Tigran Mansurian (1939): Requiem

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco absolutamente notável. Tigran Mansurian criou seu Réquiem dedicado à memória das vítimas do genocídio armênio que ocorreu na Turquia de 1915 a 1917. Concilia o som e a sensibilidade das tradições do seu país com o texto do Réquiem latino numa composição contemporânea profundamente comovedora e iluminada. O trabalho é um marco para Mansurian, amplamente reconhecido como o maior compositor da Armênia. O Los Angeles Times descreveu sua música como aquela “em que a dor cultural profunda é acalmada através de uma beleza estranhamente tranquila, avassaladora.” 

Tigran Mansurian (1939): Requiem

1.REQUIEM AETERNAM 8:22
2.KYRIE 6:06
3.DIES IRAE 2:46
4.TUBA MIRUM 5:07
5.LACRIMOSA 5:51
6.DOMINE JESU CHRISTE 8:04
7.SANCTUS 5:22
8.AGNUS DEI 3:41

Anja Petersen Soprano
Andrew Redmond Baritone
RIAS Kammerchor
Münchener Kammerorchester
Alexander Liebreich

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Genocídio Armênio: sim, aconteceu, apesar dos turcos jamais terem admitido. Pior, serviu de "inspiração" para Hitler.

Genocídio Armênio: sim, aconteceu, apesar dos turcos jamais terem admitido. Pior, serviu de “inspiração” para Hitler.

PQP

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Mendelssohn: As Hébridas, Op. 26 / Sibelius: Concerto para violino, Op. 47 / Tchaikovsky: Sinfonia #6, “Patética”

Masur

Masur

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Saber de onde saíram estas gravações juntadas a partir de mais de um CD? Tarefa impossível. Mas em verdade vos digo: são registros absolutamente entusiasmantes, sensacionais, estimulantes. O que faz Sergey Khachatryan, uma das preferências mais radicais deste que vos escreve, no Concerto de Sibelius? Putz, onde encontrar uma gravação melhor deste concerto? E para ser melhor ainda, é tudo AO VIVO. Olha, o Mendelssohn inicial e o Sibelius são para se ouvir de joelhos, o Tchai já está mais para a normalidade. Confiram e me digam se não tenho razão.

Mendelssohn: As Hébridas, Op. 26 /
Sibelius: Concerto para violino, Op. 47 /
Tchaikovsky: Sinfonia #6, “Patética”

Felix Mendelssohn (1809-1847) – A Abertura “As Hébridas”, Op. 26
1. A Abertura “As Hébridas” em E menor, Op. 26

Jean Sibelius (1865 – 1957) – Concerto para violino, Op.47
2. Allegro moderato
3. Adagio di molto
4. Allegro, ma non tanto

Piotr Ilytch Tchaikovsky (1840-1893) – Sinfonia No. 6, Op. 74 – “Patética”
5. Adagio – Allegro non troppo
6. Allegro con grazia
7. Allegro molto vivace
8. Finale — Adagio lamentoso

Sergey Khachatryan, violin
New York Philharmonic
Kurt Masur, conductor

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Sergey Khachatryan: esse toca pra caraglio.

Sergey Khachatryan: esse toca pra caraglio.

PQP

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Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra

Só de ver o título A Canção da Terra ou Das Lied von der Erde eu já fico feliz, mas alguma coisa não deu certo neste CD. A primeira surpresa é que o notável tenor Jonas Kaufmann canta todas as seis partes. Ora, esta obra é considerada uma espécie Sinfonia para tenor e contralto (ou mezzo ou barítono) e tradicionalmente duas vozes cantam os seis movimentos. As performances com um barítono ao invés de um mezzo ou contralto como segundo solista parecem ter se tornado mais comuns na última década, seguindo o exemplo criado há meio século por Dietrich Fischer-Dieskau (com James King, tenor), Thomas Hampson (com Peter Seiffert, tenor) e Christian Gerhaher (com Klaus Florian Vogt, tenor). As gravações citadas demonstraram quão eficaz uma segunda voz masculina pode ser nesta peça. Mas, embora a voz de Kaufmann seja regularmente descrita como tendo qualidades de barítono, ele não é um barítono, e há momentos em que parece estar lutando para reunir o suficiente peso para suportar a linha vocal. Foi uma experiência… que talvez não devesse ser registrada em disco, considerando-se que Kaufmann costuma ser espetacular.

Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra

1 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: I. Das Trinklied vom Jammer der Erde 8:06
2 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: II. Der Einsame im Herbst 9:57
3 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: III. Von der Jugend 3:08
4 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: IV. Von der Schönheit 6:56
5 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: V. Der Trunkene im Frühling 4:25
6 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: VI. Der Abschied 28:33

Jonas Kaufmann, tenor
Wiener Philharmoniker
Jonathan Nott

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Jonas, veja bem...

Jonas, veja bem…

PQP

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Johann David Heinichen (1683-1729): Concertos & Sonatas

Belíssimo disco deste compositor recém retirado do limbo. Heinichen merece estar na segunda linha dos grandes compositores barrocos. Sua música está desfrutando de um rápido ressurgimento, com muitos de seus concertos e missas recebendo recitais e gravações. Seus Dresden Concerti, gravado pela Musica Antiqua Köln, já são um clássico da discografia erudita. Heinichen estudou Direito na Universidade de Leipzig, mas acabou mesmo dedicando-se à música, tanto que depois passou sete anos estudando em Veneza. Seu estilo, aliás, é muito italiano. Após Veneza, trabalhou em Dresden como Kapellmeister do Eleitor da Saxônia. Grande Heinichen!

Johann David Heinichen (1683-1729): Concertos & Sonatas

1. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Andante
2. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Vivace
3. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Adagio
4. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Allegro

5. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Affetuoso
6. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Allegro
7. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Adagio
8. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Vivace

9. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Grave
10. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Allegro
11. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Larghetto e cantabile
12. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Allegro

13. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Andante
14. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Vivace
15. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Adagio
16. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Allegro

17. Sonata a 3, for oboe, violin & basso continuo in C minor: Vivace
18. Sonata a 3, for oboe, violin & basso continuo in C minor: Largo
19. Sonata a 3, for oboe, violin & basso continuo in C minor: Presto

20. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Largo
21. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Allegro
22. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Lamentabile et appogiato
23. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Allegro

24. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Andante
25. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Allegro
26. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Larghetto
27. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Vivace

Epoca Baroca

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Loose Company -- Dirck van Baburen

Loose Company — Dirck van Baburen

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J. S. Bach (1685-1750): 7 Toccatas BWV 910-916

IM-PER-DÍ-VEL !!!! é pouco para esta criação e recreação de Glenn Gould. Talvez seja a mais radical experiência do pianista com seu amado Bach. Aqui, ele usa da mesma ousadia que utilizou com Mozart e Wagner e o resultado é estupendo. Conheci Gould através destas gravações onde ele canta enquanto toca e nas quais as partes lentas se arrastam e as rápidas voam. Glenn Gould obedeceu ao significado do termo “Toccata” de forma exemplar: afinal, a Toccata) é um gênero que enfatiza a destreza do intérprete. São composições para teclado nas quais uma das mãos e depois a outra realizam corridas virtuosísticas e brilhantes passagens em cascata contra uma acompanhamento de acordes na outra mão. A tocata barroca tem mais seções e aumentou de tamanho, intensidade e virtuosidade em relação à versão Renascentista, com frequência possui corridas rápidas e arpejos alternando com acordes ou seções de fuga. Algumas vezes falta a indicação regular de tempo e quase sempre tem um sentido de improvisação. Podem acreditar: Glenn Gould entendeu direitinho o espírito da coisa.

Indico fortemente este CD a todos os pequepianos.

J. S. Bach (1685-1750): 7 Toccate BWV 910-916 (Glenn Gould 1963/79/80)

01.Toccata in re maggiore BWV 912 (14:01)
02.Toccata in fa diesis minore BWV 910 (11;43)
03.Toccata in re minore BWV 913 (17:08)

01.Toccata in do minore BWV 911 (11:13)
02.Toccata in sol minore BWV 915 ((8:44)
03.Toccata in sol maggiore BWV 916) (8:52)
04.Toccata in mi minore BWV 914 (8:39)

Glenn Gould, piano

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Gould + Bach: costuma dar certo

Gould + Bach: costuma dar certo

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Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violoncelo

Bom CD, nada de excepcional. Culpa mais de Vivaldi do que de Wispelwey e turma. Tento explicar: o repertório de Concertos para Violoncelo do Padre Rosso não é lá essas coisas. Tal opinião não inclui as notáveis 6 Sonatas para Violoncelo, claro. Já o Florilegium — chefiado pela grande Rachel Podger — e o violoncelista são sensacionais. Então, fica aquela coisa dos executantes tentarem melhorar desesperadamente uma música apenas razoável. Virou um disco de gatinhos, concertos completos entremeados de melhores lances. Porém, quem gosta demais do barroco ouvirá este CD com deleite. Recomendo com reservas.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violoncelo

01 Larghetto in d minor, from F Major violin concerto RV 295

02 Concerto in a minor, Allegro, from RV 421
03 Concerto in a minor, Siciliano, from RV 415 (orig. G Major)
04 Concerto in a minor, Allegro, from RV 421

05 Largo in F Major, from violin concerto RV 190 (orig. C Major)

06 Concerto in F Major, Allegro, from RV 410
07 Concerto in F Major, Largo, from RV 407 (orig g minor)
08 Concerto in F Major, Allegro molto, from RV 411

09 Adagio in C Major, from concerto for strings RV 109

10 Allegro Vivace in D Major, from RV 404 (3rd movement)

11 Largo in D Major, from violin concerto RV 226

12 Concerto in b minor RV 424; I. Allegro non molto
13 Concerto in b minor RV 424; II. Largo
14 Concerto in b minor RV 424; III. Allegro

15 Largo in C Major, from violin concerto RV 383 (orig. B flat Major)

16 Concerto for Cello in G major, RV 413; I. Allegro
17 Concerto for Cello in G major, RV 413; II. Largo
18 Concerto for Cello in G major, RV 413; III. Allegro

19 Largo in G Major, from violin concerto RV 341 (orig, A Major) (violoncello picollo)

20 Concerto in a minor RV 422 (single strings); I. Allegro non troppo
21 Concerto in a minor RV 422 (single strings); II. Largo
22 Concerto in a minor RV 422 (single strings); III. Allegro

23 Alla Breve in G Major, from violoncello concerto RV 415 ( 3rd Movement) (violoncello picollo)

Pieter Wispelwey, violoncello
Florilegium

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Pieter Wispelwey dando uma jam em sua biblioteca

Pieter Wispelwey dando uma jam em sua biblioteca

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.: interlúdio :. Chick Corea — Children`s Songs

IM-PER-DÍ-VEL !!!

As famosas Children`s Songs, de Chick Corea, foram originalmente lançadas em 1984, no vinil cuja capa colocamos ao lado. Corea diz que Béla Bartók foi uma de suas maiores influências e, pô, está na cara. Suas Canções Infantis são breves e tranquilas. São também líricas e de estrutura nem tão simples assim (imagina se a 11ª pode ser chamada de simples?!). Elas são uma espécie de versão de Corea para os Mikrokosmos de Bartók. Ele apredeu piano com eles. As 153 pequenas peças de Bartók foram escritas como um crescente desafio para jovens estudantes de piano. Já as 20 de Corea são miniaturas altamente melódicas que refletem um certo ar brincalhão — em alguns casos, naïve. É aquele tipo de música enganadora: parece simples, mas sofre terrivelmente na mão de pianistas fracos. Não é o caso do grande virtuose Chick Corea.

Chick Corea — Children`s Songs

1 No. 1 1:47
2 No. 2 0:53
3 No. 3 1:23
4 No. 4 2:14
5 No. 5 1:07
6 No. 6 2:38
7 No. 7 1:37
8 No. 8 1:39
9 No. 9 1:11
10 No. 10 1:29
11 No. 11 0:38
12 No. 12 2:33
13 No. 13 1:21
14 No. 14 1:58
15 No. 15 1:08
16 No. 16 + 17 1:55
17 No. 18 1:47
18 No. 19 2:26
19 No. 20 1:20
20 Addendum

Piano – Chick Corea
Cello – Fred Sherry (no Addendum)
Violin – Ida Kavafian (no Addendum)

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Piano 1

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Passacaglia de Lady Macbeth

Este monumento da arte contemporânea mistura música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tem, ademais, uma história bastante particular.

Em março de 1953, quando da morte de Stalin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando de autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stalin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, é absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo, e sua oposição ao restante da obra faz-nos pensar em alguma segunda intenção do compositor. Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastora, contendo um enigma musical do mestre: a orquestra para, dando espaço para a trompa executar o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Para identificá-la, ouça o tema executado trompa em solo. Ele é repetido quatro vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stalin está morto, Shostakovich, não. O subtítulo deste disco — Under Stalin`s Shadow — é totalmente justificado. O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente.

A gravação de Andris Nelsons é bastante boa, mas nada como um russo para colocar tudo no lugar certinho.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Passacaglia de Lady Macbeth

1. Passacaglia de Laydi Macbeth

Sinfonia Nº 10
2. 1. Moderato
3. 2. Allegro
4. 3. Allegretto
5. 4. Andante Allegro

Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons

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Obrigações da guerra: Shostakovich toca para pilotos de bombardeiros durante a Segunda Guerra sob a imagem de Stalin

Obrigações de guerra: Shostakovich toca para pilotos de bombardeiros durante a Segunda Guerra sob a imagem de Stalin

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Béla Bartók (1881-1945): Sonata for Solo Violin / Leoš Janáček (1854-1928): Violin Sonata / Claude Debussy (1862-1918): Violin Sonata / Serguei Prokofiev (1891-1953): Violin Sonata Nros 1 e 2 / Igor Fyodorovich Stravinsky (1882-1971): Divertimento

cover

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Viktoria Mullova é um das preferências absolutas deste filho de Bach. Mas a sonoridade desta moscovita é coisa de louco.

A peça de Bartók é uma peça de Bartók, isto, é, é esplêndida e o mantém entre os 3 maiores Bs da música erudita, os quais permanecem como os maiores mesmo quando se usa todas as outras letras do alfabeto. Quem são os três? Ora, Bach, Brahms, Beethoven e Bartók.

A peça de Janáček é igualmente sensacional. Música bem eslava, sanguínea e cheia de surpresas e belas melodias, combinando perfeitamente com Bartók.

Depois a gente brocha. Debussy… Debussy… Debbie…, o que dizer? Claude, apesar do tremendo esforço que fez para movimentar-se no primeiro movimento, é um gordo. Portanto, é meio estático. Para piorar, é também extático. Bem, hoje faz um lindo dia e dizem que é o Dia do Beijo, o que significa que eu deveria ir para a rua ver o que consigo. (Mas, olha, foi das melhores coisas que já ouvi do gordo Debbie).

Prokofiev! Ah, Serguei é outro papo. Já de cara ele mostra quão fodão é naquele tranquilo Andante assai e no furioso Allegro brusco que o segue. Sem dúvida, é um cara que valoriza o contraste… Nós também detestamos o total flat, a gente gosta tanto dos mares piscininha quanto das descidas vertiginosas; afinal, os acidentes geográficos é o que faz a beleza da paisagem, né? As duas Sonatas de Prokofiev são notáveis.

Stravinsky… Sei que meus pares aqui no blog são admiradores do anão russo e adoro provocar, só que não dá, o cara é bão demais, raramente erra. Será que o gordo Debbie escreveu alguma coisa chamada “Divertimento”? Ele se divertia com o quê?

Bartók: Sonata for Solo Violin / Janáček: Violin Sonata / Debussy: Violin Sonata / Prokofiev: Violin Sonata Nros 1 e 2 / Stravinsky: Divertimento

CD 1
1. Bartok Sonata for Solo Violin – I. Tempo di ciaccona
2. Bartok Sonata for Solo Violin – II. Fuga. Risoluto, non troppo vivo
3. Bartok Sonata for Solo Violin – III. Melodia. Adagio
4. Bartok Sonata for Solo Violin – IV. Presto agitato

5. Janacek Violin Sonata – I. Con moto
6. Janacek Violin Sonata – II. Ballada. Con moto
7. Janacek Violin Sonata – III. Allegretto
8. Janacek Violin Sonata – IV. Adagio

9. Debussy Violin Sonata – I. Allegro vivo
10. Debussy Violin Sonata – II. Intermede. Fantasque et leger
11. Debussy Violin Sonata – III. Finale. Tres animé

CD 2
1. Prokofiev Violin Sonata No.1 in F minor, Op.80 – I. Andante assai
2. Prokofiev Violin Sonata No.1 in F minor, Op.80 – II. Allegro brusco
3. Prokofiev Violin Sonata No.1 in F minor, Op.80 – III. Andante
4. Prokofiev Violin Sonata No.1 in F minor, Op.80 – IV. Allegrissimo

5. Prokofiev Violin Sonata No.2 in D major, Op.94a – I. Moderato
6. Prokofiev Violin Sonata No.2 in D major, Op.94a – II. Scherzo. Presto
7. Prokofiev Violin Sonata No.2 in D major, Op.94a – III. Andante
8. Prokofiev Violin Sonata No.2 in D major, Op.94a – IV. Allegro con brio

9. Stravinsky Divertimento – I. Sinfonia
10. Stravinsky Divertimento – II. Danses suisses
11. Stravinsky Divertimento – III. Scherzo
12. Stravinsky Divertimento – IV. Pas de deux. Adagio – Variations – Coda

Viktoria Mullova: violin
Piotr Anderszewski: piano
Bruno Canino: piano

Recording:
June 1987, Utrecht (Bartók)
April 1989, London (Prokofiev No.2, Stravinsky)
July 1994, Forde Abbey, Chard, England (Janácek, Debussy, Prokofiev No.1)

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Mullova quando jovem: sei de vários que enlouqueceram.

Mullova quando jovem: sei de vários que enlouqueceram.

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): String Quartets Nos. 4, 11 & 14

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Tive a sorte de, há dois anos, ver o Hagen Quartett no Southbank Center de Londres. Foi um grande concerto dedicado a Brahms e Bartók. Eles são excelentes mesmo. Aqui, eles dão um show em três quartetos de Shostakovich. E mais não escrevo porque estou atrasado. Só garanto: baita CD!

Dmitri Shostakovich (1906-1975): String Quartets Nos. 4, 11 & 14

01. Quartett No.4 D-dur op. 83 – 1. Allegretto
02. Quartett No.4 D-dur op. 83 – 2 – Andantino
03. Quartett No.4 D-dur op. 83 – 3 – Allegretto – attacca
04. Quartett No.4 D-dur op. 83 – 4 – Allegretto

05. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 1. Introduktion. Andantino – attacca
06. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 2 – Scherzo. Allegretto – attacca
07. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 3 – Rezitativ. Adagio – attacca
08. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 4 – Etüde. Allegro – attacca
09. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 5 – Humoreske. Allegro – attacca
10. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 6 – Elegie. Adagio – attacca
11. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 7 – Finale. Moderato

12. Quartett No.14 Fis-dur op. 142 – 1. Allegretto
13. Quartett No.14 Fis-dur op. 142 – 2 – Adagio – attacca
14. Quartett No.14 Fis-dur op. 142 – 3 – Allegretto

Hagen Quartett

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PQP tem saudades de vocês!

PQP tem saudades de vocês!

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Franz Schubert (1797-1828): Quinteto de Cordas, D. 956

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sem dúvida, um dos dez discos que levaria para a ilha deserta. Uma coisa espantosa! Se o Melos Quartett já era maravilhoso sozinho, imaginem-no acrescido de um Rostropovich em plena forma, no ano de 1977. E o repertório? O que há que não seja perfeito no Quinteto com duplo violoncelo de Schubert?

Em um jantar muito pouco sério na última terça-feira com um grupo de velhos amigos, um deles disse que jamais, de modo algum, alguém que tenha sofrido uma recente desilusão amorosa deveria ouvir o Adágio deste Quinteto. Cortaria os pulsos. Wittgenstein, que conhecia bem esta música, certa vez se referiu a um “tipo fantástico e único de grandeza” que ela representa. Aqui, a linguagem não faltou ao autor do Tractatus Logico-Philosophicus. O trabalho de Schubert data dos últimos meses de sua curta vida, quando o compositor estava criando enorme música a um ritmo inacreditável. Bem, como já disse, esta versão do grande Quinteto para cordas D. 956 é extraordinária. Excelente som, excelente conjunto e uma profundidade sem precedentes. A revista Gramophone garante: “Provavelmente, a melhor versão. O Melos Quartet Stuttgart era um dos melhores conjuntos de câmara de sua época e o envolvimento do mítico Rostropovich no segundo violoncelo teve um resultado que as palavras não acompanham. Um CD que deve ser conhecido. O segundo movimento (Adágio) é simplesmente mágico”.

Franz Schubert (1797-1828): Quinteto de Cordas, D. 956

[01] I. Allegro ma non troppo
[02] II. Adagio
[03] III. Scherzo: Presto – Trio: Andante sostenuto
[04] IV. Allegretto

Melos Quartett
Mstislav Rostropovich, cello

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Mstislav Rostrpovich

Mstislav Rostropovich | Gravura de William Perriam

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J. S. Bach (1685-1750): As “Missas Brevis” Completas

Nancy Argenta à época desta gravação

Nancy Argenta à época desta gravação

A Missa Brevis é, literalmente, uma missa breve, curta. As quatro de Bach são compostas de seis movimentos — o formato usual é de cinco. Com pequenas variações uma para outra, são eles Kyrie, Gloria, Domine Deus, Qui tollis, Quoniam e Cum sancto Spiritu. O grupo inglês, chefiado pelo The Purcell Quartet, dá um banho de bola neste repertório pouco divulgado. Destaque máximo para Nancy Argenta e Michael Chance.

Lutheran Masses Vol. 1

Tracklist:
01-06. Missa Brevis, BWV235
07-12. Missa Brevis, BWV234

Com:
Susan Gritton, soprano
Robin Blaze, countertenor
Mark Padmore, tenor
Peter Harvey, bass
The Purcell Quartet

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Lutheran Masses Vol.  2

Tracklist:
01-03. Trio Sonata, BWV529
04-09. Missa Brevis, BWV236
10-15. Missa Brevis, BWV233

Com:
Nancy Argenta, soprano
Michael Chance, countertenor
Mark Padmore, tenor
Peter Harvey, bass
The Purcell Quartet

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O Purcell Quartet descansando.

O Purcell Quartet descansando.

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J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg transcritas pelo e para o Fretwork (consort of viols)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Altíssima concentração de musicalidade, por assim dizer. O Fretwork é aquele típico consort of viols que toca desde a música veneziana do século XVI e que pode dar uma chegadinha a Bach e, talvez ir adiante. Soube que já tocaram Shostakovich! Sua abordagem às Goldberg é maravilhosa. Além disso, o CD é tem um som exuberante e a interpretação / arranjo para sexteto de violas faz inteira justiça à composição. Encantado, aprovei mais esta versão da obra que, provavelmente, mais postamos no PQP Bach desde a abertura do blog. O arranjo foi escrito por Richard Boothby e quem estiver em Cambridge no próximo dia 26 de maio poderá vê-los na nova versão de quarteto com A Arte da Fuga, de Bach. Favor enviar passagens e ingressos para minha residência.

O nova-iorquino Fretwork

Os ingleses do Fretwork

J. S. Bach: Variações Goldberg transcritas pelo e para o Fretwork (conjunto de violas da gamba)

Disc 1:
1. Goldberg Variations, BWV 988: Aria 4:56
2. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 1. 2:38
3. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 2. 1:31
4. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 3. Canone all’Unisono 2:24
5. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 4. 1:19
6. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 5. 1:55
7. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 6. Canone alla Seconda 1:34
8. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 7. Al tempo di Giga 1:57
9. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 8. 2:00
10. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 9. Canone alla Terza 2:12
11. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 10. Fughetta 1:32
12. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 11. 2:40
13. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 12. Canone alla Quarta 2:52
14. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 13. 6:31
15. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 14. 2:30
16. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 15. Canone alla Quinta: Andante 4:52

Disc 2:
1. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 16. Ouverture 3:01
2. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 17. 2:50
3. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 18. Canone alla Sesta 1:29
4. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 19. 1:06
5. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 20. 2:53
6. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 21. Canone alla Settima 3:39
7. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 22. Alla breve 1:35
8. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 23. 2:14
9. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 24. Canone all’Ottava 2:46
10. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 25. Adagio 7:40
11. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 26. 2:23
12. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 27. Canone alla Nona 2:22
13. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 28. 2:36
14. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 29. 2:41
15. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 30. Quodlibet 1:55
16. Goldberg Variations, BWV 988: Aria 5:22

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Éramos 6, hoje somos 4.

Éramos 6, hoje somos 4.

PQP

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.: interlúdio :. Racconti Mediterranei — Pieranunzi, Johnson, Mirabassi

Um bom disco de jazz. Melodioso, tranquilo, educado. PQP Bach prefere coisas mais viscerais, mas o CD de Enrico Pieranunzi (piano), Marc Johnson (baixo acústico) e Gabriele Mirabassi (clarinete) agradou por sua simplicidade e calma. Foi bom ouvi-lo no calor insuportável de Porto Alegre durante o último fim-de-semana. Ajudou a manter a cabeça no lugar. Indicado para quem está em férias. Os clarinetistas costumam babar por Mirabassi, atenção!

Racconti Mediterranei

1. The Kingdom (Where Nobody Dies) 6:58
2. Les amants 4:34
3. Canto nascosto 3:47
4. Il canto delle differenze 5:48
5. Una piccola chiave dorata 4:40
6. O toi dèsir 5:45
7. Lighea 6:10
8. Coralie 5:39
9. Un’alba dipinta sui muri 4:16
10. Stefi’s Song 4:56
11. Canzone di Nausicaa 7:34

Enrico Pieranunzi, piano
Marc Johnson, contra-baixo
Gabriele Mirabassi, clarinete

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Enrico Pieranunzi: uma companhia agradável

Enrico Pieranunzi: uma companhia agradável

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 13 (Babi Yar), Op. 113 (1962)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sinfonia Nº 13 (Babi Yar), Op. 113 (1962)

Após o equívoco da Sinfonia Nº 12 – lembrem que até Beethoven escreveu uma medonha Vitória de Wellington, curiosamente estreada na mesma noite da sublime 7ª Sinfonia, mas este é outro assunto… -, Shostakovich inauguraria sua última fase como compositor começando pela Sinfonia Nº 13, Babi Yar. Iniciava-se aqui a produção de uma sequência de obras-primas que só terminaria com sua morte, em 1975. Esta sinfonia tem seus pés firmemente apoiados na história da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. É uma sinfonia cantada, quase uma cantata em seu formato, que conta com a nada desprezível colaboração do grande poeta russo Evgeny Evtuchenko (conforme alguns, como a Ed. Brasilinense, porém pode-se encontrar a grafia Ievtuchenko, Yevtuchenko ou Yevtushenko, enfim!).

Shosta51

O que é, afinal, Babi Yar? Babi Yar é o nome de uma pequena localidade situada perto de Kiev, na atual Ucrânia, cuja tradução poderia ser Barranco das Vovós. Ali, em 29 e 30 de setembro de 1941, teve lugar o assassinato de 34 mil judeus pelos nazistas. Eles foram mortos com tiros na cabeça e a participação comprovada de colaboradores ucranianos no massacre permanece até hoje tema de doloroso debate público naquele país. Nos dois anos seguintes, o número de mortos em Babi Yar subiu para 200 mil, em sua maioria judeus. Perto do fim da guerra, os nazistas ordenaram que os corpos fossem desenterrados e queimados, mas não conseguiram destruir todos os indícios. Ievtuchenko criticou a maneira que o governo soviético tratara o local. O monumento em homenagem aos mortos referia-se às vítimas como ucranianas e russas, o que também eram, apesar de se saber que o fato determinante de suas mortes era o de serem judeus. O motivo? Ora, Babi Yar deveria parecer mais uma prova do heroísmo e sofrimento do povo soviético e não de uma fatia dele, logo dele, que seria uma sociedade sem classes nem religiões… O jovem poeta Ievtushenko considerou isso uma hipocrisia e escreveu o poema em homenagem aos judeus mortos. O que parece ser uma crítica de importância relativa para nós, era digna de censura, na época. O poema — o qual tem extraordinários méritos literários — foi publicado na revista Literatournaia Gazetta e causou problemas a seu autor e depois, também a Shostakovich, ao qual foram pedidas alterações que nunca foram feitas na sinfonia. No Ocidente, Babi Yar foi considerado prova da violência antissemita na União Soviética, mas o próprio Ievtuchenko declara candidamente em sua Autobiografia Precoce (Ed. Brasiliense, 1987) que a tentativa de censura ao poema não teve nada a ver com este gênero de discussão e que, das trinta mil cartas que recebeu falando em Babi Yar, menos de trinta provinham de antissemitas…

O massacre de Babi Yar é tão lembrado que não serviu apenas a Ievtuchenko e a Shostakovich, tornando-se também tema de filmes e documentários recentes, assim como do romance Babi Yar de Anatoly Kuznetsov. Não é assunto morto, ainda.

O tratamento que Shostakovich dá ao poema é fortemente catalisador. Como se fosse uma cantata em cinco movimentos, os versos de Ievtuchenko são levados por um baixo solista, acompanhado de coral masculino (formado apenas por baixos) e orquestra. É música de impressionante gravidade e luto; a belíssima linha melódica ora assemelha-se a um serviço religioso, ora aum dos grandes modelos de Shostakovich, Mussorgski; mesmo assim, fiel a seu estilo, Shostakovich encontra espaço para o sarcasmo.

Tranquila crueldade: soldados alemães examinam as roupas dos mortos em Babi Yar.

“Babi Yar” é como ficou conhecida a sinfonia para coro masculino, baixo e orquestra.  A partir do texto de dura indignação de Ievgueni Evtuchenko e apesar dos problemas que ele geraria na União Soviética pós-stalinista, Shostakovich construiu um painel de extraordinária força em torno de mazelas típicas de seu tempo: o medo e a opressão, o conformismo e o carreirismo, o massacre cotidiano num Estado policial e a possibilidade de superação através do humor e da intransigência.

Em linguagem quase descritiva, combinando a severidade da orquestra com a impostação épica das vozes, “Babi Yar” tem um poder de evocação cinematográfico: raramente se ouviu música tão plástica. O realismo e a imagens dos poemas são admiravelmente apoiados pelo estilo alternadamente sombrio e agressivo da música de Shostakovich. Não obstante o grande efetivo orquestral e a tensão dos clímaxes, as texturas são rarefeitas e o coro, declamando ou murmurando, canta quase sempre em uníssono ou em oitavas — mais um elemento dessa estrutura preparada para expressar a desolação e o nervosismo.

O primeiro movimento alterna estrofes que exploram o horror e a culpa de Babi Yar com relatos de dois outros episódios — o de Anne Frank e o de um menino massacrado em Bielostok. No segundo movimento, ritmado de forma tipicamente shostakovichiana, o tom enfático das vozes falam da resistência que o “Humor” jamais deixará de oferecer à tirania. “Na loja”, o Adagio que se segue, descreve quase fisicamente as filas das humilhadas donas-de-casa numa linha sinuosa à espera de um pouco de comida. Quando chegam ao balcão, o poema diz: “Elas nos honram e nos julgam”, enquanto percussão e castanholas simulam panelas e garrafas se entrechocando. É em clima que estupefação que o movimento se encerra: “Nada está fora de seu alcance”.

A linha sinuosa torna-se reta ao prosseguir sem interrupção para o episódio seguinte, um ameaçador ‘sostenuto’ das cordas graves sob solo da tuba: é o “Medo”, componente constante da vida soviética. Contrapondo-se às sombras que até aqui dominam a sinfonia, Shostakovich a conclui com uma satírica reflexão sobre o que é seguir uma “Carreira”. Em ritmo de valsa lenta, ficamos sabendo que a verdadeira carreira não é a dos que se submetem, mas a de Galileu, Shakespeare ou Pasteur, Newton ou Tolstói: “Seguirei minha carreira de tal forma que não a esteja seguindo”, conclui o baixo, com o eco do sino que abrira pesadamente a sinfonia, agora aliviado pela celesta.

Shostakovich (esquerda), com o poeta Evgeni Ievtuchenko (direita) e o regente Kiril Kondrashin na estreia da 13ª Sinfonia.

A história da primeira execução de Babi Yar foi terrível. Houve protestos e ameaças por parte das autoridades soviéticas. Se até 1962, Shostakovich dava preferência a estrear suas obras sinfônicas com Evgeny Mravinsky (1903-1988), Babi Yar causou um surdo rompimento na parceria entre ambos. O lendário regente da Sinfônica de Leningrado amedrontou-se (teve razões para tanto) e desistiu da obra pouco antes de começarem os ensaios. Porém, como na União Soviética e a Rússia os talentos brotam por todo lado, Mravinsky foi substituído por Kiril Kondrashin (1914-1981) que teve uma performance inacreditável e cujo registro em disco é das coisas mais espetaculares que se possa ouvir.

P.S.- Por uma dessas coisas inexplicáveis, encontrei o disco soviético com o registro da estreia num sebo de Porto Alegre em 1975. Comprei, claro.

Obs.: A descrição da música foi adaptada de um texto que Clovis Marques escreveu para um concerto no Municipal do Rio de Janeiro.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 13 (Babi Yar), Op. 113 (1962)

1 – Babi Yar. Adagio
2 – Humour. Allegretto
3 – At the Store. Adagio
4 – Fears. Largo
5 – Career. Allegretto

Alexander Vinogradov, baixo
Royal Liverpool Philharmonic Choir
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Vasily Petrenko

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Esta é uma foto tirada em 1944 de uma parte Babi Yar. 14 mil judeus foram mortos.

Esta é uma foto tirada em 1944 de uma parte Babi Yar. 14 mil judeus foram mortos.

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G.P. Telemann (1681-1767): Sinfonia, Abertura e Concertos

Deutsche Bachsolisten Telemann BM30SL1203 1Este vinil foi digitalizado pelo extraordinário blog holandês 33 toeren klassiek, ao qual agradecemos muitíssimo. Trata-se de um blog que divulga apenas raridades lançadas em vinil há décadas. Nada de obviedades, só os bons cantinhos do repertório que ficaram esquecidos pelas gravadoras. Telemann morreu há 250 anos atrás e merece ser lembrado neste ano. A orquestra de câmara Deutsche Bachsolisten foi fundada em 1960 pelo oboísta Helmut Winschermann. Neste belo LP ouvimos quatro composições deste compositor prolífico, que era mais famoso em seu tempo do que Johann Sebastian Bach. 

G.P. Telemann (1681-1767): Sinfonia, Abertura e Concertos

1 Sinfonia in F voor blokfluit, viola da gamba, orkest en b.c. 9:19
alla breve – andante – vivace

2 Ouverture in C voor 3 hobo’s, strijkers en b.c. 18:41
ouverture – harlequinade – espagniole – bourée en trompette – someille –
rondeau – menuett 1+2 – gigue

3 Concert voor 3 hobo’s, 3 violen en b.c. in Bes 8:27
allegro – largo – allegro

4 Tripelconcert voor fluit, hobo d’amore, viola d’amore. strijkers
en b.c. in E 16:56
andante – allegro – siciliane – vivace

Helmut Schneidewind: trompet
Willi Walther, Josef Feck, Lothar Zinke: trombones
Günther Höller: blokfluit
Hans Jürgen Möhring: dwarsfluit
Helmut Winschermann: hobo d’amore
Günther Lemmen: Viola d’amore
Heinrich Haferland: Viola da gamba
Deutsche Bachsolisten
Helmut Winschermann, dirigent (1, 2 en 3)
Carl Gorvin, dirigent (4)

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O Concerto, de Gerard van Honthorst, 1623

O Concerto, de Gerard van Honthorst, 1623

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.: interlúdio :. The Moscow Symphony Orchestra — The Music of Deep Purple

Eu fui um adolescente que ouvia a música erudita de meu pai TODAS AS NOITES e rock durante o dia. Eu e minha irmã gostávamos. Ela amava os Beatles e eu os Beatles e todo o resto. Tive sorte, pois, em 1969, tinha 12 anos. Peguei vários discos hoje clássicos quando de seus lançamentos. Tenho-os em vinil, perfeitamente conservados. Comprei-os, digamos, na primeira edição.  Então, discos, como Machine Head, In Rock, Burn, Fireball e Who do we think we are, do Deep Purple, são meus íntimos. Quase não os ouço mais, mas eles estão na minha discoteca.

O que temos aqui? Ora, um baita disco de crossover conduzido por Constantine Krimets e arranjado por Stephen Reeve e Martin Riley. Foi gravado em estúdio em 1992. Não há bateria nem guitarra — não há, de fato, nenhum instrumento de rock, apenas uma orquestra sinfônica. Todas as faixas foram cuidosamente rearranjadas, e umas soam mais fieis que outras aos originais. Child in Time é particularmente bem sucedida, The Mule e Pictures of Home idem, muito graças às belas melodias. Gostei também de Highway Star… Não pude evitar. Krimets disse que quase toda a orquestra conhecia a fundo os temas, de tanto ouvi-los em casa.

Se compararmos estes arranjos com o que ouvimos nos crossover das orquestras brasileiras, nossa, isso aqui é Stockhausen de tão complexo. Mas penso que este disco apenas possa interessar aos nostálgicos que conhecem cada original. Em resumo, Crossover é só curiosidade boba. E kitsch.

The Moscow Symphony Orchestra – The Music of Deep Purple

01. Smoke On The Water
02. Space Trucking
03. Child In Time
04. Black Night
05. Lazy
06. The Mule
07. Pictures Of Home
08. Strange Kind Of Woman
09. Burn
10. Highway Star
11. Fireball
12. Coda And Reprise

Moscow Symphony Orchestra
Constantine Krimets

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A formação clássica do Deep Purple: Gillan, Blackmore, Paice, Glover e Lord.

A formação clássica do Deep Purple: Gillan, Blackmore, Paice, Glover e Lord.

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W. A. Mozart (1756-1791): Così fan tutte

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Assim fazem todas. As feministas amantes do Politicamente Correto — algumas o amam — matariam Mozart e da Ponte em razão deste título… Mas aqui somos mais razoáveis, somos feministas que desprezam as Mênades de nossos dias.

Bem, esse CD triplo vocês devem ouvir de joelhos, OK? Considerada uma obra um pouquinho por demais erótica do libretista Lorenzo da Ponte, a história obteve a rejeição de Salieri e a aceitação de Mozart. O espírito da ópera rivaliza com as comédias agridoces de Shakespeare. Na regência, René Jacobs traz-nos interpretação MA-RA-VI-LHO-SA e muito bem humorada, com instrumentos de época.

Così fan tutte, ossia La scuola degli amanti (“Assim fazem todas, ou A escola dos amantes”, em italiano) é a antepenúltima ópera de Mozart. Sua estréia ocorreu no Burgtheater no dia 26 de Janeiro de 1790 (tá de níver amanhã!). Così Fan Tutte é a terceira e última ópera de Mozart cujo libreto foi escrito por da Ponte (as outras duas colaborações haviam sido As bodas de Fígaro e Don Giovanni). A composição de ópera foi sugerida pelo imperador austríaco José II.

W. A. Mozart (1756-1791): Così fan tutte

Disc 1
1 Overture See All 4
2 Terzetto
3 Recitativo
4 Terzetto
5 Da soldati d’onore / Terzetto
6 Duetto
7 Recitativo
8 Quintetto
9 Recitativo
10 Coro
11 Abbraciami, idol mio / Quintetto
12 Faccia che al campo giunga / Terzettino
13 Recitativo
14 Recitativo
15 Aria
16 Recitativo
17 Aria
18 Recitativo
19 Sestetto
20 O ciel! Mirate
21 Aria
22 Recitativo

Disc 2
1 Aria
2 Cosa serve? / Aria
3 Recitativo
4 Finale, Atto Primo
5 Eccovi Il Medico
6 Dove Son?
7 Dammi un bacio
8 Atto Secondo, Recitativo
9 Aria
10 Recitativo
11 Duetto
12 Duetto con coro
13 Quartetto
14 Recitativo
15 Duetto
16 Recitativo
17 Aria
18 Ei parte … senti … ah no!

Disc 3
1 Rondo See All 7
2 Recitativo
3 Abbi di me pieta, dammi consiglio / Aria
4 Recitativo
5 Cavatina
6 Aria
7 Recitativo
8 Duetto
9 Recitativo
10 Tutti accusan le donne / Recitativo
11 Finale, Atto Secondo
12 Coro
13 E nel tuo, nel mio bicchiero / Miei Signori, tutto e fatto
14 Coro
15 Sani E Salvi Gli Amplessi Amorosi
16 Giusto ciel!
17 Tutti

Veronique Gens, Fiordiligi
Bernarda Fink, Dorabella
Werner Gura, Ferrando
Marcel Boone, Guglielmo
Pietro Spagnolo, Don Alfonso
Graciela Oddone, Despina

Concerto Koln
Kolner Kammerchor
dir. René Jacobs

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Olha só, pequepiano!

Olha só, pequepiano!

PQP

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Ernest Bloch (1880-1959), Luigi Dallapiccola (1904-1975) e & György Ligeti (1923-2006): Suites for solo cello

Um violoncelo solitário é a porta de entrada para a alma de muitos compositores. Bach e Britten são os mais famosos. Ernest Bloch escreveu suas três suítes solo de violoncelo na década de 1950, perto do final de sua vida, e elas são fugazes e estranhas, como se tratasse de lembranças problemáticas. A notável Natalie Clein completa seu programa com duas outras peças do pós-guerra: a Ciaccona, Intermezzo e Adagio (1945) de Dallapiccola, peça bem perturbada e forte, e a Sonata em dois movimentos de Ligeti (1948-53), que contém uma das melodias mais desprotegidamente bonitas que conheço. Com razão, Clein toca cheia de convicção e não recua em alternar ataques destemidos e passagens sublimes, tranquilas e assustadoras. Este disco é 2017 e a violoncelista recém completou 40 anos. Uma menina! Parabéns, Natalie!

Bloch, Ligeti & Dallapiccola: Suites for solo cello

Suite for solo cello No 1 [10’11] Ernest Bloch (1880-1959)
1 Prelude[2’35]
2 Allegro[1’56]
3 Canzona[3’00]
4 Allegro[2’40]

Suite for solo cello No 2 [18’12] Ernest Bloch (1880-1959)
5 Prelude[2’52]
6 Allegro[5’20]
7 Andante tranquillo[5’04]
8 Allegro[4’56]

Suite for solo cello No 3 [11’15] Ernest Bloch (1880-1959)
9 Allegro deciso[1’24]
10 Andante[2’35]
11 Allegro[2’34]
12 Andante[2’30]
13 Allegro giocoso[2’12]

Ciaccona, Intermezzo e Adagio [16’18] Luigi Dallapiccola (1904-1975)
14 Ciaccona: Con larghezza[8’00]
15 Intermezzo: Allegro, con espressione drastica[2’44]
16 Adagio[5’34]

Sonata for solo cello [8’33] György Ligeti (1923-2006)
17 Dialogo: Adagio, rubato, cantabile[3’57]
18 Capriccio: Presto con slancio[4’36]

Natalie Clein, violoncelo

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Bom dia, Natalie.

Bom dia, Natalie.

PQP

 

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J. S. Bach (1685-1750): B-A-C-H: Ich ruf zu Dir (Franz Liszt / Ferruccio Busoni)

Aurelia Shimkus nasceu em Riga, na Letônia, em 1997. É jovem demais e meio mão pesada e sem sutileza para sair interpretando Bach por aí. Tem bom desempenho na porrada lisztiana que abre o CD, mas depois deixa transparecer certas ânsias heavy metal, principalmente, na linda e delicadíssima Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ, onde trata de enfiar a mão em momentos em que esta ficaria melhor no bolso.  Também detestei a transcrição de Busoni para a Toccata and Fugue. E não seria natural que a pianista enfrentasse a maior peça de Bach transcrita para o piano por Busoni? Por que ela fugiu disso aqui? Ah, Aurelia…

J. S. Bach (1685-1750): B-A-C-H: Ich ruf zu Dir

1 Fantasia and Fugue on the Theme B-A-C-H, S529/R22 12:43, de Liszt
2 Capriccio sopra la lontananza del fratello dilettissmo in B-Flat Major, BWV 992 10:37
3 10 Chorale Preludes, BV B 27: Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ, BWV 639 (arr. F. Busoni for piano) 3:57
4 10 Chorale Preludes, BV B 27: Komm, Gott Schopfer, BWV 667 (arr. F. Busoni for piano) 1:58
5 10 Chorale Preludes, BV B 27: Durch Adams Fall ist ganz verderbt, BWV 705 (arr. F. Busoni for piano) 7:04
6 Toccata and Fugue in D Minor, BWV 565 (arr. F. Busoni for piano) 9:05
7 Die Kunst der Fuge, BWV 1080: Fuga a 3 Soggetti (Contrapunctus XIV) 8:39

Aurelia Shimkus, piano

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Aurelia, em foto Liszt-free

Aurelia, em foto Liszt-free

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