.: interlúdio :. Ralph Towner: My Foolish Heart

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Logo após elogiadíssimos trabalhos com o trompetista Paolo Fresu (Chiaroscuro) e com os guitarristas Wolfgang Muthspiel e Slava Grigoryan (Travel Guide), Ralph Towner retorna a um trabalho solo com My Foolish Heart. O toque de Towner em seu violão de 12 cordas é imediatamente identificável e os trabalhos solo são uma parte importante da discografia deste multi-instrumentista que completa 77 anos no próximo dia 1º de março. My Foolish Heart segue a grande tradição de Diary, Solo Concert, Ana, Anthem e Time Line. O CD possui novas composições, todas muito boas — uma linda homenagem ao falecido Paul Bley (Blue As In Bley), bem como duas (Shard e Rewind) do Oregon, grupo do qual participa desde o Período Pré-Antigo. O único standard é My Foolish Heart, famosa na interpretação de Bill Evans. O 29º álbum de Towner para a ECM tem apenas 40 min, mas vale cada segundo.

Ralph Towner: My Foolish Heart

1 Pilgrim 4:31
2 I’ll Sing To You 4:32
3 Saunter 5:01
4 My Foolish Heart 3:51
5 Dolomiti Dance 4:24
6 Clarion Call 4:40
7 Two Poets 2:04
8 Shard 0:54
9 Ubi Sunt 1:20
10 Biding Time 1:29
11 Blue As In Bley 3:53
12 Rewind 3:43

Ralph Towner, violão de 12 cordas

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Ralph Towner e cada uma de suas doze cordas

Ralph Towner e doze cordas

PQP

 

 

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.: intermezzo: Carla Bley – The Lost Chords Find Paolo Fresu

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um CDs mais baixados do PQP Bach em todos os tempos. E merece. Tenho pouco a dizer. É um dos melhores discos de jazz que já ouvi. Mesmo. The Lost Chords Find Paolo Fresu é uma obra-prima desta tremenda compositora, pianista, arranjadora, band leader e dona do espetacular grupo The Lost Chords. Notável a elegância e sofisticação de lady Bley, aqui aos 71 anos, idade que tinha quando do lançamento do disco. Aqui, Carla Bley deixa inteiramente de lado seu humor anárquico e, tendo convidado o extraordinário trompetista italiano Paolo Fresu — uma das maiores revelações do jazz atual — , expõe inesperado e melancólico lirismo.

Se um dia eu chegasse à conclusão que não teria mais tempo ou disposição para seguir no PQP, este álbum seria uma bela despedida; mas ainda não penso nisso, pois acho que ainda devo auxiliar os melhores acordes perdidos a encontrar os mais compreensivos ouvidos.

(Os antigos ouvintes dos Beatles reconhecerão I want you (She`s so heavy) na faixa 4. Descubram lá!)

Carla Bley: The Lost Chords Find Paolo Fresu

1. One Banana 8:29
2. Two Banana 6:37
3. Three Banana 3:50
4. Four 4:51
5. Five Banana 7:51
6. One Banana More 1:23
7. Liver Of Life 7:13
8. Death Of Superman / Dream Sequence#1 – Flying 7:50
9. Ad Infinitum 7:42

Paolo Fresu: trumpet, flugelhorn
Andy Sheppard: soprano and tenor saxophones
Carla Bley: piano
Steve Swallow: bass
Billy Drummond: drums.

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E como procuraram Fresu antes de encontrá-lo!

E como procuraram Fresu antes de encontrá-lo!

PQP

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.: interlúdio :. Charlie Haden & Gonzalo Rubalcaba: Tokyo Adagio

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Charlie Haden é o baixista Charlie Haden, um dos maiores nomes do jazz de todos os tempos, infelizmente falecido em julho de 2014. Gonzalo Rubalcaba é um esplêndido pianista cubano. Juntos, eles gravaram este Tokyo Adagio, uma calma e quente flanada sobre alguns temas próprios e outros velhos conhecidos nossos. O resultado é uma conversa suave entre dois amigos — um talentoso pianista de coração romântico, e um baixista que teve a generosidade e empatia para ajudá-lo a cantar. O que eles criam é pura poesia. Rubalcaba nunca é menos que impressionante aqui. Depois da audição você volta a ficar grato por este registro ter acontecido e por ter havido como Charlie Haden andando em nosso planeta.

Charlie Haden & Gonzalo Rubalcaba – Tokyo Adagio

1. En La Orilla Del Mundo (The Edge Of The World) (9:04)
2. My Love And I (11:54)
3. When Will The Blues Leave (8:29)
4. Sandino (5:47)
5. Solamente Una Vez (You Belong To My Heart) (9:11)
6. Transparence (7:18)

Charlie Haden, bass
Gonzalo Rubalcaba, piano

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Gonzalo Rubalcaba e Charlie Haden

Gonzalo Rubalcaba e Charlie Haden

PQP

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.: interlúdio :. The Bad Plus Joshua Redman

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Em 2012, The Bad Plus convidou o saxofonista Joshua Redman para se juntar a eles por uma semana de performances no Blue Note em Nova York. Foi um estrondoso sucesso. Filas e mais filas de pessoas entusiasmadas que obrigaram o grupo a se reunir outras vezes no local e fora dele. Foram feitos uns para os outros. Mas apenas em 2014 entraram nos estúdio da Nonesuch para gravar seu álbum de “estreia”. Sete das nove faixas são composições inéditas. Apenas Dirty Blonde e Silence Is the Question, são novos arranjos de favoritos do Bad Plus. Redman disse que “tocar o Bad Plus me permitiu explorar uma parte da minha música e minha herança musical que eu nunca tinha acessado com qualquer outro grupo. A aventura com é como estar num liquidificador. O trio me empurra para as margens e me atrai para o núcleo”.

The Bad Plus Joshua Redman

01 – As This Moment Slips Away
02 – Beauty Has It Hard
03 – County Seat
04 – The Mending
05 – Dirty Blonde
06 – Faith Through Error
07 – Lack The Faith But Not The Wine
08 – Friend Or Foe
09 – Silence Is The Question

Reid Anderson – bass
Ethan Iverson – piano
David King – drums
Joshua Redman – tenor saxophone

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The Bad plus Joshua Redman

The Bad plus Joshua Redman

PQP

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.: interlúdio :. Ahmad Jamal: Blue Moon (2012)

Quem ouve este respeitável senhor em seu Steinway, não imagina que ele tenha 82 anos, quase 83. Por cinco décadas, Ahmad Jamal liderou pequenas bandas de jazz a partir de seu piano, sempre com grande elegância e dando importância verdadeiramente africana ao ritmo. Nunca parou tocar ou criar e este Blue Moon não é apenas mais um CD de Ahmad Jamal, mas um dos melhores trabalhos de uma longa carreira. Miles Davis disse por diversas vezes que Jamal era uma de suas maiores inspirações e é possível admitir tal fato desde os primeiros acordes de Autumn Rain, a primeira faixa de Blue Moon.

Neste disco, Jamal reinventa de forma requintada várias canções do pós-guerra, demonstrando um amor insuspeitado por Hollywood. Ele vai desde a música-tema de  Laura, filme de 1944 de Otto Preminger, até o clássico Blue Moon, que aparece desnuda, quase resumida a um minimalista ostinato de 10 minutos. Coisa de gênio.

A impressão que Jamal nos passa é a de ter atingido um grau de perfeição que  simplesmente não é possível melhorar. Mas é o nível habitual, visitado e revisitado por ele. Resta saber o que come e bebe. Em 2010, aos 80 anos, Jamal lançou um dos álbuns mais belos de sua carreira, o esplêndido A Quiet Time. Agora, dois anos depois repete a dose. Esperamos mais e mais, Ahmad.

Ahmad Jamal: Blue Moon (2012)

1. Autumn Rain 7’45
2. Blue Moon 10’11
3. Gypsy 5’26
4. Invitation 13’21
5. I Remember Italy 13’14
6. Laura 6’33
7. Morning Mist 8’44
8. This Is the Life 7’38
9. Woody’n You 5’11

Ahmad Jamal – piano
Reginald Veal – double bass
Herlin Riley – drums
Manolo Badrena – percussion

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Jamal chega a um ponto de extrema juventude, impossível de melhorar.

Jamal chega a um ponto de extrema juventude, impossível de melhorar.

PQP

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Igor Stravinsky (1882-1971): A Sagração da Primavera para Jazz Trio (!!!)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Finalizando minha participação nas homenagens aos 100 anos de A Sagração da Primavera, relanço um dos CDs mais baixados este ano — este post é originalmente de 2013 — em nosso blog: a versão da Sagração para Jazz Trio. Ah, por falar nisso, este grupo está apresentando este mesmo arranjo hoje, em Nova Iorque.

Como é que é? Vão tocar a minha Sagração com um trio de jazz?

Como é que é? Vão tocar a minha Sagração com um trio de jazz? Muito bom!

Grande The Bad Plus!

Acho que nunca mais aquele amigo do meu filho dirá novamente algo parecido para mim. Ele disse que um “power trio” tinha gravado toda a Sagração da Primavera e que era fantástico. Fiquei enchendo o saco dele para ouvir. Ele me mandou sua única fonte, um vídeo do YouTube, desses que mostram uma reles foto parada enquanto ouvimos a música. Putz, era realmente espetacular. Ao que indica esta reportagem, eles estrearam a Sagração no dia 26 de março de 2011, na Duke University, depois de passar 8 meses desvendando e domando o monstro. O resultado é espetacular.

O baixista, o pianista e o baterista.

O baixista, o pianista e o baterista. “É uma peça difícil…”.

Há declarações curiosas, como a do baixista Reid Anderson. Para aliviar as dificuldades da obra, a banda escolheu um plano curioso de ataque. Começaram pelo final e trabalharam dali para trás. “Nós inventamos que o último movimento era o mais difícil”, diz o baixista. “Era bom pensar assim do ponto de vista psicológico. Nós estávamos, cuidadosamente, tentando fazer da Sagração uma peça nossa, algo nosso”. O pianista Iverson diz pouca coisa além de “é uma peça difícil”.

No início, há alguns efeitos que achei estranhos, mas depois que engrena fica uma coisa de louco.

Igor Stravinsky (1882-1971): A Sagração da Primavera para Jazz Trio (!!!)

01 – First Part– Adoration Of The Earth- Introduction
02 – The Augurs Of Spring
03 – Ritual Of Abduction
04 – Springs Rounds
05 – Games Of The Two Rival Tribes–Procession Of The Sage
06 – The Sage–Dance Of The Earth
07 – Second Part– The Sacrifice- Introduction
08 – Mystic Circle Of The Young Girls
09 – Glorification Of The Chosen One
10 – Evocation Of The Ancestors–Ritual Action of The Ancestors
11 – Sacrifical Dance

The Bad Plus:
Ethan Iverson, piano
Reid Anderson, baixo
Dave King, bateria

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Doidos varridos, todos

Doidos varridos, todos (clique para ampliar)

PQP

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.: interlúdio :. The Bad Plus — It’s Hard

Uma penca de divertidos covers jazzísticos de música popular pelo extraordinário trio estadunidense The Bad Plus, todos de Mineápolis, cidade de Prince. A seguir roubamos a resenha de Gabriel Sacramento, do grande blog Escuta Essa!

Caos que une o popular ao jazzístico

Por Gabriel Sacramento

The Bad Plus é um trio americano de jazz instrumental. Mas quando digo jazz, não me refiro ao jazz clássico, easy listening que é, em muitos momentos, trilha sonora de momentos românticos. O jazz desses caras é totalmente diferente, confuso (que aqui não é um demérito), intrigante e caótico.

A proposta sonora deles é o avant garde jazz, utilizando métodos inortodoxos e experimentais com o jazz para expressar sentimentos através da música. Além disso, eles costumam fazer covers de diversos artistas da música popular, trazendo o comum para o universo jazzístico meândrico no qual estão inseridos.

O novo disco – It’s Hard – é composto só por covers. Dentre os artistas que foram regravados estão Johnny Cash, Peter Gabriel, Prince e Neil Finn. E mais uma vez o grupo vem reafirmar a autoridade que tem quando se fala em avant garde mesclado com jazz. Isso fica claro, por exemplo, no caos sonoro de alguns momentos de “Maps” e nas notas estranhas de “Game Without Frontiers”. Eles misturam passagens realmente intrincadas com momentos mais calmos, como em “Time After Time”. Em “Alfombra Magica”, percebemos vários direcionamentos diferentes pelos quais a música segue, entrecortados por pausas periódicas.

Fazer covers é uma tarefa um tanto complicada. É preciso saber até onde se deve colocar sua pessoalidade e até onde se deve respeitar a criação original. Os caras do The Bad Plus mostram que são peritos na arte de desconstruir ideias antes gravadas e construí-las novamente, tomando como norte a livre improvisação. Nisso, eles também se mostram preocupados com a essência das criações originais. “I Walk The Line” do Johnny Cash é um exemplo claro. O trio mantém a melodia e o ritmo, enquanto trabalha a música dando-lhe sentimentos novos e seguindo novos rumos com a improvisação.

Se em vários momentos eles soam caóticos e complexos demais para uma primeira audição, em outros eles nos fazem perceber a beleza de poucas notas e melodias simples, enquanto a instrumentação nos envolve e nos eleva. A música do trio segue uma progressão impressionante, que se dá tanto do começo ao fim de cada faixas, quanto da primeira à última música do álbum.

É como se o caos que eles tentam criar fosse o mundo que enfrentamos diariamente com todos os problemas e o estresse do dia-a-dia, e o contraste com momentos mais limpos e calmos seria o chegar em casa, descansar e dormir. Essa analogia com o que vivemos torna mais fácil a compreensão do que os americanos tentam fazer. A completude e profundidade do que o trio tenta passar com sua música, aliado à sofisticação com que tudo é feito, é o que chama a atenção para o que ouvimos no disco.

Uma sonoridade criativa, complexa (e completa) feita por apenas três músicos. Um baixo, teclado e bateria, trabalhando o conceito de música de uma forma inventiva, falando a linguagem jazzística, mas tomando como base a produção pop. Um disco que vale a pena, mesmo que você não o entenda completamente na primeira vez que ouvir.

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The Bad Plus — It’s Hard

1. “Maps” — Brian Chase, Karen Lee Orzolek, Nick Zinner 4:21
2. “Games Without Frontiers” — Peter Gabriel 4:19
3. “Time After Time” — Cyndi Lauper, Rob Hyman 6:14
4. “I Walk The Line” — Johnny Cash 3:18
5. “Alfombra Magica” — Bill McHenry 4:07
6. “The Beautiful Ones” — Prince 3:32
7. “Don’t Dream It’s Over” — Neil Finn 5:21
8. “Staring At The Sun” — Tunde Adebimpe, David Andrew Sitek 4:27
9. “Mandy” — Scott English, Richard Kerr 6:13
10. “The Robots” — Florian Schneider, Karl Bartos, Ralf Hütter 3:30
11. “Broken Shadows” — Ornette Coleman 3:32

The Bad Plus:
Reid Anderson – bass
Ethan Iverson – piano
David King – drums

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The Bad Plus

The Bad Plus

PQP

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.: interlúdio :. Paul Bley / Gary Peacock / Tony Oxley / John Surman: In The Evenings Out There

Paul Bley estava em turnê pela escandinávia com seu velho companheiro Gary Peacock no baixo e dois brilhantes jazzistas ingleses, o baterista Tony Oxley e o sax barítono e o clarone de John Surman, quando Manfred Eicher interrompeu a excursão chamando-os para gravar em Oslo. Era o ano de 1991. O CD é muito bom, consistindo de sete solos de puro improviso, três duetos e duas faixas onde toca o quarteto completo. Os temas são lentos, quase solenes. Olha, só músicos excepcionais como estes podem manter um disco interessante com tão alto grau de improvisação. Nada parece ter sido programado e, no entanto, são mostradas profundidades vertiginosas.

Paul Bley / Gary Peacock / Tony Oxley / John Surman: In The Evenings Out There

Afterthoughts 4:04
Portrait Of A Silence 5:55
Soft Touch 3:38
Speak Easy 2:44
Interface 5:19
Alignment 3:47
Fair Share 6:01
Article Four 8:26
Married Alive 4:14
Spe-cu-lay-ting 1:24
Tomorrow Today 2:15
Note Police 7:54

Baritone Saxophone, Bass Clarinet – John Surman
Bass – Gary Peacock
Drums – Tony Oxley
Piano – Paul Bley

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Il capo Bley.

Il capo Bley.

PQP

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.: interlúdio :. Vienna Art Orchestra: All that Strauss

Um CD bem humorado de improvisações e brincadeiras sobre a música do ultra vienense Strauss. Pegue uma valsa de Strauss, adicione algumas expressões jazzísticas, técnica, improvisação, e você saberá o que é este All that Strauss. Claro que a projeto representava um desafio. Neste caso, o tratamento dado pelos arranjos foi muito bem concebido a fim de ficar bem longe dos conceitos sinfônicos. A coesão da Vienna Art Orchestra é notável. Acho que Strauss ficaria feliz de ouvir a loucura que esses vienenses fizeram com ele. Se o compositor tivesse vivido mais 25 anos, ouviria o jazz.

A Vienna Art Orchestra

A Vienna Art Orchestra

Vienna Art Orchestra: All that Strauss

01. Wein, Weib und Gesang (09:12)
02. Process-Plolka (02:04)
03. Ein Morgen, ein Mittag, ein Abend in Wien (07:58)
04. Mit Extrapost (03:29)
05. Albion-Polka (03:52)
06. Gruss an Prag (03:16)
07. Lagunen-Walzer (09:00)
08. Persischer Marsch (03:20)
09. Hellenen Polka (04:40)
10. Marienklange walzer (07:09)
11. Eljen a Magyar (04:10)
12. Czardas (04:51)
13. Donauwalzer (10:51)

Vienna Art Orchestra

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Vienna Art Orchestra all that Strauss

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.: intermezzo :. The Gary Burton Quartet — Live In Tokyo

Um belo CD de jazz. Gravado durante um show em 1971, o quarteto de Burton aparece com um guitarrista de peso roqueiro, antecipando um pouco do que seria o fusion. O som é bem mais encorpado do que o do também extraordinário quarteto formado por Burton em 1967, com Larry Coryel na guitarra e o grande Steve Swallow no baixo. Mas não se apavore: não há excessos nem mau gosto, apenas um bom perfume setentista. Eu botei para ouvir no mp3 sem saber da data do CD. Logo comecei a achar que, puxa esses jazzistas também morrem de saudades dos anos 70 e querem refazer aquele som. Foi mesmo uma época muito criativa para a música. Logo depois consultei e soube que a origem do CD era um LP de 41 minutos. Um LP glorioso, acreditem.

The Gary Burton Quartet — Live In Tokyo

1 Ballet
2 On The Third Day
3 Sunset Bell
4 The Green Mountains
5 African Flower
6 Portsmouth Figurations

The Gary Burton Quartet:
Drums – Bill Goodwin
Electric Bass – Tony Levin
Guitar – Sam Brown
Vibraphone – Gary Burton

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A contracapa do LP/CD: bem 1971

A contracapa do LP/CD: bem 1971

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.: interlúdio :. Keith Jarrett – A Multitude of Angels (4 CDs)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Parte da inesgotável criatividade de Keith Jarrett está aqui. Essa multidão de anjos é um conjunto de 4 CDS com gravações de uma série de concertos solo realizados na Itália em outubro de 1996, documentando a conclusão dos experimentos de Jarrett com improvisações de longa duração. Os concertos ocorreram em Modena, Ferrara, Turim e Gênova. Depois, Jarrett adoeceu e prometeu a si mesmo abandonar as longas improvisações sem pausas. Estava sofrendo de Síndrome de Fadiga Crônica. Cada concerto é muito diferente do outro. A música é muito abrangente: o jazz está por todo lado, mas acompanhado da enorme proximidade de Jarrett com a música clássica (moderna e antiga, Bach, Debussy, Bartók, Ives, etc.). Um álbum belíssimo.

Keith Jarrett – A Multitude of Angels (4 CDs)

CD1
1 Part I (Live At Teatro Comunale, Modena / 1996) 34:18
2 Part II (Live At Teatro Comunale, Modena / 1996) 31:20
3 Danny Boy (Live At Teatro Comunale, Modena / 1996) 5:00

CD2
4 Part I (Live At Teatro Comunale, Ferrara / 1996) 43:48
5 Part II (Live At Teatro Comunale, Ferrara / 1996) 29:58
6 Encore (Live At Teatro Comunale, Ferrara / 1996) 3:26

CD3
7 Part I (Live At Teatro Regio, Torino / 1996) 42:23
8 Part II (Live At Teatro Regio, Torino / 1996) 31:35

CD4
9 Part I (Live At Teatro Carlo Felice, Genova / 1996) 31:41
10 Part II (Live At Teatro Carlo Felice, Genova / 1996) 31:43
11 Encore (Live At Teatro Carlo Felice, Genova / 1996) 5:52
12 Over The Rainbow (Live At Teatro Carlo Felice, Genova / 1996) 6:03

Keith Jarrett, piano

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Keith Jarrett aos 70

Keith Jarrett aos 70

PQP

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.: interlúdio :. Toumani Diabaté: The Mandé Variations

Toumani Diabaté é um dos músicos africanos mais importantes da atualidade. Toca kora, uma espécie de harpa com 21 cordas exclusiva da África Ocidental, levando-a a públicos de todo o mundo. Com o seu virtuosismo e criatividade excepcionais, mostra o que a kora pode.

Toumani Diabaté nasceu em Bamako, a capital do Mali, em 1965 numa família de Griots (casta de músicos / historiadores), que conta com 71 gerações de executantes de kora. O mais notável foi o seu pai, Sidiki Diabaté (c.1922-96), eleito Rei da Kora no prestigiado Black Arts Festival Festac em 1977 e ainda hoje uma inspiração para todos os tocadores de kora. Toumani Diabaté cresceu num ambiente preenchido por música, mas foi na verdade um autodidacta na aprendizagem da kora, sem receber ensinamentos diretos do seu pai que não fossem ouvir a sua música.

Nas décadas de 1960 e 1970, o meio musical de Bamako era influenciado pelos sons de fora, especialmente pela música negra americana: a música soul era particularmente popular, tal como Jimi Hendrix, Jimmy Smith e grupos de rock britânico como Led Zeppelin. Tanto a exposição a estas sonoridades como os grupos modernos de Bamako seriam importantes para o desenvolvimento musical de Toumani .

Começou a tocar kora aos 5 anos, altura em que o goveno maliano tinha um programa de incentivo aos grupos tradicionais. Estreou-se em público aos 13 anos e em 1984 juntou-se ao grupo que acompanhava a grande diva Kandia Kouyaté, a cantora griot mais conhecida do Mali, com quem percorreu o continente africano .

Embora não tenha aprendido directamente com o seu pai, Toumani Diabaté prosseguiu o seu ideal de desenvolver a kora como instrumento solista, elevando-a a um outra nível. Descobriu um modo de tocar o baixo, o acompanhamento rítmico e a melodia solista ao mesmo tempo, um método que o levou aos palcos de todo o mundo. Veio à Europa pela primeira vez em 1986, acompanhando outra cantora maliana, Ousmane Sacko, e acabou por permanecer em Londres por sete meses. Nesse período, gravou o seu primeiro álbum a solo: Kaira. Foi um disco pioneiro – o primeiro de kora solo de sempre – e mantém-se um best seller até hoje. No mesmo ano apresentou-se pela primeira vez no festival WOMAD, causando um impacto significativo .

No Reino Unido trabalhou formalmente com músicos de várias tendências e contactou com diferentes tradições, como a música clássica indiana, de onde proveio a ideia jugalbandi (diálogo musical entre dois instrumentos) que se tornou uma característica marcante da sua música .

Colaborou com o grupo espanhol Ketama dando origem ao álbum Songhai, uma síntese perfeita da kora com o flamenco. Considerando a experimentação como uma parte do griot moderno, forma em 1990 a Symmetric Orchestra – um equilibrio entre a tradição e a modernidade e entre as contribuições de músicos de países próximos. Senegal, Guiné, Burkina Faso, Costa do Marfim e Mali foram todos parte do Império Mandé medieval. A orquestra estreia-se em cd com Shake the Whole World (1992, Japão e Mali) e atinge o auge com Boulevard de l’Indépendance em 2005, gerando grande aclamação da crítica e uma extensão digressão internacional. Entretanto têm-se apresentado em locais como o Carnegie Hall de Nova Iorque e festivais de Jazz como os de Nice e de Montréal1 .

Ainda na década de 1990, em Bamako, Toumani reúne à sua volta um conjunto de músicos talentosos como Bassekou Kouyaté (ngoni) e Keletigui Diabaté (balafon), cultivando uma abordagem jazz-jugalbandi-griot instrumental que se pode ouvir no álbum Djelika de 1995. Depois do álbum Songhai, grava New Ancient Strings em duo com o também tocador de kora Ballake Sissoko; um tributo ao álbum Cordes Anciennes que nos anos 70 juntou os pais dos dois músicos. Com o disco Kulanjan, de 1999, celebra as ligações entre os blues e a música do ocidente africano com o músico norte-americano Taj Mahal. Em MALIcool, ao lado do trompetista Roswell Rudd, é já o free-jazz que serve de referência. A estes juntam-se as participações em inúmeros projectos discográficos como nomes como Ali Farka Touré, Salif Keita, Damon Albarn, Kasse Madi Diabaté e Bjork1 .

Em 2004, Toumani Diabaté recebeu o Ziryab des Virtuoses, um prêmio da UNESCO concedido no Mawazine Festival organizado pelo rei Mohammed VI de Marrocos. É directo da Mandinka Kora Productions, que promove a kora no Mali através de workshops, festivais e vários eventos culturais. Ensina kora e música tradicional moderna no Conservatório de Artes, Cultura e Multimédia Balla Fasseke, inaugurado em Bamako no fim de 2004 .

Em 2004, Toumani Diabaté começou a trabalhar com o World Circuit para uma trilogia de álbuns gravados no Hotel Mandé em Bamako, participando em dois títulos: In the Heart of the Moon em dueto com Ali Farka Touré, álbum vencedor de um Grammy, e Boulevard de l’Indépendance pela Symmetric Orchestra .

Em 2008 foi editado The Mandé Variations, o primeiro álbum de kora solo desde Kaira, há cerca de 20 anos. O álbum Ali and Toumani, recém lançado, em parceria com Ali Farka Touré, foi pontuado com 8.3 pela Pitchfork .

Em 2011, Diabaté tocou kora no projeto “A Curva da Cintura” ao lado dos músicos brasileiros Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra. Além das gravações do álbum em um estúdio de Bamako, “A Curva da Cintura” gerou um documentário para a MTV Brasil.

Fonte: Wikipedia

Toumani Diabaté: The Mandé Variations

1. Si naani 10:27
2. Elyne Road 8:47
3. Ali Farka Toure 6:15
4. Kaounding Cissoko 6:20
5. Ismael Drame 5:42
6. Djourou Kara Nany 6:49
7. El Nabiyouna 5:59
8. Cantelowes 6:57

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Toumani Diabaté e sua kora

Toumani Diabaté e sua kora

PQP

 

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The Peasant Girl, com Viktoria Mullova


IM-PER-DÍ-VEL !!!

O que dizer deste surpreendente álbum duplo de Viktoria Mullova? Que ela é doida? Que ela é uma perfeita cigana? Que ela é linda? Que ela é uma das melhores violinistas de todos os tempos? Que ela não se importa de correr riscos?

Acho que todas as possibilidades acima estão corretas.

Mullova pegou um repertório belíssimo e pouco divulgado para estabelecer com clareza o estrago que a música cigana causou no século XX. Ou seja, dentro de um programa altamente eclético, ela reflete sobre a profunda influência cigana na música clássica e no jazz (SIM!) no século 20. Sob roupagem erudita ou jazzística, a música dos ciganos está em nossas vidas com seu acelerado e marcado pulso. O CD apresenta obras de Bartók e Kodály ao lado de coisas do mundo do jazz, incluindo John Lewis e Django Reinhardt além de faixas da banda Weather Report. A russa Mullova tem fortes ligações pessoais com o campo e os ciganos. Parte de sua família é ucraniana e, quando criança, ela passava temporadas numa pequena aldeia do interior do país, convivendo com camponeses. A música destes CDs nos permite vislumbrar um outro lado desta artista fascinante e de, pelamor, sangue quentíssimo.

(Maiores detalhes sobre as faixas estão no arquivo que vocês, creio, vão baixar).

The Peasant Girl, com Viktoria Mullova

1. For Nedim (For Nadia) 5:36
2. Django 6:44
3. Dark Eyes 6:53
4. Er Nemo Klantz , Bartók Duos 8:20
5. The Peasant 9:35
6. 7 Duos with Improvisations 10:51
7. Yura 4:44

1. Bi Lovengo 3:06
2. The Pursuit of the Woman with the Feathered Hat 5:58
3. Life 4:42
4. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: I. Allegro serioso 7:39
5. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: II. Adagio 8:11
6. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: III. Maestoso e largamente, ma non troppo 8:07

Viktoria Mullova
The Matthew Barley Ensemble

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Russa sangue quente (e bom).

Mullova: russa sangue quente. E bom.

PQP

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.: interlúdio :. Chet Baker – Silent Nights – 1986

Ho Ho Ho! Você ouve esta familiar risada, olha para a lareira (ou para a janela) e vê um sujeito magérrimo e enrugado, com um trompete na mão; na cabeça um boné vermelho escrito Jazz. Chegou o Papai-Baker com seu disco de Natal. Poucos intérpretes deixaram de gravar pelo menos um tema de Natal, lembrando o delicioso tema White Christmas de Irving Berlin na voz de Bing Crosby – também gravado por Louis Armstrong. Duke Ellington, Fats Waller, Clark Terry, entre muitos outros, gravaram Jingle Bells e discos inteiros natalinos. Temos aqui a contribuição de Chet para a discografia jazzística natalina. Um disco simpático, no qual seria impossível, dado o intérprete, não conter certa melancolia; um feeling típico do soberbo trompetista cantor. Boas festas a todos nós e que o nosso novo ano seja repleto de boa sorte, em todos os sentidos.

Chet Baker – Silent Nights – 1986

1 Silent Night
2 The First Noel
3 We Three Kings
4 Hark, the Angels Sing
5 Nobody knows the trouble I’ve seen
6 Amazing Grace
7 Come All Ye Faithful
8 Joy to the World
9 Amen
10 It Came Upon A Midnight Clear
11 Swing Low, Sweet Chariot
12 Silent Night

Trumpet – Chet Baker
Alto Sax – Christopher Mason
Bass – Jim Singleton
Drums – Johnny Vidacovich
Piano – Mike Peller

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Chet Baker numa noite dessas de Natal

Chet Baker numa noite dessas de Natal

Wellbach

 

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.: interlúdio :. John Surman, Stu Martin, Barre Phillips – The Trio – Conflagration (1971)

Um disco inicial de alguém que se tornará grande é sempre uma curiosidade. Aqui, temos John Surman aos 27 anos — e já com uma barriguinha nascente — em plena fase free jazz. Tais trabalhos jovens geralmente sofrem de um extravasamento de sinceridade, o que os tornam mais claros para os aficionados e mais obscuro para o público. Vi Surman em Porto Alegre em 2015, aos 71 anos. Toca demais e, em suas apresentações, tem sempre um momento free, prova de que ele não tem a menos vontade de deixar de lado seu passado. Surman é um gigante, literal e metaforicamente. Logo após este disco, se transformaria em grande estrela da ECM, onde gravou clássicos do jazz, como Upon Reflexion (solo), Coruscating (com quarteto de cordas) e Brewster’s Rooster (com banda de jazz).

John Surman, Stu Martin, Barre Phillips – The Trio – Conflagration (1971)

01 – Conflagration
02 – Malachite
03 – Nuts
04 – 6’s and 7’s
05 – B
06 – Afore the Morrow

The Trio:
John Surman (Baritone and Soprano Saxophone, Bass Clarinet)
Barre Phillips (Bass)
Stu Martin (Drums)

with:
Mike Osborne (Alto Saxophone, Clarinet)
Dave Holland (Bass)
Stan Sulzmann (Clarinet, Flute)
Mark Charig (Cornet)
John Marshall (Drums)
Chick Corea (Piano)
John Taylor (Piano)
Alan Skidmore (Soprano and Tenor Saxophone, Flute)
Malcolm Griffiths (Trombone)
Nick Evans (Trombone)
Harold Beckett (Trumpet, Flugelhorn)
Kenny Wheeler (Trumpet, Flugelhorn)

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Eu também já fui jovem como eles

Eu também já fui jovem como eles

PQP

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.: interlúdio :. Art Blakey & Thelonious Monk

Caminhando uma noite qualquer por Nova York nos anos 40 ou 50, você podia acabar caindo em um clube – digamos, Minton’s ou Five Spot – e dar de cara com músicos como Monk, Coltrane e Dizzy Gillespie cozinhando revoluções no jazz. Rio de Janeiro, começo dos anos 60, se passasse pelo pequeno Beco das Garrafas, a sensação não seria diferente: jovens estudados em discos americanos injetavam novas possibilidades na bossa nova criando o samba-jazz.

São Paulo, 2010, por uma rua do Centro ou Pinheiros, momento parece oferecer efervescência similar. Jovens na faixa dos vinte e algo se juntam em diversas formações e dezenas de grupos, tocam em cada vez mais casas dedicadas ao gênero, para um público cada vez maior e mais interessado e trazem novas idéias ao jazz feito na cidade.

Continuando uma tradição paulistana que já viveu momentos de auge nos bares do Centro como Baiúca e Juão Sebastião Bar na década de 50 e pequenos bares como Supremo Musical nos anos 00, hoje você pode sair em qualquer dia da semana e ouvir música criada no calor do momento.

Saiu matéria sobre a nova cena de jazz paulista na Folha de hoje. Vale mais a pena ler no blog do autor a versão original/expandida, e com vários links, aqui: http://vitrola.blogspot.com/2010/05/jazz-sao-paulo-2010.html

É uma excelente notícia. Fazemos música de tantos estilos, porque não o jazz? Ora bolas. Deveria ser fácil sair à noite para ocupar um bom bar de jazz. Pelo jeito, em SP isso está se tornando possível. No vilarejo onde moro, infelizmente, isso não passa de sonho. Ficarei invejando.

(Os leitores estão convidados a usar os comentários para dar suas dicas locais de jazz, se houver. E eu faço votos que haja.)

——

Sem nenhuma relação aparente, mas pra não fazer um post sem música, deixo um disquinho fantástico. (Que sempre começo ouvindo pelo lado B. Mania.) Quem quiser um review, pode ler aqui, do AMG; quem gosta de efemérides pode viajar na imaginação. O álbum foi gravado em duas sessões, 14 e 15 de maio de 1957, ou seja: praticamente aniversariando. (É uma bobagem, mas acrescenta um certo sabor. Ou sou só eu?)

Art Blakey’s Jazz Messengers with Thelonious Monk /1958 (V2)

A
01 Evidence (Monk)
02 In Walked Bud (Monk)
03 Blue Monk (Monk)
B
04 I Mean You (Monk, Hawkins)
05 Rhythm-A-Ning (Monk)
06 Purple Shades (Griffin)

Bonus tracks (edição de 1999)
07 Evidence [alt take]
08 Blue Monk [alt take]
09 I Mean You [alt take]

Art Blakey: drums
Thelonious Monk: piano
Johnny Griffin: tenor saxophone
Bill Hardman: trumpet
Spanky DeBrest: bass
Produzido por Nesuhi Ertegün para a Atlantic

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Art Blakey e Thelonius Monk pegando aquele bus esperto

Art Blakey e Thelonius Monk pegando aquele bus esperto

Boa audição!
Blue Dog

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.: Interlúdio :. Entre Mundos – Alexandre Silvério Quinteto

cover

  • Repost de 24 de Dezembro de 2015

Dedico esse post ao mestre Avicenna, que numa bela tarde em São Paulo me mostrou uma belíssima versão de “My Funny Valentine” com Johnny Mathis que me ensinou mais sobre a beleza. Espero que a versão presente neste álbum o agrade da mesma forma.

Devo confessar que o jazz não é o estilo de música sobre o qual eu possuo maior conhecimento, só cheguei a conhecer algumas coisas muito recentemente, em um curso de apreciação musical que eu estava fazendo. Fora isso, possuo algumas incursões aqui e ali e adoro quando a música erudita usa alguns de seus elementos, como o saxophone.

Mas o contrário (o jazz usar elementos do erudito), meus amigos, também pode acontecer. E é mais ou menos isso que ocorre neste álbum.

O fagotista Alexandre Silvério, que toca na OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), resolveu pegar seu instrumento, juntar uma turma de “manos do bairro”, e fazer uns sons “jazziacos” ao melhor estilo de uma dança entre o dionisíaco e o apolíneo. O fagote substitui a função que seria do saxophone com maestria e elegância, colocando no mundo do popular um elemento erudito.

Quando ouvi My Funny Valentine na versão desse álbum na Radio Cultura FM de São Paulo não me contive e imediatamente fui procurar o CD para o adquirir. Foi uma das melhores aquisições que fiz em 2015.

Agora eu o trago a vocês, e espero que gostem tanto quanto eu gostei.

Alexandre Silvério Quinteto: Entre Mundos

01 Saudade

02 My Funny Valentine (Arranjo por Alexandre Silvério)

03 Valsa para Bill

04 Tarde em Berlim (afternoon In Berlin)

05 Gordus Power

06 Ballad For Klaus (piano Intro)

07 Ballad for Klaus

08 Cromática

09 Meu fagote chorou

10 Un Tango para “El Chico”

Alexandre Silvério, fagote
Fábio Leandro, piano
Igor Pimenta, contrabaixo
Sérgio Reze, bateria
Vinicius Gomes, guitarra

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Da esquerda pra direita: Vinicius Gomes, Sérgio Reze, Alexandre Silvério, Fábio Leandro, Igor Pimenta

Da esquerda pra direita: Vinicius Gomes, Sérgio Reze, Alexandre Silvério, Fábio Leandro, Igor Pimenta.

Luke

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.: interlúdio – 3x Coltrane :.

Podem acusar este cão de pouco original. Mas lá vou eu me debater outra vez com uma sensação frequente ao ouvir Coltrane: a de que não posso ouvir outro disco de jazz até escutar, com toda a atenção do mundo, tudo o que ele gravou. Acontece só com ele. Outros artistas (mesmo Miles ou Mingus) são mais generosos e permitem idas e vindas, misturas entre sessões, são até mesmo respiros em playlists. Coltrane, ao contrário, tem um magnetismo que abraça e encerra o ouvinte. Talvez porque, ao contrário de Miles ou Mingus, Trane pareça limitado. Ainda que tenha andado por muitos caminhos em sua carreira, nele há mais unidade. É um universo que soa menor, e disso alcança vastidão tão grande como aqueles com quem o comparo.

Ou ainda, esse texto mostra bem como me sinto escutando alguns de seus solos: girando fascinado à procura de um sentido que parece superior, e que só pode ser compreendido com mais e mais audições, e atenções, e dedicação. Junto com os saxofonistas tenores Coleman Hawkins, Lester Young e Sonny Rollins, Coltrane mudou as perspectivas de seu instrumento. Coltrane recebeu uma citação especial do Prêmio Pulitzer em 2007, por sua “improvisação, musicalidade suprema e por ser um dos ícones centrais na história do jazz.”

(Além disso, não temos a discografia completa de Coltrane no PQP. Adiciono três capítulos, em 320kbps. Se for pegar um só, escolha Crescent. Claro que Giant Steps é ícone do jazz modal e tudo o mais, porém o encanto de Crescent está exatamente no inverso disso. São quatro baladas e um blues, de encantos simples e arrebatadores.)

 


John Coltrane – Giant Steps (1960; 1974 edition)
download – 138MB

John Coltrane: tenor saxophone, band leader
Paul Chambers: double bass
Art Taylor: drums
Tommy Flanagan: piano
Jimmy Cobb: drums (track 6)
Wynton Kelly: piano (track 6)
Lex Humphries: drums (tracks 8/9)
Cedar Walton: piano (tracks 8/9)
Produzido por Nesuhi Ertegun para a Atlantic

01 Giant Steps 4’43
02 Cousin Mary 5’45
03 Countdown 2’21
04 Spiral 5’56
05 Syeeda’s Song Flute 7′
06 Naima 4’21
07 Mr. P.C. 6’57
08 Giant Steps [alt take] 3’40
09 Naima [alt take] 4’27
10.Cousin Mary [alt take] 5’54
11.Countdown [alt take] 4’33
12 Syeeda’s Song Flute [alt take] 7’02

John Coltrane – Coltrane’s Sound (gravado em 1960; lançado em 1964)
download – 114MB

John Coltrane: sax soprano, sax tenor
Steve Davis: Bass
Elvin Jones: Drums
McCoy Tyner: Piano
Produzido por Nesuhi Ertegun para a Atlantic

01 The Night Has a Thousand Eyes 6’42
02 Central Park West 4’12
03 Liberia 6’49
04 Body and Soul 5’35
05 Equinox 8’33
06 Satellite 5’49
07 26-2 6’12
08 Body and Soul [alt take] 5’57

John Coltrane – Crescent (1964)
download – 84MB

John Coltrane: tenor saxophone
Jimmy Garrison: double bass
Elvin Jones: drums
McCoy Tyner: piano
Produzido por Bob Thiele para a Impulse!

01 Crescent 8’41
02 Wise One 9’00
03 Bessie’s Blues 3’22
04 Lonnie’s Lament 11’45
05 The Drum Thing 7’22

PS: O vídeo abaixo vai como brinde, para quem já conhece Giant Steps (a faixa) e quer tocar junto em casa. Guitar Hero é uma ova.

Boa audição!

1000x Coltrane

1000x Coltrane

Blue Dog

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The Famous 1938 Carnegie Hall Jazz Concert – Benny Goodman

carnegie-hall-concert
No dia 16 de janeiro de 1938, Benny Goodman e sua orquestra foram consagrados no histórico concerto realizado e gravado no Carnegie Hall de Nova York. (relato do nosso reporter presente no Carnegie Hall, Marcelo Stravinsky).

Foi também a primeira apresentação de uma banda de Jazz no Carnegie Hall. Este LP, produzido em 1950, foi um dos primeiro LPs nos Estados Unidos a vender mais de 1 milhão de cópias.
Alguns dos músicos presentes nesta gravação:
Harry James, trumpets
Gene Krupa, drums
Count Basie, piano

The Famous 1938 Carnegie Hall Jazz Concert

01. Don’t Be That Way
02. One O’Clock Jump
03. Sensation Rag
04. I’m Coming Virginia
05. When my Baby Smiles at Me
06. Shine
07. Blue Reverie
08. Life Goes to a Party
09. Honeysuckle Rose
10. Body and Soul
11. Avalon
12. The Man I Love
13. I Got Rhytm
14. Blue Sky
15. Sing Sing Sing (With a Swing)

The Famous 1938 Carnegie Hall Jazz Concert – Benny Goodman – 1950

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 320 kbps – 158,8 MB – 1,1hora
powered by iTunes 9.1

Boa audição.

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Avicenna

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.: interlúdio :. The Dave Brubeck Quartet – Time Out

time-outThe Dave Brubeck Quartet
Time Out
1959

Repostagem com novo e atualizado link.

No seu estilo pedante, a crítica de jazz cita 1959 como um annus mirabilis, um ano premiado. Nele foram gravados os álbuns Kind of Blue e Sketches of Spain, de Miles Davis; Mingus Ah Um, de Charles Mingus; e Time Out, de Dave Brubeck. Todos numa antiga igreja armênia da Rua 30, em Nova York, convertida em estúdio pela Columbia. Uma faixa do álbum de Brubeck, “Take Five”, logo fascinou a todos por sua ginga hipnótica e pelo uso arrojado do tempo 5/4. Lançada em single, se tornaria, em 1961, o primeiro disco de jazz a atingir a marca de um milhão de cópias vendidas. Embora Brubeck fosse o cérebro do quarteto e sua autêntica máquina-de-compor, o sucesso veio de onde menos se esperava: de Paul Desmond, o saxofonista improvisador, basicamente um intérprete de material alheio.

O álbum Time Out quase não foi lançado. Chegou às lojas contra a vontade de todos os executivos da Columbia, menos um: o manda-chuva Goddard Lieberson, presidente da companhia. Dave Brubeck relembra: “Quebrei três leis da Columbia. Todas as sete faixas eram composições originais, quando a gravadora gostava de entremear com standards. Queria também músicas que fizessem as pessoas dançar e eu lhes dei todos aqueles compassos esquisitos. Botaram um pintura na capa do LP, coisa que nunca se fazia com um disco de jazz. Obviamente, a companhia não queria lançar o álbum”. Surpreendentemente, os fãs estavam mais preparados para os compassos extravagantes de Brubeck do que os executivos da indústria fonográfica e não só compraram o álbum, como dançaram ao som dele. Como intérprete, Paul Desmond foi um saxofonista cool por excelência. Avesso aos ruídos fisiológicos subjacentes ao instrumento (arquejos, guinchos e sussurros de palhetas, percussão de teclas), sempre tocou longe do microfone, emitindo um som limpo e cristalino, direto da campanha do seu alto. Definia seu som inconfundível com um gracejo: “Eu sempre quis soar como um martini seco”.

“Take Five” foi tocada muitas vezes pelo quarteto e dezenas de artistas a gravaram, da cantora sueca Monica Zetterlund em 1962 à versão póstuma de King Tubby em 2002. Em 1961, Carmen McRae gravou uma versão com letra composta por Dave e sua mulher, Iola.

Desmond morreu aos 52 anos, em 1977, de câncer do pulmão, sem descendentes. Os royalties de suas composições e interpretações, foram destinados, segundo sua vontade, para a Cruz Vermelha norte-americana, que recebe cerca de cem mil dólares por ano. “Take Five” representa grande parte desta receita, e continua fazendo a rapaziada dançar ao compasso de 5/4. (parte do artigo de Roberto Muggiati, Gazeta do Povo, Curitiba, 16.08.09. O texto completo está em: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=915077&tit=Paul-Desmond-e-o-jazz-milionario).

1. Blue Rondo A La Turk – Dave Brubeck (echoes Mozart’s “Rondo alla Turca” from his Piano Sonata No. 11)
2. Strange Meadow Lark – Dave Brubeck
3. Take Five – Paul Desmond
4. Three To Get Ready – Dave Brubeck
5. Kathy’s Waltz – Dave Brubeck
6. Everybody’s Jumpin’ – Dave Brubeck
7. Pick Up Sticks – Dave Brubeck

Time Out – 1959
The Dave Brubeck Quartet

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 320 kbps – 82,2 MB – 38,5 min
powered by iTunes 9.0

Oooh, yeah!!

Avicenna

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