Beethoven / Schnittke / Bach: Prism II

Beethoven / Schnittke / Bach: Prism II

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco maravilhoso! É magnificamente interpretado pelo Quarteto de Cordas Dinamarquês e tem repertório coerentemente interligado. O primeiro disco do projeto Prism foi indicado ao Grammy de melhor disco erudito. Ele ligava fugas de Bach, quartetos de Beethoven e obras de mestres modernos. Neste volume dois da série, temos uma linda versão da Fuga de Bach em Si bemol menor do Cravo Bem Temperado (no arranjo do compositor Emanuel Aloys Förster), o extrordionário Quarteto Nº 3 de Alfred Schnittke (1983), e — tchan! — mais o INCONTORNÁVEL Quarteto de Cordas Op. 130 de Beethoven e a Grande Fuga. Como o quarteto explica: “Um feixe de música é dividido através do prisma de Beethoven. O importante para nós é que essas conexões sejam amplamente experimentadas. Esperamos que o ouvinte se junte a nós na maravilha de ver os feixes de música que viajam de Bach e Beethoven até nossos dias. Gravado na histórica Reitstadel Neumarkt e produzido por Manfred Eicher, o álbum é de 2019, lançado enquanto o Quarteto de Cordas Dinamarquês embarca em uma turnê com recitais em ambos os lados do Atlântico, mas não no Brasil, claro…

Beethoven / Schnittke / Bach: Prism II

1 FUGUE IN Bb MINOR BWV 869
(Johann Sebastian Bach)
06:48

ALFRED SCHNITTKE – STRING QUARTET NO.3
2 Andante 06:11
3 Agitato 07:49
4 Pesante 08:36

LUDWIG VAN BEETHOVEN – STRING QUARTET OP.130 / OP.133
5 Adagio ma non troppo 09:52
6 Presto 02:00
7 Poco scherzoso. Andante con moto ma non troppo 07:05
8 Alla danza tedesca. Allegro assai 03:22
9 Cavatina. Adagio molo espressivo 07:49
10 Ouverture. Allegro – Fuga (Große Fuge) 16:44

Danish String Quartet:
Rune Tonsgaard Sørensen, Violin
Frederik Øland, Violin
Asbjørn Nørgaard, Viola
Fredrik Schøyen Sjölin, Violoncello

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Hum… A luz do lado esquerdo é Bach, Beethoven ou ambos?

PQP

Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano No 3 & No 2 – Martha Argerich – Mahler CO – Claudio Abbado

Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano No 3 & No 2 – Martha Argerich – Mahler CO – Claudio Abbado

 

 

Dream Team!

 

 

 

Quem é o protagonista na execução de um concerto para piano? É claro, imediatamente consideramos o solista, mas não devemos descuidar do regente, afinal ele (ou ela) fará a mediação entre a orquestra e o solista. Aliás, muito bem lembrado, a orquestra também tem papel relevante no processo.

O equilíbrio entre estas forças é determinante para o sucesso da apresentação ou gravação. Não é raro casos nos quais resultados apenas sofríveis seguem do encontro de grandes nomes. No outro lado da moeda, é possível fazer uma longa lista de excelentes resultados da colaboração de músicos menos famosos.

Ao compor o Concerto No. 2 ele era jovem

Pois bem, nesta postagem temos o melhor destas possibilidades: solista, regente e selo ou gravadora mais renomados – impossível! E a orquestra formada pelo seu regente é excelente! E para completar esse time de sonhos, o repertório: dois maravilhosos concertos de Beethoven!

A primeira gravação que Martha Argerich e Claudio Abbado fizeram juntos foi em 1967. Desde então esses dois artistas se encontraram algumas vezes para produzir gravações memoráveis. Para este disco a colaboração se deu em dois concertos gravados ao vivo, um em 2000 e o outro em 2004, no Teatro Comunale de Ferrara.

O livreto que acompanha o CD descreve a expectativa que antecedeu o concerto de 2004. Enquanto Martha ensaiava a parte do solista, Abbado preparava uma apresentação de Così fan tutte e havia um nervosismo até um pouco antes do concerto. Nada disso é, nem de sobra, sugerido pelo maravilhoso resultado que temos o privilégio de poder ouvir.

O Concerto No. 2 é o primeiro concerto composto por Beethoven, iniciado quando ele ainda morava em Bonn, mas revisto e finalmente publicado em Viena. Tanto este concerto quanto o de No. 3 mostram influência dos trabalhos de Mozart. Mas em se tratando de um compositor com personalidade tão forte, essa influência não esconde a individualidade do genial Ludovico.

O que dizer das interpretações, se você poderá constatar assim que baixar os arquivos? Não deixe de notar como a orquestra de câmara permite ouvir as texturas sonoras ainda mais claras, que há uma sensação de urgência e intensidade, mas com tempo suficiente para que música se desdobre sem atropelamentos. Note a maravilha das cadências e como os movimentos lentos são intensos e profundos. Enfim, guarde algum fôlego para os rondós arrebatadores.

Em uma das muitas elogiosas críticas que este álbum recebeu na ocasião de seu lançamento, lemos: Ouça o disco – ele é o antídoto para as gravações conservadoras. Em um universo ideal, as gravações de Beethoven seriam tão chocantemente refrescantes como esta.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Concerto para piano e orquestra No. 3 em dó menor, Op. 37

  1. Allegro com brio (Cadência: Beethoven)
  2. Lento
  3. Allegro

Concerto para piano e orquestra No. 2 em si bemol maior, Op. 19

  1. Allegro con brio (Cadência: Beethoven)
  2. Adagio
  3. Molto alegro

Martha Argerich, piano

Mahler Chamber Orchestra

Claudio Abbado

Gravação: Teatro Comunale de Ferrara (2000, Op. 19; 2004, Op. 37)

Produção: Christopher Alder

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FLAC | 259 MB

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MP3 | 320 KBPS | 147 MB

Com uma pianista desta, quem não fica feliz?

E ainda outro crítico: Com uma ótima gravação e a audiência só se fazendo ouvir no fim, este é um álbum que mostra como faz sentido gravar mais uma vez este repertório. Este é um Beethoven do século XXI que ainda será ouvido pelo século XXII afora. Até agora, a premunição está se cumprindo!

Aproveite, não espere até o século XXII!

René Denon

Trinta Anos sem o Muro da Vergonha (Ode to Freedom – Bernstein in Berlin – Ludwig van Beethoven (1770-1824) – Sinfonia no. 9, op. 125, “Coral”)

Trinta Anos sem o Muro da Vergonha (Ode to Freedom – Bernstein in Berlin – Ludwig van Beethoven (1770-1824) – Sinfonia no. 9, op. 125, “Coral”)

Celebramos hoje os trinta anos da derrubada do infame Muro de Berlim, naquele incrível novembro de 1989 que viu a Alemanha encaminhar sua reunificação após uma até então inimaginável cadeia de eventos. Logo no mês seguinte, Leonard Bernstein dirigiria as forças combinadas de orquestras e coros das duas Alemanhas e das antigas potências da ocupação em performances muito emotivas da Sinfonia “Coral” de Beethoven, notáveis pela substituição da palavra Freude (“alegria”) por Freiheit (“liberdade”) no texto da “Ode à Alegria” de Schiller, que serve de base para o movimento final. A iniciativa de Bernstein, sugerida por uma história apócrifa que atribuía a substituição ao próprio Schiller, numa versão alternativa da “Ode”, foi uma licença poética que, segundo o regente, certamente teria a aprovação de Beethoven. Nesses moldes, a Sinfonia Coral foi apresentada dos dois lados da cidade outrora dividida, com extraordinária repercussão, e esta gravação, feita ao vivo no dia do Natal de 1989, registra a última dessas performances. Realizada na Schauspielhaus da antiga Berlim Oriental (hoje conhecida como Konzerthaus Berlin) e transmitida ao vivo para dezenas de países, ela tem toda a riqueza e eventuais idiossincrasias que permeiam os últimos anos da carreira de Bernstein e faz parte do canto do cisne deste multitalentoso artista, que deporia a batuta em outubro do ano seguinte para falecer meros cinco dias depois.

ODE TO FREEDOM – BERNSTEIN IN BERLIN

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sinfonia no. 9 em Ré menor, Op. 125, “Coral”
1 – Allegro ma non troppo, un poco maestoso
2 – Molto vivace
3 – Adagio molto e cantabile
4 – Presto – Allegro assai

June Anderson, soprano
Sarah Walker, mezzo-soprano
Klaus König, tenor
Jan-Hendrik Rootering, baixo
Coro da Rádio Bávara
Membros do Coro da Rádio de Berlim
Coro Infantil da Orquestra Filarmônica de Dresden
Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara
com integrantes da Orquestra Estatal (Staatskapelle) de Dresden, Orquestra do Teatro Kirov (Leningrado), Filarmônica de Nova York, Orquestra Sinfônica de Londres e Orquestra de Paris
Leonard Bernstein, regência

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Bônus: o vídeo do concerto, gravado na Schauspielhaus de Berlim em 25/12/1989 (AVI, 900 MB):
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Bernstein e seu cigarro derrubando um ‘cadinho do Muro da Vergonha.

Vassily

 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Variações sobre uma Valsa de Anton Diabelli, Op. 120 – Friedrich Gulda

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Variações sobre uma Valsa de Anton Diabelli, Op. 120 – Friedrich Gulda

410NB3FKKJLUm de nossos mais assíduos leitores-ouvintes pediu, dia desses, que repostássemos a gravação de Paul Lewis para as Variações Diabelli e a série das Sonatas para piano de Beethoven com Friedrich Gulda, por terem desaparecido no éter após o colapso dos servidores de compartilhamento.

Como não tenho a gravação de Lewis, e a caixa do Gulda tem um monte de CDs, vou usar o pedido do leitor-ouvinte como pretexto para postar a versão de Gulda para as Diabelli: elétrica e doida como o intérprete, e repleta do toque mágico desse bruxo do teclado, é das melhores que conheço para a obra genial.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Trinta e três Variações para piano sobre uma Valsa de Anton Diabelli, em Dó maior, Op. 120

01 – Thema: Vivace
02 – Variação I: Alla Marcia. Maestoso
03 – Variação II; Poco Allegro
04 – Variação III; L’istesso tempo
05 – Variação IV Un poco più Vivace
06 – Variação V: Allegro Vivace
07 – Variação VI: Allegro ma non troppo e serioso
08 – Variação VII: Un poco più allegro
09 – Variação VIII: Poco vivace
10 – Variação IX: Allegro pesante e risoluto
11 – Variação X: Presto
12 – Variação XI: Allegretto
13 – Variação XII: Un poco più mosso
14 – Variação XIII: Vivace
15 – Variação XIV: Grave e maestoso
16 – Variação XV: Presto scherzando
17 – Variação XVI: Allegro
18 – Variação XVII
19 – Variação XVIII: Poco moderato
20 – Variação XIX: Presto
21 – Variação XX: Andante
22 – Variação XXI: Allegro con brio – Meno allegro
23 – Variação XXII: Allegro molto (Alla »Notte e Giorno Faticar« di Mozart)
24 – Variação XXIII: Allegro assai
25 – Variação XXIV: Fughetta. Andante
26 – Variação XXV: Allegro
27 – Variação XXVI
28 – Variação XXVII: Vivace
29 – Variação XXVIII: Allegro
30 – Variação XXIX: Adagio ma non troppo
31 – Variação XXX: Andante, sempre cantabile
32 – Variação XXXI: Largo, molto espressivo
33 – Variação XXXII: Fuga – Allegro – Poco Adagio
34 – Variação XXXIII: Tempo di Menuetto – Moderato

Friedrich Gulda, piano

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Friedrich Gulda, maluco-beleza: que maluco! e que beleza!!!
Tentem NÃO imaginar a metade de baixo… mmm, tarde demais.

Vassily Genrikhovich

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para violino, Op. 61, em arranjo para piano e orquestra – Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Concerto em Ré maior, BWV 1054 – Olli Mustonen

512QkXb64ZLAcrescentar obras novas de Beethoven a um acervo como o do PQP Bach é dureza, ainda mais quando se tem como colegas uns celerados com discografias nababescas como nosso patrão e o ilustre FDP Bach. No entanto, acho – ACHO – que esta ainda não apareceu por aqui: o arranjo para piano e orquestra, feito pelo próprio compositor, de seu célebre Concerto para violino.

Como era habitual a Beethoven, gênio tão ruminativo quanto pessoa proverbialmente desorganizada, a versão original do Concerto foi concluída em cima da hora para a estreia, muito pouco ensaiada, e o solista – um certo Franz Clement – teve que ler boa parte do solo à primeira vista. A relação do público na première, claro, foi uma geleira, e a obra foi esquecida durante muitas décadas, até ser ressuscitada pelo jovem Joseph Joachim em meados do século XIX. Numa tentativa de resgatá-la do ostracismo, Beethoven arranjou-a como um Concerto para piano, quase rasgando suas costuras ao tentar torná-la mais idiomática ao teclado. Fê-lo, aparentemente, com muito entusiasmo, a julgar pela curiosíssima, hiperativa cadenza que escreveu para o Allegro non troppo, que conta com uma nada sutil participação dos tímpanos – os mesmos que abrem, em discreto pulsar, o primeiro movimento.

O finlandês Mustonen é um bom pianista e muito aventureiro na exploração do repertório. Para acompanhar a curiosa reinvenção de Beethoven, escolheu um dos concertos de Bach, para o qual dá uma interpretação correta, tanto ao teclado quanto na regência.

BEETHOVEN – PIANO CONCERTO (VIOLIN CONCERTO ARR. BEETHOVEN)
BACH – CONCERTO BWV 1054
OLLI MUSTONEN 

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Concerto em Ré maior para piano e orquestra, Op. 61a (transcrição do Concerto para violino, Op. 61, feita pelo próprio compositor)
01 – Allegro non troppo
02 – Larghetto
03 – Rondo: Allegro

Olli Mustonen, piano
Deutscher Kammerphilarmonie
Jukka-Pekka Saraste, regência

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Concerto em Ré maior para piano, orquestra de cordas e contínuo, BWV 1054
04 – [sem indicação de andamento]
05 – Adagio e piano sempre
06 – Allegro

Olli Mustonen, piano e regência
Deutscher Kammerphilarmonie

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Vassily Genrikhovich

A Quatro Mãos: Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Obra completa para duo – Duo Clavier – Jörg Demus – Norman Shetler

1163076A obra de Beethoven para duo pianístico não é lá grandes coisas, e a única obra de mais músculo neste disco -a transcrição, feita pelo próprio Beethoven, da Grande Fuga para quarteto de cordas em Si bemol maior – era justamente seu ponto mais fraco: o Duo Clavier, de interpretações corretas para todas as mornas obras anteriores, errava a mão ao dar à mais iracunda obra de Beethoven uma leitura staccato e mezzo piano que aplacava quase toda sua fúria. Felizmente, ao preparar o CD para postagem, percebi que ele estava irremediavelmente danificado na última faixa, e resolvi o problema (e salvei a postagem) transplantando um MP3 que já tinha há mais tempo, em que Jörg Demus e Norman Shetler dão à obra-prima uma leitura mais digna de sua estatura.

Esses arranjos para duo pianístico eram um recurso importante para divulgação e execução doméstica de obras que, antes de surgirem gravações fonográficas, só poderiam ser ouvidas nas salas de concerto. Sempre que escuto esta transcrição, fico imaginando quais foram os motivos que levaram Beethoven, já gravemente enfermo, a fazê-la, uma vez que ele próprio considerara a Grande Fuga longa e complicada demais para ser o final de seu Quarteto Op. 130, preferindo publicá-la em separado como Op. 133. Se lembrarmos que o escândalo causado por sua primeira audição levou muitos críticos a considerarem-na prova cabal da surdez e demência do compositor, imagino que as primeiras edições da obra (e deste arranjo) tenham encalhado integralmente. E, por mais que a versão pianística, sem os ataques furiosos e a sonoridade pungente das cordas, seja algo mais branda que a original, ainda hoje, quase dois séculos depois de sua publicação, a mais visionária das obras de Beethoven soa-nos tão moderna e radical como, provavelmente, sempre soará.

L. v. BEETHOVEN – PIANO FOUR HANDS – THE COMPLETE WORKS

01 – Oito Variações sobre um Tema do Conde Waldstein, WoO 67

Sonata em Ré maior, Op. 6
02 – Allegro molto
03 – Rondo: moderato

04 – Seis Variações em Ré maior sobre “Ich denke dein”, WoO 74

Três Marchas, Op. 45
05 – no. 1 em Dó maior: Allegro non troppo
06 – no. 2 em Mi bemol maior: Vivace
07 – no. 3 em Ré maior: Vivace

Duo Clavier
Mauro Landi
e Paolo Dirani, piano

08 – Grande Fuga em Si bemol maior, Op. 134

Jörg Demus e Norman Shetler, piano

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iPobre Ludwig!
iPobre Ludwig!

Vassily Genrikhovich

Beethoven (1770-1828): Sinfonias Nos. 5 & 7 – Chicago Symphony Orchestra – Fritz Reiner

Beethoven (1770-1828): Sinfonias Nos. 5 & 7 – Chicago Symphony Orchestra – Fritz Reiner

Beethoven

Sinfonias 5 & 7

Aberturas Coriolano e Fidelio

CSO

Reiner

 

Entre os grandes regentes do século passado, Fritz Reiner é um nome que se destaca pela qualidade das gravações que deixou, especialmente com a Orquestra Sinfônica de Chicago. Ele assumiu a direção desta orquestra em 1954 e a transformou em uma das melhores do mundo. Segundo Stravinsky, Reiner tornou a Sinfônica de Chicago na orquestra mais precisa e flexível do mundo.

Fritz, de tremendo bom humor!

O período de 1954 a 1963, no qual Reiner reinou em Chicago, coincide com o surgimento e afirmação das gravações em estéreo, um importante marco na história da música gravada. A gravação do Concerto para Piano e Orquestra No. 1 de Brahms, em que Reiner e a Sinfônica de Chicago acompanham Arthur Rubisnstein, assim como as gravações do Concerto para Orquestra de Bartók e de La mer, de Debussy são deste período. Estes discos são verdadeiros marcos da história fonográfica e devem ser ouvidos por todos aqueles que têm algum interesse por música.

Na postagem de hoje temos as gravações de duas sinfonias e duas aberturas de Beethoven, registradas neste período pela CSO e Reiner.

Fritz Reiner era um tirano, mas também era genial. Tinha poder enorme sobre os músicos, o que é impensável hoje, e o usava com um certo prazer sádico. Há testemunhos de que era abusivo. Ou seja, os resultados que apreciamos nestas gravações tinham altíssimo custo pessoal para os músicos da orquestra.

No entanto, havia também outros aspectos. A sua técnica de regência era impressionante. Philip Farkas foi o principal trompista na era Reiner e lembra: Ele [Reiner] regia com tudo que tinha, não apenas com as mãos. Poderia reger os violinos com as mãos e indicar a entrada dos sopros enchendo as bochechas de ar e soprando no exato momento desta entrada. Se além disso quisesse um crescendo, usava as sobrancelhas…

O custo destas conquistas era verdadeiramente alto, mas o maestro e sua orquestra tinham seus momentos. O mesmo Farkas lembra o final de um concerto em Boston, quando a CSO estava em uma turnê, em 1958. O concerto correra de maneira perfeita, sem uma falha sequer. Todos estavam verdadeiramente movidos e quando os aplausos terminaram, se reuniram nos bastidores. Reiner cumprimentou a cada um, apertando suas mãos, com lágrimas correndo dos olhos. Ele teria dito: Toda a minha vida esperei por este momento, um concerto perfeito.

Você pode ler estes depoimentos aqui.

Temos então, um álbum quase perfeito. As Sinfonias pertencem ao conjunto das sinfonias ímpares e apresentam o lado mais heroico de Beethoven, assim como as duas aberturas. Aqui estas obras são apresentadas na roupagem big band, com muitos violinos, profundos violoncelos e baixos, sopros destemidos, assim como tímpanos e demais.

Acho esta interpretação da sétima ainda maravilhosa. A quinta um pouco menos. As aberturas são verdadeiras pérolas. Excelentes!

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sinfonia No. 5 em dó menor, Op. 67

  1. Allegro com brio
  2. Andante con moto
  3. Allegro
  4. Allegro

Sinfonia No. 7 em lá maior, Op. 92

  1. Poco sostenuto. Vivace
  2. Allegretto
  3. Presto
  4. Allegro com brio

Aberturas

  1. Coriolano, Op. 62
  2. Fidelio, Op. 72

Chicago Symphony Orchestra

Fritz Reiner

Gravação: 1959 (Op. 67 & 62); 1955 (Op. 92 & 72)

Produção: Richard Mohr

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FLAC | 400 MB

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MP3 | 320 KBPS | 181 MB

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reiner disse: As pessoas dizem que eu odeio os músicos. Eles estão errados. Eu só odeio os músicos ruins.

Ah, é claro, JURÁSSICO!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano Nos. 4 e 5 – Till Fellner ● Orchestre symphonique de Montréal ● Kent Nagano

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano Nos. 4 e 5 – Till Fellner ● Orchestre symphonique de Montréal ● Kent Nagano

Beethoven

Concertos para Piano Nos. 4 & 5

Till Fellner

Orchestre symphonique de Montréal

Kent Nagano

 

Cuidado com o que você deseja! Assim é o adágio. Pois eu desejei este disco muito tempo. Quando finalmente o encontrei, antes da primeira audição, senti um misto de antecipação e um friozinho na barriga. Seria realmente tudo aquilo que eu imaginara? Pois bem, veio a primeira, a segunda e agora nem sei mais qual o número da audição. O esperado se realizou com abundância. Não canso de ouvir e, portanto, aqui está, seguindo nossos estritos critérios de escolha de material de postagem: apenas o melhor!

Os dois últimos concertos para piano de Beethoven formam um belo par em discos maravilhosos. Só para não deixar o seguidor do blog no ar: Emil Gilels e Wilhelm Kempff! A enorme diferença entre estes dois maravilhosos concertos só ajuda no sucesso do disco. Engano pensar que o quarto é mais simples. Ledo engano! E inovador que também ele é, com o piano roubando a cena logo na abertura.

Falando do Concerto No. 4 é impossível não mencionar a história de Orfeu e Eurídice. Há fumos e rumores tratando da possibilidade de que o mito de Orfeu, que com seus talentos e lamentos implorou às Erínias que dessem à sua amada Eurídice uma chance para voltar ao mundo dos vivos, tenha inspirado Beethoven na composição do seu Andante con moto. É claro que a história é maravilhosa e Beethoven conhecia a ópera de Gluck sobre o tema. Para reunir ainda mais condições de veracidade a esta possibilidade, há um retrato no qual Beethoven aparece segurando uma lira, o instrumento de Orfeu. Eu fiquei curioso e aposto que você também. Para mais informações sobre isso, veja aqui.

Além disso, se você viu o filme The King’s Speach – O Discurso do Rei, certamente vai reconhecer o Adagio do Concerto No. 5, que magistralmente termina na irrupção do Rondo, uma das transições geniais do Ludovico.

Todas as belezas são aqui realizadas com facilidade e maestria. As armadilhas são evitadas e a parceria solista-orquestra-regente é fenomenal, parece cumplicidade. Veja o que o crítico da Gramophone disse sobre esta combinação: Esta é uma parceria de sonhos com o solista e o regente trabalhando como uma mão na luva, e mesmo se considerar tantos nomes gloriosos em tal repertório (de Schnabel a Lupu) você dificilmente ouvirá interpretação de tão livre e invejável graça e fluência musical. É pouco ou quer mais?

Este disco está na lista dos melhores cinquenta discos de Beethoven da Gramophone! Confira aqui.

Esclareço que devemos ter um certo cuidado com as listas, mesmo as mais famosas. Mas em última instância, é preciso ouvir e decidir por si mesmo. Não se faça de rogado. Eu aposto um download que você vai gostar.

Ludiwig van Beethoven (1770-1827)

Concerto para piano No. 4 em sol maior, Op. 58

  1. Allegro moderato
  2. Andante com moto
  3. Vivace

Concerto para piano No. 5 em mi bemol maior, Op. 73

  1. Allegro
  2. Adagio um poco moto
  3. Allegro, ma non troppo

Till Fellner, piano

Orchestre Symphonique de Montréal

Kent Nagano

Produção: Manfred Eicher
Som: Markus Heiland

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FLAC |431MB

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MP3 | 320 KBPS | 167 MB

Till Fellner curtindo o nosso rigoroso inverno!

Mais uma do crítico da Gramophone: Till Fellner certamente faz parte daquela elite que Charles Rosen tão memoravelmente definiu como aqueles que, enquanto aparentemente fazem nada, alcançam tudo! Basta ouvir o álbum.

Aproveite!

René Denon

Beethoven (1770-1827) & Sibelius (1865-1957): Concertos para Violino – Tetzlaff ● Symphonie-Orchester Berlin ● Ticciati

Beethoven (1770-1827) & Sibelius (1865-1957): Concertos para Violino – Tetzlaff ● Symphonie-Orchester Berlin ● Ticciati

Beethoven – Sibelius

Concertos para Violino

Christian Tetzlaff

 

 

A expressão battle horse, literalmente cavalo de batalha, aparece com frequência nas críticas escritas em inglês dos álbuns de música clássica. Refere-se àquela obra que absolutamente todos os grandes (e também os não tão grandes) intérpretes registram e apresentam em seus concertos.

Pois este disco contém dois verdadeiros cavalos-de-batalha: os concertos para violino e orquestra de Beethoven e de Sibelius. Além disso, eles têm outras coisas em comum. Por exemplo, ambos não foram muito bem em suas estreias devido ao fato de que seus compositores estavam quase terminando a parte do solista nas vésperas da apresentação e os pobres intérpretes mal tiveram tempo de se preparar para apresentar suas partes. E olha que elas demandam quase tudo que um solista precisa saber.

Beethoven compôs seu concerto para violino em 1806, mas este só se firmou no repertório graças a um garoto de 12 anos: Joseph Joachim, aquele amigo de Brahms, que também produziu um cavalo-de-batalha. Brahms, não Joachim. Ele foi o solista em uma apresentação do concerto em Londres, em 1844, com acompanhamento de Mendelssohn, regendo Philharmonic Society. Mendelssohn foi também compositor de outra dessas maravilhosas criaturas.

Jan Sibelius compôs o seu concerto em 1904, mas como já foi dito, teve que rever a obra, que demorou um pouco para se firmar. Mas não há dúvida, como você pode ouvir nesta gravação – verdadeiro puro-sangue!

Veja como é descrito o terceiro movimento do concerto de Sibelius, intitulado Allegro ma non tanto: “este movimento é largamente conhecido entre os violinistas por suas dificuldades técnicas formidáveis e é muito conhecido como um dos maiores movimentos de concerto escrito para o instrumento. Já foi descrito como uma polonaise para ursos polares, mas tem também uma qualidade bélica que evoca um campo de batalha”. Portanto, autêntico cavalo-de-batalha. Para outra excelente interpretação do concerto de Sibelius, clique aqui.

Este disco é bastante recente, mas está sendo postado seguindo nossos estritos critérios de escolha para material digno de nossos seguidores: por ser definitivamente maravilhoso. Os intérpretes não poderiam ser melhor escolhidos. Christian Tetzlaff é um dos violinistas mais em evidência no momento e tem uma longa experiência com estes concertos. Ainda na juventude, gravou o Concerto de Beethoven com Michael Gielen e usou a cadência que também usa nesta gravação. Esta cadência foi composta pelo próprio Beethoven, para a adaptação do concerto para piano e orquestra. Note a participação dos tímpanos. E a orquestra está empolgada com a atuação de seu novo regente. Ticciati tornou-se o diretor musical da Deutsches Symphonie-Orchester Berlin bem recentemente. Assim, sem mais delongas, aos arquivos!

Com um disco destes, quem não fica de bem com a vida?

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Concerto para violino em ré maior, Op. 61

  1. Allegro moderato
  2. Larghetto
  3. Allegro

Jan Sibelius (1865-1957)

Concerto para violino em ré menor, Op. 47

  1. Allegro moderato
  2. Adagio di molto
  3. Allegro, ma non tanto

Christian Tetzlaff, violino

Deutsches Symphonie-Orchester Berlin

Robin Ticciati

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FLAC |204MB

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MP3 | 320 KBPS | 164 MB

 

Quase cem anos separam as composições destas duas obras primas, mas o que as torna verdadeiros e duradouros sucessos não é o virtuosismo que certamente exigem de seus intérpretes, mas a profundidade e a beleza dos sentimentos e da música que foram colocados nelas.

Aproveite!

René Denon

Guia de Gravações Comparadas PQP – Beethoven: Symphony no.6 in F major op.68 ‘Pastorale’

Sim, precisamos falar sobre a Pastoral.

É uma questão importante, urgente, até. Considero esta a mais difícil das sinfonias de Beethoven em termos de categorização histórica. É uma sinfonia clássica com antecipações românticas, mas também é uma sinfonia já romântica em espírito, porém clássica em forma. Seria uma obra atemporal que reivindica independência a uma classificação de estilo? Seja como for, permanece num limiar sutil entre a pura expressão sensível (quase um poema sinfônico) e a forma-sonata expandida. Entre tantas possibilidades, de certa forma algo contraditórias, mantém a Pastoral sua imponente beleza além de qualquer conflito de interpretação. Mas qual delas consegue traduzir de maneira mais plena seu espírito universal? Considero impossível haver um consenso, já que falamos de expressão sensível, mas aponto algumas gravações que entendo como referenciais para esta obra:

1.Bruno Walter, Columbia Symphony Orchestra CBS (1962)

Esta gravação já consagrada é sem dúvida uma das preferidas de público e crítica. É uma leitura sincera e espontânea, que prima pelas harmonias sutis das mudanças de tom, e preserva a orquestração clássica original, quase camerística. Um fato inusitado para a época. Walter capta o estilo bucólico sem preconceitos estilísticos, e essa honestidade de propósitos se configura numa Pastoral de universalidade emocional patente. O último movimento é de uma sutileza comovente.

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2.Herbert von Karajan, BPO DG (1962)

A contrapartida é a leitura de Karajan do mesmo ano 1962. Insípida e afetada, destoa das demais sinfonias gravadas neste ciclo também já clássico, que (re-)lançou a Filarmônica de Berlim como orquestra de excelência pelo mundo afora, depois do trauma da II Guerra. É uma interpretação bastante forçada, e muito pouco inspirada, trazendo o mesmo Beethoven titânico da V Sinfonia para esta, de caráter absolutamente diverso. Serve para estabelecer um termo de comparação bastante útil entre as leituras clássicas e românticas. A última versão da Pastoral gravada por Karajan em 1984 não é nem digna de estar neste post.

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3.Nikolaus Harnoncourt, The Chamber Orchestra of Europe TELDEC (1991)

No pioneiro auge das gravações que se pretendiam ‘históricas’ ou ‘de época’, Harnoncourt se mostra surpreendente. Na mesma pegada que outros maestros se aventuraram, notadamente John Eliot Gardiner e Christopher Hogwood, Harnoncourt é o que consegue melhor equilíbrio entre o clássico formal e o bucolismo romântico. Seus ritmos são notadamente clássicos, mas tem uma suavidade ambígua que o coloca num limiar bastante diverso de seus colegas. Gardiner e Hogwood são bem mais carregados de modismos estilísticos que se caracterizam pela leitura histórica, e Harnoncourt opta por deixar a música fluir. A Tempestade nos remete às fúrias de Gluck, e soa com ecos da tempestade e ímpeto que tanto mobilizaram os imediatos antecessores de Beethoven. É a gravação que melhor capta o que talvez teríamos escutado em sua época, combinado com as intenções descritivas pré-românticas do mestre.

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4.Karl Böhm, VPO DG (1971)

Böhm também pertence à tradição romântica alemã, da qual Karajan é seu representante mais famoso. Mas Böhm tem um diferencial: não foi diretamente afetado pela fama megalomaníaca, e se reserva por isso o direito de fazer uma leitura sincera. É um Beethoven romântico por excelência, mas nem por isso menos interessante. Pelo contrário, a sinceridade de Böhm nos contagia, deixando-nos acreditar que talvez Beethoven pudesse ser, na verdade, um romântico enrustido.

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5.Liszt Transcription – Cyprien Katsaris TELDEC (1981) 

Para quebrar a hegemonia, uma versão para piano. Esta gravação, feita em 1981 pelo pianista grego-francês Cyprien Katsaris foi, estranhamente, a primeira vez que se lançou a transcrição de Liszt. Não é uma versão qualquer, tem a marca de pelo menos dois gênios. Eu gosto muito porque realça as mudanças harmônicas que na orquestra ficam diluídas nos timbres. Aqui, a tonalidade fica em evidência, e percebe-se o quanto essa tal harmonia era cara a Beethoven. E nos mostra uma outra faceta curiosa: música boa é sempre boa, quer original ou transcrita.

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6.Kurt Masur, Gewandhausorchester Leipzig PHILIPS (1973)

Essa gravação eu conheci através da Enciclopédia Salvat dos Grandes Compositores, uma publicação espanhola que teve seus dias de glória no Brasil no final da década de 80. No início me parecia muito razoável, mas só depois que ouvi diversas outras versões (Bernstein-NYPhO, Abbado-VPO e as demais aqui descritas) é que me dei conta que é a leitura que melhor capta o clima de espírito pastoral, independente da abordagem de estilo. Andamentos suaves, dinâmica sutil, timbres bem delineados. Uma tempestade épica, um finale glorioso, faz parecer que todo o universo dança.

Ao lado da gravação de Bruno Walter, considero esta a verdadeira Pastoral. A gravação de Masur com a mesma Gewandhaus de Leipzig feita nos anos 90 não chega aos pés dessa. Confiram.

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CHUCRUTEN

Ainda mais Cordas: o Banjo (Perpetual Motion – Béla Fleck)

51ZgNDY+BULPassada em revista a parte da família das cordas que é tocada com arcos, enveredamos por um outro ramo da família com quem os arcos não falam muito, pois as salas de concerto costumam torcer-lhes os narizes: aquele das cordas dedilhadas.

Antes que me joguem os tomates, ou me perguntem por que exus eu não apus a palavrinha .:interlúdio:. ao título de uma gravação, vejam só, de banjo, de BANJO, de B A N J O! incongruentemente atirada no meio das sacrossantas interpretações dos Pollinis e Bernsteins que os blogueiros não-vassílycos publicam por aqui, bem, antes que venham os apupos, os “foras!” e que me defenestrem, eu antecipadamente me defendo: Béla Fleck é um TREMENDO músico e merece ser ouvido.

Ok, o repertório do CD é um balaio de gatos cheio de figurinhas fáceis do repertório das coleções “The Best of”, só que ele é feito sob medida para Fleck exibir com sobras seu talento. Asseguro-lhes que dificilmente ouvirão um banjo ser tocado com tanta maestria, ainda mais acompanhado por músicos do naipe de, entre outros, Joshua Bell, John Williams e Edgar Meyer. No final, para relaxar, Fleck colocou uma ótima versão bluegrass do “Moto Perpétuo” de Paganini, mas ela está claramente identificada como tal e os puristas entre vós outros poderão deletá-la antes que ela fira algum ouvido.

E, se vocês acharam interessante o Fleck ter o nome de Béla, saibam que o nome completo do cavalheiro é Béla Anton Leoš Fleck. Sim: uma homenagem ao grande Béla, àquele Anton e a este Leoš.

PERPETUAL MOTION – BÉLA FLECK

Domenico SCARLATTI (1685-1757)
01 – Sonata em Dó maior, K. 159

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
02 – Invenção a duas vozes no. 13 em Lá menor, BWV 784

Claude-Achille DEBUSSY (1862-1918)
03 – Children’s Corner, L. 113 – “Doctor Gradus ad Parnassum”

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)
04 – Mazurkas, Op. 59 – no. 3 em Fá sustenido menor

Johann Sebastian BACH
05 – Partita no. 3 em Mi maior, BWV 1006 – Prélude

Fryderyk Franciszek CHOPIN
06 – Études, Op. 10 – no. 4 em Dó sustenido menor
07 – Mazurkas, Op. 6 – no. 1 em Fá sustenido menor

Johann Sebastian BACH
08 – Invenção a três vozes (Sinfonia) em Sol maior, BWV 796

Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
09 – Souvenir d’un lieu cher, Op. 42 – no. 3: Mélodie

Johannes BRAHMS (1833-1897)
10 – Cinco estudos para piano, Anh. 1a/1 – no. 3 em Sol menor, após Johann Sebastian Bach

Johann Sebastian BACH
11 – Suíte no. 1 em Sol maior, BWV 1007 – Prelude
12 – Invenção a três vozes (Sinfonia) em Si menor, BWV 801

Niccolò PAGANINI (1782-1840)
13 – Moto Perpetuo, Op. 11

Domenico SCARLATTI
14 – Sonata em Ré menor, K. 213

Johann Sebastian BACH
15 – Invenção a duas vozes no. 6 em Mi maior, BWV 777

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
16 – Sonata no. 14 em Dó sustenido menor, Op. 27 no. 2, “Luar” – Adagio sostenuto

Johann Sebastian BACH
17 – Invenção a duas vozes no. 11 em Sol menor, BWV 782

Ludwig van BEETHOVEN
18 – Sete Variações sobre “God Save the King”, WoO 78

Johann Sebastian BACH
19 – Invenção a três vozes (Sinfonia) em Mi menor, BWV 793

Niccolò PAGANINI
arranjo de James Bryan Sutton
12 – Moto Perpetuo, Op. 11 (versão bluegrass)

Béla Fleck, banjo
Joshua Bell, violino
Gary Hoffmann, violoncelo
Evelyn Glennie, marimba
Edgar Meyer, contrabaixo
Chris Thile, bandolim
James Bryan Sutton, violão folk
John Williams, violão

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Vassily Genrikhovich

 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As 32 Sonatas para piano – John O’Conor (9/9)

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As 32 Sonatas para piano – John O’Conor (9/9)

51s2PP-lgOLE eis que chegamos ao volume que encerra esta maratona Beethoven com John O’Conor.

O critério para este CD, claro, foi um só: “sobras sortidas”. É a única explicação para justapor a curiosa e incomumente longa Sonata op. 7, de 1796, com a ótima Sonata “quasi una Fantasia” Op. 27 no. 1, injustamente eclipsada por sua irmã famosa de Opus e, acredito, obra superior em termos de arrojo e invenção. No meio delas, a pouco ouvida Sonata Op. 22, altamente estimada por Beethoven e talvez a última de suas obras mais convencionais no gênero.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

SONATAS PARA PIANO, VOL. IX – JOHN O’CONOR

Sonata no. 4 em Mi bemol maior, Op. 7

01 – Molto allegro e con brio
02 – Largo, con gran espressione
03 – Allegro
04 – Rondo: Poco allegretto e grazioso

Sonata no. 11 em Si bemol maior, Op. 22

05 – Allegro con brio
06 – Adagio con molta espressione
07 – Menuetto
08 – Rondo: Allegretto

Sonata no. 13 em Mi bemol maior, Op. 27 no. 1, “Quasi una Fantasia”

06 – Andante
07 – Allegro molto e vivace
08 – Adagio con espressione
09 – Allegro vivace

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John O’Conor, piano

Um jovem e cabeludo John
Um jovem e cabeludo John

Vassily Genrikhovich

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As 32 Sonatas para piano – John O’Conor (8/9)

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As 32 Sonatas para piano – John O’Conor (8/9)

519ZGuJ2TBLChegamos ao penúltimo CD da série e à colossal, mastodôntica, ___________ [insira aqui seu adjetivo superlativo favorito] Sonata Op. 106, vulgo “Hammerklavier”.

Como a peça dispensa apresentações, vou incorporar o espírito de alguém que nada mais tem a fazer além de chover no molhado. Escolho o de Anton Schindler, o factotum de Beethoven, notório por muito atochar em sua biografia do compositor e adulterar os cadernos de conversação que o compositor, completamente surdo, usava para se comunicar, e que serviram de base para pesquisas biográficas. Já imbuído do espírito do famoso trouxão, faço aqui algumas perguntas bestas:

– O título “Sonata für das Hammerklavier” (“sonata para o piano de martelos”) explicita o instrumento preferido do compositor numa época em que o pianoforte, o clavicórdio e o cravo eram usados para tocar as sonatas de Beethoven. Se o título também foi usado para a Sonata Op. 101, por que o apelido colou somente na Op. 106?

– Se já na Sonata Op. 90 Beethoven começou a preferir indicar o andamento e as indicações de expressão em seu alemão nativo a fazê-lo no italiano de praxe, por que na mamútica, transcendental “Hammerklavier” ele voltou a recorrer à língua do Petrarca?

– Quando descreveu a fuga final como “a tre voci, con alcune licenze” (“a três vozes, com algumas licenças”), estaria Ludwig imaginando que alguém realmente se importaria com as liberdades que tomou em relação às estritas regras da forma, em vez de se chocar, como até hoje nos chocamos, com esta mais difícil e complexa de todas as fugas para teclado???

– Será possível algum dia escutar alguma interpretação plenamente satisfatória desta obra enorme e horrendamente difícil? E, se ela já existe, qual é? (para mim, a versão de Pollini era a preferida até escutar aquela do MAGO Sokolov, que algum dia postarei aqui)

– Vocês têm interesse de escutar uma versão da “Hammerklavier” para orquestra? Ou vão me crucificar de cabeça para baixo por isso?

Cartas para a redação.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

SONATAS PARA PIANO, VOL. VIII – JOHN O’CONOR

Sonata no. 27 em Mi maior, Op. 90

01 – Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck [“com vivacidade e ao longo [de todo o movimento] com sentimento e expressão”]
02 – Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen [“não tão rápido e executado de maneira cantável”]

Sonata no. 28 em Lá maior, Op. 101

03 – Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung [“algo vivaz, com o mais profundo sentimento”]
04 – Lebhaft, marschmäßig [“vivo, como marcha”]
05 – Langsam und sehnsuchtsvoll [“lento e saudoso”] – Geschwind, doch nicht zu sehr und mit Entschlossenheit [“rápido, mas não demais, e com muita determinação”]

Sonata no. 29 em Si bemol maior, Op. 106, “Hammerklavier”

06 – Allegro
07 – Scherzo: Assai Vivace
08 – Adagio sostenuto
09 – Largo: allegro risoluto – Fuga a tre voci, con alcune licenze

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John O’Conor, piano

A única maneira que concebo - além da feitiçaria - de tocar a contento a fuga final da "Hammerklavier"
A única maneira que concebo – além da feitiçaria – de tocar a contento a fuga final da “Hammerklavier”

Vassily Genrikhovich

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia nº3 in E Flat, op. 55, ‘Eroica’, Franz Schubert (1797-1828) – Sinfonia nº 8, in B Minor, ‘Inacabada’ – Sir Malcolm Sargent, Royal Philharmonic Orchestra

NOVO LINK!!!

Nos últimos tempos eu estava procurando um boa gravação da Terceira Sinfonia de Beethoven, não sei o motivo, talvez alguma conversa com alguém conhecido, enfim. Aí encontrei em meu acervo esta belíssima gravação do saudoso Sir Malcolm Sargent, maestro inglês que foi muito famoso no seu tempo, então resolvi postá-la.

Os dois registros, tanto o de Beethoven, quanto o de Schubert, foram realizados no começo da década de 60, quando este que vos escreve ainda nem era projeto, nasci alguns anos depois. Mas em ambos os registros podemos ter uma amostra do talento de Sargent, de seu total e completo domínio da orquestra. Na Sinfonia ‘Eroica’, a ‘Marcia Funebre’ é o grande momento de qualquer maestro. Sua capacidade de articulação é fundamental para extrair destas dolorosas notas toda a sua expressividade. O tempo de execução deste movimento aqui é de 17:53, e é bem coerente, não tão longo quanto alguns outros maestros (já vi alguns que chegam ou passam dos 21 minutos na execução, enquanto outros demoram apenas dezesseis minutos, que considero rápido demais). Claro que é uma questão de gosto. Lembro de quando ouvi esta passagem na última versão que Bernstein gravou, com a Filarmônica de Viena. Eu estava em casa, passando um pano nos móveis da sala, era um dia ensolarado, eu deveria ter uns dezesseis ou dezessete anos. Coloquei o LP para tocar, e de repente, tive de sentar, tamanho o impacto que a música que causou. Fiquei sentado, ouvindo. Estava sozinho em casa, creio. Não era uma obra desconhecida para mim, já ouvira outras versões, Karajan, Klemperer ou Jochum, mas com certeza foi o Bernstein quem me derrubou. A partir de então, aquela gravação tornou-se a minha favorita. Ainda tenho o velho LP, está guardado.

A Sinfonia Inacabada foi tema de uma discussão dia destes no grupo do Whattsap do PQPBach. Encontrei na internet uma gravação em que um maestro conclui a obra, baseado em rascunhos dos dois últimos movimentos que o próprio Schubert deixou. A discussão era exatamente sobre a necessidade de sua ‘conclusão’. Consideramos a obra perfeita em seus dois movimentos, ela se completa totalmente. Claro que novamente se trata de questão de gosto, e gosto não se discute, dizem os mais antigos.

Mas vamos ver o que Sir Malcolm Sargent tem a nos dizer. Gostei muito desse CD, que faz parte de uma série de 17 CDs da série ICON, da EMI, grande parte destes CDs são dedicados aos compositores ingleses. Com o tempo, trago outras gravações.

01. Symphony No.3 in E flat Op.55 ‘Eroica’ I. Allegro con brio
02. Symphony No.3 in E flat Op.55 ‘Eroica’ II. Marcia funebre – Adagio assai
03. Symphony No.3 in E flat Op.55 ‘Eroica’ III. Scherzo & Trio – Allergro vivace
04. Symphony No.3 in E flat Op.55 ‘Eroica’ IV. Allegro molto – Poco andante – Presto
05. Symphony No.8 in B minor D759 ‘Unfinished’ I. Allegro moderato
06. Symphony No.8 in B minor D759 ‘Unfinished’ II. Andante con moto

Royal Philharmonic Orchestra
Sir Malcolm Sargent – Conductor

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FDPBach

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As 32 Sonatas para piano – John O’Conor (7/9)

51l4YSHtgNLPara a sétima estação da odisseia de John O’Conor com as sonatas de Beethoven, a Telarc resolveu reunir todas as sonatas curtinhas em um só volume.

Essas obras são tão breves que nenhuma delas chega sequer perto de durar tanto quanto o Adagio sostenuto da Sonata “Hammerklavier”, que encontraremos no volume seguinte. Meu xodó entre elas, apesar de seus singelos dois movimentos, é a Sonata Op. 78, cognominada “À Thérèse”, que é das obras-primas mais concisas de Beethoven, na bonita e incomum tonalidade de Fá sustenido maior.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

SONATAS PARA PIANO, VOL. VII – JOHN O’CONOR

Sonata no. 9 em Mi maior, Op. 14 no. 1

01 – Allegro
02 – Allegretto
03 – Rondo: Allegro comodo

Sonata no. 10 em Sol maior, Op. 14 no. 2

04 – Allegro
05 – Andante
06 – Scherzo: Allegro assai

Sonata no. 19 em Sol menor, Op. 49 no. 1

07 – Andante
08 – Rondo: Allegro

Sonata no. 20 em Sol menor, Op. 49 no. 2

09 – Allegro ma non troppo
10 – Tempo di menueto

Sonata no. 22 em Fá maior, Op. 54

11 – In tempo d’un menuetto
12 – Allegretto

Sonata no. 24 em Fá sustenido maior, Op. 78

13 – Adagio cantabile
14 – Allegro vivace

Sonata no. 25 em Sol maior, Op. 79

15 – Presto alla tedesca
16 – Andante
17 – Vivace

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John O’Conor, piano

John O'Conor e um amigo em trajes maneiros
John O’Conor e um amigo em trajes maneiros

 

Vassily Genrikhovich

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As 32 Sonatas para piano – John O’Conor (6/9)

51Vdjr-N3LLSe a Telarc não começou a série do começo, não poderíamos esperar que ela terminasse pelo fim, não é mesmo? Pois as três últimas sonatas de Beethoven aqui estão, no miolo, o que as tira do contexto como as obras culminantes do compositor para seu instrumento favorito (embora ele ainda viesse a parir as geniais Variações Diabelli). Na minha opinião, não há testamento mais impressionante de uma evolução artística do que comparar as Sonatas op. 2, redondinhas e peroladas, com a concisão visionária da Sonata Op. 111, cuja “Arietta” final inclui um trecho que já foi chamado de “proto-jazz”:

A nós outros, bem, só nos resta dizer “amém”.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

SONATAS PARA PIANO, VOL. VI – JOHN O’CONOR

Sonata no. 30 em Mi maior, Op. 109

01 – Vivace, ma non troppo – Adagio espressivo
02 – Prestissimo
03 – Tema: Molto cantabile ed espressivo – Variazioni I-VI

Sonata no. 31 em Lá bemol maior, Op. 110

04 – Moderato cantabile molto espressivo
05 – Allegro molto
06 – Adagio ma non troppo – Fuga: Allegro ma non troppo

Sonata no. 32 em Dó menor, Op. 111

07 – Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
08 – Arietta: Adagio molto semplice e cantabile

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John O’Conor, piano

Para variar um pouco, aqui não vai uma foto de John O'Conor, mas sim de Thomas Mann, cujo "Doutor Fausto" inclui um admirável capítulo em que o Prof. Kretschmar discorre, em uma palestra para a população da fictícia Kaisersachern, sobre os motivos que teriam levado Beethoven a não escrever um terceiro movimento para a Sonata Op. 111
Para variar um pouco, aqui não vai uma foto de John O’Conor, mas sim de Thomas Mann, cujo “Doutor Fausto” inclui um maravilhoso capítulo em que o Prof. Kretschmar discorre, em uma palestra para a população da fictícia Kaisersachern, sobre os motivos que teriam levado Beethoven a não escrever um terceiro movimento para a Sonata Op. 111

Vassily Genrikhovich

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As 32 Sonatas para piano – John O’Conor (5/9)

513vJOalRFLTocamos o barco, quinto CD da série – e QUE CD, amigos!

Não bastassem as três sonatas do Op. 10, sem dúvidas as primeiras obras de peso de Beethoven no gênero, ainda há a belíssima Op. 26, conhecida e apelidada em função da “Marcia funebre” do terceiro movimento, mas cujo miocárdio se encontra nas belíssimas variações de abertura.

Ah, e a Op. 10 no. 3 me parece a primeira obra-prima de Beethoven no gênero, com um “Largo” maravilhoso. Se lhe tivessem inventado um apelido tão bom quanto a “Patética” Op. 13, talvez ela fosse conhecida como merece.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

SONATAS PARA PIANO, VOL. V – JOHN O’CONOR

Sonata no. 5 em Dó menor, Op. 10 no. 1

01 – Allegro molto e con brio
02 – Adagio molto
03 – Finale: prestissimo

Sonata no. 6 em Fá maior, Op. 10 no. 2

04 – Allegro
05 – Allegretto
06 – Presto

Sonata no. 7 em Ré maior, Op. 10 no. 3

07 – Presto
08 – Largo e mesto
09 – Menuetto: Allegro
10 – Rondo: Allegro

Sonata no. 12 em Lá bemol maior, Op. 26, “Marcha Fúnebre”

11 – Andante con variazioni
12 – Scherzo: Allegro molto
13 – Maestoso andante: Marcia Funebre sulla morte d’un eroe
14 – Allegro

John O’Conor, piano

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Ao contrário dos pianistas mais jovens - sim, Lang Lang: estou olhando para você - a gente não acha fotos de O'Conor em poses de êxtase ou com cara de quem tomou chá de fita.
Ao contrário dos pianistas mais jovens – sim, Lang Lang: estou olhando para você – a gente não acha fotos de O’Conor em poses de êxtase ou com cara de quem tomou chá de fita.

Vassily Genrikhovich

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As 32 Sonatas para piano – John O’Conor (4/9)

516E1xAO8ILNo quarto CD da série, volta-se para onde se começa: lá do começo.

As três sonatas do Op. 2, são obras em estrita sonata-forma, nos quatro movimentos protocolares, com um minueto/scherzo como terceiro movimento, etc. Não é à toa que foram dedicadas a Haydn, o mais famoso compositor da época, e que fora, brevemente, professor de Beethoven. São tão bem-acabadas que até mesmo o pancadinha Glenn Gould, notório sabotador das obras de Lud Van (quem escutou sua “Appassionata” sabe do que estou falando), declarou sua admiração por elas e fez gravações razoavelmente atentas à partitura e reverentes às intenções do compositor. Creio que elas se prestem muito bem ao estilo limpo de O’Conor, que não exagera nos contrastes dinâmicos, nem procura oportunidades de bravado onde elas pouco existem.

Em outras palavras: a turma do Lang Lang vai odiar.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

SONATAS PARA PIANO, VOL. IV – JOHN O’CONOR

Sonata no. 1 em Fá menor, Op. 2 no. 1

01 – Allegro
02 – Adagio
03 – Menuetto: Allegretto – Trio
04 – Prestissimo

Sonata no. 2 em Lá maior, Op. 2 no. 2

05 – Allegro vivace
06 – Largo appassionato
07 – Scherzo: Allegretto
08 – Rondo: Grazioso

Sonata no. 3 em Dó maior, Op. 2 no. 3

09 – Allegro con brio
10 – Adagio
11 – Scherzo: Allegro
12 – Allegro assai

John O’Conor, piano

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John O'Conor a sorrir, como suas interpretações do Op. 2 de Beethoven.
John O’Conor a sorrir, como suas interpretações do Op. 2 de Beethoven.

Vassily Genrikhovich

Leonid Kogan (1924-1983) – Artist Profile

Troquei o servidor para o Google Drive. Creio que agora o pessoal vai poder baixar os arquivos sem maiores problemas.

Ah, os russos… Que podemos dizer deles quando o assunto são os grandes violinistas do passado? David Oistrakh e Leonid Kogan entre outros, eram músicos excepcionais, acima da condição normal de um ser humano, eram seres iluminados, abençoados com um dom único, o de extrair de uma caixinha de madeira com quatro cordas toda a emoção que pudesse ser exposta. Não bastava o que estava no papel, havia de se ler o que estava nas entrelinhas, subentendido.
Leonid Kogan nasceu em 1924 e faleceu em 1983, em uma estação de trem, onde ia embarcar para mais uma apresentação. Foi casado com uma irmã do grande pianista Emil Gilels, que também era violinista, e pai de outro violinista. Leonid Kogan foi um gigante absoluto do instrumento, e neste CD toca cinco peças básicas do repertório do instrumento. Senti falta do Concerto de Mendelssohn, mas tudo bem. Kogan só foi apresentado ao Ocidente em 1958, tocando exatamente o Concerto de Brahms, e fez um sucesso estrondoso.
Kogan não foi tão prolífico em termos de gravação quanto seu amigo mais velho, David Oistrakh. Mas o que gravou foi o suficiente para demonstrar todo o seu imenso talento.
A gravadora EMI contratou para essas gravações dois grandes maestros russos para acompanhar  o músico: Kiril Kondrashin e Constantin Silvestri, ou seja, nada pode dar errado quando temos estes nomes envolvidos.
Espero que apreciem, fã que sou da escola russa de violino, sei que os senhores também irão gostar.

CD 1

01. Brahms Violin Concerto in D, Op.77 – I. Allegro non troppo
02. Brahms Violin Concerto in D, Op.77 – II. Adagio
03. Brahms Violin Concerto in D, Op.77 – III. Allegro giocoso, ma non troppo vivace
04. Lalo Symphonie espagnole, Op.21 – I. Allegro non troppo
05. Lalo Symphonie espagnole, Op.21 – II. Scherzando (Allegro molto)
06. Lalo Symphonie espagnole, Op.21 – III. Intermezzo ( Allegro non troppo)
07. Lalo Symphonie espagnole, Op.21 – IV. Andante
08. Lalo Symphonie espagnole, Op.21 – V. Rondo (Allegro)
09. Tchaikovsky Serenade melancholique, Op.26

Leonid Kogan – Violin
Philharmonia Orchestra
Kiril Kondrashin – Conductor

CD 2

01. Beethoven Violin Concerto in D major, op.61 – I. Allegro ma non troppo
02. Beethoven Violin Concerto in D major, op.61 – II. Laghetto
03. Beethoven Violin Concerto in D major, op.61 – III. Rondo Allegro
04. Tchaikovsky Violin Concerto in D major, op.35 – I. Allegro moderato
05. Tchaikovsky Violin Concerto in D major, op.35 – II. Canzonetta Andante
06. Tchaikovsky Violin Concerto in D major, op.35 – III. Finale Allegro vivace

Leonid Kogan – Violin
Orchestre de la Societé des Concerts du Conservatoire
Constantin Silvestri – Conductor

CD 1 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As 32 Sonatas para piano – John O’Conor (3/9)

51glGJs6IrLMais Beethoven, mais O’Conor, mais sonatas com apelidos, e poucos deles me parecem mais incompreensíveis do que “A Caça” para a Op. 31 no. 3, que é notável pelo fato de não ter movimentos lentos. A primeira do Op. 31, que abre este disco, é das minhas preferidas: composta em 1801, em meio a uma guirlanda de obras-primas, mostra com todas as garrinhas o Beethoven ácido e inventivo das décadas seguintes. Da “Pastoral”, em Ré maior, nada se precisa dizer, até porque eu já escrevi “obra-prima” logo acima, e não pretendo ser repetitivo.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

SONATAS PARA PIANO, VOL. III – JOHN O’CONOR

Sonata no. 15 em Ré maior, Op. 28, “Pastoral”

01 – Allegro
02 – Andante
03 – Scherzo: Allegro vivace
04 – Rondo: Allegro ma non troppo

Sonata no. 16 em Sol maior, Op. 31 no. 1

05 – Allegro vivace
06 – Adagio grazioso
07 – Rondo: Allegretto

Sonata no. 18 em Mi bemol maior, Op. 31 no. 3, “A Caça”

08 – Allegro
09 – Scherzo: Allegretto vivace
10 – Menuetto: Moderato e grazioso
11 – Presto con fuoco

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Será que teremos fotos suficientes de O'Conor para completar a série???
Será que teremos fotos suficientes de O’Conor para completar a série???

Vassily Genrikhovich

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As 32 Sonatas para piano – John O’Conor (2/9)

51riUzX98dLProsseguindo a série da integral das Sonatas para piano de Lud Van com John O’Conor, alcanço-lhes o segundo tomo.

Se aqui o critério da gravadora parece ter sido outra vez selecionar sonatas com apelidos célebres, este recital resulta mais equilibrado, por conta das obras melhor buriladas. Se o movimento inicial da “Waldstein” pode soar como o desfraldar de cortinas, o “Wiedersehen” de “Les Adieux” fecha-as deixando tudo redondinho.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

SONATAS PARA PIANO, VOL. II – JOHN O’CONOR

Sonata no. 21 em Dó maior, Op. 53, “Waldstein”

01 – Allegro con brio
02 – Introduzione: Adagio molto
03 – Rondo: Allegretto moderato

Sonata no. 17 em Ré menor, Op. 31 no. 2, “Tempestade”

04 – Largo – Allegro
05 – Adagio
06 – Allegretto

Sonata no. 26 em Mi bemol maior, Op. 81a, “Les Adieux/Lebewohl”

07 – Das Lebewohl (Les Adieux): Adagio – Allegro
08 – Abwesenheit (L’Absence): Andaste espressivo
09 – Das Wiedersehen (Le Retour): Vivacissimamente

John O’Conor, piano

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"How you doin'?"
“How you doin’?”

Vassily Genrikhovich

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As 32 Sonatas para piano – John O’Conor (1/9)

51nYIa68t7LEnquanto vocês estão a me ler, eu estou a caminho do Congo, onde deverei passar uma boa parte das próximas semanas.

Sim, falo sério.

E o que vocês têm com isso?

Nada, é claro: afinal de contas, vocês só querem postagens novas, e estão pouco se lixando once Vassily está quando sua postagem nova aparece para vocês enquanto se preparam para o almoço, não é?

Bem que fazem, leitores!

Só menciono a expedição ao Congo  para justificar, de antemão, por que minhas postagens serão mais sucintas, e talvez repetitivas, ao longo deste setembro. Por ora, posso-lhes dizer que aqueles que detestam piano devem iniciar os preparativos para a urticária. Mas vocês não seriam desalmados a ponto de xingarem alguém que está no Congo, certo?

Esta integral com as Sonatas de Beethoven por John O’Conor, feita por um especialista na obra pianística do velho Ludovico, é uma gravação aclamada pela crítica. Eu a vi ser tão incensada que temi uma decepção cabal ao escutá-la, o que felizmente não aconteceu. Era a minha preferida até escutar a série com Pollini, e continua entre minhas mais queridas, junto com as de Schnabel, Gulda e Brendel (sim, vocês podem ter outras – mas estas são as minhas).

O’Conor reúne, talvez, o que as gravações do notável trio de austríacos têm de melhor, acrescentando um quê de, sei lá como chamá-la, talvez “sanguinidade”, que torna suas interpretações muito atraentes. Neste primeiro volume da série, claro, a gravadora fez questão de colocar as Sonatas mais célebres, aquelas com apelidos apelativos, para ver se seduz o ouvinte familiarizado com elas a comprar os oito volumes restantes. Ainda assim, e em que pese o som um pouco opaco da Teldec, a “Patética”, a “Luar” e a “Appassionata” são defendidas com brilho por O’Conor, cujas interpretações, aparentemente despojadas à primeira audição, só revelam riqueza e complexidade ao longo de revisitas.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

SONATAS PARA PIANO, VOL. I – JOHN O’CONOR

Sonata no. 8 em Dó menor, Op. 13, “Patética”

01 – Grave – Allegro di molto e con brio
02 – Adagio cantabile
03 – Rondo. Allegro

Sonata no. 14 em Dó sustenido menor, Op. 27 no. 2, “Luar”

04 – Adagio sostenuto
05 – Allegretto
06 – Presto

Sonata no. 23 em Fá menor, Op. 57, “Appassionata”

07 – Allegro assai
08 – Andante con moto
09 – Allegro ma non troppo

John O’Conor, piano

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O'Conor em ação
O’Conor em ação

Vassily Genrikhovich

Beethoven (1770-1828): Sinfonia No. 9 – BBC National Orchestra and Chorus of Wales – François-Xavier Roth

Beethoven (1770-1828): Sinfonia No. 9 – BBC National Orchestra and Chorus of Wales – François-Xavier Roth

 

 

 

 

 

 

François-Xavier Roth chamou minha atenção por gravar duas obras primas de Stravinsky – A Sagração da Primavera e Petruchka – com a orquestra que ele fundou em 2003, Les Siècles, usando instrumentos de época. Bem, instrumentos de época em que estas peças foram compostas. A Sagração foi estreada em 29 de maio de 1913 e Petruchka em 13 de junho de 1911. A orquestra Les Siècles é inovadora, como seu regente fundador, e usa tanto instrumentos de época como instrumentos modernos, geralmente no mesmo concerto.

Professor Xavier

François-Xavier também rege outras orquestras. Atualmente é o Gürzenich-Kapellmeister und Generalmusikdirektor der Stadt Köln, Diretor Geral de Música da cidade de Colônia. Este posto foi ocupado por Günter Wand! Além disso, é o Principal Regente Convidado da London Symphony Orchestra. É maestro convidado por muitas outras orquestras, em várias partes do mundo.

Assim, quando cruzei com este disco, saltei-lhe em cima. Reunidos aqui temos então um inovador maestro, uma obra das mais icônicas de todo repertório clássico e uma gravação ao vivo, tomada em um festival – plateia entusiasmada!

Há realmente uma sensação de ocasião em toda a interpretação, que tem algumas características das bandas do movimento HIP com as quais já ficamos bastante acostumados. Som mais transparente, com os grupos de instrumentos bem diferenciados, tímpanos bem audíveis e a música fluindo com mais tensão e urgência. A bem da verdade, devo dizer que este é o mais urgente adagio que já ouvi. Batendo em menos do que 12 minutos é mais urgente do que a gravação do Gardiner com a Orchestre Révolutionnaire et Romantique, minha referência para as gravações historicamente informadas. Portanto, se a sua praia é o Beethoven granítico do Klemperer ou Böhm (especialmente a última gravação), pode se agarrar na poltrona, segurar o chapéu e se preparar para torcer o nariz.

Mas, ao final de umas doze audições, assim como eu, começará a achar que era exatamente isso o que o Ludovico queria dizer:

Seid umschlungen, Millionen!
Diesen Kuß der ganzen Welt!

Sinfonia No. 9 em ré menor, op. 125 ‘Coral’

  1. Allegro ma non tropo e un poco maestoso
  2. Molto vivace – Presto
  3. Adagio molto e cantabile – Andante moderato
  4. Finale
Susan Gritton, soprano
Wendy Dawn Thompson, contralto
Timmothy Robinson, tenor
Matthew Rose, baixo

BBC National Orchestra and Chorus of Wales

François-Xavier Roth

Produção de Tim Thorne

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FLAC | 255 MB

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MP3 | 320 KBPS | 134 MB

Agora os contrabaixos estão descansando

A gravação feita ao vivo em 2007, no Swansea Festival, é muito boa e a plateia só aparece no fim, para aplaudir com muito entusiasmo!

O outro Professor Xavier também gostou da Nona!

Gostei muito de ouvir a Nona mais uma vez com a sensação de descobrimento. Há tempos não fazia isso! Baixe, ouça (é menos do que uma hora…), depois me conte!

René Denon

Paul is not dead: celebrando a vida de Paul Badura-Skoda (A Man and His Music – Young and Curious [1941-46])

Paul is not dead: celebrando a vida de Paul Badura-Skoda (A Man and His Music – Young and Curious [1941-46])

Há dois dias, algumas postagens em minhas redes sociais deram conta do desaparecimento, aos 91 anos, do grande Paul Badura-Skoda, o subdecano dos pianistas (pois o decano é, sem dúvidas, o incansável Menahem Pressler: noventa e seis anos, oito décadas de carreira, participações em todas as formações do Beaux Arts Trio – de Daniel Guilet a Antonio Meneses – estreia com a Filarmônica de Berlim com noventa primaveras, e que tinha um recital marcado com o jovem Badura-Skoda para o mês passado, e que foi cancelado por indisposição do garoto austríaco). Imediatamente, comecei a escrever uma postagem lamentando o fato e celebrando a longa vida artística e, particularmente, o prolífico legado de Paul, fartamente registrado em gravações ao longo de sete décadas, muitas delas, como notou nosso colega Pleyel, em instrumentos de época, antes que esta prática entrasse em voga.

O sono me chamou, e a postagem jazeu incompleta, o que me poupou-me do vigoroso constrangimento de publicá-la só para depois constatar, com alegre cara de tacho, que, assim como acontecera com Mark Twain  e das muitas teorias a darem conta de que Sir James Paul is no more, os rumores da morte do Paul austríaco foram grandemente exagerados.

Ainda bem.

Com votos de que o notável vienense se recupere prontamente, deixo-lhes o primeiro duma série de discos comemorando seu septuagésimo quinto aniversário – efeméride que, como veem, já fez seu baile de debutantes. Nele, Paul – adolescente e adulto jovem – deixa-nos alguns bombons, tanto em leituras do repertório tradicional para o piano, em peças a que voltaria dezenas de vezes, quanto em gravações para o acordeão, o instrumento favorito na família Skoda – uma delas, o arranjo para a abertura de La Gazza Ladra, que dedica à mãe pelo seu dia.

Gute Besserung, und komm schnell wieder auf die Beine!

PAUL BADURA SKODA – A MUSICAL BIOGRAPHY – 75h BIRTHDAY TRIBUTE – CD1

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
O Cravo bem Temperado, livro 1: Prelúdio e Fuga em Dó sustenido menor, BWV 849
01 – Prelúdio
02 – Fuga

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sonata para piano no. 21 em Dó maior, Op. 53, “Waldstein”
03 – I. Allegro con brio

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)
04 – Barcarola em Fá sustenido maior, Op. 60
05 – Fantasia em Fá menor, Op. 49

Hans Ulrich STAEPS (1909-1988)
06 – Pan Pan

Louis GRUENBERG (1884-1964)
07-12 Six Jazz Epigrams

Billy GOLWYN (?-?)
13 – Verbena

Leopold MITTMANN (1904-1976)
14-16 Jazz Babies

Gioachino Antonio ROSSINI (1792-1868)
17 – La gazza ladra: Abertura

Pietro FROSINI (1885-1951)
18 – Serenade italienne

Hermann SCHITTENHELM (1893-1979)
19 – Der Eislaufer (The Ice Skater)

Josef SCHNEIDER (1866-1940)
20 – Tarantella

21 – Entrevista com Paul Badura-Skoda (em alemão)

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Vassily Genrikhovich

“O piano não consegue respirar naturalmente – o pianista tem que insuflar vida no piano” – por isso que Paul também toca, como faz nesta gravação, o acordeão.

Concert of the Century: Celebrating the 85th Anniversary of Carnegie Hall (1976)

61YHCGMSB4L._SX425_“Concerto do Século” é um título bastante presunçoso para esta gravação da celebração dos 85 anos (jubileu esquisito, né?) do Carnegie Hall em Nova York, e que eu comprei no Carrefour nos anos 90.

Os talentos reunidos talvez justifiquem a presunção: afinal, se hoje Leonard Bernstein, Isaac Stern, Yehudi Menuhin, Vladimir Horowitz, Slava Rostropovich e Dietrich Fischer-Dieskau provavelmente estão, entre uma piada e outra de Slava, a fazer música no Olimpo, no tempo em que eles repartiam conosco o ar pestilento do Hades era bem difícil vê-los repartindo um palco.

O repertório é um saco de gatos difícil de entender, cujo único critério de eleição, parece, era o da Roda da Fortuna. Talvez quisessem apenas achar pretextos para reunir o notável panteão musical e ganhar dinheiro com isso – a edição de luxo da gravação, por exemplo, limitada a mil exemplares e autografada pelos artistas, ainda pode trocar de mãos pela ninharia de duas mil e trezentas doletas.

Essa, no entanto, é uma questão que empalidece quando imaginamos o espetáculo sui generis que não deve ter sido assistir aos célebres instrumentistas cantando (!) o Hallelujah de Händel que encerra o festim musical. Não conseguimos, em momento algum, discernir suas vozes em meio ao coro e, por isso, provavelmente devamos à Oratorio Society e à Filarmônica de New York nossos efusivos agradecimentos.

Ver Horowitz soltando um dó de peito certamente foi uma das trombetas do Apocalipse, mas o fechamento meio bizarro do concerto não condiz com algumas das belezas nele contidas. Ok, o Concerto Duplo de Bach com Stern e Menuhin é decepcionante, meio cru e cheio de arestas, e também fica difícil entender por que o “Pater Noster” à capela de Tchaikovsky está ali, perdido entre Bach e Händel. No entanto, o “Pezzo Elegiaco” que abre o belo Trio em Lá menor de Tchaikovsky (com Stern, Horowitz e Rostropovich) e o Andante da Sonata para violoncelo e piano de Rachmaninov (com Rostropovich e Horowitz) são tão bons que a gente fica cá com os botões a se perguntar por que diachos deles foram tocados só excertos.

O ouro maciço, entretanto, está no MA-RA-VI-LHO-SO “Dichterliebe” de Schumann, na voz de seu maior intérprete, Dietrich Fischer-Dieskau, e com Horowitz ao piano. Não conseguiríamos tecer loas bastantes à maior voz do século XX, então concentramos nossos confetes sobre Horowitz, que não só acompanha impecavelmente como também acrescenta tensão e lirismo a momentos cruciais. Para mim, esta é disparadamente a melhor gravação que existe desta obra-prima do gênero, e tenho certeza de que, se fosse lançada separadamente e não escondida neste saco de gatos de pedigree, seria um sempiterno sucesso.

CONCERT OF THE CENTURY – CELEBRATING THE 85th ANNIVERSARY OF CARNEGIE HALL

Gravado ao vivo em 18 de maio de 1976

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

01 – Abertura “Leonore”, Op. 72a

New York Philarmonic
Leonard Bernstein, regência

PYOTR ILYCH TCHAIKOVSKY (1840-1893)

02 – Trio em Lá menor para violino, piano e violoncelo, Op. 50 – Pezzo elegiaco

Isaac Stern, violino
Vladimir Horowitz, piano
Mstislav Rostropovich, violoncelo

SERGEY VASSILIYEVICH RACHMANINOV (1873-1943)

03 – Sonata em Sol menor para violoncelo e piano, Op. 19 – Andante

Mstislav Rostropovich, violoncelo
Vladimir Horowitz, piano

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CD2

ROBERT SCHUMANN (1810-1856)

01 – Dichterliebe, Op. 48, ciclo de canções sobre poemas de Heinrich Heine

Dietrich Fischer-Dieskau, barítono
Vladimir Horowitz, piano

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)

Concerto em Ré menor para dois violinos, orquestra de cordas e baixo contínuo, BWV 1043

02 – Vivace
03 – Largo ma non tanto
04 – Allegro

Isaac Stern e Yehudi Menuhin, violinos
New York Philarmonic
Leonard Bernstein, cravo e regência

PYOTR ILYCH TCHAIKOVSKY (1840-1893)

05 – Nove Peças Sacras – Pater Noster

The Oratorio Society
Lyndon Woodside, regência

GEORG FRIEDRICH HÄNDEL (1685-1759)

06 – Messiah, Oratório HWV 56 – no. 42, coro: “Hallelujah”

Isaac Stern, Yehudi Menuhin, Vladimir Horowitz, Mstislav Rostropovich, Leonard Bernstein, Dietrich Fischer-Dieskau, vozes
The Oratorio Society
New York Philarmonic
Leonard Bernstein, regência

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Menuhin, Slava, Volodya, Bernstein e Stern cantam, e Fischer-Dieskau pergunta-se como veio parar no meio do pior coro do mundo.

Vassily