Alfred Reed (1921-2005): Viva Música, First Suite for Band e Second Suite for Band ( Latinomexicana )

Isso que eu posto aqui hoje, não é um CD, e sim um fragmento de dois CD’s que eu não encontrei na Amazon. Penso que Alfred Reed tenha sido um dos mestres do século. Sempre compondo com gosto. Fazendo sempre bem feito o seu trabalho.
A orquestração para bandas sinfônicas é tida com muito preconceito. Tida como sendo um ramo da música que cresceu defeituoso. Acho que tudo isso seja ”prosopopéia flácida para acalentar bovinos.”
Vamos falar do post..
Eu já tive o prazer de tocar todas as músicas presentes neste post, e posso dizer com muita firmeza: É muito difícil. Alfred Reed. Reed ”contraponteia” toda a melodia. Ainda a melodia é toda quebrada nos instrumentos. Isso dá a impressão de união do conjunto. Como se o conjunto tocasse uma coisa só. É uma técnica muito utilizada, e tem resuldatos.

Composta em 1983, Viva Música é uma ”Abertura de Concerto” ( assim vem escrito na partitura: A Concert Overture for Winds ) ou seja, mostra toda a sonoridade que se pode extraír do conjunto. Mostra o som de todos, eu disse TODOS, os instrumentos seja como for. Desde a Clarineta até o Pandeiro. Ainda assim essa música é o terror na vida dos trompista, porque caso vocês escutem, tem um solo de trompa ( 1:16min. ) com sax alto. Os intervalos entre as notas são grandes, o que facilita muito mais as coisas para o músico. O compasso é um ”mix” de 7/8 e 8/8. Os atentos irão perceber que por mais que o compasso seja composto e sem o chamado ”tempo forte” a música flui muito bem. Os compassos 7/8 tem a concheia como principal figura rítmica. Reed agrupa as 3 primeiras colcheias no primeiro tempo, e as 4 seguidas, duas em um tempo e duas no outro tempo. Assim ficamos com 3 tempos em um compasso 7/8. Interpretando cada “I” como se fosse uma colcheira e o espaço entre eles a divisão do tempo ficaria assim ( III – II – II ). O interessante é que o compasso 8/8 funciona da mesma maneira ( III – III – II ). Eu fiquei embasbacado como esse cara conseguiu bolar isso. É uma música que eu recomendo ouvir atentamente. Cada segundo ouvindo é um aprendizado. Vale a pena tentar adivinhar qual o instrumento está tocando tal trecho.

A First Suite for Band é dividida entre uma abertura, em ritmo de marcha. esse movimento não quer expressar a música das ” bandas marciais” mas sim como um tema de aventura. Reed era trompetista. Isso faz com que ele utilize muito os naipes de metais. Principalmente trompa e trompete ( cornet, flugelhorn….. )

O segundo movimento é a coisa mais bela que eu já ouvi na vida. Me dá vontade de chorar toda vez que o ouço. É a coisa mais bela e melodiosa que eu já pude tocar. Não sei como descrever. Poderia ficar um mês inteiro atribuindo adjetivos para esse movimento mas deixo a voces a missão de dizer o que acharam deste movimento na caixa de comentário.

O terceiro movimento é um Rag. Isso nos trás às origens de da Música classica americana. Profetizada por Dvorák o Ragtimes é uma forma de compor nascida nos EUA. Aqui em baixo um trcho tirado da wikipédia sobre o Ragtimes.

”Ragtime (também ragged-time) é um gênero musical norte-americano que teve seu pico de popularidade entre os anos 1897 e 1918. Tal gênero tem tido vários períodos de renascimento, ainda hoje são produzidas composições. O ritmo foi o primeiro gênero musical autentico norte-americano, superando o jazz.[1] Começou como música de dança com cunho mais popular, anos antes de ser publicado como partitura popular para piano. Sendo *uma modificação da marcha foi primeiramente escrita na tempos 2/4 ou 4/4 com uma predominância da left hand pattern de notas graves em batidas com tempos diferentes e acordes em números de batidas pares, acompanhando uma melodia sincopada na mão direita. Uma composição nesse estilo é chamada de “rag”. Uma rag escrita em 3/4 é uma “valsa ragtime”.
Ragtime não é um “tempo” (métrica no mesmo sentido que a métrica marcial é 2/4 e a valsa com métrica 3/4). No entanto, é um gênero musical que usa um efeito que pode ser aplicado à qualquer métrica. A característica que define a música ragtime é um tipo específico de sincopação na qual os acentos melódicos ocorrem entre as batidas métricas. Isso resulta em uma melodia que parece evitar algumas batidas na métrica do acompanhamento, através da ênfase de notas que tanto antecipam ou seguem a batida. A última e (intencional) efeito no ouvinte é de fato acentuar a batida, sendo assim induzindo o ouvinte a vibrar com a música.”

Não preciso dizer mais nada né ?

Sobre o último movimento, não tenho nada a dizer. Só a escutar. É muito engraçado. Dá para rir ouvindo.

Sobre a Second Suite for Band.

Quando Alfred Reed compos essa peça, imagino que ele queria juntar rítmos presentes na América latina, Principalmente na parte colonizada por espanhóis. O Son Motuno é um rítmo proveniente da área Cubanda, Muitos estudiosos dizem que o Tango, a Salsa e outrs rímos saíram do Son Motuno. É uma peça que a pessoa que está ouvindo tem vontada de levantar e sair dançando.

Para não ficar confuso, o começo do segundo movimento ( Tango ) quer representar ondas do mar. Pode-se perceber que em toda a exucução da música tem o ”vai e vem” das ondas do mar. Isso foi uma grande sacada da parte de reed. Ainda prefiro a segundo movimento da Primeira Suíte.

Guaracha, o própio nome quer dizer sobre o que se trata este movimento. É o mais curto de todos. Cerca de 2 minutos. Ainda assim é muito divertido. Ouvir este movimento é como ouvir uma criança brincando. Não tenho como descrever este movimento. Lá para o 1:17, sempre que tive a oportunidade de tocar esse solo me dava vontade de rir. Não sei porque. Simplesmente é muito belo e muito engraçado. 😀

Ahhhh, agora eu vou falar ! O 4º Movimento quer expressar toda a emoção de uma tourada. Quem não conhece o toque de trompete presente no 0:18 deste música ? Reed cria um eco, primeiro da clarineta, depois da flauta. Daí entra o Corne ingles e a clarineta tocando como um tema fúnebre. Um solo de Clarineta. O Lamento. Depois um compasso sincopado 5/4 deixa claro a corrida, a emoção. Entra as castanholas e as flautas. Intervenções de trompete. Tudo mais.

Vai-se para o compasso 3/4, como se representa uma dança, uma valsa. Ou até mesmo um ciclo de transe que as pessoas ficam. Peço atenção ao período da 3:10 até 3:30. É fantástico. Diz tudo, expressa tudo. Toda a emoção. O solo de Xilofone ao fundo é dificílimo de ser executado. É executado junto com trompetes com surdina e fica mais difícil pois ambos tem que tocar juntos. Sem nenhuma marca de erro e atraso. Neste período volta ao compasso 5/4 que ao mesmo tempo não te dá a sensação de estabilidade musical mas ao mesmo tempo não deixa a melodia depravada. Pelo contrário deixa ainda mais rica.

Bom, espero que gostem, e digam o que acham.

Alfred Reed (1921-2005): Viva Música, First Suite for Band e Second Suite for Band ( Latinomexicana ) – Tokio Kosei Wind Orchestra

1 – Viva Música
2 – First Suite for Band – March
3 – First Suite for Band – Melody
4 – First Suite for Band – Rag
5 – First Suite for Band – Gallop
6 – Second Suite for Band (Latino Mexicana) – Son Montuno
7 – Second Suite for Band (Latino Mexicana) – Tango (“Sargasso Serenade”)
8 – Second Suite for Band (Latino Mexicana) – Guaracha
9 – Second Suite for Band (Latino Mexicana) – Paso Double (“A la Corrida!”)

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Gabriel Clarinet

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Alfred Reed (1921-2005): Armenian Dances, Sleepers Awake, A Jubilant Overture, Panis Angelicus, Song of the High Cascades

Fiquei pensando como começar esta postagem esta postagem, não só ‘’como começar’’ mais também com o quê começar também. A decisão de postar Alfred Reed surgiu depois que eu vi que o blog não tinha nenhuma postagem dele e/ou musicas do estilo ele.

Reed começou a estudar musica com 10 anos de idade, serviu o exército e depois disso foi para a Julliard School. Em 1953 se tornou regente da Orquestra Sinfonica de Baylor e assim vai. De 1955 até 1966 foi editor executivo da Hansen Publications. Foi professor da Universidade de Miami . Alfred Reed morreu em 2005, quando recebia comissões de suas composições pela TKWO.

Armenian Dances é uma peça musical para a banda de concerto, escrito por Alfred Reed (1921-2005). É uma suíte em quatro movimentos, dos quais Armenian Dances (Parte I) compreende o primeiro movimento e Armenian Dances (Parte II), compreende os três restantes. Cada parte é composta de uma série de canções tradicionais da Armênia coleção de Komitas Vardapet (1869-1935), um etnomusicólogo armênio.

Na primeira parte, Reed começa com uma fanfarra de trompetes que termina a frase com as madeiras. A parte I está toda junta ou seja, pode-se mudar a música mais a faixa continua a mesma. Logo após o tema de entrada da musica( 4: 03 ) inicia-se o sax alto, tuba e percução, todos piano e o que deixa a música ainda mais intrigante é: Compassos alternados ( 5/8, 7/8, 8/8, 4/8, 5/16 ) são utilizados na musica para não dar uma segurança, ou seja, não ter um tempo certo, a acentuação varia a cada compasso, isso dá uma sensação de não ter aonde se apoiar, mas Reed consegue colocar compassos alternados e ainda por cima, criar uma melodia. E depois isso cresce e vira um grande forte, ainda com compassos alternados, mas você consegue ficar com os pés no chão ! Para quem é músico e / ou conhece um pouco de teoria vai saber muito bem do que eu estou falando.

Entramos na parte II, o primeiro movimento (Hov Arek ) é uma merda, um lixo. Reed tenta colocar o atonalismo na musica, mais não dá certo. Não sou lá muito fã do atonalismo, então pulemos para a próxima.

Khoomar ( wedding dance ) é uma música que eu faço QUESTÃO ABSOLUTA de ouvir pelo menos uma vez ao dia, porque é tão puro, tão limpo, tão … santo que eu não consigo nem descrever. É uma faixa que eu recomendo ouvir.

Lorva Horovel ( songs from Lori ) eu particularmente achei bem construída mais não goste muito do resultado. Ou seja sem mais saliva para essa faixa.

O resto eu realmente gostei muito apesar de ser suspeito para falar Né ?!

Então é isso.

Alfred Reed – Armenian Dances, Sleepers Awake, A Jubilant Overture, Panis Angelicus, Song of the High Cascades

1 – Armenian Dances Parte I – (11:13)
2 – Armenian Dances parte II : Hov Arek – The Peasant’s Plea ( 5:18 )
3 – Armenian Dances parte II : Koomar – Wedding Dance( 5:04 )
4 – Armenian Dances parte II : Lorva Horovel – Songs from Lori ( 9:08 )

5 – Sleepers, Awake ! ( 4:35 )

6 – A Jubilant Overture (6:18)

7 – Panis Angelicus ( 5:22 )

8 – Song of High Cascades ( 6:38 )

Tokio Kosei Wind Orchestra

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Gabriel Clarinet

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