O Mestre Esquecido, capítulo 9 (Liszt – Sonata Dante – Consolação no. 3 – Transcrições de Lieder de Schubert – Antonio Guedes Barbosa)

O Mestre Esquecido, capítulo 9 (Liszt – Sonata Dante – Consolação no. 3 – Transcrições de Lieder de Schubert – Antonio Guedes Barbosa)

Convidamos os fãs do Mestre Esquecido a acompanharem o GRUPO “ANTONIO GUEDES BARBOSA” no Facebook e contribuírem com lembranças, relatos, material iconográfico e gravações de que dispuserem, no intuito de preservar a memória e promover o legado artístico de um dos mais brilhantes pianistas do século XX.

Depois de mais de quatro anos, e por mea maxima culpa, retomamos com uma postagem inédita a série dedicada ao Mestre Esquecido, enquanto esperamos concluí-la antes de 2023, ano em que Antonio completaria 80 anos, e no qual lamentaremos os 30 anos de sua morte.

As obras que ora apresentamos foram gravadas nos Estados Unidos em dois momentos distintos da carreira de Barbosa. Os arranjos de Liszt para os Lieder de Schubert foram gravados em 1979, e são as mais belas leituras que conheço dessas partituras que, convenhamos, são bem mais Liszt do que Schubert, e que sob mãos menos hábeis acabam soando como pichações sonoras das sublimes melodias inventadas pelo Franz mais velho. Já a Consolação e a Sonata Dante, gravadas em abril de 1993, mostram o Mestre no auge de sua forma e, salvo melhor juízo, foram seu canto de cisne fonográfico – as últimas gravações que faria antes de sucumbir, no setembro seguinte, a um infarto fulminante.

LISZT – SONATA DANTE – 9 TRANSCRIÇÕES DE LIEDER DE SCHUBERT – CONSOLAÇÃO NO. 3 – ANTONIO GUEDES BARBOSA

Franz LISZT (1811-1886)

1 – Années de pèlerinage, deuxième année, S, 161,”Italie” – no. 7: Après une lecture du Dante
2 – Six Consolations pour piano, S. 172: no. 3 em Ré bemol maior – Lento placido

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828), transcrições de Franz LISZT

3 – Die Forelle, S. 564
4 – Erlkönig, S. 558
5 – Auf dem Wasser zu singen, S. 558 no. 2
6 – Du bist die Ruh’, S, 558 no. 3
7 – Ständchen, S. 558 no. 9
8 – Wohin?, S. 565 no. 5
9 – Frühlingsglaube, S. 558 no. 7
10 – Gretchen am Spinnrade, S. 558 no. 8
11. – Ellens Dritter Gesang  (“Ave Maria”), S. 558 no. 12

Antônio Guedes Barbosa, piano

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Capa do mesmo álbum nos Estados Unidos, onde foi lançado pela Connoisseur Society. Barbosa faleceria poucos dias depois do lançamento brasileiro, pela saudosa Kuarup

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Vassily

A Família das Cordas: Der Arpeggione – Gerhart Darmstadt #BTHVN250

CD esgotado!
CD esgotado!

Pensaram que tínhamos esgotado a família dos arcos? Nah: nós nos lembramos do esquecido arpeggione, que gozou de breve voga no começo do século XIX, quando um visionário fabricante de violões teve a ideia, que certamente considerou brilhante, de construir um violão que se tocava com um arco.

Sim, ideia medonha.

E não fosse um Schubert a lhe dedicar uma ótima sonata (que hoje faz parte do repertório de violistas e violoncelistas), hoje ninguém sequer se lembraria da criação de Herr Johann Georg Stauffer.

Taí o bicho.
Ei-la

 

Não pensem, entretanto, que esse ostracismo do arpeggione foi imerecido: o som do instrumento é acanhado, o que dificultava tanto seu uso em grandes salas de concerto quanto seus duos com outros instrumentos. Além disso, os trastos – exatamente iguais aos dos violões – e a pouca tensão nas cordas acarretavam problemas de articulação, que são notórios nas poucas gravações disponíveis no mercado, e mesmo nas mãos de especialistas. Um deles é Nicolas Deletaille, que já deu o ar de sua graça aqui a tocar a Sonata “Arpeggione” de Schubert com acompanhamento do incansável Paul Badura-Skoda e, depois de trocar seu arpeggione por um violoncelo, juntar-se a um quarteto de cordas no maravilhoso Quinteto D. 956 do mesmo compositor.

O outro é Gerhart Darmstadt, que estrela este álbum que, logicamente, serve a “Arpegionne” como prato principal, junto com um punhado de outras peças originais para o instrumento e de uma pitada de outras transcrições – algumas delas feitas por um certo Vincenz Schuster, que foi amigo de Schubert e carrega a distinção de ter sido o único, er, ARPEGGIONISTA profissional de toda a história do planeta. O acompanhamento – a cargo de um pianoforte de som bem menos robusto que um piano moderno e de uma guitarra romântica com cordas de tripa – tem o mérito de não sufocar o algo fanhoso protagonista.

DER ARPEGGIONE – GERHARDT DARMSTADT

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

01 – Sonatina (Adagio) em Dó menor, WoO 43a
02 – Árias Nacionais, Op. 107 – no. 7: Ária russa em Lá menor

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

03 – Quatro Canções do “Wilhelm Meister” de J. W. von Goethe, D. 877 – no. 4: Lied der Mignon em Lá menor

Franz Peter SCHUBERT

Sonata para arpeggione e pianoforte em Lá menor, D. 821

04 – Allegro moderato
05 – Adagio
06 – Allegretto

Louis (Ludwig) SPOHR (1784-1859)
transcrição de Vincenz Schuster (1800-?) para arpeggione e guitarra

07 – Tempo di Polacca em Lá maior, da ópera “Faust”

Bernhard Heinrich ROMBERG (1767-1841)
transcrição de Vincenz Schuster (1800-?) para arpeggione e guitarra

08 – Adagio em Mi maior

Folclore UCRANIANO
transcrição de Vincenz Schuster (1800-?) para arpeggione e guitarra

09 – Schöne Minka – Moderato em Lá menor

Johann Friedrich Franz BURGMÜLLER (1806-1874)

10 – Noturno em Lá menor para arpeggione e guitarra

Gerhart Darmstadt, arpeggione
Egino Klepper, pianoforte
Björn Colell, guitarra romântica

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Se fosse para reviver o arpeggione com esse formato, ele seria um sucesso instantâneo - ainda mais com esse gorrinho
Se fosse para reviver o arpeggione com esse formato (e com esse gorrinho) ele seria um sucesso instantâneo.

Vassily Genrikhovich

Franz Schubert (1797-1828) – Sonatas & Impromptus – András Schiff

Dia destes nosso guru PQPBach repostou uma antiga postagem minha com estas magníficas peças intituladas ‘Impromptus’, nas mãos mágicas de Maria João Pires. Não por acaso, aquele CD se chama ‘La Voyage Magnifique’, e foi meu primeiro contato com esta pianista.

A proposta de hoje é diferente. Trago um pianista reconhecido por sua dedicação à obra de Schubert, já a gravou algumas vezes, o húngaro András Schiff. Mas os grandes mestres nunca estão satisfeitos, né? e sempre voltam àquele repertório, talvez acreditando que possam dar uma contribuição maior, afinal, os anos se passaram e hoje eles são intérpretes maduros, e não apenas jovens com técnicas apuradíssimas. Mas Schiff, além de regravar algumas destas obras, resolveu inovar e tocar em um fortepiano, e não em um piano moderno. Para quem não consegue diferenciar, basta prestar atenção no som, que sai mais seco, não tão encorpado quanto se fosse em um Steinway moderno. O instrumento que Schiff utiliza nesta gravação foi fabricado em 1820, em Viena, então, provavelmente Schubert se utilizou de um parecido para as suas composições. Trata-se, claro, de uma opção do solista, mostrar como a obra deveria soar há quase duzentos anos. O texto abaixo foi retirado do booklet do CD:

“The instrument, a magnificient piece of cabinet-making with its walnut veneer, was in the possession of the Austro-Hungarian imperial family. The last Austrian Emperor and Hungarian King, Karl I, took it with him when he was exiled to Switzerland in 1919. In 1965 it was restored with what for the time was unusual care by Martin Scholz in Basel.Fora long time it was owned by Jörg Ewald Dähler. In 2010 it was acquired by Andras Schiff, who loaned it to the Beethoven-Haus in Bonn, of which he is an honorary member.”

Os ‘Impromptus’ são minhas obras favoritas deste genial compositor. É impressionante a maturidade artística destas obras, não parece que foram compostas por um jovem na casa de seus vinte e poucos anos de idade. Lembro que a primeira vez que ouvi estas obras foi com Murray Perahia, em uma fita cassete que arrebentou de tanto que ouvi, e esta gravação até hoje é a minha favorita. Qualquer dia destes a trago para os senhores conhecerem.

1 Schubert: 4 Impromptus, Op. 90, D. 899 – 1. Allegro molto moderato
2 Schubert: 4 Impromptus, Op. 90, D. 899 – 2. Allegro
3 Schubert: 4 Impromptus, Op. 90, D. 899 – 3. Andante
4 Schubert: 4 Impromptus, Op. 90, D. 899 – 4. Allegretto
5 Schubert: Piano Sonata No. 19 in C Minor, D. 958 – 1. Allegro
6 Schubert: Piano Sonata No. 19 in C Minor, D. 958 – 2. Adagio
7 Schubert: Piano Sonata No. 19 in C Minor, D. 958 – 3. Menuetto (Allegro)
8 Schubert: Piano Sonata No. 19 in C Minor, D. 958 – 4. Allegro
9 Schubert: 3 Klavierstücke, D. 946 – 1. Allegro assai
10 Schubert: 3 Klavierstücke, D. 946 – 2. Allegretto
11 Schubert: 3 Klavierstücke, D. 946 – 3. Allegro
12 Schubert: Piano Sonata No. 20 in A Major, D. 959 – 1. Allegro
Schubert: Piano Sonata No. 20 in A Major, D. 959 – 2. Andantino
14 Schubert: Piano Sonata No. 20 in A Major, D. 959 – 3. Scherzo (Allegro vivace)
15 Schubert: Piano Sonata No. 20 in A Major, D. 959 – 4. Rondo (Allegretto)

András Schiff – Fortepiano

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A Quatro Mãos: Franz Schubert (1797-1828) – Grand Duo – Variações – Marchas Militares – Daniel Barenboim e Radu Lupu

MI0001003013Qualquer oportunidade de ouvir um pianista tão maravilhoso e pouco afeito a gravações quanto Radu Lupu é uma preciosidade que não se pode desperdiçar – ainda mais quando ele está, como aqui, a tocar Schubert, de quem é um dos maiores intérpretes. Acompanhado do incansável e multiúso [corrigido, Fábio!] Daniel Barenboim, Lupu brinda-nos com uma generosa porção da obra do vienense para duo pianístico. O filé, claro, é a Sonata em Dó maior, conhecida como “Grand Duo”, praticamente uma sinfonia para piano a quatro mãos.

Ainda que a combinação entre dois músicos de personalidades tão diferentes possa-nos fazer presumir o contrário, o duo Lupu-Barenboim dá muita liga, embora seja bem fácil, para quem conhece suas respectivas gravações, identificar a quem cabe cada uma das partes. O cantabile de Lupu e a limpidez de sua execução sempre o denunciam, enquanto o enérgico Barenboim – grande admirador de seu colega romeno – segue reverentemente o mestre.

Daniel Barenboim & Radu Lupu – SCHUBERT
Grand Duo – Variations D813 – Marches Militaires

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

Três Marchas Militares para piano a quatro mãos, D. 733 (Op. 51)
01 – No. 1 em Ré maior: Allegro vivace
02 – No. 2 em Sol maior: Allegro molto moderato
03 – No. 3 em Mi bemol maior: Allegro moderato

Oito Variações em Lá bemol maior sobre um Tema Original, D. 813 (Op. 35)
04 – Allegretto

Sonata em Dó maior para piano a quatro mãos, D. 812 (Op. Post. 140), “Grand Duo”
05 – Allegro moderato
06 – Andante
07 – Scherzo: Allegro vivace
08 – Allegro vivace

Radu Lupu e Daniel Barenboim, piano

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"Pereira" e "Lobo"
Barenboim e Lupu, “Pereira” e “Lobo”

Vassily Genrikhovich

Franz Schubert (1797-1828): Sinfonias Nos. 5 e 6 – Camerata Academica des Mozarteums Salzburg – Sandor Végh

Franz Schubert (1797-1828): Sinfonias Nos. 5 e 6 – Camerata Academica des Mozarteums Salzburg – Sandor Végh

Franz Schubert

Sinfonias Nos. 5 & 6

Camerata Academica

Sandor Végh

 

Sandor Végh foi um violinista. Teria sido pianista, mas seus pais explicaram que o violino era muito mais barato. Só para contrariar, anos mais tarde ele comprou o Stradivarius que pertencera a Paganini, não se sabe por quanto…

Nascido em uma cidade da Transilvânia,  era Austro-Húngaro de nascimento, mas tornou-se um cidadão do mundo. Foi membro do Hungarian String Quartet até fundar o Végh Quartet, cujas gravações dos quartetos de Bártok e Beethoven são justamente lendárias. Algumas delas podem ser encontradas nos vaults do PQP.

De seu encontro com Pablo Casals em 1952 resultou em grande colaboração e despertou seu interesse pela regência. Atuou com várias orquestras, mas foi com a Camerata Academica do Mozarteum de Salzburg que ele deixou alguns importantes registros. Entre eles este disco da postagem, com duas sinfonias de Schubert.

Schubert é conhecido por suas composições para piano e para piano e voz – seus Lieder. Também é muito conhecido por suas composições de câmera, como o Quinteto ‘A Truta’ e o Quinteto de Cordas. Mas Schubert foi também um ótimo sinfonista. Sabendo das reduzidas chances de ver suas obras sinfônicas sendo apresentadas pelas grandes orquestras de Viena, concentrou seus esforços nas outras peças, mas ainda sim temos algumas lindas obras sinfônicas para apreciar.

A Sinfonia No. 5, em si bemol maior, foi composta em 1816 e chegou a ser interpretada por uma orquestra amadora na casa de Otto Hatwig, músico do Burgtheater de Viena. A orquestra era amadora, mas competentíssima, pois interpretava também obras de Beethoven, Cherubini e Spontini.

Depois desta apresentação, a sinfonia só foi ouvida novamente em 1841, por uma orquestra profissional.

A Sinfonia No. 6, em dó maior, foi ouvida em 14 de dezembro de 1828, em um concerto em memória de Schubert, que morrera algumas semanas antes. A outra sinfonia em dó maior, denominada ‘A Grande’, deveria ser tocada em seu lugar, mas foi considerada ‘intocável’ pelos músicos.

Franz Schubert (1797 – 1828)

Sinfonia No. 5 em si bemol maior, D. 485

  1. Allegro
  2. Andante con moto
  3. Menuetto . Allegro molto
  4. Allegro vivace

Sinfonia No. 6 em dó maior, D. 589

  1. Adagio . Allegro
  2. Andante
  3. Scherzo . Presto
  4. Allegro moderato

Camerata Academica des Mozarteums Salzburg

Sandor Végh

Coprodução ORF – Österreichischer Rundfunk & Capriccio

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FLAC |269MB

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MP3 | 320 KBPS | 151 MB

Jurássicos!

Estas duas sinfonias são muito bonitas e certamente merecem ser divulgadas ao lado das mais famosas ‘Inacabada’ e ‘Grande Sinfonia’. Eu gosto muito da Sinfonia No. 5. E vocês, qual delas preferem?

Aproveitem!

René Denon

A Quatro Mãos: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Franz Schubert (1797-1828) – Igor Stravinsky (1882-1971) – Duos para piano – Martha Argerich e Daniel Barenboim

81i-IsCDEEL._SL1400_Depois de aparecerem nesta série em companhias diferentes, Martha Argerich e Daniel Barenboim voltam num aclamado recital na Philarmonie de Berlim. Os dois grandes músicos portenhos conheceram-se em sua cidade natal, enquanto eram as mais famosas crianças-prodígio de Buenos Aires. Os estudos e a família levaram Argerich para Viena, ao passo que Barenboim tomou o rumo de Israel. Reuniram-se depois, já mundialmente famosos, e em muitas ocasiões Daniel conduziu orquestras para solos de Martha. Suas aparições como duo pianístico são bem mais raras, e este recital de 2014, em que a Philarmonie transbordou de cadeiras extras, foi o primeiro do gênero em mais de quinze anos. O programa é um clássico: a graciosa Sonata para dois pianos de Mozart e as Variações de Schubert abrindo as cortinas para a furiosa Sagração da Primavera de Stravinsky, depois da qual, parece, nada mais cabe tocar. A caprichada gravação foi lançada pelo interessante selo Peral, do próprio Barenboim, dedicado inteiramente ao lançamento fonográfico de seus trabalhos como pianista e regente via internet  – e, para quem não sabe, “peral” em espanhol significa “pereira”, que em alemão é “Birnbaum” e, em iídiche, “Barenboim”.

MARTHA ARGERICH – DANIEL BARENBOIM – PIANO DUOS

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Sonata em Ré maior para dois pianos, K. 448
01 – Allegro con spirito
02 – Andante
03 – Allegro molto

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

04 – Variações sobre um Tema Original em Lá bemol maior, K. 813

Igor Fyodorovich STRAVINSKY (1882-1971)

La Sacre du Printemps, em versão para dois pianos do próprio compositor
05 – Primeira parte: A Adoração da Terra
06 – Segunda parte: O Sacrifício

Martha Argerich e Daniel Barenboim, pianos

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Martha e Daniel, ontem e hoje
Martha e Daniel, ontem e hoje

Vassily Genrikhovich

Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 5 / Schubert (1797-1828): Sinfonia No. 8 “Inacabada” – Leopold Stokowski

Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 5 / Schubert (1797-1828): Sinfonia No. 8 “Inacabada” – Leopold Stokowski

Pessoal, depois de um tempão volto a postar algumas grandes gravações do imenso maestro Leopold Stokowski (1882 – 1977). Nesta quarta parte da mini biografia compreende intenso período na carreira do maestro que vai de 1923 até 1940. No início dos anos vinte Leopold se separou de Olga Samaroff e logo se casou novamente, e desta vez com Evangeline Brewster Johnson, filha e herdeira de Robert Wood Johnson, co-fundador da empresa farmacêutica Johnson & Johnson. Ele renovou a orquestra da Filadélfia para poder se expandir para o balé e a ópera. Carismático conseguiu arrecadar fundos e pressionou a oposição do Conselho da Orquestra da Filadélfia e alguns de seus partidários para montar produções do drama musical de Schoenberg “Die glückliche Hand opus 18”, e uma produção de ballet completo de “Le Sacre du Printemps” de Stravinsky em 1930. As três apresentações, com lotação total, dessas duas obras na Filadélfia e na cidade de Nova York esgotaram-se, justificando a aposta de Stokowski de que teriam sucesso. Com muita moral (e dólares) Stokowski alcançou em 1936 um dos objetivos que procurava há pelo menos uma década: o Conselho da Associação de Orquestra concordou com uma excursão transcontinental da Orquestra da Filadélfia. Isso seria financiado pela RCA Victor Records, e incluiria 33 shows em 27 cidades ao longo de 35 dias.

No final dos anos 30, Stokowski levou ao envolvimento da Orquestra da Filadélfia no histórico filme “Fantasia” de Walt Disney. Um encontro casual com Walt Disney resultou em um jantar no “Chasen’s Restaurant” em Hollywood em 1938. Disney delineou seus planos para fazer “O Aprendiz de Feiticeiro” e outros projetos combinando música clássica com animação. Disney ficou surpreso quando o maestro respondeu “Eu gostaria de fazer estre trabalho com você…”. Ter o proeminente maestro voluntário para o projeto era uma oportunidade que a Disney não podia deixar passar. O projeto foi expandido em vários curtas que seriam combinados no “Concert Feature”. Enquanto considerava vários títulos melhores para o projeto, foi o próprio Stokowski que sugeriu o termo musical “fantasia” – um título perfeito para um filme só com música e sem enredo (O Mestre Aviccena já postou AQUI).
Estas gravações tiveram algumas dificuldades técnicas quanto à sincronização, mas Stokowski as aprovou e elas foram usadas no filme final. No entanto, Walt Disney decidiu que o curta-metragem “The Sorcerer’s Apprentice” precisava ser expandido para um filme completo, a fim de ser financeiramente viável. Depois de discutir seleções musicais adicionadas com Stokowski, Disney garantiu os direitos de “Le Sacre du Printemps” em abril de 1938. Em dezembro de 1939, Stravinsky visitou os estúdios da Disney e, embora anos depois tenha sido crítico de “Fantasia”, Stravinsky, na época, parecia favorável. Mais tarde, houve mais críticas às escolhas musicais de Stokowski e Disney, particularmente na edição da música. Por exemplo, a Sinfonia Pastoral de Beethoven foi cortada em 22 minutos. “Fantasia” foi estreada em 1940. Foi amplamente vendido em DVD, em várias versões restauradas. Esta estadia em Hollywood foi tão ativa e produtiva que em março de 1938, Leopold Stokowski e Greta Garbo passaram férias juntinhos na ilha de Capri, na Itália . Será que ele pegou a Greta ? O resultado, claro, foi o divórcio com a herdeira da Johnson & Johnson.
To be continued…..

Beethoven – Sinfonia No. 5
O que dizer da quinta de Beethoven que já não estamos cansados de saber…. Bom ele terminou a composição no início de 1808. A “Quinta Sinfonia” foi executada, pela primeira vez, no dia 22 de dezembro de 1808, no “Theater an der Wien”, por um grupo de músicos angariados para o concerto, sob a regência do próprio Beethoven. Um ouvinte de hoje transportado para a Viena da época se assustaria com a precariedade dos concertos. Viena não tinha orquestras permanentes nem salas de concerto. Os concertos eram realizados nos palácios dos príncipes ou nos teatros, geralmente com acústica precária. Os músicos eram contratados para ocasiões específicas e geralmente executavam as obras com pouquíssimos ensaios, já que os cachês eram, na maioria das vezes, insuficientes para um trabalho artístico detalhado. Um típico concerto do início do século XIX consistia de uma abertura, um concerto, uma sinfonia, árias e cenas de ópera e uma improvisação do solista. O concerto que Beethoven deu naquele dia, além de muito longo, mesmo para os padrões da época, foi longe de ser perfeito. Nele foram estreadas a “Quinta e a Sexta Sinfonias”, a “Fantasia Coral”; o “Concerto para piano nº 4” que também foram executados em público pela primeira vez; quanto à ária de concerto “Ah! Perfido” e movimentos da “Missa em Dó maior” tiveram naquela oportunidade sua primeira execução em Viena; Beethoven ainda se sentou ao piano para uma série de improvisações. Embora o público estivesse acostumado a concertos longos, o concerto de estreia da “Quinta Sinfonia” durou intermináveis quatro horas, em um teatro com sistema de aquecimento estragado. Beethoven havia requisitado o teatro durante todo o ano e lhe deram apenas uma noite morta, três dias antes do Natal. Foi uma noite longa de inverno para o público vienense, que assistiu a um concerto das 18h30 às 22h30 com obras modernas de um compositor ainda pouco conhecido, executadas por uma orquestra que não havia ensaiado suficientemente. O compositor Johann Reichardt, que estava presente ao concerto, escreveu: “O pobre Beethoven, que finalmente realizava seu próprio concerto e conseguia seu primeiro e único pequeno lucro de todo o ano, recebeu, nos ensaios e na apresentação, apenas oposição e praticamente nenhum suporte. Os cantores e a orquestra, compostos dos elementos mais heterogêneos, não conseguiram realizar um único ensaio completo das peças apresentadas.”

Schubert – Sinfonia No. 8 “Inacabada”
Esta sinfonia é a mais romântica de todas as sinfonias de Schubert. Foi escrita em outubro de 1822, mais ou menos na mesma época em que o compositor foi diagnosticado com sífilis, mais impressionante ainda, e totalmente consistente com o silêncio de Schubert sobre o assunto, ele nos dá um pouco de sua música mais pessoal, angustiada e intimista – música de natureza nunca antes associada com o meio muito ‘popular’ da sinfonia. Esta situação é inteiramente consistente com a escuridão, pungência e violentas erupções de protestos angustiados que caracterizam ambos os movimentos da Sinfonia “Inacabada”. Qualquer que seja a explicação, os dois movimentos concluídos complementam-se perfeitamente e, juntos, constituem uma das supremos obras-primas da história da música. Esta é outra obra que para mim traz uma grande recordação: no início dos anos 80, ainda criança, eu via meu pai chegar do trabalho toda sexta feira e colocar exatamente este LP para ouvir a oitava de Schubert, se deitava no tapete da sala ao lado da “Radio Vitrola Valvulada Telefunken” fechava os olhos e entrava numa espécie de transe. Acabava a música ele se levantava e ia tomar banho. Quem viveu aquela época sabe da grande recessão que o Brasil passava. Ele trabalhava numa grande montadora de veículos que tinha cerca de 30.000 funcionários e deveria reduzir o quadro à metade até o fim do ano. Depois mais calmo ele contava as histórias para minha mãe como esta: “… hoje vi vários amigos e pais de família chorando desesperados após serem mandados embora…”. Esta música acalmava o que chamamos hoje de stress (mas na época ele chegava era puto mesmo).

Acredito que a interpretação deste Beethoven do Stoki é bastante tradicional, mas o Schubert é muito tenso e dramático, espetacular, ambos gravados em setembro de 1969 no Walthamstow Assembly Hall, Londres, com a London Philharmonic Orchestra. Stokowski tinha 87 anos na época da gravação, idoso, mas com controle total dos seus movimentos, seus olhos e as mãos mágicas sem a batuta, transmitindo suas emoções para a orquestra. É interessante ver seu arranjo e sua técnica para criar o “Som Stokowski”. O desempenho destas sinfonias é impecável.

Deleitem-se amigos !

Beethoven – Sinfonia No. 5
1 – Allegro Con Brio
2 – Andante Con Moto
3 – Allegro
4 – Allegro

Schubert – Sinfonia No. 8 “Inacabada”
5 – Allegro Moderato
6 – Andante Con Moto

London Philharmonic Orchestra
Leopold Stokowski
Recorded: 9 and 10 September 1969
Recording Venue: Walthamstow Assembly Hall, London

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E ai Greta, bora para a praia ?

Ammiratore

Franz Schubert (1797-1828): Impromptus (Le Voyage Magnifique)

Franz Schubert (1797-1828): Impromptus (Le Voyage Magnifique)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Schubert foi, certamente, o maior inventor de melodias. O homem devia pensar só nelas. Li em algum lugar que ele dormia de óculos. Acontece que Schubert acordava muitas vezes com uma música na cabeça e, se fosse ainda procurar os óculos, esta corria o risco de volatilizar-se. Nasceu 27 anos depois de Beethoven, já fora do classicismo, mergulhado no romantismo e, olha, que melodias! Viveu apenas 31 anos e sabe-se lá onde chegaria com esse talento todo para juntar notas, criando beleza. E não tem nada mela-cueca, as coisas eram sublimes.

Aqui o show é de uma especialista no classicismo e romantismo, a notável pianista portuguesa Maria João Pires.  Nada a criticar, ela parece ter nascido com Schubert nas mãos. Esqueça as bobas reflexões pianísticas bem-intencionadas, concentre-se em sua performance absorvente e tranquila. Há uma qualidade instintiva e improvisadora na produção musical de Pires que surge por ter digerido e internalizado essas obras. Ela não tangencia a superfície lírica de Schubert, ela dentro dela como seu habitat. Aproveite!

Franz Schubert (1797-1828): Impromptus (Le Voyage Magnifique)

Impromptus D 899 (1827)
1-1 No. 1 In C Minor: Allegro Molto Moderato 11:05
1-2 No. 2 In E Flat Major: Allegro 4:46
1-3 No. 3 In G Flat Major: Andante 5:50
1.-4 No. 4 In A Flat Major: Allegretto – Trio 7:49

Allegretto D 915 (1827)
1-5 Allegretto D 915 In C Minor 5:41

Impromptus D 935 (1827)
2-1 No. 1 In F Minor: Allegro Moderato 12:25
2-2 No. 2 In A Flat Major: Allegretto – Trio 7:58
2-3 No. 3 In B Flat Major: Thema. Andante – Var. I-V 13:04
2-4 No. 4 In F Minor: Allegro Scherzando 6:35

Drei Klavierstücke / Drei Impromptus Aus Dem Nachlass D 946
2-5 Allegro Assai – Andante – Tempo I 14:48
2-6 Allegretto 12:29
2-7 Allegro 5:29

Maria João Pires, piano

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Saibam, eu amo Maria João Pires

PQP

Música para Flauta e Piano: Sharon Bezaly, flauta & Ronald Brautigam, piano

Música para Flauta e Piano: Sharon Bezaly, flauta & Ronald Brautigam, piano

PRoKoFieV

SCHuBeRT

DuTiLLeuX

JoLiVeT

 

Este disco foi uma agradável surpresa. Eu estava preparando uma postagem das sonatas para violino de Prokofiev e descobri que a segunda delas era uma versão para violino e piano de uma sonata originalmente escrita para flauta e piano. Daí para este álbum foi um pulo, uma vez que Ronald Brautigam é um excelente pianista e o selo BIS é ótimo. Eu não conhecia a solista Sharon Bezaly, mas ela me conquistou desde a primeira nota.

Para valorizar tão lindo álbum, aqui vai alguma informação sobre as peças.

A composição da Sonata para flauta e piano ocorreu em um momento no qual Prokofiev estava preocupado com clareza de estilo, buscando adequar sua maneira de compor aos ideais do realismo soviético. A sonata surgiu de uma comissão feita pelo Comitê de Assunto Artísticos da URSS. Prokofiev estava morando no Cazaquistão, trabalhando com Sergei Eisenstein, compondo música para Ivan, o Terrível. Em uma carta para Nikolai Miaskovsky, ele menciona que a comissão não viera exatamente em um momento oportuno, mas era agradável. Em sua autobiografia menciona ter desejado escrever uma sonata em um estilo delicado, clássico e fluente. Isto ele certamente conseguiu. Para saber mais sobre esta peça, veja esta dissertação aqui.

David Oistrakh insistiu na adaptação da sonata para violino e piano, realmente acreditando que ela teria mais sucesso nesta forma. Prokofiev concordou e você pode conferir o resultado aqui. No entanto, a versão para flauta também é sensacional, como este álbum pode provar. Prometo que esta não será a única postagem desta linda peça.

Após terminar o Die Schöne Müllerin em novembro de 1823, Schubert escolheu a melodia do seu 18º Lied, Trockne Blumen (Flores Secas) para escrever uma série de variações para flauta e piano. Aparentemente a motivação era apenas usar novamente a linda melodia, apesar de que Schubert certamente tinha flautistas entre seus amigos. A peça consiste de uma introdução e sete variações, sendo a última delas um tour-de-force, cheia de virtuosismo. A peça ficou inédita durante o tempo de vida de Schubert e não há certeza se chegou a ser executada. Após sua publicação em 1850, tornou-se muito popular entre os flautistas. Nesta gravação você pode conferir o porquê.

Mais de um século separa a composição da obra de Schubert da sonata de Prokofiev. Já as duas peças restantes são exatas contemporâneas da sonata. Dutilleux compôs sua Sonatina como uma peça para competições de flautas no Conservatório de Paris, em 1943, entre outras que foram comissionadas por Claude Delvincourt, então o diretor. Dutilleux era bastante crítico destas peças, mas a Sonatine caiu no agrado dos flautistas e amantes do instrumento. Com uma interpretação como esta, é fácil entender.

Assim como no caso de Dutilleux, Jolivet escreveu seu Chant de Linos para as competições do Conservatório de Paris, mas a peça caiu nas graças de Pierre Rampal. A inspiração para esta obra vem de um antigo mito grego. Gritos e danças são formas de expressão que pontuam esta linda e inovadora peça. Sharon Belazy realça a sua beleza com uma incrível interpretação. Fica claro por que não se tornou apenas um exercício acadêmico e hoje faz parte do repertório dos grandes intérpretes.

Sergei Prokofiev (1891-1953)

Sonata para flauta e piano em ré maior, Op. 94

  1. Moderato
  2. Scherzo
  3. Andante
  4. Allegro con brio

Franz Schubert (1797-1828)

  1. a 13. Variações em mi menor sobre o Lied Trockne Blumen, D. 802

Henri Dutilleux (1916-2013)

Sonatina

  1. Allegretto – Andantino – Animé

André Jolivet (1905-1974)

  1. Chant de Linos

Sharon Bezaly, flauta

Ronald Brautigam, piano

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MP3 | 320 KBPS | 158 MB

Um disco para quem quer levar a vida na flauta!

René Denon

Franz Schubert (1797-1828): Lieder com orquestra

Franz Schubert (1797-1828): Lieder com orquestra

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Postamos este Schubert SOLAR E ABSOLUTAMENTE MARAVILHOSO. Imaginem só. Uma seleção de lieder de Schubert feita por Claudio Abbado, Anne Sofie von Otter e Thomas Quasthoff. Os arranjos para orquestra são, em sua maioria, de gente como Brahms, Reger, Webern, Britten… Isto pode dar errado? Não, não pode. O CD é fantástico, delicado, lírico, lindo, emocionante, fascinante, é tudo o que a gente espera de um grande disco. É uma experiência — proposta por Abbado? — de resultado entusiasmante. Von Otter e Quasthoff matam a pau. Ambos estão perfeitos neste grande disco da DG.

Schubert: Lieder com orquestra

1 Rosamunde, Fürstin von Cypern, incidental music, D. 797 (Op. 26) No. 3. Romanze
with Anne Sofie von Otter
2 Die Forelle (“In einem Bächlein helle”), song for voice & piano, D. 550 (Op. 32)
with Anne Sofie von Otter (Britten)
3 Ellens Gesang II (“Jäger, ruhe von der Jagd”), song for voice & piano, D. 838 (Op. 52/2)
with Anne Sofie von Otter
4 Gretchen am Spinnrade (“Meine Ruh’…”), song for voice & piano, D. 118 (Op. 2)
with Anne Sofie von Otter
5 Gesang (“Was ist Sylvia,…”), song for voice & piano, (“An Sylvia”), D. 891 (Op. 106/4)
with Anne Sofie von Otter
6 Im Abendrot (“O, wie schön ist deine Welt”), song for voice & piano, D. 799
with Anne Sofie von Otter (Reger)
7 Nacht und Träume (Heil’ge Nacht, du sinkest nieder!”), song for voice & piano, D. 827 (Op. 43/2)
with Anne Sofie von Otter (Reger)
8 Gruppe aus dem Tartarus II (“Horch, wie Murmeln”), song for voice & piano, D. 583 (Op. 24/1)
with Anne Sofie von Otter
9 Erlkönig (“Wer reitet so spät”), song for voice & piano, D. 328 (Op. 1)
with Anne Sofie von Otter (Berlioz)
10 Die junge Nonne (“Wie braust durch die Wipfel”), song for voice & piano, D. 828 (Op. 43/1)
with Anne Sofie von Otter (Liszt)
11 Die schöne Müllerin, song cycle, for voice & piano, D. 795 (Op. 25) No. 10. Tränenregen
with Thomas Quasthoff (Webern)
12 Winterreise, song cycle for voice & piano, D. 911 (Op. 89) No. 20. Der Wegweiser
with Thomas Quasthoff (Webern)
13 Du bist die Ruh, song for voice & piano, D. 776 (Op. 59/3)
with Thomas Quasthoff (Webern)
14 Ihr Bild (“Ich stand in dunkeln Träumen”), song for voice & piano (Schwanengesang), D. 957/9
with Thomas Quasthoff (Webern)
15 Prometheus (“Bedecke deinen Himmel”), song for voice & piano, D. 674
with Thomas Quasthoff (Reger)
16 Memnon (“Den Tag hindurch nur einmal”), song for voice & piano, D. 541 (Op. 6/1)
with Thomas Quasthoff (Brahms)
17 An Schwager Kronos (“Spu’te dich, Kronos”), song for voice & piano, D369 (Op. 19/1)
with Thomas Quasthoff
18 An die Musik (“Du holde Kunst…”), song for voice & piano, D. 547 (Op. 88/4)
with Thomas Quasthoff (Reger)
19 Erlkönig (“Wer reitet so spät”), song for voice & piano, D. 328 (Op. 1)
with Thomas Quasthoff (Reger)
20 Geheimes (“Über meines Liebchens Äugeln”), song for voice & piano, D. 719 (Op. 14/2)
with Anne Sofie von Otter (Brahms)
21 Ständchen (“Leise flehen meine Lieder”), song for voice & piano (Schwanengesang), D. 957/4
with Thomas Quasthoff (Offenbach)

Anne Sofie von Otter
Thomas Quasthoff
Chamber Orchestra Europe
Claudio Abbado

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Anne Sophie von Otter, com Thomas Quasthoff e Abbado, um disco espetacular

PQP

Franz Schubert (1797-1828): Winterreise

Franz Schubert (1797-1828): Winterreise

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ainda fico com Fischer-Dieskau, mas esta gravação é muito boa, excelente mesmo. Aliás, não é a primeira incursão gravada de Bostridge da Winterreise.

Winterreise (Viagem de Inverno) é um ciclo de 24 lieder composto em 1827 por Franz Schubert sobre poemas de Wilhelm Müller. Foi o segundo dos três ciclos de canções escritos pelo compositor (sendo o primeiro Die schöne Müllerin e o terceiro Schwanengesang). Segundo o próprio Schubert, tratava-se do seu preferido. Foi escrito originalmente para tenor, mas é frequentemente transposto para outras vozes. Os 24 lieder do ciclo constituem uma série de reflexões feitas por um viajante no Inverno sobre temas predominantemente sombrios e tristes, características essas realçadas por um uso sistemático de tonalidades menores. De fato, dos 24 lieder que compõem o ciclo, apenas 8 se encontram em tonalidades maiores: o 5.º (“Der Lindenbaum”), o 11.º (“Frülingstraum”), o 13.º (“Die Post”), o 16.º (“Letzte Hoffnung”), o 17.º (“Im Dorfe”), o 19.º (“Täuschung”) e o 23.º (“Die Nebensonnen”). A própria natureza retratada nos poemas reflete o estado de espírito amargurado do sujeito (como era comum no Romantismo), uma vez que são frequentemente descritas paisagens sombrias e geladas.

Franz Schubert (1797-1828): Winterreise

1 Gute Nacht 5:31
2 Die Wetterfahne 1:44
3 Gefror’ne Tränen 2:15
4 Erstarrung 2:54
5 Der Lindenbaum 4:59
6 Wasserflut 3:48
7 Auf Dem Flusse 3:28
8 Rückblick 1:50
9 Irrlicht 2:24
10 Rast 3:25
11 Frühlingstraum 4:24
12 Einsamkeit 3:12
13 Die Post 1:59
14 Der Greise Kopf 2:48
15 Die Krähe 1:59
16 Letzte Hoffnung 1:48
17 Im Dorfe 3:11
18 Der Stürmische Morgen 0:48
19 Täuschung 1:04
20 Der Wegweiser 4:08
21 Das Wirtshaus 4:17
22 Mut 1:22
23 Die Nebensonnen 2:41
24 Der Leiermann 3:30

Ian Bostridge, tenor
Thomas Adès, piano

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Pieter Bruegel, o Velho (1526/1530–1569) – Caçadores na Neve (1565)

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia nº3 in E Flat, op. 55, ‘Eroica’, Franz Schubert (1797-1828) – Sinfonia nº 8, in B Minor, ‘Inacabada’ – Sir Malcolm Sargent, Royal Philharmonic Orchestra

NOVO LINK!!!

Nos últimos tempos eu estava procurando um boa gravação da Terceira Sinfonia de Beethoven, não sei o motivo, talvez alguma conversa com alguém conhecido, enfim. Aí encontrei em meu acervo esta belíssima gravação do saudoso Sir Malcolm Sargent, maestro inglês que foi muito famoso no seu tempo, então resolvi postá-la.

Os dois registros, tanto o de Beethoven, quanto o de Schubert, foram realizados no começo da década de 60, quando este que vos escreve ainda nem era projeto, nasci alguns anos depois. Mas em ambos os registros podemos ter uma amostra do talento de Sargent, de seu total e completo domínio da orquestra. Na Sinfonia ‘Eroica’, a ‘Marcia Funebre’ é o grande momento de qualquer maestro. Sua capacidade de articulação é fundamental para extrair destas dolorosas notas toda a sua expressividade. O tempo de execução deste movimento aqui é de 17:53, e é bem coerente, não tão longo quanto alguns outros maestros (já vi alguns que chegam ou passam dos 21 minutos na execução, enquanto outros demoram apenas dezesseis minutos, que considero rápido demais). Claro que é uma questão de gosto. Lembro de quando ouvi esta passagem na última versão que Bernstein gravou, com a Filarmônica de Viena. Eu estava em casa, passando um pano nos móveis da sala, era um dia ensolarado, eu deveria ter uns dezesseis ou dezessete anos. Coloquei o LP para tocar, e de repente, tive de sentar, tamanho o impacto que a música que causou. Fiquei sentado, ouvindo. Estava sozinho em casa, creio. Não era uma obra desconhecida para mim, já ouvira outras versões, Karajan, Klemperer ou Jochum, mas com certeza foi o Bernstein quem me derrubou. A partir de então, aquela gravação tornou-se a minha favorita. Ainda tenho o velho LP, está guardado.

A Sinfonia Inacabada foi tema de uma discussão dia destes no grupo do Whattsap do PQPBach. Encontrei na internet uma gravação em que um maestro conclui a obra, baseado em rascunhos dos dois últimos movimentos que o próprio Schubert deixou. A discussão era exatamente sobre a necessidade de sua ‘conclusão’. Consideramos a obra perfeita em seus dois movimentos, ela se completa totalmente. Claro que novamente se trata de questão de gosto, e gosto não se discute, dizem os mais antigos.

Mas vamos ver o que Sir Malcolm Sargent tem a nos dizer. Gostei muito desse CD, que faz parte de uma série de 17 CDs da série ICON, da EMI, grande parte destes CDs são dedicados aos compositores ingleses. Com o tempo, trago outras gravações.

01. Symphony No.3 in E flat Op.55 ‘Eroica’ I. Allegro con brio
02. Symphony No.3 in E flat Op.55 ‘Eroica’ II. Marcia funebre – Adagio assai
03. Symphony No.3 in E flat Op.55 ‘Eroica’ III. Scherzo & Trio – Allergro vivace
04. Symphony No.3 in E flat Op.55 ‘Eroica’ IV. Allegro molto – Poco andante – Presto
05. Symphony No.8 in B minor D759 ‘Unfinished’ I. Allegro moderato
06. Symphony No.8 in B minor D759 ‘Unfinished’ II. Andante con moto

Royal Philharmonic Orchestra
Sir Malcolm Sargent – Conductor

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FDPBach

Franz Schubert (1797-1828): Quartetos D 810 & D 804 – “Der Tod und das Mädchen” & “Rosamunde” – Endellion String Quartet

Franz Schubert (1797-1828): Quartetos D 810 & D 804 – “Der Tod und das Mädchen” & “Rosamunde” – Endellion String Quartet

Schubert

Quartetos D. 810 & D. 804

Endellion String Quartet

Compor quartetos de cordas em Viena, depois de Haydn e Mozart, e nos dias de Beethoven, não era tarefa fácil. Apesar disso, Schubert deixou quinze quartetos de cordas e iniciou a composição de mais alguns, mas a maioria deles são peças para uso quase doméstico, para serem tocados com os amigos. No entanto, em dezembro de 1820 compôs um movimento para quarteto de cordas que é conhecido agora como seu Quarteto No. 12, o Quartettsatz (Satz = movimento). Essa peça iniciou uma nova fase de produção de obras de altíssima qualidade. Ele comporia mais três quartetos, obras primas, com os quais pretendia pavimentar seu caminho em direção às grandes sinfonias. Alas!  Modesto Schubert!

Franz Schubert

Este disco contêm os dois quartetos que se seguiram e faziam parte de um planejado conjunto de três a serem dedicados ao violinista Ignaz Schuppanzigh, que estreou vários quartetos de Beethoven. O terceiro quarteto planejado não se materializou, mas estes dois que foram terminados são obras maravilhosas. Estes quartetos foram compostos em 1824. O último quarteto de Schubert, em sol maior, D. 887, foi composto em junho de 1826.

O que as obras deste disco têm em comum é o fato de que seus movimentos lentos são baseados em material e temas usados em obras anteriores.

O quarteto que abre esse disco deve seu apelido, Der Tod und das Mädchen – A Morte e a Donzela, ao tema do movimento lento, emprestado de um Lied com este nome, composto alguns anos antes.  Este movimento contém um conjunto de cinco variações e uma coda e apresenta a morte como uma figura confortadora. Segure a minha mão… diz a indesejada das gentes. Mas a figura da morte também é aludida nos outros movimentos, mas não da forma confortadora. Os outros movimentos estão mais para o Erlkönig, da morte impiedosa.

O movimento lento do outro quarteto foi transcrito da música incidental do terceiro entreato da peça Rosamunde. Mesmo sem completar o conjunto de três quartetos, o Rosamunde foi dedicado à Schuppanzigh, que foi o primeiro violino na sua estreia em 14 de março de 1824.

Conta-se que Schubert teria feito a um amigo a pergunta: Você conhece alguma música alegre? E teria acrescentado: Pois eu não!  Se olharmos para as duas obras deste disco poderemos entender o sentido da anedota. Na mesma proporção que o primeiro quarteto é dramático, o segundo é melancólico. Encontrar a medida certa para realizar as propostas das peças é o desafio para os intérpretes. O experiente Endellion  String Quartet, com a cooperação do produtor Misha Donat, passa fácil por esta prova e nos brinda com um disco adorável.

Franz Schubert (1797 – 1828)

Quarteto de Cordas No. 14 em ré menor, D 810 – Der Tod und das Mädchen

  1. Allegro
  2. Andante con moto
  3. Allegro molto
  4. Presto

Quarteto em lá menor, D. 804 – Rosamunde

  1. Allegro ma non troppo
  2. Andante
  3. Minuetto: Allegretto
  4. Allegro moderato

Endellion String Quartet

Andrew Watkinson, violino
Ralph de Souza, violino
Garfield Jackson, viola
David Waterman, violoncelo

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MP3 | 320 KBPS | 171 MB

Aqui está uma oportunidade de perscrutar o universo maduro e profundo habitado pela música de Franz Schubert. Aproveite!

René Denon

Franz Schubert (1797-1828): Últimas Sonatas para Piano – Maurizio Pollini

Franz Schubert (1797-1828): Últimas Sonatas para Piano – Maurizio Pollini

Sonatas para Piano D 958 ∙ 959 ∙ 960

3 Peças para Piano D 946

Allegretto D 915

Em 1 de julho de 2008 PQP Bach fez a postagem das três últimas sonatas para piano de Franz Schubert, interpretadas por Maurizio Pollini. Os arquivos da postagem estão agora na poeira internética. O post recebeu 26 comentários!! O texto é um pouco mais longo do que costumamos ver em suas atuais postagens e é uma delícia de ler. Nada de ilustrações. Eu diria, um clássico PQP.

Meu eterno interesse por estas peças de Schubert e minha admiração por essas gravações de Pollini fizeram com que eu preparasse tudo para relançar o post. Começamos assim uma nova série:

PQP Originals!

Aqui está o texto do PQP:

Sei que não somente “aqueles comentaristas habituais” hostilizarão esta gravação colocada entre as melhores da DG (obrigado pela lembrança dos Originals, Lais; minha gravação é pré-Originals), como nossa comparsa Clara Schumann deverá apresentar chiliques em defesa de seu amado Alfred Brendel que, segundo ela, acarinha melhor o compositor que ela mais ama.

(Nunca entendi esta senhora que casa com um, tem Brahms por amante, mas gosta mesmo é de Schubert. A mente masculina é mais simples e burra, graças a Deus, e interessa-se por todas, prova de seu amor à humanidade.)

Schubert é o compositor que mais lamento. Apenas 31 anos! Onde ele chegaria se tivesse vivido, por exemplo, os 57 anos de Beethoven? É difícil de responder, ainda mais ouvindo suas últimas obras, amadurecidas a fórceps pelo sofrimento causado pela doença. Este criador de melodias irresistíveis trabalhava (muito) pela manhã, caminhava à tarde e bebia à noite. O bafômetro o pegaria na volta, certamente. Seria um recordista de multas. Não morreu da sífilis e sim de tifo, após ingerir um vulgar peixe contaminado. Ou seja, uma droga de um peixe podre nos tirou anos de muitas obras, certamente. Espero que, se o inferno existir, este peixe esteja lá queimando. Desgraçado, bicho ruim!

A interpretação de Pollini é completamente despida de exageros ou de virtuosismo. Ele respeita inteiramente Schubert, compositor melodista e destituído de virtuosismo pessoal ao piano, pero… nada de sentimentalismos, meus amigos. Pollini é um realista. E, com efeito, as sonatas finais desfazem o mito do Schubert fofinho, mundano e feliz. Era um indivíduo profundo e o trágico não lhe era estranho.

Minha sonata preferida é a D. 960, com seu imenso e emocionante primeiro movimento. Quando o ouço de surpresa, penso que virão o que não me vêm há anos: lágrimas. O que segue é-lhe digno, com destaque especial para o zombeteiro movimento final. O D. 959 também é extraordinário, principalmente o lindíssimo e nobre Andantino e o lied do Rondó. Também tenho indesmentível amor pela contrastante primeira peça das Drei Klavierstucke.

A Fundação Maurizio Pollini, desta vez patrocinada por PQP Bach, agradece todos os apoios recebidos e declara-se ofendida pela nefasta ironia perpetrada pelo provocador Kaissor (ou foi o Exigente?) ao querer estigmatizar nosso ídalo por ser mais divulgado em razão do perfil marcadamente “comercial” de sua gravadora. Com todo o respeito, respondemos a ele que Pollini é a Verdade e o Absoluto. Dou a Schnabel um lugar no pódio e ele que fique quieto. “O homem que inventou Beethoven”??? Arrã. Acho que foi reinventado… :¬)))

Caso você queira ler também os comentários da época, clique aqui. 

Atrevo-me apenas acrescentar que o tema do quarto movimento da Sonata em lá maior, D. 959, foi tomado emprestado do Allegretto quasi andantino da Sonata em lá menor, D. 537, de alguns anos antes, e é memorável. Para uma comparação, vá a 7’30 do vídeo aqui. Ou então ouça toda a sonata interpretada  por Wilhelm Kempff, um mago das gravações, em particular, das obras de Schubert.

Franz Schubert (1797-1828)

Disco 1

Sonata para Piano em dó menor, D. 958

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro – Trio
  4. Allegro

Sonata para Piano em lá maior, D. 959*

  1. Allegro
  2. Andantino
  3. Allegro vivace – Trio. Um poco più lento
  4. Allegretto

Maurizio Pollini, piano

Produção: Rainer Brock

*Maurizio Pollini dedica a gravação da Sonata em lá maior à memória de seu caro amigo Rainer Brock

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MP3 | 320 KBPS | 162 MB

Disco 2

Sonata para Piano em si bemol maior, D. 960

  1. Molto moderato
  2. Andante sostenuto
  3. Allegro vivace com delicadeza – Trio
  4. Allegro ma non tropo

Allegretto em dó menor, D. 946

  1. Allegretto

Três Peças para Piano, D. 946

  1. Allegro assai – Andante – Tempo I
  2. Allegretto
  3. Allegro

Maurizio Pollini, piano

Produção: Rainer Brock (D 915 ∙ 946); Christopher Alder (D 960)

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FLAC | 185 MB

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MP3 | 320 KBPS | 162 MB

Se você não chorar com o primeiro movimento da Sonata em si bemol maior, D. 960, então chorará com o segundo, o Andante sostenuto. Schubert sabia tudo sobre superação das dores naquela altura da vida.

René Denon

 

Brahms & Schubert: Sinfonias // Liszt: Les Preludes – Philharmonia Orchestra & Karajan

Brahms & Schubert: Sinfonias // Liszt: Les Preludes – Philharmonia Orchestra & Karajan

Ah, os clássicos! Sempre é possível aprender com eles. Há um filme espetacular chamado The trouble with Harry.O filme é um clássico de Hitchcock e vale a pena futura investigação. Mas, hoje, do filme, emprestamos apenas o nome.

O Herbert aqui é o von Karajan, personalidade que desperta (mesmo depois de mais de trinta anos de sua morte) sentimentos extremos nas pessoas.

Karajan ocupou lugar de destaque absoluto no mundo da (chamada) música clássica por muitas décadas e, para muitos, até hoje, é sinônimo de perfeição e garantia de alta qualidade nas gravações. No caso dele, foram muitas.

O problema com Karajan é que ele nos coloca diante de dilemas que (lamentavelmente) insistem em nos afrontar. Essas questões podem ser abordadas de maneira aristotélica, como o fez Alexandre diante do Nó de Górgio, assumindo algum dos polos do ame ou odeie. Aqui vamos tentar uma abordagem diferente, que resumidamente consiste em evitar absolutamente coisas como

mas não deixar de desfrutar coisas como

É inevitável falar da indústria fonográfica sem mencionar o dia 19 de janeiro de 1946, no qual Walter Legge encontrou-se em Viena com Herbert von Karajan. Os detalhes deste encontro podem ser lidos no livro On and Off the Record, organizado a partir de anotações de Legge pela sua mulher, Elisabeth Schwarzkopf. Outra perspectiva destes controversos personagens pode ser lida no Maestros, Obras-Primas & Loucura, de Norman Lebrecht. Sempre que possível, ouça diferentes lados da mesma história!

Walter Legge foi um precursor da figura do produtor de discos e, se não inventou essa profissão, a moldou em sua forma atual, levando-a a níveis altíssimos de profissionalismo.

No final da Segunda Grande Guerra, Legge, que falava fluentemente alemão e sabia tudo sobre música, orquestras e gravações, sem ser músico profissional, percorria a Alemanha e a Áustria em busca de talentos para seus projetos. Especificamente buscava um regente para a sua Orquestra Philharmonia, recém formada por músicos escolhidos criteriosamente.

Herbert, mais uma vez, estava no lugar certo, na hora (quase) certa. E tinha tudo e mais um pouco com o que Walter sempre sonhara. Mas havia uma pegadinha, um embaraço monumental. Karajan estava passando por um processo de des-nazificação. Estava proibido de atuar em público, por exemplo. Veja, se você não sabia destes fatos, deve perceber que se tratando deste período histórico, as coisas nunca são exatamente simples.

No dia do encontro, Karajan deveria se apresentar com a Orquestra Filarmônica de Viena e, apesar dos ensaios, o concerto foi cancelado pelas autoridades russas apenas algumas horas antes. Para Legge, a questão da des-nazificação era apenas técnica. Ele próprio acabou se casando com a Schwarzkopf, que também passou por processo semelhante.

Como Karajan se tornou membro do partido é relativamente fácil de entender. Veja um trecho dos muitos artigos que andei lendo: Ruthlessly ambitious as a young man and grimly autocratic in his later years, his life story is marked by bitter rivalries, feuds and, most notoriusly, membership of the Nazy Party. Ou seja, implacavelmente ambicioso quando jovem e incansavelmente autocrático nos seus últimos anos, a história de sua vida é marcada por amargas rivalidades, disputas e, mais notoriamente, ter sido membro do Partido Nazista.

Karajan iniciara como regente em Ulm em 1929, num dos primeiros degraus de uma escada longuíssima de ascensão na carreira de regente nos países de língua alemã. Suas apresentações no Festival de Salzburg e outros concertos, inclusive com a Filarmônica de Viena, despertaram a atenção no cenário musical. Cenário este que com a ascensão do Nazismo ficava mais e mais despovoado de muitos nomes.

Apesar destes sucessos iniciais, ficou desempregado e teria entrado para o partido para conseguir a posição de regente em Aachen, onde as condições de trabalho eram boas.

Suas relações com o establishment, no entanto, não eram boas. Seu sucesso e sua juventude foram usados para afrontar Wilhelm Furtwängler, que era doentiamente inseguro. A rivalidade entre eles foi imensa. Furtwängler não pronunciava o nome Karajan e referia-se a ele simplesmente por K.

Karajan, que regia de memória, dirigiu uma apresentação desastrosa de Die Meistersinger, devido a um barítono embriagado. Com isso, caiu em absoluta desgraça com Adolf Hitler.

Além disso, casou-se com Anita Güterman, de avô judeu, o que certamente não contribuiu para amainar as coisas.

A despeito disso, Karajan fez sucesso. Ele trazia um sopro de novidade num cenário empobrecido pelas restrições impostas pela situação. Em seus concertos havia música que na época era nova. Vamos lembrar que Richard Strauss e Paul Hindemith, por exemplo, eram vivos e ativos. Karajan também apresentava uma perspectiva diferente da preconizada pelos concertos de Furtwängler. Arturo Toscanini sempre fora uma grande influência para Karajan, que ouvia as gravações de outros regentes, como Stokowski e Mengelberg, com suas grandes sonoridades. O interesse pelas novas tecnologias sempre esteve presente em sua vida.

O crítico Klaus Geitel lembra o ‘glittering, exciting’ thrill of pre-war Berlin concerts with their new repertoire: concerts with Furtwängler ‘were like going into a cathedral’; with Karajan, it was ‘like going to the Venusberg, like entering a bacchanal. ’  – ‘o entusiasmo brilhante e a excitação dos concertos em Berlim antes da guerra com seus novos repertórios: concertos com Furtwängler ‘eram como ir a uma catedral’; com Karajan, era ‘como ir ao Venusberg, como entrar em um bacanal. ’ Assanhado, não? Mas certamente realça as diferenças.

Produtor inglês Walter Legge (1906 – 1979) com o regente austríaco Herbert von Karajan (1908 – 1989), em 17 de janeiro de 1958

Com o fim do processo de des-nazificação, Karajan iniciou sua ascensão no mundo musical. Gravações para a EMI com a Philharmonia, para a London com a Filarmônica de Viena, apresentações no Festival de Salzburg e no Bayreuth Festspielhaus. O passo mais importante foi dado em 1955, com a morte de Furtwängler. Karajan torna-se diretor vitalício da Filarmônica de Berlim. O resto é história.

O Kaiser do Legato, a busca constante pela beleza de som. Esses ideais buscados incansável e germanicamente por Karajan foram, a um tempo, a sua glória e a sua maldição. Enquanto havia resistência, essa busca deixava margem a percepção da presença humana em seus resultados. A medida que os avanços tecnológicos e a reunião de poderes absolutos em suas mãos foram se consolidando, os resultados tornaram-se caricaturas. Sinfonias envernizadas e brilhantes, mas sem vida interior.

Além disso, sua personalidade gera um antagonismo que não se percebe contra figuras que viveram situações parecidas, algumas até com agravantes, como Richard Strauss, Karl Böhm e Carl Orff, por exemplo.

Talvez, o problema com Herbert seja que ele nos faz encarar o que pode haver de melhor, mas também o que pode haver de pior nos seres humanos. E isso, reflete-se em nós mesmos. Mas, chega de vãs filosofias e vamos a música da postagem.

Ouça as gravações de duas lindas sinfonias de Brahms, a Sinfonia Inacabada de Schubert e o poema sinfônico Les Preludes, de Liszt. Essas gravações são resultados de um encontro que marcou época e estabeleceu padrões altíssimos. Aqui temos a Orquestra Philharmonia, a produção de Walter Legge e o maestro que queria tomar o mundo da música, prestes a fazer exatamente isso.

Disco 1

Johannes Brahms (1833-1897)

Sinfonia No. 2 em ré maior, Op. 73

  1. Allegro non troppo
  2. Adagio non troppo
  3. Allegretto grazioso
  4. Allegro com spirito

Franz Schubert (1797-1828)

Sinfonia No. 8 em si menor, D. 759 – Inacabada

  1. Allegro moderato
  2. Anadante com moto

Disco 2

Johannes Brahms (1833-1897)

Sinfonia No. 4 em mi menor, Op. 98

  1. Allegro non troppo
  2. Andante moderato
  3. Allegro giocoso
  4. Allegro enérgico e passionato

Franz Liszt (1811-1886)

  1. Les Preludes

Philharmonia Orchestra

Herbert von Karajan

Produção: Walter Legge

Gravações: Brahms & Schubert – 1955; Liszt – 1958

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MP3 | 320 KBPS | 273 MB

Richard Osborne escreveu uma biografia de Herbert von Karajan. Em suas palavras:

Even the greatest talent, pushed a hair’s breadth in the wrong direction, can end up seeming like a parody of itself: the maniacal Toscanini, the blockish Klemperer, Gielgud crooning, Olivier ranting. Karajan’s Achilles’ heel would be a tendency to over-refinement and an excess of smoothness, the downside of his highly cultivated art.

O calcanhar de Aquiles de Karajan foi sua tendência para o super refinamento e um excesso de suavidade, o lado negativo de sua altamente cultivada arte.

René Denon

PS: Já ia esquecendo! Absolutamente

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 2 de 2)

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 2 de 2)

E como só se fala e praticamente só se posta Schubert por aqui nos últimos dias, resolvi trazer o segundo CD de Julia Fischer tocando as pouco gravadas Sonatas para Violino e Piano e algumas obras para piano, onde Julia revela-se uma excelente pianista, fazendo a segunda parte do piano na Fantasia D. 940, tão amada pelo colega Ranulfus. A música de Schubert para violino e piano, embora certamente não seja insignificante, nunca atraiu grandemente a atenção dos executantes ou ouvintes. E elas são desiguais, variando entre aquilo que é destinado ao mercado doméstico amador e os últimos trabalhos, claramente dirigidos ao virtuoso. Mas sempre é Schubert, ou seja, sempre é bom.

O primeiro disco desta dupla extremamente talentosa tocando as obras de Schubert para violino e piano foi de prazer absoluto, apesar de essa música ser uma parte comparativamente sem importância da produção do compositor. Este segundo disco é ainda mais atraente, de fato irresistível, em parte porque o terceiro item é uma das obras-primas supremas de Schubert, a Fantasia em Fá menor para dueto de piano D. 940. Eles dão uma magnífica versão desta obra inspirada, que começa com uma das melodias mais pungentes de Schubert. É uma peça desafiadora, como se pode ouvir, mas Fischer e Helmchen tiram de letra.

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 2 de 2)

01 Schubert – Violin Sonata In A, Op. 162, D. 574 – Allegro Moderato
02 Scherzo (Presto)
03 Andantino
04 Allegro Vivace

05 Schubert – Fantasy In C, Op. 159, D. 934 – Andante Molto
06 Allegretto
07 Andantino
08 Tempo primo – Allegro, Allegretto, Presto

09 Schubert_ Fantasy In F Minor for Piano Duet, Op. 103, D. 940 – Allegro molto moderato
10 Largo
11 Allegro vivace
12 Tempo I

Julia Fischer – Violin, Piano (D.940)
Martin Helmchen – Piano

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Julia Fischer na Sala de Imanência e Transcendência da Sede de Gala da PQP Bach Corporation.

FDP / PQP

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 1 de 2)

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 1 de 2)

Mutter é a mais exibida. E talvez seja a melhor de todas essas belas violinistas que apareceram nas últimas décadas. Hahn vai na mesma linha, mas tem a característica de ser muito bem humorada e de não se levar muito a sério — o que é uma enorme qualidade. Jansen é a mais sanguínea e gosto muito dela. Mas creio que minha preferência vá para Julia Fischer, a mais discreta, a mais voltada para dentro de si, a mais íntima delas (opinião de PQP em post original de FDP). 

Depois do bombardeio japonês-schubertiano do mano PQP, resolvi contra-atacar com artilharia não tão pesada, mas certamente mortal. Estou para postar esta pérola já há algum tempo, mas sempre aparecia outra coisa para atrapalhar, ou me fazer mudar de ideia.

Julia Fischer é uma das melhores violinistas que surgiram nos últimos anos, ela garota tem um talento indiscutível, e não teme se expor, como fez em suas gravações dos concertos de Papai Bach. E seu colega Martim Helmchem também mostra um talento ímpar. Reparem, por exemplo, no perfeito balanço que conseguem ao tocarem o andante da sonata D. 385. Não sei se rola alguma coisa entre os dois.

Este CD que ora posto é belíssimo, e traz um Schubert que eu até então desconhecia: suas sonatas para violino e piano, claramente inspiradas no gênio beethoveniano. São obras muito inspiradas, e tocadas com grande paixão pelo jovem casal de instrumentistas.

Trata-se de um CD para ser apreciado com calma e tranquilidade, de preferência lendo um bom livro e tomando um bom vinho. Espero que apreciem.

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 1 de 2)

Sonata (Sonatina) For Violin And Piano In D Major / D-Dur, D 384 (Op. 137, No. 1)
1-1 Allegro Molto 4:10
1-2 Andante 4:25
1-3 Allegro Vivace 4:00

Sonata (Sonatina) For Violin And Piano In A Minor / A-Moll, D 385 (Op. 137, No. 2)
1-4 Allegro Moderato 6:48
1-5 Andante 7:29
1-6 Menuetto (Allegro) 2:13
1-7 Allegro 4:36

Sonata (Sonatina) For Violin And Piano In G Minor / G-Moll, D 408 (Op. 137, No. 3)
1-8 Allegro Giusto 4:46
1-9 Andante 4:43
1-10 Menuetto (Allegro Vivace) 2:28
1-11 Allegro Moderato 4:04

Rondo For Violin And Piano In B Minor / H-Moll “Rondo Brillant”, D 895 (Op. 70)
1-12 Andante – Allegro 14:28

Julia Fischer – Violino
Martin Helmchen – Piano

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Bom dia, Julia | Foto: Felix Broede

FDP

Johannes Brahms (1833-1897): Cello Sonatas / Franz Schubert (1797-1828): Arpeggione Sonata

Johannes Brahms (1833-1897): Cello Sonatas / Franz Schubert (1797-1828): Arpeggione Sonata

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Nathalie Clein tem estilo ao interpretar lindamente esse esplêndido programa de Brahms + Schubert. A gravação tem alguns detalhes que fazem a alegria de meu combalido coração: ouve-se claramente a carpintaria do cello. Clein tem bom som e parece não se importar muito em bater com o arco, nem com provocar alguns ronquinhos. Ah, e ela respira bastante, de forma e audível, fato natural em seres humanos. Prefiro a atmosfera de um concerto ao vivo do que a perfeição técnica provocada por engenheiros de som ciosos de limpeza, higiene e segurança no trabalho.

Em 1994, aos 17 anos, a violoncelista Natalie Clein foi a primeira vencedora do concurso britânico Festival Eurovisão de Jovens Músicos. Ela não se apressou em correr para uma carreira solo, tendo se concentrado em estudos com o grande Heinrich Schiff, bem como em desenvolver uma reputação internacional de concertos com orquestras, executando e colaborando com gente como Martha Argerich, Ian Bostridge e Steven Isserlis.

Este é seu CD de estreia (2004). Um desafio. As duas extraordinárias sonatas românticas de Brahms, juntamente com a Arpeggione.

Brahms: Cello Sonatas / Schubert: Arpeggione Sonata

1. Cello Sonata No. 2 in F Op. 99: I. Allegro vivace 8:54
2. Cello Sonata No. 2 in F Op. 99: II. Adagio affettuoso 6:45
3. Cello Sonata No. 2 in F Op. 99: III. Allegro passionato 6:59
4. Cello Sonata No. 2 in F Op. 99: IV. Allegro molto 4:18

5. Arpeggione Sonata in A minor D821: I. Allegro moderato 11:42
6. Arpeggione Sonata in A minor D821: II. Adagio – 4:10
7. Arpeggione Sonata in A minor D821: III. Allegretto 8:45

8. Cello Sonata No. 1 in E minor Op. 38: I. Allegro non troppo 13:46
9. Cello Sonata No. 1 in E minor Op. 38: II. Allegretto quasi Menuetto 5:51
10. Cello Sonata No. 1 in E minor Op. 38: III. Allegro 6:35

Natalie Clein, violoncelo
Charles Owen, piano

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Natalie Clein na sala de espera da PQP Bach Foundation.

PQP

V O L O D O S – Piano Transcriptions

V O L O D O S – Piano Transcriptions

V O L O D O S

Piano Transcriptions

Este disco é um ultraje! TRANSCRIÇÕES – TRAIÇÕES? – TRADIÇÕES!!

É um disco para quem ama o som do piano, do grande, enorme instrumento que se tornou o piano.

Os principais personagens deste disco são Arcadi Volodos e Thomas Frost. O nome do primeiro está na capa e o do segundo, na contracapa.

Volodos, retrato do artista quando jovem!

Arcadi Volodos gravou este disco em 1996, o primeiro resultado de seu (exclusivo) contrato com a Sony Classical. Thomas Frost é um veterano produtor de discos que trabalhou com artistas como Horowitz, Eugene Ormandy, George Szell e Rudolf Serkin e produziu este disco.

Por que o disco é um ultraje? Ora, um disco que tem faixas como O Voo do Besouro e A Marcha Turca (de Mozart) tem uma grande chance de fazer torcer os narizes e de fazer franzir os cenhos de ouvintes mais puristas (digamos). Mas acreditem, esse disco vai além disso.

Transcrições soam como violações das sacrossantas vontades dos compositores e expressões hifenadas como Bach-Busoni, Bach-Siloti, Schubert-Liszt geram em certos setores grandes desconfianças. Mas as transcrições estão há muito enraizadas na cultura musical. Basta lembrar que Bach transcreveu música de Vivaldi, de Alessandro Marcelo, de Albinoni e até dele mesmo. Mozart arranjou umas fugas de Bach para trio de cordas, transcreveu sonatas de Johann Christian Bach para piano e orquestra. Mozart até reorquestrou o Messias de Handel.

Mas o que está mais próximo do que temos neste disco são as transcrições e arranjos feitos pelos virtuoses de piano e de violino para suas próprias apresentações. Liszt foi um precursor. Peças de Bach originalmente para órgão, Lieder de Schubert, óperas da época – tudo para piano. Inclusive as Sinfonias de Beethoven! Fritz Kreisler, compositor e violinista chegou a escrever música original, peças de encore, que atribuiu a outros compositores como se fossem transcrições, verdadeiros pastiches.

Assim, prepare-se para um programa repleto de excelente música, bastante diversificado, maravilhosamente executado e gravado! IM-PRE-NA-BLE! Um MUST!

A primeira peça, Carmen Variations, é um arranjo de Horowitz sobre o tema da ópera de Bizet. Conta o livreto que Volodos teve que tirar de ouvido a peça gravado em 1968 por Volodya.

A quarta faixa também tem a assinatura de Horowitz, que tinha a sua própria versão da Rapsódia Húngara No. 2, de Liszt.

Rachmaninov em ação!

Rachmaninov escreveu algumas canções e ele mesmo transcreveu duas delas para piano solo: Lilacs e Daisies. As faixas 2 e 3 são transcrições feitas para piano solo de outras duas canções de Rachmaninov – Utro (Manhã) e Melodiya (Melodia) – pelo próprio Volodos, tomando as transcrições já existentes como modelos. Rachmaninov, que além de compositor ganhava a vida como pianista, fez várias transcrições. Dia destes postaremos um lindo disco com algumas delas.

Nas faixas de 5 a 7 temos três transcrições feitas por Liszt de canções de Schubert: Litanei, Aufenthalt e Liebesbotschaft. O desafio é tocar não só o acompanhamento da canção original para piano, mas também a parte do cantor.

Chegamos na faixa 8, talvez a peça mais transcrita de todas: The Flight of the Bumblebee – O Vôo do Besouro. A peça original escrita por Rimsky-Korsakoff para orquestra (o cara era um bamba em orquestração, foi professor de Stravinsky…) teve versões para piano e violino, guitarra, flauta e acho que até para ukulele. A transcrição deste disco foi feita por um pianista húngaro, aluno de aluno de Liszt, que  demanda maior investigação, George Cziffra.

As faixas 9, 10 e 11 são transcrições autênticas. Prokofiev arranjou para piano música de seus balés e de peças orquestrais. Fez muito sucesso dez dos números de Romeu e Julieta transcritas para piano e ele repetiu a dose com música do balé Cinderela. Aqui temos uma Gavota, uma Dança Oriental e uma Valsa. Qualquer dia destes, postaremos um lindo disco com essas peças do  balé Romeu e Julieta.

Feinberg pensando: Quando esses caras do PQP vão postar uns disquinhos meus?

Samuel Feinberg foi um grande virtuose de piano que viveu atrás da chamada Cortina de Ferro e temos poucas gravações suas. Mas podemos avaliar seu calibre pelas transcrições que deixou, por exemplo, das Sinfonias Nos. 4, 5 e 6 de Tchaikovsky. A faixa 12 deste disco traz o Scherzo, o terceiro movimento da Sinfonia No. 6, a Patética. A interpretação do Volodos faz justiça tanto a Tchaikovsky quanto a Feinberg. Esta faixa é a minha escolha de cereja do bolo!

Uma outra transcrição de Feinberg, agora do Largo da Triosonata No. 5, BWV 529, de Bach, dá um tom reflexivo ao disco.

A última faixa é mais uma transcrição de Volodos, agora da Marcha Turca, o último movimento da Sonata para piano No. 11, em lá maior, K. 331. A sonata é uma das mais bonitas de Mozart. O primeiro movimento é um lindíssimo tema com variações, o segundo movimento é um Menuetto. O terceiro movimento, no entanto, é irresistível, uma marcha turca. Viena tinha uma queda pela chamada música turca e  O Rapto do Serralho vai nessa onda. Até Beethoven tem uma Marcha Turca. Bom, aqui temos para fechar o disco uma Marcha Turca de Mozart-Volodos. Faz sucesso. Já ouvi essa peça interpretada por outra virtuose do piano.

Piano Transcriptions

Georges Bizet (1838 – 1875) – Vladimir Horowitz (1903 – 1989)

  1. Carmen Variations

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943) – Arcadi Volodos (1972  –       )

  1. Utro (Morning)
  2. Melodyia (Melodia)

Franz Liszt (1811 – 1886) – Vladimir Horowitz (1903 – 1989)

  1. Hungarian Rhapsody No. 2

Franz Schubert (1797 – 1828) – Franz Liszt (1811 – 1886)

  1. Litanei
  2. Aufenthalt
  3. Liebesbotschaft

Nikolai Rimsky-Korsakov (1844 – 1908)  –  György Cziffra (1921 – 1994)

  1. Flight of the Bumblebee

Sergei Prokofiev (1891 – 1953)

  1. Gavotte
  2. Orientale
  3. Valse

Piotr Tchaikovsky (1840 – 1893)  – Samuel Feinberg (1890 – 1962)

  1. Scherzo (Symphony No. 6)

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)  –  Samuel Feinberg (1890 – 1962)

  1. Largo (Triosonata No. 5, BWV 529)

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) – Arcadi Volodos (1972  –       )

  1. Turkish March

Arcadi Volodos, piano

Gravação: Snape Maltings Concert Hall, Snape, Suffolk, England & American Academy of Arts & Letters, New York, 1996

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Volodya achando tudo um grande barato!

Assim é o universo deste ótimo disco: exibição de virtuosismo que torna o piano em um emulador de outras combinações de instrumentos e vozes, até mesmo da orquestra. Aproveite!!

René Denon

Franz Schubert (1797-1828): Piano Trios Nos. 1 & 2 / Arpeggione Sonata / Nocturne for Piano Trio

Franz Schubert (1797-1828): Piano Trios Nos. 1 & 2 / Arpeggione Sonata / Nocturne for Piano Trio

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Que repertório! Que repertório! Que repertório! Este CD duplo oferece quatro obras-primas da Schubert em notáveis performances. Nos trios, a liderança musical vem do piano, mas isso não é um problema quando o pianista é um schubertiano tão experiente quanto Schiff e os outros dois músicos têm tanta personalidade e empatia. Eles decididamente formam um conjunto. Embora haja outras excelentes gravações, esta é especial. O som é muito realista e equilibrado e os intérpretes têm coisas a nos dizer a respeito de Franz. Eles sabem o que Franz fez no verão passado. Ou há muitos verões. Tudo é bom aqui, mas o destaque fica para as melhores obras — os dois Trios. O Trio Nº 2 é tocado com seu final completo recentemente restaurado, uma vantagem.

Franz Schubert (1797-1828): Piano Trios Nos. 1 & 2 / Arpeggione Sonata / Nocturne for Piano Trio

Disc: 1
1. Sonata In A Minor D 821 ‘Arpeggione’: Allegro Moderato
2. Sonata In A Minor D 821 ‘Arpeggione’: Adagio
3. Sonata In A Minor D 821 ‘Arpeggione’: Allegretto
4. Piano Trio In B Flat Major D 898 Op. 99: Allegro Moderato
5. Piano Trio In B Flat Major D 898 Op. 99: Andante Un Poco Mosso
6. Piano Trio In B Flat Major D 898 Op. 99: Scherzo: Allegro – Trio
7. Piano Trio In B Flat Major D 898 Op. 99: Rondo: Allegro Vivace

Disc: 2
1. Piano Trio Movement In E Flat Major D 897 Op. 148 ‘Notturno’: Adagio
2. Piano Trio In E Flat Major D 929 Op. 100: Allegro
3. Piano Trio In E Flat Major D 929 Op. 100: Andante Con Moto
4. Piano Trio In E Flat Major D 929 Op. 100: Scherznado : Allegro Moderato
5. Piano Trio In E Flat Major D 929 Op. 100: Allegro Moderato

Cello – Miklós Perényi
Piano – András Schiff
Violin – Yuuko Shiokawa

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PQP

Franz Schubert (1797-1828): Quinteto “A Truta” / Clara Schumann (1819-1896): Trio Op. 17

Franz Schubert (1797-1828): Quinteto “A Truta” / Clara Schumann (1819-1896): Trio Op. 17

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Quinteto “A Truta”, de Schubert dispensa apresentações. É lindo! O Beaux Arts idem. Por isso, demos mais espaço a uma rápida biografia de Clara Schumann, uma talentosa compositora e pianista, muito mais fora do repertório habitual. Ela foi importante não apenas por si mesma como por suas relações com Robert Schumann, Brahms, Chopin e pelas célebres inimizades. Seu Trio também é muito bom.

Clara Schumann, nascida Clara Josephine Wieck foi uma pianista e compositora alemã. Foi casada com o também compositor Robert Schumann.

Desde muito jovem, aprendeu a técnica do piano com seu pai, Friedrich Wieck. A mãe, Marianne, era uma excelente musicista e dava concertos. Quando Clara tinha 4 anos, os pais se divorciaram, com Friedrich ganhando a custódia da menina. Aos 5, Clara começou a ter lições de piano mediante a disciplina rígida do pai.

A partir dos 13 anos desenvolveu uma brilhante carreira pianística, apresentando-se em vários palcos pela Europa. Destacou-se não só por isso, mas também pela performance de compositores românticos da época, como Chopin e Carl Maria Von Weber.

Na adolescência iniciou um romance com Robert Schumann que na época era aluno de seu pai. Ao tomar conhecimento da ligação de Robert e Clara, Wieck ficou furioso, pois Robert tinha problemas com a bebida, o fumo e crises depressivas. Preocupado com o futuro da filha, proibiu a relação. A consequência foi uma longa batalha judicial, em que, após um ano de litígio, Schumann conseguiu a permissão para desposar Clara, após ela completar 21 anos.

Depois do casamento, Clara e Robert começaram uma longa colaboração, ele compondo e ela interpretando e divulgando suas composições. Clara continuou a compor, mas a vida em comum era complicada, pois ela foi forçada a parar a carreira por diversos períodos, devido às 8 gestações e, apesar de Schumann aparentemente encorajar sua criação musical, ela abdicou muitas vezes de sua carreira como compositora para promover a do marido.

A situação era agravada por várias diferenças entre o casal: Clara adorava turnês, Robert as odiava; ele precisava de silêncio e tranquilidade para praticar, o que significa que Clara ficava em segundo plano, pois somente após o estudos do marido ela poderia ter suas horas de estudo.

Outro problema eram as constantes crises nervosas do marido, que fizeram Clara assumir as responsabilidades familiares sozinha. A pior crise de sua vida aconteceu quando Schumann entrou em depressão crônica, o que obrigou a família a interná-lo num manicômio, onde ficou por dois anos, até a morte. Após 14 anos de casamento, Clara ficou sozinha com os filhos, tendo que dar aulas e apresentações para sustentar a família.

A partir daí, ela ficou livre para compor e dar concertos, e sua carreira finalmente se desenvolveu. A amizade com Johannes Brahms foi o principal sustentáculo nesse período, o que deu margem a fofocas de que os dois teriam um romance. Foram anos de colaboração mútua, já que os dois artistas eram defensores ferrenhos da estética romântica ligada a um padrão mais formal, e opositores de Wagner e Liszt. A amizade durou até o final da vida de Clara.

Ao mesmo tempo, Clara trabalhou intensamente na divulgação da obra do ex-marido e, toda vez que se apresentava, fazia-o vestida de preto, por ser viúva.

Durante certo período, Clara sofreu de uma síndrome de dor crônica, atribuída aos excessos de treinos na tentativa de executar as obras orquestrais de Brahms. O tratamento realizado à época foi bem sucedido e Clara pode continuar sua carreira. Os últimos anos da compositora foram marcados por uma brilhante carreira como professora e o reconhecimento como concertista.

Franz Schubert (1797-1828): Quinteto “A Truta” / Clara Schumann (1819-1896): Trio Op. 17

Schubert
Piano Quintet In A, Op. 114 D.667 “The Trout”
1 Allegro Vivace
2 Andante
3 Scherzo (Presto)
4 Andantino (Tema Con Variazioni)
5 Finale (Allegro Giusto)
Beaux Arts Trio
Samuel Rhodes
Georg Hörtnagel

Clara Schumann
Klaviertrio G-moll, Op. 17
6 Allegro Moderato
7 Scherzo (Tempo Di Menuetto)
8 Andante
9 Allegretto
Beaux Arts Trio

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A raridade aqui é Clara Schumann, né?

PQP

Franz Schubert (1797-1828): Sonata D. 960 / 4 Impromptus / Ständchen

Franz Schubert (1797-1828): Sonata D. 960 / 4 Impromptus / Ständchen

A capa deste CD traz a belíssima e excelente pianista georgiana Khatia Buniatishvili deitada romanticamente em águas noturnas. Combina com Schubert, ela parece um trutão. Quer parecer Ofélia, claro. O fato é que achei o CD apenas médio. Bem, a concorrência que ela sofre é fortíssima em Schubert. Altos ou baixos, belos ou feios, mulheres ou homens, os monstros do passado recente dominam este repertório de forma completa. As gravações de Brendel e Pollini, para não ir mais longe no tempo, são referências tão fortes e Buniatishvili resolveu ser tão diferente que eu não gostei muito. Credo, os dois primeiros movimentos da Sonata 960 estão muuuuito lentos! Na contracapa do disco, ela diz que Schubert é um compositor cheio de delicadeza e feminilidade. OK, mas olha, acho que não deu certo. Não quero dizer que o CD seja ruim, apenas que outros ainda são soberanos neste repertório. Não se sabe por quanto tempo, claro. Talvez a juventude de Buniatishvili  atrapalhe. Com isso, não gostaria que vocês descartassem o CD. É muito interessante a tentativa dela, mas nem sempre os experimentos são apreciados por ouvintes viciados. Ela se sai bem melhor nos Impromptus e Ständchen é uma concessão que deve servir como bis em recitais.

Franz Schubert (1797-1828): Sonata D. 960 / 4 Impromptus / Ständchen

1 Piano Sonata No. 21 in B-Flat Major, D. 960: I. Molto moderato 20:34
2 Piano Sonata No. 21 in B-Flat Major, D. 960: II. Andante sostenuto 14:31
3 Piano Sonata No. 21 in B-Flat Major, D. 960: III. Scherzo – Allegro vivace con delicatezza 3:44
4 Piano Sonata No. 21 in B-Flat Major, D. 960: IV. Allegro ma non troppo 8:32

5 4 Impromptus, Op. 90, D. 899: No. 1 in C Minor 11:09
6 4 Impromptus, Op. 90, D. 899: No. 2 in E-Flat Major 4:09
7 4 Impromptus, Op. 90, D. 899: No. 3 in G-Flat Major 6:17
8 4 Impromptus, Op. 90, D. 899: No. 4 in A-Flat Major 7:05

9 Ständchen, S. 560 (Trans. from Schwanengesang No. 4, D. 957) 7:22

Khatia Buniatishvili, piano

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Khatia apenas deu as costas às minhas considerações,

PQP

Mozart (1756-1791): Sonata K. 448 / Schubert (1797 – 1828): Fantasia D. 940 – Louis Lortier & Hélène Mercier

Mozart (1756-1791): Sonata K. 448 / Schubert (1797 – 1828): Fantasia D. 940 – Louis Lortier & Hélène Mercier

Mozart – Sonata em ré maior, K. 448

Mozart – Andante com Variações, K. 501

Schubert – Fantasia  D. 940

O ano 1781 foi significativo na vida de Wolfgang Amadeus Mozart, então com vinte e cinco anos, no auge de seu talento. Ele deixaria definitivamente de ser um músico da corte de Salzburgo, mudando para Viena. Este também é o ano em que conhece Constanze, que viria a ser sua esposa. Mas não foi nada fácil, longe disto. Sua atitude rebelde e independente custou-lhe caro. Sem a segurança do emprego que o tornava um servidor do Arcebispo Colloredo, passou a depender do que rendesse seus concertos públicos e do que recebesse de aulas dadas, especialmente à filhas de famílias nobres.

Josephine von Auernhammer foi uma das primeiras e deve ter sido ótima aluna. É claro, ela apaixonou-se por Mozart, mas se você quer saber o resto da história, precisa ler um pouco em outras fontes… O que importa para a postagem de hoje é que Mozart compôs essa brilhante sonata, em estilo galante, para tocarem juntos. As performances de ambos foram descritas como memoráveis pelas pessoas que lá estiveram.

Bernardo Bellotto, il Canaletto – Vista de Viena, por volta de 1761

Como julgar a música de Mozart? Lembremos que ele compôs várias peças sob encomenda, para cumprir as obrigações impostas pelo trabalho. Havia também a necessidade de agradar o gosto da época, a partir do momento que sua subsistência passou a depender do resultado da bilheteria de seus concertos. Mas sua genialidade sempre brilhava. Ele próprio explicou em suas cartas como tratava de colocar nas obras algo que agradasse tanto aos ouvintes mais informados quanto às pessoas comuns.

Esta sonata é um ótimo exemplo. O fato de ter sido escrita para dois pianos é muito bem explorado. O primeiro movimento é repleto de trechos que se seguem encadeados uns aos outros, permitindo que cada pianista brilhe por seu turno. Depois o Andante, o mais longo movimento da sonata. Delicadeza e beleza reinam aqui, tornando este movimento em algo bem próximo do sublime. Eu sei, parece exagero, mas vá lá, confira! E para fechar a sonata, um allegro molto, no que poderia propriamente definir o que é o estilo galante. No disco, segue um andante com variações, que funciona aqui como um interlúdio, uma pausa antes da próxima peça.

Quando Mozart escreveu a sonata, em 1781, tinha ainda pela frente mais dez anos de vida. Já Schubert escreveu a sua Fantasia em fá menor, D. 940, em 1828, seu último ano de vida. A peça foi escrita em quatro movimentos, mas que são tocados em sequência, interligados, sem qualquer pausa. Schubert foi um mestre em modulações e transições, e aqui são usadas com perfeição por um artista no auge de sua criatividade. Ele já havia escrito uma Fantasia com essa característica, de movimentos interligados, a Wanderer Fantasie. Mas, enquanto que na Wanderer Fantasie, para piano solo, o elemento de virtuosismo prevalece (raro em Schubert), na Fantasia para piano a quatro mãos, prevalece o discurso musical, a alegria de fazer música ao lado de um amigo, ou amiga.

A gravação desta postagem tem Louis Lortie, pianista canadense, que na época gravava para o selo Chandos, acompanhado pela pianista Hélène Mercier. A gravação feita no Snape Maltings Concert Hall é excelente. O produtor Tim Handley fez um excelente trabalho. O som brilha quando precisa, canta e encanta também.

Há outras gravações que reunem essas peças, que podem ser exploradas, se você gostar do repertório. Vale mencionar Perahia e Lupu, num disco com exato mesmo repertório. Outras referências para a Fantasia de Schubert são Emil e Elena Gilels ou Sviatoslav Richter e Benjamin Britten. Mas, Lortie e Mercier é o que temos hoje, e já é bastante. Um disco de tirar o chapéu!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Sonata para dois pianos em ré maior, K. 448
  1. Allegro con spirito
  2. Andante
  3. Allegro molto
Andante con Variações, para piano a quatro mãos, K. 501

Franz Schubert (1797 – 1828)

Fantasia em fá menor, para piano a quatro mãos, D. 940

Louis Lortier & Hélène Mercier, pianos

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Aproveite, que é coisa boa!

René Denon

Franz Schubert (1797-1828): Os Trios para Piano

Franz Schubert (1797-1828): Os Trios para Piano

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Tudo aqui é maravilhoso, música e interpretação. Este álbum duplo é uma perfeição só. Será referência por décadas. Há outras versões também excelentes, mas esta… Olha, aqui, os Trios de Schubert brilham muito na compreensiva leitura do trio de Pressler. É a mlhor gravação deles ao menos até outro trio fazê-lo melhor, o que, parece-me, ainda não ocorreu. Muitos compositores escreveram trios para piano: Haydn, Mozart, Beethoven, Mendelssohn, Schumann, Dvorak, Tchaikovsky, Brahms, mas Schubert foi o campeão do gênero. O Beaux Arts os gravou duas vezes, uma vez em 1966, outra em 1985. Esta é a gravação de 85. Tem gente que gosta mais do registro de 66. Isto é, quando se pensa no melhor registro, o Beaux Arts compete com ele mesmo e outros.

Sim, o Trio Op. 100, Nº 2 traz a música de Barry Lyndon, filme de Stanley Kubrick. Mas ouça tudo! São duas obras-primas e os extras não ficam abaixo.

De joelhos. E já.

Franz Schubert (1797-1828): Os Trios para Piano

Piano Trio Nº 1 In B Flat Major, Op. 99, D. 898
1 Allegro Moderato
2 Andante Un Poco Mosso
3 Scherzo (Allegro)
4 Rondo (Allegro Vivace)

Piano Trio In E Flat Major, Op. Posth. 148, “Notturno” D. 897
5 Adagio

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Piano Trio Nº 2 In E Flat Major, Op. 100, D. 929
1 Allegro
2 Andante Con Moto
3 Scherzo (Allegro Moderato)
4 Allegro Moderato

Piano Trio In B Flat Major, D.28 “Sonata”
5 Allegro

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Beaux Arts Trio:
Piano – Menahem Pressler
Violin – Isidore Cohen
Cello – Bernard Greenhouse

A formação mais consagrada do Beaux Arts e a que participa deste álbum duplo.

PQP

Schubert – Lieder – Dietrich Fischer-Dieskau & Gerald Moore

Schubert – Lieder – Dietrich Fischer-Dieskau & Gerald Moore

Lieder – Um gosto adquirido!

Lieder é a palavra alemã que significa canções, no plural. Lied é o singular, canção. Quando usamos Lied (ou Lieder), estamos nos referindo a uma canção com letra em alemão, com acompanhamento ao piano. Às vezes, o acompanhamento é feito por uma orquestra mas, quase sempre, piano.

Schubert não foi o primeiro a compor Lied, Mozart e Beethoven, por exemplo, o fizeram antes dele. No entanto, Schubert realmente tinha um talento imenso para isso. Em sua breve existência, compôs mais de seiscentos Lieder. Entre essas canções, dois ciclos – Die Schöne Müllerin e Winterreise, ambos com poesia de Willelm Müller. O ciclo chamado Schwanengesang difere um pouco dos anteriores por ser  uma reunião de canções com poesias de três diferentes poetas. Foi assim arranjado e nomeado pelo editor que esperava assim divulgar essas últimas canções.

Ao contrário de outros compositores seus contemporâneos, Schubert não tinha facilidade de ter sua obra orquestral executada. A Sinfonia Inacabada assim ficou não por falta de inspiração ou, mais tragicamente, pela morte do compositor. É mais provável que a falta de perpectiva de execussão tenha levado seus esforços para outras obras. Se bem que os dois movimentos formam bem mais do que um simples torso, eles realmente se completam. Schubert não ouviu suas duas grandes e últimas sinfonias. Assim, sua obra é repleta de Lieder, música para piano, música de câmera (ah, o Quinteto de Cordas…).

Schubert e Vogl

Essas obras sim, eram muito e bem executadas. Schubert esteve sempre rodeado de amigos, em especial o barítono Michael Johann Vogl, que divulgou as canções de Schubert até o fim de sua vida.

Mas, vamos ao disco! Ouvir Lieder é o que podemos chamar, um gosto adquirido (an acquired taste). Nem todo mundo, mesmo entre os que apreciam música, exercem essa excentricidade.

Aqui está a minha proposta: ouça este disco, assim, umas dezessete vezes. Se, depois disto, você não gostar, então é provável que Lieder não  seja a sua praia. Mas, se você tiver uma mínima queda para isso, logo depois da segunda ou terceira vez que ouvir o disco, estará cantarolando ou acompanhando o ritmo, mesmo que, se assim como eu, não for versado em alemão, língua danada de difícil.

Como Schubert era capaz de musicar qualquer poema – de grandes, imensos poetas, até seus menos dotados amigos, suas escolhas para as letras eram assim, um pouco erráticas. Sabe-se lá o que, no poema, lhe inspirava e o colocava ação? Uma vez que o poema lhe tocasse, lá estava a correta melodia, o acompanhamento justo…

Mesmo sem o domínio da língua, se você que adentrar este território, vale a pena estar atento para algumas coisas. Alguns temas são recorrentes e sabendo disto, é mais fácil entrar no clima. Por exemplo, a ideia do caminhante – Wanderer – o cara que sai pela floresta, admirando a natureza, é bem comum. Algumas palavras indicam o caminho: tiefer Nacht (a noite lá é sempre profunda…), Wasser (água, mas assim, água corrente, o riozinho…), Ruh’ (paz, descanso…), Einsame, Abendrot.

Se há alguma chance de que você goste de Lieder (se você já gosta, então sabe do que estou falando), este disco é um ótimo ponto de partida.

Dietrich Fischer-Dieskau dedicou grande parte de sua vida aos Lieder – excelente intérprete, voz inconfundível, também escreveu muito sobre a arte da interpretação. Aqui é acompanhado por Gerald Moore, o decano dos pianistas que acompanham cantores.

O disco é repleto de gemas, peças curtas, lindas melodias com acompanhamento de piano, uma combinação vencedora. Não coloque o disco de lado sem ouvir Auf dem Wasser zu singen, Du bist die Ruh’, Ständchen, faixa 5, há duas canções no disco com este nome. Esta é do Schwanengesang. Der Lindenbaum, do ciclo Winterreise, também tem carreira solo. Die Forelle, canção cujo tema foi usado em um magnífico quinteto com piano. Heinderöslein, com poesia de Goethe e, ímpossível não mencionar o Erlkönig, também com letra de Goethe. Este é o Lied dos Lieder. Nesta canção o cantor interpreta quatro personagens, tudo isso em quatro minutos.

Mas, chega de falar, deixo o Dietrich e o Gerald encarregados de convencê-lo das artes de Schubert. Você pode descobrir que vale a pena adquirir certos gostos.

Schubert – Lieder 

  1. Schubert: Auf dem Wasser zu singen, Op.72, D.774
  2. Lachen und weinen, Op. 59/4, D.777
  3. Du bist die Ruh’, Op. 59/3, D.776
  4. Der Wanderer, Op.4/1, D.493 – Ich komme vom Gebirge her
  5. Ständchen “Leise flehen meine Lieder”
  6. Der Einsame, Op.41, D.800
  7. Im Abendrot, D.799 – O wie schön ist deine Welt
  8. An Sylvia, Op. 106 No. 4, D. 891
  9. Ständchen “Horch, horch, die Lerch!” D.889
  10. Sei mir gegrüsst, Op.20/1, D.741
  11. Seligkeit, D.433
  12. Der Lindenbaum
  13. Die Forelle, Op. 32, D. 550
  14. Rastlose Liebe, Op. 5 No. 1, D. 138
  15. Heidenröslein, Op. 3 No. 3, D. 257
  16. An Schwager Kronos, Op. 19 No. 1, D. 369
  17. Wandrers Nachtlied I, Op. 4 No. 3, D. 224
  18. Erlkönig, Op. 1, D. 328
  19. Der König in Thule, Op. 5 No. 5, D. 367
  20. Jägers Abendlied, Op. 3 No. 4, D. 368
  21. Der Musensohn, Op. 92 No. 1, D. 764
  22. Wandrers Nachtlied II, Op. 96 No. 3, D. 768

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Schubert, dando um tempo…

Não deixe de ouvir!

René Denon