Richard Wagner (1833- 1883) – Die Feen – Kurt Moll, Linda Esther Gray, June Anderson, etc., BRSO, Sawalish

Se vivo fosse, Richar Wagner estaria completando hoje, dia 22 de maio, 206 anos. Por isso, estamos começando mais uma epopéia operística.

Mais uma vez eu, FDPBach, e Ammiratore estamos embarcando em uma longa jornada, e trazendo para os senhores três obras que nunca apareceram por aqui, são três óperas wagnerianas pouco conhecidas e encenadas: “Die Feen”, “Das Liebesverbot” e “Rienzi”.

O responsável pela execução é Wolfgang Sawalish, um dos grandes nomes da regência do século XX. E estes registros foram todos realizados ao vivo, em 1983, no Bayerischer Rundfunk  Nationaltheater München, com a orquestra e coro locais, e grandes solistas, experientes no repertório wagneriano.

Vamos começar com ‘Die Feen’, traduzindo, ‘As Fadas’. Mais do que apenas experimentos e devaneios juvenis, duzentos anos após o nascimento de Richard Wagner (1813-1883), seus primeiros três trabalhos para o palco ainda não encontraram um lugar fixo no repertório dos grandes teatros. Contudo, ter este fato em comum não podemos desmerecer o enredo de Die Feen, Das Liebesverbot e Rienzi. Para aqueles que gostam de histórias do início da carreira dos grande mestres pode, sim, ser agradável a audição destas primeiras óperas. Elas trazem a coerência inicial que todo grande gênio tem: inicia a carreira com os padrões existentes, experimenta novas fórmulas, apanha da crítica “especializada”, e acaba por desenvolver a sua própria linguagem.

Em vida Wagner nunca viu uma performance completa de “Die Feen” (1833). Ela só foi representada por completo cinco anos após a morte do compositor, em Munique no Königliches Hof-und Nationaltheater no dia 29 de Junho de 1888, e hoje em dia ela é representada geralmente em festivais dentro da Alemanha. Martin Kettle, escrevendo no The Guardian, disse que “nunca será uma obra de repertório, mas é um trabalho unificado com uma faísca de música poderosa e talentosa”. Nada mais romântico, trabalho da juventude, mas é um trabalho pessoal a música desta obra. Muitas passagens já trazem a marca do gênio, são curtos clarões fulgurantes que atravessam a banalidade da partitura e projetam raios que irão iluminar o futuro do jovem Wagner.

O libreto é do próprio Wagner, então um garoto de vinte anos, e tem como base a fabula do veneziano Carlo Gozzi (1720-1806) (La donna serpente). Na década de 1830 na Alemanha havia inúmeras dificuldades para compositores de ópera, a principal era a falta de libretistas de qualidade, provavelmente um dos motivos para que Wagner escrevesse o libreto por conta própria.

A primeira ópera de Wagner segue a tradição da ópera de contos de fadas, em moda no início da primeira metade do século XIX na Alemanha. Ada, metade fada, metade mortal, casa-se com Arindal, rei de Tramond, a quem é dito que não pergunte seu nome. Ele pergunta, no entanto, e seu reino mágico desaparece. Para se juntar a ele, ela deve julgá-lo em uma série de testes em que ele não tem sucesso, deixando-a transformada em pedra por cem anos. Como Orfeu, ele a traz à vida do submundo pelo poder da música e vive com ela depois no país das fadas. Wagner teria dito em suas memórias: “Meu texto para ópera Die Feen foi escrito após uma leitura do trabalho de Gozzi. Então o estilo operístico em voga era precisamente a ópera romântica de Weber. Este fato me estimulou para a imitação do estilo. O que eu escrevi não foi nada mais e nada menos do que eu queria: o texto para uma ópera, com toda a influência no aspecto musical de Beethoven, Weber e Marschner ( que foi injustamente rotulado como sendo apenas um imitador de Weber). No entanto, para mim a história de Gozzi não me seduziu apenas por ser um texto muito adequado para uma ópera, mas porque a idéia principal me atraiu tremendamente. Uma ondina que renuncia a imortalidade por amor de um homem….. Na história de Gozzi a ondina se torna uma serpente; o amante arrependido irá recuperá-la em forma de uma mulher, beijando a serpente. Eu preferi mudar esse final para uma fada transformada em pedra. A minha música se harmonizou no conjunto do trabalho, agora eu vejo claramente que aqui foi plantada uma semente importante de toda a minha evolução. ” Podemos dizer que este é o primeiro sinal de gênio, graças ao poder da música: os temas em que um herói traz sua amada petrificada de volta à vida, motivos de redenção por amor são caro nas óperas de Wagner.

Die Feen costuma ser definida como uma obra de um Richard Wagner imaturo, distante daquele que comporia a Tetralogia do Anel. Tendemos a discordar, mesmo que o rótulo de imaturidade tenha sido assumido pelo próprio compositor, manifestado pelo desleixo que posteriormente dedicou à sua obra. Os elementos seminais dos seus maiores trabalhos já se manifestam na singela partitura de As Fadas, principalmente no tangente à influência que este buscara no escritor e dramaturgo veneziano Carlo Gozzi, que lhe inspirou não apenas no libreto, mas em toda estética dramática e na forte inclinação para a relação entre Mito e Contos de Fadas entrelaçados em um enredo característico da Literatura Fantástica. Depois, há a questão da técnica do leitmotif que Wagner está desenvolvendo lentamente. Existem tendências nessa direção, como na ideia melódica que aparece pela primeira vez na abertura para Die Feen e que então domina a rápida e conclusiva seção de Ada na ária no segundo ato. É natural que artistas sintam reservas em relação às suas primeiras obras, contudo, parece existir outro motivo da aversão de Wagner à sua primeira ópera composta. Se, para tirarmos um instantâneo de Wagner aos 20 anos, olharmos bem detidamente o argumento de seu libreto, explorado até o fim, veremos em Die Feen uma ópera cujo herói não se constrange em abandonar sua pátria para seguir seu amor, e, então, estupefatos esbarramos com o grande paradoxo que posteriormente se formara na mente de um Wagner zeloso de seu nacionalismo. Como poderia ele escrever sobre um herói germânico que larga seu reino para viver em terras estrangeiras? Talvez por isso o mestre tenha ignorado em vida esta obra.

Wolfgang Sawallisch iniciou o trabalho de gravação desta ópera que compartilhamos com os amigos do blog em 1983, quando ele era o maestro e diretor da Ópera Estatal  da Baviera, e queria produzir todos os treze trabalhos de Wagner. O que interessou mais Sawallisch foi o equilíbrio dos primeiros trabalhos de Wagner. Porque tornou-se um desafio transmitir para uma audiência no século 20 o gênero da ópera de contos de fadas. O maestro tomou as liberdade de fazer cortes nos recitativos ou em textos falados, onde no contexto da história nada de relevante é contado, querendo dar maior dinâmica à música. Quanto aos papéis centrais da soprano: Linda Esther Gray, ela no papel de Ada, foi realmente bem sucedida. June Anderson estava no começo de uma longa carreira internacional e como Lora demonstrou soberbamente como ela era perfeitamente adequada para papéis de soprano lírico com coloratura. Cheryl Studer (Drolla) também cantou na Opera do Estado da Baviera por várias décadas. O papel de Arindal, John Alexander, já tinha cantado o papel na Ópera de Nova York e foi bom interprete neste papel. Kurt Moll com sua bonita voz da vida ao Rei das Fadas.
Vamos então a uma pequena sinopse do primeiro dos três “pecados da juventude”, de Wagner.

Die Feen
Sinopse
Eventos anteriores: Arindal, rei de Tramond, encontra uma bonita corça enquanto caça e a segue a noite. Finalmente, junto com seu criado Gernot, entra no misterioso reino das fadas onde, em vez de achar a corça, encontra a linda fada Ada. Os dois se apaixonam instantaneamente. Arindal se casa com Ada sob a condição de que, por oito anos, ele não pergunte quem ela é. Passam os anos e nascem dois filhos. Pouco antes do vencimento do período estipulado para não fazer perguntas, Arindal não resiste e faz a pergunta proibida: ele é instantaneamente separado de Ada e, junto com seu servo Gernot, é removido do reino das fadas e são jogados em uma área desolada e rochosa. Ada , no entanto, não está preparada para renunciar ao amor de Arindal; por sua causa, ela pretende deixar o reino das fadas e tornar-se uma mortal. O rei das fadas, no entanto, atribui novas provas para que Arindal cumpra e mostre ser digno e merecedor do sacrifício de Ada.

CD1
Obertura
Primeiro ato
Farzana e Zemina invocam os espíritos e fadas do reino para tentar separar Ada de Arindal e mantê-la no reino das fadas. Servo de Arindal, Gernot, se encontra com Gunther e Morald na corte de Tramond. Eles partem a procura de Arindal depois que seu pai morreu de tristeza por acreditar que seu filho estivesse para sempre perdido. Seu arqui-inimigo, Harald, trouxe guerra contra a terra e quer casar com Lora, a irmã de Arindal e noiva de Morald. Arindal vagueia à procura de sua amada Ada. Para convencer  ele a retornar a Tramond, Gernot conta uma história da bruxa malvada Dilnovaz a fim de apontar para Arindal que Ada não é outra senão uma bruxa malvada e que a separação dela deve consequentemente, ser visto como boa sorte. Quando Morald relata o que aconteceu em Tramond desde o desaparecimento de Arindal, ele irremediavelmente se prepara para voltar a Tramond com seus companheiros. No entanto, antes deles voltarem, Arindal é mais uma vez levado ao reino das fadas. Ada aparece para o deleite de Arindal. Ela exige que ele jure não amaldiçoar o próximo dia, aconteça o que acontecer. Arindal jura.

CD2
Segundo ato

Lora, pressionada pelos inimigos de Tramond, aguarda o retorno de Morald. A felicidade parece perfeita quando Morald finalmente chega com Arindal. Gernot e sua amada Drolla, serva de Lora, celebram o encontro depois de oito anos de separação. Ada, entre o reino das fadas e o mundo humano, fiel ao seu amor, escolhe o caminho para Arindal; ela corre o risco de ser transformada em pedra por cem anos, caso Arindal quebrar seu juramento. De acordo com as condições impostas pelo rei das fadas, Ada agora aparece a Arindal como uma mãe brutal que de repente empurra seus filhos para um abismo ardente, e como uma traidora e inimiga do povo e da terra de Arindal, iniciando em uma guerra devastadora. Arindal, assim provocado, amaldiçoa Ada. Imediatamente, as ações de Ada revelam-se a terem sido uma ilusão, uma prova de fidelidade a palavra dada, porém a magia a transforma em pedra, Arindal fica desesperado.

CD3
Terceiro ato

Morald e Lora governam Tramond desde que Arindal se foi e vagueia inquieto. O mago Groma, um amigo antigo dos governantes de Tramond, pede a Arindal que liberte Ada. Farzana e Zemina apoiam-no na crença de que a tentativa de Arindal de libertar Ada será o seu fim. A voz de Groma, que deu a Arindal um escudo, espada e lira, lidera sua luta contra os espíritos da terra e os homens desonestos. Finalmente, Ada está livre da petrificação pelo som da lira. Ada e Arindal vivem felizes para sempre; no entanto, o reino das fadas não renuncia a Ada, mas eleva Arindal à imortalidade.

CD 1
01. Ouverture
02. Feengarten Introduktion (Chor der Feen)
03. Rezitativ (Farzana, Zemina) – Chor der Geister und Feen
04. Wilde Ein.de mit Felsen Szene und Rezitativ (Gunther, Morald, Gernot) – Gerno
05. Arie (Arindal)
06. Rezitativ (Gernot, Arindal)
07. Romanze (Gernot)
08. Quartet (Arindal, Gunther, Gernot, Morald) Finale I
09. Rezitativ (Arindal)
10. Feengarten mit gl.nzendem Palast Cavatina (Ada)
11. Rezitativ und Duet (Ada, Arindal)
12. Szene (Ensemble und Chor)

CD 2

01. Introduktion (Chor der Krieger und des Volkes, Lora)
02. Arie (Lora) – Szene (Bote, Lora, Chor)
03. Chor und Terzett (Lora, Arindal, Morald)
04. Rezitativ (Gernot, Gunther) – Duett (Drolla, Gernot)
05. Rezitativ (Ada, Farzana, Zemina)
06. Szene und Arie (Ada)
07. Finale II (Chor des Volkes und der Krieger, Lora, Drolla, Arindal, Gunther)

CD 3

01. Introduktion (Chor, Morald, Lora, Drolla, Gunther, Gernot)
02. Szene und Arie (Arindal)
03. Szene (Stimmen Adas und Gromas; Farzana, Zemina)
04. Terzett (Arindal, Farzana, Zemina)
05. Szene (Chor der Erdgeister, Arindal, Farzana, Zemina, Gromas Stimme, Chor von
06. Schlussszene (Feenk.nig, Arinda, Chor der Feen und Geister)

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CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Personagens e intérpretes

Rei das fadas – Kurt Moll
Ada, uma fada – Linda Esther Gray
Farzana (fada) – Kari Lovaas
Zemina (fada) – Krisztina Laki
Arindal, rei de Tramond – John Alexander
Lora, sua irmã – June Anderson
Morald, seu amante e amigo de Arindal – Roland Hermann
Gernot, caçador e amigo de Arindal – Jan-Hendrik
Drolla, serva de Lora – Cheryl Studer
Gunther, cortesão – Norbert Orth
Harald, comandante de Arindal – Karl Helm
Um mensageiro – Fried Lenz rico
A voz do mago Groma – Roland Bracht

Coro do Bayerischer Rundfunk
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Regente: Wolfgang Sawallisch

Olá Senhora Fada, sou o Richard à sua disposição !

FDPBach e Ammiratore

Richard Wagner – Götterdämmerung – Dernesch, Ridderbusch, Stewart, etc., Karajan, BPO

Götterdämmerung: a mais grandiosa das quatro óperas do ciclo O Anel do Nibelungo. Composta entre 1869 e 1874, sua estréia ocorreu no Bayreuth Festspielhaus, Bayreuth, em 17 de agosto de 1876, como parte da primeira apresentação completa da Saga do Anel. A Canção dos Nibelungos (conjunto de poemas medievais alemães), é a fonte de inspiração para o “O Crepúsculo dos Deuses”.
Götterdämmerung é musicalmente genial, embora seja narrativamente mais fraco (comparado à Die Walkürie e Das Rheingold). Temos uma Brünnhilde humana, um Hagen dual, um Gunther fraco, um Siegfried com seus defeitos e não mais estereotipado como na ópera anterior. Quanto tempo dura Götterdämmerung? O primeiro ato sozinho passa um pouco de duas horas, mais do que o La Bohème de Puccini em sua totalidade. Para a orquestra e os cantores, numa apresentação ao vivo, é um dos testes de resistência mais difíceis do repertório operístico. Para se ter uma idéia da grandiosidade desse espetáculo, nesta ópera está a cena mais difícil de se representar da história do teatro (última cena do último ato, falarei sobre ela). Analisando percebe-se que, narrativamente falando, sua duração imponente é parcialmente gratuita, com quase uma hora revirando a história e fazendo um resumão dos acontecimentos das três partes anteriores. Pode ser redundante, mas esta exposição ajuda alguém que não conhece as outras peças a entrar e acompanhar a história. A ópera em três atos mostra a caminhada de Sigfried e Brünnhilde ao encontro da morte, levando com eles os deuses e todo o mundo dos antigos. Um novo mundo pode nascer na Terra. Götterdämmerung é a tradução alemã para a palavra em nórdico antigo Ragnarök, que em português seria o Crepúsculo dos Deuses. Götterdämmerung continua a história de Siegfried, filho de Siegmund, e ainda mais que “Die Walkürie e Siegfried”, mudanças drásticas no mito ocorrem, inclusive a própria interpretação do Crepúsculo dos Deuses.

Bayreuther Festspiele 2010

Além das inovações formais já iniciadas por Wagner à ópera, temos em Götterdämmerung um prelúdio antes da 1ª cena. O prelúdio pode ser dividido em duas partes, a primeira onde as Nornas tecem o fio do destino, as três Nornas, filhas de Erda, tecem a trama do destino do mundo. Mas o fio com que trabalham rompe-se de repente, quando procuram desvendar o paradeiro do ouro do Reno: ali também se fazem sentir as consequências da maldição de Alberich. Doravante, o destino dos deuses está selado. O canto das Nornas é belíssimo, elas contam em poucas linhas a história passada e a futura. A segunda parte do prólogo, após uma breve e bela Orchesterzwischenspiel, mostra Siegfried e Brünnhilde saindo de uma gruta, onde a ex-Valkíria afirma que Siegfried deve prosseguir em sua jornada, com mútuas promessas de fidelidade Siegfried como prova de amor lhe dá o anel que tomou de Fafner e ela lhe dá o seu cavalo e seu escudo de Valkíria. Podemos ver no prólogo que o Siegfried de Götterdämmerung não é o mesmo Siegfried de “Siegfried”. O personagem está mais humano e heróico (até na música), e não é mais aquele estereótipo-bombadão. Dá uma prova de amor na mesma medida em que recebe. A música em Götterdämmerung é muito mais sóbria que nas outras óperas da saga, e não é exagerada como “Die Walkürie”, mas ainda possui peso e expressividade.

A primeira cena se passa no palácio de Gunter, próximo ao Reno. Gunter é o rei dos Gibichungos onde Hagen (meio-irmão do rei Gunther) e Gutrune (irmã) estão presentes. Gunther pergunta sobre sua popularidade, e Hagen (depois de fazer mistério), afirma que sua popularidade não é satisfatória porque ambos (Gunther e Gutrune) não são casados. Hagen, filho de Alberich e Grimhilde, mãe também de Gunther e da moça Gutrune, aproveita-se do diálogo para enredar os irmãos em seus planos: instigado por Alberich, pretende apossar-se do anel. Ambos devem casar-se, diz: Gunther com a bela Brunnhilde e Gutrune com o valoroso Siegfried. Não será fácil, porém, concretizarem o projeto, já que Brunnhilde vive cercada por uma barreira de fogo e Siegfried não vê encantos em mulher que não seja a ex-Valquíria. Uma possibilidade existe, no entanto; basta que Gutrune ofereça a Siegfried uma bebida mágica e o rapaz, a um só tempo, deixar-se-á enamorar por ela e consentirá em conquistar Brunnhilde para Gunther. Como no cinema e no teatro, na ópera também a conveniência das situações fala mais alto: Siegfried chega justamente quando estão discutindo como encontrá-lo. Hagen o convida para entrar, e fecha-se a cena.

A cena dois mostra como Siegfried e Gunther se conhecem pessoalmente. Sigfried convida Gunther para medirem forças, mas o outro prefere recebê-lo como hóspede. Siegfried desconhecia o poder do Tarnhelm, que Hagen explica seu poder. Gutrune dá a bebida do esquecimento a Siegfried, e ele esquece totalmente de Brünnhild, e promete tirá-la das chamas e entregar a Gunther em troca da mão de Gutrune. Siegfried foi enganado em sua ingenuidade (justificável, devido sua criação), e essa cena é muito coerente e bem feita, mas, há um ponto que foi esquecido: CADÊ A CLARIVIDÊNCIA DE SIEGFRIED??? O dragão lhe concedeu a clarividência em “Siegfried”, e aparentemente não foi capaz de usá-la agora… esquece, sem poção não há história, então…

Na terceira cena volta aonde está Brünnhilde, a Valkíria Waltraute chega, narrando a Brünnhilde a decadência do Walhalla. Waltraute tenta convencer a irmã de devolver o anel ao Reno (lembrando também da maldição de Alberich), o que Brünnhilde recusa-se a fazer. Após esse discurso, Waltraute vai embora triste, e Siegfried surge (disfarçado de Gunther devido o Tarnhelm). Siegfried subjuga Brünnhild para levá-la (como Gunther), mas ela reconhece sua voz (uma magnífica performance vocal, entre Tenor e Barítono), e ao final ele fala em sua voz normal, afirmando que ele e Gunther são irmãos de sangue.

A primeira cena do segundo ato é uma das mais sinistras e controversas. Hagen está na corte como guarda (adormecido) e Alberich aparece (ou não). Nessa cena há o diálogo entre Hagen e Alberich (filho e pai). Muito se infere desse diálogo, entre elas que Alberich não está materialmente, mas sim nos sonhos, e é uma projeção do próprio Hagen. Pode-se inferir também uma conexão do real e do onírico. A música é sombria, e o diálogo impressionante. Vale a pena conferir (AQUI libreto e texto). Na segunda cena do segundo ato Siegfried chega, afirmando a Hagen que tudo saíra como o planejado, e se coloca a disposição para organizar os dois casamentos. Temos uma melhor descrição de Hagen, que aparece esnobe e irônico. Na cena terceira temos mais Hagen, onde ele brinca com os soldados dando-lhes as boas novas, o que os soldados se espantam, pois, Hagen é carrancudo. Hagen aparece nesse ato múltiplo, mas coerente, podemos inferir algumas coisas sobre suas atitudes. A terceira cena é uma confusão, causada por Brünnhilde, e onde novamente Hagen se destaca. Siegfried defende-se e Brünnhilde o acusa, causando uma confusão geral onde ninguém entende nada (exceto o leitor/ouvinte). Na última cena do segundo ato, Hagen se oferece em amizade à Brünnhilde, e junto com Gunther tenta compreender a confusão da outra cena. Hagen incita a pena capital ao “traidor” Siegfried, enquanto Gunther como sempre indeciso e manipuladíssimo. Hagen pergunta a Brünnhilde se e como Siegfried pode ser morto, e ela o informa que ele é um herói poderoso e não pode ser vencido em combate, mas pode ser atingido pelas costas. A explicação aqui para a invulnerabilidade de Siegfried não é o sangue de dragão do Nibelungenlied, mas as artes de Brünnhilde que lhe protegem dos ferimentos. Como Siegfried jamais daria as costas em fuga para um inimigo, ela não o protegeu nas costas. A última cena do terceiro ato termina com Hagen convencendo Gunther a aceitar a morte de Siegfried. No terceiro ato, Siegfried se perde de seu grupo de caça (que incluia Gunther e Hagen), e depara-se com as ninfas do Reno. Elas lhe contam a história da maldição, e afirmam que Siegfried será liquidado assim como Fasolt, Fafner e todos que porem as mãos no anel. Siegfried não se importa.
Na segunda cena Hagen dá uma bebida a Siegfried (com poder inverso da outra), que lembra e conta sua história, Hagen pergunta-lhe se pode compreender uma ave que está a sua frente, e Siegfried olha-a. Nesse momento Hagen golpeia covardemente Siegfried pelas costas. Siegfried canta uma música à Brunnhilde enquanto ainda estava agonizando, e depois morre. Segue o cortejo fúnebre. Nessa cena aparecem duas das melhores músicas da ópera: a Canção de Siegfried e a Marcha Fúnebre de Siegfried. Na terceira cena o corpo do herói é levado para o palácio onde Hagen reivindica a posse do anel, que, no entanto, Gunther deseja oferecer a Gutrune. Há muita confusão e ação, nesta que é a cena mais difícil da história do teatro. Os dois homens se atracam, após acalorada discussão, e Gunther cai morto por Hagen, que logo procura tirar o anel do dedo de Siegfried. Mas a mão do herói se ergue, ameaçadora, e ele desiste, amedrontado. Brunnhilde aproxima-se e manda que se faça uma fogueira, onde deverá consumir-se o corpo de Siegfried: também se arroja à pira, montada no cavalo que fora seu e do amado. O importante aqui é o Discurso de Brunnhilde, onde muito se pode interpretar sobre toda a obra e a filosofia wagneriana. Transbordando, o Reno alcança o fogo e em suas águas lança-se Hagen, que desaparece levado pelas ondinas. Uma delas mostra, exultante, o anel recuperado. A corrente caudalosa reflui, enquanto a cena mostra, ao longe, as chamas atingindo o Walhalla, o palácio inteiro desmorona, e quando os deuses se reúnem em assembléia todo o cenário entra em chamas, o Reno se acalma, a música cresce a um grande clímax sobre os temas do Reno e do Walhalla, decrescendo com o motivo da redenção pelo amor soando nas cordas. Cai o pano e encerra a obra.

Assim terminamos todo o ciclo do anel, mas antes algumas considerações. Não há termo às reflexões que o drama desperta. Tudo está repleto de profundos símbolos nesse trabalho, vai do “super-homem” de Nietzsche ao profundo pessimismo de Shopenhauer, mas Wagner tudo reveste com o seu próprio simbolismo e ideologia. O desmoronamento do Walhalla é talvez o sonho de Wagner, de 1848, de ver o mundo apodrecido num mar de chamas desaparecer e das cinzas aparecer um mundo novo e virtuoso. As quatro óperas O Ouro do Reno (Das Rheingold), A Valquíria (Die Walküre), Siegfried e Crepúsculo dos Deuses (Götterdämmerung) totalizam 15 horas de espetáculo (três mil setecentas e cinqüenta páginas de música). Wagner é um gênio fora do comum, e essa obra causou uma influência absurda (positiva e negativa) em seu país, apesar de, como pessoa, Wagner ser pouco exemplar. O Anel dos Nibelungos de Wagner é uma obra ímpar.

Wagner Götterdämmerung – Personagens e intérpretes

Agora que terminamos os posts de todo o ciclo do Anel, torna-se possível ver a bela interpretação de Karajan do tremendo trabalho do começo ao fim. O refinamento e delicadeza da textura de Karajan, e a maior clareza dada às palavras são notáveis. Para começar com o Prelúdio do Ato 1, as Nornas: Christa Ludwig possui uma voz altamente individual é inconfundível, se encaixa bem no trio excelente e equilibrado formado com Lili Chookasian e Catarina Ligendza. No final da cena, Karajan faz com as três uma de suas transições finamente gerenciadas, aqui da melancolia ao nascer do sol e à luz do dia, terminando em um clímax brilhante pouco antes do dueto que se segue. Isso leva a Brünnhilde de Helga Dernesch e Siegfried de Helge Brilioth. A bela soprano lírica Dernesch, com sua ampla voz, com um valioso registro baixo, sua musicalidade inata, seu calor de expressão, suas notas altas colocadas com precisão infalível, fazem dela uma atraente Brünnhilde. A voz seca de Brilioth, é um pouco restrita no topo do seu alcance, mas ele fala bem e soa jovem. O excelente Gunther, de Thomas Stewart, transmite algo da dignidade, vaidade e desconfiança do rei. Karl Ridderbusch não tem a qualidade “negra” e nem é tão maléfico mas tem muita beleza em sua voz. Gundula Janowitz como Gutrune está à vontade e canta com um tom encantador. No Prelúdio do Terceiro Ato, as ondinas formam uma equipe equilibrada, Karajan trata a cena muito em seu “estilo de música de câmara”, isto é, com grande delicadeza e refinamento. É muito lindo. Brilioth é bom em suas conversas de troca com as garotas e também na longa narração de Siegfried que se segue quando Hagen e os caçadores entram. Ele canta a história naturalmente e interessa por toda parte, e coloca um patético ponderável em sua cena de morte. Orquestra Filarmonica de Berlim, bom, sensacional é pouco !!!!

Wagner Götterdämmerung

Helga Dernesch soprano – Brünnhilde
Helge Brilioth tenor – Siegfried
Karl Ridderbusch baixo – Hagen

Zoltán Kelemen baixo – Alberich
Thomas Stewart barítono – Gunther
Gundula Janowitz soprano – Gutrune
Christa Ludwig mezzo – Waltraute
Liselotte Rebmann soprano – Woglinde
Edda Moser soprano – Wellgunde
Anna Reynolds mezzo – Flosshilde
Lili Chookasian contralto – First Norn
Christa Ludwig mezzo – Second Norn
Catarina Ligendza soprano – Third Norn
Chorus of the German Opera Berlin, Berlin PhiIharmonic Orchestra / Herbert von Karajan

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Richard Wagner – Siegfried – Jess Thomas, Thomas Stewart, Helga Dernesch, Gerhard Stolze, Karl Ridderbusch, etc., Karajan, BPO

Vamos que vamos com o Siegfried, a terceira ópera do ciclo do Anel dos Nibelungos de Wagner, por sinal, Siegfried era o nome de meu falecido sogro. O texto abaixo, como nas postagens anteriores, é de autoria do colega Ammiratore. Os senhores irão reparar que este seu texto está um pouco mais leve, mais descontraído.

“Dentro da tetralogia de Wagner, o terceiro drama, Siegfried, pode ser o menos popular ou conhecido. Porém é o mais importante no estabelecimento de um equilíbrio dramático entre as quatro obras. Wagner interrompeu a composição em 1857 no final do segundo ato de Siegfried para escrever “Tristan und Isolde” e “Die Meistersinger von Nürnberg”, retornando a Siegfried sete anos depois para completar o terceiro ato em 1869. A estréia mundial foi em 16 de agosto de 1876.
Elementos dessas duas óperas alimentam Siegfried: apresenta a música mais leve do ciclo do Anel, acho que é uma celebração musical maravilhosa da natureza, tem o dueto de amor mais extático (influenciado pelo dueto de Tristan und Isolde), quando Brünhilde e Siegfried se descobrem. A principal tarefa dramática da obra está no estabelecimento do grande herói do “Ciclo do Anel”. Há muito menos peças reconhecíveis nesta ópera quando comparadas às outras três, mas “Siegfried” possui alguns grandes momentos. Uma das mais famosas é a música de forjamento, aonde Siegfried num número solo nos mostra imediatamente que Wagner exige uma grande disposição do intérprete com seu principal personagem. Outros momentos famosos são a breve passagem do pássaro na floresta e, mais notavelmente, o dueto de amor final entre Siegfried e Brünhilde. Como em Die Walküre, Siegfried é uma ópera gigantesca por si só. A natureza fantástica e mitológica da trama é uma das razões pelas quais a ópera dura bem mais de quatro horas. Vamos tentar resumir então (fiquei feliz pelos comentários das outras duas e farei uma abordagem, digamos, leve e alguns trechos foram inspirados na casabibliofilia.blogspot.com):

“Mais uma vez nos encontramos com Wotan, agora chamado de Wanderer – que deixamos no final de Die Walküre , chateado com o destino de sua filha amada, Brünhilde. Como o próprio Wagner escreveu ao músico alemão August Roeckel, “depois da despedida de Brünhilde, Wotan realmente não é mais do que um espírito sem luz”. O Wotan de Siegfried é um deus velho e cansado, que perdeu o poder de comandar, que está disposto a deixar que os acontecimentos sigam o seu curso e está contente em desistir. O foco principal de “Siegfried” não é Wotan, mas o lendário personagem nórdico Sigurd, um herói nacional representado em todos os tipos de formas de arte. O personagem Siegfried de Wagner, diferente de outras versões, é filho de Siegmund com sua irmã (os dois são volsungos, ou Wälsung), o que faz de Siegfried neto de Wotan duas vezes (por parte de pai e de mãe). Entre as histórias de “Die Walkürie” e “Siegfried”, Sieglinde é encontrada por Mime na floresta, o anão ferreiro a leva para a caverna onde habita. Ali nasce Siegfried, mas Sieglinde morre: na agonia declara o nome escolhido para o filho e relata quem era o pai. Mime cria o menino, que cresce cheio de vigor e torna-se um rapaz de temperamento ousado, qualidade que vem bem a calhar aos desígnios de Mime: espera que seja Siegfried aquêle a cujos pés Fafner cairá morto, trespassado pela espada (“Nothung”) que, feita em pedaços, recebeu das mãos de Sieglinde. Mime deseja que Siegfried pegue o anel de Fafner e depois planeja matá-lo.
Primeira cena do primeiro ato. Mime está com raiva pois está preparando uma espada para Siegfried, mas sabe que o jovem quebrará a arma assim que estiver pronta. Tem forjado outras espadas, Siegfried as quebrou todas com uma só pancada, entre risos e palavras de zombaria. O nibelungo sonha obter o Anel e o Tarnhelm (aquele elmo que transforma), e para isso precisa de Siegfried. O jovem chega com um urso encoleirado, e brinca com o urso como se este fosse um Yorkshire Terrier. Depois ele quebra a espada pronta como se fosse uma vareta de bambu, o que deixa Mime muito azedão. O anão lamenta-se de tamanha ingratidão. Diz-se injustiçado, ele que criou Siegfried com todo desvelo. Mime conta a história de Siegfried, mas sem lhe contar a história do pai, mostra os fragmentos da Excalibur … ops, digo, Notung, e Siegfried fica animado, pedindo para que Mime reconstrua a espada.
Duas coisas podemos perceber a partir da leitura e audição da primeira cena. A primeira é que “Siegfried” não é tão monumental musicalmente quanto “Die Walkürie”, e que a dramatização é mais importante do que as narrativas e lirismo. É a obra mais dramática das quatro óperas, e ao mesmo tempo a mais épica. A segunda é que Siegfried é o herói com mais testosterona da história da literatura nórdica. Não é qualquer um que brinca com um ursinho de estimação e quebra uma espada de metal feita por um nibelungo como se fosse de bambu.
Na segunda cena Wotan, disfarçado como andarilho, aparece e provoca Mime, o desconhecido insiste e propõe, para provar sabedoria, que Mime lhe faça três perguntas. Se não as responder, dará sua cabeça em troca. Mime concorda e, tendo o outro se havido bem, deve admitir que lhe subestimara a capacidade. Só não esperava de Wotan (a quem ainda não reconheceu) a exigência de submeter-se a igual desafio. Sente-se aliviado ao responder às primeiras duas perguntas: “Qual a raça marcada pela cólera de Wotan, embora êste a amasse mais que a própria vida?” (OS Wilsungos); “Que espada poderá ser o instrumento da morte de Fafner?” (a Nothung). Para a terceira questão, porém, não encontra resposta: “Quem saberá retemperar a espada?” dizendo ao final que apenas quem não conhece o medo poderá forjar a espada Notung , e assim passa para a 3ª cena, onde entra Siegfried e pede a espada, que Mime não conseguiu forjar. Como Siegfried não conhece o medo, ele mesmo forja a espada e para testá-la parte uma bigorna ao meio (quanta testosterona!!!).
No segundo ato, Alberich espreita Fafner (na forma de um dragão), quando surge Wotan e avisa a Fafner que vem alguem matá-lo. Fafner não se importa e na segunda cena Mime conduz Siegfried as proximidades da caverna onde Fafner dorme sobre o tesouro. Desperto pelo som da trompa do rapaz, o dragão deixa seu abrigo. A luta é breve: agonizante, Fafner adverte Siegfried que se acautele, pois quem o induziu a esse ato assassino também trama sua morte e o dragão conta sua história. Após o dragão morrer Siegfried com a mão suja de sangue a leva a boca e acaba por ingerir o líquido que lhe dá o poder clarividente de falar com as aves. Siegfried então descobre o que Mime planejava e mata-o, em seguida conversando com uma ave ela fala sobre Brünhilde. Siegfried se prepara para mais uma prova de bravura.
Na primeira cena do último ato, Wotan invoca a deusa da Terra e conversa com ela. Esse diálogo é muito legal de se ler (o libreto em português está AQUI no link), mas ele não cria mudanças significativas no enredo. Na segunda cena, Siegfried encontra Wotan, e há uma discussão entre eles. Wotan afirma que já quebrou a Notung uma vez e pode fazê-lo novamente, mas Siegfried quebra a lança e Wotan recolhe os pedaços tranquilamente e desaparece. Na última cena, por fim, Siegfried encontra Brünhilde tal como Wotan a deixara no final da “Die Walkürie”, e não sabe o que fazer com ela (pois nunca viu uma mulher na vida). Um pequeno parêntesis, tá bom perdoo o Siegfried, pois quando era mais novo, com uns 14 – 15 anos, provavelmente não saberia o que fazer se uma Valkíria caísse nos meus braços, provavelmente a chamaria para jogar Enduro ou River Raid, tomar um suquinho ouvindo na vitrola um Vivaldi… sei lá… . Após o beijo, Brünnhilde acorda e pergunta quem é o herói, que prontamente se identifica. Brünhilde conta que salvou a vida dele antes, e Siegfried cogita ser ela sua mãe, o que é logo desmentido. Brünhilde ainda faz-se de difícil por um tempinho, mas logo rende-se ao amor do guerreiro volsunga cheio de testosterona, um estereótipo de super-guerreiro-bombado.

Cosima-Siegfried-Richard

Um caso curioso é que presentes de aniversário vêm em todas as formas e tamanhos. Cosima Wagner quando acordou em 25 de dezembro de 1870 para celebrar seu 33º aniversário, um grupo de 17 músicos se reuniu nas escadas que levavam ao seu quarto. Com Richard Wagner regendo, os músicos tocaram “uma saudação de aniversário sinfônica”. Wagner posteriormente mudaria o nome da composição para o conhecido “Siegfried Idyll”.

Siegfried, personagens e intérpretes:
O elenco é absolutamente de primeira linha. O Mime de Gerhard Stolze transmite a malícia revoltante do anão maligno de maneira mais convincente, lembrando que Wagner pediu uma voz “dura e rouca”, uma exigência impossível. Thomas Stewart é novamente um Wotan impressionante e usa sua esplêndida voz com grande efeito. Ridderbusch é um Fafner menos aterrorizante, mas ainda não é uma fera que alguém gostaria de encontrar! Oralia Dominguez transmite bem o mistério de Erda. Catherine Gayer, bom, achei que o seu pássaro esta com uma voz excessivamente trêmula. Gostei imensamente do bombadão Siegfried de Jess Thomas. Ele é excelente em seu total desprezo por Mime. No dueto final, ele mostra que percebeu rapidinho os encantos de uma mulher e canta lindamente para ela. Dernesch tem uma voz adorável, pura e uniforme com um registro baixo e quente, sua Brünnhilde é muito convincente quando acorda para o amor humano, ela canta lindamente o seu despertar. Siegfrid, filho de Wagner nasceu na época em que compôs a parte do dueto final, podemos ouvi rWagner e Cosima evocando o amor de forma intensa. Karajan tinha à sua disposição uma esplêndida orquestra. Como sempre regendo com clareza, intensidade e ritmo!”

Wagner – Siegfrid

Jess Thomas – tenor – Siegfried
Thomas Stewart – baritono – Der Wanderer
Gerhard Stolze – tenor – Mime
Helga Dernesch – soprano – Brünnhilde
Karl Ridderbusch – baixo – Fafner
Oralia Dominguez – mezzo – Erda
Catherine Gayer – soprano – Waldvogel
Berlin Philharmonic Orchestra / Herbert von Karajan

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
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CD 4 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Richard Wagner – Die Walküre – Karajan, Vickers, Crispin, Janowitz, Stewart, etc., BPO

A segunda ópera do ciclo do Anel dos Nibelungos é ‘Die Walküre”, uma obra prima de Wagner, uma das mais belas óperas já compostas. É emocionante desde os primeiros acordes, quando a orquestra entra simulando uma tempestade, e Sigmund entra em cena, e conhece Sieglinde.
O mago Karajan reúne aqui novamente um elenco estelar, destacando a dupla Jon Vickers, um dos maiores cantores wagnerianos de todos os tempos, e Gundula Janowitz, uma das cantoras favoritas do Kaiser Karajan, a magnífica Regine Crespin, sem esquecer de Thomas Stewart, um dos grandes baixos do século XX.

Como expliquei anteriormente, na postagem do “Ouro do Reno”, nosso caro Ammiratore se encarregou de preparar a sinopse desta complexa ópera:

“Die Walküre – segunda ópera da tetralogia, e que ópera ! Sua estréia ocorreu no teatro Nacional em Munique a 26 de junho de 1870. Baseada na Saga dos Valsungos que figura entre os grandes clássicos da literatura mundial; trata-se de um dos principais textos da produção popular da Baixa Idade Média europeia, foi redigida na Islândia do século XIII por autor(es) anônimo(s), não apenas por conta de seus méritos literários ou de sua importância para o estudo da antiga religião e das lendas dos povos germânicos, mas também pela inegável influência que exerceu sobre autores ocidentais modernos e contemporâneos. As sagas, e a literatura nórdica antiga em geral, foram lidas e apreciadas por escritores como J.R.R. Tolkien, famoso por seu Senhor dos Anéis, obra cuja fonte de inspiração essencial foi justamente a Saga dos Valsungos. Wagner iniciou a composição da música assim que encerrou o Ouro do Reno, em setembro de 1854, trabalho a que dedica cerca de 2 anos, tem como principal tema a luta do amor que está associada à natureza e liberdade, contra o poder que está associada à civilização e à lei.
A montagem Das Valkirias é mais frequentemente realizada nos teatros separadamente das outras três partes da tetralogia, e sem dúvida pode ser o trabalho mais amado de Wagner do grande público. A fonte dessa afeição é certamente a representação sensível de Wagner do amor de Siegmund e Sieglinde, e a relação pai-filha de Wotan e Brünnhilde. O primeiro ato, em particular, é uma obra-prima da melodia rapsódica unida a um firme plano de tensão cada vez maior, liberada em sucessivos clímaxes, à medida que Siegmund e Sieglinde são atraídos um pelo outro e revelam seus passados. Wotan sacrifica um olho pelo conhecimento, e seu poder se reduz à medida que o ciclo prossegue, seu longo monólogo no Ato II é muito humano em seu arrependimento pelo preço que pagou por conhecimento e poder. Acima de tudo, essa divindade falha e compreende a conexão íntima entre poder e amor e sua incompatibilidade. Wotan lembra que, mesmo com o mundo sujeito à sua autoridade: “Eu não podia deixar o amor. / No meu poder ansiava por amor ”. Brünnhilde, talvez a personagem mais intrigante de todo o ciclo, desafia o comando de seu pai de permitir que Siegmund morra – mas o faz por amor a Wotan e sua percepção de que é isso que ele realmente quer. Sua nobre rebelião é o eixo em torno do qual gira a história.
Wagner compreendeu que o poder e o amor não eram apenas incompatíveis, mas os pólos gêmeos do compromisso humano. Então, um dos desafios do Anel é decidir quem está certo. Vale a pena renunciar ao amor para sempre, como Alberich, para ganhar o controle do poder?

Die Walküre – Resumo:

Sob terrível tempestade, Siegmund foge de inimigos que o perseguem. Aproximando-se de uma casa tosca, construída ao redor de grande árvore, não hesita em entrar e larga o corpo exausto junto à lareira. Ouvindo a porta abrir-se, Sieglinde vem do outro cômodo e depara com o estranho, que ergue a cabeça e pede-lhe água. Ao marido, Hunding, que logo retorna da caça, ela explica as circunstâncias em que encontrou o rapaz.
Siegmund fala então de sua existência, pontilhada de desditas. É filho de Wolfe, a quem não vê há muito tempo, depois de um combate com os Neidingos, os mesmos inimigos que, antes, já haviam assaltado e destruído o palácio onde viviam. A mãe fora assassinada e, da irmã gêmea, que mal conhecera, nenhum vestígio encontrou. Agora, procura abrigo naquela casa, depois de haver lutado em auxílio de uma jovem obrigada a casar sem amor. Mas, ferido e desarmado, vira-se constrangido a evitar novo confronto com os adversários. São seus parentes conclui Hunding. É o que revela a Siegmund advertindo-o de que poderá usufruir as regalias de hóspede apenas por aquela noite. Já na manhã seguinte deverão ir à luta. Enquanto isso que trate de obter uma arma.
Mergulhado em sono profundo – Sieglinde dera-lhe de beber uma mistura preparada com tal finalidade -, Hunding ignora a ajuda que a esposa presta ao hóspede. Conduzido por ela a uma árvore onde está cravada uma espada. Siegmund apossa-se da arma com movimento vigoroso, identificando-a com aquela que o pai prometera enviar em momento de real dificuldade. Entre o herói e a mulher já crescera, e agora aflora em palavras de afeto, um amor incontido, embora percebam, ao confrontar suas histórias, que são irmãos, filhos do mesmo pai: o, velho desconhecido que, na festa de casamento de Sieglinde com Hunding, fincara a espada na árvore. Siegmund abraça-a ardorosamente e assegura ter soado para ambos a hora da vingança, da reconquista da honra. Confiantes em que os espera uma vida feita apenas de felicidade, deixam para trás a casa de Hunding. Na verdade, Wolfe não era outro senão Wotan, cuja união com uma mulher mortal
dera como fruto a estirpe dos Walsungos. Wotan tem interesse especial em Siegmund, pois por meio dele espera um dia recuperar o anel que se encontra nas mãos do gigante Fafner. Ele não pode recuperá-lo por iniciativa direta, pois isto lhe é vedado pela qualidade de deus dos tratados, mas deseja evitar qualquer possibilidade de que o anel volte as mãos do anão Alberich. É muito perigoso para os deuses.
Tudo isso Wotan explica a Brunnhilde, sua filha dileta, nascida, como outras oito irmãs, de encontros ocasionais com Erda, deusa da terra. São as Valquírias, incumbidas de conduzir para o Walhalla, em suas montarias aladas, os guerreiros mortos, que irão integrar o corpo dos sentinelas da morada dos deuses. Constrangido pela vontade férrea de Fricka, a quem Hunding recorreu para obter a condenação da
união entre Siegmund e Sieglinde, Wotan contraria os próprios sentimentos e ordena a Brünnhilde que interfira na luta entre os dois homens e faça a vitória caber a Hunding. No entanto, ao encontrar-se com Siegmund e Sieglinde, que tem Hunding em seu encalço, a
Valquíria deixa-se levar pelo coração e passa a protege-lo com seu escudo durante o combate, para faze-lo vencedor. Wotan, entretanto, intervém exatamente quando Siegmund atinge o outro comum golpe mortal: faz em pedaços a espada do Wälsungo, permitindo que Hundig lhe
trespasse o peito com a lança. Brünnhilde, aterrorizada, toma Sieglinde nos braços, monta seu cavalo e foge para junto das outras Valquírias. Pretende levar a jovem para o Oriente, onde, em sossego, esta poderá dar à luz a criança que é fruto do amor com Siegmund. Daquelas paragens certamente não se aproximará Wotan, pois ali vive Fafner, que, usando o Tarnhelm (elmo mágico), transformou-se em dragão e dorme sobre o tesouro.
Envolto em nuvens tempestuosas, Wotan irrompe Envolto em nuvens tempestuosas, Wotan irrompe á procura de Brünnhilde, que apenas tem tempo de convencer Sieglinde a fugir, levando consigo os pedaços da espada de Siegmund, a qual, um dia, será refundida. Quanto à criança, diz Brünnhilde, receberá o nome de Siegfried. Furioso com a desobediência da filha rebelde, Wotan impõe-lhe a punição mais temida: perderá seus poderes de deusa, transformando-se em uma mulher destinada a ser possuída por qualquer homem. A ira divina assusta as outras
Valquírias, que fogem em cavalgada.
A sós com Brünnhilde, entretanto, Wotan acaba curvando-se a voz mais forte do amor paternal e alivia o castigo. Auxiliado por Loge, a quem chama, levanta um círculo de fogo em torno da jovem. Só conseguirá possui-la alguém suficientemente destemido, capaz de vencer a mágica barreira. Antes, beija-a, faz com que adormeça e cobre-a com o escudo de Valquíria.
Thomas Stewart tem uma voz magnífica de amplo poder e alcance, seu Wotan, sua enunciação e fraseado são excelentes. Sua raiva resplandece ferozmente no Ato 2 quando Fricka parte. No Ato 3, Stewart é capaz de realçar toda a beleza musical das frases de Wotan banindo Brünnhilde da “hoste celestial”. Crespin é uma artista talentosa demais, ela nos da, no curso dos atos, muitos momentos preciosos, e há uma frase no Ato 3 que eu nunca ouvi cantar tão bela e afetivamente, é onde Brünnhilde fala, simplesmente e de coração, de compreender pelo menos um dos comandos de Wotan, “amar tudo o que amava”, ela invoca poder dramático e tonal considerável em seu apelo para ser cercada pelo fogo. Gundula Janowitz muito bem como Sieglinde, realmente parecendo surpresa ao encontrar um homem estranho em sua casa e mais tarde no ato suas lindas notas altas dão muito prazer. O desempenho de Jon Vickers como Siegmund é soberbo nesta fase da carreira ele está com a voz esplêndida, os momentos heróicos são muito excitantes. Como sempre, sua enunciação é admirável, no Ato 2, onde sua ternura por Sieglinde, e suas respostas dignas a Brünnhilde, tocam a grandeza. Fricka de Josephine Veasey verdadeira mezzo-soprano adequada para os enraivecidos pronunciamentos da deusa. Este é um desempenho finamente cantado e distinto. Martti Talvela é um magnífico Hunding, tão ameaçador quanto Fricka e com uma voz tão negra e com o poder tonal. Não há muito o que escolher entre as maravilhosas Valquírias, tudo é adorável como por exemplo na silenciosa passagem em que as três vozes superiores entram uma depois da outra é inquestionavelmente um belo registro de entrosamento, gravação muito boa. Karajan têm a mitica Filarmônica de Berlim sob o comando. No Ato 1, quando a orquestra pinta tão lindamente o amor desperto de Sieglinde e Siegmund, para tornar-se emocionalmente indulgente, Karajan constrói seu clímax com sutileza empolgante. O magnífico registro orquestral de Karajan, o Siegmund de Jon Vickers, o Wotan de Thomas Stewart e Crespin tentando atingir as alturas tornam esta gravação belíssima. Ela pode nos surpreender e muito.

Jon Vickers tenor – Siegmund
Martti Talvela baixo – Hunding
Thomas Stewart barítono – Wotan
Gundula Janowitz soprano – Sieglinde
Josephine Veasey mezzo – Fricka
Régine Crespin contralto – Brünnhilde
Liselotte Rebmann soprano – Gerhilde
Ingrind Steger mezzo – Waltraute
Daniza Mastlovic soprano – Helmwige
Cvetka Ahlin mezzo – Grimgerde
Carlotta Ordassy soprano – Ortlinde
Lilo Brockhaus mezzo – Schwertleite
Barbro Ericson mezzo – Sigrune
Helga Jenckel soprano – Rossweisse
Orquestra Filarmônica de Berlim / Herbert von Karajan

Richard Wagner (1813 – 1883)
Die Walküre, WWV 86B

Act 1

1.
Orchestervorspiel
2. Szene 1: “Wes Herd dies auch sei, hier muß ich rasten”
3. Einen Unseligen labtest du (Siegmund, Sieglinde)
4. Szene 2: “Müd am Herd fand ich den Mann”
5. “Friedmund darf ich nicht heißen”
6. Die so leidig Los dir beschied (Hunding, Sieglinde, Siegmund)
7. “Ich weiß ein wildes Geschlecht”
8. Szene 3: “Ein Schwert verhieß mir der Vater”
9. “Schläfst du, Gast?”
10. “Winterstürme wichen dem Wonnemond”
11. Du bist der Lenz
12. O süßeste Wonne! Seligstes Weib! (Siegmund, Sieglinde)
13. War Wälse dein Vater
14. Siegmund, den Wälsung, siehst du, Weib! (Siegmund, Sieglinde)

Act 2

15. Vorspiel – Szene 1: “Nun zäume dein Roß”
16. Hojotoho! Hojotoho! (Brünnhilde)
17. “Der alte Sturm, die alte Müh'”
18. So ist es denn aus mit den ewigen Göttern
19. “Was verlangst du?”
20. Deiner ew’gen Gattin heilige Ehre (Fricka, Wotan)
21. Szene 2: “Schlimm, fürcht ich, schloß der Streit”
22. “Ein andres ist ‘s: achte es wohl”
23. So nimmst du von Siegmund den Sieg? (Brünnhilde, Wotan)
24. So nimm meinen Segen, Niblungen-Sohn (Wotan, Brünnhilde)
25. “So sah ich Siegvater nie”
26. Szene 3: “Raste nun hier; gönne dir Ruh!”
27. Szene 4: “Siegmund! Sieh auf mich!”
28. “Du sahest der Walküre sehrenden Blick”
29. So jung und schön erschimmerst du mir (Siegmund, Brünnhilde)
30. Szene 5: “Zauberfest bezähmt ein Schlaf”
31. Der dort mich ruft, rüste sich nun (Siegmund, Sieglinde, Hunding, Brünnhilde)
32. Zu Ross, daß ich dich rette! (Brünnhilde, Wotan)

Act 3

33.Szene 1: “Hojotoho! Heiaha!”
34. “Schützt mich und helft in höchster Not”
35. “Nicht sehre dich Sorge um mich”
36. Szene 2: “Wo ist Brünnhild’, wo die Verbrecherin?”
37. “Hier bin ich, Vater”
38. Einleitung 3.Aufzug (Finale)
39. Szene 3: “War es so schmählich?”
40. So tatest du, was so gern zu tun ich begehrt
41. Nicht streb, o Maid, den Mut mir zu stören (Wotan, Brünnhilde)
42. “Leb wohl, du kühnes, herrliches Kind”
43. Der Augen leuchtendes Paar
44. “Loge, hör! Lausche hieher!”
45. – Magic Fire Music –

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Richard Wagner (1813-1883) – Das Rheingold – Fischer-Dieskau, Stolze, etc., Karajan, BPO

Por um incrível capricho do destino, hoje comemoram-se os 136 anos da morte de Richard Wagner. Confesso que só fui me aperceber disso depois da postagem concluída e agendada. 

Este projeto de postar as óperas wagnerianas do ciclo do ‘Anel dos Nibelungos’ está sendo feito a quatro mãos: eu, FDPBach, e Ammiratore, uma grata aquisição para o blog, um apaixonado por ópera e dono de um acervo considerável. E digo grata aquisição tanto no sentido de conhecimento e paixão pela música, quanto pela amizade que já desenvolvemos, mesmo estando a 800 quilômetros de distância um do outro e conversando apenas por email e Whattsapp.

Sempre temi postar Wagner, não apenas pela complexidade de botar no ar quatorze CDs, mas também pela paixão que o compositor suscita entre seus admiradores. Eu fazia parte de uma comunidade no antigo Orkut formada por estes wagnerianos. E os caras eram peso pesado, alguns inclusive já tinham ido a Bayreuth algumas vezes para assistir a apresentações destas óperas, e eram profundos conhecedores da obra. Devo muito a alguns destes participantes, aprendi muito com eles, infelizmente com o fim daquela rede social, perdi contato com eles.

A escolha da versão que Herbert von Karajan gravou entre 1967 e 1968 foi mais por uma questão de praticidade de minha parte, pois estes arquivos estavam mais facilmente ao alcance. Na verdade, desde o começo a opção foi por ele. Cogitamos George Solti e Karl Böhm, até mesmo uma ‘obscura’ versão do Giuseppe Sinopoli foi cogitada, gravada ao vivo em Bayreuth, mas no final das contas, o nome do velho Kaiser falou mais alto.

O texto de apresentação é do nosso especialista em Ópera, Ammiratore.

“Adoro Wagner, achei importante antes de comentar as obras da tetralogia citar algumas nuances para compreender a excelência do trabalho do compositor. Então vamos lá: “O Anel do Nibelungo”, drama musical que Richard Wagner (1813 – 1883) escreveu durante 26 anos (1848 a 1874), constitui um ciclo de quatro óperas épicas, com cerca de 15 horas de duração. A primeira apresentação de todo o ciclo aconteceu em Bayreuth em 13 de agosto de 1876. Das Rheingold já havia estreado em Munique em 1869, a contragosto do autor.
Wagner criou a história do anel ao fundir elementos de diversas histórias e mitos das mitologias germânica e escandinávia. Em 1851 Wagner escrevia aos amigos: “os meus estudos levaram-me através da Idade-Média até aos antigos Mitos Germânicos fundadores…Aí descobri o Homem Verdadeiro (der wahre Mensch)”. Os Eddas (nome dado a duas coletâneas distintas de textos do séc. XIII, encontradas na Islândia, e que permitiram iniciar o estudo e a compilação das histórias referentes aos deuses e heróis da mitologia nórdica e germânica) forneceram material para Das Rheingold, enquanto Die Walküre é amplamente baseada na Saga dos Volsungos (saga islandesa, escrita por volta de 1300, com base na tradição germânica, os eventos reais que inspiraram a narração fantasiosa da saga ocorreram na Europa Central nos séculos V e VI dC). Siegfried contém elementos dos Eddas, da Saga dos Volsungos e da Saga Thidreks (saga nórdica.) A ópera final, Götterdämmerung, é baseada no poema do século XII Nibelungenlied (poema épico escrito na Idade Média por volta de 1200, baseada em motivos heróicos germânicos pré-cristãos) que foi a inspiração original para o Anel. O ciclo é modelado assim como os dramas do teatro grego em que eram apresentadas três tragédias e uma peça satírica. A história do Anel propriamente dita começa com Die Walküre e termina com Götterdämmerung, de forma que Das Rheingold serve como um prólogo. Ao agregar tais fontes numa história concisa, Wagner também acrescentou diversos conceitos modernos. Um dos principais temas do ciclo é a luta do amor, associada à natureza, e liberdade, contra o poder, que está associada à civilização e à lei.
Para realizar a montagem desta saga épica, seria também necessário inovar, Wagner concebeu um arrojado projeto: a construção de um teatro dotado de características imprescindíveis para a apresentação das suas óperas; o teatro da ópera de Bayreuth, na Alemanha. Favoreceu as circunstâncias e os fatores que facultassem ao público uma completa submersão ao tema do espetáculo. Utilizou efeitos sonoros, escureceu a sala de espetáculo, tornou a orquestra invisível ao espectador e realinhou a plateia para que o espectador melhor se envolvesse na performance. Vale lembrar que até meados do séc. XIX, o comportamento do espectador durante um espetáculo de ópera era completamente distinto do dos dias de hoje: entrava-se e saía-se da sala arbitrariamente para comer, ler jornais ou revistas, conversar, jogar às cartas ou falar de política. Só as famosas árias cantadas por artistas de renome eram escutadas com atenção. Wagner pretendia que a arte passasse por um processo de reeducação do público através dos modelos da Grécia antiga. Isto não seria feito através de uma transposição da tragédia grega para o século XIX, mas sim, através de uma releitura do passado. Consciente desta realidade, inspirado na estrutura da tragédia grega e defendendo valores intrinsecamente românticos, o compositor propunha a junção entre diferentes formas ou linguagens artísticas, pretendendo produzir um espetáculo abrangente, pleno e absoluto. A ópera de Wagner requer uma atitude específica por parte do espectador que terá que mergulhar na obra para que a mágica se complete e tenha efeito. Foram transformações invulgares para a época. Atualmente, porém, são lugar comum nos espetáculos de ópera e de bailado contemporâneos, possibilitando uma unificação entre o público, a orquestra e a cena propriamente dita. O impacto das ideias de Wagner ainda pode ser sentido em muitas manifestações artísticas ao longo de todo o século XX (sobretudo no cinema com “leitmotiv” caracterizando personagens na telona).
Vamos tentar deixar a política e as tretas envolvidas de lado e focar na arte; na noite de 13 de agosto de 1876 inaugurava-se em Bayreuth, na Baviera, um teatro sem similar no mundo. Havia, além do imenso auditório, cercado de colunas em estilo grego, um extraordinário conjunto de recursos técnicos que permitiam encenações muito mais ricas e complexas. Para alicerçar a grandiosidade do Anel, Wagner empregou uma orquestra gigantesca. E porque pretendia obter certos efeitos especiais, abriu lugar, na orquestração, a instrumentos que ele próprio inventou: as tubas wagnerianas ou tubas de Bayreuth – como são hoje conhecidos esses produtos híbridos da trompa tradicional e do trombone. Wagner julgava seu timbre ideal para certos momentos bem específicos, como os temas principais do Walhalla e o tema dos Walsungos. Então ali, entre monarcas e demais convidados ilustres, Wilhelm Richard Wagner, realiza o velho sonho: finalmente,
seria levado à cena, por completo, o ciclo de quatro dramas musicais que formava a sua maior obra – O Anel do Nibelungo. A 17 de agosto, encerrava-se com êxito a primeira apresentação integral, sob a regência de Hans Richter; e o espetáculo iria repetir-se por mais duas vezes consecutivas. Diversas são as opiniões sobre a monumental tetralogia, a que gostei mais foi dada pelo compositor e viajante inveterado o francês Saint – Saens: “Mil críticos, escrevendo cada qual mil linhas, durante dez anos, danificaram esta obra tanto quanto a respiração de uma criança poria em risco a estabilidade das pirâmides do Egito”.

Resumo: O ouro do Reno (Das Rheingold)
Nas águas serenas do Reno, três moças nadam com movimentos ágeis. As ondinas, filhas do velho rio, parecem apenas divertir-se – seu canto alegre assim faz crer – mas ali estão com tarefa bem precisa: são as guardiãs do ouro oculto e protegido no fundo da corrente. Woglinde, Wellgunde e Flosshilde surpreendem-se com o aparecimento de Alberich, o anão que vive com seus iguais em Nibelheim, lugar de escuras cavernas. Chegam a assustar-se, ao se verem perseguidas pelo anão, cujos olhos as cobiçam e desejam. Mas a apreensão dos primeiros momentos logo acalma e passam a rir-se, entre acenos de estímulo e rápidas esquivas, enquanto Alherich vocifera por não realizar seus intentos. Exasperado, êle as maldiz, e as ondinas tornam a afastar-se por entre as rochas. E quando intensa, fulgurante luminosidade se insinua por entre as águas, fazendo o anão deter-se em tensa expectativa. Que significaria aquele clarão? Respondem-lhe as jovens que é o ouro do Reno a refulgir. “E para que serve esse ouro?” pergunta ainda Alberich. Fica sabendo, então, que o valioso metal é fonte de todo poder: será senhor do mundo quem com ele fundir um anel, adorno que imediatamente concentrará incomensurável força de sortilégio. Há um pormenor, porém: somente será capaz de moldar o anel aquele que renunciar ao amor. E isso tranquiliza as ondinas, que fazem a sedutora revelação sem recear pela segurança do tesouro. Afinal, parece-lhes evidente que Alberich não optaria jamais por aquela hipótese. Enganavam-se: ele, agora, deseja ardentemente o poder sem medida. E, com um grito, expressa a escolha inesperada – “Eu maldigo o amor!” -, enquanto se lança em direção ao ouro, do qual se apossa, para desaparecer em seguida nas profundezas que o levariam de volta a Nibelheim. Em vão as filhas do Reno clamam por socorro. Esvai-se a luz. Desce uma névoa cinzenta, que se transforma depois em nuvens sempre mais claras. Ao dissolver-se, permite ver uma região montanhosa. Ao fundo, domina majestosa construção, de contornos cintilantes, a cujos pés corre o Reno, num vale profundo. Há pouco despertados, Wotan, pai dos deuses, e sua mulher, Fricka, deusa da virtude e da fecundidade, extasiam-se com a visão da morada divina, levantada pelos gigantes Fasolt e Fafner. Dura pouco, no entanto, este despreocupado embevecimento. Fricka lembra a Wotan o preço que devem pagar aos construtores: a virgem Freia. Que farão os deuses quando,sem ela, que é a deusa do amor e da eterna juventude, começarem a envelhecer e se forem aproximando irremediavelmente da hora extrema? Wotan responde-lhe com palavras de otimismo: que não se aflija, pois, na verdade nunca pensou realmente em entregar Fréia e está certo de poder convencer os gigantes a aceitarem outra recompensa qualquer. Para tanto, conta sobretudo com a astuciosa inventividade de Loge, deus do fogo. Mas Fasolt e Fafner já cuidam de apossar-se da virgem. Perseguida por ambos, ela corre espavorida junto: de Wotan. Este tenta ganhar tempo,mas apenas enfurece os gigantes quando diz, a princípio, não se lembrar da promessa, argumentando depois que nela consentira apenas por brincadeira. Providencialmente, aparecem Donner, deus da tempestade e do trovão, e Froh, deus do sol, que arremetem contra os irados gigantes. É o próprio Wotan, todavia, quem se empenha em apartar os contendores, curvando-se, finalmente, à evidência de que, sendo também o deus dos tratados, não lhe resta alternativa senão cumprir o acordo. Eis então que chega o astuto Loge; mas sua presença, para desencanto de Wotan, em nada contribui para tirá-lo da difícil situação. Bem pelo contrário: o deus do fogo admite que os giganta realmente merecem Fréia, tão portentosa é a obra que concluíram. Procurou muito – diz – nada encontrou que, em substituição a virgem, pudesse servir de recompensa à altura do empreendimento. E, aparentando indiferença relata a Wotan o roubo do ouro pelo anão Alberich, agora dotado de infinitos poderes, já que deve ter moldado o anel mágico. Fasolt e Fafner mostram-se interessados, pedem detalhes, principalmente porque sempre temeram os homenzinhos de Nibelheim. Wotan, por sua vez ouve, imerso em sonhos de grandeza inspirados pela possibilidade de ficar de posse do anel fabuloso. Não concorda, por isso, quando os gigantes exigem que o anel lhes seja entregue, para desistirem de Fréia. Além do mais, como pode dispor de algo que não possui? Ante a relutância de Wotan, Fasolt agarra a virgem e declara-se disposto a aguardar somente até a noite por uma decisão. Wotan que escolha:
conseguir o anel e entregá-lo, ou perder para sempre a juventude. Os gigantes se afastam, arrastando Fréia. A medida que se distanciam, os deuses vão-se transfigurando, para ganharem aparencia de velhos cansados. Wotan não pode perder sequer outro minuto: descerá com Loge ao reino de Nibelheim.
Dono do ouro, Alberich é agora senhor de todos os anões que vivem em Nibelheim, servos que devem entregar-lhe os objetos preciosos que fabricam. Nas profundezas da Terra, o reino dos anões vive em terror, sob o jugo daquele que se apossou do ouro do Reno e moldou o anel mágico. É Mime, irmão de Alberich, quem retrata a Wotan e Loge a desdita de seu povo. E mais: usando um elmo (o Tarnhelm), que lhe ordenara fabricar com o mesmo ouro, Alberich ganhou ainda o poder de tornar-se invisível ou transformar-se no que bem entender, para mais facilmente exercer seu domínio. Nesse momento surge Alberich. Pergunta aos deuses o que fazem ali. Tem uma resposta que mexe com sua vaidade: diz Wotan que vieram apreciar de perto as maravilhas que, ouviram falar, vêm-se processando em Nibelheim sob seu comando. O anão desfia seguidas bravatas, escarnece mesmo da condição inferior dos interlocutores ante seus poderes. Loge prossegue no jogo: e como faz Alberich para se precaver contra possíveis tentativas de lhe tomarem o anel, quando está dormindo? O anão explica que, graças ao elmo, pode tornar-se invisível. Por isso, adormece tranquilo. Loge pede-lhe uma prova concreta dessa capacidade. Alberich o atende de imediato, transformando-se em dragão. E seria ele capaz de transmudar-se num ser de tamanho bem pequeno para, se fosse o caso, mais facilmente escapar numa emergência? Ainda uma vez Alberich se deixa ludibriar e comprova a versatilidade do poder mágico: em segundos, é apenas um sapo. Imediatamente, Wotan o prende sob o pé, enquanto Loge lhe arrebata o elmo. Voltando à sua forma natural, Alberich procura resistir, mas é amarrado e levado para a superfície. Ali, os deuses obrigam-no a entregar todo o tesouro, se quiser reaver a liberdade. Sem alternativa, Alberich lhes faz a vontade e, sob ameaças, abre mão também do anel, que Wotan coloca no próprio dedo. Lança, no entanto, tanto, feroz maldição:” Assim como o anel deu a mim poder ilimitado, do mesmo modo vitime pela sua magia aqueles que o possuírem!”
Chegam os gigantes, que renovam a oferta de acordo. Exigem, porém – é Fasolt quem fala -, tanto ouro quanto seja necessário para ocultar de suas vistas toda a formosura da virgem. Os deuses atendem, vendo-se por fim privados do próprio anel e até do elmo, apesar dos protestos de Wotan.
Os gigantes libertam Fréia, que, jubilosa, se reúne a seus pares, de novo jovens e imortais. Agora, porém, os dois discutem, Fafner querendo a parte maior do tesouro. Termina por matar Fasolt. Ouvem-se trovoadas ensurdecedoras, relâmpagos cortam o céu. Não demora a surgir esplêndido arco-íris, verdadeira ponte que se estende do altiplano, onde se encontram os deuses, ao rochedo, no qual se ergue o castelo deslumbrante. Guiados por Wotan, todos se dirigem para o Walhalla, magnífica morada.”

Após esta breve descrição da ópera, Ammiratore faz uma análise mais detalhadas dos solistas envolvidos:

Como poderíamos esperar, Karajan interpreta “ O ouro do Reno “ como música de um cosmos lírico, com uma clareza radiante, virtuosidade de som, contrastes altamente eficazes, beleza vocal e instrumental. O que se destaca especialmente é o cuidado que Karajan leva para ser sempre mais atencioso com seus cantores, e isso ele certamente é. Para assegurar a beleza vocal e instrumental da tetralogia é necessário invocar as forças dos deuses da música e Karajan as possui. Karajan sempre em sinergia com a Orquestra Filarmônica de Berlim e seu admirável elenco de cantores. Um ótimo exemplo da unidade orquestral está no início do Preludio, o som que Karajan tira dos contrabaixos é envolvente, imergimos imediatamente na atmosfera do drama musical. Os “efeitos” usados na gravação como o som dos martelos e dos gritos dos Nibelungos estão na medida certa, sem exageros. Fischer-Dieskau, um barítono leve é um Wotan que nos leva a sua origem divina, voz muito bonita e Karajan dá um tratamento em que podemos apreciar plenamente sua performance verdadeiramente distinta. Gerhard Stolze interpreta Loge e da um relato malicioso e astucioso do desprezo pelos outros deuses. Como Martin Cooper diz no livreto desta gravação, Loge é “o único ser claro e racional em todas as personagens do Anel, os outros são os escravos de suas paixões, suas ambições ou emoções”. Stolze usa uma extraordinária variedade de tom de um mero sussurro – às vezes quase inaudível – para a denúncia, e gerencia as frases líricas que lhe são dadas muito bem. Este é um desempenho virtuoso. Zoltan Kelemen é um Alberich que preenche os seus momentos de ódio e indignação muito bem. Erwin Wohlfahrt é um Mime bem cantado. O baixo enorme de Martti Talvela como Fasolt é vocalmente extraordinário e sua abordagem romântica sugere um jovem gigante romântico mais interessado em Freia do que no ouro. Karl Ridderbusch como Fafner, também uma bela voz, demosntra frieza convincente. Entre as cantoras Josephine Veasey se destaca como Fricka e dá outro excelente desempenho nesta gravação.
Em suma, esta série do Anel que postaremos com o Karajan e sua turma é soberbo, interpretação extraordinariamente fiel, nunca excêntrica, nunca intrusiva, lírica, sem nunca tornar-se frouxa ou lenta, dramática sem nunca ser arrogante, uma abordagem sutil, sem ser agressiva – elegante. Gravações esplêndidas.

Dietrich Fischer-Dieskau barítono – Wotan
Zoltán Kelemen baixo – Alberich
Josephine Veasey mezzo – Fricka
Gerhard Stolze tenor – Loge
Erwin Wohlfahrt tenor – Mime
Martti Talvela baixo – Fasolt
Karl Ridderbusch baixo – Fafner
Donald Grobe tenor Froh
Simone Mangelsdorff soprano – Freia
Helen Donath soprano – Woglinde
Edda Moser soprano – Wellgunde
Anna Reynolds mezzo – Flosshilde
Berlin Philharmonic Orchestra / Herbert von Karajan

CD 1

1 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A – Vorspiel
2 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Erste Szene – “Weia! Waga! Woge du Welle!”
3 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Erste Szene – “He he! Ihr Nicker!”
4 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Erste Szene – “Garstig glatter glitschriger Glimmer!”
5 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Erste Szene – “Lugt, Schwestern! Die Weckerin lacht in den Grund”
6 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Erste Szene – “Nur wer der Minne Macht entsagt”
7 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Erste Szene – “Der Welt Erbe gewänn’ ich zu eigen durch dich?”
8 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Erste Szene – “Haltet den Räuber!”
9 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – Einleitung
10 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – “Wotan! Gemahl! Erwache!”
11 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – “So schirme sie jetzt”
12 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – “Sanft schloss Schlaf dein Aug'”
13 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – “Was sagst du? Ha, sinnst du Verrat?”
14 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – “Du da, folge uns!”
15 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – “Endlich, Loge! Eiltest du so”
16 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – “Immer ist Undank Loges Lohn!”
17 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – “Ein Runenzauber zwingt das Gold zum Reif”
18 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – “Hör’, Wotan, der Harrenden Wort!”
19 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – “Schwester! Brüder! Rettet! Helft!”
20 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – “Wotan, Gemahl, unsel’ger Mann!”
21 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Zweite Szene – Verwandlungsmusik
22 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Dritte Szene – “Hehe! hehe! hieher! hieher! Tückischer Zwerg!”
23 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Dritte Szene – “Nibelheim hier”
24 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Dritte Szene – “Nehmt euch in acht! Alberich naht!”

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Disc 2
1 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Dritte Szene – “Zittre und zage, gezähmtes Heer”
2 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Dritte Szene – “Die in linder Lüfte Wehn da oben ihr lebt”
3 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Dritte Szene – “Ohe! Ohe! Schreckliche Schlange”
4 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Dritte Szene – “Dort die Kröte! Greife sie rasch!”
5 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Da, Vetter, sitze du fest!”
6 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Wohlan, die Niblungen rief ich mir nah”
7 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Gezahlt hab’ ich, nun lasst mich ziehn”
8 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Ist er gelöst?”
9 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Lauschtest du seinem Liebesgruß?”
10 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Lieblichste Schwester, süsseste Lust!”
11 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Gepflanzt sind die Pfähle nach Pfandes Mass”
12 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Weiche, Wotan, weiche! Flieh des Ringes Fluch!”
13 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Soll ich sorgen und fürchten”
14 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Halt, du Gieriger! Gönne mir auch was!”
15 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Nun blinzle nach Freias Blick”
16 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “He da! He da! He do! Zu mir, du Gedüft!”
17 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Bruder, hieher! Weise der Brücke den Weg! … Zur Burg führt die Brücke”
18 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Abendlich strahlt der Sonne Auge”
19 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “So grüss’ ich die Burg”
20 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A / Vierte Szene – “Rheingold! Rheingold!”
21 Wagner: Das Rheingold, WWV 86A – Vorspiel

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Ammiratore e FDPBach

Richard Wagner (1813-1883): Parsifal

Richard Wagner (1813-1883): Parsifal

“Esse é o mais lindo monumento erigido para a eterna glória da música”, assim declarou Debussy, que sempre foi um grande crítico da música de Richard Wagner, a respeito da ópera Parsifal, a última ópera composta pelo mestre alemão, sendo considerada por muitos críticos o ápice do cenário wagneriano. Tá bom…. “o mais lindo…” é muito, mas entre as 5 melhores obras, acho que aí sim fica mais coerente.

Na prazerosa busca em melhor informar aos leitores do PQP acabamos aprendendo muito com a experiência dos outros. Começamos com o que sabemos, partimos para a pesquisa em bibliografias que possuímos e, tendo um esqueleto do que pretendemos, partimos para a pesquisa na Internet. Até aí nada original. O que é interessante é chegar a algum site que já tenha pesquisado sobre o assunto sobre o qual pretendemos escrever e obter subsídios valiosos para adicionar ao nosso esqueleto. Hoje pela manhã, estava dando tratos à bola de como seria a abordagem da ópera Parsifal, para aqueles que não têm conhecimento da obra e resolvi pesquisar o fundamento histórico que Wagner musicou. Nesta ópera em particular existem diversos sites com as mais diferentes opiniões, misticismo, esoterismo, influências, simbolismos… e tantos outros “ismos”.

Vamos lá então: A ópera de Richard Wagner, “Parsifal”, tem sido, desde sua primeira apresentação no Festival de Bayreuth em 1882, um objeto de imensa fascinação para músicos, intelectuais e simples admiradores apaixonados pela música. Para os primeiros, o trabalho antecipa os desenvolvimentos do compositor desde “Tristão e Isolda”, e atinge um nível de complexidade além de qualquer composição anterior. Para os intelectuais, a mistura de várias teologias e filosofias de Wagner cria um esoterismo irresistível. A longa partitura é envolvida por uma mística incomparável e é, em uma palavra, sublime. Para os admiradores de música um monumento a beleza.
Na abertura do libreto de sua última obra, Richard Wagner escreveu as seguintes instruções: “A ação da ópera Parsifal se passa no território dos guardiões do Graal, o castelo de Monsalvat, situado nas montanhas ao norte da Espanha Gótica”. A localização geográfica escolhida por Wagner não foi fruto de fantasia. Sua decisão foi tomada após uma série de pesquisas baseadas em fatos históricos (é baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach (~1170 – ~1220)). Quem se deslocar de Barcelona em direção ao noroeste, após quarenta quilômetros de viagem irá divisar a montanha de Montserrat. Trata-se, sem dúvida alguma, da paisagem natural mais impressionante da Catalunha. Diz a lenda que São Pedro depositou em uma das centenas de cavernas que existem no maciço rochoso de Montserrat, uma estátua de madeira da virgem Maria, esculpida por São Lucas. A imagem foi descoberta no século VII e recebeu o nome de Virgem de Montserrat. No ano 976, foi construída uma pequena igreja perto do topo da montanha. Com o passar dos anos, começaram a se multiplicar uma série de milagres provocados por intermediação da virgem. Isto motivou as autoridades religiosas a construir em 1027, o mosteiro beneditino de Nossa Senhora de Montserrat. Hoje ele é considerado, após Santiago de Compostela, o segundo maior centro de peregrinações da Espanha. Em 1811, o mosteiro e a biblioteca foram saqueados e incendiados pelas tropas napoleônicas. Durante os trabalhos de restauração foi construído em um anexo, o museu de Montserrat, que possui em seu acervo obras de Caravaggio e El Greco. A ordem militar dos cavaleiros templários foi fundada na época das cruzadas, para defender o Santo Sepulcro. Sua primeira sede foi na mesquita al-Aqsa situada no monte do Templo, em Jerusalém. Com o passar dos anos, a ordem se transformou no mais poderoso braço militar dos cruzados, espalhando-se por toda a Europa. Dezenas de castelos dos templários foram construídos na Inglaterra, França, Alemanha, Portugal e Espanha, além daqueles espalhados pelo oriente médio. A ordem passou a ser indispensável ao governo pontifício e recebia total apoio dos papas. No século XIV, o Papa Clemente V e o rei da França, Felipe o Belo, se aliaram para destruir os templários e se apossar de suas imensas riquezas. Em 1307, Clemente V editou a Bula Pastoralis praeeminentiae ordenando a prisão de todos os membros da ordem. Acusados de heresia, os templários foram detidos, torturados e tiveram suas propriedades e bens confiscados. Seu líder máximo, Jacques de Molay foi queimado vivo. Antes de sua execução, protestando inocência perante os membros da inquisição, ele implorou a Deus para que no prazo de um ano, o Papa e o rei fossem chamados aos céus para se submeterem ao julgamento divino. A prece de Molay foi atendida. Em menos de um ano tanto Clemente V como Filipe IV morreram. Após a execução do Grão-Mestre do Templo, a Inquisição intensificou a perseguição dos membros remanescentes da ordem. Os últimos sobreviventes foram os templários da Catalunha, que receberam a proteção dos monges beneditinos e se refugiaram no mosteiro de Montserrat. Diz a lenda que o Santo Graal foi levado para este refúgio e escondido numa das grutas da montanha. Baseado nesses fatos, Richard Wagner foi buscar inspiração na história da Abadia de Montserrat, para criar o fictício castelo de Monsalvat, último território dos guardiões do Santo Graal. Até os dias de hoje, Wagner é um dos compositores mais apreciados na Catalunha e todas suas óperas foram traduzidas para idioma catalão.

Wagner concebeu a ideia de escrever “Parsifal” em 1857, mas tal como o ciclo do “Anel”, passou por um período de amadurecimento de 25 anos, tendo sido finalizada somente em janeiro de 1882. Vários críticos de arte inibem o público, desencorajando-o a assistir ou ouvir a ópera, ao afirmarem que a obra é tão séria e solene que apenas os entusiastas por Wagner conseguem apreciá-la. Na verdade, para quem gosta do gênero, e ignora as mensagens subliminares (criadas pelos tais e criativos intelectuais aproveitando os ganchos que o Wagner deixou), o enredo se torna simples e agradável, abordando conhecidas lendas e mitos medievais da época das Cruzadas. Mas gosto muito de enxergar o “algo além”, aquela dúvida que diz: “será que é isso” ? Acredito que o drama Parsifal ensina suas lições de vida. No entanto pelo que pesquisamos vamos dar algumas sugestões de interpretação do poema que podem não estar tão erradas, pois Parsifal é uma das mais místicas óperas. Podemos enxergar simbolismos por toda parte. A lenda pode ser considerada como representação da luta entre o paganismo e o cristianismo nos primeiros séculos da Igreja, os poderes da magia e as quentes paixões do coração humano lutando contra o poder crescente da verdade cristã e o poder vitorioso da pureza como retratado no herói inocente. Ou pode ser considerado como representando em uma lenda mística a história espiritual de Cristo vindo em presença posterior entre os filhos dos homens e imaginada no Parsifal místico. Wagner menciona que esta Escritura estava sempre em sua mente ao escrever Parsifal: “Porventura não fez Deus tola a sabedoria deste mundo? A loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens”. Ou além disso, pode representar, de maneira marcante e inspiradora, que os puros de coração obtenham as vitórias na vida; que os inocentes são os valentes filhos de Deus; que o coração que resiste à paixão do mal e é tocado pela piedade é o coração que

Estreia Parsifal 1882 Amalie Materna, Emil Scaria and Hermann Winkelmann

reencarna a pureza apaixonada do Cristo e pode revelar novamente o poder de cura, o Santo Graal de Deus. “Por mais medieval que a linguagem e o simbolismo de Parsifal possam ser”, diz um crítico moderno, “não podemos deixar de reconhecer a simplicidade e o poder da história. Seu significado espiritual é universal. Qualquer que seja o significado disso, vemos claramente que o cavaleiro inocente é Pureza, Kundry é a Maldade do mundo expressa em sua forma mais sedutora, e o Rei Amfortas sofrendo com sua ferida aberta é a Humanidade. Não se pode ler o drama sem emoção, sem se agarrar ao coração, em seu maravilhoso significado, lições edificantes e enobrecedoras “. Nas “Wagner’s Letters”, 1880, páginas 270, 365, 339 o mestre comenta: “O fundador da religião cristã não era sábio: Ele era divino. Acreditar Nele é imitá-lo e buscar a união com Ele … Em conseqüência de Sua morte expiatória, tudo o que vive e respira pode conhecer a si mesmo redimido … Somente o amor enraizado na simpatia e expresso em ação ao ponto de uma completa destruição da auto-vontade, é o amor cristão “. A ideia dominante em Parsifal é a compaixão como a essência da santidade, pode também sugerir que todas as grandes religiões em sua essência de paz e amor são semelhantes…. eita, chega…. !!! Vamos à música, podemos ficar filosofando aqui por muitas e muitas páginas, o mar de informação desta obra na net é incrível. Quem se interessar pode viajar por horas lendo e se divertindo.

Curiosidades e esquisitices: Quando de sua estreia no ano de 1882, as 16 apresentações foram regidas por Hermann Levi, filho de um importante rabino da cidade de Karlsruhe, que, apesar da insistência de Wagner para que se convertesse ao cristianismo antes do começo dos Festivais, permaneceu fiel ao judaísmo. Por coincidência, a regência do “Parsifal” no ano de seu centenário foi entregue por Wofgang Wagner, neto do compositor, ao maestro judeu James Levine. Outra curiosidade que envolve “Parsifal”, diz respeito aos aplausos: por ocasião da estréia, Wagner estabeleceu que ao final do 1º e 2º atos, o público deveria se abster de aplaudir, a fim de que fosse mantido o clima provocado pela música. O reconhecimento aos cantores e músicos seria reservado para o final do 3º ato. Com a morte de Wagner, sua família e seus admiradores quiseram ser mais exigentes que o falecido e ficou decidido que a ópera não seria aplaudida nem em seu encerramento. Esta tradição foi mantida até 1965, e atualmente existe o compromisso tácito da platéia de não aplaudir somente o final do 1º ato. Portanto, se um dia você tiver o privilégio de assistir Parsifal, não cometa o sacrilégio de aplaudir o final do primeiro ato. Nem respire.

Hermann Levi

Resumo (extraído do site: www.barroconabahia.com.br/parsifal/default.asp)

Parsifal foi estreada em 26 de julho de 1882 em Bayreuth. Tem 3 atos e 5 cenas

O Santo Graal, cálice com o qual Cristo celebrou a última ceia e com o qual José de Arimatéia recebeu o sangue derramado abaixo da cruz, e a Lança Santa com que o soldado romano feriu o Crucificado, foram entregues, por anjos que desceram à terra, para o puro e justo cavaleiro Titurel. Para guardar esta Santa Relíquia, ele construiu um castelo e fundou uma irmandade com outros cavaleiros puros, para defender as relíquias na terra. Foi também consagrado como o primeiro rei do Santo Graal e em todas as vezes que ele, com a irmandade, revelaram o Graal para celebrar os Santos Mistérios, uma força divina fortalecia os cavaleiros. Após a morte de Titurel, o filho deste, Amfortas, foi o sucessor como rei do Santo Graal. Mesmo morto, Titurel ainda vivia na cova, graças à força divina. Klingsor, um antigo candidato a membro da irmandade, e que não foi aceito por falta de pureza e capacidade moral, tornou-se inimigo da irmandade, um demônio. Amparado pelas forças do mal, ele tenta destruir a irmandade e, para isso, está procurando roubar e abusar das Santas Relíquias. Muitos cavaleiros já caíram nas armadilhas de Klingsor. Para acabar com a perseguição, Amfortas foi, um dia, para o jardim encantado, lutar contra o inimigo, Klingsor. Porém, aconteceu que mesmo o rei do Santo Graal foi vítima de sua maldade. Kundry, uma bruxa, amiga de Klingsor, incorporando uma personagem de belíssima mulher, roubou a consciência de Amfortas e, desta forma, ele caiu nos braços dela. Klingsor então pode roubar a Lança Santa e, com ela, ferir Amfortas. Somente graças à ajuda de Gurnemanz, um nobre cavaleiro, o rei conseguiu escapar no último momento, mas sua chaga foi grave e não quer se cicatrizar. A chaga traz dores e terríveis sofrimentos para Amfortas. Ele deseja a salvação, preferindo morrer a continuar com uma vida de sofrimentos. Mas a força do Santo Graal, a cada vez que Amfortas celebra os mistérios, fortalece-o, ainda que não o cure, uma vez que ele recebeu a chaga por força do pecado que cometeu com Kundry, contra sua própria natureza. Toda a irmandade perdeu força, acompanhando a fraqueza do rei, sendo o roubo da Lança Santa um sinal preocupante. Nas orações de Amfortas apareceu-lhe, certa vez, uma profecia do Santo Graal: “um dia aparecerá um tolo inocente que irá trazer a salvação e ser o novo rei.”

Parsifal e os Cavaleiros do Graal

Primeiro Ato: Gurnemanz, o mais velho cavaleiro da irmandade, ensina aos jovens escudeiros o serviço dos cavaleiros do Graal. Kundry, como bruxa selvagem, aparece trazendo um bálsamo para Amfortas, que ela conseguiu na Arábia. Durante o caminho para banhar-se em um lago na floresta, o rei Amfortas aparece carregado em uma cadeira de arruar, acompanhado por alguns cavaleiros. No banho, ele procura aliviaras dores da chaga. Gurnemanz e Amfortas contam a origem do Santo Graal e as circunstâncias do roubo trágico, por Klingsor, aos escudeiros e cavaleiros, que se admiram. Após o retorno de Amfortas para o castelo, um cisne branco cai do céu. Os cavaleiros e escudeiros ficam escandalizados: “Quem cometeu um crime deste na floresta do Graal, onde todos os animais são considerados santos?” Logo os cavaleiros encontram o delinquente, o jovem que atirou a flecha improvisada no cisne branco. Durante o interrogatório do jovem atirador, Gurnemanz percebe que Parsifal nem sabe seu próprio nome, nem sua origem, nem tem noção da culpa por ter atirado no cisne na floresta santa. Gurnemanz tem a primeira noção de que este jovem poderia ser o anunciado tolo inocente. Desse modo, convida o jovem Parsifal para acompanhá-lo até o castelo do Graal, onde serão, naquele dia, celebradas as cerimônias da revelação do Graal. Em um cortejo solene, os cavaleiros entram, acompanhados por anjos, no templo do Graal. Parsifal, acompanhado por Gurnemanz, entra no templo e testemunha uma cerimônia grandiosa. Ele não demonstra reação alguma, permanecendo mudo e quieto em um canto. Amfortas entra, trazido em seu trono de arruar, pelos cavaleiros. Titurel, o pai de Amfortas e antigo rei que ainda vive na cova, pela força do Santo Graal, pede ao filho para iniciar a celebração. Mas Amfortas, fraco e cansado, sofrendo pela chaga, recusa celebrar a cerimônia. Os cavaleiros não se importam com isso e insistem, novamente, no início da celebração. Isolado e sofrendo as maiores dores, Amfortas finalmente cumpre sua função como rei do Graal, que coros de anjos acompanham solenemente. Parsifal permanece impassível em um canto, até o fim da cerimônia. Certamente Parsifal não pode ser a pessoa anunciada: mesmo um tolo completo, ele não demonstrou um único sinal de compaixão. Decepcionado, Gurnemanz expulsa Parsifal do templo do Graal.

Parsifal no jardim das Donzelas

Segundo ato: O que Gurnemanz ainda não descobriu é que Parsifal pode ser, de fato, o anunciado tolo inocente, o que o feiticeiro Klingsor já percebeu. Para acabar com Parsifal, Klingsor prepara as mais fortes armadilhas contra ele: mulheres sedutoras e a bruxa Kundry, incorporando a linda mulher, para fazê-lo também cair em tentação. Parsifal, que depois de expulso do Castelo do Graal já andou o mundo todo e aprendeu bastante, chega ao jardim encantado de Klingsor. Muitas mulheres, de beleza excepcional, tentam seduzi-lo, mas ele, inexperiente, pensa que são lindas flores. Kundry, a mais bela de todas, aparece e pede que as outras se retirem. Ela lança, agora, sua mais forte arma: ela chama Parsifal pelo seu nome, pois havia dois dias que ele não ouvia sua mãe o chamar e tinha-o esquecido. Parsifal lembra-se de seu nome e da própria mãe que o chamava, sempre, pelo nome. Recordações e muitas emoções inundam sua mente. Assim, Parsifal começa a compreender a vida, e tem início um processo de maturação. Kundry não consegue seduzir Parsifal, mas um único beijo que ela soltou foi suficiente para ele acordar: Parsifal começa a ter noção do que era o amor de sua mãe, do sofrimento e das dores que ele deu a ela através da fuga sem motivo. Parsifal agora entende as dores e os sofrimentos de Amfortas, como Rei do Graal de um lado, e pecador de outro. Entende, também, Kundry, que está querendo seduzi-lo, porém procura a libertação da possessão do demônio. Compreende a paixão do Salvador para a salvação de todos os homens. Depois dessa transformação de Parsifal, Klingsor não consegue nada contra ele. A Lança Santa que Klingsor joga, com toda raiva, contra Parsifal, para milagrosamente em pleno vôo, acima da cabeça deste. Assim ele pega a Lança Santa e, com ela, faz o sinal da cruz. Imediatamente Klingsor e o jardim desaparecem.

Tradicional encerramento da ópera

Terceiro ato: Por muito tempo a irmandade do Santo Graal vive sem a força sagrada, porque Amfortas foi fraco demais para cumprir a função da celebração do Graal. A irmandade está muito triste e Titurel morreu definitivamente. Naquela Sexta-feira Santa, a irmandade irá se reunir pela última vez para celebrar o funeral de Titurel. Gurnemanz vive perto do Castelo do Graal, como eremita. Nesta Sexta-feira-Santa, pela manhã bem cedo, Gurnemanz encontra Kundry, perto da casa dele, no meio da mata. Mas desta vez Kundry parece bem diferente, não há mais a mulher selvagem e bruxa como antes: ela mudou. Está vestida como uma penitente. Gurnemanz interpreta essa mudança como um bom sinal. Logo após, aparece mais alguém, um cavalheiro estranho, com um capacete fechado e armado, com uma lança. Quando o cavalheiro abre finalmente o capacete, Gurnemanz reconhece o que Kundry sentira antes: o estranho cavaleiro é Parsifal. E logo depois ele reconhece, também, a Lança Santa que Klingsor roubou e que Parsifal traz de volta. Assim, Gurnemanz descobre que Parsifal é, realmente, o anunciado redentor que trará a salvação para Amfortas. Como o cavaleiro mais nobre da irmandade do Santo Graal, Gurnemanz consagra Parsifal, com óleo, como novo rei do Graal. Como primeira tarefa, ele batiza a convertida Kundry, que lava os pés dele, seguindo o exemplo de Maria Madalena. Gurnemanz acompanha, novamente, Parsifal, agora como o novo rei, para a cerimônia no castelo, onde as últimas celebrações do Santo Graal, em homenagem a Titurel, falecido, irão acontecer. Amfortas, sofrendo muito, não quer saber da celebração do Graal, desejando apenas a morte. Recusa-se, veementemente, realizar a cerimônia, desejando ver-se livre do seu sofrimento. Naquele momento, quando a irmandade estava prestes a forçar Amfortas a cumprir sua função, Parsifal aparece com a Lança Santa. Ele toca com a lança a chaga de Amfortas e imediatamente a chaga se cicatriza. A anunciada salvação para Amfortas chegou. Como novo rei do Santo Graal, Parsifal preside a Santa Cerimônia, elevando o Santo Graal, abençoando toda a irmandade, anunciando que nunca mais deverá ser coberto o Santo Graal, e que todos tenham acesso a sua força. Coros de anjos cantam o apoteótico final: “Salvação para o Redentor”.

Para finalizar, Parsifal é pai de Lohengrin, um individuo que também teve direito a uma ópera de Wagner quando este era um rapazinho mais novo, ópera essa que futuramente postaremos !

Pessoal, o poema em português e a história “passo a passo” com fotos dos encartes originais estão junto no arquivo de download com as faixas, o resumo da ópera foi extraído do livro “As mais Famosas Óperas”, Milton Cross (Mestre de Cerimônias do Metropolitan Opera). Editora Tecnoprint Ltda., 1983.

PARSIFAL Opera em três atos de Richard Wagner, libreto do compositor.

PARSIFAL com M. Callas, B. Christoff, Vittorio Gui
Anos atrás, quando ouvi pela primeira vez essa apresentação de Parsifal , achei muito estranho ser cantada em italiano e ao mesmo tempo curioso. Após algumas outras audições, descobri um excelente desempenho tanto da adaptação para o italiano como dos cantores. A intensidade, o comprometimento e os momentos fascinantes que Callas, então com 27 aninhos, nos proporcionam particularmente em seu monólogo do ato II, “Grausamer”, no qual ela descreve o sucedido depois de ter rido de Cristo na cruz, é notável, a diva interpreta Kundry como uma pantera escura e neurótica, encantadora e antipática, sobretudo muito bem cantada. Baldelli, tenor, tem uma interpretação mediana, as vezes acho que grita demais. Já Christoff, que é abençoado com sua bela voz trovejante, parece um padre guardião ainda mais pontificável. Panerai, pinta Amfortas com muita gentileza, nobreza e grande força. Modesti é um Klingsor frio e calculista. Gui e a Orquestra Sinfonica Della Rai estão um pouco lento mas competentes. Não é exatamente uma gravação ao vivo esta feita entre 20 e 21 de novembro de 1950, mas uma gravação para rádio, que é muito diferente.

Kundry – Maria Callas
Parsifal – Africo Baldelli
Gurnemanz – Boris Christoff
Amfortas – Rolando Panerai
Titurel – Dimitri Lopatto
Klingsor – Giuseppe Modesti
Cavaleiros do Santo Graal – Aldo Bertocci e Mario Frosini
Escudeiros do Graal – Silvana Tenti, Miti Truccato Ritmo, Franco Baldaccini, Aldo Bertocci
Donzelas das Flores – Lina Pagliughi, Renata Broilo, Anna María Canali, Liliana Rossi, Silvana Tenti, Miti Truccato Pace

Orquestra sinfônica e coro do Rai de Roma
Gaetano Riccitelli, maestro do coro

Vittorio Gui, Maestro

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PARSIFAL com Placido Domingo, Jessye Norman, James Levine
Sem dúvida Plácido Domingo se encaixou muito bem no papel de Parsifal, ele não se arrisca muito, mas exige exatamente o tipo de tons médios e baixos, ricos e poderosos, característicos do Placidão. Lembrando que ele é um “Jovem Tolo” de meia-idade. Kundry de Jessye Norman, retratando a sedutora enlouquecida figura, sugere credibilidade a psique torturada por trás dos gritos de cortar a respiração, tradicionais de Kundry. Gurnemanz, em muitos aspectos, o personagem mais interessante do trabalho, parece exatamente assim na performance ricamente peculiar de Robert Lloyd. Franz Mazura, um veterano Klingsor, competente, sua voz gotejando o mal, ele conspirou com amargura compreensível como o vilão. Ekkehard Wlaschiha era um Amfortas bastante sonoro, melodramático ! A regência de James Levine, um modelo de arrebatamento concentrado durante o período de cinco horas, colocou justamente a ênfase na partitura orquestral. Seus andamentos em seu estado mais lânguido dramatizam mais ainda esta ópera wagneriana. Gravação 01 de Junho de 1994.

Kundry – Jessye Norman
Parsifal – Placido Domingo
Amfortas – Ekkehard Wlaschiha
Gurnemanz – Robert Lloyd
Titurel – Paul Plishka
Klingsor – Franz Mazura
The Metropolitan Opera Orchestra and Chorus
James Levine, Maestro

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PARSIFAL com Peter Hofmann, Dunja Vejzovic, Karajan
Parsifal de Karajan parece crescer em estatura como uma interpretação em cada nova audição; ouvi há um tempão atrás, na época do vinil , esta versão que ora posto foi gentilmente cedida pelo FDPBach e ouvindo de novo na sua remasterização para o CD, parece ter adquirido uma nova profundidade, em termos de som, devido ao maior alcance da gravação e à maior presença de cantores e orquestra. Como em praticamente todos os casos, o CD oferece uma experiência mais imediata. A leitura de Karajan, um pouco distante no Ato 1, cresce em intensidade e sentimento com o próprio trabalho, alcançando uma força quase aterrorizante no Prelúdio para o Ato 3, que é sustentado até o fim da ópera. O Gurnemanz de Moll é uma performance profundamente expressiva e suavemente moldada de notável beleza. Vejzovic, cuidadosamente construída por Karajan, dá a performance de sua vida como Kundry. O tom de Hofmann como Parsifal descreve a angústia e a eventual serenidade do personagem em sua interpretação sincera e interior. Van Dam é um tanto plácido como Amfortas, mas seu canto exibe poder admirável e boa estabilidade. Nimsgern é malícioso como Klingsor. Eu gosto muito do tom sensual de Barbara Hendricks como a primeira donzela de flores. Os efeitos dos sinos e do coro distante dos meninos no domo da abadia são extraordinariamente belos e há vários momentos de arrepiar nesta leitura que são inigualáveis. A Filarmônica de Berlim é magnífica. Das gravações comerciais, a de 1979-80 de Herbert von Karajan para a Deutsche Grammophon é para mim a melhor gravação de “Parsifal”. Segundo comentários da Amazon nenhuma partitura se adequava às predileções de von Karajan mais do que essa ópera. Este é o maior Parsifal já registrado. Na minha opinião quando se trata de escolher uma gravação para viver numa ilha deserta essa seria uma das primeiras a levar, Karajan fodástico nesta gravação de março de 1981. A melhor de todas !!!!

Parsifal – Peter Hofmann
Amfortas – José van Dam
Gurnemanz – Kurt Moll
Kundry – Dunja Vejzovic
Klingsor – Siegmund Nimsgern
Titurel – Victor von Halem
Donzelas das Flores – Barbara Hendricks, Janet Perry, Inga Nielsen, Audrey Michael.

Berlin Deutsche Oper Chorus
Berlin Philharmonic Orchestra

Herbert von Karajan , Maestro

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Boas festas com muita música ! Divirtam-se !

Wagnão posando para o PQP com o gorrinho do Papai Noel !

Ammiratore

Richard Wagner (1813-1883) – Tristan und Isolde – Flagstad – Suthaus – Furtwängler

Richard Wagner (1813-1883) – Tristan und Isolde – Flagstad – Suthaus – Furtwängler

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PQP Bach
12 anos de Prazer

Bem, voltei.

Nem tentarei explicar por que sumi por tanto tempo, pois, se começar, talvez eu suma antes mesmo de terminar.

Ensaiei, sim, vários retornos, mas estes não aconteceram pelas mais variadas faltas – de tempo, de élan e, por fim, do cacoete de chegar em casa, escrever e postar.

Muitos foram, também, os gentis convites para retornar. Nenhum deles, no entanto, surtiu efeito. Minha barriguda inércia não se impressionava muito com a sutileza. Sugeri a nosso patrão PQP, enfim, que me intimasse a voltar, e ele o fez, por repetidas vezes – até que o apelo do aniversário de doze anos deste fecundo blogue me fez livrar dessa nhaca inerte e voltar à ativa.

Depois de tanto tempo afastado dessa arena pequepiana, certamente me falta muito daquilo que acabei de chamar de cacoete, e que os boleiros conhecem por “ritmo de jogo”. Nos meus áureos tempos, bastava um espirro em frente ao teclado e já me saía um textículo todo marotinho. Agora, anos depois, me é como se meus dez dedos fossem oitenta, e muito hesitantes, e estranhassem completamente o teclado, o WordPress e aquele mesmo afã em que eram tão hábeis, o de rechear más linguiças temperadas com boa música.

Acho que acabei de rechear uma linguicinha, que já lhes poderei servir – só falta a música, que dispensa apresentações. Não lhes falarei de Wagner, nem da radicalidade de “Tristan und Isolde”, e de todos que a consideram uma das obras mais cruciais e influentes da Música Ocidental; não falarei daquele famoso acorde do terceiro compasso do Prelúdio, descrito sucintamente como uma quarta, sexta e nona aumentadas, e mais elaboradamente como um potente corrosivo da música tonal e propulsor de muito do que haveria na música do século XX. Tampouco tecerei loas à grandeza das vozes de Kirsten Flagstad e Ludwig Suthaus; não lhes contarei que eles já não estavam no auge, e que precisaram mesmo que a diva Elisabeth Schwarzkopf ajudasse Flagstad em alguns agudos no segundo ato; não comentarei que essa alegada decadência nunca me importou, pois a imensa sabedoria acumulada em carreiras wagnerianas tão distintas torna o duo imbatível, veramente incomparável; deixarei passar o detalhe de que o jovem Dietrich Fischer-Dieskau traz um toque de Lied a seu Kurwenal; não dependerão de mim, também, para se aperceberem da estranheza da escolha da Philarmonia Orchestra para uma obra de repertório que, para lhes dizer o mínimo, está em território estranho; e enfim, e não, mas não MESMO, ouvirão de mim que esta é uma das maiores gravações de todos os tempos, e talvez a melhor expressão da arte daquele gênio idiossincrático da regência, o lendário Wilhelm Furtwängler.

Nah, longe de mim isso tudo: prefiro parar por aqui, antes que canse outra vez, que pegue renovado nojo dessa vida de blogueiro e escolha sumir novamente no Éter para só voltar quando me apresentarem alguma gravação melhor do que esta que ora lhes apresento de “Tristan und Isolde”.

ooOoo

Wilhelm RICHARD WAGNER (1813-1883)

TRISTAN UND ISOLDE, ópera romântica em três atos com libreto do compositor

DISCO 01

01. Vorspiel
02. Westwärts schweift der Blick
03. Brangäne, du? Sag – wo sind wir?
04. O weh! Ach! Ach, des Übels, das ich geahnt!
05. Frisch weht der Wind der Heimat zu
06. Mir erkoren, mir verloren
07. Hab acht, Tristan! Botschaft von Isolde
08. Darf ich die Antwort sagen?
09. Weh, ach wehe! Dies zu dulden!
10. Wie lachend sie mir Lieder singen
11. Von seinem Lager blickt’ er her
12. O Wunder! Wo hatt’ ich die Augen?
13. Da Friede, Sühn’ und Freundschaft
14. O Süße, Traute! Teure! Holde! Goldne Herrin!
15. Ungeminnt den hehrsten Mann
16. Kennst du der Mutter Künste nicht?
17. Auf! Auf! Ihr Frauen!
18. Herrn Tristan bringe meinen Gruß
19. Nun leb wohl, Brangäne!
20. Langsam Listen
21. Begehrt, Herrin, was ihr wünscht
22. Da, du so sittsam, mein Herr Tristan
23. Nun will ich des Eides walten

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DISCO 02

01. War Morold dir so wert
02. Ho! He! Ha! He! Am Obermast die Segel ein!
03. Du hörst den Ruf?
04. Auf das Tau! Anker los!
05. Tristan!… Isolde!
06. Was träumte mir von Tristans Ehre?
07. Schnell, den Königsschmuck!
08. Vorspiel
09. Hörst du sie noch?
10. Der deiner harrt – o hör mein Warnen!
11. O laß die warnende Zünde
12. Und mußte der Minne tückischer Trank
13. Isolde! Geliebte!… Tristan! Geliebter!
14. Das Licht! Das Licht!
15. Der Tag! Der Tag
16. In deiner Hand den süßen Tod
17. O nun waren wir Nacht-Gweihter!
18. O sink hernieder, Nacht der Liebe
19. Einsam wachend in der Nacht
20. Lausch, Geliebter!
21. Unsre Liebe? Tristans Liebe?

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DISCO 03

01. Doch unsre Liebe
02. So stürben wir, um ungetrennt
03. Habet acht! Habet acht!
04. O ew’ge Nacht, süße Nacht!
05. Rette dich, Tristan!
06. Tatest du’s wirklich?
07. Wozu die Dienste ohne Zahl
08. Dies wunderhehre Weib
09. Nun, da durch solchen Besitz mein Herz
10. O König, das kann ich dir nicht sagen
11. Wohin nun Tristan scheidet, willst du, Isold’, ihm folgen?
12. Als für ein fremdes Land
13. Verräter! Ha! Zur Rache, König!
14. Hirtenreigen auf einer Schalmei
15. Kurwenal! He! Sag, Kurwenal!
16. Öd’ und leer das Meer!… / Hirtenreigen auf einer Schalmei / Die alte Weise
17. Wo du bist? In Frieden, sicher und frei!
18. Dünkt dich das? Ich weiß es anders
19. Scene 1. Isolde noch im Reich der Sonne!

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DISCO 04

01. Noch losch das Licht nicht aus
02. Mein Kurwenal, du trauter Freund!
03. Hirtenreigen auf einer Schalmei / Noch ist kein Schiff zu sehn!
04. Nein! Ach nein! So heißt sie nicht!
05. Der Trank! Der Trank! Der furchtbare Trank!
06. Mein Herren! Tristan! Schrecklicher Zauber!
07. Das Schiff? Siehst du’s noch nicht?
08. Wie sie selig, hehr und milde
09. Hirtenreigen auf einer Schalmei / O Wonne! Freude! Ha! Das Schiff!
10. O diese Sonne! Ha, dieser Tag!
11. Ich bin’s, ich bin’s, süßester Freund!
12. Die Wunde? Wo? Laß sie mich heilen!
13. Kurwenal! Hör! Ein zweites Schiff
14. Sie wacht! Sie lebt! Isolde!
15. Mild und leise wir er lächelt
16. Heller schallend, mich umwallend

Ludwig Suthaus, tenor (Tristan)
Josef Greindl, baixo (Rei Marke)
Kirsten Flagstad, soprano (Isolde)
Dietrich Fischer-Dieskau, barítono (Kurwenal)
Edgar Evans, tenor (Melot)
Blanche Thebom, soprano (Brangäne)
Rudolf Schock, tenor (jovem marinheiro – pastor)
Rhoderick Davies, barítono (timoneiro)
Philharmonia Orchestra
Chorus of the Royal Opera House, Covent Garden
Wilhelm Furtwängler, regência
Gravado em 1952

Wilhelm Furtwängler: talento proporcional à cervical

Vassily

Richard Wagner (1813-1883): O Navio Fantasma

Richard Wagner (1813-1883): O Navio Fantasma

Encarte parte 1_Página_1Em julho de 1839, um pequeno navio mercante alemão viajava da capital da Prússia para Londres. Após cruzar as calmas águas do Báltico, no estreito que separa a Dinamarca da Suécia a pequena embarcação se deparou com uma violenta tempestade que se estendeu até a costa Sul da Noruega. Enquanto o comandante e a tripulação de seis marinheiros davam todos os seus esforços para manter o navio a salvo os dois passageiros, um jovem alemão de 26 anos e sua bonita esposa, se refugiavam na estreita cabina do comandante com todas as impressões de quem não está acostumado a viagens agitadas no mar; enjôos e aquele sentimento de que vão morrer a qualquer momento. Os passageiros eram Richard Wagner (1813-1883) e sua esposa Minna. Estavam “de carona” no navio e desembarcariam na França, pois sua ambição era completar e ver representada a ópera Rienzi na Ópera de Paris. Quando a embarcação foi obrigada a desviar para a costa da Noruega os ventos diminuíram e a tempestade ficava para trás, Wagner sobe ao convés e contempla a tripulação trabalhando e cantando enquanto passavam pelos labirintos dos fiordes noruegueses. Wagner descreveu o episódio da seguinte maneira: “Quando me senti quase aliviado, quando vi a extensa costa rochosa, era para lá que o vento nos impelia violentamente. Um piloto norueguês veio ao nosso encontro em uma pequena embarcação e com mão segura tomou o comando do nosso navio, graças ao que pouco depois tive uma das maiores impressões maravilhosas de minha vida. Aquilo que eu pensara ser uma linha contínua de montanhas, ao nos acercar, resultou em rochas separadas que se projetavam para o mar. Quando passamos delas, notamos que estávamos rodeados de arrecifes, não só pela frente como por trás, de maneira tal que parecíamos estar no meio de uma verdadeira cadeia de pedras. Essas rochas quebraram paulatinamente a ferocidade do furacão, que ia ficando cada vez mais para trás, pois as águas iam-se acalmando à medida que navegávamos por esse sempre cambiante labirinto rochoso. Finalmente, pareceu-nos estar sobre um lago tranquilo, quando fomos introduzidos em um fiorde, que a mim se assemelhou com a entrada do mar no fundo de uma profunda garganta pétrea. Uma indescritível sensação de satisfação me embargou a voz, quando os imponentes alcantilados de granito fizeram eco aos gritos da tripulação, enquanto soltava a âncora e baixava as velas. Senti os ritmos desse chamado como um bom augúrio, os quais se converteram no tema da canção dos marinheiros de “O Navio Fantasma” (ou, O Holandês Errante). A ideia da ópera fixou-se latente em minha imaginação e, devido às impressões experimentadas, lentamente começou a tomar forma poética e musical em minha memória.” Esta canção dos marinheiros é cantada no início da ópera (CD1 faixa 2) pelos marinheiros noruegueses quando eles escapam da tempestade. A lenda do Navio Fantasma ele a encontrou nas “Memórias do Senhor von Schnabelewopski”, de Heine. A história se refere a um capitão que jurou, apesar do mar tempestuoso, que o impedia, que dobraria o Cabo da Boa Esperança, mesmo que devesse navegar até o dia do juízo final. O diabo lhe tomou as palavras, e o dedicado holandês e sua tripulação se viram obrigados a navegar eternamente; mas era-lhe permitido ir a terra uma vez a cada sete anos, para ver se conseguiria encontrar uma mulher que o amasse fielmente até a morte, redimindo-o assim de sua maldição.

A redenção através do amor – uma idéia muito cara a Wagner.

Wagner, em plena juventude, em sua não tão agradável temporada em Paris (1839-1841), compôs a música do Navio Fantasma em apenas sete semanas. Deixou interessantíssimas e minuciosas notas sobre a concepção dos personagens e como deveriam ser interpretados. Originalmente, a estória se passava na Escócia, mas Wagner, tendo passado por aquela tormenta na costa norueguesa, situou a ação nesse país. Vamos ao argumento da ópera dividida em três atos:

Primeiro ato: Daland, um navegardor norueguês, vê-se forçado por uma severa tempestade a ancorar numa baía protegida, não muito distante de sua cidade. Ele e sua tripulação descem para repousar, enquanto esperam por melhor tempo, deixando o piloto sozinho montando guarda. Ele entoa uma canção (CD1 faixa 3) para manter-se desperto, mas acaba vencido pelo sono. Um sinistro navio de mastros negros pode ser agora visto. DVD 6Ele vem flutuando e ancora na baía. Enquanto a fantasmagórica tripulação recolhe as velas vermelho-sangue, seu comandante vem à terra. Trata-se do lendário Holandês Voador, condenado com sua tripulação a singrar os mares por toda a eternidade. A cada sete anos é-lhe concedido desembarcar em busca de uma mulher fiel, que possa redimi-lo. Mas até então nenhuma mulher fora-lhe fiel, fazendo com que ele anseie apenas pela morte e pelo esquecimento (CD1 faixa 4). Ao despertar , Daland depara-se com o estranho navio e saúda o comandante. O holandês conta-lhe como por anos a fio tem desejado um lar. Ordena que lhe tragam de bordo um baú cheio de riquezas, e promete a Daland toda sua fortuna se este oferecer-lhe hospitalidade. Ao tomar conhecimento de que Daland tem uma filha, pergunta-lhe se ela poderia vir a ser sua esposa. O norueguês fica encantado com a perspectiva de um genro tão abastado (CD1 faixa 6) e o holandês vê mais uma vez renovar-se dentro de si a esperança. Nesse meio tempo, a tempestade amainou e sopra um vento sul que lhes permite retomar a viagem de volta à casa. Ao canto da tripulação, o navio de Daland faz-se ao mar, o holandês promete segui-lo assim que seus homens tenham descansado.

Segundo ato: Na casa de Daland moças estão cantando e fiando sob a supervisão da velha ama, Mary (CD1 faixa 11). Somente Senta, filha e Daland, não toma parte. Ela está absorta contemplando um quadro na parede, que retrata o Holandês Voador. As outras moças riem de seu interesse pelo retrato, e brincam dizendo-lhe que o caçador Erik, que a ama, ficará enciumado. Senta pede a Mary que cante para ela a velha balada do Holandês Voador, cuja sorte a emociona tão profundamente. A ama nega-se a fazê-lo e a própria Senta canta a lenda do comandante cujo juramento blasfematório condenou-o a errar pelos mares, até que possa encontrar uma mulher que lhe seja fiel até a morte (CD1 faixa 13). Sena canta com crescente emoção, e as companheiras a ouvem cada vez com maior interesse, acabando por juntar-se a ela no refrão. No final, presa de selvagem excitação, Senta declara que deseja ser a redentora do holandês. Mary e as moças ficam horrorizadas, assim como Erik, que acabara de entrar trazendo a notícia da volta de Daland. Mary conduz as fiadeiras para fora, para prepararem as boas vindas aos marinheiros, mas Erik retém Senta e tenta fazê-la voltar a si de sua obsessão pela lenda do holandês. Sabedor de que o pai de Senta não aceitaria um genro pobre, Erik tenta conseguir pelo menos alguma retribuição pelo amor que volta de declarar-lhe (CD2 faixa 3). Senta responde de maneira evasiva. Erik narra-lhe um sonho que tivera, onde vira Senta e o misterioso navegante do quadro desaparecerem juntos no mar (CD2 faixa 4) Senta interpreta o sonho como profecia, declarando em êxtase que se sacrificaria pelo holandês. Erik sai desesperado, e Senta volta a contemplar o retrato. Nesse momento Daland entra com o holandês. Ele explica à sua filha que o estrangeiro desejaria casar-se DVD 9com ela, e fala de sua riqueza, ao mesmo tempo em que louva a beleza da filha para o holandês (CD2 faixa 6). Querendo deixá-los a sós, ele sai. O holandês contempla Senta sonhadoramente, reconhecendo nela a mulher fiel com que sempre sonhou (CD2 faixa7). Senta, por sua vez, promete que cumprirá os desígnios de seu pai, e quando o holandês fala de seus sofrimentos ela demonstra sua simpatia e compaixão. O holandês acredita que seus sofrimentos estão para acabar. Quando Daland volta para saber o que a filha havia decidido, ela jura que irá casar-se com o estrangeiro, sendo-lhe fiel até a morte.

Terceiro ato: A bordo de seu navio, os marinheiros de Daland estão celebrando a volta ao lar (CD2 faixa 12). O navio do holandês está ancorado bem perto, sinistramente sombrio e silencioso. Chegam as moças trazendo comida e bebida. Chamando os marinheiros holandeses para virem juntar-se a eles. Mas não há resposta, nem mesmo quando os marinheiros de Daland renovam o convite. Os marujos noruegueses divertem-se dizendo que aquele deve ser o navio fantasma do Holandês Voador, e retomam seu canto, enquanto as moças se afastam. Nesse momento inicia-se um movimento crescente no navio do holandês, que começa a jogar e a sacudir, como se estivesse sendo acossado por uma tempestade, apesar do mar no porto permanecer perfeitamente calmo. Irrompe então um coro selvagem, fantasmagórico, fazendo calar o canto dos noruegueses, que fogem apavorados, perseguidos pelas risadas zombeteiras e enregelantes da tripulação espectral do holandês. Senta sai da casa de seu pai, seguida por Erik, que a censura amargamente por sua decisão de casar-se com o estrangeiro, que ele havia reconhecido pelo fatídico quadro. Erik insiste em que Senta havia jurado anteriormente ser fiel apenas DVD 1a ele (CD2 faixa16). Surpreendendo a conversa o holandês julga ter sido mais uma vez traído. Apesar de todas as que quebram o juramento feito a ele serem eternamente condenadas, Senta ainda não lhe jurara fidelidade diante de Deus. Assim sendo, o holandês resolve abandoná-la imediatamente, para evitar sua ruína. Erik chama Daland, Mary e os outros, para ajudarem a impedir Senta de seguir o estrangeiro que agora revela, abertamente, sua identidade como o Holandês Voador, antes de mais uma vez fazer-se ao mar. Senta consegue livrar-se, volta a jurar que será fiel ao holandês até a morte, e tira-se no mar. O navio maldito lança-se sobre as ondas e vê-s, à distância, as formas transfiguradas de Senta e do holandês, alçando-se juntos rumo ao céu.

(Trechos retirados do encarte do vinil da versão do Sir Georg Solti, 1976, texto Gerd Uekermann ).

O Navio Fantasma, uma obra de prodigiosa genialidade. Wagner se identificava intensamente com o Holandês Voador como se pode sentir já bem no início da Abertura, onde quatro trompas lançam o tema audaz do comandante do navio, guiado pelo destino contra o vento uivante colocado em movimento pelas madeiras agudas, trompetes e cordas em tremolo. Mais do que qualquer outro trabalho de Wagner, esta ópera dá aos estudiosos e ouvintes uma visão fascinante sobre o início da direção de sua autêntica criatividade, ai o gênio ainda jovem descobre seu verdadeiro eu. Ainda inconscientemente ele semeia um processo original que o separaria da ópera tradicional. A qualidade da música é de inextinguível vitalidade. Esta performance do Festival de Bayreuth de 1985 que compartilho com vocês é soberba! Simon Estes esta sensacional sua voz é esmagadora e dá ao holandês a credibilidade e presença que justificam a obsessão de Senta, interpretado pela magnífica Lisbeth Balslev, ela canta lindamente e ao mesmo tempo assustadoramente incorporando de forma impressionante a personagem perturbada que é Senta. Matti Salminen é simplesmente incrível – moçada, essa voz realmente vem de uma garganta humana ? Schunk canta Erik de maneira maravilhosa e poderosa; o melhor que eu já ouvi ! A orquestra do Festival de Bayreuth sob a regência do grande Woldemar Nelsson está arrebatadora. A música surge de uma forma como se os artistas adorassem essa ópera, é o que eu consigo perceber pela forma significativa que eles transmitiam durante a apresentação. Realmente é emocionante de ouvir ! Recomendo sem restrições àqueles que desejam conhecer a música de Wagner.

Pessoal, o libreto em português está junto com as faixas e as imagens do encarte. Bom divertimento !

Richard Wagner (1813-1883): O Navio Fantasma

CD1
01 – Overture
02 – Hojoje! Hojoje !
03 – Mit Gewitter und Sturm aus fernem Meer.
04 – Die Frist ist um
05 – Wie oft in Meeres tiefsten Schlund.
06 – He! Holla! Steuermann.
07 – Durch Sturm und bösen Wind
08 – Wie? Hör ich recht ?
09 – Südwind!
10 – Mit Gewitter und Sturm aus fernem Meer
11 – Summ und brumm
12 – Du Böses Kind.
13 – Johohoe! Traft ihr das Schiff im Meere an.

CD2
01 – Ach, wo weilt sie
02 – Senta! Willst du mich verderben?
03 – Bleib, Senta!
04 – Auf hohem Felsen lag ich träumend.
05 – Mein Kind
06 – Mögst du, mein Kind.
07 – Wie aus der Ferne.
08 – Wirst du des Vaters Wahl nicht schelten?
09 – Ein heil ger Balsam.
10 – Verzeiht! Mein Volk.
11 – Entr’acte
12 – Steuermann, lab die Wacht!
13 – Tan der norwegischen Matrosen.
14 – Johohoe! Johohoe! Hoe! Hoe!
15 – Was mubt ich hören.
16 – Willst jenes Tags du nicht.
17 – Verloren! Ach, verloren !
18 – Erfahre das Geschick

Daland – Matti salminen
Senta – Lisbeth Balslev
Erik – Robert Schunk
Mary – Anny Schlemm
Der Steuermann – Graham Clark
Der Holländer – Simon Estes
Coro do Festival de Bayreuth, Orquestra do Festival de Bayreuth
Woldemar Nelsson – Regente
Gravação original do Festival de Bayreuth – 1985

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Wagner fazendo pose na época da composição do Navio Fantasma.
Wagner fazendo pose na época da composição do Navio Fantasma.

Ammiratore

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 7 / Richard Wagner (1813-1883): Marcha Funeral de Siegfried

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 7 / Richard Wagner (1813-1883): Marcha Funeral de Siegfried

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco realmente espetacular. É a única gravação que conheço da 7ª de Bruckner que pode ombrear com o registro de Bernard Haitink. Não é pouca coisa. A música é lindíssima, plenamente melodiosa e forte. Casualmente, a estreia desta sinfonia ocorreu em 30 de dezembro de 1884, em Leipzig, com a mesma Gewandhausorchester desta gravação. Durante a vida do compositor, a 7ª foi a mais elogiada de suas sinfonias. Ela ainda é considerada por muitos autores como a grande obra‑prima de Bruckner. O Adagio, escrito quando o compositor recebeu a notícia da morte de Wagner, é normalmente tido como o ponto culminante de toda a sua obra e um dos elogios fúnebres mais belos de todo o repertório orquestral. Diz a lenda que o tema do trompete do Scherzo foi cantado para Bruckner por um galo que o acordava todas as manhãs em Saint-Florian. Porém, na minha opinião, o principal movimento desta sinfonia é o primeiro — alta, elegante e dignamente lírico. A sinfonia termina com uma coda triunfante. Obrigatório ouvir.

Richard Wagner (1813-1883)

Götterdämmerung, WWV 86D / Act 3
1. Siegfried’s Funeral March 09:12

Anton Bruckner (1824-1896)

Symphony No.7 In E Major, WAB 107 – Ed. Haas
2. 1. Allegro moderato 21:41
3. 2. Adagio. Sehr feierlich und sehr langsam 23:07
4. 3. Scherzo. Sehr schnell – Trio. Etwas langsamer 09:43
5. 4. Finale. Bewegt, doch nicht schnell 13:04

Gewandhausorchester
Andris Nelsons, conductor

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Gordão talentoso, querido! Meu carola preferido!
Bruckner: gordão talentoso, querido! Meu carola preferido!

PQP

Richard Wagner (1813-1883): Complete Piano Works, Dario Bonuccelli (1985) piano

Richard Wagner (1813-1883): Complete Piano Works, Dario Bonuccelli (1985)  piano

Capa Wagner Álbum duplo lançado no ano de 2013 em comemoração ao bicentenário do nascimento de Richard Wagner. Mostra um lado do compositor que raramente é ouvido, a obra piano solo.

Wagner é um gigante nos dramas de música que influenciaram a muitos compositores do século XX .

Na presente gravação das obras completas para piano, basicamente o jovem Wagner colocou seu “bonezinho” de Beethoven em suas sonatas de piano e sua fantasia, gradualmente foi desenvolvendo e revelando o seu próprio estilo, ouvidos nas pequenas danças e “folhas de álbuns”.

Esta gravação do selo Dynamic evita a ordem cronológica. É dada maior ênfase ao Wagner que conhecemos, especialmente no arranjo de abertura do Prelúdio a Tristan und Isolde, e o punhado de peças que Wagner escreveu a partir da década de 1850.

A interpretação do pianista italiano Dario Bonuccelli (1985) é limpa e focada, o jovem e competente pianista em alguns momentos poderia oferecer um pouquinho mais de envolvimento emocional, uma pimentinha talvez, melhoraria a leitura e não passaria a impressão de uma interpretação apenas mecânica. A interpretação da Fantasia é adequadamente apaixonada. Bonuccelli equalizou de forma convincente a interpretação das sonatas, são interpretações lúcidas e bonitas.

A qualidade da gravação do selo Dynamic dá a Bonuccelli presença e ressonância extraordinárias.

Richard Wagner (1813-1883): Complete Piano Works, Dario Bonuccelli (1985)  piano

01 Wagner – Tristan und Isolde WWV 90
02 Wagner – Albumblatt in E
03 Wagner – Polka in G
04 Wagner – Zuricher Vielliebchen Walzer in Eb
05 Wagner – Albumblatt in C In das Album der Furstin Metternich
06 Wagner – Albumblatt in Ab Ankunft bei den schwarzen Schwane
07 Wagner – Albumblatt in Eb
08 Wagner – Albumblatt in Eb
09 Wagner – Polonaise in D WWV 23a
10 Wagner – Polonaise in D
11 Wagner – Notenbrief fur Mathilde Wesendonck
12 Wagner – Elegie WWV 93
13 Wagner – Fantasia in F# WWV22 Op3
14 Wagner – Piano Sonata in Ab WWV85 Eine Sonate für das Album von Frau Mathilde Wesendonck
15 Wagner – Piano Sonata in Bb Allegro con brio
16 Wagner – Piano Sonata in Bb Largetto
17 Wagner – Piano Sonata in Bb Menuetto Allegro
18 Wagner – Piano Sonata in Bb Finale Allegro vivace
19 Wagner – Piano Sonata in A Grosse Sonate Allegro con moto
20 Wagner – Piano Sonata in A Grosse Sonate Adagio molto ed assai expressivo
21 Wagner – Piano Sonata in A Grosse Sonate Maestoso Fugue Tempo moderato e majestoso
22 Wagner – Piano Sonata in A Grosse Sonate Maestoso Fugue Tempo moderato e maestoso

Dario Bonuccelli – Piano

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O jovem Dario Bonuccelli ao piano
O jovem Dario Bonuccelli ao piano

AMMIRATORE

Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 4, Romântica / Wagner (1813-1883): Prelúdio de Lohengrin

Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 4, Romântica / Wagner (1813-1883): Prelúdio de Lohengrin

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Creio que esta seja a segunda abordagem do letão Andris Nelsons às Sinfonias de Bruckner na DG. A primeira foi esta aqui, não? Nelsons é um fenômeno. Aos 39 anos, é diretor artístico da Sinfônica de Boston e da Leipzig Gewandhaus. Já foi chefe da CBSO (City of Birmingham Symphony Orchestra). Vi-o em Londres na Sinfonia Nº 9 de Bruckner e num Concerto de Mozart com Paul Lewis ao piano. O que dizer além do óbvio? A qualidade de seu trabalho é realmente muito alta e ele está destinado ao Olimpo da regência, sem dúvida. Será uma lenda, afirmo-lhes hoje. E, humildemente, digo que temos algo em comum: o amor à Bruckner e Shostakovich. Sua “Romântica” é arrebatadora, a orquestra da Gewandhaus é esplêndida e ainda tem a esposa de meu amigo Guilherme Conte, Julia Lindner, nas violas, o que dá um curioso toque de amizade a tudo. Nunca incomodei Julia, mas poderia lhe perguntar sobre o ambiente da gravação, dos concertos e sobre o clima criado por este grande artista da regência. Bem, esta sinfonia é a composição mais popular de Bruckner. Foi escrita em 1874 e, como sempre no caso de Bruckner, revisada várias vezes. A estreia ocorreu em 1881 com Hans Richter em Viena. Foi muito bem sucedida. A palavra “Romântica” foi usada pelo próprio compositor e não se refere ao amor romântico mas sim ao romance medieval tal como nas óperas Siegfried e Lohengrin de Richard Wagner. Aliás, não é casual que o CD abra com o Prelúdio de Lohengrin.

Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 4, Romântica / Wagner (1813-1883): Prelúdio de Lohengrin

Richard Wagner (1813 – 1883)
Lohengrin, WWV 75

1. Prelude To Act I 9:17

Anton Bruckner (1824 – 1896)
Symphony No.4 In E Flat Major – “Romantic”, WAB 104
Version 1878/1880
2. 1. Bewegt, nicht zu schnell 19:55
3. 2. Andante quasi allegretto 17:17
4. 3. Scherzo (Bewegt) – Trio (Nicht zu schnell. Keinesfalls schleppend) 10:54
5. 4. Finale (Bewegt, doch nicht zu schnell) 22:02

Gewandhausorchester Leipzig
Andris Nelsons

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Anton Bruckner, por Otto Böhler
Anton Bruckner, por Otto Böhler

PQP

Richard Wagner (1813-1883): Tristan und Isolde – Leonard Bernstein

Richard Wagner (1813-1883): Tristan und Isolde – Leonard Bernstein

Capa 000“Uma relação sexual contínua de cinco horas de duração”, foi como o diretor Ingmar Bergman descreveu de forma memorável Tristan und Isolde de Bernstein. A capa da caixa com os 4 CD’s da Philips mostra simbolicamente o casal enredado em um beijo eterno, sugerindo algo mais. O tratamento de Leonard Bernstein sobre a partitura parece sugerir que ele tem uma visão semelhante de entrega à partitura. Sob sua batuta, a interpretação total da obra fica em 266 minutos. A mais longa gravação desta obra, uma leitura profundamente envolvida, muito intensa. Neste trabalho, Leonard aproveita todas as oportunidades para torcer cada gota de emoção da música. A Orquestra Sinfônica da Rádio da Baviera responde voluntáriamente aos desejos do maestro. Afinal, este é o Tristan de Bernstein. A cumplicidade ímpar que Leonard ao conduzir a orquestra com os solistas pode ser exemplificada na grande cena de amor do segundo ato (CD3 faixa 1) quando, nas próprias palavras de Wagner, “Tristan conduz Isolde gentilmente para um banco florido”, começa introspectivo, silenciado, com a voz de Isolde misturando-se lindamente com o vento e com Tristan (2:20 min) cantando mais sensivelmente do que nunca com um tom mais arredondado. Depois, há uma compilação (2:30 min) para o clímax (2:51 min). Assim como é a próxima erupção das duas almas aos 5:15 min, e depois aos 6:00 min , logo antes do distante Einsam wachend de Brangäne , voltamos a um sussurro próximo. Vocês estarão em uma viagem de exploração que durará horas e horas (talvez dias) com muita calma, sem pressa. Às vezes, tudo se torna quase insuportavelmente lento, mas Bernstein sempre consegue manter a tensão em ebulição. O prelúdio do Ato 3 (CD3, faixa 7) é outra leitura profundamente considerada ( Wagner estava inspiradíssimo no dia ao compor… e Bernstein mais ainda na interpretação) , movendo-se sem fôlego dos acordes sombrios no início, dominados pelos baixos duplos, os violoncelos altos e depois ao solo do Pastor (corne inglês), lindamente tocado por Marie-Lise Schüpbach. A gravação é do início dos anos 80 – o encarte não dá datas ou locais, mas uma foto de 1980 mostra Bernstein junto com Behrens e Hofmann – a Philips reuniu algumas das melhores vozes de Wagner no momento para esta gravação e realmente são excelentes. A primeira voz que ouvimos, o jovem marinheiro, é Thomas Moser muito lírico. Bernd Weikl é um wagneriano notável aqui ele é um Kurwenal característico, cantando gloriosamente e, no último ato especialmente, com profundo envolvimento. Apenas ouça Bist du nun tot (CD4 faixa 3). Ele está de acordo com os melhores exponentes desse papel. Ainda mais impressionante é Hans Sotin como King Marke. “Depois de um choque profundo ao surpreender o casal de enamorados e com uma voz trêmula”, perfeito conforme as instruções de Wagner para a entrada de seu personagem, em Da kinderlos einst schwand sein Weib mais adiante em seu longo monólogo, está cheio de profunda tristeza e Sotin realmente canta toda a cena com o cuidado. Yvonne Minton, o único membro não-alemão do elenco, foi durante alguns anos uma das melhores mezzo-sopranos. Nesta gravação ela está em um território mais pesado e sua voz é bonita e segura. Poucos cantores cantaram Brangäne tão lindamente. Chegando aos dois protagonistas: Hildegard Behrens é quase ideal como Isolde: profundamente envolvida, triste, altiva, extática e com uma beleza lírica que pode deixar-nos sem fôlego na grande cena do primeiro ato com Brangäne (CD1 faixa 6) Wie lachend sie mir Lieder singen . Há um calor jovem e apaixonado em Mild und leise (CD4 faixa 8).As muitas facetas desta parte são maravilhosamente realizadas e a sensação de vulnerabilidade que ela transmite faz de Isolde uma mulher de carne e osso, não apenas um ícone.Parece haver também um relacionamento especial entre ela e Bernstein. O Tristan um papel notóriamente difícil, um desafio para qualquer tenor. Peter Hofmann já veterano e portanto com sua voz afetada por uma dureza de tom e um vibrato não tão bonito, mas ainda canta, heróicamente e musicalmente.O terceiro ato, que é o Everest real para cada tenor com as aspirações de Tristan, o encontra heróico e apaixonado, atingindo alturas trágicas (CD4 faixa 2) em 5:20 min.Em última instância, devo admitir que Hofmann me ganhou.Como Behrens, ele também cria um personagem real de Tristan. Bernstein nos oferece uma experiência inesquecível.” Tristan und Isolde é o trabalho central de toda a história da música, o centro da roda… passei a minha vida desde que a li pela primeira vez, tentando resolvê-la. É incrivelmente profética.”
– Leonard Bernstein, 1981

Em 1981, Leonard Bernstein começou a dirigir a Orquestra Sinfônica da Bavária – Bayerischer Rundfunk. Realizou um ato de cada vez, em janeiro, abril e novembro de 1981, respectivamente, “Tristan und Isolde” de Bernstein foi transmitido ao vivo e mais tarde lançado como uma gravação de áudio da Philips. Após a conclusão do projeto, Bernstein declarou: ” …minha vida está completa… Não me importa o que acontece depois disto. É a melhor coisa que já fiz.” Partilhamos com vocês a gravação remasterizada da Philips de 1993, Bernstein conduzindo a Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara.

Recomendação entusiástica !  Há …. !!! Também montei o encarte com os scans e o libreto no bom e velho português ! Deu um trabalhão mas valeu à pena !
Uma ótima audição !

CD1 01 Act 1 Prelude
CD1 02 Act 1 Westwärts Schweift Der Blick
CD1 03 Act 1 Frisch Weht Der Wind Der Heimat Zu
CD1 04 Act 1 Hab Acht, Tristan!
CD1 05 Act 1 Weh Ach Wehe! Dies Zu Dulden
CD1 06 Act 1 Wie Lachend Sie Mir Lieder Singen
CD1 07 Act 1 Auf! Auf! Ihr Frauen!
CD2 01 Act 1 Herr Tristan Trete Nah!.. Begehrt, Herrin, Was Ihr Wünscht
CD2 02 Act 1 War Morold Dir So Wert
CD2 03 Act 1 Tristan!.. Isolde! Treuloser Holder!
CD2 04 Act 2 Prelude
CD2 05 Act 2 Horst Du Sie Noch
CD2 06 Act 2 Isolde! Geliebte!.. Tristan! Geliebter!
CD3 01 Act 2 O Sink Hernieder, Nacht Der Liebe
CD3 02 Act 2 Lausch, Geliebter!
CD3 03 Act 2 So Stürben Wir
CD3 04 Act 2 Rette Dich, Tristan!
CD3 05 Act 2 Tatest Dus Wirklich
CD3 06 Act 2 O König, Das Kann Ich Dir Nicht Sagen
CD3 07 Act 3 Prelude
CD3 08 Act 3 Kurwenal! He!
CD4 01 Act 3 Wo Ich Erwacht, Weilt Ich Nicht
CD4 02 Act 3 Der Einst Ich Trotzt
CD4 03 Act 3 Bist Du Nun Tot
CD4 04 Act 3 O Wonne! Freude!
CD4 05 Act 3 O Diese Sonne!
CD4 06 Act 3 Ich Bins, Ich Bins
CD4 07 Act 3 Kurwenal! Hör!
CD4 08 Act 3 Mild Und Leise Wie Er Lächelt

Peter Hofmann (tenor) – Tristan;
Hans Sotin (bass) – König Marke;
Hildegard Behrens (soprano) – Isolde;
Bernd Weikl (baritone) – Kurwenal;
Heribert Steinbach (tenor) – Melot;
Yvonne Minton (mezzo) – Brangäne;
Heinz Zednik (tenor) – En Hirt;
Raimund Grumbach (baritone) – Ein Steuermann;
Thomas Moser (tenor) – Ein junger Seemann

Chor und Symphonie-Orchester des Bayerischen Rundfunks

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Leonard Bernstein
Leonard Bernstein

AMMIRATORE

Bruckner (1824-1896): Symphony No. 3 / Wagner (1813-1883): Tannhauser Overture

Bruckner (1824-1896): Symphony No. 3 / Wagner (1813-1883): Tannhauser Overture

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Grande PQP, tudo bem? Tenho um presentinho pra você: o novo disco onde minha esposa toca: Gewandhaus, Andris Nelsons, Bruckner 3 + Abertura Tannhäuser. Foi gravado ao vivo em junho, acabou de sair pela Deutsche Grammophon. Curioso para ouvir suas impressões depois. Abraços pra você e pra X! Ouvi hoje com a Y., soa muito bem… Eu vi um dos concertos na época (em junho/16). Eles gravaram o ensaio geral e os dois concertos. Tempos depois teve um dia para gravar pequenas passagens (por exemplo, por causa de uma tosse). Anteontem vi ele regendo a Quarta do Bruckner. Maravilhoso, cheio de detalhes, mas com uma paisagem bem definida… A Y. conta que com ele nunca é igual. Ele sempre faz algumas coisas inesperadas, o que exige um nível alto de atenção. Acho que essa é uma das razões pelas quais ele é sempre muito querido pelos músicos que rege. Sexta por exemplo teve uns pianíssimos que meu deus do céu.

Z.

Puxa vida, meu caro, muito obrigado pelo belo presente! Fico comovido. “Nosso Homem em Leipzig” é demais, não? Vi Nelsons em janeiro com a Philharmonia Orchestra em Londres na 9ª de Bruckner e num Concerto de Mozart com Paul Lewis… Realmente, é um sujeito magnético, todos os olhos grudam nele, que rege sorrindo e incentivando, muitas vezes somente com o braço direito, apoiando-se no esquerdo. É de uma exatidão no gesto que acho difícil que alguém erre, ainda com a qualidade de músicos que ele conduz, caso certamente da mulher de meu amigo.

O que dizer desta gravação ao vivo? Sem exagero, não lembro de melhor interpretação da 3ª de Bruckner. Perfeito senso de estilo e condução. E que orquestra! Em 1873, Bruckner enviou as partituras de sua segunda e terceira sinfonias para Wagner, pedindo-lhe para escolher uma a fim dedicá-la a ele. Diz a lenda que Bruckner visitou Wagner para perguntar-lhe qual tinha sido a escolhida, mas, depois de tanta cerveja, Bruckner não conseguia lembrar qual tinha sido. Então, enviou um bilhete a Wagner perguntando “A terceira, onde o trompete começa a melodia?”. Wagner respondeu: “Sim.”. Desde então, Wagner se referiu a ele como “Bruckner do trompete”. Na dedicatória, Bruckner refere-se a Wagner como “o mundialmente famoso, inatingível e nobre professor de poesia e de música.”

A estreia da sinfonia aconteceu em Viena em 1877, regida por Bruckner. O concerto foi um desastre absoluto. Embora tenha sido um bom diretor do corais, Bruckner era um mau maestro. O público vienense, que já não gostava muito de suas sinfonias, foi saindo aos poucos, em meio à execução da sinfonia. Dizem que até mesmo um membro da orquestra deixou o palco. Apenas alguns fiéis, como o jovem Gustav Mahler, ficaram. Isto deixou Bruckner maluco. Ele passou a revisar e revisar e revisar para melhorar a obra, coisa que, aliás, fazia sempre. Mas o problema era sua condução. A música é uma obra-prima. Confiram.

MUITO OBRIGADO, Z. !!!

Bruckner: Symphony No.3 In D Minor, WAB 103 – 1888/89 Version, Edition: Leopold Nowak
1 – 1. Mehr langsam. Misterioso (Live) 23:49
2 – 2. Adagio, bewegt, quasi Andante (Live) 16:42
3 – 3. Ziemlich schnell – Trio (Live) 7:02
4 – 4. Allegro (Live) 13:08

5 Wagner: Tannhäuser, WWV 70 – Overture (Live) 15:11

Gewandhausorchester Leipzig
Andris Nelsons

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Silhuetas de Anton_Bruckner e Richard Wagner, por Boehler.
Silhuetas de Anton_Bruckner e Richard Wagner, por Boehler.

PQP

Shostakovich (1906-1975): Symphony No. 10 / Wagner (1813-1883): Prelude & Liebestod from Tristan und Isolde

Shostakovich (1906-1975): Symphony No. 10 / Wagner (1813-1883): Prelude & Liebestod from Tristan und Isolde

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IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu tinha 16 anos e simplesmente precisava ouvir a Sinfonia Nº 10 de Shostakovich. Era o inverno de 1973. Como o PQP Bach não existia, escrevi uma carta — sim, papel, correio, envelope — para a Rádio da Universidade, dirigida ao programa Atendendo o Ouvinte. Duas semanas depois, pude ouvir esta maravilha. E ouvi exatamente esta legendária gravação de Mravinsky com a espetacular orquestra de Leningrado. Mrava e Shosta foram grandes colaboradores até a 13ª Sinfonia, quando o primeiro teve medo de regê-la. Sim, vá pesquisar!

Eu não sabia que o Allegro da décima era “dedicado” a Stalin, que morrera um ano antes após torturar minuciosamente Shostakovich e nem da sequência de notas D-S-C-H, apresentadas pela primeira vez no Allegretto e que eram uma afirmação do compositor: eu ainda estou aqui. A décima é uma obra genial e pessoalíssima, que todos devem conhecer.

O Wagner é uma bela sobremesa com espresso.

Symphony No. 10 in E minor, Op. 93
1 Moderato 22:03
2 Allegro 3:59
3 Allegretto 10:56
4 Andante – Allegro 11:07

Tristan und Isolde, opera, WWV 90
5 Prelude & Liebestod

Leningrad Philharmonic Orchestra
Evgeny Mravinsky

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Mravinsky: fera
Mravinsky: fera

PQP

Vários compositores: Piano Rarities · Vol. 1 Transcriptions

Vários compositores: Piano Rarities · Vol. 1 Transcriptions

Um disco gentil e agradável. Nada demais, mas também nada indigno. Chama a atenção, é claro, as transcrições para piano do lied An Sylvia, de Schubert, e do Adagietto da Quinta Sinfonia de Mahler. Cyprien Katsaris é um virtuose daqueles que fazem uma brilhatura e sorriem. Ele ama transcrições, tanto que já gravou a integral das Sinfonias de Beethoven transcritas por Liszt. Mas sua maior aventura foi ter gravado uma rara versão para piano de A Canção da Terra, de Gustav Mahler com Brigitte Fassbaender e Thomas Moser. Em registros mais sérios, está gravando todos os Concertos para Piano de Mozart. Olha, com o espírito que ambos têm, Mozart e Katsaris, acho que deve ser uma boa ouvir. É um sujeito peculiar esse pianista.

Vários compositores: Piano Rarities · Vol. 1 Transcriptions

1 Fritz Kreisler (1875-1962) · Praeludium and Allegro in the style of Pugnani
2 Robert Schumann (1810-1856) · MondNacht, op. 39 no. 5
3 Franz Schubert (1797-1828) · Gesang (An Sylvia), op. 106 no. 4, D. 891
4 Richard Wagner (1813-1883) · Der Engel (no. 1 from Wesendonck-Lieder)
5 Richard Strauss (1864-1949) · Zueignung, op. 10 no. 1
6 Gustav Mahler (1860-1911) · Adagietto (from Symphony no. 5)
7 Federico Mompou (1893-1987) · Damunt de tu només les flors
8 Francisco Táregga (1852-1909) · Recuerdos de la Alhambra
9 Agustín Barrios Mangoré (1885-1944) · Chôro Da Saudade
10 Georges Bizet (1838-1875) · Adieux de l’Hôtesse arabe
11 Gabriel Fauré (1845-1924) · Nell, op. 18 no. 1
12 Léo Delibes (1836-1891) · Valse (from Coppélia ou la Fille aux yeux d’émail)
13 Stanislaw Moniuszko (1819-1872) · Gwiazdka
14 Sergei Rachmaninov (1873-1943) · Vocalise
15 Reinhold Glière (1875-1956) · Valse (from The Bronze Horseman)

Cyprien Katsaris, piano

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Cyprien Katsaris: a cara deste CD
Cyprien Katsaris: a cara deste CD

PQP

Richard Wagner (1813-1883): Abertura “Tannhäuser” / Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonia Nº 2, Op. 43

Richard Wagner (1813-1883): Abertura “Tannhäuser” / Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonia Nº 2, Op. 43

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Há pouco mais de um mês, vi Andris Nelsons à frente da Philharmonia Orchestra, em Londres, regendo a 9ª Sinfonia de Bruckner e o Concerto Nº 27 de Mozart para Piano e Orquestra (pianista: o extraordinário Paul Lewis). O letão de apenas 38 anos é algo de extraordinário e é compreensível que tenha havido uma verdadeira guerra entre várias orquestras para contratá-lo como maestro titular. Ele hoje é titular da Boston Symphony Orchestra e da Leipzig Gewandhaus Orchestra, apenas. Li no The Guardian que só não é o próximo titular da Filarmônica de Berlim em razão de compromissos assumidos com várias orquestras e que não quis cancelar por questões de ética pessoal. Sua concepção da 2ª Sinfonia de Sibelius aponta para uma grande imaginação e respeito para com o compositor. Sibelius não é um autor vulgar, mas seu enorme sucesso popular, principalmente nos EUA, durante boa parte do século XX, gerou uma série de gravações que o diminuíram bastante. Agora, uma nova geração de regentes, como Nelsons e Søndergård, está repondo as coisas no lugar. Confiram se minto! (Gravação gloriosamente ao vivo).

Richard Wagner (1813-1883): Abertura “Tannhäuser” / Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonia Nº 2, Op. 43

01. Wagner: Overture to “Tannhäuser”

Sibelius: Symphony No. 2 in D, Op. 43
02. Allegretto
03. Tempo Andante, ma rubato
04. Vivacissimo
05. Finale: Allegro moderato

Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons

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Sou mais o Nelsons, confidenciou-me Sibelius
Sou mais o Nelsons, confidenciou-me Sibelius

PQP

Richard Wagner: Siegfried’s Funeral March / Prelúdio de Tristão e Isolda / Sergei Prokofiev: Trechos de Romeu e Julieta

Richard Wagner: Siegfried’s Funeral March / Prelúdio de Tristão e Isolda / Sergei Prokofiev: Trechos de Romeu e Julieta

Por favor, não olhe para a capa ao lado. Sua feiura é a antítese de Mravinsky! Mas também a qualidade do som é a antítese do finíssimo maestro da lendária orquestra de Leningrado. O CD vale (e muito) pela concepção dadas as obras. Mravinsky (1903-1988) foi um sábio. Sob comando de Mravinsky, a Orquestra Filarmônica de Leningrado ganhou justa reputação internacional, particularmente interpretando a música russa. Ele foi o campeão indiscutível de Tchaikovsky e Shostakovich. Tudo com sotaque russo. Durante a Segunda Guerra Mundial, Mravinsky e a orquestra foram evacuados para a Sibéria. Tudo para manter a orquestra. Entre as interpretações lendárias de Mravinsky estão seis sinfonias de Dmitri Shostakovich: a Sinfonia n.º 5, Sinfonia n.º 6, Sinfonia n.º 8, Sinfonia n.º 9, Sinfonia n.º 10 e Sinfonia n.º 12. Tais sinfonias foram estreadas por ele, OK? Mravinsky fez gravações de estúdio entre o período de 1938 a 1961. Suas gravações após 1961 foram feitas em concertos ao vivo. A sua última gravação aconteceu em abril de 1984, interpretando a Sinfonia n.º 12 de Dmitri Shostakovich. Na 13ª de Shosta há uma história muito feia e quem saiu com a imagem maculada foi o estado russo e Mravinsky. Já Shosta, Kondrashin e Yevtushenko saíram como heróis. Mas hoje é dia de celebrar o velho Mrav.

Richard Wagner (1813 -1883) – Siegfried’s Funeral March, from Götterdämmerung
01. Siegfried’s Funeral Mach, from Götterdämmerung

Prélude § Liebestod, fromm Tristan § Isolde
02. Prélude § Liebestod, fromm Tristan § Isolde

Sergei Prokofiev (1891-1953) – Romeo § juliet Suite n°2(Montagues § Capulets)
03. Romeo §juliet Suite n°2(Montagues§Capulets)

(The Young Juliet)
04. (The Young Juliet)

(Friar Laurence)
05. (Friar Laurence)

(Romeo § Juliet before parting)
06. (Romeo§Juliet before parting)

(Dance of the Girls)
07. (Dance of the Girls)

(Romeo at Juliet’s Grave)
08. (Romeo at Juliet’s Grave)

Leningrad Philharmonic Orchestra
Evgeny Mravinsky

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A história d Mravinsky mereceria um(ns) capítulo(s) à parte, não?
A história de Mravinsky mereceria um(ns) capítulo(s) à parte, não?

PQP

Scarlatti / Beethoven / Chopin / Wagner / Liszt: On My New Piano, com Daniel Barenboim

Scarlatti / Beethoven / Chopin / Wagner / Liszt: On My New Piano, com Daniel Barenboim

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Belíssimo disco de gatinhos do maestro e pianista Barenboim. O tal “piano novo” foi uma encomenda do pianista feita sob medida a Chris Maene. Dizer que funciona direitinho é pouco. Recomendo a todos os pianistas, o Maene é bom mesmo… DB tomou inusitadas liberdades em suas Scarlatti, mas eu curti a K. 380 intimista inventada por ele. No resto, dá um banho de competência. Ele gravou 3 vezes o ciclo de Sonatas de Beethoven, então era justo que fizesse o mesmo com as 32 Variações. Estão maravilhosas. O Chopin está OK. O ponto alto do disco talvez seja a Marcha Solene de Wagner. A interpretação de Barenboim traz a quantidade certa de poesia e gravidade para esta música envolvente. Difícil de parar de ouvir. A complicadíssima Valsa de Mephisto, de Liszt, é tocada com perícia e sensibilidade que talvez nunca ouvidas. Recomendo não somente o Maene, tá?

On My New Piano, com Daniel Barenboim

1 Scarlatti: Sonata In C Major, Kk. 159 2:22
2 Scarlatti: Sonata In D Minor, Kk. 9 4:13
3 Scarlatti: Sonata In E Major, Kk. 380 6:39
4 Beethoven: 32 Piano Variations In C Minor On An Original Theme, WoO 80 12:37
5 Chopin: Ballade No. 1 In G Minor, Op. 23 9:58
6 Wagner: Solemn March To The Holy Grail From Parsifal, S. 450 7:50
7 Liszt: 10 Harmonies poétiques et religieuses, S. 173 – No. 7 Funérailles 12:24
8 Liszt: Mephisto Waltz No.1, S. 514 12:10

Daniel Barenboim, piano

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Esta foto nada tem a ver com o CD, mas vocês já viram tanto talento junto em uma foto? São Pollini, Barenboim e Claudio Abbado no La Scala. Bota logo num quadro, rapaz.
Esta foto nada tem a ver com o CD, mas vocês já viram tanto talento junto em uma foto? São Pollini, Barenboim e Claudio Abbado no La Scala. Bota logo num quadro, rapaz.

PQP

Klemperer Legacy – Richard Wagner – CD 4 de 5 – Otto Klemperer, New Philharmonia Orchestra

Front1. Die Walküre, ACT 3, Dritte Szene Leb’ wohl, du kühnes, herrliches Kind! (Wotan’s farewell) (1991 Digital Remaster)
2. Wesendonk Lieder (orch. Mottl) Der Engel
3. Wesendonk Lieder (orch. Mottl) Stehe still
4. Wesendonk Lieder (orch. Mottl) Im Treibhaus
5. Wesendonk Lieder (orch. Mottl) Schmerzen
6. Wesendonk Lieder Träume (2006 – Remaster)
7. Tristan und Isolde, Act 3, Scene 3 Mild und leise wie er lächelt (Isoldes Liebestod Isolde)
8. Metamorphosen Studie für 23 Solostreicher (1999 – Remaster)

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Klemperer Legacy – Richard Wagner – Cd 3 de 5 – Otto Klemperer, New Philharmonia Orchestra

Front

1. Die Walküre Vorspiel Prelude Prélude (Orchester)
2. Die Walküre, Erste SzeneScene 1Première Scène Wes Herd dies auch sei (Siegmund)
3. Die Walküre, Erste SzeneScene 1Première Scène Einen Unseligen labtest du (Siegmund Sieglinde))
4. Die Walküre, Zweite Szene Scene 2.Deuxième Scène Müde am Herd fand ich den Mann (Sieglinde)
5. Die Walküre, Zweite SzeneScene 2.Deuxième Scène Friedmund darf ich nicht heißen (Siegmund)
6. Die Walküre, Zweite Szene Scene 2.Deuxième Scène Die so leidig Los dir beschied (Sieglinde Hunding Siegmund)
7. Die Walküre, Zweite Szene Scene 2.Deuxième Scène Ich weiss ein wildes Geschlecht (Hunding)
8. Die Walküre, Dritte Szene Scene 3Troisième Scène Ein Schwert verheiß mir der Vater (Siegmund)
9. Die Walküre, Dritte Szene Scene 3 Troisième Scène Schläfst du, Gast (Sieglinde)
10. Die Walküre, Dritte Szene Scene 3Troisième Scène Winterstürme wichen dem Wonnemond (Siegmund)
11. Die Walküre, Dritte Szene Scene 3Troisième Scène Du bist der Lenz (Sieglinde)
12. Die Walküre, Dritte Szene Scene 3Troisième Scène O süßeste Wonne! Seligstes Weib! (Siegmund)
13. Die Walküre, Dritte Szene Scene 3Troisième Scène Siegmund heiß’ ich und Siegmund bin ich! (Siegmund Sieglinde)

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Klemperer Legacy – Richard Wagner – CD 2 de 5 – Otto Klemperer, New Philharmonia Orchestra

Front

O nosso mentor PQPBach reclamou que não havia texto nesta postagem então resolvi escrever alguma coisa. E escrevi isso aqui.

1. Der Fliegende Holländer – Overture (2002 – Remaster)
2. Das Rheingold – Entry of the Gods into Valhalla (2002 – Remaster)
3. Die Walküre – Ride of the Valkyries (2002 – Remaster)
4. Siegfried Idyll (2002 – Remaster)
5. Siegfried – Forest Murmurs (2002 – Remaster)
6. Götterdämmerung – Siegfried’s Rhine Journey (2002 – Remaster)
7. Götterdämmerung – Siegfried’s Funeral March, Act III (2002 – Remaster)
8. Tristan und Isolde – Prelude and Liebstod (2002 – Remaster)

New Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer – Conductor

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Montagem do ‘Holandês Voador’ no Madison Square Garden

Klemperer Legacy – Richard Wagner – Operatic Highlights CD 1 de 5 – Klemperer

FrontMe senti obrigado a postar esta caixa, que faz parte de um pacote bem maior, aproximadamente 80 cds, lançado pela EMI em homenagem ao seu grande maestro, Otto Klemperer.

Enfim, esta caixa de cinco CDs é dedicada a Richard Wagner, que confesso, aparece bem pouco por aqui. Vou tentar cobrir esta falha, na medida do possível.
As aberturas mais famosas e peso pesado estão neste CD: de Rienzi a Parsifal, passando pela minha favorita, dos Mestres Cantores de Nuremberg. Falem o que quiserem de Wagner, mas nas aberturas de suas óperas ele era insuperável.

1. Rienzi – Overture
2. Tannhäuser – Overture
3. Tannhäuser – Prelude, Act III
4. Lohengrin – Prelude, Act I
5. Lohengrin – Prelude, Act III
6. Die Meistersinger von Nürnberg – Overture
7. Die Meistersinger von Nürnberg – Dance of the Apprentices & Entry of the Masters, Act III
8. Parsifal – Prelude

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Richard Wagner (1813-1883) – Tristan Und Isolde – An Orchestral Passion – Royal Scottish National Orchestra, Neeme Järvi

FrontJá que não postamos muitas óperas por aqui, resolvi trazer uma bela introdução para os que não conhecem a magnífica ópera de Richard Wagner, “Tristan Und Isolde”. Mas trata-se de um arranjo orquestral de um cara chamado Henk de Vlieger, que realizou a façanha de reduzir as quatro horas de duração da ópera para cinquenta e cinco minutos. Não temos então a parte cantada, apenas a orquestral. Para alguns, isso é um alívio, mas para os fãs de Wagner, isso soa blasfemo. Mas não quero entrar no mérito desta questão.
Lembro de ter sentido lágrimas nos olhos na primeira vez que ouvi a magnífica, maravilhosa, estupenda abertura, uma das mais belas páginas da história da música. Deveria ter no máximo uns quinze anos de idade. E também creio que muitos também terão essa sensação.
Espero que apreciem. Assim que possível, trago a ópera na íntegra.

1 Wagner – Das Liebesverbot, opera (or Die Novize von Palermo), WWV 38 – Overture
2 Wagner – Die Feen, opera, WWV 32 – Overture
3 de Vlieger – Tristan und Isolde, an orchestral passion (after Wagner) – 1. Einleitung
4 de Vlieger – Tristan und Isolde, an orchestral passion (after Wagner) – 2. Isoldes Liebesverlangen
5 de Vlieger – Tristan und Isolde, an orchestral passion (after Wagner) – 3. Nachtgesang
6 de Vlieger – Tristan und Isolde, an orchestral passion (after Wagner) – 4. Vorspiel und Reigen
7 de Vlieger – Tristan und Isolde, an orchestral passion (after Wagner) – 5. Tristans Vision
8 de Vlieger – Tristan und Isolde, an orchestral passion (after Wagner) – 6. Das Wiedersehen
9 de Vlieger – Tristan und Isolde, an orchestral passion (after Wagner) – 7. Isoldes Liebestod

Royal Scottish National Orchestra
Neeme Järvi – Conductor

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Vladimir Horowitz – The Last Recording (1989)

51QBA35W04LPara o pavor de um de nossos colaboradores, que chama Vladimir Samoylovich (Volodya, para os íntimos) de “Horrorowitz”, pretendo trazer para cá um tanto do legado de um dos maiores pianistas do século XX.

A longa carreira de Horowitz acompanhou a evolução dos meios de gravação, dos rolos do processo Welte-Mignon (uma versão mais sofisticada da pianola), passando pelos discos de 78 rpm e chegando aos meios digitais. Seus altos e baixos foram, também, fartamente documentados: entre a fúria maníaca do jovem virtuose recém-chegado aos Estados Unidos, para quem nada parecia impossível, e o pianista decadente, cada vez mais maneirista e sequelado pela insegurança e pelos psicotrópicos, Horowitz foi um artista de poucos meios-termos. Em sua última década de vida, que começou com recitais lamentáveis, capazes de enfurecer até mesmo as pacientes plateias japonesas, redimiu-se pelo uso mais comedido de seus truques pianísticos e (dentro do que lhe era possível) uma placidez mais atenta às intenções dos compositores.

Esta gravação, dias antes de sua morte, é uma de suas melhores. Predomina Chopin, interpretado com muito colorido e elegância. O destaque é uma Fantasia-Improviso não só fiel à partitura, mas também impressionantemente ágil para dedos de 86 anos. Os Noturnos de Chopin fazem a gente lamentar que Horowitz tenha gravado poucas outras obras da série, e a Sonata de Haydn beira a perfeição. Concluir o álbum com “Liebestod” e morrer meros cinco dias depois de seu último acorde foi, suspeitam alguns, o último gesto apelativo desse grande pianista.

VLADIMIR HOROWITZ – THE LAST RECORDING

JOSEPH HAYDN (1732-1809)

Sonata em Mi bemol maior para piano, Hob. XVI:49

01 – Allegro
02 – Adagio e cantabile
03 – Finale – Tempo di menuetto

FRYDERYK FRANCYSZEK CHOPIN (1810-1849)

04 – Mazurca em Dó menor, Op. 56 no. 3
05 – Noturno em Mi bemol maior, Op. 55 no. 2
06 – Fantasia-Improviso em Dó sustenido menor, Op.66
07 – Estudo em Lá bemol maior, Op. 25 no. 1
08 – Estudo em Mi menor, Op. 25 no. 5
09 – Noturno em Si maior, Op. 62 no. 1

FERENC LISZT (1811-1886)

10 – Prelúdio sobre um tema da cantata “Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen” de J. S. Bach, S. 179

WILHELM RICHARD WAGNER (1813-1883)
transcrição de Franz Liszt

11 – Tristan und Isolde – Isoldes Liebestod

Vladimir Horowitz, piano

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Obrigado, Volodya!
Obrigado, Volodya!

Vassily Genrikhovich

Richard Wagner (1813-1883) – Wagneriana – Cyprien Katsaris

61HEuHcYt+LEis um CD um tanto quanto inusitado, que faz parte da mesma caixa de outros CDs que trouxe do Katsaris. Já tinha lido em algum lugar que este pianista era um especialista neste tipo de repertório, e pude confirmar após ouvir este discaço.
Claro que é estranho. Os que estão acostumados com a orquestração wagneriana  vão sentir falta das cordas, principalmente na abertura de Tanhäuser, por sinal transcrita para piano pelo próprio Wagner.
Espero que apreciem. Eu gostei.

01 Tannhäuser – Ouvertüre (Transcription by Richard Wagner)
02 Tannhäuser – Albumblatt – Ankunft bei den schwarzen Schwänen (Original work by Richard_Wagner)
03 Die Walküre – Erste szene – Siegmund und Sieglinde (Free arrangement by Joseph Rubinstein)
04 Die Walküre – Siegmunds Liebesgesang (Transcription by Heinrich Rupp)
05 Die Walküre – Walkürenritt (Free arrangement by Louis Brassin)
06 Die Walküre – Feuerzauber (Free arrangement by Louis Brassin)
07 Götterdämmerung – Trauermarsch (Transcription by Ferruccio_Busoni)
08 Wagner – Die Meistersinger von Nürnberg – Reminiscenz_Nr.4 – Walthers Preislied (Joachim_Raff)
09 Wagner – Die Meistersinger von_Nürnberg – Reminiscenz_Nr.4 – Aufzug der Zünfte (Joachim Raff)
10 Wagner – Tristan und Isolde – Vorspiel (Transcription by Richard Wagner – Hans von Bülow)

Cyprien Katsaris – Piano

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