Mateus Alves (1982) – Música de Câmara e Orquestral

MAS É MUITO BOM!

Vem de Pernambuco o autor que vos apresentamos hoje, fazendo sua avant-première aqui no P.Q.P. Bach: Mateus Alves, jovem contrabaixista e promissor compositor da terra que nos deu Gilberto Freire e que encantou e acolheu nomes como Clóvis Pereira, Cussy de Almeida e Guerra Peixe. Bom, não é de se espantar: já faz um bom tempo que os estados vizinhos de Pernambuco e Paraíba são dois pólos de vanguarda da música erudita brasileira…
E Mateus Alves faz uma música leve, interessante, de sons longos, mas límpidos. Não tem medo de flertar com atonalismos e de, vez por outra, deixar-se tomar por rastros do Armorial, ainda muito presente na música de seu Estado e dos grandes compositores que estuda e com quem convive (que dádiva!). Não é música simples, e é possível que vocês nem gostem na primeira audição. Há que se esperar o ouvido se acostumar, ouvir novamente: Alves nos brinda com inesperadas continuidades; nos brinda, em suma, com o novo, com juventude!

Nem vou tomar mais o tempo de vocês, pois tem gente muito mais gabaritada que se debruça sobre as obras desse jovem que aqui apresentamos:
Não dis­por das lin­has de um pen­ta­grama para con­ce­ber algo lin­ear. Essa foi a mola-mestra de Mateus Alves ao com­por as três primeiras obras do pre­sente álbum, um inco­mum CD de Música de Con­certo Con­tem­porânea lançado em Per­nam­buco, que veio para estim­u­lar out­ros com­pos­i­tores eru­di­tos do estado, jovens e vet­er­a­nos, a divul­garem fono­grafi­ca­mente sua pro­dução, e cuja capa mate­ri­al­iza a metá­fora que guiou seu processo criativo.
Nas três primeiras peças citadas — exe­cu­tadas por músi­cos da Orques­tra Sin­fônica Jovem do Con­ser­vatório Per­nam­bu­cano de Música -, em que são tra­bal­ha­dos tec­ni­ca­mente e em sep­a­rado os naipes da orques­tra sin­fônica (exceto a per­cussão), Mateus frag­menta o dis­curso musi­cal e o dire­ciona de forma não pre­visível, criando uma espé­cie de cama de gato com os sons dos instru­men­tos e des­fazendo os desen­hos da corda tão logo lhe con­venha (cama de gato é aquela brin­cadeira infan­til con­hecida tam­bém como jogo do bar­bante). Às vezes, o entre­laça­mento dá lugar ao impro­viso, influên­cia declar­ada do jazz, como no quin­teto de madeiras e no quar­teto de cor­das. O Quin­teto de Madeiras No 1, que teve seu primeiro movi­mento exe­cu­tado pelo Quin­teto Villa-Lobos num work­shop no Recife, con­cede um breve momento, em espe­cial, para o uso de téc­ni­cas expandi­das em sua seção impro­visatória, no segundo movimento.
Já o “lado B” do CD, ocu­pado por “As Duas Estações Nordes­ti­nas”, toma rumo diverso da lin­guagem bus­cada pelo com­pos­i­tor no “lado A” a fim de prestar trib­uto a Clóvis Pereira, expoente vivo da música per­nam­bu­cana. Esta suíte orques­tral, objeto da mono­grafia de Mateus Alves na Uni­ver­si­dade Fed­eral de Per­nam­buco e super­vi­sion­ada por dois desta­ca­dos com­pos­i­tores nordes­ti­nos (Dier­son Tor­res e Eli-Eri Moura), segue influên­cia direta, mas não total, do Movi­mento Armo­r­ial. A peça foi escrita para a Orques­tra Sin­fônica Jovem do Con­ser­vatório Per­nam­bu­cano de Música, respon­sável pela primeira exe­cução da obra (reg­istrada no álbum), e que reúne músi­cos de todas as regiões do estado, inclu­sive o próprio com­pos­i­tor — agora ex-contrabaixista da orquestra.(Car­los Eduardo Ama­ral, jor­nal­ista e crítico musical)

Mateus Alves
Música de Câmara e Orquestral

Quinteto de Madeiras N° 1 (Granola)
1.  I – Lento melanconico (Leite [Milk])
2. II – Allegro giocoso, Lentissimo misterioso, Improvvisato (Azedo [Sour])
3. III – Andante dolce (Acucar [Sugar])
Quarteto de Metais
4. I – Adagio
Quarteto de Cordas N° 1
5. I – Andante espressivo, Adagio doloroso
6. II – Allegro agitato, Improvvisato, Andante espressivo
As Duas Estações Nordestinas
7. I. Chuva
8. II. Sol

Confira o trabalho do compositor em seu site oficial: www.mateusalves.net 
(Todas as peças estão disponíveis para download lá)
Mas, se quiser tudo de uma vez, BAIXE AQUI – DOWNLOAD (Mediafire, 34Mb)

Ouça! Deleite-se!
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“Ôxe! O rapaz aí tem futuro…”

Bisnaga