Honegger (1892-1955): Sinfonias nº 2 e No. 3 “Liturgique” / Stravinsky: Concerto para orquestra de cordas

A sinfonia, após Beethoven, se tornou uma forma épica, apropriada para grandes obras afirmativas de sentimentos românticos, espirituais ou trágicos. Não é à toa que, no período imediatamente antes, durante e após a longa 2ª Guerra Mundial, abundam sinfonias de peso: do lado comunista do mundo, as de Shostakovich, Prokofiev e Lutoslaswki; do lado ocidental, a Sinfonia Litúrgica de Honegger, composta entre 1945 e 46, é a mais célebre por expressar a tragédia daquele período, com uma pontinha de esperança quand même.

O próprio Honegger escreveu um extenso programa para a sinfonia, deixando explícita a conexão da música com os horrores da guerra e o desejo de paz. “Eu quis simbolizar a reação do homem moderno contra a maré da barbárie, da estupidez, do sofrimento…”, escreveu o compositor. Como sabemos, o homem que não conhece a história está condenado a repeti-la.

Herbert von Karajan, que regia muito pouca música do século XX, colocou esta sinfonia no seu repertório habitual e foi um dos maiores intérpretes dela, assim como da 2ª sinfonia, para cordas e trompete, escrita durante a guerra. Como escreveram dois comentaristas da Amazon:

It’s never really been out of fashion amongst some to denigrate von Karajan for being smooth and suave when he should be rough and ready, etc. etc. In any event, when he was personally sold on a piece, and championed it in the concert hall, there were few rivals. The Honegger 3rd (and 2nd, really) was one such piece. And yes, Karajan’s magician’s way of getting the Berlin Philharmonic into, and becoming, the piece is certainly in evidence here.

To call the strings impeccable in Symphony 2, (composed 1941), is an understatement, this is the Berlin Philharmonic we’re talking about, under Karajan they were by far the finest strings in the world. Hell, they were the best orchestra in the world, period.
Symphony 3, “Liturgique”, (composed 1945-46), receives a one of a kind, supreme reading as well. It is nigh-definitive, the dies irae passionate, the adagio suitably expansive and moving, the final dona nobis pacem stunning in its virtuosity. Just like the second symphony this music was inspired by World War II and there’s plenty of tragic emotion in the work.

Honegger: Symphony No.2 For Trumpet And Strings (1941)
1. I: Molto moderato – allegro
2. II: Adagio mesto
3. III: Vivace, non troppo
Honegger: Symphony No.3, “Liturgique” (1946)
4. I: “Dies Irae” – Allegro marcato
5. II: “De Profundis Clamavi” – Adagio
6. III: “Dona Nobis Pacem” – Andante
Stravinsky: Concerto In D For String Orchestra, “Basler” (1946)
7. I: Vivace
8. II: Arioso. Andantino
9. III: Rondo. Allegro
Berliner Philharmoniker, Herbert von Karajan

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Karajan – amado e odiado por milhões. Em sua defesa, cabe lembrar que ele jamais plagiou discursos de Goebbels

Pleyel

Jean Pierre Rampal – Le Flûte Enchantée

51oXC-PjV5LJean Pierre Rampal foi um dos maiores flautistas do século XX, quiçá o maior. Creio que a primeira vez que o ouvi foi exatamente com essas obras de Bach aqui presentes. Fiquei muito impressionado, mas como vivemos no Brasil, e ainda estávamos no início da década de 80, era muito difícil encontrar seus discos em minha pequena cidade do interior. Mesmo quando ia para a capital, também era difícil achar alguma coisa.
Mas com o passar do tempo, consegui localizar alguns discos dele, e encantamento foi ainda maior. Essa série de quatro cds que estou trazendo hoje é exatamente para mostrar-lhes a evolução do gênio em seu instrumento. Tem de Bach a Honneger, ou seja, o repertório é bem eclético, abrangendo dos séculos XVIII ao século XX.  Claro que falta muita coisa, mas serve como aperitivo para os senhores melhor conhecerem o talento desse cara.

CD 1

1 – 9 – J.S. Bach (1685-1750) – Sonates pour flûte & clavecin BWV 1030-1032
10-20 – J.S. Bach – Sonates pour flûte & continuo BWV 1033-1035
21-24 – J.S. Bach – Sonate pour flûte seule BWV 1013

Jean Pierre Rampal – Flûte
Robert Veyron-Lacroix – Clavecin

CD 2

1 – G.P.Teleman (1681-1767) – Concerto en sol majeur pour flûte & cordes – 1 Allegro ma non troppo
2 – Adagio
3 – Allegro
4 – Suite en la mineur pour flûte & cordes – 1 Ouverture
5 2 Les Plaisirs
6 3 Air á l’italliane
7 4 Menuets
8 5 Réjouissances
9 6 Passapied
10 7 Polonaise
11-13 Sonates pour flûte & clavecin
14 Concerto pour flûte & clavecin

Jean Pierre Rampal – Flûte
Robert Veyron-Lacroix – Clavecin
Orchestre de chambre de la Sarre
Karl Ristenpart – Conductor

CD 3

1-3 Joseph Haydn (1732-1809) – Sonate pour flûte & Piano
4-9 Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sérenade pour flûte, violin & alto
10 Franz Schubert (1797-1828) – Introduction &a variations sur le theme “Ihr Blümlein alle”
11-13 Robert Schumann (1810-1856) – 3 Romances op. 94

Jean Pierre Rampal – Flûte
Robert Veyron-Lacroix – Piano
Gérrard Jarry – Violin
Serge Collot – Alto

CD 4

1-3 Claude Debussy (1862-1918) – Sonate pour flûte, alto & harpe

Jean Pierre Rampal – Flûte
Odette Le Dentu – Harpe
Pierre Pasquier – alto

4 – Maurice Ravel – Introduction & allegro pour harpe, flûte,  clarinet & quatour à cordes

Jean Pierre Rampal – Flûte
Lily Laskine – Harpe
Ulysse Delécluse – Clarinette
Quatour Pascal

5-7 Albert Roussel (1869-1937) – Sérenade pour flûte, harpe & Trio à cordes
Jean Pierre Rampal – Flûte
Lily Laskine – Harpe
Trio Pasquier

8-10 Arthur Honegger (1892-1955) – Concertino da camara pour flûte, cor anglais & orchestre à cordes

Jean Pierre Rampal – Flûte
Pierre Pierlot – Cor anglais
Association des Concerts de Chambre de Paris
Fernand Oubradous – Conductor

11 Arthur Honneger – Romance
12 Amable Massis (1893-1980) – Pastorale
13 Henri Gagnebin (1886-1977) – Marche des gais lurons

Jean Pierre Rampal – Flûte
Françoise Gobet – Piano

 

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FDPBach

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French Ballet Music of the 1920s – Les Mariés de la Tour Eiffel & L'Eventail de Jeanne

Estes, curiosamente, são balés compostos a várias mãos, por compositores franceses da primeira metade do século XX, época em que Paris era o point das artes e em que as apresentações de balés rivalizavam de igual para igual com os espetáculos operísticos.

Les Mariés de la Tour Eiffel é um balé de um ato, com libreto de Cocteau e música de Auric, Milhaud, Tailleferre, Honegger, e Poulenc, que teve sua estréia em 18 de junho de 1921. Embora L. Durey não estivesse envolvido no balé, este é, no entanto, considerado uma obra-prima para as idéias musicais do grupo de compositores conhecidos coletivamente como Les Six. Nesta gravação foi suprimido o texto narrativo de Jean Cocteau, muito chato, por sinal, para quem, como eu, não entende “p. n.” de francês.

L’Eventail de Jeanne é um balé infantil coreografado em 1927 por Alice Bourgat e Franck Yvonne. A música foi composta por 10 compositores franceses, cada um contribuiu com uma dança estilizada em forma clássica. São eles, Maurice Ravel, Pierre-Octave, Jacques Ibert, Alexis Roland-Manuel, Delannoy Marcel, Albert Roussel, Darius Milhaud, Francis Poulenc, Georges Auric e Florent Schmitt.

“Jeanne” se refere a uma hospedeira parisiense e patrona das artes, Jeanne Dubost, que dirigia uma escola infantil de balé. Na primavera de 1927, ela entregou a dez dos seus amigos compositores, folhas de seus fãs, pedindo que cada um deles escrevesse uma pequena dança para seus alunos. As crianças estavam vestidas com trajes de conto de fadas e a decoração foi animada por um conjunto projetado com espelhos. Tal foi o sucesso que, dois anos mais tarde, foi realizada na Ópera de Paris com a pequena Tamara Toumanova, que mais tarde viria a se tornar uma famosa bailarina internacional.

É interessante salientar que apenas Poulenc, Auric e Milhaud, participaram dos dois projetos colaborativos. Enfim, este é um cd que me agrada bastante. É ouvir e apreciar!

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French Ballet Music of the 1920s

L’eventail de Jeanne
01. Fanfare (Maurice Ravel) 1:25
02. Marche (Pierre-Octave Ferroud) 03:12
03. Valse (Jacques Ibert) 03:44
04. Canarie (Roland-Manuel) 02:11
05. Bourree (Marcel Delannoy) 03:20
06. Sarabande (Albert Roussel) 03:30
07. Polka (Darius Milhaud) 02:14
08. Pastourelle (Francis Poulenc) 01:58
09. Rondeau (Georges Auric) 03:28
10. Kermesse-Valse (Florent Schmitt) 04:54

Les Mariés de la Tour Eiffel
11. Ouverture: Le 14 juillet (Georges Auric) 02:29
12. Marche nuptiale (Darius Milhaud) 01:57
13. Discours de general: Polka pour 2 cornets a pistons (Francis Poulenc) 00:46
14. La Baigneuse de Trouville: Carte postale en couleurs (Francis Poulenc) 02:03
15. Fugue du massacre (Darius Milhaud) 01:46
16. Valse de depeches (Germaine Tailleferre) 02:33
17. Marche funebre (Arthur Honegger) 03:46
18. Quadrille: Pantalon – Ete – poule – Pastourelle – Final (Germaine Tailleferre) 03:04
19. Ritournelles (Georges Auric) 02:01
20. Sortie de la noce (Darius Milhaud) 00:25

Philharmonia Orchestra, Geoffrey Simon

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Marcelo Stravinsky