Sarau das Musas: A Canção Brasileira nos Salões , 1830-1930: Léa Vinocur Freitag & Eduardo Villaça (Acervo PQPBach)

350sc4zA canção brasileira nos salões, de 1830 a 1930.

“Num salão esmeram-se várias artes: a de receber ou preparar um ambiente de cordialidade e espírito; a de entreter a palestra ou cultivar o humour; dançar uma valsa ou cantar uma ária, declamar ou inspirar versos, criticar com graça e sem maledicência, realçar a beleza feminina nas últimas invenções da moda …”
Wanderley Pinho, in “Salões e Damas do Segundo Reinado”.

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Léa Vinocur Freitag (Canto) – Eduardo Villaça (Piano)
Araújo Porto Alegre/Cândido Ignácio da Silva (1800-1838)
01. Lá no Largo da Sé
Anônimo
02. Róseas flores d’alvorada
Almeida Garret/Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
03. Suspiro d’alma
Bittencourt Sampaio/Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
04. Quem sabe
Dr. Velho Experiente (pseudônimo de Carlos Gomes)/Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
05. Conselhos
Osório Duque-Estrada/Alberto Nepomuceno (1864-1920)
06. Trovas
Rose Méryss/Arthur Napoleão (1843-1926)
07. Adieu, je pars
Anônimo
08. Morena, morena
09. Foi numa noite calmosa
10. A Casinha Pequenina
J. A. Pinto
11. Muqueca Sinhá (Bendegó)
Ernesto de Souza/Chiquinha Gonzaga (1847-1935)
12. A Morena
Leopoldo Fróes (1882-1938)
13. Mimosa
Corrêa Vasques/Rosina Mendonça
14. Teu Olhar
Francisco Patti/Marcelo Tupinambá (1892-1958)
15. Canção Nupcial
Alberto Costa (1886-1934)
16. Serenata
17. Canto da Saudade

Sarau das Musas (A Canção Brasileira nos Salões – 1830-1930) – 1998
Léa Vinocur Freitag (Canto) – Eduardo Villaça (Piano)

CD gentilmente cedido pelo musicólogo Prof. Paulo Castagna. Não tem preço !!!
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XLD RIP | FLAC 267,7 MB

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MP3 | 320 kbps | 122,9 MB

powered by iTunes 10.6.3 | 54,4 min
Encarte: Português & English

.Boa audição!

guarda da rainha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Avicenna

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História da Música Brasileira – Episódio 8 de 10: Carlos Gomes, o emblema da ópera no Brasil

15hiyrsOitavo episódio da série História da Música Brasileira que apresentamos com um link para baixar o vídeo do episódio, incentivando a divulgação desse trabalho em universidades, conservatórios e amantes da música. Contamos com o seu apoio!

REPOSTAGEM


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EPISÓDIOS DA HISTÓRIA DA MÚSICA BRASILEIRA

Os temas dos 10 programas são os abaixo e estão disponíveis aqui:

1. Introdução e primeiros tempos da música no Brasil
2. A música setecentista no Brasil
3. A música no período áureo de Minas Gerais
4. Ouro, diamantes e música em Minas.
5. Padre José Maurício Nunes Garcia: um brasileiro nos ouvidos da Corte
6. A música da Independência.
7. Saraus, danças e intimidades: A música no Brasil no século XIX
8. Carlos Gomes: o emblema da ópera no Brasil
9. Romantismo: um Brasil para poucos
10. Romantismo e patriotismo: afinal, somos brasileiros?

HISTÓRIA DA MÚSICA BRASILEIRA
Episódio 8 – Carlos Gomes, o emblema da ópera no Brasil

Paulo Castagna

O oitavo episódio de História da Música Brasileira é dedicado ao compositor Antônio Carlos Gomes (Campinas-SP, 1836 – Belém-PA, 1896), primeiro autor brasileiro de óperas a ter adquirido notoriedade na Europa. O programa discorre sobre sua formação em Campinas, São Paulo e Rio de janeiro, e sobre sua vida profissional no Brasil e na Itália, apresentando obras menos conhecidas de sua produção, entre elas, peças para piano como as polcas Caiumba e Nini, canções como o Hino à Mocidade Acadêmica, a modinha Quem sabe, a ária Conselhos, o prelúdio da ópera A noite do castelo e a Sonata em ré maior para cordas, que recebeu do autor o subtítulo “Burrico de pau”.

Veja abaixo o episódio 8 – Carlos Gomes, o emblema da ópera no Brasil, que também pode ser visto no Youtube em http://www.youtube.com/user/HistoriadaMB

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Vídeo mp4 – 179,3 Mb – 28 min 27 seg

Nossos agradecimentos ao Prof. Paulo Castagna, musicólogo, (http://paulocastagna.com) por nos ter incentivado nesta empreitada. Não tem preço!!!
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Avicenna

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O Amor Brazileiro – CD 2/2: Modinhas & Lundus do Brasil – (Acervo PQPBach)

s3oi76REPOSTAGEM

A moda e a modinha são, desde pelo menos o século XVII, testemunhas privilegiadas do complexo movimento de troca cultural entre Brasil e Portugal. Não há certeza sobre sua procedência, apesar das calorosas discussões que até o presente envolvem a questão: uns as declaram portuguesas, outros, brasileiras. Mais importante que a resposta conclusiva, porém, talvez seja a relevância que tiveram na história destes paises, e os acréscimos que ambos lhes fizeram, transformando-as finalmente nas diferentes manifestações da música popular que perduram até hoje.

Vários autores indicam o século XVI como origem do gênero, embora não esclareçam com precisão os mecanismos de transformação ocorridos desde os ancestrais ayres, tonos, tonadilhas, coplas, seguidilhas, xácaras, modos e, especialmente, serranilhas, até a moda e a modinha. Fato é que a diversidade de sua ascendência resultou na variedade da estrutura estrófica e rítmica da modinha, mantendo-lhe a unidade, a “feição e caráter de canção acompanhada, de fundo lírico e sentimental”, segundo Mozart de Araújo.

Mesmo esta unidade não pode ser observada sem que se façam ressalvas que 10pq5cjevidenciem as diversas transformações que a modinha sofreu desde suas primeiras manifestações até seu encontro com o lundu que, junto com a modinha, deve ser considerado alicerce sobre o qual se ergueu a música brasileira em suas diversas manifestações.

Viajantes europeus foram a principal fonte de informações sobre o lundu (londu, iandu, lundum, etc.), descendente direto do batuque africano, primitivamente uma válvula de escape para os escravos. Seus relatos descrevem-no como dança à qual a umbigada (movimento em que os pares fazem bater um no outro a região do umbigo) conferiria um caréter lascivo.

No século XVII o lundu teria perdido seu caráter coreográfico, transformando-se em música para ser cantada, que declarava, agora expressamente, seu caráter brasileiro. A umbigada transforma-se então em reverência, e o lundu volta a ser dançado, desta feita nos salões da sociedade. Da mesma forma que a modinha, nascida na Corte e criada em berço abastado, integrou-se com o correr do tempo de
forma definitiva à musicalidade popular, falando então diretamente às classes menos favorecidas, o lundu abandonou aos poucos, pelo seu intenso convívio com as modinhas, o caráter intrinsecamente popular e passou a fazer parte da realidade cotidiano das sociedades cultas.

210gl0gA modinha, nascida na excelência dos músicos de corte e habitante inicial dos palácios, mistura-se aos poucos ao lundu, emprestando-lhe às vezes o lirismo árcade lusitano e tomando para si o rítmo sincopado afro-brasileiro.

As peças que comentaremos em seguida são exemplos característicos das diversas etapas dessas transformações, sem que no entanto se possa sempre discernir com clareza a modinha popular da mais culta, o lundu africano do lundu-canção, o lírico do satírico.
Guilherme de Camargo, 2004 (extraído do encarte)

Anonyme/M. Lopez de Honrubias, 1657
01. Marizápalos a lo humano
Antonio José da Silva (1705-1739)
02. De mim já se não lembra
Anonyme, Lisbonne (c. 1700-1750)
03. Vilão do sétimo tom
Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830, Rio de Janeiro, RJ)
04. Marília bela/Já que só estou dando ais
05. Se fores ao fim do mundo
06. Os me deixas que tu dás
07. Você se esquiva de mim

Domingos Caldas Barbosa (1740-1800) & Leal Moreira (1758-1819)
08. Os teus olhos e os meus olhos
Thomaz Antonio Gonzaga (Porto,1744-Ilha de Moçambique, 1810), musicada por compositor anônimo da mesma época (Marcos Portugal?)
09. Ah! Marília que tormento/Os mares minha bela
10. Sucede, Marília bela/Já, já me vai Marília

Anonyme (Recueilli par Von Martius entre 1817 et 1820)
11. Landum
12. Acaso são estes

Anonyme (Recueilli par Mário de Andrade, 1930)
13. Lundum para piano
Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830, Rio de Janeiro, RJ)
14. Beijo a mão que me condena
15. Lição 5ª
16. Você trata amor em brinco

J. F. Leal (fins du XVIIIème siècle, début XIXème)
17. Esta noite
Joaquim Manoel Gago da Camara (fin du XVIII siècle, début XIXème. Arrangé pour chant et piano par Sigismond Neukomm)
18. Desde o dia em que eu nasci
19. Vem cá, minha companheira
20. Por que me dizes chorando
21. Estas lágrimas sentidas

Xula carioca
22. Onde vás linda negrinha
Cândido Ignácio da Silva (1800-1838)
23. Lá no largo da Sé velha

O Amor Brazileiro – CD 2 de 2 – 2004
Ricardo Kanji, flûtes
Rozana Lanzelotte, pianoforte
Vox Brasiliensis
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acervo-1BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
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MP3 320 kbps – 172,6 MB – 1,2 h
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Boa audição.

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Avicenna

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Missa de São Sebastião: Antonio Carlos Gomes (1836-1896) [link mai.2015]

24myhrdAntonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Missa de São Sebastião (1854)

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Temos o prazer em apresentar o mais novo membro da equipe PQPBach: Bisnaga !

Devemos a ele as postagens das missas de Carlos Gomes. Bisnaga gosta de óperas e de música erudita brasileira além de possuir um belo acervo musical.

Bem vindo, Bisnaga !

Missa de São Sebastião

Há 175 anos nascia em Campinas, interior de São Paulo, Antonio Carlos Gomes, mulato, como eram quase todos os músicos, compositores e artistas dos períodos colonial e imperial. Aos mestiços não restavam muitas possibilidades nessa época: eram livres, mas não proprietários de terras; não eram escravos, porém não tinham fortunas. Deslocados num país de ordem escravocrata, muitos integraram o clero (uma boa forma de ascensão social) ou passavam a se dedicar às artes, ambiente no qual alguns acabaram se destacando e se projetando, como é o caso de Carlos Gomes.

Não, Tonico não fora um menino-prodígio como Mozart, que compunha óperas ainda na infância, mas tinha percepção musical excepcional, e por isso seu pai, Manoel José Gomes (também mulato e músico), o ensinou a tocar clarineta. Depois, o menino faria aulas de piano e violino. Logo começou a compor, a dar aulas e a reger esporadicamente a banda do pai e seguindo-o, não tardaria a se enveredar na música sacra.

Quando compôs e apresentou a Missa de São Sebastião, Carlos Gomes era ainda um rapazote de 17 ou 18 anos, mas já mostrava um refinamento compositivo impressionante. Tente imaginar a cena da estreia dessa obra: provavelmente ocorreu na Matriz Nova de Campinas (a atual Catedral Metropolitana), talvez no dia 20 de janeiro (dia de São Sebastião, padroeiro da capital) do ano de 1854. Campinas estava em franca efervescência econômica e cultural, toda em construção. Relatos de viajantes estrangeiros diziam que o movimento das ruas de terra fazia da cidade um local com poeira vermelha constante e asfixiante, que tudo tingia. A matriz tinha sido coberta há poucos anos, cheia de andaimes, ainda não tinha torres e seus altares deveriam ser provisórios, pois só anos depois começariam os entalhes. Nesse ambiente semelhante ao que vemos em filmes de Velho Oeste americano, em que tudo parecia precário e provisório, surge uma obra dessa natureza, com tamanho grau de acabamento.

Curiosamente, a Missa de São Sebastião soa mais operística que a sua segunda missa, a de Nossa Senhora da Conceição, cinco anos posterior. Segundo fala do Maestro Henrique Lian no próprio encarte desta obra, há relações com o bel canto italiano das obras de Bellini, Rossini e Donizetti, com uso das coloraturas e na orquestração mais limpa, que valorizam e destacam os solos. A obra, assim como sua outra missa, apresenta-se apenas com o Kyrie e o Gloria, provavelmente a segunda parte, do Credo (Credo, Sanctus, Benedictus e Agnus Dei) tenha desaparecido.

A missa inicia-se com certa imponência, que soa até estranha para a primeira música: o Kyrie, que depois se desenvolve calmo, mas não triste, e prepara para a entrada apoteótica do Gloria, uma poderosa marcha com grande participação inicial dos sopros, tão caros ao Carlos Gomes que cresceu em meio à banda marcial do pai. Mas já há no Gloria um forte peso do coro, ligando-o às influências de música sacra do compositor. As duas partes que se seguem, o Laudamus e o Gracias, mostram belas e elaboradas coloraturas para soprano (destaque aqui para a longeva e quase flutuante voz de Niza de Castro Tank, com 74 anos na gravação), de muita leveza e graciosidade. Esse clima é transformado com o pesado início do Domine Deus, que depois se dissolve em uma melodia mais leve para tenor. Com uma estrutura semelhante, pesada e depois suavizada, surge a Qui Tollis, agora com a presença dos quatro solistas, fazendo uma preparação para a entrada do coro no alegre Suscipe. Segue-se uma delicada introdução do Qui Sedes, que dará lugar a um dueto dramático de tenor e contralto e, em contraposição, a peça seguinte, o solo de baixo do Quoniam, inicia-se calma e melódica, aumentando a dramaticidade à medida que se desenvolve, para deixar preparada a entrada do coro no Cum Santo Spiritu, outra marcha, essa, com certeza, a peça mais operística de toda a Missa, com final não menos apoteótico que seu início.

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
01. Missa de São Sebastião 01. Kyrie
02. Missa de São Sebastião 02. Gloria
03. Missa de São Sebastião 03. Gloria – Laudamus Te
04. Missa de São Sebastião 04. Gloria – Gracias
05. Missa de São Sebastião 05. Gloria – Domine Deus
06. Missa de São Sebastião 06. Gloria – Qui Tollis
07. Missa de São Sebastião 07. Gloria – Suspice deprecationem Nostram
08. Missa de São Sebastião 08. Gloria – Qui sedes
09. Missa de São Sebastião 09. Gloria – Quoniam
10. Missa de São Sebastião 10. Gloria – Cum Sancto Spiritu

Palhinha: ouça Missa de São Sebastião 10. Gloria – Cum Sancto Spiritu

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Missa de São Sebastião – 2005
Antonio Carlos Gomes

Coral da Unicamp
Carlos Fiorini, regente do coro
Orquestra Sinfônica de Campinas
Henrique Lian, regente

Niza de Castro Tank, soprano
Luciana Bueno, contralto
Rubens Medina, tenor
Manuel Alvarez, baixo

Gravação de duas apresentações ao vivo no Centro de Convivência Cultural, Campinas, 11 e 12 de julho de 2005.

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MP3 154 kbps VBR – 55,7 MB – 50 min
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Boa audição.

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Texto e áudio: Bisnaga
Lay-out & Operador de mouse: Avicenna

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Banda de Música, de ontem e de sempre (3 LPs) [Acervo PQPBach]

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Fonogramas espetaculosamente enviados pelo professor musicólogo Paulo Castagna.

Minha infância está repleta de momentos felizes nos quais havia a presença de uma banda dessas de coreto. E talvez por isso eu deseje tão intensamente dividir com vocês esta beleza de LP triplo enviado pelo professor Paulo Castagna.

Nascido em Limeira que sou, cidade do interior de São Paulo que ainda se dá ao gosto de manter duas bandas marciais que se revezam todo domingo na praça Toledo de Barros, a principal da cidade, eu cresci tendo o imenso prazer de ouvir as retretas musicais naquele lugar, numa infância que poderia usar como citação o trecho da música de Braguinha: “todo domingo havia banda no coreto do jardim” (de o gato na tuba). E como eram verdadeiras delícias essas matinas dominicais! E ainda são: quando volto para minha terra natal, (cada vez com menor frequência), gosto muito de ainda vê-las, pois as duas corporações musicais da cidade ainda continuam firmes, uma octogenária, outra sesquicentenária. O mais bonito é a cena típica de uma cidade do interior que, apesar de seus 300 mil habitantes, insiste em manter nesse ambiente aprazível e aconchegante. Ainda que a praça esteja hoje cercada de edifícios de muitos andares, ela vive! E vive mais quando tem banda: as crianças brincam, correm atrás das pombas, casais de namorados se encontram, há por vezes casais de idosos que arriscam uns passos quando a banda toca uma valsa, tem pipoqueiro e algodão-doce, tem música, tem aplausos, tem alegria e confraternização entre pessoas que às vezes nem se conhecem. E tem muita, muita música. A praça, aos domingos de manhã ainda é a sala de visitas, talvez o salão de festas, da cidade!

.o0o.

Espero que este meu depoimento pessoal tenha atiçado a vontade de vocês de ouvirem um pouco mais das músicas de bandas marciais. Este álbum é especialíssimo, pois traz 34 obras de 24 autores, que vão dos mais eruditos, compositores de música de concerto, até populares.

O primeiro LP dedica-se a peças eruditas compostas ou arranjadas para banda de medalhões da nossa música, como Carlos Gomes e Francisco Braga, ao mesmo tempo em que apresenta a influência de compositores populares da virada do século, autores de lundus e choros, caso de Anacleto de Medeiros e Henrique Alves de Mesquita, evidenciando as mudanças que estavam ocorrendo na música brasileira de então.

O segundo disco apresenta composições com elementos populares bem estabelecidos, como valsas, sambas, marchas-ranchos, schottiches, de caras como o próprio Anacleto de Medeiros, que faz a ponte com o ambiente do primeiro LP, e Pixinguinha, Donga, Sinhô, Ernesto Nazareth, Bento Mossurunga, Radamés Gnattali, terminando com o clássico dos clássicos “A Banda“, de Chico Buarque (que é um dos autores que debutam hoje aqui no PQPBach).

O último volume arremata com composições feitas especificamente para bandas de coreto, num belo trabalho de recuperação da obra de muitos autores de grande qualidade, mas que ficaram desconhecidos do grande público, em grande parte dos casos por terem dedicado suas vidas a reger e compor para as corporações musicais que comandavam. Temos aí Bernardino Joaquim de Nazareth, Augusto Nunes Coelho, José Agostinho da Fonseca, José Selaysim de Souza, Cândido Lira, Eudóxio de Oliveira Coutinho, Benedicto Silva, Antônio de Freitas Toledo, e o Mestre Vavá (Osvaldo Pinto Barbosa), responsável pelos arranjos desta pequena coleção.

É lindo! Ouça, ouça! Deleite-se!

Coreto da Praça Carlos Gomes, em Campinas (SP)

Banda de Música
de ontem e de sempre

LP01
Antônio Carlos Gomes (Campinas, SP, 1836 – Belém, PA, 1896)
01. Hino Triunfal a Camões
Anacleto de Medeiros (Rio de Janeiro, RJ 1866 – 1907)
02. Pavilhão Brasileiro
João Elias da Cunha (Niterói, RJ, 18?? – 1918)
03. Hino do Estado do Rio de Janeiro
Francisco Braga (Rio de Janeiro, 15 de abril de 1868 – 1945)
04. Episódio Sinfônico
05. Hino à Bandeira
Cincinato Ferreira de Souza (São Luís, MA, 1868 – Belém, PA, 1959)
06. Artística Paraense (abertura)
Henrique Alves de Mesquita (Rio de Janeiro, RJ, 1830 – 1906)
07. Os Beijos-de-Frade (lundu)
Isidoro Castro Assumpção (Vigia, PA, 1858 – Belém, PA, 1925)
08. Saudades de minha Terra (dobrado)
Anacleto de Medeiros (Rio de Janeiro, RJ 1866 – 1907)
09. Marcha Fúnebre N.2
Anônimo
10. Coração Santo (marcha de procissão)

LP02
Joaquim Antonio Naegele (Cantagalo, RJ, 1899 – Rio de Janeiro, RJ, 1986)
01. Ouro Negro (dobrado)
Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos – Rio de Janeiro, RJ 1890 – 1974), David Nasser (Jaú, SP, 1917 – Rio de Janeiro, RJ, 1980)
02. Quando uma estrela sorri
Francisco Braga (Rio de Janeiro, 15 de abril de 1868 – 1945)
03, Saudades (valsa)
Ernesto Nazareth (Rio de Janeiro, RJ 1863 – 1934)
04. Saudades e saudades (marcha)
Anacleto de Medeiros (Rio de Janeiro, RJ 1866 – 1907)
05. Louco amor (schottisch)
Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Jr. – Rio de Janeiro, RJ, 1897 – 1973)
06. Saudade (marcha-rancho)
Anacleto de Medeiros (Rio de Janeiro, RJ 1866 – 1907)
07. Araribóia (dobrado)
Bento Mossurunga (Castro, PR, 1879 – Curitiba, PR, 1970)
08. Bela Morena (valsa)
Sinhô (José Barbosa da Silva – Rio de Janeiro, RJ,1888 – 1930)
09. Resposta à inveja (marcha-rancho)
Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Jr. – Rio de Janeiro, RJ, 1897 – 1973)
10. Esquecida (polca-marcha)
Radamés Gnattali (Porto Alegre, RS, 1906 – Rio de Janeiro, RJ, 1988)
11. Abolição (dobrado)
Chico Buarque (Rio de Janeiro, RJ, 1944)
12. A Banda (marcha-rancho)

LP03
Anônimo
01. Silvino Rodrigues (dobrado)
02. Havaneira (polca)
Bernardino Joaquim de Nazareth (Guarani, MG, 1860-1937)
03. Biza (valsa)
Augusto Nunes Coelho (Guanhães, MG, c1890 – 19??)
04. Saudades do Cauê (dobrado)
José Selaysim de Souza
05. Saudade de Abadia (valsa)
José Agostinho da Fonseca (Manaus, AM, 1886 – Santarém, PA, 1945)
06. Almofadinha (maxixe)
Anônimo
07. Cateretê
Cândido Lira (Pernambuco, 18?? – 19??)
08. Os domingos no poço (quadrilha)
Eudóxio de Oliveira Coutinho
09. Antônio (valsa)
Benedicto Silva
10. José e Ritinha brincando (polca)
Osvaldo Pinto Barbosa, Vavá (Guarabira, PB, 1933)
11. Riso no frevo (frevo)
Antônio de Freitas Toledo
12. Depois da valsa (dobrado)

A banda:
Alexandre Areal, Clarinete
Daniel Wellington de Araújo, Trompa
Dimas José Ribeiro, Tuba
Fernando Henrique Machado, Saxofone Barítono
Gedeão Lopes de Oliveira, Trompete
Gedeão Silva, Saxofone Alto
Gerino Zuza de Oliveira, Trompete
Isabela Sekeff Coutinho, Clarinete
Johnson Joanesburg Anchieta Machado, Saxofone Tenor
José Antônio da Silva Nascimento, Bombardino
José da Silveira Vilar “Pedrinho”, Caixa
José de Oliveira Monte Amado, Pratos
Marco Salvador Salustiano Donato, Bumbo
Nivaldo Francisco de Souza, Flautim
Paulo Roberto da Silva, Trombone
Raimundo Martins, Trompa
Ricardo José Dourado Freire, Clarinete
Roberto Crispim da Silva, Trompa
Luiz Gonzaga Carneiro, Regência

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PQPShare – FLAC
LP01 (255Mb), LP02 (252Mb) , LP03 e encartes (283Mb)
PQPShare – MP3
LP01 (138Mb), LP02 (141Mb) , LP03 e encartes (173Mb)

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Bisnaga

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Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Todas as óperas

E dá-lhe, Carlos Gomes!

(portado originalmente em 19 de junho de 2012)

Caso você tenha perdido, conheceu o P.Q.P.Bach há pouco tempo, aproveite pra ver as óperas do Carlos Gomes. Estão todas aqui, o que é para nós um grande orgulho.

E Carlos Gomes foi genial! Nenhum compositor posterior a ele conseguiu tirar-lhe o título de maior compositor operístico das Américas. E para nós, brasileiros, é inevitável entendê-lo como o grande nome da música erudita da segunda metade do século XIX gerado no seio desta pátria.

E são belíssimas as óperas de Nhô Tonico. Se você ouvi-las todas, em sequência, perceberá que Carlos Gomes foi num crescendo de qualidade técnica e melódica. Não é à toa que era o segundo compositor mais executado na Itália de seu tempo, atrás somente do imbatível Verdi.

Aqui as temos:
1. A Noite do Castelo (gravação de 1978 – Benito Juarez)
2. Joanna de Flandres (trechos)
3. Il Guarany (gravação de 1959 – Armando Belardi)
3. Il Guarany (gravação de 1994 – John Neshling)
4. Fosca (gravação de 1973 – Armando Belardi)
4. Fosca (gravação de 1997 – Luís Fernando Malheiro)
5. Salvator Rosa (gravação de 1977 – Simon Blech)
5. Salvator Rosa (gravação de 2004 – Maurizio Benini)
6. Maria Tudor (gravação de 1978 – Mario Perusso)
6. Maria Tudor (gravação de 1998 – Luís Fernando Malheiro)
7. Lo Schiavo (gravação 1959 – Santiago Guerra)
8. Odalea/Condor (gravação 1986 – Armando Belardi)
9. Colombo (gravação de 1964 – Armando Belardi)
9. Colombo (gravação de 1997 – Ernani Aguiar)

Ouça! Deleite-se sem a menor moderação!

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“Humm! Gostei das óperas desse moço Carlos Gomes!”

Bisnaga

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Campinas de Todos os Sons – Ricardo Matsuda (1965), José Eduardo Gramani (1944-1998) e Antônio Carlos Gomes (1836-1896)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este CD é especial. Aqui a Sinfônica de Campinas procurou fazer um lampejo do que alguns compositores campineiros ou radicados na cidade fizeram de música interessante em quase 150 anos. Poderia até parecer um álbum desigual, uma vez que há peças do período romântico e contemporâneas, mas essa imagem se vai quando percebemos que o que se pretende é exatamente formar um panorama e contrapor esses períodos. Foram contemplados Carlos Gomes (lógico, em Campinas…), José Eduardo Gramani e Ricardo Matsuda.

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836 – Belém, 1896) é o grande nome da cidade, provavelmente o campineiro mais famoso que há. Filho do mestre de capela e regente de banda Manoel José Gomes, fez grande carreia em Milão e foi o compositor erudito das Américas mais executado na Europa do século XIX. Um gênio que inspirou muitos outros compositores de seu tempo, tanto na Itália como no Brasil.

José Eduardo Gramani (Itapira, 1944 – Campinas, 1998) foi importante compositor (ainda que muito pouco conhecido), professor e pesquisador de música antiga e tradicional brasileira. Docente da Unicamp, lá fez extensas pesquisas sobre a nossa música colonial e um dos maiores estudos sobre a rabeca brasileira. Tocava violino barroco e integrou grupos consagrados como o Armonico Tributo (há obras executadas por eles aqui), a Kamerata Philarmonia e a Orquestra Villa-Lobos (onde foi spalla e diretor artístico). Como rabequista, foi membro do Trio Bem Temperado e do Grupo Anima, que executa as duas últimas músicas do álbum.

Ricardo Matsuda (Marília, 1965) é músico, compositor e arranjador. Violonista, dedica-se às cordas dedilhadas e faz aqui uma interessante ponte entre música de concerto e MPB.

O CD já começa bem, trazendo um Carlos Gomes sem precisar se apoiar n’O Guarani. Inicia com a abertura de Maria Tudor, talvez a sua abertura mais densa e elaborada. Segue com aberturas de óperas menos propaladas (ou cujas únicas gravações eram ruins): Joanna de Flandres, Salvator Rosa e Lo Schiavo. Há ainda três árias cantadas pela divina Niza de Castro Tank (aos 73 anos, uau!) que são ou inéditas (Mamma dice e Foram-me os anos da infância) ou pouco conhecidas (Nelle Regno delle Rose). Vêm, então, as obras vibrantes, movimentadas e criativas de Gramani: a orquestra ganha solos de rabeca com o acompanhamento do Trio Carcoarco, que, literalmente, “carca” o arco com gosto! Lembram até peças armoriais, regionais, executadas pelas corporações musicais do nordeste, mas estamos em plena “metrópole caipira” (os campineiros odeiam quando dizem isso)! Depois da bela A Lua Girou, o concerto encerra-se com o divertido Forrobodó de Ricardo Matsuda, junto com o Grupo Anima, que mantém as rebecas e traz ainda outros instrumentos brasileiros.

Se você não estiver a fim de ouvir Carlos Gomes de novo (“ah, mas já ouvi essas músicas”, ou “tá, a voz da Niza é linda, mas já tenho gravações dessas árias”), primeiro saiba que a Sinfônica de Campinas é uma senhora orquestra e que capricha quando se trata de executar obras do pupilo da cidade. E se, ainda assim, der aquela preguiça, comece pelo Forró da Ferdinanda, do Gramani: a música é uma delícia só! Depois passe para as demais. Você vai adorar.

No todo, o CD é uma grande celebração, um encontro de várias gerações e de homenagens do pessoal competente da Unicamp, reunindo professores (Gramani e Niza Tank, por exemplo), alunos e pesquisadores de pós-graduação (como Luiz Fiaminghi), mostrando quantos sons há em Campinas, essa Campinas de Todos os Sons…

Pra você ter uma ideia, o Forró da Ferdinanda, de Gramani, executado por Raquel Aranha, Paula Ferrão e Dalgalarrondo:

Agora imagine isso com orquestra! Muito bom! Ouça que vale muito a pena!

Antônio Carlos Gomes (1836-1896), José Eduardo Gramani (1944-1998) e Ricardo Matsuda (1965)
Campinas de Todos os Sons

ANTONIO CARLOS GOMES
01. Maria Tudor – Prelúdio
02. Joanna de Flandres – Prelúdio
03. Salvador Rosa – Abertura
04. Lo Schiavo – Prelúdio
05. Mamma Dice (com Niza de Castro Tank)
06. Nelle Regno delle Rose, Ária de Adin – Condor, Ato I (com Niza de Castro Tank)
07. Foram-me os anos da Infância, 
Cavatina Joanna – Joanna de Flandres, Ato I  (com Niza de Castro Tank)
JOSÉ EDUADO GRAMANI (Arr. Rafael dos Santos)
08. Calanguinho
09. Lundu
10. Madrugada (com Trio Carcoarco)
11. Forró da Ferdinanda (com Trio Carcoarco)

ANÔNIMO (tradição oral brasileira)
12. A Lua Girou (com Grupo Anima)

RICARDO MATSUDA
13. Forrobodó (com Grupo Anima)

Niza de Castro Tank, soprano
Trio CarcoArco
Esdras Rodrigues, rabeca e violino
Luiz Fiaminghi, rabeca e violino
Roberto Peres (Magrão), percussão

Grupo Anima
Gisela Nogueira, viola de arame, violão
Luiz Fiaminghi, rabeca, violino barroco
Marília Vargas, soprano
Marlui Miranda, voz, percussão, flautas-indígenas brasileiras
Paulo Dias, percussão, organeto, cravo
Sílvia Ricardino, harpa trovadoresca
Valeria Bittar, flautas indígenas brasileiras

Orquestra Sinfônica de Campinas
Cláudio Cruz, regente

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – PQPShare (94Mb)

Partituras e outros que tais? Clique aqui

Ouça! Deleite-se! … Mas, antes ou depois disso, deixe um comentário…

Bisnaga

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Aurora Luminosa: Música Brasileira no Alvorecer do Século XX – Antonio Carlos Gomes (1836-1986), Leopoldo Miguez (1850-1902), Alexandre Levy (1864-1892) e Alberto Nepomuceno (1864-1920) (REPOSTAGEM)

IM-PER-DÍ-VEL !!!
postado originalmente por Strava, em 2011

Reapresentamos aqui este belíssimo projeto: a Aurora Luminosa, que desfila quatro dos maiores nomes do romantismo/nacionalismo brasileiro: Carlos Gomes, o maior compositor de óperas do continente americano; Leopoldo Miguez, autor Hino à Proclamação da República; Alexandre Levy, de obra muito pequena (faleceu precocemente, aos 28 anos…) mas de grande caráter nacionalista; e Alberto Nepomuceno, o cara que todo compositor do início do modernismo brasileiro queria ser…

Para ajudar, temos uma das melhores orquestras do país, a Sinfônica Nacional, comandada pela batuta sensível de Ligia Amadio. Já tive a oportunidade de vê-la regendo em São Paulo: há muito amor, sentimento e candura em sua condução, o que é perfeito para músicas do romantismo.

As peças são fenomenais! Ouça, ouça!
Abaixo, o texto original do colega Strava, com o excerto do texto do encarte do CD.

Este projeto foi realizado pela Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense em conjunto com o Ministério da Educação para comemorar os 45 anos da OSN-UFF e com o intuito de divulgar a música sinfônica brasileira gratuitamente na Internet através do Portal Domínio Público.

Obras

Werther – Alexandre Levy
Repleta de Lirísmo, Werther é inspirada na obra de Goethe – Os sofrimentos do jovem Werther, de 1774, um dos pontos de partida para o estabelecimento da imagem trágica do herói romântico, que, ironicamente, seria encarnada pelo próprio Levy em 1892, quando morreu prematura e misteriosamente, aos 28 anos de idade.

Alvorada – Carlos Gomes
Lo schiavo possui intenções claras de exaltar o movimento abolicionista brasileiro. Dedicada à Princesa Isabel, estreou no Imperial Teatro D. Pedro II, no Rio de Janeiro em 2 de Setembro de 1889. Hoje, pode causar certa estranheza serem  índios os escravos retratados nessa ópera e não negros africanos; o fato é que Carlos Gomes optou pela etnia indígena para não desgostar ainda mais D. Pedro II que, sabia ele, aceitara a abolição da escravatura muito a contragosto. Da partitura de Lo schiavo fazem parte oito das mais belas páginas orquestrais de Carlos Gomes: é a Alvorada, que retrata o nascer de um novo dia na floresta tropical, quando se ouvem a brisa nas folhagens, toques de corneta de uma frota portuguesa ao longe, voos de pássaros, gorjeios de uma sabiá  e ecos de um imponente hino marcial, tudo estruturado em harmonia ímpar. A riqueza de suas nuances melódicas tem impressionado ouvintes de todas as épocas, em qualquer parte do Brasil ou do mundo.

Avè libertas – Leopoldo Miguez
O poema sinfônico Avè libertas, composto em 1890 para comemorar o primeiro ano da Proclamação da República e dedicado ao Marechal Deodoro, segue a fórmula romântica de exaltação nacionalista, inspirada na Europa e mantendo o espírito libertário da época, o mesmo que marca o refrão do Hino à Proclamação da República, cuja música é de sua autoria.

Série Brasileira – Alberto Nepomuceno
Estreada, na versão integral para orquestra, em 1897, a Série Brasileira é um marco na música nacionalista brasileira, utilizando temas que evocam canções e melodias bastante populares, hoje incorporados à memória coletiva nacional. Sua qualidade composicional é indiscutível, e o “Batuque” (a Quarta da série) ganhou destaque internacional: foi muitas vezes executado isoladamente por orquestras do mundo todo.

Fonte: Os textos sobre as obras foram retirados do encarte do cd – Pesquisa textual – Robson Leitão.

Uma ótima audição!

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Aurora Luminosa
Música Brasileira no Alvorecer do Século XX

Alexandre Levy (São Paulo, SP, 1864 — São Paulo, SP, 1892)
01. Werther
Antônio Carlos Gomes (Campinas, SP, 1836 – Belém, PA, 1896)
02. Alvorada, da ópera Lo Schiavo
Leopoldo Miguez (Niterói, RJ, 1850 – Rio de Janeiro, RJ, 1902)
03. Avè Libertas
Alberto Nepomuceno (Fortaleza, CE, 1864 – Rio de Janeiro, RJ, 1920)
04. Série Brasileira – Alvorada na serra
05. Série Brasileira – Intermédio
06. Série Brasileira – A sesta na rede
07. Série Brasileira – Batuque

Orquestra Sinfônica Nacional – UFF
Lígia Amadio, regente
Rio de Janeiro, 2006

BAIXE AQUI / DOWNLOAD HERE (121Mb)

Em tempo: todas as obras estão disponíveis no http://www.dominiopublico.gov.br

Marcelo Stravinsky
(repostado por Bisnaga)

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Evocações: do Salão Burguês à Sala de Concertos: Portugal / Brasil – Antonio Carlos Gomes (1836-1896), Francisco de Lacerda (1869-1934), Arthur Napoleão (1843-1925), Jayme Ovalle (1894-1955), Luiz de Freitas Branco (1890-1955) e Fernando Lopes-Graça (1906-1994)

LINDO !!!

Tem na Amazon: aqui.

Até às últimas décadas do século XIX, Portugal e o Brasil, apesar de politicamente separados, mantiveram estreitos laços culturais no domínio musical. A partir de então, o fosso entre as duas nações não cessou de aumentar. A tradição da música de salão burguesa, em Portugal, foi a primeira vítima da generalização do gramofone e da introdução da Rádio; a música mais popular nos círculos urbanos deixou de ser lida, e, na ausência de um investimento sério na educação musical, a pequena burguesia deixou de ler música. As tentativas feitas na década de 1940, no sentido de revitalizar a tradição do canto acompanhado ao piano, elevando-lhe o nível artístico, saldaram-se por um falhanço que a ausência de alternativas profissionais para a circulação do repertório tornou endémico. A canção em Português deixou de ser publicada, e quase deixou de ser escrita, para não acabar na gaveta. A actividade quase isolada de um Fernando Lopes-Graça e o repertório brasileiro, que desde o início do século não parou de crescer, apoiado numa forte ligação à música popular e num grande esforço educativo, não lograram alterar a situação. O recente desenvolvimento profissional do canto em Portugal, a que não é alheia à expansão e elevação artística do movimento coral operadas nas décadas de 1970 e 1980, permitem esperar que, à canção acompanhada em Português, venha a ser conferida a importância que lhe é devida; não no defunto salão burguês, mas na sala de concertos e na sua extensão discográfica. O repertório incluído nesta gravação abrange um século, de 1850 a 1950. Dos sete compositores representados, três são portugueses, três brasileiros (todos ligados ao Rio de Janeiro), e o sétimo, luso-brasileiro. Embora todos eles tenham tido alguma relação com a música popular, a forma como dela se servem ou inspiram varia grande-mente, como varia o tipo de público a que originalmente se dirigiram.
(Manuel Pedro Ferreira, extraído do encarte)

Ouça! Ouça! Deleite-se!

Evocação
Do Salão Burguês à Sala de Concertos
Portugal / Brasil (1850-1950)

Francisco de Lacerda (1869-1934)
01. Tenho tantas saudades
02. Os meus olhos nos teus olhos
03. Desde que os cravos e rosa
04. Meu amor, quando morreres
05. É ter arte não falar
Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
06. Quem sabe?
07. Suspiro d’alma
Arthur Napoleão (1843-1925)
08. Romance
09. Miragem
10. Se tu me amasses!
Jayme Ovalle (1894-1955)
11. Azulão
12. Modinha
Luiz de Freitas Branco (1890-1955)
13. Aquela moça
14. O minuete
Fernando Lópes-Graça (1906-1994)
15. Márcia bela
16. Eu fui terra do bravo
17. Ó meu bem

Filomena Amaro, soprano
Gabriela Canavilhas, piano
Lisboa, 1995

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – PQPShare 207Mb

Sabe aquela coisa de fazer um comentário? Eu ainda gosto. Pode comentar, pessoal!

Bisnaga

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Sinfonieta dos Devotos de Nossa Senhora dos Prazeres – Os Mestres Mulatos (Acervo PQPBach)


Luis Álvares Pinto (Recife, 1719 – 1789)
01. Te Deum Laudamus (1760) – Tibis Omnes
Pe. Caetano de Mello Jesus (Bahia?)
02. Recitativo e Ária (1759) – Ária
José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (Vila do Príncipe, 1746- Rio de Janeiro, 1805)
03. Tercis (1783) – Difusa est Gratia
Manoel Dias de Oliveira (São José del Rey [Tiradentes], 1735-1813)

04. Gradual: Fuga do Egito – Angelus Domini
Joaquim de Paula Sousa “Bonsucesso” (Prados, c. 1760 – idem, c. 1820)
05. Antífona de São Joaquim – Laudemus Virum
Pe. João de Deus Castro Lobo (Vila Rica, 1794 – Mariana, 1832)
06. Salve Sancte Pater
Anônimo (Serro, MG, Séc. XIX)
07. Jam Sol
Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830, Rio de Janeiro, RJ)
08. Domini Jesu – Coral
Anônimo (modinhas imperiais coligidas por Mário de Andrade)
09. Escuta formosa …
10. Hei de amar-te até morrer
11. Lundum …

Xisto Bahia (1841 – 1894)
12. Lundu
Tradição oral, Paratí, RJ
13. Porto das Almas
Tradição oral, litoral norte, SP
14. Bendito
Antonio Carlos Gomes (1836-1906)
15. Cayumba – Dança de Negros

Você pode entrar no website da Sinfonieta e baixar suas gravações, saber dos seus projetos, programações. “Entre e fique à vontade, que a música é sua.”

Nossos agradecimentos ao Musicólogo e Maestro Marcelo Martins por nos ter cedido este CD. Não tem preço!!!

Os Mestres Mulatos – 2007
Sinfonieta dos Devotos de Nossa Senhora dos Prazeres
Direção musical e Regente: Marcelo Antunes Martins


BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
XLD RIP | FLAC 227,3 MB | HQ Scans | 41,7 min
powered by iTunes 12.1.0

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 320 kbps | 89,2 MB | HQ Scans | 41,7 min
powered by iTunes 12.1.0

.
Boa audição.

Avicenna

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Missa de Nossa Senhora da Conceição: Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896) [link atualizado em 2017]

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Missa de Nossa Senhora da Conceição (1854)

Dia desses recebo um discreto email, mais ou menos assim: “Avicenna, tenho umas músicas que acho você gostaria de ouvir.”
Sim, pode enviar, respondí.
Ô meu !! eram as Missas de Carlos Gomes !!!
Então procurei na internet algumas críticas, avaliações dessas obras, para me situar melhor…
Não tem !! Não tem !! Não tem !! Não tem !! Não tem !!
Ainda abobalhado, consultei meus botões.
O Tico falou: ” – Não seja impetuoso em escrever algo!”
O Teco falou: ” – Pede para ele escrever o texto, pede!”

Prezadas senhoras, prezados senhores, estimado público: o PQPBach tem a honra em apresentar, numa avant-prèmiere mundial blogosférica, a espetacular, gloriosa, orgasmoplástica, a IM-PER-DÍ-VEL Missa de Nossa Senhora da Conceição, composta por Antonio Carlos Gomes, com o excelente texto abaixo escrito pelo nosso hoje companheiro Bisnaga, inspirado pelos generosos ventos do oriente.

Antônio Carlos Gomes (1836-1896) teve a mesma infelicidade ou dádiva dos filhos de J. S. Bach: tinha um pai compositor e regente e mais 25 irmãos (quatro a mais que Carl Philipp e Johann Christian). Seu pai, Manoel José Gomes, mestre de capela e maestro da banda de Campinas, era importante copista de partituras, registrando e executando a música que se produzia em São Paulo e Rio de Janeiro naqueles tempos de início do Império. Além de autores italianos e portugueses, os brasileiros André da Silva Gomes, Padre José Maurício Nunes Garcia, Frei Jesuíno do Monte Carmelo e Francisco Manoel da Silva foram alguns dos compositores a cujas obras Carlos Gomes teve acesso ainda na infância.

O menino já se mostrava inclinado para a música desde cedo: tocava desde pequeno na banda e aos 11 anos apresentou suas primeiras composições. Era, aliás, com seu irmão José Pedro de Sant’Anna, uma das atrações da banda do pai, que os colocava para reger de vez em quando.

O fato de ser filho do mestre de capela também influenciou a produção Carlos Gomes. Em 1854, aos 18 anos, compôs sua primeira missa, a de São Sebastião, e aos 23, esta obra que vos é apresentada hoje: a Missa de Nossa Senhora da Conceição. Executada, provavelmente, em 08 de dezembro de 1859, dia da padroeira de Campinas, na Matriz Nova (atual catedral metropolitana, 1807-1884), uma igreja imensa ainda em obras (à época, a maior do país), cujos entalhes do interior nem haviam sido executados. Campinas, assim como a matriz, estava em constantes obras, fervilhava com a riqueza do café e já emparelhava em população com a capital, São Paulo. A cidade já se via como grande, assim como já se poderia supor do futuro do jovem Tonico, filho do Maneco Músico. Da mesma forma, a missa da padroeira deveria ser portentosa, como a fez Carlos Gomes. É bastante provável que a obra tenha sido composta na bipartição tradicional de seu tempo, em Missa (Kyrie e Gloria) e Credo (Credo, Sanctus, Benedictus e Agnus Dei), mas chegou até nós apenas a primeira parte, que não deixa de ser obra interessante que enriquece nossos ouvidos.

A Missa mostra um Carlos Gomes jovem que ainda não fincou os pés definitivamente no romantismo. Traços do classicismo podem ser percebidos nas peças mais delicadas para coro como o Kyrie, o Qui tollis e o Cum Sanctu Spiritu e não seria de assustar perceberem-se semelhanças com músicas de Nunes Garcia, grande mestre do período. Já os trechos inicial e final do Gloria, marchas com características até militarescas, deixam clara a influência da música de banda em Carlos Gomes, influência essa que será perceptível inclusive posteriormente, em suas óperas, diluindo-se ao longo do tempo. As peças com solos (Laudamus, Domine Deus e Qui Sedes) e o coro de Suscipe já mostram traços operísticos, seja nas belas melodias, quase modinhas e canções tão ao gosto do seu tempo, seja nos trechos de alternância entre orquestra e solista e entre solista e coro, bastante impactantes e dramáticos.

A Missa de Nossa Senhora da Conceição mostra um compositor complexo, em transição, que já se mostrava diferenciado, apontando para o Antônio Carlos Gomes que seria futuramente considerado o maior compositor operístico brasileiro. Seu talento, aqui, já desponta. Vale muito conhecer a obra.

A Música e o Pará – 1996 (parte)
Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Missa de Nossa Senhora da Conceição 1. Kyrie
Missa de Nossa Senhora da Conceição 2. Gloria
Missa de Nossa Senhora da Conceição 3. Gloria – Laudamus te
Missa de Nossa Senhora da Conceição 4. Gloria – Domine Deus
Missa de Nossa Senhora da Conceição 5. Gloria – Qui tollis peccata mundi
Missa de Nossa Senhora da Conceição 6. Gloria – Suscipe
Missa de Nossa Senhora da Conceição 7. Gloria – Qui sedes ad dexteram Patris
Missa de Nossa Senhora da Conceição 8. Gloria – Cum sancto Spiritu
Missa de Nossa Senhora da Conceição 9. Gloria

Leila Guimarães, soprano
Alpha de Oliveira, soprano
Jean-Paul Franceschi, tenor
Piero Marin, barítono
Orquestra do Festival do Centenário de Carlos Gomes
Andi Pereira, regente
Teatro da Paz, Belém, 1996.

Fonogramas espetaculosamente cedidos pelo nosso companheiro Bisnaga. Não tem preço !

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 128 kbps VBR – 36Mb – 40,2 min

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Boa audição.

Avicenna

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Antonio Carlos Gomes (1836-1896), Giuseppe Verdi (1813-1901), Charles Gounod (1818-1893) e Giacomo Puccini (1858-1924) [Acervo PQPQBach]

ES-TU-PEN-DO !!!

(postado originalmente em 15 de novembro de 2012)

P.Q.P.Bach, SEIS anos, com Carlos Gomes na pauta. Acredito que vocês, nossos ilustríssimos usuários/ouvintes, apreciarão.

Já vos aviso que este CD é um de meus prediletos! Guardei-o para uma ocasião especial e, como posto às quintas e o aniversário do P.Q.P.Bach foi cair justo nesse dia da semana, ei-lo aqui.

Para começar, o que mais um violista (mesmo que frustrado, como eu), amante das cordas e das óperas, poderia achar de um CD de compositores operísticos que se arriscaram nas peças de câmara? É simplesmente maravilhoso!

E aqui temos os corajosos e belíssimos trabalhos para grupos de cordas compostos pelo nosso conterrâneo Carlos Gomes e contemporâneos seus: Verdi, Gounod e Puccini, que se aventuraram nessa área, com a qual não tinham muita experiência, e se saíram muito, mas muito bem.

O Quarteto em Mi Menor, de Verdi, é passional, romântico, como não poderia deixar de sê-lo vindo de um compositor italiano: uma joia. O Quarteto em Lá Menor, de Gounod é tenso, visceral, problemático: parece que ele quer resolver algo e não consegue, resultando em uma música instigante e que prende inevitavelmente nossa atenção e nosso interesse. Já a Crisantemi, de Puccini, é obra mais sencilha, melancólica e sofrida, há muito sentimento em suas notas bem escritas. Cativante.

O ponto alto, não querendo ser bairrista, mas inexoravelmente o sendo, é a Sonata em Ré, a conhecida Burrico de Pau, de Carlos Gomes (quem é da região de Campinas vira e mexe ouve seu primeiro movimento quando aparece a propaganda do “Concertos EPTV”: repare). Essa é uma obra de gênio, sinceramente: jovial, vibrante (e Carlos Gomes já estava doente) e, pelo que percebo, a de mais difícil execução de todo o álbum. Pizzicatos, estacatos, pulos da primeira para a quarta corda, percussão das costas dos arcos nas cordas… Muito difícil e, pra melhorar, muito bonita. O último movimento, que dá nome à sonata, foi composto quando Carlos Gomes viu a sobrinha brincando com um cavalinho de madeira. Ele estava em seu auge composístico, com as obras mais melódicas e mais refinadas de sua carreira.

Para melhorar ainda mais, esse conjunto de peças inspiradas é executado pelo Quarteto Bessler-Reis, nome por demais importante no cenário camerístico nacional. Os que possuem um ouvido mais apurado perceberão um errinho, uma pequena escorregadela aqui ou lá, mas não se poderá negar que a execução do Besser-Reis tem o que é mais essencial à música: paixão. A execução é vibrante, carregada: eles tocam com vontade, mesmo, não são meros executores; há muito sentimento e as músicas saem com as cores mais vivas que a paleta musical as poderia pintar.

Um baaaaita CD! Digno da comemoração dos SEIS anos de existência deste blog. Ouça, ouça! Faça seu dia, sua semana melhor!

Palhinha: o Quarteto Vox Brasiliensis (não achei vídeo com o Bessler-Reis) tocando o Burrico de Pau:

Quarteto Bessler-Reis
Carlos Gomes e seus Contemporâneos

Antonio Carlos Gomes (Campinas, SP, 1836 – Belém, PA, 1896)
01. Sonata em Ré “O Burrico de Pau”, I. Allegro animato
02. Sonata em Ré “O Burrico de Pau”, II. Allegro Scherzoso
03. Sonata em Ré “O Burrico de Pau”, III. Adagio lento e calmo
04. Sonata em Ré “O Burrico de Pau”, IV. (Vivace) O Burrico de Pau
Giuseppe Verdi (Roncole, Itália 1813 — Milão, Itália, 1901)
05. Quarteto em Mi menor, I. Allegro
06. Quarteto em Mi menor, II. Andantino
07. Quarteto em Mi menor, III. Prestissimo
08. Quarteto em Mi menor, IV. Scherzo-fuga (allegro assi; mosso)
Charles Gounod (Paris, França, 1818 – Saint-Cloud, França, 1893)
09. Quarteto nº3 em Lá menor, I. Allegro
10. Quarteto nº3 em Lá menor, II. Allegreto quasi moderato
11. Quarteto nº3 em Lá menor, III. Scherzo
12. Quarteto nº3 em Lá menor, IV. Final. Allegreto
Giacomo Puccini (Lucca, Itália, 1858 – Bruxelas, Bélgica, 1924)
13. Crisantemi

Quarteto Bessler-Reis
Rio de Janeiro, 1999


BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQPShare – MP3  (238Mb)
PQPShare – FLAC  (421Mb)

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…Mas comente… Não me responda apenas com o vazio do silêncio…

Bisnaga

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Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Seleção das óperas Fosca e Lo Schiavo [Acervo PQPBach]

AH, ÓPERA!

CD do acervo do musicólogo Prof. Dr. Paulo Castagna. É mais um daqueles que não tem preço!!!

Sempre que posto alguma coisa dele, que acabo revisando as postagens sobre ele, dá aquele apertinho no coração de ver como esse nosso compositor é, talvez, (como afirma nosso internauta Jam, da África do Sul), “o mais negligenciado compositor de óperas da história”. Suas composições eram, realmente, acima da média. O desabafo de Lauro Gomes, contido no encarte, não deixa de ser verdade:

Carlos Gomes é o maior compositor de óperas das Américas. Foi o único a fazer sucesso e a brilhar intensamente no maior centro operístico do mundo: Milão. Foi julgado pelos mais importantes críticos, compositores e músicos da sua época. Jamais foi considerado um “selvagem” no meio operístico e sim um inovador, cuja obra é impregnada de originalidade e, por mais estranho que possa parecer a alguns, cheia de brasilidade. Ele sempre buscou inspiração no nosso folclore. Foi o pioneiro em nosso país neste sentido ao usar em sua brasileiríssima obra pianística, repleta de modinhas, polcas, valsas e quadrilhas, a famosa congada “cayumba”. Na canção, suas modinhas são inesquecíveis. É claro que tudo isso se refletiria em sua obra no exterior. Os que tentam denegrir sua arte, infelizmente na sua grande maioria, brasileiros, o fazem por puro preconceito e inveja. Nunca se deram ao trabalho de analisar suas obras como fizeram seus colegas contemporâneos. Esquecem da admiração de músicos do porte de um Mascagni, de Gounod, Verdi, Ponchielli e Liszt, entre outros, pelas óperas do mestre brasileiro. Esquecem da força com que ele cantou “Eu fui no tororó beber água, não achei” num dos momentos culminantes de “O Guarani”, o célebre dueto “Sento una forza indomita”, que encerra o 1º ato da ópera e que também aparece com os dois temas entrelaçados quase ao final da esplêndida protofonia. Quando compunha “O Escravo”, Carlos Gomes passeava pelo centro do Rio de Janeiro, anotando os pregões dos vendedores ambulantes, e andava pelas alamedas arborizadas ouvindo o canto dos nossos pássaros, para usar em sua nova ópera. Um dia encontrei-me, nos corredores da nossa Rádio MEC, com Guerra Peixe e perguntei-lhe: “Mestre, qual é o maior compositor brasileiro?” E ele, sem pestanejar, respondeu: “Carlos Gomes”.

Nosso maior regente de óperas, Santiago Guerra, que conduziu mais de oitenta por cento das obras levadas à cena no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no período áureo daquela casa de espetáculos, e que conhece praticamente todo o repertório operístico, me disse que Carlos Gomes tinha só um grande defeito: “ser brasileiro”. Se ele fosse norte-americano, a conversa seria outra e sua obra seria conhecida mundialmente.
(texto de Lauro Machado Gomes, extraído do encarte)

E temos aqui gravações antigas, remasterizadas e melhoradas, com nomes que são sumidades no canto lírico, como a divina Idda Micolis ou o poderoso Lourival Braga. Supimpa!

Ouça! Ouça! Deleite-se!

Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
Seleção das óperas Fosca e Lo Schiavo

Fosca
01. D’Amore Le Ebbrezz
02. Cara Cittá Natia
03. Soli, Del Mondo Immemori
04. Quale Orribilie Peccato
05. A Qual Sorte Serbata Son Io
06. Orfana E Sola
07. Ah! Se Tu Sei Fra Gli Angeli
Lo Schiavo
08. El Partirá
09. T’Apressa Nula A Temer
10. Conservi Ognor Fedele
11. Quando Nasceti Tu
12. Sob O Céu Do Paraíba
13. Fragile Cor Di Donna
14. Come Serenamente

Paulo Fortes, barítono (faixa 01)
Leda Coelho de Freitas, soprano (faixas 02, 04 e 06)
Armando Assis Pacheco, tenor (faixas 02, 03 e 07)
Aracy Bellas-Campos, soprano (faixas 03, 05 e 06)
Idda Micolis, soprano (faixas 08, 10, 12 e 14)
Alfredo Colosimo, tenor (faixas 09, 10 e 11)
Lourival Braga, barítono (faixas 09 e 13)
Orquestra sinfônica da Rádio do MEC
Nino Stinco, regente
Rio de Janeiro, 1962

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Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Hino Progresso (Hino de Campinas)

MUITO BOM !

Instituído pela Lei 7.945, de 27 de junho de 1.994, o Hino Oficial de Campinas é uma composição musical do maestro campineiro Antonio Carlos Gomes, com letra adaptada, provavelmente pelo próprio maestro, de um poema do jornalista Carlos Ferreira, retirado do livro Alcyones. A composição foi resultado de um convite feito pelo Comendador Tórlogo Dauntré, através de uma carta enviada em

She Problem where third appointments. I’ll viagra side effects also Toner for does good.

14 de fevereiro de 1885, ao músico, que se encontrava em Lecco, na Itália, para compor um hino a ser executado na inauguração da 1ª Exposição Regional de Campinas. Com esta exposição, o município desejava exibir seus progressos no setor agrícola e industrial. Carlos Gomes, então, compôs uma peça para grande orquestra, coro, banda e fanfarra, concluída em 22 de março do mesmo ano.

A peça ficou conhecida como “Progresso”, primeira palavra entoada pelo coro, muito embora o próprio maestro a tenha intitulado como “Coro Triunfal ao Povo Campineiro”. O hino foi executado pela primeira vez em 25 de dezembro de 1885, no palacete onde foi instalada a exposição, no centro de Campinas, com o envolvimento de cerca de 150 músicos, amadores e profissionais, além da banda de música.

O poema do qual foi feita a adaptação também foi publicado em 25 de dezembro de 1885, na Gazeta de Campinas, jornal que era de propriedade de Carlos Ferreira. Como o poema era bastante extenso, o compositor, em sua adaptação, utilizou apenas partes, para que houvesse o perfeito encaixamento entre letra e música.

No encarte contido no CD da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, sob realização da Câmara Municipal de Campinas e da Prefeitura Municipal de Campinas, do qual extraímos as quatro versões do hino, a letra contém partes que, aparentemente, não são cantadas pelo coro, na primeira faixa. Contudo, há uma sobreposição de textos: enquanto os sopranos cantam a melodia com o texto “Honra ao povo que sabe (…)”, os tenores e baixos fazem um contraponto, cantando “Vamos todos com a fronte incendiada, Honra e fama conquistar”. Na 3ª faixa, onde só há voz e piano, não há a sobreposição de textos. A solista canta apenas a melodia, com seu respectivo texto, sendo o contraponto cantado pela parte masculina suprimido.

“Para alguns estudiosos, o fato de a composição musical de Carlos Gomes ser de alta complexidade, exigindo orquestra e coro de elevado preparo técnico, o que dificulta que ele seja memorizado e cantado pelo povo em geral; o fato de abordar um tema universal – O Progresso – que poderia ser executado em qualquer cidade do mundo, sem nenhuma alusão a feitos ou eventos históricos de peculiaridade local; a circunstância de ser destinada especificamente – 1ª Exposição Regional de Campinas” – somada ao fato de ser ela composta num exíguo espaço de tempo, já que naquela ocasião a carta fora conduzida por mar até a Itália em 14 de fevereiro e a carta-resposta fora datada de 25 de março, indicam que a música de Carlos Gomes não fora feita para ser o Hino de Campinas.

Entretanto, certo é que todas as tentativas empreendidas pela Câmara dos Vereadores no sentido de promover um concurso para a seleção de um novo hino para Campinas que viesse a substituir o “Progresso”, sofreram duras críticas por parte dos defensores do maestro conterrâneo e restaram infrutíferas.

Assim, permanece em plena vigência a Lei Municipal nº 7.945, de 27 de junho de 1.994 que instituiu a composição “Ao Povo Campineiro Progresso” como hino oficial de Campinas.

(Texto extraído do site da Câmara Municipal de Campinas)

Quem me dera que minha cidade tivesse um hino composto por Carlos Gomes!

Ah, ouça! Ouça! Deleite-se!

Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
Hino Progresso: Coro Triunfal ao Povo de Campinas

01. Hino Progresso (versão orquestral)
02. Hino Progresso (orquestra e coro)
03. Hino Progresso (piano e soprano)
04. Hino Progresso (piano solo)

Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas

(regente, pianista e soprano não especificados)

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Bigodão e cabelo ao vento… Carlos Gomes lançou moda!
(nas fotos: Carlos Gomes, Grieg e Einstein)

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500 anos de Brasil – Quarteto Egan interpreta 10 compositores brasileiros [Acervo PQPBach]

Lá nos idos anos 2000, houve uma batelada de comemorações pelos 500 anos do “descobrimento” do Brasil. Aliás, nosso descobrimento é bem interessante: ocorreu em 1500, quatro anos depois do Tratado de Tordesilhas, que dividiu a América entre Portugal e Espanha. Os portugueses dividiram o que nem tinham descoberto ainda, claro… Sei… História bem contada essa…

Bom, apesar da estranheza dos dados históricos e do questionamento da data e das comemorações, os festejos foram responsáveis pela produção de muito material cultural de alta qualidade até em anos posteriores. Uma dessas produções foi este álbum de hoje: 500 anos do Brasil. Assim, ele acaba sendo um apanhado bem legal da música brasileira, desde o período do Reino Unido a Portugal até os dias atuais, interpretada ou reinterpretada (algumas peças foram arranjadas para esta gravação) para quarteto de cordas, com o pernambucano Quarteto Egan.
O passeio musical que os músicos propõem começa no Brasil Colônia e chega até dias recentes, com um percurso cronológico das músicas que contempla três Estados brasileiros, conforme o local onde as peças foram compostas: começam pelo século XIX no Rio de Janeiro (Padre José Maurício) e São Paulo (Carlos Gomes), voltam para o Rio no início do século XX (Chiquinha Gonzaga, Alberto Nepomuceno e Sérgio Bittencourt) e chegam à sua terra, Pernambuco, na segunda metade do século (Clóvis Pereira, Luiz Gonzaga, Capiba, Guerra Peixe e Mestre Duda). A organização das faixas do CD acaba tornando-se até didática, pois mostra a música brasileira se soltando, ganhando cada vez mais síncopas, cadências e malemolência conforme o tempo passa e ela se permite ser seduzida pela riqueza popular.

Putz! Muito bom! Ouça! Ouça! Deleite-se!

500 anos de Brasil
Quarteto Egan

Padre José Maurício Nunes Garcia (Rio de Janeiro, RJ, 1767 – 1830)
01. Abertura em Ré
Antonio Carlos Gomes (Campinas, SP, 1836 – Belém, PA, 1896)
02. Quem sabe?
03. Sonata em Ré, IV. Vivace: “O burrico de pau”
Chiquinha Gonzaga (Francisca Edwiges N. Gonzaga – Rio de Janeiro, RJ, 1847 – 1935)
04. Lua Branca
Alberto Nepomuceno (Fortaleza, CE, 1864 – Rio de Janeiro, RJ, 1920)
05. Serenata
Sérgio Bittencourt (Rio de Janeiro, RJ, 1941 – 1979)
06. Modinha
Clóvis Pereira (Caruaru, PE, 1932)
07. Aboio
08. Galope
Luiz Gonzaga (Exu, PE, 1912 – Recife, PE, 1989)
09. Assum Preto
Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa – Surubim, PE, 1904 — Recife, PE, 1997)
10. Valsa Verde
César Guerra Peixe (Petrópolis, RJ, 1914 – Rio de Janeiro, RJ, 1993)
11. Mourão
Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa – Surubim, PE, 1904 — Recife, PE, 1997)
12. Recife, cidade lendária
Mestre Duda (José Ursicino da Silva – Goaiana, PE, 1935);
13. Rafael Bis

Marie-Savine Egan, violino
Raphaëlle Egan, violino
Elyr Alves, viola
Fabiano Menezes, violoncelo
gravado em São Paulo, lançado no Recife, 2001

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Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Missa de Nossa Senhora da Conceição [Acervo PQPBach]

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Queridos, para mim essa missa é especial! é que, além da qualidade composítiva do autor e de execução de orquestra, coro e solistas, tem um motivo a mais que a faz tão querida por mim. Explico:
Em 3 de novembro de 2011, ou seja, há quase dois anos, era postada pelo colegão Avicenna outra bela versão desta Missa de Nossa Senhora da Conceição, de Antonio Carlos Gomes, executada pela orquestra e coro do Festival do Centenário de morte do compositor (aqui), com arquivo que eu lhe enviei e que acabaria sendo mote para o convite que recebi pouco tempo depois para participar da equipe do PQPBach. Passei de admirador a membro do clube! (risos). Isso, para mim, é uma honra imensa!

Bom, vamos parar de babação-de-ovo e vamos logo ao que mais interessa: a obra.

A Missa de Nossa Senhora da Conceição é obra emblemática na carreira de Carlos Gomes. Mostra um compositor jovem que já mostrava grande qualidade melódica e apuro compositivo: O rapaz tinha 23 anos quando a compôs.
Além disso, mostra um compositor em transição, que ainda não apresentava todas as características musicais do romantismo, mas que saía do padrão das obras classicistas ainda dominantes no cenário local nesse tempo. Por isso é possível perceber alguma coisa de compositores como André da Silva Gomes, Padre José Maurício Nunes Garcia, Francisco Manoel da Silva e Manoel Dias de Oliveira, autores já consagrados nacionalmente e com cujas obras o Jovem Tonico já tinha travado contato por conta de seu pai ser um importante copista de partituras (e maestro, e compositor, etc.)
Já estava surgindo ali um senhor compositor, acima da média.

A versão que apresentamos neste ensolarado sábado é a executada em Gent, na Bélgica: coisa rara de ver, uma obra de brasileiro executada e gravada no exterior. Se você conheceu a anterior (se não conheceu, vá la e baixe, também), esta é mais corpulenta, mais volumosa e mais pesada, um pouco. A afinação da orquestra é melhor, também, mas a execução é mais plana, um tanto mais neutra que a brasileira (ainda que mais pesada, pelo fato da orquestra ser maior, há menor variação entre fortes e pianos). O coro é fenomenal e os solistas idem. Repete-se, da outra gravação, a doçura da voz da conterrânea Leila Guimarães, que executa os solos mais bonitos.

Obra grande, de artista grande! Brilhante! Ouça! Ouça! Inebrie-se de música!

Palhina: Leila Guimarães canta o Laudamus te (faixa 3)

Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
Missa de Nossa Senhora da Conceição (1859)

Missa de Nossa Senhora da Conceição
1. Kyrie
2. Gloria
3. Gloria – Laudamus te
4. Gloria – Domine Deus
5. Gloria – Qui tollis peccata mundi
6. Gloria – Suscipe
7. Gloria – Qui sedes ad dexteram Patris
8. Gloria – Cum sancto Spiritu
9. Gloria

Leila Guimarães, soprano
Lola di Vito, mezzo soprano
Tiemin Wang, tenor
Paul Claus, barítono
Coro Magnificat di Ursel
Coro Sint Martinus di Drongen-Baarle
Orchestra Jeugd en Muziek in Oost-Vlaanderen
Geert Soenen, regente
Gent, Bélgica, 2003

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Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Minhas Pobres Canções

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Com orgulho anunciamos a QUADRAGÉSIMA postagem de Carlos Gomes aqui no PQPBach! Hoje ele passa a ser o segundo brasileiro mais presente aqui, perdendo só para o genial Padre José Maurício Nunes Garcia (bom, o Villa-Lobos era o primeiro, mas essa é uma longa e triste história…).

Temos hoje os dois CDs que acompanham o livro da figura ao lado. Essa é daquelas obras que se propuseram a ser definitivas: Minhas Pobres Canções é praticamente um tratado sobre a obra de canções de Antonio Carlos Gomes. O livro foi escrito por Niza de Castro Tank que, além de uma das maiores sopranos nascidas neste solo, foi por muito tempo professora do curso de música da Unicamp (até a compulsória…), o que lhe permitiu ser muito mais que intérprete da música de Nhô Tonico: a limeirense Niza é uma importante pesquisadora e divulgadora da obra do compositor campineiro.
Por se tratar de um livro sobre música, ele vem acompanhado por dois CDs com 41 canções gomianas. É uma obra, literária e auditiva, de suma importância para conhecermos melhor a Carlos Gomes.

“Tão longe, de mim distante/ Onde irá, onde irá teu pensamento?” Os versos são de “Quem Sabe?”, já gravada por intérpretes tão distintos como Ney Matogrosso, Agnaldo Timóteo, Nelson Ayres e Cristina Maristany, e item mais célebre entre a porção menos conhecida da produção do compositor campineiro Antônio Carlos Gomes (1836-1896): as canções.
Se, no teatro Municipal do Rio, há uma estátua dele na entrada, no de São Paulo sua efígie mira fixamente o público, acima do palco -e não por acaso. Com uma carreira de sucesso na Itália, Carlos Gomes foi essencialmente um compositor de óperas, e os acordes da abertura de sua criação lírica mais renomada, “Il Guarany”, estreada no Scala de Milão, em 1870, ecoam até hoje no prefixo do noticioso “Voz do Brasil”.
Na Sala São Paulo, o sinal da chamada para o público vem da “Alvorada” de outra ópera de Carlos Gomes, “Lo Schiavo”.
Participante, no papel de Ceci, da primeira gravação do “Guarany”, em 1959, a soprano Niza de Castro Tank, 75, natural de Limeira (cidade próxima a Campinas), e uma das principais intérpretes do compositor, resolveu resgatar sua produção para canto e piano. “Minhas Pobres Canções” traz as partituras das 41 modinhas e canções que compreendem a produção do autor no gênero.

Dialetos
Caprichada, com revisão musical do pianista e compositor Achile Picchi, a edição traz comentários estilísticos, técnicos e musicais de Niza sobre cada uma das obras. Professores de italiano foram consultados para a versão final dos poemas, já que Carlos Gomes chegou a empregar textos em dialeto vêneto e milanês. O livro é acompanhado por um CD duplo, no qual as obras são interpretadas por Tank e mais seis cantores, acompanhados por Picchi, nas tonalidades originais para as quais foram escritas.
“Eu não podia cantar tudo”, diz Niza. “Sou soprano, até posso tentar a linha de mezzo-soprano, mas não dava para encarar as obras para baixo”, brinca. Picchi e ela participaram, em 1986, de iniciativa análoga, que contemplou uma edição “quase completa” do cancioneiro do compositor, pela Funarte.
Para além dos três álbuns publicados pela editora Ricordi, de Milão, nos anos 80 do século 19, as obras encontravam-se dispersas; além de Campinas, cidade natal do compositor, e Belém do Pará, onde ele morreu, elas foram reunidas em pesquisas no Rio de Janeiro e Curitiba.

Barcarola inédita
Com relação à edição da Funarte, a maior novidade é “Eternamente”, barcarola de 1867, em mi bemol maior, sobre texto em italiano de Marco Marcelliano Marcello (1820-1886), que se encontrava inédita. Se Niza ainda é prudente com relação a chamar sua edição atual de completa, prefere dizer que ela, agora, inclui todas as canções de Carlos Gomes “de que se tem notícia”. Estilisticamente, o compositor classificou algumas das obras do livro de modinhas (como “Quem Sabe?”, sobre versos de Bittencourt Sampaio), escritas em português e inseridas na tradição do gênero. As remanescentes são as canções propriamente ditas, divididas em românticas, dramáticas e satíricas.
“Carlos Gomes nasceu para fazer ópera e, nas canções, a gente sente o lírico que existe nele. Muitas delas são trechos de ópera”, explica Niza. “Contudo, nas canções satíricas, a gente vê o espírito brasileiro e irônico que o acompanhou durante a vida toda.” 
(Irineu Franco Perpétuo, para a Folha de São Paulo, quando do lançamento do livro – 11 de setembro de 2006)

Duas notas importantes:
– Todos os intérpretes são de alto nível. Dá muito gosto de ouví-los!
– Não encontrei o selinho do Amazon com imagem, mas você encontra esse livro-CD lá ou no Estante Virtual por preços de 40 a 120 reais.

Por hora, ouça, ouça! Deleite-se!

Antonio Carlos Gomes (1836-1896), in:
TANK, Niza de Castro. Minhas Pobres Canções. São Paulo: Algol Editora, 2006.

01. Bela ninfa de minh’alma;
02. Suspiro d’alma
03. Anália ingrata
04. Quem sabe?
05. Io ti vidi
06. Notturno
07. Eternamente
08. La madamina
09. Lisa, me vos tu bem?
10. Lo sigaretto
11. Beato Lui
12. Giulietta Mia
13. Célia d’Amore
14. Qui pro quo
15. La preghiera dell’orfano
16. Aurora e Tramonto
17. Sul Lago di Como – La regata
18. Mamma dice
19. Realtà
20. Sempre Teço
21. Mon bonheur
22. Spirto gentil
23. Divorzio
24. Rondinella
25. Oblio
26. Il brigante
27. Bella Tosa
28. Cos’è l’amore
29. La piccola mendicante
30. Civettuola
31. Conselhos
32. L’Arcolaio
33. Lontana
34. Povera Bambola
35. Dolce rimprovero
36. Tu m’ami
37. Per me solo
38. Canta ancor
39. Addio
40. Noces d’argent
41. Fra cari genitor

Niza de Castro Tank, soprano (faixas 02, 04, 18, 21, 24, 30, 33, 38, 41)
Márcia Guimarães, soprano (faixas 08, 09, 17, 32, 35, 40)
Vânia Pajares, soprano (faixas 27, 29, 31, 34)
Lenine Santos, tenor (faixas 01, 03, 05, 10, 14, 15, 19, 22, 33, 36)
Amadeu Góis, barítono (faixas 07, 37, 39)
Francisco Frias, barítono (faixas, 11, 12, 13, 16, 20, 23, 25, 28)
Toroh de Souza, baixo (faixas 06, 26)
Achille Picchi, piano
São Paulo, 2006

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Niza de castro Tank e Achille Picchi: dois entusiastas da obra de Carlos Gomes!

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Figurões cantam Carlos Gomes… E outros achados

Achados ! E que achados !!!

Resgatei do fundo do baú peças de Antonio Carlos Gomes de cujas gravações, algumas delas, eu nem me recordo quem são os intérpretes…

A sensação foi realmente a de encontrar algo muito querido no fundo do baú: depois de acumular tanta música, estava eu faxinando meu HD, pois a gente acumula coisas até no computador… Acabei encontrando ali, jogadinha no canto, uma pastinha que há tempos não ouvia. “Vamos ver se presta, se não prestar, deleto logo esses arquivos” – pensei. “Noooossa! Tem Bidú Sayão, Caruso, Montserrat Caballé e José Carreras aqui!” – exultei, contente como quem encontra fotos antigas de pessoas queridas dentro a um livro esquecido.

Sim, tinha umas porcarias na mesma pasta que eu fiz questão de descartar. Hoje tenho coisa muito melhor, mas dessas daqui foi impossível me despedir. Ouvi tudo, ouvi de novo e fechei este conjunto que estou postando hoje.

Começa com a dulcíssima Ave Maria em duas versões: uma apenas orquestral e uma segunda cantada pela Ruth Staerke, que imprime os mais elevados sentimentos na partitura de Carlos Gomes. Depois tem Nelson Ayres, elegantíssimo, tocando a tão batida Quem Sabe (tão batida porque é belíssima, provavelmente a música mais gravada do Nhô Tonico) em seu piano, acompanhado pelo Sax de Roberto Sion e pela Camerata da OSESP. A essa versão pus na sequência mais duas, dei lugar até para uma audição menos erudita de Francisco Petrônio, acompanhado pelo refinado violão de Dilermando Reis (provavelmente a versão que sua mãe ou sua avó conheceram), e segui com a levíssima voz de Nadja Silva, que canta com harpa: um anjo!

Daí para a frente, foi necessário dar lugar às árias das óperas de Carlos Gomes, cantadas por intérpretes formidáveis: temos Enrico Caruso, por muitos considerado o maior tenor de todos os tempos, cantando Mia Piccirella e Quando Nascesti Tu. Me senti na necessidade de inserir uma intérprete brasileira no meio das árias, e eis que surge Bidú Sayão, cantando a cândida Come Serenamente. Para finalizar de maneira pomposa, Montserrat Caballé e José Carreras cantam, com uma sintonia formidável, Sento una Forza Indomita.

Que delícia! Termino de escrever estas linhas cantarolando a última faixa na frente do computador.

Carlos Gomes, Nhô Tonico, música de primeiríssima categoria para nosso deleite.
Ouça, ouça! E, claro, deleite-se!

Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
Figurões cantam Carlos Gomes… E outros achados.

01. Ave Maria
02. Ave Maria
03. Mazurka
04. Tu m’ami
05. Quem Sabe?
06. Quem Sabe?
07. Quem Sabe?
08. Mia piccirella, da ópera Salvator Rosa
09. Quando nascesti tu, da ópera Lo Schiavo (1911)
10. Come serenamente, da ópera Lo Schiavo (1916)
11. Sento una forza indomita, da ópera Il Guarany

Créditos
01. Orquestra não identificada
02. Ruth Staerke (soprano)
03. piano e violino
04. tenor e piano
05. Nelson Ayres (piano), Roberto Sion (sax soprano), Naipe de Cordas da OSESP, Cláudio Cruz (regente)
06. Francisco Petrônio (voz), Dilermando Reis (violão)
07. Nadja Silva (soprano) e harpa
08. Enrico Caruso (tenor), orquestra não identificada
09. Enrico Caruso (tenor), orquestra não identificada
10. Bidú Sayão (soprano), orquestra não identificada
11. Montserrat Caballé (soprano), José Carreras (tenor)

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Belo bigode, heim, Caruso!

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Modinhas sem Palavras – Antonio Carlos Gomes (1836-1896) e José Pedro de Sant’Anna Gomes (1834-1908) [Acervo PQPBach]

Sim, a capa é feia pra dedéu (esse Carlos Gomes desproporcional, mãozudo… tsc, tsc…), mas não se deixe levar pela embalagem: o LP aí em questão é um prazer só! Aqui, quando se retira a letra das músicas e troca-se a voz humana pela flauta, é possível ao ouvinte observar com mais clareza a melodia. E aí então, com certeza, se concluirá após a audição que Antônio Carlos Gomes era um grande melodista: suas árias e suas modinhas são obras de alta beleza.

Modinha, momento musical de emoção. Participar dessa linguagem onde a linha melódica flutua sobre as palavras não poderia ser privilégio exclusivo dos cantores. A voz do instrumento desligada do texto pode nos reconduzir ao sentido oculto da poesia, emoção pura. A alma brasileira lírica tem na modinha uma das suas fontes mais significativas de expressão. A modinha sempre foi uma presença constante nas serenas e nos palcos, anônima ou assinada pelos nomes dos maiores compositores nacionais. Carlos Gomes, ao longo da sua vida, no Brasil e na Itália, confiou à modinha seus sentimentos mais íntimos: amizades, paixões e saudades, numa linguagem melódica original e refinada que apresentamos aqui em versão instrumental.
(Odette Ernest Dias, texto extraído do encarte)

Pra completar o álbum, os músicos ainda executam a cândida “Sonho”, do irmão de Carlos Gomes, José Pedro de Sant’Anna Gomes, compositor de grande qualidade e que hoje conhecemos muito pouco: se a obra do mano Tonico foi bastante olvidada, a música de Juca foi ainda mais negligenciada. É um cara pra se conferir e, ambos, para se apreciar.

Ouça! Ouça! Deleite-se!

Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
José Pedro de Sant’Anna Gomes (1834-1908)
Modinhas sem Palavras

Antonio Carlos Gomes (Campinas, SP, 1836 – Belém, PA, 1896)
01. Quem sabe
02. Foi meu amor um sonho (da ópera Joanna de Flandres)
03. Noturno
José Pedro de Sant’Ana Gomes (Campinas, SP, 1834 – 1908)
04. Sonho
Antonio Carlos Gomes (Campinas, SP, 1836 – Belém, PA, 1896)05. Canta ancor
06. Anália ingrata
07. Suspiros d’alma
08. Lontana
09. Rondinella
10. Conselhos
11. Al chiaro di luna
12. C’era una volta un príncipe (da ópera Il Guarany)

Odette Ernest Dias, flauta
Elza Kazuko Gushiken, piano
Jaime Ernest Dias, violão
1987

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Les Grands Duos d’Amour: Antonio Carlos Gomes (1836-1896), Jules Massenet (1842-1912), Georges Bizet (1838-1875), Gaetano Donizetti (1797-1848) e Riccardo Zandonai (1883-1944)

Baita CD !!!

Escarafunchei lá em meio aos meus arquivos e me indignei: como pude me esquecer de postar esse álbum? Sei lá o que me deu de falha de memória… É, tô ficando velho…

Esse é daqueles álbuns que exprimem pontos extremos do período romântico da música, daqueles exagerados, de rasgar a camisa… E é belíssimo!

Bom, o que esperar de nomes tão tarimbados e poderosos como Montserrat Caballé e Giuseppe di Stefano interpretando duetos de amor de óperas? Um álbum simplesmente poderoso (assim como os solistas), intenso, sensual, orgasmoplástico! Só ouvindo pra entender! Ah, pra alegrar ainda mais o coração dos nacionalistas, eles cantam Sento una Forza Indómita, de Carlos Gomes.

Então, ouça, ouça! E deleite-se mesmo, sem pudor!

Les Grands Duos d’Amour

Jules Massenet (Montaud, França, 1842 – Paris, França, 1912)
1. Et Je Sais Votre Nom (Manon)
Georges Bizet (Paris, França, 183i8 – Bougival, França, 1875)
2. Ton Coeur N’a Pas Compris (Les Pecheurs De Perles)
Riccardo Zandonai (Rovereto, Itália, 1883 – Pesaro, Itália, 1944)
3. E Cosi Vada (Francesca Da Rimini)
Jules Massenet (Montaud, França, 1842 – Paris, França, 1912)
4.  Il Faut Nous Séparer (Werther)
Antonio Carlos Gomes (Campinas, SP, 1836 – Belém, PA, 1896)
5. Sento Una Forza Indomita (Il Guarany)
Gaetano Donizetti (Bérgamo, Itália, 1797 – 1848)
6. Una Parola, O Adina (L’elisir D’amore)

Montserrat Caballé, soprano
Giuseppe di Stefano, tenor
Orquestra Sinfônica de Barcelona
Gianfranco Masini, regente

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O amor é lindo!

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