Modinhas tradicionais de Goiás (Acervo PQPBach)

33n9qw6Modinhas tradicionais de Goiás
Maria Augusta Calado (meio-soprano)
Maristela Cunha (piano)
Márcio Alencastro Veiga (violão)

Repostagem com novos e atualizados links.

Em Goiás, a modinha talvez tenha chegado logo após os bandeirantes, entrenhando-se no âmago da sensibilidade vilaboense, tendo seu florescimento se caracterizado por uma estrutura e linha melódica popular, reflexo do grupo social em que conviveu, pois o vilaboense sempre manteve um comportamento popular, mesmo intelectualizando-se. Chegaram na antiga capital, através do povo, fossem aventureiros, tropeiros, viajantes, cometas ou estudantes, percorrendo diferentes caminhos que partiam dos mais distantes pontos do país, formando quatro troncos distintos: o caminho baiano, o mineiro, o paulista e o paraense. Através destes caminhos circularam as influências que vieram contribuir no acervo modinheiro goiano.

O caminho baiano passava pelo antigo caminho do ouro em busca de portos do mar desde os tempos da primeira capital brasileira. Da Bahia, a partir de 1871, começaram a chegar os notáveis magistrados que influenciaram a formação vilaboense.

O caminho mineiro, percorreu a zona igualmente de mineração e modinheira. Nossos viajantes passaram por São João Del-Rei, Montes Claros, Diamantina e Paracatu. Muitos juízes goianos como Feliz de Bulhões militou em São João Del-Rei e Maurilio Augusto Curado Fleury militou em várias cidades mineiras.O primeiro foi modinheiro, o segundo era marido de Julieta Augusto Curado Fleury, cantora e divulgadora das modinhas goianas em terras mineiras. A modinha vilaboense apresenta semelhança com as mineiras mas possui interpretação própria.

O caminho paulista, o dos bandeirantes, veio a ser a estrada real por onde passaram nossos estudantes em busca da Faculdade do Largo de São Francisco. Ao regressarem traziam em sua bagagem, as mais novas modinhas aprendidas na convivência estudantil, citamos Leopoldo de Bulhões que fora colega de Afonso Celso. Devemos observar que pelo caminho mineiro e pelo caminho paulista, passaram os que se destinavam à corte.

Através da navegação do rio Araguaia, estabeleceu-se o caminho paraense que nos trouxe, além da mercadoria estrangeira, … modinhas.
(texto parcialmente extraído da capa)

Modinhas tradicionais de Goiás

Jacinto Ferreira Rêgo (Goiás, ? – ?)
01. Modinha: Quando eu me separar (1840)
Antonio Félix de Bulhões (Goiás, 1845-1887)
02. Só
A. Cardoso de Menezes (Goiás, ?-?)
03. Serenata 2 – Aos frouxos raios da lua
J. Campos Carvalho (Goiás, ?-?) & A. Cardoso de Menezes (Goiás, (?-?)
04. Serenata 1 – A brisa corre de manso
Francisco de Magalhães Cardoso (?-?)
05. Vai ó sensível saudade
Luiz do Couto (Goiás, 1888-1948) & Joaquim Sant’Anna (Goiás, 1882-1915)
06. Tu és o lírio
07. Eu penso em ti

08. Ah! não durmas, desperta donzela
09. Virgem vaidosa
10. Venho de longe
Joaquim Bonifácio de Siqueira (Goiás, 1883-1923) & Joaquim Sant’Anna (Goiás, 1882-1915)
11. Distante da pátria

Fontes Culturais da Música de Goiás vol. 3 – 1983
Modinhas tradicionais
Faixas 01 a 05 – Maria Augusta Calado (meio-soprano) & Maristela Cunha (piano)
Faixas 06 a 11 – Maria Augusta Calado (meio-soprano) & Márcio Alencastro Veiga (violão)

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Modinhas: Grupo de Serestas “João Chaves”, de Montes Claros, MG (AcervoPQPBach)

Modinha
Grupo de Serestas “João Chaves”
Montes Claros, MG

“Modinha” é um diminutivo de “moda”, tipo mais antigo de canção portuguesa. Mário de Andrade, em “Modinhas Imperiais”, escreveu: “É jeito luso-brasileiro acarinhar tudo com diminutivos. A palavra modinha nasceu assim”. Assim, também, por razoes de carinho, de choro nasceu “chorinho”. Mas deserdada do afeto da gente, permanece a expressão “moda”, como em “moda de viola”.

Modinha é, pois, canção. Canção é a música produzida pelo mais perfeito instrumento musical jamais inventado que é a voz humana. Ele não tem cravelhas, nem registros, nem pavilhão. Também não tem pedal, nem necessita afinador. Ou antes, tudo isso está dentro do peito, como diria um modinheiro, que é o cantador de modinhas.

A modinha brasileira viajou para Portugal e, a partir de 1775, o poeta e violeiro brasileiro Domingos Caldas Barbosa ‘aparece cantando suas modinhas em Lisboa e observadores e viajantes estrangeiros, como o francês Link,ressaltam a superioridade das modinhas brasileiras em comparação às portuguesas.

Com a corte do Príncipe D.João, a partir de 1808, a modinha de salão voltou ao Brasil. Dali, no século XIX, desceu para a rua, refugiou-se nos becos sob a luz dos lampiões. “Na pausa das vozes, o bater dos corações”. Essa liberdade e este espaço novo ela ganhou pelas mãos dos seresteiros e trovadores.

Poetas e compositores famosos, como Castro Alves e Carlos Gomes, compuseram modinhas. A formação tradicional compõe-se de coro misto e solistas, com acompanhamento de violão, bandolim e flauta. A redescoberta de valores brasileiros no campo da música está revivendo a modinha. Em 1974, dedicamos espaço largo à modinha na coleção de nosso selo ” Música Popular do Centro-Oeste/Sudeste ” e confiamos a interpretação à Nara Leão e Renato Teixeira e os arranjos a Theo de Barros. Lá está entre outras, “Amo-te muito”, de João Chaves, patrono do grupo que gravou este disco.

A modinha refugiou-se e resistiu em Minas Gerais. Ela é tão mineira quanto o queijo e o silêncio. Há quatro anos atrás, recebi de Dr. Hermes de Paula um álbum com tres discos gravados pelo grupo de Serestas “João Chaves” de Montes Claros. Ouvi-os na tarde de um dia em que via-jei para Cannes, para participar do “Midem”. Desembarquei em Paris assobiando modinhas, provocando espanto, emoção e inveja em vários franceses, porque a França não tem modinhas, só tem queijos. Desde então, pretendia gravar um disco com o grupo “João Chaves”.

E a oportunidade surgiu há pouco, está aí o disco. Gravamos em estúdio, mas o clima era de serenata. O grupo, que é amador, formou-se em 1967. Mas seus componentes já cantavam todos, herdeiros de uma fortuna imensa legada pelos avós que lhes transferiram, intocado, um baú que guarda as tradições de Minas Gerais.

Um médico do sertão, Dr.Hermes de Paula, organizou e mantém coeso o grupo. Durante a gravação, deixou o estúdio para ir comprar soro anti-escorpiônico para sua clinica de medicina frequentemente gratuita. Dr. Hermes pesquisa também cultura popular. Reuniu, por exemplo, 200 cantigas de roda de sua terra e do norte de Minas. Viaja para prevenir epidemias, tratar os pobres, recolher e registrar o que conserva ainda o espírito do povo sofrido daquele pedaço do Brasil. Dr.Hermes é uma espécie de governo e padre que tenta salvar o corpo e alma dos seus conterrâneos sertanejos.

A ele ofereço a parte que me coube neste trabalho. E encerro, como ele encerrou o texto de contra-capa do álbum anteriormente gravado;
“E agora, silêncio. Montes Claros vai cantar”

(Marcus Pereira, extraído da contra-capa)

Modinhas
Domínio Público
01. Perdão, Emília
Castro Alves (Bahia, 1847-1871) & Salvador Fábregas (Rio de Janeiro c.1820 – 1880)
02. O gondoleiro do amor
Vicente de Carvalho (Santos, 1866-1924)
03. Ave ferida
Jaime Redondo (S. Paulo, 1890-1952)
04. Saudade
Chiquinha Gonzaga (Rio deJaneiro, 1847-1935)
05. Lua Branca

Domínio Público
06. Elvira escuta
Abdon Lyra (També, PE, 1888 – Rio de Janeiro,1962) & Adelmar Tavares (Recife, 1888 – Rio de Janeiro, 1963)
07. Stella
Guimarães Passos & Miguel Emilio Pestana
08. Na casa branca da serra
Gonçalves Crespo (Rio de Janeiro, 1846 – Lisboa, 1883)
09. Acorda, minha beleza

Pedro de Sá Pereira (Porto Alegre, 1892 – ?, 1955) & Ary Machado Pavão
10. Chuá, chuá

Modinhas – 1978
Grupo de Serestas “João Chaves”, de Montes Claros


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