C.P.E. Bach, Graf, M. Haydn, Hasse: Concertos para Violoncelo

Uma coleção de Concertos para Violoncelo de compositores do século XVIII. Não é uma coisa de louco. Vogler grava três concertos inéditos em gravações e os faz acompanhar do famoso Concerto Nº 3 de CPE Bach. O desempenho de Vogler — esta é a primeira versão que eu ouvi do concerto do mano CPE em violoncelo moderno — tem pouco do drama de outras gravações, mas canta com alma no Largo e dança atleticamente através dos movimentos rápidos. Os “novos” trabalhos são bons, com destaque para o Concerto de Friedrich Hartmann Graf, colocado estrategicamente em segundo lugar no CD.

C.P.E. Bach, Graf, M. Haydn, Hasse: Concertos para Violoncelo

Concerto for Cello no 3 in A major, Wq 172/H 439 by Carl Philipp Emmanuel Bach
1. Concerto for cello, strings & continuo (‘No. 3’) in A major, H. 439, Wq. 172: Allegro
2. Concerto for cello, strings & continuo (‘No. 3’) in A major, H. 439, Wq. 172: Largo mesto
3. Concerto for cello, strings & continuo (‘No. 3’) in A major, H. 439, Wq. 172: Allegro assai

Concerto for Cello and Orchestra in D by Friedrich Hartmann Graf
4. Cello Concerto in D major : Allegro
5. Cello Concerto in D major : Romance. Andante
6. Cello Concerto in D major : Rondo. Allegro

Concerto for Cello in D major by Johann Adolf Hasse
7. Cello Concerto in D major: Andante moderato – Fuga
8. Cello Concerto in D major: Largo
9. Cello Concerto in D major: Allegro

Concerto for Cello and Orchestra in B flat by Michael Haydn
10. Cello Concerto in B flat major, MH deeest (spurious): Moderato
11. Cello Concerto in B flat major, MH deeest (spurious): Romanze. Andante un poco agitato
12. Cello Concerto in B flat major, MH deeest (spurious): Finale. Rondo

Jan Vogler, Cello
Reinhard Goebel
Munich Chamber Orchestra

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Philip Mercier (1689-1760), The Sense

Philip Mercier (1689-1760), The Sense

PQP

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Michael Haydn (1737-1806): Sinfonias

Rapaz, este é um bom disco. Interpretação segura, belíssimo som e, ah, se Michael fosse como seu brother Franz Josef ou como o contemporâneo Mozart… Mas o disco não decepciona de forma alguma. A propósito, Michael Haydn foi vítima de um caso de póstuma identidade confundida. Durante muitos anos, a obra que hoje conhecemos como a sua Sinfonia Nº 26 foi considerada como a Sinfonia Nº 37 K.444 de Mozart. A confusão ocorreu porque descobriu-se um autógrafo de Mozart no movimento inicial da sinfonia. O resto não se parecia com a caligrafia de Mozart. Hoje considera-se que Mozart tinha composto um novo movimento lento para o início da sinfonia por razões ainda desconhecidas, mas sabe-se que o resto da obra é de Michael Haydn. A obra, que foi amplamente executada como sinfonia de Mozart, foi tocada consideravelmente menos desde esta descoberta em 1907. Por isso, Mozart não tem uma Sinfonia Nº 37. Pula da 36ª para a 38ª. Essa é uma boa pegadinha. “Admiro muito a 37ª de Mozart!’.

Michael Haydn (1737-1806): Sinfonias

Symphony P6 In A Major 14:24
1 I. Allegro Molto 3:54
2 II. Menuetto – Trio 3:42
3 III. Andante – 3:44
4 IV. Finale: Allegro Molto 3:01

Symphony P9 In B Flat Major 14:06
5 I. Allegro Assai 3:57
6 II. Andantino 2:40
7 III. Menuet – Trio 3:27
8 IV. Finale: Allegro Molto 3:55

Symphony P16 In G Major 16:03
9 I. Allegro Con Spirito 5:10
10 II. Andante Sostenuto 5:54
11 III. Finale: Allegro Molto 4:55

Symphony P26 In E Flat Major 9:00 <—
12 I. Allegro Con Brio 3:07
13 II. Adagietto – 2:44
14 III. Finale – Fugato: Allegro 3:07

Symphony P32 In F Major 15:22
15 I. Allegro Molto 5:56
16 II. Adagio Ma Non Troppo 4:57
17 III. Rondeau. Vivace

London Mozart Players
Matthias Bamert

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Já sei, PQP, vais dizer que meu irmão mais velho era mais bonito, né?

Já sei, PQP, vais dizer que meu irmão mais velho era mais bonito, né? Sim, ia dizer.

PQP

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Michael Haydn (1837-1806): String Quintets

Irmão mais novo de Joseph Haydn, Michael Haydn nasceu na aldeia austríaca de Rohrau, perto da fronteira húngara. O início de sua carreira profissional foi pavimentada pelo irmão mais velho ‘José’, cuja habilidade e timbre vocal lhe haviam rendido uma posição como menino soprano na Catedral de St. Estêvão em Viena – daí a divertida história da fuga do então menino Joseph Haydn ao ouvir rumores de que poderiam transformá-lo em castrato. Segundo testemunhos da época ‘Miguel’ teria sido um estudante mais brilhante do que ‘José’, e quando Joseph cresceu o suficiente para ter problemas com sua voz soprano, foi o canto de Michael que se destacou. Deixando a escola coral, Michael foi nomeado Kapellmeister em Salzburg, onde permaneceu por 43 anos e onde escreveu mais de 360 composições, compreendendo tanto música sacra como instrumental. Na sua permanência em Salzburg, Michael estava familiarizado com a família Mozart, travando longa amizade como Amadeus, em mútua admiração. Em 1768 se casou com a cantora Maria Magdalena Lipp (1745-1827), gerando somente uma filha (Aloisia Josepha, nascida em 31 de janeiro de 1770) mas que morreu pouco antes de seu primeiro aniversário. Embora Lipp fosse por alguma razão detestada pelas mulheres da família Mozart, participou de diversas óperas de Amadeus. Comenta-se ainda que o velho e paternal Leopold Mozart o teria aconselhado a maneirar na manguaça – pois que o mano Haydn seria ‘bom de copo’. Em Salzburg Michael foi professor de Carl Maria von Weber e Anton Diabelli. Michael permaneceu próximo de Joseph toda a sua vida. Joseph considerava a música de seu irmão altamente, a ponto de declarar que as suas obras religiosas eram superiores às suas próprias. Michael Haydn morreu em Salzburg com a idade de 68 anos.

haydn 2

Michael nunca compilou um catálogo temático das suas obras, nem nunca supervisionou a realização de um. O mais antigo catálogo foi compilado em 1808 por Nikolaus Lang por sua “Biographische Skizze” (Esboço Biográfico). Em 1907 Lothar Perger compilou um catálogo de suas obras orquestrais. E em 1915 Anton Maria Klafsky realizou um trabalho semelhante em relação à música vocal sacra de Michael. Em 1982, Charles H. Sherman, que editou dezenas de muitas das suas sinfonias para Doblinger, publicou um catálogo cronológico que algumas gravadoras têm adotado. Mais tarde, em 1991, Sherman juntou forças com T. Donley Thomas publicando um catálogo cronológico mais preciso. Enfim, algumas das obras de Michael Haydn são referidas pelos números Perger, do catálogo temático das suas obras compilado por Lothar Perger em 1907.

As obras corais sacras de Michael são geralmente consideradas como mais importantes, incluindo o Requiem pela a morte do Arcebispo Siegmund em C menor, que influenciou o Requiem de Mozart.  Também foi um compositor prolífico de música secular, incluindo quarenta sinfonias e partitas para madeiras; diversos concertos e música de câmara, incluindo um quinteto de cordas em C maior, que seria atribuído ao irmão Joseph. Outro caso de controvérsia de identidade póstuma envolve Michael Haydn, uma sinfonia de Mozart: durante muitos anos a obra que hoje conhecemos como a sua sinfonia nº 26 foi considerada como a sinfonia nº 37 K.444 de Mozart. A confusão gerou-se porque se descobriu um autógrafo que continha o movimento inicial da sinfonia feito pela mão de Mozart. Hoje considera-se que Mozart teria composto um novo movimento lento para o início da sinfonia, por razões ainda desconhecidas, mas sabe-se que o resto da obra é de Michael. A obra, que fora amplamente executada como sinfonia de Mozart, foi tocada consideravelmente menos desde esta descoberta em 1907. Sabe-se que foram grandes amigos e decerto companheiros de caneca. Em ocasiões nas quais um deles adoecia, o outro ajudava na consecução dos trabalhos encomendados.

Vários dos trabalhos de Michael Haydn teriam influenciado Mozart. Em três exemplos: o Te Deum, que teria influenciado Wolfgang em seu K. 141; o final da sinfonia 23 que pode ter sido uma fonte das ideias para o final do Quarteto em G, K. 387; e (em forma de fuga e tema de encerramento), o finale da Sinfonia No. 29 (1784) de Michael, em comparação ao monumental final da Sinfonia 41 – Júpiter; ambas em C maior.

Gostaria de destacar neste disco a faixa 9, o Adagio Cantabile do Quinteto em C maior, P. 108. Que seria atribuído ao mano ‘Zezinho’. Se me fosse permitido atribuir este engenhoso, inebriante, gracioso, expressivo e belo movimento a outro compositor eu o atribuiria a Amadeus; também por sua intensa carga discursiva presente no diálogo dos instrumentos, típica de um exímio operista. Ressalto também que este repertório, enquadrado nos limitadores ideais estéticos do classicismo, é muito difícil de se interpretar, sob o risco de resultar numa música enfadonha; no que um velho amigo melômano chamava de um “rococó insuportável”. Felizmente temos o incomparável L’Archibudelli, cujo compromisso com o repertório que escolhe e cuja excelência são absolutos.

Quinteto em Bb maior, P. 105
I Allegro con brio
II Menuett I. Moderato
III Largo
IV Tema. Allegretto Var. I-VI
V Menuetto II. Allegretto
VI Finale. Presto
VII Marcia. Andante Grazioso.

Quinteto em C maior, P. 108
I Allegro
II Adagio Cantabile
III Menuetto. Allegretto
IV Rondó. Allegro molto

Quinteto em G maior, P. 109
I Allegro brilliante
II Adagio afetuoso
III Menuetto. Allegrinho
IV Presto

Ensemble L’Archibudelli
Cello – Anner Bylsma
Violinos – Vera Beths e Lucy Van Dael
Violas – Guus Jeukendrup e Jürgen Kussmaul

Gravação de 1994.

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

michael haydn

Well Bach

 

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!