Beethoven (1770 – 1827): Sinfonias Nos. 5 & 7 – WP & Carlos Kleiber ∞ #BTHVN 250 ֍

Beethoven (1770 – 1827): Sinfonias Nos. 5 & 7 – WP & Carlos Kleiber ∞ #BTHVN 250 ֍

BTHVN

Sinfonias Nos. 5 & 7

Wiener Philharmoniker

Carlos Kleiber

 

 

Em dez de cada dez listas que mencionam melhores gravações de música clássica aparece a gravação da Quinta Sinfonia de Beethoven feita por Carlos Kleiber regendo a Wiener Philharmoniker e lançada pelo selo amarelo. Em umas seis ou sete delas, ela aparece em primeiro lugar. É por isso que esta gravação não poderia faltar nas nossas postagens comemorativas do #BTHVN 2020.

Esta gravação de 1974 foi relançada pela DG reunida em um CD com a gravação da Sétima Sinfonia, pelos mesmos protagonistas, na série DG-Originals. Como este CD já foi postado aqui pelo nosso intenso colaborador FDP Bach, fazemos oportunamente a nova editação como um PQP-Originals! Além do que o link da postagem anterior já estava inativo.

Aqui está o texto da postagem original, que foi ao ar em 19 de setembro de 2014:

Falar o que dessa gravação, cara pálida? Que é a melhor gravação destas sinfonias? Para não repetir o óbvio, só direi que com certeza este cd está entre os Top Ten de minha lista, e na lista de muita gente. Esqueça Karajan, esqueça Jochum, esqueça Celibidache, esqueça qualquer outro que lhe venha a cabeça. Carlos Kleiber é o nome a ser batido nesse repertório.

Carlos Kleiber não era uma pessoa de fácil convivência. Segundo relatos de músicos que estiveram sob sua direção, ele chegava a ser tirânico, humilhando seus músicos, para que se atingisse o seu ideal de perfeição. E isso dirigindo orquestras do nível da Filarmônica de Viena, de Berlim, do Concertgebow de Amsterdam …

E a sonoridade que ele conseguiu extrair da Filarmônica de Viena ao executarem esses dois pilares da música ocidental até hoje ninguém conseguiu.
Ouçam e tirem suas conclusões.

Vejam os comentários do Penguin Guide que atribuiu ao disco uma Roseta ֍, uma honra que os editores da publicação costumam dar a um seletíssimo conjunto de CDs:

‘Se alguma vez houve uma gravação lendária, será esta de Carlos Kleiber […].’ As comparações mencionam Giulini e Klemperer e termina dizendo: ‘…esta é sem dúvida uma das maiores performances desta obra que já foi colocada em disco’. Eu acredito que o comentário continua atualíssimo.

Da gravação da Sétima Sinfonia a menção de ‘charme da dança’ nos diz tudo. Portanto, não demore e baixe os arquivos!

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sinfonia No. 5 em dó menor, Op. 67

  1. Allegro com brio
  2. Andante com moto
  3. Allegro
  4. Allegro

Sinfonia No. 7 em lá maior, Op. 92

  1. Poco sostenuto – Vivace
  2. Allegretto
  3. Presto – Assai meno presto
  4. Allegro com brio

Wiener Philharmoniker

Carlos Kleiber

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 328 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 165 MB

Observação: As duas últimas faixas da Quinta Sinfonia estão em um só arquivo.

Dizer o que?

Bravo, maestro!

Aproveite!

René Denon

 

Maurice Ravel (1875-1937): Peças para Piano – Akiko Ebi

Maurice Ravel (1875-1937): Peças para Piano – Akiko Ebi

Maurice Ravel

Le Tombeau de Couperin

Gaspard de la Nuit

Sonatine pour piano

Akiko Ebi

 

Vocês sabem, eu sou completamente dependente de música para piano. Ultimamente tenho ouvido alternadamente música de Beethoven, pelo #BTHVN250, música de Bach (é claro…) e música dos compositores franceses, tudo para piano ou com piano.

Este disco com peças de Ravel já está na minha playlist há alguns meses e hoje chegou o dia de dividi-lo com vocês.

Tenho me interessado bastante pelo trabalho de pianistas orientais e encontrado gratas surpresas. Algumas delas acabo trazendo para o blog, incluindo esta daqui.

A pianista Akiko Ebi nasceu em Osaka e estudou na Universidade de Belas Artes de Tokyo. Posteriormente estudou em Paris e a sua carreira internacional decolou ao ganhar o Grand Prix na Competição Internacional Long/Thibaudet. Ela também foi finalista da Competição Internacional Fryderyk Chopin, de Varsóvia. Descobri que Martha Argerich foi sua mentora só depois de gostar muito deste disco… Além de Martha, Aldo Ciccolini e Vlad Perlemuter contribuíram em sua formação. Buscando outros discos da Akiko Ebi, descobri que ela contribuiu para a gravação da obra completa de Chopin pelo Instituo Chopin de Varsóvia. Veja a capa do disco com os Prelúdios na ilustração da postagem.  Ela também foi a solista dos Concertos para Piano na versão com instrumentos de época, usando um piano Erard, acompanhada pela Orchestra of the 18th Century regida por Frans Brüggen.

O repertório do disco incluiu as principais peças para piano de Ravel, como Le Tombeau de Couperin e Gaspard de la Nuit.

Ondine

A peça mais difícil do disco é realmente o tríptico Gaspard de la Nuit. A peça foi inspirada em versos do poeta Aloysuis Bertrand, que remetem a histórias de fadas, mistérios e fantasmas. A literatura certamente inflamou a imaginação de Ravel. As três peças que compõem a obra têm em parte o estilo rápido-lento-rápido, com a primeira e a última muito virtuosísticas, enquanto a peça central, Le Gibet, descreve uma cena assustadora, com a figura de um enforcado na paisagem. Tudo isto em uma das mais difíceis partituras para piano de toda a literatura. Você pode descobrir mais informações sobre esta obra clicando aqui ou aqui.

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Le Tombeau de Couperin

  1. Prélude
  2. Fugue
  3. Forlane
  4. Rigaudon
  5. Menuet
  6. Toccata

Prélude pour piano

  1. Prélude

Gaspard de la Nuit

  1. Ondine
  2. Le Gibet
  3. Scarbo

Sonatine pour piano

  1. Modéré
  2. Mouvement de menuet
  3. Animé

Jeux d’eau

  1. Jeux d’eau

Akiko Ebi, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 215 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 143 MB

Akiko Ebi

Gaspard de la Nuit é famosa por sua dificuldade e isto se deve ao fato de Ravel ter tentado fazer de Scarbo uma peça ainda mais difícil do que a espinhosíssima Islamey, de Balakiriev. Em breve postaremos um disco com peças para piano russas, Islamey entre elas. Você então poderá tirar as suas próprias conclusões, pelo menos sob a perspectiva do ouvinte. Enquanto isso, aproveite!

René Denon

Frederic Chopin (1810-1849): Préludes, Op. 28 – Eric Lu, piano

Frederic Chopin (1810-1849): Préludes, Op. 28 – Eric Lu, piano

Chopin – Prelúdios, Op. 28

Brahms – Intermezzo

Schumann – Geistervariationen

Eric Lu, piano

 

Após um ano de postagens, mais ou menos, me dou conta que nunca postei um álbum de Chopin. Estou envergonhado! Mas esta falta pretendo corrigir presto, súbito!

Chopin e o piano nasceram um para o outro. Poucos compositores influenciaram tanto a música para piano quanto o Frederico. Era grande conhecedor da literatura para teclado e tinha admiração pelas obras de Scarlatti e Bach.

Uma grande conexão dele com este último são os Prelúdios. Chopin conhecia profundamente os Prelúdios e Fugas de Bach. Este ciclo de peças certamente o instigou a produzir um ciclo de peças que também chamou prelúdios. Veja um trecho copiado de um fascículo que acompanhava um LP vendido nas bancas há muitos, muitos anos.

‘Em fins de 1838 e princípios de 1839, em Maiorca, Chopin empreendeu a tarefa de concluir a série de 24 Prelúdios, iniciada anteriormente em Paris e que levaria o número de Opus 28. […] Homenagem a Bach, foram concebidos a exemplo do Cravo Bem Temperado: ainda mais claramente que nos estudos, encontramos aqui um plano tonal preestabelecido, segundo o chamado ciclo das quintas, passando por todos os tons da escala cromática, cada tom maior seguido de perto pelo seu relativo menor (dó maior, lá menor, sol maior, mi menor, etc., até chegar a mi sustenido menor e seu relativo dó sustenido menor, representados por seus enarmônicos fá maior e ré menor)’.

As ditas vidraças…
Este é um legítimo descendente do gato de Chopin

Os prelúdios de Chopin são peças curtas e sua ordenação é planejada para apresentar um máximo de contraste propondo aos intérpretes um enorme desafio. Destacar a individualidade de cada peça e ao mesmo tempo apresentar um panorama completo. Liszt tinha grande admiração por estas peças que muito intrigaram Robert Schumann.

Alguns dos prelúdios acabaram se destacando, mesmo assim, como o Prelúdio No. 15, em ré bemol maior. Com indicação ‘Sostenuto’, tem o nome ‘Gota de Chuva’, puro romantismo. Neste prelúdio há uma repetição de notas que evocaria o som da chuva batendo em uma vidraça. A tal vidraça seria a da cela número 4 do mosteiro da Cartuxa de Valldemossa, que fica em Maiorca. Chopin passou uma temporada aí, em companhia da escritora George Sand, ambos buscando inspiração para suas obras.

O disco que escolhi para a postagem é um dos primeiros de um jovem talentosíssimo pianista de pouco mais do que 20 anos, Eric Lu. Ele ganhou o primeiro prêmio do importantíssimo The Leeds International Piano Competition em 2018, tocando o maravilhoso Quarto Concerto para Piano de Beethoven. Na ocasião ele também interpretou a Segunda Sonata e a Quarta Balada de Chopin.

Eu imagino que ao longo de sua vida ele mudará sua perspectiva sobre este ciclo e possivelmente mudará sua interpretação. De certa forma, ele já iniciou este processo, pois há uma gravação anterior, mas que ele considera mais um documento de uma de suas provas em concurso do que uma gravação mais definitiva. A gravação desta postagem foi feita no excelente estúdio Teldex, em Berlim. Veja o que foi dito sobre este aspecto do álbum em uma crítica que você poderá ler na íntegra aqui.

The piano sound here has a sumptuous warmth and tasteful reverb that enhances rather than masks the superb clarity.

Além dos prelúdios, Lu também interpreta a última obra composta por Schumann, um conjunto de variações – Geistervariationen. Achei a peça enigmática. Mas, ouvirei mais algumas vezes. Entre elas, um lindíssimo intermezzo de Brahms, que contrasta de maneira dramática do último dos Prelúdios, o tempestuoso Prelúdio em ré menor, justamente chamado ‘Tempestade’.

Frederic Chopin (1810 – 1849)

Prelúdios, Op. 28

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Intermezzo, Op. 117, 1

Robert Schumann (1810 – 1856)

Tema com Variações, WoO 24 – ‘Geistervariationen’

Eric Lu, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 668 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 439 MB

Observação: As faixas 19 e 20 do CD original foram unidas em uma só, para garantir a continuidade da música. Assim, as 23 primeiras faixas do arquivo contêm os Prelúdios e as seguintes, o restante da música.

 

Nesta entrevista Lu fala sobre a escolha do repertório para o disco, explica um pouco como foram as gravações. Ele fala de modo bem especial sobre as últimas composições do disco. Vale o trabalho de ler…

Aproveite!
René Denon

BTHVN250 – Beethoven (1770-1827): The Beethoven Journey – Concertos para Piano ∞ Mahler Chamber Orchestra – Leif Ove Andsnes ֍

BTHVN250 – Beethoven (1770-1827): The Beethoven Journey – Concertos para Piano ∞ Mahler Chamber Orchestra – Leif Ove Andsnes ֍

BTHVN

Concertos para Piano

Fantasia Coral

Andsnes

Mahler Chamber Orchestra

 

Estamos em festa! As postagens homenageando o grande Ludovico estão surgindo, reunindo-se em um grande coro – Millionen – saudando o compositor mais Herz und Verstand que eu conheço!

Os Concertos para Piano ocupam um espaço importante na obra de Beethoven, mas diferentemente das Sonatas para Piano e dos Quartetos de Cordas, que foram produzidos ao longo de todas as fases criativas do mestre, a composição de concertos parou no alto do seu período heroico. De qualquer forma, ouvir os concertos na sequência é uma experiência e tanto, mesmo que isso seja dividido em dois ou três concertos…

O conjunto que escolhi para esta postagem tem a formação não muito usual de solista e regente, pelo menos para Concertos de Beethoven. Essa prática é mais comum para Concertos de Mozart. Além disso, temos uma orquestra de câmera, o que cria uma expectativa de interpretação com tintas de HIP, do movimento de instrumentos de época. Mas nada disso deve preocupar nosso seguidor, pois temos aqui ótimas interpretações e som excelente. Estas gravações são o resultado de um projeto intitulado ‘The Beethoven Journey’, idealizado e levado a cabo pelo pianista norueguês, que é excelente solista e muito atuante em conjuntos de câmera. Ele mesmo explica como foi o projeto: “Com a performance do Concerto para Piano No. 1, de Beethoven, no Festival de Stresa, em agosto de 2011, começarei a minha ‘Jornada Beethoven’ […]. O objetivo deste projeto é tocar e gravar os cinco extraordinários Concertos para Piano com os maravilhosos músicos da Mahler Chamber Orchestra em um ciclo de quatro anos, começando em 2012. Espero que você se junte a nós para esta viagem de descoberta musical que promete ser iluminativa e exuberante”.

O pacote também inclui a Fantasia Coral, que foi escrita para terminar o mastodôntico concerto que Beethoven promoveu em dezembro de 1808, no qual foram apresentadas nada mais do que as Quinta e Sexta Sinfonias.

O projeto começou com os Concertos Nos. 1 e 3, gravados ao vivo no Festival da Primavera de Praga, no histórico auditório chamado Rodolfinum. Em seguida vieram os Concertos Nos 2 e 4, gravados em Londres em 2013. O último álbum foi gravado ao vivo novamente no Festival da Primavera de Praga, em 2014.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

CD1

Concerto para Piano No. 1 em dó maior, Op. 15

  1. Allegro con brio
  2. Largo
  3. Rondo – Allegro

Concerto para Piano No. 3 em dó menor, Op. 37

  1. Allegro con brio
  2. Largo
  3. Rondo – Allegro

CD2

Concerto para Piano No. 2 em si bemol maior, Op. 19

  1. Allegro con brio
  2. Adagio
  3. Rondo – Molto allegro

Concerto para Piano No. 4 em sol maior, Op. 58

  1. Allegro moderato
  2. Andante con moto
  3. Rondo (Vivace)

CD3

Concerto para Piano No. 5 em mi bemol maior, Op. 73 ‘Emperor’

  1. Allegro
  2. Adagio um poco moto – attacca
  3. Rondo – Allegro

Fantasia para Piano, Coro e Orquestra em dó menor, Op. 80 ‘Fantasia Coral’

  1. Adagio
  2. Allegro – Allegretto, ma non tropo, quase Andante con moto

The Prague Philharmonic Choir

Mahler Chamber Orchestra

Leif Ove Andsnes, piano e regente

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 668 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 439 MB

 

Estas gravações estão na lista das melhores gravações das obras de LvB segundo a Gramophone. Vejam como eles são elogiosos, falando do último disco a lançado: ‘As qualidades que fizeram os lançamentos anteriores tão irresistíveis estão presentes aqui também: a naturalidade com que o piano e a orquestra se integram e conversam e, às vezes, medem as suas forças; a leveza das texturas; a sutileza dos detalhes’.

Confira você e depois me diga. Pode usar o famoso ‘LEAVE A COMMENT’, no alto da página.

Aproveite!

RD

J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas – Yuan Sheng

J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas – Yuan Sheng

Bach

Suítes Francesas

Yuan Sheng

 

Na constelação de estrelas do piano brilham muitos nomes orientais, como Lang Lang, Mitsuko Uchida e Yuja Wang. Mais recentemente ouvimos Yundi Li e Seon-Jin Cho. Eu ouço Kun-Woo Paik há muito tempo. Além destes mais conhecidos, podemos buscar outros nomes, pois a arte desconhece fronteiras e as diferentes culturas acrescentam outras perspectivas artísticas às obras musicais que tanto pensamos conhecer.

Eu também uso esse tipo de óculos quando quero ir a algum lugar sem ser reconhecido…

Há pouco fiz uma postagem com a especialíssima pianista chinesa Zhu Xiao-Mei. Agora tenho a grande expectativa de encantar os amantes da música de Bach interpretada ao piano com esta postagem das Suítes Francesas interpretadas por Yuan Sheng, um nome para guardar.

Eu me encantei com este álbum e achei interessante postá-lo no meio deste afã de (Viva!) #BTHVN 2020, que tem sido muito divertido, especialmente para termos um contraponto.

Nunca havia ouvido de Yuan Sheng antes destas gravações, mas os primeiros acordes da Allemande que inicia a Suíte No. 1 de nosso sumo compositor, João Sebastião Ribeiro, colocaram-me imediatamente em alerta. Assim seguimos para a Courante e quando chegamos na Sarabande, eu já havia me tornado fã. Gente, ouçam esta sarabanda! Há nobreza, elegância, mas há também uma certa simplicidade que é resultado de muita sabedoria. Em uma palavra, espetacular!

Yuan Sheng

Pois este excelente pianista nasceu em Beijing, em uma família de artistas. Começou seus estudos aos cinco anos com sua mãe e depois estudou no Conservatório Central de Beijing, com os professores Qifang Li, Huili Li e Guangren Zhou. De 1991 até 1997 ele estudou na Escola de Música de Manhattan, em Nova Iorque. Seu grande interesse pela música de Bach o levou a estudar intensamente com Rosalyn Tureck. Yuan Sheng é agora professor do Conservatório Central de Beijing.

O que dizer do repertório? Que é espetacular, adoro todas as Suítes, mas tenho uma grama de predileção pela No. 5, que conheci antes das outras, e depois, pela No. 1. Além das Suítes Francesas, o álbum tem duas outras peças: Suíte em lá menor, BWV 818 e Suíte em mi bemol maior, BWV 819. Estas suítes estão, de alguma forma, ligadas às Suítes Francesas ‘oficiais’, por aparecem entre elas em alguns dos manuscritos que chegaram até nós. Tenho certeza que ninguém vai reclamar das peças a mais…

Antes de deixá-lo correr para o link e baixar a música, se é que você ainda não fez isto, uma palavra sobre os caracteres chineses. Tenho um enorme interesse pela cultura chinesa e sempre que posso tento aprender algo mais sobre ela. Por conta das poesias de Li Bai, que acabaram em algumas letras do Das Lied von der Erde, de Mahler, andei estudando um pouco os caracteres chineses. Não é fácil, especialmente para que tem uma memória RAM mínima, como eu, mas é excelente passatempo. Uma enorme ajuda veio de um (na minha opinião) excelente tradutor online, do qual faço propaganda e você pode conhecer se clicar aqui.

Os dois caracteres que coloquei no início da postagem formam precisamente o nome do pianista, Yuan Sheng, mas estão na ordem invertida, pois na China se diz primeiro o nome da família ( Sheng) e depois o nome do indivíduo ( Yuan).

Minha caligrafia pode melhorar…

O tradutor que indiquei dá muitas informações sobre cada caractere, inclusive você pode aprender a ordem de cada pincelada (ou de cada traço) para escrevê-lo (ou desenhá-lo).

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Suíte Francesa No. 1 em ré menor, BWV 812
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Menuet I e II; 5. Gigue
Suíte Francesa No. 2 em dó menor, BWV 813
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Air; 5. Menuet I e II; 6. Gigue
Suíte Francesa No. 3 em si menor, BWV 814
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Angloise; 5. Menuet e Trio; 6. Gigue
Suíte Francesa No. 4 em mi bemol maior, BWV 815
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Gavotte; 5. Menuet; 6. Air; 7. Gigue
Suíte Francesa No. 5 em sol maior, BWV 816
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Gavotte; 5. Bourée; 6. Loure; 7. Gigue
Suíte Francesa No. 6 em mi maior, BWV 817
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Gavotte; 5. Polonaise; 6. Menuet; 7. Bourée; 8. Gigue
Suíte em lá menor, BWV 818
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande simple; 4. Sarabande double; 5. Gigue
Suíte em mi bemol maior, BWV 819
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Bourée; 5. Menuet I e II

Yuan Sheng, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 467 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 300 MB

盛原

Yuan quer dizer fonte, origem, começo. Sheng é abundante, próspero, pujante. Assim, você pode perceber que o nome do pianista da postagem é muito significativo.

Resumindo, este álbum é ‘papa-fina’! Aproveite!!

René Denon

Smetana (1824-1884) & Janaček (1854-1928): Quartetos de Cordas – Jerusalem Quartet

Smetana (1824-1884) & Janaček (1854-1928): Quartetos de Cordas – Jerusalem Quartet

Bedřich Smetanta

Leoš Janáček

Quartetos de Cordas

Jerusalem Quartet

 

Seguindo na tentativa de cumprir minhas ‘decisões de Ano Novo’, avancei um pouco mais no processo de expansão de repertório. Usando a tática de avanço gradual, mas seguro, decidi explorar os quartetos de cordas de Leoš Janáček. E não é que me dei bem? O disco que ouvi é o desta postagem, que traz também o Quarteto ‘Da Minha Vida’, de Smetana. Esta peça de Smetana tem em comum com o segundo quarteto de Janaček o fato de ambos terem sido inspirados em fatos das vidas dos compositores.

O quarteto de Smetana foi composto pouco depois de ele ter ficado surdo e ainda tinha esperança de voltar a ouvir. Particularmente tocante é ouvir o quarto movimento do quarteto, no qual os zumbidos que Bedřich ouvia enquanto sua audição se deteriorava é mencionado.

Kamilla…

O Segundo Quarteto de Janáček é denominado ‘Cartas Íntimas’ e faz referência às muitas cartas que trocou com Kamila Stösslová, uma paixão impossível, uma vez que ela era casada e bem mais jovem do que ele. Você poderá descobrir um pouco mais sobre este caso lendo a postagem do sumo PQP Bach e ainda ouvir a Missa Glagolítica do Leoš Janáček.

O Primeiro Quarteto do Janáček é intitulado ‘Sonata Kreutzer’ (Viva BTHVN 2020!), mas a referência é um conto de Liev Tolstói, que tem este título. Portanto, o quarteto foi nomeado ‘por tabela’.

Posso dizer que gostei do disco, caso contrário no o estaria postando. O Jerusalem Quartet é muito bom, já ouvi outros discos gravados por eles. Assim, espero que você, caso seja tentado por esta postagem, mande-me um bilhete com suas próprias impressões. Pode usar nosso ultrassensível dispositivo de interlocução, que fica no alto da página, no cabeçalho da postagem, escondido pelo quase invisível ‘LEAVE A COMMENT’.

Bedřich Smetanta (1824 – 1884)

Quarteto de Cordas No. 1 em mi menor – ‘Da Minha Vida’

  1. Allegro vivo appassionato
  2. Allegro moderato a la Polka
  3. Largo sostenuto
  4. Vivace

Leoš Janáček (1854 – 1923)

Quarteto de Cordas No. 1 – ‘Sonata Kreutzer’

  1. Con moto
  2. Con moto
  3. Con moto. Vivo. Andante
  4. Con moto (Adagio). Più mosso

Quarteto de Cordas No. 2 – ‘Cartas Íntimas’

  1. Con moto. Allegro
  2. Vivace
  3. Andante. Adagio
  4. Andante. Adagio

Jerusalem Quartet

Alexander Pavlovsky, violino

Sergei Bresler, violino

Ori Kam, viola

Kyril Zlotnikov, violoncelo

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC |210 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 158 MB

Jerusalem Quartet – sempre há um que é ‘do contra’…

As outras postagens do nosso blog com os dois quartetos de Janáček estão como seus links inativos. Há uma postagem com o Segundo Quarteto que é muito boa! Veja aqui. Tentaremos restaurar os outros links. Portanto, aproveite e vá de Jerusalem Quartet! Aproveite!

René Denon

Prokofiev (1891-1953): Sonatas para Piano Nos. 3, 7 & 8 – Andrei Gavrilov

Prokofiev (1891-1953): Sonatas para Piano Nos. 3, 7 & 8 – Andrei Gavrilov

Prokofiev

Прокофьев

Sonatas para Piano Nos. 3, 7 & 8

Andrei Gavrilov

Андрей Гаврилов

 

Assim que vi este disco e logo que o ouvi pela primeira vez, atentei para sua atemporalidade e para a imensa energia, o vigor que ele emana quando é reproduzido. Parece-me um disco que foi gravado ontem, apesar de ter sido produzido em 1991 ou 1992. A capa combina com a modernidade de sua música e o som é excelente.

Falando da interpretação da sonata que abre o disco, um crítico da famosa Gramophone afirma: The Third Sonata […] gets off to a blistering start indeed. De tão intensa, chega a dar bolhas…

Das outras duas sonatas, Nos. 7 e 8, que ao lado da Sexta Sonata formam as chamadas Sonatas do Tempo da Guerra, pois foram compostas por Prokofiev entre 1939 e 1944, compara estas interpretações às interpretações de Maurizio Pollini e de Sviatoslav Richter. Altas comparações, indeed!

O Penguin Guide to CDs, em uma de suas quase infinitas edições, fala da gravação da Sétima como excitante e arrebatadora e diz que a interpretação da Oitava ‘se sustenta entre as mais exaltadas comparações’. E olhem que os ingleses costumam ser comedidos em seus comentários. É verdade que ao falar da Terceira o texto emprega a (deliciosa) expressão: he rushes his fences… apesar de mencionar o pretty dazzling virtuosismo. Pois Andrei Gavrilov é capaz disso, virtuosismo deslumbrante, estonteante.

Nascido em Moscou, de uma família de artistas, era protegido de ninguém menos do que o já citado Sviatoslav Richter e teve um início de carreira fulgurante. No entanto, em uma de suas turnês teve problemas com o sistema e amargou de volta para casa meia década de silêncio. Em 1984 conseguiu permissão para viajar para fora do país novamente com a ajuda de um tremendo pistolão – Mikhail Gorbachev. Foi artista da EMI e do selo amarelo, gravando alguns ótimos discos, como este da postagem.

Serge Prokofiev (1891 – 1953)

Sonata para piano em lá menor No 3, Op. 28

  1. Allegretto Tempestoso – Moderato – Allegro Tempestoso- Moderato – Più Lento – Più Animato – Tempo I – Poco Più Mosso

Sonata para piano em si bemol maior, Op. 83

  1. Allegro Inquieto – Andantino – Allegro Inquieto – Andantino – Allegro Inquieto
  2. Andante Caloroso – Poco Più Animato – Più Largamente – Un Poco Agitato – Tempo I
  3. Precipitato

Sonata para piano em si bemol maior, Op. 84

  1. Andante Dolce – Poco Più Animato – Andante I – Allegro Moderato – Andante – Andante Dolce, Come Prima – L’istesso Tempo – Allegro
  2. Andante Sognando
  3. Vivace – Allegro Ben Marcato – Andantino – Vivace

Andrei Gavrilov, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC |164 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 124 MB

Este incrível artista novamente teve problemas e sua carreira se abateu com isso. No entanto, para entender um pouco este difícil processo é preciso mais do que o espaço desta postagem e você pode começar com esta reportagem-entrevista aqui.

Apesar disto, você pode ouvir este ótimo disco e crer que Gavrilov, de alguma maneira, superou consideravelmente suas dificuldades. Veja aqui a sua página e aqui seu próprio blog.

Aproveite!

René Denon

Schubert (1797-1828): 8 Impromptus, D. 899 & 935 – Krystian Zimerman

Schubert (1797-1828): 8 Impromptus, D. 899 & 935 – Krystian Zimerman

Franz Schubert

Impromptus

Krystian Zimerman

 

Como uma música tão sublime, tão poderosa e obviamente magistral pode passar desapercebida, esquecida ou subestimada?

A música de Schubert é tão pessoal e cheia de sentimentos, com menos demanda técnica do que a maioria dos outros compositores que acaba propondo aos intérpretes dificuldades de outras ordens. Na minha perspectiva, sua música demanda um enorme equilíbrio para evitar a frivolidade, mas também não derrapar na pieguice. No caso dos Impromptus que temos neste álbum, que foram compostos já no fim da vida do compositor, no período em que ele se ocupava do ciclo de Lieder Winterreise, esse equilíbrio é ainda mais necessário, pois estamos num período de transição entre o classicismo e o romantismo.

Há várias gravações destas peças que são standards da discografia de Schubert, como as gravações de Perahia, Brendel (analógica) e Lupu, mas esta gravação de Krystian Zimerman merece ocupar a mesma prateleira. Zimerman é um pianista que frequenta pouco os estúdios de gravação, mas quando o faz nos oferece álbuns para apreciar e se deliciar.

Veja como começa a crítica deste álbum em uma importante revista de música: ‘Os Impromptus representam a música de Schubert por excelência, por que eles falam em um tom de intimidade e são mais adequados às pequenas salas de convivência do que às salas de concertos’. Este aspecto mais introvertido das peças pode dar margem a uma interpretação com melodias açucaradas e olhos lacrimejantes. Não é isto o que temos neste disco. O que temos é uma apresentação de uma música sofisticada, cheia de variedades e muita dinâmica.

Os segundo impromptu do primeiro conjunto é o que eu chamo ‘música líquida’ – um fluxo de sons absolutamente irresistível. Se você não sorrir de puro prazer ao ouvir esta peça, esqueça, música não é para você. Ou pelo menos este tipo de música.

Em várias destas peças, como na primeira delas, você percebe que os pianistas são seres excepcionais – conseguem fazer o que para mim é impossível – duas ou mais coisas ao mesmo tempo. Eu consigo assobiar um recorte da música, acompanhando uma melodia, mas me dou conta que há muitas outras coisas acontecendo independentemente, que eu não consigo assobiar ao mesmo tempo. É, mas eu não sou pianista…

Franz Schubert (1797 – 1828)

Impromptus D. 899 (Op. 90)

  1. 1 em dó menor
  2. 2 em mi bemol maior
  3. 3 em sol bemol maior
  4. 4 em lá bemol maior

Impromptus D. 935 (Op. 142)

  1. 1 em fá menor
  2. 2 em lá bemol maior
  3. 3 em mi bemol maior
  4. 4 em fá menor

Krystian Zimerman, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 199 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 150 MB

Krystian durante a entrevista com a equipe do PQP

Impromptu é um gênero que se praticava na época de Schubert e ele teve modelos, especialmente do compositor boêmio Jan Václav Voříšek (alô, Vassily!). De qualquer forma, as oito peças que ele produziu, assim como os Moments Musicaux, são exemplos de peças independentes e muito usadas para completar um recital. Apesar de que, especialmente o segundo conjunto, pode ser visto como uma obra só, uma sonata disfarçada de ‘impromptus’.

Não demore, baixe o disco e deleite-se com estas lindas miniaturas.

Approveite!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para violino e cravo obbligato, BWV 1014-1019 – Chiara Banchini & Jörg-Andreas Bötticher

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para violino e cravo obbligato, BWV 1014-1019 – Chiara Banchini & Jörg-Andreas Bötticher

J.S. Bach

Sonatas para violino

Chiara Banchini

Jörg-Andreas Bötticher

 

Sonatas para violino é um gênero no qual as gerações de compositores antes de Bach produziram em profusão e ele certamente conhecia muitos exemplos, particularmente estudioso que era da obra de outros compositores.

Basta considerar como exemplo as ‘invenções’ escritas por Antonio Bonporti, que são excelentes e você pode ouvi-las se acessar esta postagem aqui.

Bach, do alto de sua genialidade, não só estudava estas obras, ela incorporava suas características em sua própria linguagem e produzia resultados que acabavam estabelecendo novos padrões de qualidade e também de originalidade.

Manuscrito do primeiro movimento da terceira versão da Sonata No. 6, BWV 1019, na cópia de Johann Christoph Altnickol

As sonatas desta postagem são exemplos típicos. No título ele usa a expressão obbligato harpsichord, indicando o novo papel do cravo, não só fornecendo o baixo contínuo, mas também uma nova voz, que ao lado do violino tem papel de protagonista. Neste sentido, estas sonatas estão próximas das triosonatas, onde duas vozes são acompanhadas do baixo contínuo.

Eu ouço estas peças há muito tempo e a mudança de estilo nas interpretações tem sido constante, especialmente com o movimento HIP, das interpretações historicamente informadas. As gravações mais romantizadas, digamos assim, como a maioria das mais antigas, com a parte do violino cheia de vibrato, me parecem hoje anacrônicas.

Quando vi esta gravação decidi imediatamente ouvi-la com atenção, pela excelente violinista que é a Chiara Banchini. Pois gostei tanto que resolvi dividi-la com vocês.

Chamo a atenção de vocês para mais um detalhe, a respeito deste conjunto magnífico de peças que temos o privilégio de poder ouvir. O conjunto não tem uma única sonata mais fraca, menos interessante. Ou seja, a força destas obras também está na individualidade de cada peça, que adiciona e abrilhanta por demais o conjunto. Lembrando também, estas peças são sonatas, no modelo das sonatas da chiesa, com quatro movimentos, cujas indicações de tempo são como alegro, adagio, diferentes das suítes, com andamentos de danças.

O que dizer do primeiro movimento da primeira sonata, que inicia aos cuidados do cravo, pensativamente, ao qual aos poucos vai sendo adicionada a voz do violino? Este movimento é seguido por outro, que inicia com uma explosão de energia… E o terceiro movimento da segunda sonata, um Andante um poco… Ao ouvir este movimento veio-me a decisão de postar o álbum.

Jorge André testando o cravo que o PQP encomendou

Uma última observação. Nesta gravação, feita na Suiça em julho de 2011, o excelente cravista Jörg-Andreas Bötticher usa um instrumento construído em 2006 por Matthias Kramer, de Hamburgo, tendo como modelo um robusto cravo alemão do tipo que o próprio Bach tinha. Mais detalhes técnicos sobre este assunto você poderá ver no excelente livreto que acompanha os arquivos de música.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Sonatas para cravo obbligato e violino, BWV 1014 – 1019

CD1

Sonata No. 1 em si menor, BWV 1014

  1. Adagio; 2. Allegro; 3. Andante; 4. Allegro

Sonata No. 2 em lá maior, BWV 1015

  1. Dolce; 2. Allegro; 3. Andante um poco; 4. Allegro

Sonata No. 3 em mi maior, BWV 1016

  1. Adagio; 2. Allegro; 3. Adagio ma non tanto; 4. Allegro

CD2

Sonata No. 4 em dó menor, BWV 1017

  1. Largo; 2. Allegro; 3. Adagio; 4. Allegro

Sonata No. 5 em fá menor, BWV 1018

  1. Largo; 2. Allegro; 3. Adagio; 4. Vivace

Sonata No. 6 em sol maior, BWV 1019

  1. Allegro; 2. Largo; 3. Allegro; 4. Adagio; 5. Allegro
Cantabile, BWV 1019a

Chiara Banchini, violino

Jörg-Andreas Bötticher, cravo

Produção de Franck Jaffrès para o interessantíssimo selo Zig-Zag Territoires

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 601 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 231 MB

Não deixe de ouvir o conjunto todo, vale muito a pena. Se encontrares um movimento no qual a violinista não participa, fica apenas admirando a arte de seu acompanhante, é por que você chegou à magnífica sexta sonata. Volte e ouça de novo a quinta e, se tiver ainda tempo, ouça tudo de novo. É o que eu acabo fazendo.

Para uma foto mais recente da Chiara, acesse aqui.

Aproveite!

René Denon

Alban Berg (1885-1935): Quarteto Op. 3 & Suíte Lírica – Quatuor Arditti

Alban Berg (1885-1935): Quarteto Op. 3 & Suíte Lírica – Quatuor Arditti

Alban Berg

Quarteto Op. 3

Suíte Lírica

 

Eu sou basicamente um conservador. Bem, eu quero dizer conservador quando se trata de gosto musical. Expandir meu, digamos assim, repertório, sempre exigiu um certo esforço, mas as recompensas sempre vieram e em abundância. Adoro essa palavra…

Custei muito a incluir as peças de Debussy e Bartók em minha dieta musical, mas hoje não vivo sem elas.

Atualmente tenho tentado navegar por águas um tanto geladas, mapeando os mares shostakovichianos, mas não fui muito além do famosíssimo quinteto para piano e cordas e dos concertos para piano, desde que interpretados pela belíssima Anna Vinnitskaya.

Pois assim, como parte das resoluções de fim de ano, decidi me aventurar mais por águas ainda não navegadas. Porém, antes de grandes arroubos, resolvi visitar algumas das minhas tentativas juvenis que haviam restado indecisas e ataquei de Alban Berg. Como tenho uma queda por quartetos de cordas, busquei na prateleira de baixo, aquela que precisamos abaixar e está mais empoeirada do que as outras, meu disco de Quartetos de Alban Berg.

Então, um álbum com música atonal. Sim, aquela que é impossível assobiar um pedaço depois de ouvi-la. Temeridades à parte, do triunvirato da Segunda Escola de Viena, acho Berg o mais acessível. E olha que o Quarteto Op. 3, obra que abre o disco, é a peça de maior fôlego, criado nesta forma de compor, produzida neste período. Veja o que Schoenberg disse desta peça: ‘Este quarteto surpreendeu-me de maneira mais incrível pela riqueza de sua linguagem e pala ausência de restrições, pelo ímpeto e segurança do discurso, pela sua cuidadosa elaboração e significante originalidade’. A apresentação deste quarteto em Salzburgo em 2 de agosto de 1923, durante um concerto realizado pela Sociedade Internacional de Música Contemporânea foi o primeiro grande sucesso de público de Alban Berg.

A Suíte Lírica é uma peça impressionante. Aqui a temos em sua forma original. O nome foi inspirado pelo nome de uma peça de Alexander Zemlinsky, a Sinfonia Lírica, de 1923. Apesar de atonal, a peça tem suas raízes nas tradições vienenses de quartetos de cordas, especialmente os últimos quartetos de Beethoven e na estrutura do Das Lied von der Erde, de Mahler, obra extremamente significativa do início do século XX. Veja que a peça é composta de seis movimentos.

A obra inicia com um Allegretto gioviale, mas se encaminha para um fim trágico, passando por um Presto delirando e desaguando em um Largo desolato. Pois é, acho que o pouquinho de romantismo que restou em Berg o faz assim, mais acessível aos ouvintes acostumados à música tonal. Vide seu deslumbrante Concerto para Violino. Mas, isto fica para outra ocasião! Quanto a você, fique com o convite de navegar estas águas menos percorridas, se é o seu caso. As recompensas podem ser surpreendentes.

Alban Berg (1885 – 1935)

Quarteto Op. 3

  1. Primeiro movimento
  2. Segundo movimento

Suíte Lírica

  1. Allegro gioviale
  2. Andante amoroso
  3. Allegro misterioso
  4. Adagio appassionato
  5. Presto delirando
  6. Largo desolato

Quatuor Arditti

Irvine Arditti, violino
David Albermann, violino
Levine Andrade, viola
Rohan de Saram, violoncelo

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 199 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 111 MB

O Quatuor Arditti ou Arditti Quartet já não tem esta mesma formação. Aqui está um update dos membros que participaram desta gravação, mas não mais fazem parte do grupo. Página do segundo violino, agora com a grafia David Alberman pode ser acessada aqui.

Levine Andrade, que tocava a viola, faleceu em 2018. Você poderá ler um obituário aqui.

O violoncelista Rohan de Saram continua ativo e você poderá acessar sua página aqui.

A página do Arditti Quartet atual é esta aqui.

Usei Quatuor Arditti no lugar de Arditti Quartet porque o selo do disco da postagem é francês. Você poderá ler aqui uma entrevista com Irvine Arditti e David Alberman, feita por Bruce Duffie.

Há muitas explicações sobre as motivações para a composição da Suíte Lírica, que envolvem uma paixão impossível, motivos musicais construídos por letras dos nomes dos enamorados e um bocado de teoria musical. Você pode saber mais sobre isto aqui, o programa da peça segundo outro excelente conjunto musical. Mas hoje, as honras são para o ousado Quatuor Arditti.

Aproveite!
René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 9 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 9 de 9 – BTHVN250

 

BTHVN

Op. 109 ◦ Op. 110 ◦ Op. 111

 

 

Após a composição das duas sonatas anteriores, ditas para Hammerklavier, ambas com quatro movimentos, sendo que a segunda delas alcançou todos os limites da forma sonata, estabelecendo novos patamares, o que fazer mais? Como prosseguir daqui? Pois a resposta genial veio com a composição de um conjunto de três sonatas que guardam cada uma delas enorme individualidade. Em um sentido, uma volta à proporções menores, mas com uma renovada liberdade. A palavra que me ocorre sempre que penso nestas três sonatas é transcendência. Nelas Beethoven exercita uma enorme flexibilidade e demonstra ainda uma concentrada dose de criatividade. Resumindo: sublimes.

Duas destas sonatas terminam em variações e uma delas em uma fuga. O lirismo também está presente. Não foram as últimas composições para piano do genial Ludovico, mas com elas ele definitivamente terminou o ciclo de sonatas.

Considero essas três peças indispensáveis e já as ouvi inúmeras vezes, com muitos intérpretes. Mas nunca me canso delas. Gosto muitíssimo das gravações do Kovacevich (Philips e EMI), gosto mais da última gravação (creio que ao vivo) do Brendel para a Philips, da gravação menos conhecida da pianista Inger Södergren, no selo Calliope. As Sonatas Nos. 30 e 31 foram gravadas pelo Emil Gilels na Deutsche Grammophon. Alas, ele não chegou a gravar a última sonata, transcendeu. Mas hoje, o dia é de Igor Levit e espero que você, caso tenha chegado até aqui, desfrute também desta gravação e lembre-se da enorme evolução alcançada por um dos maiores compositores de que temos notícia.

Vivat, vivat Beethoven!!

Desenho feito por August von Klöber

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano No. 30 em mi maior, Op. 109

  1. Vivace ma non troppo
  2. Prestissimo
  3. Gesangvoll, mit innigster Empfindung. Andante molto cantabile ed expressivo

Sonata para piano No. 31 em lá sustenido maior, Op. 110

  1. Moderato cantabile molto expressivo
  2. Allegro molto
  3. Adagio ma non troppo – Fuga. Allegro ma non troppo

Sonata para piano No. 32 em dó menor, Op.111

  1. Maestoso – Allegro com brio ed apassionato
  2. Arietta – Adagio molto semplice e cantabile

Igor Levit, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 173 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 151 MB

Igor adorando os jardins do PQP Bach!

Esta jornada teria sido impossível sem a condução impecável deste notável pianista e cidadão, Igor Levit! Você poderá ler uma curta entrevista com ele aqui.

Aproveite!

René Denon

Brahms (1833-1897): Sonatas para Violoncelo e Piano – Lynn Harrel & Stephen Kovacevich

Brahms (1833-1897): Sonatas para Violoncelo e Piano – Lynn Harrel & Stephen Kovacevich

Brahms

Sonatas para Violoncelo Nos. 1 & 2

Variações sobre um tema de Handel

Lynn Harrell & Stephen Kovacevich

 

Quando Brahms iniciou a composição da primeira sonata para violoncelo e piano, em 1862, tinha as sonatas de Beethoven por modelo, mas enfrentava diferentes desafios. Desde os dias de Beethoven, o piano se desenvolvera em um instrumento mais poderoso e as composições que precisavam equilibrar dois instrumentos assim diversos apresentavam claras dificuldades. Isto sem contar que nestes tempos de romantismo, ousar escrever uma ‘sonata’ soava como um desafio clássico.

Brahms era, no entanto, um pianista com larga experiência em acompanhar músicos e cantores e já tinha experiência em compor para conjuntos de câmera. Apesar de que esta sonata era sua primeira experiência com apenas dois instrumentos.

Brahms dedicou a sonata a Josef Gänsbacher, um ótimo cantor e também um violoncelista. Parte das soluções que Brahms encontrou para produzir tão linda sonata foi de fazer o piano ‘acompanhar’ o violoncelo que ‘canta’ nos seus registros mais baixos. Para não causar conflito entre os dois instrumentos, nestes momentos o pianista, mesmo quando usa as duas mãos, elas acabam ficando na região dos registros mais altos, dando espaço para o violoncelo. Pois tocar o violoncelo nos registros mais baixos, fazê-lo cantar, não é tarefa assim fácil.

Pois deve ter sido isto que teria causado Gänsbacher afirmar, enquanto ensaiava a sonata com Johannes, conta a história, que não conseguia ouvir a si mesmo. Ao que retrucara prontamente Brahms (mesmo sob o risco de perder o amigo): Você é que tem sorte!

O último movimento da sonata lhe foi acrescentado já no momento da publicação e é uma fuga cujo sujeito é modelado no Contraponto XIII da Arte da Fuga, de Bach. Mais clássico, impossível!

A segunda sonata é resultado de um pedido feito pelo violoncelista Robert Hausmann, do Quarteto Joachim, em 1884. Inicialmente Brahms não mostrou interesse, mas em 1886 a sonata estava pronta e os dois a estrearam em 14 de novembro. O Concerto Duplo, para violino e violoncelo também contou com Hausmann na sua estreia.

Enquanto a primeira sonata ainda tem um certo ar de juventude, a segunda é claramente obra de um grande e maduro compositor, com dois primeiros impetuosos movimentos, clássica mas afinal também composta nos dias de romantismo.

Lynn Harrell

Este disco é o resultado do encontro de dois excelentes músicos, Lynn Harrell e Stephen Kovacevich, que dão, especialmente à segunda sonata, uma urgência que ainda mais enfatiza sua impetuosidade.

O disco ainda nos brinda com a excelente interpretação das Variações Handel, compostas por Brahms levando em conta o terceiro movimento da primeira sonata do segundo livro de Handel. A Sonata de Handel é em si bemol maior HWV 434 e você poderá ouvi-la aqui, na interpretação da excelente Ragna Shirmer. São as três primeiras faixas do disco 1. As Variações estão na faixa 3.

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Sonata para violoncelo No. 1 em mi menor, Op. 38

  1. Allegro non troppo
  2. Allegretto quase Menuetto
  3. Allegro

Sonata para violoncelo No. 2 em fá maior, Op. 99

  1. Allegro vivace
  2. Adagio affettuoso
  3. Allegro appassionato
  4. Allegro molto

8. Variações e fuga sobre um tema de Handel, Op. 24

Lynn Harrell, violoncelo

Stephen Kovacevich, piano

Produção; John Fraser

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 297 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 179 MB

Stephen Kovacevich

Portanto, não deixe para depois, baixe logo os arquivos e aproveite este ótimo álbum, mesmo que você já tenha outras gravações destas lindas sonatas.

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 8 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 8 de 9 – BTHVN250

 

BTHVN

Op. 101

Op. 106 – ‘Hammerklavier’

 

Chegamos ao terceiro período de composição de Beethoven. O compositor agora praticamente surdo comunica-se com seus amigos pelos cadernos de conversação. Esta condição e o surgimento de instrumentos com um teclado estendido certamente influenciaram sua maneira de compor. Isto marcaria as suas últimas cinco sonatas.

A Sonata No. 28 em lá maior Op. 101 foi composta em 1818, quando Beethoven passava uns dias em Baden, cidade perto de Viena. No nome desta sonata, Beethoven colocou a palavra Hammerklavier, para indicar que a sonata havia sido escrita para este novo instrumento, assim como fez na outra sonata deste disco: a Grösse Sonate für das Hammerklavier, que para nós e todo o mundo ficou conhecida como a ‘Hammerklavier’. Assim como o fez no caso da Sinfonia Eroica, ao compor esta sonata Beethoven expandiu os limites da forma como nunca havia sido nem imaginado. Demoraria muito para que outras sonatas surgissem com o escopo desta. Para termos uma ideia de sua magnitude, foi composta em 1818, mas apenas em 1836 foi apresentada publicamente, por ninguém menos do que Franz Liszt, na Salle Erard, Paris.

What is greatness in music? Before we talk about spiritual greatness, let us establish this: The art of music also has a physical size – width, height, circumference, time, density, weight, appearance and expression. When Ludwig van Beethoven announced his B Major Sonata op. 106 as a great one, his greatest, even (before a single note had been written down), he meant everything: No other sonata from his pen is longer, more compact in sound, fingering or compositional technique, no other is more comprehensive in the sense of the genres it contains – symphony, aria, choir, dance, fugue. And yet, it is conceived, explored and taxed entirely from the perspective of the piano: piano sound and piano playing that tests all limits, even the suggestive ones. Written between the final symphonies, it aspires to their public relevance and resonance – but as a piano work, as a statement of the individual.

A sonata foi dedicada ao Arquiduque Rodolfo, patrono, aluno e grande amigo de Beethoven. Dizem, os primeiros acordes da sonata seriam uma alusão à frase ‘Vivat, vivat Rudolfo’!

The first bar of Beethoven’s ovational Hammerklavier-Sonata is accompanied with the singing of “Vivat, vivat, Rodolfo”. The composer dedicated his opus 106 to the Archduke Rudolf of Habsburg.

Os textos em inglês são citações de um programa de concerto que pode ser lido na íntegra aqui.

Nesta penúltima postagem das Sonatas para Piano de Beethoven, com a intenção de lembrar com ênfase a passagem de 2020, ano que marca os 250 anos de nascimento do grande Ludovico, gostaria de prestar também uma homenagem ao pianista Igor Levit. Além de enorme artista, como essas suas interpretações atestam, mesmo quando o resultado não cai exatamente ao gosto do ouvinte, Levit destaca-se por sua atitude como ser humano, num mundo tão carente de pessoas de destaque cultural que se posicionem com clareza em relação a tantos temas sociais e políticos. Quando um artista deste quilate recebe um prêmio por esse tipo de atuação, é preciso reconhecer. Assim, hats off para o Levit.

Você poderá ler o artigo que conta como Igor Levit ganhou o ‘Beethovenpreis de Bonn’ por seu compromisso social e político na íntegra aqui.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano No. 28 em lá maior, Op. 101

  1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung
  2. Marschmässig
  3. Langsam und sehnsuchtsvoll
  4. Geschwind, doch nicht zu sehr, und mit Entschlossenheit

Sonata para piano No. 29 em si bemol maior, Op. 106 ‘Hammerklavier’

  1. Allegro
  2. Assai vivace
  3. Adagio sostenuto. Appassionato e con molto sentimento
  4. Allegro risoluto

Igor Levit, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 164 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 145 MB

“Every crowd is curious if you take them seriously” – Igor Levit 
Pois é, e além de tudo, grande pianista! Aproveite!
René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 7 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 7 de 9 – BTHVN250

 

BTHVN

Op. 78 ◦ Op. 79 

Op. 81a ‘Les Adieux’ ◦ Op. 90

 

 

Mais um passo nesta série de postagens das Sonatas para Piano de Ludwig van Beethoven, parte das nossas comemorações de 250 anos de seu nascimento.

Após as duas monumentais sonatas postadas no volume anterior, a Waldstein e a Appassionata, temos uma série de pequenas sonatas. É como se o inovador e inesgotável Ludovico precisasse tomar um fôlego e mostrar para a sua audiência também ser capaz de criar lindas e charmosíssimas peças para piano.

A sonata de maior extensão neste disco é a intitulada ‘Les Adieux’ e como muitas outras de suas obras, foi dedicada ao Arquiduque Rodolfo. A sonata tem um caráter programático, fazendo alusão à ocasião na qual o Arquiduque e boa parte da nobreza deixaram Viena por uma temporada, devido ao cerco da cidade pelas tropas de Napoleão. Os movimentos da sonata são intitulados Liebewohl, Abwesenheit e Wiedersehen – Adeus, Ausência e Reunião. A palavra Le-be-wohl foi escrita com as sílabas assim separadas sobre as três primeiras notas da sonata.

As três primeiras sonatas foram escritas por volta de 1809 e 1810. A última sonata do disco, escrita em apenas dois movimentos, é de 1814 e dedicada ao Conde Moritz Lichnowsky. Neste período Beethoven estava usando alemão para deixar as indicações de andamentos dos movimentos de suas obras.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano No. 24 em fá sustenido maior, Op. 78

  1. Adagio cantábile – Allegro ma non troppo
  2. Allegro vivace

Sonata para piano No. 25 em sol maior, Op. 79

  1. Presto alla tedesca
  2. Andante
  3. Vivace

Sonata para piano No. 26 em mi bemol maior, Op. 81a – ‘Les Adieux’

  1. Das Lebewohl. Adagio – Allegro
  2. Das Wiedersehen. Andante expressivo
  3. Das Wiedersehen. Vivacissimamente

Sonata para piano No. 27 em mi menor, Op. 90

  1. Mit Lebhaftigkeit und darchaus mit Empfindung und Ausdruck
  2. Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen

Igor Levit, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 125 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 111 MB

Aproveite bem esta beleza de disco e prepare-se para as duas últimas postagens da série e que já estão a vir!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 6 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 6 de 9 – BTHVN250

BTHVN

Op. 49 ◦ Op. 53 Waldstein

Op. 54 ◦ Op. 57 Appassionata

 

As duas sonatinhas (leichten Sonaten) que abrem o disco pertencem ao passado, foram compostas em 1795/6, apesar só terem sido publicadas em 1805, sendo esta a razão para o número de opus 49. Elas são charmosas e muito lindas, e servem para abrir os trabalhos para o que vem pela frente: duas sonatas espetaculares: Waldstein e Appasionata. Cuidado, não subestime a Sonata No. 22, em fá maior, Op. 54, só por estar entre estas obras magníficas. Ela também merece toda a nossa admiração, mas é difícil não falar mais sobre as duas outras monumentais sonatas.

Conde Waldstein, amigo leal do Ludovico!

Na minha opinião, a Waldstein é a sonata mais decisiva entre todas as compostas pelo grande Ludovico. Esta sonata é um marco, uma espécie de Bojador… Se o pianista cruzar esta etapa, estará além, terá transposto as maiores dificuldades e estará pronto para as riquezas que estão a vir.

As sonatas Waldstein e Appassionata são do período heroico do compositor, junto com a Sinfonia No. 3, justamente apelidada ‘Eroica’. Veja o que diz Maynard Solomon: Com as sonatas Waldstein e Appassionata, compostas principalmente em 1804 e 1805, Beethoven transpôs irrevogavelmente as fronteiras do estilo pianístico clássico, criando sonoridades e tessituras que nunca haviam sido antes obtidas. Ele deixou de limitar as dificuldades técnicas de suas sonatas para permitir a execução por amadores competentes (…) As dinâmicas foram grandemente ampliadas; as cores são fantásticas e luxuriantes, aproximando-se de sonoridades quase orquestrais. Ainda Solomon: – os movimentos lentos estão organicamente ligados aos finales, de modo a dar a impressão de obra em dois movimento ampliados.

O livrinho sobre as sonatas para piano de Beethoven, escrito por Denis Matthews, para a coleção Guias Musicais BBC, conta que entre os fatores que contribuíram para a grandeza de estilo sem precedentes da Waldstein está o fato de Beethoven ter adquirido em 1803 um piano Erard, com um compasso a mais no agudo. Isso fizera inclusive que ele reescrevesse certas passagens do Concerto em dó menor. Também é desta época a Sonata a Kreutzer e Leonora (Fidelio) estava já pelo caminho.

Assim, temos mais uma postagem que homenageia este extraordinário compositor, repleta de música maravilhosa, com a interpretação audaciosa e competentíssima de Igor Levit, que nos dá aqui uma palhinha, só para a turma do PQP-Bach.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para piano No. 19 em sol menor, Op. 49, 1

  1. Andante
  2. Allegro

Sonata para piano No. 20 em sol maior, Op. 49, 2

  1. Allegro, ma non troppo
  2. Tempo di Menuetto

Sonata para piano No. 21 em dó maior, Op. 53 – “Waldstein”

  1. Allegro com brio
  2. Adagio molto
  3. Allegretto moderato – Prestissimo

Sonata para piano No. 22 em fá maior, Op. 54

  1. Im tempo d’un Menuetto
  2. Allegretto – Più allegro

Sonata para piano No. 23 em fá menor, Op. 57 – “Appassionata”

  1. Allegro assai
  2. Andante con moto
  3. Allegro ma non troppo – Presto

Igor Levit, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 187 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 167 MB

Igor…

Ludovico disse à Andreas Streicher, em castiço alemão: I received your fortepiano the day before yesterday. It is really marvelous, anybody else would like to have it for his own, and I – you may laugh, but I would have to lie if I didn’t tell you that it is too good for me, and why? – because it deprives me of the freedom to create my own tone.

Aproveite mais este lindo disco da série…

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 5 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 5 de 9 – BTHVN250

 

BTHVN

Op. 31

 

 

 

Continuamos com as postagens da série das Sonatas para Piano de Beethoven interpretadas por Igor Levit. Agora ultrapassamos a metade do caminho com as três sonatas do Opus 31.

Do ponto de vista da obra de Beethoven, este é um momento importante. As obras produzidas em Bonn e em seus primeiros anos em Viena não ganharam número de opus, não constavam do catálogo oficial do compositor. As obras compostas em Viena, especialmente a partir de 1793, passaram a ter esta numeração e revelam a genialidade de Beethoven. As três Sonatas para piano do Opus 31, de 1802, representam um ponto significativo na carreira de nosso genial homenageado, mas havia muito ainda por vir.

Nesta primeira fase de sua carreira, era comum que Beethoven publicasse grupos de três peças reunidas em um único número de opus. Foi assim com o Opus 1 (Trios com Piano), Opus 2 (Sonatas para Piano), Opus 9 (Trios de Cordas), Opus 10 (Sonatas para Piano), Opus 12 (Sonatas para Violino e Piano), Opus 30 (Sonatas para Violino e Piano) e Opus 31, com as Sonatas para Piano deste álbum. Houve o Opus 18, com os seis primeiros quartetos de cordas e haveria ainda o Opus 59, mais 3 quartetos de cordas. No entanto, com opus 31 Beethoven parece terminar esta fase de sua carreira. Segundo Czerny, pouco depois da composição da Sonata em ré maior, Op. 28, Beethoven teria dito a seu amigo Krumpholz: Estou apenas um pouco satisfeito com minhas obras anteriores. De hoje em diante, tomarei outro rumo.

Assim como nos outros casos de conjuntos de três obras em um mesmo número de opus, neste conjunto de três sonatas, as duas primeiras são mais simples e a última, mais ousada. Realmente, as duas primeiras sonatas têm três movimentos cada e a última, uma típica Sonata Grande, tem quatro movimentos. No entanto, a segunda, intitulada “Tempest”, é possivelmente a mais famosa das três.

Eu gostei bastante da interpretação do Igor Levit para estas três sonatas, onde os movimentos mais rápidos ganharam uma bravura especial.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para piano No. 16 em sol maior, Op. 31, 1

  1. Allegro vivace
  2. Adagio grazioso
  3. Allegretto

Sonata para piano No. 17 em ré menor, Op. 31, 2 – “Tempestade”

  1. Largo – Allegro
  2. Adagio
  3. Allegretto

Sonata para piano No. 18 em mi bemol maior, Op. 31, 3 – “Hunt”

  1. Allegro
  2. Allegretto vivace
  3. Moderato e grazioso
  4. Presto con fuoco

Igor Levit, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 259 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 147 MB

Igor Levit

Beethoven também produziu dois conjuntos de três obras antes das publicações com números do opus. Há um conjunto de três quartetos com piano, catalogados como WoO. 36, em 1785, e um conjunto de três sonatas para piano, as Kurfürstensonaten, WoO. 47, de 1783. Mas o mais magnífico conjunto de três obras, só que cada uma com seu próprio número de opus, é o formado pelas últimas três sonatas para piano. Você não perde por esperar…

Enquanto isto, aproveitem estas três do Opus 31!

René Denon

Debussy (1862-1918): La Mer – Prélude à l’aprés-midi d’un faune – Images – Orchestre National de France & Daniele Gatti

Debussy (1862-1918): La Mer – Prélude à l’aprés-midi d’un faune – Images – Orchestre National de France & Daniele Gatti

Debussy

La Mer

Orchestre National de France

Gatti

 

Claude Debussy foi um inovador. Um compositor que deixou sua marca especialmente por sua criatividade. Sua obra para piano é magnífica, mas nesta postagem teremos a oportunidade de ouvir algumas de suas contribuições sinfônicas. Temos aqui três obras seminais, que mostram grande originalidade na linguagem musical, na orquestração e também nas suas concepções. Sobretudo no caso da sua obra orquestral mais conhecida – La Mer.

A primeira destas três obras a ser composta foi o Prélude à l’aprés-midi d’un faune, cuja estreia ocorreu em 22 de dezembro de 1894. A peça foi inspirada por um poema de Stéphane Mallarmé e tem as características do estilo inovador que Debussy traria a suas obras. A inspiração grega aparece no uso sensual da flauta, assim como de ousadas harmonias.

A composição de La Mer foi iniciada na Borgonha, longe do mar. O próprio Debussy escreveu para um amigo: Você dirá que o mar não chega perto das colinas da Borgonha, mas eu tenho inúmeras recordações…

A peça é formada por três movimentos (Debussy era chegado em trípticos) e foi o mais perto que ele chegou de escrever uma sinfonia. Mas o mar de Debussy não é de almirante. Ele também não tinha intenção de escrever uma obra programática e chamou a cada movimento de esboço. Esta é uma das peças que maior impacto me causou nas minhas expansões do classicismo para o modernismo, a música do século XX, ao lado da Sagração da Primavera, de Stravinsky e do Concerto para Orquestra, de Bartók.

A última peça do programa, Images pour orchestre é também uma peça belíssima. Tem um tríptico dentro de um tríptico. Ibéria, a parte central, é composta de três movimentos, foi composta primeiro e é às vezes apresentada sozinha, como na linda gravação de Fritz Reiner. Depois Debussy compôs Rondes de printemps. Estas duas peças foram apresentadas juntas pela primeira vez em 1910 e só em 1913 Images completa, com a primeira parte, Gigues, foi apresentada ao público.

Images está impregnada de Espanha e de poesia. Os nomes dos movimentos são um deleite à parte: Par les rues et par les chemins, Le Matin d’un jour de fête…

Este magnífico repertório é apresentado aqui por uma tradicional orquestra francesa, a Orchestre National de France, regida pelo competentíssimo maestro italiano Daniele Gatti. O disco não é uma unanimidade de crítica, mas eu gostei demais. Achei especialmente elegante, com tempos muito bem escolhidos, como esta música sofisticadíssima precisa ser apresentada. A peça que ouvi mais vezes foi o Prélude, talvez por ser mais curta e por que eu gosto muito desta versão. Mas as outras peças estão também muito boas. É claro, vocês sabem, se eu só posto o que eu gosto muito. Não faz muito tempo, FDP Bach postou um disco com este exato repertório, mas as peças não são apresentadas na mesma sequência. O outro disco é também muito bom. Se você quiser ouvi-lo também, acesse aqui.

Claude pegando um bronze aqui em Camboinhas…

Claude Debussy (1862 – 1918)

La Mer

  1. De l’aube à midi sur la mer
  2. Jeux de vagues
  3. Dialogue du vent et de la mer

Prélude à l’aprés-midi d’un faune

  1. Très modéré

Images pour orchestre

  1. Gigues
  2. Iberia – Par les rues et par les chemins
  3. Iberia – Les Parfums de la nuit
  4. Iberia – Le Matin d’un jour de fête
  5. Rondes de printemps

Orchestre National de France

Daniele Gatti

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 294 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 160 MB

A música de Debussy é geralmente descrita como ‘impressionista’, mas ele não gostava deste rótulo. Ele disse: ‘Eu tento fazer alguma coisa diferente… o que os imbecis chamam ‘impressionismo’, um termo que é tão pobremente usado quanto possível, particularmente pelos críticos’. Então, nada de chamar a música do cara de impressionista, OK?

Aproveite!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 4 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 4 de 9 – BTHVN250

 

BTHVN

Op. 26, Op. 27 & Op. 28

 

 

Mais uma postagem na série das Sonatas para Piano de Beethoven interpretadas pelo Igor Levit. Agora a postagem vem com quatro sonatas, três delas com apelidos, entre elas a famosa Sonata “Ao Luar”.

Começamos com a Sonata No. 12, chamada “Marcia funebre” e que foi terminada por volta de 1800, na mesma época da Primeira Sinfonia. A Sonata foi dedicada ao amigo (pelo menos por um certo tempo) e patrono, Príncipe Karl von Lichnowsky. A estrutura desta sonata é nada convencional, iniciando com um tema e variações. É verdade que Mozart já fizera isto antes e Beethoven compôs inúmeros conjuntos de variações. Mas o que é bastante inovador é o uso de um movimento intitulado “Marcia funebre”, prenunciando o que aconteceria na sua Terceira Sinfonia. Este movimento foi orquestrado por Beethoven e chegou a ser tocado no seu funeral, em 1827. Esta sonata certamente não era estranha à Chopin!

Princesa Josephina

O Opus 27 contém duas sonatas que foram intituladas “Quasi una fantasia”, indicando que o compositor tomaria algumas liberdades com a forma. No caso da Sonata No. 13, os movimentos se seguem ininterruptamente, como em uma fantasia, que passa de um episódio ao outro. Além disso, não seguem a ordem usual esperada para uma sonata. Esta sonata foi dedicada à Princesa Josephina von Liechtenstein, como era comum ocorrer com as dedicatórias, a alguém da nobreza.

Giulietta Guicciardi

Já isto não é o caso da Sonata “Ao Luar”, que foi dedicada à Condessa Giulietta Guicciardi. Beethoven conheceu a Condessa através de suas duas amigas, as irmãs Therese e Josephine Brunsvik. Beethoven tornou-se professor da Giulietta, candidatíssima à Amada Imortal, indicada para este papel por Anton Schindler. O assistente e biografo de Beethoven que foi bastante contestado em suas informações. Neste caso, a contestação veio de Therese, em favor de sua irmã, Josephine. Altas especulações. O que importa é que a sonata é uma das mais populares e com devida justiça. Em uma interpretação como esta aqui, do Igor Levit, passamos do maravilhoso e surpreendente Adagio inicial, pela distensão do Allegretto, para o tempestuoso e virtuosístico Presto agitato final. Deste movimento, Charles Rosen disse: É o mais desenfreado em sua representação da emoção. Mesmo hoje, duzentos (e vinte) anos depois, sua ferocidade é estonteante!

A Sonata No. 15, Pastoral, é reconhecida por suas dificuldades técnicas e por sua beleza. Foi dedicada ao Conde Joseph Sonnenfels. Em geral, o título Pastoral é dado a uma obra que faz referência ao campo ou à natureza, como é o caso da Sinfonia Pastoral. Não parece ser o caso aqui, onde pode aludir à calma, simplicidade e leveza da sonata. É claro que o nome foi dado pelos editores originais, que o fizeram sem maiores consultas ao Ludwig.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano No.12 em lá bemol maior, Op. 26 – “Marcia funebre”

  1. Andante con variazioni
  2. Allegro molto
  3. Marcia funebre sulla morte d’um eroe
  4. Allegro

Sonata para piano No. 13 em mi bemol maior, Op. 27,1 – “Quasi una fantasia”

  1. Andante – Allegro
  2. Allegro molto e vivace
  3. Adagio con espressione
  4. Allegro vivace

Sonata para piano No. 14 em dó sustenido menor, Op. 27, 2 – “Quasi una fantasia” – “Ao Luar”

  1. Adagio sostenuto
  2. Allegretto
  3. Presto agitato

Sonata para piano No. 15 em ré maior, Op. 28 – “Pastoral”

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro vivace
  4. Allegro ma non tanto

Igor Levit, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 189 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 173 MB

Uma vez, Friedrich Himmel, o pianista real da corte da Prússia, fez uma série de improvisações para Beethoven. Depois que Himmel tocou por um certo tempo, Ludwig mandou: “Muito bem, quando você vai começar? ” Mais tarde ele explicou: “Eu pensei que Himmel estava só preludiando um pouquinho…”

Então é isto, e não deixe de aproveitar!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta e Cravo – Dorothee Oberlinger & Christian Rieger

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta e Cravo – Dorothee Oberlinger & Christian Rieger

J.S. Bach

Sonatas para Flauta e Cravo

Dorothee Oberlinger

Christian Rieger

 

Um dos muitos prazeres que você pode derivar deste disco é o de ouvi-lo, digamos assim, às cegas, como num blind date. Ouça e tente identificar as peças. Não há dúvida, o disco é puro Bach, mas com algumas poucas intervenções, por assim dizer. Duas das sonatas foram escritas originalmente para flauta e cravo, mas as outras peças que o compõem não foram escritas para esta combinação. Temos também uma sonata para flauta solo e uma peça escrita originalmente para alaúde, aqui interpretada ao cravo.

Usamos o termo flauta, mas aqui são usadas flautas doce contralto e uma flauta doce contralto ligeiramente maior, uma flauta de voz, para se adaptar a peça.

Isto não deve causar grande comoção, pois a música do período barroco é assim, muito flexível e sujeita a adaptações, de um instrumento para outro ou mesmo de um grupo de instrumentos para outro. O próprio Bach praticou estas adaptações e arranjos.

O grande destaque do disco é mesmo a flautista Dorothee Oberlinger, que na companhia do cravista Christian Rieger fizeram as escolhas e adaptações e permitem que vejamos estas lindas peças sob uma diferente perspectiva. Um crítico chegou a usar a palavra prisma.

Assim, vejamos de mais perto. (Se você quer seguir minha sugestão inicial, está na hora de pular esta parte e ir direto ao download, voltando aqui depois.) A primeira sonata é uma adaptação de uma Trio Sonata para órgão, a segunda de uma Sonata para Violino e Cravo. Depois temos a Partita para flauta solo, uma Sonata escrita para flauta (transversa) e contínuo e a peça escrita originalmente para alaúde. Completando o disco, uma Sonata para flauta (transversa) e cravo.

A Partita para Flauta Solo provavelmente foi concebida por Bach tendo o flautista Pierre Gabriel Buffardin em mente. A amizade de Bach com Silvius Leopold Weiss, excelente alaudista e compositor, deve ter estimulado a composição de peças para este instrumento. O Prelúdio, Fuga e Allegro, apresentado aqui ao cravo, é uma peça maravilhosa.

O disco foi muitíssimo bem gravado, o que é fundamental para apreciarmos adequadamente a maravilhosa arte destes dois grandes músicos. Eu coloquei este disco para tocar e não consegui fazer qualquer outra coisa até que ele terminasse. Espero que você também desfrute dele da mesma forma.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Sonata em sol maior para flauta de voz e cravo, BWV 525, originalmente Trio Sonata para órgão No. 1 em mi bemol maior
  1. Alla breve
  2. Adagio
  3. Allegro
Sonata em dó menor para flauta doce contralto e cravo, BWV 1017, originalmente para violino e cravo
  1. Largo
  2. Allegro
  3. Adagio
  4. Allegro
Partita em dó menor para flauta doce contralto, BWV 1013, originalmente em para flauta transversa em lá menor
  1. Allemande
  2. Corrente
  3. Sarabande
  4. Bourrée Anglaise
Sonata em mi maior para flauta doce contralto e contínuo, BWV 1035, originalmente para flauta transversa e contínuo
  1. Adagio ma non tanto
  2. Allegro
  3. Siciliana
  4. Allegro assai
Prelúdio, Fuga e Allegro em mi bemol maior para cravo, BWV 998
  1. Präludium
  2. Fuge
  3. Allegro
Sonata em si menor para flauta doce contralto e cravo, BWV 1030, originalmente para flauta transversa e cravo
  1. Andante
  2. Largo e Dolce
  3. Presto

Dorothee Oberlinger, flautas

Christian Rieger, cravo

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 160 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 108 MB

Doroteia busted for adapting Bach’s sonatas… But she got away with it!

Qual seria a música que Bach comporia para uma guitarra moderna? Enquanto você não pensa nesta pergunta, aproveite o álbum da postagem!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 3 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 3 de 9 – BTHVN250

 

BTHVN

Op. 13, Op. 14 & Op. 22

 

 

 

Príncipe Lichnowsky

Este disco inicia com a primeira sonata de Beethoven que ganhou um apelido, a Pathétique. A Sonata em dó menor, Op.  13, é um microcosmo do tipo de música que associamos ao compositor: inicia gravemente e anuncia o drama que está por vir, mas irrompe em um episódio virtuosístico. E nesta gravação, isto é bastante evidenciado.  A música é cheia de paixão e lirismo, mas também demanda enorme técnica do intérprete. Esta alternância entre estes estados, o movimento lento, por exemplo, e o allegro final, ilustram a capacidade criativa de Beethoven e fazem dele um artista único. Composta em 1798 e dedicada ao Príncipe Karl von Lichnowsky, foi um sucesso instantâneo, firmando completamente a reputação de Beethoven como compositor, além de pianista.

Baronesa Josefa von Braun

Após esta intensa sonata, Beethoven criou duas lindas sonatinhas, as de números 9 e 10, em mi maior e sol maior, Op. 14. Cheias de charme e aparentemente bem mais simples do que suas predecessoras. Charles Rosen observa que estas duas sonatas oferecem menos dificuldades técnicas e parecem destinadas ao uso doméstico. Certamente devem ter agradado muito a Baronesa Josefa von Braun, a quem foram dedicadas.

A Sonata No. 9, em mi maior, foi também arranjada Quarteto de Cordas e esse arranjo mostra a maestria de Beethoven para escrever para cordas.

Sonata…
Quarteto!

Com a próxima Sonata No. 11, em si bemol maior, Op. 22, escrita em 1800, Beethoven retoma o estilo Grand Sonata, em quatro movimentos e era considerada por ele uma de suas melhores sonatas deste período inicial.

Beethoven em 1803

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano No. 8 em dó menor, Op. 13 – “Pathétique”

  1. Grave – Allegro di molto e com brio
  2. Adagio cantabile
  3. Allegro

Sonata para piano No. 9 em mi maior, Op. 14, 1

  1. Allegro
  2. Allegretto
  3. Allegro comodo

Sonata para piano No. 10 em sol maior, Op. 14, 2

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro assai

Sonata No. 11 em si bemol maior, Op. 22

  1. Allegro con brio
  2. Adagio con molto espressione
  3. Menuetto
  4. Allegretto

Igor Levit

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 190 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 167 MB

Quando Beethoven estava ainda estava na casa dos vinte anos, os pianos eram todos feitos de madeira e bastante delicados. Uma vez, Ludovico quebrou tantas cordas enquanto tocava um concerto de Mozart que um de seus amigos precisou desembaraçar as cordas quebradas enquanto ele prosseguia tocando. Ainda bem que não precisamos nos preocupar com cordas quebradas com esta gravação.

Aproveite!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 2 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 2 de 9 – BTHVN250

 

BTHVN

Op. 7 & Op. 10

 

Prosseguimos com nossas homenagens postando esta maravilhosa Integral das Sonatas para Piano, interpretadas por Igor Levit. Neste vídeo ele explica o que torna a música de Beethoven tão atual, apesar de ter sido escrita há tanto tempo.

Beethoven compôs duas sonatas após a grande sonata que fecha o Opus 2, mas que foram publicadas mais tarde, como Opus 49. Vocês terão que esperar um pouco para ouvir estas duas sonatinhas, pois estamos postando a série na sequência “oficial” de publicação. Assim, neste álbum temos a Grande Sonata em mi bemol maior, Opus 7, e as três sonatas que formam o Opus 10.

Condessa Babette von Keglevics

A Sonata No. 4 foi escrita em 1796 e dedicada à Condessa Anna Louisa Barbara (Babette) von Keglevics, uma de suas alunas. Segundo Carl Czerny, enquanto escrevia esta sonata, Beethoven estava repleto de ternos sentimentos pela aluna, mas também muito emotivo devido aos avanços das tropas de Napoleão em direção à Viena. A sonata é grandiosa e seu primeiro movimento deixa claro que é uma explosão de paixão e vigor. Só a Hammerklavier alcançará proporções ainda maiores.

As duas primeiras sonatas do Opus 10 são em dó menor e fá maior, respectivamente, e são estruturadas em três movimentos. As tonalidades são significativas para Beethoven. Dó menor é a tonalidade do Concerto de Mozart que Beethoven tanto admirava e a sonata remete a este mundo dramático, assim como a uma das sonatas para piano de Mozart, também em dó menor. Não deixe de notar o lindo Adagio molto, o segundo movimento. Já a Sonata em fá maior tem um tom mais relaxado, de quem está caminhando ao ar livre, em contato com a natureza, como será também o caso da Sinfonia Pastoral.

A última sonata do disco, a terceira do Opus 10, é em ré maior e novamente se expande em quatro movimentos. Contraste é uma constante nesta sonata, que abre com um agressivo e dinâmico primeiro movimento, continua com um angustiado largo, um quase convencional minueto e termina em um caprichoso rondó. Sir Donald Francis Tovey escreveu que o primeiro movimento desta sonata “parece saltar sobre a gente como uma pantera”. Portanto, agarre-se na poltrona!

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano No. 4 em mi bemol maior, Op. 7

  1. Allegro molto e con brio
  2. Largo, com gran espressione
  3. Allegro
  4. Poco allegretto e grazioso

Sonata para piano No. 5 em dó menor, Op. 10, 1

  1. Allegro molto e con brio
  2. Adagio molto
  3. Prestissimo

Sonata para piano No. 6 em fá maior, Op. 10, 2

  1. Allegro
  2. Allegretto
  3. Presto

Sonata para piano No. 7 em ré maior, Op. 10, 3

  1. Presto
  2. Largo e mesto
  3. Allegro
  4. Allegro

Igor Levit, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 204 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 182 MB

Igor Levit

Certa vez, Beethoven ficou aborrecido com seus ouvintes em uma apresentação em Berlim, pois todos chegaram às lágrimas com sua interpretação. Ele teria reclamado com um amigo: Não é isto que nós artistas queremos. Nós queremos aplausos!

Pois então, batam palmas! Aplausos paro o artista!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750): Partitas BWV 825 a 830 – Angela Hewitt, piano (2ª Gravação – 2019)

J. S. Bach (1685-1750): Partitas BWV 825 a 830 – Angela Hewitt, piano (2ª Gravação – 2019)

J.S. Bach

Partitas BWV 825 – 830

Angela Hewitt

 

 

 

Meu primeiro contato com estas joias musicais que são as Partitas de Bach foi pela gravação de Stanislav Heller, cravista checo, gravado em 1965 pela Christophorus e divulgado nas nossas paradas em LP duplo pela Paulus, a editora das Irmãs Paulinas. Então, faz tempo que ouço estas peças, mas nunca me canso. Há um tsunami de gravações destas obras e você pode escolher se prefere ouvi-las tocadas ao cravo ou ao piano. Eu ainda não decidi e sigo tentando. Ao piano, gosto das interpretações de Perahia, Richard Goode, Igor Levit. Isso sem contar uns discos com apenas três das seis partitas. Ao cravo, gosto imenso do Christopher Rousset e da segunda gravação do Trevor Pinnock, para o selo Hänssler. Não que a primeira, para a Archiv Produktion, seja ruim. Talvez um pouco reverberante, mas o cara queria ser gravado no banheiro…

Isso nos traz à segunda gravação da mesma obra pelo intérprete. Bom, como dizia um dos meus cínicos amigos, basta viver o suficiente, aparecer uma nova tecnologia, e eles gravam tudo de novo. Vimos muito disto, mas não creio que seja o caso desta segunda gravação das Partitas pela famosa pianista Angela Hewitt. Pois é, eu não mencionei o nome dela anteriormente, mas a sua primeira gravação, feita em 1996/7, está na minha prateleira, ao lado das outras três (gravações com piano) mencionadas. Mas eu sou assim, compulsivo quando se trata de certas obras. Portanto, quando vi esta segunda gravação da Hewitt destas Partitas, tratei de colocar na playlist.

Decididamente, a mais bonita capa de álbuns com as Partitas

Ela explica no livreto as razões que a levaram a gravar a mesma obra uma segunda vez. Claro, todo mundo sabe, Angela Hewitt iniciou suas gravações com um ótimo disco de música de Bach para a Deutsche Grammophon. Mas o destino não quis e ela mudou para a Hyperion, onde se estabeleceu e gravou praticamente toda a obra de Bach para teclado. Depois deste envolvimento por tanto tempo com este compositor, passou a gravar também música de outros mestres, como um excelente disco com peças de Debussy e também a integral das peças de Ravel. Pois estava assim a moça levando a vida quando, em 2004, John Gilhooly, diretor do Wigmore Hall, lhe propôs um mega projeto: tocar toda a obra para teclado de Bach em 12 recitais. Hewitt negaceou mas acabou embarcando no projeto que iniciou em 2016 e terminará em 2020 (que chegará amanhã, é claro, estou escrevendo estas mal traçadas linhas no último dia de 2019 e é melhor parar de experimentar estes espumantes aqui, esta louça nunca que acaba…). Com isto, a artista percorreu o mundo novamente tocando as Partitas e decidiu gravá-las de novo. A gravação foi feita no Kulturzentrum Gustav Mahler em Toblach/Dobbiaco, desta vez ela usou seu próprio piano Fazoli, e tudo com produção de Ludger Böckenhoff, que foi o engenheiro de som na primeira gravação, feita vinte anos antes! Ela disse, não necessariamente nesta ordem: ‘Não espere diferenças de proporções Gouldianas’. ‘Uma allemande ainda é uma allemande, uma courant ainda não deve ser corrida e uma gigue deve ser dançável’. ‘Quanto mais envelhecemos, mais a música significa para nós, e me dá grande alegria compartilhar estas partitas com vocês mais uma vez’. O que dizer? A alegria é toda nossa!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

CD1

[1-6] Partita No. 1 em si bemol maior, BWV 825
[7-12] Partita No. 2 em dó menor, BWV 826
[13-19] Partita No. 4 em ré maior, BWV 828

CD2

[1-7] Partita No. 3 em lá menor, BWV 827
[8-14] Partita No. 5 em sol maior, BWV 829
[15-21] Partita No. 6 em mi menor, BWV 830

Angela Hewitt, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 499 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 353 MB

Angela adorando o fim de semana na Ilha do PQP…

Um dos críticos da Amazon sobre este álbum: ‘clean-cut, undiosyncratic, straight-up and honest’. Realmente,  eu acrescentaria, excelente música, apresentada com amor por uma espetacular artista!

Aproveite!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 1 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 1 de 9 – BTHVN250

 

 

BTHVN Op. 2

 

 

Começamos aqui nossas homenagens ao grande aniversariante do ano – Ludwig van Beethoven! Em 17 de dezembro ele completará 250 anos, vivo, vivíssimo! Sua música soará o ano todo com a mesma energia, vibração e encantamento de sempre.

Acreditem, datas como esta são apenas casualidades. Tivesse a Terra um pouco mais de pachorra ao girar em torno do Sol e teríamos anos mais longos e estaríamos comemorando talvez o centenário de nascimento de Beethoven. Caso nossos ancestrais tivessem quatro dedos em cada mão (como o Mickey e o Pato Donald) no lugar de cinco e contaríamos de oito em oito no lugar de dez em dez e pronto, de novo estas datas simbólicas estariam totalmente mudadas.

Eu já passei pelos 200 anos de nascimento de Beethoven, lá em 1970, pelos 200 anos da morte de Mozart, em 1991. Há muito de marketing sendo feito nestas ocasiões pelas gravadoras e pela mídia que vive de música, mas acabamos nos rendendo a isto tudo. Afinal, esta é uma boa desculpa para ouvir as músicas todas novamente.

Começaremos nossas homenagens postando esta maravilhosa Integral das Sonatas para Piano, interpretadas por Igor Levit. Neste vídeo ele explica o que torna a música de Beethoven tão atual, apesar de ter sido escrita há tanto tempo. Além disso, o vídeo serve como trailer das maravilhas que virão nesta série de postagens.

As sonatas serão postadas na ordem em que foram publicadas. No primeiro disco as três sonatas reunidas no Opus 2, são assim três jovens irmãs. Estas sonatas foram compostas por volta de 1795, resultados dos primeiros anos de Beethoven em Viena e refletem o arrojo, o ímpeto e a autoconfiança do compositor. Mas lembremos que Beethoven já estava então com 25 anos, era um virtuose do piano, excelente improvisador e não era exatamente inexperiente na arte de composição de sonatas para piano. Estruturadas em quatro movimentos, todas apresentam belíssimos movimentos lentos e apenas a primeira tem um minueto no terceiro movimento. As outras exibem já um scherzo e todas terminam com movimentos onde o solista pode exibir todo o seu virtuosismo.

Dedicadas a Haydn, estas peças mostram a qualidade do compositor e anunciam o escopo que ele alcançaria nas próximas sonatas.

O Largo appassionato da segunda sonata do grupo revela a capacidade de Beethoven produzir movimentos que nos tocam profundamente. O arrojo e as proporções da terceira sonata, em dó maior, a destacam do grupo e fizeram dela peça de repertório de muitos grandes pianistas.

A interpretação de Igor Levit evidencia tudo isto e nos prepara para uma viagem que, prometo, será espetacular.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano No. 1 em fá menor, Op. 2, 1

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Menuetto – Allegretto
  4. Prestissimo

Sonata para piano No. 2 em lá maior, Op. 2, 2

  1. Allegro vivace
  2. Largo appassionato
  3. Scherzo: Allegretto
  4. Rondo: Grazioso

Sonata para piano em dó maior, Op. 2, 3

  1. Allegro com brio
  2. Adagio
  3. Scherzo: Allegro
  4. Allegro assai

Igor Levit, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 165 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 151 MB

Igor Levit

Que esta jornada seja tão empolgante para vocês quanto está sendo para mim!

Aproveitem!

René Denon

Mussorgsky (1839-1881): Quadros de Uma Exposição / Ravel (1875-1937): Ma Mère l’Oye & Rapsódia Espanhola – Carlo Maria Giulini

Mussorgsky (1839-1881): Quadros de Uma Exposição / Ravel (1875-1937): Ma Mère l’Oye & Rapsódia Espanhola – Carlo Maria Giulini

Mussorgsky

Quadros de Uma Exposição

Ravel

Ma Mère l’Oye & Rapsódia Espanhola

Carlo Maria Giulini

 

Nas eternas discussões sobre música que mantínhamos nos encontros ao redor das bancas dos desejados LPs e CDs nas lojas de discos, falávamos de quase tudo. – Leon Fleisher e Szell são imbatíveis neste repertório! – Eu ouvia de um sério senhor de ascendência nipônica, enquanto segurava minha possível compra dos Concertos para Piano de Brahms, com Rudolf Serkin e o mesmo George Szell. Dúvidas abundavam, pois o investimento seria substancial.

Um dos temas que vez por outra entrava em pauta era o que o mesmo senhor chamava de ‘música canalha’. Eu sei, soa pior do que deveria, mas o pessoal era assim, radical. A cada um era permitido gostar de uma peça do gênero. Scheherazade era a queridinha dele. Vaias e apupos se elevavam quando Jardins de Um Mosteiro era mencionado.

Mas o repertório de ‘Música Ligeira’ ou de apelo popular, típico de orquestras como a Boston Pops, reserva grandes surpresas e geralmente traz ótimas lembranças.

Pois minha música de apelo popular preferida é ‘Quadros de Uma Exposição’ e esta é a minha gravação preferida. Sim, este álbum é um dos meus ‘Discos Mais Queridos’!

Carlo Maria Giulini foi um excelente regente, apesar de um repertório relativamente reduzido. Ele começou estudando violino e chegou a ocupar a fileira de violas da Orchestra dell’Accademia Nazionale di Santa Cecilia. Tocou sob a batuta de grandes regentes, como Bruno Walter, Wilhelm Furtwängler, Victor de Sabata, Otto Klemperer. Esta experiência na orquestra certamente o ajudou a tornar-se um ótimo regente. Ele disse em entrevistas que detestava a abordagem ditatorial e exigente do então diretor musical da orquestra, preferindo a maneira gentil de reger de Bruno Walter. Segundo ele, Walter fazia cada músico sentir-se importante.

Entre as suas gravações mais famosas se encontram peças como ‘La mer’, de Debussy, as Sinfonias Nos. 3 e 5 de Beethoven, algumas das sinfonias de Mahler, as três últimas sinfonias de Bruckner. Óperas também eram importantes em seu repertório e as gravações de Don Giovanni, As Bodas de Fígaro, de Mozart, e Rigoletto e Falstaff de Verdi, vêm facilmente à memória. O Requiem de Verdi é também uma das gemas de sua discografia.

As peças que estão reunidas neste álbum foram lançadas originalmente em diferentes LPs. O denominador comum aqui é a orquestração de Maurice Ravel. A orquestração feita por Ravel do original Os Quadros de Uma Exposição, para piano, de Modest Mussorgsky, era tocada com frequência por Giulini. Realmente, esta peça pode ser usada para convencer pessoas que não têm o hábito de ouvir música ‘erudita’ a se aventurar nestas veredas. O movimento de abertura, Promenade, é uma daquelas músicas que gruda na nossa memória musical e como é repetida ao longo do passeio para vermos os quadros, acaba ficando de vez na nossa mente.

Para completar o programa, a suíte ‘Ma Mère l’Oye’, que nos leva para o mundo dos Contos de Fadas e a magia de Ravel permite nossa imaginação alçar grandes voos. E ainda há espaço para a Rapsódia Espanhola, que nos transporta diretamente para uma Espanha mítica, com seus jardins, perfumes e sons.

As duas orquestras – Chicago Symphony e Los Angeles Philharmonic foram dirigidas por Giulini e essas gravações mostram o quanto foi frutífera essa relação.

Modest Mussorgsky (1839 – 1881)

Quadros de Uma Exposição (Orquestração de Maurice Ravel)

  1. Promenade
  2. Gnomus
  3. Promenade
  4. Il vecchio castello
  5. Promenade
  6. Tuileries
  7. Bydlo
  8. Promenade
  9. Ballet des Petits Poussins dans leurs Coques
  10. Samuel Goldenberg und Schmuyle
  11. Limoges: Le Marché & Catacombae: Sepulchrum Romanum
  12. Cum mortuis in lingua mortua
  13. La Cabane de Baba-Yaga sur des Pattes de Poule & La Grande Porte de Kiev

Chicago Symphony Orchestra

Carlo Maria Giulini

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Ma Mère l’Oye

  1. Pavane de la Belle au Bois Dormant
  2. Petit Poucet
  3. Laideronnette, Impératrice des Pagodes
  4. Les Entretiens de la Belle et la Bête
  5. Le Jardin Féerique

Rapsodia Espanhola

  1. Prélude à la Nuit
  2. Malagueña
  3. Habanera
  4. Feria

Los Angeles Philharmonic Orchestra

Carlo Maria Giulini

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 254 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 160 MB

Música fácil, dirão certos puristas, mas com esta qualidade de interpretação, eu quero é mais!!

Para saber um pouco mais sobre a vida deste grande maestro, veja aqui.

Aproveite!

René Denon

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonias – COE – Paavo Berglund

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonias – COE – Paavo Berglund

Brahms

Sinfonias

COE & Berglund

 

 

As Sinfonias de Beethoven foram fonte de grande inspiração para Brahms, mas também foram motivo de um certo desencorajamento. Aproximar-se dos padrões estabelecidos por estas obras maravilhosas parecia impossível. Ele teria afirmado: ‘Eu nunca escreverei uma sinfonia’. Mas a criatividade venceu as barreiras internas e o enorme senso autocrítico, resultando em uma sinfonia muito especial. Aos 43 anos, após ter criado obras primas em muitos outros gêneros, Brahms completou sua Primeira Sinfonia. Uma vez vencida a primeira barreira, mais outras três sinfonias seguiram num período de aproximadamente dez anos.

Paavo tentando descobrir qual oboé antecipou a sua entrada…

É este conjunto de obras primas que temos aqui, na interpretação segura e direta de Paavo Berglund, regendo o excelente grupo de músicos que forma a COE, Chamber Orchestra of Europe. Esta orquestra sob a regência de Nikolaus Harnoncourt nos deixou um ótimo registro das Sinfonias de Beethoven. Agora, com selo Ondine e ótima produção de Andrew Keener temos as Sinfonias de Brahms.

A formação com um número menor de músicos nas seções de cordas tem beneficiado muito as gravações das Sinfonias de Brahms, como aconteceu, por exemplo, no caso de Charles Mackerras e a Scottish Chamber Orchestra. Os diferentes grupos de instrumentos têm igual oportunidade de brilhar, resultando em uma performance ágil e equilibrada. Os movimentos lentos também estão muito bem apresentados, nos quais o discurso musical se desenvolve com fluência e elegância. Resumindo, temos uma clássica apresentação destas quatro lindas sinfonias.

Johannes Brahms (1833 – 1897)

CD1

Sinfonia No. 1 em dó menor, op. 68

  1. Um poco sostenuto – Allegro
  2. Andante sostenuto
  3. Um poco allegretto e grazioso
  4. Adagio non troppo ma con brio

CD2

Sinfonia No. 2 em ré maior, op. 73

  1. Allegro non troppo
  2. Adagio non troppo
  3. Allegro grazioso (Quase Andantino) – Presto ma non assai
  4. Allegro con spirito

CD3

Sinfonia No. 3 em fá maior, op. 90

  1. Allegro com brio
  2. Andante
  3. Poco Allegretto
  4. Allegro

Sinfonia No. 4 em mi menor, op. 98

  1. Allegro non troppo
  2. Andante moderato
  3. Allegro giocoso – poco meno presto
  4. Allegro enérgico e passionato – Più Allegro

Chamber Orchestra of Europe

Paavo Berglund

Produção: Andrew Keener

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 751 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 397 MB

Chamber Orchestra of Europe

Ah, se eu pego quem desafinou…

Eu não vou jogar fora meus discos do Günter Wand regendo a NDR Orchestra ou os do Bernstein regendo a opulenta Wiener Philharmoniker, mas ouvir a interpretação do Berglund de quando em vez me dará muito prazer. Espero que o mesmo aconteça com você…

Aproveite!

René Denon