Camille Saint-Säens (1835-1921) – Concerto No. 2 in G minor, Op. 22, César Franck (1822-1890) – Symphonic Variations e Franz Liszt (1811-1886) – etc

Camille Saint-Säens (1835-1921) – Concerto No. 2 in G minor, Op. 22, César Franck (1822-1890) – Symphonic Variations e Franz Liszt (1811-1886) – etc

Lembrei do Rubinstein esses dias… após o Roger Waters (Pink Floyd) se posicionar sobre a grave situação brasileira, se arriscando a levar vaias de parte da classe média paulistana e do nosso digníssimo Ministro da Cultura, que disse: “A gente não consegue mais ir a um show ou ver um filme sem que haja algum tipo de manifestação política.”

Deixo vocês com uma reportagem de 1964 e em seguida com a postagem original do Carlinus sobre um dos grandes pianistas do século XX. Rubinstein, Roger Waters e o ministro de Temer, quem será que está certo?

Músicos protestam contra a exclusão de negros das salas de concerto

O pianista Julius Katchen, que toca frequentemente na Europa e na Ásia, disse que a segregação é “uma fonte profunda de vergonha e constrangimento” para os norte-americanos no exterior.

Com o projeto de lei dos direitos civis agora no Congresso*, ele afirmou, “torna-se o dever de todos os artistas se recusarem a tocar em auditórios onde políticas de segregação são praticadas”.

Apesar de Arthur Rubinstein não ter chegado tão longe a ponto de endossar um boicote organizado, ele disse que os jovens artistas que se manifestaram contra a segregação deram “um passo certo e natural”.

Os perigos para uma sociedade livre, ele disse, são “apatia e complacência” em face da injustiça. Rubinstein disse que, como judeu, ele experimentou pessoalmente as consequências dolorosas do preconceito.

Ele discordou fortemente de uma declaração do pianista alemão Hans Richter Haaser de que os músicos deveriam se distanciar dos problemas raciais e políticos. “Os músicos também são seres humanos”, disse Rubinstein, “e eles têm a mesma responsabilidade moral que todo mundo em relação à sua sociedade.”

(Canadian Jewish Review, May 8, 1964, p.5)

*A Lei dos Direitos Civis (Civil Rights Act, em inglês), que pôs fim aos diversos sistemas de segregação racial, foi promulgada em 2 de julho de 1964

Esta série da RCA é espantosa. Têm gravações absurdas. Coisas realmente atordoantes. E este CD, por exemplo, que ora posto, é maravilhoso. A qualidade do áudio é ímpar.

Acredito que tenha mais de um ano que eu queria postá-lo. O disco possui um conjunto que dispensa comentários. Três compositores que souberam impingir um traço fantástico ao piano – Saint-Saëns, Franck e Liszt. Ou seja, o melhor que se produziu na segunda metade do século XIX. E ao piano, Arthur Rubinstein, um dos maiores pianistas e virtuoses do século XX. Das peças do post, gosto particularmente do Concerto No. 2 de Saint-Saëns. A obra é repleta de passagens belíssimas.  Um bom deleite!

Camille Saint-Säens (1835-1921) – Concerto No. 2 in G minor, Op. 22
01. Andante sostenuto
02. Allegro scherzando
03. Presto

César Franck (1822-1890) – Symphonic Variations
04. Poco allegro
05. Allegro non troppo

Franz Liszt (1811-1886) – Concerto No. 1 in E Flat*
06. Allegro maestoso
07. Quasi adagio
08. Allegretto vivace
09. Allegro marziale animato

Symphony of the Air
*RCA Victor Symphony Orchestra

Alfred Wallenstein, regente
Arthur Rubinstein, piano

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Rubinstein imitando o ministro da “cultura” de Temer

Carlinus
Repostagem por Pleyel

Franz Liszt (1811–1886): Rapsódias Húngaras e Rapsódia Espanhola

Franz Liszt (1811–1886): Rapsódias Húngaras e Rapsódia Espanhola

R-11425891-1516116288-8890.jpegFranz Liszt (1811 – 1886) idealizou as Rapsódias Húngaras como uma espécie de coletânea das melodias nacionais húngaras, desejava criar o que ele chamava de “epopeias ciganas”. Liszt compôs a primeira em 1846, aos 35 anos de idade, e a última em 1885, aos 74 anos. A maioria de suas rapsódias húngaras são fundamentadas na forma da dança cigana, conhecida como czardas. Quase cento e cinquenta anos depois da última composição elas são indiscutivelmente populares. Nelas encontramos o contraste entre a musicalidade séria e o exibicionismo virtuoso, que tornou o próprio Liszt tão fascinante. A fim de coletar músicas ciganas e absorver o sabor forte de seus ritmos, o lento orgulho do lassan e o frenesi selvagem do friska, Liszt visitou acampamentos ciganos, fez muito mais do que usar apenas as czardas. Ele milagrosamente recriou no piano as características de uma banda cigana, com seu violino solo e o irresistível e suave efeito percussivo do cimbalom, a cítara húngara. Ora há algo selvagem e apaixonado em sua música … ora há tons de profunda melancolia, uma dor de cortar o coração e um desespero selvagem, que o ouvinte é involuntariamente levada por estas envolventes melodias. O gênio de Liszt teve a sensibilidade de reunir canções que poderiam estar unidas em um corpo homogêneo, uma obra completa, suas divisões dispostas de tal maneira que cada canção formaria de uma só vez um todo e uma parte, que poderia ser separada do resto e ser examinada e desfrutada”, cada melodia individualmente, mas que, no entanto, pertenceria ao todo pela estreita afinidade, a similaridade e a unidade do desenvolvimento .

Rapsódias Húngaras

Rapsódia Húngara No.1 (composto 1846; publicado em 1851). Imponente, grandiosa e retórica, a primeira rapsódia faz uso de três canções húngaras com muitas elaborações pianísticas e mudanças harmônicas.
Rapsódia Húngara No.2 (composto 1847; publicado em 1851). A segunda rapsódia é a mais conhecida das dezenove. Começa grandiosamente e heroicamente. Liszt recria no piano em um ponto o som do cimbalo, em outros sugerindo o violino cigano brilhante e impetuoso. Liszt escreveu sobre sua escolha de título: “Pela palavra Rapsódia, a intenção tem sido designar o elemento fantasticamente épico que consideramos que esta música contém … O nômade Cigano, embora se debatendo em diversos países e cultivando sua arte em outros países, foi no solo húngaro que veio a verdadeira valorização de sua música.
Rapsódia Húngara No.3 (publicado em 1853). A terceira rapsódia está entre as mais curtas, assemelha-se a sons de sino bem afinado e foi mais tarde usada livremente por Busoni e Messiaen, entre outros.
Rapsódia Húngara No.4 (publicado em 1853). Liszt escolheu temas baseados na música de Antal Gybrgy Csermolk, um talentoso compositor húngaro de música de câmara, a habilidade de Liszt de dar ao piano um som orquestral é revelada nesta rapsódia, com seus acordes ricos e deslumbrantes, padrões que cobrem toda a gama do teclado.
Rapsódia Húngara No.5 (publicado em 1853). De acordo com musicólogos, a quinta rapsódia é um arranjo livre de uma dança húngara de Jozsef Kossovits, essa Elegia “Heroica” (Heroide-elegiaque é o subtítulo impresso) é diferente das outras rapsódias. Temas lembrando a Marcha Fúnebre de Chopin e o “Estudo Revolucionário” sugerem que o tema desta elegia era na verdade dedicada ao amado amigo de Liszt, que morreu em 1849.
Esta rapsódia para mim tem uma conecção especial, há muito tempo quando na TV passava todos os domingos de manhã um programa que se chamava “Concertos para a Juventude” Roberto Szidon sempre aparecia nos programas tocando alguma peça e nos intervalos ele aparecia numa propaganda de piano tocando uma melodia linda e que ficou gravada na minha memória, alguns anos depois descobri ser a terceira parte desta rapsódia, corri na “Casa Amadeus” no centro de São Paulo e comprei a partitura desta rapsódia, que ainda sei tocar (veja bem… tocar, não interpretar, isto apenas para os grandes….rs).
Artigo45-5Rapsódia Húngara No.6 (publicado em 1853). A sexta rapsódia é um arranjo magistral de quatro canções húngaras populares. Liszt começa com um ritmo de marcha, procedendo através de um Presto curto e alegre para um desenvolvimento de oitava brilhante.
Rapsódia Húngara No.7 (publicado em 1853). A sugestão de que a sétima rapsódia deva ser tocada em “um estilo cigano desafiador e melancólico” é uma pista ampla de seu caráter. Consiste em uma introdução lenta improvisada seguida por uma seção principal que consiste em quatro temas populares e uma recapitulação. O tema da Friska é particularmente sedutor, trabalhado no estilo tipicamente virtuoso de Liszt.
Rapsódia Húngara No.8. (publicado em 1853). A oitava rapsódia é cheia de ornamentação luxuosa e efeitos que simulam o cimbalo. Esta rapsódia é o trabalho final no primeiro livro publicado, com elementos lentos e rápidos que levam a um clímax final. Às vezes chamado de Capriccio, o principal motivo alegro desta rapsódia foi usado também por Liszt em seu poema sinfônico Hungaria (1856).
Rapsódia Húngara No.9 (publicada em 1853). Conhecida como Carnaval de Pesth, Liszt criou uma das suas rapsódias mais longas e brilhantes. É um maravilhoso caleidoscópio de melodias de dança húngaras e um trabalho de enormes dificuldades técnicas e extenso conteúdo musical, especialmente no final elaborado.
Rapsódia Húngara No.10 (publicado em 1853). Os efeitos de filigrana predominam na décima rapsódia como uma forma alternativa e desafiadora (preferida por Liszt), mas evitada por alguns virtuoses. O tema era da Egressy, embelezado pelos suaves glissandos ascendentes e descendentes de Liszt.
Rapsódia Húngara No.11 (publicado em 1853). As figurações do cimbalo produzem um novo jogo de sonoridades nesta surpreendentemente curta rapsódia número 11. Em um clima de intimidade, em vez de ofuscar, instrumentos de cordas são sugeridos no rápido Vivace assai.
Rapsódia Húngara No.12 (publicado em 1853). Liszt dedicou a rapsódia número 12, uma das mais elaboradas, ao distinto violinista húngaro Joachim, usando uma conhecida melodia húngara. A melodia ouvida em fortes uníssonos é uma czarda atribuída ao compositor e violinista húngaro Mark Rozsavolgyi, enquanto o tema Allegro zingarese foi composto pelo compositor cigano Janos Bihari.
Rapsódia Húngara No.13 (publicado em 1853). Embora esta rapsódia ser a menos executada, é musicalmente uma das mais interessantes, com uma seção lenta amplamente desenhada, um vivace animado e um final brilhante. Depois de escalas ciganas húngaras na abertura lenta, Liszt cita as canções populares húngaras.
Rapsódia Húngara No.14 (publicado em 1853). Estas é talvez uma das mais populares de todas, também usado por Liszt como a famosa Rapsódia para orquestra n º 1 e numa versão para piano e orquestra, como a Fantasia Húngara.
Rapsódia Húngara No.15(Rakoczy March) (publicado em 1871). A rapsódia número 15 é mais conhecida como a Marcha Rakoczy. Esta mesma marcha foi usada por Berlioz em sua condenação do Fausto. Foi originalmente obra de Michael Barna, escrito em homenagem ao príncipe Francis Rakoczy, herói histórico da revolta húngara do século XVIII contra a Áustria. Continua a ser um símbolo da liberdade húngara e do orgulho nacional.
Rapsódia Húngara No.16 (composto 1882; publicado em 1882). Uma poderosa fanfarra de oitavas leva à introdução lenta. Progressões harmônicas sutis caracterizam esta rapsódia, composta por ocasião de um festival de Budapeste em homenagem a Munkacsy, um amigo próximo que também pintou um famoso retrato do compositor. Este trabalho é construído em torno de um único motivo melódico que gira em torno de uma nota central.
Rapsódia Húngara No.17 (publicado em 1882). Semelhante a anterior aesta rapsódia usa um acorde ou um tema cromaticamente alterado e depois repetido em sua forma original. Desde sua abertura, o impulso básico e o humor do trabalho permanecem sombrios.
Rapsódia Húngara No.18 (composto 1885; publicado em 1885). Liszt a compôs por ocasião da Exposição Nacional Húngara, e foi publicada pela primeira vez em um álbum intitulado “Album de Exposição de Compositores Húngaros”. A abertura Lassan é marcada e lenta. Depois de aproximadamente cinquenta compassos, o rápido Friska aparece em figuras ligeiras na mão direita. A música da demonstra a simplicidade cigana.
Rapsódia Húngara No.19 (composto 1885; publicado em 1886). Liszt explora um território harmônico mais desconhecido. Antecipando, talvez, as linhas dos compositores do início do século XX. O trabalho é repleto de passagens cintilantes em terças e cadências, excelente exemplo do estilo tardio de improvisação de Liszt, sondando novos efeitos harmônicos.
Rapsódia Espanhola (composto em em 1863). Em 1863 Liszt entrou no mosteiro de Madonna del Rosario de Roma e dois anos antes ele aceitou ordens religiosas menores. Longe de haver qualquer impulso religioso para este trabalho, a rapsódia espanhola pode ser comparada a um retrato musical de Espanha e Portugal, onde, mais de vinte anos antes, ele havia começado uma turnê de seis meses passando por Lisboa, Madri e Sevilha. Duas melodias tradicionais que Liszt teria ouvido na península ibérica são centrais para este exigente trabalho de piano e ambos são nomeados no subtítulo da obra: “Folies d’Espagne et Jota Aragonesa”. Essas melodias fornecem a base para um trabalho virtuoso construído sobre o princípio da variação, sua transformação temática a um mundo distante de suas fontes renascentistas. Depois de uma grande abertura florescer, um primeiro grupo de variações começa à maneira de uma passacaglia, em “La Folia” – uma dança cortês – cada variação sendo superada pela próxima em imaginação e desenvoltura. A variação final, identificada por números de escala rapidamente ascendentes, funde-se na envolvente “Jota Aragonesa”. Essa ideia mais rápida aparece inicialmente sobre um acompanhamento evocando castanholas e saias rodopiantes, e pode ser ouvida principalmente no agudo do piano. Depois de uma pausa, o que parece ser um terceiro tema, com seu ritmo de parada, é na verdade o começo de outro grupo de variações sobre “La Folia”, agora explorando um território harmônico de longo alcance e concluindo com uma grande reprise do “Jota”. Uma breve cadência, em terços cromáticos, anuncia uma seção conclusiva onde Liszt alterna os dois temas, culminando em um reaparecimento final e triunfante de “La Folia”. Uma fantástica obra!

franz-listzAs Rapsódias Húngaras estabeleceram um perfil em que a incisividade e o exagero do espaço deveriam substituir a musicalidade. Em vez de músico, o pianista deveria desempenhar o papel de um gladiador em cena, um atributo típico dos últimos anos do romantismo tardio. Essas são as principais virtudes destas peças para piano, carregadas de musculatura expansiva, arpejos cintilantes e sonoridade teatral. Para satisfazer as grandes multidões do século XIX, o piano teve que ser martelado para obter os aplausos necessários. Neste sentido as interpretações de Roberto Szidon (1941 – 2011) são soberbas ! Para mim é o melhor conjunto completo das rapsódias já gravado. Claro que em peças individuais Horowitz ou Cziffra dão um show ímpar. Porém para mim este conjunto das dezenove rapsódias húngaras e sobretudo na rapsódia espanhola Szidon é soberano. Seu som forte e sua aparente “mão pesada” alternadas com passagens que pedem muita sutiliza fazem parte das rapsódias húngaras, pois elas precisam disso para garantir a sensação petulante de onipresença. Liszt era a personificação do som estrondoso, pitoresco, virtuoso. A interpretação de Szidon é altamente criativa com personalidade muito marcante. As peças de Liszt pedem um talento que seja multidimensional, e Szidon está magnífico em quase todas as rapsódias. Um trabalho digno de um dos melhores músicos que este país já gerou. Muitos são os pianistas brasileiros que têm lugar cativo entre os principais nomes da música mundial. Grande parte deles, desconhecidos do público de seu próprio País, são admirados por onde quer que se apresentem e figuram no panteão dos deuses do instrumento. Poucos, no entanto, tiveram uma carreira fonográfica tão bem-sucedida quanto o gaúcho Roberto Szidon. Esta gravação das 19 “Rapsódias Húngaras”, de Franz Liszt, nunca saiu de catálogo, relançadas em diversos formatos desde a aparição inicial, nos tempos do LP, em 1973, considerada uma das referências de excelência da obra, ao lado dos registros do mítico György Cziffra (1921-1994).
Apreciem sem moderação !

Franz Liszt (1811 – 1886): Raspsódias Húngaras e Rapsódia Espanhola

CD1
1 – Rapsódia Húngara No. 1
2 – Rapsódia Húngara No. 2
3 – Rapsódia Húngara No. 3
4 – Rapsódia Húngara No. 4
5 – Rapsódia Húngara No. 5
6 – Rapsódia Húngara No. 6
7 – Rapsódia Húngara No. 7
8 – Rapsódia Húngara No. 8
9 – Rapsódia Húngara No. 9
10 – Rapsódia Húngara No. 10

CD2
1 – Rapsódia Húngara No. 11
2 – Rapsódia Húngara No. 12
3 – Rapsódia Húngara No. 13
4 – Rapsódia Húngara No. 14
5 – Rapsódia Húngara No. 15
6 – Rapsódia Húngara No. 16
7 – Rapsódia Húngara No. 17
8 – Rapsódia Húngara No. 18
9 – Rapsódia Húngara No. 19
10 – Rapsódia Espanhola

Piano – Roberto Szidon, gravação original de 1973 – remasterizada em CD – 1988

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Roberto Szidon na época das gravações - 1975
Roberto Szidon na época das gravações – 1975

Mozart / Berg / Liszt / Bartók: Resonances

Mozart / Berg / Liszt / Bartók: Resonances

815hU4e50XL._SY355_Hélène Grimaud é uma boa pianista. Não é daqueles pianistas da absoluta primeira linha, mas ela tem algo muito peculiar e importante: é uma notável escolhedora de repertório. Ela quase sempre pinça obras importantes de diferentes compositores que acabam por se combinar maravilhosamente. A Sonata de Liszt é grandiosa, sensacional. Por incrível que pareça, a peça do romântico fica ainda mais linda após Berg e precedendo Bartók. Não amei o Mozart de Grimaud, mas o CD para facilmente em pé. Vale a audição, ô, se não vale.

Mozart / Berg / Liszt / Bartók: Resonances

Mozart — Piano Sonata No. 8 In A Minor K. 310 (300d)
1 1. Allegro Maestoso 7:55
2 2. Andante Cantabile Con Espressione 10:22
3 3. Presto 2:55

Berg — Piano Sonata Op. 1
4 Piano Sonata Op. 1 – Mäßig Bewegt 11:37

Liszt — Piano Sonata In B Minor S 178
5 Piano Sonata In B Minor S 178 – Lento Assai – Allegro Energico – Grandioso – Recitativo – Andante Sostenuto – Allegro Energico – Andante Sostenuto – Lento Assai 30:13

Bartók — Román Népi Táncok BB 68
6 1. Joc Cu Bâtă 1:09
7 2. Brâul 0:28
8 3. Pe Loc 1:05
9 4. Buciumeana 1:23
10 5. Poargă Românască 0:29
11 6. Măruntel 0:59

Hélène Grimaud, piano

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Grimaud: ah, as francesas... Impossível não se apaixonar.
Grimaud: ah, as francesas… Impossível não se apaixonar.

PQP

Shostakovich, Liszt, Prokofiev: Concertos para Piano Nº uns

Shostakovich, Liszt, Prokofiev: Concertos para Piano Nº uns

A pianista Lise de la Salle (1988) está entre as novas estrelas da música erudita. É daquelas mais ou menos bonitinhas. As gravadoras que exploram a imagem dos artistas devem ficar meio decepcionadas com a excelente Lise. Ela se sai muito bem no Shosta e no Liszt, mas não vai tão bem assim no Prokofiev. Não adianta, a gravação que o FDP postou com a integral dos concertos do ucraniano é muito melhor. O legal do CD é o programa. Dois excelentes concertos com um Liszt bem ruinzinho no meio. É um refresco meio sem gosto entre os russos (ou entre o russo e o ucraniano, ambos soviéticos). Funciona como um adágio fraquinho entre dois movimentos rápidos e cheios de vida. Bem, não gosto de quase nada de Liszt e alguns podem discordar fortemente de mim. Todos os concertos são Nº 1… Na boa, por que ela não colocou Primeiro Concerto para Piano do Tchai, muito melhor que o do Liszt? Seria uma estupenda trinca!

Shostakovich, Liszt, Prokofiev: Concertos para Piano Nº uns

1. Shostakovich: Concerto No. 1 for piano, trumpet and strings in C minor, opus 35 – Allegro
2. II Lento
3. III Moderato
4. IV Allegro con brio

5. Liszt: Piano Concerto No.1 in E flat major, s.124 – Allegro maestoso
6. II Quasi adagio
7. III Allegro vivace – allegro animato
8. IV Allegro marziale animato

9. Prokofiev: Piano Concerto No.1 in D flat major, opus 10 – Allegro brioso
10. II Andante assai
11. III Allegro scherzando

Lise de la Salle, piano
Libson Gulbenkian Foundation Orchestra
Lawrence Foster

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Tava guardando o de Tchai para depois, PQP...
Tava guardando o de Tchai para depois, PQP…

PQP

Franz Liszt (1811-1886) – Poemas Sinfônicos, Prelúdios e Fugas para órgão

coverO organista e compositor francês Jean Guillou pode ser comparado ao pianista Glenn Gould em alguns aspectos. É um artista com ideias únicas sobre performance: usa registros de som pouco convencional, fugindo das limitações das interpretações historicamente corretas.

Neste CD aparecem os dois aspectos de Liszt: o virtuose e o místico. Além de ter transcrito dois poemas sinfônicos de Liszt para o órgão, Guillou editou sua versão “sincrética” da Fantasia e Fuga sobre o tema B.A.C.H. Liszt havia publicado a obra em três versões, duas para órgão e uma para piano: Guillou utiliza no órgão alguns dos trechos mais virtuosos da versão para piano, com um resultado extremamente difícil tecnicamente.

A Fantasia e Fuga “Ad nos, ad salutarem undam” se baseia em um coral da ópera Le prophète, de Giacomo Meyerbeer.

A forma “Poema Sinfônico” foi inventada por Liszt: são obras programáticas em um único movimento: associadas a ideias extra-musicais derivadas da literatura, da pintura, da natureza, etc. Liszt acreditava na unidade das artes.

Os dois poemas sinfônicos escolhidos por Guillou evocam personagens heroicos da Grécia antiga, extremamente místicos: Prometeu, ao ensinar o uso do fogo, permitiu que homem ameaçasse os deuses. Orfeu, além de inventar os mistérios de Dionísio – cultos em que o uso do vinho levava a um estado transcendental e místico – era músico e poeta, tocava lira, foi ao mundo dos mortos e voltou. Prometeu é representado por Liszt de forma titânica, enquanto a harpa, sucessora moderna da lira, tem destaque na orquestração original de Orfeu, transcrita para o órgão por Guillou de forma bastante original. Finalizo com dois textos sobre os personagens gregos:

Conta a lenda que Prometeu, após ter roubado o fogo do Olimpo para presenteá-lo aos mortais, foi punido por um Zeus furibundo e vingativo. Os suplícios que Zeus aplica a seus desafetos são um manual prático de crueldade e sadismo e com Prometeu, o ladrão do fogo, a fúria divina também se manifesta em todo o esplendor de sua violência. O titã transgressor é acorrentado por Hefesto a uma rocha, para em seguida ser submetido a uma tortura infinda: uma águia almoça todos os dias o seu fígado, em carne viva, e a cada novo dia o fígado se regenera, sendo novamente devorado. Este mito grego é um daqueles que teve mais profundas repercussões na história da cultura – tendo sido material inspirador da dramaturgia grega clássica (a Prometeu era dedicada uma trilogia trágica de Ésquilo, apenas parcialmente conservada), da poesia (com destaque pros versos de Percy Shelley e Goethe), da pintura (inesquecíveis as imagens de Peter Paul Rubens e Dirck van Baburen) etc.

Também é Prometeu quem Hans Jonas invoca ao iniciar esta obra crucial da filosofia do século XX, O Princípio Responsabilidade: “O Prometeu definitivamente desacorrentado, ao qual a ciência confere forças antes inimagináveis e a economia o impulso infatigável, clama por uma ética que, por meio de freios voluntários, impeça o poder dos homens de se transformar em uma desgraça para eles mesmos. A tese de partida desse livro é que a promessa da tecnologia moderna se converteu em ameaça…”

Ora, Hans Jonas (…) reflete fundamentalmente sobre o efeito da tecnologia sobre as civilizações e com a imagem do Prometeu desacorrentado põe em evidência o perigo, o risco, a ameaça, de um poder titânico, desenfreado, que pode exagerar na dose de seu intervencionismo dominador e transfigurador. O filho do Prometeu desacorrentado é o Antropoceno. (…)

Já que pesa sobre nós, que vivemos na época do Prometeu desacorrentado, a “ameaça de um futuro terrível”, devemos ser prudentes e assumir o dever irrecusável de responsabilidade diante do futuro da vida. Um dos maiores problemas, porém, é que “aquilo que não existe não faz reivindicações”, como escreve Jonas pensando nas futuras gerações, cuja voz ainda não ouvimos mas que nossa conduta presente pode estar lesando. Em nossas escolhas e ações, individuais e coletivas, devemos respeitar o “direito daqueles que virão e cuja existência podemos desde já antecipar”. Devemos ouvir, desde já, as vozes daqueles que ainda estão por nascer. A ética, como formulada por Hans Jonas, precisa considerar “a possível acusação de nossas vítimas futuras”.

(Do site A casa de vidro)

Orfeu é uma figura obscura, mas interessante. Alguns sustentam que ele era um homem de verdade, outros que ele era um deus ou um herói imaginário. Tradicionalmente, ele veio da Trácia, como Dionísio, mas parece mais provável que ele (ou o movimento associado ao seu nome) tenha vindo de Creta, com influência do Egito.

Qualquer que tenha sido o ensinamento de Orfeu (se ele existiu), o ensinamento dos órficos é bem conhecido. Eles acreditavam na transmigração das almas; eles ensinaram que a alma poderia alcançar felicidade eterna ou sofrer tormento eterno ou temporário de acordo com o seu modo de vida aqui na Terra. Eles buscavam tornar-se “puros”, em parte em cerimônias de purificação, em parte evitando certos tipos de contaminação. Os mais ortodoxos entre eles se abstinham de comida de de origem animal, exceto em ocasiões rituais.

(Bertrand Russell)

Liszt by Jean Guillou
1. Symphonic Poem “Prometheus” S.639
2. Prelude and Fugue on B.A.C.H., Syncretic Version S.260
3. Symphonic Poem “Orpheus” S.638
4. Prelude and Fugue on “Ad nos, ad salutarem undam” S.259

1-3: Órgão Kleuker (1978) de Notre-Dame-des-Neiges, L’Alpe d’Huez, França
4: Orgue Marcussen (1973) da Laurenskerk, Rotterdam, Holanda

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Prometeu por Peter Paul Rubens (1577-1640)

Pleyel

Tchaikovsky / Liszt: First Piano Concertos

Tchaikovsky / Liszt: First Piano Concertos

Pouca coisa deu certo aqui… A pianista Ott nasceu em Munique, na Alemanha, em 1988. Sua mãe é japonesa e estudou piano em Tóquio. Seu pai era um engenheiro civil alemão. Ela gravou esse álbum parcialmente ao vivo (Tchaikovsky) em sua cidade natal, com a soberba Orquestra Filarmônica de Munique sob a batuta de Thomas Hengelbrock, conhecido como um intérprete moderno com ideias fortes. Tão fortes quanto estranhas, na minha opinião. Os dois concertos são trabalhos que acompanharam Alice desde a juventude. Ela tocou o de Liszt pela primeira vez quando tinha 14 anos e o de Tchaikovsky aos 17. Eu acho que estas peças devem ser tocadas com absoluta paixão e é o que falta nesta gravação. O tempo no primeiro movimento do Tchai, por exemplo, é muito lento, o que tira seu efeito dramático, tão necessário neste concerto. Mais: há pouca conexão entre a orquestra e a solista. Um não responde ao outro. A orquestra deixa de ser suporte e passa a ser um devaneio meio perdido. No Tchai, fique com Gilels / Reiner, Richter / Mravinsky ou Rudy / Jansons. No Liszt, com Arrau / Ormandy, Richter / Kondrashin, ou Hough / Litton para citar uns poucos. Esqueça esta gravação.

Tchaikovsky / Liszt: First Piano Concertos

Tchaikovsky
Piano Concerto No.1 In B Flat Minor, Op.23

1. Allegro Non Troppo E Molto Maestoso – Allegro Con Spirito 20:57
2. Andantino Semplice – Prestissimo – Tempo I 7:00
3. Allegro Con Fuoco 7:01

Liszt:
Piano Concerto No.1 In E Flat, S.124

4 Allegro Maestoso 5:53
5 Quasi Adagio – Allegretto Vivace – Allegro Animato 9:30
6 Allegro Marziale Animato – Presto 4:22

Alice Sara Ott, piano
Munich Philharmonic Orchestra
Thomas Hengelbrock

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Alice Sara Ott: um passo em falso, talvez causado pelo regente de ideias equivocadas
Alice Sara Ott: um passo em falso, talvez causado pelo regente de ideias equivocadas

PQP

Beethoven, Liszt, Chopin: Obras para piano e violoncelo ao vivo (Maria João Pires, A. Meneses, P. Gomziakov)

Pires-MenesesAlgumas obras para violoncelo e piano são diálogos contrapontísticos densos, podendo soar alegres e até dançantes nos movimentos mais rápidos, por exemplo as Sonatas de Beethoven e de Brahms para os dois instrumentos ou as Sonatas para Viola da Gamba e Cravo de Bach (tocadas por violoncelo e piano). E há outras obras em que os sons graves do violoncelo são usados para expressar sentimentos de difícil tradução em palavras ou em sons, próximos da melancolia, do ennui francês, do spleen britânico ou das saudades brasileiras. As obras de Liszt e Chopin aqui presentes se enquadram no segundo caso. Ao piano, Maria João Pires, portuguesa conhecida por seu toque delicado e sutil. Seus parceiros no violoncelo são o veterano brasileiro Antonio Meneses e o jovem russo Pavel Gomziakov. As gravações são todas ao vivo.
Maria João ganhou fama internacional ao conquistar o primeiro prêmio do concurso internacional ocorrido em Bruxelas, em 1970, por ocasião do bicentenário do nascimento de Beethoven. Mais recentemente, também foi elogiada e premiada por suas gravações dos concertos de Beethoven. Então é surpreendente que ela nunca tenha gravado oficialmente as sonatas para piano e violoncelo.
Pires/Gomziakov ensaiando em São Paulo
Pires/Gomziakov ensaiando em São Paulo
Em sua Lugubre Gondola o septuagenário Liszt reflete sobre a morte de seu amigo e genro Wagner e sobre a sua própria morte.
A sonata para piano e violoncelo em sol menor foi umas das últimas obras compostas por Chopin e a última publicada durante sua vida. Em uma carta de 1846 ele deixa claro que demorou bastante tempo para finalizá-la: “Quanto à minha sonata com violoncelo, às vezes estou satisfeito, às vezes insatisfeito. Coloco-a em um canto e depois retomo.”
O Chopin de Pires e Gomziakov é introspectivo, com as emoções românticas sempre contidas e sóbrias. Deixo-os com trechos de uma resenha do concerto dos dois, com o mesmo programa, em San Sebastián, Espanha:
Os dedos, o coração, os sentidos: tudo, do detalhe ao conjunto, conquistou o público. Interpretação maravilhosa da portuguesa Maria João Pires, enquanto o jovem russo Gomziakov fez seu instrumento cantar de forma romântica, contida, triste e lírica.
O recital soou como uma homenagem a um amigo morto recentemente, como se Chopin tivesse acabado de desaparecer. Não houve bis, nem aplausos entre a Sonata para Violoncelo e Piano e a última mazurka (op. 68 número 4, a última criação de Chopin), apenas introspecção, lirismo e expressão triste que se tornou alegria diante de uma arte tão bem feita. Meditação final que conduziu ao entusiasmo respeitoso e caloroso do público completamente conquistado pela magia e técnica de dois artistas gigantes.
 
Beethoven: Sonate für Violoncello und Klavier No. 3, Op. 69 (A-Dur)
1. I. Allegro, ma non tanto
2. II. Scherzo: Allegro molto
3. III. Adagio cantabile – Allegro vivace
Maria João Pires, piano
Antonio Meneses, cello
Live: Concertgebouw Amsterdam, Netherlands, 2011-04-10 (radio broadcast)
 
4. Liszt: La Lugubre Gondola for cello & piano, S134
Chopin: Sonate pour Piano et Violoncelle en sol mineur op. 65 
5. I. Allegro moderato
6. II. Scherzo: Allegro con brio
7. III. Largo
8. IV. Finale: allegro
9. Chopin: Mazurka op. 68 No. 4 en fa mineur
Maria João Pires,  piano
Pavel Gomziakov, cello
Live: Schwetzinger Festspiele, Germany 2009-06-12 (radio broadcast)
 

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Pires
Pleyel

Frédéric Chopin: Barcarolle / Claude Debussy: Les collines d’Anacapri, Soirée dans Grenade, Poissons d’or, Minstrels / Franz Liszt: Waldesrauschen, Gnomenreigen, Liebestraume, Valse oubliée, Rhapsody no. 10 – Guiomar Novaes

A brasileira de olhos ébrios de música e a sorte de um LP que sobreviveu à ditadura

Nestes tempos em que o Brasil parece repetir 1964 como farsa, o meu patriotismo tem encontrado apenas um refúgio inabalável: uma brasileira com os olhos ‘ébrios da música’ e aquele poder de isolar-se de tudo que a cerca – faculdade raríssima – que é a marca bem característica do artista. É assim que Debussy descreveu Guiomar Novaes quando ela tinha 13 anos. Mais de 60 anos depois, ela gravou seu segundo LP com música de Debussy*, e se trata de uma intérprete ideal, não só por ter conhecido o compositor quando estudou em Paris**, mas também pelo estilo de Guiomar, de toque delicado, cuidadoso,  às vezes forte mas nunca percussivo, considerado “feminino” naquela época distante em que mulheres deviam ser belas, recatadas e do lar.

O senso comum diz que esse toque feminino não deveria tocar as obras musculosas e diabólicas de Liszt, não é? Pois o senso comum mundial se rendeu a Guiomar. Segundo o American Record Guide, 1962:

“O surpreendente, e que vale à pena gritar do alto dos telhados, é que, pela primeira vez em quarenta anos, Novaes registrou aqui algumas de suas incomparáveis interpretações de Liszt. Sua performance na Dança dos Gnomos é tão brilhante e ritmicamente intoxicante quanto a de Emil von Sauer em um clássico 78 r.p.m.,  e sua 10ª Rapsódia está no nível da gravação histórica de Paderewski. É fácil entender por que no início do século ela foi apelidada a Paderewska dos Pampas***.”

Falar de Guiomar tocando Chopin é chover no molhado, pois as gravações completas dos Noturnos, Estudos, Valsas, Prelúdios, Concertos e de algumas preciosas Mazurkas estão por aí em LPs, CDs, youtube, no PQPBach, muito mais disponíveis do que este raro LP, o único de Guiomar pela Decca, e que nunca nem se cogitou lançar em CD.

O áudio que eu trago vem de um LP de família, e aqui começam as suposições, pois se mal conhecemos as histórias de parentes perseguidos nos anos de chumbo, o que dizer de um mero LP? Meus avós compraram este vinil importado por volta de 1963-64, devem ter ouvido poucas vezes e ele ficou no fundo de um armário carioca por décadas. No Brasil, um armário que dura décadas precisa de uma dose de sorte: um irmão de vovó teve a casa incendiada pelo regime militar. Se tivessem incendiado a casa dela (e foi por pouco que não), o LP viraria fumaça. Uma coisa é certa: a música sobreviveu.

* O primeiro, com os Prelúdios Livro I, em mono, tem qualidade de som bastante inferior

** O professor dela em Paris, Isidor Phillip, foi o amigo que dava a Debussy “conselhos de notação para que os pianistas pudessem entender melhor suas nuances e approach. Após considerável deliberação, ambos decidiram que quase nenhuma marca de pedal deveria ser usada” (wikipedia)

*** Pelo crítico James Huneker, biógrafo de Chopin e Liszt, que entendia mais de música do que de geografia

Guiomar Novaes Plays Chopin, Liszt, Debussy
Decca LP, circa 1962

A1. Barcarolle Op. 60 (Chopin)
A2. Les collines d’Anacapri (Preludes – Book 1) (Debussy)
A3. Soirée dans Grenade (Estampes) (Debussy)
A4. Poissons d’or (Images) (Debussy)
A5. Minstrels (Preludes – Book 1) (Debussy)
B1. Waldesrauschen (Forest Murmurs) (Liszt)
B2. Gnomenreigen (Dance of the Gnomes) (Liszt)
B3. Liebestraume No. 3 in A flat (Liszt)
B4. Valse oubliée no. 1 (Liszt)
B5. Hungarian Rhapsody no. 10 (”Preludio”) (Liszt)

Guiomar Novaes, piano

Títulos em português: Barcarola (Chopin) / As colinas de Anacapri, Noite em Granada, Peixes de ouro, Menestréis (Debussy) / Murmúrios da floresta, Dança dos Gnomos, Sonhos de amor, Valsa esquecida, Rapsódia húngara (Liszt)

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Novaes-Gramophone1964-Billboard1963
Se Guiomar fosse inglesa ou norte-americana, esse disco já estaria na 3ª reedição em CD…

J. S. Bach (1685-1750): B-A-C-H: Ich ruf zu Dir (Franz Liszt / Ferruccio Busoni)

J. S. Bach (1685-1750): B-A-C-H: Ich ruf zu Dir (Franz Liszt / Ferruccio Busoni)

Aurelia Shimkus nasceu em Riga, na Letônia, em 1997. É jovem demais e meio mão pesada e sem sutileza para sair interpretando Bach por aí. Tem bom desempenho na porrada lisztiana que abre o CD, mas depois deixa transparecer certas ânsias heavy metal, principalmente, na linda e delicadíssima Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ, onde trata de enfiar a mão em momentos em que esta ficaria melhor no bolso.  Também detestei a transcrição de Busoni para a Toccata and Fugue. E não seria natural que a pianista enfrentasse a maior peça de Bach transcrita para o piano por Busoni? Por que ela fugiu disso aqui? Ah, Aurelia…

J. S. Bach (1685-1750): B-A-C-H: Ich ruf zu Dir

1 Fantasia and Fugue on the Theme B-A-C-H, S529/R22 12:43, de Liszt
2 Capriccio sopra la lontananza del fratello dilettissmo in B-Flat Major, BWV 992 10:37
3 10 Chorale Preludes, BV B 27: Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ, BWV 639 (arr. F. Busoni for piano) 3:57
4 10 Chorale Preludes, BV B 27: Komm, Gott Schopfer, BWV 667 (arr. F. Busoni for piano) 1:58
5 10 Chorale Preludes, BV B 27: Durch Adams Fall ist ganz verderbt, BWV 705 (arr. F. Busoni for piano) 7:04
6 Toccata and Fugue in D Minor, BWV 565 (arr. F. Busoni for piano) 9:05
7 Die Kunst der Fuge, BWV 1080: Fuga a 3 Soggetti (Contrapunctus XIV) 8:39

Aurelia Shimkus, piano

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Aurelia, em foto Liszt-free
Aurelia, em foto Liszt-free

PQP

Rimsky-Korsakov (1844-1908): Suíte de O Galo de Ouro / Rossini (1792-1868): Abertura Guilherme Tell / Tchaikovsky (1840-1893): Marcha Eslava / Chabrier (1841-1894): España / Franz Liszt (1811-1886): Rapsódia Húngara No. 2 e Marcha Rakoczy

Rimsky-Korsakov (1844-1908): Suíte de O Galo de Ouro / Rossini (1792-1868): Abertura Guilherme Tell / Tchaikovsky (1840-1893): Marcha Eslava / Chabrier (1841-1894): España / Franz Liszt (1811-1886): Rapsódia Húngara No. 2 e Marcha Rakoczy

Em meados do século XX, este tipo de música era considerada “ligeira”, algo para concertos ao ar livre, para o grande público tomar seu primeiro contato com os clássicos. Hoje parece apenas música erudita em disco de gatinhos. O que houve conosco?

Em 1881, Henry Lee Higginson, o fundador da Orquestra Sinfônica de Boston, escreveu sobre seu desejo de apresentar em Boston “concertos de um tipo leve de música”. Então a Boston Pops foi fundada para apresentar este tipo de música ao público, com o primeiro concerto realizado em 1885. Chamado de “Concerto de Passeio” eles duraram até 1900, eram performances de música clássica “leve”.

A Orquestra não tinha um maestro próprio até o ano de 1930, quando Arthur Fiedler começou seu mandato. Fiedler trouxe aclamação mundial à orquestra. Ele sempre foi infeliz com a reputação de que a música erudita era para a elite aristocrática, e sempre fez esforços para levar os eruditos a um público vasto. Sempre promoveu concertos gratuitos em Boston, assim aos poucos foi popularizando a música clássica na região.

Sob sua direção a orquestra fez inúmeras gravações campeãs de vendas, arrecadando um total superior a US$ 50 milhões. As primeiras gravações da orquestra foram feitas em julho de 1935 para a RCA Victor, incluindo a primeira gravação completa da Rhapsody in Blue de Gershwin.

Fiedler também é lembrado por ter começado a tradição anual da orquestra se apresentar no 4 de julho (Independência dos Estados Unidos) na praça da Esplanada, uma das celebrações mais aclamadas, que contava com um público entre 200 e 500 mil pessoas.

Após a morde de Fiedler, em 1979, John Williams tomou o cargo, em 1980. Williams continuou com a tradição de levar a música clássica ao público mais vasto. Ele ficou no cargo até 1994, quando passou para Keith Lockhart em 1995. Lockhart segua à frente da Pops, acrescentando um toque de extravagância e um dom para o drama. Williams continua sendo maestro laureado e realiza uma semana de concertos por ano.

Rimsky-Korsakov (1844-1908) – Suíte de O Galo de Ouro – Le Coq’or – Suíte, Rossini (1792-1868) – William Tell Overture, Tchaikovsky (1840-1893) – Marcha Eslava, Chabrier (1841-1894) – España e Franz Liszt (1811-1886) – Rapsódia Húngara No. 2 e Rakoczy March

Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908) – Suíte de O Galo de Ouro – Le Coq’or – Suíte
01. King Dodom in his Palace
02. King Dodom on the Battlefield
03. King Dodom with the Queen of Shemakha
04. March

Gioachino Rossini (1792-1868) – William Tell Overture
05. William Tell Overture

Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) – Marcha Eslava
06. Marcha Eslava

Emmanuel Chabrier (1841-1894) – España
07. España

Franz Liszt (1811-1886) – Rapsódia Húngara No. 2 e
08. Rapsódia Húngara No. 2

Rakoczy March
09. Rakoczy March

Boston Pops Orchestra
Arthur Fiedler, regente

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Arthur Fiedler
Arthur Fiedler

PQP

Scarlatti / Beethoven / Chopin / Wagner / Liszt: On My New Piano, com Daniel Barenboim

Scarlatti / Beethoven / Chopin / Wagner / Liszt: On My New Piano, com Daniel Barenboim

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Belíssimo disco de gatinhos do maestro e pianista Barenboim. O tal “piano novo” foi uma encomenda do pianista feita sob medida a Chris Maene. Dizer que funciona direitinho é pouco. Recomendo a todos os pianistas, o Maene é bom mesmo… DB tomou inusitadas liberdades em suas Scarlatti, mas eu curti a K. 380 intimista inventada por ele. No resto, dá um banho de competência. Ele gravou 3 vezes o ciclo de Sonatas de Beethoven, então era justo que fizesse o mesmo com as 32 Variações. Estão maravilhosas. O Chopin está OK. O ponto alto do disco talvez seja a Marcha Solene de Wagner. A interpretação de Barenboim traz a quantidade certa de poesia e gravidade para esta música envolvente. Difícil de parar de ouvir. A complicadíssima Valsa de Mephisto, de Liszt, é tocada com perícia e sensibilidade que talvez nunca ouvidas. Recomendo não somente o Maene, tá?

On My New Piano, com Daniel Barenboim

1 Scarlatti: Sonata In C Major, Kk. 159 2:22
2 Scarlatti: Sonata In D Minor, Kk. 9 4:13
3 Scarlatti: Sonata In E Major, Kk. 380 6:39
4 Beethoven: 32 Piano Variations In C Minor On An Original Theme, WoO 80 12:37
5 Chopin: Ballade No. 1 In G Minor, Op. 23 9:58
6 Wagner: Solemn March To The Holy Grail From Parsifal, S. 450 7:50
7 Liszt: 10 Harmonies poétiques et religieuses, S. 173 – No. 7 Funérailles 12:24
8 Liszt: Mephisto Waltz No.1, S. 514 12:10

Daniel Barenboim, piano

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Esta foto nada tem a ver com o CD, mas vocês já viram tanto talento junto em uma foto? São Pollini, Barenboim e Claudio Abbado no La Scala. Bota logo num quadro, rapaz.
Esta foto nada tem a ver com o CD, mas vocês já viram tanto talento junto em uma foto? São Pollini, Barenboim e Claudio Abbado no La Scala. Bota logo num quadro, rapaz.

PQP

Chopin · Scriabin · Liszt · Ligeti: Sonatas para Piano e Estudos

Chopin · Scriabin · Liszt · Ligeti: Sonatas para Piano e Estudos

Assim como acontece com a georgiana Khatia Buniatishvili, a chinesa Yuja Wang (ou seus agentes) aposta fundo na beleza física. Não é proibido, mas acho chato ver hoje mais discos das duas do que de Maria João Pires e Martha Argerich, por exemplo. Jovens e belas, ambas nascidas em 1987, Wang e Buniatishvili são boas pianistas, não há dúvida, mas estão longe de merecer o Olimpo. O destaque deste CD é a excelente escolha do repertório. Chopin e Scriabin entremeados por dois Ligeti, com a grande Sonata de Liszt ao final é realmente de entusiasmar pelo bom gosto. Dá vontade de ouvir e o desempenho de Wang é satisfatório, mesmo que não nos faça flutuar como faria alguém com maior maturidade artística. Afinal, ao menos aqui, estou mais interessado em meus ouvidos.

Chopin · Scriabin · Liszt · Ligeti: Sonatas para Piano e Estudos

Chopin: Piano Sonata No.2 In B Flat Minor, Op.35
1 1. Grave – Doppio movimento 7:50
2 2. Scherzo – Più lento – Tempo I 6:49
3 3. Marche funèbre (Lento) 8:25
4 4. Finale (Presto) 1:28

Ligeti: 6 etudes pour piano, premier livre
5 – Etude Nº 4 – Fanfares 3:40

Scriabin: Piano Sonata No.2, In G Sharp Minor Op.19 “Sonata Fantasy” –
6 1. Andante 8:18
7 2. Presto 4:02

8 Ligeti: Etude No.10 “Der Zauberlehring” 2:15

Liszt: Piano Sonata In B Minor, S.178 – Edited By Alfred Cortot
9 1. Lento assai – Allegro energico – Grandioso-Recitativo 12:24
10 2. Andante sostenuto 7:45
11 3. Allegro energico – Andante sostenuto – Lento assai 11:05

Yuja Wang, piano

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Yuja Wang: música erudita explícita
Yuja Wang: música erudita explícita

PQP

Liszt (1811-1886), Berg (1885-1935) e Webern (1883-1945): At the Grave of Richard Wagner

Liszt (1811-1886), Berg (1885-1935) e Webern (1883-1945): At the Grave of Richard Wagner


Excelente versão de três peças muito pouco tocadas. “At the grave of Richard Wagner” é comovente. Já as peças de Berg e Webern requerem maior trabalho. Gravação excelente. Divirtam-se. Disco curtíssimo. Como esta apresentação.

Kronos Quartet — At the Grave of Richard Wagner

Franz Liszt (1811 – 1886)
1) At the Grave of Richard Wagner (2:47)

Alban Berg (1885 – 1935)
String Quartet, Op. 3 (19:03)
2) I
3) II

Anton Webern (1883- 1945)
Five Pieces, Op. 5 (10:38)
4) I
5) II
6) III
7) IV
8. V

KRONOS QUARTET:
David Harrington, violin
John Sherba, violin
Hank Dutt, viola
Joan Jeanrenaud, cello

Aki Takahashi, piano
Marcella DeCray, harp

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Richard Wagner em Paris, no ano de 1861
Richard Wagner em Paris, no ano de 1861

PQP

C. P. E. Bach, John Cage, Tigran Mansurian, Franz Liszt, Michail Glinka, Frédéric Chopin, Valentin Silvestrov, Claude Debussy e Béla Bartók: Alexei Lubimov — Der Bote — Elegias para Piano

C. P. E. Bach, John Cage, Tigran Mansurian, Franz Liszt, Michail Glinka, Frédéric Chopin, Valentin Silvestrov, Claude Debussy e Béla Bartók: Alexei Lubimov — Der Bote — Elegias para Piano

61fyfAw73OL._SS500IM-PER-Dí-VEL !!!

Maravilhoso disco formado por dez peças menores de compositores que apenas se unem por terem sido vanguardistas em seu tempo. Num recital que abarca 3 séculos, o pianista Lubimov dá uma aula sobre como montar um repertório erudito. Inicia com uma daquelas estranhas Fantasias do mano CPE que, para falar com a inteligência de Maitê Proença, é tudo di bom. Numa demonstração de parentesco inteiramente provocativa, mas pertinente, Lubimov dá seguimento ao recital com In a landscape, de John Cage. É notável como ambas combinam. E depois ele segue adiante com uma série de peças meditabundas. O mosaico fica lindo. O CD é da ECM. Com efeito, Manfred Eicher veio ao mundo para viabilizar as idéias mais doidas dos artistas. E para nos mostrar fatos nunca dantes pressentidos.

Alexei Lubimov – Der Bote

1 Carl Philipp Emanuel Bach: Fantasie für Klavier f-Moll
2 John Cage: In a landscape
3 Tigran Mansurian: Nostalgia
4 Franz Liszt: Abschied
5 Michail Glinka: Nocturne f-Moll “”La séparation””
6 Frédéric Chopin: Prélude c-Moll op. 45
7 Valentin Silvestrov: Elegie
8 Claude Debussy: Elégie
9 Béla Bartók: Vier Klagelieder op. 9a, Nr. 1
10 Valentin Silvestrov: Der Bote

Alexei Lubimov, Piano

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Grande Lubimov!
Grande Lubimov!

PQP

Andor Foldes: Wizard of the Keyboard

Andor Foldes: Wizard of the Keyboard

Andor Foldes (1913-1992) pertenceu a uma geração impressionante de músicos húngaros. Como ele, Geza Anda, Gyorgy Sandor, Edith Farnadi, Irene Malik, Annie Fischer — sem levar em conta a elite de regentes famosos (Fricsay, Dorati, Reiner) ou solistas (Szigetti) Dentre eles, Foldes ocupava um lugar de destaque no universo pianístico. Este disco é um tesouro de incrível repertório: Bach, De Falla, Poulenc, Bartok, Beethoven, Liszt, Copland, Barber, Debussy e Chopin .

Foldes foi um músico consumado, inteiramente dedicado a extrair e fazer-nos sentir o espírito de cada peça que ele tocava. Seu nível de musicalidade corre inversamente proporcional à sua fama. Negligenciado e esquecido por muitos, ele representa a estatura de músicos forjados na primeira metade do século XX, como Bartók e Kodály.

Andor Foldes: Wizard of the Keyboard

CD 1:
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
Chromatic Fantasia and Fugue in D minor, BWV 903
1) Fantasia [6:44]
2) Fuga [4:35]
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)
Piano Sonata No.6 in F, Op.10 No.2
3) 1. Allegro [4:18]
4) 2. Allegretto [3:46]
5) 3. Presto [2:36]
Johannes Brahms (1833 – 1897)
16 Waltzes, Op.39
6) 1. in B [0:48]
7) 2. in E [1:09]
8. 3. in G sharp minor [0:46]
9) 15. in A flat [1:34]
Manuel de Falla (1876 – 1946)
El amor brujo
10) Ritual Fire Dance [3:31]
Francis Poulenc (1899 – 1963)
Nocturnes Nos.1-8
11) No.4 in C minor [1:26]
Claude Debussy (1862 – 1918)
Préludes – Book 1
12) 8. La fille aux cheveux de lin [2:41]
Frédéric Chopin (1810 – 1849)
4 Mazurkas, op.41
13) 2. Mazurka in E minor: Andantino [2:05]
14) Nocturne No.13 in C minor, Op.48 No.1 [5:52]
Franz Liszt (1811 – 1886)
15) Mephisto Waltz No.1, S.514 [10:38]
Béla Bartók (1881 – 1945)
Suite, BB 70, Sz. 62 (Op.14)
16) 1. Allegretto [1:55]
17) 2. Scherzo [1:43]
18) 3. Allegro molto [2:05]
19) 4. Sostenuto [2:53]
Sonata for Piano, Sz. 80 (BB 88)
20) 1. Allegro moderato [4:06]
21) 2. Sostenuto e pesante [5:00]
22) 3. Allegro molto [3:29]
23) Allegro barbaro, BB 63, Sz. 49 [2:29]

CD 2:
Igor Stravinsky (1882 – 1971)
Piano Sonata (1924)
1) 1. Viertel = 112 [3:07]
2) 2. Adagietto [5:05]
3) 3. Viertel = 112 [2:42]
Samuel Barber (1910 – 1981)
Excursions, Op.20
4) 1. Un poco allegro [2:43]
5) 2. In slow blues tempo [3:32]
6) 3. Allegretto [2:28]
7) 4. Allegro molto [2:10]
Aaron Copland (1900 – 1990)
Piano Sonata (1941)
8. 1. Molto moderato [8:21]
9) 2. Vivace [4:38]
10) 3. Andante sostenuto [9:28]
Zoltán Kodály (1882 – 1967)
11) Marosszéki táncok (Dances of Marosszèk) [12:30]
7 Piano Pieces, Op.11
12) 1. Lento [1:40]
13) 2. Székely keserves. Rubato, parlando [2:20]
14) 3. “il pleut dans mon coeur…”. Allegretto malinconico [1:30]
15) 5. Tranquillo [2:04]
16) 6. Székely nóta. Poco rubato [3:08]
Igor Stravinsky (1882 – 1971)
17) Circus Polka for a Young Elephant [3:55]
Virgil Thomson (1896 – 1989)
18) Ragtime Bass in C sharp [1:41]
Isaac Albéniz (1860 – 1909)
19) Tango, Op.165, No.2 [2:46]

Andor Foldes, piano

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Andor Foldes, esse tocava!
Andor Foldes, esse tocava!

PQP

Peter Illich Tchaikovsky – Piano Concerto nº1, Franz Liszt – Totentanz – Nelson Freire, Kempe, MPO

41wH4mRidTL._SL500_AA300_Olha só o que estou trazendo para os senhores: uma raridade do nosso Nelson Freire, realizada lá pelo final dos anos 60, quando estava começando a carreira. Ele encara duas pedreiras, o Concerto de Tchaikovsky e a Totentanz de Liszt, e muito bem acompanhado, diga-se de passagem: Rudolf Kempe regendo a Filarmônica de Munique. Isso não é pra qualquer um não. Calma que não é só isso não. O segundo CD traz outras duas obras imortais do romantismo, os Concertos de Grieg e de Schumann.
Estes discos estavam escondidos no acervo da antiga CBS, que foi adquirida pelo grupo Sony, e que recém lançou uma caixa com sete cds com estas gravações de Nelson Freire. Se vocês forem bonzinhos, e baixarem bastante estes dois volumes, prometo que trago os outros assim que possível.
Não quero tecer comentários sobre a qualidade das gravações, o que importa é que elas estão novamente disponíveis, e assim podemos apreciar o talento do maior de nossos pianistas.

CD 1

01. Tchaikovsky – Piano Concerto n° 1 in B-Flat minor, Op. 23 – I. Andante ma non troppo e molto maestoso
02. II. Andante semplice
03. III.Finale. Allegro con fuoco
04. Liszt – Totentanz S 126

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CD 2

01. Grieg – Piano Concerto in A minor, Op. 16 – I. Allegro molto moderato
02. II. Adagio
03. III. Allegro marcato
04. Schumann – Piano Concerto in A minor, Op. 54 – I. Allegro affettuoso – Andante espressivo – Allegro
05. II. Andante grazioso
06. III. Allegro vivace

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Nelson Freire – Piano
Münchner Philharmoniker
Rudolf Kempe – Conductor

Albéniz / Berio / Debussy / Fauré / Janáček / Liszt / Ravel / Sawhney / Takemitsu: Water

Albéniz / Berio / Debussy / Fauré / Janáček / Liszt / Ravel / Sawhney / Takemitsu: Water

Após os excelentes álbuns Duo e Credo, ambos postados no PQP Bach, Hélène Grimaud nos chega com um disco onde aparece claramente a sua militância pelas causas ecológicas. Water é um trabalho incomum. Aqui, Grimaud executa peças de vários períodos — clássicas, românticas e contemporâneas — cuja temática é a água. Além do fascínio pela água, além das evocações tradicionais de rios, lagos, mares, flocos de neve, e gotas de chuva, o álbum também reflete uma perspectiva contemporânea sobre a água e a falta dela. As peças de diferentes compositores são amarradas através das Transitions, sons de água e de instrumentos musicais compostos, gravados e produzidos por Nitin Sawhney, um celebrado compositor de World Music. Ele também é DJ, produtor, multi-instrumentista, compositor orquestral e pioneiro cultural. Reafirmando sua posição como uma das artistas mais interessantes da música erudita, Grimaud combina a cultura com seu compromisso com os desafios ecológicos, ambientais e humanitários de nossos dias. Então, Water é um projeto com três níveis distintos de aspiração criativa: artístico, inventivo e ativista. Além disso é bom pacas de ouvir.

Albéniz / Berio / Debussy / Fauré / Janáček / Liszt / Ravel / Sawhney / Takemitsu: Water

1 Wasserklavier (No.3 From 6 Encores – Per Antonio Ballista) (Luciano Berio) 2:11
2 Water – Transition 1 (Nitin Sawhney) 1:18
3 Rain Tree Sketch II (In Memoriam Oliver Messiaen) (Toru Takemitsu) 5:25
4 Water – Transition 2 (Nitin Sawhney) 1:41
5 Barcarolle No.5 In F Sharp Minor (op.66) (fis-moll En Fa Diese Mineur Allegretto Moderato) (Gabriel Fauré) 6:39
6 Water – Transition 3 (Nitin Sawhney) 1:33
7 Jeux D’eau (Music Note=144) (Tres Doux) (Maurice Ravel) 5:10
8 Water – Transition 4 (Nitin Sawhney) 1:27
9 Almeria (No.2 From Iberia II Allegretto Moderato) (Isaac Albéniz) 10:06
10 Water – Transition 5 (Nitin Sawhney) 0:55
11 Les Jeux D’eaux A La Villa D’Este (No.4 From Annees De Pelerinage III S 163 Allegretto) (Franz Liszt) 7:38
12 Water – Transition 6 (Nitin Sawhney) 1:34
13 In The Mists: No.1 (Andante) (Leoš Janáček) 4:33
14 Water – Transition 7 (Nitin Sawhney) 1:16
15 La Cathedrale Engloutie (No.10 From Preludes I Profondement Calme) (Claude Debussy) 6:03
16 Water Reflections (Helene Grimaud’s Thoughts On The Permutations Of Water) 10:49

Piano – Hélène Grimaud

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Desta vez, deu na trave
Desta vez, deu na trave

PQP

Ravel (1875-1937): Concerto para piano e orquestra para mão esquerda e La Valse, Liszt (1811-1886): Totentanz para piano e Orchestra e Rachmaninov (1873-1943): Danças Sinfônicas, Op. 45

Ravel (1875-1937): Concerto para piano e orquestra para mão esquerda e La Valse, Liszt (1811-1886): Totentanz para piano e Orchestra e Rachmaninov (1873-1943): Danças Sinfônicas, Op. 45

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD pirata da melhor qualidade, certamente gravado a partir de uma transmissão radiofônica. São obras agitadas da conturbada primeira metade do século XX — e como Liszt coube bem nelas! O Concerto para Mão Esquerda é a comprovação do contato de Ravel com uma época terrível para a Europa. Ele foi composto, quase como um desafio, para o eminente pianista austríaco Paul Wittgenstein, que tinha perdido o braço direito num combate da Primeira Guerra Mundial e cuja carreira parecia terminada. Contudo, Wittgenstein, com enorme coragem, recusou conformar-se com o fato, e escreveu a vários compositores, pedindo-lhes que escrevessem músicas que ele pudesse tocar apenas com a mão esquerda. Ravel achava-se ocupado com a composição de o Concerto para piano em sol maior. Contudo, movido, pelo apelo, e cedendo ao seu amor inato pela experimentação e pelo incomum, Ravel enfrentou a prova técnica. Sem suspender a composição do outro concerto, atirou-se ao trabalho a fim de escrever algo que pudesse atender às necessidades do pianista tão gravemente sacrificado. O resultado foi excelente e muitos pianistas até hoje deixam o braço direito descansar para interpretar a admirável obra.

Mas o restante da gravação também é extraordinária.

A dupla Thibaudet e Dutoit esmerilham neste CD pirata.
A dupla Dutoit e Thibaudet esmerilham neste CD pirata.

Ravel (1875-1937): Concerto para piano e orquestra para mão esquerda e La Valse, Liszt (1811-1886): Totentanz para piano e Orchestra e Rachmaninov (1873-1943): Danças Sinfônicas, Op. 45

Maurice Ravel (1875-1937) – Concerto para piano e orquestra em D (para “mão esquerda”)
01. Lento
02. Allegro
03. Tempo I

Franz Liszt (1811-1886) – Totentanz para piano e Orchestra
04. Totentanz para piano e Orchestra

Sergei Rachmaninov (1873-1943) – Danças Sinfônicas, Op. 45
05. Non allegro
06. Andante con moto (Tempo di valse)
07. Lento assai – Allegro vivace

Maurice Ravel (1875-1937) – La Valse
08. La Valse

Chicago Symphony Orchestra
Charles Dutoit, regente
Jean-Yves Thibaudet, piano

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Ravel equilibrando-se entre a cinza do cigarro e as notas.
Ravel equilibrando-se entre a cinza do cigarro e as notas.

PQP

Vladimir Horowitz – The Last Recording (1989)

51QBA35W04LPara o pavor de um de nossos colaboradores, que chama Vladimir Samoylovich (Volodya, para os íntimos) de “Horrorowitz”, pretendo trazer para cá um tanto do legado de um dos maiores pianistas do século XX.

A longa carreira de Horowitz acompanhou a evolução dos meios de gravação, dos rolos do processo Welte-Mignon (uma versão mais sofisticada da pianola), passando pelos discos de 78 rpm e chegando aos meios digitais. Seus altos e baixos foram, também, fartamente documentados: entre a fúria maníaca do jovem virtuose recém-chegado aos Estados Unidos, para quem nada parecia impossível, e o pianista decadente, cada vez mais maneirista e sequelado pela insegurança e pelos psicotrópicos, Horowitz foi um artista de poucos meios-termos. Em sua última década de vida, que começou com recitais lamentáveis, capazes de enfurecer até mesmo as pacientes plateias japonesas, redimiu-se pelo uso mais comedido de seus truques pianísticos e (dentro do que lhe era possível) uma placidez mais atenta às intenções dos compositores.

Esta gravação, dias antes de sua morte, é uma de suas melhores. Predomina Chopin, interpretado com muito colorido e elegância. O destaque é uma Fantasia-Improviso não só fiel à partitura, mas também impressionantemente ágil para dedos de 86 anos. Os Noturnos de Chopin fazem a gente lamentar que Horowitz tenha gravado poucas outras obras da série, e a Sonata de Haydn beira a perfeição. Concluir o álbum com “Liebestod” e morrer meros cinco dias depois de seu último acorde foi, suspeitam alguns, o último gesto apelativo desse grande pianista.

VLADIMIR HOROWITZ – THE LAST RECORDING

JOSEPH HAYDN (1732-1809)

Sonata em Mi bemol maior para piano, Hob. XVI:49

01 – Allegro
02 – Adagio e cantabile
03 – Finale – Tempo di menuetto

FRYDERYK FRANCYSZEK CHOPIN (1810-1849)

04 – Mazurca em Dó menor, Op. 56 no. 3
05 – Noturno em Mi bemol maior, Op. 55 no. 2
06 – Fantasia-Improviso em Dó sustenido menor, Op.66
07 – Estudo em Lá bemol maior, Op. 25 no. 1
08 – Estudo em Mi menor, Op. 25 no. 5
09 – Noturno em Si maior, Op. 62 no. 1

FERENC LISZT (1811-1886)

10 – Prelúdio sobre um tema da cantata “Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen” de J. S. Bach, S. 179

WILHELM RICHARD WAGNER (1813-1883)
transcrição de Franz Liszt

11 – Tristan und Isolde – Isoldes Liebestod

Vladimir Horowitz, piano

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Obrigado, Volodya!
Obrigado, Volodya!

Vassily Genrikhovich

Franz Liszt (1811-1886) – Franz Liszt – Khatia Buniatishvili

P1Khatia Buniatishvili pode ser jovem, mas não teme desafios. Se não estou enganado, esse foi seu primeiro CD, e um grande CD, diga-se de passagem, todo dedicado a Liszt, incluindo a imponente Sonata in B Minor, que, curiosamente, apareceu pouco por aqui, até onde me lembro.
Os grandes artistas não podem temer desafios, ainda mais se você tem meros 23 anos de idade e quer ser reconhecido como um grande artista. E está era a idade que Khatia tinha quando sentou-se ao piano e gravou a gigantesca Sonata em B Minor, um monumento da literatura pianística, uma obra de difícil execução, que exige até a alma do músico. E o resultado é primoroso. Frente ás adversidades, a jovem Khatia encarou como gente grande o desafio. E convenhamos, Liszt é para ouvidos experientes e treinados. Essa sonata assusta no começo. Apenas depois de muitas audições é que conseguimos começar a entendê-la.
Enfim, espero que gostem. Eu gostei muito.

01 – Liebestraum in A flat major Op.62 S 541-3 Notturno
02 – Sonata in B minor S 178 I. Lento assai-Allegro energico
03 – Sonata in B minor S 178 II. Andante sostenuto
04 – Sonata in B minor S 178 III. Allegro energico
05 – Mephisto Waltz No.1 (The Dance in the Village Inn) S 514
06 – La lugubre gondola S 200-2
07 – Prelude in A minor S 462-1
08 – Fugue in A minor S 462-1

Khatia Buniatishvili – Piano

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Ah, Khatia …

 

Franz Liszt (1811-1886) – Années de pèlerinage – Nicholas Angelich – REVALIDADO

51Ay94V1d5LPOSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH EM 8/9/2007, REVALIDADA POR VASSILY EM 25/8/2015

Alguém solicitou a um tempo atrás mais obras de Liszt. Já havíamos postado os concertos para piano com o Richter, porém, reclamaram que faltavam mais obras.
Pois bem, sensível ao apelo, FDP Bach resolveu cobrir uma das falhas do blog, a saber, mais obras pianísticas do sogro de Wagner. E vai jogar pesado, dessa vez… trata-se de uma coleção de 3 cds, interpretados pelo excelente Nicholas Angelich, da enorme série “Années de pèlerinage

FRANZ LISZT (1811-1886)

ANNEES DE PELERINAGE

Nicholas Angelich, piano

CD 1 – Première année: Suisse

01. Chapelle de Guillaume Tell
02. Au lac de Wallenstadt
03. Pastorale
04. Au bord d’une source
05. Orage
06. Vallée d’Oberman
07. Eglogue
08. Le mal du pays
09. Les cloches de Genève

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CD 2 – Deuxième année: L’Italie

01. Sposalizio
02. Il penseroso
03. Canzonetta del Salvator Rosa
04. Sonetto 47 del Petrarca
05. Sonetto 104 del Petrarca
06. Sonetto 123 del Petrarca
07. Après une lecture de Dante, Fantasia quasi Sonata
08. Venezia e Napoli – Gondoliera
09. Venezia e Napoli – Canzone
10. Venezia e Napoli – Tarentella

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CD 3 – Troisième année

01. Angelus ! Prière aux anges gardiens
02. Aux cyprès de la Villa d’Este, Thrénodie no. 1
03. Aux cyprès de la Villa d’Este, Thrénodie no. 2
04. Les jeux d’eau de la Villa d’Este
05. Sunt lacrymae rerum – en mode hongrois
06. Marche funèbre
07. Sursum corda

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Mozart (1756-1791): Piano Sonata Nº 8 in A Minor, K.310 / Berg (1885-1935): Piano Sonata op. 1 / Liszt (1811-1886): Piano Sonata in B Minor S. 178 / Bartók (1881-1945): Romanian Folk Dances BB 68

Mozart (1756-1791): Piano Sonata Nº 8 in A Minor, K.310 / Berg (1885-1935): Piano Sonata op. 1 / Liszt (1811-1886): Piano Sonata in B Minor S. 178 / Bartók (1881-1945): Romanian Folk Dances BB 68

IM-PER-DÍ-VEL!!!

Se eu já era fã da Hélène Grimaud, a cada novo CD seu me torno ainda mais fã. E não apenas por sua beleza estonteante, mas principalmente pelo seu enorme talento, que a cada novo cd se solidifica cada vez mais.

Os grandes intérpretes, aqueles que efetivamente tem talento, não temem ousar. Avançam fronteiras, quebram paradigmas, enfim, ousam. Não se importam se alguns poucos “entendidos” torçam o nariz, e considerem de menor valor ou importância. Continuam ousando. Isso marca sua carreira e sua personalidade se impôe.
Quando vi este cd pela primeira vez não tinha como não me surpreender: Mozart, Berg, Liszt e Bártok, tudo isso junto ? Será que a bela e talentosa Hélène Grimaud surtou de vez ? Mas lendo o texto que consta no verso da capa do cd acho que entendi a sua proposta: a eterna contraposição emoção x razão (voltarei à esta questão logo, logo, numa outra série de postagens). Se suas escolhas de repertório foram adequadas não cabe aqui discutir. Mas não dá para tirar o mérito da empreitada. A forte carga dramática que impõe em sua leitura da conhecidíssima Sonata K. 310 de Mozart pode não agradar à alguns puristas (felizmente não sou um deles), mas é por demais emocionante, vide o segundo movimento, um Andante Cantabile maravilhosamente interpretado. Viciado que fui durante muitos anos na leitura seca e pragmática destas obras, por vezes soando quase cômica, de Glenn Gould, ao ouvir Grimaud tocando esta sonata sinto-me tão feliz por ouvir Mozart sob essa ótica! Um comentarista da amazon considera esta leitura de Grimaud da sonata de Mozart “beethoveniana” em sua essência, como se ela estivesse tocando, por exemplo, a Sonata “Tempestade” do gênio de Bonn. Vendo por este prisma, até podemos concordar.

Depois de uma leitura beirando a perfeição da complexa Sonata op. 1 de Berg, temos o grande “tour de force” do CD: A Sonata em Si Menor De Liszt, uma das maiores peças já escritas para o instrumento, que exige do pianista um virtuosismo absurdo. Mas Grimaud já é suficientemente madura para encarar a empreitada. E o virtuosismo é o seu principal trunfo. Ela se impõe ao instrumento e à obra, e não se deixa engolir pelas diversas armadilhas escondidas em seus longos trinta minutos de duração. Não sou músico mas não duvido que após encarar um “tour de force” destes, o intérprete sinta-se esgotado fisica e emocionalmente. A carga dramática é intensa e constante, e a quantidade de notas que Liszt colocou no papel podem soar desnecessárias, mas ali estão e exigem do pianista total concentração. E para quem já viu uma apresentação de Grimaud pelo menos em um vídeo do Youtube, sabe que sua entrega é total.

O CD se completa com algumas peças deliciosas de Bartók, baseadas no folclore romeno.

Ah, preciso dizer que se trata de um CD IM-PER-DÍ-VEL ?

P.S. Um grande amigo do blog, o Milton Ribeiro, se gabava há um tempo atrás de que iria a Paris e Londres, e teria a oportunidade de assistir à um recital da francesinha. Conseguistes assistir, Milton? Estou curioso para saber… e creio que os outros colegas do blog também.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Sonata nº8 in A Minor, K.310 – Alban Berg (1885-1935) – Piano Sonata op. 1 – Franz Liszt (1811-1886) – Piano Sonata in B Minor S. 178 – Béla Bartók (1881-1945) – Romanian Folk Dances BB 68

01. Mozart – Piano Sonata No.8 in A minor K. 310 – I. Allegro maestoso
02. Mozart – Piano Sonata No.8 in A minor K. 310 – II. Adante cantabile con espressione
03. Mozart – Piano Sonata No.8 in A minor K. 310 – III. Presto
04. Berg – Piano Sonata Op.1
05. Liszt – Piano Sonata in B minor S 178
06. Bartok – Roman nepi tancok BB 68 – Joc cu bata. Allegro moderato
07. Bartok – Roman nepi tancok BB 68 – Braul. Allegro
08. Bartok – Roman nepi tancok BB 68 – Pe loc. Andante
09. Bartok – Roman nepi tancok BB 68 – Buciumeana. Moderato
10. Bartok – Roman nepi tancok BB 68 – Poarga romaneasca. Allegro
11. Bartok – Roman nepi tancok BB 68 – Maruntel. Allegro

Hélène Grimaud, Piano

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helene grimaud pianist

FDPBach

Franz Liszt (1811-1886): Late Chamber Music – Späte Kammermusik

Lizst Chamber musicEis um raríssimo disco. Não somente por não existir em CD como também pela exímia interpretação de um corpo de músicos de extrema excelência. Também se destaca por trazer uma parte da obra de Liszt pouco cultivada, a sua música de câmara, produzida em sua maior parte no ocaso de sua vida. Vida essa marcada por sucessos, vertiginosas aventuras musicais e românticas; também caracterizada pela grande generosidade com que apadrinhou tantos talentos, alguns dos quais sequer ouviríamos falar se não fosse o seu mecenato e apoio. Grande profeta da música, antecipou com ousadas e desbravadoras criações muito do que viria logo após a sua morte, como o atonalismo, o serialismo e mesmo a essência do que seria o chamado impressionismo de Debussy. Legando à música o que ele mesmo chamou de suas “flechas lançadas para o futuro” e aos pianistas muito trabalho duro de se realizar. A gravação, naturalmente extraída do vinil, talvez não venha a contentar os mais exigentes em matéria de excelência sonora, todavia a qualidade das peças e das interpretações, estou certo, ajudará a abstrair dessa ingrata limitação e nos fará desejar que algum dia este magnífico registro apareça finalmente remasterizado, com toda qualidade sonora que merece. São obras intensamente intimistas, totalmente opostas ao habitual virtuosismo que habitualmente caracteriza tantas peças do velho cigano. O virtuosismo no presente caso é de outra natureza – reside na habilidade do compositor em evocar atmosferas. Impressões sombrias, brumas e recordações de intensos estados de alma; pensamentos e dejavus, alucinações, visões fugidias. Uma melancolia meditativa que não deixa de evocar o Spleen baudelairiano. A faixa dois contém duas obras, a Elégie II e o belíssimo Romance Oubliée para viola e piano, de 1880. As Elégies são transcrições do próprio Liszt, originalmente concebidas para piano solo. A Lúgubre Gondola aqui a temos numa transcrição moderna, da peça originalmente também para piano solo, em duas versões.

Gostaria de dedicar esta postagem ao amigo e grande melômano Newman Sucupira (em memória), que também apreciava muito estas obras e essa gravação. Abaixo, vemos o gênio em seu leito de morte – à espera da Lúgubre Gôndola.

Franz Liszt (1811-1886): Late Chamber Music – Späte Kammermusik

1-      Elégie I – para violoncelo, piano, harpa e harmônio.
2-      La Lugubre gondola – para violoncelo e piano.
3-      Elégie II – para violino e piano e Romance oubliée – para viola e piano.
4-      La Notte – para violino e piano.

Reinbert de Leeuw, piano
Vera Beths, violino e viola
Anner Bijlsma, violoncelo
Gerda Ockers, harpa
Bob Zimmerman, harmônio

Philips, 1984.

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Presunto de Liszt
Presunto de Liszt esperando pela Lúgubre Gôndola

Well Bach

Franz Liszt (1811-1886) / Felix Mendelssohn (1809-1847) / Johann Sebastian Bach (1685-1750): Organ Works

Franz Liszt (1811-1886) / Felix Mendelssohn (1809-1847) / Johann Sebastian Bach (1685-1750): Organ Works


Quando vi anunciado este CD, torci o nariz porque ele era dominado por Liszt, autor que não me agrada muito. Mas a gravadora Alpha raramente faz alguma sacanagem com o amante da música. Fui ouvir e a coisa é mesmo boa. Se as obras de Liszt que abrem e fecham o CD são poderosas, a beleza é deixada a cargo de quem entende disso: Mendelssohn e Bach. É indiscutível o bom gosto e a sensibilidade presentes no repertório escolhido pelo excelente organista Rechsteiner, assim como a luminosidade que Amandine Beyer extrai de seu violino. Grande disco!

Franz Liszt (1811-1886): Organ Works

1. Liszt: Präludium und Fuge über das Motiv B.A.C.H. (I), for organ, S. 260i (LW E3/1)
2. Mendelssohn: Paulus (Saint Paul), oratorio, Op. 36: Jerusalem, die du tötest den Propheten
3. Mendelssohn: Song Without Words for piano No. 7 in E flat major, Op. 30/1
4. Liszt: Variationen über das Motiv von Bach: Weinen, Klagen, for organ, S. 673 (LW E17)
5. Bach: St. Matthew Passion (Matthäuspassion), for soloists, double chorus & double orchestra, BWV 244 (BC D3b): Erbarme dich
6. Liszt: Fantasie & Fuge über den Choral ‘Ad nos, ad salutarem undam’, for organ, S. 259 (LW E1)

Yves Rechsteiner, órgão
Amandine Beyer, violino
Monique Simon, mezzo-soprano

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Que show, Rechsteiner!
Que show, Rechsteiner!

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphony No.9 in D minor, Op. 125 ‘Choral’ – Bruno Walter, Columbia Symphony Orchestra, Cundari, Rankin, Da Costa, Wildermann, Leslie Howard

61+AufDLfcLEis finalmente a nossa mui amada, salve, salve, Nona Sinfonia, in D Minor, de Beethoven, outro monumento da música ocidental, uma das mais importantes obras da criação humana. E mais não tenho o que dizer.
Confesso que fiquei um pouco decepcionado com a falta de comentários sobre esse projeto. Com raríssimas exceções, o silêncio dominou o campo dos comentários. Tivemos a grata satisfação de conhecermos o Beto, que nos deu uma verdadeira aula sobre as transcrições que Liszt realizou. frontAgradeço imensamente a ele, que mostrou como o PQPBach pode ser coletivo. Ninguém aqui é dono absoluto da razão, ou sabe tudo sobre tudo e todos.
Bruno Walter foi um dos maiores maestros do século XX, foi um regente que atravessou o século XX trazendo na bagagem uma vasta experiência nos palcos. Foi contemporâneo e amigo pessoal de Mahler, e só isso já seria um grande diferencial, mas sua arte ultrapassou barreiras. Beethoven, Brahms e Bruckner, sem contar obviamente Mahler, foram suas especialidades, mas também são memoráveis suas gravações das sinfonias de Mozart. Felizmente a tecnologia conseguiu nos trazer esses seus registros, que oferecemos aos senhores com o maior prazer, para mostrar os tesouros que existem no passado. E espero poder trazer mais dessas maravilhosas gravações.
Leslie Howard ainda frequenta os palcos. Esse excepcional pianista, talvez o maior especialista vivo em Liszt, com toda a sua versatilidade, nos mostrou um Beethoven diferente, sob a visão de um visionário, e não podemos negar que Liszt o fosse. Um compositor além de seu tempo, que mostrou um respeito muito grande pelo gênio de Bonn quando realizou essas transcrições.

01 – Symphony No.9 in D minor, Op. 125 ‘Choral’ – I. Allegro ma non troppo, un poco maestoso
02 – II. Molto vivace
03 – III. Adagio molto e cantabile
04 – IV. Presto
05 – Rezitativo O Fewunde, nicht diese Tone! Allegro assai

Emilia Cundari – Soprano
Nell Rankin – Mezzo Soprano
Albert da Costa – Tenor
William Wildermann – Bass
Westminster Symphonic Choir
Columbia Symphony Orchestra
Bruno Walter – Conductor

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FDPBach