Concerto nº1 para Violão – Dilermando Reis – obras de Radamés Gnattali (1906-1988), Oscar Lorenzo Fernandez (1897-1948), César Guerra Peixe (1914-1993), Leopoldo Hakel Tavares da Costa (1896-1969) e Agustín Barrios Mangoré (1885-1944); [Acervo PQPBach] [link atualizado 2017]

SHOW DE BOLA !!!

Queridos, queridos!

Hoje vou voltar à música brasileira (tá, tem uma paraguaia no fim, mas de ótima qualidade) com este instrumento que se adaptou tão bem em terras ibero-americanas, ganhando inúmeras formas de execução e se adaptando tão perfeitamente aos ritmos locais.

O mais provável é que o instrumento tenha se desenvolvido da viola portuguesa, parente não muito distante da alaúde, esta última trazida ao continente europeu pelos árabes. Os árabes, sempre os árabes… Viva os árabes! Tem tanto rastro da cultura deles na nossa até os dias de hoje…

Mas não vamos nos delongar muito sobre a história (que não deixa de ser fascinante) do violão e falemos do violonista. Eis que temos aqui, hoje, nada mais, nada menos que Dilermando Reis, que muito ouvinte castiço de clássicos torce o nariz quando se fala dele, mas que divulgou este instrumento como poucos e para quem Radamés Gnattali escreveu e dedicou o presente Concerto nº1 – belíssimo, por sinal – sinal do reconhecimento e da admiração do compositor pelo violonista.

Como o concerto só preenchera um lado do LP,  Dilermando não deixou por menos: fez uma seleção (e que seleção!) de obras brasileiras para violão erudito de Hekel Tavares, Lorenzo Fernandez e Guerra-Peixe, mais uma do paraguaio Augustín Barrios Mangoré, um dos papas do instrumento. Disso resultou um álbum de grande expressividade e de uma qualidade fenomenal.

Eu, se fosse você, não perdia a oportunidade de ouví-lo!

Ouça! Ouça! Deleite-se!

Dilermando Reis
Concerto nº1 e outras peças

Radamés Gnattali (Porto Alegre, RS, 1906 – Rio de Janeiro, RJ, 1988)
01. Concerto para Violão nº1, I. primeiro movimento
02. Concerto para Violão nº1, II. segundo movimento
03. Concerto para Violão nº1, III. terceiro movimento
Oscar Lorenzo Fernandez (Rio de Janeiro, RJ, 1897 – 1948)
04. Pequena Modinha
César Guerra Peixe (Petrópolis, RJ, 1914 – Rio de Janeiro, RJ, 1993)
05. Ponteado
Leopoldo Hakel Tavares da Costa (Satuba, AL, 1896 – Rio de Janeiro, RJ, 1969)
06. Ponteio
Agustín Barrios Mangoré (San Jua Bautista de las Misiones, Paraguai, 1885 – 1944)
07. La Catedral

Dilermando Reis, violão

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MP3  (81Mb)
FLAC  (148Mb)

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Bisnaga

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Leopoldo Hekel Tavares (1896-1969) – Concerto para Piano e Orquestra em Formas Brasileiras nº 2, André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado (1º disco da OSESP) [link atualizado 2017]

ES-TU-PEN-DO !!!

(postagem especial para o colega pequepiano Itadakimatsu, que desejou ardentemente este disco e não lhe dei… Agora o terá digitalizado)

Este disco é simplesmente fantástico: álbum antológico, histórico e com músicas arrebatadoras! De cair o queixo!

Pra começar, temos Eleazar de Carvalho (1912-1996), um dos grandes nomes da regência brasileira no século XX, comandando a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – OSESP – em sua fase heróica, pré-Neshling, no afã de se tentar, com todas as dificuldades que o mundo e o sistema político e de finaciamento impunham, formar uma orquestra de nível internacional.

Temos, para melhorar, duas peças primorosas de Leopoldo Hekel Tavares, mais um daqueles compositores negligenciados que a gente escuta e fica se indagando “como esse cara não ficou famoso?”.

Pois é… Hekel Tavares era mais um da geração de compositores brasileiros que buscava nas formas populares de estruturação musical fazer uma música erudita genuinamente brasileira, ao lado de caras como José Siqueira, Francisco Mignone, Guerra Peixe e, claro, um pouco antes, Villa-Lobos. Há, inclusive, muitas de suas canções que foram gravadas por cantores da MPB (até Fagner já gravou coisas dele…).

Aqui temos, então, o portentoso Concerto para Piano e Orquestra em Formas Brasileiras nº 2, com esse nome comprido que parece a bíblia, mas que tenta exprimir, já no título, toda a intenção nacionalista do compositor alagoano. é, acredito, também a peça de concerto mais executada e gravada dele e, antes de mais nada: é MARAVILHOSO !!! (com três exclamações!). A primeira vez que eu o ouvi, não consegui parar. Acho que escutei o concerto seguido, todo, umas cinco vezes. Não espere uma peça muito de vanguarda: a forma e a melodia se parecem mais com composições do alto romantismo, e não do modernismo, mas é de um vigor e de uma beleza arrebatadores! Digo aqui sem pestanejar: é o meu concerto para piano predileto. Há até um livro de 1996 de Fernando de Bortoli, intitulado Hekel Tavares – O mais lindo concerto para piano e orquestra, Daí dá para se ter uma ideia da inspiração do compositor. Há uma versão ainda melhor com o Arnaldo Cohen ao piano no Música Brasileira de Concerto (aqui).

André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado é um poema sinfônico em seis quadros de grande inspiração. Hekel Tavares se baseou no texto de Cassiano Ricardo (1895-1974) que narra a saga do encontro do personagem André de Leão com o Curupira. Tavares fez um movimento para cada estrofe da história de Cassiano Ricardo, procurando passar todas as sensações das situações que ocorrem (o encarte que está no arquivo tem o poema na íntegra). Uma espécie de Pedro e o Lobo, mas só que de brasileiríssimo texto e brasileira música, ainda que, como a anterior, mais calcada em moldes do romantismo. Do mesmo modo, muito bela, coisa de primeiríssima categoria.

Por fim, um puta disco! Estupendo! Não deixe de ouvir: seria um pecado mortal!

Leopoldo Hekel Tavares (Satuba, AL, 1896 – Rio de Janeiro, 1969)
Concerto para Piano e Orquestra em Formas Brasileiras nº 2
André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado

Concerto pra Piano e Orquestra em Formas Brasileira nº2
01. I. Modinha
02. II. Ponteio
03. III. Maracatu
André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado
04. 1º quadro (Andante con motto)
05. 2º quadro (tempo di marcia)
06. 3º quadro (Scherzo)
07. 4º quadro (andante ma non troppo)
08. 5º quadro (andante sostenuto)
09. 6º quadro (finale in modo di romanza)

Pietro Maranca, piano
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Eleazar de Carvalho, regente
São Paulo, 1982

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…Mas comente… O álbum é do @#%%@, merece umas palavrinhas…

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Alice Ribeiro – Oito Canções Populares Brasileiras – José Siqueira (1907-1985) e Hekel Tavares (1896-1969) [link atualizado 2017]

A bela Alice Ribeiro nos brinda mais uma vez com sua límpida voz, agora pela sétima vez no P.Q.P.Bach (tem as outras seis postagens aqui, ó). Gente competente volta sempre, e como ela gravou uma boa quantidade de LPs, vira e mexe podemos disponibilizar algo para nossos seletíssimos usuários-ouvintes.

Sabe aqueles álbuns que são todo-bonitinhos? É bem a característica deste aqui, com Oito Canções Populares Brasileiras. Tem um ar bucólico, com canções realmente populares, que mostram muito da cultura do Brasil, dos cânticos mais introjetados em nossas tradições, de seu formato, vocabulário e fraseado tão característicos. Belo. folclórico, até.

Alice Ribeiro, acompanhada por Murillo Santos ao piano, dota o disco desse ar simples, agreste. Abaixo colei uma pequena biografia da soprano:

Alice Ribeiro (1920-1988) nasceu no Rio de Janeiro. Começou seus estudos de teoria musical e de piano com José Siqueira. Já o estudo de canto foi com Stella Guerra Duval e Murillo de Carvalho. Durante sua longa permanência na Europa frequentou o curso de alta interpretação da música francesa e alemã, com Pierre Bernac; a classe de Mise-en-scène, com Paul Cabanel, no Conservatório de Paris. Estudou repertório de música espanhola com Salvador Bacarisse.
Venceu concurso nacional de canto em 1936, com apenas 16 anos, realizando, desde então, inúmeras turnês nacionais e internacionais, particularmente nos Estados Unidos, França e nos países do leste europeu, notadamente na União Soviética. No Brasil, atuou como solista das Orquestras Sinfônicas do Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Distrito Federal, sob regência de Eugen Szenkar, Eric Kleiber, Hacha Horeinstein, Edoardo de Guarnieri, José Siqueira e outros (retirado de encarte do LP Alice Ribeiro na canção do Brasil).
Foi sucessora de Luis Cosme na cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Música.

Ah, agradecimentos re-reiterados e mais que especiais ao maestro Harry Crowl, que nos cedeu essa pérola!

O disco é lindo! Ouça, ouça, ouça!

Alice Ribeiro (1920-1989)
Oito Canções Populares Brasileiras

Leopoldo Hekel Tavares (1896-1969), arr. José Siqueira (1907-1985)
01. Benedito Pretinho
José Siqueira (1907-1985)
02. Vadeia, Cabocolinho
03. Loanda
04. Maracatu
Domínio popular, arr. José Siqueira (1907-1985)
05. Foi numa noite calmosa
06. Nesta rua
07. Dança do sapo
08. Natiô

Alice Ribeiro, soprano
Murillo Santos, piano
1958

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…Mas comente: não me deixe só nesse espaço infinito…

Bisnaga

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Alice Ribeiro: Chants du Brésil – Ernani Braga (1888-1948), Hekel Tavares (1896-1969), Waldemar Henrique (1905-1995), José Siqueira (1907-1985) e Zé do Norte (1908-1979) [link atualizado 2017]

Demais esse LP !!

Chants du Brésil é uma pequena coleção (são apenas 8 músicas) lançada na França com canções brasileiras de compositores contemporâneos (naquele ano de 1953), em sua maioria eruditos, baseadas em temas populares do Brasil. Ela foi organizada, arranjada e regida pelo maestro José Siqueira, grande panfletário da música brasileira, e tem nos solos a doce voz da soprano Alice Ribeiro, que aqui no P.Q.P. Bach já nos deu o ar de sua graça em peças mais pesadas, densas e corpulentas: o Cangerê (aqui) de Baptista Siqueira, e Xangô (aqui) e Candomblé (aqui), de seu marido José Siqueira.

Aqui, em Chants du Bresil (não se engane, esta obra é mais antiga que as citadas) o caráter geral é bem mais leve que as demais: Alice Ribeiro é acompanhada por uma orquestra de câmara e há um clima caseiro, até jocoso. Boa parte dessas músicas eu aposto que vocês já ouviram suas mães ou avós cantarem. Tal é o grau de sintonia que todos os compositores aí contemplados tinham com a cultura popular e a maestria melódica que possuíam que essas canções se tornaram de domínio público, como se existissem há séculos…

É um álbum todo de canções curtas, porém, belas e singelas, de muita graciosidade, como se fosse uma caixinha de joias de família que um dia se abre para que os demais conheçam. Esse tom caseiro é dado também pelo caráter ágil e sencilho que Alice Ribeiro imprime à sua voz…
Alice Ribeiro (1920-1988) nasceu no Rio de Janeiro. Começou seus estudos de teoria musical e de piano com José Siqueira. Já o estudo de canto foi com Stella Guerra Duval e Murillo de Carvalho. Durante sua longa permanência na Europa frequentou o curso de alta interpretação da música francesa e alemã, com Pierre Bernac; a classe de Mise-en-scène, com Paul Cabanel, no Conservatório de Paris. Estudou repertório de música espanhola com Salvador Bacarisse.
Venceu concurso nacional de canto em 1936, com apenas 16 anos, realizando, desde então, inúmeras turnês nacionais e internacionais, particularmente nos Estados Unidos, França e nos países do leste europeu, notadamente na União Soviética. No Brasil, atuou como solista das Orquestras Sinfônicas do Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Distrito Federal, sob regência de Eugen Szenkar, Eric Kleiber, Hacha Horeinstein, Edoardo de Guarnieri, José Siqueira e outros (retirado de encarte do LP Alice Ribeiro na canção do Brasil).
Foi sucessora de Luis Cosme na cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Música.

Em tempo: esse disco foi um grande sucesso, um dos campeões de vendas na França no ano de seu lançamento. Só tem gente de muita categoria na execução das peças. Muito bom, mesmo!
Então… Ouça! Ouça!

Alice Ribeiro (1920-1988)
Chants du Brésil

1. Mulher Rendeira, de “O Cangaceiro” – atrib. Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento, 1908-1979)
2. A Casinha Paquenina – arr. José Siqueira (1907-1985)
3. Coco Peneruê – Waldemar Henrique (1905-1995)
4. Engenho Novo – Leopoldo Hekel Tavares (1896-1969)
5. Abaluaiê – Waldemar Henrique (1905-1995)
6. Acalanto – Ernani Braga (1888-1048) (letra Manoel Bandeira, 1886-1968)
7. Meu Engenho é de Humaita – José Siqueira (1907-1985)
8. Boi-bumbá – Waldemar Henrique (1905-1995)
9. Faixa bônus

Alice ribeiro, soprano
(sem informação da orquestra)
José Siqueira, regente
Paris, 1953

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