Vários: Dances – Peças para Piano – Benjamin Grosvenor

Vários: Dances – Peças para Piano – Benjamin Grosvenor

 

Danças?

 

Após muitos (muitos!) anos de experiência com música e discos, alguma coisa acaba-se aprendendo. Eu consigo farejar um bom disco a milhas de distância. E este álbum, eu sabia, é excelente. Se bem que gosto, não se deve discutir.

A rabugice e o conservadorismo são traços que afloram a medida em que a idade avança, é inexorável. Rabugento ainda não sou, mas tenho tido episódios. Conservador é claro que não sou, mas essas novidades de discos conceituais dão-me rugas na testa e um ligeiro movimento de pé atrás. Cheira-me a marketing. Mas neste caso, rendo-me absolutamente! Disco maravilhoso, de primeira à última faixa.

Dança é o tema do álbum cuja concepção foi inspirada em uma carta de Ferruccio Busoni para um de seus alunos, Egon Petri, propondo um programa dançante para um recital. Que ideia mais simples, mas maravilhosa…

Pois dança é o assunto do álbum que vai das antigas danças, como a sarabande da Partita do Bach até o Boogie Woogie, no estudo do Morton Gould. Entre elas, valsas, muitas maravilhosas valsas. Ah, polonaises também, pois há Chopin, e algumas mazurkinhas do Scriabin.

Não poderia faltar o Azul Danúbio e tango também.

E como não falar umas palavras sobre o Benjamin Grosvenor, este excelente pianista? Ele despontou para o mundo da música em 2004 ganhando o BBC Young Music Competition com 11 anos (bota Young nisso). Foi convidado a se apresentar na Primeira Noite do 2011 BBC Proms, com apenas 19 anos.

Em 2012, quando ganhou um importante prêmio – o Critics Choice, do Classic Brits, deixou a todos comovidos por dedicar o prêmio a seu irmão dois anos mais velho, portador de síndrome de Down. Benjamin explicou (candidamente):  Eu dedico este prêmio ao meu irmão Jonathan. Isto é por ter me aturado praticando horas seguidas por anos e anos e por ter ido a tantos dos meus concertos contra sua própria vontade. Afinal, para que servem irmãos?

Benjamin Grosvenor

Johann Sebastian Bach
Partita No. 4, BWV828
1 I. Overture
2 II. Allemande
3 III. Courante
4 IV. Aria
5 V. Sarabande
6 VI. Menuet
7 VII. Gigue

Frédéric Chopin
Andante spianato et grande polonaise brillante in E-flat major, Op. 22
8 I. Andante spianato in G major
9 II. Grande polonaise brillante in E-flat major
10 Polonaise no.5 in F sharp Minor Op. 44

Alexander Scriabin
Ten Mazurkas Op. 3
11 No. 6
12 No.4
13 No.9
14 Valse in Ab major Op. 38

Enrique Granados
Valses Poeticos
15 Preludio: Vivace molto
16 I. Melodioso
17 II.Tempo de Vals noble
18 III. Tempo de Vals lento
19 IV. Allegro humoristico
20 V. Allegretto (elegante)
21 VI. Quasi ad libitum (sentimental)
22 VII. Vivo
23 VIII. Presto

Adolf Schulz-Evler
24 Concert Arabesques on themes by Johann Strauss, “By The Beautiful Blue Danube”

Isaac Albeniz (arr. Leopold Godowsky)
25 Tango, Op.165, No.2

Morton Gould
26 Boogie Woogie Etude

Franz Liszt
27 2 Etudes de Concert S. 145, 2 – Gnomenreigen

Johann Sebastian Bach (arr. Wilhelm Kempff)
28. Sonata for Flute and Harpsichord, BWV 1031 – Siciliano

Benjamin Grosvenor, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 1,15 GB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 210 MB

Vejam as opiniões de alguns críticos:

“performance after performance of surpassing brilliance and character”

– Gramophone

“‘Jeu perlé’ to die for, ever changing colours and an innate sense of articulation and rubato”

– Diapason

“A revelation”

– American Record Guide

The CD is on the table!

Uma observação técnica: as duas últimas faixas desta postagem não fazem parte do disco oficial. Realmente, o disco deveria acabar no estudo do Morton Gould, um tremendo tour de force! Mas, as duas peças que seguem, o Gnomenreigen e o Siciliano de Liszt e Bach (Kempff) são tão bonitinhas que estão aí, como dois encores… Aproveitem!!

René Denon

Frédéric Chopin – Noturnos – Nikita Magaloff

Ah, os Noturnos … nosso incrível Vassilly recém nos brindou com uma série de postagens dedicadas a este gênero … nem sei o que poderia acrescentar àquela aula que tivemos. Talvez possa apenas pedir para os senhores fecharem os olhos para melhor degustar essas peças. Não são de fácil digestão, elas ficam martelando em nossa cabeça.  É necessária uma concentração muito grande. De preferência, sem ruídos externos. Estas pequenas, porém altamente complexas peças, devem ser, ao lado da ‘Marcia Funebre’ da Terceira Sinfonia de Beethoven, a música mais introspectiva que já foi composta.
Quando ouço o Noturno nº 2 tenho a impressão de estar ao lado de um regato tranquilo, a água fluindo, sem perturbações, os pássaros cantando, as borboletas ao redor das flores, sei lá, tenho esta sensação. Minha mãe sempre conta que tem esta mesma sensação quando ouve o ‘Clair de Lune’, de Debussy. Pode ser. Li em algum lugar que o próprio compositor se inspirou em um ambiente destes para compor essa obra. Não sei o que passava na cabeça de Chopin, só sei dizer que ele estava muito inspirado quando compôs todo este ciclo de Noturnos.

CD 1

01. Nocturne No. 1 in B flat minor, Op 9, No 1
02. Nocturne No. 2 in E flat, Op 9, No 2
03. Nocturne No. 3 in B, Op 9, No 3
04. Nocturne No. 4 in F, Op 15, No 1
05. Nocturne No. 5 in F Sharp, Op 15, No 3
06. Nocturne No. 6 in G minor, Op 15, No 3
07. Nocturne No. 7 in C Sharp minor, Op 27, No 1
08. Nocturne No. 8 in D flat, Op 27, No 2
09. Nocturne No. 9 in B, Op 32, No 1
10. Nocturne No. 10 in A flat, Op 32, No 2
11. Nocturne No. 11 in G minor, Op 37, No 1

CD 2

01. Nocturnes No. 12
02. Nocturnes No. 13
03. Nocturnes No. 14
04. Nocturnes No. 15
05. Nocturnes No. 16
06. Nocturnes No. 17
07. Nocturnes No. 18
08. Nocturnes No. 19
09. Nocturnes No. 20 in C sharp minor, op. posth
10. Nocturnes No. 21 in C minor, op. posth

CD 1 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Frederic Chopin – Ballades, Impromptus – Nikita Magaloff

Não sei com relação aos senhores, mas minha vida seria um tédio se não fosse a música. É ela que me alimenta, espiritualmente falando, que me dá forças para encarar as agruras do dia a dia. Preciso dela como se fosse um remédio para curar as mazelas da vida. Não quero parecer pessimista, nem de mal com a vida. Ao contrário. Digamos que cheguei a uma fase de minha vida em que não adianta mais ficar chorando pelo leite derramado, ele nunca vai voltar para o copo. É preciso ir em frente, encarar as adversidades, e para isso preciso desse alimento para a alma, que chamam de música.
E por algum motivo, alguns compositores tem esta incrível capacidade de nos fazer pensar, os senhores também não tem esta sensação? Ouçam o Scherzo nº 2, magistralmente interpretado pelo Nikita Magaloff no segundo CD desta série, que foi disponibilizado dia destes para os senhores. .. não parece um questionamento que o compositor nos faz logo no início, nos perguntando ‘E aí, como vão as coisas?’
Já neste terceiro CD, bem, aqui a coisa é ainda mais séria: temos as magníficas 4 Baladas, já tão gravadas, dissecadas pelos principais pianistas do século XX e deste início de Século XXI. A música de Chopin tem esta incrível capacidade de nos fazer refletir. Volto a pedir sua atenção para este terceiro CD. Temos um intérprete maduro, em sua total capacidade técnica e no apogeu de maturidade artística nos brindando e nos convidando a esta reflexão. Digamos que ele está nos fornecendo a trilha sonora para esta reflexão.

01. Ballade No. 1 (1974)
02. Ballade No. 2
03. Ballade No. 3
04. Ballade No. 4
05. Impromptu No. 1
06. Impromptu No. 2
07. Impromptu No. 3
08. Impromptu No. 4

Nikita Magaloff – Piano

BAIXAR AQUI – DOWNLOAD HERE

Frederic Chopin – Scherzos, Berceuse Op. 57, etc. – Nikita Magaloff

Não lembro quando foi que ouvi Chopin pela primeira vez, provavelmente era um CD de uma coleção da antiga Abril Cultural,  que trazia algumas obras como a Balada nº1, o Scherzo nº 1, entre outras. Não lembro quem era o pianista. Só lembro que aquele disco me impactou bastante. De todas as obras daquele LP a que mais me impactou foi a Balada nº 1. Imaginem, eu era apenas um adolescente nos seus doze ou treze anos de idade, não entendia nada nem sabia o que significava aquilo. Com o tempo fui conhecendo melhor a obra do mestre polonês, e conheci Arthur Rubinstein. Mas isso é outra história.

01. Scherzo No. 1, Op. 20 (1976)
02. Scherzo No. 2, Op. 31
03. Scherzo No. 3, Op. 39
04. Scherzo No. 4, Op. 54
05. Berceuse Op. 57
06. Barcarolle Op. 60
07. Fantaisie Op. 49 (1978)
08. Bolero Op. 19
09. Contredanse in G flat major
10. Tarentelle Op. 43

Mikita Magaloff – Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

In memoriam Ivan Moravec (1930-2015) – Fryderyk Chopin: Nocturnes

In memoriam Ivan Moravec (1930-2015) – Fryderyk Chopin: Nocturnes

moravec-chopin-nocturnesPOSTAGEM ORIGINALMENTE FEITA EM 27/7/2015

Acabo de voltar do trampo, pronto para redigir uma resenha que preparara mentalmente entre um enfermo e outro, quando soube que o sensacional pianista Ivan Moravec faleceu hoje em Praga, aos 84 anos.

Suspendi, claro, meus planos originais e resolvi homenageá-lo, compartilhando com vocês a gravação mais legendária do grande artista tcheco: aquela dos noturnos de Chopin, feita em 1965 e periodicamente relançada, de selo em selo, com enorme sucesso.

Não é à toa: a leitura de Moravec para os noturnos é linda e inconfundível. Talvez haja rubato em demasia para o gosto de alguns, mas há lirismo de sobra, e há uma coerência da primeira à última nota da série. Moravec era absolutamente obsessivo com o som dos pianos que tocava e com o ajuste fino de sua mecânica. Viajava com sua caixa de ferramentas e, frequentemente, era visto trabalhando junto com os afinadores e técnicos nos intervalos de gravações, de ensaios ou mesmo de recitais.

Moravec nasceu em Praga no começo de uma década especialmente desgraçada para seu país, que acabaria com a brutal ocupação da jovem nação tchecoslovaca pelas forças de Hitler e sua anexação à esfera do Reich como o Protetorado da Boêmia e da Morávia. A expulsão dos alemães significou o pano rápido para o desfraldar da Cortina de Ferro, sob as saias da União Soviética, e o jugo de regimes autocráticos que restringiam enormemente as viagens internacionais de seus cidadãos, incluindo os artistas.

Ainda assim, gravações piratas do jovem Moravec circularam amplamente pela Europa Ocidental e pelas Américas, e com tal repercussão que o selo Connoisseur Society (o mesmo que tinha em contrato o maravilhoso Antônio Guedes Barbosa) atravessou a férrea Cortina e convidou o prodígio para realizar gravações. Naquele 1965, o clima político na Tchecoslováquia era relativamente ameno, de modo que o contrato foi firmado, e as legendárias sessões que ora lhes alcanço, realizadas em New York e Viena entre a primavera e o outono do mesmo ano.

Aquela calmaria política, claro, era parte do processo de gradual abertura que culminaria, três anos depois, com as reformas de Dubček, a Primavera de Praga e as sangrentas invasão e ocupação soviéticas. Moravec, mais uma vez, acabaria fechado atrás da Cortina de Ferro, lecionando em Praga, gravando prolificamente e, quando assim lhe permitia a nomenklatura, saindo para breves turnês.

Meus saudosos meses em Praga, que incluíram um longo inverno com pouco dinheiro a tiritar de frio, foram muito menos duros por causa de Moravec. Tive a suprema honra de assistir a recitais seus na divina Obecní dům (Casa Municipal) e no régio Rudolfinum. Suas gravações para o selo Supraphon, baratas como batatinhas, encheram-me de uma felicidade tal que, para ser mais plena, só se me forrasse também o estômago. E foi no encarte de uma dessas gravações que li pela primeira vez uma entrevista com o mestre. No meio da espessa sopa de letrinhas do idioma tcheco, havia uma declaração bastante óbvia, e de maneira tão ululante que até eu consegui entender:

– Você sabe… minha verdadeira paixão é cantar.

Depois que se escuta o que segue, só nos resta concordar.

In memoriam Ivan Moravec (9/11/1930 – 27/7/2015)

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

NOTURNOS PARA PIANO

Ivan Moravec, piano

CD 1

01 – Três Noturnos, Op. 9 – No. 1 em Si bemol menor
02 – Três Noturnos, Op. 9 – No. 2 em Mi bemol maior
03 – Três Noturnos, Op. 9 – No. 3 em Si menor
04 – Três Noturnos, Op. 15 – No. 1 em Fá maior
05 – Três Noturnos, Op. 15 – No. 2 em Fá sustenido menor
06 – Três Noturnos, Op. 15 – No. 3 em Sol menor
07 – Dois Noturnos, Op. 27 – No. 1 em Dó sustenido menor
08 – Dois Noturnos, Op. 27 – No. 2 em Ré bemol maior
09 – Dois Noturnos, Op. 32 – No. 1 em Si maior
10 – Dois Noturnos, Op. 32 – No. 2 em Lá bemol maior

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

CD 2

01 – Dois Noturnos, Op. 37 – No. 1 em Sol menor
02 – Dois Noturnos, Op. 37 – No. 2 em Sol maior
03 – Dois Noturnos, Op. 48 – No. 1 em Dó menor
04 – Dois Noturnos, Op. 48 – No. 2 em Fá sustenido menor
05 – Dois Noturnos, Op. 55 – No. 1 em Fá menor
06 – Dois Noturnos, Op. 55 – No. 2 em Mi bemol menor
07 – Dois Noturnos, Op. 62 – No. 1 em Si maior
08 – Dois Noturnos, Op. 62 – No. 2 em Mi maior
09 – Peças Póstumas para piano, Op. 72 – No. 1: Noturno em Mi menor

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

 

Odpočívej v pokoji, Ivane!
Odpočívej v pokoji, Ivane!

 

Vassily

Frederic Chopin – Complete Works for Piano Solo – Nikita Magaloff

Minha geração cresceu ouvindo Chopin com dois pianistas cujos nomes viraram quase sinônimos do mestre polonês: Arthur Rubinstein e Nikita Magaloff. Foram dois excepcionais músicos, que viveram muito, cruzaram praticamente o século, que se tornaram lendas em seus instrumentos. Sobre Rubinstein nem preciso falar muito, já que é citado constantemente aqui no PQPBach.
Mas quem foi Nikita Magaloff? Bem, foi um pianista georgiano – russo, ou seja, filho de georgianos, mas nascido em São Petersburgo. Com a Revolução Russa de 1917 sua família fugiu para a Finlândia, e de lá,e estimulado pelo amigo de família Sergey Prokofiev, foi para Paris estudar, onde fez amizade com muita gente conhecida, incluindo Maurice Ravel.
Foi o primeiro músico a gravar a integral das obras para piano de Chopin, e a interpretava ao vivo, em uma série de seis recitais (que memória o homem tinha).
Esta integral tem 13 cds. Vou trazê-los aos poucos, conforme meu tempo disponível para tanto. Sei que todos irão gostar.

CD 1

01. Piano Sonata No.1, Op.4 (1978) – 1. Allegro maestoso
02. Piano Sonata No.1, Op.4 – 2. Minuetto. Allegretto
03. Piano Sonata No.1, Op.4 – 3. Larghetto
04. Piano Sonata No.1, Op.4 – 4. Finale. Presto
05. Piano Sonata No. 2, Op. 35 (1976) – 1. Grave – doppio movimento
06. Piano Sonata No. 2, Op. 35 – 2. Scherzo. Piú lento – Tempo I
07. Piano Sonata No. 2, Op. 35 – 3. Marche funebre. Lento
08. Piano Sonata No. 2, Op. 35 – 4. Finale. Presto
09. Piano Sonata No. 3, Op. 58 (1976) – 1. Allegro maestoso
10. Piano Sonata No. 3, Op. 58 – 2. Scherzo. Molto vivace
11. Piano Sonata No. 3, Op. 58 – 3. Largo
12. Piano Sonata No. 3, Op. 58 – 4. Finale. Presto non tanto

Nikita Magaloff – Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Nikita Magaloff (1912-1992)

Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Dvořák, Grieg, Kancheli, Kempff, Ligeti, Liszt, Mendelssohn, Pärt, Ravel, Scarlatti, Scriabin, Tchaikovsky: Motherland (com Khatia Buniatishvili)

Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Dvořák, Grieg, Kancheli, Kempff, Ligeti, Liszt, Mendelssohn, Pärt, Ravel, Scarlatti, Scriabin, Tchaikovsky: Motherland (com Khatia Buniatishvili)

Lembram daquela série interminável de discos da Philips — lançados nos anos 70 e 80 — que eram seleções malucas de clássicos e que tinham gatinhos na capa? Ali, o Aleluia de Händel podia vir antes de um trecho de Rhapsody in Blue, o qual era seguido pela Abertura 1812 e pela chamada Ária na Corda Sol (mentira, corda sol coisa nenhuma) de Bach, por exemplo. Salada semelhante é servida por Khatia Buniatishvili neste CD. Mas o importante é faturar enquanto a beleza não abandona a pianista. Ela tem alguns anos de sucesso ainda. Como habitualmente, neste disco ela é muita emoção e languidez — principalmente a última –, acompanhada de um talento que não precisaria ter registros gravados. Temos tanta gente melhor! Depois deste disco altamente suspeito, ela sucumbe aqui. Só a aparência não basta. Afinal, ouvimos o CD. Vocês sabem que eu amo as belas musicistas, mas tudo tem limite.

O volume 1 da numerosa série

Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Dvořák, Grieg, Kancheli, Kempff, Ligeti, Liszt, Mendelssohn, Pärt, Ravel, Scarlatti, Scriabin, Tchaikovsky: Motherland (com Khatia Buniatishvili)

1 Johann Sebastian Bach: Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd, BWV 208: IX. Schafe können sicher weiden (Arr. for Piano)
2 Pyotr Ilyich Tchaikovsky: The Seasons, Op. 37b: X. October (Autumn Song)
3 Felix Mendelssohn-Bartholdy: Lied ohne Worte in F-Sharp Minor, Op. 67/2
4 Claude Debussy: Suite Bergamasque, L. 75: III. Clair de lune
5 Giya Kancheli: Tune from the Film by Lana Gogoberidze: When Almonds Blossomed
6 György Ligeti: Musica ricercata No. 7 in B-Flat Major
7 Johannes Brahms: Intermezzo in B-Flat Minor, Op. 117/2
8 Franz Liszt: Wiegenlied, S. 198
9 Antonín Dvorák: Slavonic Dance for Four Hands in E Minor, Op. 72/2: Dumka (Allegretto grazioso)
10 Maurice Ravel: Pavane pour une infante défunte in G Major, M. 19
11 Frédéric Chopin: Etude in C-Sharp Minor, Op. 25/7
12 Alexander Scriabin: Etude in C-Sharp Minor, Op. 2/1
13 Domenico Scarlatti: Sonata in E Major, K. 380
14 Edvard Grieg: Lyric Piece in E Minor, Op. 57/6: Homesickness
15 Traditional: Vagiorko mai / Don’t You Love Me?
16 Wilhelm Kempff: Suite in B-Flat Major, HWV 434: IV. Menuet
17 Arvo Pärt: Für Alina in B Minor

Khatia Buniatishvili, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Desculpe, Khatia, não rolou.

PQP

Ainda mais Cordas: o Banjo (Perpetual Motion – Béla Fleck)

51ZgNDY+BULPassada em revista a parte da família das cordas que é tocada com arcos, enveredamos por um outro ramo da família com quem os arcos não falam muito, pois as salas de concerto costumam torcer-lhes os narizes: aquele das cordas dedilhadas.

Antes que me joguem os tomates, ou me perguntem por que exus eu não apus a palavrinha .:interlúdio:. ao título de uma gravação, vejam só, de banjo, de BANJO, de B A N J O! incongruentemente atirada no meio das sacrossantas interpretações dos Pollinis e Bernsteins que os blogueiros não-vassílycos publicam por aqui, bem, antes que venham os apupos, os “foras!” e que me defenestrem, eu antecipadamente me defendo: Béla Fleck é um TREMENDO músico e merece ser ouvido.

Ok, o repertório do CD é um balaio de gatos cheio de figurinhas fáceis do repertório das coleções “The Best of”, só que ele é feito sob medida para Fleck exibir com sobras seu talento. Asseguro-lhes que dificilmente ouvirão um banjo ser tocado com tanta maestria, ainda mais acompanhado por músicos do naipe de, entre outros, Joshua Bell, John Williams e Edgar Meyer. No final, para relaxar, Fleck colocou uma ótima versão bluegrass do “Moto Perpétuo” de Paganini, mas ela está claramente identificada como tal e os puristas entre vós outros poderão deletá-la antes que ela fira algum ouvido.

E, se vocês acharam interessante o Fleck ter o nome de Béla, saibam que o nome completo do cavalheiro é Béla Anton Leoš Fleck. Sim: uma homenagem ao grande Béla, àquele Anton e a este Leoš.

PERPETUAL MOTION – BÉLA FLECK

Domenico SCARLATTI (1685-1757)
01 – Sonata em Dó maior, K. 159

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
02 – Invenção a duas vozes no. 13 em Lá menor, BWV 784

Claude-Achille DEBUSSY (1862-1918)
03 – Children’s Corner, L. 113 – “Doctor Gradus ad Parnassum”

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)
04 – Mazurkas, Op. 59 – no. 3 em Fá sustenido menor

Johann Sebastian BACH
05 – Partita no. 3 em Mi maior, BWV 1006 – Prélude

Fryderyk Franciszek CHOPIN
06 – Études, Op. 10 – no. 4 em Dó sustenido menor
07 – Mazurkas, Op. 6 – no. 1 em Fá sustenido menor

Johann Sebastian BACH
08 – Invenção a três vozes (Sinfonia) em Sol maior, BWV 796

Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
09 – Souvenir d’un lieu cher, Op. 42 – no. 3: Mélodie

Johannes BRAHMS (1833-1897)
10 – Cinco estudos para piano, Anh. 1a/1 – no. 3 em Sol menor, após Johann Sebastian Bach

Johann Sebastian BACH
11 – Suíte no. 1 em Sol maior, BWV 1007 – Prelude
12 – Invenção a três vozes (Sinfonia) em Si menor, BWV 801

Niccolò PAGANINI (1782-1840)
13 – Moto Perpetuo, Op. 11

Domenico SCARLATTI
14 – Sonata em Ré menor, K. 213

Johann Sebastian BACH
15 – Invenção a duas vozes no. 6 em Mi maior, BWV 777

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
16 – Sonata no. 14 em Dó sustenido menor, Op. 27 no. 2, “Luar” – Adagio sostenuto

Johann Sebastian BACH
17 – Invenção a duas vozes no. 11 em Sol menor, BWV 782

Ludwig van BEETHOVEN
18 – Sete Variações sobre “God Save the King”, WoO 78

Johann Sebastian BACH
19 – Invenção a três vozes (Sinfonia) em Mi menor, BWV 793

Niccolò PAGANINI
arranjo de James Bryan Sutton
12 – Moto Perpetuo, Op. 11 (versão bluegrass)

Béla Fleck, banjo
Joshua Bell, violino
Gary Hoffmann, violoncelo
Evelyn Glennie, marimba
Edgar Meyer, contrabaixo
Chris Thile, bandolim
James Bryan Sutton, violão folk
John Williams, violão

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Vassily Genrikhovich

 

O Mestre Esquecido, Capítulo 4 (Chopin – Valsas – Antônio Guedes Barbosa)

R-4836621-1377025177-5564.jpegConvidamos os fãs do Mestre Esquecido a acompanharem o GRUPO “ANTÔNIO GUEDES BARBOSA” no Facebook.

É com imensa satisfação que anunciamos, após algumas negociações no mercado negro internacional de LPs, uma ação de contrabando confesso e a inestimável ajuda de um leitor-ouvinte do PQP Bach, que dispomos agora da DISCOGRAFIA COMPLETA do genial Antônio Guedes Barbosa – conquista que comemoraremos ao postá-la, pouco a pouco, por aqui!

Chegamos àquela que é talvez a maior gravação do Mestre Esquecido: as quatorze valsas de Chopin que tomaram o público de assalto, que piraram completamente o cabeção da crítica e formaram um dos pouquíssimos álbuns dele lançados comercialmente neste Brasil insensato que tão pouco o conhece.

Sou tão tiete dessa gravação que me faltam até os superlativos para descrevê-la. Trata-se, simplesmente, da melhor interpretação que conheço para estas obras, que só podem ser chamadas de menores por quem nunca escutou Barbosa tocá-las. Elegância, precisão, humor, brilho… nada falta. Talvez sobre rubato, mas a gente perdoa, tamanha a musicalidade que, acima de tudo e de todos, transborda de cada faixa.

É escutar e catapultar imediatamente para o panteão dos favoritos.

CHOPIN – AS 14 VALSAS
ANTÔNIO GUEDES BARBOSA

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

01 – Grande Valse Brillante em Mi bemol maior, Op. 18
02 – Três Valsas, Op. 34 – No. 1 em Lá bemol maior
03 – Três Valsas, Op. 34 – No. 2 em Lá menor
04 – Três Valsas, Op. 34 – No. 3 em Fá maior
05 – Valsa em Lá bemol maior, Op. 42
06 – Três Valsas, Op. 64 – No. 1 em Ré bemol maior
07 – Três Valsas, Op. 64 – No. 2 em Dó sustenido menor
08 – Três Valsas, Op. 64 – No. 3 em Lá bemol maior
09 – Duas Valsas, Op. 69 – No. 1 em Lá bemol maior
10 – Duas Valsas, Op.69 – No. 2 em Si menor
11 – Três Valsas, Op. 70 – No. 1 em Sol bemol maior
12 – Três Valsas, Op. 70 – No. 2 em Fá menor
13 – Três Valsas, Op. 70 – No. 3 em Ré bemol maior
14 – Valsa em Mi maior, WN 18

Antônio Guedes Barbosa, piano
(de um CD esgotado da extinta Kuarup Klassics, que eu tenho há vinte e cinco anos e não vendo por dinheiro algum!)

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Suas imagens são tão difíceis de encontrar quanto tuas gravações, Toninho!

 

Vassily Genrikhovich

Vladimir Horowitz – The Last Recording (1989)

51QBA35W04LPara o pavor de um de nossos colaboradores, que chama Vladimir Samoylovich (Volodya, para os íntimos) de “Horrorowitz”, pretendo trazer para cá um tanto do legado de um dos maiores pianistas do século XX.

A longa carreira de Horowitz acompanhou a evolução dos meios de gravação, dos rolos do processo Welte-Mignon (uma versão mais sofisticada da pianola), passando pelos discos de 78 rpm e chegando aos meios digitais. Seus altos e baixos foram, também, fartamente documentados: entre a fúria maníaca do jovem virtuose recém-chegado aos Estados Unidos, para quem nada parecia impossível, e o pianista decadente, cada vez mais maneirista e sequelado pela insegurança e pelos psicotrópicos, Horowitz foi um artista de poucos meios-termos. Em sua última década de vida, que começou com recitais lamentáveis, capazes de enfurecer até mesmo as pacientes plateias japonesas, redimiu-se pelo uso mais comedido de seus truques pianísticos e (dentro do que lhe era possível) uma placidez mais atenta às intenções dos compositores.

Esta gravação, dias antes de sua morte, é uma de suas melhores. Predomina Chopin, interpretado com muito colorido e elegância. O destaque é uma Fantasia-Improviso não só fiel à partitura, mas também impressionantemente ágil para dedos de 86 anos. Os Noturnos de Chopin fazem a gente lamentar que Horowitz tenha gravado poucas outras obras da série, e a Sonata de Haydn beira a perfeição. Concluir o álbum com “Liebestod” e morrer meros cinco dias depois de seu último acorde foi, suspeitam alguns, o último gesto apelativo desse grande pianista.

VLADIMIR HOROWITZ – THE LAST RECORDING

Joseph HAYDN (1732-1809)

Sonata em Mi bemol maior para piano, Hob. XVI:49

01 – Allegro
02 – Adagio e cantabile
03 – Finale – Tempo di menuetto

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

04 – Mazurca em Dó menor, Op. 56 no. 3
05 – Noturno em Mi bemol maior, Op. 55 no. 2
06 – Fantasia-Improviso em Dó sustenido menor, Op.66
07 – Estudo em Lá bemol maior, Op. 25 no. 1
08 – Estudo em Mi menor, Op. 25 no. 5
09 – Noturno em Si maior, Op. 62 no. 1

Ferenc LISZT (1811-1886)

10 – Prelúdio sobre um tema da cantata “Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen” de J. S. Bach, S. 179

Wilhelm Richard WAGNER (1813-1883)
transcrição de Franz Liszt

11 – Tristan und Isolde – Isoldes Liebestod

Vladimir Horowitz, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Obrigado, Volodya!
Obrigado, Volodya!

Vassily Genrikhovich

Paul is not dead: celebrando a vida de Paul Badura-Skoda (A Man and His Music – Young and Curious [1941-46])

Paul is not dead: celebrando a vida de Paul Badura-Skoda (A Man and His Music – Young and Curious [1941-46])

Há dois dias, algumas postagens em minhas redes sociais deram conta do desaparecimento, aos 91 anos, do grande Paul Badura-Skoda, o subdecano dos pianistas (pois o decano é, sem dúvidas, o incansável Menahem Pressler: noventa e seis anos, oito décadas de carreira, participações em todas as formações do Beaux Arts Trio – de Daniel Guilet a Antonio Meneses – estreia com a Filarmônica de Berlim com noventa primaveras, e que tinha um recital marcado com o jovem Badura-Skoda para o mês passado, e que foi cancelado por indisposição do garoto austríaco). Imediatamente, comecei a escrever uma postagem lamentando o fato e celebrando a longa vida artística e, particularmente, o prolífico legado de Paul, fartamente registrado em gravações ao longo de sete décadas, muitas delas, como notou nosso colega Pleyel, em instrumentos de época, antes que esta prática entrasse em voga.

O sono me chamou, e a postagem jazeu incompleta, o que me poupou-me do vigoroso constrangimento de publicá-la só para depois constatar, com alegre cara de tacho, que, assim como acontecera com Mark Twain  e das muitas teorias a darem conta de que Sir James Paul is no more, os rumores da morte do Paul austríaco foram grandemente exagerados.

Ainda bem.

Com votos de que o notável vienense se recupere prontamente, deixo-lhes o primeiro duma série de discos comemorando seu septuagésimo quinto aniversário – efeméride que, como veem, já fez seu baile de debutantes. Nele, Paul – adolescente e adulto jovem – deixa-nos alguns bombons, tanto em leituras do repertório tradicional para o piano, em peças a que voltaria dezenas de vezes, quanto em gravações para o acordeão, o instrumento favorito na família Skoda – uma delas, o arranjo para a abertura de La Gazza Ladra, que dedica à mãe pelo seu dia.

Gute Besserung, und komm schnell wieder auf die Beine!

PAUL BADURA SKODA – A MUSICAL BIOGRAPHY – 75h BIRTHDAY TRIBUTE – CD1

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
O Cravo bem Temperado, livro 1: Prelúdio e Fuga em Dó sustenido menor, BWV 849
01 – Prelúdio
02 – Fuga

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sonata para piano no. 21 em Dó maior, Op. 53, “Waldstein”
03 – I. Allegro con brio

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)
04 – Barcarola em Fá sustenido maior, Op. 60
05 – Fantasia em Fá menor, Op. 49

Hans Ulrich STAEPS (1909-1988)
06 – Pan Pan

Louis GRUENBERG (1884-1964)
07-12 Six Jazz Epigrams

Billy GOLWYN (?-?)
13 – Verbena

Leopold MITTMANN (1904-1976)
14-16 Jazz Babies

Gioachino Antonio ROSSINI (1792-1868)
17 – La gazza ladra: Abertura

Pietro FROSINI (1885-1951)
18 – Serenade italienne

Hermann SCHITTENHELM (1893-1979)
19 – Der Eislaufer (The Ice Skater)

Josef SCHNEIDER (1866-1940)
20 – Tarantella

21 – Entrevista com Paul Badura-Skoda (em alemão)

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Vassily Genrikhovich

“O piano não consegue respirar naturalmente – o pianista tem que insuflar vida no piano” – por isso que Paul também toca, como faz nesta gravação, o acordeão.

Joseph Joachim & Pablo de Sarasate – Gravações completas (1903-1904) – Eugène Ysaÿe – Gravações (1912)

Joseph Joachim & Pablo de Sarasate – Gravações completas (1903-1904) – Eugène Ysaÿe – Gravações (1912)

51a7Y69Z7oLNão, você não leu errado: estas são as gravações completas dos legendários violinistas Joachim e Sarasate, feitas no começo do século XX.

Sim, Joachim: aquele que estreou sob a batuta de Felix Mendelssohn e consolidou o Concerto Op. 61 de Beethoven no repertório, que escreveu dezenas de cadenzas para concertos alheios, fundador de uma importante escola pedagógica, amigo de Schumann e de Brahms, e consultor deste último nas obras concertantes para violino.

E sim, ele mesmo: Sarasate, o mais célebre dos violinistas do século XIX depois de Paganini, receptor das dedicatórias da Sinfonia Espanhola de Lalo, do Concerto no. 2 de Wieniawski, do Concerto no. 3 e Introdução e Rondó Caprichoso de Saint-Saëns, entre outros.

De quebra, para fechar o disco, algumas das gravações que Eugène Ysaÿe, o maior violinista de seu tempo, realizou durante uma visita a Nova York em 1912.

Joseph Joachim (1831-1907)
Joseph Joachim (1831-1907)

Joachim tinha 72 anos quando realizou suas gravações – idade avançada para a época – e certamente já não estava no melhor de sua forma, tanto física quanto técnica. As técnicas primitivas de gravações, agravadas pelas dificuldades inerentes à captação do som do violino, ainda mais com as cordas de tripa que eram então a norma, exigem bastante do ouvinte que deseja apreciar a arte deste violinista legendário. As duas peças de Bach para violino solo carregam a distinção de serem as primeiras obras do Pai da Música jamais gravadas. Chamam a atenção também as ornamentações que adicionou, especialmente à bourrée, o uso muito comedido de vibrato (pois a escola fundada por Joachim assim defendia) e o que parece uma entonação distinta, que talvez estivesse em voga na distante década de 1830, quando começou a receber sua educação musical.

Joachim com o jovem Franz von Vecsey, em foto de 1903 - ano em que realizou suas únicas gravações. Aquele dedo indicador artrítico da mão esquerda dói só de olhar, e nos faz conceder um generoso desconto quando ouvimos os erros que ele deixou registrados para a posteridade.
Joachim com o jovem Franz von Vecsey, em foto de 1903 – ano em que realizou suas únicas gravações. Aquele dedo indicador artrítico da mão esquerda dói só de olhar, e nos faz conceder um generoso desconto quando ouvimos os erros que ele deixou registrados para a posteridade.

 

Pablo de Sarasate (1844-1908), com seu Stradivarius que pertenceu a Paganini, o mesmo instrumento usado nestas gravações.
Pablo de Sarasate (1844-1908), com seu Stradivarius que pertenceu a Paganini, o mesmo instrumento usado nestas gravações.

Comedimento era o que não existia no diminuto corpo de Sarasate, virtuose de fama mundial e compositor de diversas obras feitas sob medida para exibir sua técnica. Diferentemente de Joachim, ele abusa do vibrato e, a julgar por suas gravações, apreciava andamentos insanamente rápidos. O Prelúdio da Partita em Mi maior de Bach, por exemplo, é tocada em velocidade lúbrica, mais rápido até do que era capaz o violinista sexagenário: lá pelo segundo terço ele se perde completamente, como um estudante em pânico na prova, e só vem a se recuperar quando a obra se encaminha para o final (ele parece comentar alguma coisa no fim – talvez uma exclamação desbocada – mas não a consegui entender). O arranjo do Noturno de Chopin permite apreciar um pouco de seu afamado “cantabile”, que pelo jeito abusava do portamento.  No entanto, é em suas próprias obras que o basco parece se sair melhor, principalmente no “Zapateado” e nas famosas “Zigeunerweisen” (Árias Ciganas), aparentemente abreviadas para caberem na gravação – o Adagio acaba bruscamente (em meio a instruções sem-cerimoniosamente faladas pelo intérprete) para dar lugar ao velocíssimo Finale.

Eugene Ysaÿe (1858-1931)
Eugene Ysaÿe (1858-1931)

Já o belga Ysaÿe, aluno dos legendários Vieuxtemps e Wieniawski em Bruxelas, viveu até os anos 30. Por isso, deixou um legado maior de gravações, que nos soam mais modernas e muito mais satisfatórias que as de Sarasate e Joachim – mérito, também, da impressionante evolução das técnicas de gravação. O movimento final do Concerto de Mendelssohn, apesar dos cortes necessários para que coubesse num lado de um LP de 78 rpm, é bastante bom, e a famosa elegância do estilo de Ysaÿe fica evidente, apesar de algumas escorregadelas. Lembremo-nos de que as gravações eram feitas em uma só tomada, e o alto custo da mídia não permitia o luxo de repetir tomadas a bel-prazer.

Ysaÿe e o pianista Camille de Creus, realizando as gravações que vocês escutarão em breve, em Nova York (1912)
Ysaÿe e o pianista Camille Decreus, realizando as gravações que vocês escutarão em breve, em Nova York (1912). Reparem no cone que fazia as vezes de microfone

 

Espero que apreciem estas gravações preciosas que permitem, pelo menos àqueles que lhe relevam os ruídos de superfície inerentes às limitações técnicas da época, uma fascinante viagem aural ao passado.

JOSEPH JOACHIM – THE COMPLETE RECORDINGS (1903)
PABLO DE SARASATE – THE COMPLETE RECORDINGS (1904)
EUGÈNE YSAYE – SELECTED RECORDINGS (1912)

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

01 – Partita no. 1 em Si menor para violino solo, BWV 1002 – Bourrée
02 – Sonata no. 1 em Sol menor para violino solo, BWV 1001 – Adagio

Joseph Joachim, violino
(1903)

Joseph JOACHIM (1831-1907)

03 – Romance em Dó maior para violino e piano

Johannes BRAHMS (1833-1897), arranjos para violino e piano de Joseph Joachim

04 – Dança Húngara no. 1 em Sol menor
05 – Dança Húngara no. 2 em Ré menor

Joseph Joachim, violino
Pianista desconhecido
(1903)

Pablo Martín Meliton de SARASATE y Nevascués (1844-1908)

06 – Zigeunerweisen (Árias Ciganas), Op. 20
07 – Capricho Basco, Op. 24
08 – Introdução e Capricho Jota, Op. 41
09 – Introdução e Tarantela, Op. 43
10 – Zortzico Miramar, Op. 42
11 – Danças Espanholas, Op. 21 – no. 2: Habanera
12 – Danças Espanholas, Op. 26 – no. 2: Zapateado

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

13 – Noturnos, Op. 9 – no. 2 em Mi bemol maior (transcrição de Sarasate para violino e piano)

Pablo de Sarasate, violino
Pianista desconhecido
(1904)

Johann Sebastian BACH

14 – Partita no. 3 em Mi maior para violino solo, BWV 1006 – Prelúdio

Pablo de Sarasate, violino
(1904)

Emmanuel Alexis CHABRIER (1841-1894)

15 – Pièces pittoresques para piano – no. 10: Scherzo-Valse em Ré maior (transcrito por Ysaÿe para violino e piano)

GABRIEL URBAIN FAURÉ (1845-1924)

16 – Berceuse, Op. 16

Jakob Ludwig Felix MENDELSSOHN Bartholdy (1809-1847)

17 – Concerto em Mi menor para violino e orquestra, Op. 64 – Finale: Allegro molto (redução abreviada para violino e piano)

Henryk WIENIAWSKI (1835-1880)

18 – Duas Mazurkas para violino e piano, Op. 19

Johannes BRAHMS, arranjos para violino e piano de Joseph Joachim

19 – Dança Húngara no. 5 em Sol menor

Eugène Ysaÿe, violino
Camille Decreus, piano
(1912)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

BÔNUS: vocês sabiam que não há só uma, mas DUAS gravações de Johannes Brahms ao piano? Claro que o som é precaríssimo, pois elas são de 2 de dezembro de 1889 (imaginem, menos de um mês após a Proclamação de República no Brasil!). Brahms toca uma de suas Danças Húngaras e um trecho de uma polca de Josef Strauss. Este vídeo do pianista Jack Gibbons, que tem um dos melhores canais de YouTube para amantes do piano, guia-nos nessa experiência aural a um só tempo difícil e privilegiada:

Sarasate, o ligeirinho
Sarasate, o ligeirinho

Vassily Genrikhovich

Fryderyk Chopin (1810-1849) – Concertos para piano (versão para piano e quinteto de cordas)

Fryderyk Chopin (1810-1849) – Concertos para piano (versão para piano e quinteto de cordas)

51rPDzbxbvL._SS280Os antipianistas que me perdoem e que voltem noutro dia: hoje, mais uma vez, é dia de Chopin.

Tiete irremediável que dele sou, um verdadeiro “chopinete” com devoção quase patológica ao polonês genial, não foi à toa que o escolhi para minha estreia neste blogue, que ocorreu com duas postagens mamúticas do que eu afirmava ser a obra integral do polonês em instrumentos de época.

Sim, afirmava.

Sim, pretérito imperfeito.

ooOoo

Por algum motivo, não encontraram espaço naquela caixa de 21 CDs para estas transcrições dos concertos de Chopin para piano e quinteto de cordas. Ou talvez exista, sim, um bom motivo: o arranjo não é da lavra do próprio Chopin, mas de um certo Richard Hofmann, sobre o qual nada mais descobri, exceto o nome no frontispício da primeira edição do Concerto em Mi menor.

Ali, bem no rodapé
Ali, bem borradinho, no rodapé. Note-se o “avec Accompagnement d’Orchestre ou de Quintuor ad libitum” (“com acompanhamento de orquestra ou de quinteto, a bel-prazer”)

 

Tais arranjos eram muito populares naqueles tempos em que havia poucas orquestras profissionais, o que tornava os ensaios orquestrais muito dispendiosos. Ademais, ajudavam a popularizar a obra, libertando-a das salas de concertos e permitindo sua execução mesmo em domicílios ou nos salões aristocráticos notoriamente preferidos por Chopin.

Aqueles que não conseguem deglutir o que chamam de orquestração inepta de Chopin talvez apreciem seus Concertos nesta roupagem camerística, em que o pianista não só se exibe nos complicados solos, mas também assume algumas partes originalmente delegadas à orquestra, notoriamente aquelas das madeiras. A pianista Janina Fiałkowska pega leve nos fortes e fortissimos na parte solista e, assim, ajuda a preservar o caráter camerístico dos arranjos – que, se não chegam a se tornar sextetos com piano, pelo menos deixam estas muito conhecidas obras respirarem ar fresco.

FRYDERYK FRANCISZEK CHOPIN (1810-1849)
CONCERTOS PARA PIANO EM VERSÃO DE CÂMARA
Arranjos para piano e quinteto de cordas: Richard Hofmann

Concerto para piano no. 1 em Mi menor, Op. 11

01 – Maestoso
02 – Romanze: Larghetto
03 – Rondo: Allegro vivace

Concerto para piano no. 2 em Fá menor, Op. 21

04 – Maestoso
05 – Larghetto
06 – Rondo: Allegro vivace

Janina Fiałkowska, piano
Chamber Players of Canada:
Jonathan Crow
e Manuela Milani, violinos
Guylaine Lemaire,
viola
Julian Armour,
violoncelo
Murielle Bruneau,
contrabaixo

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Um Chopin franjudo no Parque Łazienki de Varsóvia (foto do autor)
Um Chopin franjudo no Parque Łazienki de Varsóvia (foto do autor)

Vassily Genrikhovich

O Mestre Esquecido, Capítulo 2 (Chopin: Sonatas nos. 2 & 3 – Antônio Guedes Barbosa)

AntoÃÇnio Guedes Barbosa_ ChopinConvidamos os fãs do Mestre Esquecido a acompanharem o GRUPO “ANTÔNIO GUEDES BARBOSA” no Facebook.

O conteúdo dos comentários à postagem inicial desta série sobre Antônio Guedes Barbosa – aclamação unânime de seu talento, especialmente por aqueles que tiveram o privilégio de ouvi-lo ao vivo, e indignação uníssona com o que consideram um oblívio incompreensível – só atestam sua condição de mestre esquecido.

A admiração pela arte de Barbosa não se restringe aos melômanos mundo afora. Muitos pianistas renomados declararam abertamente sua tietagem, e de tal maneira que não seria exagero considerá-lo, assim como pioneiramente intitularam Leopold Godowsky, um “pianista dos pianistas”.

Na Idade da Pedra Lascada da internet, eu já era fã de Barbosa e divulgava com entusiasmo seu legado em diversos fóruns, a maioria deles dedicada a Chopin. Muitos melômanos antes irredutíveis em suas preferências – fossem elas artistas do calibre de Rubinstein, Cortot e Argerich – acabavam reconhecendo a grandeza das interpretações do brasileiro, especialmente a combinação de precisão e originalidade.

Anos depois, já na Idade do Bronze, recebo uma mensagem de e-mail:

“Prezado senhor:

Encontrei sua referência a Antônio Barbosa, um de meus pianistas favoritos, num fórum de internet dedicado a Chopin. Falava com Andre Watts outro dia e ele me perguntou o que afinal acontecera com Barbosa. Nós dois estivemos num recital de Barbosa totalmente dedicado a Chopin em New York muitos anos atrás. Eu lhe falei que pensava que Barbosa morrera jovem de um ataque do coração. Se o senhor tiver qualquer informação sobre sua morte, eu apreciaria muito se a repassasse.
Muito obrigado.
Atenciosamente,
M. Perahia

Óbvio que implodi.

FRYDERYK FRANCISZEK CHOPIN (1810-1849)
SONATAS PARA PIANO – ANTÔNIO GUEDES BARBOSA

01 – Sonata no. 2 para piano em Si bemol menor, Op. 35 – Grave. Doppio movimento
02 – Sonata no. 2 para piano em Si bemol menor, Op. 35 – Scherzo
03 – Sonata no. 2 para piano em Si bemol menor, Op. 35 – Marche funèbre. Lento
04 – Sonata no. 2 para piano em Si bemol menor, Op. 35 – Finale. Presto
05 – Sonata no. 3 para piano em Si menor, Op. 58 – Allegro maestoso
06 – Sonata no. 3 para piano em Si menor, Op. 58 – Scherzo. Molto vivace
07 – Sonata no. 3 para piano em Si menor, Op. 58 – Largo
08 – Sonata no. 3 para piano em Si menor, Op. 58 – Finale. Presto non tanto

Antônio Guedes Barbosa, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Antônio Guedes Barbosa (1943-1993) não tem nem sequer uma página na Wikipedia - mas logo daremos um jeito nisso!
Antônio Guedes Barbosa (1943-1993) não tem nem sequer uma página na Wikipedia – mas logo daremos um jeito nisso!

Vassily Genrikhovich

The Art of the Nocturne, CD 3 de 4 – Fryderyk Franciszek Chopin (1810-1849) – Noturnos para piano

Nocturnes BoxSim, as agruras de atravessar o Congo deixaram-me meio sequelado. Estou indolente, rumo ao catatônico. Talvez tenham sido os alimentos peculiares que a gente ingere quando se está numa barca superlotada, com crocodilos amordaçados no convés. Ou, então, uma mosca tsé-tsé.

Seja lá o que for que estiver por trás dessa preguiça, não foi ela quem me fez repartir em duas postagens aquilo estes noturnos todos que poderia, tranquilamente, ter colocado numa só.

Julguem-me.

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

NOTURNOS PARA PIANO

Dois Noturnos, Op. 27

01 – No. 1 em Dó sustenido menor
02 – No. 2 em Ré bemol maior

Dois Noturnos, Op. 37

03 – No. 1 em Sol menor
04 – No. 2 em Sol maior

Dois Noturnos, Op. 48

05 – No. 1 em Dó menor
06 – No. 2 em Fá sustenido menor

Dois Noturnos, Op. 55

07 – No. 1 em Fá menor
08 – No. 2 em Mi bemol maior

09 – Noturno em Dó menor, Op. Póstumo

Bart van Oort, piano Érard (1837)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Não: eu não estava exagerando
Não: eu não estava exagerando

Vassily Genrikhovich

The Art of the Nocturne, CD 2 de 4 – Fryderyk Franciszek Chopin (1810-1849) – Noturnos para piano

Nocturnes BoxEstava eu em Kinshasa – o toalete do Inferno – bisbilhotando o que vocês aprontavam aqui no PQP Bach, quando então, em meio aos fumos pungentes da banquinha próxima de um vendedor de macaco assado (sic!), recebi a seguinte mensagem acerca da postagem inicial da série “The Art of the Nocturne”:

– Pô, Vassily: bote o restante da série, cabra!

Ôxe!

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

NOTURNOS PARA PIANO

Três Noturnos, Op. 9

01 – No. 1 em Si bemol menor
02 – No. 2 em Mi bemol maior
03 – No. 3 em Si maior

Peças Póstumas para piano, Op. 72

04 – No. 1: Noturno em Mi menor

Três Noturnos, Op. 15

05 – No. 1 em Fá maior
06 – No. 2 em Fá sustenido maior
07 – No. 3 em Sol menor

Dois Noturnos, Op. 32

08 – No. 1 em Si menor
09 – No. 2 em Lá bemol maior

Dois Noturnos, Op. 62

10 – No. 1 em Si maior
11 – No. 2 em Mi maior

12 – Lento con gran espressione – Noturno em Dó sustenido menor, Op. Póstumo

BART VAN OORT, piano Pleyel (1842)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

download

Vassily Genrikhovich

O Mestre Esquecido, Capítulo 1 (Chopin: Scherzi – Antônio Guedes Barbosa)

O Mestre Esquecido, Capítulo 1 (Chopin: Scherzi – Antônio Guedes Barbosa)

R-4077973-1354480888-3055.jpegQuem foi Antônio Guedes Barbosa?

Um pianista paraibano, pessoense, que estudou com ninguém menos que Arrau e Horowitz, viveu a maior parte de sua carreira nos Estados Unidos e foi fulminado por um infarto com meros cinquenta anos?

Sim, respostas corretas.

Nada disso, no entanto, poderia prepará-los para o estupor de escutá-lo pela primeira vez. Façam um favor a si mesmos: baixem a gravação dos scherzi de Chopin logo abaixo e, depois de escutá-la, digam-me se não tenho razão.

O sujeito tocava DEMAIS. Era um verdadeiro MONSTRO do teclado.

E se vocês virarem instantaneamente tietes dele, como eu virei ao conhecer seu talento há já um quarto de século, certamente quererão mais, não é?

Pois é aí que vem a surpresa:

NÃO TEM MAIS.

Isso mesmo:

NÃO.

TEM.

MAIS.

Quer dizer, até tem, mas não muito: uma gravação das valsas e das mazurcas de Chopin, um álbum de Liszt, as Bachianas Brasileiras no. 4 (todas lançadas pelo falecido selo Kuarup Classics), esta gravação dos scherzi que ora lhes apresento (“ripada” de um LP), as sonatas nos. 2 e 3 de Chopin (disponíveis no YouTube, também a partir de um LP), e um que outro vídeo pingado pelo YouTube.

E só.

O sujeito foi um dos maiores pianistas do seu tempo, mas tudo o que a gente encontra sobre ele é um punhado de gravações, menções a outras, e algumas notas biográficas esparsas.

Eu acho isso uma desgraça inexplicável. Pior ainda: fora um que outro melômano fanático, parece que poucos já ouviram falar dele.

Consta que ele gravou para o selo Connoisseur Society, dos Estados Unidos, pelo qual lançou, entre outros, os LPs dos scherzos e das sonatas já citados. Procurei em toda parte o catálogo de tal gravadora, sem encontrá-lo. Daí me lembrei da clássica gravação do tcheco Ivan Moravec tocando os noturnos de Chopin, que também era da Connoisseur e que encontrei republicada pela Nonesuch. Naveguei pelo catálogo desta outra, salivando de expectativa, e tudo o que encontrei de Barbosa foi…

NADA.

N-A-D-A

Com o perdão por meu desabafo, que terá que ser em maiúsculas, sublinhado e em negrito, eu pergunto:

– ONDE FORAM PARAR AS GRAVAÇÕES DO GRANDE PIANISTA PARAIBANO ANTÔNIO GUEDES BARBOSA???

Destruídas por alguém? Sumiram? Estão a guardadas sete chaves por conta de algum maldito? Ou no limbo por conta de algum imbróglio familiar ou com alguma gravadora?

Enquanto eu preparo sua paradigmática gravação das valsas de Chopin para uma próxima postagem, vocês tentam resolver minha doída dúvida, enchendo a caixa de comentários esclarecedores.

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

01 – Scherzo no.1 em Si menor, Op. 20
02 – Scherzo no .2 em Si bemol menor, Op. 31
03 – Scherzo no. 3 em Dó sustenido menor, Op. 39
04 – Scherzo no. 4 em Mi maior, Op. 54
05 – Canções Polonesas, Op. 74 – No. 1: “Życzenie ” (transcrição de Franz Liszt)
06 – Canções Polonesas, Op. 74 – No. 12: “Moja pieszczotka” (transcrição de Franz Liszt)

Antônio Guedes Barbosa, piano
LP do selo Connoisseur Society (New York, EUA), dos anos 70.

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

NOTA: já avisei que se trata de uma gravação “ripada” do vinil, não avisei? Não reclamem dos estalidos, portanto, e agradeçam pela oportunidade de escutarem um mestre em ação!

Convidamos os fãs do Mestre Esquecido a acompanharem o GRUPO “ANTÔNIO GUEDES BARBOSA” no Facebook.

E tu, Toninho: sabes onde estão???
E tu, Toninho: sabes onde estão tuas gravações???

Vassily

Os Índios Tabajaras – The Classical Guitars of Los Indios Tabajaras

Os Índios Tabajaras – The Classical Guitars of Los Indios Tabajaras
Indisponível em CD: só em LP e cassete, e não vendo meu vinil por dinheiro algum!
Indisponível em CD: só em LP, e não vendo o meu por dinheiro algum!

Uma das melhores coisas que podem acontecer a um blogueiro é receber um comentário que, por si só, enseja uma nova postagem.

Assim foi o comentário do camarada Ranulfus, lá naquela postagem que fiz semana passada sobre os MÍTICOS Índios Tabajaras:

FASCINADO depois de ouvir, e ouvindo mais uma vez agora mesmo. Puristas podem franzir o nariz, mas na verdade MÚSICA É ISSO, é realização sobretudo intuitiva. Os rapazes são músicos até debaixo d’água, DIZEM cada frase. Tenho certeza de que Bach também era isso: todo seu saber teórico era apenas apoio ao fazer-música intuitivo, tão naturalmente “como quem mija” (para usar uma fala do Monteiro Lobato relativa ao escrever, dirigida ao Érico Veríssimo e relatada por este).

A noção de agógica dos guris (condução do discurso musical pelo domínio do fraseado, das flexibilizações do tempo, das ênfases) dá de 10 a 0 em MUITO músico de currículo pomposo, seja em termos acadêmicos, de apresentações ou de gravações.

OBRIGADÍSSIMO por resgatar não só as preciosidades específicas que são essas faixas gravadas (de que eu queria muito mais), mas sobretudo A MEMÓRIA desses grandes músicos de BRASILIDADE insuperável – do que somente vira-latas complexados haveriam de se envergonhar (digo-o contrastando com os vira-latas assumidos e orgulhosos de sê-lo, como eu)”

Sou eu quem deve agradecer pelo comentário, e agradeço atendendo a vontade do colega de escutar um pouco mais da arte desses extraordinários músicos brasileiros, cuja trajetória do sertão do Ceará ao Concertgebouw de Amsterdam é das mais improváveis que este planeta já testemunhou.

Para que não pensem que estou sozinho na tietagem incondicional aos virtuosos Tabajaras. "the loin-cloth-to-tuxedo" Fonte: The Nato Lima Foundation
Para que não pensem que estou sozinho na tietagem incondicional aos virtuosos Tabajaras – e “loin-cloth-to-tuxedo legend”, convenhamos, é o melhor resumo possível da epopeia dos irmãos
Fonte: The Nato Lima Foundation

Em The Classical Guitars of Los Indios Tabajaras, seu segundo disco dedicado ao repertório erudito, Muçaperê e Erundi dividem-se entre escolhas batidíssimas (“Pour Elise” e o “Romance de Amor”), as audazes (a “Hora staccato” de Dinicu/Heifetz) e a francamente insana (o “Rondo des Lutins” de Bazzini, peça pra lá de cabeluda do repertório violinístico). Digna de destaque é a regravação de “Recuerdos de la Alhambra”,  em que (corrijam-se se estiver enganado), talvez numa resposta aos puristas que criticaram o arranjo anterior para dois violões como uma simplificação do original, Muçaperê toca a versão original de Tárrega (tremolo e arpejos simultâneos) com discreto acompanhamento de Erundi.

Para mim, a qualidade de gravação deixa a desejar em relação à de Casually Classic. Sou troglodita confesso no que diz respeito a técnicas de gravação, mas tenho a impressão de que os microfones foram posicionados mais perto dos braços dos violões do que de seus corpos, resultando num som menos rico e menos reverberante, sem valorizar à altura o legendário vibrato de Muçaperê/Natalício/Nato Lima. Ainda assim, e mesmo que se tenha a impressão dos irmãos menos inspirados que no disco anterior, as belezas transbordam.

Muçaperê e Erundi gravariam ainda dois álbuns de música erudita, “Dreams of Love” e “Masterpieces”, que só tenho em cassetes, e em muito mau estado. No primeiro, há uma belíssima versão da “Valse Triste” de Sibelius que Muçaperê considerava seu melhor trabalho como arranjador. Farei de tudo para encontrar uma fonte melhor e compartilhá-lo com vocês. Se acham que podem me ajudar, deixem-me saber pela caixa de comentários.

OS ÍNDIOS TABAJARAS – THE CLASSICAL GUITARS OF LOS INDIOS TABAJARAS (1974)

Muçaperê (Natalício Moreira Lima) e Erundi (Antenor Moreira Lima), violões
Transcrições de Muçaperê

 

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

01 – Duas Valsas, Op. 34 – no. 2 em Lá menor

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

02 – Bagatela em Lá menor, WoO 59, “Pour Elise”

Francisco de Asís TÁRREGA y Eixea (1852-1909)

03 – Recuerdos de la Alhambra

Grigoraş Ionică DINICU (1889-1949), em arranjo de Jascha Heifetz (1901-1987)

04 – Hora staccato

Fryderyk Franciszek CHOPIN

05 – Valsa em Lá bemol maior, Op. 69, No. 1, “Adeus”

Antonio BAZZINI (1818-1897)

06 – Scherzo Fantastico, Op. 25, “La Ronde des Lutins

Joaquín MALATS i Miarons (1872-1912)

07 – Serenata Española

ANÔNIMO

08 – Romance de Amor*

* os créditos do LP atribuem a autoria ao violonista espanhol Vicente Gómez (1911-2001), mas a obra é certamente anterior a ele

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Vassily Genrikhovich

Colagem para divulgação da já extinta Nato Lima Foundation, criada com o fim de angariar fundos para o tratamento de Muçaperê contra o câncer que o mataria. Nela aparece sua esposa, a japonesa Michiko, que aprendeu violão com Muçaperê para assumir a vaga de Erundi, depois que este se aposentou no começo dos anos 80. Emocionei-me profundamente ao encontrar esta colagem, pois foi a primeira vez que vi imagens da dupla ainda na infância e adolescência. Fascinado que sou há tanto tempo pela história de Erundi e Muçaperê, fico a imaginar onde está, ou que fim levou, o precioso material iconográfico gerado pela trajetória destes brasileiros fora-de-série.
Colagem para divulgação da extinta Nato Lima Foundation, criada com o fim de angariar fundos para o tratamento de Muçaperê/Natalício/Nato contra o câncer que o mataria. Nela aparece sua esposa, a japonesa Michiko, que aprendeu violão com Muçaperê e assumiu o lugar de Erundi depois que este se aposentou, no começo dos anos 80. Chorei feito um desgraçado ao encontrar esta colagem, pois não só desconhecia a maior parte das fotos que a compõem, como também porque foi a primeira vez que vi imagens da dupla na infância e adolescência – provavelmente durante a longa viagem, permeada por fome e violência, que empreenderam com a família do Ceará até o Rio de Janeiro. Fascinado que sou há tanto tempo pela história dos Índios Tabajaras, fico a imaginar onde está, ou que fim levou, este inestimável material iconográfico que poderia ajudar a contar, para as novas gerações, a trajetória destes brasileiros extraordinários.

 

 

Os Índios Tabajaras – Casually Classic

Os Índios Tabajaras – Casually Classic

Casually Classic - frHá ficção e realidade – e contos, e novelas.

Há mitos, há lendas – e causos, e trovas.

Há histórias tão improváveis que são indeglutíveis.

E há a história de Muçaperê e Erundi, ou de Natalício e Antenor Lima, ou – como o mundo todo viria a conhecê-los – dos Índios Tabajaras.

ooOoo

Eles eram, de fato, indígenas, nascidos da nação Tabajara, na serra de Ibiapaba, perto da divisa entre o Ceará e o Piauí. Receberam seus nomes nativos porque eram o terceiro (“muçaperê”) e quarto (“erundi”) filhos de seu pai. Sua trajetória do sertão até o sucesso mundial é tão inacreditável que minha prosa não tem asas para contá-la: deixo o próprio Natalício fazê-lo, neste longo, fascinante depoimento.

Resumo da epopeia: um primeiro contato com militares (e com o violão) no sertão; um tenente os apadrinha, e adotam “nomes de branco”; a fome move a família para o Rio de Janeiro, a pé e em pau-de-arara, ao longo de três anos, durante os quais se familiarizam com a viola brasileira e o violão; primeiras aparições no rádio e em teatros da Capital Federal e em São Paulo, anunciados como “bugres que sabem tocar”; sem serem levados muito a sério, fazem suas primeiras gravações; saem em turnê pela América Latina; chegam ao México, onde são apresentados por Ricardo Montalbán como “analfabetos musicais”; o constrangimento leva-os a terem aulas de música em Caracas e Buenos Aires; excursão pelos Estados Unidos, onde gravam várias músicas do repertório easy listening, incluindo o fox “Maria Elena”; retorno desiludido ao Brasil e busca de uma nova carreira; no meio-tempo, o compacto de “Maria Elena” transforma-se num imenso sucesso retardado, com mais de um milhão de vendas; os irmãos são catapultados de volta aos Estados Unidos, onde, entre idas e vindas, se radicam e vivem até suas mortes.

A acreditar em tudo o que se conta deles, temos a mais fantástica trajetória artística que ainda não virou livro ou filme. Mas não é ela, claro, que nos interessa, pois isso aqui, afinal de contas, é o PQP Bach e quem me lê não quer saber de histórias fabulosas: quer música, e muita, e da muito boa.

Surge, pois, a minha deixa para apresentar-lhes esta gravação.

Se a maior parte do repertório da dupla consistiu em músicas melosas, feitas para pagar as contas e destinadas invariavelmente aos almoços de família e às salas de espera de consultórios de dentista, os largamente autodidatas Muçaperê e Erundi eram entusiastas da música clássica europeia e, sempre que podiam, incluíam suas peças em seus recitais. Em muitos deles, tocavam música de elevador vestidos em trajes, ahn, “indígenas” (daqueles para inglês ver) para, depois do intervalo e de smoking, tocarem as transcrições de obras de concerto habilmente feitas por Muçaperê.

Este álbum, Casually Classic, inclui algumas delas, com solos de Muçaperê, e acompanhamentos de Erundi.

Talvez alguns torçam o nariz para a transcrição de Recuerdos de la Alhambra para dois violões, em vez da difícil superposição entre melodia em tremolo e acompanhamento em arpejos com o polegar da versão solo. Eu a acho esplêndida e muito mais evocativa que o original. Os excertos orquestrais são cheios de verve, e a fuga de Bach – uma estranha no ninho entre as seleções – é deliciosamente trigueira. O ponto alto, para mim, é a Fantasia-Improviso de Chopin, transcrita e interpretada de uma maneira tão linda que me é até mais convincente que o original pianístico.

Se a muitos será uma surpresa a revelação de que houve um grande duo de violonistas brasileiros antes dos irmãos Assad conquistarem o planeta, espero que ela, ao escutarem esta gravação, seja muito grata.

OS ÍNDIOS TABAJARAS – CASUALLY CLASSIC (1966)

Muçaperê (Natalício Moreira Lima) e Erundi (Antenor Moreira Lima), violões
Transcrições de Muçaperê

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

01  – Valsa em Dó sustenido menor, Op. 64 no. 2

Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)

02 – O Quebra-Nozes, Op. 71: Valsa das Flores

Francisco de Asis TÁRREGA y Eixea (1852-1909)

03 – Recuerdos de la Alhambra

Nikolay Andreyevich RIMSKY-KORSAKOV (1844-1908)

04 – A Lenda do Czar Saltan – Ato III, Interlúdio: O Voo do Zangão

Fryderyk Franciszek CHOPIN

05  – Valsa em Ré bemol maior, Op. 64 no. 1

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

06 – O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Dó sustenido maior, BWV 848: Fuga

Manuel de FALLA y Matheu (1876-1946)

07 – El Amor Brujo: Dança Ritual do Fogo

Fryderyk Franciszek CHOPIN

08 – Fantasia-Improviso em Dó sustenido menor, Op. 66

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Mussaperê e Herundi, vestidos para inglês ver
Erundi e Muçaperê, vestidos para inglês ver

Vassily

Frederic Chopin (1810-1849): Piano Works – Études, Impromptus, Sonatas, Concertos – Tamás Vásary

Não tenho muita certeza, mas creio que a primeira vez que ouvi Chopin foi com este grande pianista hungaro, Tamás Vásáry. Maiores detalhes não saberia dar, mas foi há muito tempo atrás. No tempo em eu ainda andava de calça curta e corria empinando pipa, ou então, pedalava quilômetros para cima e para baixo com minha Monareta. Era ainda um pré adolescente, sem muito entender o mundo a minha volta. A escola em que estudava ficava a meros 100 metros de minha casa, nem precisava pegar ônibus. Como sei que foi com o Tamás Vásáry? Ou teria sido com Rubinstein? A memória nos prega peças a partir de certa idade. De qualquer maneira, foi nesta época que Chopin me foi apresentado. Além disso fui precoce em matéria de música clássica, graças a minha mãe, que sempre me incentivou a ouvir este estilo musical. Ouvia no final de domingo o programa de música clássica da Rádio local, e prestava atenção quando ele dava os detalhes de quem estava tocando. Por algum motivo, comecei a memorizar aquilo. Antes dos doze anos já sabia quem era Arthur Rubinstein, Herbert von Karajan, Arturo Toscanini, entre outros. Quando ia na casa de minha avó eu ouvia os discos das coleções da Reader’s Digest de música ligeira (???), e por algum motivo estranho, sempre tinha alguma obra de Chopin ali, ao lado das Aberturas da Cavalaria Rusticana, ou do William Tell, e claro, da Abertura 1812 de Tchaikovsky ou alguma outra passagem do Lago dos Cisnes ou do Quebra Nozes.

Mas Tamás Vásáry foi um grande pianista, que se especializou exatamente no repertório romântico. Suas gravações pela Deutsche Grammophon venderam horrores. E estas suas gravações de Chopin são altamente conceituadas. Esta coleção que estou postando é composta de seis cds, que trarei em duas postagens com três cds cada.

CD 4

1 – 12 – Études, op. 10
13 – 24 – Études, op. 25
25-28 – Impromptus

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 5

01. Chopin Piano Sonata No.2 in B flat minor, Op.35 – I. Grave – Doppio movimento
02. Chopin Piano Sonata No.2 in B flat minor, Op.35 – II. Scherzo
03. Chopin Piano Sonata No.2 in B flat minor, Op.35 – III. Marche Funebre
04. Chopin Piano Sonata No.2 in B flat minor, Op.35 – IV. Presto
05. Chopin Piano Sonata No.3 in B minor, Op.58 – I. Allegro Maestoso
06. Chopin Piano Sonata No.3 in B minor, Op.58 – II. Scherzo. Molto Vivace
07. Chopin Piano Sonata No.3 in B minor, Op.58 – III.Largo
08 Chopin Piano Sonata No.3 in B minor, Op.58 – IV. Finale. Presto non tanto
09. Chopin Mazurka in D major, Op.Posth. – Allegro non troppo
10. Chopin Mazurka in C major, Op.67 No.3 – Allegretto
11. Chopin Mazurka in A minor, Op 68 No.2 – Lento
12. Chopin Mazurka in B flat major, Op.7 No.1 – Vivace
13. Chopin Introduction and Variations on a German National Air ‘Der Schweizerbub
14. Chopin Mazurka in A flat major, Op.Posth. – Poco mosso
15. Chopin Berceuse in D flat major, Op.57 – Andante
16. Chopin Polonaise ¡°Hero¡± in A flat major, Op.53 – Maestoso

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 6

01. Chopin Piano Concerto No.1 – I. Allegro maestoso
02. Chopin Piano Concerto No.1 – II. Romance. Larghetto
03. Chopin Piano Concerto No.1 – III. Rondo. Vivace
04. Chopin Piano Concerto No.2 – I. Maestoso
05. Chopin Piano Concerto No.2 – II. Larghetto
06. Chopin Piano Concerto No.2 – III. Allegro vivace

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Tamás Vásary – Piano
Berliner Philharmoniker

Frederic Chopin (1810 – 1849) – Piano Works – Nocturnes, Waltzes, Ballades, Scherzi – Támas Vásáry

A música de Chopin me emociona desde que a primeira vez que a ouvi. Ela tem uma incrível capacidade de ampliar aqueles sentimentos que temos escondidos dentro de nós. É como se expusesse uma ferida aberta. E cabe ao intérprete saber expor isso. Não deve ser fácil, pois a música de Chopin além de ser altamente emotiva, é de um grau de dificuldade imenso, basta ouvir qualquer um de seus estudos, ou uma de suas  baladas, ou sonatas. O intérprete tem de se envolver totalmente, ele também deve se expor. Por isso meu pianista favorito para este repertório sempre será Arthur Rubinstein, aquele incrível velhinho que me emocionou desde que o ouvi pela primeira vez. Olhos fechados, concentração total, uma verdadeira imersão naquele universo de notas. Em minha modesta opinião ele representa a síntese do intérprete de Chopin, são seus discos que me servem de parâmetro se vou ouvir outros músicos. Muitos devem não concordar, e respeito suas opiniões. Por isso estou trazendo outro intérprete fundamental deste repertório. Assim ofereço a quem não conhece uma outra opção, assim podem ir tirando suas conclusões.
Vou trazer para os senhores algumas obras de Chopin interpretadas por um importante músico que se destacou ali entre os anos 60 e 70, Támas Vásáry. Serão seis cds ao todo, claro que apenas uma parte das obras estão gravadas aqui, dentro do universo de composições do polonês. Começamos com os Noturnos, Valsas, Baladas e os Scherzos.

Espero que apreciem.

CD 1

01. Nocturnes No. 1 in B flat minor, op. 9 no.1 – Larghetto
02 Nocturnes No. 2 in E flat major, op. 9 no.2 – Andante
03. Nocturnes No. 3 in B major, op. 9 no.3 – Allegretto
04. Nocturnes No. 4 in F major, op. 15 no.1 – Andante cantabile
05. Nocturnes No. 5 in F sharp major, op. 15 no.2 – Larghetto
06. Nocturnes No. 6 in G minor, op. 15 no.3 – Lento
07. Nocturnes No. 7 in C sharp minor, op. 27 no.3 – Larghetto
08. Nocturnes No. 8 in D flat major, op. 27 no.2 – Lento sostenuto
09. Nocturnes No. 9 in B major, op. 32 no.1 – Andante sostenuto
10. Nocturnes No. 10 in A flat major, op. 32 no.2 – Lento
11. Nocturnes No. 11 in G minor, op. 37 no.1 – Andante sostenuto
12. Nocturnes No. 12 in G major, op. 37 no.2 – Andantino
13. Nocturnes No. 13 in C minor, op. 48 no.1 – Lento
14. Nocturnes No. 13 in F sharp minor, op. 48 no.2 – Andantino

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2

01. Nocturnes No.15 in F minor, op. 55 no.1 Andante
02. Nocturnes No.16 in E flat major, op. 55 no.2 Lento sostenuto
03. Nocturnes No.17 in B major, op. 62 no.1 Andante
04. Nocturnes No.18 in E major, op. 62 no.2 Lento
05. Nocturnes No.19 in E minor, op. post. 72 no.1 Andante
06. Nocturnes No.20 in C sharp, op. post Lento con gran espressione
07. Waltz Grande Valse brillante in E flat major op.18 Vivo
08. Waltz No.1 in A flat major, op.34 Vivace
09. Waltz No.2 in A minor, op.34 Lento
10. Waltz No.3 in F major, op.34 Vivace
11. Waltz Grande Valse in A flat mejor, op.42 Vivace
12. Waltz No.1 in D flat major, op.64 Molto Vivace
13. Waltz No.2 in C sharp minor, op.64 Tempo giusto
14. Waltz No.3 in A flat major, op.64 Moderato
15. Waltz No.1 in A flat major, op.69 Tempo di Valse
16. Waltz No.2 in B minor, op.69 Moderato
17. Waltz No.1 in G flat major, op.70 Molto Vivace
18. Waltz No.2 in F minor, op.70 Tempo giusto
19. Waltz No.3 in D flat major, op.70 Moderato
20. Waltz in E minor, op. post. Vivace
21. Waltz in E major, op. post. Tempo di Valse22. Waltz in A flat major, op. post
23. Waltz in E flat major, op. post

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 3

01. Ballade No.1 in G minor, op.23
02. Ballade No.2 in F major, op.38
03. Ballade No.3 in A flat major, op.47
04. Ballade No.4 in F minor, op.52
05. Scherzo No.1 in B minor, op.20
06. Scherzo No.2 in B flat minor, op.31
07. Scherzo No.3 in C sharp minor, op.39
08. Scherzo No.4 in E major, op.54

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Tamás Vásáry – Piano

Frederic Chopin – Waltzes – Claudio Arrau

Faço esta postagem meio que a toque de caixa, a pedido de nosso querido Ammiratore, que me perguntou hoje de tarde se eu tinha este CD. Sim, meu caro, o tenho. Ei-lo aí.

Para aqueles que não o conhecem, Claudio Arrau foi um extraordinário pianista chileno, que gravou muito, sua discografia é imensa, o selo DECCA recém lançou a integral de suas gravações e o número é incrível: 80 CDs. Como seus contemporâneos Horowitz e Rubinstein, Arrau também teve uma vida longeva, 88 anos. Atravessou o século, por assim dizer. E sempre tocando e gravando nos palcos de todo o mundo, uma vida toda dedicada a música. Dedicou-se bastante ao repertório romântico, e Chopin era realmente sua grande paixão. Esta gravação das Valsas que ora vos trago é uma das melhores já realizadas. Vale cada minuto de sua audição.  Detalhe: esta gravação do antigo selo Philips foi realizada em 1979, quando o músico já estava com 76 anos de idade.

Espero que apreciem, gosto muito desta versão.

1. Waltz No.1 in E flat, Op.18 -“Grande valse brillante”
2. Waltz No.2 in A flat, Op.34 No.1 – “Valse brillante”
3. Waltz No.3 in A minor, Op.34 No.2 6:26
4. Waltz No.4 In F Major, Op.34 No.3 “Grande Valse Brilliante”
5. Waltz No.5 in A flat, Op.42 – “Grande valse”
6. Waltz No.6 in D flat, Op.64 No.1 -“Minute”
7. Waltz No.7 in C sharp minor, Op.64 No.2
8. Waltz No.8 in A flat, Op.64 No.3
9. Waltz No.9 in A flat, Op.69 No.1 -“Farewell”
10. Waltz No.10 in B minor, Op.69 No.2
11. Waltz No.11 in G flat, Op.70 No.1
12. Waltz No.12 in F minor/A flat, Op.70 No.2
13. Waltz No.13 in D flat, Op.70 No.3
14. Waltz No.14 in E minor, Op.posth.
15. Waltz No.16 in A flat, Op.posth.
16. Waltz No.15 in E, Op.posth.
17. Waltz No.19 in A minor, Op.posth.
18. Waltz No.18 in E flat, Op.posth.
19. Waltz No.17 in E flat, Op.posth.

Claudio Arrau – Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Chopin Evocations – Daniil Trifonov, Mikhail Pletnev, Mahler Chamber Orchestra

Este CD vai em homenagem à todos aqueles românticos babões, como este que vos escreve, que sempre se emocionam com as obras do polonês Chopin, mesmo que já as tenham ouvido dezenas, quiçá, centenas de vezes.
Daniil Trifonov é um dos grandes nomes do piano da atualidade, sem dúvida nenhuma. E esta sua parceria com o também pianista, regente e compositor Mikhail Pletnev, e claro, russo como ele, é uma grande prova disso. Os fãs destes concertos vão notar que existe uma diferença na parte orquestral, e aí é que entra Pletnev, que reescreveu essa parte. Li em certa ocasião que aí residia um dos grandes problemas destes concertos: a parte orquestral, que não seria a praia de Chopin. Alguns excessos desnecessários, diziam os críticos. Pletnev realmente deu um trato, digamos assim, enxugou estas partes. Volto a repetir, os fãs dos concertos e ouvintes destas obras há décadas, como este que vos escreve, irão entender do que estou falando. Aliás, antes de ouvir com mais atenção esta gravação, ouvi a histórica gravação de Samson François, lá do final dos anos 50, com a regência de Louis Fremaux, uma de minhas leituras favoritas. E Samson François foi um dos maiores intérpretes de Chopin do século XX.

Mas vamos ouvir o que Trifonov tem a dizer:
“Chopin revolutionized the expressive horizons of the piano. From very early in his musical output, Chopin’s lyrical grace, thematic sincerity, harmonic adventure and luminous virtuosity embodied all the qualities the Romantics, like Schumann, found irresistible.”

O texto do booklet continua a análise:

“In the context of these diverse works composed or inspired by Chopin, a new light is cast on his two piano concertos, written in close succession when he was turning 20. The F minor “Second” Concerto was in fact composed and premiered first, although it was published after the E minor “First” Concerto. Yet irrespective of sequence, the two works can be understood together as a singular experiment in a genre to which Chopin never returned. They reflect the young composer’s creative consciousness paying homage to his musical predecessors while searching for new expressive means. As Trifonov explains: “The concertos are more massive in terms of length and instrumentation than anything else Chopin ever wrote. He knew and admired the piano concertos of Mozart and Beethoven, yet his interest in the form was not in the Classical balance between soloist and orchestra, but in the concerto as a lyrical epic form, like a Delacroix painting, providing a huge tableau for his musical expression.”
The experiment was only partly successful. While the E minor Concerto is more bravura and the F minor more introversion, they are both full of candid sentiment, drama and pianistic innovation, their central movements evoking bel canto melodies of heartbreaking intimacy. But the proportions are challenging. Chopin eschews the Classical convention of discrete cadenzas, instead subsuming all elements of thematic variation and technical development in a continuous soloistic narrative. His typically delicate, improvisational style and compact elegance can get lost in the sprawling dimensions of the works, the authenticity of whose orchestrations have always been a matter of debate. In both concertos, the piano plays almost uninterruptedly from the solo introduction in the first movement exposition through to the final bars. Yet, as the soloist winds and twists and explores melodic nuances, the original orchestral accompaniment provides punctuation and amplitude but little affinity with this flow of ideas. It was the desire to restore these two works to more chamberlike proportions commensurate with the detail of the solo material and to allow for more faithful interaction between soloist and orchestra that motivated Mikhail Pletnev to create new orchestrations for the two Chopin concertos. The piano parts are unaltered, but Pletnev’s streamlined instrumentation, in Trifonov’s words, “liberates the soloist. The new orchestral transparency allows the pianist greater spontaneity and sensitive engagement with the other voices.” Himself a brilliant pianist-composer, Pletnev’s intimate knowledge of the scores as both performer and orchestrator make him an ideal partner in Trifonov’s Chopinist evocations. The Mahler Chamber Orchestra, a dynamic ensemble of soloists steeped in the responsiveness demanded by opera and chamber music, realizes Pletnev’s refreshed balances of voice and colour. Pletnev’s contribution to the musical constellation is not only material, but also spiritual. As Trifonov explains: “My mentor and teacher, Sergei Babayan, studied with Mikhail Pletnev in Moscow in the 1980s. That makes him a little bit like my musical forefather.” The family portrait is completed on this album by a rendition of Chopin’s rarely heard and devilishly difficult Rondo op. posth. 73, performed by Trifonov and Babayan together. This autobiographical element closes the circle of thematic motives in Trifonov’s project revolving around Chopin. “Chopin is one of the world’s most beloved composers – the poetry of his music goes straight to the heart and requires no justification”, Trifonov contends. “But in a sense, the genius of Chopin becomes even more clear in the context of those who influenced him and those who have been inspired by him.” The programme affords an opportunity to hear his familiar music afresh, transfigured within a tapestry of historical, musicological, personal and expressive “evocations”, as well as a glimpse of the young man to whose “genius, steady striving, and imagination” Schumann bowed his head.”

Espero que apreciem. Eu gostei muito deste CD.

CD 1
FRÉDÉRIC CHOPIN (1810–1849)
Concerto for Piano and Orchestra No.  2 in F minor op.  21 f-Moll | en fa mineur
1 1. Maestoso
2 2. Larghetto
3 3. Allegro vivace

Daniil Trifonov piano
Mahler Chamber Orchestra
Mikhail Pletnev

Variations on “Là ci darem la mano” from the opera Don Giovanni by W. A. Mozart in B flat major op.  2 B-Dur | en si bémol majeur
4 Introduction. Largo – Poco più mosso
5 Tema. Allegretto
6 Var. 1. Brillante
7 Var. 2. Veloce, ma accuratamente
8 Var. 3. Sempre sostenuto
9 Var. 4. Con bravura
10 Var. 5. Adagio

ROBERT SCHUMANN (1810–1856)
12 Chopin. Agitato 1:30 No. 12 from Carnaval op.  9

EDVARD GRIEG (1843–1907)
13 Study “Hommage à Chopin” op.  73 no. 5. Allegro agitato

SAMUEL BARBER (1910–1981)
14 Nocturne op.  33. Moderato

PYOTR ILYICH TCHAIKOVSKY (1840–1893)
15 Un poco di Chopin op. 72 no.  15. Tempo di Mazurka

Daniil Trifonov piano

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (FLAC)
CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (MP3)

CD 2

1 Rondo for Two Pianos in C major op. posth. 73 n ut majeur
Daniil Trifonov, Sergei Babayan pianos

Concerto for Piano and Orchestra No. 1 in E minor op. 11 e-Moll
2 1. Allegro maestoso
3 2. Romance. Larghetto
4 3. Rondo. Vivace

Daniil Trifonov piano
Mahler Chamber Orchestra
Mikhail Pletnev

FREDERIC MOMPOU (1893–1987) Variations on a Theme by Chopin
5 Theme. Andantino
6 Var. 1. Tranquillo e molto amabile
7 Var. 2. Gracioso
8 Var. 3. Lento (Para la mano izquierda / For the left hand)
9 Var. 4. Espressivo
10 Var. 5. Tempo di Mazurka
11 Var. 6. Recitativo
12 Var. 7. Allegro leggiero
13 Var. 8. Andante dolce e espressivo
14 Var. 9. Valse
15 Var. 10. Évocation. Cantabile molto espressivo
16 Var. 11. Lento dolce e legato
17 Var. 12. Galope y Epílogo 3:19

FRÉDÉRIC CHOPIN
18 Impromptu No.  4 in C sharp minor 5:36 “Fantaisie-Impromptu” op.  66

Daniil Trifonov piano

CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (FLAC)
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (MP3)

 

Frédéric Chopin (1810-1849) – Barcarolle, Mazurkas, Polonaise-Fantaisie In A Flat Major, Op. 61, etc. – Maurizio Pollini

Não precisam se assustar, não estou repetindo postagem. Ontem postei o segundo CD lançado por Pollini, dedicado aos últimos opus de Chopin. Este aqui é o primeiro, que tem a magnífica Polonaise-Fantaisie, uma das mais belas obras do repertório pianístico. E Pollini é Pollini.  Admirável, perfeito, divino, sei lá, ficar aqui relacionando adjetivos para este músico é chover no molhado.

Ouçam, ouçam, ouçam, e depois tirem suas conclusões. Aos 77 anos de idade ele continua em atividade, gravando, realizando espetáculos enfim, uma lenda viva.

01. Chopin Barcarolle In F Sharp Major, Op. 60
02. Chopin 3 Mazurkas, Op. 59-No. 1 In A Minor. Moderato
03. Chopin 3 Mazurkas, Op. 59-No. 2 In A Flat Major. Allegretto
04. Chopin 3 Mazurkas, Op. 59-No. 3 In F Sharp Minor. Vivace
05. Chopin Polonaise-Fantaisie In A Flat Major, Op. 61
06. Chopin 2 Nocturnes, Op. 62-No. 1 In B Major. Andante
07. Chopin 2 Nocturnes, Op. 62-No. 2 In E Major. Lento
08. Chopin 3 Mazurkas, Op. 63-No. 1 In B Major. Vivace
09. Chopin 3 Mazurkas, Op. 63-No. 2 In F Minor. Lento
10. Chopin 3 Mazurkas, Op. 63-No. 3 In C Sharp Minor. Allegretto
11. Chopin 3 Valses, Op. 64-No. 1 In D Flat Major. Molto vivace
12. Chopin 3 Valses, Op. 64-No. 2 In C Sharp Minor. Tempo giusto
13. Chopin 3 Valses, Op. 64-No. 3 In A Flat Major. Moderato
14. Chopin Mazurka In F Minor, Op. Posth. 68-No. 4 Andantino

Maurizio Pollini – Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Frédéric Chopin (1810-1849) – Nocturnes op. 55, Mazurkas, op. 56, Sonata op. 58 – Maurizio Pollini

O imenso pianista italiano Maurizio Pollini deixa sua marca registrada nestes CD dedicado a Chopin. E Pollini, como não poderia deixar de ser diferente, está impecável, temos aqui um artista no apogeu de sua arte, independente das faces enrugadas, da calvície pronunciada e da idade avançada. Pollini já transcendeu em sua arte, não precisa provar mais nada. Depois de cinquenta anos de carreira, tudo o que vier é lucro.
Neste CD, na verdade o segundo dedicado a Chopin, lançados em um período de dois anos, o grande mestre continua seu  projeto em que se dedica aos último opus de Chopin. Noturnos, Mazurkas, a magnífica Sonata nº 3, entre outras obras recebem um tratamento delicado e intimista.

“Há uma certeza e maestria consumada em seu desempenho que só pode vir de décadas interpretando e amando esse repertório … As páginas finais da sonata, com sua enxurrada de semicolcheias deslumbrantes, oferecem ampla prova, se fosse necessário provar, que a velha magia de Pollini ainda está muito presente e correta” James Longstaffe, Presto Classical.

01. Chopin – Nocturne in F Minor, Op. 55 No. 1
02. Chopin – Nocturne in E-Flat Major, Op. 55 No. 2
03. Chopin – Mazurka in B Major, Op. 56 No. 1
04. Chopin – Mazurka in C Major, Op. 56 No. 2
05. Chopin – Mazurka in C Minor, Op. 56 No. 3
06. Chopin – Berceuse in D-Flat Major, Op. 57
07. Chopin – Piano Sonata No. 3 in B Minor, Op. 58 – 1. Allegro maestoso
08. Chopin – Piano Sonata No. 3 in B Minor, Op. 58 – 2. Scherzo (Molto vivace)
09. Chopin – Piano Sonata No. 3 in B Minor, Op. 58 – 3. Largo
10. Chopin – Piano Sonata No. 3 in B Minor, Op. 58 – 4. Finale (Presto non tanto)

Maurizio Pollini – Piano

BAIXAR AQUI – DOWNLOAD HERE