História da Música Brasileira – Episódio 10 de 10: Romantismo e patriotismo: afinal, somos brasileiros?

rvxbwwDécimo e último episódio da série História da Música Brasileira, criada em 1999. Esta série teve a  participação de Vox Brasiliensis Coro e Orquestra, dirigida por Ricardo Kanji, e participação especial, nos episódios 8, 9 e 10, da Sinfonia Cultura, da Fundação Padre Anchieta, dirigida por Lutero Rodrigues.


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EPISÓDIOS DA HISTÓRIA DA MÚSICA BRASILEIRA

Os temas dos 10 programas são os abaixo e estão disponíveis aqui:

1. Introdução e primeiros tempos da música no Brasil
2. A música setecentista no Brasil
3. A música no período áureo de Minas Gerais
4. Ouro, diamantes e música em Minas.
5. Padre José Maurício Nunes Garcia: um brasileiro nos ouvidos da Corte
6. A música da Independência.
7. Saraus, danças e intimidades: A música no Brasil no século XIX
8. Carlos Gomes: o emblema da ópera no Brasil
9. Romantismo: um Brasil para poucos
10. Romantismo e patriotismo: afinal, somos brasileiros?

HISTÓRIA DA MÚSICA BRASILEIRA
Episódio 10 – Romantismo e patriotismo: afinal, somos brasileiros?

Paulo Castagna

O décimo e último episódio de História da Música Brasileira aborda a Belle Èpoque brasileira, um período situado entre as últimas décadas do século XIX e primeiras do século XX e caracterizado pela criação de uma cultura urbana baseada no ideal europeu (principalmente francês) de civilização. Além da adoção do romantismo franco-germânico no repertório dos teatros e escolas de música, proliferaram-se, nas danças de salão dessa fase, a abordagem da música popular a partir do olhar europeu, ou seja, como manifestação exótica de uma população inculta, mas que poderia ser civilizada pela arte do Velho Mundo. Como exemplos de tais tendências, o programa apresenta obras de Alberto Nepomuceno (Fortaleza, 1864 – Rio de Janeiro, 1920), Brasílio Itiberê da Cunha (Paranaguá, 1846 – Curitiba, 1913) e Alexandre Levy (São Paulo, 1864-1892).

Veja abaixo o Episódio 10 – Romantismo e patriotismo: afinal, somos brasileiros?, que também pode ser visto no Youtube em http://www.youtube.com/user/HistoriadaMB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
Vídeo mp4 – 167,2 Mb – 28 min

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Nossos agradecimentos ao musicólogo Prof. Paulo Castagna (http://paulocastagna.com), um dos criadores desta série,  por nos ter incentivado nesta empreitada e cedido os áudio-visuais para postarmos. Não tem preço !!! Valeu !!!
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Avicenna

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Arthur Moreira Lima interpreta Brasílio Itiberê (1846 – 1913)

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Brasílio Itiberê nasceu na cidade litorânea de Paranaguá, sendo filho de João Manuel da Cunha e de Maria Lourenço Munhoz da Cunha. Fez os estudos primários em sua terra natal e sua iniciação musical foi ao piano, aprendendo na casa dos seus pais. Já pianista renomado na juventude, transfere-se para a capital paulista para cursar a faculdade de direito, efetuando, nesta cidade, vários concertos. Após obter o diploma de Bacharel em Direito ingressa na carreira diplomática atuando no corpo diplomático em vários países, como: Itália, Peru, Bélgica, Paraguai e na Alemanha.

Sem deixar a música de lado, Brasílio teve relações de amizade com alguns dos maiores pianistas de seu tempo, como Anton Rubinstein, Sgambatti e Liszt.

Considerado um dos precursores do nacionalismo, foi um dos primeiros a inspirar-se em motivos populares e a imprimir à sua obra características nitidamente brasileiras.

Compôs música de câmara e coral, além de peças para piano. Sua Rapsódia Sertaneja o popularizou, especialmente pela célebre canção “Balaio, meu bem, Balaio”.

A sua composição mais conhecida é, sem dúvida, “A Sertaneja” de 1869.

Foi nomeado embaixador em Portugal, porém, morreu antes de assumir a função. Faleceu na capital alemã no dia 11 de agosto de 1913, numa segunda-feira, aos 67 anos de idade.

Uma das muitas homenagens ao autor de “A Sertaneja” está na capital paranaense que denominou uma das suas vias de Rua Brasílio Itiberê.
(extraído da Wikipedia)

BRASÍLIO ITIBERÊ (1846–1913), UM ABOLICIONISTA FERRENHO. E CHORÃO!

Participou ativamente da Campanha Abolicionista, tomando parte em concertos, como pianista e compositor, ainda cooperando para a alforria de escravos (Bruno Kiefer)

… um músico engajado politicamente pela liberdade daqueles que formaram a cultura do Brasil (Fausto Borém e Mario Luiz Marochi Junior)

Quando Arthur Moreira Lima gravou Brazílio Itiberê – quase um disco inteiro (CD disponibilizado com a autorização de Arthur Moreira Lima) – uma injustiça secular se desfazia: excetuando A Sertaneja, pouquíssima coisa dele foi gravada (conhecia-se apenas duas peças gravadas: Noturno (Ana Cândida LP Funarte 1981 – gravação original Rádio MEC 1961) e Protetor Exu (Arnaldo Estrella Antologia de Música Erudita Brasileira  – Selo Festa 1968).

Se por um lado há uma polêmica entre os estudiosos de sua obra – se “erudita” ou “ligeira” (http://www.revistas.ufg.br/index.php/musica/article/view/6007/4638) – e essa discussão não vem ao caso aqui, por outro, e isso nos interessa, não existe a menor dúvida de que ela encarna a alma do choro na sua essência mais profunda.

Nascido quase 20 anos antes de Ernesto Nazareth, poderá ser facilmente confundido com ele pelo estilo em peças como Noturno, por exemplo. Peguemos um dicionário: languidez, sensualidade, entorpecimento, arrebatamento, romantismo exacerbado, aquela coisa esparramada, em outras palavras, o espírito da valsa nazarethiana ou deste Noturno de Itiberê.

Tal como Pássaros em Festa de Nazareth, Noturno começa anunciando algo chopiniano. Mas o que vem a seguir nada mais é do que uma sequência de frases ultra chorosas, semelhantes entre si, alteradas subsequentemente pela harmonia que se desenvolve. Como em Coração que Sente do mesmo Nazareth.

Alguém pouco afeito à música brasileira e muito à Chopin, vai achar esta forma de compôr, no mínimo, uma mera imitação do compositor polonês e ainda por cima piegas.

Na verdade é impossível compreender inteiramente o caráter dessas composições sem mergulhar no âmago do sentimento característico do Brasil. Forçando um paralelo com o cinema, é comum não se compreender um filme como Zabriskie Point de Antonione onde nada acontece. Porém, os jovens espectadores sabiam exatamente o que se passava no imaginário daquela geração retratada no filme, daí, não ser para eles um filme parado, mas ao contrário, intenso até demais.

É preciso dizer também que Brasílio Itiberê nunca foi chorão como foi Nazareth ou Villa-Lobos. Mas foi sim no sentido lato da palavra. Uma pergunta sempre vem à mente quando peças de diversos compositores que mal tem a ver com o choro são objeto de arranjos para conjunto de choro. Sim, é super válido, mas há uma gama de compositores clássicos brasileiros que compuseram choros e valsas (ou peças de outro gênero mas que são choros no fundo) de rara beleza que estão dando sopa por aí. E este é o caso de Brasílio Itiberê.

Passemos ao abolicionista e ao nacionalista. A Sertaneja é tida como a primeira obra erudita brasileira de cunho nacionalista – ou como bem diz Bruno Kiefer, “início de um movimento contínuo e orgânico de busca consciente, da auto-afirmação nacional.” Tudo indica que sua militância político-social-musical nasceu de um exercício puramente intelectual, como Alexandre Levy, Alberto Nepomuceno e ao contrário de Francisco Braga, Villa-Lobos ou Francisco Mignone que vivenciaram de perto as manifestações populares. Citando Helza Camêu, Bruno Kiefer reflete que foi após seu ingresso na Faculdade de Direito de São Paulo que tomou contato com “lundus e modinhas, música de salão, marcada por características brasileiras” bem ao gosto dos estudantes da época.

Neste caminho, Brasílio Itiberê teria privilegiado demais o lado popularesco em detrimento do lado erudito a ponto de motivar uma afirmação surpreendente, partindo-se de um mestre como Bruno Kiefer: “O que salvou o nome do autor foi A Sertaneja.”

Fausto Borém e Mario Luiz Marochi Junior em um estudo soberbo, discordam frontalmente desta idéia e pedem uma nova abordagem à obra de Brasílio Itiberê(http://www.revistas.ufg.br/index.php/musica/article/view/6007/4638).
(Adaptado de: http://blogdochoro2.zip.net/arch2010-01-31_2010-02-06.html)

Obs:- Brasílio Itiberê da Cunha Luz, seu sobrinho (Curitiba, 17 de Maio 1896-Rio de Janeiro, 10 de Dezembro 1967), foi um compositor brasileiro.

Brasílio Itiberê da Cunha (Paranaguá, PR, 1846-Berlim, 1913)
01. A sertaneja, fantasia característica sobre temas brasileiros, Op. 15 (1869)
02. Poème d’amour, fantaisie, Op. 22
03. Étude de concert d’après E. Bach, Op. 33
04. Caprices à la mazurka, No. 3, Op. 32
05. Une larme (Uma lágrima), méditation, Op. 19 (1869)
06. Grande mazurca de salão, Op. 41
07. A Serrana, fantasia característica
08. La Dahabieh (La Gondole du Nil), barcarolle da Suite “Nuits Orientales”, op.27

Louis Moreau Gottschalk (1829-1869)
09. Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, Op. 69

Arthur Moreira Lima interpreta Brazílio Itiberê – 1995

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 320 kbps – 158,7 MB – 1,1 h
powered by iTunes 9.2

Boa audição.

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Avicenna

BONUS: 17 min de um vídeo espetacular mostrando Belo Horizonte em 1949! AQUÍ
Veja a casa em que Brasílio Itiberê morou em Paranaguá, AQUÍ

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