Caio Prado (1991) : VARIÁVEL ELOQUENTE (2015) : amostras de uma novíssima canção brasileira (popular?)

CAIO PRADODia desses um amigo mandou um clip de áudio para ilustrar um ponto em uma conversa de whatsapp. De imediato fui surpreendido pela entrada de um quarteto de cordas, quando o tal amigo não é conhecedor de “clássico”. Em seguida entrou o que de início julguei uma voz feminina grave, que pela tessitura, timbre e modo de enunciar as palavras e frases me lembrou nitidamente Nana Caymmi, apenas que (me permitam) com a afinação aperfeiçoada.

Mas as palavras pareciam de um universo estranho ao repertório daquela notável cantora. Não houve, inclusive, como não pensar numa referência religiosa ao ouvir as palavras “meu bem sofre de maldade, faz o mal querendo sempre o bem” (São Paulo aos Romanos: “o bem que quero não faço, mas o mal que não quero, esse faço”) – mas anos-luz mais refinada que o usual na música de uso religioso produzida hoje em dia no país (a qual não passa de paródia alcohol-free de música inventada originalmente para outros fins…) – e refinada não pela complexidade ou abundância de elementos, mas, de um modo talvez zen, justamente pela economia de meios, despojamento mesmo, deixando o essencial da música e texto ousadamente a nu – no que poderia ter revelado precariedade mas, pelo menos no meu sentir, evidenciou foi elegância artística e sensibilidade intelectual.

Perguntei ao meu amigo quem seria responsável por esse instigante objeto, e foi aí que ele me apresentou Caio Prado: jovem negro crescido nos subúrbios do Rio, com passagem pela Escola Villa-Lobos e por pelo menos duas vezes “massacrado” em concursos de tevê por júris absolutamente incapazes de perceber o refinamento que já estava presente em suas tentativas de apresentação, mesmo se de fato ainda inseguras e imaturas – mas hoje já com realizações consistentes e um círculo de admiradores considerável, mesmo se mais em qualidade que em quantidade.

Não me parece inadequado ver Caio Prado como parte da onda criativa de renovação cultural que flui a partir das periferias urbanas brasileiras desde meados da década de 1990 – quando, pela primeira vez na história do país, massas de jovens das “massas” reunidas nessas periferias pela frenética urbanização das décadas anteriores adentraram o Ensino Médio e começaram mesmo a ir além.

Mas Caio é geralmente listado em uma onda mais específica que vem surgindo dentro da primeira desde 2014 ou pouco antes: uma onda de músicos performáticos que se dedicam todos a “tensionar os papéis de gênero” e outras questões de diversidade sexual de modo direto, não apenas alusivo como havia feito um Ney Matogrosso – onda que inclui nomes como Liniker, o grupo As Bahias e a Cozinha Mineira, ou o rapper Rico Dalasam. Seria um erro pensar na produção desse pessoal como uma arte de interesse restrito a um gueto, pois, curiosamente, suas produções estão de fato entre o que tem sido feito de melhor e mais renovador na chamada MPB na presente década. E, dentro disso, minha impressão é que Caio faz o trabalho artisticamente mais depurado, mais capaz de sobreviver como arte perene, independente das circunstâncias e modas estilísticas de uma época. Essa a razão da pergunta “popular?” no título da postagem. (Clique aqui para um artigo de 2016 que aborda onze dos artistas ou grupos mais representativos dessa onda).

Só mais um detalhe, antes de deixar vocês com a palavra (em trecho de entrevista), imagem (na palhinha em vídeo) e música de Caio Prado: em suas entrevistas, Caio costuma mencionar vários nomes consagrados da MPB entre suas influências – entre eles, sempre o de… Nana Caymmi. Parece que o ouvido do velho monge aqui não falhou…

Caio Prado: trecho de entrevista a Fabiane Pereira
http://www.ubc.org.br/publicacoes/noticias/4400

– Seu primeiro disco traz 10 faixas autorais. O que o inspira a compor?
– A boa poesia me instiga. E o verso musicado é o que me desperta à criação. O amor, paixões e relações do ser humano foram as minhas primeiras inspirações. Minha primeira música, aos 10 anos, é “Meus Sonhos e Fantasias” e carrega toda a inocência e as idealizações de um apaixonado. Sou amante das palavras e me interesso pela sonoridade ímpar de cada uma delas. Vejo música quando reconheço uma palavra e um verso, gosto tanto da poesia lírica quanto do coloquialismo das ruas. De um pisciano utópico a um existencialista social, me vi influenciado pela filosofia e sociologia, e hoje minha música passa por questões mais complexas de observação social. Entendo que a música está a serviço da cultura e comunicação de um povo, por isso me interesso em ressaltar temas como superação, autoconhecimento e sempre potência ativa. Tudo vejo como arte e tudo vejo como política.

Palhinha:

CAIO PRADO : CD “VARIÁVEL ELOQUENTE” (2015)
Caio Prado: textos, melodias e voz
Produção musical: Clemente Magalhães e Maycon Ananias
Arranjos para quarteto de cordas: Maycon Ananias

01 Prelúdio
02 Maldade do meu bem
03 Lamento
04 Se um dia
05 Cantiga do início
06 Meu perdão
07 Anomia
08 Não recomendado
09 Roteirista
10 Variável eloquente

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Ranulfus

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.: Interlúdio :. BY THE THROAT

  • Repost de 17 de Abril de 2016

Muitas obras musicais são caixinhas de surpresa de sentimentos: felicidade, melancolia, nostalgia, tristeza, raiva, euforia, entre outros. A maioria se situa entre a felicidade, que geralmente (mas nem sempre) está atrelada aos tons maiores (ré maior, fá maior, etc.) e a tristeza (ré menor, dó menor, etc.).

Se navegamos pelas músicas do período clássico e romântico, é muito fácil identificar os sentimentos da música em algum lugar entre esses dois polos, felicidade e tristeza. Na virada para o século XX, isso fica mais difícil entre os românticos tardios. No início do século XX, os compositores modernos nos deleitam com novos sentimentos até então pouco explorados, o suspense na Sagração de Stravinsky, e não bem um sentimento, mas imagens nostálgicas, nas obras de Debussy.

Mas o que até então eu nunca tinha experimentado, embora trilhas sonoras de filmes já tenham chegado perto, é terror. Terror no sentido mais puro da palavra, terror de verdade, da morte, da dor, uma mistura de medo e desespero em algo muito pior. Isso puramente a partir da música, não da mistura de sensações que os filmes nos trazem.

BY THE THROAT, lançado em 2009 pelo compositor e produtor musical Ben Frost, que apesar de ser australiano vive na Islândia, é uma experiência musical ímpar. Este álbum une a beleza de uma melodia levemente nostálgica com o terror de um ambiente criado pela música.

Um internauta desreveu soberbamente essa experiência auditiva:

“(…)And with this latest [album], the chills rise up my spine and hold me, in perpetual, electric shock. The cover art alone puts into my mind the images of my final moments, lying naked on the snow, steam rising from the breath of a hungry wolf, his teeth sunk into my throat. And the track titles do not let up. Through The Glass Of The Roof, Through The Roof Of Your Mouth, Through The Mouth Of Your Eye. And the music? Dark grinding metallic strings scratched through distorted pads, deep breaths, growls, and choking melodies. The intensity of the bass and guitar riffs create instant goose bumps, tickling the inside of my ears, and clawing at my chest. White knuckled at the seat, I think I accidentally scratched a healing scab off of my back and now I’m bleeding through this white collar shirt, the tie restricting my cries. Let me out! I’ve heard some dark and terrifying ambiance in my lifetime, but Frost’s onslaught is incredible(…)”

Recomendo que os senhores ouçam sozinhos, em casa e principalmente, no escuro. Como diz no final de seu comentário o ouvinte que citei acima, após terminar, vocês vão desejar voltar à sentir a angústia da melodia do piano, e o terror de toda essa experiência.

Ben Frost (1980): BY THE THROAT

01 Killshot
02 The Carpathians
03 Ó God Protect Me
04 Híbakúsja
05 Untitled Transient
06 Peter Venkman Part I
07 Peter Venkman Part II
08 Leo Needs A New Pair Of Shoes
09 Through The Glass Of The Roof
10 Through The Roof Of Your Mouth
11 Through The Mouth Of Your Eye

Sam Amidon, Featured Artist
Amiina Cello; Featured Artist, Viola, Violin
Paul Corley; Engineer, Percussion, Prepared Piano, Programming
Russell Fawcus, Strings
Jeremy Gara, Percussion
Borgar Magnason, Bass (Upright)
Nico Muhly; Harpsichord, Prepared Piano

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Ben Frost congelado.

Ben Frost congelado.

Luke

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.: Interlúdio :. Stolen From Strangers

  • Repost de 31 de Janeiro de 2016

Aqui não tem eufemismo, paenas uma bela metáfora. Roubado de estranhos (ou estrangeiros), é um álbum onde o compositor Jun Miyake “rouba” referências, estilos, palavras, artistas, etc. das mais diferentes culturas e povos pelo mundo. Mas não se preocupe, não vira uma salada, mas sim uma das mais belas homenagens à pluralidade de culturas que alguém já fez.

A linguagem é o mote deste álbum. A linguagem oral é impecavelmente explorada na sua máxima beleza (o canto) e é mesclada com outras formas de linguagem: a musical e a escrita. Quero dizer, é quase como uma linguagem assumisse a forma da outra. É tudo muito poético, lírico e musical.

Podemos sentir entre uma faixa e outra as referências de Jun Myiake: o jazz, a bossa nova, a banda sinfônica, o samba, o folk eslavo, etc. São referências demais que eu mal consigo captar.

Para os amantes e conhecedores de diversas culturas — que sei que povoam esse blog em abundância — este álbum é um tesouro. Vamos desde um belíssimo poema em português cantado com o português brasileiro de Arto Lidsay, até para uma faixa onde ouvimos um búlgaro cantado por um coral que acompanha uma leve guinada à música árabe.

O álbum termina com a cultura do próprio compositor, a japonesa, e nos brinda com uma leve nostalgia do tipo que sentimos ao ver um pôr-do-sol. Sim, ótima ideia, termine de ouvir esse álbum assistindo a beleza nostálgica de um crepúsculo.

Jun Miyake (1958): Stolen From Strangers

01 Alviverde

02 O FIM

03 tHe heRe aNd afTer

04 Turn Back

05 abandon sight

06 Le Voyage Solitaire

07 Easturn

08 Le mec dans un train

09 est-ce que tu peux me voir?

10 Outros Escuros

11 Overture ~ but the rainbow is so far away

12 Niji wa Tohku

Arto Lindsay
Lisa Papineau
Vinicius Cantuaria
Dhafer Youssef
Arthur H.
Bulgarian Symphony Orchestra
Bulgarian Choir
Deyan Pavlov, conductor

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Jun Miyake por Jean-Paul Goude.

Jun Miyake por Jean-Paul Goude.

Luke

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.: Interlúdio :. Entre Mundos – Alexandre Silvério Quinteto

cover

  • Repost de 24 de Dezembro de 2015

Dedico esse post ao mestre Avicenna, que numa bela tarde em São Paulo me mostrou uma belíssima versão de “My Funny Valentine” com Johnny Mathis que me ensinou mais sobre a beleza. Espero que a versão presente neste álbum o agrade da mesma forma.

Devo confessar que o jazz não é o estilo de música sobre o qual eu possuo maior conhecimento, só cheguei a conhecer algumas coisas muito recentemente, em um curso de apreciação musical que eu estava fazendo. Fora isso, possuo algumas incursões aqui e ali e adoro quando a música erudita usa alguns de seus elementos, como o saxophone.

Mas o contrário (o jazz usar elementos do erudito), meus amigos, também pode acontecer. E é mais ou menos isso que ocorre neste álbum.

O fagotista Alexandre Silvério, que toca na OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), resolveu pegar seu instrumento, juntar uma turma de “manos do bairro”, e fazer uns sons “jazziacos” ao melhor estilo de uma dança entre o dionisíaco e o apolíneo. O fagote substitui a função que seria do saxophone com maestria e elegância, colocando no mundo do popular um elemento erudito.

Quando ouvi My Funny Valentine na versão desse álbum na Radio Cultura FM de São Paulo não me contive e imediatamente fui procurar o CD para o adquirir. Foi uma das melhores aquisições que fiz em 2015.

Agora eu o trago a vocês, e espero que gostem tanto quanto eu gostei.

Alexandre Silvério Quinteto: Entre Mundos

01 Saudade

02 My Funny Valentine (Arranjo por Alexandre Silvério)

03 Valsa para Bill

04 Tarde em Berlim (afternoon In Berlin)

05 Gordus Power

06 Ballad For Klaus (piano Intro)

07 Ballad for Klaus

08 Cromática

09 Meu fagote chorou

10 Un Tango para “El Chico”

Alexandre Silvério, fagote
Fábio Leandro, piano
Igor Pimenta, contrabaixo
Sérgio Reze, bateria
Vinicius Gomes, guitarra

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Da esquerda pra direita: Vinicius Gomes, Sérgio Reze, Alexandre Silvério, Fábio Leandro, Igor Pimenta

Da esquerda pra direita: Vinicius Gomes, Sérgio Reze, Alexandre Silvério, Fábio Leandro, Igor Pimenta.

Luke

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.: interlúdio :. Nick Drake (1948-1974): • Five Leaves Left • Bryter Layter • Pink Moon (os três discos oficiais)

..

Depois do excelente impacto da postagem de 13 de outubro, com dois dos sete álbuns póstumos do Nick Drake, aqui vão os três álbuns que o moço lançou em vida – dos 21 aos 24 anos, antes de sua precoce partida em 1974, aos 26.

Sugestão: se você, como eu, achar as capas um tanto de mau gosto, não se deixe enganar: o conteúdo musical e poético está, de modo geral, muito acima delas. (Digo “de modo geral” apenas porque o segundo álbum não me parece estar no mesmo nível de tudo mais que que já ouvi dele; chega a parecer um esforço de ser o que ele menos era: pop).

Se, além da música, quiser conhecer um pouco da pessoa e sua história, o leitor DiMenez compartilhou com a gente o link de um documentário de 48 min., legendado em português. Valeuzaço, DiMenez… e agora deixo vocês com o vídeo… e sobretudo com a música!

Nick Drake: FIVE LEAVES LEFT (1969)
01 Time Has Told Me
02 River Man
03 Three Hours
04 Way To Blue
05 Day Is Done
06 Cello Song
07 The Thoughts Of Mary Jane
08 Man In A Shed
09 Fruit Tree
10 Saturday Sun

Nick Drake: BRYTER LAYTER (1971)
01 Introduction
02 Hazy Jane II
03 At The Chime Of A City Clock
04 One Of These Things First
05 Hazey Jane I
06 Bryter Layter
07 Fly
08 Poor Boy
09 Northern Sky
10 Sunday

Nick Drake: PINK MOON (1972)
01 Pink Moon
02 Place To Be
03 Road
04 Which Will
05 Horn
06 Things Behind The Sun
07 Know
08 Parasite
09 Free Ride
10 Harvest Breed
11 From The Morning

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Ranulfus

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.: interlúdio :. Nick Drake (1948-1974): álbuns póstumos Time of No Reply (1987) • Family Tree (2007)

Entre as revelações que o jovem Daniel the Prophet fez a este velho monge destaca-se a música do inglês Nick Drake, usualmente catalogada como folk. Até há um mês eu nunca tinha ouvido falar, mas agora posso ouvir seu canto introvertido por horas e horas como se fosse uma única música, mais ou menos como faço com Purcell – o que poderia suscitar a hipótese de se dever à anglicidade dos dois… se o efeito não se estendesse a, entre outros exemplos, as lamentações vocais do inequivocamente franco Couperin.

Nicholas Rodney Drake nasceu na então Birmânia, que, muito britanicamente, era o local de trabalho do pai. Quando tinha quatro anos a família voltou pra Inglaterra, para uma vila de 3 mil habitantes não longe de Stratford-upon-Avon, terra daquele dramaturgo insignificante que vocês sabem o nome. Nick aprendeu piano com a mãe, Molly, que também tocava cello, compunha e cantava (do que há alguns testemunhos – gravações informais feitas em casa – no álbum Family Tree) – e talvez tenha legado ao filho também a sensibilidade exacerbada.

To make a long story short, Nick aprendeu escolarmente também clarinete e sax, e informalmente o violão, com colegas – justo o instrumento em que mais se destacou. Aos 19 anos foi estudar literatura em Cambridge – o que não faz pouco sentido, quando se constata o refinamento poético das letras. Aos 21, 23 e 24 anos lançou três discos que pouquíssima gente ouviu. E aos 26 morreu de overdose do que os médicos atochavam como antidepressivo na época.

Fim? Muito pelo contrário: nos 33 anos seguintes foram lançados sete outros discos com material que Nick havia deixado gravado (entre músicas inéditas e versões alternativas), e se é verdade que seus admiradores ainda constituem uma seita (sentido original, aliás, da palavra cult), essa seita não parou de crescer.

De início pensei em compartilhar aqui os três álbuns lançados em vida, mas ouvindo um pouco mais optei pelo terceiro e o sétimo dos póstumos. A razão é que Nick me parece ser daqueles artistas cujo talento brilha ao máximo no despojamento, na quase ausência de produção.

Pra terminar, declaro solenemente que estou morrendo de curiosidade quanto ao que vocês vão achar – e portanto adorarei que vocês não deixem de comentar!

TIME OF NO REPLY (1987)
01. Time Of No Reply
02. I Was Made To Love Magic
03. Joey
04. Clothes Of Sand [letra abaixo / lyrics bellow]
05. Man In A Shed
06. Mayfair
07. Fly
08. The Thoughts Of Mary Jane
09. Been Smoking Too Long
10. Strange Meeting II
11. Rider On The Wheel
12. Black Eyed Dog
13. Hanging On A Star
14. Voice From The Mountain

FAMILY TREE (2007)
01 Come Into The Garden (Introduction)
02 They’re Leaving Me Behind
03 Time Piece
04 Poor Mum (by Molly Drake)
05 Winter Is Gone
06 All My Trials (by Gabrielle Drake and Nick Drake)
07 Kegelstatt Trio For Clarinet, Viola And Piano by The Family Trio
08 Strolling Down The Highway
09 Paddling In Rushmere
10 Cocaine Blues
11 Blossom
12 Been Smoking Too Long
13 Black Mountain Blues
14 Tomorrow Is A Long Time
15 If You Leave Me
16 Here Come The Blues
17 Sketch 1
18 Blues Run The Game
19 My Baby’s So Sweet
20 Milk And Honey
21 Kimbie
22 Bird Flew By
23 Rain
24 Strange Meeting II
25 Day Is Done (Family Tree)
26 Come Into The Garden
27 Way To Blue (Family Tree)
28 Do You Ever Remember? (by Molly Drake)

BÔNUS
Clothes of Sand (ToNR 04) por Renato Russo (1994) [letra abaixo / lyrics bellow]

.  .  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here

Who has dressed you in strange clothes of sand?
Who has taken you, far from my land?
Who has said that my sayings were wrong?
And who will say that I stayed much too long?

Clothes of sand have covered your face
Given you meaning but taken my place
So make your way on, down to the sea
Something has taken you so far from me.

Does it now seem worth all the colour of skies?
To see the earth, through painted eyes?
To look through panes of shaded glass?
See the stains of winter’s grass?

Can you now return to from where you came?
Try to burn your changing name?
Or with silver spoons and coloured light
Will you worship moons in winter’s night?

Clothes of sand have covered your face
Given you meaning but taken my place
So make your way on, down to the sea
Something has taken you, so far from me.

Ranulfus

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.:Interlúdio:. DAFT PUNK: Tron Legacy Soundtrack

– Repost de 2 de Novembro de 2015 –

Nos últimos dias, além de estar tentando recuperar os atrasos na academia estive aproveitando a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que estava saturada de coisas boas. E é justamente sobre o cinema que é feita a postagem de hoje.

Não sei quanto a vocês, mas pra mim uma boa trilha sonora pode fazer que o filme valha muito mais a pena do que se fosse uma mera história contada sem nenhuma música. Quando eu estava nos meus 15 anos, pra mim a principal função da música era servir de trilha sonora para minha vida. Hoje eu já não penso assim, mas penso que no mundo do cinema a música deve exercer uma função semelhante, mas não tão subalterna, a música deve de preferência fazer o espectador sentir o mundo que ele observa no filme, e nos fazer sentir a alegria, a tristeza ou a saudade daquilo que vemos na tela.

Apesar de haver tido uma diminuição do interesse público pelas salas de ópera e de concerto no último século, existe um grande interesse público pelo cinema, e é ai que muitos compositores conseguem ganhar a vida, substituindo assim a antiga função que tinham nos séculos passados de musicar as histórias contadas nos teatros. Ou melhor, transformando, já que a função é análoga. E mais ou menos o contrário também acontece. Muitas orquestras profissionais das últimas décadas se estagnaram em um repertório dos períodos barroco, clássico e romântico e mal absorveram as transformações da música no século XX, que não só eram esteticamente menos populares como também possuíam arranjos para sua execução muitas vezes pouco convencionais. Agora no século XXI esse conservadorismo continua, embora com menos força, tanto é que não só os compositores de música erudita estão trabalhando muito com trilhas sonoras, como também algumas orquestras profissionais renomadas estão começando a abrir mais espaço para a apresentação em suas salas de concerto para obras que originalmente foram compostas para o cinema.

Esse álbum que posto aqui foi composto por Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, os caras por trás dos capacetes da dupla Daft Punk, para o filme Tron: O Legado, na sua tradução no Brasil. Este filme é uma sequência para o filme de 1982 com o mesmo título. Thomas Bangalter já havia composto para um filme, Guy-Manuel não, mas essa é a primeira vez que a dupla compõe como Daft Punk para um filme. O filme por si só acredito não ser o tipo de filme que os leitores deste blog mais apreciem, mas a trilha sonora consegue criar um ambiente para o filme que, a meu ver, o torna espetacular. E independentemente de ver o filme, ou não, acredito que para aqueles que curtem o mínimo de música eletroacústica (ou não têm medo de experimentá-la), vale a pena ouvir um pouco dessa “mescla de temas de música orquestral clássica com eletrônica minimalista”, como diz Joseph Kosinski sobre a ideia por trás da produção dessa trilha sonora.

O interessante é que eles não compuseram a música como estamos acostumados de nossos compositores favoritos da música erudita, ou seja, com um piano e um score, mas com um sintetizador e um PC. Eu conheço só mais um compositor que faz isso e obtém um resultado tão bom (ou até melhor) quanto o dessa dupla, mas essa história meus caros, é uma outra história e deve ser contada em um outro momento.

Daft Punk: Tron Legacy Soundtrack

1. Overture
2. The Grid
3. The Son of Flynn
4. Recognizer
5. Armory
6. Arena
7. Rinzler
8. The Game Has Changed
9. Outlands
10. Adagio for TRON
11. Nocturne
12. End of Line
13. Derezzed
14. Fall
15. Solar Sailer
16. Rectifier
17. Disc Wars
18. C.L.U.
19. Arrival
20. Flynn Lives
21. TRON Legacy (End Titles)
22. Finale

Bônus:

Encom Part I
Encom Part II
Round One
Castor
Reflections
Father and Son
Outlands Part II
Sea of Simulation
Sunrise Prelude

Joseph Trapanese, arranjos e orquestração
London Orchestra
Gavin Greenaway, regente

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Na wikipedia diz que Guy-Manuel (a direita da primeira foto) possui descendência portuguesa, e que seu verdadeiro nome seria Guillaume Emmanuel Paul de Homem-Christo, ou seja, mais difícil e estranho do que já é a adaptação.

Na wikipedia diz que Guy-Manuel (a direita da primeira foto) possui descendência portuguesa, e que seu verdadeiro nome seria Guillaume Emmanuel Paul de Homem-Christo, ou seja, mais difícil e estranho do que já é a adaptação.

Luke

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.: interlúdio :. O Fino da Bossa : show Teatro Paramount, 1964 : noneto Oscar Castro Neves & outros

o-fino-da-bossa-1964 CAPA-LP-1989Dia desses, garimpeiros que encontraram no blog uma postagem antiga do colega Bluedog reabriram a conversa sobre a extraordinária música instrumental que tomou forma no Brasil na década de 1960 – o que nos motivou a revalidar aqui aquela postagem, do Quarteto Novo.

E a audição do Quarteto Novo me remeteu inevitavelmente a este outro disco, que eu já vinha planejando digitalizar e postar: ele contém um terço do que foi apresentado no histórico show de 25 de maio de 1964 no antigo Teatro Paramount em São Paulo (hoje Teatro Renault), inaugurando o nome “O Fino da Bossa”, que de 1965 a 67 seria aplicado ao programa comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues, transmitido ao vivo desse mesmo teatro pela TV Record.

Como (quase) todo mundo sabe, a bossa nova emergiu entre 1957 e 59 (ao mesmo tempo que o rock’n’roll nos EUA, e este que vos escreve naquele faroeste que era então o Paraná) de todo o caldo de cultura dos anos 50, sobretudo por obra de um bruxo chamado João Gilberto, e foi imediatamente amplificada por uma juventude universitária antenada no que rolava “lá fora” mas suficientemente inteligente pra perceber a imensa riqueza e valor da herança cultural brasileira, e ater-se a ela como fundamento da sua criação, por multi-informada que fosse.

O famoso show no Carnegie Hall (NY, 21.11.1962) ficou como marco da explosão internacional da bossa, que se tornou um dos estilos mais ouvidos no mundo pelo resto da década. Complexados que somos, só depois disso a bossa ganhou um grande teatro no Brasil – ainda por meio de uma juventude universitária suficientemente abastada para abrir suas portas de cristal (Faculdade de Direito do Largo São Francisco – quem sabe um pouco sobre São Paulo entende).

O show aconteceu mês e meio depois do golpe de 64. O sucesso estrondoso fez a bossa ganhar espaço privilegiado na tevê pelos anos seguintes, virando trincheira de resistência nacionalista e de esquerda ao mesmo tempo em que tensionava sua base carioca-boa-vida com o influxo nordestino (vide faixa 8) – com surpreendente penetração e ressonância popular até nos interiores distantes (acreditem: eu vi), mesmo com a promoção paralela da Jovem Guarda como estratégia de despolitização da juventude – até que foi varrida da tevê por obra do golpe-dentro-do-golpe (1969), altura em que já tinha se transformado no campo multiforme e complexo que ganhou o rótulo MPB.

Foi no meio disso tudo que ainda floresceu uma espantosa safra de instrumentistas e arranjadores, como os que ouvimos no Quarteto Novo e ouviremos neste disco aqui, dominado por um sujeito chamado Oscar Castro Neves.

Pra mim essa riqueza é descoberta recente: em 1964 eu tinha só 7 anos; passei a adolescência pensando que bossa era música fútil de sala de espera – o que realmente chegou a ser na sua diluição internacional. Até hoje tendo a ver a bossa pura como uma espécie de piso Haydn-Mozart a partir dos qual se ergueria uma ousadia beethoveniana, no caso a da santíssima trindade Caetano-Chico-Mílton e outros deuses em torno… E talvez tenha sido justamente o encontro com os 10 minutos de timbres e texturas que este Oscar Castro Neves arranca com seu noneto de Berimbau, de Baden e Vinícius (faixa 9), o que me fez finalmente entender a declaração solene do próprio Caetano: “o Brasil ainda precisa merecer a Bossa Nova”.

Só que, estranhamente, pouco depois grande parte desses instrumentistas e arranjadores – como o Airto Moreira do Quarteto Novo, Eumir Deodato, Sérgio Mendes, o próprio Oscar Castro Neves – foram parar na Califórnia, onde vieram a fazer parte do clube dos arranjadores mais bem pagos dos EUA – mas aí sua produção musical logo deixou de ser convincente para ouvidos brasileiros. Suas tentativas de referência ao Brasil foram ficando constrangedoramente inautênticas.

O que no meu ver pode colocar em questão a tese do colega Bluedog naquela outra postagem: a de que o “jazz nordestino” poderia ter ganho o mundo: em certa medida ele até ganhou, mas… de repente pareço ouvir uma ressonância irônica e lúgubre da frase dos evangelhos: de que adianta ao homem ganhar o mundo e perder sua alma?

Enfim: o disco que vocês vão ouvir tem meninas que cantavam com charme mas com vozes pequenas e pouco seguras – como muitas que surgiram na última década, me fazendo pensar se isso pode ser característico de momentos de transição estilística… Tem Paulinho Nogueira mostrando impecavelmente que a geração bossa não necessariamente rejeitava a tradição… Tem Jorge Ben(jor) ainda lutando pra cantar com o R de língua, não carioca, que era exigido pelo rádio (!) até começo dos anos 60 (herança do estado Novo?). E tem Rosinha de Valença extraindo tamanha ginga e intensidade de seu violão, que eu tendo a considerar a faixa 5 o ponto alto do disco – mais ainda que os já mencionados dez minutos do Oscar.

E por falar no Oscar (Castro Neves), por mais que tenha procurado, não consegui encontrar os nomes dos integrantes do seu noneto. Será que algum dos leitores pode ajudar a matar a charada?

O FINO DA BOSSA
LP de 1964, contendo cerca de 1/3 da gravação ao vivo do show
“O Fino da Bossa”, promovido pelo Centro Acadêmico XI de Agosto (da faculdade de direito da USP) no Teatro Paramount de São Paulo, na noite de 25 de maio de 1964.

  • 01 Onde Está Você? (Luvercy Fiorini / Oscar Castro Neves)
    Alaíde Costa, voz; Oscar Castro Neves Noneto – 03’51
  • 02 Garota De Ipanema (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
    Zimbo Trio = Amilton Godoy, piano;
    Luiz Chaves, contrabaixo; Rubens Barsotti, bateria – 04’18
  • 03 Pot-pourri:
    – Gosto Que Me Enrosco (Sinhô = José Barbosa da Silva)
    – Agora É Cinza (Bide = Alcebíades Maia Barcellos /
    Marçal = Armando Vieira Marçal)
    – Duas Contas (Garoto = Aníbal Augusto Sardinha)
    – Bossa Na Praia (Geraldo Cunha / Pery Ribeiro)
    Paulinho Nogueira, violão – 04’07
  • 04 Tem Dó (Baden Powell / Vinicius de Moraes)
    Ana Lúcia, voz; Oscar Castro Neves Noneto – 02’57
  • 05 Consolação (Baden Powell / Vinicius de Moraes)
    Rosinha de Valença, violão; Oscar Castro Neves Noneto? – 06’26
  • 06 Chove Chuva (Jorge Ben / Benjor)
    Jorge Ben (Benjor) – 03’39
  • 07 Desafinado (Newton Mendonça / Tom Jobim)
    Wanda Sá, voz; Oscar Castro Neves Noneto – 03’38
  • 08 Maria Moita (Carlos Lyra / Vinicius de Moraes)
    Nara Leão – 01’59
  • 09 Berimbau (Baden Powell / Vinicius de Moraes)
    Oscar Castro Neves Noneto – 10’18

Lançamento original em vinil: 1964.
Digitalizado em 2016 por Ranulfus & Daniel the Prophet
a partir do relançamento de 1989 em vinil,
comemorativo de 30 anos de Bossa Nova

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Ranulfus

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.: interlúdio :. Jaromir Hnilička (*1932): Missa Jazz (1969) – Orchester Gustav Brom

MissaJazz_capaTem coisa mais improvável que uma peça jazzística composta por um sujeito chamado Jaromir Hnilička?

Tem: que a peça consista basicamente de uma execução instrumental bastante simples dos cantos litúrgicos da missa católica, seja executada por uma banda de jazz tcheca… e o disco tenha feito sucesso em todo o mundo.

Pois aconteceu, senhores: o disco foi lançado na Europa em 1969, e depois teve edições em todo mundo, inclusive aqui no Brasil, onde o Monge Ranulfus o adquiriu em 1975.

Apesar de ainda possuir o vinil, a ripagem postada foi garimpada na internet por Daniel the Prophet, e Ranulfus apenas tratou de reduzir os estalos com emprego das artes mágica do mestre Avicenna.

Não tenho ideia de se vocês vão gostar ou não dessa música bem feita porém não muito complexa. A mim sempre agradou bastante – especialmente a faixa mais longa, inspirada no Kyrie e sequências, com 11 minutos. E mais não digo.

Ah, digo sim: já que é domingo de manhã… boa missa, né?

MISSA JAZZ 
Composta e arranjada por Jaromir Hnilička
Executada pela Gustav Brom Orchestra (1969)

1 – Praeludium (2’43)
2 – Introitus (5’45)
3 – Kyrie (11’00)
4 – Graduale (6’00)
5 – Gloria (4’40)
6 – Credo (3’00)
7 – Sanctus et Postludium

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Ranulfus

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.: interlúdio :. Quarteto Novo

Publicado originalmente em 07.09.2012

De vez em quando acontecem esses momentos musicais que são como eclipses. E este é daqueles raros, seculares; talvez o melhor disco de música instrumental feito no Brasil em todos os tempos.

Viveu pouco, porém forte, o Quarteto Novo. Que nasceu Trio Novo em 1966, meio punhado de músicos para acompanhar Geraldo Vandré num programa de tevê patrocinado pela farmacêutica Rhodia. Que no ano seguinte não renovaria seus contratos publicitários, deixando o grupo à sorte. Sorte mesmo: pois que quando um flautista chamado Hermeto Paschoal juntou-se, em 1967, à Theo de Barros, Heraldo do Monte e Airto Moreira, Vandré resolveu bancar do próprio bolso ensaios e turnês do grupo. Que durou apenas mais dois anos, e deixou apenas um disco, que saiu pela Odeon; e que disco é, caros amigos. Tivesse feito mais um ou dois desses e hoje o mundo seria diferente. O brazilian northeastern jazz seria nosso principal produto de exportação e influência musical. Não que tenha passado despercebido, longe disso. Diga “Quarteto Novo” a qualquer expert internacional do jazz e presencie uma cascata de elogios maior do que sou capaz de reproduzir. (Última reedição é da Blue Note, inclusive.)

Patriotismo (que não me pertence) à parte, puxa vida: se fosse sempre possível elevar dessa forma nossas mais brazucas expressões musicais. Como toda junção de estilos bem feita, não se trata de uma soma simples; é um caldo cozido a fogo lento e onde os sabores se entranham uns nos outros. A linguagem do jazz se adapta tanto à marcação de samba quanto ao 2/4 do baião; as linhas de flauta substituem os trompetes tradicionais (e a voz — lembrem que era 1967 e a bossa nova mandava e desmandava); a guitarra vai dar norte a Pat Metheny e, quando sai de lado para a viola ou violão de 12 cordas, se ouve tudo que Duofel vai fazer nos próximos 40 anos. O álbum flutua no mapa e vai do sertão (Algodão) à Nova York (mas) (Vim de Sant’ana) voando numa nuvem. Às vezes é Lampião de terno, batendo triângulo com Dolphy num bar de Chicago; noutras é Wes Montgomery comendo torresmo e tocando com o dedão engraxado. Imaginário à parte, a sofisticação dos arranjos; coisa fina como pouco se vê fazerem aqui, e já há tanto. Também o fato de uma banda que parece saber telepatia musical; Barros usando com a mesma sabedoria tanto contrabaixo elétrico como double bass, Airto Moreira simplesmente assinando um contrato com o futuro, na primeira linha do jazz internacional pro resto da vida. E a flauta-abraço de Hermeto, com sua performance singular e seu toque de Midas na alma: impossível ouvir Hermeto sem brotar um sorriso na cara.

Quarteto Nôvo – 1967: Quarteto Nôvo (320 kbps)
Theo de Barros: violão, contrabaixo
Heraldo do Monte: guitarra, viola caipira
Airto Moreira: bateria, percussão
Hermeto Pascoal: flauta, piano, arranjos.

01 O Ôvo (Vandré/Pascoal)
02 Fica Mal com Deus (Vandré)
03 Canto Geral (Vandré/Pascoal)
04 Algodão (Gonzaga/Dantas)
05 Canta Maria (Vandré)
06 Síntese (Monte)
07 Misturada (Moreira/Vandré)
08 Vim de Sant’Ana (Barros)
Faixas-bônus da reedição de 1993
09 Ponteio (Lobo)
10 O Cantador (Caymmi/Motta)

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link alternativo (com senha) nos comentários

Boa audição, e bom feriado!
Blue Dog
(post renovado por Ranulfus, em consequência
do comentário entusiasmado do leitor Sal)

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.: Interlúdio :. Medieval Chamber

FrontDepois da música erudita, o hip-hop é meu gênero musical favorito. A forma como a música é construída de forma poética para expressar política não se iguala, até onde eu sei, em nenhum outro gênero, e por isso eu gosto tanto. Mas o exemplo de hip-hop que os trago hoje não é tão político, mas muito mais livremente musical. A dupla de rappers Black Knights do Wu-Tang Clan (grupo de hip-hop nova iorquino que congrega vários rappers da costa leste) junto com o ex guitarrista John Frusciante produziram aquele que pra mim foi o melhor álbum que ouvi em 2014.

A primeira faixa do álbum já é um “baque”. Ouvimos um solo de violino com samples de armas de fogo, “typewriters”, entre outras coisas, até que um grave em crescendo tome conte da situação e dê espaço para o ritmo e a poesia da dupla de rappers.

Claro que podemos (e devemos) atribuir boa parte da qualidade da obra a John Frusciante (o produtor do álbum), que soube construir uma música que fuja dos clichês tão comuns no meio do hip-hop. Pra quem já ouviu muita música atonal, ficar ouvindo um refrão 5 vezes é extremamente entediante, mas neste álbum são poucos os momentos entediantes, para não dizer que não há nenhum. Toda a construção do “beat” feito por John que dá base ao rap da dupla consegue dialogar com eles, e combina tudo muito perfeitamente. Desde uma fala de algo que parece um filme estadunidense imbricado no meio de uma música entre um rap e outro, até um “sample” do começo da quarta sinfonia da Brahms misturado com sons de vitrola. É uma “brisa” maluca que dá deliciosamente certo.

Black Knights: Medieval Chamber

01 Drawbridge

02 The Joust

03 Medieval Times

04 Trickfingers Playhouse

05 Sword In Stone

06 Knighthood

07 Deja Vu

08 Roundtable

09 Keys To The Chastity Belt

10 Camelot

Black Knights are:
Crisis Tha Sharpshooter
Rugged Monk

Produced by John Frusciante

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Eis os homens: Black Knights.

Eis os homens: Black Knights.

Luke

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Friedrich Gulda (1930-2000): Jazz Works – com J.J.Johnson, Freddie Hubbard, Sahib Shihab e Eurojazz Orchestra

IMG_20160602_080123bNão se enganem: isto não é uma “curiosidade” que “talvez valha a pena baixar”… É Música com M Maiúsculo.

Não se costuma pensar em Gulda como compositor e sim como pianista – e muitas vezes como um pianista questionável por suas ousadias heterodoxas, mesmo tendo sido professor de gente como Marta Argerich e Claudio Abbado – mas aqui Gulda comparece não só como pianista, mas também como band leader e autor das três composições, cuja proposta vamos deixar que ele mesmo explique:

    Music for Four Solists and Band No. 1 é uma nova obra em uma série de composições em que venho tentando abrir para o jazz as formas clássicas maiores (sonata, sinfonia, concerto etc.). Creio que até agora o jazz se confinou em formas muito estritas e esquemáticas – quase só a da canção ou balada de 32 compassos e do blues de 12 compassos. Hoje muitos músicos jovens vêm se dando conta da limitação dessas formas, e tentam libertar-se delas de golpe, abrindo mão de toda e qualquer forma e jogando fora tudo o que foi legado pela tradição (free jazz).

    Eu acredito que há outra saída: não é apenas explodindo as formas que o jazz teve até agora que seus limites podem ser dilatados, mas também mediante o seu enriquecimento através das grandes formas clássicas. Europeu que sou, este último caminho me parece o mais frutífero. Tenho a sensação de que simplesmente ainda não foram percebidas as possibilidades que nossa grande tradição musical oferece ao jazz. Longe de esgotadas, essas possibilidades são novas e vigorosas. Os jazzistas europeus se miram em New Orleans, Harlem ou no South Side de Chicago, mas nem assim conseguem assimilar a tradição do negro americano em sua plenitude. Nunca entendi por que não recorrem mais intensamente à sua própria tradição!

    A Music for Four Solists and Band é uma obra para quatro solistas – trompete, trombone, sax barítono alternado com flauta, e piano – na forma clássica de concerto em três movimentos: 1º: Forma-de-sonata com uma introdução lenta, exposição, desenvolvimento, reexposição e coda. – 2º: Balada com um e meio “choruses” (variações), com introdução e cadência do piano. – 3º: Rondó. […]  (Traduzido por Ranulfus)

Ou seja: a cooperação entre tradição clássica e jazz que Gulda propõe e realiza não é um maneirismo: uma descaracterização de composições clássicas interpretando-as à maneira de jazz, nem uma descaracterização do jazz interpretando-o à maneira clássica (p.ex. em arranjos para orquestra sinfônica): trata-se de “jazz de verdade” – em suas características harmônicas, melódicas, rítmicas, tímbricas, prosódicas, etc. – que apenas faz uso complementar de técnicas composicionais originárias da tradição europeia. E a isso este monge só pode voltar o entusiasmo devido a uma realização intelectual do mais alto nível!

Nas duas outras peças do disco vemos um caminho misto: o “Minueto” não se restringe a um uso de forma: este mescla, sim, materiais melódicos, rítmicos, harmônicos, bem como estilos de interpretação, de origem europeia e jazzística. Que cada um avalie como lhe aprouver; da minha parte, não deixo de achar uma peça encantadora.

Já no “Prelúdio e Fuga”, peça para piano solo que conclui o disco, temos um prelúdio (forma livre) em que predomina a vertente europeia, e uma fuga (forma fortemente regrada) onde predomina o jazz: bem o contrário do que seria de esperar, no que talvez possamos ver mais um exemplo da verve intelectual do Sr Friedrich. (Vale ainda notar que mais tarde esta Fuga foi gravada mais de uma vez pelo recém-falecido Keith Emerson – inclusive no álbum ao vivo Welcome back, my friends, to the show that never ends, postado aqui recentemente pelo colega FDP, onde mesmo um fã de E.L.& P., como eu, tem que reconhecer que Keith não se saiu muito bem).

Digno de nota, ainda, que colaborem com Gulda neste seu projeto cinco dos maiores jazzistas estadunidenses da segunda metade do século XX – quatro deles negros: além dos solistas nomeados logo abaixo, Ron Carter foi o baixista e Mel Lewis o baterista da “Eurojazz Band”, ao lado de nove jazzistas nascidos de fato na Europa.

Finalmente: esta postagem marca a volta do “monge Ranulfus” à arte da digitalização do vinil, que aprendeu em 2010 com o colega Avicenna e chegou a praticar até outubro daquele ano, tendo aí que deixá-la de lado devido a contingências da vida. Restabelecidas agora as condições mínimas, Ranulfus ainda não sabe com que frequência conseguirá praticá-la, mas mesmo assim informa que tem cerca de 50 LPs (ou vinis) à espera. Por essa e por muitas outras razões esta postagem vai carinhosamente dedicada ao “decano do PQP”, nosso querido Avicenna!

Friedrich Gulda:
M
USIC FOR 4 SOLOISTS AND BAND No.1   [M4SB1] 
01 Primeiro movimento  9’38”
02 Segundo movimento  8’25”
03 Terceiro movimento  6’44”

04 MINUET (da suíte Les Hommages) 6’47”

05 PRELUDE AND FUGUE 4’11”

Freddie Hubbard (1938-2008), trompete
J. J. Johnson (1924-2001), trombone
Sahib Shihab (Edmond Gregory) (1925-1989), sax barítono e flauta
Friedrich Gulda (1930-2000): piano, composição e direção
Eurojazz Orchestra
Gravado na Áustria em 1965
Digitalizado em 2016 por Ranulfus, com assistência de Daniel S.,
a partir do LP remasterizado em estéreo lançado na Alemanha nos anos 70.

.  .  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here – FLAC: 210 MB

.  .  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here – MP3 320 kbps: 80 MB

Ranulfus

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.: interlúdio? :. Chico Mello (1957): Do lado da voz (2000)

Chico Mello - Do Lado da Voz (capa)Começo por advertir: este é um trabalho feito de sutilezas. Se você colocar como fundo pra ir fazer outra coisa ao longe, é possível que não veja nele interesse nenhum.

Chico Mello e o Monge Ranulfus nasceram no mesmo ano e na mesma cidade. Mais: quando adolescentes, estudaram na mesma classe de Solfejo e Ditado Musical de dona Beatriz Schütz, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Na ocasião, os dois mostravam interesse em incluir a MPB dentro do horizonte da formação academicista e eurocêntrica ministrada naquela escola, bem como nos experimentos do então nascente minimalismo.

Mas as semelhanças param por aí: logo Ranulfus percebeu que apenas seus nervos sensores tinham paixão e avidez por música, não os motores: por maior apreciador que fosse, jamais se tornaria um realizador efetivo de música, com aquela naturalidade de quem mija, que é a do verdadeiro artista em qualquer área (imagem com que Monteiro Lobato falou a Érico Veríssimo do ato de escrever). Chico tem essa naturalidade.

A vida levou Ranulfus por outros rumos, nunca mais viu Chico pessoalmente, apenas aqui e ali topou com composições suas – o suficiente para notar que suas construções em linguagens contemporâneas não são meramente cerebrais, e sim sempre vivificadas por esse sopro natural, que desde certa altura do século XX parecia haver se refugiado exclusivamente na música chamada “popular”.

Chico estudou composição com Penalva e Koellreuter, mudou-se pra Berlim, fez carreira artística e docente lá e cá. Em 2010 gravou os 3 CDs Vinte Anos entre Janelas, com uma espécie de sinopse dos seus caminhos de 1987 a 2007. O segundo deles, para dar ideia, se chama Mal-entendidos multiculturais, e contém as seguintes duas peças: Todo canto – para soprano, piano, canto indiano e tabla/pakhawa – e Hui Liu ou la vraie musique para músicos chineses e euroamericanos (!) (Mais sobre esses CDs aqui).

Já neste Ao lado da voz, Chico traz seu experimentalismo sonoro para conversar especificamente com uma das suas próprias fontes: a canção dita popular brasileira. Fá-lo com uma voz totalmente cool, como quem quer deixar claro (suponho) que a linha vocal e as palavras não têm primazia, não são “acompanhadas”, e sim parte igualitária no jogo de construções, desconstruções e reconstruções.

Faz pensar em alguma experiência anterior na nossa música? Acho que mais pelo não que pelo sim: no geral soa mais enxuto, mais parcimonioso que o também sutil mas quase-romântico Wisnik. Passa longe das intenções pop de Arrigo Barnabé. Talvez um pouco mais perto do Itamar Assumpção inicial, desde que expurgado do deboche. Minha impressão, enfim, é que ninguém passou tão perto do mesmo espírito quanto Caetano Veloso em Jóia (mas não em Araçá Azul). Minha impressão!

Uma faixa de amostra? Eu diria que a 3, com fragmentos sampleados de Nélson Gonçalves: acho que em nenhuma outra a vanguarda e a tradição se engalfinham tão profundamente. Já das originais do Chico, acho duro o páreo entre a 5 e a 9 – e já falei demais!

FAIXAS
01 Achado (Chico Mello, Carlos Careqa)
02 Cara da barriga (Chico Mello)
03 Pensando em ti (Herivelto Martins, David Nasser)
04 Mentir (Noel Rosa)
05 Chorando em 2001 (Chico Mello, Carlos Careqa)
06 Já cansei de pedir (Noel Rosa)
07 Carolina (Chico Buarque)
08 Eu te amo (Chico Buarque, Tom Jobim)
09 Valsa dourada (Chico Mello)
10 Rosa (Pixinguinha)
11 Paramá (Chico Mello, Walney Costa)

Chico Mello – vocals, guitars, piano, percussion
Ségio M Albach – clarinets
Uli Bartel – violin
Helinho Brandão – bass
Guilherme Castro – electric bass
Ahmed Chouraqui – percussion
Armando Chu – percussion
José Dias de Moraes Neto – clarinets
Wolfgang Galler – synthesizer, bass, percussion
Michael Hauser – bass
Lothar Henzel – bandoneón
Levent – darabuka
Burkhard Schlothauer – violins, bass
Mix: Chico Mello, Burkhard Schlothauer, Thilo Grahman, Ahmed Chouraqui, Gerhard Grell

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Ranulfus

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.: interlúdio :. Ithamara Koorax: Rio Vermelho (1995)

Senhorxs: sei que este último dia de 2015 já está carregado até não poder mais de postagens tremendas, mas, desculpem, eu não posso deixar virar para 2016 sem registrar o vigésimo ano deste disco que considero um “unicum”, isto é: sem similar.

Ithamara é mais um desses casos de brasileirx vítima do nosso complexo de vira-lata endêmico: indicada não sei quantas vezes pela Downbeat entre as principais cantoras de jazz do mundo, diva absoluta no Japão, e ainda – ai! – “Ithamara quem?” para a maior parte dos brasileiros – isso quando este disco contém nada menos que a última gravação de Tom Jobim (no piano de algumas faixas); solos inacreditáveis de Ron Carter ao baixo; Luiz Bonfá, Marcos Valle, Paulo Malaguti e o próprio Tom entre os arranjadores – etc. etc.

Mas não deixo de compreender que, para brasileiros, ouvir sua própria música dita “popular” interpretada assim tenha que causar alguma estranheza. É realmente incomum – e tanto, que eu mesmo tenho dificuldades em colocar em palavras de que modo é incomum. Minha hipótese principal: por uma lado, Ithamara faz uma leitura instrumental da melodia – quero dizer, usando a voz como um instrumento solista, muitas vezes a-lu-ci-na-da-men-te; por outro, não esquece o texto, mas faz dele uma leitura teatral, de alta dramaticidade. São duas intensidades simultâneas tão altas que o resultado definitivamente não cabe em situação assim como embalar um jantar: ou você embarca e navega junto, ou se sente jogado para lá e para cá pela turbulência; sem paz – o que parece chegar ao extremo nas duas faixas em inglês, Cry me a river e Empty glass.

Quanto às onze faixas em português, admito que algo dificulta a fruição do disco até para mim: seis delas são um revival da chamada “música de fossa”, ou “música de dor de cotovelo” (ou mesmo sete, se incluirmos ‘Retrato em branco e preto’ nessa categoria) – sendo cinco numa sequência só. Ora, justamente com as leituras de La Koorax, isso pode ser uma travessia de efetivo risco para depressivos e bipolares… Se eu avalio que há um erro neste disco, é este excesso – entre tantos outros excessos que resultaram felizes!

‘Rio Vermelho’ foi o terceiro disco de Ithamara. Conheço bem este e o segundo, ‘Ao Vivo’, um pouco menos colorido timbristicamente porém igualmente intenso – mas conheço pouco dos posteriores, pois me passaram a impressão de que os produtores internacionais tenham conseguido domar um tanto o vulcão inventivo da artista – com o que confesso que meu interesse caiu um pouco.

Estarei dizendo que acho que na média Ithamara pode ter ficado sendo uma cantora menor? Não! Não acho que arte comporte esse tipo de cálculo mesquinho. Para mim, uma sílaba pode ser bastante para consagrar um(a) artista. No caso, sugiro que ouçam com atenção o gradualíssimo crescendo de tensão em Retrato em branco e preto, até a sílaba -CA- de “pecado”. Vocês me considerarão completamente maluco se seu disser que dentro dessa sílaba eu vejo se abrir uma paisagem tão ampla quanto as do Planalto Central, ou quem sabe a de algum mirante da Serra do Mar?

Pois bem: a uma cantora que conseguiu fazer isso comigo eu jamais admitirei que alguém venha a chamar de “menor” – seja lá o que houver feito ou deixado de fazer depois!

ITHAMARA KOORAX : RIO VERMELHO
Data de gravação: outubro de 1994
Data de lançamento: abril de 1995

1. Sonho de Um Sonho (Martinho da Vila/R. De Souza/T. Graúna) – 3:50
2. Retrato Em Branco E Preto (Buarque/Jobim) – 5:38
3. Correnteza (Bonfá/Jobim) – 6:41
4. Preciso Aprender a Ser Só (Valle/Valle) – 4:54
5. Tudo Acabado (Martins/Piedade) – 5:26
6. Ternura Antiga (Duran/Ribamar) – 3:48
7. Não Sei (DeOliveira/Gaya) [d’aprés Chopin] – 4:27
8. É Preciso Dizer Adeus (de Moraes/Jobim) – 3:36
9. Cry Me a River (Hamilton) – 6:06
10. Índia (Flores/Fortuna/Guerreiro) – 7:05
11. Rio Vermelho (Bastos/Caymmi/Nascimento) – 3:44
12. Se Queres Saber (Peter Pan) – 8:14
13. Empty Glass (Bonfá/Manning) – 4:02

Ithamara Koorax – Arranger, Vocals, Executive Producer
Antonio Carlos Jobim – Piano, Arranger
Luiz Bonfá – Guitar, Arranger
Ron Carter – Bass
Sadao Watanabe – Sax (Alto)
José Roberto Bertrami – Arranger, Keyboards
Arnaldo DeSouteiro – Arranger, Producer
Jamil Joanes – Bass (Electric)
Carlos Malta – Flute (Bass), Sax (Tenor)
Pascoal Meirelles – Drums
Paulo Sérgio Santos – Clarinet
Marcos Valle – Arranger, Keyboards
Mauricio Carrilho – Guitar (Acoustic), Arranger
Daniel Garcia – Sax (Soprano), Sax (Tenor)
Paulo Malaguti – Piano, Arranger, Keyboards
Sidinho Moreira – Percussion, Conga
Marcos Sabóia – Engineer, Mixing
Otto Dreschler – Engineer
Fabrício de Francesco – Engineer
Rodrigo de Castro Lopes – Engineer, Mastering
Livio Campos – Cover Photo
Hildebrando de Castro – Cover Design, Cover Art
Celso Brando – Liner Photo
Christian Mainhard – Artwork

. . . . . . . BAIXE AQUI – download here

Ranulfus

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