Bach (1685-1750): Concertos para Pianos – Anna Vinnitskaya & Kammerakademie Potsdam

Bach (1685-1750): Concertos para Pianos – Anna Vinnitskaya & Kammerakademie Potsdam

 

J.S. Bach

Concertos para Pianos

 

O piano é o instrumento que melhor realiza a música, na minha opinião. É o instrumento que produz o som que eu mais gosto de ouvir. Depois, o piano e outro instrumento, o piano e ainda mais alguns instrumentos, e também o piano e muitos instrumentos, enfim o piano e vozes. Bem, vocês devem ter pego a ideia.

Os concertos para piano são as peças que eu mais frequentemente escolho para ouvir, aquelas que normalmente preenchem meus CDs preferidos assim como meus pendrives.

Bruckner, Mahler, Debussy, Schubert não escreveram concertos para piano, mas ninguém é perfeito.

Os concertos, estes começaram com ELE, o grande, João Sebastião Ribeiro. Bach em sua genialidade e simplicidade (há algum tipo de genialidade que não seja simples?) adaptou concertos que já funcionavam bem com outros instrumentos para instrumentos de teclas como solistas.

Adaptou o concerto para quatro violinos do Padre Vermelho, depois suas próprias obras, concertos para violino ou dois violinos. Tão genial que escreveu para piano (claro, para piano, ouça as peças deste disco se não acreditas) antes mesmo deste instrumento estar completamente desenvolvido.

Anna Vinnitskaya

Ouvir uma seleção como a que está neste álbum é uma fonte de prazer. Para realizar este álbum, reuniu-se um time de pianistas vindo do frio. Os solistas são eslavos – Anna Vinnitskaya, Evgeni Koroliov e Ljupka Hadzi-Georgieva – e se conhecem muito bem. Anna Vinnitskaya foi aluna de Evgeni Koroliov na Hochschule für Musik und Theater, em Hamburgo, e Evgeni é casado com a Ljupka.

A orquestra é a Kammerakademie Potsdam e é excelente também na música de Bach.

O álbum começa com o mais famoso e mais robusto dos concertos para piano, em ré menor, BWV 1052, tendo como solista Evgeni Koroliov. Na sequência temos os concertos para dois ou três pianos, intercalados eventualmente por um concerto para piano solo. Os solistas também vão se alternando.

Ljupka e Evgeni

NÃO é uma postagem com TODOS os concertos, não é uma INTEGRAL dos concertos, mas é uma coleção ainda mais adorável por isso. Parece que os concertos foram escolhidos pelos músicos devido as suas próprias predileções.

Fechando o cortejo temos o maravilhoso e já mencionado Concerto para Quatro Pianos em lá menor, BWV 1065, mas adaptado para três pianos, uma vez que temos apenas três solistas. Não tem por isto, caro seguidor do blog, com o que preocupar-se. Lembremos, o próprio concerto é uma transcrição feita por Bach do maravilhoso concerto de Vivaldi!

KAP

A gravação é excelente, as interpretações balanceadas entre a excelência técnica e a sensibilidade dos intérpretes, especialmente nos movimentos lentos. Para se ter uma ideia, basta ouvir o Alla siciliana do Concerto para Três Pianos em ré menor, BWV 1063.

Enfim, prepare-se para uma festa, um banquete de boa música. Difícil ficar melhor…

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

CD1

Concerto para piano No. 1 em ré menor, BWV 1052
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro
Concerto para dois pianos em dó menor, BWV 1060
  1. Allegro
  2. Largo ovvero adagio
  3. Adagio
Concerto para piano No. 7 em sol menor, BWV 1058
  1. […]
  2. Andante
  3. Allegro assai
Concerto para dois pianos em dó menor, BWV 1062
  1. […]
  2. Andante e plano
  3. Allegro assai
Concerto para três pianos em dó maior, BWV 1064
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro assai

CD2

Concerto No. 4 em lá maior, BWV 1055
  1. Allegro
  2. Larghette
  3. Allegro ma non tanto
Concerto No. 5 em fá menor, BWV 1056
  1. […]
  2. Largo
  3. Presto
Concerto para dois pianos em dó maior, BWV 1061
  1. […]
  2. Largo ovvero adagio
  3. Vivace
Concerto para três pianos em ré menor, BWV 1063
  1. […]
  2. Alla siciliana
  3. Allegro
Concerto para quatro pianos (arranjado para três pianos) em lá menor, BWV 1065
  1. […]
  2. Adagio
  3. Allegro assai

Emil Koroliov, piano

[1053, 1060, 1058, 1064, 1061, 1063, 1065]

Anna Vinnitskaya, piano

[1062, 1064, 1055, 1056, 1061, 1063, 1065]

Ljupka Hadzi-Georgieva, piano

[1060, 1062, 1064, 1063, 1065]

Kammerakademie Potsdam

Concertmaster: Suyeon Kang

Gravado na Jesus-Christus-Kirche, Berlim

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FLAC | 469 MB

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MP3 | 320 KBPS | 330 MB

Aqui um pequeno vídeo com os intérpretes. Não é necessário saber alemão para entender tudo. Aproveite!

René Denon

François Couperin (1668-1733) e Claude Debussy (1862-1918): Les ondes – Amandine Habib, piano

François Couperin (1668-1733) e Claude Debussy (1862-1918): Les ondes – Amandine Habib, piano

Couperin  ֎  Debussy

Músicos Franceses

 

Um álbum reunindo obras de Couperin e Debussy não é algo com o que nos deparamos a todo o instante. Assim, este aqui chamou-me a atenção no momento que o notei em meio a vários outros. A capa de fundo escuro com uma flor dente-de-leão estilizada, letras dispostas na vertical e estilo minimalista, como o belíssimo nome – Les ondes – deram o empurrão final.

Você deve estar se perguntando: o que há em comum entre estes dois compositores que viveram duzentos anos um do outro, além de serem franceses?

Pois há várias coisas, como nos adianta e explica no interessante texto do livreto, incluído nos arquivos, a ótima pianista Amandine Habib. Para começar, ambos foram inovadores e dedicaram-se à música para o teclado. Couperin foi deixando o formalismo das danças que predominava nos seus dias – minuetos, gavotas e outras  – mantendo seus ritmos em suas músicas, mas cobrindo-as com mais poesia. Os nomes de suas peças dão-nos um prazer e um estímulo a mais. Poesia e imaginação também estão presentes nas peças de Debussy, assim como a arte de escolher os nomes – que não se impõem, mais se insinuam.

No disco, Amandine intercala Couperin e Debussy e disto eu muito gostei. Percebemos nas obras de Couperin uma faixa tonal mais estreita, afinal suas peças não foram compostas para grande piano. Mas não lhes faltam vivacidade e cores. Podemos perceber certos ecos destes ritmos nas peças de Debussy, que teve o privilégio de conhecer bem as peças do mestre mais antigo.

A escolha das peças também é enorme mérito da pianista e dos produtores, e eleva este disco bem acima da média dos que tenho ouvido.

Amandine nasceu em Marseille em uma família que ama a música, de maneira eclética, e estudou em Marseille e Lyons. Tem já uma carreira de concertista e de atuação em música de câmera bem estabelecida, além de fazer duo com Raphaël Imbert, um saxofonista de jazz.

Gostei muitíssimo de suas interpretações neste disco, que já ouvi muitas vezes. Espero que isso aconteça também com você.

François Couperin (1668-1733)

Claude Debussy (1862-1918)

  1. L’Étincelante ou la Bontemps (Couperin)
  2. Doctor Gradus ad Parnassum (Debussy)
  3. La Flore (Couperin)
  4. Bruyères (Debussy)
  5. Les lis naissans (Couperin)
  6. Les colliens d’Anacapri (Debussy)
  7. Le dodo ou L’amour au berceau (Couperin)
  8. Toccata (Debussy)
  9. Le tic-toc-choc ou Les maillontins (Couperin)
  10. Les Jumèles (Couperin)
  11. La Cathédrale engloutie (Debussy)
  12. Les ondes (Couperin)
  13. Poissons d’or (Debussy)
  14. Les Ombres errantes (Couperin)
  15. Les tierces alternées (Debussy)
  16. Les Tricoteuses (Couperin)
  17. Les rozeaux (Couperin)
  18. L’Isle joyeuse (Debussy)

Amandine Habib, piano

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FLAC | 207 MB

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MP3 | 320 KBPS | 150 MB

Para explorar mais o tema da influência sobre Debussy e sua relação com a música de Couperin e Rameau, sugiro a leitura deste texto, que é proveniente da página de Jeffrey La Deur.

Aproveite!

René Denon

G. F. Handel (1685-1759): Suítes para Teclado – /|\ – D. Scarlatti (1685-1757): Sonatas – \|/ – Murray Perahia, piano

G. F. Handel (1685-1759): Suítes para Teclado – /|\ – D. Scarlatti (1685-1757): Sonatas – \|/ – Murray Perahia, piano

Handel – Suítes Nos. 2, 3 e 5

&

Chaconne

Scarlatti – 7 Sonatas

 

O que torna um disco avassaladoramente bom? Qual é a medida? Quais são os ingredientes ou as circunstâncias? A norma atual são discos tecnicamente bem produzidos com ótimos intérpretes, não há muito espaço para amadores. Mas há circunstâncias que permitem um disco quebrar, de longe, todas as possíveis graduações de bom, muito bom, ótimo, excelente…

Pois é o caso deste disco, um caso bem acima da curva. É certamente um dos meus dez melhores discos, talvez fique entre os cinco melhores…

Sei, estou um pouco eufórico, mas este disco faz isto comigo. Portanto, peço-vos, ouçam a música!

Mr. Handel

Vamos às circunstâncias do disco. Imagine um pianista renomado, no auge de sua carreira, sofre um corte em um de seus polegares, feito por uma folha de papel. O corte inflama e a coisa toda torna-se um pesadelo. Antibióticos, complicações diversas, até cirurgias. Como resultado, o pianista é forçado a um sabático de suas atividades. Mas música é a sua vida e ele precisa viver. Ouvir música, estudar música, talvez um pouco de regência.

Foi isso o que aconteceu com Murray Perahia no início da década de 1990. As complicações realmente o deixaram sem poder tocar por anos. Talvez para variar de suas principais escolhas musicais: Mozart, Beethoven, Schubert, Brahms, um pouco de música barroca. Afinal, na juventude convivera em Vermont com Pablo Casals e CIA. Bach, é claro, mas também os outros dois fenomenais compositores que nasceram no ano de 1685. Deve ter havido um grande alinhamento de planetas!

Diz a lenda que em um passeio qualquer, Perahia entrou em um sebo de livros e saiu de lá com uma partitura das Grandes Suítes de Handel. As sonatas de Scarlatti ele certamente conhecia de sua amizade e convivência com Horowitz. Se bem que suas interpretações são diferentes das do Volodya. Pois foi assim que, ao recobrar-se, Perahia gravou uma série de discos excepcionais com música de Bach, além deste aqui, com algumas das Suítes de Handel e umas Sonatas de Scarlatti.

Don Domenico

Entre as oito Grandes Suítes de Handel, escolheu as de Nos. 5, 3 e 2. A Suíte No. 5 termina com o mais famoso de todos os movimentos, as variações chamadas “The Harmonious Blacksmith” – “O Ferreiro Harmonioso”. Estas e a belíssima Chaconne.

A música de Handel, se comparada à música de Bach, parece mais simples, mais fácil, para não dizer mundana (a comparação me faz pensar em Tamino e Papageno). Mas a interpretação de Perahia realiza esta simplicidade, naturalidade, mas também um aspecto de solenidade que é fundamental. A fluidez desta música é irresistível. Se você não conseguir parar de ouvir a Chaconne, vez e de novo, não se preocupe, isto ocorre com frequência entre os ouvintes deste disco. Lembre-se que Handel era muito admirado por Mozart, Beethoven e Brahms.

No disco, a transição de Handel para Scarlatti é impactante. Saímos da solene Inglaterra para a estonteante Espanha, com suas procissões e igrejas, cavalheiros, guitarras e lindas damas. Preste atenção, está tudo aí na música. Se não perceberes, é só ouvir novamente.

Ande, baixe o disco e prepare-se para um período puro deleite musical.

George Frideric Handel (1685-1759)

Suíte No. 5 em mi maior, HWV 430

  1. Preludio
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Air con Variazioni – ‘The Harmonious Blacksmith’

Chaconne em sol maior, HWV 435

  1. Chaconne

Suíte No. 3 em ré menor, HWV 428

  1. Preludio – Presto
  2. Allegro
  3. Allemande
  4. Courante
  5. Air con Variazioni
  6. Presto

Suíte No. 2 em fá maior, HWV 427

  1. Adagio
  2. Allegro
  3. Adagio
  4. Allegro [Fugue]

Domenico Scarlatti (1685-1757)

  1. Sonata em ré maior, K. 491
  2. Sonata em si menor, K. 27
  3. Sonata em dó sustenido menor, K. 247
  4. Sonata em ré maior, K. 29
  5. Sonata em lá maior, K. 537
  6. Sonata em mi maior, K. 206
  7. Sonata em lá maior, K. 212

Murray Perahia, piano

Produção: Andreas Neubronner
Gravado em 1996

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FLAC |210 MB

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MP3 | 320 KBPS | 158 MB

Murray Perahia

Você poderá ler uma interessante entrevista com Murray Perahia aqui. Lamentavelmente há notícias que ele passa novamente por um período de dificuldades com a saúde. Que seja rápida a recuperação!

Enquanto isso, aproveite! Este disco merece o nosso selo altíssima qualidade!René Denon

Ravel (1875-1937): Miroirs & La Valse – Stravinsky (1882-1971) – L’Oiseau de feu & Petrouchka – Beatrice Rana

Ravel (1875-1937): Miroirs & La Valse – Stravinsky (1882-1971) – L’Oiseau de feu & Petrouchka – Beatrice Rana

Ravel 

Stravinsky

Música para Piano

 

Por certo vocês já perceberam minha predileção pelo piano. Os compositores que se destacam por compor para este instrumento são sempre meus preferidos, especialmente aqueles que escreviam para piano antes que este fosse inventado e também por aqueles que desconstruíam seus primeiros protótipos com o exclusivo intuito de torná-los aquilo para o qual deveriam existir…

Quando encontro um disco que reúne repertório destes compositores interpretado por algum artista promissor, que traz uma certa ousadia ou um novo olhar para estas obras, não deixo de ouvir vezes e vezes. E foi isto o que aconteceu com este disco da postagem.

Dia destes postei um disco da Anne Queffélec interpretando a obra que abre este disco – Miroirs. Temos aqui uma outra espetacular interpretação, agora com a jovem e talentosíssima pianista italiana – Beatrice Rana. A moça é filha de pianistas profissionais e confessa que ficou chocada ao saber, ainda mais jovem, que as outras pessoas raramente têm pianos em suas casas.

Ravel e Stravinsky eram muito diferentes, mas tinham grande respeito um pelo outro. O ‘língua de trapo’ do Igor chamou Maurice de ‘o relojeiro suíço’ da música – é claro, caricaturando a obsessão de Ravel com a perfeição de suas peças. Mas também disse que Maurice fora o único que entendera sua música logo após o furor que foi a estreia de sua Sagração da Primavera. Além de Miroirs, o disco tem duas obras de Stravinsky. Alguns trechos do Oiseau de Feu transcritas para piano por Guido Agosti, um pianista que foi aluno de Ferruccio Busoni, entre outros, e três movimentos de Petrouchka, do próprio Stravinsky. Há uma gravação destes movimentos feita por Maurizio Pollini que é extraordinária, mas hoje o dia é da bela Beatrice.

Para completar o pacote, La Valse, de Maurice Ravel. Você verá que uma orquestra não cabe em um piano, mas quase. Além disso, não é hora de ficar procurando defeitos, agarre o par mais próximo e aproveite este disco espetacular!

Maurice Ravel (1875-1937)

Miroirs

  1. Noctuelles
  2. Oiseaux tristes
  3. Une Barque sur l’océan
  4. Alborada del gracioso
  5. La Vallée des cloches

Igor Stravinsky (1882-1971)

L’Oiseau de feu

  1. Dance infernale; Berceuse
  2. Finale

Petrouchka

  1. Danse russe; Chez Petrouchka; La Semaine grasse

Maurice Ravel (1875-1937)

La Valse

  1. La Valse

Beatrice Rana, piano

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MP3 | 320 KBPS | 108 MB

Ah, a bela Beatrice é capa da Gramophone, recebeu loas de todas as partes e teve um disco com as Variações Goldberg postado aqui pelo próprio PQP Bach. Então, ande, baixe logo o álbum, escute muitas vezes e venha logo aqui dizer que gostou. Pode clicar no ‘LEAVE A COMMENT’, bem em baixo do nome do compositor, no alto da nossa página, para dizer, mesmo com poucas e mal traçadas linhas, que gostou!

Aproveite!

René Denon

.: interlúdio :. Ella and Louis ∞ Christmas ∞ Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

.: interlúdio :. Ella and Louis  ∞  Christmas ∞  Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

 

 

Natal! Christmas! Natal!

 

 

 

Eu sei, é um pouco esquizofrênico estas canções falando de trenós, Natais brancos, homens de neve e coisas do gênero. Mas, (what the hell), é Natal!!!

Não temos os aficionados que ao menor possível sinal de neve nas serras gaúchas ou catarinenses desabam para lá em busca da tão sonhada paisagem?

Portanto, vamos de Christmas Album! Este disco pertence a uma inabalável tradição americana. De Elvis Presley, Nat King Cole, Johnny Mathis, Barbra Streisand, Sinatra (é claro!), Celine Dion até Rod Stewart (que é inglês), todos produziram pelo menos um Christmas Album.

Ella Fitzgerald e Louis Armstrong não ficaram de fora desta ilustre lista. E se cada um a seu turno faz grande sucesso, quando se juntam, aí é covardia!

Este “Ella & Louis Christmas” álbum é uma compilação. Não se preocupe por isto, você ouvirá cada um deles no que há de melhor e os dois juntos, algumas vezes, sempre gloriosos.

Temos um desfile de deliciosas canções, algumas nostálgicas, como é próprio da estação, outras humorosas, porque só de seriedade o homem acaba perecendo.

Se você não tiver tempo para todo o álbum, afinal, há que fazer compras de Natal, pagar promessas para ficar fora das listas dos que ganham meias e lenços (uma vez nesta lista, meu caro, you are gone!), ouça essa minha playlist:

∞ Have Yourself a Merry Little Christmas (só para entrar no clima…)

∞ Christmas Song (Ella at her best!)

∞ Let it Snow! Let it Snow! Let it Snow! (Esta eu canto com headphones e sunga…)

∞ White Christmas (onde Louis exibe todo o seu charme e talento)

∞ Baby, It’s Cold Outside (Aqui, Louis faz dueto com Velma Middleton. Espetacular! Delicioso!)

Louis & Velma

∞ I’ve Got My Love to Keep Me Warm (Louis e Ella, numa de suas mais lindas performances.)

∞ Jingle Bells (Como deixar de fora?)

∞ Woul You Like to Take a Walk? (Só para terminar com os dois cantando juntos.)

  1. Have Yourself a Merry Little Christmas (Ella)
  2. Sleigh Ride (Ella)
  3. The Christmas Song (Ella)
  4. Christmas Night in Harlem (Louis)
  5. Let it Snow! Let it Snow! Let it Snow! (Ella)
  6. Frosty The Snowman (Ella)
  7. Whitte Christmas (Louis)
  8. Cool Yule (Louis)
  9. Baby, It’s Cold Outside (Louis and Velma Middleton)
  10. I’ve Got My Love to Keep Me Warm (Louis & Ella)
  11. Santa Claus is Coming to Town (Ella)
  12. ‘Zat You, Santa Claus? (Louis)
  13. Jingle Bells (Ella)
  14. Rudolph The Red-Nosed Reindeer (Ella)
  15. Winter Wonderland (Louis)
  16. The Secret of Christmas (Ella)
  17. Christmas in New Orleans (Louis)
  18. What Are You Doing New Year’s Eve? (Ella)
  19. Would You Like to Take a Walk? (Ella & Louis)
  20. What a Wonderful Worls (Louis)

Louis Armstrong & Ella Fitzgerald

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MP3 | 320 KBPS | 136 MB

Se você fizer uma outra playlist, pode mandar que ouvirei, mesmo que já seja Véspera de Ano Novo!

Aproveite e …

Feliz Natal!

René Denon

Handel (1685-1759) ∞ Messiah ∞ Christopher Hogwood

Handel (1685-1759)   ∞   Messiah   ∞   Christopher Hogwood

Handel

Messiah

Hogwood

Eu odeio dezembros! Onde moro faz um calor insuportável e a barba coça, demais. Suo às bicas e a fantasia vermelha não ajuda. Quando me livro de tudo isso e tento voltar para casa, o trânsito é péssimo.

Ah, tem os famosos livros-de-ouro! Brotam dos mais inusitados cantos, brandidos por mãos que se esticam em minha direção, seguidas por caras sorridentes, que não costumo ver no resto ano!

Santa tirando um cochilo antes de distribuir os presentes para o pessoal do PQP

E nem me fale de panetone, não suporto. Passas então, tenho horror!

Mas, que fazer? Lá pelo dia 20 começo a ceder terreno e entrar no clima de frenesi de Natal!

Só o que me consola é a tradicional audição de música de Natal, em particular do Messias.

Every valley shall be exalted, and every mountain and hill made low: the crooked straight and the rough places plain.”

Is. XL, 4

Assim aproveito a ocasião para dividir essa maravilha com vocês e sem mais outras palavras que não sejam:

Feliz Natal!

Vejam lá, não vão esquecer o aniversariante!

George Frideric Handel (1685-1759)

MESSIAH

Foundling Hospital Version 1754

Judith Nelson, Emma Kirkby, sopranos
Carolyn Watkinson, contralto
Paul Elliott, tenor
David Thomas, baixo
Choir of Christ Church Cathedral, Oxford
dirigido por Simon Preston
The Academy of Ancient Music

Christopher Hogwood

Gravação: St. Jude-on-the-Hill, Londres
Produção: Peter Wadland
Hogwood, com os anjos…

CD1

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CD2

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FLAC | 343 MB

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For unto us a child is born!

Feliz Natal!

René Denon

Vivaldi (1678-1741): Concerti – Orchestra of the Age of Enlightenment

Vivaldi (1678-1741): Concerti – Orchestra of the Age of Enlightenment

 

Antonio Vivaldi

Concertos

 

A combinação de uma orquestra especializada em música barroca ou clássica, tocando sem regente em instrumentos de época, uma coleção magnífica e variada de concertos de Vivaldi, exibindo a criatividade do Padre Vermelho, gera grande expectativa para um excelente álbum. Ao final, você dirá…

A música de Veneza até uma geração antes de Vivaldi concentrava-se na Basílica de São Marco, onde músicos com Monteverdi e Legrenzi deram continuidade à tradição estabelecida por Andrea e Giovanni Gabrieli. Com Vivaldi, a referência passou a ser os orfanatos com suas orquestras formadas pelas órfãs que eram exímias instrumentistas, principalmente o Ospedale della Pietà.

A música que Vivaldi produziu neste ambiente e que organizou em várias coleções que foram publicadas em Amsterdam entre 1711 e 1729, influenciou a música em todos os grandes centros da Europa. Em Paris, em Dresden, onde estava Georg Johann Pisendel, na Corte de Weimar, com o entusiasmado jovem Johann Sebastian Bach, grande admirador de Vivaldi. Também em Londres, Praga e Viena.

Proteo

O disco traz uma coleção que ilustra bem a razão de tal influência. Começa com uma versão expandida do Concerto ‘Il Proteo o sia il mondo al rovescio’, para grande combinação de instrumentos. A alusão ao deus grego se deve a sua capacidade de assumir diferentes formas. Na versão original, os solos para violino e violoncelo são tais que podem ser tocados tanto por um quanto pelo outro solista.

A coleção tem alguns concertos para um instrumento solista. Há um concerto para oboé, um para violoncelo e um para flauta, intitulado ‘La Notte’, que especialmente bonito. Este concerto existe em uma versão para concerto de câmera e foi reescrito nesta forma estendida, para flauta transversa, para fazer parte da coleção publicada como o Opus 10. Além disso, é um típico concerto programático, em seis partes, algumas com títulos como ‘Fantasmi’ e ‘Il sonno’.

Os outros concertos do programa são do tipo ‘multi instrumenti’ ou concerto duplo, como o concerto para duas trompas, RV 539.

O concerto para alaúde e viola d’amore, que encerra o disco, era particularmente caro ao compositor, que gostava da viola d’amore, cujo som aqui é combinado ao do alaúde lindamente.

Enfim, um disco primoroso no qual os membros da orquestra se fazem solistas na medida em que os concertos demandam, com a produção cuidadosa da gravadora Linn, para alegrar os amantes da música barroca, e além!

Antonio Vivaldi (1678-1741)

Concerto em fá maior para duas flautas, dois oboés, violino, violoncelo e cravo – ‘Il Proteo o sia il mondo al rovescio’, RV 572
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto em ré menor para oboé e cordas, RV 454
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto em ré menor para duas flautas doces, dois oboés, fagote e dois violinos, RV 566
  1. Allegro assai
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto em fá maior para duas trompas, RV 539
  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegro
Concerto em sol maior para violoncelo, RV 413
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto de câmera em sol menor para flauta, oboé, fagote, violino e contínuo, RV 107
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto em sol menor para flauta – ‘La Notte’, RV 439
  1. Largo – Allegro – Largo – Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto em ré menor para alaúde e viola d’amore, RV 540
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Lisa Beznosiuk & Neil McLaren, flautas
Anthony Robson & James Eastway, oboés
Margaret Faultless & Alison Bury, violinos
David Watkin, violoncelo
Paul Nicholson & John Toll, cravos
Catherine Latham & Emma Murphy, flautas doces
Andrew Watts, fagote
Andrew Clark & Roger Montgomery, trompas
Elizabeth Kenny, tiorba e alaúde
Catherine Mackintosh, viola d’amore

Gravado no Abbey Studio, Londres, julho de 1999

Produção: Ben Turner

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FLAC | 368 MB

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MP3 | 320 KBPS | 191 MB

Veja como termina uma crítica sobre este disco: Talvez uma das melhores coisas sobre esta coleção é sua flexibilidade rítmica. Não há a menor sombra aqui do estereótipo ‘máquina de costura barroca’!

Aproveitem!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750) – Suítes Orquestrais – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

J. S. Bach (1685-1750) – Suítes Orquestrais – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

Johann

Bernhard ◦ Sebastian ◦ Ludwig

Bach

Ouvertures

 

 

Este álbum contêm as quatro Suítes para Orquestra (Ouvertures) de Johann Sebastian Bach e mais duas, de dois de seus primos, Johann Bernhard e Johann Ludwig Bach.

Vocês podem imaginar a confusão de nomes nas reuniões familiares. Aqui está a árvore genealógica com os nossos três compositores do álbum em destaque pelas molduras.

Do livro de Karl Geiringer

As quatro suítes de Bach são peças belíssimas e diferem um pouco entre si especialmente pela orquestração. A Suíte No. 1, em dó maior, é para trio de oboés e fagote, além das cordas e contínuo e lembra, em algum sentido, um concerto grosso, neste aspecto de orquestração. A abertura (por isso o nome alternativo, Ouverture) é espetacular, com um momento de transição entre os primeiros acordes solenes e a sequência de desenvolvimento, que nesta gravação ocorre a 2’10, especialmente mágico. Desde a primeira vez que ouvi este trecho, fiquei completamente fascinado por estas obras.

Buffardin

A Suíte no. 2, em si menor, é famosa pelo solo de flauta, que é o único instrumento de sopro em sua orquestração. É possível que Pierre-Gabriel Buffardin, famoso flautista da corte de Dresden, fosse o destinatário desta maravilhosa peça.

As outras duas Suítes, Nos. 3 e 4, são ambas em ré maior e têm a mesma orquestração, com dois oboés, três trompetes, tímpanos, cordas e contínuo. São peças espetaculares. A Suíte No. 3 se destaca pela Aria, movimento no qual os instrumentos de sopro descansam.

O movimento de abertura da Suíte No. 4 foi usado por Bach no coro inicial da Cantata de Natal BWV 110 – “Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de jubilosos cânticos”. Bem, acho que vocês entenderam… Fica a dica.

As outras duas suítes, dos primos de Johann Sebastian, são diferentes em suas orquestrações. Johann Bernard manteve ótimas relações com Johann Sebastian. Eram compadres e Sebastian tinha grande apreço pela obra do primo. Johann Bernard trabalhou com Georg Philipp Telemann, que produziu muitas aberturas. A Suíte em mi menor de Johann Bernard é orquestrada para cordas e contínuo e não usa instrumentos de sopros.

Johann Sebastian tinha também estima pelas obras de seu outro primo, Johann Ludwig. Na verdade, algumas das suas cantatas só chegaram até nós devido ao fato de terem sido apresentadas por Johann Sebastian em Leipzig, tendo portanto suas partes copiadas e preparadas lá para essas apresentações. A Suíte em sol maior dá algumas indicações de instrumentação, designando algumas de suas seções para oboés, indicando maior uso de instrumentos de sopros.

Estas peças maravilhosas muito possivelmente foram apresentadas em Leipzig, no Café de Gottfried Zimmermann, pelo Collegium Musicum. Este grupo de músicos se apresentava às quartas e sextas-feiras e apesar de uma certa informalidade, era excelente e famoso. A direção do Collegium foi exercida por Telemann, depois por Melchior Hoffman e posteriormente por Georg Balthasar Schott. Schott e Bach se davam muito bem e quando Schott mudou-se para Gotha para assumir um posto musical, em 1729, Bach assumiu a direção do Collegium. A combinação do pessoal da Thomaskirche com os músicos do Collegium permitia que Bach apresentasse obras de grande porte como a Paixão Segundo São Mateus e outras grandes cantatas.

Imagine estar no Café Zimmernann e ouvir a Cantata do Café, depois uma Suíte de Johann Ludwig e outra ainda de Johann Sebastian… Qual das quatro você escolheria?

Este álbum, a despeito de sua capa um tanto inusitada, é muito bom. É claro, o grupo usa instrumentos e práticas de época, mas as grandes aberturas são apresentadas solenemente, pelo menos sob minha perspectiva e com excelente sonoridade. Eu gostei de tudo, do começo ao fim, mas aviso, I’m easy to please. Você só precisa baixar e ouvir… Aposto que vai gostar!

CD1

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

[1-5] – Suíte No. 3 em ré maior, BWV 1068

Johann Bernard Bach (1676-1749)

[6-13] – Suíte em mi menor

Johann Sebastian Bach (1685-1750)

[14-20] – Suíte No. 1 em dó maior, BWV 1066

CD2

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

[1-5] – Suíte No. 4 em ré maior, BWV 1069

Johann Ludwig Bach (1677-1731)

[6-11] – Suíte em sol maior

Johann Sebastian Bach (1685-1750)

[12-18] – Suíte No. 2 em si menor, BWV 1067

Concerto Italiano

Rinaldo Alesandrini

Mais informações poderão ser obtidas no livreto que acompanha os arquivos.

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FLAC | 735 MB

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MP3 | 320 KBPS | 314 MB

Rinaldo Alessandrini

Uma crítica equilibrada deste álbum pode ser encontrada aqui.

Aproveite!

René Denon

Ravel (1875-1937): Miroirs – Le tombeau de Couperin – Anne Queffélec

Ravel (1875-1937): Miroirs – Le tombeau de Couperin – Anne Queffélec
E o pintor é …

Ravel

Miroirs – Le tombeau de Couperin

 

 

Direto do Tunel do Tempo, este disco é bem típico dos anos 70, um compositor, duas obras (uma para cada lado do LP), uma intérprete especialista neste tipo de música. Com pouco mais de 50 minutos de música, demandava uma virada de disco entre uma peça e a outra. Isto incluía levantar-se do sofá ou da poltrona, levantar o braço da vitrola, virar o disco e, com muito cuidado, colocar o braço novamente sobre o disco em movimento.

Este ritual todo, em alguns casos, incluía uma esfregadela da flanela no LP, para garantir o bom desempenho de todo o (agora aparentemente) tosco mecanismo. Também fazia com que mergulhássemos por uns minutinhos em algum silêncio, muito adequados para uma pequena reflexão sobre o que acabávamos de ter ouvido.

Os CDs, e agora as novas mídias, permitem que ouçamos ininterruptamente horas (se aguentarmos, é claro) de música. Isso é uma boa deixa para a reflexão de cada um… Como você ouve música hoje? Como você ouvia música (digamos) há um terço, um quarto de seu tempo de vida já passada?

Mas vamos a música, pois afinal de contas, isso é o que interessa. Temos duas lindas suítes escritas por Maurice Ravel, para piano solo. Ou seja, dois conjuntos de peças com um fio condutor ligando-as. Isso não impede que uma ou outra destas peças apareça em algum outro contexto, desatacada da suíte.

Miroirs é a mais antiga das duas. Foi escrita entre 1904 e 1905 e estreada em 1906 pelo pianista e muito amigo de Ravel, Ricardo Viñes.

Cada movimento desta suíte foi dedicado a algum amigo de Ravel que fazia parte do grupo de artistas autointitulado ‘Les Apaches’, entre eles o próprio Ricardo Viñes, ao qual foi dedicado a linda peça ‘Oiseaux tristes’.

A outra suíte, ‘Le tombeau de Couperin’, foi composta entre 1914 e 1917, período terrível, durante a Primeira Grande Guerra. Nesta, Ravel perdeu vários amigos e cada movimento da suíte é dedicado a algum deles. A ‘Toccata’, o último movimento da suíte, por exemplo, foi dedicado a Joseph Marliave, que foi musicólogo e marido de Marguerite Long.

A suíte é inspirada nas suítes barrocas de danças do século XVII. A palavra ‘tombeau’ no título era usado naquela época para indicar uma homenagem, um memorial a quem for nomeado. No caso, Couperin pode ser considerado uma homenagem aos músicos franceses daquela época, por que além do grande François Couperin, havia muitos músicos nesta família.

Eu gosto particularmente da Forlane, movimento que já foi postado aqui na interpretação de Rubinstein, no seu álbum sobre música francesa.

Anne, de olho no maestro… em outra gravação, é claro!

A intérprete deste típico LP é a pianista Anne Queffélec, que graduou-se com láurea no Conservatório de Paris e especializou-se em Viena com a trinca Paul Badura-Skoda, Jörg Demus e Alfred Brendel. Teve sua carreira definitivamente deslanchada depois de ganhar as competições para piano de Munique (1968) e Leeds (1969). É ativa desde então e tem discos gravados recentemente sendo lançados.

Veja o que ela disse da suíte Miroirs, em uma entrevista dada a propósito de uma apresentação sua em Londres, em 2018: ‘A segunda metade de meu recital é dedicada a Reflets dans l’eau, de Debussy, e Miroirs, de Ravel, pois eu amo estas peças maravilhosas’. Ao programar Reflets e Miroirs juntas sinto estar conectando a esta ideia de ‘reflexos’, mesmo que a própria música na suíte de Ravel, nos títulos individuais das cinco peças, não nos dê a chave para o nome global Miroirs. Isto permanece um mistério. Temos que ser como Alice no País das Maravilhas e concordar em seguir Ravel e passar através dos espelhos a nossa volta’.

 

Maurice Ravel (1875-1937)

Miroirs

  1. Noctuelles
  2. Oiseaux tristes
  3. Um barque sur l’ocen
  4. Alborada del gracioso
  5. La vallée des cloches

Le tombeau de Couperin

  1. Prélude
  2. Fugue
  3. Rigaudon
  4. Menuet
  5. Toccata

Anne Queffélec, piano

Disco de 1977, com gravação de Pierre Lavoix

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FLAC | 400 MB

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MP3 | 320 KBPS | 181 MB

Anne Queffélec

No nosso caso, além dos espelhos, passamos também pelo Túnel do Tempo!!

Aproveite!

René Denon

Autêntico!

Haydn (1732-1809): Sonatas para Piano – Paul Lewis

Haydn (1732-1809): Sonatas para Piano – Paul Lewis

 

Haydn 

Sonatas para Piano

 

Fantasias jocosas, mas cheias de sentimentos! É assim que o livreto deste disco começa. E, acredite, você ouvirá um excelente disco!

O pianista Paul Lewis já é frequentador de nossas páginas, onde foram postados as Sonatas e os Concertos para Piano de Beethoven, assim como as Variações Diabelli. Realmente, estas gravações são espetaculares e ganharam louvores de críticos ao redor do mundo.

Lewis iniciou na música tocando violoncelo, o único instrumento para o qual sua escola poderia oferecer uma bolsa de estudos. Assim que foi aceito em uma escola de música em Manchester, tornou-se aluno de piano, estudando com Ryszard Bakst, depois com Joan Havill na Guildhall School of Music and Drama. Estudou também com Alfred Brendel, que ele considera seu mentor. E justamente, eu acredito, pois o disco que apresentamos nesta postagem traz Sonatas para Piano de Haydn, obras típicas do repertório de Brendel.

Lewis dando uma palhinha para o pessoal do PQP Bach

Duas das sonatas são do período em que Haydn estava a serviço da família Esterházy e duas são mais tardias, consequências de suas viagens a Londres. É música clássica ainda com um cheiro de música galante, que demanda muito do intérprete, para realizar todo seu potencial e apresentar todo o seu bom humor e charme. Na minha opinião, é isso o que consegue com aparente total facilidade o pianista Paul Lewis.

Apesar de Haydn ser famoso por suas composições de quartetos, trios e sinfonias, seu biógrafo Georg August Griesinger relata como ele trabalhava em suas composições. ‘Eu me sentava [ao piano] e começava a fantasiar, de acordo com o meu humor – triste ou alegre, sério ou brincalhão. Uma vez que encontrava uma ideia, meu esforço concentrava-se em desenvolvê-la e mantê-la dentro das regras da arte’.

Assim ele nos deixou também várias sonatas para piano, das quais as quatro deste disco são significativas representantes.

Joseph Haydn (1732-1809)

Sonata para piano em mi bemol maior, Hob. XVI: 49

  1. Allegro
  2. Adagio cantabile
  3. Tempo di menuetto

Sonata para piano em dó maior, Hob. XVI: 50

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro molto

Sonata para piano em si menor, Hob. XVI: 32

  1. Allegro moderato
  2. Menuet
  3. Presto

Sonata para piano em sol maior, Hob. XVI: 40

  1. Allegretto innocente
  2. Presto

Paul Lewis, piano

Gravação em 2017
Direção artística: Martin Sauer

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FLAC | 202 MB

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MP3 | 320 KBPS | 160 MB

Sala de Concertos, Esterháza

Jocosas, mas cheias de sentimentos. Espero que após ouvir este disco, você diga se concorda…

Aproveite!

René Denon

Franz Schubert (1797-1828): Sinfonias Nos. 5 e 6 – Camerata Academica des Mozarteums Salzburg – Sandor Végh

Franz Schubert (1797-1828): Sinfonias Nos. 5 e 6 – Camerata Academica des Mozarteums Salzburg – Sandor Végh

Franz Schubert

Sinfonias Nos. 5 & 6

Camerata Academica

Sandor Végh

 

Sandor Végh foi um violinista. Teria sido pianista, mas seus pais explicaram que o violino era muito mais barato. Só para contrariar, anos mais tarde ele comprou o Stradivarius que pertencera a Paganini, não se sabe por quanto…

Nascido em uma cidade da Transilvânia,  era Austro-Húngaro de nascimento, mas tornou-se um cidadão do mundo. Foi membro do Hungarian String Quartet até fundar o Végh Quartet, cujas gravações dos quartetos de Bártok e Beethoven são justamente lendárias. Algumas delas podem ser encontradas nos vaults do PQP.

De seu encontro com Pablo Casals em 1952 resultou em grande colaboração e despertou seu interesse pela regência. Atuou com várias orquestras, mas foi com a Camerata Academica do Mozarteum de Salzburg que ele deixou alguns importantes registros. Entre eles este disco da postagem, com duas sinfonias de Schubert.

Schubert é conhecido por suas composições para piano e para piano e voz – seus Lieder. Também é muito conhecido por suas composições de câmera, como o Quinteto ‘A Truta’ e o Quinteto de Cordas. Mas Schubert foi também um ótimo sinfonista. Sabendo das reduzidas chances de ver suas obras sinfônicas sendo apresentadas pelas grandes orquestras de Viena, concentrou seus esforços nas outras peças, mas ainda sim temos algumas lindas obras sinfônicas para apreciar.

A Sinfonia No. 5, em si bemol maior, foi composta em 1816 e chegou a ser interpretada por uma orquestra amadora na casa de Otto Hatwig, músico do Burgtheater de Viena. A orquestra era amadora, mas competentíssima, pois interpretava também obras de Beethoven, Cherubini e Spontini.

Depois desta apresentação, a sinfonia só foi ouvida novamente em 1841, por uma orquestra profissional.

A Sinfonia No. 6, em dó maior, foi ouvida em 14 de dezembro de 1828, em um concerto em memória de Schubert, que morrera algumas semanas antes. A outra sinfonia em dó maior, denominada ‘A Grande’, deveria ser tocada em seu lugar, mas foi considerada ‘intocável’ pelos músicos.

Franz Schubert (1797 – 1828)

Sinfonia No. 5 em si bemol maior, D. 485

  1. Allegro
  2. Andante con moto
  3. Menuetto . Allegro molto
  4. Allegro vivace

Sinfonia No. 6 em dó maior, D. 589

  1. Adagio . Allegro
  2. Andante
  3. Scherzo . Presto
  4. Allegro moderato

Camerata Academica des Mozarteums Salzburg

Sandor Végh

Coprodução ORF – Österreichischer Rundfunk & Capriccio

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FLAC |269MB

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MP3 | 320 KBPS | 151 MB

Jurássicos!

Estas duas sinfonias são muito bonitas e certamente merecem ser divulgadas ao lado das mais famosas ‘Inacabada’ e ‘Grande Sinfonia’. Eu gosto muito da Sinfonia No. 5. E vocês, qual delas preferem?

Aproveitem!

René Denon

Mendelssohn (1809-1847): Concertos para Violino – Alina Ibragimova – OAE – Vladimir Jurowski

Mendelssohn (1809-1847): Concertos para Violino – Alina Ibragimova – OAE – Vladimir Jurowski

Mendelssohn

Concertos para Violino

Abertura ‘As Hébridas’ ou ‘A Gruta de Fingal’

 

O que chamou a minha atenção neste disco, além da excelente Alina Ibragimova, foi o plural de Concerto: Mendelssohn escreveu mais do que um Concerto para Violino?

Adoro cavalos…

O Concerto para Violino de Mendelssohn, assim no singular, é um dos primeiros concertos do tipo ‘cavalos-de-batalha’, ao lado do Concerto de Beethoven, obras que estabeleceram um altíssimo nível para os compositores que vieram depois. Ou seja, puxam uma fila que continua com Brahms, Tchaikovsky, Bruch, Sibelius e tantos outros. Tão excelsa companhia nos faz esquecer um pouco que o Concerto foi composto em um período onde o estilo clássico estava começando a ceder espaço para as maiores ousadias românticas.

Ferdinand David

Mendelssohn começou a composição deste concerto em 1838, mas o projeto só foi terminado em 1845. Durante este período, ele trocou várias cartas com Ferdinand David, amigo e primeiro violino da Leipzig Gewandhaus Orchestra, que ofereceu várias sugestões. A estreia ocorreu em Leipzig, em 13 de março de 1845, tendo Ferdinand David como solista. O concerto deve ter causado bastante impacto pelas ‘novidades’ que apresenta, como a entrada antecipada do solista, deixando o costumeiro preâmbulo da orquestra muito mais curto, assim como a maior integração entre os movimentos, passando de um para o outro mais fluentemente. O Concerto foi um sucesso imediato.

Esta gravação resgata este aspecto inovador do concerto por apresenta-lo com uma orquestra parecida com a que o introduziu às audiências da época e nos permite ver a obra sob uma diferente perspectiva daquela a que estamos mais acostumados.

Sir Yehudi Menuhin

Pois não é que o danado do Felix já havia composto outro Concerto para Violino ainda na adolescência? De escopo bem mais modesto, o Concerto para Violino em ré menor é uma obra que revela o futuro brilhante do jovem compositor. Com uma interpretação tão convincente como esta, dada pela Alina Ibragimova, podemos entender o interesse que a obra causou em Sir Yehudi Menuhin, o responsável por reintroduzir esta obra para as novas audiências. O último movimento é particularmente cativante, uma ótima lembrança para guardar nos ouvidos.

O disco também apresenta uma gravação da Abertura ‘As Hébridas’ ou ‘A Gruta de Fingal’, como é chamado o poema sinfônico composto por Mendelssohn, sob a impressão causada pela visão da famosa Ilha com a tal caverna.

Felix Mendelssohn (1809-1847)

Concerto para Violino em mi menor, Op. 64

  1. Allegro molto appassionato
  2. Andante
  3. Allegretto non troppo – Allegro molto vivace

Abertura ‘As Hébridas’, ou

  1. Abertura ‘A Gruta de Fingal’

Concerto para Violino em ré menor

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro

Alina Ibragimova, violino

Orchestra of the Age of Enlightment

Vladimir Jurowski

Produção: Andrew Keener

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FLAC | 249 MB

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MP3 | 320 KBPS | 129 MB

Alina Ibragimova, foto de Benjamin Ealovega

Alina Ibragimova é uma excelente intérprete, que apesar do pouco uso de vibrato, não deixa de apresentar a intensidade e virtuosismo dos concertos. O acompanhamento é com uma das minhas orquestras de época preferidas. A regência de Jurowski é excelente, como a gravação da ‘Gruta de Fingal’ mostra. A produção, ao encargo do Andrew Keener, com acabamento do selo Hyperion completa este lindo e revelador álbum. Aproveite!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

J. S. Bach

“Six Concerts avec plusieurs instruments”

 

Como todas as atividades humanas, a vida de blogueiro, especialmente de blogueiro de música clássica, gera ansiedade e envolve riscos. Ah, mas se assim não fosse, que graça teria? Vocês não imaginam o que é escolher uma peça para a postagem, depois a gravação, o que dizer, o que não dizer na redação do texto? Cada uma destas etapas levanta enormes considerações, intranquilidades muitas. Será que a gravação já foi postada antes? Alguém já escreveu aquela frase que você só conseguiu alinhavar depois de muitas folhas de rascunho rabiscadas e várias xícaras de café? O que dirão da sua escolha, os venerandos pares, que ajudam a fazer singrar esta nossa nau musical? Provavelmente estarão tão atarefados com as suas próprias considerações e obrigações que não terão tempo de verificar as patuscadas dos outros. Mas vai que…

E vocês podem imaginar meus sobressaltos ao escolher obra tão icônica como este conjunto de concertos do nosso compositor mor. Mas, creiam, assim que ouvi o álbum pela primeira vez, decidi: vou postar! Este aqui é preciso dividir com nossos seguidores.

Bach, quando jovem…

Todos já devem saber da história, mas aqui vai a minha versão. Bach compilou este conjunto de seis (número mágico para as coleções de obras musicais) concertos e na primavera de 1721 os dedicou ao Margrave de Brandenburgo, com a clara intensão de conseguir uma posição na corte. Portanto, o conjunto foi compilado para exibir os seus talentos e sua inventividade. É incrível a variedade de instrumentos usados, a energia que cada uma destas peças demanda de seus intérpretes e contagia as plateias que tiverem a sorte de ouvi-los. A forte presença de instrumentos de sopros é uma clara preferência germânica. Como nos explica Karl Geiringer, nos concertos Nos 1, 3 e 6, a orquestra é composta de coros instrumentais uniformemente equilibrados que lançam os temas de uns para os outros em encantadora conversação, só ocasionalmente destacando um único instrumento saído do meio de todos eles. Estes concertos evocam as canzonas venezianas, com seus coros instrumentais contrastantes. Os outros três concertos, Nos. 2, 4 e 5, têm as cordas acompanhantes, os ripieni, defrontando-se com o concertino, consistindo de três ou quatro instrumentos solistas. São do tipo concerti grossi. Além disso, neste concertino há um instrumento protagonista e condutor, cuja parte é mais brilhante e tecnicamente mais exigente.

O cravo saiu do anonimato do baixo contínuo para revelar-se um maravilhoso instrumento solista no Concerto No. 5. No Concerto No. 2, uma flauta e um trompete roçam ombros ao lado do oboé e um violino como solistas. Fechando o cortejo, o Concerto No. 6 é só para cordas e um cravo. E cordas graves, duas violas, duas violas da gamba, acompanhadas de violoncelo, cravo e um ‘violone’.

Pois se o Margrave não contratou Bach, pior para ele. As partituras dos concertos acabaram tomando poeira nas prateleiras da biblioteca, foram vendidas por uma ninharia, mas chegaram até nós e perfazem uma das coleções de obras mais gravadas de que se tem notícia. Nem as ‘Quatro Estações’ são páreo para os ‘Brandenburgos’.

Rinaldo Alessandrini

Esta gravação, de que eu gostei tanto, não é unanimidade, mas foi bastante bem recebida pela crítica. Na minha opinião, conta a seu favor o fato de que cada ‘parte’ é tocada por apenas um instrumento, dando mais agilidade e transparência ao discurso musical. O tal andamento mais rápido, que é uma característica dos conjuntos italianos que adotam instrumentos e prática de época, é uma característica positiva para mim, mas pode causar franzir de testas e levantamento de sobrancelhas em outras fisionomias. Mas como diria o sábio e poeta, toda unanimidade é unânime.

Enfim, tenho certeza que esta gravação não o deixará indiferente e poderá ganhar espaço junto daquelas outras que você já considera como as suas preferidas. Pode até ser que ela já esteja lá…

De brinde, no primeiro disco há uma faixa com uma Sinfonia da Cantata 174, que é uma outra versão do Concerto No. 3, acrescentado de três oboés e duas trompas. No segundo disco, há uma faixa intitulada ‘Cadenza’ que é a versão original da cadência do Concerto No. 5.

Ao fazer a compilação dos concertos, Bach escreveu uma versão estendida da cadência, passando de 17 para 65 barras, que deu muito mais drama e virtuosismo ao concerto.

Concerto Italiano

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concertos de Brandenburgo

CD1

Concerto No. 1 em fá maior, BWV 1046

  1. […]
  2. Adagio
  3. Allegro
  4. Menuet

Concerto No. 2 em fá maior, BWV 1047

  1. […]
  2. Andante
  3. Allegro assai

Concerto No. 3 em sol maior, BWV 1048

  1. […]
  2. Adagio – Allegro

Cantata ‘Ich liebe den Höchsten von ganzen Gemüte’, BWV 147

  1. Sinfonia

CD2

Concerto No. 4 em sol maior, BWV 1049

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Presto

Concerto No. 5 em ré maior, BWV 1050

  1. Allegro
  2. Affettuoso
  3. Allegro
  4. Cadenza

Concerto No. 6 em si bemol maior, BWV 1051

  1. […]
  2. Adagio ma non tanto
  3. Allegro

Concerto Italiano

Rinaldo Alessandrino

Observação: os nomes dos específicos solistas em cada concerto podem ser encontrados em documentos tipo pdf anexados aos downloads.

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FLAC | 543 MB

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MP3 | 320 KBPS | 253 MB

Mais uma frase do erudito Karl Geiringer: ‘Até mesmo o estudioso de Bach, que espera a máxima variedade da obra do mestre, deve ficar surpreendido com a abundância de cenas cambiantes nessas joias musicais’.

Baixe a versão que mais seja adequada ao seu uso, flac ou mp3, e aproveite esta maravilha de música!

René Denon

PS: Se você entendeu a ideia da capa do disco, por favor, divida conosco…

 

J. S. Bach, Balbastre, F. Couperin, Daquin, Fischer, Händel, Rameau, D. Scarlatti: The Harmonious Blacksmith – Trevor Pinnock, cravo

J. S. Bach, Balbastre, F. Couperin, Daquin, Fischer, Händel, Rameau, D. Scarlatti: The Harmonious Blacksmith – Trevor Pinnock, cravo

Favourite Harpsichord Pieces

PERIGO!

Música altamente contagiante

Lidar com muito cuidado!

 

Este álbum deveria ser distribuído na saída das escolas, nas salas de espera de consultórios, nas filas para elevadores, nas travessias de barcas e ferryboats. Isto é pura propaganda!

Por favor, faça uma corrente, distribua esta postagem para mais dez pessoas e você alcançará a graça de ouvir música por muito, muito tempo!

Havia o cassette do álbum!

The Harmonious Blacksmith – Favourite Harpsichord Pieces são título e subtítulo do álbum. O Ferreiro Harmonioso é o nome da peça que inicia o disco e consiste de tema e cinco variações, o último movimento da Suite No. 5, em mi maior, HWV 430, que de tão bonito ganhou carreira solo. Outra peça favorita de quem quer que a ouça é Les baricades mistérieuses, de François Couperin. Com um nome assim misterioso e uma melodia que gruda na gente para toda a vida, é um hit das paradas de sucesso de música barroca desde que foi composta.

E o Concerto Italiano? Bach gostava tanto dos concertos de Vivaldi que fez um só para tocar para as pessoas que o iam visitar. Ele dizia: Ah, o roter Priester, ele é assim…. E aí, tocava o Concerto Italiano.

Foca na Música!

O som do disco? Bem, como eu diria? Ressonante! Um amigo me disse que este disco foi gravado em algum banheiro. Mas, quem liga para isto? Foca na música! A música é tão boa de se ouvir.

Tem as duas contrastantes sonatinhas de Scarlatti, com seu ares de Espanha. Tem a Le coucou (cuco!), do Daquin, e também La Suzanne, do Balbastre. E mais umas outras peças marcantes do repertório para cravo.

Trevor Pinnock estudou cravo no London’s Royal College of Music e lhe disseram que ele nunca ganharia a vida tocando instrumento tão arcano. Ele queimou a predição quase de saída, tornando-se o cravista da veneranda Academy of St. Martin-in-the-Fields. Em 1972 criou The English Concert, e começaram a se apresentar em festivais onde encontraram um big shot da Archiv Produktion. Tiveram que ralar com o cara por uns quatro anos antes do primeiro contrato de gravação. Depois, só sucesso. Pinnock continuou como regente do grupo por uns trinta anos.

Pelas entrevistas que andei lendo e pelas gravações que continuam a aparecer, podemos deduzir que Pinnock é um excelente músico e parece ótimo sujeito. Dividindo seu tempo como regente e solista, Pinnock continua bastante ativo. Sua segunda gravação das Partitas para Cravo de Bach é excelente, assim como um disco intitulado Journey, que reúne música para cravo cobrindo um longo período. Ele está a caminho de realizar um de seus grandes desejos, gravando os dois livros do Cravo Bem Temperado, antes de chegar aos 80 anos. Como ele diz, é uma questão de força de vontade: acordar cedo, praticar os Prelúdios e Fugas e depois brincar com o neto.

Georg Frideric Handel (1685 – 1759)

  1. Aria e variações “The Harmonious Blacksmith”

Johann Caspar Fischer (1656 – 1746)

  1. Passacaglia da Suíte “Urania”, para cravo, em ré menor

François Couperin (1668 – 1733)

  1. Les baricades mistérieuses

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

  1. Concerto Italiano, BWV 971

Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)

  1. Gavotte (com 6 Doubles), em lá menor

Domenico Scarlatti (1685 – 1757)

  1. Sonata para cravo em mi maior, K. 380
  2. Sonata para cravo em mi maior, K. 381

Joseph-Hector Fiocco (1703 – 1741)

  1. Adagio em sol maior, Da Suíte No. 1, Op. 1

Louis-Claude Daquin (1694 – 1772)

  1. Le coucou

Claude-Béninge Balbastre (1724 – 1799)

  1. La Suzanne

Trevor Pinnock, cravo

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Trevor, de bem com a vida!

Aproveite, baixe, desfrute e divulgue!

René Denon

Brahms (1833-1897): Quartetos – Quinteto com Piano – Belcea Quartet & Till Fellner

Brahms (1833-1897): Quartetos – Quinteto com Piano – Belcea Quartet & Till Fellner

Johannes Brahms

Quartetos Op. 51 & 67

Quinteto com Piano Op. 34

 

Eu andava um pouco reticente com as peças de câmera do barbudo Johannes. Gosto muito das sonatas para violino e talvez mais ainda das sonatas para violoncelo. Mas as outras obras estavam um pouco deixadas de lado. Se bem que o quinteto com piano é constante aqui em casa, quase sempre acompanhado de seu irmão mais velho, o quinteto de Schumann. Maravilhas. Pois foi pelo quinteto então que cheguei a este álbum da postagem. E também pelo pianista Till Fellner, figurinha carimbada do meu álbum. O Belcea Quartet eu conhecia dos quartetos de Debussy e Ravel. Pois não é que gostei demais de tudo? Linda música, grande álbum, ouvido muitas vezes, continua mais lindo. E vocês já sabem, quando isto acontece, eu divido com vocês!

O Brahms que compôs estes quartetos ainda não era barbudo, mas já estava com bem quarenta anos, em 1873, quando publicou os dois primeiros, como Opus 51.

A história é que Brahms já havia destruído vinte quartetos de cordas antes de dar-se por satisfeito com estes dois. Parece difícil de acreditar, mas é muito plausível. Vejamos, Brahms estava entrando em um campo onde vicejava quartetos de Haydn, Mozart, Beethoven e Schubert! E Brahms estava sob a pressão colocada sobre ele pelas expectativas criadas pelo famoso artigo de Schumann, intitulado Neue Bahnen, Novos Caminhos. Aparentemente Brahms já estava trabalhando na composição destes quartetos em 1869. Escreveu ao seu editor dizendo que Mozart teve muito trabalho para produzir seus seis Haydn-Quartets, e ele faria o seu melhor para produzir um ou dois que fossem descentes. E ele cumpriu sua palavra, como você poderá constatar baixando este maravilhoso álbum.

Clara Schumann

O terceiro quarteto foi composto dois anos mais tarde. Brahms passava férias de verão em Ziegelhausen evitando pensar muito na sua primeira sinfonia e para distrair-se passou a compor coisinhas, entre elas o quarteto. Segundo Joseph Joachim, este era o seu quarteto favorito, que reflete o ensolarado ambiente que Brahms desfrutou durante sua composição.

O quinteto com piano é obra anterior aos quartetos e começou sua existência como um quinteto de cordas. Veja que o grande quinteto de cordas de Schubert, assim como os seus últimos quartetos foram publicados quando Brahms estava iniciando sua carreira de compositor.

Johannes Brahms e Joseph Joachim

Apesar de reconhecerem a beleza da música, amigos como Joseph Joachim e Clara Schumann fizeram críticas à peça neste formato. Brahms então o remodelou na forma de uma sonata para dois pianos, mas logo depois reescreveu tudo na versão para piano e quarteto de cordas. Nesta forma, a obra foi publicada em 1865, como o Opus 34. A versão sonata para dois pianos também foi publicada como Op. 34b, mas o exigente Brahms destruiu a versão para quinteto de cordas.

Uma crítica bastante equilibrada deste álbum, que você pode ler na íntegra aqui, nos informa que as gravações dos quartetos pelo Belcea Quartet têm um profundo sentido de afeição e calor humano. Menciona também o fato de as gravações das peças individuais terem sido feitas uma a uma, com intervalo de vários meses entre elas. Isto teria permitido ao grupo tomar cada peça por si própria, enfatizando os seus principais aspectos.

Não deixe de notar a intensidade da interpretação logo no primeiro movimento do primeiro quarteto, nem as melodias húngaras do último movimento do segundo quarteto. O movimento lento do terceiro quarteto é também sublime. E o que dizer do quinteto? Maravilhas.

Não é por nada que o crítico termina sua resenha com a frase que resume bem o álbum: Aqui está uma performance profundamente gratificante!

Johannes Brahms (1833-1897)

CD1

Quarteto de cordas No. 1 em dó menor, Op. 51, 1

  1. Allegro
  2. Romanze (Poco adagio)
  3. Allegretto molto moderato e comodo
  4. Allegro

Quarteto de cordas No. 2 em lá menor, Op. 51, 2

  1. Allegro non troppo
  2. Andante
  3. Quase minueto, moderato
  4. Finale (allegro non assai)

CD2

Quarteto de cordas No. 3 em si bemol maior, Op. 67

  1. Vivace
  2. Andante
  3. Agitato (Allegretto non troppo)
  4. Poco allegretto com variazioni

Quinteto com piano em fá menor, Op. 34

  1. Allegro non troppo
  2. Andante, un poco adagio
  3. Scherzo (Allegro)
  4. Finale (Poco sostenuto – Allegro non troppo)

Belcea Quartet

Corina Belcea, violino

Alex Schacher, violino

Krysztof Chorzelski, viola

Antoine Lederlin, violoncelo

Till Fellner, piano (Op. 34)

Gravado entre 2014 e 2015, no Britten Studio, Aldeburgh

Produção de John Fraser

Belcea Quartet

CD1

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CD2

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Till Fellner e seu topete!

Veja o que The Sunday Times disse do álbum: What a feast this is. The Belcea’s textures are so rich, you would think a larger force of strings was playing. And in the quintet’s glorious andante, their eloquence almost rivals that of the great Busch Quartet.

Portanto, não demore, aproveite!

René Denon

Coleção de Peças Francesas para Piano – Arthur Rubinstein

Coleção de Peças Francesas para Piano – Arthur Rubinstein

 

Música Francesa para Piano

Arthur Rubinstein

 

 

O que você faz, depois que vai para casa?

The CD is on the table!

Eu sempre penso nisto quando imagino os grandes artistas em seus momentos, digamos assim, mais mundanos. É claro, a pergunta aplica-se a outras gentes e é possível que os hábitos domésticos, os interesses além daqueles estritamente profissionais, revelem mais sobre as pessoas do que aquilo que é público, aquilo que todos sabem sobre elas.

Pois fico imaginando como teria sido Arthur Rubinstein chegando em casa após um cansativo dia de gravações com uma enorme orquestra, um regente cheio de ideias diferentes das suas sobre o concerto que estão gravando. O produtor Max Wilcox atarefado com as faixas selecionadas para audição, o orçamento já em vias de estourar.

Então, chegar em casa, passar dos sapatos para os chinelos, um golinho de xerez, talvez, um lanchinho leve, por certo. Nada interessante na TV. Pronto, agora a noite já caiu de vez e a porta que dá para a sacada está aberta e deixa entrar uma brisa que além de balançar as cortinas esvoaçantes, traz um aroma das flores que só recendem à noite, assim como um restinho de luar. Pois não é que o clima se mostra então propício à música. O piano ali pertinho, sobre o velho tapete vermelho, sorri convidativamente com suas amareladas e amigas teclas. Música então, pensa nosso hipotético Arthur. O que tocaria para si próprio ou pequena e íntima companhia? Chopin? Nãh… muito pedido por todos. Beethoven, Schubert, Mozart? Não de novo, muito germânicos para a noite quase latina. E como era boa a convivência com os amigos franceses, colegas pianistas e queridos compositores. Jantares nas casas de uns, passeios nos arredores de Paris com adoráveis piqueniques. Assim, nosso pianista resolve tocar umas peças francesas, cheias de charme, de alegria e de muita elegância.

As Valses nobles et sentimentales do Maurice são mais conhecidas na versão para orquestra e merecidamente. Mas na falta da orquestra, Arthur vai de piano mesmo, que ele é capaz de recriar com seu instrumento a riqueza da partitura de Ravel. Mas as valsas foram originalmente escritas para piano e inspiradas pelas Valses sentimentales e as Valses nobles de Schubert. No entanto, diferentes das peças de Schubert, as de Ravel formam uma coleção de oito valsas que se emendam umas nas outras, fluindo num todo, passando por seções tempestuosas, langorosas, até a peça final onde as anteriores são recapituladas. A coleção teve sua estreia em um concerto da Sociedade Musical Independente, interpretadas por Louis Aubert, amigo de Ravel dos dias do conservatório. O concerto foi arranjado de forma que as pessoas não sabiam os nomes dos compositores das peças e eram estimuladas a adivinharem os autores. As tentativas muito divertiram Ravel. Entre elas surgiram nomes como Kodály, Satie, Chopin ou mesmo Mozart.

Poulenc ainda muito jovem e servindo durante a guerra, arranjou tempo para compor essas Mouvements perpétuels e conseguiu as enviar para Ricardo Viñes estreá-las em um concerto de fevereiro de 1919. Estes concertos misturavam diferentes artes, com poesia e exposições de pinturas além de música. Essas peças foram um sucesso imediato e mesmo muitos anos depois, sempre as ouvindo, quando perguntado como ele se sentia sobre elas, Poulenc respondeu que “ainda podia tolerá-las”.

O Intermezzo foi uma das poucas peças que Poulenc compôs em 1934 e a dedicou a uma querida amiga, a Condessa Marie-Blanche de Polignac, uma música amadora muito aplicada. Rubinstein também era amigo da Condessa e ganhou de Poulenc uma cópia do Intermezzo, com a inscrição “Para Arthur, um retrato de nossa querida Marie-Blanche”.

Ravel recuperava-se das agruras da guerra na casa de campo de Madame Fernand Dreyfus quando encontrou inspiração para compor uma suíte para piano, Le Tombeau de Couperin. Fazia assim simultaneamente um tributo à música francesa antiga e a vários amigos que perdera na guerra. Desta suíte ouvimos aqui a Forlane, lindíssima. A outra peça de Ravel no disco, La Vallée des cloches pertence a outra suíte, Miroirs.

Mais duas lindas peças seguem, um famoso noturno de Gabriel Fauré e outro intermezzo de Poulenc, este composto em 1943.

O disco termina com uma peça “pitoresca”, Scherzo-Valse, de Chabrier, o mais barulhento e histriônico dos compositores (quase amador) francês. Certamente a peça prenuncia sua famosa España. E assim também termina a nossa noite imaginada e transformada em um belíssimo disco, mais um da dupla Rubinstein – Wilcox, o artista e o artístico produtor.

 

Maurice Ravel (1875-1937)

  1. Valses nobles et sentimentales

Francis Poulenc (1899-1963)

  1. Mouvements perpétuels
  2. Intermezzo em lá bemol maior

Maurice Ravel (1875-1937)

  1. Forlane (da Suíte ‘Le Tombeau de Couperin’)
  2. La Vallée des cloches (da Suíte ‘Miroirs’)

Gabriel Fauré (1845-1924)

  1. Noturno em lá bemol maior, Op. 33, 3

Francis Poulenc (1899-1963)

  1. Intermezzo No. 2 em ré bemol maior

Emmanuel Chabrier (1841-1924)

  1. Scherzo-Valse

Arthur Rubinstein, piano

Produção: Max Wilcox

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MP3 | 320 KBPS | 108 MB

Ravel colocou uma citação de Henri de Regnier no auto das Valses nobles et sentimentales: “… le plaisir delicieux et toujours nouveau d’une occupation inutile…” (… o prazer delicioso e sempre novo de uma ocupação inútil…)

Jurássico, perpétuo! Grande CD! Aproveite!

René Denon

Vários: Dances – Peças para Piano – Benjamin Grosvenor

Vários: Dances – Peças para Piano – Benjamin Grosvenor

 

Danças?

 

Após muitos (muitos!) anos de experiência com música e discos, alguma coisa acaba-se aprendendo. Eu consigo farejar um bom disco a milhas de distância. E este álbum, eu sabia, é excelente. Se bem que gosto, não se deve discutir.

A rabugice e o conservadorismo são traços que afloram a medida em que a idade avança, é inexorável. Rabugento ainda não sou, mas tenho tido episódios. Conservador é claro que não sou, mas essas novidades de discos conceituais dão-me rugas na testa e um ligeiro movimento de pé atrás. Cheira-me a marketing. Mas neste caso, rendo-me absolutamente! Disco maravilhoso, de primeira à última faixa.

Dança é o tema do álbum cuja concepção foi inspirada em uma carta de Ferruccio Busoni para um de seus alunos, Egon Petri, propondo um programa dançante para um recital. Que ideia mais simples, mas maravilhosa…

Pois dança é o assunto do álbum que vai das antigas danças, como a sarabande da Partita do Bach até o Boogie Woogie, no estudo do Morton Gould. Entre elas, valsas, muitas maravilhosas valsas. Ah, polonaises também, pois há Chopin, e algumas mazurkinhas do Scriabin.

Não poderia faltar o Azul Danúbio e tango também.

E como não falar umas palavras sobre o Benjamin Grosvenor, este excelente pianista? Ele despontou para o mundo da música em 2004 ganhando o BBC Young Music Competition com 11 anos (bota Young nisso). Foi convidado a se apresentar na Primeira Noite do 2011 BBC Proms, com apenas 19 anos.

Em 2012, quando ganhou um importante prêmio – o Critics Choice, do Classic Brits, deixou a todos comovidos por dedicar o prêmio a seu irmão dois anos mais velho, portador de síndrome de Down. Benjamin explicou (candidamente):  Eu dedico este prêmio ao meu irmão Jonathan. Isto é por ter me aturado praticando horas seguidas por anos e anos e por ter ido a tantos dos meus concertos contra sua própria vontade. Afinal, para que servem irmãos?

Benjamin Grosvenor

Johann Sebastian Bach
Partita No. 4, BWV828
1 I. Overture
2 II. Allemande
3 III. Courante
4 IV. Aria
5 V. Sarabande
6 VI. Menuet
7 VII. Gigue

Frédéric Chopin
Andante spianato et grande polonaise brillante in E-flat major, Op. 22
8 I. Andante spianato in G major
9 II. Grande polonaise brillante in E-flat major
10 Polonaise no.5 in F sharp Minor Op. 44

Alexander Scriabin
Ten Mazurkas Op. 3
11 No. 6
12 No.4
13 No.9
14 Valse in Ab major Op. 38

Enrique Granados
Valses Poeticos
15 Preludio: Vivace molto
16 I. Melodioso
17 II.Tempo de Vals noble
18 III. Tempo de Vals lento
19 IV. Allegro humoristico
20 V. Allegretto (elegante)
21 VI. Quasi ad libitum (sentimental)
22 VII. Vivo
23 VIII. Presto

Adolf Schulz-Evler
24 Concert Arabesques on themes by Johann Strauss, “By The Beautiful Blue Danube”

Isaac Albeniz (arr. Leopold Godowsky)
25 Tango, Op.165, No.2

Morton Gould
26 Boogie Woogie Etude

Franz Liszt
27 2 Etudes de Concert S. 145, 2 – Gnomenreigen

Johann Sebastian Bach (arr. Wilhelm Kempff)
28. Sonata for Flute and Harpsichord, BWV 1031 – Siciliano

Benjamin Grosvenor, piano

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Vejam as opiniões de alguns críticos:

“performance after performance of surpassing brilliance and character”

– Gramophone

“‘Jeu perlé’ to die for, ever changing colours and an innate sense of articulation and rubato”

– Diapason

“A revelation”

– American Record Guide

The CD is on the table!

Uma observação técnica: as duas últimas faixas desta postagem não fazem parte do disco oficial. Realmente, o disco deveria acabar no estudo do Morton Gould, um tremendo tour de force! Mas, as duas peças que seguem, o Gnomenreigen e o Siciliano de Liszt e Bach (Kempff) são tão bonitinhas que estão aí, como dois encores… Aproveitem!!

René Denon

Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano No 3 & No 2 – Martha Argerich – Mahler CO – Claudio Abbado

Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano No 3 & No 2 – Martha Argerich – Mahler CO – Claudio Abbado

 

 

Dream Team!

 

 

 

Quem é o protagonista na execução de um concerto para piano? É claro, imediatamente consideramos o solista, mas não devemos descuidar do regente, afinal ele (ou ela) fará a mediação entre a orquestra e o solista. Aliás, muito bem lembrado, a orquestra também tem papel relevante no processo.

O equilíbrio entre estas forças é determinante para o sucesso da apresentação ou gravação. Não é raro casos nos quais resultados apenas sofríveis seguem do encontro de grandes nomes. No outro lado da moeda, é possível fazer uma longa lista de excelentes resultados da colaboração de músicos menos famosos.

Ao compor o Concerto No. 2 ele era jovem

Pois bem, nesta postagem temos o melhor destas possibilidades: solista, regente e selo ou gravadora mais renomados – impossível! E a orquestra formada pelo seu regente é excelente! E para completar esse time de sonhos, o repertório: dois maravilhosos concertos de Beethoven!

A primeira gravação que Martha Argerich e Claudio Abbado fizeram juntos foi em 1967. Desde então esses dois artistas se encontraram algumas vezes para produzir gravações memoráveis. Para este disco a colaboração se deu em dois concertos gravados ao vivo, um em 2000 e o outro em 2004, no Teatro Comunale de Ferrara.

O livreto que acompanha o CD descreve a expectativa que antecedeu o concerto de 2004. Enquanto Martha ensaiava a parte do solista, Abbado preparava uma apresentação de Così fan tutte e havia um nervosismo até um pouco antes do concerto. Nada disso é, nem de sobra, sugerido pelo maravilhoso resultado que temos o privilégio de poder ouvir.

O Concerto No. 2 é o primeiro concerto composto por Beethoven, iniciado quando ele ainda morava em Bonn, mas revisto e finalmente publicado em Viena. Tanto este concerto quanto o de No. 3 mostram influência dos trabalhos de Mozart. Mas em se tratando de um compositor com personalidade tão forte, essa influência não esconde a individualidade do genial Ludovico.

O que dizer das interpretações, se você poderá constatar assim que baixar os arquivos? Não deixe de notar como a orquestra de câmara permite ouvir as texturas sonoras ainda mais claras, que há uma sensação de urgência e intensidade, mas com tempo suficiente para que música se desdobre sem atropelamentos. Note a maravilha das cadências e como os movimentos lentos são intensos e profundos. Enfim, guarde algum fôlego para os rondós arrebatadores.

Em uma das muitas elogiosas críticas que este álbum recebeu na ocasião de seu lançamento, lemos: Ouça o disco – ele é o antídoto para as gravações conservadoras. Em um universo ideal, as gravações de Beethoven seriam tão chocantemente refrescantes como esta.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Concerto para piano e orquestra No. 3 em dó menor, Op. 37

  1. Allegro com brio (Cadência: Beethoven)
  2. Lento
  3. Allegro

Concerto para piano e orquestra No. 2 em si bemol maior, Op. 19

  1. Allegro con brio (Cadência: Beethoven)
  2. Adagio
  3. Molto alegro

Martha Argerich, piano

Mahler Chamber Orchestra

Claudio Abbado

Gravação: Teatro Comunale de Ferrara (2000, Op. 19; 2004, Op. 37)

Produção: Christopher Alder

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Com uma pianista desta, quem não fica feliz?

E ainda outro crítico: Com uma ótima gravação e a audiência só se fazendo ouvir no fim, este é um álbum que mostra como faz sentido gravar mais uma vez este repertório. Este é um Beethoven do século XXI que ainda será ouvido pelo século XXII afora. Até agora, a premunição está se cumprindo!

Aproveite, não espere até o século XXII!

René Denon

Haydn (1732-1809): 3 Quartetos de Cordas – Quatuor Ébène

Haydn (1732-1809): 3 Quartetos de Cordas – Quatuor Ébène

Haydn

Quartetos Op. 64, 5 – Op. 33, 1 – Op. 76, 1

Quatuor Ébène

 

Se você for um blogueiro de música e houver um daqueles dias nos quais as ideias sobre postagens mostrarem-se rarefeitas, não se preocupe, sempre há Haydn!

Quartetos de cordas, por exemplo, inúmeros. Não recomendo postagem da integral, isto dará um trabalho insano e a inspiração pode fugir. Sem contar que não parece ser boa política fazer canja de galinha boa poedeira.

Pois eu sou assim, gosto de Haydn, especialmente estes discos com umas duas ou três de suas peças. Portanto, quando avistei este álbum, saltei-lhe logo em cima. É claro, eu precisava antes ser convencido que valeria a postagem. Afinal, para os senhores, apenas o melhor! Pois bem, aqui está, o disquinho é danado de bom.

Gravado ao vivo na Abadia Real de Fontevraud, este é o primeiro álbum do famoso Quatuor Ébène, que já tem uma outra formação. No libreto há uma entrevista na qual o grupo explica as escolhas feitas para o disco: gravação ao vivo e repertório.

Sobre a gravação, eles falam sobre a energia que recebem da audiência. A adrenalina do momento aumenta a concentração, segundo eles, e também ajuda a dar um certo sentido de improvisação.

Sobre o repertório, observam que Haydn é o princípio desta formação musical e que uma vez alcançado o domínio dessas estruturas musicais estariam preparados para outros estágios, tais como os quartetos de Beethoven e Bartók.

Eles buscaram entre os tantos quartetos de Haydn aqueles que pela genialidade do compositor mais espontaneamente mostrassem um apelo ao grupo. Chegaram assim a três quartetos de diferentes períodos da vida de Haydn, o que mostra o quanto era a sua inspiração renovável e infalível.

O Quarteto Op. 64, 5, The Lark (l’Alouette, A Cotovia) é um dos mais famosos quartetos de Haydn e combina sutileza e elegância com extrema vitalidade. Composto em 1790, reflete a alegria que Haydn sentia com a perspectiva da viagem à Londres e por estar finalmente livre de suas obrigações com a família Esterházy.

O Quarteto Op. 33, 1 foi composto em 1781 quando Haydn tinha 48 anos e estava no auge de sua capacidade criativa, autoconfiante, resultando assim em uma obra repleta de audácia e criatividade. Eles mencionam a decisão de substituir o convencional minueto por um surpreendente scherzo e o quanto isto deve ter deixado estupefatos os músicos de Paris e de Viena. Há uma teoria de que esta obra teria persuadido Mozart a escrever a sua série de quartetos que foi dedicada a Haydn. Pela primeira vez Mozart teria se sentido superado por outro compositor.

O Quarteto Op. 76, 1 foi composto em 1796, quando Haydn já estava de volta de suas viagens a Londres e ainda mantinha a mesma incrível energia além de um grande domínio sobre a arte de compor quartetos. Ao longo da peça ouvimos as quatro vozes em total harmonia enquanto passam de um movimento ao outro, deixando momentos de provocação, meditação, vivacidade, terminando com rústica alegria, típica de Haydn.

Com uma estreia assim propícia, não é surpresa que o Quatuor Ébène continue a produzir discos tão bons como os que conhecemos. Para uma crítica bastante equilibrada deste álbum, você pode acessar este link.

Joseph Haydn (1732-1809)

Quarteto de cordas em ré maior, Op. 64, No. 5 (Hob. III. 63) – “l’Alouete”

  1. Allegro moderato
  2. Adagio cantábile
  3. Menuet – Allegretto
  4. Finale – Vivace

Quarteto de cordas em si menor, Op. 33, No. 1 (Hob. III. 37)

  1. Allegro moderato
  2. Scherzo – Allegro di molto
  3. Andante
  4. Finale – Presto

Quarteto de cordas em sol maior, Op. 76, No. 1 (Hob. III. 75)

  1. Allegro com spirito
  2. Adagio sostenuto
  3. Menuet – Presto
  4. Finale – Allegro ma non troppo

Quatuor Ébène

Pierre Colombet, violino
Gabriel Le Magadure, violino
Mathieu Herzog, viola
Raphaël Merlin, violoncelo
Produção: Cécile Lenoir

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Uma noite na Abadia ouvindo três dos melhores quartetos de Haydn interpretados pelo Quatuor Ébène… quer mais?

René Denon

Debussy / Ravel / Prokofiev: Peças para Flauta e Piano – Emmanuel Pahud & Stephen Kovacevich

Debussy / Ravel / Prokofiev: Peças para Flauta e Piano – Emmanuel Pahud & Stephen Kovacevich

Debussy: Syrinx – Bilitis – La plus que lente

 

Ravel: Chanssons madécasses

 

Prokofiev: Sonata para Flauta e Piano

Os discos e a música sempre me levam a lugares inusitados, diferentes e especiais. Esta postagem levou-me à Ilha da Reunião, antiga Ilha de Bourbon, no Oceano Índico, a leste de Madagascar.

O disco reúne três compositores e basicamente música para flauta e piano. E que intérpretes temos aqui. Emmanuel Pahud é o principal flautista da Filarmônica de Berlim e Stephen Kovacevich é um dos melhores pianistas de sua geração. Eles tocam peças de Debussy e a lindíssima sonata para flauta e piano de Prokofiev, postada aqui um dia destes. O programa começa com Debussy, abrindo com uma peça para flauta solo, Syrinx, de pouco mais de três minutos. Em seguida uma transcrição para flauta e piano da música das Chansons de Bilitis, feita por Karl Lenski. Para fechar a parte dedicada a Debussy, uma peça para piano solo, La plus que lente, interpretada magistralmente por Kovacevich, balanceando assim a distribuição dos trabalhos.

A Sonata de Prokofiev fecha o disco e estas duas partes do programa ladeiam um ciclo de canções composto por Maurice Ravel. Pois é neste núcleo do disco que temos a nossa viagem. Para esta parte do programa, juntam-se aos dois solistas a mezzo-soprano Katarina Kernéus e o violoncelista Truls Mørk. O ciclo é intitulado Chanssons madécasses (Canções de Madagascar) e é formado por três canções. E aí o programa fica bem interessante.

Liz Coolidge

O ciclo foi encomendado a Ravel por uma patrocinadora das artes, a americana Elizabeth Sprague Coolidge (Liz Coolidge), a quem é dedicado. Promotora especialmente de música de câmera, ela comissionou obras de vários compositores contemporâneos, e deixou a escolha do texto com Ravel.  Ela pediu que, se possível, flauta e violoncelo fossem acrescentados ao acompanhamento de piano. Ravel estava lendo um livro de Evariste-Désiré de Parny e escolheu três de seus poemas para o ciclo. Esses poemas de Parny são os primeiros poemas franceses escritos em prosa. (Para a integral desses poemas, clique aqui). O autor, que nasceu na tal Ilha de Bourbon, afirma que os poemas são traduções para o francês de canções líricas que coletou em suas viagens por Madagascar. Mas tudo é muito poético. De fato as viagens assim como as canções são fruto da imaginação e da inventividade do Parny. Figura fascinante, Evariste-Désiré de Parny merece maior investigação. Ravel produziu um ciclo de canções que se diferencia de qualquer uma de suas obras de câmera ou vocal, tanto pelo conteúdo provocante do texto quanto pela natureza emocional e dramática da música. Uma análise detalhada do ciclo pode ser encontrada aqui. Os poemas em prosa de Parny têm um apelo exótico e erótico, além de trazerem um interessante sentimento anti-colonialista. Tudo arranjado pelo compositor francês a pedido da mecenas americana. Ah, a cultura…

As peças resultantes das Chanssons de Bilitis, adaptadas para flauta e piano por Karl Lenski, também tem um que de sensualidade que torna o disco muito, muito bonito. E ainda mais, para fechar o pacote, a interpretação de um dos maiores flautistas da atualidade da belíssima sonata de Prokofiev. Portanto, não demore, baixe logo o disco….

Claude Debussy (1862-1918)

1. Syrinx (La flûte de Pan)

Billitis (Ed. Karl Lenski)
2. Pour invoquer Pan, dieu du vent d’été
3. Pour un tombeau sans nom
4. Pour que la nuit soit propice
5. Pour la danseuse aux crotales
6. Pur l’égyptienne
7. Pour remercier la pluie au matin
8. La plus que lente

Maurice Ravel (1875-1937)

Chansons madécasses
9. Nahandove
10. Aoua!
11. Is est doux de se coucher

Sergei Prokofiev (1891-1953)

Sonata para flauta e piano em ré maior, Op. 94
12. Moderato
13. Scherzo (allegretto scherzando)
14. Andante
15. Allegro con brio

Emmanuel Pahud, flauta (1-7, 9-15)
Stephen Kovacevich, piano (2-15)

Katarina Karnéus, mezzo-soprano (9-11)
Truls Mørk, violoncelo (9-11)
Gravado em 1999, Lyndhurst Hall, Air Studios, Londres
Produção: Stephen Hohns

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Evariste de Parny

 

Aproveite!

René Denon

Henry Purcell (1659-1695): Dido and Aeneas – Jessye Norman – ECO – Raymond Leppard

Henry Purcell (1659-1695): Dido and Aeneas – Jessye Norman – ECO – Raymond Leppard

Henry Purcell

Dido and Aeneas

 

 

Raymond Leppard

Raymond Leppard foi regente, cravista e arranjador. Nasceu em 11 de agosto de 1927 e morreu em 22 de outubro de 2019.

Jessye Norman

Jessye Norman foi recentemente homenageada em nossas páginas, mas aproveito a postagem para reforçar a sua importância artística.

Raymond Leppard foi o responsável pelo retorno aos palcos das óperas de Claudio Monteverdi e de outros compositores desta época. Ele convenceu a direção da Ópera de Glyndebourne a apresentar L’Incoronazione di Poppea, de Monteverdi, em uma edição completa feita por ele, em 1962. Seguiu para Veneza em busca de outras óperas de Monteverdi e acabou descobrindo óperas de Francesco Cavalli também. Seguiram apresentações de L’Ormindo, de Cavalli, em 1967 e La Calisto, em 1970. Também houve a apresentação de Il Ritorno d’Ulisses in Patria, de Monteverdi.

Sua colaboração com Janet Baker em La Calisto, Il Ritorno e Orfeo ed Euridice, de Gluck, resultou em apresentações memoráveis destas peças.

No entanto, o surgimento das performances historicamente informadas e em instrumentos da época fez com os esforços pioneiros de Leppard parecessem romantizados e por demais exuberantes.

Ele que tinha uma longa colaboração com a English Chamber Orchestra e era considerado uma referência para música barroca, teve que se adaptar às mudanças. Grande e admirável músico que era, iniciou colaboração com outras orquestras e adaptou-se a novo repertório.

Particularmente notável foi sua colaboração com a Indianapolis Symphony Orchestra, da qual foi o diretor musical por 14 anos.

A obra desta postagem, além de reunir estes grandes artistas – Jessye Norman e Raymond Leppard – apresenta a ópera Dido and Aeneas, de Henry Purcell. Nesta gravação, além da regência, Leppard faz parte do baixo contínuo como cravista.

Você ouvirá, ao lado da maravilhosa voz de Jessye Norman, as vozes do barítono Thomas Allen e da soprano Marie McLaughlin. A ópera tem cenas com bruxas, tempestades e a heroína… hã, hã, … como dizer sem dar spoiler? Bem, é ópera e alguém tem que morrer. Neste link você poderá conseguir a sinopse com lindas ilustrações. Você encontrará o pdf do livreto junto aos arquivos musicais.

Henry Purcell (1658-1695)

Dido and Aeneas

Dido – Jessye Norman, soprano

Aeneas – Thomas Allen, barítono

Belinda – Marie McLaughlin, soprano

Sorceress – Patricia Kerr, mezzo-soprano

English Chamber Orchestra

Raymond Leppard

Gravado em Londres, 1985

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FLAC | 281 MB

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MP3 | 320 KBPS | 167 MB

Certa ocasião, Raymond Leppard recebeu um conselho de Sir Thomas Beecham. ‘Compre as partituras das obras de seu repertório, anote todas as indicações de regência e nunca as empreste a outros regentes’. Pois em 1971, um incêndio destruiu sua residência, queimando todos os seus livros e partituras (com as tais anotações). Apesar disso, em 1976, o ano em que ele mudou-se para os Estados Unidos, disse em uma entrevista ao ‘The Guardian’ que passou a fazer novas leituras das obras de seu repertório. Desta experiência ele concluiu: ‘Se eu descobrir que estou repetindo a mim mesmo, doarei toda a minha biblioteca e recomeçarei novamente’.

Atitude inspiradora!

René Denon

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia No. 1 – BP – Claudio Abbado

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia No. 1 – BP – Claudio Abbado

MAHLER

Sinfonia No. 1

Berliner Philharmoniker

ABBADO

 

Um amigo passou aqui em casa dia destes e viu minha bagunça de CDs, computador, papéis cheios de anotações. Não pude esconder (ah, a vaidade…) minhas atividades de blogueiro. E no meio de uma pilha de CDs que andava escutando ele avistou este aqui e disse: taí, este CD eu baixaria! Não é que ele tem bom olho? O álbum tem muita coisa a seu favor: ótima combinação autor-repertório-intérprete, além do selo de uma renomadíssima gravadora.

Há ainda outras coisas que o tornam um disco especial. Gravado ao vivo em dezembro de 1989, registra o primeiro concerto de Claudio Abbado como o Regente Principal (Chief Director) da Berliner Philharmonioker. Abbado fora eleito para o cargo que Karajan exercera com mão de ferro por mais de 30 anos. Suas personalidades não podiam ser mais diferentes e isso certamente deve ter pesado na escolha de Abbado.

Segundo a própria página da orquestra, sempre que Abbado falava sobre música, as palavras ‘ascoltare’ e ‘insieme’ eram sempre usadas. Sua abordagem à música era fundamentada em trabalhar ‘juntos’ e ‘ouvindo’ uns aos outros. Esta abordagem resultava sempre em uma enorme orquestra produzindo um som transparente que passou a fazer parte do estilo da Berliner Philharmoniker.

The disc is on the table!

A Primeira Sinfonia de Mahler foi composta em 1887 e 1888, praticamente um século antes do concerto aqui gravado, a partir de material usado em um ciclo de canções – Lieder eines fahrenden Gesellen. Neste período, Mahler era o segundo regente da Ópera de Leipzig. A obra custou um pouco a se firmar e sofreu várias mudanças até chegar à forma que a ouvimos hoje. Isto não é incomum com as obras de Mahler, que aproveitava as experiências das primeiras apresentações de suas obras para aprimorá-las.

A sinfonia é composta de quatro movimentos e inicia quase inaudível, em um murmúrio, mas que se constitui em uma peça bastante inovadora. Veja aqui um guia mais detalhado da obra. É mérito da gravação, em especial de Klaus Hermann, o engenheiro de som, que mesmo tendo sido feita ao vivo, tenha tanta qualidade. Note especialmente as enormes dinâmicas, com pianíssimos e fortíssimos realmente distanciados, o que nos permite experimentar em casa, pelo menos parte das emoções sentidas pelos presentes ao concerto. Assim, prepare a sala com uns aperitivos e avise os vizinhos para darem uma volta antes de botar o som no máximo!

Gustav Mahler (1860-1911)

Sinfonia No. 1

  1. Schleppend. Wie ein Naturlaut – Im Anfang sehr gemächlich
  2. Kräftig bewegt, doch nicht zu schnell – Trio. Recht gemächlich
  3. Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen
  4. Stürmisch bewegt

Berliner Philharmoniker

Claudio Abbado

Gravado ao vivo em dezembro de 1989

Produção: Christopher Alder
Som: Klaus Hiemann

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FLAC | 205 MB

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MP3 | 320 KBPS | 125 MB

Há outras gravações memoráveis desta sinfonia. Eu não ficaria sem o registro feito por Bernstein a frente da Concertgebouw Amsterdam, também gravado ao vivo, no mesmo selo DG e que ostenta uma das capas mais lindas que eu conheço. Mas esta aqui vale pelo registro de um memorável concerto no qual um maravilhoso regente assume a direção de uma das maiores orquestras do mundo.

Aproveite!

René Denon

Beethoven (1770-1828): Sinfonias Nos. 5 & 7 – Chicago Symphony Orchestra – Fritz Reiner

Beethoven (1770-1828): Sinfonias Nos. 5 & 7 – Chicago Symphony Orchestra – Fritz Reiner

Beethoven

Sinfonias 5 & 7

Aberturas Coriolano e Fidelio

CSO

Reiner

 

Entre os grandes regentes do século passado, Fritz Reiner é um nome que se destaca pela qualidade das gravações que deixou, especialmente com a Orquestra Sinfônica de Chicago. Ele assumiu a direção desta orquestra em 1954 e a transformou em uma das melhores do mundo. Segundo Stravinsky, Reiner tornou a Sinfônica de Chicago na orquestra mais precisa e flexível do mundo.

Fritz, de tremendo bom humor!

O período de 1954 a 1963, no qual Reiner reinou em Chicago, coincide com o surgimento e afirmação das gravações em estéreo, um importante marco na história da música gravada. A gravação do Concerto para Piano e Orquestra No. 1 de Brahms, em que Reiner e a Sinfônica de Chicago acompanham Arthur Rubisnstein, assim como as gravações do Concerto para Orquestra de Bartók e de La mer, de Debussy são deste período. Estes discos são verdadeiros marcos da história fonográfica e devem ser ouvidos por todos aqueles que têm algum interesse por música.

Na postagem de hoje temos as gravações de duas sinfonias e duas aberturas de Beethoven, registradas neste período pela CSO e Reiner.

Fritz Reiner era um tirano, mas também era genial. Tinha poder enorme sobre os músicos, o que é impensável hoje, e o usava com um certo prazer sádico. Há testemunhos de que era abusivo. Ou seja, os resultados que apreciamos nestas gravações tinham altíssimo custo pessoal para os músicos da orquestra.

No entanto, havia também outros aspectos. A sua técnica de regência era impressionante. Philip Farkas foi o principal trompista na era Reiner e lembra: Ele [Reiner] regia com tudo que tinha, não apenas com as mãos. Poderia reger os violinos com as mãos e indicar a entrada dos sopros enchendo as bochechas de ar e soprando no exato momento desta entrada. Se além disso quisesse um crescendo, usava as sobrancelhas…

O custo destas conquistas era verdadeiramente alto, mas o maestro e sua orquestra tinham seus momentos. O mesmo Farkas lembra o final de um concerto em Boston, quando a CSO estava em uma turnê, em 1958. O concerto correra de maneira perfeita, sem uma falha sequer. Todos estavam verdadeiramente movidos e quando os aplausos terminaram, se reuniram nos bastidores. Reiner cumprimentou a cada um, apertando suas mãos, com lágrimas correndo dos olhos. Ele teria dito: Toda a minha vida esperei por este momento, um concerto perfeito.

Você pode ler estes depoimentos aqui.

Temos então, um álbum quase perfeito. As Sinfonias pertencem ao conjunto das sinfonias ímpares e apresentam o lado mais heroico de Beethoven, assim como as duas aberturas. Aqui estas obras são apresentadas na roupagem big band, com muitos violinos, profundos violoncelos e baixos, sopros destemidos, assim como tímpanos e demais.

Acho esta interpretação da sétima ainda maravilhosa. A quinta um pouco menos. As aberturas são verdadeiras pérolas. Excelentes!

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sinfonia No. 5 em dó menor, Op. 67

  1. Allegro com brio
  2. Andante con moto
  3. Allegro
  4. Allegro

Sinfonia No. 7 em lá maior, Op. 92

  1. Poco sostenuto. Vivace
  2. Allegretto
  3. Presto
  4. Allegro com brio

Aberturas

  1. Coriolano, Op. 62
  2. Fidelio, Op. 72

Chicago Symphony Orchestra

Fritz Reiner

Gravação: 1959 (Op. 67 & 62); 1955 (Op. 92 & 72)

Produção: Richard Mohr

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FLAC | 400 MB

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MP3 | 320 KBPS | 181 MB

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reiner disse: As pessoas dizem que eu odeio os músicos. Eles estão errados. Eu só odeio os músicos ruins.

Ah, é claro, JURÁSSICO!

René Denon

Música para Flauta e Piano: Sharon Bezaly, flauta & Ronald Brautigam, piano

Música para Flauta e Piano: Sharon Bezaly, flauta & Ronald Brautigam, piano

PRoKoFieV

SCHuBeRT

DuTiLLeuX

JoLiVeT

 

Este disco foi uma agradável surpresa. Eu estava preparando uma postagem das sonatas para violino de Prokofiev e descobri que a segunda delas era uma versão para violino e piano de uma sonata originalmente escrita para flauta e piano. Daí para este álbum foi um pulo, uma vez que Ronald Brautigam é um excelente pianista e o selo BIS é ótimo. Eu não conhecia a solista Sharon Bezaly, mas ela me conquistou desde a primeira nota.

Para valorizar tão lindo álbum, aqui vai alguma informação sobre as peças.

A composição da Sonata para flauta e piano ocorreu em um momento no qual Prokofiev estava preocupado com clareza de estilo, buscando adequar sua maneira de compor aos ideais do realismo soviético. A sonata surgiu de uma comissão feita pelo Comitê de Assunto Artísticos da URSS. Prokofiev estava morando no Cazaquistão, trabalhando com Sergei Eisenstein, compondo música para Ivan, o Terrível. Em uma carta para Nikolai Miaskovsky, ele menciona que a comissão não viera exatamente em um momento oportuno, mas era agradável. Em sua autobiografia menciona ter desejado escrever uma sonata em um estilo delicado, clássico e fluente. Isto ele certamente conseguiu. Para saber mais sobre esta peça, veja esta dissertação aqui.

David Oistrakh insistiu na adaptação da sonata para violino e piano, realmente acreditando que ela teria mais sucesso nesta forma. Prokofiev concordou e você pode conferir o resultado aqui. No entanto, a versão para flauta também é sensacional, como este álbum pode provar. Prometo que esta não será a única postagem desta linda peça.

Após terminar o Die Schöne Müllerin em novembro de 1823, Schubert escolheu a melodia do seu 18º Lied, Trockne Blumen (Flores Secas) para escrever uma série de variações para flauta e piano. Aparentemente a motivação era apenas usar novamente a linda melodia, apesar de que Schubert certamente tinha flautistas entre seus amigos. A peça consiste de uma introdução e sete variações, sendo a última delas um tour-de-force, cheia de virtuosismo. A peça ficou inédita durante o tempo de vida de Schubert e não há certeza se chegou a ser executada. Após sua publicação em 1850, tornou-se muito popular entre os flautistas. Nesta gravação você pode conferir o porquê.

Mais de um século separa a composição da obra de Schubert da sonata de Prokofiev. Já as duas peças restantes são exatas contemporâneas da sonata. Dutilleux compôs sua Sonatina como uma peça para competições de flautas no Conservatório de Paris, em 1943, entre outras que foram comissionadas por Claude Delvincourt, então o diretor. Dutilleux era bastante crítico destas peças, mas a Sonatine caiu no agrado dos flautistas e amantes do instrumento. Com uma interpretação como esta, é fácil entender.

Assim como no caso de Dutilleux, Jolivet escreveu seu Chant de Linos para as competições do Conservatório de Paris, mas a peça caiu nas graças de Pierre Rampal. A inspiração para esta obra vem de um antigo mito grego. Gritos e danças são formas de expressão que pontuam esta linda e inovadora peça. Sharon Belazy realça a sua beleza com uma incrível interpretação. Fica claro por que não se tornou apenas um exercício acadêmico e hoje faz parte do repertório dos grandes intérpretes.

Sergei Prokofiev (1891-1953)

Sonata para flauta e piano em ré maior, Op. 94

  1. Moderato
  2. Scherzo
  3. Andante
  4. Allegro con brio

Franz Schubert (1797-1828)

  1. a 13. Variações em mi menor sobre o Lied Trockne Blumen, D. 802

Henri Dutilleux (1916-2013)

Sonatina

  1. Allegretto – Andantino – Animé

André Jolivet (1905-1974)

  1. Chant de Linos

Sharon Bezaly, flauta

Ronald Brautigam, piano

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FLAC | 249 MB

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MP3 | 320 KBPS | 158 MB

Um disco para quem quer levar a vida na flauta!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano Nos. 4 e 5 – Till Fellner ● Orchestre symphonique de Montréal ● Kent Nagano

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano Nos. 4 e 5 – Till Fellner ● Orchestre symphonique de Montréal ● Kent Nagano

Beethoven

Concertos para Piano Nos. 4 & 5

Till Fellner

Orchestre symphonique de Montréal

Kent Nagano

 

Cuidado com o que você deseja! Assim é o adágio. Pois eu desejei este disco muito tempo. Quando finalmente o encontrei, antes da primeira audição, senti um misto de antecipação e um friozinho na barriga. Seria realmente tudo aquilo que eu imaginara? Pois bem, veio a primeira, a segunda e agora nem sei mais qual o número da audição. O esperado se realizou com abundância. Não canso de ouvir e, portanto, aqui está, seguindo nossos estritos critérios de escolha de material de postagem: apenas o melhor!

Os dois últimos concertos para piano de Beethoven formam um belo par em discos maravilhosos. Só para não deixar o seguidor do blog no ar: Emil Gilels e Wilhelm Kempff! A enorme diferença entre estes dois maravilhosos concertos só ajuda no sucesso do disco. Engano pensar que o quarto é mais simples. Ledo engano! E inovador que também ele é, com o piano roubando a cena logo na abertura.

Falando do Concerto No. 4 é impossível não mencionar a história de Orfeu e Eurídice. Há fumos e rumores tratando da possibilidade de que o mito de Orfeu, que com seus talentos e lamentos implorou às Erínias que dessem à sua amada Eurídice uma chance para voltar ao mundo dos vivos, tenha inspirado Beethoven na composição do seu Andante con moto. É claro que a história é maravilhosa e Beethoven conhecia a ópera de Gluck sobre o tema. Para reunir ainda mais condições de veracidade a esta possibilidade, há um retrato no qual Beethoven aparece segurando uma lira, o instrumento de Orfeu. Eu fiquei curioso e aposto que você também. Para mais informações sobre isso, veja aqui.

Além disso, se você viu o filme The King’s Speach – O Discurso do Rei, certamente vai reconhecer o Adagio do Concerto No. 5, que magistralmente termina na irrupção do Rondo, uma das transições geniais do Ludovico.

Todas as belezas são aqui realizadas com facilidade e maestria. As armadilhas são evitadas e a parceria solista-orquestra-regente é fenomenal, parece cumplicidade. Veja o que o crítico da Gramophone disse sobre esta combinação: Esta é uma parceria de sonhos com o solista e o regente trabalhando como uma mão na luva, e mesmo se considerar tantos nomes gloriosos em tal repertório (de Schnabel a Lupu) você dificilmente ouvirá interpretação de tão livre e invejável graça e fluência musical. É pouco ou quer mais?

Este disco está na lista dos melhores cinquenta discos de Beethoven da Gramophone! Confira aqui.

Esclareço que devemos ter um certo cuidado com as listas, mesmo as mais famosas. Mas em última instância, é preciso ouvir e decidir por si mesmo. Não se faça de rogado. Eu aposto um download que você vai gostar.

Ludiwig van Beethoven (1770-1827)

Concerto para piano No. 4 em sol maior, Op. 58

  1. Allegro moderato
  2. Andante com moto
  3. Vivace

Concerto para piano No. 5 em mi bemol maior, Op. 73

  1. Allegro
  2. Adagio um poco moto
  3. Allegro, ma non troppo

Till Fellner, piano

Orchestre Symphonique de Montréal

Kent Nagano

Produção: Manfred Eicher
Som: Markus Heiland

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FLAC |431MB

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MP3 | 320 KBPS | 167 MB

Till Fellner curtindo o nosso rigoroso inverno!

Mais uma do crítico da Gramophone: Till Fellner certamente faz parte daquela elite que Charles Rosen tão memoravelmente definiu como aqueles que, enquanto aparentemente fazem nada, alcançam tudo! Basta ouvir o álbum.

Aproveite!

René Denon