Cage, Cowell, Lundquist & Taïra: Música para Percussão

Cage, Cowell, Lundquist & Taïra: Música para Percussão

IM-PER-DÍ-VEL !!! Mas só para quem, como eu, curte os modernos.

Um belo ex-LP de música para percussão com os suecos do Kroumata, grupo fundado em 1978 e ainda ativo, com mais de 20 álbuns gravados. É claro que John Cage (1912-1992) domina o repertório com sua obra de quase sete minutos, mas a peça de Taïra (1937-2005) também é muito intrigante ao acoplar gritos dos instrumentistas, que parecem estar praticando artes marciais. Eu gostei demais de ouvir o Kroumata. Porém, se você é conservador em música, fuja deste post agora. Correndo!

Cage, Cowell, Lundquist & Taïra: Música para Percussão

John Cage (1912 – 1992)
1) Second Construction (1940) for four players [6:44]
Henry Cowell (1897 – 1965)
2) Pulse (1939) for five players [3:53]
Torbjörn Iwan Lundquist (1920 – 2000)
3) Sisu (1976) for six percussions [9:20]
Yoshihisa Taïra (1938 – 2005)
4) Hierophonie V pour six percussionnistes [19:32]

Kroumata Percussion Ensemble

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

O grupo sueco manda ver.

PQP

.: interlúdio (ou não) :. Shani Diluka: Route 66 (American Piano Music)

.: interlúdio (ou não) :. Shani Diluka: Route 66 (American Piano Music)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um belo disco difícil de definir: é jazz ou erudito? Bem, na verdade eu nem noto mais a diferença. Ouço ambos os gêneros indistintamente. A pianista Shani Diluka, nascida no Sri Lanka, chama seu recital de 18 peças de compositores e improvisadores norte-americanos de Route 66. Nas anotações que vêm junto ao CD, ela liga cada peça a uma passagem de On the Road, de Jack Kerouac, embora a calma que prevalece na maioria das canções dificilmente evoque a narrativa contundente do romance. Ela demonstra um colorido maior do que normalmente se ouve dos chamados especialistas em música contemporânea. Isso é bom, claro. Porém, na maioria das peças líricas, no entanto, a dinâmica suave retrocede e murcha quase a ponto de desaparecer, especialmente quando Diluka faz diminuendos. Mas o saldo final é altamente positivo. A pianista é excelente e o repertório fantástico.

Deixem eu contar uma história rapidinha para vocês. Certa vez, estava em Londres e fui assistir a um concerto sensacional onde um conhecido pianista interpretaria um Concerto de Mozart. Ele tocou maravilhosamente e foi muito aplaudido. Voltou três vezes ao palco. O pedido por um bis era óbvio. Então ele ergueu os braços e pediu silêncio. Disse que no dia anterior substituíra outro pianista que caíra doente. Tivera que ir até Praga para fazer o Concerto Nº 1 de Brahms. Estava no contrato. Na volta, o avião atrasara. Contou que estava cansadíssimo e que ia dar o bis tocando a peça que costumava tocar à noite, quando estava em casa e queria relaxar para dormir. E anunciou: “Vamos relaxar juntos. Vou tocar Peace Piece, de Bill Evans. Espero que vocês não durmam”. A ultra civilizada e culta plateia londrina, em vez de aplaudir, fez aquele som misto de aplausos e Uh, Uh! típicos dos concertos de jazz. Melhor cidade do mundo.

Shani Diluka: Route 66 (American Piano Music)

1 China Gates
Composed By – John Adams
4:40
2 My Wild Irish Rose
Arranged By – Keith Jarrett
5:05
3 Lullaby
Composed By – Percy Grainger
5:06
4 Pas De Deux
Composed By – Samuel Barber
3:59
5 Young Birches
Composed By – Amy Beach*
2:38
6 Waltz For Debby
Composed By – Bill Evans
2:10
7 Etude No. 9
Composed By – Philip Glass
2:17
8 For Felicia Montealegre
Composed By – Leonard Bernstein
1:59
9 In A Landscape
Composed By – John Cage
6:18
10 I Love Porgy
Arranged By – Keith Jarrett
Composed By – George Gershwin
5:10
11 Interlude
Composed By – Leonard Bernstein
1:36
12 Chandeliers
Composed By – Hyung-Ki Joo
6:26
13 Danza De La Mozo Donosa
Composed By – Alberto Ginastera
3:23
14 For Aaron Copland
Composed By – Leonard Bernstein
1:06
15 Piano Blues No. 1 “For Leo Smit”
Composed By – Aaron Copland
2:22
16 Peace Piece
Composed By – Bill Evans
7:05
17 Love Walked In
Arranged By – Percy Grainger
Composed By – George Gershwin
4:29
18 What Is This Thing Called Love
Arranged By – Raphaël Merlin
Composed By – Cole Porter

Piano – Shani Diluka
Vocals – Natalie Dessay (faixa 18)

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Diluka: às vezes delicada demais, mas com alto saldo positivo

PQP

Antoine Beuger (1955): Dialogues (Silences) / John Cage (1912-1992): Music for One — Música para Clarinete Solo

Antoine Beuger (1955): Dialogues (Silences) / John Cage (1912-1992): Music for One — Música para Clarinete Solo

MI0001497323Antoine Beuger usa ideias de Cage para fazer sua ultra provocativa obra Dialogues (Silences), de 1993Em termos de música aleatória, não poderia ser melhor. São poucas notas emitidas pelo clarinete, entremeadas de longos silêncios. Parece haver vários 4`33 dentro de Dialogues. Posso imaginar a reação do público e a calma necessária ao clarinetista. O que pensava Cage? Ora, questionando o paradigma da música ocidental, que explicava a música como uma série ordenada de notas, Cage se voltou para o silêncio de forma eminentemente conceitual. Todos os mínimos ruídos, comuns em salas de espetáculos, criam a aura de um happening, provocando o público e fazendo com que uma execução pública seja diferente da anterior e de contornos inesperados. Depois temos uma obra do próprio Cage, Music for One (1984), que parece até menos radical que a anterior. Na boa, eu curti o disco, mas não é para qualquer um, Tem que gostar de modernismos, estranhamentos e experimentações.

Antoine Beuger
1 Dialogues (Silences) 35:41

John Cage
2 Music For One 29:43

Clarinet – Jürg Frey

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

É, né?
É, né?

PQP

C. P. E. Bach, John Cage, Tigran Mansurian, Franz Liszt, Michail Glinka, Frédéric Chopin, Valentin Silvestrov, Claude Debussy e Béla Bartók: Alexei Lubimov — Der Bote — Elegias para Piano

C. P. E. Bach, John Cage, Tigran Mansurian, Franz Liszt, Michail Glinka, Frédéric Chopin, Valentin Silvestrov, Claude Debussy e Béla Bartók: Alexei Lubimov — Der Bote — Elegias para Piano

61fyfAw73OL._SS500IM-PER-Dí-VEL !!!

Maravilhoso disco formado por dez peças menores de compositores que apenas se unem por terem sido vanguardistas em seu tempo. Num recital que abarca 3 séculos, o pianista Lubimov dá uma aula sobre como montar um repertório erudito. Inicia com uma daquelas estranhas Fantasias do mano CPE que, para falar com a inteligência de Maitê Proença, é tudo di bom. Numa demonstração de parentesco inteiramente provocativa, mas pertinente, Lubimov dá seguimento ao recital com In a landscape, de John Cage. É notável como ambas combinam. E depois ele segue adiante com uma série de peças meditabundas. O mosaico fica lindo. O CD é da ECM. Com efeito, Manfred Eicher veio ao mundo para viabilizar as idéias mais doidas dos artistas. E para nos mostrar fatos nunca dantes pressentidos.

Alexei Lubimov – Der Bote

1 Carl Philipp Emanuel Bach: Fantasie für Klavier f-Moll
2 John Cage: In a landscape
3 Tigran Mansurian: Nostalgia
4 Franz Liszt: Abschied
5 Michail Glinka: Nocturne f-Moll “”La séparation””
6 Frédéric Chopin: Prélude c-Moll op. 45
7 Valentin Silvestrov: Elegie
8 Claude Debussy: Elégie
9 Béla Bartók: Vier Klagelieder op. 9a, Nr. 1
10 Valentin Silvestrov: Der Bote

Alexei Lubimov, Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Grande Lubimov!
Grande Lubimov!

PQP

John Cage (1912-1992): Music for Prepared Piano (Vol. 2)

John Cage (1912-1992): Music for Prepared Piano (Vol. 2)

As fotografias denunciam e a música comprova: John Cage foi um sujeito talentoso, alegre e feliz. Se você não é absolutamente conservador em matéria musical, deve ouvir as obras deste CD e do anterior, de Cage, que postamos. São peças coloridas e interessantes do cara que criou a coisa mais estapafúrdia e intrigante de todos os tempos, 4`33″. O piano preparado de Cage, neste CD e no anterior, aparece em timbres realmente inusitados. Sua música talvez deixe corado alguns minimalistas, Quem ouvir saberá dizer por quê.

Aqui, uma interessante versão de 4’33” — em transcrição para grande orquestra — para o povo pequepiano (próximo dos 3 min o maestro faz uma piada). Mais de 1,3 milhão de pessoas já assistiram o filme no youtube, gravado no Barbican Center, em Londres:

https://youtu.be/zY7UK-6aaNA

John Cage (1912-1992): Music for Prepared Piano (Vol. 2)

1. The Perilous Night: No. 1. – 2:32
2. The Perilous Night: No. 2. – 0:54
3. The Perilous Night: No. 3. – 4:16
4. The Perilous Night: No. 4. – 1:19
5. The Perilous Night: No. 5. – 0:44
6. The Perilous Night: No. 6. – 3:42
7. Tossed as it is Untroubled 3:04
8. Daughters of the Lonesome Isle 9:30
9. Root of an Unfocus 4:57
10. Primitive 4:28
11. Mysterious Adventure 8:15
12. And the Earth shall Bear Again 3:29
13. The Unavailable Memory of 4:08
14. Music for Marcel Duchamp 5:05
15. Totem Ancestor 2:05
16. A Room 2:03
17. Prelude for Meditation 1:02

Boris Berman, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Cage: talentoso e feliz
Cage: talentoso e feliz

PQP

John Cage (1912-1992): Sonatas and Interludes for Prepared Piano (Vol. 1)

John Cage (1912-1992): Sonatas and Interludes for Prepared Piano (Vol. 1)

Roubado daqui. Reportagem de Irinêo Baptista Netto.

Uma lupa descansa sobre a mesa a alguns metros do piano. “Este é o nosso instrumento de trabalho”, diz a pianista Vera Di Domênico, pegando a lente de aumento para mostrar as anotações feitas à mão por John Cage (1912-1992) na fotocópia da partitura de Sonatas e Interlúdios, peça a ser tocada na íntegra pelas pianistas Grace Torres e Lilian Nakahodo no palco do Teatro HSBC.

(…)

Por algum motivo obscuro, poucos se dispõem a enfrentar a obra de John Cage.

O compositor norte-americano, um dos homens que debulharam a música erudita no século 20 – e poucos foram capazes disso –, explorou o silêncio como ninguém antes dele. Defendia uma música permeada pelos sons cotidianos e chegou a criar mecanismos como o “piano preparado” para dar conta daquilo que tinha em mente.

Sonatas e Interlúdios é a composição mais famosa de Cage para o “piano preparado”, criada entre 1946 e 1948. Ele não permitiu que passassem suas anotações a limpo e cabe aos músicos desvendarem as partes mais ambíguas do registro, feito com bico de pena (o que explica a lupa).

O “piano preparado” parece um objeto de ficção científica. Das cordas do instrumento, pendem parafusos, pedaços de plástico e até uma típica borracha escolar, meio vermelha e meio azul. É um instrumento saído da imaginação de um doutor Frankenstein – neste caso, Cage.

Uma “bula” acompanha a partitura de Sonatas e Interlúdios, com indicações minuciosas sobre onde encaixar cada um dos objetos. Ao todo, 45 notas são alteradas e o resultado deixa de ser um piano para se tornar outro instrumento, mais percussivo, que remete às orquestras de gamelão da Indonésia. Uma hipótese para a resistência dos músicos a Cage é exatamente essa transformação que arranca o pianista de sua zona de conforto.

“[A música de Cage] diz muito do momento atual, do ser humano de hoje”, diz Vera, e emenda uma comparação. “Você pode sair na rua com uma roupa do século 17. Uma roupa linda que você gosta, mas ela é de outra época. O mesmo serve para a música. Se você me perguntar se gosto de Beethoven… Eu adoro! Assim como adoro Cage.”

Há pelo menos duas décadas que Vera pensa em levar Sonatas e Interlúdios para o palco. Lilian e Grace se tornaram alunas dela em parte pelo interesse da professora nos compositores contemporâneos. Numa conversa cerca de dois anos atrás, surgiu a ideia de um projeto para oferecer às leis de incentivo. Vera se lembrou de Cage no ato.

“Para o Cage, a música não pode se alienar dos sons da vida”, diz Grace. Seu primeiro contato com a obra do norte-americano foi por meio de um livro de poesia, embora ele não seja lembrado como poeta. Amigo do pintor Jackson Pollock (1912-1956), que parecia fazer com a artes plásticas o que Cage fazia com a música, o compositor causou um forrobodó com 4’33’’, uma peça de 4 minutos e 33 segundos de duração em que não há uma nota sequer. Uma proposta extravagante, sem dúvida.

“Apesar dos parafusos, a música de Cage [Sonatas e Interlúdios] leva as pessoas a pensarem em imagens delicadas, de vidros e de água”, diz Lilian, citando as reações daqueles que tiveram chance de ouvir os ensaios.

Para Grace, a irreverência de Cage era uma característica memorável. Ele foi um dos primeiros a fazer a “música do acaso” (chance music), explorando a aleatoriedade, uma noção que se insinua no “piano preparado” – pois cada instrumento produz sons diferentes depois da inserção da parafernália citada na “bula”.

“O que ouvi no ensaio, apesar de minha cultura a respeito das gravações já existentes dessa obra ser limitada, me deu a certeza de estar diante de uma execução perfeita, em alto nível técnico e de excelência interpretativa”, escreveu o músico e historiador André Egg, professor Faculdade de Artes do Paraná, no blog Amálgama. “O que vi foi uma coisa impressionante.”

São 16 sonatas e quatro interlúdios que somam 70 minutos, divididos entre Lilian e Grace, que deverão usar um figurino desenhado para o espetáculo. Será uma das poucas ocasiões em que os músicos não deverão se incomodar com uma tosse ocasional, ou outros barulhos vindos da plateia. Ao menos em tese, a música de Cage é capaz de incorporar todos os sons não previstos na partitura.

John Cage (1912-1992): Sonatas and Interludes for Prepared Piano (Vol. 1)

1. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 1 3:10
2. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 2 2:32
3. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 3 2:26
4. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 4 2:06
5. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: First Interlude 3:29
6. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 5 1:51
7. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 6 2:28
8. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 7 2:31
9. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 8 2:54
10. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Second Interlude 4:03
11. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Third Interlude 2:17
12. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 9 4:27
13. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 10 4:08
14. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 11 3:39
15. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 12 3:33
16. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Fourth Interlude 2:47
17. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 13 3:57
18. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 14 and No. 15, ‘Gemini’ (after the work by Richard Lippold) 6:21
19. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 16 4:47

Boris Berman, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Cage, parafusos, durex, sonatas
Cage, parafusos, durex, sonatas

PQP

John Cage (1912-1992): The Seasons e outras peças

John Cage (1912-1992): The Seasons e outras peças

Este disco surpreendente e extraordinário é, pensamos, a melhor coleção de música de John Cage em catálogo. Ele é o mais geral. Demonstra o radicalismo do compositor, bem como o seu humor, tudo isso em várias fases. As obras são também são muito diferentes entre si. É muito bom ouvir a Suite for Toy Piano (1948) , que emprega apenas as teclas brancas em uma única oitava, e a versão belamente orquestrada que se segue (escrita por Lou Harrison, um amigo de Cage, em 1963). Mas três das obras-primas absolutas de Cage também estão aqui: a misteriosa Seventy-Four (1992) , a música para balé The Seasons (1947) e o fascinante Concerto para Piano Preparado e Orquestra de Câmara (1950-51). Muito do que você precisa saber sobre John Cage está aqui. No mais, ouça 4´33, o auge do radicalismo e ironia.

John Cage (1912-1992): The Seasons e outras peças

01. Seventy-Four (Versoin I) (12:15)

02. The Seasons – Prelude I, Winter (03:12)
03. The Seasons – Prelude II, Spring (03:43)
04. The Seasons – Prelude III, Summer (05:51)
05. The Seasons – Prelude IV, Fall (03:52)

06. Concerto for Prepared Piano and Orchestra – First Part (08:08)
07. Concerto for Prepared Piano and Orchestra – Second Part (08:09)
08. Concerto for Prepared Piano and Orchestra – Third Part (04:22)

09. Seventy-Four (Version II) (12:05)

Margaret Leng Tan e um de seus pianos de brinquedo
Margaret Leng Tan e um de seus pianos de brinquedo

10. Suite For Toy Piano – I (01:32)
11. Suite For Toy Piano – II (01:33)
12. Suite For Toy Piano – III (01:27)
13. Suite For Toy Piano – IV (01:22)
14. Suite For Toy Piano – V (01:09)

15. Suite For Toy Piano (Orchestration: Lou Harrison) – I (01:43)
16. Suite For Toy Piano (Orchestration: Lou Harrison) – II (01:33)
17. Suite For Toy Piano (Orchestration: Lou Harrison) – III (01:24)
18. Suite For Toy Piano (Orchestration: Lou Harrison) – IV (01:35)
19. Suite For Toy Piano (Orchestration: Lou Harrison) – V (00:55)

Margaret Leng Tan, prepared piano, toy piano
American Composers Orchestra
Dennis Russell Davies

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Cage: esse estava sempre rindo
Cage: esse estava sempre rindo

PQP

John Cage (1912 -1992) – Imaginary Landscape

Cannon

Já recebi críticas muito convincentes sobre a ausência de música “nova” nas minhas postagens. Tem dois motivos para isso: primeiro, o meu conhecimento limitado e o segundo, menos nobre, meu desinteresse. Já estive em concertos pelo mundo (poucos, confesso) dedicados a jovens compositores. O enfado foi grande. Um mistura de música tonal com atonal, eletrônica ou neo-romântica, nada realmente “novo”. Vi um concerto que a pianista, no meio da cadenza, entrava com um martelo dentro do piano. Mas tirando o belo corpo e as marteladas, não guardo mais nada na memória. Noutra ocasião um violoncelista usava seu instrumento como percussão numa sonata. As cordas quase desnecessárias. É verdade que tenho ouvido coisas interessantes na chamada música espectral e quase geniais na música eletrônica, mas nada além das possibilidades alcançadas pelo velho e defunto Stockhausen. Há vários anos a música “nova” não vem mudando.

Quando disseram a John Cage que qualquer um poderia ter escrito 4´33´´, ele respondeu: “É verdade, mas fui eu que fiz”. Após a morte de Beethoven, o compositor devia abraçar a originalidade como requisito básico; após Cage, a transgressão envelheceu. A idéia do progresso na música também caiu por terra. No entanto, hoje encontramos muitos compositores razoáveis escrevendo músicas razoáveis, mas que trazem tantas referências (algo normal na música de todas as épocas, mas não tão exagerado) que fica difícil ouvir a impressão do próprio compositor. Mesmo no período barroco, que foi de certo modo a cultura do exagero e imitação, era possível identificar nas grandes obras as assinaturas dos mestres. Hoje não se identifica nada. E como não tenho muito tempo a perder, e não sou adepto nem a tradição ou a originalidade, mas a “voz” de cada artista, eu prefiro ir direto a fonte de tudo isso.

A série Imaginary Landscape são obras chaves. Os três primeiros (escrito entre 1939 e 1942) são bastante percussivos, com a participação quase pioneira de elementos eletrônicos. Grupos como Uakti ou coisas similares no mundo da “World Music” devem ter bebido dessa fonte. Imaginary Landscape n.4 já é uma mudança total de paradigma. Escrita para 12 rádios (se possível, em AM), cada um com dois músicos operando a sintonia e o volume com absoluto rigor. Cage, ao contrário do que se pensa, tinha total interesse no controle dessa nova linguagem. Paradoxal, mas a aleatoriedade era controlada.

Obras fascinantes e insuperáveis no quesito originalidade.

CDF

Disco:
1 – Imaginary Landscape No. 1, for 2 variable speed turntables, frequency records, muted piano & cymbal 8:45
2 – Imaginary Landscape No. 2, for 5 percussionists 6:35
3 – Imaginary Landscape No. 3, for 6 percussionists 3:05
4 – Imaginary Landscape No. 4, for 12 radios, 24 players & conductor (March No. 2) 5:00
5 – Imaginary Landscape No. 5, for any 42 recordings, to be realized on tape 1:31
6 – But What About the Noise…, for percussion ensemble of 3-10 players 26:00

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Leonard Bernstein Discusses and Conducts XX-Century Music

Leonard Bernstein foi um mestre em quase tudo. Homem de vastíssima cultura musical, músico com repertório extenso e memorável. Mas um dos pontos que merecem destaque foi sua habilidade como divulgador da música clássica. Há uma série famosa feita para televisão nos anos 1960, os concertos para juventude, que são muito prazerosos de ver link. É impressionante contemplar o Carnegie Hall lotado de crianças e Bernstein dando um show como professor, aulas com exemplos brilhantes e cativantes. Nunca caindo na simplificação, ou desmerecendo a inteligência de seus pequenos ouvintes.

Creio que muito de nós aqui no Brasil nunca tiveram a chance de encontrar um personagem parecido com o Bernstein na nossa juventude, alguém que apresentasse o vasto mundo musical, sem doutrinação do que é certo ou errado. Gostamos de música clássica (ou Jazz) simplesmente por nossos próprios méritos, e isso é louvável, principalmente num país que preza a mediocridade. No entanto, ainda pagamos um preço alto por isso. Não gostaria de colocar como exemplo, a obra 4´33´´ de Cage. Achar ridícula uma peça é um julgamento que deve caber ao próprio ouvinte mesmo. Devemos realmente conviver com este tipo de diversidade de opinião. Mas é importante, antes de tudo, conhecer a obra em profundidade, ou mesmo ler a respeito antes de ouvi-la, e só depois podemos condená-la ao nosso limbo musical ou, como costumo fazer, dá uma outra oportunidade no futuro.

Como a música que defendo é mesmo de difícil digestão, achei necessário pedir a ajuda do Leonard Bernstein. Esse disco-aula realizado também nos anos 1960, Bernstein se desdobra para divulgar a famigerada música que se fazia em seu tempo. Apresenta exemplos de obras bem importantes e complexas para uma platéia adulta e inquieta (aplausos e vaias no fim de cada obra). Percebemos que aquele registro foi feito num momento decisivo e tenso para história da música, uma crise fascinante tratada com brilhantismo por Bernstein. Comentários muito interessantes sobre o novo espectro que o mundo musical vislumbrava. Mesmo sendo um registro feito há mais de 40 anos atrás, é atualíssimo para o ouvinte brasileiro.

Obras de Xenakis, Boulez e Cage são analisadas por Bernstein antes de cada perfomance, num inglês fácil de entender.

A obra que abre o disco é de Copland e foi feito para uma audiência mais jovem, apenas um pequeno refresco.

Copland – An Outdoor Overture
1. Introduction by Bernstein
2. Perfomance
3. Post- perfomance

Xenakis – Pithoprakta
4. Introduction by Bernstein
5. Perfomance
6. Post- perfomance

Henry Brant – Antiphony One
7. Introduction by Bernstein
8. Perfomance

Boulez – Improvisation sur Mallarmé I
9. Introduction by Bernstein
10. Perfomance

Cage – Atlas Eclipticalis
11. Introduction by Bernstein
12. Perfomance

BAIXE AQUI (Parte 1) – DOWNLOAD HERE
BAIXE AQUI (Parte 2) – DOWNLOAD HERE

John Cage (1912 -1992) – 4´33´´

Os homens são mesmos fascinantes e engraçados. Afirmam-se como indivíduos, mas inevitavelmente são destinados a serem peças de encaixe do muro histórico. 4´33´´ é uma obra inevitável, mesmo se Cage não tivesse existido. A música sempre levou a busca dos extremos, e o fim acabaria sendo esse: 4 minutos e 33 segundos nos quais os músicos param. E a música, também pára? Segundo Cage, não. A música criada pelo evento ou constrangimento (sussuros, xingamentos, ruídos, ou o próprio silêncio [parte importante da música]) seria nova a cada apresentação desta obra. Assim como já vinha ocorrendo com suas obras aleatórias, 4´33´´ abre possibilidades interessantes e inesperadas.

Nesta rara gravação podemos ouvir 4´33´´ sendo interpretada por um grupo excelente de percussionistas, que parecem ter gravado numa bela manhã de primavera. É possível ver duas outras versões desta mesma peça no youtube, uma para grande orquestra link e outra para piano link. Outra obra de Cage que merece destaque é Amores, música para piano preparado e percussão. Muito empolgante. Participação do pianista Zoltán Kocsis, cujo piano produz um som realmente estranho e percussivo. O disco termina com o ótimo Third Construction de Cage para 4 percussionistas.

Ah, já ia esquecendo, aqui você encontra uma das melhores interpretações de Ionisation de Varèse.

1. Ionisation, for 13 percussion instruments (Edgard Varese)
2. Toccata for orchestra (Carlos Chavez)
3. 4’33” (John Cage)
4. Double Music for percussion quartet (John Cage, Lou Harrison)
5. Amores, for prepared piano & 3 percussion: I – Solo for Piano
6. II – Trio
7. III – Trio
8. IV – Solo for Piano
9. Third Construction, for 4 percussionists (John Cage)

Amadinda Percussion Group

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE