Qvadro Cervantes – 20 anos (Acervo PQPBach)

588syO QVADRO CERVANTES é considerado pela crítica especializada como o melhor conjunto brasileiro de música antiga medieval, renascentista e barroca. A excelência do conjunto tem inspirado compositores contemporâneos, que a ele dedicaram inúmeras peças.

REPOSTAGEM

Responsável pela formação de uma geração de músicos, os integrantes do Qvadro Cervantes têm sido convidados a lecionar e apresentar-se por todo o Brasil. Merece destaque a sua atuação frequente em concertos didáticos, que contribuem para a formação de novas platéias.

Ao longo de sua existência, o Qvadro Cervantes mudou seus músicos, mas não seus ideais. Atualmente integram-no: Clarice Szajnbrum (voz e percussão), Veruschka Bluhm Mainhard (flautas, voz e percussão), Niclodas de Souza Barros (alaúde, harpa, saltério, fídula„ voz e percussão) e Helder Parente (voz, sopros, viola da gamba e percussão).

A essa qualidade e a esses ideais a Brascan se associa na gravação deste disco comemorativo dos vinte anos do Qvadro Cervantes.

As CANTIGAS DE SANTA MARIA, além de serem dos primeiros documentos musicais da península ibérica, têm também grande importância pela quantidade de iluminuras apresentando os instrumentos conhecidos no século XIII. O rei Alfonso X ‘O Sábio’ (1221-1284), soberano de Castela e Léon, grande devoto da Virgem Maria, mandou compilar mais de 400 canções de louvor que descrevem milagres ocorridos por intermédio da mãe de Jesus. Nos 4 manuscritos que são conhecidos atualmente, mais de 350 destas canções estão em galego, dialeto que deu origem ao português. Algumas estão grafadas em notação mensurada, o que permite uma transcrição clara e definida sob o aspecto rítmico.

O LLIBRE VERMEIL (Livro Vermelho) contém peças musicais de caráter popular praticadas pelos fiéis em peregrinação à abadia de Montserrat e foi copiado em fins do século XIV ou princípio do século XV. No último terço do século XIX foi encadernado em veludo vermelho, originando sua denominação. Além de canções e danças de culto monofônicas, contém os primeiros exemplos de polifonia ibérica, dos quais Mariam Matrem é, sem dúvida, o mais sofisticado.

As NOTAS são música de dança, menos complexas e menos extensas que os ductios e os estampidos. Os dois exemplos provêm de manuscrito, hoje na British Library. O primeiro é composto de três frases melódicas repetidas na voz inferior segunda, enquanto a superior executa um contraponto continuamente diferenciado. O segundo exemplo tem duas frases, a princípio apresentadas na voz inferior e depois, na superior transposta uma quinta acima.

A Danza Alta, em oposição à dança baixa, exige grande disposição dos dançarinos em virtude dos saltos que a caracterizam. A peça de F. de la Torre (Cancioneiro do Palácio) apresenta uma melodia ricamente ornamentada com o suporte de duas vozes acompanhantes.

Triste Estaba el Rey David – A. Mudarra. Nesta pungente peça, o famoso vihuelista narra a tristeza do rei David ao saber da morte de seu querido filho Absalão, conforme narrada em II Samuel, 18:33.

Triste estaba el rey David
cuando le vinieron nuevas
de la muerte de Absalon.
Palavras tristes decia
saldas dei corazón.

Fantasia que Contrahaze la Harpa de Ludovico — O harpista Ludovico era cego, e gozava de prestígio entre os vihuelistas espanhóis de então, justamente porque conseguia ‘semitonar’ as cordas do seu instrumento através de uma técnica especial.

Entre as coleções espanholas de música polifônica profana dos séculos XV e XVI destacam-se, pela qualidade do material nelas contido, o CANCIONEIRO DO PALÁCIO e o de MEDINACELI. O repertório destas coleções é basicamente vocal e com textos em espanhol, em sua maioria.

De uma coleção do século XVII, ROMANCES Y LETRAS A 3 VOCES, provém uma versão musicada em espanhol do famoso soneto de Camões Sete anos de pastor.

Em 1492 Suas Majestades Católicas, Fernando e Isabel, houveram por bem expulsar da Península Ibérica uma enorme população de judeus por razões pretensamente religiosas. Estes judeus, que se encontravam desde a invasão árabe em perfeita convivência com ambas as culturas, a católica e a islâmica, são chamados de sefaraditas (em hebraico Sefared significa Espanha) e falam uma língua judaico-espanhola própria, o ladino (do espanhol latin). Nas novas terras onde aportam, mantêm alguns traços culturais que se transmitem até nossos dias pela tradição oral, tais como língua e canções. Extremamente difícil de serem datados, alguns destes cantos de amor, religiosos, de zombaria, são considerados por especialistas como anteriores à data da expulsão. Merece registro a semelhança da melodia de Adios querida com a ária do quarto ato da Traviata de Verdi, “Addio dei passato”.

Publicadas originalmente pelo “Jornal de Modinhas”, que funcionou de 1792 a 1795 em Lisboa, os duos Amor concedeu-m’um prêmio de Antonio Silva Leite, Se dos males e Você trata amor em brinco de Marcos Portugal mostram, junto com No momento da partida do Pe. José Maurício, a influência do gosto musical italiano, maltratando a língua portuguesa pelos frequentes problemas de prosódia que apresentam.
O Velludo e Chegou! Chegou? são peças publicadas para piano no início de nosso século que, por sua estrutura de melodia acompanhada, nos sugeriram a versão que apresentamos para flauta e violão. A primeira possui uma dedicatória “ao distinto flautista paulista João de Oliveira Duarte”, e a segunda é uma polka sobre o motivo da cançoneta Chegou! Chegou? cantada no Theatro Apollo por Mr. Visconti.

INSTRUMENTOS E ESTILOS
No começo era a diversidade, a multiplicidade, a riqueza: o mesmo som poderia ser reproduzido por instrumentos com formas completamente diferentes, mantendo-se os mesmos princípios de produção sonora – cordas friccionadas ou tangidas, sopros de embocadura livre ou não, palheta simples ou dupla etc.

O começo da padronização instrumental acompanha o advento da imprensa (início do século XVI) quando surgem os primeiros tratados gerais de música e métodos para instrumentos. Assim, começamos a poder reconhecer instrumentos que, apesar de tamanhos diferentes, são classificados como pertencentes a uma mesma família, com o mesmo timbre em registros diferentes (ex: viola da gamba baixo, tenor e soprano em ordem decrescente ).

Paralelamente a esta padronização ocorrem mudanças na escrita e na linguagem musical. A um modelo anterior que seria a melodia sozinha executada, por exemplo, com voz humana e flauta doce acompanhados por pedal (fídula) e percussão acrescentam-se linhas acompanhantes que se movem em blocos verticais, servindo de colunas de sustentação para a melodia (harmonia), podendo ter movimentos independentes (contraponto). (extraído do encarte, 1994)

Anônimo (copiladas a mando do rei Alfonso X ‘O Sábio’ (1221-1284)
01. Cantigas de Santa Maria 1. Des oje mais
02. Cantigas de Santa Maria 2. Como poden
03. Cantigas de Santa Maria 3. Maravillosos
04. Cantigas de Santa Maria 4. Gran dereit’
05. Cantigas de Santa Maria 5. A Madre de Deus
Anônimo séc. XIII
06. Música de Danza 1.Nota I
07. Música de Danza 2.Nota II
08. Llibre Vermeil – Mariam Matrem
Francisco de la Torre (Spain, floruit 1483–1504)
09. Cancioneiro do Palácio – Danza alta (séc. XV)
Cancioneiro de Medinaceli, séc. XVI
10. Cancioneiro de Medinaceli – Claros e frescos rios
Juan del Encina (Espanha, ca.1468-1529)
11. Oy comamos
Alonso de Mudarra (Spain, c.1510-1580)
12. Triste estaba el Rey David
13. Fantasia
Anônimo séc. XVII
14. Romances y Letras a 3 voces – Siete años de pastor
Anônimo séc. XV – XVII
15. Canções Sefaraditas – 1. Una matica de ruda
16. Canções Sefaraditas – 2. Los bilbilicos
17. Canções Sefaraditas – 3. Tres hermanicas
18. Canções Sefaraditas – 4. Noches, noches
19. Canções Sefaraditas – 5. En la mar
20. Canções Sefaraditas – 6. Hija mia, y casar te quiero yo
21. Canções Sefaraditas – 7. Adios querida
22. Canções Sefaraditas – 8. A la una
Antônio da Silva Leite (Porto, 1759 – 1833)
23. Amor condeceu-m’um prêmio
Marcos Antonio Portugal da Fonseca (Portugal, 1762-Rio, 1830)
24. Si dos males
25. Voce trata amor em brinco
Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830, Rio de Janeiro, RJ)
26. No momento da partida
C.A.G. Villela (séc. XX)
27. O velludo
Mazarino Lima (séc. XX)
28. Chegou! Chegou?

Qvadro Cervantes – 1994

Um CD do acervo do musicólogo Prof. Paulo Castagna. Não tem preço !!!
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XLD RIP | FLAC 286,2 MB | HQ Scans 19,0 MB |

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MP3 320 kbps – 146,5 MB – 1,0 h
powered by iTunes 10.6.3

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Boa audição.

beijo

 

 

 

 

 

 

 

 

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Avicenna

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Drama Litúrgico do Século XII: Le Jeu Des Pèlerins D’Emmaüs

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Depois da complexa polifonia de Palestrina e dos maravilhosos madrigais de Monteverdi, voltamos novamente nossos olhos (ou ouvidos) para a música antiga, neste caso antiquíssima. Le Jeu Des Pèlerins D’Emmaüs é um exemplo típico de drama litúrgico da Alta Idade Média. Dentro da espetacular sonoridade obtida pelo Ensemble Organum este CD impressiona tanto por sua qualidade musical como por sua riqueza dramática e espiritual. A peça nos traz de volta à mente este período muito pouco conhecido quando o homem medieval queria ver, ouvir e tocar as realidades místicas. E era melhor ficar com elas porque senão o pau comia solto. Este lindíssimo trabalho foi lançado pela primeira vez em 1990. Raridade. Aproveitem.

Le Jeu Des Pèlerins D’Emmaüs

Procession D’Entrée Des Vêpres De Pâques
Kyrie 4:55
Procession Aux Fonts Baptismaux
Psaume: Laudate Pueri 2:55
Repons: Haec Dies 4:36
Hymne: Jesu Nostra Redemptio 2:30
Officium Peregrinorum
Dialogue Des Deux Pèlerins 9:06
Antienne: Ego Sum Alpha Et Omega 1:51
Antienne: Sedit Angelus 4:03
Dialogue De L’Ange Avec Marie-Madeleine 2:08
Prose: Victimae Paschali Laudes 1:52
Alleluia: Surrexit Dominus 4:34
Apparition Du Christ À Thomas 3:23
Antienne: Ego Sum Alpha Et Omega 2:01
Retour Au Choeur
Psaume: In Exitu Israel 5:10
Oraison. Antienne: Lux Perpetua 1:44
Benedicamus Domino 2:30
Antienne De Procession: Christus Ressurgens 5:04

Ensemble Organum
Marcel Pérès

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Arcabas-Emmaus

PQP

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IN VINEA MEA: vinhos & vinhas na Idade Média com o Ensemble Chominciamento de Gioia

In Vinea Mea http://i0.wp.com/i959.photobucket.com/albums/ae78/ranulfus/in_vina_mea.jpg?resize=291%2C136Publicado originalmente em 31.12.2010. Revalidado a pedidos!

Para festejar a entrada de um novo ano o monge Ranulfus foi buscar vinhos de anos velhíssimos: a Idade Média.

Talvez o que mais o tenha inspirado a fazê-lo seja o nome do grupo: Chominciamento de Gioia – onde a primeira palavra (se não falha agora o tino linguístico do referido monge) com toda probabilidade é derivada no verbo italiano cominciare (começar), apenas que numa grafia incomum, dando ao conjunto o sentido de “puxar festa”, de provocação ou incitamento à alegria (gioia), ou até mesmo de “alegre começo”. Para que coisa melhor, então, numa entrada de ano?

Ainda mais falando de vinhos, videiras e vinhas!

Verdade que em muitas das peças o vinho entra domado por fortes sentidos religiosos – especialmente naquelas cantadas em (tinha que ser!) galaico-português.

Ainda assim, o monge espera que possa ser um bom divertimento a pelo menos uma boa parcela dos nossos leitores – ainda mais que os textos todos estão incluídos no arquivo. Isso ajuda até mesmo a seguir a versão orffiana (mais conhecida) da canção satírica In Taberna, da coletânea medieval de canções conhecida como Carmina Burana, que encerra o CD.

Mas agora vam’bora, cada um atrás da sua taça, que o ano não tarda!!

01 Bacche bene venies – Carmina Burana nº 200 – séc.13
02 Deficiente vino – Ms I-Pa 2788, Perugia – séc.14
03 Como Deus fez vynno 0 Cantigas de Santa Maria nº 23 – séc.13
04 Bon vin doit – Roman de Fauvel – séc.14
05 Alte clamat Epicurus – Carmina Burana nº 211
06 L’autre lèr cuidèl aver druda – Chãnson trobadorica, NN – séc.12
07 Ben pod’as cousas – Cantigas de Santa Maria nº 73 – séc.13
08 Sacerdos in aeternum – Ms I-Pa 2799, Perugia – séc.14
09 Procurans odium – Carmina Burana nº 12 – séc.13
10 Vinum bonum – Ms. Egerton – séc.13
11 Ges de disnar – Bertrand de Born – séc.12
12 Dixit pater familias – Ms I-Pa 2785, Perugia – séc.14
13 Poder a Santa Maria – Cantigas de Santa Maria nº 161 – séc.13
14 Felix vitis – Ms I-Pa 2785, Perugia – séc.14
15 A que Deus – Cantigas de Santa Maria nº 351 – séc.13
16 O Divina Virgo flore – Laudario di Cortona – séc.13
17 On parole / A Paris / Frese nouvella – Ms. Montpelier – séc.13
18 In taberna – Carmina Burana nº 196 – séc.13

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PS: por muito tempo este CD pareceu inincontrável na Amazon – até que em 06/04/2016 o(a) leitor(a) que se identifica como Sedmagis nos enviou o link – que agora, finalmente, foi incorporado à imagem no alto do post, e de quebra matou a charada da inincontrabilidade: em 2010 recebi o arquivo com um erro de latim no título, que é IN VINEA, não IN VINA. Sem sermos especialistas em línguas mortas, acabamos engolindo essa mosca por mais de cinco anos. Valeu, Sedmagis!!

Ranulfus

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Madrigal ARS VIVA (1971): 1ªs gravações de Gilberto Mendes (1922-2016) e Willy Corrêa de Oliveira (1936) + Idade Média e Renascença

Gilberto Mendes 13/10/1922 a 01/01/2016Publicado originalmente em 11.07.2010. Revalidado in memoriam Gilberto Mendes.

Santos se diferencia das outras cidades importantes do estado de São Paulo por ser mais antiga e durante uns três séculos mais importante que a capital. A distância entre as duas é de apenas 75 Km, mas talvez o desnível abrupto de 700 metros tenha ajudado a preservar na cidade-porto uma identidade cultural própria, até um sotaque e caráter de povo diferente. Em alguns momentos isso se refletiu não só no futebol mas também numa vida musical digna de nota –

capa-peq… sobretudo nas décadas de 1960 e 70, com os compositores Gilberto Mendes (Santos, 1922), Willy Corrêa de Oliveira (Recife, 1936), e em parte também Almeida Prado (Santos, 1943) fazendo da cidade uma referência mundial com os Festivais de Música Nova.

Esses festivais ainda acontecem, mas infelizmente, é preciso dizer, não com a mesma vitalidade e impacto de antes. Como outras cidades do mesmo porte, Santos parece ter a sina de ser berço de gente que vai brilhar em outros lugares. De todo aquele movimento, só Gilberto Mendes permanece lá [escrito em 2010], ao que parece ainda insuperado em irreverência e espírito jovem – aos 88 anos!

Outro dos protagonistas que deve ter feito muita falta ao movimento foi o regente Klaus-Dieter Wolff – este por sua morte prematura. Klaus nasceu em 1926 em Frankfurt mas viveu no Brasil desde os 10 anos. Em 1951 fundou o Conjunto Coral de Câmara de São Paulo; em 1961 o Madrigal Ars Viva de Santos. Em 1968 colaborou com Roberto Schnorrenberg – três anos mais jovem e que em 1964 fundara o Collegium Musicum de São Paulo – na primeira realização brasileira das Vésperas de Monteverdi. Em 1971 gravou este disco, pioneiro em muitos sentidos – mas já em 1974 veio a falecer, com meros 48 anos. (Clique AQUI para mais informações sobre a formação e atuação dos dois).

Tanto Klaus quanto Roberto trabalhavam com o ideal declarado de ampliar o repertório conhecido no Brasil, e ao que parece foi esse ideal que presidiu a escolha das peças deste disco, que contém alguns verdadeiros standards do repertório medieval (como Alle psallite cum luya) e renascentista (como Mille regretz de vous abandonner – “mil mágoas por vos deixar” -, canção que inspirou muitíssimos instrumentistas e outros compositores ao longo dos séculos seguintes), ou então exemplos de compositores de primeira grandeza desses 4 séculos (Machault, Josquin des Près, Lassus, Jannequin).

Nem sempre acho felizes as opções do regente Wolff: ainda é compreensível que Alle psallite apareça tão lenta, pois se trata de um canto de cortejo, de procissão, mas um Rodrigo Martínez assim tão duro e quadrado? (Em breve posto o de Roberto de Regina, e vocês terão oportunidade de ver quase que o exagero oposto).

Mas nas peças mais introvertidas Klaus me parece conseguir uma combinação belíssima de concentração, intensidade e delicadeza (Ave Maria, Todos duermen corazón, Pámpano verde, Mille regretz, etc). É pena que os meus meios técnicos atuais não dêem conta de eliminar 100% do ruído que aparece nas frases finais de Mille regretz, um dos momentos mais delicados do disco.

As três peças ‘de vanguarda’ são de 1962, 66 e 69, todas inspiradas em poemas concretos (de Décio Pignatari e de José Lino Grünewald). Beba Coca-Cola é hoje uma peça consagrada, com muitas gravações no Brasil e no exterior – mas esta foi a primeira.

Na contracapa e no encarte há ricos textos informativos de Gilberto Mendes, e também os textos de todas as peças (muitas vezes naquelas esdrúxulas misturas lingüísticas características do renascimento) – e então acho que já posso entregar a bola a vocês!

Madrigal Ars Viva (Santos, SP)
Regência: Klaus-Dieter Wolff
(1926-1974)
Gravação: 1971 (independente)

A01  Alle psalite cum luya – anônimo séc.13
A02 Nel mezzo a sei paone – madrigal de Johannes/Giovanni de Florentia, séc.14
A03 Lasse! Comment oublieray / Se j’aim mon loyal ami / Pour quoy me bat mes maris
– motete (3 textos simultâneos) de Guillaume de Machault, séc.14
A04  Alma Redemptoris Mater – Johannes Ockeghem, séc.15
A05  Ave Maria – ‘carol’ anônimo, séc.15
A06 Nowell sing we – ‘carol’ anônimo, séc.15
A07  Todos duermen, corazón – Baena, séc.15-16
A08 Rodrigo Martínez – anônimo, séc.15-16
A09 Pámpano verde – Francisco de Torre, séc.15-16
A10 Mille regretz de vous abandonner – Josquin des Prez/Près, séc.15

B01 Bonjour, mon coeur – Roland de Lassus (1532-1594)
B02 Les cris de Paris – Clement Jannequin, séc.16
B03 Um movimento vivo (1962) – Willy Corrêa de Oliveira (*1936)
B04 Beba Coca-Cola (1966) – Gilberto Mendes (*1922)
B05 Vai e Vem (1969) – Gilberto Mendes

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Ranulfus

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A Família das Cordas: La Lira d’Esperia – Jordi Savall

51DGT6SWMXLAo longo da próxima semana – e na falta de outra ideia para navegar a pantagruélica discoteca arquivada no PQP Share – apresentaremos uma breve minissérie dedicada à família das cordas.

Já que a cortesia manda sempre começarmos com os mais velhos, deixo-lhes esta gravação em que o Midas Jordi Savall maneja alguns ancestrais dessa família, entre os quais a viela (vieille, antecedente imediata da lira da braccio que eventualmente chegaria à viola) e o rebab mourisco. O eclético repertório compõe-se de cantigas e danças medievais de vários lugares da Europa, incluindo peças do Norte da África e canções sefarditasacompanhadas de toques muito econômicos de percussão.

LA LIRA D’ESPERIA – JORDI SAVALL

01 – Rotundellus (Galícia – Cantiga 105)
02 – Lamento (Adrianopoli, sefardita)
03 – Danza de las Espadas (Argel, El Kantala)
04 – Istampitta – In Pro (Itália, manuscrito do século XIII)
05 – Saltarello (Itália, manuscrito do século XIII)
06 – Ritual (Argel, Zendani)
07 – El Rey de Francia (Esmirna, sefardita)
08 – Danza Ritual (Galícia, Cantiga 353)
09 – Istampitta – La Manfredina (Itália, manuscrito do século XIII)
10 – Trotto (Itália, manuscrito do século XIII)
11 – Albra (Castellón de la Plana)
12 – Paxarico tu te llamas (Sarajevo, sefardita)
13 – Danza del Viento (Argel, berber)
14 – Istampitta – Lamento di Tristano (Itália, manuscrito do século XIII)
15 – Saltarello (Itália, manuscrito do século XIII)
16 – Ductia (Galícia, Cantiga 248 – Gasconha)

JORDI SAVALL, viela, rebab, rebel mourisco
PEDRO ESTEVAN, percussão

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Vassily Genrikhovich

Até onde sei, Savall jamais gravou com essa lira da braccio. Ah, mas deveria.

Até onde sei, Savall jamais gravou com essa lira da braccio.
Só lamento.

 

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Guia dos Instrumentos antigos 1/8 – Idade Média: Cantigas de Santa Maria / Nos tempos dos Trovadores / O début da polifonia / Nos tempos da Guerra dos Cem Anos

ES-PE-TA-CU-LAR !!!

Livro com oito CDs fenomenalmente cedido pelo internauta Camilo Di Giorgi! Não tem preço!!!

Tem na Amazon: aqui.

Essa já chega no PQPBach como sendo uma das postagens que mais me enche de orgulho (a nós: Bisnaga e Avicenna, autores desta postagem a quatro mãos): uma edição de luxo de um guia de instrumentos antigos, com 200 páginas e OITO CDs com músicas em instrumentos de época.

É um material extraordinário para professores de história da arte, estudantes, músicos e curiosos em geral. O livro é trilíngue: está em francês, alemão e inglês. Não tem texto em português, mas nada que jogar uns trechos no Google tradutor não resolvam, né? Ele estará para download na oitava e derradeira postagem.
O aspecto geral é como esta página que colocamos abaixo (esta introduz a categoria das cordas friccionadas), com boas ilustrações e fotos de instrumentos originais. Escaneamos numa boa qualidade pra que vocês possam usar em aulas ou coisas assim. Conhecimento tem mais é que circular!

páginas 10 e 11 do livro.

Além de tudo, os CDs vêm com músicas de boa interpretação e com grande parte dos instrumentos descritos no livro em ação, em uma seleção de obras que abrange desde a Idade Média até o Classicismo, passando pelo Renascimento e Barroco.

AGUARDEM! Será uma postagem com cada CD por dia, deste domingo até o domingo que vem, quando disponibilizaremos o livro escaneado integralmente também.

Enfim, uma publicação espetacular!
Ouça! Leia! Estude! Divulgue e… Deleite-se!

Guide des Instruments Anciens – CD1
Idade Média: Cantigas de Santa Maria / Nos tempos dos Trovadores / O début da polifonia / Nos tempos da Guerra dos Cem Anos

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – PQPShare 175Mb

Tão bom quando vocês comentam… Pode comentar, pessoal!

Ai, ai… As fofinhas: desde sempre fazendo sucesso!

Avicenna & Bisnaga

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Danças Antigas da Hungria

Este CD é uma seleção de música antiga da Hungria, uma parte da Europa raramente incluída em coleções desse gênero. São peças incomuns, inusitadas, animadas e encantadoras, cada uma muito diferente das outras na textura e tom, interpretadas por instrumentos de época… Alguns bem estranhos. Um dos melhores discos de música antiga que ouvi nos últimos tempos. Ouvi-lo é como se você estivesse sentado com o Clemencic Consort numa pequena sala, cercado por um som muito rico e diferente.

Danças Antigas da Hungria

1. Ungarische Tanze Des 17. Jahrhunderts: Otodik Tancz
2. Ungarische Tanze Des 17. Jahrhunderts: Duch Pane swu Swatuny
3. Ungarische Tanze Des 17. Jahrhunderts: U naseho Barty: (Erdelyi Hajdutanc: Chodila, chodila)
4. Ungarische Tanze Des 17. Jahrhunderts: Pro Clarinis XXIII & XXII
5. Ungarische Tanze Des 17. Jahrhunderts: Chorea hungarica: (Chorea Tancz)
6. Ungarische Tanze Des 17. Jahrhunderts: Pargamasca: (Corant, Sarabanda, Coranta, Gagliarda)
7. Ungarische Tanze Des 17. Jahrhunderts: Tantz: (Chorea Tantz, Ritka)
8. Ungarische Tanze Des 17. Jahrhunderts: O Gloriosa Domina
9. Ungarische Tanze Des 17. Jahrhunderts: Alia chorea n 8: (Lopatkowany tanecz, Klobucky tanecz, Proportio, Alia chorea – Alia hungarica)
10. Ungarische Tanze Des 17. Jahrhunderts: Pro Clarinis III & XI
11. Ungarische Tanze Des 17. Jahrhunderts: Lapozskas tancz: (Tancz, Apor Lazar tancza)
12. Ungarische Tanze Des 17. Jahrhunderts: Olach tancz (1st part) – (Alia chorea, Alia polonica, Nerada robyla, Olach tancz (2nd part))

Clemencic Consort
Rene Clemencic

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René Clemencic

René Clemencic: bom menino

PQP

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