Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concertos para piano nos. 17, 23 e 24 – Rubinstein

Não lhes faço mais delongas: apenas completo a série, conforme ontem lhes prometi. Mesmo com a vasta discografia para estes concertos, com solistas e orquestras de todas estirpes, estas gravações de Rubinstein sempre estarão entre as minhas favoritas. Deleitem-se!

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Concerto para piano no. 17 em Dó maior, K. 453
Cadências: Wolfgang Amadeus Mozart
1 – Allegro
2 – Andante
3 – Allegretto

Concerto para piano no. 23  em Dó maior, K. 488
Cadências: Wolfgang Amadeus Mozart
4 – Allegro
5 – Adagio
6 – Allegro assai

Concerto para piano no. 24 em Dó menor, K. 491*
Cadências: Johann Nepomuk Hummel (1778-1837)
7 – Allegro
8 – Larghetto
9 – Allegretto

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Arthur Rubinstein, piano
RCA Victor Symphony Orchestra
Alfred Wallenstein,
regência
*Josef Krips,
regência

Mural de Rubinstein em sua Łódź natal, por Eduardo Kobra.

Vassily

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Cadências para o concerto para piano em Ré menor de Mozart, Woo 58 (Wolfgang Amadeus Mozart – Concertos para piano nos. 20 & 21 – Rubinstein)

Postar-lhes uma hora de música para mostrar-lhes alguns minutos de Beethoven? Seria mais ou menos como trazer uma baleia à sala de visitas para apontar-lhe uma pequena craca no espiráculo – se, pô, a música não fosse a de Mozart e seu intérprete não fosse o insubstituível Arthur Rubinstein.

Ludwig, como sabemos, consolidou-se primeiramente em Viena como pianista virtuose e improvisador. Dessa forma, é muito natural que, além de cavalos de batalha criados por ele próprio, ele lançasse mão do manancial de concertos de Mozart para pavonear seu talento nos palcos. Muito provavelmente as dificuldades propostas pelo mestre de Salzburgo não lhe fizessem qualquer prurido nos dedos, então se entende que Beethoven pudesse soltar suas asinhas pianísticas durante as cadências que Mozart permitia improvisar nos primeiros e terceiros movimentos de seus concertos. De todas as cadências que ele imaginou e tocou, apenas duas – para o magnífico concerto em Ré menor, K. 466 – foram anotadas e chegaram aos nossos dias, e nos abrem uma janela para a experiência certamente extraordinária de ver o maior improvisador de seu tempo meditando lubricamente sobre temas de um de seus modelos. Enquanto eu buscava uma gravação para mostrá-las para vocês, dei-me conta de que, surpreendentemente, a mozartiana de Artur Rubinstein nunca tinha sido publicada por aqui. Assim, resolvi trazer-lhes, além das cadências de Beethoven no seio do concerto em Ré menor, outros quatro concertos do boquirroto salisburguense sob as mãos do magistral pianista que nasceu naquele lugar pitoresco cujo nome a gente escreve “Łódź” e lê como “uúdj”.

A postagem vai como agrado ao querido e incansável colega FDP Bach, que estava de aniversário e, como bem sei, aprecia e muito estas essenciais gravações, cuja série completarei amanhã.

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Concerto para piano no. 20 em Ré menor, K. 466
Cadências: Ludwig van Beethoven (WoO 58)
1 – Allegro
2 – Romance
3 – Allegro assai

Concerto para piano no. 21 em Dó maior, K. 467
Cadências: Arthur Rubinstein (1887-1982)
4 – Allegro maestoso
5 – Andante
6 – Allegro vivace assai

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Arthur Rubinstein, piano
RCA Victor Symphony Orchestra
Alfred Wallenstein,
regência


#BTHVN250, por René Denon

Vassily

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos – CDs 7 a 9 de 9 – Mitsuko Uchida, Jeffrey Tate, English Chamber Orchestra

Vamos concluir mais uma integral dos Concertos para Piano de Mozart, com a dupla Mitsuko Uchida, sempre acompanhada por Jeffrey Tate, que dirige a English Chamber Orchestra,.

Aqui temos a fina flor dos Concertos, como os de nº 21, 25, 26 e 27. Obras fundamentais no repertório pianístico, nem precisam de apresentação. E sempre é um imenso prazer ouvir estas obras tocadas por Uchida. Creio que o prazer será compartilhado pelos senhores.

CD 7

01. Concerto in E Flat, K. 482, nº 22 – Allegro
02. Concerto in E Flat, K. 482, nº 22 – Andante
03. Concerto in E Flat, K. 482, nº 22  – Allegro – Andante cantabile – Tempo I
04. Concerto in A, K. 488, nº 23 – Allegro
05. Concerto in A, K. 488, nº 23 – Adagio
06. Concerto in A, K. 488, nº 23 – Allegro assai

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CD 8

01. Concerto in C Minor, KV. 491, nº 24 – Allegro
02. Concerto in C Minor, KV. 491, nº 24 – Larghetto
03. Concerto in C Minor, KV. 491, nº 24 – Allegretto
04. Concerto in C, K. 503, nº 25 – Allegro maestoso
05. Concerto in C, K. 503, nº 25 – Andante
06. Concerto in C, K. 503, nº 25 – Allegretto

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CD 9

01. Concerto in D, K. 537, nº 26 – Allegro
02. Concerto in D, K. 537, nº 26 – Larghetto
03. Concerto in D, K. 537, nº 26 – Allegro
04. Concerto in B Flat, K. 595, nº 27 – Allegro
05. Concerto in B Flat, K. 595, nº 27 – Larghetto
06. Concerto in B Flat, K. 595, nº 27 – Allegro

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Mitsuko Uchida – Piano
English Chamber Orchestra
Jeffrey Tate – Conductor

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos – CDs 4 – 6 de 9 – Mitsuko Uchida =, Jeffrey Tate, Englisch Chamber Orchestra

Vamos dar continuidade a esta integral dos Concertos para Piano de Mozart, sempre nas competetentes mãos de Mitsuko Uchida e de seu fiel parceiro, Jeffrey Tate, que dirige a sempre ótima English Chamber Orchestra. Uma curiosidade sobre este maestro: também se formou médico, e especializou-se em cirurgia ocular. Infelizmente veio a falecer em 2017.

CD 4

Concerto in D, K. 451, nº 16 – Allegro Assai
Concerto in D, K. 451, nº 16 – Andante
Concerto in D, K. 451, nº 16 – Rondeau (Allegro di molto)
Concerto in G, K. 453, nº 17 – Allegro
Concerto in F, K. 423, nº 17 – Andante
Concerto in F, K. 423, nº 17 – Allegretto
Rondo in D, KV. 382 – Allegretto grazioso
Rondo in D, KV. 382 – Adagio
Rondo in D, KV. 382 – Allegro

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CD 5

01. Concerto in B Flat, KV. 456, nº 18 – Allegro Vivace
02. Concerto in B Flat, KV. 456, nº 18 – Andante un poco sotenuto
03. Concerto in B Flat, KV. 456, nº 18 – Allegro Vivace
04. Concerto in F, K. 459, nº 19 – Allegro Vivace
05. Concerto in F, K. 459, nº 19 – Allegretto
06. Concerto in F, K. 459, nº 19 – Allegro Assai

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CD 6

01. Concerto in D Minor, K. 466, nº 20 – Allegro
02. Concerto in D Minor, K. 466, nº 20 – Romance
03. Concerto in D Minor, K. 466, nº 20 – Allegro Assai
04. Concerto in C, K. 467, nº 21 – Allegro
05. Concerto in C, K. 467, nº 21 – Andante
06. Concerto in C, K. 467, nº 21 – Allegro vivace assai

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Mitsuko Uchida – Piano
English Chamber Orchestra
Jeffrey Tate – Conductor

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos – CDs 1 a 3 de 9 – Mitsuko Uchida =, Jeffrey Tate, Englisch Chamber Orchestra

Assim como eu, muitos foram apresentados aos Concertos de Mozart pelas hábeis e talentosas mãos da pianista Mitsuko Uchida, ali por meados da década de 80. Os bolachões, ou LPs, como quiserem, estavam sempre a venda nas lojas de discos, mas os preços não eram muito acessíveis, podíamos comprar um ou dois por mês, e olha lá. Não cheguei a concluir a coleção, nem lembro quantos discos comprei. Mas era Mozart, e tremendamente bem tocado. Emocionante lembrar daqueles períodos de vacas magras (não que elas tenham conseguido engordar muito), quando fazíamos muitos sacrifícios para termos acesso a música de qualidade. O velho 3×1 da Philips tocava sem parar.
Mitsuko Uchida é uma reconhecida pianista japonesa, porém cidadã britânica, e que gravou muito entre os anos 80 e 90, sempre pelo selo Philips.  Hoje, já adentrada nos setenta e poucos anos, ainda grava e se apresenta em recitais. Recentemente postei uma integral dos concertos para piano de Beethoven com ela e com Sir Simon Rattle ainda nos tempos de Filarmônica de Berlim, creio que foi uma das últimas gravações do maestro frente à sua ex-orquestra.
Em pleno ano dedicado às comemorações dos 250 anos de nascimento de Beethoven, impossível deixarmos Mozart de lado. Esse compositor é fundamental, talvez tão necessário quanto o ar que respiramos. Mesmo em obras da mais terna juventude, ou até mesmo infância, a genialidade do gênio de Salzburg é algo que se manisfesta a todo momento, impossível negar tal fato. Por isso achei interessante, e oportuno, esta série de postagens.
Uchida se uniu ao maestro Jeffrey Tate para realizar a empreitada. Mozartiano de mão cheia, muito experiente nesse repertório, ele nos entrega um Mozart robusto, coerente, e sua cumplicidade com a solista se sobressai ao não permitir que a orquestra se sobreponha ao piano. Com certeza esta série é uma referência nesse repertório.

CD 1

01. KV 175 in D, (1) Allegro
02. KV 175 in D, (2) Andante ma poco adagio
03. KV 175 in D, (3) Allegro
04. KV 238 in B flat, (1) Allegro aperto
05. KV 238 in B flat, (2) Andante un poco adagio
06. KV 238 in B flat, (3) Rondeau (Allegro)
07. KV 271 in E flat, Jeunehomme (1) Allegro
08. KV 271 in E flat, Jeunehomme (2) Andantino
09. KV 271 in E flat, Jeunehomme (3) Rondo (Presto)

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CD 2

01. Concerto in C, KV 246 Lutzow (1) Allegro aperto
02. Concerto in C, KV 246 Lutzow (2) Andante
03. Concerto in C, KV 246 Lutzow (3) Rondeau (Tempo di menuetto)
04. Concerto in F, KV 413 (1) Allegro
05. Concerto in F, KV 413 (2) Larghetto
06. Concerto in F, KV 413 (3) Tempo di menuetto
07. Concerto in A, KV 414 (1) Allegro
08. Concerto in A, KV 414 (2) Andante
09. Concerto in A, KV 414 (3) Rondeau (Allgretto)

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CD 3

01. Concerto in C, KV 415 1. Allegro
02. Concerto in C, KV 415 2. Andante
03. Concerto in C, KV 415 3. Rondeau (Allegretto )
04. Concerto in E flat, KV 449 1. Allegro vivace
05. Concerto in E flat, KV 449 2. Andantino
06. Concerto in E flat, KV 449 3. Allegro ma non troppo
07. Concerto in B flat, KV 450 1. Allegro
08. Concerto in B flat, KV 450 2. Andante
09. Concerto in B flat, KV 450 3. Allegro

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Mitsuko Uchida – Piano
English Chamber Orchestra
Jeffrey Tate – Conductor

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Quinteto para piano e sopros, Op. 16 – Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Quinteto para piano e sopros, K. 452 – Sinfonia Concertante, K. 297b – Gieseking – Philarmonia Wind Ensemble – Karajan

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Quinteto para piano e sopros, Op. 16 – Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Quinteto para piano e sopros, K. 452 – Sinfonia Concertante, K. 297b – Gieseking – Philarmonia Wind Ensemble – Karajan

Assim como com os concertos para piano e orquestra, qualquer um que propusesse um quinteto para piano e sopros no final do século XVIII teria um imenso fantasma a assombrá-lo: o de Mozart, que compusera para o gênero uma obra-prima, em Mi bemol maior. Beethoven, sempre disposto a calcar-se em modelos do passado para buscar sua própria linguagem, não só se dispôs a escrever um quinteto para piano e sopros, como o fez para o mesmo conjunto e na mesma tonalidade que o do mestre de Salzburg, num gesto quase confesso de que nele buscava não só inspiração, mas que com ele pretendia ser cotejado.
A gravação que lhes apresento presta-se muito bem aos intentos de Lud Van: o quinteto de Mozart a abre, ao segue a contraparte de Beethoven. A comparação tenderia a ser bastante cruel com a obra do mestre mais jovem, pois o K. 452 é daquela sorte de eufonia mozartiana tão difícil de igualar que o próprio autor a considerou, em carta ao pai, uma das melhores coisas que já escrevera. O Op. 16, entretanto, é atraente pelo uso imaginativo dos sopros, prenúncio do uso revolucionário que Beethoven faria deles em suas obras orquestrais vindouras.
A maior atração deste registro de 1956, com som apenas razoável, são seus intérpretes. Os sopros – oboé, clarinete, trompa e fagote – são tocados pelos primeiros músicos de seus naipes na Philharmonia Orchestra sob a égide de Karajan, incluindo o legendário Dennis Brain, para muitos o mais influente trompista desde Giovanni Punto – de quem voltaremos a falar na postagem de amanhã -, que infelizmente morreria muito jovem no ano seguinte, deixando uma série de gravações paradigmáticas do repertório concertístico para seu instrumento. Ao piano, uma outra lenda: Walter Gieseking – que, assim como Karajan e Furtwängler, enfrentou sanções por seu envolvimento com o Partido Nazista e buscou guarida artística, como os outros dois, junto a Walter Legge, à EMI e à Philharmonia. No último ano de sua vida, o grande intérprete alemão dá-nos uma lição da elegância que marcou suas interpretações de Bach, Mozart e Beethoven. O álbum encerra com a sinfonia concertante que Mozart teria escrito (pois a autenticidade da obra é muito controversa) para o mesmo quarteto de sopros e orquestra, sob a direção de Karajan, que reforça a impressão que o colega Pleyel mui apropriadamente apontou acerca das interpretações dos quintetos: “a gravação tem a estética de Karajan transposta para a música de câmara: tudo suave, contínuo, sem cortes, quase pecando por excesso de brilho”.

Ditto.

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Quinteto para piano, oboé, clarinete, trompa e fagote em Mi bemol maior, K. 452
1 – Largo – Allegro moderato
2 – Larghetto
3 – Allegretto

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Quinteto para piano, oboé, clarinete, trompa e fagote em Mi bemol maior, Op. 16
Composto entre 1796-1797
Publicado em 1801
Dedicado ao príncipe Joseph zu Schwarzenberg

4 – Grave – Allegro ma non troppo
5 –  Andante cantabile
6 – Rondo: Allegro ma non troppo

Walter Gieseking, piano
Philharmonia Wind Ensemble: 
Sidney Sutcliffe, oboé
Bernard Walton, clarinete
Dennis Brain, trompa
Cecil James, fagote

Atribuída a Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Sinfonia Concertante em para piano, oboé, clarinete, trompa e fagote em Mi bemol maior, K. 297b
7 – Allegro
8 – Adagio
9 – Andante con variazioni

Sidney Sutcliffe, oboé
Bernard Walton, clarinete
Dennis Brain, trompa
Cecil James, fagote
Philharmonia Orchestra
Herbert von Karajan, regência

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Walter refletindo sobre seu voto em 1933

Vassily

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Sonatas for Fortepiano & Violin V. 2 – Isabelle Faust, Alexander Melnikov

Neste mundo em que vivemos, é difícil esconder a informação. Em questão de poucos minutos o outro lado do planeta já está sabendo das novidades que estão acontecendo cá pelas nossas bandas.
Foi o que aconteceu quando fuçava a Internet atrás de alguma novidade quente. Eis que me deparo com essa belezura para animar os meus sonhos. Já postei o primeiro CD desta série lá em 2018 (parece que foi ontem), e agora, fresquinho, aqui está para os senhores o segundo CD. Não sei quais são os planos de Frau Faust e de Herr Melnikov, mas de qualquer forma, o segundo CD está disponível, porém seu lançamento oficial está sendo hoje, dia 7 de fevereiro.
Com músicos deste nível, como não poderia deixar de ser, temos um Mozart impecável, com Faust e Melnikov nos apresentando uma visão historicamente informada de como tocar essas obras primas. Esqueçam por um instante as gravações de Grumiaux e de Szering, por exemplo, e ouçam como se toca Mozart no século XXI.
Preciso dizer que ele leva com todos os méritos o selo PQPBach de qualidade de IM-PER-DÍ-VEL ???

01. Violin Sonata in F Major, K. 376 I. Allegro
02. Violin Sonata in F Major, K. 376 II. Andante
03. Violin Sonata in F Major, K. 376 III. Rondò. Allegretto grazioso
04. Violin Sonata in A Major, K. 305 I. Allegro di molto
05. Violin Sonata in A Major, K. 305 II. Tema [con Variazioni]. Andante grazioso
06. Violin Sonata in G Major, K. 301 I. Allegro con spirito
07. Violin Sonata in G Major, K. 301 II. Allegro
08. Violin Sonata in B-Flat Major, K. 378 I. Allegro moderato
09. Violin Sonata in B-Flat Major, K. 378 II. Andantino sostenuto e cantabile
10. Violin Sonata in B-Flat Major, K. 378 III. Rondeau. Allegro

Isabelle Faust – Violin
Alexander Melnikov Pianoforte

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Isabelle Faust / Alexander Melnikov

Mozart (1756-1791): Arias – Christian Gerhaher – Freiburger Barockorchestrer & Gottfried von der Goltz

Mozart (1756-1791): Arias – Christian Gerhaher – Freiburger Barockorchestrer & Gottfried von der Goltz

M O Z A R T

A R I A S

G E R H A H E R

Este disco segue uma tradição que pode andar um pouco desatualizada – coleção de árias famosas – mas sempre faz sucesso e emplaca grandes vendas.

Foi ouvindo discos como este que passei a me interessar e a gostar de ópera.

Há casos em que o disco reúne mais do que um compositor, em função do repertório do cantor. Este segue a linha de árias de um só compositor, no caso Mozart. O acompanhamento é por uma das melhores orquestras especializadas em música barroca e clássica: a Freiburger Barockorchester, regida pelo também violinista Gottfried von der Goltz.

O cantor está em evidência no momento – Christian Gerhaher – especialista em Lieder, mas como deixa claro este álbum, também ótimo cantor de ópera.

O repertório é magnífico. Como especial bônus, entremeada entre as árias, a Sinfonia No. 36 em dó maior – Linz – maravilhosa!

Os seus movimentos funcionam como intermezzos e mostra que a orquestra é mesmo excelente em território mozartiano.

Difícil escolher a ária mais bonita. Várias de Don Giovanni, tais como a ária do catálogo, que abre o disco, e a serenata que o Don faz sob a janela da donzela acompanhante de Dona Elvira. Nela ele revela seu lado absolutamente sedutor.

A chamada Ária da Champagne, a terceira do disco, é um autorretrato exato de Don Giovanni. É um tour de force, brilhante e superficial, mas que por isso precisa ser curta, menos do que minuto e meio. Apesar disso, ela permanece ressoando em nossos ouvidos. Gênio!

Mais à frente haverá outra ária do Don, agora revelando seu caráter dissimulado, de quem não assume seus maus atos.

Outro aspecto genial das óperas de Mozart que este disco revela é o contraponto que há entre os personagens. Há o nobre e o plebeu. Plebeus são Fígaro, Leporello, Papageno. O conde e o Don representam os nobres, e representam bem demais, pois revelam um caráter pouco idôneo. (Ah, Beaumarchais…) O conde Almaviva (mal tem seu nome citado em toda a ópera) consegue redenção, mas o Don Giovanni recebe punição capital.

Um pouco diferente das outras óperas, que tem seus personagens centrais, Così fan tutte é ópera de conjunto. Não há um personagem que se destaca sobre os outros, mas um conjunto de cantores com núcleo no quarteto de mocinhos e mocinhas e o cético Don Alfonso. As árias deste disco são de um dos mocinhos, o de voz mais grave, Guglielmo.

Temos assim um recorte do maravilhoso universo das Óperas de Mozart, servindo como um instigante abridor de apetite.

Somam à beleza deste álbum o bandolim de Avi Avitar e o acompanhamento em pianoforte de Kristian Bezuidenhout.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Don Giovanni, K. 527

  1. No. 4 Aria: “Madamina, il catalogo è questo” (Leporello)
  2. No. 16 Canzonetta: “Deh, vieni alla finestra” (Don Giovanni)
  3. No. 11 Aria: “Fin ch’han dal vino” (Don Giovanni)

Sinfonia No. 36 em dó maior – Linz – K. 425

  1. Presto

Le Nozze di Figaro, K. 492

  1. Recitativo & No. 3 Cavatina: “Bravo, signor padrone! … Se vuol ballare, signor contino” (Figaro)

Don Giovanni, K. 527

  1. No. 17 Aria: “Metà di voi qua vadano” (Don Giovanni)

Così fan tutte, K. 588

  1. No. 15 Aria: “Non siate ritrosi” (Guglielmo)

Don Giovanni, K. 527

  1. No. 20 Aria: “Ah, pietà, Signori miei” (Leporello)

Sinfonia No. 36 em dó maior – Linz – K. 425

  1. Andante

Die Zauberflöte, K. 620

  1. No. 2 Aria: “Der Vogelfänger bin ich já” (Papageno)
  2. No. 20 Aria: “Ein Mädchen oder Weibchen” (Papageno)
  3. No. 21 Finale. Allegro: “Papagena! Papagena! Papagena!” (Papageno)

Sinfonia No. 36 em dó maior – Linz – K. 425

  1. Menuetto – Trio

Le Nozze di Figaro, K. 492

  1. No. 27 Recitativo ed Aria: “Tutto è disposto … Aprite um po’ quegli occhi” (Figaro)
  2. No. 10 Aria: “Non più andrai, farfallone amoroso” (Figaro)
  3. No. 18 Recitativo ed Aria: “Hai già vinta la causa! … Vedrò, mentr’io sospiro” (Il conte)

Così fan tutte, K. 588

  1. No. 26 Aria: “Donne mie, la fate a tanti” (Guglielmo)

Sinfonia No. 36 em dó maior – Linz – K. 425

  1. Adagio – Allegro spiritoso

Così fan tutte, K. 588

  1. No. 15a Aria: “Rivolgete a lui lo sgauardo” (Guglielmo)

Christian Gerhaher, barítono

Freiburger Barochorchester

Gottfried von der Goltz

Avi Avital, bandolim (2)
Kristian Bezuidenhout, fortepiano (5), strumento d’acciaio (11)

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MP3 | 320 KBPS | 184 MB

Joelle Harvey como Susanna e Christian Gerhaher como Figaro

Há quem torça o nariz para um disco como este, preferindo ouvir as árias no contexto da ópera toda. Este disco seria como seguir em uma mesa de sobremesas pegando apenas as cerejas que estão sobre os bolos… Mas, quem liga?

Portanto, deixe os preconceitos de lado, baixe logo o disco e ouça muitas vezes.

René Denon

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Sinfonias nºs 38, 39, 40 e 41- Karl Böhm, WPO

Esta deve ser a terceira ou quarta vez que estou repostando estes CDs que considero imprescindíveis em qualquer CDteca. Karl Böhm foi um dos maiores especialistas em Mozart do Século XX, e mesmo hoje, com tantos CDs sendo lançados com registros historicamente informados, ainda considero estes CDs “IM-PER-DÍ-VEIS”.
Este foi o disco que me apresentou estas duas sinfonias, quando eu era apenas um pré adolescente morando no interior do Paraná. Claro que minha vida nunca mais foi a mesma. Foi um choque. A suavidade da interpretação magistral de Karl Böhm contrastava com a sisudez do senhor de óculos quadrados que aparecia na capa do LP, assustador por vezes. Os primeiros compassos da Sinfonia n° 40 me comoveram desde a primeira audição e não preciso dizer que aquele LP se tornou um de meus favoritos. Ouvi tanto que o risquei, afinal meu velho 3×1 não era lá grandes coisas, mas era o que meus pais conseguiram comprar. E o usei exaustivamente até pedir arrego. Mas o LP com o selo amarelo estava sempre lá, rodando, enchendo o espaço com a beleza da música mozartiana. Creio que ainda o tenha.

Karl Böhm já havia gravado uma integral das sinfonias de Mozart, porém com a Berliner Philharmoniker, gravações estas consideradas definitivas. Só muito mais tarde tive acesso a elas e também me encantei. Mas esta última gravação de Böhm, realizada poucos anos antes de sua morte, ainda é a minha favorita. E Karl Böhm, difinitivamente, foi um dos maiores intérpretes da obra de Mozart. E a Filarmônica de Viena é minha orquestra favorita para este repertório.

Espero que os senhores gostem. Eu simplesmente adoro…
IM-PER-DÍ-VEL !!!

Symphony nº 38 in D Major, “Prague” K. 504
01. 1 Adagio Allegro
02. 2 Andante
03. 3 Finale Presto

Symphony nº 39 in E Flat major K. 543
04. 1 Adagio Allegro
05. 2 Andante con moto
06. 3 Menuetto Allegretto Trio
07. 4 Finale Allegro

Symphony Nº 40 in G minor
1 Molto allegro
2 Andante
3 Menuetto – Allegretto – Trio
4 Allegro assai

Symphony No 41 in C major ‘Jupiter’
5 1 Allegro vivace
6 2 Andante cantabile
7 3 Menuetto – Allegretto – Trio
8 4 Molto allegro

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CD 2 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

W. A. Mozart (1756-1791): The Complete Violin Concertos

W. A. Mozart (1756-1791): The Complete Violin Concertos

Toda época tem direito de dar sua interpretação para os clássicos, mas muita gente pensa que, nesses dias de historicamente informados, não há mais espaço para os concertos de violino de Mozart serem gravados em instrumentos modernos. Esta versão é uma tabefe sonoro em quem pensa assim. Há muito que sou um grande fã de James Ehnes, embora raramente o tenha ouvido no repertório pré-século XIX. Seu conjunto de concertos de Mozart é um deleite: cheio de personalidade, cheio de ideias musicais, casando o melhor do estilo do período com o melhor do que os instrumentos modernos podem trazer. E ele ainda escreveu cadenzas próprias. A primeira coisa que impressiona é como seu som é leve. A música salta dos alto-falantes como uma lufada de ar fresco, com o violino cantando sobre a orquestra. A Mozart Anniversary Orchestra (uma orquestra escolhida amigos de Ehnes, tô por dentro) soa pequena em escala, mas grande em termos de personalidade. As cordas vêm brilhantes, frescas e ágeis.

Os Concertos de Nº 3 e 5 são extraordinários, mas o restante não é tudo aquilo dentre a produção de Mozart. Uma pena. O grande destaque destas versões — e isto ocorre em todos os concertos — é não apenas a cultura e o senso de estilo de Ehnes, mas suas cadenzas: UMA MAIS LINDA QUE A OUTRA.

W. A. Mozart (1756-1791): The Complete Violin Concertos

Violin Concerto No.1 in B flat major K207
1. Allegro moderato 7.16
2. Adagio 8.38
3. Presto 5.31

Violin Concerto No.2 in D major K211
4. Allegro moderato 8.54
5. Andante 7.47
6. Rondeau – Allegro 4.39

7. Adagio in E major K261 8.27
8. Rondo in B flat major K269 (K261a) 7.17
9. Rondo in C major K373 5.53

Total CD1 64.57

Violin Concerto No.3 in G major K216
10. Allegro 9.26
11. Adagio 8.28
12. Rondeau – Allegro 6.34

Violin Concerto No.4 in D major K218
13. Allegro 8.55
14. Andante cantabile 7.34
15. Rondeau – Andante grazioso 7.10

Violin Concerto No.5 in A major K219 ‘Turkish’
16. Allegro aperto 10.04
17. Adagio 10.48
18. Rondeau – tempo di Menuetto 8.27

Total CD2 78.14

Cadenzas: James Ehnes
James Ehnes, violino
Mozart Anniversary Orchestra

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Gravura anônima do século XIX mostrando Mozart com violino.

PQP

A Quatro Mãos: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Franz Schubert (1797-1828) – Igor Stravinsky (1882-1971) – Duos para piano – Martha Argerich e Daniel Barenboim

81i-IsCDEEL._SL1400_Depois de aparecerem nesta série em companhias diferentes, Martha Argerich e Daniel Barenboim voltam num aclamado recital na Philarmonie de Berlim. Os dois grandes músicos portenhos conheceram-se em sua cidade natal, enquanto eram as mais famosas crianças-prodígio de Buenos Aires. Os estudos e a família levaram Argerich para Viena, ao passo que Barenboim tomou o rumo de Israel. Reuniram-se depois, já mundialmente famosos, e em muitas ocasiões Daniel conduziu orquestras para solos de Martha. Suas aparições como duo pianístico são bem mais raras, e este recital de 2014, em que a Philarmonie transbordou de cadeiras extras, foi o primeiro do gênero em mais de quinze anos. O programa é um clássico: a graciosa Sonata para dois pianos de Mozart e as Variações de Schubert abrindo as cortinas para a furiosa Sagração da Primavera de Stravinsky, depois da qual, parece, nada mais cabe tocar. A caprichada gravação foi lançada pelo interessante selo Peral, do próprio Barenboim, dedicado inteiramente ao lançamento fonográfico de seus trabalhos como pianista e regente via internet  – e, para quem não sabe, “peral” em espanhol significa “pereira”, que em alemão é “Birnbaum” e, em iídiche, “Barenboim”.

MARTHA ARGERICH – DANIEL BARENBOIM – PIANO DUOS

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Sonata em Ré maior para dois pianos, K. 448
01 – Allegro con spirito
02 – Andante
03 – Allegro molto

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

04 – Variações sobre um Tema Original em Lá bemol maior, K. 813

Igor Fyodorovich STRAVINSKY (1882-1971)

La Sacre du Printemps, em versão para dois pianos do próprio compositor
05 – Primeira parte: A Adoração da Terra
06 – Segunda parte: O Sacrifício

Martha Argerich e Daniel Barenboim, pianos

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Martha e Daniel, ontem e hoje
Martha e Daniel, ontem e hoje

Vassily Genrikhovich

W. A. Mozart (1756-1791): Sonatas para Violino e Piano

W. A. Mozart (1756-1791): Sonatas para Violino e Piano

Mozart escreveu mais de 30 Sonatas para Violino e Piano. Não estão entre suas maiores obras, mas é boa música, claro. As primeiras 16 foram criadas na infância do compositor e são coisa singela, sendo mais sonatas para piano com acompanhamento de violino do que o inverso. Este disco traz 4 Sonatas da época da maturidade, mas a mim não apaixonam, apesar da excelente dupla Yang-Vitaud. Creio que o autor as escreveu mais para saraus familiares do que para os palcos, mas é Mozart e há bons momentos que se alternam com outros nem tanto. O violino é um interlocutor pleno para o piano. É um casamento desigual, entre instrumentos de sonoridades antagônicas; há conflito mas há diálogo. Nenhum problema se resolve, mas há colaboração. Um antigo e muito humano problema social. Mas dá pra se divertir, é bóbvio.

W. A. Mozart (1756-1791): Sonatas para Violino e Piano

Mozart: Violin Sonata No. 27 in G major, K. 379 21:05
I. Adagio − Allegro 11:30
II. Andantino cantabile [Theme and Variations] – Allegretto 9:35

Mozart: Violin Sonata No. 28 in E flat major, K. 380 24:28
I. Allegro 9:29
II. Andante con moto 10:26
III. Rondo. Allegro 4:33

Mozart: Violin Sonata No. 21 in E minor, K. 304 12:13
I. Allegro 6:40
II. Tempo di menuetto 5:33

Mozart: Violin Sonata in D Major, K. 306 / 300l 21:32
I. Allegro con spirito 7:05
II. Andante cantabile 7:40
III. Allegretto 6:47

Mi-Sa Yang, violino
Jonas Vitaud, piano

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PQP

W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concertos Nos. 17 & 21

W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concertos Nos. 17 & 21

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

E aqui temos outro exemplar de grande CD dedicado aos Concertos para Piano de Mozart. A portuguesa Maria João Pires já meteu Clara Haskil e até Uchida no bolso neste quesito. Sua dicção mozartiana é impecável, limpa e cheia de surpreendentes nuances. Para melhorar, utiliza as mais belas cadenzas já escritas para estes dois belos concertos. Abbado, que já gravou este mesmo repertório com Pollini, está muito à vontade em torno da Maria João. É notável e maravilhosa a forma como as gravações que antes julgávamos insuperáveis vão caindo uma após outra. Ouçam bem esta aqui e comprovem a forma como este dois grandes artistas demonstram empatia para com a serena ousadia de Mozart. E é simplesmente estarrecedor que estas composições da maturidade do compositor — que alcançava expressão mais livre e pessoal — , contrariassem o público e os críticos de Viena e fossem, de forma inequívoca, o princípio de seu fim.

Mozart (1756-1791): Piano Concertos Nos. 17 & 21

1. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – Cadenzas: W. A. Mozart – 1. Allegro (Cadenza: K.624/22) 12:06
2. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – Cadenzas: W. A. Mozart – 2. Andante (Cadenza: K.624/24) 9:53
3. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 3. Allegretto 7:25

4. Piano Concerto No.21 in C, K.467 – Cadenza: Rudolf Serkin – 1. Allegro – Cadenza: Rudolf Serkin 14:11
5. Piano Concerto No.21 in C, K.467 – 2. Andante 6:10
6. Piano Concerto No.21 in C, K.467 – Cadenza: Rudolf Serkin – 3. Allegro vivace assai – Cadenza: Rudolf Serkin 6:42

Maria João Pires
The Chamber Orchestra of Europe
Claudio Abbado

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Maria João, a mulher ideal para Mozart
Maria João, a mulher ideal para Mozart

PQP

A Quatro Mãos: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concertos para dois e três pianos – Christoph Eschenbach – Justus Franz – Helmut Schmidt

51PqZbWeYZL (1)ORIGINALMENTE PUBLICADO EM 13/12/2015

Encerrando a série “A Quatro Mãos”, uma apoteose a quatro e a seis mãos. Bem, “apoteose” talvez seja um exagero, mas duvido de que alguém consiga negar que estes concertos bastante agradáveis e bem escritos não preencham bem uma horinha, se tanto, da vida do ouvinte. E, se imaginarmos a imensa dificuldade que deve escrever um concerto para piano, extrapolamos então o que não deve ser escrever para três deles e orquestra – só para então lembrarmos que o compositor destes concertos não fosse exatamente conhecido por dificuldades em botar música no papel, o que fazia quase como função fisiológica, nem em tocar espantosamente bem o piano e violino, manter prolífica e colorida correspondência, reinar supremo nas mesas de bilhar e, para arredondar a conta, ainda aprimorar-se na arte de frequentar lençóis femininos: criatura admirável, esse Amadeus.

Certamente não no nível do hiperativo, boquirroto e priápico Johann Chrysostomus Wolfgangus, mas ainda merecedor de nossa salva de palmas, é o pianista que se junta a Christoph Eschenbach e Justus Frantz na gravação do Concerto para três pianos, realizada enquanto exercia, em plena Guerra Fria e com o muro de Berlim ainda sólido, o nada refrescante cargo de chanceler da República Federal da Alemanha: o incansável Helmut Schmidt, falecido no último 10 de novembro, a quem esta postagem pretende modestamente homenagear.

MOZART – THE CONCERTOS FOR TWO & THREE PIANOS
CHRISTOPH ESCHENBACH – JUSTUS FRANTZ – HELMUT SCHMIDT

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Concerto em Fá maior para três pianos e orquestra, K. 242 (cadências de Mozart)

01 – Allegro
02 – Adagio
03 – Rondo (Tempo di Menuetto)

Christoph Eschenbach, Justus Frantz e Helmut Schmidt, pianos
London Philarmonic Orchestra
Christoph Eschenbach, regência

Concerto em Mi bemol maior para dois pianos e orquestra, K. 365 (cadências de Mozart)

04 – Allegro
05 – Andante
06 – Rondo (Allegro)

Christoph Eschenbach e Justus Frantz, pianos
London Philarmonic Orchestra
Christoph Eschenbach, regência

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Entre Bach e Mozart, e entre Reagan e Brezhnev: o chanceler e pianista Helmut Schmidt (1918-2015)
Entre Bach e Mozart, Reagan e Brezhnev: o chanceler e pianista Helmut Schmidt (1918-2015)

Vassily Genrikhovich

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Sinfonia Concertante – Concertone – Julia Fischer – Gordan Nikolić

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Sinfonia Concertante – Concertone – Julia Fischer – Gordan Nikolić

51Eyo9z4ghLNão tem erro: quaisquer que sejam os intérpretes, essa Sinfonia Concertante para violino, viola e orquestra de Mozart é garantia de deleite e, no meu caso, de olhos muito suados.

Quando há solistas do gabarito da pequena notável Julia Fischer – toda confiante no meio dos grandões aí do lado – e escudeiros como o violinista e violista Nikolić (spalla da London Symphony Orchestra) e o regente Kreizberg (que infelizmente faleceu muito jovem), a coisa fica descontroladamente boa.

Deve ser a trocentésima quarta versão desta obra-prima disponível aqui no PQP Bach, e quem acompanhou as postagens das versões anteriores conhece o alto apreço em que nosso patrono a tem, especialmente seu Andante usado de modo magnífico pelo cineasta Peter Greenaway em sua própria obra-prima, Afogando em Números.

Eu, Vassily Genrikhovich, não fico muito atrás. Assim como o patrão PQP, acredito que a entrada dos solistas no primeiro movimento – uma linda e melíflua frase em oitavas – seja um dos momentos mais arrepiantes em toda música.

Mas os Dominantes que manejam este pobre títere de carne e tripas quiseram ainda mais e, num dia inesquecível para mim, num momento que mr liquefez as pernas, Eles não permitiram, claro, que a música fosse outra. O resultado é que, até hoje, este Allegro maestoso (e as lembranças associadas) me abilola a ponto de ver passarinho verde.

Sim, hoje estou pra lá de piegas, com os pés bem firmes na Melosolândia, quase a ponto de botar para tocar um LP do Wando, mas que se danem vocês e seus duros corações: o meu está aqui, bem flechado e irremediavelmente empalado por um violino, uma viola e uma orquestra.

Sei still, Vassily! Sei still!!! (foto de Camillo Büchelmeier)
Sei still, Vassily! Sei still!!! (foto de Camillo Büchelmeier)

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

1 – Sinfonia Concertante em Mi bemol maior para violino, viola e orquestra, K. 364 – Allegro maestoso
2 – Sinfonia Concertante em Mi bemol maior para violino, viola e orquestra, K. 364 – Andante
3 – Sinfonia Concertante em Mi bemol maior para violino, viola e orquestra, K. 364 – Presto

Julia Fischer, violino
Gordan Nikolić, viola
Netherlands Chamber Orchestra
Yakov Kreizberg

4 – Rondó em Dó maior para violino e orquestra, K. 373 (cadenza: Julia Fischer)

Julia Fischer, violino
Netherlands Chamber Orchestra
Yakov Kreizberg

5 – Concertone em Dó maior para dois violinos e orquestra, K. 190 – Allegro spiritoso
6 – Concertone em Dó maior para dois violinos e orquestra, K. 190 – Andantino grazioso
7 – Concertone em Dó maior para dois violinos e orquestra, K. 190 – Tempo di menuetto: Vivace

Julia FischerGordan Nikolić, violinos
Netherlands Chamber Orchestra
Yakov Kreizberg, regência

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Além de gatinha, multilíngue e excelente violinista, Julia Fischer ainda é ótima pianista - ei-la aqui a tocar Grieg numa gravação que, algum dia, postaremos aqui. Como prova cabal de que perfeição não existe, a linda moça é muito bem casada.
Além de gatinha, multilíngue e excelente violinista, Julia Fischer ainda é ótima pianista – ei-la aqui a tocar Grieg numa gravação que, algum dia, postaremos aqui. Como prova cabal de que perfeição não existe, infelizmente, a linda moça é muito bem casada.

Vassily

Mozart (1756-1791): Sonatas para Piano K. 310 ● 330 ● 331 – Paul Badura-Skoda, pianoforte

Mozart (1756-1791): Sonatas para Piano K. 310 ● 330 ● 331  –  Paul Badura-Skoda, pianoforte

Paul Badura-Skoda

 

(6-10-1927  –  25-09-2019)

 

 

 

Os desmentidos sobre as notícias da morte de Paul Badura-Skoda, lamentavelmente, também foram agora desmentidos. Vivemos uma época de tamanha celeridade na divulgação das informações que situações tais como esta que experimentamos dias atrás sobre a morte/não-morte de Badura-Skoda são mais comuns do que seria desejável.

A morte do famoso pianista agora foi noticiada em várias fontes confiáveis ligadas a música, tais como a Gramaphone (Inglaterra), Limelight (Austrália) e France musique (França)

Com esta postagem de Paul Badura-Skoda tocando três lindas sonatas para piano de Mozart, em um piano de época, fazemos uma homenagem a este distintíssimo artista.

Ele foi aluno de Edwin Fischer e ganhou fama internacional ao substituí-lo de última hora no Festival de Salzburg em 1950.

Paul Badura-Skoda além de pianista, também foi regente, musicólogo e pedagogo. Interessava-se por todos os aspectos da vida musical. Fazia parte da Troika Vienense ao lado de Friedrich Gulda e Jörg Demus. Com Jörg Demus formou um duo que deixou inúmeras gravações.

Gravou as integrais das sonatas de Mozart, Beethoven e Schubert em ambos pianos, moderno e de época.

Ele também dedicou-se à música contemporânea como atestam seus trabalhos de edição e gravação de obras do compositor suíço Frank Martin.

Teve alunos que atuam até hoje, como Anne Queffélec e Jean-Marc Luisada.

Ao lado de sua mulher, Eva Badura-Skoda, deixou premiadas contribuições acadêmicas que incluem valiosas edições de obras de Mozart, Beethoven e Schubert.

Em 1993 foi feito Chevalier de la Légion d’honneur e Commandeur des Artes e des Lettres em 1997.

Podemos dizer que viveu uma invejável (no bom sentido) longa e produtiva vida.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Sonata para piano No. 8 em lá menor, K. 310

  1. Allegro maestoso
  2. Andante cantábile com espressione
  3. Presto

Sonata para piano No. 10 em dó maior, K. 330

  1. Allegro moderato
  2. Andante cantabile
  3. Allegretto

Sonata para piano No. 11 em lá maior, K. 331 – “Alla turca”

  1. Andante grazioso (Tema e variações)
  2. Menuetto
  3. Alla turca: Allegretto

Paul Badura-Skoda, pianoforte

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FLAC | 273 MB

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MP3 | 320 KBPS | 148 MB

Paul Badura-Skoda (Foto: Irène Zandler)

“Eu sempre busco o que se passa por trás das notas”

P. Badura-Skoda

Vale!

René Denon

W. A. Mozart (1756-1791) – Concertos para Piano Nº 15, 16, 17 e 18

É impressionante pensar que em um ano, Mozart compôs seis concertos e, mais ainda, se pensarmos que não havia uma receita de bolo a seguir: foram concertos inovadores em comparação com os anteriores. Como estamos indo de trás pra frente, hoje o dia é do 15º ao 18º, todos compostos em 1784.

O Concerto nº 15 já começa quebrando paradigmas, com o oboé e o fagote tocando sozinhos, para só no terceiro compasso os violinos e violas entrarem. As partes das madeiras nos concertos de Mozart, a partir deste 15º, ganham independência em relação às cordas. É um concerto com uma atmosfera bucólica, pastoral, um pouco como um dos quadros de Watteau (1684-1721),  pintor francês que representa como poucos o Antigo Regime naquelas cenas campestres onde os aristocratas se divertiam sem se preocupar com o dia de amanhã. As paisagens campestres bucólicas de Watteau são palco de festas e encontros, formando retratos vivos de uma época considerada decadente mas extremamente elegante e requintada.

A flauta em “Accord Parfait” de Watteau

O Concerto 17 é outro que também combina com essa elegância bucólica do mundo pré-Revolução. Flauta, oboé e fagote fazem uma entrada surpresa no 4º compasso, algo que seria impensável nos concertos de juventude de Mozart. Como escreveu Aaron Copland, o oboé tem um som algo pastoral, enquanto o fagote, nos seus registros mais graves, é capaz de um staccato bem-humorado, que tem um efeito quase cômico.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)
Concerto para piano e orquestra n. 15 em Si Bemol Maior, KV. 450
1. Allegro
2. Andante
3. Allegro

Concerto para piano e orquestra n. 16 em Ré Maior, KV. 451
1. Allegro
2. Andante
3. Allegro di Molto

Concerto para piano e orquestra n. 17 em Sol Maior, KV. 453
1. Allegro
2. Andante
3. Allegretto – Finale (presto)

Concerto para piano e orquestra n. 18 em Si Bemol maior, KV. 456
1. Allegro Vivace
2. Andante un poco sustenuto
3. Allegro Vivace

Academy of St. Martin in the Fields
Alfred Brendel, Piano
Sir Neville Marriner, regência

BAIXE AQUI (DOWNLOAD)

Baixe aqui o 1º mov. do Concerto 15, que faltou no link que estava até dia 24/9.

Pleyel

W. A. Mozart (1756-1791) – Concertos para Piano Nº 19, 20 e 21

Imaginem só a cena: 1790, coroação de Leopoldo II como imperador do Sacro-Império Germânico, toda a pompa e circunstância na frente de incontáveis príncipes, duques e similares daquelas dezenas de reinos que formariam a Alemanha, todos querendo se impor para evitar o destino de Luís XVI, que ainda não tinha perdido a cabeça mas estava quase lá. Agora imaginem se a orquestra começasse a tocar a introdução densa, sombria e misteriosa do Concerto nº 20. Seria desastre garantido. Se introduzisse o sério tema do Concerto nº 21, apesar da indicação allegro maestoso, também não sei se os duques e os cardeais iriam aprovar.

O Concerto nº 19, que o acadêmico inglês A. Hutchings descreve como “atlético, combinando graça e vigor”, também é considerado o “outro” concerto da coroação, pois foi tocado por Wolfgang, junto com o nº 26, na coroação de Leopoldo II como imperador do Sacro-Império Germânico em 1790. O 20 e o 21, que o acompanham aqui, são bem diferentes e dificilmente seriam convenientes para aquela ocasião majestosa enquanto a Revolução Francesa espreitava. O Concerto nº 19 foi escrito em dezembro de 1784 e os dois seguintes, em fevereiro e março de 1785 (!).Essa sequência impressionante de concertos acompanha o período provavelmente de maior sucesso de Mozart com o público vienense.

Após as muitas viagens que Mozart fez quando criança, é quase certo que uma das razões para sua permanência em Viena a partir de 1781 foi a grande liberdade de opinião que vigorava naquela cidade. Segundo o padre que foi seu professor de direito, José II era um estudante “interessado pelas ideias novas, pelos ‘direitos humanos’ e pelo bem-estar do povo”.

Muito diferente era a situação em outros reinos: na França, por exemplo, quase todas as obras de Voltaire (1694-1778) eram proibidas, sendo publicadas na Holanda ou na Suíça e depois entrando clandestinamente em território francês.

A muitas e muitas léguas, no Brasil, a impressão de qualquer obra era quase impossível, por causa da necessidade das licenças da Inquisição e do Conselho Ultramarino em Portugal. É bom lembrar que só em 1821 se dá a extinção formal da inquisição em Portugal e no Brasil.

Após a Revolução Francesa, a liberdade geral que se vivia em Viena foi pro brejo. Nesses períodos de inquietude, os artistas são os primeiros a terem suas asinhas cortadas. Haydn, por exemplo, teve de ir pra Londres para continuar compondo suas obras orquestrais, mas lá também teve um contratempo: sua ópera L’anima del filosofo, ossia Orfeo ed Euridice (A Alma do Filósofo, ou Orfeu e Eurídice) não teve a licença do rei e só foi estreada muitos anos depois, quanto Haydn já tinha morrido.

Mas voltemos a Mozart. Nessa época, então, ele vivia o auge do seu sucesso de público e crítica: amigo de Haydn, que o respeitava enormemente, brilhando nos palcos de Viena, o que mais ele poderia querer? Talvez inventar um novo tipo de concerto para piano, após os seus dezenove anteriores, todos em tons maiores?

Isso ele fez com o Concerto nº 20, em ré menor. Na mesma tonalidade da famosa ária da Rainha da Noite, o concerto já começa com um clima misterioso e noturno que dura até o final. A popularidade deste concerto pode ser julgada pela lista de compositores que escreveram cadências para ele, provavelmente ao interpretá-lo eles mesmos ao piano:

  • Ludwig van Beethoven (1770-1827), que chegou a Viena Em 1792, já com 21 anos de idade, mudou-se definitivamente para Viena em 1792 (apenas um ano após a morte, na cidade, de Mozart),
  • Johann Nepomuk Hummel (1778-1837), que também era criança-prodígio, foi aluno de Mozart por dois anos e publicou um dos principais tratados sobre o pianoforte em 1828,
  • Franz Xaver Mozart (1791-1844), filho de Wolfgang,
  • Clara Schumann (1819-1896) e Johannes Brahms (1833-1897), que dispensam apresentações.

Será que os célebres concertos românticos em tons menores, como o de Schumann, os dois de Chopin e o de Grieg, existiriam sem o ré menor de Mozart?

O Concerto nº 21, em dó maior, é menos inovador mas também muito popular, especialmente o movimento lento.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)
Concerto para piano e orquestra n. 19 em Fá maior, KV. 459
1. Allegro vivace
2. Allegretto
3. Allegro assai

Concerto para piano e orquestra n. 20 em Ré Menor, KV. 466
1. Allegro
2. Romance
3. Rondo (Allegro Assai)

Concerto para piano e orquestra n. 21 em Dó maior, KV. 467
1. Allegro maestoso
2. Andante
3. Allegro vivace assai

Academy of St. Martin in the Fields
Alfred Brendel, Piano
Sir Neville Marriner, regência

BAIXE AQUI (DOWNLOAD)

PS: link novo no Mediafire. O Mega.nz está fora do ar no Brasil.

Pleyel

Colloquium olympicum (fictum): Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – As Sonatas para piano – Glenn Gould (4/4)

MI0000960404[epílogo das três partes anteriores, retomando do ponto em que Amadeus ficou horrorizado com o andamento frenético com que Gould tocou uma de suas sonatas, a ponto de exclamar “So ein spiellen und scheissen ist bey mir einerley!”]

GOULD: Assim fica melhor? [toca novamente o Allegro moderato da Sonata em Dó maior, K. 330, mas dessa vez adota o andamento mais lento de sua gravação de 1958]. Melhor?
MOZART: Melhor, sim. Mas as indicações dinâmicas – o contraste entre forte e piano, os sforzandi
G: “Culpado, meritíssimo!”. Eu nunca toco sforzandi, “já que eles representam um elemento de quase-teatralidade pelo qual minha alma puritana tem vigorosa objeção”.
M: (cautelosamente) Mas o que dizem os críticos? Quero dizer, acerca dos sforzandi que faltam e o resto…
G: (com uma gargalhada) Oh, os críticos! Deveria ler-lhe o que um desses cavalheiros escreveu sobre minha interpretação para sua Sonata em Lá maior? “É muito difícil captar o que Gould tenta provar, a não ser que o boato de que ele realmente odeia essa música seja verdadeiro. Andamentos são dolorosamente lentos, a articulação picotada e destacada viola a estrutura frasal (e muitas das indicações específicas de Mozart) […] isso tudo evoca a imagem de um moleque tremendamente precoce mas muito sacana tentando aprontar uma para seu professor de piano”.
M: (inseguro de si mesmo) E você, er, realmente odeia essa música… minha música?
G: (sinceramente) Não, Sr. Mozart. É verdade que eu a ouço, entendo e interpreto diferentemente da maior parte das pessoas, e sem dúvidas diferentemente de você, “e tenho certeza de que frequentemente você não aprovaria o que eu faço com sua música. No entanto, mesmo que seja cego, o intérprete tem que estar convicto de que está fazendo a coisa certa e de que ele pode achar maneiras de interpretá-la das quais nem o próprio compositor estaria ciente”.
M: Poderia pedir-lhe para tocar-me uma de suas interpretações que você acha que eu aprovaria?
G: Que tal o Alla turca de sua Sonata em Lá maior?
M: (nervosamente) Er…
G: (com uma gargalhada) Não se preocupe, não o tornarei um Presto, quanto menos um Prestissimo. Muito pelo contrário: vou tocá-lo como um Allegretto, como você mesmo indicou (e como, acrescento, ele é raramente ouvido).
M: (com dúvidas) E também com os contrastes entre piano e forte?
G: Esses, também! (com uma gargalhada) Ainda mais porque não há sforzandi neste movimento!
M: Nota por nota, então, como eu o escrevi?
G: Nota por nota – exceto por alguns pequenos arpejos na coda, que dá ao movimento seu toque “turco”.
M: Bem, então… eu sou todo ouvidos!

[Michael Stegemann, 1994 – Tradução de Vassily]

MOZART – THE PIANO SONATAS – GLENN GOULD

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

AS SONATAS PARA PIANO (4/4)

Sonata no. 15 em Fá maior, K. 533/K. 494
01 – Allegro (K. 533)
02 – Andante (K; 533)
03 – Rondo. Allegretto (K. 494)

Sonata no. 16 em Dó maior, K. 545, “Sonata facile”
04 – Allegro
05 – Andante
06 – Rondo. Allegretto.

Sonata no.17 em Si bemol maior, K. 570
07 – Allegro
08 – Adagio
09 – Allegretto

Sonata no. 18 em Ré maior, K. 576
10 – Allegro
11 – Adagio
12 – Allegretto

Fantasia em Ré menor, K. 397 (385g)
13 – Andante

Fantasia em Dó menor, K. 475
14 – Adagio

Glenn Gould, piano

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Vassily Genrikhovich

Colloquium olympicum (fictum): Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – As Sonatas para piano – Glenn Gould (3/4)

MI0000960404[continuação daquilo e disso]

MOZART: (friamente) Não preciso lhe dizer que, ao manter esse ponto de vista, você está numa minoria de… uma pessoa. Ainda que eu não me inclua entre eles (e tenho certeza de que você entenderá que, por motivos puramente pessoais, não compartilho seu ponto de vista), poderia, com toda modéstia, apontar-lhe milhares, mesmo centenas de milhares de amantes da música que…
GOULD: Mesmo que fossem milhões, não fariam diferença. “Ainda criança, eu não conseguia entender como meus professores, e outros adultos presumivelmente sãos, contavam as suas obras entre os grandes tesouros musicais do homem ocidental. […] Acho que eu tinha em torno de treze anos quando finalmente percebi que o mundo inteiro não via as coisas como eu via. Já que jamais me teria ocorrido, por exemplo,que alguém poderia não compartilhar meu entusiasmo por um céu cinza e nublado, foi então um verdadeiro choque descobrir que havia de fato pessoas que preferiam o ensolarado. Poderia acrescentar que isso continua a ser um mistério para mim, mas essa é outra história.
M: (com pena) Acho que começo a entendê-lo, meu pobre amigo. Escute, há um médico aqui que certamente poderia curá-lo de seu entusiasmo por céus cinzas e nublados. Ele se chama Dr. Freud…
G: (às gargalhadas) Não, obrigado – recusei-me a permitir que qualquer de seus colegas se aproximasse de mim enquanto vivia. Em todo caso, minha preferência por certos fenômenos meteorológicos em particular não está de qualquer maneira conectado com minha crítica a certas inconsistências composicionais em sua música. Tome, por exemplo, o Finale Allegro grazioso de sua Sonata em Si bemol maior, K. 333, ou, para ser mais preciso, a cadenza logo antes do final do movimento. “Para mim, essa página vale o preço do ingresso”.
M: (lisonjeado) Sério?
G: (incensado) Mas como lhe deu na telha a ideia insana de escrever “Cadenza a tempo” sobre ela? “É uma cadenza, não importa o que você diga, e eu simplesmente não posso imaginar como você esperaria que alguém passasse da tônica menor (Si bemol menor) para a submediante (Sol bemol maior) sem reduzir a marcha.
M: Parece-me que, pelo que você diz, você aborda minha música pura e simplesmente dum ponto de vista harmônico.
G: Uma vez que – como já disse – ela é incapaz de despertar o menos interesse contrapontístico…
M: E que tal sua forma?
G: (desdenhosamente) Oh, você sabe, “a forma básica da sonata não me interessa lá muito – a questão de temas tônicos vigorosos e masculinos e temas dominantes femininos e delicados parece-me infestado de clichês, isso para não dizer racista. Além do que, você sabe, muitas vezes sucede o contrário – segundos temas agressivos e masculinos, e aí por diante. Quanto à sua Sonata em Si bemol maior, que mencionamos há um instante, reflita sobre a não-integração entre o primeiro e o segundo temas do seu primeiro movimento, os quais, até onde posso perceber, poderiam ser tocados em ordem reversa e ainda assim prover um contraste perfeitamente satisfatório”.
M: Bem, é certamente uma ideia interessante… e talvez nem um pouco excêntrica, ademais…
G: (exultante) Você vê! (subitamente sério) “Mas o que eu não entendo é por que você ignorou tantas oportunidades canônicas óbvias para a mão esquerda!”
M: Você desaprova os baixos de Alberti?
G: Exatamente. Aqui está, por exemplo, o Allegro moderato de sua Sonata em Dó maior, K. 330 (ele começa o movimento com o mesmo andamento frenético de sua gravação de 1970, incluída na postagem)
M: (horrorizado) Pare – é insuportável! “Rápido demais. Tocar assim ou cagar, para mim, é a mesma coisa!”
G: (rindo) Desculpe – eu me empolguei!!!

[continua]

MOZART – THE PIANO SONATAS – GLENN GOULD

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

AS SONATAS PARA PIANO (3/4)

Sonata no. 11 em Lá maior, K. 331 (300i)
01 – Tema. Andante grazioso e variazioni
02 – Menuetto – Trio
03 – [Rondo] Alla Turca. Allegretto.

Sonata no. 12 em Fá maior, K. 332 (300k)
04 – Allegro
05 – Adagio
06 – Allegro assai

Sonata no. 13 em Si bemol maior, K. 333 (315c)
07 – [Allegro]
08 – [Andante cantabile]
09 – [Allegretto grazioso]

Sonata no. 14 em Dó menor, K.457
10 – Allegro
11 – Adagio
12 – Molto allegro

Glenn Gould, piano

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Oh-oh: mais uma pedra???
Oh-oh: mais uma pedra???

Vassily Genrikhovich

 

Colloquium olympicum (fictum): Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – As Sonatas para piano – Glenn Gould (2/4)

MI0000960404[continuação da postagem anterior]

GOULD: (algo constrangido) “Eu admito que minha realização do primeiro movimento [da Sonata K. 331] é algo idiossincrática”
MOZART: (acidamente) Não me diga. (depois de uma curta pausa) O que meu tema fez para merecer esse tratamento?
G: (protestando cautelosamente) É um tema banal!
M: Certamente não do modo em que você o tocou!
G: Exatamente. Queria que as pessoas o escutassem e o experimentassem de um modo completamente diferente, entende? “Eu queria submetê-lo a um tipo de escrutínio em que seus elementos básicos fossem isolados uns dos outros, e a continuidade do tema, deliberadamente corroída”
M: E quando você transpõe as defesas – bum! – você explode tudo pelos ares, ahn?
G: Não, muito pelo contrário. “A ideia era que cada variação sucessiva contribuísse para a restauração daquela continuidade e, absorta nesta tarefa, fosse menos visível como um elemento ornamental, decorativo”
M: (estupefato) Como o quê? Como um “elemento decorativo”?
G: Como um “elemento ornamental, decorativo”. “Parece-me que você simplificou as coisas abusando das figurações; tem-se a impressão de que é tudo puramente arbitrário – um deleite puramente tátil que qualquer outra fórmula poderia igualmente prover”. Nada há de atraente nisso, você entende? Isso sem falar da completa ausência de qualquer interesse contrapontístico. Puro hedonismo teatral, se é que você me entende. (após uma breve pausa) Bem, diga algo.
M: Com toda honestidade, estou sem palavras. Ao ouvir você falar desse jeito, qualquer um pensaria que você não gosta de minha música…
G: (rapidamente e com veemência) Não, de modo algum! Que faz você dizer isso? Sua primeira sinfonia, por exemplo, é uma joia absoluta! Eu mesmo a regi certa vez, em 1959, no Festival de Vancouver. Ou que tal suas seis primeiras sonatas para piano? “Elas têm aquelas ‘virtudes barrocas’ – uma pureza de condução de vozes e cálculo de registro – que nunca foram igualadas em suas obras mais tardias e que as fazem as melhores da série. E ainda que ‘quando mais curta, melhor’ geralmente represente minha postura em relação a sua música, tenho que dizer que sua Sonata em Ré maior, K. 284, que é provavelmente a mais longa delas, é minha favorita”.
M: (desanimadamente) Não sei se devo me alegrar ou não…
G: (confidentemente) Sabe, Sr. Mozart, “você deveria ter congelado seu estilo quando deixou Salzburgo; se tivesse se contentado em não alterar sua linguagem musical nas trezentas e tantas obras que escreveria depois, eu estaria perfeitamente contente”.
M: (pensativamente) Você acha que Viena – como devo dizer? – corrompeu meu estilo?
G: Temo que sim, claro. “Quando gerações de ouvintes acham apropriado atribuir-lhe termos como ‘leveza’, ‘facilidade’, ‘frivolidade’, ‘galanteria’, ‘espontaneidade’, convém-nos ao menos refletir acerca dos motivos para tais atribuições – que não são necessariamente nascidas de desapreço ou de caridade”.
M: (incredulamente) Em outras palavras, nada de “Don Giovanni” e nada de “A Flauta Mágica”?
G: Não!
M: Nenhuma das minhas últimas sinfonias?
G: Enfaticamente não!
M: E presumo que nenhuma de minhas últimas sonatas, também?
G: Essas, muito menos! “Eu as acho insuportáveis” – perdoe-me dizer isso. Elas são “repletas de presunção quase teatral, e posso seguramente afirmar que, ao gravar uma peça como a Sonata em Si bemol maior, K. 570, eu o fiz sem qualquer convicção. (à parte) O mais honesto a se fazer teria sido pular essas obras, mas o ciclo tinha que ser concluído”.
M: (quietamente) E tudo que eu teria escrito se eu não tivesse…
G: (furiosamente, quase abrupto) Que disparate! Imaginemos que você… bem, digamos que você tivesse chegado aos setenta anos; você teria então morrido em 1826, um ano antes de Beethoven e dois anos antes de Schubert, pelo que, se eu pudesse extrapolar seu estilo posterior com base nas suas trezentas últimas obras, você acabaria um compositor entre Weber e Spohr. É uma especulação tão absurda quanto seria imaginar o que eu acabaria por gravar se eu não tivesse morrido aos cinquenta anos (amargamente) Deixe-me dizer uma coisa, Sr. Mozart: eu não teria gravado nada – nada mais! Aliás, eu já planejava abandonar o piano quando completasse cinquenta anos…
M: Se eu o compreendi bem, eu morri tarde demais, em vez de muito cedo…
G: Correndo o risco de exagerar: sim.

[continua]

MOZART – THE PIANO SONATAS – GLENN GOULD

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

AS SONATAS PARA PIANO (2/4)

Sonata no. 7 em Dó maior, K. 309 (284b)
01 – Allegro con spirito
02 – Andante un poco adagio
03 – Rondeau. Allegretto grazioso

Sonata no. 8 em Lá menor, K. 310 (300d)
04 – Allegro maestoso
05 – Andante cantabile con espressione
06 – Presto

Sonata no. 9 em Ré maior, K. 311 (284c)
07 – Allegro con spirito
08 – Andante con espressione
09 – Rondeau. Allegro

Sonata no. 10 em Dó maior, K. 330 (300h)
10 – Allegro moderato
11 – Andante cantabile
12 – Allegretto

Glenn Gould, piano

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Gould chamando pro ringue
Gould chamando Amadeus pro ringue

 

Vassily Genrikhovich

Colloquium olympicum (fictum): Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – As Sonatas para piano – Glenn Gould (1/4)

MI0000960404Postar qualquer gravação de Gould é, admito, pedir para levar pedrada. Pedradas, aliás: várias delas. Todas bem merecidas.

Justifico: a postagem com menos downloads entre as que fiz foi aquela do infame concerto em que Leonard Bernstein lavou as mãos ante a plateia antes de tocar com Gould o Concerto no. 1 de Brahms. Um colega de blog confessou-me que não tivera a coragem de baixar a gravação, e a caixa de comentários transbordou, se não de ódio, de manifestações de desprezo pela pessoa e pelo pianismo do canadense – que, reconheço, é merecedor de todas as críticas que recebe, mesmo mais de três décadas depois de sua morte, a despeito de sua criatividade e formidável domínio sobre seu instrumento.

Postar a integral de Gould para as Sonatas de Mozart – que, junto com aquelas de Beethoven, são figurinhas fáceis nas listas de mais detestadas de todos os tempos e estão inscritas com sangue e sanha nos livros de ódio de muitos melômanos – é pedir, como se diz lá na minha terra, para levar nos dedos. Mesmo os fãs mais incondicionais reconhecem, por exemplo, que a gravação da Sonata K. 331 é o pináculo da perversidade gouldiana, com as variações de abertura tocadas em velocidade crescente, um minueto interminável e um Alla turca bizarramente ruminativo. A recomendação mais complacente que encontrei para a série foi “para anti-mozartianos e completistas” – as mais furiosas, bem, furto-me a compartilhá-las em nome do pundonor que cabe a este blog (*pigarro*) ultrafamília.

Por que, então, postar Gould tocando Mozart? Puramente como um pretexto para divulgar a tradução do delicioso texto em que o alemão Michael Stegemann imagina um diálogo entre o compositor e o pianista que tão deliberadamente sabota suas obras, incluído no encarte do relançamento dessas gravações como parte da Glenn Gould Edition, em 1992. Baseada principalmente em entrevistas concedidas ao documentarista Bruno Monsaingeon e em ataques furibundos de críticos (trechos citados entre aspas), ele tem o mesmo tom dos textos com que Gould divulgava suas ideias sobre música, imaginando (dentro das peculiaridades de seu funcionamento cerebral) um colóquio entre um pianista de nome Glenn Gould e um psicanalista chamado, bem, glenn gould.

Enquanto antecipo minhas desculpas por eventuais derrapadas na tradução (pois a vida é demasiado curta para se aprender alemão), faço votos de que se divirtam com o texto. E, ah: o link para a gravação está lá no local de costume. Só para constar.

COLLOQUIUM OLYMPICUM (FICTUM)

Dois homens numa nuvem. Um deles usa um pulôver, jaqueta de tweed, capa de inverno, cachecol de lã, boina xadrez, óculos aro de tartaruga, luvas sem dedos, calças bufantes e sapatos marrons surrados. Ele toca piano – o Andante grazioso con variazioni da Sonata em Lá maior, K. 331, de Mozart. O outro usa uma peruca com tranças, lenço franzido, casaca de brocados ricamente bordados (com a Ordem do “Cavaleiro da Espora Dourada”), calças até os joelhos, meias de seda e sapatos com fivela. Ele escuta atentamente. O primeiro deles é GLENN GOULD, o outro, WOLFGANG AMADEUS MOZART.

GOULD: (concluindo o movimento) E…?
MOZART: (perplexo) Desculpe-me perguntar-lhe, meu amigo, mas você sempre senta tão abaixo do teclado quanto está a tocar piano?
G: Sempre.
M: E sempre nessa, er, cadeira?
G: Sempre, sim. Meu pai a fez para mim quando eu tinha vinte, vinte e um anos.
M: (cautelosamente) Mas está quebrada…
G: Eu sei. Um acidente. Um agente de aeroporto subiu nela e foi-se através do assento.
M: (sem compreender) Um agente de aeroporto…?
G: Esquece. (rapidamente e com desconforto evidente) E antes que você pergunte, eu sempre cantarolo junto com a música quando estou tocando piano. Para mim isso não é qualquer vantagem, é apenas algo inevitável que sempre me acompanhou, eu nunca consegui me livrar disso. Desculpe.
M: Não precisa se desculpar. Não me incomodou, em particular. Não isso, de qualquer maneira…
G: O quê, então?
M: (evasivamente) O instrumento que você usa soa estranho… Não é um dos fortepianos de Streicher, é?
G: É um Steinway, número de série CD 318.
M: (sem muita convicção) Aha.
G: Então, o quê, exatamente, incomodou você?
M: (hesitantemente) Bem, como deveria colocar-lhe… foi… Quero dizer, você…
G: … toquei muito devagar?
M: Bem, eu escrevi “Adagio” sobre a quinta variação, e você a tocou como “Allegro”.
G: Você quer dizer, rápido demais?
M: … enquanto o tema do Andante grazioso soou mais como um Largo, tocado por você. (quietamente) Eu quase não o reconheci.
G: (gargalhando) Você não foi o primeiro! Havia pessoas (e espero que elas ainda existam) que descreveram minha gravação como “a mais repugnante jamais feita”.
M: (sem entender) Gravação…?
G: (benevolamente) Escute, Sr. Mozart, desde que você morreu, um monte de coisas aconteceu, sobre as quais você sequer poderia imaginar. Mas, em termos de nossa conversa, eu não acho que elas sejam importantes e sugiro que as esqueçamos. Por ora, agradeceria se nos mantivéssemos no assunto; quando terminarmos, terei a maior felicidade em falar-lhe de aeroportos, gravações e por aí vai, OK?
M: “OK”, como diz você – seja lá o que signifique.
G: Beleza. Você me falava que achou a quinta variação muito rápida e o tema muito lento, correto?
M: Entre outras coisas. Mesmo com a maior boa vontade do mundo eu não sei por que você…
G: (mantendo-se em seu raciocínio) Veja bem, “de acordo com o esquema que empreguei, a penúltima variação só perde em velocidade para o finale do movimento”
M: (algo perturbado) O esquema que você empregou. Mas, sério, meu amigo, e o meu esquema?
G: (recusando-se a abandonar seu raciocínio) “A ideia por trás da interpretação era, já que o segundo movimento é mais um noturno-com-minueto do que um movimento lento” – você não negará isso – “e já que o pacote é finalizado com aquela curiosa porção de exotismo à moda serralho, estamos lidando com uma estrutura incomum, e virtualmente todas as convenções de sonata-allegro podem ser deixadas de lado”
M: Sério? (sarcasticamente) Bem, muito obrigado por explicar minha própria sonata para mim!

[continua]

MOZART – THE PIANO SONATAS – GLENN GOULD

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

AS SONATAS PARA PIANO (1/4)

Sonata no. 1 em Dó maior, K. 279 (189d)
01 – Allegro
02 – Andante
03 – Allegro

Sonata no. 2 em Fá maior, K. 280 (189e)
04 – Allegro assai
05 – Adagio
06 – Presto

Sonata no. 3 em Si bemol maior, K. 281 (189f)
07 – Allegro
08 – Andante amoroso
09 – Rondeau. Allegro

Sonata no. 4 em Mi bemol maior, K. 282 (189g)
10 – Adagio
11 – Menueto I-II
12 – Allegro

Sonata no. 5 em Sol maior, K. 283 (189h)
13 – Allegro
14 – Andante
15 – Presto

Sonata no. 6 em Ré maior, K. 284 (205b), “Dürnitz”
16 – Allegro
17 – Rondeau en Polonaise. Andante
18 – Thema. Andante – Variationen I-XII

Glenn Gould, piano

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Sim: eu mereço
Sim: eu mereço

Vassily Genrikhovich

Wolfgang Amadeus Mozart ‎(1756-1791): Sonatas para Piano

Wolfgang Amadeus Mozart ‎(1756-1791): Sonatas para Piano

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hoje é o dia do aniversário daquele que se autodenomina PQP Bach. Então, ele postará três trabalhos excepcionais. Este é o primeiro do dia.

O pianista Lars Vogt tem o rosto desenhado à facão, mas tem a alma e emite sons de um anjo. Ao menos quando senta no piano e usa os dedos. Depois do ciclo de Concertos para Piano de Beethoven, álbuns solo de obras de Bach e Schubert, além de várias gravações premiadas de música para piano pelo selo Ondine, ele lança esta joia. Neste álbum, as duas primeiras sonatas têm ainda grande influência barroca. Já a tocante Sonata K. 310 foi escrita no momento da morte da mãe do compositor. O disco é finalizada pela haydniana Sonata K. 333.

Mozart escreveu as Sonatas para Piano K. 280 e K. 281 (Nos. 2 e 3) mais provavelmente em 1774, com a idade de 18 anos. Os elementos da influência barroca são claramente evidentes na Sonata K. 280. Uma característica proeminente na K. 281 Sonata é, além de seu virtuosismo, o belo movimento lento “Andante amoroso”. O K. 310 (Nº 8) foi escrito quatro anos depois, durante o verão de 1778, e está escrito em tom menor: uma verdadeira raridade entre as Sonatas de Mozart. O K. 333 foi publicado em 1784, mas o tempo de sua composição pode ter sido anterior. Este trabalho alegre com passagens virtuosas pode ser descrito quase como um Concerto para Piano para piano solo.

Wolfgang Amadeus Mozart ‎(1756-1791): Sonatas para Piano

Piano Sonata No. 2 In F Major, K. 280 (15:39)
1 Allegro Assai 4:49
2 Adagio 6:33
3 Presto 4:17

Piano Sonata No. 3 In B-flat Major, K. 281 (15:55)
4 Allegro 4:29
5 Andante Amoroso 6:00
6 Rondo (Allegro) 4:26

Piano Sonata No. 8 In A Minor, K. 310 (21:16)
7 Allegro Maestoso 8:23
8 Andante Cantabile Con Espressione 9:52
9 Presto 3:01

Piano Sonata No. 13 In B-flat Major, K. 333 (21:22)
10 Allegro 7:15
11 Andante Cantabile 7:31
12 Alegretto Grazioso 6:36

Lars Vogt, piano

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PQP

W. A. Mozart (1756-1791): Sonatas para Piano – Murray Perahia

W. A. Mozart (1756-1791): Sonatas para Piano – Murray Perahia

Mozart

Sonatas para Piano 

K. 310 – K. 331 – K. 533/494

Murray Perahia

Para quem gosta de piano, um disco com sonatas é uma festa. Se o compositor é Mozart, a festa será ainda mais animada! Neste caso, temos como intérprete Murray Perahia, cujas credenciais como intérprete de Mozart são impecáveis. Portanto, pode preparar-se para um grande recital. Mas, aviso aos navegantes, não vão ficar esperando arroubos românticos e dramas psicológicos. As sonatas de Mozart pertencem ao mundo clássico, foram compostas para o fortepiano vienense e são sutis, espirituosas, elegantes, divertidas.

Mozart compôs dezoito sonatas e neste disco temos três, que são muito diferentes, umas das outras.

A Sonata em lá menor, K. 310 é uma de apenas duas em tonalidade menor, todas as outras em tonalidade maior. Por isso, há que esperar um pouco mais de drama desta que abre o recital. De fato, o Andante cantabile con espressione, o movimento lento da sonata, é quase tão longo quanto os outros dois movimentos juntos. Tudo indica que esta sonata foi composta, assim como as Sonatas K. 309 e K. 311, entre 1777 e 1778, durante uma visita de Mozart a Paris. Ele nunca mencionou essa peça em suas cartas e é bem possível que ela não tenha sido concebida visando alguma apresentação pública. O seu tom mais dramático pode refletir o difícil período enfrentado por Mozart, em função da morte de sua mãe, que o acompanhava na estada em Paris.

A próxima sonata é definitivamente a mais conhecida das sonatas de Mozart. A Sonata em lá maior, K. 331 inicia com um tema e variações, que certamente não passaria desapercebido pelo jovem Beethoven. No lugar de um movimento lento, temos um Menuetto e Trio, que são seguidos imediatamente pelo (justamente famoso) Rondo alla Turca. A primeira vez que ouvi este movimento, que também aparece em recitais de grandes pianistas como um encore, foi em um LP do Wilhelm Kempff. Quase furei o pobre disco. Mas quem não faria a mesma coisa?

A última sonata nasceu inicialmente como apenas um Rondo, K. 494, para algum aluno, mas que foi logo depois estendido a uma sonata, completado pelos outros movimentos, Allegro e Andante, K. 533.

Enfim, temos aqui um disco onde não falta elegância e requinte, algum elemento de drama e muito boa música.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Sonata para Piano em lá menor, K. 310

  1. Allegro maestoso
  2. Andante cantabile con espressione
  3. Presto

Sonata para Piano em lá maior, K. 331

  1. Andante grazioso e variazioni
  2. Menuetto – Trio
  3. [Rondo] Alla Turca. Allegretto

Sonata para Piano em fá maior, K. 533/494

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegretto

Murray Perahia, piano

Gravação na Sofiensaal, Viena, 1991
Produção: Andreas Neubronner

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FLAC | 177 MB

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MP3 | 320 KBPS | 144 MB

As sonatas de Mozart são únicas, disse o famoso pianista Artur Schnabel. Elas são muito fáceis para as crianças e muito difíceis para os artistas. Por isso, não é fácil elaborar um ótimo disco de sonatas para piano de Mozart. Este chega muito alto. Aproveite bastante!

René Denon

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano K. 107 / J. S. Schröter (1752-1788): Concerto para Piano Op 3, 3

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano K. 107  / J. S. Schröter (1752-1788): Concerto para Piano Op 3, 3

Mozart

Piano Concertos K. 107

Schröter

Piano Concerto Op. 3, 3

Este disco foi lançado originalmente na era dos LPs com o código MK 39222. Sorri com meus botões ao lembrar-me de Miles Kendig e pensei nos dizeres do arguto psicólogo: coincidências não existem. Com esta postagem, realmente completamos a saga dos Concertos para Piano de Mozart. Para deveras completá-la, pedimos ajuda a outro exímio pianista, especialista em Mozart: Murray Perahia. Este disco foi lançado quando Perahia era bem jovem e o selo ainda chamava-se CBS Masterworks. Na era dos CDs foi lançado, e de novo, algumas vezes. A última vez na série Sony Classical – Great Performances.

Selim Gidnek, ou melhor, Miles Kendig

Assim como os Concertos Nos. 1 a 4, esses três concertos são arranjos de peças de outros compositores, neste caso, de Johann Christian Bach. Os arranjos aqui são para piano (poderia ser cravo), dois violinos e baixo contínuo. São peças que revelam a impressionante capacidade musical de Mozart, que era ainda criança, assim como ilustram o desenvolvimento e a estruturação do concerto para piano como gênero musical.

Para completar o disco, um lindo Concerto para Piano em dó maior, de Johann Samuel Schröter. Nascido na Polônia, Schröter era um pouco mais velho do que Mozart e dominou a cena musical em Londres, vindo a ocupar o lugar de Johann Christian. Era ótimo compositor e exímio pianista, como confirma este lindo concerto. No entanto, para casar-se com uma mulher de família rica, concordou em aceitar uma grande anuidade do sogro em troca de abandonar a carreira musical. Uma pena…

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Concerto para piano em ré maior, K. 107, 1

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Tempo di Minuetto

Concerto para piano em sol maior, K. 107, 2

  1. Allegro
  2. Allegretto

Concerto em mi bemol maior, K. 107, 3

  1. Allegro
  2. Allegretto (Rondeaux)

Johann Samuel Schröter (1752-1788)

Concerto para piano em dó maior, Op. 3, 3

  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegro

Murray Perahia, piano e regente

English Chamber Orchestra

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FLAC | 161 MB

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MP3 | 320 KBPS | 105 MB

Pode clicar na imagem…

Mozart gostava da música de Schröter e disse dos seus Concertos Op. 3: Eles são lindos! Quem poderia discordar do Wolfie?

René Denon