José Siqueira (1907-1985) – Concerto para Orquestra e Sinfonia nº 5 “Indígena” [Acervo PQPBach] [links mai.2017]

MAGNÍFICO !!!

Ah, que bom! Já eram grandes as saudades deste coração pequepiano em poder colocar uma bandeirinha do Brasil em frente ao nome do compositor…

Faz uns meses que tenho me dedicado com mais afinco à música latina, especialmente a mexicana, mas agora o filho à casa torna.

E torno a dedicar-me à música da terra-mãe postando um dos compositores nacionais que mais aprecio: José de Lima Siqueira, o paraibano arretado criador de orquestras. Só para refrescar vossas memórias, Zé Siqueira fundou, por iniciativa própria ou em conjunto com outros colegas, a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, a do Recife, a Orquestra Norte-Nordeste, a Orquestra de Câmara do Brasil, o Clube do Disco, a Ordem dos Músicos do Brasil e a Academia Brasileira de Música! Era um empreendedor nato, além de exímio condutor e elaborado compositor. Gênio!

O chato é que, por ser declaradamente comunista, ele foi aposentado precocemente, proibido de tocar e reger e foram proibidas execuções de música de sua autoria. Quiseram jogá-lo no ostracismo. Por isso é tão difícil encontrar gravações desse cara! Se não tivesse sido alijado pelo regime militar, conheceríamos muito mais obras suas.

A Sinfônica de Barra Mansa pronta para o concerto.

De alguns anos para cá, no entanto, tem havido um esforço de se recuperar as peças de José Siqueira. Em julho do ano passado (2015), quando a Academia Brasileira de Música, da qual ele foi um dos fundadores, completou 70 anos, o concerto comemorativo foi inteiramente de obras dele, executadas com entusiasmo pela Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, sob a batuta da regente taiwanesa Apo Hsu (não me perguntem como se pronuncia o sobrenome dessa mulher…). Hsu vive em Taiwan e nos EUA, rege orquestras de ambos os países. Em Taiwan é regente de nada menos que a Orquestra Nacional… Então pode confiar: ela é boa!

Lembro que o que temos aqui não é um CD, mas um concerto completo que foi gravado (relaxem: a captação está muito boa) e convertido em áudio para os formatos FLAC e MP3. A orquestra de Barra Mansa executa o Concerto pra Orquestra de José Siqueira e sua 5ª Sinfonia, cognominada “Indígena“. Com essas obras, pode-se perceber que Siqueira tinha total domínio da formação e da composição orquestral: são duas peças muito bonitas, de inspiradas melodias, porém, difíceis, elaboradas, cheias das dissonâncias, que um compositor engajado no movimento moderno como ele primava por usar, na busca incessante por sonoridades ricas, que saíssem do “quadrado”.

Vale demais a audição! Ouça!  Ouça! Ouça! Deleite-se!

Ainda colocamos o vídeo da Sinfonia Indígena pra vocês:

José Siqueira (1907-1985)
Concerto para Orquestra e Sinfonia nº 5 “Indígena”

01. Concerto para orquestra, I. Allegro Enérgico
02. Concerto para orquestra, II. Adagio
03. Concerto para orquestra, III. Allegro Moderato
04. Sinfonia n.5 ‘Indígena’, I. Devagar – Allegro Moderato
05. Sinfonia n.5 ‘Indígena’, II. Andante
06. Sinfonia n.5 ‘Indígena’, III. Allegro non troppo
07. Sinfonia n.5 ‘Indígena’, IV. IV. Devagar – Allegro Moderato

Orquestra Sinfônica de Barra Mansa
Apo Hsu, regência
Sala Cecília Meireles, Escola de Música da UFRJ, Rio de Janeiro
08 de julho de 2015

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3  (87Mb)
FLAC  (142Mb)

Partituras e outros que tais? Clique aqui
Quer saber um pouco mais sobre José Siqueira? Veja este blog.


Ouça! Deleite-se! … Mas, antes ou depois disso, deixe um comentário…

A taiwanesa Apo Hsu fazendo tai chi chuan antes do concerto: “uuuuuuhhhhh”.

Bisnaga

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José Siqueira (1907-85): ópera A Compadecida [Acervo PQPBach]

SEN-SA-CIO-NAL !!! 

2015: 30 anos sem José Siqueira

Queridos ouvintes, quero muito e posso afirmar de boca cheia: que DELÍCIA de obra é essa!
Primeiro: para o bairrista aqui, é brasileiríssima: obra do paraibano Ariano Suassuna (1927-2014) musicada pelo também paraibano José Siqueira (1907-1985). Segundo: é obra leve, divertida, cômica. Ao ouvir, vocês verão que ao público é dada a liberdade de aplaudir no meio, de gargalhar nas falas mais engraçadas: ora, e não é para ser assim numa ópera cômica? Ou pelo menos não deveria ser assim, sem aqueles sorrisos fracos e amarelecidos por um humor contido e sem-graça? Então, aqui não é assim. A Compadecida é obra realmente descontraída e os diálogos inteligentes de João Grilo, Chicó, Padre João e outros bons personagens tão bem escritos por Suassuna ficam ótimos tematizados na música de Siqueira.

E se tem uma coisa que é extremamente agradável e apaixonante nas grandes peças de José Siqueira, é a sua versatilidade em misturar, como pouquíssimos, formas musicais diversas e conformar um todo coeso e coerente. N’A Compadecida, que segundo ele, não é uma ópera, mas uma comédia musicada, o compositor faz-se valer de personagens que apenas declamam o texto (o Palhaço e o cangaceiro Severino), outros que tem seus temas mais recitativos (caso do Padeiro, do Bispo e do Diabo) e outros que têm belas melodias (Jesus Cristo e Maria, a Compadecida). Ao ouvir, repare que José Siqueira teve o trabalho de fazer com que, quanto mais bom e justo o personagem, mais melodioso é seu tema.

O legal é que temos uma dissertação de mestrado, de 2013, de Luiz Kleber Lira de Queiroz (da UFPB) (aqui) que faz uma completa análise d’A Compadecida, com uma biografia de José Siqueira e ainda um catálogo atualizado de onde estão as partituras vocais dele (veja a tabela nas páginas 213 a 217).

Quanto mais eu leio e me intero da vida e da obra de José Siqueira, mais o admiro. Para além de seu papel importantíssimo de criar orquestras e associações de músicos, ele foi um grande divulgador da música de sua terra. Enquanto vemos trabalhos de maior vulto de Villa-Lobos dedicados à música indígena, Siqueira, não deixando de compor algumas peças com influência dos padrões nativos, dedicou-se primordialmente em duas linhas: a da música negra/escrava e a da música nordestina. Por isso fez obras como Candomblé (aqui) e Xangô (aqui) subirem ao palco, sem deixar por menos para o folclore de sua região natal, com obras como a Toada (aqui), a Suíte Sertaneja (aqui), as Festas Natalinas no Nordeste (aqui) e esta A Compadecida, imensa de tamanho, beleza e significados, com mais de três horas de música, que hoje vos apresentamos!

Consegui também encontrar o resumo da peça, para que vocês possam acompanhá-la quando a ouvirem (vai num arquivo formato doc junto com os áudios). Coloquei após cada descrição do ato, uma faixa de cada. Atentem-se que esta é uma gravação de 1961, ao vivo, da estreia da ópera e tem os inconvenientes de ser ao vivo, de ser antiga (captação ruim) e de ser possível ouvir o rapaz que faz o ponto (!!!) para os personagens… Mas ainda assim, a obra é fantástica e merece o download!

1º ato – Cena: Pátio de uma igreja de vila do interior.

Depois da saída do Palhaço, que anuncia o julgamento de “alguns canalhas, entre os quais um sacristão, um Padre, um sacristão e um Bispo para exercício da moralidade”, Chicó explica a João Grilo a situação, da Mulher do padeiro, que ameaça largar o marido, se o seu cachorro de estimação, que está doente, vier a morrer. O médico já foi chamado e não sabe o que o bicho tem. Agora só resta apelar para o Padre. O Padre se recusa a benzer o animal. Depois doa argumentos de João Grilo que relembra a bênção do motor novo do Major Antônio Morais, o que, certamente, causará briga entre o casal de padeiros e o vigário, caso os primeiros venham a saber desse pormenor, uma vez que “cachorro é muito melhor que motor”… O Padre se decide a benzer o bichinho. O Major entra em cena à procura, igualmente, do reverendo para abençoar… o filho que esta doente. João Grilo tece uma intriga entre o Padre e Antônio Morais dizendo a este que o vigário estava doido, com mania de benzer tudo, e que havia falado mal do Major e do reverendo, que Antônio Movais também tinha um cachorro doente para ser abençoado. Arma um quiproquó enorme, e Antônio Morais se retira prometendo se queixar ao Bispo. Depois da saída do Major, Grilo finge-se amigo do Padre e promete ir aos Angicos, fazenda de Antônio Morais, para resolver tudo.

A esta altura irrompem no pátio da igreja, o Padeiro sua Mulher, com o cachorro doente. O Padre se apavora, pois pensa que Antônio Morais também viera pedir para benzer o cachorro, o que, então, perfazia dois. Recusa-se. A esta altura das discussões, o cachorro da Mulher do Padeiro morre em cena, o que é descoberto pelo sacristão. A Mulher do Padeiro quer, então, já que o cachorro está morto, um enterro em latim. João Grilo, conhecendo a avareza do Padre e do Sacristão, inventa que o cachorro deixou em testamento, dez contos para o Padre e três para o Sacristão. Com tais argumentos, depois de diversas tentativas de resolver o problema agradando a ambas as partes, resolve o Sacristão, fazer ele mesmo, com o consentimento do Padre, o enterro do bicho em latim, no que a Mulher e o Padeiro concordaram. Realiza-se o enterro do cachorro Xaréu… em latim.

A discussão de João Grilo e o Padre sobre o testamento de Xeréu:

2º ato — Mesma cena.

Entra em cena o Palhaço para contar o que está acontecendo na vila, enquanto Xaréu se enterra em latim. Antônio Morais foi se queixar ao Bispo. O Bispo, atendendo à queixa do dono de todas as minas da região, “homem poderoso, que enriqueceu fortemente o patrimônio que herdou, durante a guerra em que o comércio de minérios esteve no auge”, vai procurar o Padre João. Do encontro dos dois, Bispo e Padre, fica sabendo o último, que fora enredado numa confusão dos diabos pelo “amarelinho” João Grilo, que chegou a dizer no seu engano que a Mulher de Antônio Morais era um animal. João Grilo, sem se aperceber que seu enredo já havia sido descoberto, entra em cena contente. Ao deparar-se com o Padre João é por este advertido severamente do mal feito. João Grilo ameaça contar… e conta ao Bispo que um cachorro se enterrara em latim. O Bispo se revolta contra o Padre e ameaça suspendê-lo, bem como demitir o Sacristão, não sem antes prometer um bom castigo para João Grilo. O “amarelinho” tem então a feliz ideia de modificar ali, na hora, o testamento do cachorro. E a doação e pagamento que a dona fará pelo enterro em latim, na importância de 13 contos ficará assim distribuída: três para o Sacristão, quatro para a paróquia e seis para a diocese. O Bispo, simoníaco, hesita ante a possibilidade do ganho Inesperado. Resolve reunir-se secretamente com o Padre e o Frade que o acompanham. Entram na Igreja.
A esta altura, João Grilo explica a Chicó que retirara do cachorro morto a bexiga e manda que Chicó a encha de sangue e coloque no peito, por baixo da camisa. Depois conta-lhe que “vai entrar no testamento do cachorro”, pois como fraco da Mulher do Padeiro “é dinheiro e bicho”, ele arranjara para tomar o “lugar do Xeréu” um gato que “descome dinheiro”. Ante a incredulidade de Chicó, ele explica o processo, que, certamente, iludirá a futura dona do gato. O gato é trazido à cena, com a entrada da Mulher do Padeiro que vem, mesmo a contragosto, mas como pessoa honesta, pagar os funerais do cachorro em latim. A transação é feita, pela importância de quinhentos mil réis. Vai-se a Mulher satisfeita com a compra, pois segundo ela, o gatinho é lindo e vai tirar com o “novo filho” o prejuízo do gasto no enterro de Xeréu. Saem do Concílio o Bispo, o Padre, o Frade, o Sacristão. João Grilo efetua o pagamento a todos, conforme dissera, segundo “a vontade do morto”. Enquanto o dinheiro é contado e repartido, o Padeiro e a Mulher descobrem que o nato não descome dinheiro coisa nenhuma. “Descome o que todo gato descome”. Entra o Padeiro furioso. Atraca-se com Grilo. É contido pelo Padre, pelo Sacristão e pelo Bispo. Todos temem que o negócio seja desfeito. E, nesta altura, entra debaixo de tiros a Mulher do Padeiro, apavorada, para anunciar que Severino do Aracaju invadiu a cidade e vem se dirigindo para a igreja. Todos aguardam a chegada do famoso “Capitão”. Severino entra em cena. Toma de todos o dinheiro distribuído pelo Grilo, e, com exceção do Frade, mata um por um dos presentes. Chicó também consegue salvar-se, pois a abala “pegou de raspão”. O cabra de Severino executa a chacina. Ao chegar a vez de João morrer, ele pede a Severino para aceitar de presente “uma gaitinha que Padre Cícero tinha lhe dado antes de morrer” para ser entregue a Severino, que era seu afilhado. A gaita, segundo João, tinha o poder de devolver a vida a quem morresse de tiro ou tacada. Para provar a “verdade” João dá uma facada na barriga de Chicó, no local onde antes havia sido colocada a bexiga do cachorro cheia de sangue. Severino vê o sangue, Chicó finge-se de morto. O “Capitão” acredita, mas quer ver é o Grilo ressuscitar o homem. João toca na gaita. Chicó levanta-se fingindo ressuscitar e inventa a história de ter visto no céu Podre Cícero rodeado de anjinhos. Severino se entusiasma. Manda o cabra atirar, não sem antes ter tido o cuidado de tomar a gaita de João e dá-la ao cabra para ser tocada depois de sua morte. Resultado: o cabra mata Severino. Logo depois. João mata o cabra, que, mesmo agonizando, .atira em João Grilo quando vai caindo. Resta apenas Chicó, que encerra o segundo ato com a lamentação pela morte do amigo, “o Grilo mais inteligente do mundo”.

O Coro “Mulher Rendeira” que os cangaceiros cantam quando chegam à cidade. José Siqueira introduz música de domínio popular em sua obra:

3.° ato – O tribunal para Julgamento dos mortos (Lugar entre o Céu e o Inferno).

O palhaço explica à plateia todo o processo de julgamento, bem como o fato de irem ver dois demônios vestidos de vaqueiros, pois “isso decorre de uma crença comum no sertão do Nordeste”. Todos os mortos acordam e tomam conhecimento do seu estado de mortos. Com a chegada do demônio e do Encourado são todos ameaçados de serem levados diretamente para o interno. Mais uma vez João Grilo inteligentemente argumenta que ninguém pode ser condenado sem ser ouvido e apela para Nosso Senhor Jesus Cristo, no que é acompanhado por todos. Aparece então Jesus… negro. Isso causa um certo espanto em João Grilo. Jesus Cristo explica a João Grilo que veio assim de propósito porque sabia que ia despertar comentários. Ele, Jesus, nascera branco e quisera nascer judeu como poderia ter nascido preto… Inicia-se o Julgamento, mas a certa altura João percebe que só há um Juiz, mesmo infinitamente justo, e o promotor que no caso é o Encourado (o Diabo) e apela para a sua advogada, a mãe da misericórdia, que se compadece dos pecados dos homens. E a invoca com duas estrofes do cancioneiro do cancioneiro nordestino, criadas pelo cantador Canário Pardo. Nossa Senhora atende ao chamado de João Grilo e vem em seu socorro. A advogada, depois de todas as marchas e contra-marchas do julgamento, consegue mandar não para o inferno e sim para o purgatório o Bispo, o Padre, o Sacristão, o Padeiro e a Mulher. Severino e o Cabra são inocentados pelo próprio Coleta e vão para o céu sob a alegação de que o Diabo não entende nada dos planos de Deus. Severino e o Cangaceiro dele foram meros instrumentos de sua cólera. Enlouqueceram ambos depois que a polícia matou a família deles e não eram responsáveis pelos seus atos. E chegamos, finalmente, ao julgamento de João Grilo. Cristo quer manda-lo para o Purgatório. João pede a Nossa Senhora que advogue a sua causa de forma a não deixar que ele vá para o Purgatório. Maria acha uma solução: João voltará à Terra. Ele fica satisfeito porque “de cá para lá tomará cuidado para na hora de morrer não passar pelo Purgatório para não dar gosto ao Cão”. Mas esta solução só será aceita pelo Cristo se João fizer uma pergunta que Jesus não possa responder. Ardilosamente João Grilo pergunta a Jesus: “em que dia vai acontecer sua segunda ida ao mundo?” Jesus Cristo lhe responde que isso é um grande mistério, e não lhe poderá responder, pois João vai voltar, e o conhecimento dessas coisas faz parte da vida íntima do Pai Eterno. A brincadeira de Jesus com João Grilo antecede, imediatamente, o fim da representação musicada da COMPADECIDA, que termina com a descida de João Grilo à terra, com as despedidas de Jesus e Maria, e suas recomendações para ser bom e tomar cuidado com o resto de vida que ainda lhe foi concedida.

A Ave Maria, cantada quando os presentes invocam à Compadecida como advogada de defesa:

José Siqueira (fodão) regendo a Orquestra de Câmara do Brasil, uma das tantas orquestras que plantou por este país

O cara tem um cabedal enorme de música de ótima qualidade. Mereceria gozar de maior reconhecimento e estar no panteão, entre nossos melhores compositores, ao lado de Camargo Guarnieri, Radamés Gnattali, Francisco Mignone e Guerra-Peixe (Villa-Lobos acima, claro!).

Ah, é IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma joalheria inteira! Ouça!  Ouça! Ouça!

 

José Siqueira (1907-1985)
A Compadecida, comédia musical em 3 atos (1959)
baseada na obra “o Auto da Compadecida“, de Ariano Suassuna

01 – 1º ato – Introdução – Declamação do Palhaço
02 – 1º ato – João Grilo e Chicó vão falar com o padre
03 – 1º ato – Pedido ao padre para benzer o cachorro
04 – 1º ato – Saída da igreja – Diálogo de João Grilo e Chicó
05 – 1º ato – O padre está doido – Encontro com Antônio Morais
06 – 1º ato – O Padre enfurece o Major
07 – 1º ato – Padre, Benze ou não benze o cachorro
08 – 1º ato – Discussão do Padre com os Padeiros
09 – 1º ato – A morte do cachorro
10 – 1º ato – O testamento do bichinho
11 – 1º ato – E o cachorro é enterrado… em latim
12 – 1º ato – Marcha Fúnebre
13 – 2º ato – Prelúdio do ato
14 – 2º ato – Declamação do Palhaço e entrada do Bispo
15 – 2º ato – O bispo pede explicações ao padre
16 – 2º ato – O bispo entra no testamento do cachorro
17 – 2º ato – O gato que descome dinheiro
18 – 2º ato – Os clérigos referendam o testamento
19 – 2º ato – O padeiro descobre o golpe do gato
20 – 2º ato – O bando de Severino invade a vila
21 – 2º ato – Coro – Mulher Rendeira
22 – 2º ato – Dança – Pagode
23 – 2º ato – Execução dos Clérigos e dos Padeiros
24 – 2º ato – A gaita que ressuscita – Morte de Severino
25 – 2º ato – Morte de João Grilo
26 – 2º ato – Lamento de Chicó
27 – 3º ato – Introdução ao 3º ato – Declamação do Palhaço
28 – 3º ato – Julgamento – O diabo quer levar a todos
29 – 3º ato – Os mortos apelam a Jesus Cristo
30 – 3º ato – Coro – Aleluia
31 – 3º ato – Cristo surge… negro
32 – 3º ato – Acusação dos clérigos e dos padeiros
33 – 3º ato – A promotoria acusa os cangaceiros
34 – 3º ato – Acusação de João Grilo
35 – 3º ato – João Grilo solicita defesa
36 – 3º ato – Invocação a Nossa Senhora, poema de Canário Pardo
37 – 3º ato – Vinda da Compadecida
38 – 3º ato – Ave Maria
39 – 3º ato – Defesa dos clérigos e dos padeiros
40 – 3º ato – Defesa dos cangaceiros
41 – 3º ato – Sentença
42 – 3º ato – Defesa de João Grilo
43 – 3º ato – Sentença de João Grilo
44 – 3º ato – Final – Declamação do Palhaço
45 – Extra:   Ave Maria (sem fala de João Grilo)

PALHAÇO – Ivan Senna, ator
JOÃO GRILO – Assis Pacheco, tenor
CHICÓ – Edson Castilho, barítono
PADRE JOÃO – Alfredo Colózimo, tenor
ANTÔNIO MORAIS – Alfredo Mello, baixo
SACRISTÃO – Enzo Feldes, barítono
PADEIRO – Raul Gonçalves, tenor
MULHER DO PADEIRO – Aracy Bellas Campos, soprano
BISPO – Newton Paiva, baixo
FRADE – Alcebíades Pereira
SEVERINO DO ARACAJU – Mahely Vieira, ator
CANGACEIRO – João Carlos Dittert, baixo-barítono
DEMÔNIO – Alfredo Mello, baixo
O ENCOURADO (DIABO) – Carlos Walter
MANOEL (JESUS CRISTO) – Roberto Miranda, tenor
A COMPADECIDA (NOSSA SENHORA) – Lia Salgado, soprano

Orquestra, Coro  e Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
José Siqueira, regente
Silva Ferreira, regisseur
Santiago Guerra, regente do coro
Denis Gray, coreografia
André Reverssé , cenografia
Theatro Municipal, Rio de Janeiro, 1961

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
http://pqpshare.com/qp/www/?a=d&i=dPDA2yoveBqm
PQPShare – MP3 192kbps  (275Mb)
PQPShare – MP3 320kbps  (448Mb)
PQPShare – FLAC  (912Mb)

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Quer saber um pouco mais sobre José Siqueira? Veja este blog. Há ainda uma dissertação de mestrado sobre esta obra de hoje! Fala muito sobre a vida e a obra do compositor! Baixe!

Ouça! Deleite-se! … Mas, antes ou depois disso, deixe um comentário…

“Ôxe! Cabra bão esse  José Siqueira!”

Bisnaga

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José Siqueira (1907-1985) – Candomblé [Acervo PQPBach]

SEN-SA-CIO-NAL !!! 

(Postagem de maior sucesso do Bisnaga, colocada no ar originalmente em 6 de julho de 2012. Como tinha os arquivos em AIFF, reposto hoje em MP3 e FLAC – inclui algumas trocas de arquivos, corrigindo alguns defeitos das músicas “mordidas” e nova divisão, em 28 faixas)

2015: 30 anos sem José Siqueira

Fonogramas fantasticamente cedidos por Harry Crowl ! Não tem preço!

Senhoras e senhores, devo neste momento jogar minha modéstia de lado e confessar-lhes que já conheço um bom tanto de música erudita (não sou o melhor repertório mental daqui nem de longe, mas não faço feio…) e, por esse motivo, é difícil que eu fique embasbacado facilmente quando ouço uma música nova. Mas dessa vez meu queixo caiu e saiu quicando!

O motivo da queda foi esse ESTUPENDO (estupendo é o mínimo: estou sinceramente de boca aberta ainda, uma semana depois de ter contato com o arquivo) Candomblé do maestro José Siqueira! Do pouco que me foi possível conhecer de sua obra, já gostei, mas essa é a mais arrebatadora delas. Em sua música, José Siqueira retira o negro da senzala, como se apagasse seu passado de humilhações, e o eleva para o topo do pedestal. O negro aqui é nobre! Seu Candomblé é grandiloquente, vibrante, glorioso! E Siqueira consegue unir, com uma fluência embasbacadora, o erudito e o popular, o som de raiz e o som de concerto, numa formação de orquestra e coro grandiosa, e até megalômana. O Compositor Ricardo Tacuchiam conta o impacto que teve quando assistiu à estreia dessa peça:

Dentre os concertos, o que mais me chamou a atenção foi o de estréia mundial de seu Oratório Candomblé I (escrito em 1958), para coro misto, coro infantil, seis solistas vocais, conjunto de percussão afro-brasileira e orquestra sinfônica. A obra era toda baseada em cantos de Candomblé que o maestro colhera na Bahia. Várias lideranças afro-descendentes, algumas vestidas a caráter (com batas vistosas e turbantes, em plena platéia do teatro) estavam presentes, numa noite que mais parecia uma festa que um concerto. O teatro estava lotado e, naquela época, a cidade do Rio de Janeiro era realmente maravilhosa. José Siqueira e todos os artistas que participaram do evento receberam uma retumbante ovação (Depoimento extraído do blog do crítico musical Carlos Eduardo Amaral).

Candomblé é parte de um conjunto de quilate de obras de José Siqueira baseadas na cultura africana, resultados de incessantes pesquisas do compositor, professor e teórico da música:

Em um período em que o negro ainda era bastante discriminado e sua contribuição para a nossa cultura muito pouco reconhecida, José Siqueira criou uma série de peças orquestrais como o bailado Senzala, a cantata negra Xangô, gravada em Paris, a suíte Carnaval Carioca e, para Leonardo Sá [diretor educacional da Orquestra Sinfônica Brasileira], sua obra-referência: Candomblé.
— “Ele passou alguns meses freqüentando um terreiro em Salvador. Escreveu esse oratório dando sua visão musical do ritual. A gravação feita em Moscou é sensacional [foi isso que escrevi no começo, e é essa gravação que estamos posto hoje] — conta. — Essa peça tem a marca da sua irreverência e é ousada para a época. Pegou uma forma católica de expressão para falar de um ritual afro-brasileiro. Mas juntava a essa temática seus conhecimentos sobre compositores modernos como Stravinsky (João Pimentel, Segundo Caderno, O Globo, 26/02/2007).

E sim, além de se embeber dos sons mais chãos que encontrava em solo brasileiro, ele seguia os cânones mais contemporâneos da música mundial. Nessa obra você poderá ver tudo isso. Se a cantata Xangô (aqui) te agradou, essa aqui vai te deixar em êxtase (eu ainda estou)! Apenas aviso que, infelizmente, por ter sido passada de vinil para cassete e de cassete para mp3, há alguns trechos curtos em que parece que o som foi “mordido” e ficou comprometido, mas o todo compensa qualquer dessas falhas. Em tempo, como as músicas apresentavam divisões muito distintas, acabei por fazer uma divisão em 28 faixas, diferente das 13 originais (não se preocupe: está tudo ali e nada se perdeu)

Em Candomblé, José Siqueira pirou com essas fusões sonoras, mas ele sabia pirar (e saber pirar é pra poucos)! Sua condução é excepcional frente a uma orquestra de peso e faz com que até os solistas soviéticos sejam fluentes cantando em língua nagô. Alice Ribeiro destaca-se com uma belíssima e envolvente interpretação. Há trechos eloquentes, vibrantes, melancólicos, suaves, sonhadores, delicados, em um espantoso equilíbrio. Em suma, é uma grande ode ao povo negro, a nossa cultura e ao Brasil! Me sinto extremamente honrado de disponibilizá-la.

Ah, é IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma joalheria inteira! Ouça!  Ouça! Ouça!

Como sou um anjo, deixo 4 palhinhas pra vocês morrerem de vontade de baixar:

José Siqueira (1907-1985)
Candomblé, Oratório fetichista para Grande Orquestra, seis solistas, dois coros mistos a seis vozes, coro infantil e Orquestra de Percussão (1958)

01. Introdução
02. Ogum
03. Oxóssi
04. Xangô – Introdução
05. Xangô
06. Três Cantos a Xangô – Canto 1
07. Três Cantos a Xangô – Canto 2
08. Três Cantos a Xangô – Canto 3
09. Oração aos Orixás – Parte 1
10. Oração aos Orixás – Parte 2
11. Oxum – Parte 2
12. Oxum – Parte 2
13. Iansã – Introdução
14. Iansã – Parte 1
15. Iansã – Parte 2
16. Três Cantos a Iansã – Canto 1
17. Três Cantos a Iansã – Canto 2
18. Três Cantos a Iansã – Canto 3
19. Obaluaiê – parte 1
20. Obaluaiê – parte 2
21. Obaluaiê – parte 3
22. Obaluaiê – parte 4
23. Orixá – Introdução
24. Orixá – parte 1
25. Orixá – parte 2
26. Orixá – parte 3
27. Oração aos Deuses – Introdução
28. Oração aos Deuses

Alice Ribeiro, soprano
Solistas do Coro Estatal
Orquestra e Coros Adulto e Infantil da Rádio e TV Estatal Soviética
José Siqueira, regente
Moscou, URSS, 1975

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQPShare – MP3  (160Mb)
PQPShare – FLAC  (365Mb)

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Quer saber um pouco mais sobre José Siqueira? Veja este blog.
Há ainda uma dissertação de mestrado sobre ele! Baixe!

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“Ôxe! Mas esse rapaz José Siqueira é arretado mesmo!”

Bisnaga

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Duo Quanta: Música Brasileira para Piano e Violoncelo – Henrique Oswald (1852-1931), José Siqueira (1907-1985), Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993), Osvaldo Lacerda (1927-2011), José Carlos Amaral Vieira (1952) e João Linhares (1963) [Acervo PQPBach]

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Postado originalmente em 28 de março de 2013. Repostado com direito a FLAC

Pessoal, que baita CD!

Eu confesso aqui que sou meio grandiloquente e que geralmente me interessam mais obras compostas para orquestras completas. Conjuntos pequenos, especialmente duetos, algumas vezes acabam por me cansar pela monotonia que eventualmente causam. Mas monotonia não é nem de longe o que esses dois caras fenomenais – repito: FE-NO-ME-NAIS – fazem aqui.

O Duo Quanta, com  o paulista Paulo Gazzaneo no piano e o paraibano Raïff Dantas Barreto no violoncelo, é imenso, amplo, generoso na interpretação das músicas. E eu, vergonhosamente, os desconhecia até há bem pouco tempo e, portanto, o encarte falará melhor que eu sobre a dupla:

Formado por artistas de sólida reputação no mercado artístico nacional, o Duo Quanta vem preencher uma lacuna ainda pouco abordada pelos músicos brasileiros: o repertório de nosso país para piano e violoncelo.

O presente CD, com obras de compositores de São Paulo, Rio de Janeiro e da Paraíba, marca a estreia do duo formado por Raïff Dantas Barreto e Paulo Gazzaneo no cenário artístico nacional. com a premissa principal de resgatar as obras brasileiras para esta formação. Em defesa da brasilidade de seu trabalho, o duo escolheu para este registro fonográfico o uso de instrumentos de fabricação nacional, evidenciando e pondo em prova a qualidade sonora de nosso acervo instrumental. Nas cordas do violoncelo de Saulo Dantas Barreto e na primazia dos harmônicos produzidos pelo piano Fritz Dobbert os artistas foram muito bem sucedidos no emprego da máxima capacidade sonora dos instrumentos utilizados, mostrando-nos que já dispomos de conhecimento para produzir instrumentos com a mesma propriedade dos grandes que a história da música já presenciou (extraído do encarte).

São 13 faixas que contemplam compositores brasileiros desde o romantismo, como o melodioso Henrique Oswald (seu Berceuse e sua Elegia são de grande inspiração), até os contemporâneos como João Linhares, cujo Côco é simplesmente genial, o difícil Osvaldo Lacerda, com uma Elegia e uma Cançoneta, e Amaral Vieira, com as intrigantes Elegia e Burlesca. Aparecem também, brilhantemente, os modernos: Ponteio e Dansa (escrita assim, à antiga) são as vibrantes obras de Camargo Guarnieri apresentadas neste álbum. Já seu colega José Siqueira, sempre complexo, sincopado e genial, completa o álbum com a espetacular Suíte Sertaneja, digna deste grande compositor que a concebeu.

Obras muito boas, escolhidas a dedo. Um baita repertório rico, com todas as síncopas, contratempos e outros tempos quebrados que são característicos de nossa música e tão nossos, intercalados com momentos de extremo lirismo, de melodias enlevantes.

Ouça, ouça! Deleite-se sem a menor moderação!

Palhinha: o Côco, de João Linhares (faixa 2):

Duo Quanta
Música Brasileira para Piano e Violoncelo

Henrique Oswald (1852-1931)
01. Berceuse
João Linhares (1963)
02. Coco
Osvaldo Lacerda (1927-2011)
03. Elegia
Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993)
04. Ponteio
05. Dansa
Osvaldo Lacerda (1927-2011)
06. Aria
Amaral Vieira (1952)
07. Elegia
08. Burlesca
Henrique Oswald (1852-1931)
09. Elegia
Osvaldo Lacerda (1927-2011)
10. Canconeta
José Siqueira (1907-1985)
11. Suite Sertaneja – Baião
12. Suite Sertaneja – Aboio
13. Suite Sertaneja – Coco de Engenho

Duo Quanta
Raïff Dantas Barreto, violoncelo
Paulo Gazzaneo, piano


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PQPShare – FLAC  (304Mb)

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Bisnaga

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Sivuca (1930-2006), Jarbas Maciel (1933), Maestro Duda (1935), José Siqueira (1907-1985), Glória Gadelha (1947) e Abdon Felinto Milanez (1858-1927): Orquestra Sinfônica da Paraíba & Sivuca (NOVO LINK)

SHOW DE BOLA !!!

Postado originalmente em 25 dezembro de 2011 pelo CVL. Repostado por Bisnaga

É época, entre outras coisas, de contribuir com a caixinha de natal dos funcionários de meu prédio. Moro no Leblon e meu porteiro é do Méier; minha primeira mulher mora no Leme e seu porteiro é mineiro de Carangola; o porteiro do empresarial onde tenho um escritório em Maceió é alagoano de Maceió mesmo… Já o síndico de meu edifício é um gerente de TI oriundo do Pólo Digital do Recife e é um branquelo filho de paranaense de forte sotaque “nortista” enquanto um “cabeça-chata” potiguar gerencia o empresarial de Maceió e se parece mais com o pressuposto que temos em mente quanto ao que seja um “nordestino”. Só não sei porque ninguém no Nordeste trata cariocas, capixabas, paulistas e mineiros como “sudestinos”. Bem, isso é o que rola por aí, fora do universo de visitantes de nosso blog pois por aqui nunca vi ninguém pensar nesses termos.

Se fosse para buscar uma lógica entre biótipos e estereótipos, o CD ora postado só poderia ser baixado por porteiros, camareiras, serventes e pedreiros, pois contém somente obras compostas por “paraíbas” (Jarbas Maciel é recifense, mas para boa parte da juventude do Sul e Sudeste, “do pescoço pra baixo, é tudo canela”). Como isso iria de encontro ao espírito natalino, e à própria mensagem de quem é lembrado no presente dia, desejo a todos vocês que visitam o PQP Bach que carreguem paz e amor em seus corações (pode soar piegas ou óbvio, mas é algo de efeito verdadeiro e eficiente) e curtam as gravações que vos deixo.
As peças são as seguintes:
Concerto sanfônico para ‘Asa branca’: Creio que seja a primeira obra sinfônica composta por Sivuca. Alguém, acho que um dos outros membros do blog, me disse que possui a partitura. Eu quero, hein?
Suíte miniatura no estilo armorial (dedicada a Ariano Suassuna): Linda suíte, toda construída em cima de um tema de contradança popular do interior paraibano e que resgata a instrumentação padrão da Orquestra Armorial. Destaque para o tratamento das cordas em pizzicato logo no início, como um imenso violão que faz a harmonia para o duo de flautas.
Suíte Monette: É a peça mais popularesca de todas. Sem mais comentários.
Abertura festiva das ‘Festas natalinas do Nordeste’: Obra razão de ser do presente post.
Feira de Mangaio: A segunda gravação dessa peça que posto aqui no blog. Muito interessante como Sivuca optou por incluir uma seção modificada em ritmo de valsa-choro antes de tocá-la como um baião.
Hino oficial do estado da Paraíba.

Sivuca (1897-1986)
Orquestra Sinfônica da Paraíba & Sivuca (1999)

Sivuca (Severino Dias de Oliveira – Itabaiana, PB, 1930 – João Pessoa, PB, 2006)
01. Concerto sanfônico para ‘Asa branca’
Jarbas Maciel (PE, 1933)
02. Suíte miniatura no estilo armorial ‘A pedra do Reino’, I. Chamada
03. Suíte miniatura no estilo armorial ‘A pedra do Reino’, II. Aboio
04. Suíte miniatura no estilo armorial ‘A pedra do Reino’, III. Cavalo marinho
Maestro Duda (José Ursicinio da Silva – Goiana, PE, 1935)
05. Suíte Monette, I. Ciranda
06. Suíte Monette, II. Balada
07. Suíte Monette, III. Valsa
08. Suíte Monette, IV. Boi-bumbá
José Siqueira (Conceição, PB, 1907 – Rio de Janeiro, RJ, 1985)
09. Abertura festiva das ‘Festas natalinas do Nordeste’
Glória Gadelha (Sousa, PB, 1947) e Sivuca (Itabaiana, 1930 – João Pessoa, 2006)
10. Feira de Mangaio
Abdon Felinto Milanez (Areia, PB, 1858 — Rio de Janeiro, RJ 1927)
11. Hino oficial do Estado da Paraíba (letra de Aurélio de Figueiredo)

Sivuca, sanfona
Nailson Simões, trompete (faixas 5 a 8)
Radegundis Feitosa, trombone (faixas 5 a 8)
Orquestra Sinfônica da Paraíba
Coral Collegium Pró-Música da Paraíba (faixa 11)
Osman Giuseppe Gioia, regente
João Pessoa, 1999

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – PQPShare 61Mb

Ô, Sivuca… Fazes uma falta aqui embaixo…

CVL
Repostado/recauchutado por Bisnaga

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Brazilian Dances and Inventions – Jovino Santos Neto (1954), César Guerra Peixe (1914-1993), Pixinguinha (1897-1973), Oscar Lorenzo Fernandez (1897-1948), Jacob do Bandolim (1918-1969), Milton Nascimento (1942), José Siqueira (1907-1985), Luiz Otávio Braga (1953) e Luiz Gonzaga (1912-1989)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hmmm. Americanos se aventurando a tocar música brasileira, será que dá certo?

Nossa! Dá muito certo!
A prova disso é este Cd de hoje, que o colega Strava (ô, senhor Marcelo Stravinsky, estamos com saudades dos seus posts, filhote) nos enviou ao grupo.
Pessoal pra lá de competente. Aquele gingado que achamos que só nós temos e que os gringos não conseguem ter, Janet Grice, Sarah Koval e Kevin Willois conseguem, e muito bem!

Além de tudo, a seleção de compositores dessas Brazilian Dances and Inventions é especialíssima, passando por caras da MPB (Pixinguinha, Milton Nascimento, Jacob do Bandolim e Luiz Gonzaga), por um jazzista (Jovino Santos Neto), e contemplando também os eruditos (José Siqueira, Guerra Peixe, Lorenzo Fernandez e Luís Otávio Braga) que, claro, vão fazer aquela mistura dos ritmos populares com a elaboração técnica de quem tanto estuda as notas musicais. Repito: deu muito certo!

Nem vou falar mais, melhor ouvir. Ouça, ouça! Deleite-se!

Vento Trio
Brazilian Dances and Inventions

Jovino Santos Neto (Rio de Janeiro, RJ, 1954)
01. Mar Fim
César Guerra Peixe (Petrópolis, RJ, 1914 – Rio de Janeiro, RJ, 1993)
02. Trio No. 2 Para Sopros, I. Polca
03. Trio No. 2 Para Sopros, II. Dança dos Caboclinhos
04. Trio No. 2 Para Sopros, III. Canção
05. Trio No. 2 Para Sopros, IV. Frevo
Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Jr. – Rio de Janeiro, RJ, 1897 – 1973)
06. Carinhoso
Oscar Lorenzo Fernandez (Rio de Janeiro, RJ, 1897 – 1948)
07. Duas Invenções Seresteiras, I. Allegro
08. Duas Invenções Seresteiras, II. Ben Allegro
Jacob do Bandolim (Jacob Pick Bittencourt – Rio de Janeiro, RJ, 1918 – 1969)
09. Doce De Coco
César Guerra Peixe (Petrópolis, RJ, 1914 – Rio de Janeiro, RJ, 1993)
10. Trio Nº 1, I. Andante
11. Trio Nº 1, II. Allegro Moderato
12. Trio Nº 1, III. Lento
Milton Nascimento (Rio de Janeiro, RJ, 1942)
13. Ponta De Areia
José Siqueira (Conceição, PB, 1907 – Rio de Janeiro, RJ, 1985)
14. Três Invenções Para Flauta, Clarinete E Fagote, I. Allegro
15. Três Invenções Para Flauta, Clarinete E Fagote , II. Andante
16. Três Invenções Para Flauta, Clarinete E Fagote , III. Moderato
Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Jr. – Rio de Janeiro, RJ, 1897 – 1973)
17. Naquele Tempo
Luiz Otávio Braga (Belém, PA, 1953)
18. Micro Suíte, I. Pequena Polka
19. Micro Suíte, II. Valsa Pequena
20. Micro Suíte, III. Pequeno Choro
Luiz Gonzaga (Exu, PE, 1912 – Recife, PE, 1989)
21. Asa Branca – Assum Preto

Vento Trio:
Janet Grice, fagote
Sarah Koval, clarinete
Kevin Willois, flauta
Estados Unidos, 2006

Download (62Mb): PQPShare 

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Entendeu, né? Então, comente. É legal. Me deixa contente!

Strava (arquivo)
Bisnaga (texto e blablablá)

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Os Cameristas (1980) – Brenno Blauth (1931-1993), José Siqueira (1907-1985) e Nelson de Macêdo (1931)

UM BAITA DISCÃO !!!

Ah, como é bom garimpar e encontrar raridades e compositores pouco conhecidos nesses velhos LPs. Dá-me um prazer fora do normal!

Além do José Siqueira, compositor que tanto já elogiei (e tanto já elogiaram nos comentários), com seu belo e inteligentíssimo Concertino para Oboé e Cordas (e de quem esta é a última e 16ª postagem que fazemos aqui, até um dia possuirmos mais material dele), temos hoje o debut pequepiano de dois compositores surpreendentes. Temos estreando aqui Brenno Blauth*, compositor gaúcho de grande habilidade com a partitura, um baita melodista, e responsável por este extasiante Divertimento, cujo segundo movimento, a Cantiga, é, a meu ver, a faixa mais bela deste álbum (corra para escutá-la antes: seu dia já terá valido a pena), e o sagaz Nelson de Macêdo, pernambucano, que traz para o seu Otum Obá toda a carga de influências nordestinas, com um jogo de variações rítmicas e melódicas de fazer bonito pra qualquer um que entenda do riscado.

Só gente foda, só cara bom! Veja um pouquinho mais no comentário do encarte do discão:

Divertimento – Nos primórdios da música nacionalista brasileira, um dos seus mais ilustres fundadores, o paulista Alexandre Levy, escreveu para piano uma serie de 13 Variantes sobre um tema popular brasileiro, que outro não é senão o Vem cá, Bitu, ou Cai, cai, balão. Dizia Levy que “para escrever música brasileira era preciso estudar a música popular de todo o Pais, sobretudo do Norte do Brasil”. Neste disco, um outro talentoso compositor brasileiro, Brenno Blauth, gaúcho, da atual geração, escreve, sobre o mesmo tema, uma atraente partitura para orquestra de cordas, cujos movimentos são: I. Animado, 2. Cantiga, 3. Toada, 4. Dança Gaúcha. É que o tema em questão pertence ao universo musical popular brasileiro, sem os lindes do regionalismo. Essa obra, com motivos curtos e singelos que, com o contraste de fortíssimo e pianíssimo lhe dão início, é muito habilmente escrita, na sua polifonia clara. Aquele tema popular surge, depois do que se pode chamar de introdução, em terças, nos violinos. No tempo lento cantam uníssonos os violinos uma linha languidamente seresteira. A Toada é também muito interessante, com seu ritmo de acordes sincopados, e sua insinuante linha melódica. Já no Final se afirma o gauchismo do autor, em uma Dança característica, onde se reafirma o tema fundamental da obra, que surge transfigurado, ate que na coda se precipita, rápido, brilhante e piano, um desenho descendente imitativo.

O Concertino para Oboé e Orquestra de José Siqueira se divide em três partes: 1. Andante – Allegro ma non troppo, 2. Lento. 3. Allegretto. Composto há dez anos, o Concertino vem mais uma vez confirmar a invariável significação nacionalista da música do autor que, precedendo o Andante inicial, confia ao oboé a linha melódica do Pregão, de origem folclórica. Inicia-se o Andante pelas cordas, com surdina, em contraponto a quatro vozes, escrito com a mestria habitual do compositor, até que se dá a exposição do primeiro tema pelo oboé, suportado pelas cordas. Mas então se deflagra o Allegro ma non troppo, com um novo tema do instrumento solista, que é retomado em cânone nos violinos. Há desenvolvimento e, por fim, uma contra-exposição em que o primeiro tema surge por último, depois do segundo tema. O Lento vem formado por três variações, feitas sobre o tema folclórico do Pregão, exposto pelo oboé. As duas primeiras variações são ornamentais e ampliadoras, e a terceira é ornamental e contraída. O terceiro movimento, Allegretto, é uma Fuga a seis vozes, cujo sujeito vem exposto pelos primeiros violinos.

Otum Obá, de Nelson de Macêdo, é um Divertimento para flauta, oboé e cordas, cujo afro-brasileirismo estilizado se evidencia no cunho incisivo da invenção rítmica, da partitura cujos três movimentos se sucedem sem solução de continuidade: I. Allegro moderato. II. Interlúdio. III Allegro. Prevalência rítmica de forte impulso coreográfico, temperado pela dolência, a languidez, a expansão lírica, em largos saltos intervalares, do Interlúdio lento, que também tem força rítmica na sua lentidão, mas onde prepondera, sob forma de recitativo, o surto melódico da flauta e do oboé, sendo que a flauta procede também por cristalinos trilos, sabre os desenhos ondulantes do oboé, com o qual logo se entrelaça. Esses recitativos se originam da introdução ao primeiro tempo, quando o violoncelo declama, com larga variedade dinâmica. E o próprio violoncelo solista inicia o primeiro movimento, para estabelecer com os demais instrumentos uma correnteza contrapontística, de súbito interrompida por uma fermata, para uma rápida rememoração do recitativo inicial. A tempo I, nutrido trabalho polifônico, de sentido veemente, se restabelece, mas cede lugar a certa altura a um tema tratado por imitação, que do oboé passa a flauta, e depois ao violino, e que soa como um apelo. Toda a trama, agilmente, recomeça no celo, ate que entra o Interlúdio. Por fim, o Allegro culmina a composição com brilhantismo virtuosístico em que se empenha toda a orquestra e ao qual não falta sutileza de acentos.
(Eurico Nogueira França, extraído do encarte).

* Atenção gremistas: o Brenno Blauth foi o compositor do segundo hino do Grêmio, substituído depois pelo atual, de Lamartine Babo.

Repetindo: um baita discão! Ouça! É coisa de primeira categoria!

Os Cameristas
Os Cameristas (1980)

Brenno Blauth (Porto Alegre, RS, 1931 – São Paulo, SP, 1993)
01. Divertimento – 1. Animado
02. Divertimento – 2. Cantiga
03. Divertimento – 3. Toada
04. Divertimento – 4. Dança Gaúcha
José Siqueira (Conceição, PB, 1907 – Rio de Janeiro, RJ, 1985)
05. Concertino para Oboé e Orquestra de Câmara – 1. Andante – Allegro ma non troppo
06. Concertino para Oboé e Orquestra de Câmara – 2. Lento
07. Concertino para Oboé e Orquestra de Câmara – 3.Allegretto
Nelson de Macêdo (Orobó, PE, 1931)
08. Otum Obá, Divertimento para flauta, oboé e cordas – 1. Recitativo – Allegro
09. Otum Obá, Divertimento para flauta, oboé e cordas – 2. Moderato – Lento
10. Otum Obá, Divertimento para flauta, oboé e cordas – 3. Allegro

Orquestra “Os Cameristas”
Kleber Veiga, oboé
Carlos Rato, flauta
Nelson de Macêdo, regente
1980

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – PQPShare (129Mb)
…Mas comente… O álbum é tão bom, merece umas palavrinhas…

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Bisnaga

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Os Cameristas (1976) – José Siqueira (1907-1985) e Radamés Gnattali (1906-1988)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hoje estou orgulhoso! José Siqueira, compositor brasuca simplesmente estupendo e esquecido da história, apagado deliberadamente pela perseguição que sofreu no regime militar, atinge hoje, aqui no P.Q.P.Bach, a marca de QUINZE postagens. Não é um número absurdo (os entes da Santíssima Trindade – Bach, Beethoven e Mozart – tem todos mais de cem posts), não deve ser nem o vigésimo mais postado aqui, mas já é o sexto brasileiro mais presente no blog. Ultrapassou André da Silva Gomes, Castro Lobo e Sigismund Neukomm e igualou-se, ante os estrangeiros, a Shoenberg. Eu, sinceramente, conhecia pouco dele até o começo deste ano e, tomando contato com mais obras, pude ver como o cara é bom. Tomei suas dores, publicando tudo o que dele dispusesse e dele encontrasse. Com o material que temos e com as contribuições preciosíssimas de Harry Crow, o P.Q.P.Bach cumpre o papel ao qual se propõe desde o início: o de divulgar a música, de polinizar a beleza pela blogosfera. Acredito que ajudamos a tirar um pouco da sombra que teima em obscurecer o nome desse grande brasileiro, José Siqueira, hoje, com um complexo, difícil e fodástico Divertimento para Oboé e Cordas.

Temos outro compositor não menos genial na postagem de hoje, Radamés Gnattali, que soube como poucos não só unir o erudito ao popular, mas alternar entre esses dois campos. Gnattali passeava de um lado a outro, de um gênero a outro da música, como se fosse necessário só apertar a tecla SAP. Coisa incrível! Além de sua música de concerto (seu concerto para harpa e cordas, por exemplo, é uma das coisas com mais enlevo que já ouvi), é vasta a sua produção de choros, sempre de altíssima qualidade. Não à toa, sua produção, sempre influenciada pelos ritmos do Brasil, também recebeu as cores dos sons do Nordeste, como é o caso do belo (e agudíssimo) Concerto para Violino.

Aproveitei para transcrever parte do encarte que fala com muita propriedade da qualidade desses dois compositores de hoje e do conjunto executante:

(…) Além de compositor de larga projeção não só no Brasil como no exterior, José Siqueira (1907) é sem dúvida um dos espíritos mais empreendedores de nosso cenário musical, quiçá o mais arrojado de todos. Homem de visão, amando acima de tudo o manancial sonoro de seu país, bem merece um preito de gratidão pelo muito que fez em prol do desenvolvimento cultural de nosso povo. Aos 33 anos, em 1940, criou a Orquestra Sinfônica Brasileira, hoje um conjunto de renome internacional. Em 1948 fundava a Sinfônica do Rio de Janeiro e, anos mais tarde, a Orquestra de Câmara do Brasil. Em 1960 consegue ver realizado o seu mais ambicionado sonho: a criação da Ordem dos Músicos do Brasil. Mestre de sua arte, dono de um “metier” invejável, sua obra é vastíssima, abrangendo todos os gêneros — da ópera à música de câmara, da canção à sinfonia. A produção do músico paraibano pode ser dividida em três períodos distintos: o pri­meiro universalista e que vai até 1943; o segundo, nacionalista no sentido genérico, indo de 1943 a 1950 e o terceiro, que poderíamos definir como “nordestino” pelo emprego regular do sistema por ele denominado de tri-modal. Essa teoria consiste no aproveitamento sistemático das três escalas encontradas no rico folclore nordestino. Siqueira é dentro da corrente nativista talvez o mais “intimamente nordestino” de nossos músicos.
Seu Divertimento Nº5 para cordas data de 1974 e contém três movimentos: Allegro, Larghetto e Allegro
Pianista nato de rara intuição, regente, orquestrador habilíssimo e compositor dos mais versáteis, Radamés Gnattali (1906) que este ano comemora seu 70º aniversário de nascimento continua em perene criatividade. O lugar de excepcional destaque que ele conseguiu no panorama da música brasileira de nossos dias, deve-se a vários fatores, entre esses, o de ter militado longos anos nas lides radiofônicas, onde alcançou notoriedade, quer como arranjador popular, quer como músico erudito. Após haver estudado plano em seu estado natal o Rio Grande do Sul, veio para o Rio em 1931, onde frequentou o Instituto Nacional de Música até 1938. Todavia, no domínio da composição, pode-se de sã consciência afirmar-se que foi um autodidata. A princípio deixou-se influenciar pelo “jazz”, mas pouco a pouco foi assumindo um nacionalismo consciente calcado menos nas constantes rítmico-melódicas populares do sul do país a exemplo de seu conterrâneo Luiz Cosme e mais voltado para a temática nordestina, fonte de sua inspiração, como também soou acontecer com Camargo Guarnieri e tantos outros. Como Guerra Peixe, o compositor gaúcho faz questão de estabelecer um paralelo entre os dois setores da sua produção — o popular e o erudito.
O Concerto para violino e cordas inserido no presente disco é o segundo que concebeu para o instrumento, e foi dedicado a Giancarlo Pareschi, que é o autor das cadenzas. Divide-se em três seções: Alegro — Canção e Chôro.
O conjunto “Os Cameristas” foi fundado em 1964 pelo M. Nelson de Macêdo, formado por uma seleção dos melhores instrumentistas de cordas do Rio de Janeiro. Fez sua estréia sob o patrocínio de O Globo no auditório daquele vespertino. Noel Devos (Fagote), Giancarlo Pareschi (Violino) e Nelson de Macêdo (Regente) são nomes que dispensam maiores apresentações, por serem de nossos mais conhecidos e apreciados intérpretes com uma larga folha de relevantes serviços prestados à música brasileira. Nelson de Macêdo, além de violista e regente, vem se firmando como um compositor de inegáveis merecimentos
Sérgio Nepomuceno (Extraído do encarte)

Semana que vem teremos mais um álbum d’Os Cameristas com obra de José Siqueira. Será a 16ª e última postagem dele. Mas acredito que no futuro consigamos mais material do paraibano arretado para postar aqui. É esperar pra ver…

Por fim, UM BAITA DISCÃO! Ouça e torne seu dia mais feliz!

Os Cameristas
Os Cameristas (1976)

José Siqueira (Conceição, PB, 1907 – Rio de Janeiro, RJ, 1985)
01. Divertimento nº5 – 1. Allegro
02. Divertimento nº5 – 2. Larghetto
03. Divertimento nº5 – 3. allegro ma non troppo
Radamés Gnattali (Porto Alegre, RS, 1906 – Rio de Janeiro, RJ, 1988)
04. Concerto para violino nº2 – 1. Allegro moderato – marcato
05. Concerto para violino nº2 – 2. Canção
06. Concerto para violino nº2 – 3. Choro

Orquestra “Os Cameristas”
Noel Devos, oboé
Giancarlo Pareschi, violino
Nelson de Macêdo, regente
1976

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – PQPShare (128Mb)

…Ah, por favor, comente, escreva umas palavrinhas e me tire da solidão…

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Não, não são Os Cameristas, mas a foto é tão legal…

Bisnaga

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Sopros do Brasil: o Sexteto do Rio – obras de José Siqueira (1907-1985), Radamés Gnattali (1903-1988), Francisco Mignone (1897-1986), Ludwig van Beethoven (1770-1827), Darius Milhaud (1892-1974), Francis Poulenc (1899-1963) e Gordon Jacob (1895-1984)

Nas minhas navegações – e derivas – em meio ao oceano da internet, em busca de mais algum halo, uma luzinha no horizonte que me apontasse para mais uma obra de José Siqueira, me deparei com este belo conjunto de peças executado pelo Sexteto do Rio. José Siqueira tem lá uma faixinha em meio a outras vinte e duas, mas não custa ver tudo…

E o álbum é bem legal, além da siqueirana Brincadeira a Cinco, uma das que mais me agradou, há obras muito boas para sexteto de sopros (aqui por vezes acompanhado pelo piano de Heitor Alimonda): La cheminée du Roi René, de Milhaud, e a Sonatina a Seis, de Gnattali, são especialmente jocosas, divertidas, muito agradáveis. O conjunto todo é bem descontraído e tem um aspecto de diversão, de brincadeira, de descontração. Os músicos do Sexteto do Rio estão, mais do que executando música, divertindo-se, compartilhando bons momentos. e essa descontração é transmitida ao ouvinte e é cativante! Conjunto leve, gostoso de ouvir.

Booooom, muito bom! Ouça, ouça!

Sexteto do Rio
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Ludwig van Beethoven (1770-1827)
01. Trio para Flauta, fagote e piano – I. Allegro
02. Trio para Flauta, fagote e piano – II. Adagio
Darius Milhaud (1892-1974)
03. La cheminée du Roi René – I. Cortège
04. La cheminée du Roi René – II. Aubade
05. La cheminée du Roi René – III. Jongleurs
06. La cheminée du Roi René – IV. Maosinglade
07. La cheminée du Roi René – V. Chasse au Valabre
08. La cheminée du Roi René – VI. Madrigal Nocturne
09. Sonata para flauta, oboé, clarineta e piano – I. Tranquille
10. Sonata para flauta, oboé, clarineta e piano – II. Joyeux
11. Sonata para flauta, oboé, clarineta e piano – III. Emporté
12. Sonata para flauta, oboé, clarineta e piano – IV. Douloureux
Francis Poulenc (1899-1963)
13. Sextuor – I. Allegro Vivace
14. Sextuor – II. Allegro Vivace
15. Sextuor – III. Finale
Francisco Mignone (1897-1986)
16. Sexteto 1970
Gordon Jacob (1895-1984)
17. Elegiac e Scherzo – I. Elegiac
18. Elegiac e Scherzo – II. Scherzo
José Siqueira (1907-1985)
19. Brincadeira a Cinco
Radamés Gnattali (1903-1988)
21. Sonatina a seis – I. Allegro
22. Sonatina a seis – II. Saudoso
23. Sonatina a seis – III. Ritmado

Sexteto do Rio
Celso Woltzenlogel,flauta
Paolo Nardi, oboé
Kleber Veiga, oboé
José Cardoso Botelho, clarineta
Noel Devos, fagote
Zdenek Svab, trompa
Heitor Alimonda, piano

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Música de Câmara do Brasil (1981) – José Siqueira, Guerra Peixe, Camargo Guarnieri, Francisco Mignone, Henrique de Curitiba, Mauro Rocha e Heitor Alimonda

BOM, MUITO BOM !!!

Música de Câmara do Brasil é um álbum todo ele moderno, de vanguarda, como bem representa a sua capa com um d’Os Bichos, obra-mestra da artista plástica neoconcretista Lygia Clark (1920-1988). As peças são todas de compositores brasileiros de primeiríssimo time também contemporâneos e que estavam, no ano dessa gravação (1981), em plena atividade, executadas pelo Trio Morozowicz, Botelho, Devos com grande qualidade e sagacidade.

Eu poderia falar uma pouco mais do discão, mas o texto da contracapa é muito mais detalhista (e capaz) que o que eu poderia escrever neste espaço:

Bela montagem, a deste disco, in­tercalando, entre obras executadas pelo trio de sopros, peças solistas para cada um dos instrumentistas que, individual­mente, confirmam a alta qualidade de suas interpretações conjuntas. Norton Morozowicz, Jose Botelho e Noel Devos são três de nossos mais destacados músicos, com uma larga folha de serviços prestados a divulgação do repertório in­ternacional e do brasileiro. Os três ins­trumentos – flauta, clarineta, fagote — tem amplos recursos expressivos, que compensam largamente a relativa estreiteza de seu âmbito dinâmico. Da alqui­mia de suas vozes resulta harmonioso conjunto, onde as peculiaridades indi­viduais se fundam num todo maior.
O primeiro lado [faixas 01 a 09] reúne quatro dos expoentes da corrente nacionalista. Dois deles (Camargo Guarnieri e Francisco Mignone) foram diretamente influencia­dos pela pregação de Mario de Andrade, a quem os ligou amizade e reconheci­mento que os anos passados não desva­necem. A influência de Mario marcou também fundo a obra de Guerra-Peixe, embora não ligado pessoalmente ao autor de Macunaíma. Nos quatro músicos, um caminhar inicial análogo na formação musical, passando pela escola pra­tica dos conjuntos populares. O ideal nacionalista, antes mesmo de sua sistematização por Mario, fora posto em pratica por Villa-Lobos com vigor muito major que o de seus predecessores. Bem relacionado, espirito irrequieto, amigo das viagens, voltado para o mundo e para o mercado externo. Villa-Lobos funcionou como grande desbravador, polarizando a celeuma sobre a música brasileira em torno de sou nom. Quan­do aqueles quatro músicos começaram a produzir, encontraram o caminho por assim dizer aberto, e ficaram, de certo modo, com o ônus de serem vistos co­mo continuadores — o que foi recentemente observado por Maria Abreu, em programa de televisão, com relação a Camargo Guarnieri. Todos eles são, porém, personalidades originais, que vi­venciam diferentemente a problemática envolvida pela estética nacionalista através de suas próprias experiências e sensibilidades.
O segundo lado deste disco [faixas 10 a 16] reúne compositores mais recentes, menos ligados a problemática nacionalista. Mau­ro Rocha foi uma esperança: morto no inicio de 1980 em acidente automobilístico, aos 30 anos, destacou-se como violonista e arranjador ligado a música popular, com seu excelente conjunto de choro Galo o Preto. Abandonando a medi­cina para dedicar-se inteiramente a música, estudou com Esther Scliar, e fez cursos com Marlos Nobre, Koellreutter, Widmer, Rufo Herrera. É curioso, con­siderada sua ligacao com música popu­lar, observar que sua biografia não in­dica, a meu conhecimento, nenhum pro­fessor ligado ao nacionalismo. Já Henrique de Curitiba passou do ensino de Bento Mossurunga para o de Koellreut­ter, aperfeiçoando-se depois em Varsóvia, e divide atualmente seu tempo entre a composição e o ensino. Heitor Ali­monda, doze anos mais velho que o precedente, é, sobretudo, o pianista e o didata: boa parte de sua obra resulta de suas preocupações como professor de piano, muito embora ele também crie outras com preocupação apenas artística.
O Trio de Guerra-Peixe é breve, in­cisivo, vivaz em seus movimentos de dança. A maior extensão do terceiro movimento justifica-se polo andamento moderato, lírico e envolvente, onde a vivacidade rítmica continua presente, porém, em particular nos suspiros inter­rompidos do fagote; José Siqueira prefere chamar sua obra de Três invenções — de um espirito diferente daquele do autor das Bachia­nas. As 5 Peças breves de Heitor Ali­monda retomam a clássica independência do texto musical com relação aos instrumentos que o executarão. Outro poderia ser o conjunto, inclusive o trio de cordas; mas as diferenças tímbricas desse trio de sopros ajudam a realçar os movimentos de cada frase musical.
Henrique de Curitiba é mais ambi­cioso — e se me estendo mais sobre sua obra, é em função de observações acrescentadas pelo autor da partitura. Seu Estudo é aberto em vários níveis. Ele quer que os intérpretes abandonem a tradicional posição sentada; com a fina­lidade de “explorar o efeito estereofôni­co que se possa conseguir com ativação variada das três fontes sonoras. A movimentação dos músicos (…) deve pro­porcionar uma nova experiência de comunicação corporal com o público (…) além dos aspectos interpretativos pura­mente musicais”. Na realidade, o disco tem contribuído para acentuar a ideia de “música pura” — e, o que é pior, “sem erros”, pois, em principio, a gravação não toleraria as falhas dificilmente evitáveis em concerto. Mesmo na música para “instrumentistas sentados” e “inteiramente escritas”, é, porem, flagrante a diferença de comunicação dos músicos com o ouvinte, se este está em sua pol­trona tomando seu uísque ou numa sa­la de concertos vivendo com outros ou­vintes as emoções que só o momento de recriação do interprete pode suscitar. Não se pode esperar de um pianista que passeie de um lado para outro com seu Steinway, tocando uma sonata de Beethoven; mas, certamente, as diferentes posições relativas dos executantes, consideradas as acústicas das diferentes salas, podem trazer novas dimensões para a execução ao vivo, em obras que le­vem em conta aqueles fatores.
Henrique de Curitiba solicita também de seus intérpretes “a improvisação livre à maneira da música popular” em alguns dos trechos desse Estudo. E, en­fim, outra observação de grande interes­se: “o compositor experimenta ainda com a grafia musical convencional, ten­tando uma grafia rítmica das figurações musicais da música brasileira, adotando o conceito de tempos de duração desi­gual dentro de um mesmo compasso, evitando assim uma escrita do tipo sin­copado, com metro regular, a qual não traduz bem o balanço da música brasi­leira”. O Pe. Jose Geraldo de Souza já tinha observado, em obra sobre as características de nossa música folclórica, o caráter bem mais fluido do sincopado popular que o que pode ser dado pela “sincope característica” sistematizada, um tanto abusivamente, pela forma: semicolcheia, colcheia, semicolcheia; colcheia, colcheia; é de se salientar que nesse erro, não incidiram nossos melho­res autores, que buscaram outras for­mas de grafar a sincopado popular.
As diferenças que marcam os qua­tro trios encontram-se, também, em pelo menos duas das obras solistas. Mignone passeia livremente, liricamen­te, em sua valsa sem caráter, pelo espaço melódico do fagote. O caráter geral descendente da melodia mantem-se nas três partes dessa obra, a última das quais abre-se para um esplendoroso modo maior, bem dentro da tradição, e acaba com um irônico abaixamento de tom na repetição de um motivo. Já Camargo Guarnieri tem uma preocupação ascen­dente, tensionante, como se quisesse romper com os limites sonoros da flau­ta, fazendo-nos ouvir notas além, mais para o agudo, daquelas que o instrumen­to pode dar. O espaço sonoro é aberto, tanto através de grandes saltos, como por meio de sua ampliação sucessiva a partir de um tom, e os momentos de li­rismo ficam, em geral, com os registros médio e grave do instrumento. Em Mau­ro Rocha, está também presente uma certa tensão, obtida, porem, sobretudo pelo uso de material sonoro ainda não assimilado pela audição corrente. (Flavio Silva)

Um disco de música inteligente, difícil, complexa e brasileiríssima. Vale muito a pena conhecer!

Trio Morozowicz, Botelho, Devos
Música de Câmara do Brasil

César Guerra Peixe (1914-1993)
01. Trio nº2 – I. Allegretto (polca)
02. Trio nº2 – II. Allegro Vivace (dança dos caboclinhos)
03. Trio nº2 – III. Moderato (canção)
04. Trio nº2 – IV. Allegro (frevo)
Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993)
05. Improviso nº3 para flauta solo
José Siqueira (1907-1985)
06. Três Invenções, para flauta, clarinete e fagote – I. Allegro
07. Três Invenções, para flauta, clarinete e fagote – II. Andante
08. Três Invenções, para flauta, clarinete e fagote – III. Moderato
Francisco Mignone (1897-1986)
09. Macunaíma, valsa sem caráter
Henrique de Curitiba (1934-2008)
10. Estudo Aberto, para flauta clarinete e fagote
Mauro Rocha (1950-1980)
11. Variações para clarinete solo
Heitor Alimonda (1922-2002)
12. Cinco Peças Breves para Três Instrumentos Melódicos – I. Andante Cantabile
13. Cinco Peças Breves para Três Instrumentos Melódicos – II. Allegro molto
14. Cinco Peças Breves para Três Instrumentos Melódicos – III. Andante movido, porém monótono
15. Cinco Peças Breves para Três Instrumentos Melódicos – IV. Molto allegro
16. Cinco Peças Breves para Três Instrumentos Melódicos – V. Lento – Andante

Norton Morozowicz, flauta
José Botelho, clarinete
Noel Devos, fagote
Rio de Janeiro, 1981

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Alice Ribeiro – Oito Canções Populares Brasileiras – José Siqueira (1907-1985) e Hekel Tavares (1896-1969)

A bela Alice Ribeiro nos brinda mais uma vez com sua límpida voz, agora pela sétima vez no P.Q.P.Bach (tem as outras seis postagens aqui, ó). Gente competente volta sempre, e como ela gravou uma boa quantidade de LPs, vira e mexe podemos disponibilizar algo para nossos seletíssimos usuários-ouvintes.

Sabe aqueles álbuns que são todo-bonitinhos? É bem a característica deste aqui, com Oito Canções Populares Brasileiras. Tem um ar bucólico, com canções realmente populares, que mostram muito da cultura do Brasil, dos cânticos mais introjetados em nossas tradições, de seu formato, vocabulário e fraseado tão característicos. Belo. folclórico, até.

Alice Ribeiro, acompanhada por Murillo Santos ao piano, dota o disco desse ar simples, agreste. Abaixo colei uma pequena biografia da soprano:

Alice Ribeiro (1920-1988) nasceu no Rio de Janeiro. Começou seus estudos de teoria musical e de piano com José Siqueira. Já o estudo de canto foi com Stella Guerra Duval e Murillo de Carvalho. Durante sua longa permanência na Europa frequentou o curso de alta interpretação da música francesa e alemã, com Pierre Bernac; a classe de Mise-en-scène, com Paul Cabanel, no Conservatório de Paris. Estudou repertório de música espanhola com Salvador Bacarisse.
Venceu concurso nacional de canto em 1936, com apenas 16 anos, realizando, desde então, inúmeras turnês nacionais e internacionais, particularmente nos Estados Unidos, França e nos países do leste europeu, notadamente na União Soviética. No Brasil, atuou como solista das Orquestras Sinfônicas do Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Distrito Federal, sob regência de Eugen Szenkar, Eric Kleiber, Hacha Horeinstein, Edoardo de Guarnieri, José Siqueira e outros (retirado de encarte do LP Alice Ribeiro na canção do Brasil).
Foi sucessora de Luis Cosme na cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Música.

Ah, agradecimentos re-reiterados e mais que especiais ao maestro Harry Crowl, que nos cedeu essa pérola!

O disco é lindo! Ouça, ouça, ouça!

Alice Ribeiro (1920-1989)
Oito Canções Populares Brasileiras

Leopoldo Hekel Tavares (1896-1969), arr. José Siqueira (1907-1985)
01. Benedito Pretinho
José Siqueira (1907-1985)
02. Vadeia, Cabocolinho
03. Loanda
04. Maracatu
Domínio popular, arr. José Siqueira (1907-1985)
05. Foi numa noite calmosa
06. Nesta rua
07. Dança do sapo
08. Natiô

Alice Ribeiro, soprano
Murillo Santos, piano
1958

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Cristina Ortiz – Oito Compositores Brasileiros

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Cristina Ortiz é daquelas profissionais tão competentes que o Brasil não conseguiu segurar e manter residindo em terras verde-amarelas… Fato triste, por não a vermos com frequência embelezando nossas vidas cinzentas com suas récitas. Mas há um  alento, um meio-sorriso quando ela desembarca em solo pátrio para nos dar o ar de sua graça e, em se tratando de piano, quanta graça numa só pessoa!

Cristina se lança no piano como se o instrumento fosse uma extensão de seu próprio corpo, característica rara, presente somente nos melhores pianistas. Daquela mocinha simples, que assombrava os ouvintes com sua capacidade, chegou à maturidade, como bem diz a apresentação de seu site:

“Cristina Ortiz é uma artista que evoluiu de menina-prodígio à maturidade, determinada a comunicar ao mundo sua intuição, palette pianística, emoção e sensibilidade“, nos dizeres do jornal vienense ‘Die Presse’. Radicada na Inglaterra há muitos anos, são porém os dotes inerentes à sua cultura brasileira – paixão, espontaneidade e flexibilidade rítmica – os que mais fortemente transparecem em suas interpretações.

Solista com as mais famosas orquestras – Berlim, Chicago, Cleveland, New York, Praga, Viena, Londres – Cristina Ortiz já trabalhou sob a batuta de Ashkenazy, Chailly, Foster, Jansons, Järvi, Kondrashin, Leinsdorf, Masur, Mehta, Previn e Zinman, entre outros. Em tanto que camerista, tem se apresentado ao lado de artistas como Antonio Meneses, Uto Ughi, Emanuel Pahud, Lynn Harrell, ou o Quinteto de Sopro de Praga.

Possuidora de vasto e eclético repertório, quer em concertos ou gravações, seu compromisso com a música brasileira é evidente na aclamada ‘prémière’ do “Chôro” de Guarnieri no Carnegie Hall de New York ou nos 5 Concertos de Villa-Lobos, gravados para Decca. Cristina Ortiz continua sua procura por raridades musicais, através das obras de Clara Schumann, Mompou, Stenhammar, Schulhoff ou dos brasileiros Lorenzo Fernandez e Fructuoso Vianna.” (do site da pianista)

Hoje temos a dádiva de apresentar-vos a jovem Cristina Ortiz, leve e vibrante musicista em seus 26 anos, mandando ver em obras de compositores brasudcas de primeiríssima linha, como Camargo Guarnieri, Francisco Mignone, José Siqueira e Cláudio Santoro, entremeados de outros menos conhecidos, mas cujas obras escolhidas para este álbum não estão de forma alguma em patamar inferior ao dos figurões. São eles Octavio Maul, José Vieira Brandão e Fructuoso Vianna. Repare que Cristina Ortiz foi peituda na produção deste LP e lançou mão de apresentar exclusivamente autores nacionais e contemporâneos: na época da gravação, 1976, apenas Nepomuceno e Maul haviam falecido (o ultimo faziam só 2 anos). Eram músicas novas, compostas com a mesma jovialidade de Cris (já fiquei íntimo…).

Um disco de altíssima categoria. Conheça mais um pouco de Cristina Ortiz e das belas músicas que a brasilidade produziu! Ouça! Ouça!

Cristina Ortiz (1950)
Cristina Ortiz

01. Galhofeira – Alberto Nepomuceno (1864-1920)
02. Prece – Alberto Nepomuceno (1864-1920)
03. Ponteio nº38 – Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993)
04. Ponteio nº48 – Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993)
05. Ponteio nº49 – Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993)
06. Tríptico: Choro – Octavio Maul (1901-1974)
07. Tríptico: Canção – Octavio Maul (1901-1974)
08. Tríptico: Samba – Octavio Maul (1901-1974)
09. Corta-Jaca – Fructuoso Vianna (1896-1976)
10. As Três Irmãs: Beatriz – Fructuoso Vianna (1896-1976)
11. As Três Irmãs: Pérola – Fructuoso Vianna (1896-1976)
12. As Três Irmãs: Rúbia – Fructuoso Vianna (1896-1976)
13. Estudo nº1 – José Vieira Brandão (1911-2002)
14. Congada – Francisco Mignone (1897-1986)
15. Segunda Valsa de Esquina – Francisco Mignone (1897-1986)
16. Cantiga – José Siqueira (1907-1985)
17. Paulistana – Cláudio Santoro (1919-1989)

Cristina Ortiz, piano
1976

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José Siqueira (1907-1985) – Concertino para Viola, Toada

MUITO, MAS MUITO BOM !!!

Quando, ouvindo aos apelos deste postulante que estava em pânico ao ver que seu acervo siqueirano estava findando, Harry Crowl afirmou que me passaria o Concertino para Viola de José Siqueira quase tive um tróço! Obra para viola escrita pela pena de um brasileiro é pra disparar o coração de um violista nacionalista como este que vos fala!

E o Concertino para Viola e Orquestra é obra para judiar do violista (coitado do Frederick Stephany): muitos tempos quebrados e sincopados, acordes inusuais e difíceis de se tocar, estruturação dos temas musicais complexa, ou seja, música para gente grande.  Música tensa, carregada, cheia de “atritos”, abrasiva até, se é que posso usar esse termo para descrever uma música. Coisa de fazer bonito frente a caras como Schnittke e Bártok! É daquelas que talvez não agrade na primeira audição e você tenha que escutar mais vezes para sentir na plenitude o imenso prazer que ela proporciona.

A postagem de hoje é curtinha: antes do concertino, apenas a bela Toada para Cordas, que já vos foi apresentada anteriormente em mais duas postagens. Hoje ela vem novamente regida pelo próprio José Siqueira, um pouco mais lenta e um pouco mais escura, mais cheia, numa orquestra maior. E está linda!

Agradecimento reiterado ao Harry Crowl que nos tem cedido solicitamente seus fonogramas do maestro José Siqueira!

Duas obras de caracteres bem diferentes, mostrando as facetas desse senhor compositor que foi o Zé Siqueira! Show! Ouça! Ouça!

José Siqueira (1907-1985)
Toada e Concertino para Viola

01. Toada para Cordas
02. Concertino para Viola e Orquestra

Frederick Stephany, viola
Orquestra Sinfônica da Rádio MEC
José Siqueira, regente

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José Siqueira (1907-1985) – Peças para Quarteto de Cordas: Tríptico Negro I, Toada e Louvação

IM-PER-DÍ-VEL !!!, como não poderia deixar de ser, em se tratando de José Siqueira!

Meu acervo de José Siqueira, parco que só, já estava no fim, mas eis que levantei meu clamor aos céus e aos ouvintes/usuários deste blog e o maestro Harry Crowl abriu seu baú de preciosidades para compartilhar conosco mais algumas pérolas que fazem parte de seu acervo-tesouro musical. Por isso ainda temos hoje um último suspiro, um alento, um afago terno e singelo da música deste grande brasileiro alijado na história e que tentamos sofregamente recuperar.

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Na postagem de hoje, de Peças para Quarteto de Cordas, podemos ver muito bem como José Siqueira era um grande melodista. As peças deste álbum seguem suas vertentes de pesquisa mais destacadas: sobre música nordestina e música negra e… São lindas! São melodias que, se você ouvi-las por uma ou duas vezes, vão voltar e visitar sua memória e se repetir na sua cabeça. Mas não ache que isso ocorre porque as músicas são fáceis. Pelo contrário, se por um lado são de uma estrutura singela, sem muitos incrementos, possuem aquela profusão de síncopas característica dos ritmos brasileiros e tão apreciada e valorizada por Siqueira, e estão amarradas, todas elas, por melodias muito redondas, cantabiles, ricas em beleza.
Admito que o quarteto não é dos melhores que já ouvi, há momentos em que algumas notas não estão perfeitas, mas como ocorre comumente com música erudita brasileira, é a única gravação que conhecemos (com exceção da Toada, que está aqui): não há muito como escolher… De qualquer forma, as peças são interessantíssimas e valem (meu Deus, como valem) demais o download e a audição!

Agradecimento especial ao Harry Crowl que, sempre solícito aos nossos apelos, cedeu os fonogramas via Avicenna! Valeu muito vocês dois!

É coisa linda! Um primor! Ouça! Ouça!

José Siqueira (1907-1985)
Peças para Quarteto de Cordas

01. Louvação
02. Toada para Cordas
03. Triptico Negro I – 1. Calmo e Recitado
04. Triptico Negro I – 2. Calmo e expressivo
05. Triptico Negro I – 3. Apressado

Quarteto Brasileiro da UFRJ
Santino Parpinelli e Henrique Morelenbaum, violinos
Jacques Nirenberg, viola
Eugen Ranevsky, violoncelo

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José Siqueira regendo na URSS na década de 1980: repare no texto em cirílico…

Bisnaga

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José Siqueira (1907-1985) – Concertos UFRJ

IM-PER-DÍ-VEL !!!     Com três exclamações!

José de Lima Siqueira nos vem hoje no P.Q.P.Bach em sua oitava aparição por essas bandas. E essa postagem me vem com um tom já nostálgico: é a última cartada que tenho para dar com obras deste gênio tão pouco conhecido. Acabou tudo o que eu tinha… Estou aceitando doações/indicações de nossos ouvintes de material sobre ele.

(Harry Crowl, por favor, ajude-me abrindo seu baú de preciosidades mais uma vez).

José Siqueira, para mim, foi amor à primeira audição. Mal o tomei contato com suas obras, em fins do ano passado, já fiquei desesperado para conhecer mais, encontrar tudo sobre ele e divulgá-lo, espalhar sua música. Pra se ter uma ideia, já estou fazendo busca em alfabeto cirílico – Жосэ Сикыйра – pra ver se acho algo de sua estada na URSS… Ainda não encontrei nada, mas quem sabe…

Bom, hoje teremos, nesta que eu espero não ser a derradeira postagem que faremos de José Siqueira aqui no P.Q.P.Bach, um apanhado de sua obra: uma edição do Concertos UFRJ, excelente programa da universidade carioca que apresenta obras de ex-professores da Escola de Música. Ainda que coletâneas não sejam nosso forte e nem me agradem pessoalmente, pra essa eu tiro meu chapéu. Dá pra se ter uma boa ideia da variedade melódica das obras de Siqueira, com intérpretes e formações orquestrais e de câmara os mais variados, todos de grande categoria. Há obras para canto e piano, clarinete e piano, orquestra de câmara, orquestra completa, tem de tudo. Show de buela!

Em tempo, tem mais quatro postagens de álbuns com músicas de José Siqueira no blog Música Brasileira de Concerto (aqui). Recomendo a ‘Tenda’, com o Quarteto Bessler.

Ouça mais um pouco (e tudo que puder) deste gênio! Ouça! Ouça! Ouça! Ouça!

José Siqueira (1907-1985)
Concertos UFRJ

01. Segunda Cantiga
02. Estudo para Clarineta e Piano nº1
03. Estudo para Clarineta e Piano nº2
04. Estudo para Clarineta e Piano nº3
05. Vadeia Cabocolinho
06. Madrigal
07. Concerto para violino, I movimento
08. Toada para Cordas
09. O Canto do Tabajara
10. Recitativo, Ária e Fuga para Violoncelo e Orq de Cordas – I. Recitativo
11. Recitativo, Ária e Fuga para Violoncelo e Orq de Cordas – II. Ária
12. Recitativo, Ária e Fuga para Violoncelo e Orq de Cordas – III. Fuga
13. 3ª Valsa em Ré menor

Atílio Mastrogiovanni, piano (faixa 01)
Paulo Passos, clarineta/ Sara Cohen, piano (faixas 02 a 04)
Lia Salgado, soprano/ Alceo Bocchino, piano (faixa 05)
Maria Lúcia Godoy, soprano/ Murillo Santos, piano (faixa 07)
Orcar Borgerth, violino/ Orquestra Sinf. Nacional/ José Siqueira, regente (faixa 08)
Brasil Quarteto da Rádio Roquette Pinto (João Daltro de Almeida e José Alves da Silva, violinos, Nelson de Macedo, viola / Watson Clis, violoncelo) (faixa 09)
Fábio Presgrave, violoncelo/ Camerata Fukuda/ Celso Antunes, regente (f. 10 a 12)
Marcos Leite, piano (faixa 13) (bônus)

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José Siqueira regendo na URSS na década de 1980.

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A Voz de Alice Ribeiro na Canção do Brasil – Vol.2 de 2

Alice Ribeiro, Alice Ribeiro…

É, Alice Ribeiro já está se tornando uma figurinha carimbada aqui no Blog: esse é o sexto trabalho dela que postamos (ela já apareceu aqui em Xangô, Cangerê, Candomblé, Chants du Brésil e A voz de Alice Ribeiro vol.1, tudo isso está aqui). Mas isso tem seus motivos: a soprano era dona de uma técnica e de uma pureza na voz impressionantes. Seu casamento com José Siqueira foi uma feliz união de duas pessoas competentíssimas na música e, se por um lado o fato de Siqueira escalá-la costumeiramente para executar suas músicas foi uma forma de proteção a Alice Ribeiro, a perfeição da moça nas interpretações das peças também muito ajudou a divulgar o trabalho do marido. Dupla pra lá de boa essa! Nem vou me alongar muito nos elogios porque eles vão acabar sendo redundantes depois das postagens já realizadas.

<< contracapa do disco autografada por Alice Ribeiro (está no arquivo para download)

Vamos logo a este álbum que é uma delícia! O volume dois de A Voz de Alice Ribeiro na Canção do Brasil (e que voz!) é mais lento e tem uma característica mais de acalanto que o primeiro. É mais terno, mais intimista, mais maternal até. E segue com canções que estão exatamente no meio-fio entre o erudito (a música de concerto) e o popular: não são poucos os momentos em parece que estamos ouvindo uma daquelas músicas que apareciam nos antigos filmes dos estúdios da Atlântida. Isso se dá pela orquestração simples e pela leveza e clara dicção de Alice Ribeiro. Fica-se a questionar, novamente, se é que existe algo que divida o erudito do popular. As músicas aqui cantadas pela soprano, contemplando compositores cariocas (Lorenzo Fernandez, Roberto Duarte, Ricardo Tacuchian), paraibanos (os irmãos Siqueira) e paraenses (Waldemar Henrique, Jayme Ovalle), mostram exatamente isso, e são de um alto grau de pureza e de ligação com nossas canções.

Ouça a moça! Ouça a moça!

E, como o anterior, esse também leva o carimbo de IM-PER-DÍVEL!!!

Alice Ribeiro (1920-1988)
A Voz de Alice Ribeiro na Canção do Brasil – Vol.2

01. Toada Baré – Arnaldo Rebello (1905-1984), arr. Roberto Ricardo Duarte (1941)
02. Foi Numa Noite Calmosa – José Siqueira (1907-1985)
03. Maracatu – Waldemar Henrique (1905-1995), arr. Roberto Ricardo Duarte (1941)
04. Dorme Coração – Arnaldo Rebello (1905-1984), arr. Roberto Ricardo Duarte (1941)
05. Dentro da Noite – Oscar Lorenzo Fernandez (1897-1948), arr. Roberto Duarte (1941)
06. Você – José Siqueira (1907-1985)
07. Por Quê? – Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993), arr. Ricardo Tacuchian (1939)
08. Toada para Você – Oscar Lorenzo Fernandez (1897-1948), arr. Elza Lakschevitz
09. Modinha – Jayme Ovalle (1884-1955), arr. José Siqueira (1907-1985)
10. Banho de Cheiro – Osvaldo de Souza, arr. Odemar Brígido (1941)
11. Tamba Tajá – Waldemar Henrique (1905-1995), arr. Roberto Ricardo Duarte (1941)
12. Cantiga para Ninar – Haroldo Costa (1930), arr. Ricardo Tacuchian (1939)
13. Que Sorte, Que Sina – João Baptista Siqueira (1906-1992)

Alice ribeiro, soprano
(sem informação da orquestra)
José Siqueira, regente
Rio de Janeiro, 1968

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A Voz de Alice Ribeiro na Canção do Brasil – Vol.1 de 2

Alice Ribeiro, Alice Ribeiro…

Ah, Alice Ribeiro! Ela era mesmo daquelas que podemos chamar de diva! Bela e dona de uma linda voz, com técnica e com carisma. E o que mais me agrada é que ela era muito versátil: consegue seguir músicas mais pesadas, mas sua voz se destaca em canções de câmara, mais singelas, pela limpidez do seu timbre e pela clareza da dicção, bem acima dos padrões de uma cantora lírica. As músicas aqui soam quase como se fossem MPB, sendo possível fazer comparações com cantoras de música de rádio de voz aguda como a de Alice: não é difícil aproximá-la a Dalva de Oliveira, por exemplo.

<< contracapa do disco autografada por Alice Ribeiro (está no arquivo para download)

Neste LP, A Voz de Alice Ribeiro na Canção do Brasil, a soprano coloca toda a sua delicadeza novamente em cena para interpretar canções de motivos populares do Brasil, contemplando compositores de várias partes do país, com destaques aqui para os dois autores mais contemplados: José Siqueira, paraibano arretado que vai buscar e defender a música com influência especialmente negra e nordestina, e Waldemar Henrique, este último, grande compositor paraense que se destacou especialmente pelas canções que criou, muitas ligadas ao folclore e à cultura do Amazonas. E as canções de ninar que ela canta, então (Papai Noel, Acalanto e Balança Eu)? Dá para embalar seus filhos ou netos para dormir até hoje.

Todo o disco é muito simples, leve, amável, ainda mais pela candura com que Alice Ribeiro interpreta essas obras, na medida exata que elas pedem para serem executadas. Nem um ponto a mais, nem um ponto a menos.  Um primor!

Aliás, fiquem ligados: Waldemar Henrique é outro compositor negligenciado de quem postaremos outras obras aqui no P.Q.P.Bach. Começaremos, creio eu, em 20 dias.
Semana que vem, o volume 2 desse álbum.

Bom, chega de lenga-lena, vamos à música! Ouça! Ouça!

Ah, esse leva o carimbo de IM-PER-DÍVEL!!!

Alice Ribeiro (1920-1988)
A Voz de Alice Ribeiro na Canção do Brasil – Vol.1

01. A Casinha Paquenina – arr. José Siqueira (1907-1985)
02. Coco Peneruê – Waldemar Henrique (1905-1995)
03. Papai Noel – Francisco Mignone (1897-1986)
04. Natiô – José Siqueira (1907-1985)
05. Engenho Novo – Leopoldo Hekel Tavares (1896-1969)
06. Acalanto – Ernani Braga (1888-1948) (letra Manoel Bandeira, 1886-1968)
07. Azulão – Jayme Ovalle (1884-1955)
08. Querer Bem não é Pecado – Osvaldo de Souza, Ricardo Tacuchian (1939)
09. Balança Eu – José Siqueira (1907-1985)
10. Nesta Rua – arr. José Siqueira (1907-1985)
11. Boi-bumbá – Waldemar Henrique (1905-1995)
12. Virgens Mortas – Francisco Braga (1868-1945)

Alice ribeiro, soprano
(sem informação da orquestra)
José Siqueira, regente
Rio de Janeiro, 1968

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Alice Ribeiro: Chants du Brésil – Ernani Braga (1888-1948), Hekel Tavares (1896-1969), Waldemar Henrique (1905-1995), José Siqueira (1907-1985) e Zé do Norte (1908-1979)

Demais esse LP !!

Chants du Brésil é uma pequena coleção (são apenas 8 músicas) lançada na França com canções brasileiras de compositores contemporâneos (naquele ano de 1953), em sua maioria eruditos, baseadas em temas populares do Brasil. Ela foi organizada, arranjada e regida pelo maestro José Siqueira, grande panfletário da música brasileira, e tem nos solos a doce voz da soprano Alice Ribeiro, que aqui no P.Q.P. Bach já nos deu o ar de sua graça em peças mais pesadas, densas e corpulentas: o Cangerê (aqui) de Baptista Siqueira, e Xangô (aqui) e Candomblé (aqui), de seu marido José Siqueira.

Aqui, em Chants du Bresil (não se engane, esta obra é mais antiga que as citadas) o caráter geral é bem mais leve que as demais: Alice Ribeiro é acompanhada por uma orquestra de câmara e há um clima caseiro, até jocoso. Boa parte dessas músicas eu aposto que vocês já ouviram suas mães ou avós cantarem. Tal é o grau de sintonia que todos os compositores aí contemplados tinham com a cultura popular e a maestria melódica que possuíam que essas canções se tornaram de domínio público, como se existissem há séculos…

É um álbum todo de canções curtas, porém, belas e singelas, de muita graciosidade, como se fosse uma caixinha de joias de família que um dia se abre para que os demais conheçam. Esse tom caseiro é dado também pelo caráter ágil e sencilho que Alice Ribeiro imprime à sua voz…
Alice Ribeiro (1920-1988) nasceu no Rio de Janeiro. Começou seus estudos de teoria musical e de piano com José Siqueira. Já o estudo de canto foi com Stella Guerra Duval e Murillo de Carvalho. Durante sua longa permanência na Europa frequentou o curso de alta interpretação da música francesa e alemã, com Pierre Bernac; a classe de Mise-en-scène, com Paul Cabanel, no Conservatório de Paris. Estudou repertório de música espanhola com Salvador Bacarisse.
Venceu concurso nacional de canto em 1936, com apenas 16 anos, realizando, desde então, inúmeras turnês nacionais e internacionais, particularmente nos Estados Unidos, França e nos países do leste europeu, notadamente na União Soviética. No Brasil, atuou como solista das Orquestras Sinfônicas do Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Distrito Federal, sob regência de Eugen Szenkar, Eric Kleiber, Hacha Horeinstein, Edoardo de Guarnieri, José Siqueira e outros (retirado de encarte do LP Alice Ribeiro na canção do Brasil).
Foi sucessora de Luis Cosme na cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Música.

Em tempo: esse disco foi um grande sucesso, um dos campeões de vendas na França no ano de seu lançamento. Só tem gente de muita categoria na execução das peças. Muito bom, mesmo!
Então… Ouça! Ouça!

Alice Ribeiro (1920-1988)
Chants du Brésil

1. Mulher Rendeira, de “O Cangaceiro” – atrib. Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento, 1908-1979)
2. A Casinha Paquenina – arr. José Siqueira (1907-1985)
3. Coco Peneruê – Waldemar Henrique (1905-1995)
4. Engenho Novo – Leopoldo Hekel Tavares (1896-1969)
5. Abaluaiê – Waldemar Henrique (1905-1995)
6. Acalanto – Ernani Braga (1888-1048) (letra Manoel Bandeira, 1886-1968)
7. Meu Engenho é de Humaita – José Siqueira (1907-1985)
8. Boi-bumbá – Waldemar Henrique (1905-1995)
9. Faixa bônus

Alice ribeiro, soprano
(sem informação da orquestra)
José Siqueira, regente
Paris, 1953

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José Siqueira (1907-1985) – Concerto nº1 para Violoncelo

MUITO, MAS MUITO BOM !!!

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Ah, Como José Siqueira era bom! Correção: É bom: sua música continua aqui, ainda que haja uma boa dificuldade em encontrá-la, tão intenso e proposital foi o alijamento que os seguidores do regime militar tentaram fazer com sua obra. Mas não nos abatamos, pois estamos aqui para celebrar, para repartir a beleza encontrada e a nós oferecida por Harry Crowl, que mais uma vez abre seu baú de tesouros e raridades.

 

Hoje temos em mãos, felizmente, o vibrante Concerto nº1 para Violoncelo. Peça ágil, difícil, toda ela aguda e sincopada, que judia bastante do solista. Com certeza José Siqueira não estava nem um pouco preocupado que estrangeiros, pouco familiarizados com os ritmos todos “quebradinhos” e gingados do Brasil, viessem um dia a executá-lo. E, se o fizessem, que dessem lá seu jeito!

Esta é uma obra muito mais regional do que étnica, portanto de caráter diferente das anteriores Xangô e Candomblé. O ritmo é muito mais decisivo no caráter geral da peça. O primeiro movimento já se inicia com o violoncelo em uma levada muito semelhante ao do repente e de outros ritmos bem característicos do sertão nordestino. Siqueira puxa para os registros agudos do violoncelo de forma tal a assemelhá-lo propositalmente com o som da rabeca. Segue-se um segundo movimento mais melancólico, mas de linda melodia, para finalizar o concerto novamente animado, agora com um coco gingado e pulsante. Que bela obra!

Um primor! Ouça!  Ouça! Ouça!

José Siqueira (1907-1985)
Concerto nº1 para Violoncelo e Orquestra

1. Allegro
2. Modinha
3. Côco

Iberê Gomes Grosso, violoncelo
Orquestra Sinfônica da Rádio MEC
José Siqueira, regente

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“Ôxe! Mas esse rapaz José Siqueira é arretado mesmo!”

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José Siqueira (1907-1985) – Xangô, Cantata Negra / O Carnaval no Recife

IM-PER-DÍ-VEL !!!
Com três exclamações!

Ah, já estava com saudades de colocar aquela bandeirinha do Brasil na frente do nome do compositor…

E para marcar este retorno, aposto que vos agradará por demais conhecer um tico da obra desse grande compositor de nossas terras, injustamente por nós pouco conhecido e que agora ganha no P.Q.P. a primeira postagem de obras exclusivamente suas (há uma obra sua no álbum do Sivuca, aqui)
José de Lima Siqueira (1907-1985), ou só José Siqueira, foi um prodígio que nasceu nas terras áridas da cidade de Conceição da Paraíba, no Vale do Piancó (terra também de Elba Ramalho). Filho de um mestre de banda da cidade, aprendeu logo cedo a tocar sax e trompete e, mudando-se para o Rio de Janeiro no serviço militar, em pouco tempo já integrava a Banda Sinfônica da Escola Militar. Não demoraria para que ingressasse no Instituto de Música do Rio de Janeiro e se graduasse em composição e regência. Teve uma carreira brilhante como regente, atuando em frente a orquestras de dezenas de países: Estados Unidos, Canadá, França, Portugal, Itália, Holanda, Bélgica e Rússia, entre outros. Foi ainda fundador de diversas corporações musicais, tais como a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, a Orquestra Sinfônica do Recife, Orquestra Sinfônica Nacional e a Orquestra de Câmara do Brasil. Foi também um dos fundadores da Ordem dos Músicos do Brasil e co-fundador da Academia Brasilieira de Música, sendo o patrono da Cadeira nº 8.
Por muitos anos lecionou na Escola de Música da atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas foi afastado pelo governo militar, que o aposentou precocemente, por ser ele declaradamente comunista. Por sorte, suas partituras foram recentemente doadas para a biblioteca da Escola de Música da UFRJ, que as está organizando e catalogando…
José Siqueira, como bom modernista e nacionalista, carrega suas peças com os sons da terra, puxa elementos de ritmos regionais, mostrando-nos o quão tênue é a linha que separa o dito “erudito” do “popular”, levando-nos a questionar se é que há tal linha, por tênue que seja. O LP desta postagem é uma marca dessa sua busca e há um feliz (felicíssimo) encontro e uma fusão de estilos. Em Xangô, parece que a orquestra caiu no terreiro ou que a umbanda invadiu a sala de concertos: a voz límpida e belíssima de Alice Ribeiro (que era esposa de José Siqueira), junto com os instrumentos da orquestra, se encontra com a percussão e com as vozes rasgadas do coro, bem à forma africana. Na sequência, O Carnaval no Recife se espraia no colorido e nos ritmos tão ricos de Pernambuco, Estado vizinho, colado à terra natal de Siqueira.

Uma joia! Ouça!

José Siqueira (1907-1985)
Xangô, Cantata negra para soprano, coro misto e orquestra

1. Toada para Exu
2. Toada para todos na linha de Umbanda
3. Toada para Ogum
4. Toada para Exu, na linha de Nagô
5. Toada para Ogum, na linha de Umbanda

Alice Ribeiro, soprano
Coro Brasiliana
Orquestra Sinfônica de Paris
José Siqueira, regente

O carnaval no Recife, Suíte de Bailado
1. Caboclinho
2. Maracatu
3. Frevo

Orquestra Sinfônica do Estado da URSS
José Siqueira, regente

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