Wilson Fonseca (1912-2002), Altino Pimenta (1921-2003), Ernst Mahle (1929), Luiz Pardal (1960), Dimitri Cervo (1968), Marcos Cohen (1977): Música brasileira para clarineta, violino e piano [link atualizado 2017]

MUITO BOM !

Fonogramas entusiasticamente cedidos por Raphael Soares.

Ah, música brasileira, gerada, quase toda ela, em Belém do Pará, na metrópole em meio à selva!

Acredito que deva ainda hoje ser uma imagem recorrente aos habitantes de outros países, especialmente os mais distantes do Brasil: a visão de cidades pequenas, com ruas de terra, em meio à densa e pluviosa floresta tropical. Creio que não são poucos os que se espantam ainda nos dias de hoje com as metrópoles tupiniquins quando sobrevoam nossas imensas cidades.

Belém é uma dessas que assombrariam todos os clichês que se tem das urbes amazônicas: cidade grande, com mais de dois milhões de habitantes, viva, vibrante, cheia de gente, com um porto importante voltado para o Caribe… Ainda não a conheço pessoalmente, não percorri suas ruas, mas me parece encantadora. Está nos meus roteiros futuros.

Me parece que a intenção deste trio, do Arcotrio, é justamente mostrar a Belém moderna, ligada, como toda grande cidade dos dias atuais, aos movimentos mais recentes das artes. Eles resgatam peças de dois compositores da terra: Altino Pimenta e Wilson Fonseca, e interpretam outras mais de autores contemporâneos belenenses ou radicados na terra do Ver-o-Peso: Luiz Pardal e Marcos Cohen (que está na clarineta). E puxam outros dois de terras distantes: o gaúcho Dimitri Cervo e o alemão naturalizado brasileiro Ernst Mahle (que vive na folclórica Piracicaba). Fazem, com isso, um álbum rico, diverso e muito interessante.

Música moderna, inteligente, de vanguarda, da melhor qualidade, e brasileira!
Ouça! Ouça! Deleite-se!

Música Brasileira
para Clarineta, Violino e Piano

Luiz Pardal (Luiz Pereira de Moraes Filho – Belém, PA, 1960)
Suíte Arcortrio
01. I. Toccata para Ceison
02. II. Modinha para Cintia
03. II. Choro às pressas pro Cohen
Marcos Cohen (Belém, PA, 1977)
04. Lundu
Dimitri Cervo (Santa Maria, RS, 1968)
Abertura e Toccata
05. I. Abertura
06. II. Toccata
Altino Pimenta (Belém, PA, 1921-2003)
Suíte Funcional
07. I. Quase Sonatina
08. II. Toada
09. III. Swing Valsa
10. IV. Olympia
Ernst Mahle (Stuttgard, Alemanha, 1929)
Trio (1998)
11. I. Presto vivace
12. II. Andantino
13. III. Un poco vivace
Wilson Fonseca (Belém, PA, 1912-2002)
14. Lundu
Luiz Pardal (Luiz Pereira de Moraes Filho – Belém, PA, 1960)
Suíte Waldemar
15. I. Uirapuru
17. II. Valsa e Primavera
18. III. Rolinha

Marcos Cohen, clarineta
Celso Gomes, violino
Cíntia Vidigal, piano
Jarad Brown (Sons Eletrônicos)
Manaus, 2011

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Dimitri Cervo (1968) – Toronubá

Dimitri Cervo é a melhor revelação da música clássica gaúcha nas últimas décadas, ao lado de seu conterrâneo – compositor e violonista – Daniel Wolff. Influenciado principalmente pela música indígena brasileira e pelo minimalismo novaiorquino, Cervo – que pratica surfe como hobby (imaginem Vivaldi surfando…) – tem recebido distinções importantes em nível nacional e criado obras como nunca. Aqui vai a única compilação disponível delas.

Digo o seguinte: siga direto pra faixa nove, pois ela é que interessa. A apreciação do restante das músicas deixo por conta de vocês (nunca vi tanta reciclagem de temas num mesmo CD).

Toronubá, para oito percussionistas e piano, é algo sui generis e consegue conquistar até o público mais rocker, com sua pulsão e timbrística inimitáveis. Nada menos que uma das obras mais bem sucedidas a estrear na última década – ano passado, a Sinfônica de Sergipe a incluiu (em versão para cordas e percussão) em sua turnê nacional – e à qual, se eu fosse PQP, daria o rótulo de IM-PER-DÍ-VEL.

***

Toronubá – A música de Dimitri Cervo

1. Tema para Filme I, op. 23 (2005) – Piano solo
2. Papaji, op. 11 (1997) – Violoncelo e Piano
3. Canção (1987) – Flauta e Piano
4. Bagatela, op. 8 (1995) – Flauta e Piano
5. Brasil 2000, op. 12 (1997-2005) – Piano solo
6. Abertura e Toccata, op. 6 (1995) – Flauta, Clarinete e Piano
7. Aiamguabê, op. 19 (2002) – Violino, Viola, Violoncelo e Piano
8. Flot, op. 4 (1993-94) – Piano solo
9. Toronubá, op. 16 (2000) – 8 Percussionistas e Piano
10. Tema para Filme II, op. 23 (2003) – Piano solo

Dimitri Cervo, composição e piano
Artur Elias Carneiro e João Batista Sartor, flautas
Diego Grendene, clarineta
Rogério Nunes, violino
Cristiano Bion Loro, viola
Alexandre Diel e Douglas Araújo, violoncelos
Grupo PIAP, percussão (diretor: John Boudler)

BAIXE AQUI (link retirado a pedido do compositor*)

COMPRE O CD

CVL

* Dimitri Cervo alertou que o CD ainda estava disponível em lojas e que as vendas tinham caído em função desta postagem. Ele autorizou a disponibilização das três primeiras faixas, mas falta-me tempo para reloads. Em todo caso, peço desculpas pelo inconveniente.

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