TUCA: Morte e Vida Severina – Nancy, 50 anos

CapaMorte e Vida Severina
TUCATeatro da Universidade Católica de São Paulo
1965

João Cabral de Melo Neto
Poema

Chico Buarque de Hollanda
Música

Em abril de 1965, cartazes espalhados pelo campus da PUC anunciavam: “O TUCA vem aí”. E a idéia de teatro universitário com função conscientizadora foi assumida pelo Departamento Cultural do Diretório Central dos Estudantes, que fez três contratações: Roberto Freire seria o diretor-geral do grupo de teatro, Silnei Siqueira, vindo da Record, seria diretor de atores e José Armando Ferrara responderia pela cenografia.

Depois de um contrato de liberação de verba com a Secretaria de Estado, estava formado o Teatro dos Universitários da Católica. Foram feitos testes para a seleção de atores e o texto “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, foi escolhido. Ele reunia muitas razões a seu favor: seu autor era brasileiro, tratava de um tema da realidade social, ia ao encontro da ideologia estudantil e poderia congregar um grande número de atores.

A montagem da peça envolveu vários setores da universidade. Alunos de Geografia, Direito, Letras e Psicologia, por exemplo, contribuíram substancialmente com seus conhecimentos em cada uma das áreas. O espetáculo foi musicado por Chico Buarque, que na época era estudante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e participava com freqüência dos ensaios do TUCA.

No dia 11 de setembro de 1965, o Auditório Tibiriçá foi inaugurado com a estréia de “Morte e Vida Severina”. Aplaudido de pé durante 10 minutos, reverenciado pelo público e pela crítica especializada, seria o grupo que emprestaria, a partir de então, seu nome ao teatro.

“Morte e Vida Severina” é um dos maiores clássicos da literatura brasileira. Escrito pelo grande poeta pernambucano “João Cabral de Melo Neto” em 1955, o livro sempre foi uma das maiores obras da literatura nacional. Em 1965, com todo o sucesso do livro, “Morte e Vida Severina” teve sua estréia nos palcos do TUCA (Teatro da Universidade Católica) e foi dirigido por Silnei Siqueira. A peça fez um imenso sucesso no Brasil e no exterior, chegando a receber o prêmio de crítica e público no IV Festival de Teatro Universitário de Nancy, França, em 1966. Chico participou dessa apresentação em Nancy como violonista do espetáculo, pois o violonista original não pode viajar para esse festival.

No enredo da obra de João Cabral, o retirante Severino desce aberando o rio Capibaribe em direção do mar e da cidade do Recife encontrando em seu percurso diversas paisagens marcadas pela morte e pela miséria do semi árido, velórios, enterros, animais mortos, além de ver a morte com emprego, tamanha a sua incidência. Ao chegar à cidade, nos manguezais periféricos, assiste a um parto, onde a vizinhança traz seus presentes ao bebê, novas demonstrações da pobreza, rebatida pelo pai da criança com a única esperança: o próprio ato de nascer um novo ser humano.

O TUCA tem sua fachada principal e implantação volumétrica tombadas pelo Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo desde 1998. O grande significado de acontecimentos artísticos, atos públicos e cerimônias promovidos no local o transformaram em referência para setores organizados da sociedade que resistiram à ditadura, o que justifica o tombamento do teatro.
(http://www.teatrotuca.com.br/noticias/exposicao_cdm_tuca.html)

Morte e Vida Severina – as músicas
01. Introdução
02. A quem estais carregando
03. Incelença
04. Essa vida por aqui
05. Funeral de um lavrador
06. Todo céu e a Terra
07. De sua formosura
08. Fala do mestre Carpina

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Morte e Vida Severina – a peça integral
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Ficha Técnica – Montagem de 1965
Autoria: João Cabral de Melo Neto
Cenografia: José Armando Ferrara
Direção: Silnei Siqueira
Direção musical: Zuinglio Faustini
Elenco/Personagem: Adolfo Musolino, Afonso Coaracy, Ana Lia Fernandes, Ana Lúcia Rodrigues, Ana Maria A. Ferreira, Andiara A. de Oliveira, Antônio Mercado, César Falcão, Clarizia de S. Prado, Dálcio Caron, Daniela Diez, Elizabeth Nazar, Evandro F. Pimentel, Iacov Hillel, Ignes Porto, José Roberto H. Maluf, Lamartino Leite Filho, Leticia Leite, Magaly Toledo Canto, Manoel Domingos, Marcos M. Gonçalves, Maria Cristina da Silva Martins, Maria da Penha Fernandes, Maria Helena Motta Julião, Marina Sprogis, Melchiades Cunha Júnior, Moema L. Teixeira, Moisés B. Agreste, Sandra Di Grazia, Sergio Davanzzo, Vera Lucia Muniz.
Figurino: José Armando Ferrara
Iluminação: Sandro Polloni
Produção: TUCA
Trilha sonora: Chico Buarque
Gravado ao vivo no Teatro da Universidade Católica de S. Paulo, em 1965

LP de 1966 digitalizado por Avicenna

Boas emoções!

Contra-capa

Contra-capa do LP

Avicenna

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Brasileiro Profissão Esperança – 1974: Clara Nunes & Paulo Gracindo

2e2j80gUm trabalho inteligentíssimo de Paulo Pontes. Não é preciso dizer nada sobre o espetáculo: é maravilhoso. Prefiro falar mais às quatro forças deste show, diretamente: Gracindo, Clara, Bibi e Paulinho. Uma beleza.
Chico Buarque

REPOSTAGEM

Antonio Maria (1921 – 1964) e Dolores Duran (1930 – 1959) se tivessem sido irmãos não seriam tão parecidos. Os dois gostavam de viver mais de noite que de dia, os dois faziam canções, os dois precisavam de amor para respirar, eram puxados pra gordo e, mesmo na hora da morte, os dois foram atingidos por um só inimigo: o coração. A obra que os dois deixaram , hoje espalhada pelos jornais e gravadoras do País, reflete essa indisfarçável identidade. Mas prestando atenção nas coisas que disseram e escreveram e nas músicas que eles fizeram é que a gente descobre a expressão maior dessa semelhança: os dois se refugiavam do absurdo do mundo, que eles revelaram com humor e amargura, na desesperada aventura afetiva. O amor era o último reduto dos dois. A montagem do texto de “Brasileiro Profissão Esperança” se apoia no permanente cruzamento dessas duas vidas, de tal forma que ninguém sabe o que é de Antonio Maria e o que é de Dolores. Uma crônica de Maria vira um dado para explicar a existência de Dolores, assim como uma canção de Dolores exprime e sensibilidade de Maria.
Bibi Ferreira/Paulo Pontes, extraído da contra-capa.

Ouça a abertura do show, no Canecão em 1974:
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Brasileiro Profissão Esperança
Clara Nunes & Paulo Gracindo

Lado 1
Ternura Antiga (J. Ribamar – Dolores Duran)
Ninguém me ama (Fernando Lobo – Antonio Maria)
Valsa de uma cidade (Ismael Neto – Antonio Maria)
Menino grande (Antonio Maria)
Estrada do sol (Antonio C. Jobim – Dolores Duran)
A noite do meu bem (Dolores Duran)
Manhã de carnaval (Luiz Bonfá – Antonio Maria)
Frevo número dois do Recife (Antonio Maria)
Castigo (Dolores Duran)
Fim de caso (Dolores Duran)
Por causa de você (Antonio C. Jobim – Dolores Duran)

Lado 2
Pela rua (J. Ribamar – Dolores Duran)
Canção da volta (Ismael Neto – Antonio Maria)
Suas mãos (Antonio Maria – Pernambuco)
Solidão (Dolores Duran)
Se eu morresse amanhã (Antonio Maria)
Noite de paz (Durando)

Brasileiro Profissão Esperança – 1974
Clara Nunes (1943 – 1983) & Paulo Gracindo (1911 – 1995)
Texto de Paulo Pontes (1940 – 1976)
Direção de Bibi Ferreira

LP de 1974, do acervo do poeta e músico Oscar Iskin Jr. (não tem preço!) e digitalizado por Avicenna

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MP3 320 kbps – 87,7 MB – 39 min
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Boa audição.

 

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Avicenna

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Paulo Gracindo diz • 1975

zo88dzPaulo Gracindo declama a letra de grandes sucessos da música popular brasileira, acompanhado pelo Maestro Gaya.

Repostagem com novo e atualizado link.

Coisa sempre espantosa é o fenômeno que representa a força criadora da palavra, quando falada por Paulo Gracindo. E este disco de Paulo Gracindo pode abrir um caminho inédito para a música popular brasileira: o sentido da percepção e recuperação global da LETRA da canção popular.

Eu penso isso porque a verdade mesmo é que quando uma canção qualquer ganha a boca do povo ela acaba por incorporar-se aos mecanismos de automatização do inconsciente de cada um de nós; e de tal ordem e de tal força, que música e letra se tornam um bloco só, monolítico e coeso. E nisso, nessa integração “música + letra”, ou nessa indissocialibilidade de ambas , a LETRA da música acaba perdendo ao poucos sua força e, em algum casos, até anula-se por completo. Quantas vezes a gente mesmo se surpreende cantarolando uma canção conhecida sem siquer reparar no que ela transmite ou quer dizer?

E este disco prova exatamente isso; ele representa não apenas a valorização da estrutura literária contida na canção popular, senão também uma quase descoberta de alguns de seus valores poéticos até então não percebidos pela grande maioria dos ouvintes.

E ninguém melhor para recuperar todos esses valores tantas vezes perdidos que existem dentro de letras conhecidas da canção popular que esse mago da arte de dizer que é Paulo Gracindo.

Paulo Gracindo, a par de ser um dos melhores e mais rigorosamente completos atores do Brasil, é dono de voz privilegiada e famosissima; não é a toa que desde as inesquecíveis novelas (ou dos auditórios) da Rádio Nacional nos anos 50, a voz de Paulo Gracindo já se incorporou ao patrimônio cultural deste País.

Neste disco, contudo, Paulo atinge a um momento definitivo na arte de sacralizar a palavra que emite; o artista celebra a palavra, dizendo-a com tal emoção, que cada uma por si só já tem quase sua força própria. E todas elas juntas em frases, em versos, em estrofes, quando ditas por Paulo Gracindo, atingem a níveis inesperados em beleza e em liberação de cargas emocionais diversas.

(Ricardo Cravo Albin, 1975 – parcialmente extraído da contra-capa)

Paulo Gracindo diz
01. Meiga presença (Paulo Valdez/Otávio)
02. Chão de estrelas (Sylvio Caldas/Orestes Barbosa)
03. Com açucar, com afeto (Chico Buarque de Hollanda)
04. Prá você (Silvio Cesar)
05. Por causa desta cabocla (Ary Barroso/Luiz Peixoto)
06. O mais que perfeito (Jards Macalé/Vinicius de Moraes)
07. Viagem (João de Aquino/Paulo Cesar Pinheiro)
08. Estrada branca (Antonio Carlos Jobim/Vinicius de Moraes)
09. Valsinha (Vinicius de Moraes/Chico Buarque de Hollanda)
10. Preciso aprender a ser só (Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle)
11. Maria (Ary Barroso/Luiz Peixoto)
12. Suas mãos (Antonio Maria/Pernambuco)

Paulo Gracindo diz – 1975
LP de 1975, emprestado pelo meu amigo Oscar Iskin (não tem preço!) e digitalizado por Avicenna.

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MP3 320 kbps – 73,2 MB – 34,0 min
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Boa audição.

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Avicenna

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Jograis de São Paulo – Moderna Poesia Brasileira: Antologia – 1956

Este LP de 1956 notabilizou algumas poesias, tais como José, de Carlos Drummond de Andrade, “E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José ?; O Dia da Criação, de Vinicius de Morais, “porque hoje é sábado …“, que nos remete às sempre deliciosas páginas do escritor Milton Ribeiro. E não nos esqueçamos de citar a memorável poesia de Murilo Mendes, Jandira, “O mundo começava nos seios de Jandira. Depois surgiram outras peças da criação“.

Repostagem com novo e atualizado link.

Este LP de 1956 foi emprestado pelo meu amigo Oscar Iskin Júnior, amante de música, poesia, cinema e gastronomia – só coisa boa!, dono do restaurante Rick’s Café onde costumo almoçar e onde já tive o prazer em ouvi-lo declamar essas poesias. Não tem preço!

Embora a prática não os soubesse distinguir tão facilmente, já a teoria literária medieval estabelecia diferença entre os “jograis” e os “trovadores”: êstes eram os que sabiam trobar , inventar canções e poemas, capazes de recitar também ou não. Os “jograis” não sabiam tirar versos; colocavam o seu talento, a sua arte de dizer, a serviço da poesia alheia.

Os Jograis de São Paulo – Ruy Affonso, Carlos Vergueiro, Rubens de Falco e Armando Bogus – não pretendem passar por mais que seus colegas da Idade Média: nenhum deles faz alarde de poeta, nem o repertório inclui nenhuma página de sua autoria. Uniram-se com finalidade expressa de se tornarem intérpretes, e o título que se deram traduz bem o espírito que os anima.

Acontece todavia com eles uma coisa que os diferencia dos jongleurs medievos: os “trovadores” antigos que ou não tinham voz ou não entoavam, contratavam “jograis” que os acompanhassem nas visitas e excursões e lhes recitassem os versos nas ocasiões indicadas – a um amigo, a um fidalgo, a uma dama … Tal não se dá com os Jograis de São Paulo: são eles que a bem dizer adotam os poetas, escolhem os poemas; são eles e só eles os responsáveis pelo êxito da empresa.

(extraído da contra-capa)

Jograis de São Paulo – Moderna Poesia Brasileira: Antologia
Mário de Andrade (1893 – 1945)
01. Carnaval Carioca
Manuel Bandeira (1886 – 1968)
02. Evocação do Recife
Ascenso Ferreira (1895 – 1965)
03. Catimbó
Augusto Frederico Schmidt (1906 – 1965)
04. Poema
Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987)
05. José
Guilherme de Almeida (1890 – 1969)
06. O Estrangeiro
Cecilia Meireles (1901–1964)
07. Canção da Alta Noite
Murilo Mendes (1901 – 1975)
08. Jandira
Vinicius de Moraes (1913 – 1980)
09. O Dia da Criação
Mário de Andrade (1893 – 1945)
10. O “Alto”

Jograis de São Paulo – Moderna Poesia Brasileira: Antologia – 1956
Ruy Affonso, Carlos Vergueiro, Rubens de Falco e Armando Bogus
Capa de Darcy Penteado, 1956
LP digitalizado por Avicenna

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Boa audição.

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.: interlúdio :. Paulo Autran interpreta Carlos Drummond de Andrade

Paulo-AutranWEBPaulo Autran
interpreta crônicas e poesias de
Carlos Drummond de Andrade

Postagem inédita!

Gravações realizadas na extinta e saudosa Rádio Eldorado de São Paulo, entre 1965 e 1966, para o programa “Cinco Minutos com Paulo Autran”. Longplay produzido em 1986.

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Paulo Autran interpreta Carlos Drummond de Andrade
01. Assalto
02. Cantiga de viúvo
03. Eterno
04. Consolo na praia
05. Poema de sete faces / Também já fui brasileiro
06. O mar visto uma vez
07. Resíduo
08. Sweet home
09. Anúncio de João Alves
10. Coração numeroso
11. Poesia
12. Cantando para si mesmo
13. José
14. Economia dos mares terrestres

Paulo Autran interpreta Carlos Drummond de Andrade – 1986

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LP de 1986 digitalizado por Avicenna.

Boa audição,

macaco pensante

 

 

 

 

 

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Avicenna

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