Beethoven (1770 – 1827): Sinfonias Nos. 5 & 7 – WP & Carlos Kleiber ∞ #BTHVN 250 ֍

Beethoven (1770 – 1827): Sinfonias Nos. 5 & 7 – WP & Carlos Kleiber ∞ #BTHVN 250 ֍

BTHVN

Sinfonias Nos. 5 & 7

Wiener Philharmoniker

Carlos Kleiber

 

 

Em dez de cada dez listas que mencionam melhores gravações de música clássica aparece a gravação da Quinta Sinfonia de Beethoven feita por Carlos Kleiber regendo a Wiener Philharmoniker e lançada pelo selo amarelo. Em umas seis ou sete delas, ela aparece em primeiro lugar. É por isso que esta gravação não poderia faltar nas nossas postagens comemorativas do #BTHVN 2020.

Esta gravação de 1974 foi relançada pela DG reunida em um CD com a gravação da Sétima Sinfonia, pelos mesmos protagonistas, na série DG-Originals. Como este CD já foi postado aqui pelo nosso intenso colaborador FDP Bach, fazemos oportunamente a nova editação como um PQP-Originals! Além do que o link da postagem anterior já estava inativo.

Aqui está o texto da postagem original, que foi ao ar em 19 de setembro de 2014:

Falar o que dessa gravação, cara pálida? Que é a melhor gravação destas sinfonias? Para não repetir o óbvio, só direi que com certeza este cd está entre os Top Ten de minha lista, e na lista de muita gente. Esqueça Karajan, esqueça Jochum, esqueça Celibidache, esqueça qualquer outro que lhe venha a cabeça. Carlos Kleiber é o nome a ser batido nesse repertório.

Carlos Kleiber não era uma pessoa de fácil convivência. Segundo relatos de músicos que estiveram sob sua direção, ele chegava a ser tirânico, humilhando seus músicos, para que se atingisse o seu ideal de perfeição. E isso dirigindo orquestras do nível da Filarmônica de Viena, de Berlim, do Concertgebow de Amsterdam …

E a sonoridade que ele conseguiu extrair da Filarmônica de Viena ao executarem esses dois pilares da música ocidental até hoje ninguém conseguiu.
Ouçam e tirem suas conclusões.

Vejam os comentários do Penguin Guide que atribuiu ao disco uma Roseta ֍, uma honra que os editores da publicação costumam dar a um seletíssimo conjunto de CDs:

‘Se alguma vez houve uma gravação lendária, será esta de Carlos Kleiber […].’ As comparações mencionam Giulini e Klemperer e termina dizendo: ‘…esta é sem dúvida uma das maiores performances desta obra que já foi colocada em disco’. Eu acredito que o comentário continua atualíssimo.

Da gravação da Sétima Sinfonia a menção de ‘charme da dança’ nos diz tudo. Portanto, não demore e baixe os arquivos!

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sinfonia No. 5 em dó menor, Op. 67

  1. Allegro com brio
  2. Andante com moto
  3. Allegro
  4. Allegro

Sinfonia No. 7 em lá maior, Op. 92

  1. Poco sostenuto – Vivace
  2. Allegretto
  3. Presto – Assai meno presto
  4. Allegro com brio

Wiener Philharmoniker

Carlos Kleiber

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FLAC | 328 MB

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MP3 | 320 KBPS | 165 MB

Observação: As duas últimas faixas da Quinta Sinfonia estão em um só arquivo.

Dizer o que?

Bravo, maestro!

Aproveite!

René Denon

 

Ludwig van Beethoven – Sonatas para Pianoforte e Violoncelo (Wispelwey, Komen)

As cinco sonatas para piano e violoncelo compostas por Beethoven têm uma vantagem em relação às sonatas para violino e aos concertos: abrangem as três fases de sua produção musical. Ou seja, em apenas dois CDs, pode-se ouvir um panorama da evolução musical do compositor, de forma mais resumida do que ao ouvirmos as 32 sonatas para piano solo. Como escreveu o pianista Paul Komen, são como peças de um quebra-cabeças que se combinam para formar um retrato de Beethoven em todos os aspectos de sua vida musical.

A primeira fase das obras com opus segue modelos típicos de Haydn e Mozart, mas já com algumas características próprias. As duas sonatas do opus 5 (1796) seguem o mesmo esquema: primeiro movimento lento, como uma preparação para o que está por vir; segundo movimento rápido com um tema marcante; terceiro movimento em rondó, forma caracterizada por uma seção principal (A) que se repete como um refrão, alternando com uma ou mais seções secundárias (B, C, D, etc.)

A segunda fase tem como marco inicial a 3ª Sinfonia, “Heróica (1804), é o Beethoven mais grandioso, da ópera Fidelio (1805) e da 5ª Sinfonia (1808). Esta fase, associada à época das revoluções e guerras napoleônicas, vai mais ou menos até o opus 93 (8ª sinfonia) ou o opus 97 (Trio Arquiduque) ou um pouco depois, não há consenso. A Sonata para piano e violoncelo op. 69 (1807), com seus arroubos de sentimentos à flor da pele desde o primeiro movimento, representa perfeitamente essa face de Beethoven, e é hoje talvez a mais famosa deste ciclo de cinco sonatas. Assim como nas sinfonias mais famosas do compositor, a obra não tem aquela introdução lenta típica do classicismo vienense: o violoncelo já chega chutando a porta com um tema bastante sentimental (Allegro ma non tanto – uma boa descrição do caráter de toda a sonata).

E finalmente a última fase, de cerca de 1811 até sua morte em 1827, quando o compositor compôs poucas obras por ano, mas cada vez mais complexas, menos destinadas a agradar ao público da época e mais voltadas para o futuro (já surdo, ele provavelmente ligava pouco para os aplausos). Nesta última fase, em quase todas as obras aparece alguma fuga, forma musical típica dos tempos de J.S.Bach. Assim, Beethoven olha para o futuro ao mesmo tempo em que intensifica o estudo dos mestres do passado.

Na segunda metade do século XX, uma série de músicos também buscou estudar profundamente a música do passado a partir dos documentos de época: tratados, cartas, artigos, além, é claro, dos próprios instrumentos e das pistas que eles deixavam sobre a música de tempos idos.

Alexei Lubimov (nascido em Moscou, 1944), um dos pioneiros no uso de pianos de época, escreveu: “cada instrumento pode nos dar pistas sobre o que o compositor estava pensando e ouvindo enquanto trabalhava. Para mim, tocar música antiga em um piano moderno é uma transcrição, não a peça original.”.

O pianoforte Broadwood de 1823, usado nesta gravação, é do mesmo modelo daquele que foi enviado por John Broadwood para Beethoven em 1818 como um presente e homenagem de Clementi e outros amantes da música de Beethoven residentes na Inglaterra, um gesto que o compositor apreciou como uma grande honra. Este instrumento inglês faz uma excelente harmonia com o violoncelo de 1710, também de origem inglesa, produzindo sons que vão do mais frágil pianíssimo até explosões heroicas que levam esses instrumentos ao limite. O som do pianoforte, que dura menos tempo após o dedo sair da tecla (em comparação com pianos modernos), permite que as passagens mais rápidas soem com uma clareza admirável. Por outro lado, na fuga da quinta sonata (de 1815), a clareza contrapontística dos dois russos carecas é imbatível, mesmo 50 anos depois daquela antológica gravação. Na dúvida, fique com os dois: instrumentos modernos e antigos!

O pianoforte inglês Broadwood

Ludwig van Beethoven – Sonatas para Pianoforte e Violoncelo

Sonata Op.5 nº1 em Fá Maior

1-1         Adagio Sostenuto
1-2         Allegro
1-3         Rondo (Allegro Vivace)

Sonata Op.5 nº2 em Sol Menor

1-4         Adagio Sostenuto e Espressivo
1-5         Allegro Molto Più Tosto Presto
1-6         Rondo (Allegro)

Sonate Op.69 em Lá Maior

2-1         Allegro Ma Non Tanto
2-2         Scherzo (Allegro Molto)
2-3         Adagio Cantabile
2-4         Allegro Vivace

Sonate Op.102 nº1 em Dó Maior

2-5         Andante
2-6         Allegro Vivace
2-7         Adagio
2-8         Allegro Vivace

Sonate Op.102 nº2 em Ré Maior

2-9        Allegro Con Brio
2-10       Adagio Con Molto Sentimento d’Affetto
2-11       Allegro Fugato

Pieter Wispelwey – cello (Barak Norman, 1710)
Paul Komen – pianoforte (Broadwood, 1823)
Gravado na Igreja Protestante de Renswoude, Países Baixos, em Junho de 1991

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#BTHVN250, por René Denon

Pleyel

BTHVN250 – Beethoven (1770-1827): The Beethoven Journey – Concertos para Piano ∞ Mahler Chamber Orchestra – Leif Ove Andsnes ֍

BTHVN250 – Beethoven (1770-1827): The Beethoven Journey – Concertos para Piano ∞ Mahler Chamber Orchestra – Leif Ove Andsnes ֍

BTHVN

Concertos para Piano

Fantasia Coral

Andsnes

Mahler Chamber Orchestra

 

Estamos em festa! As postagens homenageando o grande Ludovico estão surgindo, reunindo-se em um grande coro – Millionen – saudando o compositor mais Herz und Verstand que eu conheço!

Os Concertos para Piano ocupam um espaço importante na obra de Beethoven, mas diferentemente das Sonatas para Piano e dos Quartetos de Cordas, que foram produzidos ao longo de todas as fases criativas do mestre, a composição de concertos parou no alto do seu período heroico. De qualquer forma, ouvir os concertos na sequência é uma experiência e tanto, mesmo que isso seja dividido em dois ou três concertos…

O conjunto que escolhi para esta postagem tem a formação não muito usual de solista e regente, pelo menos para Concertos de Beethoven. Essa prática é mais comum para Concertos de Mozart. Além disso, temos uma orquestra de câmera, o que cria uma expectativa de interpretação com tintas de HIP, do movimento de instrumentos de época. Mas nada disso deve preocupar nosso seguidor, pois temos aqui ótimas interpretações e som excelente. Estas gravações são o resultado de um projeto intitulado ‘The Beethoven Journey’, idealizado e levado a cabo pelo pianista norueguês, que é excelente solista e muito atuante em conjuntos de câmera. Ele mesmo explica como foi o projeto: “Com a performance do Concerto para Piano No. 1, de Beethoven, no Festival de Stresa, em agosto de 2011, começarei a minha ‘Jornada Beethoven’ […]. O objetivo deste projeto é tocar e gravar os cinco extraordinários Concertos para Piano com os maravilhosos músicos da Mahler Chamber Orchestra em um ciclo de quatro anos, começando em 2012. Espero que você se junte a nós para esta viagem de descoberta musical que promete ser iluminativa e exuberante”.

O pacote também inclui a Fantasia Coral, que foi escrita para terminar o mastodôntico concerto que Beethoven promoveu em dezembro de 1808, no qual foram apresentadas nada mais do que as Quinta e Sexta Sinfonias.

O projeto começou com os Concertos Nos. 1 e 3, gravados ao vivo no Festival da Primavera de Praga, no histórico auditório chamado Rodolfinum. Em seguida vieram os Concertos Nos 2 e 4, gravados em Londres em 2013. O último álbum foi gravado ao vivo novamente no Festival da Primavera de Praga, em 2014.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

CD1

Concerto para Piano No. 1 em dó maior, Op. 15

  1. Allegro con brio
  2. Largo
  3. Rondo – Allegro

Concerto para Piano No. 3 em dó menor, Op. 37

  1. Allegro con brio
  2. Largo
  3. Rondo – Allegro

CD2

Concerto para Piano No. 2 em si bemol maior, Op. 19

  1. Allegro con brio
  2. Adagio
  3. Rondo – Molto allegro

Concerto para Piano No. 4 em sol maior, Op. 58

  1. Allegro moderato
  2. Andante con moto
  3. Rondo (Vivace)

CD3

Concerto para Piano No. 5 em mi bemol maior, Op. 73 ‘Emperor’

  1. Allegro
  2. Adagio um poco moto – attacca
  3. Rondo – Allegro

Fantasia para Piano, Coro e Orquestra em dó menor, Op. 80 ‘Fantasia Coral’

  1. Adagio
  2. Allegro – Allegretto, ma non tropo, quase Andante con moto

The Prague Philharmonic Choir

Mahler Chamber Orchestra

Leif Ove Andsnes, piano e regente

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FLAC | 668 MB

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MP3 | 320 KBPS | 439 MB

 

Estas gravações estão na lista das melhores gravações das obras de LvB segundo a Gramophone. Vejam como eles são elogiosos, falando do último disco a lançado: ‘As qualidades que fizeram os lançamentos anteriores tão irresistíveis estão presentes aqui também: a naturalidade com que o piano e a orquestra se integram e conversam e, às vezes, medem as suas forças; a leveza das texturas; a sutileza dos detalhes’.

Confira você e depois me diga. Pode usar o famoso ‘LEAVE A COMMENT’, no alto da página.

Aproveite!

RD

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Violin Concerto, Romances, The Creatures of Prometheus – Lorenzo Gatto, Orchestre de Chambre Pelléas, Benjamin Levy

Vamos deixar os dinossauros descansarem um pouco e vamos ouvir algo bem mais recente, 2014, para ser mais exato. Foi quando o violinista Lorenzo Gatto uniu-se ao maestro Benjamin Levy e à Orchestre de Chambre Pelléas para gravarem o monumental Concerto para Violino de Beethoven, uma das maiores criações de Ludwig, e provavelmente o maior dos Concertos já compostos parar este instrumento.

Alguns mais acostumados com a obra podem estranhar um pouco a sonoridade da Orquestra, afinal se trata de uma Orquestra pequena, ao contrário de uma Sinfônica ou uma Filarmônica com trocentos músicos. Mas creio que esse pequeno número de músicos torna tudo mais intimista, e Lorenzo Gatto pode melhor explorar todo o lirismo da obra. Prestem atenção nos momentos mais lentos do primeiro movimento para melhor entenderem do que estou falando. Gatto é um grande músico, sem dúvida. O texto abaixo foi retirado do site do próprio violinista:

As Lorenzo says, in an interview by Frederike Berntsen: ‘Beethoven’s freedom, his revolutionary sense of liberty, appeals to me greatly. The structure in his music is very strong, the rhythm powerful. At the same time, there is an idealistic, romantic undertone.’
Conductor Benjamin Levy: ‘We share a strong common ground; to avoid an overly romantic interpretation, we studied the historical practice of playing whilst using modern instruments. Our interpretation is a mix of old and new. We feel that our chamber music like approach makes this music stronger compared to a big orchestra.’
Lorenzo: ‘We do try to convey Beethoven’s message, but not by studying tempo and dynamics with rigor. If his message is one of revolution and ideals, intertwined with life’s tragedies, than why should we think small?’”

Uma grande gravação, com certeza. Lorenzo Gatto ainda é jovem, meros 34 anos de idade, e com certeza irá retornar a este concerto dentro de alguns anos, talvez com uma nova abordagem, um novo entendimento. Quem viver, verá.

01. Die Geschöpfe des Prometheus (The Creatures of Prometheus), ballet, Op. 43 O
02. Violin Concerto in D major, Op. 61 1. Allegro ma non troppo
03. Violin Concerto in D major, Op. 61 2. Larghetto
04. Violin Concerto in D major, Op. 61 3. Rondo Allegro
05. Romance for violin & orchestra No. 1 in G major, Op. 40
06. Romance for violin & orchestra No. 2 in F major, Op. 50

Lorenzo Gatto – Violin
Orchestre de Chambre Pelléas
Benjamin Levy – Conductor

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (9/9) #BTHVN250

O último volume da aventura fortepianística beethoveniana de PBS segue com o mesmo piano Graf usado no volume anterior e termina, bem, pelo fim. Talvez Beethoven, já completamente surdo, tivesse em sua visionária mente um som bastante distinto destes Grafs, Walters e Broadwoods que ouvimos. Se o som dos modernos pianos de concerto, com seus cepos de aço e mais de sete oitavas, agradaria o legendário turrão, nunca saberemos. Podemos supor que sim, pela insistência com que batia na tecla (desculpem o trocadilho) da ampliação da extensão e da robustez dos instrumentos. O fato é que esta finaleira de PBS é tão boa quanto o volume de abertura, e o som eventualmente tilintante dos agudos e os zumbidos dos baixos, somados aos, como os chama o patrão PQP, ruídos de marcenaria, trazem frescor e riqueza tímbrica para essa genial trinca de obras, que é e sempre será moderna.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para piano em Mi maior, Op. 109

1 – Vivace ma non troppo – Adagio espressivo – Prestissimo
2 – Andante – molto cantabile ed espressivo – Moderato cantabile – Molto espressivo

Sonata para piano em Lá bemol maior, Op. 110

3 – Allegro molto – Adagio ma non troppo – Fuga – Allegro ma non troppo

Sonata para piano em Dó menor, Op. 111

4 – Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
5 – Arietta – Adagio molto semplice e cantabile

Paul Badura-Skoda, hammerflügel (Conrad Graf, Viena, ca. 1824)

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Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Sonatas nº 14, 26, 24 e 23 – Robert Casadesus

Ainda fuçando no baú, encontrei esta pérola, esta jóia, gravada lá em 1953, quando este que vos escreve ainda nem era projeto de gente.

Outro grande beethoveniano, e quiçá o maior intérprete de Mozart do século XX, Robert Casadesus (1899-1972) – realiza aqui uma das mais belas gravações da Sonata ao Luar que já ouvi em minha vida. E olha que já ouvi muita gente tocando isso. Já era um experiente músico na época destas gravações, mas sempre é um prazer imenso podermos ouvir todo o talento deste grande músico, nascido francês, que cruzou o Século mostrando a sua arte ao redor do mundo. Os senhores poderão encontrar muita informação sobre Casadesus no sinte http://www.robertcasadesus.com/index.php?req_lang=en. 

Importante salientar que essas gravações ainda foram realizadasm em Mono.

01.Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 – ”Moonlight” I. Adagio sostenuto
02. Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 – ”Moonlight” II. Allegretto
03. Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 – ”Moonlight” III. Presto Agitato
04. Sonata No.26 in E flat, Op.81 – ”Les Adieux” I. Adagio – Allegro (Les Adieux)
05. Sonata No.26 in E flat, Op.81 – ”Les Adieux” II. Andante espressivo (L’absence)
06. Sonata No.26 in E flat, Op.81 – ”Les Adieux” III. Viviacissimamente (Le Retour)
07. Sonata No.24 in F sharp, Op.78 – ”А Therese” I. Adagio cantabile
08. Sonata No.24 in F sharp, Op.78 – ”А Therese” II. Allegro vivace
09. Sonata No.23 in F minor, Op.57 – ”Appassionata” I. Allegro assai
10. Sonata No.23 in F minor, Op.57 – ”Appassionata” II. Andante con moto-attacca
11. Sonata No.23 in F minor, Op.57 – ”Appassionata” III. Allegro, ma non troppo-Presto

Robert Casadesus – Piano

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (8/9) #BTHVN250

Beethoven só compôs a (prometo ser comedido com adjetivos hiperbólicos) colossal sonata Op. 106 porque o fortepiano tinha sido aperfeiçoado também em feitio colossal, não só pela ampliação de sua extensão para seis oitavas e meia, quanto por fortalecimento em sua estrutura que, se ainda não reforçada por metal, como nos pianos modernos, era incomparavelmente mais robusta que a daqueles instrumentos em que o compositor fora iniciado ao teclado, décadas antes. Muito desses avanços devem-se a construtores como Conrad Graf, cujo ateliê em Viena forneceria instrumentos, entre tantos outros, para Liszt e Chopin, além do próprio Beethoven, que ganhou um fortepiano especial de Graf, com uma corda extra junto a cada tecla, chegando a quatro cordas por nota. A intenção era facilitar-lhe as coisas ante a surdez, mas esta já era tão profunda que Ludwig quase não mais se aproximava do teclado para compor. A única obra para piano que publicaria depois do presente seria o arranjo para quatro mãos da Grande Fuga (Op. 134). Depois de sua morte, o piano foi devolvido a Graf, e acabou na Beethoven-Haus de Bonn, onde, claro, é conhecido como o “piano de Beethoven” – o que não é mentira, mas também não é uma verdade vibrante.

Sobre a Op. 106 nós já escrevemos tanto em outras ocasiões que privaremos os leitores-ouvintes de mais mortificação. Aponto, somente, que a Sonata Op. 101, que encerra o disco, também foi chamada “für der Hammerklavier” (“para o piano de martelos”), mas o termo só colou como apelido em sua irmã mais nova e transcendental. Embora longe das dificuldades acachapantes da Op. 106, ela também exige um piano como o de Graf, particularmente no maravilhoso, contrapontístico finale. PBS sai-se tão bem que, mesmo depois da “Hammerklavier” mais famosa, esta “Hammerklavier” soa como um belo poslúdio, e não como anticlímax.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Grande Sonata para piano em Si bemol maior, Op. 106, “Hammerklavier”

1 – Allegro

2 – Scherzo: Assai vivace

3 – Adagio sostenuto

4 – Introduzione: Largo – Allegro – Fuga: Allegro risoluto

Sonata para piano em Lá maior, Op. 101

5 – Etwas lebhaft, und mit der innigsten Empfindung. Allegretto, ma non troppo

6 – Lebhaft, marschmäßig. Vivace alla marcia

7 – Langsam und sehnsuchtsvoll. Adagio, ma non troppo, con affetto

8 – Geschwind, doch nicht zu sehr, und mit Entschlossenheit. Allegro.

Paul Badura-Skoda, hammerflügel (Conrad Graf, Viena, ca. 1824)

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Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Concertos – Emil Gilels, Kiril Kondrashin, etc.

Dentro da série ‘Quando os Dinossauros andavam sobre a Terra’ trago para os senhores um dos maiores pianistas do século XX, e um dos principais intérpretes de Beethoven, Emil Gilels, interpretando os Concertos para Piano de gênio de Bonn, isso lá nos idos de 1947, no pós guerra, e no início da Guerra Fria. Gilels, Kondrashin e Sanderling realizaram outros registros destes mesmos concertos, mas esse aqui creio que é bem especial. Gilels, especialmente, tem um outro ciclo gravado com Geoge Szell, que pretendo trazer em outra ocasião, assim como a bela gravação de Sanderling com Mitsuko Uchida, bem mais recente, é claro. São todos registros históricos, e já que estamos em pleno Ano Beethoven, vamos aproveitar para mostrar para os senhores estes registros mais antigos.
Lembro que a gravação ainda foi realizada em Mono.

01-Concerto_No_1_I_Allegro_con_brio
02-Concerto_No_1_II_Largo
03-Concerto_No_1_III_Rondo-Allegro_scerzando
04-Concerto_No_2_I_Allegro_con_brio
05-Concerto_No_2_II_Adagio
06-Concerto_No_2_III_Rondo-Molto_allegro

Leningrad State Philharmonic Symphony Orchestra
Kurt Sanderling

07-Concerto_No_3_I_Allegro_con_brio
08-Concerto_No_3_II_Largo
09-Concerto_No_3_III_Rondo

Grand Symphony Orchestra
Kirill Kondrashin – Conductor

10-Concerto_No_4_I_Allegro_moderato
11-Concerto_No_4_II_Andante_con_moto
12-Concerto_No_4_III_Rondo-Vivace
13-Concerto_No_5_I_Allegro
14-Concerto_No_5_II_Adagio_un_poco_mosso
15-Concerto_No_5_III_Rondo-Allegro

Leningrad State Philharmonic Symphony Orchestra
Kurt Sanderling

Emil Gilels – Piano

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (7/9) #BTHVN250

 

 

 

 

Um sanduíche de sonatas parrudas com recheio leve: as sonatinas Op. 49, que mal conseguem dar o ar de sua muita graça após o portento da “Waldstein”, e a pobre Op. 54, que já nasceu eclipsada pelas gigantes que aqui também a antecedem e a sucedem, embora seja uma ótima e primorosamente concisa composição. Dou-me conta de que faltou eu lhes sugerir aquilo que o patrão PQP sempre faz, que é começar a audição de uma série de sonatas justamente pela “Waldstein”, para saber se o resto vale a pena. Eu acho que PBS se sai muito bem, assim como o piano Broadwood de 1815 – que, se comparado ao instrumento de 1796 do mesmo fabricante que quase rompeu as costuras com a Sonata Op. 7, atesta a notável evolução que houve nos recursos do pianoforte concomitantemente à carreira de Beethoven.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano em Dó maior, Op. 53, “Waldstein”

1 – Allegro con brio

2 – Introduzione. Adagio molto

3 – Rondo. Allegretto moderato. Prestissimo.

Duas sonatas para piano, Op. 49

No. 1 em Sol menor

4 – Andante

5 – Rondo. Allegro

No. 2 em Sol maior

6 – Allegro ma non troppo

7 – Tempo di menuetto

Sonata para piano em Fá maior, Op. 54

8 – In tempo d’un menuetto

9 – Allegretto. Più allegro

Sonata para piano em Fá menor, Op. 57, “Appassionata”

10 – Allegro assai

11 – Andante con moto

12 – Allegro ma non troppo – Presto

Paul Badura-Skoda, piano (John Broadwood, Londres, ca. 1815)

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Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (6/9) #BTHVN250

Ontem, um piano boêmio. Hoje, o piano do morávio Georg Hasska. Tem cinco oitavas e meia, em vez das meras cinco a que Beethoven se acostumara desde que foi apresentado a um pianoforte, e nelas Ludwig se esbalda em algumas de suas obras mais originais. Embora haja no disco sonatas mais votadas – como aquelas alcunhadas “A Caça” e “Les Adieux” -, meu xodó será sempre a Op. 78, aquela de menos votada alcunha, “À Thérèse”, um primor de concisão e criatividade suprassumamente beethovenianas.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três sonatas para piano, Op. 31

No. 3 em Mi bemol maior

1 – Allegro

2 – Scherzo. Allegretto vivace

3 – Menuetto. Moderato e grazioso

4 – Presto con fuoco

Sonata para piano em Fá sustenido maior, Op. 78, “À Thérèse”

5 – Adagio cantabile — Allegro ma non troppo

6 – Allegro vivace

Sonata para piano em Sol maior, Op. 79

7 – Presto alla tedesca

8 – Andante

9 – Vivace

Sonata para piano em Mi bemol maior, Op. 81a (“Lebewohl”/”Les adieux”

10 – Das Lebewohl: Adagio – Allegro

11 – Abwesenheit: Andante espressivo (In gehender Bewegung, doch mit viel Ausdruck)

12 – Das Wiedersehen: Vivacissimamente (Im lebhaftesten Zeitmaße)

Sonata para piano em Mi menor, Op. 90

13 – Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck

14 – Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen

Paul Badura-Skoda, piano (Georg Hasska, Viena, ca. 1815)

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Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (5/9) #BTHVN250

Nem bem falamos ontem da parruda sequência de sonatas Opp. 26-28, e eis que “Pastoral” nos aparece para fechá-la. Este piano boêmio (porque de Praga, capital da Boêmia, e não porque da boemia), feito no ateliê de Caspar Schmidt, era muito popular pela riqueza de timbres e por algumas armas secretas, como os “efeitos turcos” – entre os quais chocalhos, pratos e tambores – acionados por um de seus seis pedais. Este espécime que ouviremos, que também pertencia a PBS, soluça em alguns registros, mas nada que não tire o deleite de ouvir a beleza da “Pastoral” e das duas primeiras sonatas do Op. 31 por seus martelinhos – seus efeitos de pedal, em especial o “una corda”, que nos podem soar de antemão estranhos, acabam por ser fascinantes, especialmente no movimento lento da Op. 31 no. 1 e na “Tempestade”.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para piano em Ré maior, Op. 28, “Pastoral”

01 – Allegro
02 – Andante
03 – Scherzo: Allegro vivace
04 – Rondo: Allegro ma non troppo

Três sonatas para piano, Op. 31

No. 1 em Sol maior

05 – Allegro vivace
06 – Adagio grazioso
07 – Rondo: Allegretto

No. 2 em Ré menor, “Tempestade”

08 – Largo – Allegro
09 – Adagio
10 – Allegretto

Paul Badura-Skoda, hammerflügel (Caspar Schmidt, Praga, ca. 1810)

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PBS noutro gorrinho maroto

Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As Três Últimas Sonatas para Piano (2020) #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As Três Últimas Sonatas para Piano (2020) #BTHVN250

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Os melhores pianistas vivos em nosso planeta são Maurizio Pollini, Martha Argerich, Grigory Sokolov e Angela Hewitt. Dito assim como se fosse uma lei — e para mim é –, escrevamos um pouco sobre o último CD deste semideus. É que Pollini acaba de regravar as 3 últimas sonatas para piano de Beethoven. Ele gravara as 5 últimas em 3 lendários discos de vinil nos anos 70, após transformados em um CD duplo. Estas foram gravações ultrapremiadas — campeoníssimas mesmo! — que se tornaram referência absoluta.

De qualquer modo, a DG tinha uma dívida no ciclo Beethoven de Maurizio Pollini, lançado em 2014 e que continha gravações que vinham desde o final da década de 1970 até a de 2010. As últimas sonatas para piano, nº 28-32, eram as únicas que estavam em gravação analógica, enquanto que algumas das outras sonatas tinham sido regravadas em formato digital antes do lançamento do ciclo completo. É que havia o consenso geral — se isso é possível no mundo das críticas da música clássica –, de que simplesmente não havia necessidade de regravar algumas das performances mais destacadas de Beethoven no catálogo, especialmente o “Hammerklavier” e o Op. 111, tal a perfeição do que Pollini fez nos anos 70. Seria impossível superar aquilo. Mas o evento dos 250 anos de Beethoven falou mais alto, e aqui temos novas performances ao vivo e digitais das três últimas sonatas para piano.

Aqui, nesta gravação ao vivo de 2020, Pollini está soltíssimo e, inclusive, canta à bocca chiusa consigo mesmo algumas vezes. E volta a prestar um ótimo serviço apresentando as sonatas da maneira mais precisa e limpa possível, sem efeitos grandiosos. Suas performances são lúcidas e fluidas, especialmente nas muitas passagens contrapontísticas que aparecem regularmente como características dessas obras. Antigamente, alguns acusavam Pollini de ser cerebral demais, mas quaisquer dúvidas sobre seu envolvimento emocional podem ser descartadas quando se ouve os movimentos lentos dos Op. 109 e 111. São performances sublimes.

E o que ele faz novamente na Arietta? Meu deus é Pollini!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As Três Últimas Sonatas para Piano

Piano Sonata No. 30 in E Major, Op. 109
1.1 1. Vivace, ma non troppo – Adagio espressivo 3:20
1.2 2. Prestissimo 2:15
1.3 3a. Gesangvoll, mit innigster Empfindung (Andante molto cantabile ed espressivo) 1:50
1.4 3b. Variation I: Molto espressivo 1:35
1.5 3c. Variation II: Leggiermente 1:27
1.6 3d. Variation III: Allegro vivace 0:25
1.7 3e. Variation IV: Etwas langsamer als das Thema 2:08
1.8 3f. Variation V: Allegro, ma non troppo 0:50
1.9 3g. Variation VI: Tempo I del tema 2:55

Piano Sonata No. 31 in A-Flat Major, Op. 110
1.10 1. Moderato cantabile molto espressivo 5:28
1.11 2. Allegro molto 1:53
1.12 3a. Adagio ma non troppo 3:11
1.13 3b. Fuga (Allegro ma non troppo) 6:05

Piano Sonata No. 32 in C Minor, Op. 111
1.14 1. Maestoso – Allegro con brio ed appassionato 7:40
1.15 2a. Arietta. Adagio molto semplice e cantabile 2:14
1.16 2b. Variation I 1:49
1.17 2c. Variation II 1:48
1.18 2d. Variation III 1:50
1.19 2e. Variation IV 4:17
1.20 2f. Variation V 3:10

Total Playing Time 56:10

Maurizio Pollini, Piano

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Pollini, Martha e aquele metido.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (4/9) #BTHVN250

Para o quarto volume de sua beethoveniana em instrumentos antigos, PBS empresta de sua própria coleção um poderoso piano Walter, o preferido de Mozart, que se presta muito bem aos contrastes dinâmicos e ao cantabile da sonata “Patética”, bem como à miríade de necessidades das três sonatas que completam a gravação, frutos – juntamente com a Op. 28, “Pastoral” – daquele impressionante 1801 em que o procrastinador compulsivo da Renânia, e já locatário do apartamento mais caótico de Viena, completou e publicou quatro importantes sonatas para piano em sucessão, feito que jamais repetiria.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para piano em Dó menor, Op. 13, “Patética”

1 – Grave – Allegro di molto e con brio
2 – Adagio cantabile
3 – Rondo: Allegro

Sonata para piano em Lá bemol maior, Op. 26, “Marcha Fúnebre”
4 –  Andante con variazioni
5 – Scherzo. Molto allegro
6 – Marcia funebre sulla morte d’un eroe
7 –  Allegro

Duas sonatas para piano, Op. 27

No. 1 em  em Mi bemol maior, “Quasi una Fantasia”
8 – Andante
9 – Allegro molto e vivace
10 – Adagio con espressione
11 – Allegro vivace

No. 2 em Dó sustenido menor, “Quasi una Fantasia”, “Luar”
12 – Adagio sostenuto
13 – Allegretto
14 – Presto

Paul Badura-Skoda, hammerflügel (Anton Walter, Viena, ca. 1790)

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Professor PBS, colecionador de pianos, e de diplomas oficiais e honoríficos

Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (3/9) #BTHVN250

Para nossa alegria, e possivelmente também a de PBS, o pianoforte Schantz em que tocou as sonatas Op. 2 volta para este terceiro volume, que inclui a primeira obra-prima de Beethoven no gênero, a magistral terceira sonata do Op. 10, com seu movimento lento belamente realizado no fortepiano que, pelo que consta no livreto, pertencia ao próprio PBS. Encerrando o volume, um tanto quanto anticlimaticamente, está a sonata remanescente do Op. 14, que raramente ouvimos apartada de seu singelo par.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três Sonatas para piano, Op. 10

No. 1 em Dó menor

1 – Allegro molto e con brio
2 – Adagio molto
3 – Finale. Prestissimo

No. 2 em Fá maior
4 – Allegro
5 – Allegretto
6 – Presto

No. 3 em Ré maior
7 – Presto
8 – Largo e mesto
9 – Menuetto. Allegro
10 – Rondo. Allegro

Duas sonatas para piano, Op. 14
No. 2 em Sol maior
11 – Allegro
12 – Andante
13 – Scherzo. Allegro assai

Paul Badura-Skoda, fortepiano (Johann Schantz, Viena, ca. 1790)

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Assim como seu conterrâneo e contemporâneo Gulda, PBS se amarrava num gorrinho maneiro

Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (2/9) #BTHVN250

O segundo volume da aventura fortepianística beethoveniana de Paul Badura-Skoda (que, prometêramos, seria doravante mencionado como PBS) traz algumas obras menos votadas do famoso rol das trinta-e-duas. O som deste piano Broadwood de 1796, mesmo fabricante que décadas depois presentearia Beethoven com o, bem, “piano de Beethoven” que já foi tantas vezes ouvido em gravações, não é tão fácil de escutar quanto o do volume passado. Ele quase estoura na “Grande Sonata”, op. 7, o que nos faz imaginar o que não seria de seus pobres martelinhos se PBS atacasse a brutal “Hammerklavier” com ele. O Broadwood tem melhor sorte com a relativamente pouco ouvida sonata Op. 22, uma das preferidas do compositor, e com a levinha Op. 14 no. 1, que ele próprio transcreveu para quarteto de cordas.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Grande Sonata para piano em Mi bemol maior, Op. 7
1 – Allegro molto e con brio
2 – Largo, con gran espressione
3 – Allegro
4 – Rondo: Poco allegretto e grazioso

Sonata para piano em Si bemol maior, Op. 22
5 – Allegro con brio
6 – Adagio con molta espressione
7 – Menuetto
8 – Rondo: Allegretto

Duas sonatas para piano, Op. 14
No. 1 em Mi maior
9 – Allegro
10 – Allegretto – Trio
11 – Rondo. Allegro comodo

Paul Badura-Skoda, fortepiano (John Broadwood, Londres, ca. 1796)

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Um Beethoven dândi, quem diria

Vassily

 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (1/9) #BTHVN250

Daremos um tempo na nossa integral de Lud Van para postarmos… bem, uma integral de Lud Van.

Nem chegamos, enfim, aos idos de março, e não desejamos que nossa tarefa de postar a obra completa do rabugento renano se conclua muito antes da data máxima dos beethovenitas, em dezembro. Ainda que sua obra seja consideravelmente extensa, Beethoven não foi um Telemann – e ainda bem, pois a integral deste sim tomar-me-ia algumas décadas de postagens, quiçá até chegar minha aposentadoria, se minha triste carcaça durar até lá.

Antes tivesse eu levado a sério o piano, e chegado aos pés da aspiração de tocar como um Paul Badura-Skoda, outro que não chegou a saber o que é aposentadoria, por ter mantido a carreira de recitalista até meses antes de falecer no ano passado, dias antes de completar generosos noventa e dois anos. O grande mestre vienense foi o único pianista a legar-nos registros integrais das sonatas de Mozart, Beethoven e Schubert tanto em pianos modernos quanto em instrumentos históricos. Sua Beethoveniana em pianos contemporâneos ao compositor, gravada entre os anos 70 e 80 e lançada pelo interessante selo Astrée na década de 90, será nosso escopo nos próximos dias.

Começaremos, claro, pelo começo – pelo menos o começo que não leva em conta as diminutas sonatas dedicadas ao Eleitor de Colônia por um Ludwig menino, e sim a respeitável trinca publicada como Op. 2 e dedicada a seu professor, Joseph Haydn. Estas obras sempre me pareceram exigir o pianoforte, e Badura-Skoda (doravante referido como PBS) defende-as com muito brio no teclado de um instrumento vienense construído por Johann Schantz na década de 1790. Aos muitos entre vós outros que têm ranços quanto ao som às vezes inconsistente dos instrumentos antigos, eu peço um voto de confiança, e que me digam se este pianoforte bicentenário não está mesmo batendo um bolão.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três Sonatas para piano, Op. 2

No. 1 em Fá menor

1 – Allegro
2 – Adagio
3 – Menuetto and Trio (Allegretto)
4 – Prestissimo

No. 2 em Lá maior
5 – Allegro vivace
6 – Largo appassionato
7 – Scherzo: Allegretto
8 – Rondo: Grazioso

No. 3 em Dó maior
9 – Allegro con brio
10 – Adagio
11 – Scherzo: Allegro
12 – Allegro assai

Paul Badura-Skoda, fortepiano (Johann Schantz, Viena, ca. 1790)

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PBS em ação, lá pelo primeiro terço de seus 80 anos de carreira

Vassily

 

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 9 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 9 de 9 – BTHVN250

 

BTHVN

Op. 109 ◦ Op. 110 ◦ Op. 111

 

 

Após a composição das duas sonatas anteriores, ditas para Hammerklavier, ambas com quatro movimentos, sendo que a segunda delas alcançou todos os limites da forma sonata, estabelecendo novos patamares, o que fazer mais? Como prosseguir daqui? Pois a resposta genial veio com a composição de um conjunto de três sonatas que guardam cada uma delas enorme individualidade. Em um sentido, uma volta à proporções menores, mas com uma renovada liberdade. A palavra que me ocorre sempre que penso nestas três sonatas é transcendência. Nelas Beethoven exercita uma enorme flexibilidade e demonstra ainda uma concentrada dose de criatividade. Resumindo: sublimes.

Duas destas sonatas terminam em variações e uma delas em uma fuga. O lirismo também está presente. Não foram as últimas composições para piano do genial Ludovico, mas com elas ele definitivamente terminou o ciclo de sonatas.

Considero essas três peças indispensáveis e já as ouvi inúmeras vezes, com muitos intérpretes. Mas nunca me canso delas. Gosto muitíssimo das gravações do Kovacevich (Philips e EMI), gosto mais da última gravação (creio que ao vivo) do Brendel para a Philips, da gravação menos conhecida da pianista Inger Södergren, no selo Calliope. As Sonatas Nos. 30 e 31 foram gravadas pelo Emil Gilels na Deutsche Grammophon. Alas, ele não chegou a gravar a última sonata, transcendeu. Mas hoje, o dia é de Igor Levit e espero que você, caso tenha chegado até aqui, desfrute também desta gravação e lembre-se da enorme evolução alcançada por um dos maiores compositores de que temos notícia.

Vivat, vivat Beethoven!!

Desenho feito por August von Klöber

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano No. 30 em mi maior, Op. 109

  1. Vivace ma non troppo
  2. Prestissimo
  3. Gesangvoll, mit innigster Empfindung. Andante molto cantabile ed expressivo

Sonata para piano No. 31 em lá sustenido maior, Op. 110

  1. Moderato cantabile molto expressivo
  2. Allegro molto
  3. Adagio ma non troppo – Fuga. Allegro ma non troppo

Sonata para piano No. 32 em dó menor, Op.111

  1. Maestoso – Allegro com brio ed apassionato
  2. Arietta – Adagio molto semplice e cantabile

Igor Levit, piano

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FLAC | 173 MB

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MP3 | 320 KBPS | 151 MB

Igor adorando os jardins do PQP Bach!

Esta jornada teria sido impossível sem a condução impecável deste notável pianista e cidadão, Igor Levit! Você poderá ler uma curta entrevista com ele aqui.

Aproveite!

René Denon

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Cadências para o concerto para piano em Ré menor de Mozart, Woo 58 (Wolfgang Amadeus Mozart – Concertos para piano nos. 20 & 21 – Rubinstein)

Postar-lhes uma hora de música para mostrar-lhes alguns minutos de Beethoven? Seria mais ou menos como trazer uma baleia à sala de visitas para apontar-lhe uma pequena craca no espiráculo – se, pô, a música não fosse a de Mozart e seu intérprete não fosse o insubstituível Arthur Rubinstein.

Ludwig, como sabemos, consolidou-se primeiramente em Viena como pianista virtuose e improvisador. Dessa forma, é muito natural que, além de cavalos de batalha criados por ele próprio, ele lançasse mão do manancial de concertos de Mozart para pavonear seu talento nos palcos. Muito provavelmente as dificuldades propostas pelo mestre de Salzburgo não lhe fizessem qualquer prurido nos dedos, então se entende que Beethoven pudesse soltar suas asinhas pianísticas durante as cadências que Mozart permitia improvisar nos primeiros e terceiros movimentos de seus concertos. De todas as cadências que ele imaginou e tocou, apenas duas – para o magnífico concerto em Ré menor, K. 466 – foram anotadas e chegaram aos nossos dias, e nos abrem uma janela para a experiência certamente extraordinária de ver o maior improvisador de seu tempo meditando lubricamente sobre temas de um de seus modelos. Enquanto eu buscava uma gravação para mostrá-las para vocês, dei-me conta de que, surpreendentemente, a mozartiana de Artur Rubinstein nunca tinha sido publicada por aqui. Assim, resolvi trazer-lhes, além das cadências de Beethoven no seio do concerto em Ré menor, outros quatro concertos do boquirroto salisburguense sob as mãos do magistral pianista que nasceu naquele lugar pitoresco cujo nome a gente escreve “Łódź” e lê como “uúdj”.

A postagem vai como agrado ao querido e incansável colega FDP Bach, que estava de aniversário e, como bem sei, aprecia e muito estas essenciais gravações, cuja série completarei amanhã.

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Concerto para piano no. 20 em Ré menor, K. 466
Cadências: Ludwig van Beethoven (WoO 58)
1 – Allegro
2 – Romance
3 – Allegro assai

Concerto para piano no. 21 em Dó maior, K. 467
Cadências: Arthur Rubinstein (1887-1982)
4 – Allegro maestoso
5 – Andante
6 – Allegro vivace assai

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Arthur Rubinstein, piano
RCA Victor Symphony Orchestra
Alfred Wallenstein,
regência


#BTHVN250, por René Denon

Vassily

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Variações para piano, WoO 69-77 & Anh. 10

Mais um pacotinho de variações para piano, do mesmo naipe daquelas que acompanharam a obra de estreia, e pelo mesmo intérprete, o austríaco Rudolf Buchbinder. Quase todas seguem o script de tema (normalmente uma canção em voga na época, hoje fascinantemente obscura) e variações figurativas, sem alterações rítmicas ou harmônicas dignas de nota – todo um universo, portanto, a apartá-las das geniais Variações Diabelli que viriam quase quarenta anos depois. Para concluir, uma enigmática série sobre uma canção um pouco perturbadora em que um sujeito convida uma moça para entrar em sua cabaninha. Alguns estudiosos não se convenceram de que a peça é da lavra de Beethoven. Kinsky e Halm preferiram não lhe atribuir sequer um número de WoO, lançando-a no apêndice (Anh.) de seu catálogo. Outros, incluindo o intérprete, Rodolfo Encadernador, têm certeza em atribuir a obra ao mestre renano pelo simples fato de que ela parece ter seu estilo e não há prova bastante de que ele não a tenha escrito. Eu acho que ela é, sim, de Beethoven – e vocês, que acham?

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

1 – Nove variações em Lá maior sobre “Quant’e piu bello”, da ópera “La Molinara” de Giovanni Paisiello, WoO 69 (1795)
2 – Seis variações em Sol maior sobre “Nel cor più non mi sento”, da ópera “La Molinara” de Giovanni Paisiello, WoO 70 (1795)
3 – Doze variações em Lá maior sobre a Dança Russa do balé “Das Waldmädchen” de Paul Wranitzky, WoO 71 (1796–7)
4 – Oito variações em Dó maior sobre “Une Fièvre Brûlante”, da ópera “Richard Coeur-de-Lion” de André Ernest Modeste Grétry, WoO 72 (1795)
5 – Dez variações em Si bemol maior sobre “La stessa, la stessissima” da ópera “Falstaff” de from Antonio Salieri, WoO 73 (1799)
6 – Sete variações em Fá maior sobre “Kind, willst du ruhig schlafen”, da ópera “Das unterbrochene Opferfest” de Peter Winter, WoO 75 (1799)
7 – Oito variações em Fá maior sobre “Tändeln und scherzen”, da ópera “Soliman II” de Franz Xaver Süssmayr, WoO 76 (1799)
8 – Seis variações fáceis em Sol maior sobre um tema original, WoO 77 (1800)
9 – Oito variações em Si bemol maior sobre “Ich hab’ ein kleines Hüttchen nur”, WoO Anh. 10

Rudolf Buchbinder, piano

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Rodolfo Encadernador e rabiscador

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – The Sonatas for Piano and Cello – Richter, Rostropovich

Creio que esta seja a terceira vez que estou postando este Cd, que considero um de meus favoritos. A qualidade da música e dos músicos envolvidos não deixa dúvidas: esta provavelmente é uma das melhores gravações já realizadas destas obras. 

Este é um daqueles cds fundamentais em minha discoteca, um daqueles que me acompanharia se fosse para viver em uma ilha deserta. A dupla formada por Sviatoslav Richter e Mstislav Rostropovich é a minha favorita para este repertório, desde que comprei esse mesmo cd em formato de LP duplo, há uns vinte e sete anos ou mais. E ainda o tenho guardado ali no armário. Enfim, um cd fundamental, obrigatório. E tenho dito e mais não preciso dizer.

CD 1

01. No. 1- I. Adagio sostenuto – Allegro
02. No. 1- II. Rondo (Allegro vivace)
03. No. 4- I. Andante – Allegro vivace
04. No. 4- II. Adagio – Tempo d’andante – Allegro vivace
05. No. 5- I. Allegro con brio
06. No. 5- II. Adagio con molto sentimento d’affetto
07. No. 5- III. Allegro – Allegro fugato

CD 2

01. No. 2- I. Adagio sostenuto ed espressivo – Allegro molto piu tosto presto
02. No. 2- II. Rondo (Allegro)
03. No. 3- I. Allegro ma non tanto
04. No. 3- II. Scherzo (Allegro molto)
05. No. 3- III. Adagio cantabile – Allegro vivace

Sviatoslav Richter – Piano
Mstislav Rostropovich – Cello

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FDPBach

 

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Trio para piano, flauta e fagote, Woo 37 – Sonata para trompa e piano, Op. 17 – Debost – Sennedat – Bloom – Barenboim

O conjunto não existe sem as partes, e as grandes orquestras não existem, por óbvio, sem ótimos músicos. Vários são os exemplos de instrumentistas que marcaram época em seus conjuntos, como o Marcel Tabuteau, o grande solista de oboé da Philadelphia Orchestra sob Stokowski e Ormandy por mais de quarenta anos, e o fenomenal Dennis Brain, trompista da Philharmonia Orchestra, precocemente falecido. Também não é incomum que alguns deles embarquem em carreiras solísticas que nos levem a esquecer de seu passado em orquestras, como fizeram o flautista James Galway e a clarinetista Sabine Meyer, ex-integrantes da Filarmônica de Berlim. Não é raro, também, que haja encontros como o deste disco, em que três grandes músicos da Orchestre de Paris dividem a ribalta com seu então regente, e aqui pianista, Daniel Barenboim.

O trio para a combinação incomum de piano, fagote e flauta, composto aos quinze anos de vida de Beethoven, é uma de suas obras mais claramente mozartianas. Barenboim – no auge de sua forma ao piano, que hoje me parece relegado a um segundo plano em seus interesses – faz-se acompanhar de Michel Debost, expoente da grande escola francesa da flauta e sucessor de Jean-Pierre Rampal na cátedra do Conservatório de Paris, e do excelente fagotista André Sennedat, num registro que é um deleite de escutar. O disco conclui com uma rara oportunidade de ouvir Myron Bloom, legendário trompista da Cleveland Orchestra, tido como “imexível” e inegociável pelo generalíssimo George Szell, que sabia de sua importância não só para o naipe mas para todos os sopros de sua orquestra. Quando Szell morreu, e a orquestra passaria para a batuta de Lorin Maazel, Barenboim convidou Bloom para mudar-se de mala, cuia e trompa para Paris, onde assumiria a Orchestre local. Bloom arrependeu-se azedamente da escolha, por odiar os colegas da orquestra, apesar de toda rasgação de seda de Barenboim, que era tão fã de seu timbre que creditava os solos do trompista nas gravações e concertos que faziam juntos. Depois de quase intoxicá-los com tantas versões da sonata para trompa escrita para o infame Punto, talvez vocês me mandem pra dentro de uma se ouvirem, uma vez mais, a fanfarra inicial. Myron Bloom, no entanto, vale a pena, e espero que os leitores-ouvintes também achem o mesmo ao ouvirem esta homenagem que prestamos ao distinto artista, falecido em 2019, aos 93 anos.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Trio em Sol maior para piano, flauta e fagote, WoO 37 (1786)
1 – Allegro
2 – Adagio
3 – Andante con variazioni

Michel Debost, flauta
André Sennedat, fagote
Daniel Barenboim, piano

Sonata em Fá maior para trompa e piano, Op. 17 (1800)
4 – Allegro moderato
5 – Poco adagio, quasi andante
6 – Rondo. Allegro moderato

Myron Bloom, trompa
Daniel Barenboim, piano

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Myron Bloom (1926-2019)

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 8 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 8 de 9 – BTHVN250

 

BTHVN

Op. 101

Op. 106 – ‘Hammerklavier’

 

Chegamos ao terceiro período de composição de Beethoven. O compositor agora praticamente surdo comunica-se com seus amigos pelos cadernos de conversação. Esta condição e o surgimento de instrumentos com um teclado estendido certamente influenciaram sua maneira de compor. Isto marcaria as suas últimas cinco sonatas.

A Sonata No. 28 em lá maior Op. 101 foi composta em 1818, quando Beethoven passava uns dias em Baden, cidade perto de Viena. No nome desta sonata, Beethoven colocou a palavra Hammerklavier, para indicar que a sonata havia sido escrita para este novo instrumento, assim como fez na outra sonata deste disco: a Grösse Sonate für das Hammerklavier, que para nós e todo o mundo ficou conhecida como a ‘Hammerklavier’. Assim como o fez no caso da Sinfonia Eroica, ao compor esta sonata Beethoven expandiu os limites da forma como nunca havia sido nem imaginado. Demoraria muito para que outras sonatas surgissem com o escopo desta. Para termos uma ideia de sua magnitude, foi composta em 1818, mas apenas em 1836 foi apresentada publicamente, por ninguém menos do que Franz Liszt, na Salle Erard, Paris.

What is greatness in music? Before we talk about spiritual greatness, let us establish this: The art of music also has a physical size – width, height, circumference, time, density, weight, appearance and expression. When Ludwig van Beethoven announced his B Major Sonata op. 106 as a great one, his greatest, even (before a single note had been written down), he meant everything: No other sonata from his pen is longer, more compact in sound, fingering or compositional technique, no other is more comprehensive in the sense of the genres it contains – symphony, aria, choir, dance, fugue. And yet, it is conceived, explored and taxed entirely from the perspective of the piano: piano sound and piano playing that tests all limits, even the suggestive ones. Written between the final symphonies, it aspires to their public relevance and resonance – but as a piano work, as a statement of the individual.

A sonata foi dedicada ao Arquiduque Rodolfo, patrono, aluno e grande amigo de Beethoven. Dizem, os primeiros acordes da sonata seriam uma alusão à frase ‘Vivat, vivat Rudolfo’!

The first bar of Beethoven’s ovational Hammerklavier-Sonata is accompanied with the singing of “Vivat, vivat, Rodolfo”. The composer dedicated his opus 106 to the Archduke Rudolf of Habsburg.

Os textos em inglês são citações de um programa de concerto que pode ser lido na íntegra aqui.

Nesta penúltima postagem das Sonatas para Piano de Beethoven, com a intenção de lembrar com ênfase a passagem de 2020, ano que marca os 250 anos de nascimento do grande Ludovico, gostaria de prestar também uma homenagem ao pianista Igor Levit. Além de enorme artista, como essas suas interpretações atestam, mesmo quando o resultado não cai exatamente ao gosto do ouvinte, Levit destaca-se por sua atitude como ser humano, num mundo tão carente de pessoas de destaque cultural que se posicionem com clareza em relação a tantos temas sociais e políticos. Quando um artista deste quilate recebe um prêmio por esse tipo de atuação, é preciso reconhecer. Assim, hats off para o Levit.

Você poderá ler o artigo que conta como Igor Levit ganhou o ‘Beethovenpreis de Bonn’ por seu compromisso social e político na íntegra aqui.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano No. 28 em lá maior, Op. 101

  1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung
  2. Marschmässig
  3. Langsam und sehnsuchtsvoll
  4. Geschwind, doch nicht zu sehr, und mit Entschlossenheit

Sonata para piano No. 29 em si bemol maior, Op. 106 ‘Hammerklavier’

  1. Allegro
  2. Assai vivace
  3. Adagio sostenuto. Appassionato e con molto sentimento
  4. Allegro risoluto

Igor Levit, piano

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“Every crowd is curious if you take them seriously” – Igor Levit 
Pois é, e além de tudo, grande pianista! Aproveite!
René Denon

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para piano, WoO 47, “Kurfürstensonaten” – Sonatinas, WoO 50 & 51 – Demus – Cascioli

Essas três pequenas sonatas compostas em Bonn por um Beethoven menino (doze anos!) e  dedicadas ao príncipe-eleitor de Colônia (em alemão, Kurfürst) são normalmente ignoradas no cômputo de suas sonatas para piano. Sou da opinião de que elas merecem ser conhecidas, nem que seja para perceber os primeiros lampejos de brilho do garoto que se aventurava ambiciosamente na sonata-forma, e reconhecer as manifestações mais precoces dos cacoetes de Ludwig em sua escrita para o teclado. Jörg Demus – o mais discreto dos integrantes da troika pianística vienense, completada por Friedrich Gulda e Paul Badura-Skoda – traz-nos uma leitura muito bonita, com sua característica precisão elegante, muito embora eu ache que estas sonatinhas exijam o som mais pungente, que eu sei que não é do gosto de todos, do pianoforte. A gravação prossegue com duas sonatinas, a segunda delas completada por Ferdinand Ries (1784-1838), aluno e amigo do compositor, e termina com mais uma fieira de pequenas peças avulsas para piano, incluindo uma écossaise (WoO 23) originalmente escrita para banda marcial, mas que sobrevive tão só num arranjo para piano feito por Carl Czerny (outro pupilo e amigo) e que fica menos estranha aqui que no meio de seus pares, que publicaremos oportunamente.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três sonatas para piano, WoO 47, “ao Eleitor” (Kurfürstensonaten)
Compostas entre 1782-1783
Publicadas em 1783
Dedicadas a Maximilian Friedrich, Eleitor de Colônia

No. 1 em Mi bemol maior
1 – Allegro cantabile
2 – Andante
3 – Rondo vivace

No. 2 em Fá menor
4 – Larghetto maestoso – Allegro assai
5 – Andante
6 – Presto

No. 3 em Ré maior
7 – Allegro
8 – Menuetto – Sostenuto
9 – Scherzando: Allegretto, ma non troppo

Jörg Demus, piano

Sonata para piano em Fá maior, WoO 50 (1790-1792)
10 – Sem indicação de andamento
11 – Allegretto

Sonata para piano em Dó maior, WoO 51 (1790-1792), completada por Ferdinand Ries
12 – Allegro
13 – Adagio

14 – Allemande em Lá maior, WoO 81 (1793)
15 – Valsa em Mi bemol maior, WoO 84 (1824)
16 – Valsa em Ré maior, WoO 85 (1825)
17 – Écossaise em Mi bemol maior, WoO 86 (1825)

Gianluca Cascioli, piano

18 – Écossaise em Sol maior para banda marcial, WoO 23 (1810)
Arranjo de Carl Czerny para piano

Rainer Maria Klaas, piano

19 – Fuga em Dó maior, WoO 215/Hess 64 (1795)

Gianluca Cascioli, piano

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Silhueta do jovem Ludwig

 

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Três Quartetos para piano, violino, viola e violoncelo, WoO 36 – Eschenbach – Amadeus Quartet

Compostos por um Beethoven adolescente, com quinze anos incompletos, estes três quartetos são, juntamente com seu arranjo para o quinteto Op. 16, suas únicas composições originais para o conjunto de piano, violino, viola e violoncelo.
Essa escassa produção, quase toda concentrada na juventude, talvez se explique pela raridade de quartetos com piano compostos até então. Ademais, os dois modelos mais importantes para o jovem Beethoven pouco escreveram para o gênero: Mozart deu ao mundo dois desses quartetos (K. 478 e K. 493), e Haydn ignorou completamente a formação. Mozart, entretanto, inspirou Beethoven não tanto com seus quartetos quanto através de suas sonatas para violino, e tão literalmente que até mesmo alguns temas do quarteto em Dó maior foram emprestados da sonata K. 296 do mestre de Salzburg. Falando em temas emprestados, nossos leitores-ouvintes mais atentos perceberão que material temático do mesmo quarteto foi reaproveitado nas sonatas Op. 2, dedicadas a Haydn. Tal expediente não surpreende, uma vez que esses quartetos nunca foram à prensa durante a vida do compositor. Somente em 1828, enquanto Viena preparava-se para lembrar o primeiro ano de sua morte, a firma de Artaria, com que Beethoven tanto colaborou em seus anos finais, editou os três quartetos numa ordem diversa da de composição, pela qual o quarteto no. 3 foi o primeiro, seguido pelos nos. 1 e 2. Quem aqui os leva a disco são o competente conjunto de Christoph Eschenbach e integrantes do longevo Amadeus Quartet, numa gravação feita para o bicentenário de Beethoven, em 1970, e que nos mostra que, embora menos prolífico, o moleque de Bonn não fazia feio ante o Mozart espinhudo.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três quartetos para piano, violino, viola e violoncelo, WoO 36
Compostos em 1785
Publicados em 1828

No. 1 em Mi bemol maior
1 – Adagio assai – Attacca:
2 – Allegro con spirito
3 – Tema. Cantabile – Vars I-VI – Tema. Allegretto

No. 2 em Ré maior
4 – Allegro moderato
5 – Andante con moto
6 – Rondo. Allegro

No. 3 em Dó maior
7 – Allegro vivace
8 – Adagio con espressione
9 – Rondo. Allegro

Christoph Eschenbach, piano
Membros do Amadeus Quartet:
Norbert Brainin, violino
Peter Schidlof, viola
Martin Lovett, violoncelo

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Eschenbach, em tempos de prosperidade capilar

#BTHVN250, por René DenonVassily

BTHVN250 – A Obra completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Duos para clarinete e fagote, WoO 27 – Quinteto para oboé, trompas e fagote, Hess 19 – Adágio para trompas, Hess 297 – Equale para quatro trombones, WoO 30

Peso-plumíssima esse volume de nossa beethoveniana, completamente dedicada a obras para sopros menos votadas do compositor, muitas delas relegadas às pilhas de papel até depois de sua morte. Os duos para clarinete e fagote são tão fofinhos quanto estranhos, e não surpreende que haja seriíssimas dúvidas acerca de sua autoria (uma pista são as indicações de andamento, totalmente atípicas para Beethoven). O breve quinteto com a curiosa colaboração entre um oboé, um fagote e um trio de trompas dá a impressão de ter sido composto às pressas, sem muito tempo para desenvolver as ideias e explorar os timbres dos instrumentos. O Adagio para três trompas é ainda mais breve, e aqui serve como prelúdio para a obra de mais substância da gravação, os três curtos e solenes Equale (que, na incerteza sobre a denominação do gênero em português, resolvi chamar de “Iguais”, que são sua tradução em latim e italiano). Escritos para serem tocados da torre da catedral de Linz no dia de finados de 1812, têm desde então aparecido em várias exéquias – inclusive no funeral do próprio Beethoven, ocasião em que foram ouvidos tanto no original para quatro trombones quanto num arranjo vocal de Ignaz Seyfried (1776-1841), iniciado no dia em que se ministrou a extrema-unção ao compositor. Apesar da curiosidade de escutar a versão de Seyfried, nunca a ouvi, nem a encontrei em qualquer gravação – mas eu tenho a partitura e, se outros três barítonos se dispuserem, talvez possamos dar um jeito nisso. Se a ideia lhes apetece, deixem-me saber nos comentários.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três Duos para clarinete e fagote, WoO 27

No. 1 em Dó maior
1 – Allegro comodo
2 – Larghetto sostenuto
3 – Rondo: Allegretto

No. 2 em Fá maior
4 – Allegro affettuoso
5 – Aria: Larghetto
6 – Rondo: Allegretto moderato

No. 3 em Si bemol maior
7 – Allegro sostenuto
8 – Aria con variazioni
9 – Allegro assai

Quinteto para oboé, três trompas e fagote em Mi bemol maior, Hess 19 (1793)
10 – Allegro
11 – Adagio maestoso
12 – Minuetto

Adagio em Fá maior para três trompas, Hess 297 (1815)
13 – Adagio

Membros do Ottetto Italiano

Três Iguais para quatro trombones (Drei Equale für vier Posaunen), WoO 30
14 – Andante (Ré menor)
15 – Poco adagio (Ré maior)
16 – Poco sostenuto (Si bemol maior)

Phillip Jones Brass Ensemble

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#BTHVN250, por René Denon

Vassily