Modinhas sem Palavras – Antonio Carlos Gomes (1836-1896) e José Pedro de Sant’Anna Gomes (1834-1908) [Acervo PQPBach]

Sim, a capa é feia pra dedéu (esse Carlos Gomes desproporcional, mãozudo… tsc, tsc…), mas não se deixe levar pela embalagem: o LP aí em questão é um prazer só! Aqui, quando se retira a letra das músicas e troca-se a voz humana pela flauta, é possível ao ouvinte observar com mais clareza a melodia. E aí então, com certeza, se concluirá após a audição que Antônio Carlos Gomes era um grande melodista: suas árias e suas modinhas são obras de alta beleza.

Modinha, momento musical de emoção. Participar dessa linguagem onde a linha melódica flutua sobre as palavras não poderia ser privilégio exclusivo dos cantores. A voz do instrumento desligada do texto pode nos reconduzir ao sentido oculto da poesia, emoção pura. A alma brasileira lírica tem na modinha uma das suas fontes mais significativas de expressão. A modinha sempre foi uma presença constante nas serenas e nos palcos, anônima ou assinada pelos nomes dos maiores compositores nacionais. Carlos Gomes, ao longo da sua vida, no Brasil e na Itália, confiou à modinha seus sentimentos mais íntimos: amizades, paixões e saudades, numa linguagem melódica original e refinada que apresentamos aqui em versão instrumental.
(Odette Ernest Dias, texto extraído do encarte)

Pra completar o álbum, os músicos ainda executam a cândida “Sonho”, do irmão de Carlos Gomes, José Pedro de Sant’Anna Gomes, compositor de grande qualidade e que hoje conhecemos muito pouco: se a obra do mano Tonico foi bastante olvidada, a música de Juca foi ainda mais negligenciada. É um cara pra se conferir e, ambos, para se apreciar.

Ouça! Ouça! Deleite-se!

Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
José Pedro de Sant’Anna Gomes (1834-1908)
Modinhas sem Palavras

Antonio Carlos Gomes (Campinas, SP, 1836 – Belém, PA, 1896)
01. Quem sabe
02. Foi meu amor um sonho (da ópera Joanna de Flandres)
03. Noturno
José Pedro de Sant’Ana Gomes (Campinas, SP, 1834 – 1908)
04. Sonho
Antonio Carlos Gomes (Campinas, SP, 1836 – Belém, PA, 1896)05. Canta ancor
06. Anália ingrata
07. Suspiros d’alma
08. Lontana
09. Rondinella
10. Conselhos
11. Al chiaro di luna
12. C’era una volta un príncipe (da ópera Il Guarany)

Odette Ernest Dias, flauta
Elza Kazuko Gushiken, piano
Jaime Ernest Dias, violão
1987

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Paulo Ronqui – Paulicéia: obras paulistas para trompete solo

MUITO BOM !!!

Quem diria, heim: o violista aqui postando obras pra trompete… Isso é sinal de que só pode ser coisa boa. O solista deste álbum que vos apresentamos hoje é o entusiástico Paulo Ronqui, importante trompetista que, apesar de jovem, é nome já muito respeitado no meio. Este CD que apresento para vocês é um trabalho minucioso que faz um panorama das obras paulistas dedicadas ao trompete, partindo desde o século XIX até anos bem recentes.

Na verdade seria bem difícil encontrar alguma composição para trompete no período colonial brasileiro: nos três primeiros séculos desses limites que hoje chamamos Brasil, a música que se registrava (e que por isso chegou até nós) era a religiosa, com solos quase que exclusivamente vocais. Com a chegada da Família Real ao país em 1808 muita coisa muda, uma delas é o surgimento e a rápida proliferação de bandas marciais: os instrumentos de sopro se tornam mais populares e mais presentes no cotidiano das cidades e na vida das pessoas. Com algum tempo, compositores, especialmente a partir do período romântico, passaram a debruçar-se sobre as páginas pautadas para escrever obras para esse que é um dos instrumentos de maior destaque nas bandas (e que ganha papel mais relevante também nas orquestras a partir do século XIX). Por esse motivo as obras mais antigas deste álbum são duas singelas melodias do compositor romântico José Pedro de Sant’Anna Gomes (sim, sim, é parente de Carlos Gomes, irmão mais velho dele), criado na música na banda de seu pai, Manoel José Gomes.

No século XX a música se diversifica bastante e novos compositores escrevem para o trompete, agora em número muito maior, por isso a quase totalidade das obras deste CD serem de compositores contemporâneos (aliás, na época de produção do disco, apenas Sant’Anna Gomes e Camargo Guarnieri eram falecidos). Paulo Ronqui mostra grande versatilidade para dar conta de peças tão variadas, com acompanhamentos e levadas tão diferentes, desde obras mais lentas, como a Norma Jeane de Mojola até outras mais rítmicas e sincopadas como a Invocação de Oswaldo Lacerda e o Ponteio de Villani-Côrtes, passando por outras de estrutura composística complexa, como o estudo de Camargo Guarnieri.

É um conjunto diversificado e rico, que demonstra muito bem as possibilidades e sonoridades desse instrumento fascinante! Ouça! Ouça!

Paulo Ronqui
Paulicéia: obras paulistas para trompete solo:

Oswaldo Lacerda (São Paulo, SP, 1927 – São Paulo, SP, 2011)
01. Invocação e Ponto, para trompete e orquestra
02. Invenção para trompete, trompa e trombone

Edmundo Villani-Côrtes (Juiz de Fora, MG, 1930)
03. Concerto no. 1 para trompete, I. Ponteio para as Alterosas
04. Concerto no. 1 para trompete, II. Aquífero-Guarani
05. Concerto no. 1 para trompete, III. Valsa Rancheira

Eduardo Escalante (Buenos Aires, Argentina, 1937)
06. Duo No. 14 para trompete e violão
Celso Mojola (Jundiaí, SP, 1960)
07. Norma Jeane, para trompete e piano
Mozart Camargo Guarnieri (Tietê, SP, 1907 – São Paulo, SP, 1993)
08. Estudo para trompete em Dó
José Pedro de Sant’Anna Gomes (Campinas, SP, 1834 – Campinas, SP, 1908)
09. Andante
10. Bolero

Ernst Mahle (Stuttgart, Alemanha, 1929)
11. Concertino para trompete e orquestra

Paulo Ronqui, Trompete (faixas 1 a 11)
Isac Emerick, Trompa (faixa 2)
Robson de Nadai, Trombone (faixa 2)
Rafael dos Santos, Piano (faixas 3, 4, 5, 9, 10)
Clóvis Barbosa, Violão (faixa 6)
Maria José Carrasqueira, Piano (faixa 7)
Fernando Hashimoto, Percussão
Aylton Escobar, Regência (faixas 1 e 11)
Orquestra de Cordas do CD (faixas 1 e 11):
Campinas, 2005

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