Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 9

Eu simplesmente adorei esta versão russa de Mahler. Vamos a um texto de Paulo de Assis, publicado no site da Casa da Música?

O último período criativo de Gustav Mahler – incluindo A Canção da Terra, a Sinfonia n.º 9 e os fragmentos da Sinfonia n.º 10 – revela um universo trágico, um mundo em desagregação e uma mente submersa em complexos processos psíquicos. Entre 1907 e 1909 Mahler sofreu vários golpes do destino, entre os quais a morte da sua filha Maria Anna, o diagnóstico de uma grave e incurável doença coronária, conflitos com a sua esposa Alma e intrigas várias contra si por parte de destacados membros da sociedade vienense. Além disso, a Oitava Sinfonia tinha-se imposto como obra limite, não sendo possível para Mahler prosseguir nessa direcção apoteótica e ‘grandiosa’. Do ponto de vista social e político também a Monarquia do Danúbio, centrada em Viena, mas estendendo-se por quase meia Europa, se desmoronava rapidamente, revelando cada vez mais aspectos decadentes e mórbidos, um povo que dançava alegremente sobre um dos mais violentos vulcões sociais da história, vulcão que viria a explodir apenas quatro anos mais tarde, em 1914. A Nona Sinfonia de Mahler é tradicionalmente associada às ideias de morte, de luto, de testamento espiritual, tendo sido estreada um ano após a morte do compositor. Para essa associação ‘fúnebre’ muito contribuíram personalidades como Arnold Schoenberg, Alban Berg, Willelm Mengelberg, ou o primeiro biógrafo de Mahler, Paul Bekker. Mas a pessoa que melhor conhecia Mahler, que tinha trabalhado regularmente com ele desde os tempos de Hamburgo (1894), era Bruno Walter. E Bruno Walter nunca insistiu nessa associação, referindo-se à “nostalgia do adeus” tão característica de Mahler, não como resultado directo de uma continuidade vida/obra, mas sim como expressão genuína de densos sentimentos “interiores e imediatos”. A reflexão sobre a Morte, por exemplo, é um dos motivos constantes da vida e obra de Mahler – desde as primeiras obras, incluindo várias ‘marchas fúnebres’ e canções de despedida. A Quarta Sinfonia (que Mahler explicitamente referiu como aparentada à Nona) reflecte precisamente a passagem da vida terrena para a vida celestial. Mais do que a sinfonia do ‘adeus’, a Sinfonia n.º 9 é uma obra sobre a maneira de pensar o ‘adeus’, e de integrá-lo numa obra de arte. Resultado de uma interioridade radical, esta sinfonia parece revelar um vasto conjunto de processos psicológicos, mentais e emocionais específicos de Gustav Mahler. A impressão geral ‘trágica’ que esta música suscita tem tanto a ver com os intrincados desenvolvimentos sonoros (que frequentemente não oferecem aquilo que prometem), como com a apresentação de ‘visões’ musicais enigmáticas e ignotas, momentos ‘estranhos’ que o ouvinte tem dificuldade em localizar dentro de categorias mentais tradicionais. Entre a visão abrangente da Natureza e do Cosmos da Primeira Sinfonia e a concentração psicológica total da Nona parece desenhar-se um percurso de crescente focalização na mente e nos processos mentais – algo que o grande interesse de Mahler pela recém-nascida disciplina da Psicanálise (que o levaria mesmo a consultar Freud em 1910) parece confirmar.

Mahler começa a Sinfonia n.º 9 com um andamento lento – Andante comodo, em Ré maior – mas não lhe confere o carácter de ‘introdução’ ou de ‘preparação’, tendo composto sim um verdadeiro andamento em forma-sonata, com um conteúdo autônomo e de grande significado musical. O tempo é lento e tem uma tendência geral para ser ainda mais lento, anunciando já a suprema lentidão do início da Décima Sinfonia. Mahler trabalha aqui com ‘processos’: mais do que figuras musicais claras e bem definidas, ouve-se um desenrolar de eventos sonoros, um processo de lenta definição de conteúdos, uma exploração quase táctil de um universo desconhecido. Nesta perspectiva, quando os temas ou motivos aparecem eles impõem-se ao ouvinte como o resultado psicológico inevitável desses processos, e não como objectos sonoros nitidamente delimitados. No lugar de ‘temas’, ‘contra-sujeitos’, ‘transições’, ‘episódios paralelos’, ou outros elementos formais tradicionais, Mahler propõe uma panóplia de ‘zonas emocionais’: docemente cantado, com raiva, apaixonadamente, sombrio, agitado, potente, com a máxima violência, como uma procissão pesarosa, levitando, hesitando, morrendo. Todas estas indicações emocionais são testemunho da complexa densidade psíquica que deu origem a este andamento, e o grau de interioridade psicológica, de concentração dos meios e do discurso, associados a uma subtil arte de tratamento polifónico e a fascinantes inovações harmónicas, faz deste andamento um dos pontos culminantes de toda a música ocidental.

O segundo andamento (em Dó maior) – Im Tempo eines gemächlichen Ländlers. Etwas täppisch und sehr derb – é, na realidade, um Scherzo, designação que Mahler eliminaria apenas numa fase avançada da composição, substituindo-a pelo (também provisório) título de “Minueto infinito”. Feito pela sucessão de três danças rústicas, este andamento acabaria por adoptar o título da primeira, um Ländler pesado, escrito num idioma tipicamente austríaco. A estrutura formal segue as três danças, incluindo os seus tempi específicos: ao Ländler segue-se uma estranha Valsa de contornos marcados e angulosos, à qual se segue um segundo Ländler, de carácter diferente do primeiro. Mais do que danças completas apresentadas de maneira integral, o que Mahler propõe é uma sucessão de ‘ruínas’ de danças, de fragmentos e partículas de memórias, recordações, velhas corporeidades vividas em anos longínquos. Como se o compositor recordasse episódios soltos da sua infância e juventude, impressões distantes de um tempo impreterivelmente perdido. Fragmentos de memórias da província austríaca e de salões vienenses. O carácter ambíguo de todo o andamento, alternando entre alegria despreocupada e seriedade pomposa, revela-se de maneira paradigmática nas inúmeras indicações expressivas que a partitura contém, indicações que chegam a requerer ao mesmo tempo, no mesmo instante, caracteres tão distintos como “morrendo” e “scherzando”.

O Rondo-Burleske, em Lá menor, assume a função de um segundo Scherzo, ironizando sobre coisas conhecidas através da sua distorção, exagero ou omissão. Constituindo uma das pièce de résistance obrigatória de todas as grandes orquestras (pelo seu extraordinário grau de dificuldade de execução), é um andamento de enorme virtuosismo de composição, tanto a nível formal, como de organização intrínseca do material musical. Mahler subdividiu-o em três secções ‘burlescas’, intercaladas por dois Trios contrastantes, seguidas de um ‘quase-fugato’ e de uma Coda abrupta e desafiante. No entanto, como várias análises vieram revelar, todo o material musical empregue nos 667 compassos deste andamento consiste em extrapolações do material apresentado nos primeiros dezasseis compassos. Segundo Theodor W. Adorno, estamos diante da peça mais virtuosística de Mahler, virtuosismo entendido aqui como reacção ao desespero, como ‘superconstrução’ para criar uma outra realidade paralela. Mahler dedicou-o ‘aos meus irmãos em Apolo’, indicando tratar-se de uma visão sarcástica da indomável actividade humana, do absurdo filosófico que tal actividade encerra e da vacuidade geral das nossas acções terrenas. Toda a orquestra está constantemente em movimento, numa hiperactividade asfixiante, impondo uma quase anarquia de motivos, instrumentação e distribuição tímbrica – sugerindo a presença de demónios irrequietos e incansáveis. Nesse sentido podemos estar diante de uma perturbadora dança macabra, colorida por uma ironia simultaneamente ingénua e selvagem.

Depois de três andamentos de ‘despedida’, o Finale não poderia ser uma apoteose triunfal, optando Mahler por um aprofundar do diálogo com a Morte através de um Adagio lento, sereno e de intensa densidade de expressão. Escrito em Ré bemol maior, este Adagio tem afinidades com o final da Terceira Sinfonia e, especialmente, com o último Lied (“O Adeus”) da Canção da Terra (1907-1909). Do ponto de vista formal trata¬-se de um andamento em forma de variações, com um tema e doze variações (não assinaladas como tal na partitura), intercaladas por dois Interlúdios de beleza imaterial. O tema inicial de nove compassos, entregue às cordas com “um som grande”, será objecto de transformações integradas num processo global e omnipresente de metamorfose contínua. Mais do que variações, Mahler revela diferentes ‘estados’ de uma mesma matéria, desvelando a essência intangível da existência, impalpável mas perceptível. No fim (Adagissimo) só as cordas tocam, num pianissimo geral com “a mais intensa e interior expressividade”. A indicação ‘morrendo’, notada repetidas vezes na partitura, indica que esta música não é já deste mundo, criando uma sonoridade etérea e metafísica, sons que eram desconhecidos aquando da estreia desta sinfonia e que contribuíram para a sua associação às esferas da morte, do luto e de ‘testamento espiritual’. Quando as violetas tocam, em pianississimo, a última figura de toda a sinfonia, o ouvinte encontra a sua interioridade profunda, tendo sido conduzido por Mahler aos mais recônditos meandros da sua própria psique – fator que talvez explique a profunda comoção interior que este andamento produz nos ouvintes.

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 9

1. Andante Comodo
2. Im Tempo Eines Gemächlichen Ländlers. Etwas Täppisch Und Sehr Derb
3. Rondo. Burleske (Allegro Assai. Sehr Trotzig – Presto)
4. Adagio (Sehr Langsam)

Russian State Symphony Orchestra
Evgeny Svetlanov

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Mahler : tragicão e sublime

Mahler : tragicão e sublime

PQP

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 8

Mahler 8 SvetlanovEu amo Mahler. Suas sinfonias, ciclos de canções, sua esposa. Mas, se eu tivesse que escolher dentre suas obras as que menos gosto, estas seriam a 8ª e a 9ª Sinfonias. Claro, deve ser uma limitação minha. Eu as acho realmente exageradas, grandiosas e menores. Porém, Mahler estava convencido da importância da obra. Aqui, ele renuncia ao pessimismo que marca boa parte da sua música, oferecendo a Oitava como expressão de confiança no espírito humano. Logo após a morte do compositor, as interpretações foram relativamente pouco comuns. No entanto, a partir de meados do século XX, a sinfonia foi incluída com regularidade nos programas das salas de concertos de todo o mundo e foi gravada em muitas ocasiões. Sem deixar de reconhecer a sua grande popularidade, os críticos modernos têm opiniões diversas sobre a obra, alguns opinando que seu otimismo é pouco convincente e considerando a obra como artística e musicalmente inferior a outras de suas sinfonias. É o que penso. A gravação de Svetlanov é, literalmente, boa e russa.

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 8

1 Part 1. Hymnus “Veni, creator spiritus”. Allegro impetuoso 24:08
2 Part 2. Scène finale du “Faust II” de Goethe. Poco adagio – Più mosso 59:15

Natalia Gerassimova (Soprano)
Galina Borissova (Mezzo Soprano)
Olga Alexandrova (Mezzo Soprano)
Alexei Martynov (Tenor)
Dimitri Trapeznikov (Bariton)
Anatoly Safiulin (Bass),
Galina Boiko (Soprano)
Ludmila Golub (Organ)
Russian State Symphony Orchestra
Moscow Choral Academy Children’s Choir
Moscow Choral Academy Mixed Choir
Yevgeny Svetlanov

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Mahler e Beyoncé

Mahler e Beyoncé

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonias Nº 7 e 10

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Como de costume, Svetlanov cria uma incrível textura orquestral, com cores e momentos mágicos em cada trecho, permitindo a cada instrumento cantar e expressar-se em toda a extensão. Que contraste com a versão calculada e artificial de Gergiev! A Sinfonia Nº 7 tem uma estrutura simétrica mais ou menos assim: um belíssimo e dançante Scherzo envolvido por duas ma-ra-vi-lho-sas “Músicas da Noite”, as quais são antecedidas e sucedidas por dois movimentos tipicamente mahlerianos, um sombrio e outro luminoso. Fazendo um esquema bem precário, é assim:

Sombras / Música da Noite 1 / Scherzo / Música da Noite 2 / Alegria

Costumo ouvir a sétima sinfonia retirando o primeiro e o último movimento. Fico apenas com as duas Nachtmusiken e com o Scherzo, que me é particularmente sedutor. Ouvindo Svetlanov, este esquema revelou-se em toda sua imbecilidade.

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonias Nº 7 e 10

Symphonie N °7 En Mi Mineur ” Chant De La Nuit
1-1 1. Adagio. Allegro Con Fuoco 22:53
1-2 2. 1ste Nachtmusik : Allegro Moderato 18:52
1-3 3. Scherzo: Schattenhaft 9:43
1-4 4. 2te Nachtmusik : Andante Amoroso 15:43
2-1 5. Rondo: Allegro Ordinario 17:52

Symphonie N° 10 En Fa Dièse Majeur
2-2 Adagio 31:46

The Russian State Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov

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Freud and Mahler, de Edward Sorel

Freud and Mahler, de Edward Sorel

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Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra

Só de ver o título A Canção da Terra ou Das Lied von der Erde eu já fico feliz, mas alguma coisa não deu certo neste CD. A primeira surpresa é que o notável tenor Jonas Kaufmann canta todas as seis partes. Ora, esta obra é considerada uma espécie Sinfonia para tenor e contralto (ou mezzo ou barítono) e tradicionalmente duas vozes cantam os seis movimentos. As performances com um barítono ao invés de um mezzo ou contralto como segundo solista parecem ter se tornado mais comuns na última década, seguindo o exemplo criado há meio século por Dietrich Fischer-Dieskau (com James King, tenor), Thomas Hampson (com Peter Seiffert, tenor) e Christian Gerhaher (com Klaus Florian Vogt, tenor). As gravações citadas demonstraram quão eficaz uma segunda voz masculina pode ser nesta peça. Mas, embora a voz de Kaufmann seja regularmente descrita como tendo qualidades de barítono, ele não é um barítono, e há momentos em que parece estar lutando para reunir o suficiente peso para suportar a linha vocal. Foi uma experiência… que talvez não devesse ser registrada em disco, considerando-se que Kaufmann costuma ser espetacular.

Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra

1 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: I. Das Trinklied vom Jammer der Erde 8:06
2 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: II. Der Einsame im Herbst 9:57
3 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: III. Von der Jugend 3:08
4 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: IV. Von der Schönheit 6:56
5 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: V. Der Trunkene im Frühling 4:25
6 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: VI. Der Abschied 28:33

Jonas Kaufmann, tenor
Wiener Philharmoniker
Jonathan Nott

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Jonas, veja bem...

Jonas, veja bem…

PQP

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Vários compositores: Piano Rarities · Vol. 1 Transcriptions

Um disco gentil e agradável. Nada demais, mas também nada indigno. Chama a atenção, é claro, as transcrições para piano do lied An Sylvia, de Schubert, e do Adagietto da Quinta Sinfonia de Mahler. Cyprien Katsaris é um virtuose daqueles que fazem uma brilhatura e sorriem. Ele ama transcrições, tanto que já gravou a integral das Sinfonias de Beethoven transcritas por Liszt. Mas sua maior aventura foi ter gravado uma rara versão para piano de A Canção da Terra, de Gustav Mahler com Brigitte Fassbaender e Thomas Moser. Em registros mais sérios, está gravando todos os Concertos para Piano de Mozart. Olha, com o espírito que ambos têm, Mozart e Katsaris, acho que deve ser uma boa ouvir. É um sujeito peculiar esse pianista.

Vários compositores: Piano Rarities · Vol. 1 Transcriptions

1 Fritz Kreisler (1875-1962) · Praeludium and Allegro in the style of Pugnani
2 Robert Schumann (1810-1856) · MondNacht, op. 39 no. 5
3 Franz Schubert (1797-1828) · Gesang (An Sylvia), op. 106 no. 4, D. 891
4 Richard Wagner (1813-1883) · Der Engel (no. 1 from Wesendonck-Lieder)
5 Richard Strauss (1864-1949) · Zueignung, op. 10 no. 1
6 Gustav Mahler (1860-1911) · Adagietto (from Symphony no. 5)
7 Federico Mompou (1893-1987) · Damunt de tu només les flors
8 Francisco Táregga (1852-1909) · Recuerdos de la Alhambra
9 Agustín Barrios Mangoré (1885-1944) · Chôro Da Saudade
10 Georges Bizet (1838-1875) · Adieux de l’Hôtesse arabe
11 Gabriel Fauré (1845-1924) · Nell, op. 18 no. 1
12 Léo Delibes (1836-1891) · Valse (from Coppélia ou la Fille aux yeux d’émail)
13 Stanislaw Moniuszko (1819-1872) · Gwiazdka
14 Sergei Rachmaninov (1873-1943) · Vocalise
15 Reinhold Glière (1875-1956) · Valse (from The Bronze Horseman)

Cyprien Katsaris, piano

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Cyprien Katsaris: a cara deste CD

Cyprien Katsaris: a cara deste CD

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5

Tenho a impressão de que Mahler adoraria esta versão super contrastante de Evgeny Svetlanov (1928-2002). O primeiro movimento é perigosamente lento (às vezes arrastado), porém as explosões são espetaculares. O segundo movimento é tão tempestuoso como pode ser. O terceiro movimento é não é lento, mas é mais delicado do que o habitual e tocado de forma muito bela. O Adagietto é um tiro no coração — há leitura mais profunda do que a de Svetlanov? Declaro Svetlanov o Campeão do Adagietto! É pra chorar mesmo. E o último movimento é maravilhosamente detalhado e muito poderoso. Ainda fico com os registros de Tilson Thomas e Bernstein, mas que este Svetlanov convence, ah, convence sim!

Gustav Mahler (1860-1911): Symphony No. 5

1 Trauermarsch, In Gemessenem Schritt. Streng. Wie Ein Kondukt 14:40
2 Stürmisch Bewegt. Mit Grösster Vehmenz 14:42
3 Scherzo. Kräftg, Nicht Zu Schnell 19:26
4 Adagietto. Sehr Langsam 9:55
5 Rondo-Finale. Allegro 14:17

Russian State Symphony Orchestra
Evgeny Svetlanov

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Svetlanov

Svetlanov

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 2 “Ressurreição”

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um Mahler russo e monumental este de Svetlanov. Gostei muito. Creio que possa me ufanar de conhecer muitíssimas gravações desta obra-prima e digo-lhes que há várias excelentes. Se Rattle permanece no topo da Ressurreição, Tilson Thomas, Bernstein e este Svetlanov pressionam o campeão. Esta sinfonia pergunta: “Por que se vive?”. Simbolicamente, ela narra a derrota da morte e a redenção final do ser humano, após este ter passado por uma período de incertezas e agruras. São suas dúvidas, sua fé e a ressurreição no Dia do Juízo Final. O primeiro movimento é sobre a morte, no segundo a vida é relembrada, e o terceiro apresenta as dúvidas quanto à existência e ao destino. No quarto movimento o herói readquire a sua fé e a esperança. No quinto e último movimento ocorre a Ressurreição, na forma imaginada por Mahler.

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 2 “Ressurreição”

1. Allegro maestoso. Mit durchaus ernstem und feierlichem Ausdruck (With complete gravity and solemnity of expression)
2. Andante moderato. Sehr gemächlich. Nie eilen. (Very leisurely. Never rush.)
3. In ruhig fließender Bewegung (With quietly flowing movement)
4. Urlicht (Primeval Light). Sehr feierlich, aber schlicht (Very solemn, but simple)
5. Im Tempo des Scherzos (In the tempo of the scherzo

Olga Aleksandrova, contralto
L. Ermakova, Choir Master
Natalia Gerasimova, soprano
Russian State Symphony Orchestra
Evgeny Svetlanov

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Svetlanov, pegando Mahler com a mão

Svetlanov, pegando Mahler com a mão

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Dentre o mar de regentes, uso poucos como tábuas certas de salvação: Fricsay, Kleiber, Wand, Celibidache, Abbado, Bernstein, Temirkanov, Gardiner, Rattle. Neste século, Dudamel e Nelsons. Mas, de todos eles, o cara no qual confio mesmo é Bernard Haitink. Chegando aos 88 anos, o ex-violinista tem tantas gravações de grande qualidade como regente que dá para preencher paredes de CDs. Seus anos de Concertgebouw, Londres e Boston foram brilhantes. Vi-o recentemente em ação, à frente da Chamber Orchestra of Europe, com Alina Ibragimova. Está com tudo em cima, regendo como nunca. Aqui temos um registro recente de um concerto realizado em Munique em junho de 2016. Haitink, ao vivo, faz uma 3ª de Mahler bem diferente de suas gravações do século XX. A sinfonia está mais delicada e próxima do texto-programa do compositor. Ou seja, Haitink não estava confortável no cânone de grandiosidade normalmente utilizado. Mesmo no Olimpo, ainda se incomoda. E é notável como tudo ganhou uma vida diferente. As bandas militares da infância de Mahler ficaram mais lúdicas. A poesia é poesia — Haitink respeitou minuciosamente o modo rarefeito com que a orquestra é tratada e sublinha este fato com clareza. Enfim, não dá para deixar passar. Trata-se de algo que deve ser ouvido.

Haitink em 1984

Haitink em 1984

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3

01. Symphony No. 3 in D Minor_ I. Kräftig. Entschieden
02. Symphony No. 3 in D Minor_ II. Tempo di menuetto. Sehr mäßig
03. Symphony No. 3 in D Minor_ III. Comodo. Scherzando
04. Symphony No. 3 in D Minor_ IV. Sehr langsam. Misterioso
05. Symphony No. 3 in D Minor_ V. Lustig im Tempo und keck im Ausdruck
06. Symphony No. 3 in D Minor_ VI. Langsam. Ruhevoll. Empfunden

BERNARD HAITINK
Conductor
GERHILD ROMBERGER
Mezzosoprano
AUGSBURGER DOMSINGKNABEN
Director: Reinhard Kammler
FRAUENCHOR DES BAYERISCHEN RUNDFUNKS
Director: Yuval Weinberg
SYMPHONIEORCHESTER DES BAYERISCHEN RUNDFUNKS

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Haitink em janeiro de 2017 | Foto: PQP Bach

Haitink em janeiro de 2017 | Foto: PQP Bach

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In Memory Of… Classics for Funerals (Sugestões de Repertório para seu Velório)

IM-PER-DÍ-V…

Este álbum duplo que me caiu nas mãos é algo bastante original. In Memory Of… Classics for Funerals é uma série de highlights lentos, tristes e pouco barulhentos. A respeitada gravadora Chandos resolver perder o pudor e chamou a coletânea de Clássicos para Funerais, ou seja, se algum familiar seu morrer e você quiser colocar uma música culta e digna em honra a seu morto, aí está! Lembrem do PQP quando ouvirem a trilha no velório, por favor. É o mínimo.

A primeira faixa do disco, a Marcha Fúnebre de Chopin é tocada com orquestra e isso me incomodou. Depois, o nível da coisa sobe muito e o morto pode seguir de forma decorosa para o vazio. Há belas lembranças de obras que não relaciono com a morte — como se fizéssemos alguma coisa neste mundo que não tivesse relação com a morte! –, mas que agora, sei lá, talvez passe a relacionar. Apesar de ser uma incrível colcha de retalhos, misturando, épocas e gêneros, gostei de ouvir o disco de mais de 150 minutos.

Boa morte a todos! Coloquem música no lugar do padre! Basta de recaídas religiosas na hora da morte! É de péssimo gosto!

In Memory Of… Classics for Funerals (Sugestões de Repertório para seu Velório)

1.Frédéric Chopin Piano Sonata No. 2 in B flat minor, Op. 35, CT. 202 : Funeral March 7:05
2.Giuseppe Verdi Requiem Mass, for soloists, chorus & orchestra (Manzoni Requiem) : Agnus Dei 5:23
3.Johann Sebastian Bach Komm, süsser Tod, for voice & continuo (Schemelli Gesangbuch No. 868), BWV 478 (BC F227) 5:07
4.Gabriel Fauré Requiem, for 2 solo voices, chorus, organ & orchestra, Op. 48 : Pie Jesu 3:24
5.Edward Elgar Enigma Variations, for orchestra, Op. 36 : Nimrod 3:31
6.George Frederick Handel Messiah, oratorio, HWV 56 : I know that my redeemer liveth 6:01
7.Johann Sebastian Bach Concerto for 2 violins, strings & continuo in D minor (“Double”), BWV 1043 : Largo 6:56
8.Gabriel Fauré Pavane, for orchestra & chorus ad lib in F sharp minor, Op. 50 6:24
9.Sergey Rachmaninov Vocalise, transcription for orchestra, Op. 34/14 4:29
10.Henry Purcell Dido and Aeneas, opera, Z. 626 : When I am laid in earth 3:26
11.Jules Massenet Thaïs, opera in 3 acts : Méditation 4:51
12.Maurice Ravel Pavane pour une infante défunte, for piano (or orchestra) 6:25
13.Percy Grainger Irish Tune from County Derry (Londonderry Air), folk song for string orchestra with 2 horns ad lib. (BFMS 15) 4:22
14.Samuel Barber Adagio for strings (or string quartet; arr. from 2nd mvt. of String Quartet), Op. 11 8:25
15.Wolfgang Amadeus Mozart Requiem for soloists, chorus, and orchestra, K. 626 : Introitus 5:20
16.Jules Massenet La Vierge, sacred legend in 4 acts : Le dernier sommeil de la Vierge 3:31
17.César Franck Panis angelicus for tenor, organ, harp, cello & bass 3:47
18.Gustav Mahler Adagietto, for orchestra (from the Symphony No. 5) 10:51
19.George Frederick Handel Saul, oratorio, HWV 53 : Dead March 5:20
20.Johann Sebastian Bach St. John Passion (Johannespassion), BWV 245 (BC D2) : Ruht wohl, ihr heiligen Gebeine 6:56
21.Arvo Pärt Cantus in Memory of Benjamin Britten, for string orchestra & bell 6:18
22.Gabriel Fauré Requiem, for 2 solo voices, chorus, organ & orchestra, Op. 48 : Agnus Dei 5:49
23.William Walton Henry V, film score : Touch her soft lips and part 1:37
24.Edvard Grieg Peer Gynt Suite for orchestra (or piano or piano, 4 hands) No. 1, Op. 46 : Death of Åse 4:11
25.Johann Sebastian Bach Cantata No. 147, “Herz und Mund und Tat und Leben,” BWV 147 (BC A174) : Jesu, Joy of Man’s Desiring 3:02
26.Edward Elgar Sursum Corda, elévation for brass, organ, strings & 2 timpani in B flat major, Op. 11 7:11
27.Ludwig van Beethoven Symphony No. 3 in E flat major (“Eroica”), Op. 55 : Marcia funebre 15:05

A relação com os artistas envolvidos:

Disc: 1

1. Funeral March From Op.35 – BBC Philharmonic
2. Agnus Dei – Richard Hickox
3. Komm Susse Tod – BBC Philharmonic
4. Pie Jesu – Libby Crabtree
5. ‘Nimrod’ – Alexander Gibson
6. ‘I Know That My Redeemer Liveth’ – Joan Rodgers
7. Largo – Simon Standage
8. Pavane – BBC Philharmonic
9. Vocalise – Detroit Symphony Orchestra
10. ‘When I Am Laid In Earth’ – Emma Kirby
11. ‘Meditation’ – Yuri Torchinsky
12. Pavane Pour Une Infante Defunte – Louis Lortie
13. Irish Tune – BBC Philharmonic
14. Adagio For Strings, Op.11 – Neeme Jarvi

Disc: 2

1. Introitus – Choir Of Saint John’s College
2. ‘Le Dernier Sommeil De La Vierge – BBC Philharmonic
3. Panis Angelicus – BBC Philharmonic
4. Adagietto – Neeme Jarvi
5. ‘Dead March’ – BBC Philharmonic
6. ‘Ruht Wohl, Ihr Heiligen Gebeine’ – Harry Christophers
7. Cantus-In Memory Of Benjamin Britten – Neeme Jarvi
8. Agnus Dei – City Of Birmingham Symphony Chorus
9. ‘Touch Her Soft Lips And Part’ – Richard Hickox
10. ‘Death Of Ase’ – Vernon Handley
11. ‘Jesu, Joy Of Man’s Desiring’ – Michael Austin
12. Sursum Corda, Op.11 – Bournemouth Sinfonietta
13. Marcia Funebre – Walter Weller

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O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman: joguinho de xadrez com a morte

O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman: joguinho de xadrez com a morte

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia nº 4

Svetlanov tem a mão mais pesada do que Mehta, Haitink e Bernstein. Sua versão não chega a ser um grande modelo de referência, mas convence. OK.

A Quarta Sinfonia em sol maior de 1899-1900 pode ser considerada um epílogo para as três primeiras sinfonias. É a sinfonia mais intimista e delicada de Mahler, com orquestra reduzida e sem grandiosidades. É também a mais curta da série. E das mais belas. Não se pode falar em ingenuidade em relação a uma composição tão sutil, mas a atmosfera é certamente infantil, de modo sumamente apropriado. Não admira que seja a mais popular e acessível sinfonia de Mahler, e é a primeira em que ele se conservou fiel aos quatro movimentos do modelo clássico. Pensou em chamá-la de Humoresque. Os movimentos estão tematicamente interligados à maneira usual de Mahler. “Eu queria realmente escrever um humoresque sinfônico que acabou se convertendo numa sinfonia completa, enquanto que antes, quando quis escrever a Segunda e Terceira sinfonias, acabei escrevendo cada uma delas com o tamanho de três.”

Sua composição demorou muito tempo para os padrões de Mahler: o quarto movimento Das Leben Himmlische (Vida Celestial) foi tomado do Des Knaben Wunderhorn, ciclo de lieder escrito em 1892. Este movimento deveria ser parte, inicialmente, da Terceira Sinfonia. Como esta já estava imensa, Mahler então decidiu colocá-lo no final da sua Quarta Sinfonia e escreveu seus três primeiros movimentos…

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia nº 4

1. Bedächtig. Nicht eilen – Recht gemächlich
2. In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast
3. Ruhevoll (Poco adagio)
4. Sehr behaglich: “Wir genießen die himmlischen Freuden”

Natalia Gerassimova
Russian Symphony Orchestra
Evgeny Svetlanov

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Svetlanov em ação sem batuta

Svetlanov em ação sem batuta

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Berio (1925-2003): Sinfonia – Berio & Mahler (1860-1911): Frühe Lieder

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Olha, nem sei bem do que se trata essas 10 canções (lieder) de Mahler arranjadas pelo grande compositor italiano Luciano Berio. Conhecia algumas, outras não.

Claro, pois o que interessa neste CD é mais um raro registro da célebre Sinfonia de Berio. A Sinfonia foi uma encomenda da Filarmônica de Nova York para seu 125º aniversário. Composta em 1968-69 para orquestra e oito vozes amplificadas, é um inovador trabalho pós-serial, com vários vocalistas comentando sobre tópicos musicais, literários e políticos numa viagem aparentemente alucinada de citações e passagens dissonantes. As oito vozes não são usadas de maneira habitual. Frequentemente não cantam, mas falam, sussurram e gritam palavras de Claude Lévi-Strauss, cujo O Cru e o Cozido fornece boa parte do texto. Há também trechos do romance de Samuel Beckett O Inominável, instruções da partitura de Gustav Mahler para o 3º movimento da Sinfonia Nº 2, A Ressurreição — utilizada loucamente no terceiro movimento de Berio — , e grafites parisienses de maio de 1968. A estreia foi regida por Leonard Bernstein que escreveu que a Sinfonia era representante da nova direção que a música clássica estava tomando após a década pessimista dos anos sessenta. Foi, efetivemente, uma quebra naquela pasmaceira derivada da Segunda Escola de Viena.

Berio disse mais ou menos isso: “Tentar definir a música é quase como tentar definir a poesia, ou seja: trata-se de uma operação felizmente impossível, considerando a futilidade de querer estabelecer uma fronteira entre o que é música e o que não é, entre poesia e não-poesia. Talvez a música seja justamente isto: a procura de uma fronteira constantemente deslocada.”

A famosa Sinfonia de Berio está por toda a rede. São centenas de artigos que analisam uma das principais obras musicais do vanguardismo musical do século XX. Ela foi dedicada à Leonard Bernstein, que a estreou, mas na verdade homenageia toda a história da música, principalmente em seu terceiro movimento em que ouve-se claramente Mahler, Mahler, Mahler mas também Debussy, Bach e Schoenberg.

Ao ouvinte com pouca vivência em música moderna, sugiro começar a audição pelo terceiro movimento. Ali está o cerne da Sinfonia. Na segunda parte da Sinfonia há um tributo à memória de Martin Luther King. As oito vozes remetem-nos aos sons que constituem o nome do mártir negro até a enunciação completa e inteligível do seu nome.

Berio (1925-2003): Sinfonia – Berio & Mahler (1860-1911): Frühe Lieder

1 Lieder und Gesänge, Book 3: XI. Ablösung im Sommer 1:37
2 Lieder und Gesänge, Book 3: X. Zu Straβburg auf der Schanz 3:49
3 Lieder Und Gesänge, Book 3: XIII. Nicht Wiedersehen! 4:32
4 Lieder und Gesänge, Book 2: VI. Um schlimme Kinder artig zu machen 1:49
5 Lieder und Gesänge, Book 1: II. Erinnerung 2:47
6 Lieder und Gesänge, Book 1: III. Hans und Grete 2:03
7 Lieder und Gesänge, Book 2: VII. Ich ging mit Lust 4:26
8 Lieder und Gesänge, Book 1: I. Frühlingsmorgen 1:59
9 Lieder und Gesänge, Book 1: V. Phantasie aus “Don Juan” 2:24
10 Lieder und Gesänge, Book 3: XII. Scheiden und Meiden 2:38

Matthias Goerne
BBC Symphony Orchestra
Josep Pons

11 Sinfonia: I. 5:56
12 Sinfonia: II. O King 4:34
13 Sinfonia: III. In ruhig fliessender Bewegung 12:23
14 Sinfonia: IV. 3:14
15 Sinfonia: V. 7:11

The Synergy Vocals
BBC Symphony Orchestra
Josep Pons

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Luciano Berio ensina um violista a como segurar seu instrumento.

Luciano Berio ensina um violista a como segurar seu instrumento.

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Gustav Mahler (1860-1911): Symphony No. 9 (Tilson Thomas)

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Eu não sou a pessoa mais adequada para escrever a respeito de uma sinfonia que só pode ser boa mas pela qual não sou apaixonado. OK, é uma limitação pessoal de ama Mahler de 1 a 7 e a 10… Fazer o quê? Esta coleção é tão boa que não posso deixar incompleta, né? Aos que discordam e concordam comigo, pedras e bombons nos comentários e só lá, está bem?

Gustav Mahler: Symphony No. 9

Disc 1:
1. Symphony No. 9 in D Major: I. Andante comodo 30:31
2. Symphony No. 9 in D Major: II. Im Tempo eines gemächlichen Ländlers 17:04

Disc 2:
1. Symphony No. 9 in D Major: III. Rondo burleske 13:58
2. Symphony No. 9 in D Major: IV. Adagio 27:49

San Francisco Symphony
Michael Tilson Thomas

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Mahler: tentando se achar no meio da 9ª

Mahler: tentando se achar no meio da 9ª

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Gustav Mahler (1860-1911): Symphony No. 10 / Symphony No. 8 (Tilson Thomas)

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Já disse isso: quando olho minha discoteca e decido por Mahler, jamais pego a oitava ou a nova para ouvir. Não são as minhas preferidas. Mas aqui neste CD tem a primeiro movimento da décima, que ficou infelizmente incompleta em razão da morte do compositor. Então, ao invés de irritar os admiradores da oitava sinfonia, direi que acho que esta série de gravações de Michael Tilson Thomas vai ocupar lugar de destaque na discografia mahleriana. E tenho dito!

Gustav Mahler (1860-1911)
Symphony No. 10
Symphony No. 8

Disc 1:

1. Symphony No. 10: I. Adagio 27:56

2. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part I – I. Veni Creator Spiritus 7:28
3. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part I – II. Accende lumen sensibus 4:29
4. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part I – III. Infunde amorem cordibus 8:55
5. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part I – IV. Gloria Patri Domino 2:40

Disc 2:

1. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part II – I. Poco Adagio 11:12 Album Only
2. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part II – II. Waldung sie schwankt heran 4:57
3. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part II – III. Ewiger Wonnebrand Quinn Kelsey 1:15
4. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part II – IV. Wie Felsenabgrund mir zu Füßen 4:36
5. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part II – V. Gerettet ist das edle Glied 5:40
6. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part II – VI. Hier ist die Aussicht frei 4:19
7. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part II – VII. Dir der Unberührbaren 5:02
8. Symphony No. 8 In E-Flat Major: Part II – VIII. Du Schwebst Zu Höhen 1:19
9. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part II – IX. Bei dem Bronn zu dem schon weiland 7:59
10. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part II – X. Komm! Hebe dich zu höhern Sphären! 1:16
11. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part II – XI. Blicket auf 6:32
12. Symphony No. 8 in E-Flat Major: Part II – XII. Alles Vergängliche 6:15

Erin Wall, soprano
Enza van den Heever, soprano
Laura Claycomb, soprano
Katarina Karnéus, mezzo-soprano
Yvonne Naef, mezzo-soprano
Anthony Dean Griffey, tenor
Quinn Kelsey, baritone
James Morris, bass-baritone

San Francisco Symphony Chorus. Ragnar Bohlin, director
Pacific Boychoir. Kevin Fox, director
San Francisco Girls Chorus. Susan McMane, director

San Francisco Symphony
Michael Tilson Thomas

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Mahler e seu anjo, se entendem a referência a Berg

Mahler e seu anjo, se entendem a referência ao concerto de Berg

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 7 (Tilson Thomas)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

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Podem me jogar pedras, mas vou escrever mesmo assim. Amo as sinfonias de números 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 10 de Mahler. Mas não tenho o mesmo amor pela 8ª e 9ª. Esta Sétima de Tilson Thomas é a própria perfeição. Gosto desta sinfonia por ser melodiosíssima e lindíssima, só isso. Passei quatro dias ouvindo-a com exclusividade. A estrutura é simétrica, são cinco movimentos: uma paulada no começo, outra no final; duas músicas da noite no segundo e quarto movimentos, com direito a bandolim no quarto; e uma fantástica valsa bem no coração da sinfonia. E agora digo mais: nesta sinfonia, Tilson Thomas venceu o maior regente mahleriano, Leonard Bernstein. Venceu, sim, basta ouvir.

Mahler: Symphony No. 7

1. Symphony No. 7 in E minor: I. Langsam?Allegro risoluto ma non troppo 20:43
2. Symphony No. 7 in E minor: II. Nachtmusik I: Allegro moderato – Molto moderato (Andante) 15:35
3. Symphony No. 7 in E minor: III. Scherzo: Schattenhaft 10:11
4. Symphony No. 7 in E minor: IV. Nachtmusik II: Andante amoroso 13:33
5. Symphony No. 7 in E minor: V. Rondo – Finale: Allegro ordinario?Allegro moderato ma energico 18:05

San Francisco Symphony
Michael Tilson Thomas

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Mahler em foto rara, né?

Mahler em 1909: fazendo cara de curioso.

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonias Nº 4, 5 e 6 (Tilson Thomas)

Tilson Thomas

Tilson Thomas

IM-PER-DÍVEL !!!

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É espantoso o trabalho que faz Michael Tilson Thomas e a orquestra de São Francisco nesta integral das Sinfonias de Gustav Mahler. Esta deve ser a terceira integral que vou postando e ainda tenho mais duas… Estou indo na minha ordem… Postei a 2ª e a 3ª e agora vou para a 4ª, 5ª e 6ª. Depois virá a 7ª e voltarei à 1ª, tá? A melhor integral ainda é, na minha opinião, a de Lenny, mas eu acho muito legal que outros tentem batê-lo. Assim a gente ouve bastante Mahler.

Gustav Mahler (1860-1911) – Sinfonia No. 4

01. I. Bedächtig. Nicht eilen
02. II. In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast
03. III. Ruhevoll
04. IV. Das himmlische Leben. Sehr behaglich

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Gustav Mahler (1860-1911) – Sinfonia No. 5

01. 1. Trauermarsch
02. 2. Stürmisch bewegt. Mit grösster Vehemenz
03. 3. Scherzo – Kraftig, nicht zu schnell
04. 4. Adagietto – Sehr langsam
05. 5. Rondo – Finale – Allegro

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Gustav Mahler (1860-1911) – Sinfonia Nº 6

01. I. Allegro energico, ma non troppo. Heftig, aber markig
02. II. Scherzo. Wuchtig
03. III. Andante moderato
04. Finale Allegro moderato – Allegro energico

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San Francisco Symphony
Michael Tilson Thomas

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3 e Kindertotenlieder (Tilson Thomas)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

É a mais extensa das sinfonias de Mahler e, em minha opinião, uma das três melhores. Sou totalmente apaixonado. Tilson Thomas poderia ter sido mais enfático no primeiro movimento, mas mata a pau em todos os outros. Curiosamente, mesmo os que elogiaram veementemente o ciclo mahleriano de Tilson, receberam com restrições esta terceira. Faltaria-lhe caráter e originalidade interpretativa. Haveria cuidado exagerado com a perfeição técnica. Porém, eu apenas noto isso, repito, no primeiro movimento. Aliás, é o primeiro e único (pequeno) escorregão deste maravilhoso registro da orquestra de São Francisco.

Symphony No. 3 in D minor

1 Part I. Introduction. 1. Kräftig, entschieden 36:16
2 Part II. 2. Tempo di menuetto. Sehr mässig 10:10
3 Part II. 3. Comodo. Scherzando. Ohne Hast 18:58
4 Part II. 4. Sehr langsam. Misterioso 10:25
5 Part II. 5. Lustig im Tempo und keck im Ausdruck 4:24
6 Part II. 6. Langsam. Ruhevoll. Empfunden 26:31

Kindertotenlieder, song cycle for voice & piano (or orchestra)
7 1. Nun will die Sonn’ so hell aufgeh’n 6:13
8 2. Nun seh’ ich wohl 5:02
9 3. Wenn dein Mütterlain tritt zur Tür herein 4:54
10 4. Oft denk’ ich, sie sind nur ausgegangen 3:19
11 5. In diesem Wetter, in diesem Braus

Michelle DeYoung
San Francisco Symphony
Michael Tilson Thomas

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Gustav Mahler: sintam a elegância do bofe

Gustav Mahler: sintam a elegância do bofe

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia No. 2 “Ressurreição” (Tilson Thomas)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Há mais um mistério no ar. Os regentes americanos e Mahler, Mahler e os regentes americanos. O melhor mahleriano morto talvez seja Leonard Bernstein, mas Tilson Thomas vem logo atrás, junto com outros pouquíssimos e compreensivos maestros. E ele tem uma vantagem, está vivinho da silva. Esta Ressurreição, por exemplo é espetacular e dá sequencia a esta postagem, que comprova que o cara-de-fuínha Tilson Thomas é um dos melhores mahlerianos que andam sobre duas pernas em nosso planeta.

fuinhaGustav Mahler (1860-1911): Sinfonia No. 2 “Ressurreição”

1. Symphony No. 2 in C minor: II. Andante moderato 11:49
2. Symphony No. 2 in C minor: III. In ruhig fliessender Bewegung 10:46
3. Symphony No. 2 in C minor: IV. “Urlicht”: Sehr feierlich, aber schlicht 5:43
4. Symphony No. 2 in C minor: V. Finale?Im Tempo des Scherzos 21:30
5. Symphony No. 2 in C minor: V. …Chorus: “Aufersteh’n” 15:25

Isabel Bayrakdarian
Lorraine Hunt Lieberson
San Francisco Symphony
Michael Tilson Thomas

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Criador e criatura

Criador e criatura

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Gustav Mahler (1860-1911): Symphony No. 1 (Tilson Thomas)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

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Enfim, mais uma coleção fica finalizada! E esta é das boas! Como somos um bando de revoltados de meia-idade, terminamos pelo primeiro CD da série, uma sensacional versão da Titã (1884-1888).  A primeira sinfonia de Mahler já trazia todo um mundo. O próprio Mahler, numa carta de 26 de Março de 1896: Gostaria que ficasse enfatizado ser a sinfonia maior do que o caso de amor em que se baseia, ou melhor, que a precedeu, no que se refere à vida emocional do criador. O caso amoroso tornou-se a razão para a existência da obra, mas não em absoluto, o significado real da mesma. (…) Assim como considero uma vulgaridade inventar música para se ajustar a um programa, também acho estéril dar um programa para uma obra completa. O fato de a inspiração ou base de uma composição ser uma experiência de seu autor não altera as coisas.

Um bom final de domingo!

Gustav Mahler (1860-1911): Symphony No. 1 (Tilson Thomas)

1. Symphony No. 1 in D major (‘Titan’): 1. Langsam. Schleppend [Slow. Dragging]
2. Symphony No. 1 in D major (‘Titan’): 2. Kräftig bewegt, doch nicht zu schnell [With powerful movement, but not too fast]
3. Symphony No. 1 in D major (‘Titan’): 3. Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen [Solemn and measured, without dragging]
4. Symphony No. 1 in D major (‘Titan’): 4. Stürmisch bewegt [With violent movement]

San Francisco Symphony
Michael Tilson Thomas

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A Primeira: o início da viagem

A Primeira: o início da viagem

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): Abertura Coriolano / Piotr Illich Tchaikovsky (1840-1893): Concerto para Violino, op. 35 / Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia nº1, Titã – Tetzlaff, Gardner CBSO

coverO Concerto para violino de Tchaikovsky tem um efeito meio que hipnótico sobre mim. Paro de fazer o que estou fazendo só para ouvi-lo, mesmo depois de quase quarenta anos que o conheço. É o mais belo de todos os concertos para o instrumento, não tenho dúvidas com relação a isso. Brahms que me perdoe, ou então Beethoven, se for listar os meus três favoritos. A melodia principal sobre a qual se desenvolve o tema é belíssima, e é impossível não ficarmos assobiando ela por um bom tempo depois de ouvir o concerto. Reza a lenda que quando apresentou a obra para alguns violinistas de sua época Tchaikovsky ouviu que sua execução era impossível. Lenda ou não, é inegável a dificuldade de sua execução. Para maiores informações sugiro a Wikipedia.

A interpretação do Concerto neste CD que ora vos trago está a cargo de Christian Tetzlaff, excelente violinista alemão, que nos mostra uma leitura vigorosa, evitando cair nas armadilhas da obra, e talvez por este motivo essa sua leitura perde um pouco da emotividade e sensibilidade tão necessária para sua execução. Claro que esta é uma opinião pessoal e ninguém precisa concordar comigo.

O Orquestra Sinfônica da Cidade de Birmingham foi dirigida durante muitos anos por Sir Simon Rattle, que a moldou e a transformou em uma das melhores orquestras européias do final do século XX. Aqui ela é dirigida por Edward Gardner, que depois do Beethoven e do Tchaikovsky encara ‘apenas’ a Sinfonia Titã de Mahler. Cabra macho esse.
A gravação deste Cd foi realizada ao vivo, por isso ouvimos as tradicionais palmas, e o bis com Bach depois do Concerto de Tchaikovsky.

CD 1

01 Overture Coriolan, Op.62
02 Concerto pour violon en ré majeur, op. 351. Allegro moderato
03 Concerto pour violon en ré majeur, op. 352. Canzonetta (Andante)
04 Concerto pour violon en ré majeur, op. 353. Finale (Allegro vivacissimo)
05 Partita for Violin Solo No.3 in E, BWV 10063. Gavotte en Rondeau

Christian Tetzlaff – Violin
City of Birmingham Symphony Orchestra
Edward Gardner – Conductor

CD 2

01 Symphonie n° 1 en ré majeur Titan1. Langsam. Schleppend
02 Symphonie n° 1 en ré majeur Titan2. Kräftig bewegt
03 Symphonie n° 1 en ré majeur Titan3. Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen
04 Symphonie n° 1 en ré majeur Titan4. Stürmisch bewegt

City of Birmingham Symphony Orchestra
Edward Gardner – Conductor

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FDP Bach

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 1 e Canções de um Viandante (CD 1 de 16)

Como meu coração é mesmo grande, nele cabem muitos compositores que adoro com igual paixão. Mahler é um deles e já estava na hora de voltar a ele. FDP Bach já postou anteriormente a integral de suas sinfonias, mas vou refazê-la por um simples motivo: tenho a integral das sinfonias em 320 Kbps e sabemos: Mahler tem de ser ouvido em detalhes, com os pianissimi quase inaudíveis e os fortissimi de fazer as janelas gemerem, senão perde a graça. Mais: seus principais ciclos de canções — including A Canção da Terra — estão nesta coleção de 16 CDs da DG. O regente escolhido é o mesmo que FDP escolheu. Por que mudaria se concordo com ele?

A Sinfonia Nº 1 era originalmente um poema sinfônico baseado na péssima novela “Titan”, de Jean Paul. Depois, tornou-se Sinfonia Titan. O primeiro movimento é pura expectativa e energia. Bernstein o trata de modo estranho, cheio de maneirismos pouco comuns em outros regentes. Após este início, a coisa entra nos eixos. E como! O terceiro movimento é curiosamente uma variação em tom menor da canção Frère Jacques e descreve o enterro de um caçador, promovido pelos animais que ele costumava matar. Abaixo, deixo para vocês o texto da Wikipedia a respeito:

Histórico

A estréia da sinfonia ocorreu no dia 20 de Novembro de 1889, em Budapeste, sob a regência do próprio Mahler. Na ocasião, a sinfonia não foi bem recebida pelo público.

A Sinfonia 1 em Ré Maior é escrita para uma orquestra composta pelos seguintes instrumentos: 4 flautas (2 piccolos), 4 oboés (um corne inglês), 4 clarinetes, 3 fagotes (um contrafagote), 7 trompas, 4 trompetes, 3 trombones, 1 tuba, 4 tímpanos, pratos, triângulo, tam-tam, bombo, 1 harpa, 1 quinteto de cordas formado por: violinos, violas, cellos e baixos.

Um caso de amor do compositor durante sua juventude provavelmente serviu de inspiração para a criação da sinfonia. Contudo, ela é mais do que isso conforme explica o próprio Mahler numa carta para Max Marschalk, em 26 de Março de 1896: Gostaria que ficasse enfatizado ser a sinfonia maior do que o caso de amor que se baseia, ou melhor, que a precedeu, no que se refere à vida emocional do criador. O caso real tornou-se razão para a obra, mas não em absoluto, o significado real da mesma. (…) Assim como considero uma vulgaridade inventar música para se ajustar a um programa, também acho estéril dar um program para uma obra completa. O fato de a inspiração ou base de uma composição ser uma experiência de seu autor não altera as coisas.

Originalmente ela foi concebida para ser um grande poema sinfônico.

Mahler escreveu um programa para a sinfonia, após as primeiras apresentações, embora dissesse em várias ocasiões que acreditava que a música deveria falar por si mesma, sem a necessidade do apoio de um texto explicativo.

Características

Como costumava fazer com outras obras suas, Mahler revisou a Sinfonia 1, entre os anos de 1893 e 1896. A mudança mais significativa foi retirada de um movimento andante chamado “Blumine”, sobra de uma música incidental que Mahler tinha escrito para Der Trompeter von Säkkingen (1884). Em 1894, depois de três apresentações, Mahler descartou o movimento e só permaneceram as referências a ele no segundo motivo do finale.

O movimento “Blumine” só foi redescoberto em 1966, por Donald Mitchell. Benjamin Britten conduziu a primeira apresentação da Sinfonia 1 com o movimento “Blumine”, desde que ele tinha sido executado pela última vez por Mahler em Aldeburgh. As maiorias das apresentações modernas da sinfonia não incluem o “Blumine”, ainda que seja possível não raramente se deparar com execuções do movimento em separado. De forma análoga, poucas gravações da sinfonia 1 incluem o movimento.

A obra inclui vários temas de um ciclo de canções composto por Mahler entre 1883 e final de 1884 chamado: Lieder Eines fahrenden Gesellen (Canções de um Viajante). Existem influências também de Das klagend Lied (A Canção da Lamentação), completada por Mahler em 1 de Novembro de 1880 para participar de um concurso de 1881 conhecido como Prêmio Beethoven.

A Sinfonia 1 de Mahler é uma sinfonia primaveril, semelhante em alguns aspectos com a Sinfonia 1 de Robert Schumman. Ela não é contudo uma simples descrição visual da natureza. Ela reflete uma natureza sob os inocentes olhos de uma criança, que ao mesmo tempo toma consciência da fragilidade e da morbidez inerentes à condição humana.

Os movimentos

Na sua forma final a sinfonia, cuja duração aproximada é de 55 minutos, é formada por quatro movimentos distribuídos da seguinte forma:

1. Langsam, schleppend – Devagar, arrastando (~ 16 minutos)
2. Scherzo, Kraeftig bewegt – Poderosamente agitado (~ 8 minutos)
3. Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen – Solene e moderado, sem se arrastar (~ 11 minutos)
4. Stuermisch bewegt – Agitado (~ 20 minutos)

A sinfonia inicia de forma misteriosa no primeiro movimento. Sons do cuco e de outros pássaros, representados musicalmente, anunciam o despertar da natureza e dão fim à tensão e às dúvidas. Um tema lírico segue.

O segundo movimento é um Landler-scherzo, parecido com os landlers de Anton Bruckner e de Haydn.

O terceiro movimento causou uma certa polêmica na época devido a sua aparente bizarrice. Adaptada como marcha fúnebre, é usada de forma paródica uma melodia infantil bastante conhecida, chamada em alguns países de Frère Jacques e em outros de Bruder Martin. A seu respeito Mahler escreveu no programa para os concertos em 1893 e 1894:

A idéia dessa peça veio ao autor por intermédio de uma gravura paródica conhecida por qualquer criança da Alemanha do Sul e intitulada “Os funerais do caçador”. Os animais da floresta acompanham o caixão do caçador morto; lebres empunham uma bandeira; à frente uma trupe de músicos boêmios acompanhados por instrumentistas gatos, corujas e corvos… Cervos, corças e outros habitantes da floresta, de pêlo ou pena, seguem o cortejo com fisionomias afetadas. A peça, com uma atmosfera ora ironicamente alegre, ora inquientante, é seguida de imediato pelo último movimento “d’all Inferno al Paradiso”, expressão súbita de um coração ferido no mais profundo de si…

O silêncio do terceiro movimento é abruptamente interrompido, de forma histérica, pela orquestra no quarto movimento. Conta-se que durante uma das primeiras apresentações da Sinfonia 1, uma senhora espantou-se e derrubou todos os objetos que carregava na mão.

Após alguns minutos a fúria inicial do último movimento é contida e cede lugar a uma melodia lírica. Os temas dos movimentos anteriores são lembrados. Perto do final, ocorre uma nova tempestade sonora, porém, ao contrário do início, que lembrava uma “luta”, agora o sentimento é de “triunfo”. Nesta parte Mahler pede para que os trompetistas da orquestra toquem de pé.

Na primeira postagem que fizemos da Sinfonia Nº 1, FDP Bach escreveu:

As opções de gravações das sinfonias de Mahler são inúmeras. Regentes como Bernstein chegaram a gravá-la duas vezes, enquanto outros não encaravam a totalidade, preferiam se concentrar em apenas algumas das sinfonias. Portanto, sei que muitos irão dizer que a “Titan” do Bernstein é superior à do Chailly, ou que a versão do Haitink é insuperável, ou que o atual menino de ouro da Filarmónica de Berlim, Simon Rattle é o cara, , ou que até mesmo a 9ª do Karajan, postada aqui há apenas alguns dias atrás é imbatível. Acatarei todas as opiniões, mas a versão que prevalecerá até o final é a do Bernstein, da DG. Os motivos que me levaram a escolhê-la são pessoais, mas baseados em diversas críticas altamente favoráveis, lidas nas mais variadas fontes. Até me dei ao trabalho de procurar uma biografia de Mahler entre as publicações brasileiras, mas infelizmente está tudo esgotado, até mesmo a autobiografia da Alma Mahler, publicada pela editora Martins Fontes nos anos 80, ou até mesmo a do Michael Kennedy, publicada pela Jorge Zahar Editor, também na mesma época. Em inglês as opções são múltiplas, basta fazer uma pesquisa no site da Livraria Cultura.

Esta introdução é necessária para alertá-los do tamanho da brincadeira a que estou me dedicando. Terei de conciliá-la com os estudos para um Concurso Público, para o qual estou me dedicando com total empenho. Portanto, se forem demorados os intervalos entre as postagens, peço para que considerem a situação a que os deixei cientes aí acima.

As gravadoras são pão-duras. Nas chamadas integrais destas sinfonias, as mesmas são divididas entre os cds. Exemplo: na versão do Chailly lançada pela DECCA, no final do cd em que se tem a primeira sinfonia, o espaço restante do cd é aproveitado para se colocar o primeiro movimento da 2ª, e assim por diante. Imagine como são os casos das sinfonias mais longas, como a 3ª, 6, 7, ou a 8ª… É uma confusão tremenda. E isso também acontece na gravação do Bernstein que irei postar.. Mas estou me dando ao trabalho de dividi-las devidamente (e viva o Sony Sound Forge). ´Seria sacanagem deixá-los esperando pela continuação num próximo cd. mas vamos ao que interessa.

CD1

Gustav Mahler – Sinfonia Nº 1 e Canções de um Viandante

Symphonie no. 1
01. Symphonie no. 1 – Langsam. Schleppend. Wie ein Naturlaut – Im Anfang sehr gemächlich
02. Kräftig bewegt, doch nicht zu schnell – Trio. Recht gemächlich
03. Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen
04. Stürmisch bewegt

Concertgebouw Orchestra
Leonard Bernstein

Lieder eines fahrenden Gesellen (Canções de um Viandante)
05. Wenn mein Schatz Hochzeit macht
06. Ging heut morgen übers Feld
07. Ich hab ein glühend Messer
08. Die zwei blauen Augen

Thomas Hampson: baritone
Wiener Philarmoniker
Leonard Bernstein

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Viram como eu sou bom pra caraglio?

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PQP

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