Martha Argerich & Friends – Live in Lugano 2006

61MN6X3XqaL._SS500Estive pensando com meus botões e tentando lembrar o que estava fazendo em 2006, um ano após uma mudança de cidade que fiz, o que ocasionou um desvio de rota em minha vida. Lembrei então que foram dois anos bem difíceis e complicados, desempregado, e os empregos que conseguia eram apenas bicos que ajudavam a quebrar um galho. A situação começou a melhorar em 2008, mas isso já é outra história.
O maravilhoso Quarteto com Piano op. 47 de Schumann abre esta caixa. O terceiro CD entra um pouco mais no século XX com uma sonata de Schnittke e um Concerto para Violoncelo até então totalmente desconhecido para mim, de Friedrich Gulda.
Divirtam-se.

Cd 1

01. Schumann Piano Quartet in E-flat, op.47 – 1. Sostenuto assai
02. Schumann Piano Quartet in E-flat, op.47 – 2. Scherzo
03. Schumann Piano Quartet in E-flat, op.47 – 3. Andante cantabile
04. Schumann Piano Quartet in E-flat, op.47 – 4. Finale. Vivace

Martha Argerich, Renaud Capuçon, Lida Chen, Gautier Capuçon

05. Mendelssohn Cello Sonata No.2 in D, op.58 – 1. Allegro assai vivace
06. Mendelssohn Cello Sonata No.2 in D, op.58 – 2. Allegretto scherzando
07. Mendelssohn Cello Sonata No.2 in D, op.58 – 3. Adagio
08. Mendelssohn Cello Sonata No.2 in D, op.58 – 4. Molto allegro e vivace

Gabriela Montero, Gautier Capuçon

09. Schumann Fantasiestucke, for flugelhorn and piano, op.73 – 1. Zart und mit A
10. Schumann Fantasiestucke, for flugelhorn and piano, op.73 – 2. Lebhaft, leicht
11. Schumann Fantasiestucke, for flugelhorn and piano, op.73 – 3. Rasch und mit

Martha Argerich, Sergei Nakariov

CD 2

01. Schumann Piano Trio No.1 in D minor, op.63 – 1. Mit Energie und Leidenschaft
02. Schumann Piano Trio No.1 in D minor, op.63 – 2. Lebhaft, doch nicht zu rasch
03. Schumann Piano Trio No.1 in D minor, op.63 – 3. Langsam, mit inniger Empfindung
04. Schumann Piano Trio No.1 in D minor, op.63 – 4. Mit Feuer

Nicolas Angelich, Renaud Capuçon, Gautier Capuçon

05. Taneyev Piano Quintet in G minor, op.30 – 1. Introduzione. Adagio mesto – Al
06. Taneyev Piano Quintet in G minor, op.30 – 2. Scherzo
07. Taneyev Piano Quintet in G minor, op.30 – 3. Largo
08. Taneyev Piano Quintet in G minor, op.30 – 4. Finale. Allegro vivace

Lilya Zilberstein, Dora Schwarzberg, Lucy Hall, Nora Romanoff-Schwasberg, Jorge Bosso

CD 3

01. Debussy Nocturnes, for 2 pianos (trans.Ravel) – 1. Nuages
02. Debussy Nocturnes, for 2 pianos (trans.Ravel) – 2. Fetes

Sergio Tiempo, Karin Lechner

03. Schnittke Violin Sonata No.1 (1963) – 1. Andante
04. Schnittke Violin Sonata No.1 (1963) – 2. Allegretto
05. Schnittke Violin Sonata No.1 (1963) – 3. Largo
06. Schnittke Violin Sonata No.1 (1963) – 4. Allegretto scherzando

Alissa Margulis, Polina Leschenko

07. Friedrich Gulda Concerto for cello and wind orchestra – 1. Overture
08. Friedrich Gulda Concerto for cello and wind orchestra – 2. Idylle
09. Friedrich Gulda Concerto for cello and wind orchestra – 3. Cadenza
10. Friedrich Gulda Concerto for cello and wind orchestra – 4. Menuet
11. Friedrich Gulda Concerto for cello and wind orchestra – 5. Finale alla marcia

Gautier Capuçon – Cello
Members of The Orchestra della Svizzera Italiana
Alexander Rabinovich-Barakovsky

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CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

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Alfred Schnittke (1934 -1998): Gogol Suite; Labyrinths

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quem nunca se deliciou com as obras de Gogol entende pouco a alma russa. O descrédito às instituições e à burocracia é fonte, por exemplo, da ótima e engraçada peça Inspetor Geral, o conto O Nariz e o grande romance semi-queimado Almas Mortas. O humor de Gogol transcende seu tempo e parece impregnar a arte russa. Algo que também surge na música de Prokofiev e principalmente de Shostakovich. Foi dessa fonte literária e musical que Schnittke escreveu várias brincadeiras musicais reunidas na chamada Suíte Gogol. Uma das obras mais divertidas e empolgantes que ouvi (aliás, inúmeras vezes). Essa obra é um refresco que contrapõe a pesada e densa peça chamada Labyrinths. Um grande obra de Schnittke que mereceria um texto mais longo e detalhado. Mas como hoje é dia dos namorados, um evento de absoluta importância, é realmente a Suíte Gogol que destaco aqui.

Alfred Schnittke (1934 -1998): Gogol Suite; Labyrinths

Gogol Suite
1. I. Overture. Allegro
2. II. Chichikov’s Childhood. Andantino
3. III. The Portrait. Slow Valse
4. IV. The Cloak. Andante-Accelerando
5. V. Ferdinand VIII
6. VI. The Bureaucrats. Allegro
7. VII. The Ball. In Tempo Di Valse
8. VIII. The Legacy. Pesante

Labyrinths
9. I. Moderato-Allegretto Scherzando-Meno Mosso-Adagio
10. II. Moderato
11. III. Allegretto
12. IV. Agitato
13. V. Cadenza-Andante-Maestoso

Malmoe Symphony Orchestra
Lev Markiz

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Alfred Schnittke (1934-1998): Sim, eu fui irreverente pra caralho. E daí?

Alfred Schnittke (1934-1998): Sim, eu fui irreverente pra caralho. E daí?

CDF Bach

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Alfred Schnittke (1934-1998): Psalms of Repentance

Alfred Schnittke é um dos grandes nomes da música russa (quiçá mundial) nos últimos 50 anos. O presente post traz os Salmos de arrependimento“. Esses pedaços de coral, com base em poemas do século 15, para comemorar mil anos de cristianismo na Rússia, revelam em muito as características sarcásticas ou a ironia presente nas obras de Schnittke. Os salmos em questão são uma música do coração, de expressão emocional direta. O trabalho assume uma pungência especial. São dramáticos, por isso, belos. Propícios à nossa época natalina. Boa apreciação!

Alfred Schnittke (1934-1998) – Psalms of Repentance

01. I (2:55)
02. II (5:06)
03. III (4:00)
04. IV (2:37)
05. V (3:18)
06. VI (2:10)
07. VII (6:23)
08. VIII (2:02)
09. IX (8:14)
10. X (3:42)
11. XI (4:07)
12. XII (8:26)

Swedish Radio Choir
Tonu Kaljuste, diretor

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O grande Alfred Schnittke

O grande Alfred Schnittke

Carlinus

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Schnittke (1934-1998) / Lutoslawski (1913-1994) & Ligeti (1923-2006): Obras para Orquestra de Câmara

schnittke ligeti Lutoslawski

Mais um grande disco de música da segunda metade do século XX. Aqui, Schnittke está acompanhado de Lutoslawski e Ligeti, mas permanece como a estrela deste CD da Deutsche Grammophon que faz parte da coleção Classikon, destinada aos clássicos modernos. E, com efeito, são gravações que já tinham aparecido em discos anteriores da DG. Apesar do disco abrir e fechar com Lutoslawski, penso que ele sirva de parênteses para as criações de Ligeti e Schnittke, a meu ver superiores. Vale muito a audição!

Schnittke (1934-1998) / Lutoslawski (1913-1994) & Ligeti (1923-2006): Obras para Orquestra de Câmara

Witold Lutoslawski (1913-1994)
Chain 3 (1986)
for Orchestra

1 1. Presto (4’42)
2 2. Presto (13) (4’59)
3 3. (38) (2’12)

BBC Symphony Orchestra
Dir.: Witold Lutoslawski

Alfred Schnittke (1934-1998)
Concerto grosso no.1 (1976-77)
for two violins, harpsichord, prepared piano and string orchestra

4 1. Preludio: Andante (5’00)
5 2. Toccata: Allegro (4’26)
6 3. Recitativo: Lento (6’55)
7 4. Cadenza (without tempo marking) (2’32)
8 5. Rondo: Allegro (7’08)
9 6. Postludio: Andante – Allegro – Andante (2’13)

Gidon Kremer, Tatiana Grindenko, violins
Yuti Smirnov, harpsichord & prepared piano
The Chamber Orchestra or Europe
Dir.: Heinrich Schiff

György Ligeti (1923-2006)
Chamber Concerto (1969-70)
for 13 instruments

10 1. Corrente (5’07)
11 2. Calmo, sostenuto (5’53)
12 3. Movimiento preciso e meccanico (3’58)
13 4. Presto (3’33)

Ensemble InterContemporain
Dir.: Pierre Boulez

Witold Lutoslawski
Novelette (1978-79)
for Orchestra

14 I. Announcement (1’45)
15 II. First Event (2’58)
16 III. Second Event (3’38)
17 IV. Third Event (2’10)
18 V. Conclusion (6’58)

BBC Symphony Orchestra
Dir.: Witold Lutoslawski

Deutsche Grammophon 439 452-2

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Alfred Schnittke: o grande talento do inventor do poili estilismo

Alfred Schnittke: o grande talento do inventor do poliestilismo

PQP

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J. S. Bach (1685-1750) / Alfred Schnittke (1934-1998): Concertos para Violino e Violinos

71w5aknhufL._SL1000_Um bom disco da dupla de irmãs francesas, as irmãs Nemtanu. Concertos e peças de Bach com um Concerto multi-estilista de Schnittke encravado ali quase no final. Rola fácil o diálogo entre as duas irmãs tanto no Concerto de Bach quanto no comentário pós-moderno do russo. As duas — Deborah e Sarah Nemtanu, ambas com pouco mais de trinta anos — são spallas de orquestras em Paris e cada uma é uma forte a personalidade. Importante observação sobre o estilo: estas gravações combinam a correta quase falta de vibrato barroca com instrumentos modernos.

J. S. Bach / Alfred Schnittke: Concertos

1 Concerto for 2 Violins in D Minor, BWV 1043: Vivace 3:38
2 Concerto for 2 Violins in D Minor, BWV 1043: Largo ma non tanto 6:11
3 Concerto for 2 Violins in D Minor, BWV 1043: Allegro 4:47

4 Violin Concerto in E Major, BWV 1042: Allegro I 7:17 (com Sarah)
5 Violin Concerto in E Major, BWV 1042: Adagio e sempre piano 5:13
6 Violin Concerto in E Major, BWV 1042: Allegro II 2:32

7 Invention in C Major, BWV 772 1:18

8 Violin Concerto in A Minor, BWV 1041: Allegro moderato 3:48 (com Deborah)
9 Violin Concerto in A Minor, BWV 1041: Andante 5:40
10 Violin Concerto in A Minor, BWV 1041: Allegro assai 3:57

11 Concerto Grosso No. 3 for 2 Violins, Harpsichord and Strings: Allegro 2:00
12 Concerto Grosso No. 3 for 2 Violins, Harpsichord and Strings: Risoluto 3:18
13 Concerto Grosso No. 3 for 2 Violins, Harpsichord and Strings: Pesante 6:47
14 Concerto Grosso No. 3 for 2 Violins, Harpsichord and Strings: Adagio 7:03
15 Concerto Grosso No. 3 for 2 Violins, Harpsichord and Strings: Moderato 3:09

16 Invention in F Major, BWV 779 0:59

Sarah Nemtanu & Deborah Nemtanu, violinos
Paris Chamber Orchestra
Sascha Goetzel

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Sarah e Deborah Nemtanu medindo o espeço de cada uma

Sarah e Deborah Nemtanu medindo o espaço de cada uma

PQP

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The Dale Warland Singers: Lux Aurumque

1p71moLux Aurumque
The Dale Warland Singers

Os Dale Warland Singers, indicados ao Grammy, lançam sua tão esperada gravação “Lux Aurumque”. Este CD de música sacra popular do século 19 e 20 demonstra amplamente os elevados padrões corais alcançados com o seu grupo Dale Warland Singers, agora desfeito. A característica sonora de Warland é capturada de forma brilhante pela premiada equipe Grammy de Steve Barnett e Preston Smith.

Para solicitar a ativação de algum link, deixe sua mensagem clicando no quadradinho em branco no lado superior direito desta postagem.

“10 Best Classical CDs of 2007” : National Public Radio / American Public Media
(npr.org/music)

“…simply put, [Lux Aurumque] represents where the bar is set for choirs today. The repertoire is 19th- and 20th-century sacred motets, sung with a deep spirituality. Warm-hearted, touching stuff.

Mixed-voice choral work does not get any better than this!”

This is a 20th-century program and constituted of challenging music. It is also ravishing music in the hands of an ensemble as subtle as this one…The dynamic range of this ensemble was enormous and it is well captured by Gothic…the Dale Warland Singers stopped at the peak of their form. What a way to go!

The Dale Warland Singers perform with extraordinarily pure tone and with an excellent vocal blend. Warland’s interpretations emphasize the meditative and devotional mood of the music and let the rich harmonies and lyrical lines speak for themselves. All the works are unaccompanied except for Dominick Argento’s “To God ‘In Memoriam M.B,'” in which a trumpet enters on the choir’s final, long-sustained note, playing a plaintive valedictory melody, to stunning effect. Another standout is Herbert Howells’ “Take Him Earth, for Cherishing,” written after the death of John F. Kennedy, a harmonically intense and emotionally wrenching memorial. The sound quality is excellent — clean and warm.

If there is a criticism to be made of this program, it is that it really only shows one side of the choir, mid-20th-century religious music, but this is where American choirs often do their best work. On the evidence here, the Dale Warland Singers stopped at the peak of their form. What a way to go!

O culpado por esta postagem é o Bisnaga. Passamos uma agradável tarde conversando sobre música e ele me mostrou esta gravação que contém nada mais, nada menos, que o Ave Maria (Angelus Domini) de Franz Xaver Biebl. Não conhecia essa maravilhosa Ave Maria, cuja palhinha segue abaixo. Ah! Vocês precisam conhecer também !!!!!

The Dale Warland Singers
Alexandr Tikhonovich Grechaninov (Rússia, 1864-New York, 1956)
01. Passion Week, Op. 58: At Thy mystical supper
Howard Hanson (Estados Unidos, 1896-1981) & Anonymous
02. A Prayer for the Middle Ages
Anonymous & Vytautas Miškinis (Lituânia, 1954)
03. O Sacrum Convivium
Herbert Howells (Inglaterra, 1892-1983)
04. Take Him, Earth, For Cherishing
Pavel Chesnokov (Rússia, 1877-1944)
05. Spaseniye sodelal yesi posrede zemli (Salvation is Created), Op. 25, No. 5
John Rutter (Inglaterra, 1945)
06. Hymn to the Creator of Light
Anonymous & Morten Johannes Lauridsen (Estados Unidos, 1943)
07. O Magnum Mysterium
Eric Whitacre (Estados Unidos, 1970)
08. Lux Aurumque: Lux aurumque (Light of Gold)
Franz Xaver Biebl (Alemanha, 1906-2001) & Anonymous
09. Ave Maria (Angelus Domini)
Alfred Schnittke (Rússia, 1934-Alemanha, 1998) & Grigor Narekatsi (Santo Gregório de Narek) (Armênia, 951-1003)
10. Choir Concerto: IV. Sej trud, shto natchinal ja s upavan’jem (Complete this work which I began)
Sergei Vasilievich Rachmaninoff (Rússia, 1873 – Estados Unidos, 1943) & Anonymous
11. Liturgy of St. John Chrysostom, Op. 31: We hymn thee
Dominick Argento (Estados Unidos, 1927)
12. To God, “In Memorian M.B”
Nikolai Semyonovich Golovanov (Rússia, 1891-1953)
13. Otche Nash (Our Father)

Lux Aurumque – 2004
The Dale Warland Singers
Regente: Dale Warland

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MP3 256 kbps VBR – 129,8 MB 1h 4 min
powered by iTunes 11.1.4

15cm4w7

 

 

 

 

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Boa audição.

Avicenna

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Transformations 20th Century Works Violin & Piano (com Roman Mints e Evgenia Chudinovich)

Grande CD de 1999 que traz uma espécie de apanhado, na verdade, da segunda metade do século XX. Para comprovar, basta notar que a maioria dos compositores da “mostra” ainda está viva em 2017. Claro que o destaque fica com Fratres, obra de Pärt (diga Piárt) tão famosa que já foi utilizada em mais de dez filmes, sendo os mais famosos Sangue Negro (There Will Be Blood), de Paul Thomas Anderson e Amor Pleno (To the Wonder), de Terrence Malick. O restante das peças também são excelentes. Um Penderecki da fase radical, uma Gubaidulina sensacional e um Schnittke, ah, Schnittke.

Transformations 20th Century Works Violin & Piano
(com Roman Mints e Evgenia Chudinovich)

Artem Vassilev
1. Pieces (5) for violin & piano
2. Pieces (5) for violin & piano
3. Pieces (5) for violin & piano
4. Pieces (5) for violin & piano
5. Pieces (5) for violin & piano

Arvo Pärt
6. Fratres, for violin & piano

Krzysztof Penderecki
7. Miniatures (3) for violin & piano: Movement 1
8. Miniatures (3) for violin & piano: Movement 2
9. Miniatures (3) for violin & piano: Movement 3

Elena Langer
10. Transformations for violin & piano
11. Transformations for violin & piano

Witold Lutoslawski
12. Subito, for violin & piano

Sofia Gubaidulina
13. Dancer on a Tightrope, for violin & piano

Alfred Schnittke
14. Silent Night (Stille Nacht), for violin & piano

Roman Mints, violino
Evgenia Chudinovich, piano

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Pärt e Schnittke tentando repetir a foto de formatura de ambos, muitos ano depois

Pärt e Schnittke tentando repetir a foto de formatura de ambos, muitos anos depois

PQP

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Alfred Schnittke (1934-1998): Trio Sonata / Concerto para Viola

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um CD que talvez agrade até os mais hostis à música contemporânea. Se a Trio Sonata ainda guarda um pouco de seriedade,o Concerto para Viola é puro bom humor. Yuri Bashmet, o intérprete, desenvolveu uma carreira de grande sucesso internacional como violista, mas depois, como tantos instrumentistas talentosos de sua geração fazem, passou a regente e até fundou uma orquestra. Ele nunca abandonou a viola, muitas vezes aparecendo em ambos os papéis no mesmo concerto, o de violista e o de regente. Por todo o seu talento, por tocar num instrumento de pouco repertório e por ser meio maluco, Bashmet foi cercado de controvérsia devido aos cancelamentos de última hora e mudanças bruscas em programas de concerto. No entanto, ele continua a ser indiscutivelmente o principal violista de nosso seu tempo.

Alfred Schnittke escreveu o seu Concerto para Viola em 1985, ano em que Mikhail Gorbachev assumiu o poder na União Soviética. A obra foi encomendada por Bashmet que a tocou pela primeira vez um ano depois, no Royal Concertgebouw de Amsterdam. A gravação que ora postamos é de 1991.

Schnittke: Trio Sonata / Concerto para Viola

Trio Sonata
1) Moderato [13:34]
2) Adagio [12:55]
Moscow Soloists
Yuri Bashmet, conductor

Viola Concerto
3) Largo; Allegro molto [5:07]
4) Allegro molto [12:47]
5) Largo [16:50]
Yuri Bashmet, viola
London Symphony Orchestra
Mstislav Rostropovich, conductor

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Alfred Schnittke e sua esposa Irina, que era pianista

Alfred Schnittke e sua esposa Irina, que era pianista

PQP

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Alfred Schnittke (1934-1998): Concerto for piano and Strings & Requiem

Eu sou um fissurado por concertos para piano. Meus primeiros amores neste gênero vêm dos concertos para piano de Mozart, os quais do 17 ao 26 eu ouvi várias vezes, tendo apadrinhado o 20 e o 24 como meus favoritos, justamente por sua carga mais emotiva e levemente melancólica. Também amo os concertos para piano de Chopin, com sua forte carga expressiva, ao mesmo tempo que delicada e profunda. Assim como também amo os de Liszt, que é um romântico diametralmente oposto à Chopin em seu estilo, embora seus concertos sejam igualmente apaixonantes. Já na música moderna e contemporânea, as coisas mudam bastante em relação aos concertos para piano.

Diferentemente de compositores que dentro de uma tradição seguem estilos diferentes (por exemplo Chopin e Liszt) ou de compositores que dentro de uma tradição usam uma forma de composição específica como meio de prática acadêmica de sua técnica musical (como Mozart fazia com seus concertos para piano), na música moderna, a partir do início do século XX, os compositores se viram perdidos num mundo onde já não existia mais certezas nem uma tradição paradigmática, como foi antes o romantismo, o clássico e o barroco. Por isso, alguns acabam abandonando até mesmo as formas tradicionais de composição (sinfonia, sonata, concerto, etc.), embora os elementos constitutivos de sua música em si não sejam tão radicais, como, por exemplo, fez Debussy ou Satie. Outros continuam usando as velhas formas de composição mas acabam criando ou mesclando estilos que, a não ser pelo próprio arranjo dessas formas (orquestra, quarteto de cordas, etc.), pouco lembram as formas em que se inserem, como por exemplo fez Bartók e Shostakovich. Schnittke se situa entre as duas tendências; a maioria de suas obras é feita sob um molde tradicional (sinfonia, concerto, sonata, etc.), mas ele viola um pouco as regras fazendo algumas mudanças, como é o caso de seu concerto para piano.

Escrito em 1979, seu concerto para piano e cordas não parece ter a intenção de ser um concerto para piano como qualquer outro, já que é feito em um único movimento e que mescla, segundo Christopher Culver, “variação, sonata e forma cíclica (o que geralmente se chama de modalismo)”. É o poliestilismo de Schnitte em um de seus melhores exemplos de genialidade. Com poucas “radicalidades” que os ouvidos menos treinados podem não gostar, e com uma aura espiritual e meditativa em seu início, esse concerto é uma ótima introdução ao estilo de Schnittke, para você leitor que nunca ousou se aventurar nas obras deste compositor. Só o motivo inicial já é apaixonante, justamente por sua simplicidade.

Além do concerto, temos também o Réquiem.

Muitos compositores ao longo da história compuseram em cima deste tema tão latente na história do pensamento humano: a morte. Por mais ateu que alguém seja, é difícil não se emocionar com a dramaticidade que alguns compositores ao longo da história da música auferiram às suas homenagens aos mortos e à morte. Essencialmente, o réquiem é um texto liturgo cristão, logo, algumas características são fixas, como seus movimentos. Agnus Dei, Lacrimosa, Tuba Mirum, são todos trechos desta tradicional cerimônia. O meu trecho favorito é o Dies Irae. E quero fazer uma comparação entre meios diferentes de se musicar esse trecho. Vamos ouvir, por exemplo, o Dies Irae do Réquiem de Mozart:

Mozart, compositor clássico, faz um Dies Irae pouco expressivo mas bastante conciso. É uma música “redonda”, com temas que se intercalam e que não se desenvolvem muito.

Vejamos agora o Dies Irae do Réquiem de Verdi:

Verdi, compositor romântico, já é muito mais radical. Usando recursos “operísticos”, ele dá muito mais expressividade pra música, embora toda a sacralidade da obra possa ir pro brejo com tamanha expressividade.

Vejamos agora, Schnittke:

O arranjo volta a ser pequeno, embora alguns elementos ali (a guitarra e o baixo elétricos, por exemplo) sejam elementos totalmente “profanos”, tanto na liturgia cristã quanto na “liturgia” erudita (risos). A expressividade operística dá lugar à uma expressividade sombria e violenta, que eu diria ser muito condizente com nossos tempos.

Comparações deste tipo são boas para entendermos a diferença da passagem de uma época pra outra. Do clássico ao romantismo muita coisa mudou, mas do romatismo ao poliestilismo de Schnittke aconteceu uma mudança brutal, não só no arranjo orquestral e forma expressiva como também, e principalmente, na estrutura da música, que não explicarei em maiores detalhes aqui para não me alongar.

Num futuro não tão distante trarei as 10 sinfonias de Schnittke, que são uma boa forma de se aprofundar mais no estilo do compositor.

Bom deleite a vocês.

Alfred Schnittke (1934-1998): Concerto for piano andStrings & Requiem

01 Concerto for Piano and Strings

Requiem Op. 101
02 Requiem
03 Kyrie
04 Dies Irae
05 Tuba Mirum
06 Rex Tremendae Majestatis
07 Recordare
08 Lacrimosa
09 Domine Jesu
10 Hostias
11 Sanctus
12 Benedictus
13 Agnus Dei
14 Credo
15 Requiem

Russian State Symphonic Capella
Russian State Symphony Orchestra
Valery Polyansky, conductor
Igor Khudolei, piano

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Alfred Schnittke num belo retrato que na minha visão caracteriza bem o espírito do compositor, feito por Reginald Gray (1972).

Alfred Schnittke num belo retrato que na minha visão caracteriza bem o espírito do compositor, feito por Reginald Gray (1972).

Luke

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Alfred Schnittke (1934-1998) — Arvo Pärt (1935): Voices of Nature

  • Repost de 21 de Abril de 2016

Voices of Nature é um álbum com obras para vozes tanto de Pärt quanto de Schnittke.

O destaque aqui fica com o belíssimo e profundo Concerto para Coro de Schnittke. Se vocês ouviram o álbum do Kronos Quartet com obras de Schnittke, vocês notarão que o segundo movimento do concerto é o belíssimo Collected Songs Where Every Verse Is Filled With Grief.

Além disso, temos algumas obras pequenas dos dois compositores as quais não são tão valiosas, embora também belas.

E para os conservadores, não se preocupem, Schnittke no concerto deste álbum não utiliza de seu famoso poliestilismo.

Voices of Nature

Alfred Schnittke (1934-1998):

Concert for Choir
01 I
02 II
03 III
04 IV

05 Voices of Nature for ten women’s voices and vibraphone

Arvo Pärt (1935):

06 Dopo la vittoria (Piccola Cantata)

07 Bogoróditse Djévo

08 ‘I am the True Vine’

Swedish Radio Choir
Tõnu Kaljuste, conductor

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Lindo casal: Pärt pensando no coito, Schnittke pensando no amor.

Pärt pensando no coito, Schnittke pensando no amor.

Luke

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Terry Riley (1935): Cadenza On The Night Plain — Alfred Schnittke (1934-1998): Quartetos 2 e 4 — Kronos Quartet 25 anos [8 e 9/10]

cover (2)

  • Repost de 4 de Fevereiro de 2016

Temos aqui hoje o estadunidense Terry Riley e o russo Alfred Schnittke. Não, calma, não estamos na guerra fria.

Cadenza On The Night Plain é ótima. Podemos perceber facilmente a influência indiana na música de Riley, embora isso as vezes se restrinja às pequenas dissonâncias resultantes das diferenças de escalas entre as notas do sistema tonal indiano. G music dá uma pausa trazendo elementos do Jazz num formato tipicamente ocidental. A melodia é deliciosa e repete com pequenas variações. É o minimalismo de Riley.

cover (2)

Já em Schnittke temos muitas vísceras. O criador do poliestilismo não perdoa. O que é poliestilismo? Eu explico pra vocês. Poliestilismo é a técnica que numa única obra mescla diferentes estilos de composição, como por exemplo, barroco e romântico, ou barroco e dodecafonismo, ou clássico, romântico e minimalista todos juntos, entre outras combinações possíveis. Talvez alguma mente perspicaz pergunte: Ok, mas qual a diferença disso do collage? Bem, o collage utiliza trechos inteiros de músicas já prontas de diferentes compositores de diferentes épocas, o que pode tornar a harmonia bastante precária. É possível criar uma obra inteira sem fazer nada se o compositor for demasiadamente picareta. Já no poliestilismo o compositor precisa compor novas coisas em cada estilo e harmonizá-las numa música só, o que dá mais liberdade para criação e torna mais fácil criar uma harmonia, mas ao mesmo tempo demanda um conhecimento enorme das diferentes técnicas. Em poucas notas o compositor pode atravessar séculos inteiros.

Embora aqui, amigos, vocês sentirão pouco dessa técnica de Schnittke, já que o formato de quarteto é muito mais rígido em sua estrutura. Se quiserem perceber mais o poliestilismo, recomendo os concertos grossos.

Semana que vem trarei o último álbum da coleção com Peter Sculthorpe, P. Q. Phan e Kevin Volans. Alguém conhece esses caras?

25 Years of the Kronos Quartet [BOX SET 8 and 9/10]

Disc 8

Terry Riley (1935):

Cadenza On The Night Plain
01 Introduction
02 Cadenza: Violin
03 Where Was Wisdom When We Went West?
04 Cadenza: Viola
05 March of the Old Timers Reefer Division
06 Cadenza: Violin II
07 Tuning to Rolling Thunder
08 The Night Cry of Black Buffalo Woman
09 Cadenza: Cello
10 Gathering of the Spiral Clan
11 Captain Jack Has the Last Word

12 G Song

Salome Dances for Peace – excerpts
13 III. The Gift: Echoes of Primordial Time
14 III. The Gift: Mongolian Winds
15 V; Good Medicine: Good Medicine Dance

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Disc 9

Alfred Schnittke (1934-1998):

Quartet No. 2
01 I. Moderato
02 II. Agitato
03 III. Mesto
04 IV. Moderato

Quartet No. 4
05 I. Lento
06 II. Allegro
07 III. Lento
08 IV. Vivace
09 V. Lento

10 Collected Songs Where Every Verse Is Filled With Grief

Kronos Quartet:
David Harrington, violin
John Sherba, violin
Hank Dutt, viola
Joan Jeanrenaud, cello

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Kronos Quartet fazendo música do jeito techno-hippie de Terry Riley.

Kronos Quartet fazendo música do jeito techno-hippie de Terry Riley.

Luke

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Alfred Schnittke (1934-1998): Life with an idiot

Não, não é ele o idiota, ele é apenas Mstivlav Rostropovich

Não, não é ele o idiota, ele é apenas Mstivlav Rostropovich

Schnittke: Life With an Idiot

O libreto e o romance A vida com um Idiota, do compositor russo Alfred Schnittke, é de Viktor Erofeyev. A ópera foi apresentada pela primeira vez em Amsterdam, no ano de 1992. É uma alegoria da opressão soviética. Resumo resumidíssimo:

Primeiro ato: como castigo por não trabalhar duro o suficiente, “Eu” é forçado pelas autoridades a conviver com um idiota. Ele fica com Vova no manicômio. Vova só é capaz de falar uma única palavra: “Ech”.

Segundo ato: se no primeiro ato Vova se comportava razoavelmente bem, logo começa a comportar-se mal, inclusive rasgando as obras de Marcel Proust, pertencentes à mulher de “Eu”. “Eu” e sua esposa vão viver em um outro quarto e Vova acalma-se. A mullher de “Eu” acaba se apaixonando por Vova e fica grávida dele. Então Vova a mata e “Eu” torna-se um idiota.

Schnittke: Life with an idiot

1. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act One: Prologue, “Life with an idiot is full of surprises”
2. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “My friends congratulated me on my idiot’
3. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “I had been full of doubts and anxieties that winter’
4. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “Everybody laughed”
5. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “I pictured to myself a crafty and staid wise old man”
6. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “Well look what’s happened – I’ve belched”
7. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “Sometimes I mix up my dead wives”
8. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “I’ve swapped a birdie for a pizza!”
9. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, Tango (Intermezzo)
10. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 2, “I said later that if I had gone”
11. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 2, “Look: my former fellow students”
12. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 2, “I got down to searching for the holy simpleton”
13. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 2, “Ekh!”
14. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 2, Intermezzo

1. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, “In the beginning Vova was very reserved”
2. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, “In the evenings, to prevent Vova suffering from insomnia”
3. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, “Once, on returning home, I chanced upon the following scene”
4. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, “A few days later Vova started tearing up the books”
5. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, “Suddenly, one fine day, he dumped a whole pile in the middle of the room”
6. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, “Ekh!”
7. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, Intermezzo
8. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “Vova has cleaned up his act a lot”
9. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “Don’t offend him. Don’t traumatise Vova”
10. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “Life with an idiot is full of surprises!”
11. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “I was intrigued as to which proclivities of Vova my wife bent over backwards to
12. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “Ekh!”
13. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “Well, and now, cock-sucking reader, whoever you are”
14. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “They made their home in the second room”
15. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “We beat her up, beat her up!”
16. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “Suddenly, the wife declares: ‘Vova! Either him…'”
17. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “I love you. Love!”
18. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “I am Renoir”
19. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “The guard treated me like I was one of the family”

Leonid Zimnenko, baixo
Dale Duesing, barítono
Howard Haskin, tenor
Robin Leggate, barítono (Marcel Proust)
Romain Bischof, barítono
Teresa Ringholz, soprano
Vocal Ensamble (Vocal coaching: Winfried Maczewbski)
Rotterdam Philharmonic Orchestra
Mstislav Rostropovich, Cellist, Pianist, Conductor

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Cena de uma montagem da ópera "Life with an idiot"

Cena de uma montagem da ópera “Life with an idiot”

PQP

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Alfred Schnittke (1934-1998): Symphonies No. 0 “Nagasaki” & 9 — The Ten Symphonies

coverO fim, meus caros, nada mais é do que um retorno ao início.

Não sejam tão afoitos, com isso não quis sugerir que a nona sinfonia de Schnittke é semelhante ou igual à de número zero, na verdade elas são completamente diferentes.

A sinfonia “Nagasaki”, numerada vulgarmente como No. 0, nos surpreende por nada ter do Schnittke com quem estamos habitualmente acostumados. Parece ser uma espécie de neoclássico que bebe um pouco de Shostakovich. Não é possível dizer ao certo as intenções do jovem Schnittke ao compor essa obra. Tendo ela sido completada nos anos 50, a referência histórica de seu nome é clara. Apesar disso, as forças históricas e sociais que iriam dilacerar os paradigmas acadêmicos de composição do jovem compositor e leva-lo a compor obras como a sua Primeira Sinfonia ainda estavam longe.

Sua Nona Sinfonia aparentemente começou a ser escrita dois anos antes da morte de Schnittke, e não se sabe ao certo se foi completada ou não, já que Schnittke não a publicou. Dela sobraram esboços que foram reunidos e “decifrados” a pedido de Irina Schnittke, mulher do compositor. Quem teve a árdua tarefa de decifrar os manuscritos dos garranchos de Schnittke foi o jovem compositor Alexander Raskatov, que também de embalo fez uma obra em homenagem ao compositor.

A Nona Sinfonia é divida em três movimentos, sendo um lento, um moderado e um rápido. Ela têm um sentimento muito tênue e belo, que nos passa uma sensação de algo etéreo. Como diz William C. White:

Dennis Russell Davies comments that this is “a testament by someone who knows he’s dying,” I have a different view: I think this is music of someone who is already dead — as Schnittke had been, having been pronounced clinically dead on several occasions during his strokes.  Much of the music sounds like the exploratory wanderings of a ghost during his first encounter with a new, otherworldly universe.”

Ou seja, Schnittke se perde, acaba por atingir um estado como o de uma assombração ambulante numa velha mansão.

É assim que termina a saga sinfônica desse grande compositor, mas não sejamos tristes. Schnittke deu exemplo fantástico de sua criatividade em outras obras, principalmente naquelas de cunho “sacro”, pois parecia tentar ali se encontrar como qualquer indivíduo socialmente anômico precisa se ancorar em algum “paradigma cultural”. Mais pra frente eu trarei esses belos exemplos de sua maestria.

Schnittke: The Ten Symphonies

CD 6

Alfred Schnittke (1934-1998):

Symphony No. 0 “Nagasaki”
01 I. Allegro ma non tropo
02 II. Allegro vivace
03 III. Andante
04 IV. Allegro

Cape Philharmonic Orchestra
Owain Arwel Hughes, conductor

Symphony No. 9 (Copyist, Researcher) [Reconstruction of the Original Manuscript] – Alexander Raskatov
05 I. [Andante]
06 II. Moderato
07 III. Presto

Cape Philharmonic Orchestra
Owain Arwel Hughes, conductor

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Os Sofrimentos do jovem Schnittke. [Gray, Reginald; Alfred Schnittke (1934-1998); Royal College of Music; http://www.artuk.org/artworks/alfred-schnittke-19341998-215843]

Os Sofrimentos do jovem Schnittke.
[Gray, Reginald; Alfred Schnittke (1934-1998); Royal College of Music;]

Luke

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Alfred Schnittke (1934-1998): Symphonies Nos. 6 & 8 — The Ten Symphonies

coverNão há nada de muito especial nestas sinfonias. O poliestilismo de Schnittke começa a morrer. Sim, isso mesmo.

Não lembro se foi Tom Service ou Alex Ross quem disse que o estilo de Schnittke, preso num beco sem saída, acaba por se perder em algo opaco e sem vida nos seus últimos suspiros. O que encontra como última salvação é uma mistura de minimalismo com música sacra (seria um protótipo de “santo minimalismo” como ao que chega Arvo Pärt?).

A sexta sinfonia aqui parece bastante monótona. São usados recursos muito comuns da música de Schnittke e que já não impressionam. A oitava é semelhante; passa boa parte num marasmo que nos serve muito bem para a meditação, e vez ou outra parece beirar a tonalidade tipicamente romântica, mas nunca adentrando ela de fato. É bastante minimalista, mas sem o elemento sacro.

É bom ouvir esse disco com muita atenção, o grave é explorado bastante e muitos trechos são quase inaudíveis, o que numa audição distraída pode ficar despercebido.

Schnittke: The Ten Symphonies

CD 5

Alfred Schnittke (1934-1998):

Symphony No. 6
01 I. Allegro moderato
02 II. Presto
03 III. Adagio
04 IV. Allegro Vivace

BBC National Orchestra of Wales
Tadaaki Otaka, conductor

Symphony No. 8
05 I. Moderato
06 II. Allegro moderato
07 III. Lento
08 IV. Allegro moderato
09 V. Lento

Norrköping Symphony Orchestra
Lü Jia, conductor

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Pegou pesado, Luke.

Pegou pesado, Luke.

Luke

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Alfred Schnittke (1934-1998): Symphony Nos. 4 & 5 (Concerto Grosso No. 4) — The Ten Symphonies

coverUma dica: Não levem as inserções de Schnittke no romantismo durante suas sinfonias de forma irônica, nem suas citações, explosões e aleatoriedades. Tudo é isso é feito de forma séria e convicta, e torna tudo mais gostoso.

Vocês ouvirão hoje o quarto álbum dessa série, que possui a quarta e a quinta sinfonias. A quinta sinfonia é ao mesmo tempo o Concerto Grosso de número 4.

Segundo a wikipedia, a definição de concerto grosso é:

Concerto grosso (italiano para ‘concerto grande’; plural : “concerti grossi“) é uma forma musical em que um grupo de solistas (“concertino”) — geralmente dois violinos e um violoncelo — dialoga com o resto da orquestra (“ripieno”), por vezes fundindo-se com este resultando no “tutti”.

Agora para entender o que Schnittke entende por um concerto grosso, imaginem que os solistas (que aqui são variados, não só violinos ou violoncelos) são na verdade “estilos solistas”. Vou tentar esclarecer: imagine que todo o concerto seja executado no poliestilismo caótico de Schnittke, e que na entrada dos solos, eles não continuam esse caos mas apresentam ou solam um único estilo, por exemplo, um solo romântico que faz citação. Um exemplo claro vocês ouvirão no final do segundo movimento da obra.

Se quiserem ouvir outro concerto grosso de Schnittke, recomendo também o terceiro.

Schnittke: The Ten Symphonies

CD 4

Alfred Schnittke (1934-1998):

Symphony No. 4
01 I. Andante Poco Pesante
02 II. Cadenza
03 III. Moderato
04 IV. Molto Pesante. Moderato.
05 V. Vivo
06 VI. Moderato. Andante Poco Pesante.
07 VII. Coro

Academy Chamber Choir Of Uppsala
Stefan Parkman, chorus master
Mikael Bellini, countertenor
Stefan Parkman, tenor
Stockholm Sinfonietta
Okko Kamu, conductor
Lucia Negro, piano

Symphony No. 5 / Concerto Grosso No. 4
08. I. Allegro
09. II. Allegretto
10. III. Lento. Allegro
11 IV. Lento

Gothenburg Symphony Orchestra
Neeme Järvi, conductor

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Schnittke: "É assim que se faz galerinha." Alunos pensando: Mas que m**** é essa?

Schnittke: “É assim que se faz galerinha.” Alunos pensando: “Mas que m**** é essa?”

Luke

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Alfred Schnittke (1934-1998): Symphony Nos. 3 & 7 — The Ten Symphonies

coverOuvimos um poderoso grave constante que é como o nada, ao mesmo tempo em que é tudo. Aos poucos ouvimos crescer uma massa disforme de sons que parece nascer desse grave absoluto; dessa massa podemos identificar estilos, timbres, cores e sabores diferentes. Num crescendo envolvente protagonizado por um metal, é como se desprendesse a primeira das “forças elementais” dessa obra. Outras duas “forças” se desprendem, e assim começa a sinfonia.

A terceira sinfonia é quase uma gênese, ou um “Big Bang”. É certamente o exemplo mais completo do poliestilismo de Schnittke que ouvi até agora. Não há absolutamente nenhuma citação direta à obra outros compositores, mesmo assim podemos perceber a mescla de estilos, desde o barroco (ou mesmo antes, pois notei alguma coisa de medieval em algum momento que não me lembro) até o serialismo. A obra é inteiramente instrumental.

Já a sétima sinfonia sinfonia começa com o lirismo de um belo solo de viola que ao fim dá espaço para o tão característico aspecto sombrio da música de Schnittke. No terceiro e último movimento dessa sinfonia, um tema que tem algo de clássico e de barroco vai surgindo e ao mesmo tempo desmorona o otimismo do tema em um leve mas certeiro pessimismo, o que é exatamente o que devemos sempre esperar de Schnittke.

Schnittke: The Ten Symphonies

CD 3

Alfred Schnittke (1934-1998):

Symphony No. 3
01 I. Einleitung
02 II. Sonatensatz. Allegro
03 III. Scherzo. Allegretto
04 IV. Finale. Adagio

Royal Stockholm Philharmonic Orchestra
Eri Klas, conductor

Symphony No. 7
05 I. Andante
06 II. Largo
07 III. Allegro

BBC National Orchestra of Wales
Tadaaki Otaka, conductor

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Rolezinho de leve.

Rolezinho de leve.

Luke

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Dmitry Shostakovich (1906-1975) — Alfred Schnittke (1934-1998): Piano Trios — Kempf Trio

frontNeste álbum fica bem fácil identificar a influência de Shotakovich sobre a obra de Schnittke. Primeiro, estamos falando de dois russos. Segundo, de dois russos do século XX. Terceiro, de dois russos do século XX que aderem à uma “escola” mais progressista na música. Schnittke, claro, mais que Shostakovich, mas ambos igualmente modernos aos nossos ouvidos, deliciosamente modernos.

Recomendo também ouvir a orquestração desse trio de Schnittke… ou, se você só ouviu a orquestração, ouça agora em um arranjo para trio de piano, violino e cello.

Li opiniões contraditórias sobre as interpretações do Kempf Trio. Pessoalmente adorei a interpretação do Piano Trio No. 2 de Shosta, talvez até mais que uma que o PQP postou não faz tanto tempo.

Dmitry Shostakovich (1906-1975):

Piano Trio No. 2 in E minor Op.67
01 I. Andante – Moderato – Poco più mosso
02 II. Allegro non tropo
03 III. Largo
04 IV. Allegretto

05 Piano Trio No.1 in C minor Op. 8

Alfred Schnittke (1934-1998):

Piano trio (1992)´[Arrangement from his String Trio]
06 I. Moderato
07 II. Adagio

Kempf Trio:
Freddy Kempf, piano
Pierre Bensaid, violin
Alexander Chaushian, cello

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shosta-quintet

Luke

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Alfred Schnittke (1934-1998): Symphony No. 2 “St. Florian” — The Ten Symphonies

coverO mundo hoje é um turbilhão sem fim de pluralidades, especialmente na música. A quantidade de estilos, gêneros, subgêneros, escolas e tendências é desafio para qualquer artista, seja na música popular ou erudita.

Pensando de um ponto de vista que olha a história em suas transformações, nada mais previsível do que num tempo onde não existe nada como paradigma de um campo artístico, que surja alguém que tente abraçar todas essas correntes ao mesmo tempo. Pois bem, esse alguém surgiu e, mesmo não sendo o único, com certeza foi o mais bem sucedido, criando um estilo que, assimilando-se ao ideal mahleriano do fazer sinfônico, “quer ser um mundo, quer conter tudo”.

Aqui, diferentemente da primeira sinfonia, não há nada daquela vulgaridade da técnica de colagem, ou seja, mesclas diretas de temas de obras de outros compositores. Podemos sentir um ar romântico e clássico ali, outro barroco ali, mas nada que fosse já conhecido. Ou seja, o próprio compositor cria aspectos nestes diferentes estilos e insere em sua obra. É o nascimento de algo belo, vindo de algo tão tragicômico como foi a primeira sinfonia.

Mas o foco aqui não poliestilismo, que encontrará melhores exemplos em obras futuras. O foco acredito estar na fascinação que Schnittke tem pela música sacra, e esta sinfonia é um dos melhores exemplos desta fascinação. Escrita em 1979, foi feita em homenagem de Anton Bruckner, que foi enterrado abaixo do órgão do Monastério de St. Florian próximo a Lins. Segundo a Wikipedia, numa visita ao monastério, Schnittke teria ouvido uma “missa invisível” e teria se fascinado por isso, surgindo daí a ideia de sua segunda sinfonia, cujo título alternativo é “Missa Invisível”.

O conteúdo sacro da “missa” que é executada na sinfonia é constantemente subvertida pelo tom tenso e pessimista da orquestra. O resultado disso é uma tensão que ora desemboca em explosões de dissonâncias, ora em uma calmaria “cristã”. Isso é engraçado pois é o oposto da primeira sinfonia, que desembocava no caos e vulgaridade em momentos de tensão. O caos ainda está presente, mas de forma muito mais sutil, talvez pelo próprio conteúdo cristão da obra.

Schnittke: The Ten Symphonies

CD 2

Alfred Schnittke (1934-1998):

Symphony No. 2 “St. Florian”
01 I. Rezitando (Kyrie)
02 II. Maestoso (Gloria)
03 III. Moderato (Credo)
04 IV. Peasante (Crucifixus)
05 [IV.] Coda: Agitato (Et resurrexit) – Maestoso
06 Introduction to V. Andante (Sanctus)
07 V. Andante
08 VI. Andante (Agnus Dei)

Royal Stockholm Philharmonic Orchestra
Leif Segerstam, conductor
Mikaeli Chamber Choir
Anders Eby, chorus conductor
Malena Ernman, alto (3)
Torkel Borelius, bass (3,5)
Mikael Bellini, countertenor (3,5)
Göran Eliasson, tenor (3,5)

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É importante ir bem vestido para a missa.

É importante ir bem vestido para a missa.

Luke

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Dmitry Shostakovich (1906-1975) — Peteris Vasks (1946) — Alfred Schnittke (1934-1998): Dolorosa

MI0001015895Não há nada de doloroso neste álbum, pelo contrário, só de delicioso. Primeiro temos a Sinfonia para Câmara de Shostakovich, que nada mais é do que uma transcrição do Quarteto No. 8 feita por Rudolf Barshai. Uma ótima ideia de Barshai pois deixou a coisa toda surpreendentemente mais gostosa.

Ao final do álbum temos outra transcrição: a sonata para trio de violino, viola e cello de Schnittke, transcrita também para orquestra de câmara, essa feita por Yuri Bashmet. Novamente uma ótima ideia.

Mas o destaque do álbum fica pra Musica Dolorosa de Peteris Vasks, compositor que estreia hoje no blog. Nascido na Letônia, parece utilizar vários métodos contemporâneos de composição. Sua obra neste álbum me pareceu uma mistura de dor e fúria, coisa que adoro sentir na obra de um compositor. Não sei se sou sádico, acredito que não, mas me deliciei com as “dores” desta música.

Aliás, o álbum inteiro parece conter um clima semelhante; certamente uma ótima compilação.

Shostakovich, Vasks, Schnittke: Dolorosa

Dmitry Shostakovich (1906-1975)

Chamber Symphony Op. 110a (orchestration by Rudolf Barshai)
01 I. Largo
02 II. Allegro molto
03 III. Allegretto
04 IV. Largo
05 V. Largo

Peteris Vasks (1946)

06 Musica Dolorosa

Alfred Schnittke (1934-1998)

Trio Sonata (orchestration by Yuri Bashmet)
07 Moderato
08 Adagio

Stuttgarter Kammerorchester
Dennis Russell Davies, conductor

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Vasks emocionado por estrear no PQP Bach.

Vasks emocionado por estrear no PQP Bach.

Luke

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Alfred Schnittke (1934-1998): Symphony No. 1 — The Ten Symphonies

coverMO-NU-MEN-TAL! . É o mínimo que se pode dizer sobre esta sinfonia. Schnittke quando a compôs estava em progressão geométrica em direção ao seu auge. Ainda não havia atingido a perfeição de seu poliestilismo, mas já tinha mais do que o necessário para chocar.

Barroco, romântico, clássico. E até algumas tendências modernas contemporâneas como aleatoriedade na música e minimalismo. Todas esses estilos são encontrados nessa sinfonia, só para citar alguns. Alex Ross, em um texto maravilhoso sobre Schnittke, chama o compositor de “conhecedor do caos”. É a melhor alcunha possível para um louco que cria uma sinfonia de tamanha magnitude.

Primeiro pela sua duração “mahleriana”, como diz Tom Service. Segundo pelo teatro embutido em sua execução: na partitura é indicado um momento para que os músicos deixem e voltem ao palco, talvez fazendo uma crítica ao ritual tradicional das salas de orquestra? Terceiro pela fusão imensa de referências diretas e indiretas, além da mescla de diferentes estilos como jazz, dodecafonismo e música aleatória.

Mais do que ouvir essa música, ela é preciso ser pensada. Existem dezenas de outras obras de Schnittke cujo material musical é muito mais agradável. Se você espera escutar isso como se escuta uma sonata de Beethoven, caia fora. Aqui devemos pensar! O que ele quer dizer com esses metais pesadíssimos? E essas palmas no meio da sinfonia? E esse tema? Etc. Puxem o filósofo de dentro de vocês.

Uma coisa que me vem à mente ao ouvir essa sinfonia é pensar como que a partir de tantas referências (Beethoven, Haydn, Tchaikovsky, Strauss, Chopin, Bach, etc.) Schnittke mistura toda a tradição clássica da música até então e, ao fazer isso, anuncia o pós-modernismo. É como se o compositor se visse sem saída, e então, para criar uma, junta todas as saídas que haviam tomado até então. Mas pensar a história da música daquele momento como sem uma nova saída, é nada mais que consequência da ideologia pós-moderna de fim da história, ou seja, como se a história do homem não tivesse mais para onde ir além de repetir mais do mesmo.

Schnittke não foi o único que padeceu desse mal. Se olharmos para as primeiras composições de Arvo Pärt, perceberemos a mesma incerteza. Mas independentemente do niilismo do homem moderno acerca de se a história acabou ou não, as sociedades continuam e continuarão a mudar enquanto existir a espécie humana. Não é a toa que Schnittke se reencontra no final da vida numa certa “espiritualidade” musical, embora conservando elementos de seu poliestilismo. Arvo Pärt faz a mesma coisa. Todo homem nas artes, na política ou na ciência que se encontrar na mesma encruzilhada, não poderá resistir ao movimento contínuo da história. Mostrarei isso à vocês em todo o movimento… digamos, dialético (em transformação) das sinfonias de Schnittke.

Schnittke: The Ten Symphonies

CD 1

Alfred Schnittke (1934-1998):

Symphony No. 1
01 1. Senza Tempo. Moderato
02 2. Allegretto
03 3. Lento
04 4. Lento. Allegro
05 5. Applause

Royal Stockholm Philharmonic Orchestra
Leif Segerstam, conductor
Åke Lännerholm, trombone
Carl-Axel Dominique, piano (jazz improvisation)
Ben Kallenberg, violin (jazz improvisation)

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Schnittke, perdido em pensamentos.

Schnittke, perdido em pensamentos.

Luke

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