Tomás Luis de Victoria (Spain, 1548-1611): The Mystery of the Cross – The Sixteen

2450pa8The Mystery of the Cross
Tomás Luis de Victoria – The Sixteen

 

“…music Christophers was born to conduct.”
BBC Radio Three, Record Review

“This is what recording should be about…excellent performances and recorded sound…beautiful and moving.”
Gramophone

Estudioso, místico, sacerdote, cantor, organista e compositor – seis pessoas em uma só – é por esse motivo, simplesmente, que Victoria é o compositor mais marcante do Renascimento. Ele dedicou sua vida à igreja, e as suas obras revelam uma paixão sincera de tal forma que há momentos, durante sua execução, que nos sentimos quase esmagados pela sua intensidade. Esta série de Victoria pretende mostrar não só a profunda emoção sentida no período da Quaresma, mas também sua capacidade de ser alegremente inventivo e altamente sensual, como no seu tratamento de textos de “O Cântico dos Cânticos”. Harry Christophers

Victoria: The Mystery of the Cross
Tomás Luis de Victoria (Spain, 1548-1611)/Bible – Old Testament
01. Lamentations for Maundy Thursday – Lectio I: Incipit lamentatio Jeremiae
02. Lamentations for Maundy Thursday – Lectio II: Et egressus est
03. Lamentations for Maundy Thursday – Lectio III: Manum suam
04. Lamentations for Maundy Thursday – Hymn: Vexilla Regis (more hispano)
05. Lamentations for Good Friday – Lectio I: Cogitavit Dominus
06. Lamentations for Good Friday – Lectio II: Matribus suis dixerunt
07. Lamentations for Good Friday – Lectio III: Ego vir videns
08. Lamentations for Good Friday – Hymn: Pange Lingua (more hispano)
09. Lamentations for Holy Saturday – Lectio I: Misericordiae Domini
10. Lamentations for Holy Saturday – Lectio II: Quomodo obscuratum
11. Lamentations for Holy Saturday – Lectio III: Incipit oratio Jeremiae

Victoria: The Mystery of the Cross – 2004
The Sixteen
Director: Harry Christophers

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MP3 320 kbps – 170,9 MB – 1,2 h
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Boa audição.

solidao

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Avicenna

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Constantinopla: Música da Idade Média e do Renascimento

Kiya Tabassian é um músico iraniano que emigrou para Montreal em 1990. Em 1998, ele fundou o Constantinopla (ou Constantinople), um conjunto com base em Montreal, que ganhou reputação internacional por sua justaposição única de fontes musicais antigas e as tradições vivas do Oriente Médio. O grupo gravou 15 CDs até hoje. Eu acho que este é o primeiro CD deles, mas pode ser que não seja. Só sei que é muito bom, de extrema sensibilidade e delicadeza. Eu curti muito. Espero que vocês também gostem. A música antiga tem sido rara por aqui, não?  Aliás, tem sido cada vez mais esquecida pelas gravadoras e, talvez, pelos músicos.

Constantinopla: Música da Idade Média e do Renascimento

1 Branle de la Haye 4:16
2 Branle d’Ecosse 2:54
3 Branle du village 5:56
4 Pazzo e Mezzo 2:04
5 Harbi 2:19
6 Yekchoubeh 1:22
7 Saltarello: Saltarello 2:55
8 Estampie anglaise 4:34
9 Sospitati dedit egros 2:48
10 Mignone allons: Mignonne allons 3:35
11 Saltrello: Saltarello 2:37
12 La tricotea 2:39
13 So ell Enzina 2:49
14 Tres morillas 2:22
15 Danza alta, sobre “la Spagna”: Danza Alta 3:44
16 Un amiga tengo: Un’amiga tengo, hermano 1:31
17 Tir’alla, que non quiero 2:36
18 Callabaza no se 2:39
19 Al alva venid 2:33
20 Rodrigo Martinez 2:04
21 Fata la parte 2:58
22 Pedro, y bien te quiero 1:24
23 Todos los bienes del mundo 5:10

Kiya Tabassian

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Kiya Tabassian, do Constantinople

Kiya Tabassian, do Constantinople

PQP

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Cancionero de Upsala: obra completa – Camerata Antiqua de Curitiba: Roberto de Regina

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REPOSTAGEM

Primeira gravação mundial em CD da obra completa, em 1997

Ay, luna que reluces!
Toda la noche m’alumbres*, 
m’alumbres.
Ay, luna tán bella, 
alúmbresme a la sierra…
Por do[nde] vaya y venga, 
toda la noche m’alumbres,
m’alumbres.
* Alumies, ilumines, deslumbres, inspires. Villancico XXVII do Cancionero de Upsala.

Foi nos anos 70 que fui atingido pela primeira vez pelas eruditopopulares canções da renascença espanhola – tendo por resultado imediato um encantamento intenso que não cessou até hoje. Porém, estranhamente, não me caíram como novidade, e sim como reencontro com algo de originário que eu sentia como já profundamente entranhado em mim.

Reencarnação? Ou, quem sabe, seivas antiquíssimas absorvidas nos próprios sons registrados já desde o útero, na fala e no canto deste país praticante de uma língua ibérica?

Na verdade não me interessa explicar: me interessa é gozar desse encantamento! Mas paralelamente quero sim registrar um tributo a quem primeiro me deu a ouvir as peças do Cancionero del Palacio e deste Cancionero de Upsala: Roberto de Regina. Primeiro com as gravações e apresentações do seu Conjunto Roberto de Regina, baseado no Rio de Janeiro, e depois com os ensaios e apresentações da Camerata Antiqua de Curitiba, que tive a oportunidade de acompanhar como estudante de música nessa cidade, nos ditos anos 70.

De passagem pela cidade bem mais tarde, em 1996, me surpreendi com uma Camerata incrivelmente mais amadurecida, apresentando a íntegra das 54 canções, que no ano seguinte seriam registradas no CD que os senhores têm agora em suas mãos, olhos e ouvidos.

Lembro, no entanto, que quando elogiei a ousadia de enfrentarem o ciclo completo, uma professora envolvida no projeto meio que se desculpou pelas “ousadias interpretativas” do regente, supostamente excessivas: coisas do Roberto…

Curiosamente, nesse mesmo ano Thomas Wimmer dirigia em Viena uma gravação do Cancionero Musical del Palacio (publicada aqui no blog pelo colega Marcelo Stravinkski) cuja ousadia interpretativa me parece ultrapassar em muito a da presente gravação, interligando as diversas peças com uma ambientação sonora (para usar a palavra com que Villa-Lobos gostava de designar muitos de seus arranjos para canções folclóricas) que parece de fato nos transportar para uma noite de música iluminada a fogo, quinhentos anos atrás…

Em comparação, esta gravação da Camerata chega a soar um tanto acadêmica, devo admitir – especialmente nas 12 peças iniciais, escritas em apenas duas vozes (no sentido composicional da expressão: duas linhas melódicas que podem ser executadas, cada uma, quer por uma voz cantante, quer por um instrumento), resultando numa textura musical sóbria, pouco exuberante para nossos ouvidos acostumados ao excesso.

Sugiro aos amigos que não se deixem desencorajar se, à primeira audição, essas peças iniciais parecerem monótonas; que aproveitem a oportunidade de sair um pouco do ritmo stressy em que vivemos para um estado algo mais contemplativo… ou que comecem, talvez, por peças mais conhecidas como a 1-14, 1-17, 1-18, 1-27, 2-2, 2-4, ou toda a sequência dos 12 villancicos de Natal (2-6 a 2-17) que, bem posso esperar, lhes darão vontade de despejar no vaso os Jingle Bells e Noite Feliz da vida, seguidos de uma longa descarga…

Enfim: convivam com o Cancionero de Upsala – e depois me digam se não se verão viciados na música tão distante e ao mesmo tempo tão nossa que ele nos traz!

Querem mais informações sobre a música, a poesia, a época, a coleção? Não deixem de consultar o encarte que nosso Avicenna teve a dedicada paciência de escanear, que contém quatro substanciosos textos sobre a obra, mais os textos de todos os 54 villancicos (canções em arranjo polifônico) em sua linguagem e grafia original – acompanhados de tradução ao português atual: um primor.

Da minha parte, sugiro apenas que reparem na intenção sistemática, talvez até didática, dessa coleção: 12 villancicos a 2 vozes + 12 a 3 vozes, + 12 a 4 vozes + 12 de Natal a 4 ou 3 vozes + 6 a 5 vozes, num crescendo de complexidade textural. Observo ainda que depois das canções a coleção inclui 16 peças para órgão, inteirando 70 peças. Por um lado, lamento que estas últimas não tenham sido incluídas, mas entendo que se trata de um material artisticamente muito diverso, com o qual a gravação poderia ganhar um tom excessivamente documental ou acadêmico, em detrimento da unidade artística.

Finalmente: por quê pitombas essa coleção de música espanhola leva o nome de Upsala/Uppsala, uma cidade sueca? Já não bastava que tivesse sido impressa em 1556 na Itália (em Veneza), depois de organizada na cidade de Valencia, na corte de Fernando de Aragón, Duque de Calábria? Pois quis o destino que dessa edição restasse um único exemplar conhecido, o qual dormiu por séculos na biblioteca da universitária cidade de Upsala, até que o diplomata e musicólogo espanhol Rafael Mitjana y Gordón topasse com ele em 1907. Bendita Upsala, que nos preservou essa música, y bendito Gordón que se la nos dió.

Disco 1

……[12 villancicos a 2 vozes]……
1-01. I – Como Puedo Yo Bivir
1-02. II – Y Dezid, Serranicas
1-03. III – Dime, Robadora
1-04. IV – No Soy Yo Quien Veis Bivir
1-05. V – No Me Los Amuestres Mas
1-06. VI – Yéndome Y Viniendo
1-07. VII – No Tienen Vado Mis Males
1-08. VIII – Andarán Siempre Mis Ojos
1-09. IX – Mal Se Cura, Muyto Mal
1-10. X – Para Verme Com Ventura
1-11. XI – Un Dolor Tengo En Ell’alma
1-12. XII – Que Todos Se Passan En Flores
……[12 villancicos a 3 vozes]……
1-13. XIII – Si N’os Huviera Mirado
1-14. XIV – Si La Noche Haze Escura
1-15. XV – Deposastes Os, Senõra
1-16. XVI – Desdeñado Soy De Amor
1-17. XVII – No Soy Yo Quien Veis Bivir
1-18. XVIII – Vésame Y Abráçame, Marido Mio
1-19. XIX – Alta Estava La Peña
1-20. XX – Dime, Robadora
1-21. XXI – Alça La Niña Los Ojos
1-22. XXII – Ay De Mi, Qu’en Tierra Agena
1-23. XXIII – Soleta Yo So Açi
1-24. XXIV – Vella De Vos Son Amoros
……[12 villancicos a 4 vozes]……
1-25. XXV – Ojos Garços A La Niña
1-26. XXVI – Estas Noches À Tan Largas
1-27. XXVII – Ay Luna Que Reluzes
1-28. XXVIII – Vi Los Barcos, Madre
1-29. XXIX – Con Que La Lavaré La Flor
1-30. XXX – Soy Serranica
1-31. XXXI – Si Ti Vas A Bañar, Juanilla

Disco 2
2-01. XXXII – Serrana, dónde dormistes?
2-02. XXXIII – Falalalanlera
2-03. XXXIV – Ah, Pelayo, que desmayo!
2-04. XXXV – Que farem del pobre Joan!
2-05. XXXVI – Teresica hermana de la fararira!
……[10 villancicos de Natal a 4 vozes]……
2-06. XXXVII – No la devemos dormir
2-07. XXXVIII – Rey à quien reyes adoran
2-08. XXXIX – Verbum caro factum est
2-09. XL – Alta Reyna soberana
2-10. XLI – Gózate, Virgen sagrada
2-11. XLII – Un niño nos es nascido
2-12. XLIII – Dadme albricias, hijos d’Eva
2-13. XLIV – Yo me soy la morenica
2-14. XLV – E la don don, Verges Maria
2-15. XLVI – Riu, riu, chiu
……[2 villancicos de Natal a 3 vozes]……
2-16. XLVII – Señores, el qu’es nascido
2-17. XLVIII – Vos, Virgen, soys nuestra madre
……[6 villancicos a 5 vozes]……
2-18. XLIX – Dezilde al caballero
2-19. L – Dizen à mi que los amores hè
2-20. LI – Si amores me han de matar
2-21. LII – Si de vos mi bien me aparto
2-22. LIII – Hartaos ojos de llorar
2-23. LIV – Falai meus olhos [texto em galego-português]

Cancionero de Upsala – 1997
Camerata Antiqua de Curitiba
Regente: Roberto de Regina

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Boa audição.

Monge Ranulfus – texto
Avicenna – Layout & mouse operator

 

 

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Palestrina (1525-1594): Missa Papae Marcelli & Missa Brevis: HABEMUS PAPAM!! HABEMUS PAPAM!!!

vjgjtHABEMUS PAPAM!! HABEMUS PAPAM!!!
Originalmente postado em 13.03.13, dia da eleição do Papa Francisco.

REPOSTAGEM

Missa Papae Marcelli ou Missa do Papa Marcelo é uma missa composta por Giovanni Pierluigi da Palestrina em homenagem ao Papa Marcelo II. É a missa mais conhecida e mais executada de Palestrina. Frequentemente, é ensinada em cursos de música. Foi tradicionalmente cantada em todas as missas de coroações papais até a coroação de Paulo VI, em 1963.

A Missa Papae Marcelli consiste, como grande parte das missas renascentistas, de Kyrie eleison, Gloria in Excelsis Deo, Credo, Sanctus/Benedictus e Agnus Dei, embora o Agnus Dei seja em duas partes, em vez das três usuais. A composição da missa é livre, sem se basear em um cantus firmus nem parodiar outra peça. Talvez por causa disso, essa missa não tem a consistência temática típica das peças de Palestrina baseadas em modelos. É, a princípio, uma missa a seis vozes (há oito no Agnus Dei, devido a divises). Entretanto, o uso do conjunto completo fica reservado a porções específicas, sujeitas ao clima requerido pelo texto. Além disso, as combinações de vozes variam ao longo da peça. A textura é basicamente homorrítmica, em estilo declamatório, com pouca sobreposição de textos e uma clara preferência por acordes em bloco, de modo que o texto possa ser ouvido nitidamente, ao contrário do que acontece em diversas missas polifônicas do século XVI. Como em grande parte do trabalho contrapontístico de Palestrina, as vozes se movem predominantemente em grau conjunto e a condução de vozes segue estritamente as regras modais codificadas por Gioseffo Zarlino.

A missa foi composta em homenagem ao Papa Marcelo II, que reinou por apenas três semanas em 1555. Pesquisas recentes sugerem que a data provável da composição é 1562, quando foi copiada para um manuscrito que se encontra na Basílica de Santa Maria Maior em Roma.

Giovanni Pierluigi da Palestrina (Italy,1525-1594)
Missa Papae Marcelli – Missa Brevis
01. Missa Papae Marcelli – 01. Kyrie
02. Missa Papae Marcelli – 02. Gloria
03. Missa Papae Marcelli – 03. Credo
04. Missa Papae Marcelli – 04. Sanctus
05. Missa Papae Marcelli – 05. Benedictus
06. Missa Papae Marcelli – 06. Agnus Dei 1
07. Missa Papae Marcelli – 07. Agnus Dei 2
08. Missa brevis – 01. Kyrie
09. Missa brevis – 02. Gloria
10. Missa brevis – 03. Credo
11. Missa brevis – 04. Sanctus
12. Missa brevis – 05. Benedictus
13. Missa brevis – 06. Agnus Dei 1
14. Missa brevis – 07. Agnus Dei 2

Missa Papae Marcelli – Missa Brevis – 1987
Westminster Cathedral Choir
Regente: David Hill

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Boa audição.

33zed0m

 

 

 

 

 

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Avicenna

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Qvadro Cervantes – 20 anos (Acervo PQPBach)

588syO QVADRO CERVANTES é considerado pela crítica especializada como o melhor conjunto brasileiro de música antiga medieval, renascentista e barroca. A excelência do conjunto tem inspirado compositores contemporâneos, que a ele dedicaram inúmeras peças.

REPOSTAGEM

Responsável pela formação de uma geração de músicos, os integrantes do Qvadro Cervantes têm sido convidados a lecionar e apresentar-se por todo o Brasil. Merece destaque a sua atuação frequente em concertos didáticos, que contribuem para a formação de novas platéias.

Ao longo de sua existência, o Qvadro Cervantes mudou seus músicos, mas não seus ideais. Atualmente integram-no: Clarice Szajnbrum (voz e percussão), Veruschka Bluhm Mainhard (flautas, voz e percussão), Niclodas de Souza Barros (alaúde, harpa, saltério, fídula„ voz e percussão) e Helder Parente (voz, sopros, viola da gamba e percussão).

A essa qualidade e a esses ideais a Brascan se associa na gravação deste disco comemorativo dos vinte anos do Qvadro Cervantes.

As CANTIGAS DE SANTA MARIA, além de serem dos primeiros documentos musicais da península ibérica, têm também grande importância pela quantidade de iluminuras apresentando os instrumentos conhecidos no século XIII. O rei Alfonso X ‘O Sábio’ (1221-1284), soberano de Castela e Léon, grande devoto da Virgem Maria, mandou compilar mais de 400 canções de louvor que descrevem milagres ocorridos por intermédio da mãe de Jesus. Nos 4 manuscritos que são conhecidos atualmente, mais de 350 destas canções estão em galego, dialeto que deu origem ao português. Algumas estão grafadas em notação mensurada, o que permite uma transcrição clara e definida sob o aspecto rítmico.

O LLIBRE VERMEIL (Livro Vermelho) contém peças musicais de caráter popular praticadas pelos fiéis em peregrinação à abadia de Montserrat e foi copiado em fins do século XIV ou princípio do século XV. No último terço do século XIX foi encadernado em veludo vermelho, originando sua denominação. Além de canções e danças de culto monofônicas, contém os primeiros exemplos de polifonia ibérica, dos quais Mariam Matrem é, sem dúvida, o mais sofisticado.

As NOTAS são música de dança, menos complexas e menos extensas que os ductios e os estampidos. Os dois exemplos provêm de manuscrito, hoje na British Library. O primeiro é composto de três frases melódicas repetidas na voz inferior segunda, enquanto a superior executa um contraponto continuamente diferenciado. O segundo exemplo tem duas frases, a princípio apresentadas na voz inferior e depois, na superior transposta uma quinta acima.

A Danza Alta, em oposição à dança baixa, exige grande disposição dos dançarinos em virtude dos saltos que a caracterizam. A peça de F. de la Torre (Cancioneiro do Palácio) apresenta uma melodia ricamente ornamentada com o suporte de duas vozes acompanhantes.

Triste Estaba el Rey David – A. Mudarra. Nesta pungente peça, o famoso vihuelista narra a tristeza do rei David ao saber da morte de seu querido filho Absalão, conforme narrada em II Samuel, 18:33.

Triste estaba el rey David
cuando le vinieron nuevas
de la muerte de Absalon.
Palavras tristes decia
saldas dei corazón.

Fantasia que Contrahaze la Harpa de Ludovico — O harpista Ludovico era cego, e gozava de prestígio entre os vihuelistas espanhóis de então, justamente porque conseguia ‘semitonar’ as cordas do seu instrumento através de uma técnica especial.

Entre as coleções espanholas de música polifônica profana dos séculos XV e XVI destacam-se, pela qualidade do material nelas contido, o CANCIONEIRO DO PALÁCIO e o de MEDINACELI. O repertório destas coleções é basicamente vocal e com textos em espanhol, em sua maioria.

De uma coleção do século XVII, ROMANCES Y LETRAS A 3 VOCES, provém uma versão musicada em espanhol do famoso soneto de Camões Sete anos de pastor.

Em 1492 Suas Majestades Católicas, Fernando e Isabel, houveram por bem expulsar da Península Ibérica uma enorme população de judeus por razões pretensamente religiosas. Estes judeus, que se encontravam desde a invasão árabe em perfeita convivência com ambas as culturas, a católica e a islâmica, são chamados de sefaraditas (em hebraico Sefared significa Espanha) e falam uma língua judaico-espanhola própria, o ladino (do espanhol latin). Nas novas terras onde aportam, mantêm alguns traços culturais que se transmitem até nossos dias pela tradição oral, tais como língua e canções. Extremamente difícil de serem datados, alguns destes cantos de amor, religiosos, de zombaria, são considerados por especialistas como anteriores à data da expulsão. Merece registro a semelhança da melodia de Adios querida com a ária do quarto ato da Traviata de Verdi, “Addio dei passato”.

Publicadas originalmente pelo “Jornal de Modinhas”, que funcionou de 1792 a 1795 em Lisboa, os duos Amor concedeu-m’um prêmio de Antonio Silva Leite, Se dos males e Você trata amor em brinco de Marcos Portugal mostram, junto com No momento da partida do Pe. José Maurício, a influência do gosto musical italiano, maltratando a língua portuguesa pelos frequentes problemas de prosódia que apresentam.
O Velludo e Chegou! Chegou? são peças publicadas para piano no início de nosso século que, por sua estrutura de melodia acompanhada, nos sugeriram a versão que apresentamos para flauta e violão. A primeira possui uma dedicatória “ao distinto flautista paulista João de Oliveira Duarte”, e a segunda é uma polka sobre o motivo da cançoneta Chegou! Chegou? cantada no Theatro Apollo por Mr. Visconti.

INSTRUMENTOS E ESTILOS
No começo era a diversidade, a multiplicidade, a riqueza: o mesmo som poderia ser reproduzido por instrumentos com formas completamente diferentes, mantendo-se os mesmos princípios de produção sonora – cordas friccionadas ou tangidas, sopros de embocadura livre ou não, palheta simples ou dupla etc.

O começo da padronização instrumental acompanha o advento da imprensa (início do século XVI) quando surgem os primeiros tratados gerais de música e métodos para instrumentos. Assim, começamos a poder reconhecer instrumentos que, apesar de tamanhos diferentes, são classificados como pertencentes a uma mesma família, com o mesmo timbre em registros diferentes (ex: viola da gamba baixo, tenor e soprano em ordem decrescente ).

Paralelamente a esta padronização ocorrem mudanças na escrita e na linguagem musical. A um modelo anterior que seria a melodia sozinha executada, por exemplo, com voz humana e flauta doce acompanhados por pedal (fídula) e percussão acrescentam-se linhas acompanhantes que se movem em blocos verticais, servindo de colunas de sustentação para a melodia (harmonia), podendo ter movimentos independentes (contraponto). (extraído do encarte, 1994)

Anônimo (copiladas a mando do rei Alfonso X ‘O Sábio’ (1221-1284)
01. Cantigas de Santa Maria 1. Des oje mais
02. Cantigas de Santa Maria 2. Como poden
03. Cantigas de Santa Maria 3. Maravillosos
04. Cantigas de Santa Maria 4. Gran dereit’
05. Cantigas de Santa Maria 5. A Madre de Deus
Anônimo séc. XIII
06. Música de Danza 1.Nota I
07. Música de Danza 2.Nota II
08. Llibre Vermeil – Mariam Matrem
Francisco de la Torre (Spain, floruit 1483–1504)
09. Cancioneiro do Palácio – Danza alta (séc. XV)
Cancioneiro de Medinaceli, séc. XVI
10. Cancioneiro de Medinaceli – Claros e frescos rios
Juan del Encina (Espanha, ca.1468-1529)
11. Oy comamos
Alonso de Mudarra (Spain, c.1510-1580)
12. Triste estaba el Rey David
13. Fantasia
Anônimo séc. XVII
14. Romances y Letras a 3 voces – Siete años de pastor
Anônimo séc. XV – XVII
15. Canções Sefaraditas – 1. Una matica de ruda
16. Canções Sefaraditas – 2. Los bilbilicos
17. Canções Sefaraditas – 3. Tres hermanicas
18. Canções Sefaraditas – 4. Noches, noches
19. Canções Sefaraditas – 5. En la mar
20. Canções Sefaraditas – 6. Hija mia, y casar te quiero yo
21. Canções Sefaraditas – 7. Adios querida
22. Canções Sefaraditas – 8. A la una
Antônio da Silva Leite (Porto, 1759 – 1833)
23. Amor condeceu-m’um prêmio
Marcos Antonio Portugal da Fonseca (Portugal, 1762-Rio, 1830)
24. Si dos males
25. Voce trata amor em brinco
Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830, Rio de Janeiro, RJ)
26. No momento da partida
C.A.G. Villela (séc. XX)
27. O velludo
Mazarino Lima (séc. XX)
28. Chegou! Chegou?

Qvadro Cervantes – 1994

Um CD do acervo do musicólogo Prof. Paulo Castagna. Não tem preço !!!
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Boa audição.

beijo

 

 

 

 

 

 

 

 

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Avicenna

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Conjunto Musikantiga de São Paulo (vol 1) – 1967

1pcr5iConjunto Musikantiga de São Paulo, fundado por Ricardo Kanji em 1966.

REPOSTAGEM

Ricardo Kanji nasceu em São Paulo em 1948. Iniciou os seus estudos musicais com Tatiana Braunwieser, prosseguindo-os com Lavínia Viotti que lhe proporcionou o primeiro contacto com a flauta doce. Aos quinze anos de idade começou a estudar flauta transversal com João Dias Carrasqueira e, dois anos mais tarde, ingressou nas orquestras Filarmônica e Sinfônica Municipal de São Paulo. Em 1966, depois de um período de estudos nos Estados Unidos da América, fundou o conjunto Musikantiga, com o qual manteve uma significativa e inovadora atividade musical no país.

Em 1969, Ricardo Kanji regressou aos EUA para estudar flauta transversal no Peabody Institute of Music, em Baltimore. Tendo decidido dedicar-se ao estudo da Música Antiga, no fim do mesmo ano viajou para a Holanda, onde estudou no Conservatório Real de Haia com Frans Brüggen e Frans Vester, entre 1970 e 1972, obtendo então seu «Solist Diploma». Em 1970 foi premiado no I Concurso Internacional de Flauta Doce, em Bruges, na Bélgica.

Em 1973 foi nomeado professor sucessor de Frans Brüggen no Conservatório Real de Haia, cargo que ocupou até 1995, dedicando-se à formação de músicos provenientes de todo o mundo. Como diretor da Orquestra Barroca do Conservatório, por ele criada, realizou vários projetos com inúmeras séries de concertos, com repertórios barroco e clássico.

Assim começa o currículo de Ricardo Kanji preparado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

O Conjunto Musikantiga de São Paulo foi fundado em 1966 por Ricardo Kanji e seu irmão Milton Kanji (flautas doces), Paulo Herculano (cravo) e Dalton de Luca (viola de gamba). Esse primeiro volume, de 1967, foi um verdadeiro sucesso, muito apreciado pela juventude da época.

Acho que comprei esse LP com o primeiro salário que ganhei como universitário recém formado, em março de 1968 mas, ao almoçar hoje na casa do meu irmão caçula, êle me disse que esse LP era dele e que eu o ‘afanei’! Então não sei mais nada e, isso sim, dedico esta postagem ao meu irmão caçula Luis Carlos!

Palhinha: ouça 03. Sonata a tres, nº 5 (1736)

Conjunto Musikantiga de São Paulo
Anônimo do séc. XVIII
01. Greensleeves to a ground
Anônimo do séc. XIV
02. Il lamento di Tristano
Pierre Prowo (1697-1757)
03. Sonata a tres, nº 5 (1736)
Orlando Gibbons (England, 1583-1625)
04. Galharda
John Dowland (England, 1563-1626)
05. Lacrimae antiquae
Diego Ortiz (Spain, ca.1510–ca.1570)
06. Recercada Quinta
Jean-Baptiste Loeillet of London (Flemish, 1680-1730)
07. Sonata para flauta e baixo contínuo
Anônimo do séc. XIII
08. Il trotto
J. Adson (séc. XVI)
09. Aria
William Byrd (England, 1540 or late 1539 – 1623)
10. Pavana e galharda
A. Valderravano (séc. XVI)
11. Fantasia
Anônimo do séc. XIII
12. Moteto: alle psalite cum luya

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rhkas4

 

 

 

 

 

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Avicenna

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Conjunto Musikantiga de São Paulo (vol 2) – 1968

capa-solo-web-300x297Conjunto Musikantiga de São Paulo
Musikantiga (vol. 2)
1968

REPOSTAGEM

O volume 2 foi inicialmente lançado em Long Play, em 1968, pela gravadora Rozenblit, como produção de Roberto Corte Real e posteriormente relançado com capa verde, pela gravadora “Discos Marcos Pereira”. Também saiu em CD, porém com tiragem muito limitada.

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Os componentes desse conjunto eram:
Ricardo Kanji (flautas doces, krummhorn, rauschpleife, corneto),
Milton Kanji (flautas doces, krummhorn),
Sandino Hohagen (flautas doces, kortholt),
Roberto Bumagny (flautas doces, krummhorn),
Abel Santos Varagas (flautas doces, krummhorn),
Dalton de Luca (violas de gamba soprano e baixo),
Fernando Tancredi (fagote),
Beatriz Ferreira Leite (cravo),
Claudio Stephan (percussão)

Artistas convidados para este volume 2: Salvador Masano (oboé), Alejandro Ramirez (violino), Jorge Salim (violino) e Ernesto de Luca (percussão). (http://laplayamusic.blogspot.com.br/2012/01/musikantiga-volume-2-1968.html)

O flautista e regente Ricardo Kanji especializou-se na interpretação da música barroca e clássica ao longo dos 25 anos de sua estada na Holanda, onde foi professor no renomado Conservatório Real de Haia, de 1973 a 1995.

Foi diretor artístico da orquestra Concerto Amsterdam de 1991 a 1996, e é membro da Orquestra do Século XVIII, dirigida por Frans Brüggen, desde sua fundação em 1980.

Desde seu retorno ao Brasil, em 1995, tem atuado no meio musical brasileiro como concertista, regente, professor e luthier. Como regente, apresentou-se com orquestras e coros de renome por todo o país.

Criou, em 1997, o Coro e Orquestra Vox Brasiliensis, conjunto com o qual se dedicou, como diretor artístico, ao projeto História da Música Brasileira, que resgatou, com uma série de programas de televisão e CDs, a rica e desconhecida produção musical brasileira. Por este trabalho foi premiado como o melhor regente de 1999 pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

Tem difundido a música colonial brasileira no Brasil e na Europa, como regente convidado na Holanda, Bélgica, Portugal, França e Polônia. Em novembro de 2006 dirigiu a ópera Don Pasquale, de Donizetti, na Holanda, Bélgica e Polônia, numa produção do Teatro de Ópera de Cracóvia. O CD “Neukomm no Brasil” [postado AQUI] , realizado por Ricardo Kanji e Rosana Lanzelotte, recebeu o Prêmio Bravo de 2009 pela melhor gravação do ano, e recebeu a nomeação para o Grammy Latino, no mesmo ano. (http://emesp.org.br/Ricardo-Kanji#.VohqkPGTsh4)

Conjunto Musikantiga de São Paulo
John Adson (Inglaterra, c.1587 – 1640)
01. 3 Courtly masquing ayres (3 Árias dos reais bailes de máscaras)
Andrea Gabrieli (Itália, 1533 – 1585)
02. Ricercar del XII tono
Diego Ortiz (Espanha, 1510 – 1570)
03. Recercada setima
William Brade (Inglaterra, 1560 – Alemanha,1630)
04. Canzon no. 5
Pierre Phalèse, the Elder (Bélgica, 1510 – 1573)
05. Gaillarde “traditore”
06. Bransle de Champaigne 4
07. Bransle de Champaigne 5
08. Bransle de Champaigne 6
09. La parma
10. Putta nera ballo furlano
Michaël Praetorius (Alemanha, 1571 – 1621)
11-Reigentänze (Dança da chuva)
Antonio Lucio Vivaldi, (Itália, 1678 – Áustria, 1741)
12. Concerto em Lá Menor para flauta doce, 2 violinos e baixo contínuo
Georg Philipp Telemann (Alemanha, 1681-1767)
13. Trio Sonata para flauta doce, oboé e baixo contínuo, TWV 42:a6

Musikantiga (vol. 2) – 1968
Conjunto Musikantiga de São Paulo

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LP do selo Rozenblit, de 1968, digitalizado por Avicenna

Boa audição.

Contra-capa do LP.

Contra-capa do LP.

Avicenna

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Hume: Musicall Humors, London 1605 – Jordi Savall

capaTobias Hume
Escócia, ca.1569 – 1645

Jordi Savall
Viola da gamba Barak Norman, Londres, 1697

Como diz nosso amigo catalão David: É hora para um Savall em “estado puro”: Hume, Savall e a Barak Norman.

O compositor inglês e violista Tobias Hume (ca.1569-1645) provavelmente foi introduzido na composição musical um pouco tarde. Embora ele tenha sido um dos melhores violinistas do seu tempo, Hume continua a ser um personagem real em um romance, uma personalidade truculenta, forte, irregular e excêntrica. Esta característica de personalidade pode ser que o fez ocupar um lugar especial no mundo dos músicos da Renascença, mas mantido longe da Royal Courts.

1.-Castelo-topo

Mas o capitão Tobias Hume foi principalmente um oficial que dedicou sua vida à carreira militar; ele foi contratado pelo Rei da Suécia e pelo Imperador da Rússia, e vamos encontrá-lo na guerra da Polônia antes de retornar a Londres em 1629, procurando ser contratado pelo rei para combater a rebelião na Irlanda. Com cerca de 60 anos de idade encontrou refúgio no Chartreuse ( “Charterhouse”) de Londres, hospício e mosteiro para servir aos senhores, oficiais, membros do clero necessitados. Arruinado morre ali, amargo e quase louco, em 16 de abril de 1645. 2.-Collegiata

Hume foi o primeiro compositor a escrever música para solo de viola da gamba, num momento em que o alaúde era o instrumento que dominava a vida musical. Foi também o primeiro a usar técnicas muito inovadoras para a prática de seu instrumento, incluindo o “legno col” (as cordas são atingidas com a madeira do arco), e o pizzicato.

Suas duas principais obras foram publicadas em Londres em 1605 (Musicall Humors ou A primeira parte de Ayres, apenas para viola da gamba) e em 1607 (Musicke Poeticall).

Sua coleção Musicall Humors é um manuscrito de uma centena de peças cada uma mais extraordinária que a outra, com uma característica certamente autobiográfica, e algumas estão diretamente relacionadas à sua carreira no exército (A Souldiers Resolution, A Souldiers March, A Souldiers Gaillard…). Além disso, Hume utiliza todos os recursos do instrumento para produzir efeitos sonoros originais (batalhas, trompetes, tambores). Finalmente, a maioria de suas composições é inegavelmente ligada à arte da improvisação.

3.-on-grava

Tobias Hume é um amigo de longa data de Jordi Savall, que descobriu seu trabalho há mais de 40 anos. O gambista catalão já dedicou duas gravações a Hume no início dos anos 80 (incluindo um para Musicall Humors em 1982). Temos aqui um retorno ansiosamente aguardado para esta nova gravação de 2004, para a qual Jordi Savall decidiu regravar certas partes de seu primeiro disco, bem como incluir peças inéditas como Soldat de profession, Mercenaire par nécessité, Mourant pauvre e Presque fou.

Finalmente, Tobias Hume foi uma personalidade musical essencial para a viola da gamba, como compositor e como intérprete. Jordi Savall faz a ele as mais belas homenagens neste disco soberbo que, sem dúvida, vai marcar a discografia.

Tobias Hume. (Escócia, ca.1569 – 1645)
01. A humorous Pavin (núm.43 a ‘Musical Humors’)
02. Capitane Humes Galliard (núm.50 a ‘Musical Humors’)
03. My hope is decayed (núm.7 a ‘Musical Humors’)
04. Capitane Humes Pavin (núm.46 a ‘Musical Humors’)
05. Harke, harke (núm.10 a ‘Musical Humors’)
06. A Souliders Galliard (núm.48 a ‘Musical Humors’)
07. The Spirit of Gambo (núm.4 a ‘Musical Humors’)
08. A Pavin (núm.42 a ‘Musical Humors’)
09. Touch me lightly (núm.38 a ‘Musical Humors’)
10. Beccus an Hungarian Lord (núm.95 a ‘Musical Humors’)
11. The Second part (núm.96 a ‘Musical Humors’)
12. Loves farewell (núm.47 a ‘Musical Humors’)
13. The Duke of Holstones Almaine (núm.6 a ‘Musical Humors’)
14. Death (núm.12 a ‘Musical Humors’)
15. Life (núm.13 a ‘Musical Humors’)
16. A Question (núm.25 a ‘Musical Humors’)
17. An Answere (núm.26 a ‘Musical Humors’)
18. The new Cut (núm.27 a ‘Musical Humors’)
19. A Souliders Resolution (núm.11 a ‘Musical Humors’)
20. Good againe (núm.14 a ‘Musical Humors’)

Hume: Musicall Humors, London 1605 – Savall – 2004
Jordi Savall (viola da gamba Barak Norman, Londres 1697)

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 Boa audição!

4.--Savall

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Avicenna

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William Byrd (1540-1623): Gradualia, the Marian Masses – William Byrd Choir

iyzq5xGradualia, the Marian Masses – 1607

‘Just for fun I listened to all nine Alleluia settings one after the other and was astonished at the variety and interest of the music … Byrd at his most impressive and sublime here in the glorious ‘Nunc Dimittis’ and in the delicate intricacy of ‘Optimam partem’. The recording and performances are superb’ (BBC Music Magazine Top 1000 CDs Guide)

Mais informações, veja aqui

Gradualia, the Marian Masses
William Byrd (1540-1623)
01. Suscepimus Deus – 1: Suscepimus Deus
02. Suscepimus Deus – 2: Iustitia
03. Suscepimus Deus – 3: Magnus Dominus
04. Sicut audivimus – 1: Sicut audivimus
05. Sicut audivimus – 2: Alleluia
06. Senex puerum portabat
07. Nunc dimittis
08. Responsum accepit Simeon
09. Salve sancta parens – 1: Salve sancta parens
10. Salve sancta parens – 2: Alleluia
11. Salve sancta parens – 3: Eructavit cor meum
12. Benedicta et venerabilis – Virgo Dei genetrix – 1: Benedicta et venerabilis – Virgo Dei genetrix
13. Benedicta et venerabilis – Virgo Dei genetrix – 2: Alleluia
14. Felix es, sacra Virgo
15. Beata es, Virgo Maria – 1: Beata es, Virgo Maria
16. Beata es, Virgo Maria – 2: Alleluia
17. Beata viscera – 1: Beata viscera
18. Beata viscera – 2: Alleluia
19. Rorate caeli – 1: Rorate caeli
20. Rorate caeli – 2: Benedixisti Domine
21. Tollite portas
22. Ave Maria – 1: Ave Maria
23. Ave Maria – 2: Alleluia
24. Ecce virgo concipiet – 1: Ecce virgo concipiet
25. Ecce virgo concipiet – 2: Alleluia
26. Vultum tuum – 1: Vultum tuum
27. Vultum tuum – 2: Alleluia
28. Speciosus forma – Eructavit – Lingua mea – 1: Speciosos forma – Erucavit – Lingua mea
29. Speciosus forma – Eructavit – Lingua mea – 2: Alleluia
30. Post partum
31. Felix namque es
32. Alleluia – Ave Maria – 1: Alleluia – Ave Maria
33. Alleluia – Ave Maria – 2: Virga Jesse
34. Gaude Maria
35. Diffusa est gratia – 1: Diffusa est gratia
36. Diffusa est gratia – 2: Propter veritatem
37. Diffusa est gratia – 3: Alleluia
38. Diffusa est gratia – 4: Vultum tuum
39. Gaudeamus omnes – 1: Gaudeamus omnes
40. Gaudeamus omnes – 2: Assumpta est Maria
41. Assumpta est Maria
42. Optimam partem elegit

Gradualia, the Marian Masses – (gravado em 1990 e comercializado em 2002)
William Byrd Choir. Gavin Turner (conductor)

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Avicenna

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A la venue de Noël: Messe sur des Noëls: André Raison, Guillaume Minoret, Marc-Antonie Charpentier, Michel Corrette, Michel Richard de Lalande, Nicolas Lebègue.

2ex0hm0Repostagem com novos e atualizados links.

Um Feliz Natal aos que nos tem acompanhado nesta aventura musical !!

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A la venue de Noël
Messe sur des Noëls
Ensemble Aria Voce

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Missa de Natal inédita. O Ensemble Aria Voce, dirigido por Philippe Le Corf, foi constituído para interpretar repertórios barrocos pouco conhecidos. É neste espírito que a obra de William Minoret foi gravada. Sua missa, original até então, “Missa pro tempore Nativitatis” é construída sobre temas populares de Natal. Uma obra sagrada magistral para se descobrir.
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A La Venue de Noël: Messe sur des Noëls
André Raison (France, c.1640 – 1719)
01. Une jeune pucelle
02. Joseph est bien marié
03. Or, nous dites Marie
Guillaume Minoret (France,1650 – 1717 /1720)
04. Missa pro tempore Nativitatis 1. Kyrie
05. Missa pro tempore Nativitatis 2. Gloria
06. Missa pro tempore Nativitatis 3. Credo
07. Missa pro tempore Nativitatis 4. Sanctus
08. Missa pro tempore Nativitatis 5. Agnus Dei
09. Missa pro tempore Nativitatis 6. Domine, salvum fac Regem
Marc-Antonie Charpentier (France, 1643-1704)
10. Joseph est bien marié-Symphonie
11. À la venue de Noël-Symphonie
12. Ô pretiosum
13. Or, nous dites Marie-Symphonie
14. Petite Cantate de Noël
Michel Corrette (France, 1707 – 1795)
15. Où s’en vont ces gays bergers
Michel Richard de Lalande (France, 1657-1726)
16. Symphonie sur des Noëls
Nicolas Lebègue (France, 1631-1702)
17. Une Vierge Pucelle

A la venue de Noël: Messe sur des Noëls – 2005
Ensemble Aria Voce
Maestro Philippe Le Corf

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Avicenna

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Utopia Triumphans: The Great Polyphony of the Renaissance – Paul van Nevel, Huelgas Ensemble SONY 1995

O bom filho à casa torna. Para comemorar o Retorno do Chucruten, um CD primoroso que exalta a complexidade da harmonia e do contraponto na idade de ouro da polifonia, a Renascença.

Não é exagero dizer que, uma vez que a música se libertou dos grilhões monofônicos do cantochão, literalmente se esbaldou de sobrepor vozes. Nunca haviam comido mel, então, claro, se lambuzaram todos. E o resultado é, além de curioso, também incrivelmente convincente: motetos de 13, 16, 24 e até 40 vozes, cada uma com linhas melódicas distintas, criam um cluster harmônico que causam a impressão singular de estar diante de uma música ao mesmo tempo imemorial e moderna, extremamente antiga e nova: sensação de eternidade.

O moteto Qui Habitat de Josquin desPrez é uma das pérolas deste disco, 24 vozes que se sobrepõe, uma a uma, causando um curioso padrão de interferência sonoro de resultantes harmônicas e rítmicas. E, o carro-chefe do disco, o Spem in Allium de Thomas Tallis: 40 vozes. Um professor de música colega meu, que não conhecia a obra, ouviu-a numa instalação artística em Inhotim-MG, e achou ser uma peça contemporânea!

Utopia Triumphans

Thomas Tallis: Spem in alium
Constanzo Porta: Sanctus – Agnus Dei
Josquin Desprez: Qui habitat
Jean de Ockeghem: Deo gratias
Pierre de Manchicourt: Laudate Dominum
Giovanni Gabrieli: Exaudi me Domine
Alessandro Striggio: Ecce beatam lucem

Huelgas Ensemble – Paul van Nevel

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Arquivo FLAC, 230Mb

CHUCRUTEN

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Hespèrion XXI: Orient – Occident (1200-1700) — Jordi Savall

coverDentre músicas culturalmente divergentes da nossa eu gosto principalmente da música árabe. Mas neste caso Jordi Savall e o Hespèrion XXI não fazem uma reprodução daquilo que poderíamos chamar de música árabe de fato, mas sim de música influenciada e com características dessa, além de outras músicas de outros povos do mediterrâneo, oriente médio, Pérsia entre os séculos XIII e XVII.

É interessante notar que esse álbum tente reproduzir aquilo que devia ser algo como a música popular ou folclórica das localidades citadas, nem por isso deve ser pensada como uma música menos complexa. E sempre lembrando, a música reproduzida por especialistas em música antiga como é o Hespèrion XXI não deve ser pensada como exatamente aquela que era feita naquela época, mas sim uma aproximação do que se acredita que fosse a música da época.

Hespèrion XXI: Orient – Occident (1200-1700)

01 Makam Rast “Murass’a” Usul Düyek
02 Ductia (Cantigas 248-353)
03 A La Una Yo Naci
04 Alba (Castelló de la Plana)
05 Danse De L’âme, for oud & bendir
06 Istampitta: La Manfredina
07 Laïli Djân (Afghanistan Perse), for traditional ensemble
08 Istampitta: In Pro
09 Danza Del Viento
10 Istampitta: Saltarello I
11 Chahamezrab (Perse), for santur & tamburello
12 Danza De Las Espadas
13 Makam Nikriz Üsul Berevsân
14 Istampitta: Saltarello II
15 Ya Nabat Elrichan – Magam Lami
16 Rotundellus (Cantiga 105)
17 Makam Rast Semâ’i
18 Istampitta: Lamento Di Tristano
19 Molâ Mâmad Dján
20 Saltarello (Cantigas 77-119)
21 Makam ‘Uzäl Sakil “Turna”

Hespèrion XXI
Jordi Savall

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Monstro.

Monstro.

Luke

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Conjunto Roberto de Regina 25 anos [1976] (excertos da série Cantos e Danças da Renascença)

Cj Roberto de Regina 25 anos http://i34.tinypic.com/2jb5ikh.jpgEm 19.08.1961 a revista Cash Box, editada em Nova York, tratava como “um dos lançamentos mais importantes do ano” o Volume 1 de Cantos e Danças da Renascença, série de LPs produzidos pelo carioca Roberto de Regina com o conjunto vocal e instrumental que vinha desenvolvendo havia dez anos.

Infelizmente não tenho os discos originais, só uma espécie de compacto feito pela CBS em 1976 em um só LP – em lugar de reeditar inteira essa que devia ser considerada umas glórias da realização musical basileira.

Exagero? Bem, o grupo tinha sido absoluto pioneiro no repertório renascentista no Brasil. Verdade que em Belo Horizonte um grupo já usava o nome “madrigal renascentista”, mas não só seu repertório não era exclusivamente renascentista, como sequer se tratava de um madrigal e sim de um coral em moldes de épocas posteriores; seu trabalho estava longe de significar uma revivência minimamente autêntica de como essa música devia ter soado.

Mas a coisa da autenticidade é mais sutil: Roberto de Regina também poderia ser acusado (como foi) de não ser autêntico por, na falta de instrumentos de época, usar oboés e fagotes modernos (só por exemplo). No entanto suas interpretações absolutamente não soavam como algo modernizado – e sobretudo tinham como que um encanto, um mel: não eram de hoje, mas soavam como música viva, fluente como a feita ali no boteco da esquina, e não em um laboratório acadêmico. Enfim, talvez se possa dizer, muito de acordo com a época, que tinham BOSSA.

Talvez o que mais ajude nesse sentido seja as vozes usarem uma impostação muito discreta, sem nenhum cacoete operístico – e além disso se permitirem um discreta nasalidade, uma malemolência… como quem realmente não pretende negar que a música está sendo feita por brasileiros (ato comparável, talvez, ou de lermos Fernando Pessoa com qualquer um dos nossos sotaques, e não como ele ‘ouviu’ a poesia quando a escreveu).

De resto, alinho algumas observações que, acredito, podem ajudar na apreciação. A primeira é me desculpar que em alguns vários pontos pontos os agudos parecem sujos ou estourados – mas não foi falha na digitalização: creio que esse vinil foi abusado com agulhas rombudas em alguma época da sua vida.

Outra, que a série original vinha dividida em discos para a França, para a Espanha, para os franco-flamengos, os vasc… – ops, perdão! – o que de certa ‘conversa’ com a minha postagem anterior (Música da Renascença para alaúdes, vielas e bandurra). Só que aqui temos uma amostragem um tanto desequilibrada: um lado inteiro em francês, outro quase inteiro para a Espanha, e três faixas divididas por três outros países.

O francês usado é quase compreensível para quem tem noção razoável dessa língua se apenas se levar em conta que oi ou oy não vêm pronunciados ‘uá’ e sim ‘oê’. E assim fica compreensível o verso que termina as estrofes de Perdre le sens devant vous (‘perder o senso diante de ti…’), para mim uma das interpretações mais encantadoras do disco: ditte le mois, ditte le mois, je vous pris (‘dize-me, dize-me, eu te suplico’).

Notabilíssima a peça ‘Os gritos de Paris’ (Les cris de Paris) de Jannequin, que pretende descrever a agitação da feira ou mercado, com os vendedores apregoando uma delirante variedade de produtos… Aqui vale comparar com a leitura mais tradicionalmente coral de Klaus-Dieter Wolf à frente do Madrigal Ars Viva de Santos, que postei há não muito – e lá vocês encontram o texto de Les cris de Paris no encarte!

Roberto executa Mit ganczen Willen, do organista cego alemão Conrad Paumann (1410-1473), num dos cravos que ele mesmo construía. A seguir o Pater Noster de Obrecht também me parece um ponto alto de interpretação. Mas logo vêm os espanhóis, que comparecem com duas peças que devem ter sido selecionadas só como amostras da sua polifonia mas, honestamente, me parecem muito chatas (Dezilde al caballero e Falai meus ollos – esta em galaico-português), uma de extraordinário lirismo (Ay luna que reluces, do Cancioneiro de Upsala – coleção de música espanhola que tem esse nome pois a única cópia conhecida foi encontrada na Universidade de Upsala, na Suécia), e três de puro espírito farrista: ao fim de cada repetição do estribilho Dale si le das uma cantora começa a dizer uma palavra que, pela rima, seria obscena, e outra a interrompe ‘consertando a coisa’. Em Besad me y abrazad me uma mulher incita o marido a agir em termos como ‘pára de fingir que está dormindo!’. E Hoy comamos y bebamos, que termina o disco, joga no lixo qualquer hipocrisia e assume ‘Vamos comer e beber, cantar e folgar, que amanhã é dia de jejum. E não vamos perder bocado, pois [para comer mais] iremos vomitando’.

Dá pra fazer uma tal música com pedantismo acadêmico? Pode-se questionar o rigor musicológico de Roberto de Regina aqui e ali, mas fez música viva – e no meu sentir isso é precisamente o melhor que se pode dizer de um musicista.

25 anos do Conjunto Roberto de Regina
LP CBS de 1976. Digitado por Ranulfus, ago. 2010

FRANÇA
A1 Bon jour, bon moys (Dufay)
A2 Je ne vis oncques la pareille (Dufay)
A3 Petite camusette (Josquin des Prez)
A4 Ou mettra l’on ung baiser favorable? (Janequin)
A5 Les cris de Paris (Janequin)
A6 Ce sont gallans (Janequin)
A7 Que vaut Catin? (Costeley)
A8 En ung chasteau (Roland de Lassus)
A9 Perdre le sens devant vous (Claude le Jeune)

ALEMANHA
B1 Mit ganczen Willen (Paumann)

FLANDRES
B2 Pater Noster (Obrecht)

ITÁLIA
B3 Due villotte dei Fiori(Azzaiollo)

ESPANHA
B4 Besad me e abraçad me (n.n., Cancioneiro de Upsala)
B5 Dezilde al caballero (N.Gombert, Cancioneiro de Upsala)
B6 Falai meus ollos (n.n., Cancioneiro de Upsala)
B7 Dale si le das (n.n., Cancioneiro del Palacio)
B8 Ay luna que reluzes (n.n., Cancioneiro de Upsala)
B9 Hoy comamos y bebamos (Juan Encina)

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Ranulfus (publicado originalmente em 08/08/2010)

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“Renaissance Brass” – Scheidt (1578-1654), Weelkes (1576-1623) etc.: canzone, madrigais etc. em quinteto de metais

RenaissanceBrass CAPA-FRENTEGosto demais deste disco! É verdade que o nome e a imagem da capa são enganosos: os instrumentos de metal que temos aqui não são renascentistas: são dois trompetes, uma trompa, um trombone e uma tuba, todos modernos, que constituem o quinteto da Eastman School of Music, de Rochester, estado de New York.

Mas ao dizer que a capa não corresponde ao conteúdo, não estou dizendo que o conteúdo seja de má qualidade: dentro de sua proposta, é impecável!

Transcrevendo das notas de Joel Israel Cohen na capa deste vinil de 1967:

   Para os puritanos meados do século XX, a ideia de transcrever música de um meio para outro é definitivamente suspeita: a memória de um passado recente em que orquestras de bandolins tocavam rondós de Mozart e pianolas martelavam a Nona de Beethoven ainda persiste e causa estremecimentos embaraçados. Queremos nossa música pura e precisa, com os legatos do segundo oboé exatamente como o compositor os escreveu.

   Outras épocas, no entanto, foram decididamente indiferentes a isso. Durante a Idade Média, Renascimento e Barroco inicial a troca (interchangeability) dos meios de execução era antes a regra do que exceção. Uma composição podia ser cantada, soprada, dedilhada ou friccionada, dependendo das forças que houvesse à mão; nem parece ter existido a ideia da coloração sonora real, verdadeira e autêntica para uma determinada peça. Os madrigais de Thomas Weelkes, por exemplo: embora tenham sido escritos como música vocal, podiam ser e provavelmente eram executados também por instrumentos, e embora o compositor não fosse familiarizado com o timbre dos instrumentos de metal modernos, é improvável que ele fizesse objeção à presente reencarnação de suas obras.

Enfim: o monge Ranulfus acha isso extraordinariamente bonito, e sente algo assim como um efeito tranquilizante, consolador, ao ouvir essas frases com esses timbres. E espera que entre nossos leitores também haja quem venha a gostar!

“Renaissance Brass”
German and English music of the late renaissance “for brass”

  • MÚSICA ALEMÃ: Samuel Scheidt (1587-1654)
    A01 Canzona Gallicam 04’45
    A02 Benedicamus Domino 5’12
    A03 Galliard Battaglia 01’32
    A04 Wendet euch um ihr Äderlein 02’00
    A05 Canzona Aethiopicam 04’36
    A06 Canzona Bergamasca 04’35
  • MÚSICA INGLESA: Thomas Weelkes (1576-1623)
    B01 In Pride of May 01’58
    B02 O Care, Thou Wilt Despatch Me 02’15
    B03 Sit Down and Sing 01’09
    B04 Death Hath Deprived Me 04’43
    B05 As Wanton Birds 01’24
  • MÚSICA INGLESA: diversos
    B06 William Simmes (1575-1625): Fantasie 02’08
    B07 Alphonso Ferrabosco Jr (1575-1628): Four Note Pavan 02’12
    B08 Anthony Holborne (1545-1602): Galliard 01’54
    B09 John O’Koever (?-?): Fantasie 02’28
    B10 Orlado Gibbons (1583-1625): In Nomine 03’34

EASTMAN BRASS QUINTET
Daniel Patrylak and Philip Collins, trompetes
Verne Reynolds, trompa
Donald Knaub, trombone
Cherry Beauregard, tuba

Gravado em Nova York em setembro de 1967
Digitalizado por Ranulfus em junho de 2016

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Ranulfus

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Madrigal ARS VIVA (1971): 1ªs gravações de Gilberto Mendes (1922-2016) e Willy Corrêa de Oliveira (1936) + Idade Média e Renascença

Gilberto Mendes 13/10/1922 a 01/01/2016Publicado originalmente em 11.07.2010. Revalidado in memoriam Gilberto Mendes.

Santos se diferencia das outras cidades importantes do estado de São Paulo por ser mais antiga e durante uns três séculos mais importante que a capital. A distância entre as duas é de apenas 75 Km, mas talvez o desnível abrupto de 700 metros tenha ajudado a preservar na cidade-porto uma identidade cultural própria, até um sotaque e caráter de povo diferente. Em alguns momentos isso se refletiu não só no futebol mas também numa vida musical digna de nota –

capa-peq… sobretudo nas décadas de 1960 e 70, com os compositores Gilberto Mendes (Santos, 1922), Willy Corrêa de Oliveira (Recife, 1936), e em parte também Almeida Prado (Santos, 1943) fazendo da cidade uma referência mundial com os Festivais de Música Nova.

Esses festivais ainda acontecem, mas infelizmente, é preciso dizer, não com a mesma vitalidade e impacto de antes. Como outras cidades do mesmo porte, Santos parece ter a sina de ser berço de gente que vai brilhar em outros lugares. De todo aquele movimento, só Gilberto Mendes permanece lá [escrito em 2010], ao que parece ainda insuperado em irreverência e espírito jovem – aos 88 anos!

Outro dos protagonistas que deve ter feito muita falta ao movimento foi o regente Klaus-Dieter Wolff – este por sua morte prematura. Klaus nasceu em 1926 em Frankfurt mas viveu no Brasil desde os 10 anos. Em 1951 fundou o Conjunto Coral de Câmara de São Paulo; em 1961 o Madrigal Ars Viva de Santos. Em 1968 colaborou com Roberto Schnorrenberg – três anos mais jovem e que em 1964 fundara o Collegium Musicum de São Paulo – na primeira realização brasileira das Vésperas de Monteverdi. Em 1971 gravou este disco, pioneiro em muitos sentidos – mas já em 1974 veio a falecer, com meros 48 anos. (Clique AQUI para mais informações sobre a formação e atuação dos dois).

Tanto Klaus quanto Roberto trabalhavam com o ideal declarado de ampliar o repertório conhecido no Brasil, e ao que parece foi esse ideal que presidiu a escolha das peças deste disco, que contém alguns verdadeiros standards do repertório medieval (como Alle psallite cum luya) e renascentista (como Mille regretz de vous abandonner – “mil mágoas por vos deixar” -, canção que inspirou muitíssimos instrumentistas e outros compositores ao longo dos séculos seguintes), ou então exemplos de compositores de primeira grandeza desses 4 séculos (Machault, Josquin des Près, Lassus, Jannequin).

Nem sempre acho felizes as opções do regente Wolff: ainda é compreensível que Alle psallite apareça tão lenta, pois se trata de um canto de cortejo, de procissão, mas um Rodrigo Martínez assim tão duro e quadrado? (Em breve posto o de Roberto de Regina, e vocês terão oportunidade de ver quase que o exagero oposto).

Mas nas peças mais introvertidas Klaus me parece conseguir uma combinação belíssima de concentração, intensidade e delicadeza (Ave Maria, Todos duermen corazón, Pámpano verde, Mille regretz, etc). É pena que os meus meios técnicos atuais não dêem conta de eliminar 100% do ruído que aparece nas frases finais de Mille regretz, um dos momentos mais delicados do disco.

As três peças ‘de vanguarda’ são de 1962, 66 e 69, todas inspiradas em poemas concretos (de Décio Pignatari e de José Lino Grünewald). Beba Coca-Cola é hoje uma peça consagrada, com muitas gravações no Brasil e no exterior – mas esta foi a primeira.

Na contracapa e no encarte há ricos textos informativos de Gilberto Mendes, e também os textos de todas as peças (muitas vezes naquelas esdrúxulas misturas lingüísticas características do renascimento) – e então acho que já posso entregar a bola a vocês!

Madrigal Ars Viva (Santos, SP)
Regência: Klaus-Dieter Wolff
(1926-1974)
Gravação: 1971 (independente)

A01  Alle psalite cum luya – anônimo séc.13
A02 Nel mezzo a sei paone – madrigal de Johannes/Giovanni de Florentia, séc.14
A03 Lasse! Comment oublieray / Se j’aim mon loyal ami / Pour quoy me bat mes maris
– motete (3 textos simultâneos) de Guillaume de Machault, séc.14
A04  Alma Redemptoris Mater – Johannes Ockeghem, séc.15
A05  Ave Maria – ‘carol’ anônimo, séc.15
A06 Nowell sing we – ‘carol’ anônimo, séc.15
A07  Todos duermen, corazón – Baena, séc.15-16
A08 Rodrigo Martínez – anônimo, séc.15-16
A09 Pámpano verde – Francisco de Torre, séc.15-16
A10 Mille regretz de vous abandonner – Josquin des Prez/Près, séc.15

B01 Bonjour, mon coeur – Roland de Lassus (1532-1594)
B02 Les cris de Paris – Clement Jannequin, séc.16
B03 Um movimento vivo (1962) – Willy Corrêa de Oliveira (*1936)
B04 Beba Coca-Cola (1966) – Gilberto Mendes (*1922)
B05 Vai e Vem (1969) – Gilberto Mendes

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Ranulfus

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Guia dos Instrumentos antigos 3/8 – Fantasias & Ricercare / Chansons & Madrigais / Música eclesiástica / Variações [link atualizado 2017]

ES-PE-TA-CU-LAR !!!

Livro com oito CDs fenomenalmente cedido pelo internauta Camilo Di Giorgi! Não tem preço!!!

Os arquivos foram todos renomeados e o livro tem o texto reconhecível graças ao trabalho do Igor Freiberger! Mais uma contribuição impagável!

Tem na Amazon: aqui.

Continuamos a saga pelos fantásticos instrumentos antigos!
Uns que deixaram de existir, outros foram mudando tanto ao longo dos anos que hoje possuem timbres já bastante distintos de seus originais.
.

Também continuo sacana e estou esperando a última postagem, no domingo, para disponibilizar o livro completinho. Aqui vou deixando algumas imagens e trechos a cada dia, para que vocês tenham cada vez mais vontade de possuí-lo (ui!).

Hoje começam a aparecer alguns nomes de compositores mais famosos, como William Byrd e Orlando de Lasso (Roland de Lassus) e há também música vocal, mas o CD é uma verdadeira aula da família da viola! Tem composições com vários membros diferentes da família, além das aparições de bombardas, flautas de vários tipos e harpa cromática, entre outros. Muita informação num Cd só.

O baixo de viola figura na página 18 do livro, executada na “Divisions in Sol”, faixa 32 de hoje .

AGUARDEM! Já estamos no terceiro dos oito CDs, um por dia, de domingo passado até o domingo que vem, coroando com o livro de 200 páginas escaneado integralmente ao final.

Ouça! Leia! Estude! Divulgue e… Deleite-se!

Guide des Instruments Anciens – CD3
Fantasias & Ricercare / Chansons & Madrigais / Música eclesiástica / Variações

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE 175Mb

Perdeu o Primeiro? Está AQUI.
Não tomou conhecimento do Segundo? Pode deixar: AQUI.
Partituras e outros que tais? Clique aqui

Tão bom quando vocês comentam… Pode comentar, pessoal!

O mundo para para ver as fofinhas!

Avicenna & Bisnaga

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Guia dos Instrumentos antigos 2/8 – Renascença: danças e balés [link atualizado 2017]

ES-PE-TA-CU-LAR !!!

Livro com oito CDs fenomenalmente cedido pelo internauta Camilo Di Giorgi! Não tem preço!!!

Os arquivos foram todos renomeados e o livro tem o texto reconhecível graças ao trabalho do Igor Freiberger! Mais uma contribuição impagável!

Tem na Amazon: aqui.

Estamos na segunda postagem deste belíssimo Guia dos Instrumentos Antigos, com o CD dedicado às danças e balés do Renascimento. Tão bom ou melhor que o primeiro!
E o nível não vai cair. Vai nesse padrão até o final

Viuela de roda, ilustrações da página 44 do livro e instrumento da faixa 10 deste 2º CD.

Não se esqueça e não perca os próximos capítulos! Uma postagem com cada CD por dia, do domingo (ontem) até o domingo que vem, quando disponibilizaremos o livro escaneado integralmente também.

Já falei um tanto na primeira postagem. Agora não tem muito mais o que falar. Só ouvir essas raridades!
Então, ouça! Leia! Estude! Espalhe, divulgue e… Deleite-se!

Guide des Instruments Anciens – CD2
Renascença: danças e balés

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE 180Mb

Perdeu o primeiro CD? Está AQUI.
Partituras e outros que tais? Clique aqui

Não comentou ainda? Comentou a primeira e ainda está empolgado e quer voltar a escrever algo? Não se avexe: pode comentar: a gente adora!

Mas a bunda dela tá meio “escorrida”, não?

Avicenna & Bisnaga

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.: interlúdio :. The Dowland Project: Romaria

Não é um CD de música erudita. Ou é. É música antiga, mas não há Dowland aqui, apesar de que nos dois CDs anteriores do The Dowland Project havia. Vou tentar explicar: são arranjos para tenor, saxes (muitos), violino e algo como o alaúde. Trata-se de uma coleção de canções muito bonitas, interpretadas com extrema sensibilidade, delicadeza e respeito. Não são arranjos comuns, daqueles que trazem um compositor antigo para uma linguagem atual ou para a linguagem dos músicos, até porque aqui não há de modo algum uma linguagem comum — ou seja, não é aquele horror habilidosinho francês ao estilo de Jacques Loussier –, são antes recriações de músicos muito diferentes entre si sobre compositoções antigas, buscando uma terceira expressão, através de um outro grupo de instrumentos e culturas. Talvez o The Dowland Project faça alguns puristas mais xiítas se morderem de ódio. Porém, ficarei autenticamente desconfiado de sua qualificação como ouvintes… Sério.

Este é mais um grupo que tem como participante o genial saxofonista e claronista inglês John Surman.

Encontrei um texto anônimo circulando na rede. Muito bom.

This is a disc of whispered conversations: among musicians, cultures and periods – past, present and future. Anonymous composers from the Franus Codex and the Carmina Burana manuscript break bread with Josquin and Lassus, while ancient instruments freely consort with modern.

With a revised line-up, John Potter’s Dowland Project expands its repertoire on its third album, freely exploring love songs, chants and motets from the 12th century to the present by Oswald von Wolkenstein, Orlando di Lasso, Josquin Desprez and others including the anonymous composers of the Carmina Burana manuscript. New to the Project is Miloš Valent, the vibrant violinist and violist from Slovakia who is equally at home in early music and in the gypsy and folk musics of eastern Europe. Like English reedman John Surman and American lutenist Stephen Stubbs he is also able to improvise beyond the traditions: these richly atmospheric pieces are reborn in the interaction of the players.

Imperdível!

The Dowland Project: Romaria ECM 1970 [CD]

1. Got schepfer aller dingen (‘Der Kanzler’) 4:34
2. Veris dulcis (Carmina Burana manuscript) 5:14
3. Pulcherrima rosa (Franus Codex) 5:31
4. Ora pro nobis (anonymous) 4:13
5. La lume (traditional Iberian) 4:22
6. Dulce solum (Carmina Burana manuscript) 6:53
7. Der oben swebt (Oswald von Wolkenstein) 4:59
8. O beata infantia (Gregorian) 3:35
9. O Rosa (traditional Iberian) 4:48
10. Saudade (Valent/Surman/Stubbs) 6:18
11. In flagellis (Josquin Desprez) 3:52
12. Kyrie Jesus autem transiens (Firminus Caron) 3:30
13. O beata infantia (Gregorian) 3:53
14. Credo Laudate dominum (Orlando di Lasso) 3:57
15. Ein gut Preambel (Hans Neusidler) 0:57
16. Sanctus Tu solus qui facis (Josquin Desprez) 4:30
17. Ein iberisch Postambel (Valent/Surman/Stubbs) 5:48

recorded January 2006, Propstei St. Gerold

John Potter, tenor voice;
John Surman, soprano saxophone, bass clarinet, tenor and bass recorders;
Milos Valent, violin, viola;
Stephen Stubbs, baroque guitar, vihuela

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

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Música de Natal do Renascimento Espanhol

Então é Natal e sinto algo crescer dentro de mim; trata-se de um súbito amor pela humanidade e pelo comércio. PQP Bach não poderia deixar de comemorar esta data da forma mais santa e pura! Vivemos uma época perigosa em que a falta de valores cristãos ameaça as famílias de bem e aqui em nossa trincheira preparamos a vingança em parceria com nossos amigos da Opus Dei, nossa imaculada patrocinadora. Bem, este CD do espetacular conjunto catalão Capella de Ministrers chama-se Navidad Renacentista e é bastante bom, ainda mais nesta época do ano dedicada ao comér… aos bons sentimentos. Trata de um belo registro de música antiga interpretada por especialistas. E, como estamos no Natal, faço votos de um feliz Natal para nossos visitantes! Muita luz para vocês! Usem óculos escuros!

Capella de Ministrers – Navidad Renacentista

1. Pastores dicite by Anonymous
Performer: Jordi Comellas (Vihuela), José Antonio Lopez (Baritone), Josep Hernandez (Countertenor),
Lambert Climent (Tenor), Savid Antich (Recorder), Carles Magraner (Vihuela),
Pau Ballester (Percussion), Vicente Parilla (Recorder), Eduard Navarro (Clarinet),
Octavio Lafourcade (Guitar), Octavio Lafourcade (Vihuela), Juan Manuel Rubio (Harp),
Juan Manuel Rubio (Lute), Juan Manuel Rubio (Percussion), Ruth Rosique (Soprano)
Conductor: Carles Magraner
Orchestra/Ensemble: Capella de Ministrers
Period: Medieval
Date of Recording: 12/2001
Venue: Capella de la Sapiència, Valencia, Spain
Length: 1 Minutes 37 Secs.
Language: Latin
2. Bien vengades pastores by Anonymous
Performer: Josep Hernandez (Countertenor), Ruth Rosique (Soprano), Savid Antich (Recorder),
Lambert Climent (Tenor), José Antonio Lopez (Baritone), Jordi Comellas (Vihuela),
Carles Magraner (Vihuela), Pau Ballester (Percussion), Vicente Parilla (Recorder),
Eduard Navarro (Clarinet), Octavio Lafourcade (Guitar), Octavio Lafourcade (Vihuela),
Juan Manuel Rubio (Harp), Juan Manuel Rubio (Lute), Juan Manuel Rubio (Percussion)
Conductor: Carles Magraner
Orchestra/Ensemble: Capella de Ministrers
Period: Medieval
Date of Recording: 12/2001
Venue: Capella de la Sapiència, Valencia, Spain
Length: 3 Minutes 25 Secs.
Language: Spanish
3. Yo me soy la morenica by Anonymous
Performer: Pilar Esteban (Soprano)
Conductor: Carles Magraner
Orchestra/Ensemble: Capella de Ministrers
Period: Renaissance
Written: Spain
Date of Recording: 11/23/2004
Venue: Live Palau de la Música, Barcelona, Spain
Length: 2 Minutes 20 Secs.
Language: Spanish
4. Gozate Virgen by Anonymous
Performer: Tu Shi-Chiao (Countertenor)
Conductor: Carles Magraner
Orchestra/Ensemble: Capella de Ministrers
Period: Renaissance
Written: 16th Century; Spain
Length: 1 Minutes 50 Secs.
Language: Spanish
5. E la don don by Anonymous
Performer: Ricardo Sanjuan (Tenor), Isabel Monar (Soprano), Tu Shi-Chiao (Countertenor),
Pere Pou (Tenor), Carlos López-Galarza (Bass)
Conductor: Carles Magraner
Orchestra/Ensemble: Capella de Ministrers
Period: Renaissance
Written: 16th Century; Spain
Length: 3 Minutes 7 Secs.
Language: Spanish
6. Dadme Albricias by Anonymous
Performer: Ricardo Sanjuan (Tenor), Isabel Monar (Soprano), Tu Shi-Chiao (Countertenor),
Pere Pou (Tenor)
Conductor: Carles Magraner
Orchestra/Ensemble: Capella de Ministrers
Period: Renaissance
Length: 1 Minutes 54 Secs.
Language: Spanish
7. Riu, riu, chiu by Anonymous
Performer: Pere Pou (Tenor), Ricardo Sanjuan (Tenor), Tu Shi-Chiao (Countertenor),
Carlos López-Galarza (Bass)
Conductor: Carles Magraner
Orchestra/Ensemble: Capella de Ministrers
Period: Renaissance
Written: Spain
Length: 1 Minutes 50 Secs.
Language: Spanish
8. Soleta y verge estich by Bartolomé Cárceres
Performer: Pilar Esteban (Soprano)
Conductor: Carles Magraner
Orchestra/Ensemble: Capella de Ministrers
Period: Renaissance
Written: 16th Century; Spain
Date of Recording: 11/23/2004
Venue: Live Palau de la Música, Barcelona, Spain
Length: 3 Minutes 0 Secs.
Language: Spanish
9. La Negrina by Mateo Flecha
Performer: Lambert Climent (Tenor), Josep Hernandez (Countertenor), Ruth Rosique (Soprano),
José Antonio Lopez (Baritone), Jordi Comellas (Vihuela), Savid Antich (Recorder),
Carles Magraner (Vihuela), Pau Ballester (Percussion), Vicente Parilla (Recorder),
Eduard Navarro (Clarinet), Octavio Lafourcade (Guitar), Octavio Lafourcade (Vihuela),
Juan Manuel Rubio (Harp), Juan Manuel Rubio (Lute), Juan Manuel Rubio (Percussion)
Conductor: Carles Magraner
Orchestra/Ensemble: Capella de Ministrers
Period: Renaissance
Written: 16th Century
Date of Recording: 12/2001
Venue: Capella de la Sapiència, Valencia, Spain
Length: 10 Minutes 7 Secs.
Notes: This selection is sung in Catalan, Latin and Spanish.
10. Cant de la Sibilla: Sibila castellana “Al jorn del judici” by Anonymous
Performer: Ruth Rosique (Soprano), Josep Hernandez (Countertenor), Lambert Climent (Tenor),
José Antonio Lopez (Baritone), Jordi Comellas (Vihuela), Savid Antich (Recorder),
Carles Magraner (Vihuela), Pau Ballester (Percussion), Vicente Parilla (Recorder),
Eduard Navarro (Clarinet), Octavio Lafourcade (Guitar), Octavio Lafourcade (Vihuela),
Juan Manuel Rubio (Harp), Juan Manuel Rubio (Lute), Juan Manuel Rubio (Percussion)
Conductor: Carles Magraner
Orchestra/Ensemble: Capella de Ministrers
Period: Medieval
Written: Spain

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

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