.: interlúdio :. John Coltrane Quartet – My Favorite Things (1961)

O pianista McCoy Tyner morreu no dia 6 de março de 2020, aos 81 anos. Dos membros do mais famoso quarteto de Coltrane, era o último entre nós. A causa da morte não foi divulgada.

Tyner era mais conhecido por seus anos como membro do John Coltrane Quartet, um dos grupos mais icônicos e revolucionários do jazz. Foi com Coltrane, de 1960 a 65, que Tyner reescreveu as regras do piano de jazz com seus acordes percussivos e cheios de notas.

O primeiro disco dessa formação do quarteto de Coltrane, My Favorite Things, foi lançado em 1961 e teve grande sucesso, especialmente a faixa-título. O pianista atacou a música de Rodgers & Hammerstein com ondas marteladas de acordes modais e repetitivas, porém atraentes, que eram tão proeminentes quanto o saxofone soprano de Coltrane. A música se tornou o cartão de visitas de Coltrane, tocada todas as noites – mas era igualmente importante, se não mais, para Tyner. (Pleyel, com trechos copiados de JazzTimes)

Queria postar Mingus (e o farei em breve) – mas não tenho ouvidos pra ele ultimamente; tenho passado as horas a reencontrar meu disco preferido de jazz. My Favorite Things, gravado entre 24 e 26 de outubro de 1960 por Coltrane, é uma aula de música envolta em uma aura de simplicidade e candura. Não obstante, a faixa-título é uma valsa – de The Sound of Music, o musical. Coltrane (e McCoy Tyner, ao piano) abraçam o ouvinte pelas orelhas e o fazem girar em notas mais do que perfeitas e jamais excedentes. O quarteto mostra mais do que coesão – também generosidade de Trane, que em seus arranjos favorece a construção sonora mais do que a própria voz (o sax). São as sheets of sound que formaram sua identidade musical. Puro deleite de jazz modal, indicado inclusive para iniciantes que se sentem oprimidos pelo bop mas desejam um pouco mais de complexidade. Aproveitem o rip em alta definição e não tenham medo de usar os fones de ouvido. (Bluedog)

John Coltrane – My Favorite Things
01 My Favorite Things (Rodgers, Hammerstein) – 13’47
02 Everytime We Say Goodbye (Porter) – 5’54
03 Summertime (G. Gershwin, Heyward) – 11’37
04 But Not for Me (G. Gershwin, I. Gershwin) – 9’35

John Coltrane: soprano saxophone (1, 2), tenor saxophone (3, 4)
McCoy Tyner: piano
Steve Davis: bass
Elvin Jones: drums
Produzido por Nesuhi Ertegun para a Atlantic

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (mp3 320kbps)

McCoy Tyner e John Coltrane em 1963

Bluedog (2007) / Pleyel (2020, repostagem e homenagem e McCoy Tyner)

.: interlúdio :. Paul Horn – Inside the Taj Mahal (1968)

Em tempos de quarentena, muitos de nossos amigos têm se dedicado a atividades como meditação, yoga, ta-chi-chuan. Outros aumentam o consumo de ervas ou cogumelos, buscando nos paraísos artificiais a fuga da ansiedade com os difíceis tempos por vir. Em todos esses casos, o isolamento social traz a possibilidade de momentos de pausa absolutamente importantes para a saúde física e mental.

Este é um disco IM-PER-DÍ-VEL para ouvir durante a meditação e outros momentos similares. Gravado em 1968 sob a grande cúpula do Taj Mahal, o disco tem apenas três instrumentos: a flauta de Paul Horn (1930-2014), a voz de um homem não identificado (guarda do Taj Mahal que canta a capella sem ensaios, ou pelo menos essa é a história oficial), e finalmente o próprio Taj Mahal, com seus ecos de até 28 segundos, produzindo incontáveis sobreposições e harmônicos.

Para o ouvinte que fala português ou espanhol, o álbum tem um interesse a mais: na faixa 8 (Jumma), o guarda não identificado canta uma melodia com origem no norte da África (marroquina, bérbere ou algo do tipo), com uma grande semelhança com as línguas ibéricas. Versos, por exemplo, como “po[r] ca[usa] de ti”, nos lembram o quanto as civilizações dos dois lados do estreito de Gibraltar estão próximas geográfica e culturalmente, apesar da separação fruto de guerras e religiões.

Paul Horn tinha participado das bandas de Duke Ellington e Nat King Cole, mas foi no Taj Mahal que ele encontrou sua voz mais original, com a flauta improvisando notas longas e cuidadosas. Este disco foi uma grande influência para a música new age que seria produzida anos depois e acabaria virando trilha sonora de elevador. Após mais de um milhão de cópias vendidas, é claro que Paul Horn ia tentar repetir a fórmula… Gravou álbuns dentro da Grande Pirâmide de Gizé, da Catedral de Vilnius e por aí vai…

Paul Horn – Inside (a.k.a. Inside the Taj Mahal)

1. Prologue/Inside
2. Mantra I/Meditation
3. Mumtaz Mahal
4. Unity
5. Agra
6. Vibrations
7. Akasha
8. Jumna
9. Shah Jahan
10. Mantra II/Duality
11. Ustad Isa/Mantra III

Paul Horn – flute
Unidentified tomb guard – chanting

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Trata-se de um disco belo, estranho e totalmente único ao mesmo tempo, como escreveu o crítico do The Guardian que o incluiu na lista de 101 discos mais estranhos disponíveis no Spotify (boa recomendação para aqueles com tempo livre e mentes muito abertas).

Pleyel

.: interlúdio :. Duke Ellington: Paris, March 1964

.: interlúdio :. Duke Ellington: Paris, March 1964

A(s) big band(s) formadas por Duke Ellington são inacreditáveis. Todos parecem ser grandes solistas e ninguém erra. E a banda se transmuta de grande em pequena, quando quer, atuando em perfeitos subconjuntos. O som deste CD não é  o melhor, mas na terceira faixa já esquecemos disso, tal a qualidade da música e dos músicos. Ellington foi grande compositor e arranjador. Nada parece ser ocioso ou fora do lugar.

Depois de uma longa excursão pela Ásia, incluindo o Sri Lanka, e depois de duas semanas no Reino Unido, de 15 de fevereiro a 1 de março, a orquestra desembarcou no continente no dia 2, em Stuttgart, viajando por várias cidades até o dia 23, data do último concerto em Limoges. Acrescente a essa agenda estonteante o fato de que a banda costumava dar dois shows por dia e que alguns músicos às vezes realizavam sessões de gravação à tarde… Entre outras maravilhas, temos aqui cinco extratos (faixas 2 a 5 e 13) do que se tornaria em 1966 a Far East Suite, que ouvimos aqui pela primeira vez.

Duke Ellington: Paris, March 1964

1 Take The ”A” Train
2 Amad
3 Agra
4 Bluebird Of Delhi (Minah)
5 Depk
6 The Opener
7 Happy Reunion
8 Blow By Blow
9 Harmony In Harlem
10 Stompy Jones
11 Caravan
12 Tutti For Cootie (Fade Up)
13 Isfahan
14 Things Ain’t What They Use To Be
15 Banquet
16 Skillipoop (Jungle Triangle)
17 Satin Doll

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Ellington na banheira da Suíte Ducal do Palácio PQP Bach

PQP

.: interlúdio :. Duke Ellington: Les Girls! (The Girls Suite & Toot Suite Premieres) 1958-1963

.: interlúdio :. Duke Ellington: Les Girls! (The Girls Suite & Toot Suite Premieres) 1958-1963

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Gente, que CD! Se ele contivesse apenas a Toot Suite já seria imperdível, mas ele tem muito mais. Tem até Ella e Dinah em duas faixas. Uma coisa de louco!

Edward Kennedy “Duke” Ellington (Washington, 29 de Abril de 1899 — Nova Iorque, 24 de Maio de 1974) foi um compositor de jazz, pianista e líder de orquestra estadunidense eternizado com a alcunha de “The Duke” e distinguido com a Presidential Medal of Freedom (condecoração americana) em 1969 e com a Legião de Honra (condecoração francesa) em 1973, sendo ambas as distinções as mais elevadas que um civil pode receber. Foi ainda o primeiro músico de jazz a entrar para a Academia Real de Música de Estocolmo, e foi honoris causa nas mais importantes universidades do mundo.

A música de Duke Ellington foi uma das maiores influências no jazz desde a década de 1920 até à de 1960. Ainda hoje suas obras têm influência apreciável e é, por isso, considerado o maior compositor de jazz americano de todos os tempos. Entre os seus muitos êxitos encontram-se “Take the A Train” (letra e música por Billy Strayhorn), “Satin Doll”, “Rockin’ in Rhythm”, “Mood Indigo”, “Caravan”, “Sophisticated Lady”, e “It Don’t Mean a Thing (If It Ain’t Got that Swing)”. Durante os anos 20 e 30, Ellington partilhava frequentemente seus créditos de compositor com seu manager Irving Mills, até que no final dos anos 30 desentenderam-se. Billy Strayhorn passou a ser o colaborador de Ellington (nem sempre creditado como tal) desde 1940 até à sua morte nos anos 70.

Ellington tinha a preocupação de adaptar as suas composições de acordo com o talento dos músicos que compunham a sua orquestra, entre eles estiveram Johnny Hodges, Bubber Miley, Joe “Tricky Sam” Nanton, Barney Bigard, Ben Webster, Harry Carney, Sonny Greer, Otto Hardwick, e Wellman Braud. Muitos músicos permaneceram ao lado de Ellington durante décadas.

Durante toda a sua vida gostou de fazer música experimental (em busca de novas sonoridades), gravou com John Coltrane e Charles Mingus e ainda com a sua dotada orquestra. Nos anos 40 e 50, a banda atingiu um pico criativo, quando escreveu para orquestra a várias vozes com grande criatividade.

Duke Ellington: Les Girls! (The Girls Suite & Toot Suite Premieres) 1958-1963

NBC Telecast, “Bell Telephone Hour-American Festival”, New York, February 10, 1959
1 –Duke Ellington With Ella Fitzgerald Medley: Satin Doll – Don’t Get Around Much Anymore – Caravan – Mood Indigo – I’m Just A Lucky-So-And-So – Caravan – Do Nothing Till You Hear From Me – I’m Beginning To See The Light 11:15

Monterey Jazz Festival, Fair Grounds, Monterey, Cal., September 23, 1961
“The Girls Suite”
2 –Duke Ellington And His Orchestra Girls 3:46
3 –Duke Ellington And His Orchestra Sarah 2:00
4 –Duke Ellington And His Orchestra Lena 3:14
5 –Duke Ellington And His Orchestra Mahalia 3:53
6 –Duke Ellington And His Orchestra Dinah 4:26

State Fair Grounds, Detroit, Mich., August 26, 1963
7 –Duke Ellington And His Orchestra With Dinah Washington Spoken Introduction By Duke Ellington 1:24
8 –Duke Ellington And His Orchestra With Dinah Washington Do Nothing Till You Hear From Me 2:57
9 –Duke Ellington And His Orchestra With Dinah Washington Evil Gal Blues 2:39

Same Date, Dinah Washington
10 –Duke Ellington And His Orchestra Jam With Sam 5:37

Sheraton Hotel, French Lick, Ind., August 15, 1958
“Toot Suite”
11 –Duke Ellington And His Orchestra Red Garter 4:53
12 –Duke Ellington And His Orchestra Red Shoes 4:46
13 –Duke Ellington And His Orchestra Red Carpet 8:30
14 –Duke Ellington And His Orchestra Ready Go 4:06

Track 1:
DUKE ELLINGTON AND ELLA FITZGERALD
Ella Fitzgeral (voc) – Duke Ellington (p) – Jim Hall (g) – Wilfred Middlebrooks (b) – Gus Johnson (b) + studio orchestra.
NBC telecast, “Bell Telephone Hour-American Festival”, New York, February 10, 1959

Tracks 2-6:
DUKE ELLINGTON AND HIS ORCHESTRA
Willie Cook, Ed Mullens, Cat Anderson, Ray Nace (tp) – Lawrence Brown, Lou Blackburn (tb) – Chuck Connors (btb) – Johnny Hodges (as) – Russell Procope (cl, as) – Jimmy Hamilton (cl, ts) – Paul Gonsalves (ts) – Harry Carney (bar) – Duke Ellington (p, cond) – Aaron Bell (b) – Sam Woodyard (d)
Monterey Jazz Festival, Fair Grounds, Monterey, Cal., September 23, 1961
“The Girls Suite” (D. Ellington, B. Strayhorn)

Tracks 7-9:
DUKE ELLINGTON AND HIS ORCHESTRA WITH DINAH WASHINGTON
Willie Cook, Rolf Ericson, Cat Anderson, Cootie Williams, That Jones (tp) – Lawrence Brown, Buster Cooper (tb) – Chuck Connors (btb) – Johnny Hodges (as) – Hilton Jefferson (as) – Jimmy Hamilton (cl,ts) – Harry Carney (bar) – Duke Ellignton (p, cond) – Ernie Shepard (b) – Sam Woodyard (d) – Dinah Washington (voc).
State Fair Grounds, Detroit, Mich., August 26, 1963

Track 10:
DUKE ELLINGTON AND HIS ORCHESTRA
Same date, Dinah Washington out.

Tracks 11-14:
DUKE ELLINGTON AND HIS ORCHESTRA
Haold Baker, Cat Anderson, Clark Terry, Ray Nance (tp) – Britt Woodman, Quentin Jackson (tb) – John Sanders (v-tb) – Johnny Hodges (as) – Russel Procope (cl, as) – Jimmy Hamilton (cl, ts) – Paul Golsalves (ts) – Harry Carney (bar) – Duke Ellington (p, cond) – Jimmy Weoode (b) – Sam Woodyard (d).
Sheraton Hotel, French Lick, Ind., August 15, 1958
“Toot Suite” (D. Ellington, B. Strayhorn)

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PQP

.: interlúdio :. Duke Ellington – Stockholm, June 1963

.: interlúdio :. Duke Ellington – Stockholm, June 1963

O ano de 1963 foi lotado de compromissos para a orquestra de Ellington, entre uma longa turnê europeia de 9 de janeiro a 4 de março e uma excursão não menos longa ao Oriente Médio e Ásia, de 6 de setembro a 22 de novembro, de Damasco a Bombaim, via Bagdá, Teerã e Cabul… Sim, parecia o time do Santos com Pelé. Menos conhecido é o fato de que a orquestra viajou à Europa no verão de 63 e passou a maior parte de junho na Suécia. Incrível a naturalidade e a atmosfera calorosa, descontraída e informal destes concertos dos quais oferecemos aqui trechos. É o exemplo acabado do que gostaríamos de ouvir com mais frequência em disco. Música tocada com alegria e entusiasmo, às vezes com erros, mas cheia de surpresas e momentos de pura loucura…

Duke Ellington – Stockholm, June 1963

1 Take The “A” Train
2 Jeep’s Blues
3 Rose Of The Rio Grande
4 Kinda Dukish / Rockin’ In Rhythm
5 In A Sentimental Mood
6 Mr Gentle And Mr Cool
7 I Let A Song Go Out Of My Heart / Don’t Get Around Much Anymore
8 Entr’acte
9 I Didn’t Know About You
10 Suite Thursday, 1st Mouv.: Misfit Blues
11 Suite Thursday, 2nd Mouv.: Schwiphti
12 Suite Thursday, 3rd Mouv.: Sweet Zurzday
13 Suite Thursday, 4th Mouv.: Lay-By
14 Laura
15 Afro-Bossa

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Assim como Pelé em 1963, Duke Ellington não parava de viajar e de fazer gols.

PQP

.: interlúdio :. Pat Metheny Group – The First Circle

Meu dia começou triste quando nosso guru PQPBach, em férias pela Europa, mandou uma mensagem noticiando a morte de Lyle Mays, o emblemático tecladista que acompanhou Pat Metheny por muitos anos.
Para  nós, fãs confessos do grande guitarrista que é Pat Metheny, a notícia é desoladora. É como se com ele se fosse uma fase de nossas vidas, quando aguardávamos ansiosos as novidades da banda pelo selo ECM. Não sei se eu consideraria Mays um virtuose, mas sim alguém com um amplo conhecimento musical, que servia de base para Metheny desfilar todo o seu talento e nos trazer discos fundamentais, que acompanharam nossa adolescência, que serviram de trilha sonora. Claro que não podemos ignorar outros músicos que tocaram com Metheny naquela época, como o baixista Steve Rodby, principal arranjador e produtor do grupo. Mas ouvindo discos como ‘American Garage’ ou ‘First Circle’ não há como não entender o papel fundamental que os teclados de Mays exercem na música produzida.
Fica um sentimento muito grande de perda, perda de um músico que embalou meus sonhos de juventude e de jovem adulto. Rodei milhares de quilômetros ouvindo estes discos com meu walkman, e mais tarde com meu discman. Poderia dizer que estes discos fizeram (e fazem) parte da trilha sonora de minha vida. Para quem não o conheceu, sugiro  assistir ao vídeo do Youtube abaixo para entender o que estou falando.

Escolhi o ‘First Circle’ para homenageá-lo.

Descanse em Paz, Lyle Mays.

01. Forward March
02. Yolanda, You Learn
03. The First Circle
04. If I Could
05. Tell It All
06. End Of The Game
07. Mas Alla (Beyond)
08. Praise

Pat Metheny – Guitar
Steve Rodby – Bass
Lyle Mays – keyboards
Pedro Aznar – Percussion
Paul Wertico – Drums

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Lyle Mays (1953-2020) – Retrato do Artista Quando jovem

 

.: interlúdio .: Pat Metheny Group- American Garage

Com certeza esse álbum do Pat Metheny Group é um dos mais belos discos de jazz já gravados. Impecável na sua produção, na qualidade das músicas, no nível altíssimo dos músicos envolvidos … nunca deixo de me emocionar quando o ouço, e já faço isso há mais de trinta anos e cinco anos.

Pat Metheny com este disco inscrevia seu nome no rol dos grandes músicos de Jazz, nos trazendo belíssimas melodias, muito inspiradas, sem precisar espanar sua guitarra, me utilizando da expressão de nosso mentor, PQPBach para reclamar daqueles guitarristas que gostam de demostrar seu virtuosismo tocando mil notas por segundo, nos mostrando uma técnica apuradíssima, com sua excepcional banda, que tinha o seu parceiro de banda pelas próximas duas décadas, o pianista e tecladista Lyle Mays, o baixista Mark Egan e o baterista Dan Gotlieb.

Canções como ‘(Cross The) Heartland’, ‘American Garage’, e a épica ‘Epic’ já se tornaram clássicas, e são obras obrigatórias em seus concertos. Elas nos remetem a uma época que não volta mais, a campos cultivados, a estradas sem fim, lembrando do belo título de uma coletânea do The Allman Brothers Band, ‘The Road Goes on Forever”. Até hoje, Pat Metheny é uma de minhas trilhas sonoras de viagem favoritas.

A capa deste disco também é detalhe a se destacar: aqueles trailers sob um céu azul não trazem uma paz de espírito para os senhores?, nos deixa serenos. Talvez o único defeito deste LP seja sua curta duração: meros trinta e cinco minutos, que você que durem cem minutos. Entendemos que na época os discos não eram muito mais longos que isso, estamos falando de 1979.

Para aqueles que não conhecem Pat Metheny, creio que esta seja a melhor apresentação que se possa fazer.

01 – (Cross The) Heartland
02 – Airstream
03 – The Search
04 – American Garage
05 – The Epic

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.: interlúdio :. Duke Ellington — 2nd Sacred Concert [Live]

.: interlúdio :. Duke Ellington — 2nd Sacred Concert [Live]

OK, é Duke Ellington, mas também é aquela babação àquele amigo imaginário. Mas é Ellington. E há uma big band. E há um coral. E há uma boa cantora. Sueca. Mas há uma narração de Duke que é bem chatinha. Mas é Ellington. Supreeeeeeeme Beeeeeeing. Ouvir as orquestrações, o som inimitável de Ellington… A gente suporta até o terror da louvação.

O 2º Concerto Sacro foi registrado em 22 de janeiro e 19 fevereiro de 1968 em Nova York e foi originalmente lançado como um LP duplo da Prestige Records e relançado em CD simples. É a primeira vez que a sueca Alice Babs grava com a Orquestra de Ellington. Ela cantou “Heaven” e o vocal sem palavras “T.G.T.T. (Too Good To Title)”. Cootie Williams rosna seu trompete em “The Shepherd (Who Watches Over The Night Flock). Lindo! Esta peça é dedicada ao Rev. John Garcia Gensel, um pastor luterano que enrolava a comunidade do jazz. O final “Praise God And Dance ” vem do Salmo 150 e é muito legal. É meio jazz, meio mainstream popular dos anos 60.

Duke Ellington — 2nd Sacred Concert [Live]

1. Praise God 3:09
2. Supreme Being 11:46
3. Heaven 4:54
4. Something About Believing 8:12
5. Almighty God 6:32
6. The Shepherd (Who Watches Over The Night Flock) 7:10
7. It’s Freedom 13:00
8. Meditation 3:08
9. The Biggest And Busiest Intersection 3:58
10. T.G.T.T. 2:25
11. Praise God And Dance 10:57

Músicos:
Duke Ellington – piano, narration
Cat Anderson, Mercer Ellington, Money Johnson, Herb Jones, Cootie Williams – trumpet
Lawrence Brown, Buster Cooper, Bennie Green – trombone
Chuck Connors – bass trombone
Russell Procope – alto saxophone, clarinet
Johnny Hodges – alto saxophone
Jimmy Hamilton – clarinet, tenor saxophone
Paul Gonsalves – tenor saxophone
Harry Carney – baritone saxophone
Jeff Castleman – bass
Sam Woodyard, Steve Little – drums
Alice Babs, Devonne Gardner, Trish Turner, Roscoe Gill – vocals
The AME Mother Zion Church Choir, Choirs Of St Hilda’s and St. Hugh’s School, Central Connecticut State College Singers, The Frank Parker Singers – choirs

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O duque na antessala da Capela Ateia do Grand Hall do PQP Bach

PQP

.: interlúdio :. Brenda Boykin – All the Time in the World

Hoje vou mudar um pouco minhas postagens, e trazer para os senhores algo muito atual, apesar da cantora já ter adentrado em seus 60 e poucos anos de idade. Trata-se da cantora de jazz californiana Brenda Boykin, dona de um belíssimo timbre de voz, com muito suíngue, latin jazz na alma, blues, funk (calma, falo da música tocada nos bairros novaiorquinos) e música eletrônica.  E não podemos esquecer o timaço de músicos que a acompanham, todos músicos de estúdio, porém com muita experiência em um estilo que se convencionou chamar de nu-jazz. E dirigidos pelo incrível Bepo Best, baixista, tecladista, produtor, com um faro incrível para criar verdadeiras obras primas, como a magnífica faixa ‘I´ll Be With You’. O que Brenda Boykin faz com sua voz aqui é algo assombroso.

Esse é outro disco que fará os senhores afastarem os móveis da sala para saírem dançando. Bom gosto, sofisticação, talento, tudo reunido em um baita CD, facilmente classificável como ‘IM-PER-DÍ-VEL !!!

P. S. A lista dos músicos envolvidos é um pouco extensa, e estou com preguiça em digitá-la, então estou deixando para os senhores o booklet para poder tirar estas informações.
P.S. 2 Encontei no site do Mozarteum Brasileiro está pequena biografia de Brenda Boykin. Vale a leitura.

01. Feel Me
02. Mambo Jambo
03. This Maybe Game
04. Don’t Take My Love Away
05. Where Is It Written
06. I’ll Be With You
07. Stone Mad
08. El Ritmo
09. Pa-Pade Swing (Koko Chanel Club Mix)
10. Dancing All Night
11. All the Time in the World
12. La Diva
13. Ninety Nine ‘n a Half
14. U Don’t Love Me (I Don’t Care)
15. And You Know How

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Brenda Boykin – Que voz, senhores !!!

.: interlúdio :. Ella and Louis ∞ Christmas ∞ Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

.: interlúdio :. Ella and Louis  ∞  Christmas ∞  Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

 

 

Natal! Christmas! Natal!

 

 

 

Eu sei, é um pouco esquizofrênico estas canções falando de trenós, Natais brancos, homens de neve e coisas do gênero. Mas, (what the hell), é Natal!!!

Não temos os aficionados que ao menor possível sinal de neve nas serras gaúchas ou catarinenses desabam para lá em busca da tão sonhada paisagem?

Portanto, vamos de Christmas Album! Este disco pertence a uma inabalável tradição americana. De Elvis Presley, Nat King Cole, Johnny Mathis, Barbra Streisand, Sinatra (é claro!), Celine Dion até Rod Stewart (que é inglês), todos produziram pelo menos um Christmas Album.

Ella Fitzgerald e Louis Armstrong não ficaram de fora desta ilustre lista. E se cada um a seu turno faz grande sucesso, quando se juntam, aí é covardia!

Este “Ella & Louis Christmas” álbum é uma compilação. Não se preocupe por isto, você ouvirá cada um deles no que há de melhor e os dois juntos, algumas vezes, sempre gloriosos.

Temos um desfile de deliciosas canções, algumas nostálgicas, como é próprio da estação, outras humorosas, porque só de seriedade o homem acaba perecendo.

Se você não tiver tempo para todo o álbum, afinal, há que fazer compras de Natal, pagar promessas para ficar fora das listas dos que ganham meias e lenços (uma vez nesta lista, meu caro, you are gone!), ouça essa minha playlist:

∞ Have Yourself a Merry Little Christmas (só para entrar no clima…)

∞ Christmas Song (Ella at her best!)

∞ Let it Snow! Let it Snow! Let it Snow! (Esta eu canto com headphones e sunga…)

∞ White Christmas (onde Louis exibe todo o seu charme e talento)

∞ Baby, It’s Cold Outside (Aqui, Louis faz dueto com Velma Middleton. Espetacular! Delicioso!)

Louis & Velma

∞ I’ve Got My Love to Keep Me Warm (Louis e Ella, numa de suas mais lindas performances.)

∞ Jingle Bells (Como deixar de fora?)

∞ Woul You Like to Take a Walk? (Só para terminar com os dois cantando juntos.)

  1. Have Yourself a Merry Little Christmas (Ella)
  2. Sleigh Ride (Ella)
  3. The Christmas Song (Ella)
  4. Christmas Night in Harlem (Louis)
  5. Let it Snow! Let it Snow! Let it Snow! (Ella)
  6. Frosty The Snowman (Ella)
  7. Whitte Christmas (Louis)
  8. Cool Yule (Louis)
  9. Baby, It’s Cold Outside (Louis and Velma Middleton)
  10. I’ve Got My Love to Keep Me Warm (Louis & Ella)
  11. Santa Claus is Coming to Town (Ella)
  12. ‘Zat You, Santa Claus? (Louis)
  13. Jingle Bells (Ella)
  14. Rudolph The Red-Nosed Reindeer (Ella)
  15. Winter Wonderland (Louis)
  16. The Secret of Christmas (Ella)
  17. Christmas in New Orleans (Louis)
  18. What Are You Doing New Year’s Eve? (Ella)
  19. Would You Like to Take a Walk? (Ella & Louis)
  20. What a Wonderful Worls (Louis)

Louis Armstrong & Ella Fitzgerald

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FLAC | 328 MB

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MP3 | 320 KBPS | 136 MB

Se você fizer uma outra playlist, pode mandar que ouvirei, mesmo que já seja Véspera de Ano Novo!

Aproveite e …

Feliz Natal!

René Denon

.: interlúdio :. Cyminology: Saburi (2011)

.: interlúdio :. Cyminology: Saburi (2011)

Este é um daqueles discos típicos de jazz da ECM / Manfred Eicher — bonito, com som espetacular e contemplativo. Há um amigo que chama este tipo de jazz de “Te vejo lá na esquina em 5 min”. Quem conhece sabe que a ironia é válida, pois estes sons claros, free, seguros e familiares estão conosco há meio século. Aqui há também uma voz feminina. Ela se chama Cymin Samawatie, uma moça de origem iraniana que vive em Berlim. Ao lado de um trio formado pelo pianista Benedikt Jahnel, baixista Ralf Schwarz e baterista Ketan Bhatti, Cymin traz de volta uma clássica configuração de jazz de câmara, sempre muito apreciada no jazz moderno. Saburi, em persa moderno, significa “paciência”). Um disco melodioso, eufônico e muito bom.

Cyminologu: Saburi (2011)

1. Sibaai
2. Saburi
3. Shakibaai
4. Norma
5. As maa
6. Nemibinam
7. Hedije
8. Hawaa

Saburi:
Cymin Samawatie (vocals)
Benedikt Jahnel (piano)
Ralf Schwarz (doublebass)
Ketan Bhatti (drums percussion)

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O Saburi

PQP

A Quieta Arte das Tangentes – Keith Jarrett (1945) – Book of Ways (1987)

Book_of_WaysNossa série sobre clavicórdios traz o mago Keith Jarrett improvisando por um bom tempo num deles. Se houvesse uma delegacia especializada em maus tratos a instrumentos frágeis, talvez pudéssemos denunciar Jarrett – não pelo produto de sua improvisação, que é muito bom, mas pela pouca delicadeza com que, muitas vezes, percute as delicadas tangentes. Os leitores-ouvintes acostumados à sua magia pianística perceberão que boa parte do primeiro volume soa como uma “aclimatação” ao timbre e aos recursos peculiares ao clavicórdio – e que a coisa decola, mesmo, no segundo volume.

BOOK OF WAYS – KEITH JARRETT

DISCO 1

01 – No. 1
02 – No. 2
03 – No. 3
04 – No. 4
05 – No. 5
06 – No. 6
07 – No. 7
08 – No. 8
09 – No. 9
10 – No. 10

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DISCO 2

01 – No. 1
02 – No. 2
03 – No. 3
04 – No. 4
05 – No. 5
06 – No. 6
07 – No. 7
08 – No. 8
09 – No. 9

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Keith Jarrett, clavicórdio

Keith Jarrett num ano ignoto - s julgar pela "vibe",, tenho um *leve* palpite de que nos anos 70
Hey, Keith: sabe aquela velha foto dos anos 70 que não queres mostrar pros netos? GOTCHA.

Vassily Genrikhovich

.: interlúdio :. Miles Davis: Birth of the Cool

.: interlúdio :. Miles Davis: Birth of the Cool

Álbum publicado em 2001 em uma das muitas reedições dos extraordinários trabalhos de Miles Davis. O disco viu a luz pela primeira vez em 1954 com 8 faixas, foi foi relançado em 1957 com 11 e ganhou mais uma em 1971. Os anos 50 trouxeram um novo estilo de jazz, o cool, que separou do bebop em declínio. O nascimento do cool é marcado pela colaboração de Miles Davis e do compositor Gil Evans. As raízes dessa música estão incluídas neste disco gravado em três sessões diferentes entre 1949 e 1950. A peça causou uma profunda impressão entre os críticos e foi um marco e inovador no música jazz. Davis e um grupo de nove músicos sob seu comando foram responsáveis ​​por lançar as bases deste novo conceito.

Miles Davis: Birth of the Cool

1. Move
2. Jeru
3. Moon dreams
4. Venus de Milo
5. Budo
6. Deception
7. Godchild
8. Boplicity
9. Rocker
10. Israel
11. Rouge
12. Darn that dream

Alto Saxophone – Lee Konitz
Baritone Saxophone – Gerry Mulligan
Bass – Al McKibbon, Nelson Boyd
Drums – Kenny Clarke, Max Roach
French Horn – Junior Collins, Sandy Siegelstein
Leader, Trumpet – Miles Davis
Piano – Al Haig, John Lewis
Trombone – J.J. Johnson, Kai Winding
Tuba – John Barber

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Miles Davis nos anos 50

PQP

.: interlúdio :. Branford Marsalis – Trio Jeepy

Fã que sou do clã Marsalis já há bastante tempo, assim que esse LP foi lançado, lá no final dos anos 80, não tive dúvidas em comprá-lo. E o ouvi à exaustão. Passava dias só virando o lado do LP no velho 3×1. Um prazer só. E assim que  foi lançado em CD, já imediatamente o adquiri. E também o ouvi à exaustão. Muito.

Para quem não o conhece, Brandord Marsalis é o irmão saxofonista do genial trompetista Wynton Marsalis, do trombonista Delfayo, que produz esse disco, e filho do lendário pianista de New Orleans, Ellis Marsalis. Branford não se expõe tanto na mídia tanto quanto Wynton, nem tem uma discografia tão extensa quanto o irmão. Mas cada CD seu é uma pequena obra prima, em se tratando de improvisação, qualidade técnica de gravação, e claro, produção. Esses caras se uniram a um grupo de músicos igualmente talentosos e nos brindaram com grandes gravações, principalmente no final dos anos 80 e início dos 90. Depois disso, perdi um pouco o contato com ele.

Essa pequena jóia que vos trago hoje, tem um convidado muito especial, o lendário contrabaixista Milton Hinton, um cara que tocou com todo mundo que você possa imaginar, desde Duke Ellington, Louis Armstrong, Charlie Parker, Ben Webster, Aretha Franklin, só para citar alguns. Desenvolveu uma técnica quase percussiva para tocar o contrabaixo, leiam o explicativo texto do próprio Delfayo que o apresenta no booklet em anexo.

O outro ‘monstro’ do disco é o companheiro de longa data do clã Marsalis, Jeff ‘Tain’ Watts, um dos maiores bateristas de sua geração. Gravou muito com eles, e com muitos outros músicos do mesmo nível.
‘Trio Jeepy” é um dos grandes momentos da carreira de Branford Marsalis, uma verdadeira aula de interpretação, de swing, de improvisação. Podemos sentir em cada nota, em cada solo, o quanto o músico está envolvido, concentrado. Enfim, um dos melhores discos de Jazz de minha modesta discoteca, e um dos melhores que já tive a oportunidade de ouvir.
P.S. É necessário lembrar aqui que Branford Marsalis é o um dos músicos envolvidos naqueles dois ou três primeiros discos de Sting, sim, aquele mesmo do The Police, inclusive naquele que considero um dos melhores discos ao vivo já gravados, ‘Bring on The Night’, do próprio Sting.
Com os senhores, ‘Trio Jeepy” ..

01. Housed from Edward
02. The Nearness of You
03. Three Little Words
04. Makin’ Whoopee
05. UMMG
06. Gutbucket Steepy
07. Doxy
08. Makin’ Whoopee (Reprise)
09. Peace
10. Random Abstract (Tain’s Rampage)

Branford Marsalis – Saxophones
Milton Hinton – Acoustic Bass
Jeff (Tain) Watts – Drums

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.: interlúdio :. William Parker`s In Order to Survive: Shapeshifter

.: interlúdio :. William Parker`s In Order to Survive: Shapeshifter

Eu gostei muito deste disco. É um free jazz cheio de eufonia e belos timbres. Música boa para se caminhar com ela nos fones pelas ruas.  William Parker já apareceu em mais de 150 álbuns e já foi descrito pelo Village Voice de Nova York como “o baixista mais consistentemente brilhante de todos os tempos”. Ele trabalhou com Cecil Taylor, fez parte de vários combos, escreveu 6 livros e incentiva jovens artistas. Este CD é uma gravação ao vivo de 2 grupos de composições, o primeiro set é o conjunto Eternal is The Voice of Love, que consiste em 5 faixas e o segundo set é de 6 faixas, incluindo o dolorosamente belo ‘Newark’ escrito para Grachan Moncur III. Todas as faixas são composições de Parker e a essência de cada uma é diferente, demonstrando sua facilidade de transição de uma mensagem musical para outra. Neste álbum duplo, William Parker, juntamente com Rob Brown no sax alto, Cooper-Moore no piano e Hamid Drake na bateria com vocais adicionais, em duas faixas, de Dave Sewelson, fazem música interessante e vibrante. In Order To Survive é um dos grandes grupos de jazz dos últimos 25 anos e foi o primeiro pequeno grupo de Parker, formado em 1993. Os bateristas mudaram, mas o sax, a bateria e o piano tiveram a longa associação que é evidente nessas gravações.

In order to survive, you’ve gotta keep hope alive!

William Parker: In Order to Survive / Shapeshifter

Eternal is the Voice of Love
i.Entrance To The Tone World
ii. Color Against Autumn Sky
iii. If there is a chance
iv. A Situation
v. Birth Of The Sunset

vi. Demons lining the Hall of Justice
vii. Drum and Bass Interlude
viii. Newark ( For Grachan Moncur)
ix. In Order to Survive
x. Eternity

Personnel:
William Parker: bass, compositions
Rob Brown: alto saxophone
Cooper-Moore: piano
Hamid Drake: drums

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William Parker

PQP

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Mingus

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Mingus

(PQP garante: este é um dos melhores discos que ele já ouviu).

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Tropeçava em latas de lixo quando encontrei a capa abaixo, e imediatamente me vi cheio de interrogações.

Joni Mitchell? Mingus? Que diabos. Ou, que diabos Mitchell está fazendo com Mingus? Por aí já podem notar minha desconfiança em relação à cantora. Mas eu prefiro ficar surdo a desistir antes de tentar. E lá fui, farejando, descobrir que Joni foi criticadíssima à época do disco, 1979; apontaram-na como decadente, esnobe por tentar dar verve ao pop, tentando pegar uma carona na então recente morte do underdog.

Mas quando se cava mais um pouco, se descobre que Mingus havia chamado Joni para ajudá-lo a musicar o Four Quartets de T. S. Eliot alguns meses antes, o baixista já imobilizado pela doença que o mataria em seguida. E que, fruto disso, cresceu a amizade – e mesmo Joni pôde sair de um bloqueio criativo que a consumia durante longo tempo. Donde o disco-homenagem, que ela não imaginava que seria póstumo. Tanto que Mingus só não chegou a escutar uma das faixas, a primeira, composição totalmente dela – ao invés das outras, versões de Mingus, com letras por Joni escritas, e abençoadas pelo mestre.

Não apenas na aura criada pelo duo; Joni, que não era boba, cercou-se de um pequeno grupo de pilares do jazz para gravar o álbum. Em Mingus, a base é a do Weather Report – confira a nominata logo abaixo. (Ame ou odeie o fusion, todos sabemos dos pedigrees.) Aqui só adianto que é um dos mais brilhantes, e por vezes experimental, trabalhos de Jaco Pastorius. Seu baixo é o condutor dessas faixas de um jazz relaxante, espaçado, cheio de respiros – e sim, sob bela e macia voz, bem colocada, discreta. Os detratores estavam errados. Ou com ciúmes. Ainda: um atrativo a mais são os “raps” que entremeiam as canções – vinhetas com gravações de Mingus em conversas, cenas cotidianas, até um scat em duo com Joni. (O que, inclusive, faz deste um disco curto, de apenas seis músicas.)

Joni Mitchell – Mingus (1979)
Joni Mitchell: guitar, vocals
Jaco Pastorius: bass
Wayne Shorter: soprano saxophone
Herbie Hancock: electric piano
Peter Erskine: drums
Don Alias: congas
Emil Richards: percussion

produzido por Joni Mitchell para a Asylum

01 Happy Birthday 1975 (Rap) 0’57
02 God Must Be A Boogie Man (Mitchell) 4’35
03 Funeral (Rap) 1’07
04 A Chair in the Sky (Mingus) 6’42
05 The Wolf That Lives in Lindsey (Mingus) 6’35
06 I’s a Muggin’ (Rap) 0’07
07 Sweet Sucker Dance (Mingus) 8’04
08 Coin in the Pocket (Rap) 0’11
09 The Dry Cleaner from Des Moines (Mingus) 3’21
10 Lucky (Rap) 0’04
11 Goodbye Pork Pie Hat (Mingus) 5’37

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Joni & Mingus em linda foto
Joni & Mingus em linda foto 2
Vejam só quem está no disco. Erskine, Mitchell, Pastorius e Hancock. Poderia dar errado?

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio :. Sonny Rollins – Saxophone Colossus

.: interlúdio :.  Sonny Rollins  –  Saxophone Colossus

 

 

C O L O S S A L

 

 

 

Em 1986 os CDs chegaram ao Brasil. Comprar um CD-player não era tarefa fácil, mas consegui o meu, um CCE, lindo! Só um pouco mais tarde vim a entender a sigla: Cuidado Com Ele! Mas, uma vez com o CD-player ligado ao amplificador, cadê os CDs? Uma amiga trouxe dos states (como dizíamos então) unzinho com o Peter Hofmann cantando árias de Wagner. Não era bem a minha praia, mas servia para passar som.

Na loja de departamentos que se chamava Mesbla, no Centro do Rio de Janeiro, consegui meu primeiro CD de Telemann – Wassermusik, com o Musica Antiqua Köln e Reinhard Goebel. Nunca entendi o trema em Köln e o ‘oe’ em Goebel. Vá saber…

Vivíamos assim, à espreita, em busca de CDs. Comprei o CD do Winton Marsallis tocando os concertos de Haynd e Hummel, para trompete. Só o CD na caixa de acrílico, sem o libreto. Deve ter vindo direto do Japão e o livreto seria apenas para ver as figuras. E era assim, se quer, quer, se não quer, tem quem quer!

Foi então que uma (outra) amiga recém retornada de uma estadia em Nova York me emprestou uns dois ou três CDs de Jazz. Calma, os CDs da minha amiga foram devolvidos, eu não sou de ficar com as coisas dos outros. Posteriormente consegui comprar minha própria cópia.

O primeiro que decidi ouvir foi um disco com a capa mais estilosa que já havia visto: a silhueta de um artista tocando sax sobre um fundo azul, com o título em baixo. A palavra SAXOPHONE em azul sobre fundo preto, seguida de COLOSSUS em branco, que a destaca sobremaneira. O nome do artista, SONNY ROLLINS sob o título, com outro tipo, sans-serif, alongadas as letras.

Eu levei um quase susto ao ouvir pela primeira vez a entrada do sax, potente, rasgando sobre o ritmo forte criado pelo piano, bateria e baixo. Não sabia que minhas caixas de som poderiam produzir um som tão espetacular, forte e quente. Desde então passei a colecionar, mesmo que modestamente, alguns bons álbuns de Jazz.

Saxophone Colossus é um álbum icônico, formador e um dos mais influentes da história do Jazz. São apenas cinco faixas, três delas compostas por Sonny Rollins. A St. Thomas, que abre o álbum, tem o ritmo das origens de Sonny, cuja família vêm das Ilhas Virgens. A melodia é daquelas inesquecíveis, que cola, gruda na nossa memória musical. A terceira faixa, Strode Rode faz referência a um clube de Jazz em Chicago, cidade onde Sonny estudou. Também com ritmo rápido, com o som fluente do piano de Tommy Flanagan. Na última faixa, Blue 7, todos os músicos têm a oportunidade de brilhar.

As outras faixas do álbum são uma linda balada (que Tim Maia chamaria mela-cueca), com o belíssimo título You don’t know what love is, de autoria de Don Raye e Gene DePaul e o Moritat, da Three Penny Opera, musical de Weill-Brecht, que foi apropriada pelo Jazz.

Ira Gitler, escreveu as notas que aparecem no verso da capa do LP original, explica o título: O dicionário diz colossal é gigante, enorme, vasto. Quando aplicado ao talento de Sonny Rollins, também significa profundo!

Portanto, sem mais delongas, aqui está:

Saxophone Colossus (1956)

  1. St. Thomas (Rollins)
  2. You Don’t Know What Love Is (de Paul/Raye)
  3. Strode Rode (Rollins)
  4. Moritat (Mack The Knife) (Weill)
  5. Blue 7 (Rollins)

Sonny Rollins, saxofone tenor

Tommy Flanagan, piano

Doug Watkins, baixo

Max Roach, bateria

Gravado por Rudy Van Gelder, em Hackensack, New Jersey, 22 de junho de 1956

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FLAC | 250 MB

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MP3 | 320 KBPS | 94 MB

Mais um trechinho do Ira Gitler: Saxophone Colossus não é simplesmente um álbum clássico porque todo mundo toca tão bem – o suave e fervoroso Flanagan; o sólido, articulado Watkins; Roach, o melodista rítmico da bateria; e a combinação dos temas e seus desenvolvimentos por Rollins. É também um sucesso devido a diversidade do material e da habilidade de Rollins ao realizar cada uma das seleções com autoridade.

Colossal!

René Denon

.:Interlúdio:. Herbie Hancock – New Standards

Renovando um link lá dos primórdios do PQPBach, 2008. Os fãs de Herbie Hancock o conhecem muito bem, quem não conhece, fique a vontade, sinta-se em casa, assim poderão conhecer uma verdadeira lenda do Jazz.

Eis que no último dia do ano resolvi postar um disco de Jazz. Na verdade, serão dois, portanto, acomodem-se, e aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ouvir estes dois grandes músicos, eis a grande oportunidade.

Começando pelo começo, temos Herbie Hancock. Já qualifiquei este pianista como genial, e creio que tenha sido sem exageros.  Em ação desde o começo dos anos 60, Hancock é o que podemos chamar de músico completo, já transitou em todos os gêneros, gravou com deus e o diabo na terra do sol, e sem ter medo de errar, cometeu equívocos, mas que não ofuscaram seus grandes momentos que, felizmente, foram em número maior.

Eis o comentário do editorialista do allmusic:

On first glance this record would not seem to have much promise from a jazz standpoint. Herbie Hancock performs a set of tunes which include numbers from the likes of Peter Gabriel, Stevie Wonder, Sade, Paul Simon, Prince, the Beatles (“Norwegian Wood”) and Kurt Cobain. However by adding vamps, reharmonizing the chord structures, sometimes quickly discarding the melodies and utilizing an all-star band, Hancock was able to transform the potentially unrewarding music into creative jazz. Hancock, who sticks to acoustic piano, shows that he is still in prime form, taking quite a few fiery solos. With Michael Brecker on tenor and surprisingly effective soprano, guitarist John Scofield, bassist Dave Holland, drummer Jack DeJohnette and percussionist Don Alias (along with an occasional horn or string section that was dubbed in later), the results are often quite hard-swinging and certainly never predictable. Although it is doubtful that any of these songs will ever become a jazz standard, Herbie Hancock has successfully created a memorable set of “new” music. Well worth investigating.

A lista de convidados é generosa, tendo Michael Brecker, John Scofield, Don Alias, Jack DeJohnette, Dave Holland entre outros, músicos com os quais Hancock já se envolveu em outras gravações, ou seja, todos se conhecem muito bem e sabem do que o outro é capaz.

Em outras palavras, um grande momento do Jazz. Espero que apreciem.

Herbie Hancock – New Standards

1 – New York Minute     (Henley, Kortchmar, Winding)
2 – Mercy Street     Gabriel
3 – Norwegian Wood (This Bird Has Flown) (Lennon, McCartney)
4 – When Can I See You (Edmonds)
5 – You’ve Got It Bad Girl (Wonder, Wright)
6 – Love Is Stronger Than Pride     (Adu,Hale,Matthewman)
7 – Scarborough Fair (Garfunkel, Simon)
8 – Thieves in the Temple (Prince)
9 – All Apologies (Cobain)
10 – Manhattan (Island of Lights and Love) (Hancock)

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.: interlúdio :. Charles Mingus – New Tijuana Moods (1957)

.: interlúdio :. Charles Mingus – New Tijuana Moods (1957)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando comprei este disco, ele já estava no formato de álbum duplo de vinil e se chamava New Tijuana Moods. Tinha um desenho de Charlie Mingus na capa. Não sou da época do Tijuana Moods original, aquele que ostentava a foto de Ysabel Morel.  Cheguei em casa com o álbum duplo e botei no toca-discos. Na segunda faixa eu já sabia que aquele álbum faria parte de minha vida enquanto ela houvesse. Claro que não o ouço com grande frequência — afinal, sou PQP Bach e tenho que ouvir muitos discos para sugerir los mejores para ustedes –, uma vez por ano está bem, até porque conheço cada solo da banda e cada grito do Mingus entusiasmado da época.

As novas faixas que o disco ganhou não são de temas inéditos, mas de takes antes rejeitados. A conclusão a que se chega é a de que a escolha deu-se no par ou impar, pela simples razão de ser tudo perfeito. O septeto de Mingus estava tocando demais — às vezes soando como uma big band, outras vezes camerístico. Como sempre, Mingus é visceral nos temas e interpretações, e radical nas mudanças súbitas de ritmo. Comprovando ser o homem digno, correto e adequado que efetivamente era, ensaiava tudo em mesas de bar, batendo na mesa com Danny Richmond e cantando enquanto bebia. Não há nada a destacar nesta obra-prima, cada detalhe é perfeito. E mais não preciso dizer.

Afinal, trata-se de um dos auges da Dinastia Mingus.

Charles Mingus – New Tijuana Moods (1957)

1. Dizzy Moods
2. Ysabel’s Table Dance
3. Tijuana Gift Shop
4. Los Mariachis
5. Flamingo
6. Dizzy Moods (Alternate Take)
7. Tijuana Gift Shop (Alternate Take)
8. Los Mariachis (Alternate Take)
9. Flamingo (Alternate Take)

Charles Mingus (bass)
Jimmy Knepper (trombone)
Curtis Porter [Shafti Hadi] (alto sax)
Clarence Shaw (trumpet)
Bill Triglia (piano)
Danny Richmond (drums)
Frankie Dunlop (percussion)
Ysabel Morel (castanets)
Lonnie Elder (voices)

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A capa original.

PQP

.: interlúdio :. Oscar Peterson Plays Cole Porter

.: interlúdio :. Oscar Peterson Plays Cole Porter

 

 

Oscar Peterson plays The Cole Porter Song Book

Este disco é um clássico! Oscar Peterson foi um dos maiores pianistas de todos os tempos. Com uma carreira que perdurou por mais de sessenta anos e decolou quando começou a trabalhar com o produtor Norman Granz. Granz havia formado o selo Verve para gravar Ella Fitzgerald e acabou reunindo uma constelação de grandes artistas, entre eles Oscar Peterson. Nesta época, Oscar Peterson era acompanhado por Ray Brown (contrabaixo) e Ed Thigpen (bateria). Essa formação jazzística, um trio, gravou excelentes discos para o selo Verve.

O Oscar Peterson palys the Cole Porter Song Book é um álbum que faz parte de uma série dedicada a grandes nomes da música americana, como George Gershwin e Duke Ellington. As canções, originalmente com letras, escritas para musicais, são apresentadas nesta roupagem jazzística, pelo Oscar Peterson Trio.

Linda e Cole Porter

Cole Porter foi um playboy, no sentido exato da palavra, mas foi também muitas outras coisas. Teve uma vida intensa, mas com muitas, muitas dificuldades também. Nascido em Peru, Indiana, no coração do Midwest (Meio-Oeste americano), não poderia ter vindo de um lugar mais conservador. Logo ele que era, em tudo, diferente. Vale a pena descobrir um pouco mais sobre a vida deste fascinante compositor. Como a literatura acessível é vasta, deixo isso com você. O que importa é que ele foi um compositor como poucos. Criou canções maravilhosas, daquelas que grudam na nossa pele, não saem da nossa cabeça. Suas letras são sobre temas urbanos e são sofisticadas. Mas principalmente, verdadeiros hits!

Oscar e seus parceiros tomam doze delas e as trazem para você. O som do piano, acompanhado pelo baixo, com o ritmo marcado pelos drums, é irresistível. Gosto de todas, mas se me torcerem o braço, digo que Night and Day, I’ve Got You Under My Skin e I Love Paris são as minhas mais queridas.

Oscar, de boas

Oscar Peterson Plays The Cole Porter Song Book

  1. In the Still of The Night
  2. It’s All Right With Me
  3. Love for Sale
  4. Just One of Those Things
  5. I’ve Got You Under My Skin
  6. Every Time We Say Goodbye
  7. Night and Day
  8. Easy to Love
  9. Why Can’t You Behave
  10. I Love Paris
  11. I Concentrate on You
  12. It’s De-Lovely

Oscar Peterson, piano

Ray Brown, contrabaixo

Ed Thigpen, bateria

Produção: Norman Granz

Gravado em 1959

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FLAC | 154 MB

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MP3 | 320 KBPS | 76 MB

Play it again, OP…

A capa deste disco é uma coisa maravilhosa. As capas desta série poderiam ser emolduradas e irem direto para a parede da minha sala. São de Merle Shore e eu não consegui descobrir nada sobre essa pessoa. Se você sabe algo, por favor, diga-me!

René Denon

.: interlúdio :. Charlie Mingus: Mingus Ah Um

.: interlúdio :. Charlie Mingus: Mingus Ah Um

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este CD é um clássico que completa 60 anos em maio deste ano. Houve edição especial e shows da Mingus Big Band e outros. Charlie Mingus (1922-1979) pode ser definido como um compositor erudito que gosta de jazz. Por incrível que pareça, li esta definição numa dessas comunidades de jazz do Orkut. Ela é exata. Este CD abre com a pauleira de Better Git It In Your Soul e a calma Goodbye Pork Pie Hat (homenagem a Lester Young) e depois temos a ironia de Fables of Faubus — dedicada ao governador racista do Arkansas –, Open Letter To Duke, mais uma das dezenas de homenagens que Mingus fez a Duke Ellington, Bird Calls (para Charlie Parker), etc., mas o que interessa é a qualidade de todas as composições e a incrível forma da banda de Mingus. Este é, certamente, um dos dez discos mais importantes da história do jazz. E tenho dito!

Charlie Mingus – Mingus Ah Um – 320 kbps

1. Better Git It In Your Soul 7:20
2. Goodbye Pork Pie Hat 5:42
3. Boogie Stop Shuffle 4:59
4. Self-Portrait In Three Colors 3:07
5. Open Letter To Duke 5:49
6. Bird Calls 6:17
7. Fables Of Faubus 8:12
8. Pussy Cat Dues 9:12
9. Jelly Roll 6:15
10. Pedal Point Blues 6:28
11. GG Train 4:37
12. Girl Of My Dreams 4:07

Charles Mingus — bass, piano (with Parlan on 10)
John Handy — alto sax (1, 6–7, 9–12), clarinet (8), tenor sax (2)
Booker Ervin — tenor sax
Shafi Hadi — tenor sax (1–4, 7–8, 10), alto sax (5–6, 9, 12)
Willie Dennis — trombone (3–5, 12)
Jimmy Knepper — trombone (1, 7–10)
Horace Parlan — piano
Dannie Richmond — drums

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Clássico
Clássico

PQP

.: interlúdio :. Horace Silver: Song For My Father

.: interlúdio :. Horace Silver: Song For My Father

Song for My Father é um álbum de 1965 do Horace Silver Quintet, lançado no selo Blue Note no mesmo ano. O álbum foi inspirado em uma viagem que Silver fez ao Brasil. A arte da capa apresenta uma fotografia do pai de Silver, John Tavares Silver, a quem a música-título foi dedicada. “Minha mãe era descendente de irlandeses e negros, meu pai de origem portuguesa”, recorda Silver, em suas notas: “Nasceu na ilha do Maio, uma das ilhas de Cabo Verde”. A composição Song for My Father é provavelmente a mais conhecida de Horace Silver (1928-2014). Como descrito nas notas, este álbum apresenta o quinteto em transição, uma vez que apresenta uma mistura de faixas com seu antigo grupo e sua nova formação após a saída de Blue Mitchell. Song for My Father é o auge de uma discografia já repleta de clássicos.

Horace Silver: Song For My Father

1 Song For My Father 7:14
2 The Natives Are Restless Tonight 6:07
3 Calcutta Cutie 8:26
4 Que Pasa? 7:44
5 The Kicker 5:23
Composed By – Joe Henderson
6 Lonely Woman 7:00
7 Sanctimonious Sam 3:51
Composed By – Musa Kaleem
8 Que Pasa? (Trio Version) 5:34
9 Sighin’ And Cryin’ 5:22
10 Silver Treads Among My Soul 3:51

Bass – Gene Taylor, Teddy Smith
Drums – Roger Humphries, Roy Brooks
Piano – Horace Silver
Tenor Saxophone – Joe Henderson, Junior Cook
Trumpet – Blue Mitchell (tracks: 3, 6 to 10), Carmell Jones

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Silver em 1977.

PQP

.: interlúdio :. The Intimate Ella – Ella Fitzgerald & Paul Smith, piano

.: interlúdio :. The Intimate Ella – Ella Fitzgerald & Paul Smith, piano

The Intimate Ella

Em 1960 um álbum de Jazz gravado ao vivo em Berlim ganhou dois prêmios Grammy. Ella Fitzgerald foi a grande vencedora e o álbum Ella in Berlim foi um sucesso fenomenal. O mundo assistia a chamada Guerra Fria na qual as duas grandes potências da época se opunham em várias frentes, inclusive numa disputa tecnológica, chamada Corrida Espacial. Na década que se seguiria o mundo viveira muitas turbulências políticas e também assistiria o início de grandes transformações tecnológicas. Mas, apesar das muitas maldades das quais o mundo sempre foi cheio, vivia-se uma era de ingenuidade.

Ella Fitzgerald e Norman Granz

A gravadora deste álbum, a Verve Records, havia sido fundada em 1956 por Noman Granz para produzir os álbuns de Ella Fitzgerald. Norman Granz foi uma das pessoas mais influentes no Jazz e suas gravadoras sempre promoveram excelentes músicos. Na Verve, além de Ella Fitzgerald, gravavam Nina Simone, Stan Getz, Billie Holliday, Oscar Peterson. Uma verdadeira constelação. Um outro aspecto muito significativo que devemos sublinhar é a postura de Norman Granz contra a segregação racial, sempre dando apoio e tratamento igual aos músicos com os quais era associado.

Paul Smith

Mas em 1960 Ella trabalhou em um filme chamado Let No Man Write My Epitaph, que apesar deste lindo nome, foi um fracasso. Neste filme sobre drogas e corrupção, Ella Fitzgerald aparece cantando e dando a impressão acompanhar-se ao piano, que era tocado na verdade por Cliff Smalls. Norman Granz viu a possibilidade e gravou em estúdio as cancões do filme, agora com Ella acompanhada por Paul Smith, que também tocara no disco que ganhara os prêmios. O disco com o nome Ella Fitzgerald sings songs from the soundtrack of ‘Let no man write my epitaph’ passou desapercebido das gentes. Ella então com 42 anos estava no melhor momento de sua carreira.

O filme completo está no Youtube, mas eu não consegui vê-lo. De qualquer forma, vale procurar uma cena na qual Ricardo (Ilha da Fantasia) Montalban banca o malvado e dá uma prensa na pobrezinha da Ella.

O disco que postamos é o relançamento deste álbum de 1960 feito em 1990 com o bem mais interessante nome The Intimate Ella. A voz da First Lady of song, acompanhada apenas do piano de Paul Smith desfila 13 canções que variam do suave ao ligeiramente melancólico. Minhas preferidas são Black Coffee, que abre o disco, Misty, que também está no Ella in Berlim, e Who’s Sorry Now. Outra deliciosa é One for my baby (one more for the road). Esta expressão, and one more for the road, tipo ‘a saideira’, é muito cool!

Mas a cereja do bolo, na minha opinião, a mais-mais, é a September song. Se você for ouvir uma destas canções apenas, ouça esta. Música de Kurt Weill e letra de Maxwell Anderson, é um primor. Escrita para um musical da Broadway em 1938, ao longo do tempo a canção sofreu algumas pequenas subtrações e é um clássico da música americana. Na peça, Walter Huston fazia o papel de um idoso governador e insistiu para que seu personagem tivesse um solo. Então, em duas horas, Weill e Anderson produziram essa maravilha. Esta canção toca em um tema muito especial. Ela nos lembra que o tempo passa, e que se torna mais e mais precioso na medida que chegamos ao outono da vida. These precious days, I’ll spend with you. Estes preciosos dias, eu passarei com você! Bonito, não? Este verso vale o disco.

The Intimate Ella

1. Black coffee
2. Angel Eyes
3. I cryed for you
4. I can’t give you anything but love, baby
5. Then you’ve never been blue
6. I hadn’t anyone ‘till you
7. My melancholy baby
8. Misty
9. September song
10. One for my baby (and one more for the road)
11. Who’s sorry now
12. I’m getting sentimental over you
13. Reach for tomorrow

Ella Fitzgerald

Paul Smith, piano

Produção de Norman Granz

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FLAC | 214 MB

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MP3 | 320 KBPS | 98,2 MB

And these precious days, I’ll spend with you.

René Denon

.: interlúdio :. Carla Bley Big Band Goes to Church

.: interlúdio :. Carla Bley Big Band Goes to Church

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é o sensacional registro da participação de Carla Bley no Umbria Jazz Festival de 1996. Levei alguns dias para conseguir chegar à faixa 2 do CD tal é o entusiasmo que me causa a aula de arranjo que Carla nos demonstra nos 24 minutos do esplêndido blues de abertura: Setting Calvin’s Waltz. O título do CD é uma piada. Sabendo que sua apresentação seria na Igreja de San Francesco Al Prato em Perugia, Bley usou e abusou de sonoridades e timbres pouco usuais que soaram espetacularmente. Também pegou emprestado os gospels Exaltation / Religious Experience / Major de Carl Ruggles. O restante são composições — incluindo Setting Calvin’s Waltz — de Bley. Goes to Church está longe de ser um álbum religioso, é apenas um álbum que se utiliza da especial sonoridade de uma igreja, algo que talvez só pudesse ser fruído adequadamente em Perugia, entre os dias 19 e 21 de julho de 1996.

Carla Bley Big Band Goes to Church

1. Setting Calvin’s Waltz 23:52
2. Exaltation / Religious Experience / Major 9:33
3. One Way 8:29
4. Beads 8:27
5. Permanent Wave 10:07
6. Who Will Rescue You? 7:52

Carla Bley Big Band (17 músicos):
Lew Soloff (trumpet); Guy Barker (trumpet); Claude Deppa (trumpet); Steve Waterman (trumpet); Gary Valente (trombone); Pete Beachill (trombone); Chris Dean (trombone); Richard Henry (bass trombone); Roger Jannotta (soprano and alto saxophones, flute); Wolfgang Puschnig (alto saxophone); Andy Sheppard (tenor saxophone); Jerry Underwood (tenor saxophone); Julian Argüelles (baritone saxophone); Karen Mantler (organ, harmonica); Carla Bley (piano); Steve Swallow (bass); Dennis Mackrel (drums)

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80 anos! Eu te acho linda, Carla
80 anos! Ainda trabalhando muito e com enorme criatividade.

PQP

.:interlúdio:. Tom Jobim: Matita Perê

.:interlúdio:. Tom Jobim: Matita Perê

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Tom inventou Matita Perê e começou a gravá-lo no Rio. Não estava gostando do resultado. Achou que precisava de melhores músicos e maior qualidade de gravação.

(Ouvindo o disco, você logo entende que a exigência era enorme. O álbum alterna canções com música instrumental, indo com naturalidade do popular ao erudito).

Foi para Nova Iorque com os poucos brasucas que se salvaram da experiência carioca, bancou tudo do próprio bolso e fez um dos melhores álbuns de música brasileira de todos os tempos. Estava com 46 anos e tinha todo o prestígio e consideração do mundo.

Os temas escolhidos por Jobim para Matita Perê passam da leveza e doçura, das praias, barquinhos e garotas, para a natureza e lendas do um Brasil profundo, sertanejo. Ele compõe a partir de suas observações e da leitura de autores como Guimarães Rosa e dos poetas Carlos Drummond de Andrade e Mário Palmério.

Para o crítico musical Zuza Homem de Mello, “Matita Perê é um disco que pouco a pouco foi sendo compreendido, entendido e principalmente admirado. É um marco na carreira de Tom Jobim”.

A faixa de abertura traz aquele que se tornaria um dos maiores clássicos do compositor, Águas de março, cujo título foi retirado de poema de Olavo Bilac.

Já a faixa-título, uma suíte, cita o folclore e nasce de suas leituras, em especial do conto Duelo de Guimarães Rosa, que contou com a colaboração de Paulo César Pinheiro na letra.

Paulo César Pinheiro falou sobre a parceria: “O Tom me procurou, porque eu tinha uma música no Festival da Canção chamada Sagarana, parceria com o João de Aquino. Tom ouviu, ficou impressionado e me ligou dizendo que tinha ideias semelhantes àquelas”.

(Quando vocês se depararem com a próxima lista de Melhores Canções Brasileiras de Todos os Tempos, procurem por uma chamada Matita Perê. Se ela não estiver presente, abandonem a lista e falem mal do criador dela).

Matita Perê marca o início da temática ecológica na obra de Tom Jobim, que seguiria com força em discos como Urubu (1975), Terra Brasilis (1980) e Passarim (1987).

Ao mesmo tempo, evidencia-se o Jobim sinfônico, claramente influenciado por Villa Lobos, em faixas como Crônica da casa assassinada, baseada no romance de Lúcio Cardoso, outra suíte com quase 10 minutos de duração, feita para a trilha do filme de Paulo César Sarraceni.

Não deixe de ouvir. É falha grave desconhecer este disco.

Tom Jobim: Matita Perê

1 Águas de Março (Antônio Carlos Jobim) — 3:56
2 Ana Luiza (Antônio Carlos Jobim) — 5:26
3 Matita Perê (Antônio Carlos Jobim, letra de Paulo César Pinheiro) — 7:11
4 Tempo do Mar (Antônio Carlos Jobim) — 5:09
5 The Mantiqueira Range (Paulo Jobim) — 3:31
6 Crônica da Casa Assassinada (Antônio Carlos Jobim) — 9:58
a. “Trem Para Cordisburgo”
b. “Chora Coração” (letra de Vinícius de Moraes)
c. “Jardim Abandonado”
d. “Milagre e Palhaços”
7 Rancho nas Nuvens (Antônio Carlos Jobim) — 4:04
8 Nuvens Douradas (Antônio Carlos Jobim) — 3:16

Antônio Carlos Jobim – piano, violão e vocal
Claus Ogerman – arranjos (exceto faixa 3) e regência
Dori Caymmi – arranjo da faixa 3
João Palma – bateria e percussão
Airto Moreira – bateria e percussão
George Devens – percussão
Harry Lookousky – spalla
Frank Laico – engenharia de áudio
Ray Beckenstein – flautas e madeiras
Phil Bodner – flautas e madeiras
Jerry Dodgion – flautas e madeiras
Don Hammond – flautas e madeiras
Romeo Penque – flautas e madeiras
Urbie Green – trombone
Ron Carter – baixo
Richard Davis – baixo

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O maestro soberano Tom Jobim ao lado de seu herói literário, no lançamento do disco Matita Perê, em 1973

PQP (com Teca Lima)