78 – ”А Therese” I. Adagio cantabile
08. Sonata No.24 in F sharp, Op.78 – ”А Therese” II. Allegro vivace
09. Sonata No.23 in F minor, Op.57 – ”Appassionata” I. Allegro assai
10. Sonata No.23 in F minor, Op.57 – ”Appassionata” II. Andante con moto-attacca
11. Sonata No.23 in F minor, Op.57 – ”Appassionata” III. Allegro, ma non troppo-Presto

Robert Casadesus – Piano

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Concertos – Emil Gilels, Kiril Kondrashin, etc.

Dentro da série ‘Quando os Dinossauros andavam sobre a Terra’ trago para os senhores um dos maiores pianistas do século XX, e um dos principais intérpretes de Beethoven, Emil Gilels, interpretando os Concertos para Piano de gênio de Bonn, isso lá nos idos de 1947, no pós guerra, e no início da Guerra Fria. Gilels, Kondrashin e Sanderling realizaram outros registros destes mesmos concertos, mas esse aqui creio que é bem especial. Gilels, especialmente, tem um outro ciclo gravado com Geoge Szell, que pretendo trazer em outra ocasião, assim como a bela gravação de Sanderling com Mitsuko Uchida, bem mais recente, é claro. São todos registros históricos, e já que estamos em pleno Ano Beethoven, vamos aproveitar para mostrar para os senhores estes registros mais antigos.
Lembro que a gravação ainda foi realizada em Mono.

01-Concerto_No_1_I_Allegro_con_brio
02-Concerto_No_1_II_Largo
03-Concerto_No_1_III_Rondo-Allegro_scerzando
04-Concerto_No_2_I_Allegro_con_brio
05-Concerto_No_2_II_Adagio
06-Concerto_No_2_III_Rondo-Molto_allegro

Leningrad State Philharmonic Symphony Orchestra
Kurt Sanderling

07-Concerto_No_3_I_Allegro_con_brio
08-Concerto_No_3_II_Largo
09-Concerto_No_3_III_Rondo

Grand Symphony Orchestra
Kirill Kondrashin – Conductor

10-Concerto_No_4_I_Allegro_moderato
11-Concerto_No_4_II_Andante_con_moto
12-Concerto_No_4_III_Rondo-Vivace
13-Concerto_No_5_I_Allegro
14-Concerto_No_5_II_Adagio_un_poco_mosso
15-Concerto_No_5_III_Rondo-Allegro

Leningrad State Philharmonic Symphony Orchestra
Kurt Sanderling

Emil Gilels – Piano

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Georg Philipp Telemann (1681-1767) – Overture & Concerti – Holland Baroque Society, Alexis Kossenko

O excepcional conjunto Holland Baroque Society junta forças com o flautista Alexis Kossenko e nos traz um dos melhores registros da música de Telemann que já tive a oportunidade de ouvir.
Dentro da tradição de outras orquestras, este Conjunto não tem um regente fixo, apenas convidados, em sua maioria instrumentistas que atuam também como diretores musicais. No caso deste CD específico, o excelente flautista Kossenko, que já apareceu por aqui em outras ocasiões, nos brinda com muito talento, competência e uma técnica apuradissima.Achei curiosa a maneira que eles nos são apresentados no booklet do CD:

“Holland Baroque Society follows three principles.First,the ensemble plays without a conductor and appoints a new artistic leader for each project.After all,this was common practice during the Baroque era too.It helps sharpen the hearing and intensifies musical perception.The second principle is that each programme idea is based on a fascination with any kind of phenomenon.What did a castrato sound like? What is the link between Telemann and the Balkans? And thirdly:in each quest,Holland Baroque Society is guided by a specialist – a temporary artistic leader who introduces exciting visions and almost forgotten practices,or who is simply an extraordinary performer.”

O nome de Telemann sempre nos remete a outro flautista excepcional, e também maestro, o holandês Frans Brüggen, um dos principais nomes do instrumento do século XX,  que revolucionou a maneira de se tocar música barroca, e que também como flautista, foi um dos principais intérpretes e divulgadores do compositor.

01. Ouverture in E Minor, TWV 55 I. Untitled
02. Ouverture in E Minor, TWV 55 II. Les Cyclopes
03. Ouverture in E Minor, TWV 55 III. Menuet & Trio
04. Ouverture in E Minor, TWV 55 IV. Galimatias en rondeau
05. Ouverture in E Minor, TWV 55 V. Hornpipe
06. Concerto in D Major for 2 Traversos, Violin and Cello, TWV 53 I. Vivace
07. Concerto in D Major for 2 Traversos, Violin and Cello, TWV 53 II. Siciliana
08. Concerto in D Major for 2 Traversos, Violin and Cello, TWV 53 III. Allegro
09. Concerto in D Major for 2 Traversos, Violin and Cello, TWV 53 IV. Gavotte
10. Concerto in F Major for Recorder and Bassoon, TWV 52 I. Largo
11. Concerto in F Major for Recorder and Bassoon, TWV 52 II. Allegro
12. Concerto in F Major for Recorder and Bassoon, TWV 52 III. Grave
13. Concerto in F Major for Recorder and Bassoon, TWV 52 IV. Allegro
14. Concerto in B-Flat Major for 2 Traversos, Oboe and Violin, TWV 53 I. Largo
15. Concerto in B-Flat Major for 2 Traversos, Oboe and Violin, TWV 53 II. Allegro
16. Concerto in B-Flat Major for 2 Traversos, Oboe and Violin, TWV 53 III. Dolce
17. Concerto in B-Flat Major for 2 Traversos, Oboe and Violin, TWV 53 IV. Allegro
18. Concerto in G Major for 2 Traversos and Bassoon, TWV 54 I. Untitled
19. Concerto in G Major for 2 Traversos and Bassoon, TWV 54 II. Allegro
20. Concerto in G Major for 2 Traversos and Bassoon, TWV 54 III. Largo
21. Concerto in G Major for 2 Traversos and Bassoon, TWV 54 IV. Presto

Holland Baroque Society
Alexis Kossenko traverso,recorder,musical leader

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Georges Bizet (1838-1875) – Carmen

Mais uma parceria da dupla FDPBach / Ammiratore.

Sevilha, Espanha início do séc XIX. Carmen é uma cigana que trabalha numa fábrica de cigarros. Sua beleza quente seduz os homens chegando a causar obsessão amorosa no soldado Don José e que, por esse amor, perde a farda e torna-se o amante. Por este amor obsessivo o ex-soldado chega a fazer parte de um bando de contrabandistas, amigos da sedutora cigana. Pela liberdade da vida, Carmen acaba deixando o pobre amante, incapaz de compreender a personalidade livre da cigana, para ficar com um famoso toureador. Don José obcecado e enfeitiçado então é tomado por um acesso de ira e ciúme levando a relação às vias de fato.

Hoje, dia 8 de março, compartilhamos com os amigos do blog a gigantesca ópera “Carmen” de Georges Bizet (1838-1875), considerada como a primeira ópera feminista da história e que foi recontada um sem-número de vezes em filmes e livros.

Prosper Mérimée

Esta ópera assinala um marco na história da música lírica, pois se tornou uma das obras mais executadas, encenadas e faladas no mundo, além da personagem central transformar-se em mito de alcance universal. Baseada na novela homônima de Prosper Mérimée (1803-1870), ela foi composta entre 1873 e 1874, representa uma série de situações envolvendo raça, classe e gênero que eram os assuntos palpitantes da França do século XIX, simplificada em ópera o tema principal é o amor que desperta a ação criminosa em Don José, homem ciumento que, sendo rejeitado pela mulher que ama, confere-lhe a morte como destino inexorável.

Carmen é um personagem absolutamente inédito no universo operístico, e vai influenciar muito todo o teatro lírico. Nada tem em comum com a heroína tradicional, pura, sofredora, um joguete nas mãos dos homens e do destino. É amoral, complexa, combina em si traços tanto de heroína quanto de vilã, mas de uma forma que a coloca acima dos julgamentos da moral corrente. Carmen faz parte daquela galeria de personagens que não se sentem culpadas por terem um comportamento que os padrões morais vigentes consideram “irregular”. Sim e isso era demais para o público de 1875… A cigana é uma fascinante mistura de sensualidade, alegria de viver, destemor, fatalismo, mas também de uma grande capacidade de ternura. Alguns autores consideram “Carmen” como a primeira ópera feminista da história por seu caráter transgressor em um mundo governado por homens. Não é à toa, assim, que a obra foi alvo de severas críticas em sua estreia.

Ao morrer em 2 de junho de 1875, no auge dos seus 36 anos, poucos meses após a estreia, o compositor francês Bizet não teria sobrevivido o bastante para saber que sua ópera “Carmen” tornar-se-ia uma das mais queridas obras musicais jamais escritas e a mais amada de todo o repertório francês. Bizet tinha a certeza de estar fazendo algo inteiramente novo: “Os críticos afirmam que sou obscuro, complicado e tedioso, mais preocupado com a habilidade técnica do que iluminado pela inspiração. Pois bem, desta vez escrevi uma obra que é toda feita de clareza e vivacidade, que está cheia de cor e melodia”, afirmou ele. Essa confiança em sua criação, porém, não impediu “Carmen” de ser um fracasso ao estrear, em 3 de março de 1875, no Théâtre de l’Opéra Comique, em Paris. Boa parte da crítica da época definiu a composição como sendo uma “música francesa querendo se passar por espanhola”. Bizet ficou fortemente abatido e abalado com as negativas (especula-se que talvez foi até a razão para seu enfarte meses depois). Houve, porém, apoio: “Bizet quer pintar homens e mulheres de verdade, alucinados, atormentados pelas paixões, pela loucura. Assim, a orquestra conta suas angústias, seus ciúmes, suas cóleras e a insensatez geral”, foi a avaliação publicada no Le National, de Paris à época da estreia.

Grande parte do público se sentiu desconfortável, para não dizer escandalizado, com a modernidade de Carmen: uma mulher segura de si, confiante e que ama a liberdade acima de tudo, a ponto preferir a morte a ceder aos desejos de um homem. Umas das primeiras interpretações simplórias da crítica especializada da época era que essa personagem deveria ser apenas uma mulher sedutora, devoradora de homens, fatal, ou uma prostituta de baixo valor moral. No final do século XIX, críticos expressaram indignação com a sexualidade de Carmen, e somente a partir da década de 1970 (!), que a figura desta personagem é apresentada sob um ponto de vista menos estereotipado, justamente e dignamente feminista.

Carmen – Prosper Mérimée

Vou fazer um pequeno “aparte” e tentar mostrar as diferenças entre a Carmen da ópera e a Carmen do conto, Paris iria estremecer ao pensar que a ópera apresentasse a história do conto inalterada. As críticas e indignações pudicas a respeito da ópera de Bizet parecem um pouco exageradas, visto que a primeira encarnação de Carmen, como um conto de Prosper Mérimée, recebeu cordialmente as críticas literárias. A Carmen de Mérimée definitivamente não é uma garota legal. Ela tem uma sucessão desconcertante de amantes, a quem ela assume e descarta com total imparcialidade (um “Don Juan” do sexo feminino), no conto ela também é uma ladra que tem um marido, um canalha chamado Garcia, cujo retorno das galés, o levaria aos braços de Carmen e Don José para impedir o marido a voltar para sua mulher o mata em uma briga. O sedutor toureador da ópera, Escamillo, é um simples picador no conto, um jovem chamado Lucas, de quem Don José tem ciúmes. José agora é seu marido e convida Carmen para juntos fugirem para a América. Carmen recusa e já está cansada da ciumeira de Don José. Ela novamente se apaixona e a bola da vez é o jovem Lucas. Porém José insiste que poderiam mudar de vida na América levando uma vida honrada. A cigana mostra-se irredutível, sugere a José que este siga seu caminho sem ela. Indignado, já nada mais tendo a perder, José a convida para passear e a apunhala num lugar no meio das montanhas onde se escondiam, e lá mesmo a enterra, indo depois se entregar a polícia. Quando a história termina, ele está em sua cela, esperando para ser enforcado.

Henri Meilhac e Ludovic Halévy

Os Libretistas Henri Meilhac(1831-1897) e Ludovic Halévy (1834-1908) fizeram um trabalho maravilhosamente hábil de suavizar a fogosa e não tão legal Carmencita, ela é um pouco selvagem, mas não muito selvagem, ela é uma mulher extremamente humana e verdadeira. Além disso, ela não é uma ladra. O insignificante Lucas se torna o matador, Escamillo. Os libretistas ainda criaram a personagem Micaela (inexistente na narrativa de Mérimée), por meio da qual tentam substanciar o ambiente simples e sem complicações de José, antes de ele ser envolvido por Carmen. É a moça tímida do interior, recatada e fiel, através de quem se torna palpável o mundo incorruptível de José. Em uma leitura apressada, Micaela e Carmen organizavam a feminilidade em torno de dois polos opostos: um normal, ordenado e tranquilizador, o outro desviante e perturbador da ordem moral e dos costumes patriarcais. Todas as figuras criadas e adaptadas pelos libretistas são figuras necessárias neste alucinante mostruário de tipos ibéricos, cuja atmosfera sonora foi criada por um francês que nenhum espanhol poderia superar. A propósito, afirma-se que Bizet recorreu a numerosos álbuns de música espanhola, enquanto concebia a ópera. É bem possível que tenha aproveitado trechos de canções anônimas originárias da Espanha para não fugir à ambientação melódica do seu trabalho.

Bizet

O grande talento de Bizet foi imaginar a música para cada elemento do enredo com igual seriedade: os personagens triviais, ornamentais, o trágico soldado proletário, os contrabandistas a cantar em estrita harmonia, o exibicionista fanfarrão, os papeis de apoio genéricos; ele dá minuciosa atenção a todos e a cada um deles. Como era usual por volta da década de 1870, toda ópera que tinha temas musicais recorrentes – em “Carmen” há alguns – era por esta razão foi rotulada como wagneriana. Mas em termos de formato não há nada de radical. É uma obra criada a partir de um tecido convencional, com árias bem-comportadas, duetos e conjuntos devidamente separados por trechos de diálogo falados (o que a classifica formalmente como “opéra comique”). A ópera está cheia de canções, danças, fanfarras militares, coros ao ar livre e desfiles. Bizet permitiu fazer experimentos com sons exóticos, e como a história se passa na Espanha, entre ciganos, muitos desses sons se referem a ritmos e modos espanhóis e mouros. Do ponto de vista da evolução musical, cada situação em “Carmen” é expressa com uma invenção melódica estupenda, que torna cada um de seus temas inesquecível; e com uma absoluta concisão e senso de timing. Carmen insere-se na moda do espanholismo, introduzida na França pela imperatriz Eugênia de Montijo, mulher de Napoleão III. De seu país ela trouxe ritmos de dança, tipos de roupa e costumes culinários que a corte se apressou em adotar.

O filósofo filosofando

O Bigodudo F. Nietzsche

Friedrich Nietzsche, um apaixonado discípulo de Wagner que se voltou contra seu ídolo depois da década de 1870, terminou sua vida louvando “Carmen”: “Ontem ouvi a obra-prima de Bizet, pela vigésima vez […]. Essa música me parece ser perfeita. A música é funesta, sutilmente fatalista: ao mesmo tempo ela continua popular – sua sutileza pertence à raça, não ao indivíduo. É rica. É precisa. Alguma vez ouviram num palco acentos mais dolorosos, mais trágicos?” Seu primeiro contato com esta ópera foi em Nice, em 1887. Escrevendo a um amigo, o filosofo conta que havia tomado o segundo conhaque do ano quando começou a música de Carmen: a partir desse momento ele submergiu durante meia hora em lágrimas e palpitações. “ “Carmen” é a melhor ópera que existe, a ópera das óperas, em três meses alcançou vinte representações com público máximo, a parte se apodera do todo, a frase da melodia, o momento de percorrer do tempo (também do tempo), o pathos se apropria do ethos (do caráter, do estilo, ou como se queira chamar –), em conclusão também a habilidade (espírito) se apodera do sentido…. Finalmente o amor, o amor retraduzido em natureza! Não o amor de uma “virgem sublime”! Nenhum sentimentalismo de Senta! Mas o amor como fado, como fatalidade, cínico, inocente, cruel – e precisamente nisso, natureza! O amor que em seus meios é a guerra, e no fundo o ódio mortal do desprezo! – Não sei de caso em que a ironia trágica que constitui a essência do amor seja expressa de maneira tão rigorosa, numa fórmula tão terrível, como no último grito de Don José, que conclui a obra. Sem dúvida “Carmen” é possessiva até a crueldade, nenhum homem soube responder a esse desafio que é simplesmente o desafio do amor, e por isso nenhum durou “mais de seis meses”. Mas no fundo de sua crueldade pulsa a justiça, ou melhor, desse fundo bélico brotará a justiça, como amor, somente no caso de ser correspondida da mesma maneira. Como não poderia ser diferente…”

Alexandre César Léopold Bizet (para os íntimos Georges Bizet): Carmen
Ilustrações de Sheilah Beckett

Ato 1
A ação se passa na luminosa e colorida Sevilha e arredores por volta de 1830. Ruas e praças fervilham de gente de todos os tipos, criando um ambiente de mercado oriental. É numa dessas praças que o cabo José e a cigana Carmen se conhecem. O cenário nos mostra uma praça, de um lado o quartel dos dragões do regimento de Almanza e do outro uma fábrica de cigarros, que emprega numerosas operárias.

A porta do quartel está o cabo Morales, e é dele que se aproxima uma linda camponesa, Micaela, que pergunta pelo cabo José. Ele pertence a outro pelotão, é a resposta; deverá chegar em breve para a rendição da guarda. Micaela pede para avisá-lo que voltará mais tarde, recusando timidamente o convite para esperar no quartel. Logo depois, ao som de fanfarras, realiza-se a cerimônia da rendição, e José é avisado da visita de Micaela.

Refrão dos garotos de rua– “Ao lado da guarda, nós chegamos, e aqui estamos! Vá embora, trompete ensurdecedor! Taratata, taratata! Nós marchamos com a cabeça erguida como pequenos soldados!”

Os novos guardas são comandados pelo tenente Zuniga, que, novo no regimento, pede a José informações sobre as mulheres que trabalham na fábrica de cigarros: o cabo, mais interessado em Micaela, pouco sabe sobre elas. Mas o tenente é logo satisfeito em sua curiosidade: a praça é invadida pelas operárias, de volta da interrupção do meio-dia; com seu ar malicioso, as moças atraem sobre si a atenção de todos os homens, que abrem alas para fazê-las passar. Entre elas destaca-se Carmen, cigana bela e provocadora, que traz uma flor no canto da boca. Estimulada pelos presentes, canta uma “habanera”, na qual resume seu conceito de vida: o amor é uma ave rebelde que ninguém pode prender; é inútil chamá-lo, se ele não deseja vir; tal como um cigano, não conhece lei.

Carmen– “Amor é um pássaro rebelde que ninguém pode aprisionar e é inútil chamá-lo se lhe convém recusar. Nada o move, nem ameaça nem fundamento, um homem fala livremente, o outro permanece mudo e é o outro que eu prefiro: Ele não diz nada, mas gosto dele. Amor! ….. O pássaro que você pensou ter pego desprevenido bate suas asas, voou – o amor está distante, e você pode esperar por ele: você não espera mais- e é isto. Em sua volta, rapidamente, rapidamente, ele vem, ele vai e ele retorna- Você pensa que pode segurá-lo, ele te ilude, você pensa que ele te ilude, ele segura você rápido. Amor!”

Apenas José não se mostra empolgado com os encantos da cigana. Ao notá-lo. Carmen dirige-se a ele e, com ar de desafio, joga-lhe a flor no rosto. Depois, reúne-se as colegas e vai para a fábrica.

A praça esvazia-se e José vê chegar Micaela. Rapidamente, esconde a flor sob a túnica e recebe a moça. A jovem é portadora de uma soma em dinheiro e de uma carta, enviadas pela mãe de José juntamente com um beijo, que lhe é dado, com ternura, por Micaela. O militar relembra, então, sua aldeia e sua gente com profunda saudade, ao mesmo tempo que percebe o efeito salvador da carta: por um pouco afastou de sua mente a imagem de Carmen que, com seu gesto, o perturbou profundamente. Micaela deixa-o, pretextando outro compromisso, e José lê a carta da mãe: pede-lhe que volte para casa, ao mesmo tempo que sugere seu casamento com Micaela. No íntimo, José promete obedecer à mãe.

Micaela– Sim, eu lhe direi: o que foi dado à mim eu darei a você. Sua mãe e eu estávamos saindo da capela quando ela me deu um beijo e me disse: ” Você irá a cidade. Não é longe, uma vez em Seville você irá procurar o meu filho e irá contar a ele que sua mãe pensa dia e noite sobre sua ausência, que ela chora e tem esperanças, que ela perdoa e espera. Tudo isto, pequena, você irá contar para mim, você não vai; e este beijo que estou te dando, você irá dá-lo para mim.”
José– Nunca tema, mãe o seu filho irá lhe obedecer e fazer como você mandou; eu amo Micaela e ela irá se tornar minha esposa. Para suas flores, bruxa imunda!

José está imerso nesses pensamentos, quando se ouve uma gritaria procedente da fábrica. Zuniga ordena a José que, com dois soldados, vá investigar o ocorrido. O cabo volta logo depois com Carmen, acusada de ter esfaqueado uma colega. Enquanto o oficial se senta para escrever a ordem de prisão contra a cigana, esta procura fascinar José. Sugere-lhe as delícias de uma tarde na taberna de Lillas Pastia (fora de Sevilha), onde promete encontrá-lo. Quando percebe ter dominado totalmente o cabo, pede-lhe para facilitar sua fuga.

Carmen– No muro de Sevilha, no meu amigo Lilas Pastia, eu estou indo dançar Seguidilla e beber manzanilla. Eu estou indo para meu amigo Lilas Pastia! Sim, mas sozinha fico entediada, e os prazeres reais são com dois. Então, para me manter com companhia, eu irei levar o meu amado! Meu amado……. Meu pobre coração, tão consolável- meu coração é tão livre quanto o ar. Eu tenho muitos noivos. Mas eles não são do meu gosto. Aqui estamos para o final de semana; quem quer me amar? Eu irei amá-lo. Quem quer o meu coração? Está aqui para quem quiser pegá-lo! Você veio no melhor momento! Dificilmente eu tenho tempo para esperar, para junto de meu novo amor… Pelos muros de Sevilha.
José– Pare! Eu falei para você não falar comigo!
Carmen– Eu não estou falando com você, eu estou cantando para mim mesma; e estou pensando…Não é proibido pensar! Eu estou pensando sobre um certo oficial que me ama e em meu retorno eu irei amá-lo de verdade!
José– Carmen!
Carmen– Meu oficial não é um capitão, nem mesmo um tenente, ele é somente um guarda; mas é o suficiente para uma garota cigana e eu irei me contentar com ele!

É o que acontece: de posse da ordem de prisão, José afasta-se do quartel com Carmen e a escolta de dois soldados; de repente, a cigana o empurra e ele simula um escorregão, permitindo-lhe a fuga.


Ato 2

Cêrca de um mês depois, Carmen e outras duas ciganas – Frasquita e Mercedes – estão na taberna de Lillas Pastia, acompanhando alguns oficiais, entre os quais Zuniga. Na hora de fechar, o tenente tenta convencer as ciganas a saírem com ele.

As mesmas recusam-se e a cena é interrompida pela chegada de Escamillo, o glorioso toureador que empolga a cidade. Todos se unem num brinde ao herói do momento. Agora, é a vez de Escamillo: ele tenta conquistar Carmen e, perante a recusa, afirma que esperará por uma oportunidade.

Escamilo– Eu posso voltar para sua tourada, senhor, para os soldados – Sim- os toureiros entendem um ao outro; lutar é o seu jogo! A arena está lotada, é feriado, a arena está cheia. Os espectadores, perdendo seus juízos, grite um com o outro com bastante força! Exclamações, choros e alvoroço levado pelo tom da fúria! Esta é a festa da coragem, esta é a festa do valente! Vamos lá! Em guarda! Ah! Toureiro, em guarda! E lembre, sim, lembre enquanto você luta, dois olhos negros estarão te olhando, que o amor espera por você!…….. De repente todos caem em silêncio; Ah- O que está acontecendo? Não tem mais grito, este é o momento! O touro vem batendo no touril! Ele prepara, aproxima e acerta! O cavalo cai, derrubando o picador! “Ah! bravo touro” grita a multidão; o touro dá a volta e retorna e acerta de novo! Balançado suas bandeirolas, louco de raiva, ele corre! A arena está coberta sangue! Homem salta claramente, pelando as barreiras. É sua vez agora! Vamos lá! Em guarda! Ah! Toureiro, em guarda!…… Uma palavra, bela mulher: Do que te chamam? Em meu pior perigo eu quero pronunciar seu nome.
Carmen– Carmen! Carmencita! Dá na mesma coisa.
Escamillo– Se alguém contasse a você que ele te ama?…
Carmen– Eu responderia que não preciso de amor.
Escamillo– Esta não é uma resposta amigável; eu irei me contentar com a espera e a esperança.
Carmen– Esperar é permitido, ter esperanças é doce.

Com a saída dos soldados e do toureador, chegam à taberna Dancaire e Remendado, chefes de um bando de contrabandistas. Eles planejam novo golpe, no qual as mulheres terão papel importante, distraindo os guardas da fronteira. Mas Carmen a todos surpreende, recusando- se a participar: é que soube da soltura de José – rebaixado a soldado e preso por tê-la deixado fugir – e tem certeza de que ele virá à ,taberna: está apaixonada.

Carmen- Meus amigos, eu ficaria muito feliz em ir com vocês esta noite; mas neste momento – não fiquem incomodados – o amor deve vir antes do dever.

De fato, José aparece e a cigana o recebe com alegria, dançando e cantando para ele. Após um desentendimento pelo fato de José interromper a dança de Carmen dizendo que deveria voltar ao quartel pois ouvira o toque de recolher, ele confessa seu amor e mostra-lhe a flor que ela lhe jogara no rosto no dia em que se conheceram.

Carmen– Delicadamente, senhor, delicadamente. Eu irei dançar pela sua honra, e você verá, meu senhor, como eu sou capaz de acompanhar minha dança! Sente ali, Don José. Eu estarei lhe vendo ! …….
José– Sim, você irá me ouvir! Eu insisto, Carmen! Você irá me escutar! A flor que você me jogou ficou comigo em minha cela cuidei e guardei, a flor sempre manteve um perfume doce e por horas eu com os meus olhos fechados, eu me embebedei com o seu cheiro e à noite eu usei-a para te ver! Eu te amaldiçoei, te detestando, perguntando para mim mesmo porque o destino teve que te jogar em meu caminho? Então me acusei de blasfêmia e senti comigo mesmo, eu senti somente um desejo, um desejo, uma esperança, ver você de novo, Carmen, de ver você de novo! Você tinha que aparecer, somente para jogar um olhar no meu caminho, para me possuir de todo o meu ser, O minha Carmen, e eu fui objeto! Carmen, eu amo você!

Mas ouve-se o toque de recolher novamente e José resiste ao apelo de Carmen para ignorá-lo: vai voltar ao quartel.

Carmen– Indo até as montanhas e me seguido você iria se me amasse! Lá você não seria dependente de ninguém; você não teria um oficial que teria que obedecer, e não toque de recolher ressoando para contar ao um amor que é hora de ir! O céu aberto, a vida pensando, o mundo todo que você domina, para a lei sua liberdade será, acima de tudo, uma coisa intoxicante; Liberdade! Liberdade!

Deixando Carmen e ao sair, defronta-se com Zuniga, que voltou a taberna disposto a conquistar Carmen pela força. Furioso, José agride o oficial, mas é impedido de matá-lo pela intervenção dos dois contrabandistas: Zuniga é aprisionado por estes e forçado a seguir o bando para evitar que os persiga. José, diante da situação, é forçado a unir-se a eles, para alegria de Carmen, que lhe elogia as belezas da nova vida de liberdade e independência. Num belíssimo conjunto que encerra o segundo ato!

Carmen– Ah! Isto não foi colocado galantemente, mas não importa, vá, irá levar isto até lá quando você ver o quão é bom é a vida errante; você domina o mundo todo, sua própria liberdade será sua lei, e sobre todas as coisas intoxicantes: Liberdade! Liberdade!
Todos– Viaje pelo país conosco, venha conosco até as montanhas, venha conosco e você vai levar para lá quando você vê, até lá, o quanto é bom a vida errante; todo o mundo é seu domínio, sua própria liberdade será sua lei! E sobre todas estas coisas intoxicantes: Liberdade! Liberdade!

Ato 3
O tempo passa e a volúvel Carmen já deseja trocar José por um novo amor. Cansou do entediante e ciumento José. É noite nas montanhas, onde se escondem os contrabandistas. Frasquita e Mercedes, zombeteiramente, procuram o futuro nas cartas. Carmen, supersticiosa, também tenta.

Carmen– “Ouros! Espadas! A mor- te! Eu vi. . . eu primeiro. . . ele depois. . . para ambos a morte!”

José está de guarda, magoado e cheio de ciúmes. Não percebe a aproximação de Micaela, ainda disposta a conquistar seu amor.

Micaela– Eu digo que nada me amedronta, eu digo, ai de mim, que eu tenho somente a mim para depender; mas eu tenho tentado em vão ser corajosa, em meu coração estou morrendo de medo! Sozinha neste lugar selvagem, totalmente sozinha, eu estou com medo, mas eu me engano em ter medo; você me dará coragem, você irá de proteger, Senhor. Eu irei dar uma olhada mais de perto nesta mulher que é uma cilada do mal terminou por fazer um criminoso do homem que eu amei uma vez: ela é perigosa, ele é bonita, mas eu não irei ter medo. Eu falarei na frente dela. Ah! Senhor, você irá me proteger! Ah! Eu digo que nada vai me amedrontar. …me proteja, ó Senhor! Proteja-me, Senhor!

Don José não percebe Micaela mas vislumbra uma sombra e atira contra ela: é Escamillo, o toureador, que se identifica e diz ter vindo a procura de Carmen, agora que sabe ter ela deixado o amante. José, furioso, desafia Escamillo a um duelo de faca: o encontro é interrompido pelos demais contrabandistas e por Carmen, que ameaça matar José se este não se afastar do toureador. Enquanto isso, Dancaire descobre Micaela e a conduz ao reduto: a moça implora a José que volte para ela e para a velha mãe, que está morrendo. Sua exortação é apoiada por todos os contrabandistas: eles também acham que o ex-soldado deve mudar de vida. José, aturdido pela iminência da morte da mãe, resolve partir; mas avisa Carmen, ameaçador, que voltará a vê-la.

Micaela- Eu vim procurando por você. Lá é a casa do campo, onde, rezando incessantemente, uma mãe, sua mãe, chora, ai, por seu filho. Ela chora e chama por você, ela chora e mantêm os braços abertos para você; você terá a cova dela, José. Ah José, você virá comigo!
Carmen– Vá! vá! Você faz bem em ir embora; nossos negócios não significam nada para você!
José– Você está dizendo para eu ir com ela?

Carmen– Sim, você deve ir!
José– Você está me dizendo para eu ir com ela para você correr em direção ao seu novo amor! Não! Não é provável! Pensei que isto custaria minha vida, não, Carmen, eu não irei embora, e o vínculo que nos une irá nos unir até a morte! Pensar que isto custará a minha vida!
Micaela– Me escute, eu lhe imploro, sua mãe está com os braços abertos para você, o vínculo que os une, José, você irá quebrá-lo!
Frasquita, Mercedes, Le Remendado, Le Dancaire e o Coro– Isto irá custar a sua vida, José, se você não for, o vínculo que une você irá ser quebrado pela sua morte.
José– Me deixe!
Micaela– Ai de mim, José!
José- Porque eu estou amaldiçoado!
Frasquita, Mercedes, Le Remendado, Le Dancaire e o Coro- José tome cuidado!
José– Ah! Eu tenho você, garota amaldiçoada, eu tenho você e eu irei obrigar você curvar-se ao destino que liga o seu destino com o meu! Pensar que isto custará a minha vida, não, não, não, eu não irei embora!
Coro– Ah! Tome cuidado, tome cuidado, Don José!
Micaela– Mais uma palavra, esta será a última. Ai de mim! José, sua mãe está morrendo e ela não quer morrer sem antes te perdoar.
José– Minha mãe! Ela está morrendo?
Micaela– Sim, Don José.
José– Vamos, ah, vamos! Fique satisfeita! Eu estou indo, mas nós nos encontraremos de novo!

Ato 4
É novamente Sevilha e, na praça dos touros, Escamillo prepara-se para uma nova vitória.

Coro– Aqui estão eles! Aqui está a quadrilha! A quadrilha dos toureiros! O sol reflete em suas lanças! No ar com suas capas e chapéus! Aqui estão eles! Aqui está a quadrilha, a quadrilha dos toureiros! Aqui, vindo até a praça, primeiro de tudo, marchando, são os policiais com suas faces feias! Sai fora! Sai fora! E agora que eles vão passando vamos torcer pelo herói, bravo! Hurrah! Glória a coragem! Agora vem o touro ! Olhe para os bandeireiros! Veja que fanfarrões! Olhe eles! Olhes eles! Que visão e quanto são brilhantes os ornamentos brilhantes em suas vestimentas de luta! Aqui estão os bandeireiros! Outra quadrilha está vindo! Olhe para os picadores! O quanto são bonitos! Quanto eles atormentam os touros com os flancos na ponta de suas lanças! O Matador! Escamillo! É o Matador, o habilidoso espadachim, ele que vem para terminar tudo e atinge o último golpe! Vida longa à Escamillo! Ah bravo! Aqui estão! Aqui está a quadrilha!

Carmen, embora avisada da presença de José, não se furta ao encontro com o ex-amante e procura convencê-lo da inutilidade de sua insistência: já não o ama e, mesmo que ele a queira matar, não deixará seu novo amor, Escamillo.

Carmen– É você!
José– Sim, sou eu!
Carmen– Eu fui avisada que você estava aqui, que você viria aqui; eu fui avisada para temer por minha vida, mas eu não sou covarde e eu tinha intenção de sair correndo.
José– Não estou ameaçando, estou implorando, suplicando; nosso passado, Carmen – Que esqueça isto! Sim, juntos nós vamos começar outra vida, longe daqui, embaixo de novos céus!
Carmen- Você pede o impossível, Carmen nunca mentiu: sua mente está feita. Entre ela e você está tudo acabado. Eu nunca menti; está tudo acabado entre nós.
José- Carmen, ainda está em tempo, sim, ainda há tempo. O minha Carmen, me deixe salvá-la, eu te adoro, e salvar a mim mesmo com você!
Carmen– Não, eu estou ciente de que a hora chegou, eu sei que você vai me matar; mas seja para morrer ou viver, não, não, eu não irei me entregar a você!
José– Carmen, ainda há tempo, o minha Carmen, deixe-me salvá-la, eu, quem te adora; Ah! Deixe-me salvá-la e salvar a mim mesmo com você! O minha Carmen, ainda há tempo.
Carmen- Por que ainda está preocupado com um coração que não é mais seu? Não, este coração não pertence mais a você! Em vão você diz “eu adoro você” você não terá nada, não, nada, de mim, Ah! Isto é inútil, você não terá nada, nada, de mim!
José– Então você não me ama mais? Então você não me ama mais?
Carmen– Não, eu não o amo mais.

Ao ouvir o clamor do público, anunciando o fim da tourada, Carmen faz menção de se afastar em direção a arena, para celebrar com o toureador a vitória. José impede-lhe a passagem, e Carmen, num desafio extremo, pede que a deixe passar, ou a mate. É o clímax: José, desesperado, afunda o punhal no peito de Carmen, que cai morta, enquanto se ouvem cantos ao longe exaltando Escamillo. Perante a multidão que sai da arena, José joga-se sobre o corpo da bela cigana, soluçando: “Carmen! Minha adorada Carmen!”

José– Mas eu, Carmen, eu amo você ainda; Carmen, ai de mim! Eu te adoro!
Carmen– O que há de bom nisto? Que desperdício de palavras!
José– Carmen, eu amo você, eu te adoro! Tudo bem, se eu devo, para agradar você, eu serei um bandido, qualquer coisa que você quiser- tudo, você me escutou? Tudo! Mas não me abandone, o minha Carmen, Ah! Lembre-se do passado! Nós nos amamos um dia! Ah! Não me deixe, Carmen, Ah não me deixe!
Carmen– Carmen eu nunca irei gritar! Livre ela nasceu, livre ela irá morrer!
Coro– Hurrah! hurrah! Uma grande luta! Hurrah! Através da areia ensangüentada, o touro prepara! Olhe! Olhe! Olhe! O touro atormentado vem delimitando o ataque, olhe! Golpeado verdadeiramente, diretamente no coração, olhe! Olhe! Olhe! Vitória!
José– Aonde você está indo?
Carmen– Me deixe sozinha!
José– Este homem que estão torcendo é o seu novo amor!
Carmen– Me deixe em paz! Me deixe em paz!
José– Pela minha alma, você não irá passar, Carmen, você virá comigo!
Carmen- Meu deixe ir embora, Don José, eu não vou com você!
José– Você está indo até ele. Me conte…você o ama?
Carmen- Eu o amo! Eu o amo e na própria face da morte eu continuarei dizendo que o amo!
Coro– Hurrah! Uma grande luta!
José– Então eu estou perdendo a salvação do meu coração para você sair correndo para ele criatura infame, para rir de mim em seus braços! Não, pelo meu sangue, você não irá! Carmen, você virá comigo!
Carmen– Não, não, nunca!
José– Eu estou cansando de te ameaçar você!
Carmen– Tudo bem, então me apunhale, ou me deixe passar!
Coro– Vitória!

José– Pela última vez, seu demônio, você virá comigo?
Carmen– Não! Não! O anel que você me deu um dia- aqui, tome!
José- Tudo bem, maldição!
Coro– Toureiro, em guarda! E lembre-se, sim, lembre-se que enquanto você luta dois olhos negros estarão te assistindo, e que o amor espera por você!
José– Você pode me prender. Eu a matei! Ah! Carmen! Minha adorada Carmen!

Cai o pano.

Bizet não testemunhou a extraordinária repercussão que sua ópera conquistaria. Elogios vieram de ilustres como Camille Saint-Saëns-Saëns, Piotr Tchaikovsky, e Claude Debussy, que reconheceram sem dúvida alguma a grandeza daquele músico revolucionário e foram proféticos ao acreditarem que a ópera se tornaria a mais popular de todo mundo.

Nos dez anos seguintes, Carmen seria apresentada cerca de mil vezes, em diferentes montagens, por toda a Europa. Depois de arrebatar as plateias em sua versão lírica, também seria celebrada no século XX com várias versões cinematográficas.

Quase um século antes da liberação feminina, Carmen já era uma fonte de inspiração. A cigana de Bizet já se antecipava à mudança de comportamento feminino, com frases e atos contundentes como:
“O amor é um pássaro rebelde que ninguém pode aprisionar…”
“[o amor] não adianta chamá-lo, pois ele só vem quando quer.”
“… e quando pensa tê-lo aprisionado ele se vai.”
“Tu crês prendê-lo; ele te evita. Crês evitá-lo; ele te prende.”
“Se não me amares, eu te amarei. Mas… se eu te amar, cuidado!”
“O meu coração é livre como um pássaro!”
“Quem quer a minha alma? Ela está livre!”
“Não tenho medo de nada. Carmen nunca cederá! Nasceu livre e livre morrerá!”
E os conselhos que Carmen dá a Don José:
“Você viverá a nossa vida errante, por pais terá o Universo, por lei a tua vontade e, sobretudo, a coisa inebriante, a liberdade.”

O fato desta mulher expressar uma exuberância vital através de seu próprio corpo, utilizando de sua “sensualidade ibérica”, uma explosão de afetos e de atitudes impetuosas, desafiando então, todos os limites, códigos ou valores morais que venham a se opor aos caminhos que a paixão e a vontade lhe apontam. A conduta de Carmen expressa uma espécie de afetividade que enaltece a alegria e a embriaguez, expressão de um tipo de mundo repleto de andarilhos, ciganos e contrabandistas, desprovidos de remorsos, ressentimentos ou crises morais de consciência diante das transgressões das rígidas normais sociais. Carmen afirma a liberdade de acolher e cumprir o seu próprio destino, de acordo com o fluxo de seus desejos, o que a faz viver conforme o livre jogo interativo dos seus afetos. É uma das poucas óperas que não nos pedem para fechar os olhos e os ouvidos para a realidade. É por isso que Carmen sempre será uma ópera moderna.

Esta versão que ora compartilhamos com os amigos do blog é a minha gravação favorita de Carmen e traz de volta memórias bonitas dos anos 80. Gravada em 17 de novembro de 1983, esta performance tem um ótimo equilíbrio entre a ópera e as partes do diálogo, não são os cantores mas atores franceses que fazem a parte dos diálogos. No geral os atores estão bem – eles estão inseridos no drama, mas estão em um espaço auditivo diferente dos cantores e as vozes não parecem muito com os cantores. O canto e a música são nítidos, dinâmicos e fascinantes. O diálogo é jovial, sincero e cruel às vezes. Muito comovente.

O pessoal ensaiando nas dependências do l’PQP Ópera Comique

Agnes Baltsa esta magnífica em sua performance. Sua perfeição vocal e brio são notáveis. Depois de ouvir seu sedutor “Pres de ramparts de Seville”, não é de admirar que Don José seja irresistivelmente atraído por ela. Até eu tenho a mesma reação a ela cantando como Don José. Por alguma razão desconhecida, enquanto estou ouvindo a frase “Mon officier n’est pas un capitaine”, não consigo parar de respirar fundo de “contentamento” (você sabe, da maneira que faria se alguém declarasse seu amor eterno por você …) e isso é algo que nunca deixa de acontecer sempre que ouço essa ária. O estranho é que você ouvirá Don José fazendo exatamente a mesma coisa, exatamente ao mesmo tempo. A primeira vez que ouvi este CD foi quase inacreditável. Ouça essa ária e você provavelmente entenderá do que estou falando. Michaela, da Ricciarelli, é a mais doce que eu já ouvi. Se eu fosse Don José, teria muita dificuldade em decidir qual das mulheres escolher. Os duetos entre Michaela e Don José são tão doces e carinhosos o oposto dos duetos entre Carmen e Don José, cheios de sensualidade e tensão. O Don José na voz de Carreras, do meu humilde ponto de vista, beira a perfeição. Ele pode parecer o jovem soldado ingênuo e tímido que se apaixona loucamente pela primeira vez e também como o ciumento e descontrolado Don José no ato final. E falando do ato final desta ópera vale o download … incrível a dinâmica. É de arrepiar quando Don José está chorando

Herbert e Agnes desfrutando momentos de descontação no suntuoso jardim do l’PQP Ópera Comique

“Ma Carmen, adorée”. Seu canto é notável. Adoro os duetos com Ricciarelli e Baltsa, além da famosa e maravilhosa versão de “La fleur que tu m’avais jetée”. Essa ária acaba como a canção de amor mais gentil e suave… A condução de Herbert von Karajan é simplesmente excelente! A música nesta gravação flui tão naturalmente que atrai imediatamente! O som e a produção da gravação são absolutamente perfeitos. O restante do elenco também é muito bom; Van Dam está excelente como Escamillo percebe-se uma fluência em francês que realmente faz a diferença. Frasquita e Mercédès são interpretados pelas belas vozes de Christine Barbaux e Jane Berbié.

Pessoal, sobem as cortinas e deliciem-se com a sedutora Carmen e apenas mais uma observação: obrigado, Agnes, Carreras e Karajan por esse momento!

Personagens e intérpretes
Carmen – Agnes Baltsa
Don José – José Carreras
Escamillo – José van Dam
Micaela – Katia Ricciarelli
Frasquita – Christine Barbaux
Mercedes – Jane Barbié
Zuniga – Alexander Malta
Morales – Mikael Melbye
Le Dancaire – Gino Quilico
Le Remendado – Heiz Zednik

Choeur de l’Ópera de Paris
Berliner Philharmoniker
Regente – Herbert von Karajan
1983

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FDPBach / Ammiratore

Edward Elgar (1857-1934) – Violin Concerto, Ralph Vaughan Williams (1872-1958): The Lark Ascending

LINK REVALIDADO! ORIGINALMENTE POSTADO EM 19 DE OUTUBRO DE 2009.

51CwisSTxYL._SX425_Belo cd da gatinha Hilary Hahn, que, por sinal, esteve se apresentando aqui no Brasil há alguns meses atrás.
O Concerto para Violino de Elgar é muito bonito, apesar de pouco gravado, e Hahn, apesar da precocidade quando da gravação desse CD, nos emociona com sua interpretação. Este foi o seu primeiro cd pelo selo alemão Deutsche Grammophon, e ela aqui está muito bem acompanhada pelo incansável Colin Davis, que rege a Sinfônica de Londres.
Não sou muito fã dos compositores ingleses, mas não há como não se render ao “The Lark Ascending” de Vaughan Williams. Já ouvi diversas outras interpretações para essa obra, entre as quais poderia destacar a do maluquinho Nigel Kennedy, e pode-se ver que Hahn fez, e ainda faz as lições de casa direitinho.
Os comentaristas da amazon deram 4 estrelas e meia para este cd. Concordo. O conjunto da obra é altamente recomendável e delicado. Ótimo para se ouvir num dia de chuva, claro que sempre acompanhado por um bom vinho.

Edward Elgar – Violin Concerto in B minor, Op. 61

1 – Allegro
2 – Andante
3 – Allegro molto
Ralph Vaugham Williams
4 – The Lark Ascending, romance for violin & orchestra

Hilary Hahn – Violin

London Symphony Orchestra

Sir Colins Davis – Conductor

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FDP Bach

Johannes Brahms (1833-1896): Fantasias, Op.116, Intermezzos, Op.117, Piano Pieces, Op.118, Piano Pieces, Op.119, 2 Rhapsodies, Op.79, , 16 Waltzes, Op.39, Variations and Fugue on a Theme by Handel, Op.24 – CD 3 e 4 de 4 – Kovacevich

Scan01Vamos então encerrar o ciclo de obras para piano de Brahms com a interpretação segura e precisa de Stephen Kovacevich, o croata californiano, o cara que produz pouco, mas tudo o que produz é de primeiríssima qualidade.

Como comentei anteriormente, a obra pianística de Brahms nem é tão grande assim, apesar de ele ter sido um dos grandes pianistas de sua época. Esse terceiro cd da caixa traz das Fantasias, op. 116, os Intermezzos, op. 117, além do op. 118, que são conhecidas como “Peças para Piano”. São obras mais delicadas, e curtas, que tem uma estrutura melódica mais complexa, mostrando a versatilidade de Brahms enquanto compositor para piano. Reparem no número do opus, e vejam que são obras de um compositor maduro, já estabelecido como um dos grandes nomes da música alemã,

O quarto CD traz as conhecidas “Rapsódias”, talvez as obras para piano mais conhecidas de Brahms, mais até que suas sonatas, e as não tão conhecidas “Valsas”. Mas encerra com chave de outro, com as “Variações e Fuga sobre um Tema de Haendel”, op. 24.

Enfim, essa coleção da Phillips é uma ótima porta de entrada para se conhecer a obra pianística de Brahms, nas mãos de um de seus melhores intérpretes das últimas décadas. Espero que a apreciem.

CD 3

01 – Fantasias, Op.116 – I. Capriccio! Presto energico D minor
02 – Fantasias, Op.116 – II. Intermezzo! Andante A minor
03 – Fantasias, Op.116 – III. Capriccio! Allegro passionato G minor
04 – Fantasias, Op.116 – IV. Intermezzo, E major
05 – Fantasias, Op.116 – V. Intermezzo! Andante con grazia ed intimissimo sentimen
06 – Fantasias, Op.116 – VI. Intermezzo! Andantino teneramente E major
07 – Fantasias, Op.116 – VII. Capriccio Allegro agitato D minor
08 – Intermezzos, Op.117 – I. Andante moderato E flat major
09 – Intermezzos, Op.117 – II. Andante non troppo e con molto espressione B flat m
10 – Intermezzos, Op.117 – III. Andante con moto C sharp minor
11 – Piano Pieces, Op.118 – I. Intermezzo! Allegro non assai, ma molto appassionat
12 – Piano Pieces, Op.118 – II. Intermezzo! Andante teneramente A major
13 – Piano Pieces, Op.118 – III. Ballade! Allegro energico G minor
14 – Piano Pieces, Op.118 – IV. Intermezzo! Allegretto un poco agitato F minor
15 – Piano Pieces, Op.118 – V. Romanze! Andante F major
16 – Piano Pieces, Op.118 – VI. Intermezzo! Andante, largo e mesto E flat minor
17 – Piano Pieces, Op.119 – I. Intermezzo! Adagio B minor
18 – Piano Pieces, Op.119 – II. Intermezzo! Andantino un poco agitato – Andantino
19 – Piano Pieces, Op.119 – III. Intermezzo! Grazioso e giocoso C major
20 – Piano Pieces, Op.119 – IV. Rhapsody! Allegro risoluto E flat major

CD 4

01. 01 – 2 Rhapsodies, Op.79 – I. Agitato B minor
02. 02 – 2 Rhapsodies, Op.79 – II. Molto passionato, ma non troppo allegro G minor
03. 03 – 16 Waltzes, Op.39 – I. B major
04. 04 – 16 Waltzes, Op.39 – II. E major
05. 05 – 16 Waltzes, Op.39 – III. G sharp minor
06. 06 – 16 Waltzes, Op.39 – IV. E minor
07. 07 – 16 Waltzes, Op.39 – V. E major
08. 08 – 16 Waltzes, Op.39 – VI. C sharp major
09. 09 – 16 Waltzes, Op.39 – VII. C sharp minor
10. 10 – 16 Waltzes, Op.39 – VIII. B flat major
11. 11 – 16 Waltzes, Op.39 – IX. D minor
12. 12 – 16 Waltzes, Op.39 – X. G major
13. 13 – 16 Waltzes, Op.39 – XI. B minor
14. 14 – 16 Waltzes, Op.39 – XII. E major
15. 15 – 16 Waltzes, Op.39 – XIII. B major
16. 16 – 16 Waltzes, Op.39 – XIV. G sharp minor
17. 17 – 16 Waltzes, Op.39 – XV. A flat major
18. 18 – 16 Waltzes, Op.39 – XVI. C sharp minor
19. 19 – Variations and Fugue on a Theme by Handel, Op.24

Stephen Kovacevich – Piano

CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 4 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Johannes Brahms (1833-1897) – The Piano Concertos, 4 Ballads, op. 10, Waltz, op. 39, Piano Pieces, opp. 116-119 – CD 2 de 4 Kovacevich, Davis, LSO,

Scan01Se Stephen Kovacevich tivesse realizado apenas essa gravação do Concerto nº 2 para Piano e Orquestra de Brahms, junto com Colin Davis e a Sinfônica de Londres, lá nos idos dos anos 70, já poderia ser colocado no Hall of Fame dos grandes pianistas do século XX. Já comentei anteriormente que tenho uma relação muito pessoal com essa gravação, desde que a comprei, lá em 1987 ou 88. Brahms para mim ainda era um compositor um tanto quanto obscuro. Sua obra ainda era uma incógnita para mim. Ainda era o tempo do LP. Lembro que comprei em uma promoção, dois pelo preço de um, junto dele veio um LP com as Danças Eslavas de Dvorák, na versão de Antal Dorati, outro primor da indústria fonográfica. Bendita a hora em que o gerente daquela loja de discos no centro de Florianópolis resolveu dar uma geral no setor de clássicos, e tirar aqueles álbuns encalhados, que não vendiam.

Já colocamos em discussão por aqui diversas vezes, e não canso de afirmar que considero este Concerto nº 2 para Piano e Orquestra de Brahms o melhor Concerto já escrito pelo ser humano, uma obra que faz parte do cânone cultural ocidental. Um diamante lapidado com cuidado e esmero por este gigante alemão, Johannes Brahms.
E o californiano Stephan Kovacevich, filho de pai croata e mãe norte-americana, junto com Colin Davis e a Sinfônica de Londres, naqueles inspiradores anos 70, conseguiram extrair a essência da obra, aquilo que ela tem de mais profundo. Impossível ouvir essa gravação e ficar imune à sua beleza.

Deliciem-se, então, mortais.

01 – Piano Concerto No. 2 in B flat major, Op. 83_ 1. Allegro non troppo
02 – Piano Concerto No. 2 in B flat major, Op. 83_ 2. Allegro appassionato
03 – Piano Concerto No. 2 in B flat major, Op. 83_ 3. Andante – Piu adagio
04 – Piano Concerto No. 2 in B flat major, Op. 83_ Allegretto grazioso – Un poco p
05 – Klavierstucke, Op. 76_ 1. Capriccio in F sharp minor
06 – Klavierstucke, Op. 76_ 2. Capriccio in B minor
07 – Klavierstucke, Op. 76_ 3. Intermezzo in A flat major
08 – Klavierstucke, Op. 76_ 4. Intermezzo in B flat major
09 – Klavierstucke, Op. 76_ 5. Capriccio in C sharp minor
10 – Klavierstucke, Op. 76_ 6. Intermezzo in A major
11 – Klavierstucke, Op. 76_ 7. Intermezzo in A minor
12 – Klavierstucke, Op. 76_ 8. Capriccio in C major

Stephen Kovacevich – Piano
London Symphony Orchestra
Colin Davis

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FDP

Johannes Brahms (1833-1897) – The Piano Concertos, 4 Ballads, op. 10, Waltz, op. 39, Piano Pieces, opp. 116-119 – CD 1 de 4 Kovacevich, Davis, LSO,

Scan01Repostagem, lá dos primórdios do blog … 

A obra pianística de Brahms apareceu com pouca frequência aqui no PQPBach. Lembro de um cd de Kristian Zimerman, cujo link já desapareceu há muito tempo, e só. Claro que falo das obras para piano solo, não de seus monumentais concertos para piano.
Resolvi então trazer esta caixa com quatro cds da Phillips, com meu pianista favorito para esse repertório, Stephen Kovacevich, gravações estas realizadas entre o final dos anos 60 e início dos anos 80.
Tenho uma relação muito particular com este pianista, foi ele quem me apresentou o Concerto nº2, e sua leitura me cativou imediatamente, e desde então cultivo um carinho muito especial por esta gravação. Infelizmente Kovacevich meio que sumiu dos palcos durante alguns anos, se não me engano por problemas de saúde, mas pelas últimas notícias que li, ele está novamente ativo, realizando performances pelos palcos do mundo inteiro.
O primeiro cd dessa caixa traz o monumental Concerto nº1, em uma versão mais “light”, eu diria, não tão soturna, mais romântica do que e as que estamos acostumados a ouvir. É deslumbrante acompanhar o embate entre piano e orquestra, em um duelo sem vencedores.
Stephen Kovacevich, Colin Davis e a Sinfônica de Londres estão impecáveis, no apogeu de suas carreiras.

01. 01 – Piano Concerto No. 1 in D minor Op. 15_ 1. Maestoso – Poco piu moderato
02. 02 – Piano Concerto No. 1 in D minor Op. 15_ 2. Adagio
03. 03 – Piano Concerto No. 1 in D minor Op. 15_ 3. Rondo. Allegro non troppo
04. Scherzo in E flat minor, Op. 4
05. 4 Ballades, Op. 10_ No. 1 in D minor
06. 4 Ballades, Op. 10_ No. 2 in D major
07. 4 Ballades, Op. 10_ No. 3 in B minor
08. 4 Ballades, Op. 10_ No. 4 in B major

Stephen Kovacevich – Piano
London Symphony Orchestra
Colin Davis – Conductor

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Stephen-Kovacevich_wide
O californiano Stephen Kovacevich é um dos maiores intérpretes da obra de Brahms de sua geração, disso não tenho dúvidas

 

 

Edward Elgar – Cello Concerto – Sheku Kanneh-Mason, Simon Rattle, LSO

Monge Ranulfus, em seu retiro espiritual em alguma capital do litoral brasileiro, assim se referiu a este músico:

“Ele DIZ a música – e para mim esse o diferencial central que me faz reconhecer alguém como grande músico. Eu diria que ele enuncia frase por frase o discurso que essa música pretende ser… e com isso consegue fazer Elgar, que é um compositor apenas mediano, soar como um grande compositor. Consegue extrair profundidade de frases melódicas que seriam banais, em uma interpretação menor. “

Em se tratando do Concerto de Elgar, bem, o nível é bem elevado. Apenas para começo de conversa, lembro da recente excelente gravação de Alisa Weilerstein com o Daniel Baremboim / Staatskapelle Berlin, e claro, a gravação histórica de Jaqueline Du Pré ao lado de John Barbirolli / LSO. Isso para ficarmos em apenas duas. Ah, claro, estou esquecendo da pequena notável Sol Gabetta.

Mas o nome em questão aqui é o de Sheku Kanneh-Mason, uma revelação britânica de apenas 20 anos de idade. Assim a revista Grammophone descreve o artista: “Young artist, old soul”. Aliás, o último número desta conceituada revista dedicada algumas páginas ao jovem artista.

Ouvindo com atenção esta gravação, entendi o que o nosso Ranulfus quis dizer em seu comentário. Sheku tem uma abordagem mais sensível, não tão intensa quanto a de Du Pré, que nos dá a impressão de sangrar os dedos quando está tocando tal a força que ela imprime às notas. O jovem britânico nos dá uma outra possibilidade de leitura, e estou encantado com esta sua abordagem. Claro, a cumplidade da orquestra e do maestro também ajudam. Sir Simon Rattle e a Sinfônica de Londres já devem ter tocado este concerto tantas vezes que ele já se inseriu no DNA da orquestra e do próprio maestro. Por isso eles soam tão naturais e perfeitos. Nada a acrescentar nem para tirar.

Tenho a certeza de que ainda iremos falar muito deste jovem violoncelista.

1 Traditional: Blow The Wind Southerly (Arr. Kanneh-Mason)

2 Elgar: Variations on an Original Theme, Op. 36 “Enigma” – 9. Nimrod (Adagio) (Arr. Parkin)

3 Elgar: Cello Concerto in E Minor, Op. 85 – 1. Adagio – Moderato
4 Elgar: Cello Concerto in E Minor, Op. 85 – 2. Lento – Allegro molto
5 Elgar: Cello Concerto in E Minor, Op. 85 – 3. Adagio
6 Elgar: Cello Concerto in E Minor, Op. 85 – 4. Allegro

7 Elgar: Romance in D Minor, Op. 62 (Arr. Parkin)

8 Bridge: 4 Short Pieces, H. 104 – 2. Spring Song (Arr. Parkin)

9 Traditional: Scarborough Fair (Arr. Parkin)

10 Bloch: Prelude, B 63

11 Bloch: From Jewish Life, B 54 – 1. Prayer (Arr. B. Kanneh-Mason)

12 Fauré: Elégie in C Minor, Op. 24 (Arr. Parkin)

13 Klengel: Hymnus, Op. 57

Sheku Kanneh-Mason – Cello
London Symphony Orchestra
Sir Simon Rattle – Conductor

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Maurice Ravel – Katia et Marielle Labèque

Neste espetacular CD, as maravilhosas pianistas francesas nos trazem um repertório todo dedicado ao seu conterrâneo Maurice Ravel. Conterrâneo tanto pelo fato óbvio de serem franceses mas também devido ao fato de serem descendentes de bascos, mas isso é conversa para outra postagem que está sendo devidamente preparada. O nome aqui é o de Ravel.
A relação das irmãs com este compositor vem ainda da infância, quando foram alunas de uma grande amiga do próprio.
Esse CD não é recente, 2007 para ser mais exato, e foi gravado e lançado pelo selo KML, criado pelas próprias irmãs. Temos aqui momentos absolutamente brilhantes, como a “Rhapsodie Espagnola” , ‘Ma Mère L´Oye”, a ‘Pavane Pour une Infante Défunte” e claro, como não poderia deixar de faltar, o  ‘Bolero’ em uma versão para dois pianos com percussão basca. Coisa linda demais.

01. Rhapsodie espagnole, for orchestra (or 2 pianos) Prelude A La Nuit
02. Rhapsodie espagnole, for orchestra (or 2 pianos) Malaguena
03. Rhapsodie espagnole, for orchestra (or 2 pianos) Habanera
04. Rhapsodie espagnole, for orchestra (or 2 pianos) Feria
05. Ma mere l’oye, for piano, 4 hands (or orchestra) Pavane De La Belle Au Bois
06. Ma mere l’oye, for piano, 4 hands (or orchestra) Petit Poucet
07. Ma mere l’oye, for piano, 4 hands (or orchestra) Laideronnette Imperatrice D
08. Ma mere l’oye, for piano, 4 hands (or orchestra) Les Entretiens De La Belle
09. Ma mere l’oye, for piano, 4 hands (or orchestra) Le Jardin Feerique
10. Menuet antique, for piano (or orchestra)
11. Pavane pour une infante defunte, for piano (or orchestra)
12. Prelude, for piano
13. Bolero, ballet for orchestra

Katia et Marielle Labèque – Pianos

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As Irmãs Labèque posando ao lado de seu instrumento de trabalho na sede do PQPBach …

BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – The Sonatas for Piano and Cello – Richter, Rostropovich

Creio que esta seja a terceira vez que estou postando este Cd, que considero um de meus favoritos. A qualidade da música e dos músicos envolvidos não deixa dúvidas: esta provavelmente é uma das melhores gravações já realizadas destas obras. 

Este é um daqueles cds fundamentais em minha discoteca, um daqueles que me acompanharia se fosse para viver em uma ilha deserta. A dupla formada por Sviatoslav Richter e Mstislav Rostropovich é a minha favorita para este repertório, desde que comprei esse mesmo cd em formato de LP duplo, há uns vinte e sete anos ou mais. E ainda o tenho guardado ali no armário. Enfim, um cd fundamental, obrigatório. E tenho dito e mais não preciso dizer.

CD 1

01. No. 1- I. Adagio sostenuto – Allegro
02. No. 1- II. Rondo (Allegro vivace)
03. No. 4- I. Andante – Allegro vivace
04. No. 4- II. Adagio – Tempo d’andante – Allegro vivace
05. No. 5- I. Allegro con brio
06. No. 5- II. Adagio con molto sentimento d’affetto
07. No. 5- III. Allegro – Allegro fugato

CD 2

01. No. 2- I. Adagio sostenuto ed espressivo – Allegro molto piu tosto presto
02. No. 2- II. Rondo (Allegro)
03. No. 3- I. Allegro ma non tanto
04. No. 3- II. Scherzo (Allegro molto)
05. No. 3- III. Adagio cantabile – Allegro vivace

Sviatoslav Richter – Piano
Mstislav Rostropovich – Cello

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FDPBach

 

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos – CDs 7 a 9 de 9 – Mitsuko Uchida, Jeffrey Tate, English Chamber Orchestra

Vamos concluir mais uma integral dos Concertos para Piano de Mozart, com a dupla Mitsuko Uchida, sempre acompanhada por Jeffrey Tate, que dirige a English Chamber Orchestra,.

Aqui temos a fina flor dos Concertos, como os de nº 21, 25, 26 e 27. Obras fundamentais no repertório pianístico, nem precisam de apresentação. E sempre é um imenso prazer ouvir estas obras tocadas por Uchida. Creio que o prazer será compartilhado pelos senhores.

CD 7

01. Concerto in E Flat, K. 482, nº 22 – Allegro
02. Concerto in E Flat, K. 482, nº 22 – Andante
03. Concerto in E Flat, K. 482, nº 22  – Allegro – Andante cantabile – Tempo I
04. Concerto in A, K. 488, nº 23 – Allegro
05. Concerto in A, K. 488, nº 23 – Adagio
06. Concerto in A, K. 488, nº 23 – Allegro assai

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CD 8

01. Concerto in C Minor, KV. 491, nº 24 – Allegro
02. Concerto in C Minor, KV. 491, nº 24 – Larghetto
03. Concerto in C Minor, KV. 491, nº 24 – Allegretto
04. Concerto in C, K. 503, nº 25 – Allegro maestoso
05. Concerto in C, K. 503, nº 25 – Andante
06. Concerto in C, K. 503, nº 25 – Allegretto

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CD 9

01. Concerto in D, K. 537, nº 26 – Allegro
02. Concerto in D, K. 537, nº 26 – Larghetto
03. Concerto in D, K. 537, nº 26 – Allegro
04. Concerto in B Flat, K. 595, nº 27 – Allegro
05. Concerto in B Flat, K. 595, nº 27 – Larghetto
06. Concerto in B Flat, K. 595, nº 27 – Allegro

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Mitsuko Uchida – Piano
English Chamber Orchestra
Jeffrey Tate – Conductor

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos – CDs 4 – 6 de 9 – Mitsuko Uchida =, Jeffrey Tate, Englisch Chamber Orchestra

Vamos dar continuidade a esta integral dos Concertos para Piano de Mozart, sempre nas competetentes mãos de Mitsuko Uchida e de seu fiel parceiro, Jeffrey Tate, que dirige a sempre ótima English Chamber Orchestra. Uma curiosidade sobre este maestro: também se formou médico, e especializou-se em cirurgia ocular. Infelizmente veio a falecer em 2017.

CD 4

Concerto in D, K. 451, nº 16 – Allegro Assai
Concerto in D, K. 451, nº 16 – Andante
Concerto in D, K. 451, nº 16 – Rondeau (Allegro di molto)
Concerto in G, K. 453, nº 17 – Allegro
Concerto in F, K. 423, nº 17 – Andante
Concerto in F, K. 423, nº 17 – Allegretto
Rondo in D, KV. 382 – Allegretto grazioso
Rondo in D, KV. 382 – Adagio
Rondo in D, KV. 382 – Allegro

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CD 5

01. Concerto in B Flat, KV. 456, nº 18 – Allegro Vivace
02. Concerto in B Flat, KV. 456, nº 18 – Andante un poco sotenuto
03. Concerto in B Flat, KV. 456, nº 18 – Allegro Vivace
04. Concerto in F, K. 459, nº 19 – Allegro Vivace
05. Concerto in F, K. 459, nº 19 – Allegretto
06. Concerto in F, K. 459, nº 19 – Allegro Assai

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CD 6

01. Concerto in D Minor, K. 466, nº 20 – Allegro
02. Concerto in D Minor, K. 466, nº 20 – Romance
03. Concerto in D Minor, K. 466, nº 20 – Allegro Assai
04. Concerto in C, K. 467, nº 21 – Allegro
05. Concerto in C, K. 467, nº 21 – Andante
06. Concerto in C, K. 467, nº 21 – Allegro vivace assai

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Mitsuko Uchida – Piano
English Chamber Orchestra
Jeffrey Tate – Conductor