The Art of the Nocturne, CD 4 de 4 – Noturnos para piano de vários compositores

Nocturnes BoxAntes que nossos arretados leitores-ouvintes me intimem novamente a concluir a série, o cabra aqui apressa-se em fazê-lo.

O último álbum é um saco de gatos repleto de noturnos escritos por contemporâneos de Chopin. De Clara Schumann a Camille Pleyel (que faria fortuna como fabricante de pianos), e de Glinka ao boçal Kalkbrenner, que quase foi professor de Chopin e se considerava, após a morte de Haydn e Beethoven, “o último músico clássico vivo”, tem de tudo. Em sua maioria, são bombons tão untuosos e adocicados que farão até os mais ardentes anti-chopinianos querer escutar os noturnos do mestre e espocar fogos em homenagem ao gênio polonês.

Dignas de nota são as peças de Charles-Valentin Alkan (1813-1888), um compositor para piano extremamente original que, para minha total surpresa, faz sua estreia aqui no PQP Bach. Ele foi uma figura excêntrica, amigo de Liszt e Chopin e, ainda assim, tido por vários contemporâneos como o maior pianista de sua época. Daremos um jeito de trazer para cá, nas próximas semanas, um tanto de sua produção desenfreada, e muitas vezes prosopopeica, pelas mãos dos ótimos Marc-André Hamelin e Jack Gibbons.

THE ART OF THE NOCTURNE, volume IV

Joseph Étienne Camille PLEYEL (1788-1855)

01 – Noturno “alla Field” em Si bemol maior

Friedrich (Frédéric) Wilhelm Michael KALKBRENNER (1785-1849)

Noturnos para piano, Op. 121

02 – No. 1 em Lá bemol maior, “Les Soupirs de la Harpe Éolienne”
03 – No. 2 em Fá maior, a três mãos*

Clara Josephine SCHUMANN (1819-1896)

Soirées Musicales, Op. 6

04 – No. 2: Noturno em Fá maior

Louis James Alfred LEFÈBURE-WÉLY (1817-1870)

05 – Noturno em Ré bemol maior, Op. 54, “Les Cloches du Monestère”

Edmond WEBER (1838-1885)

06 – Noturno em Ré bemol maior, Op. 1, “Première Pensée”

Charles-Valentin ALKAN (1813-1888)

07 – Noturno em Si maior, Op. 22
08 – Esquisses, Op. 63 – no. 43: em Fá sustenido menor, “Notturnino Innamorato”

Mikhail Ivanovich GLINKA (1804-1857)

09 – Noturno em Mi bemol maior

Maria SZYMANOWSKA (1789-1831)

10 – Noturno em Lá bemol maior, “Le Murmure”

Ignacy Feliks DOBRZYNSKI (1807-1867)

Noturnos, Op. 21

11 – No. 1 em Sol menor
12 – No. 2 em Mi bemol maior

Noturnos, Op. 24

13 – No. 1 em Fá menor
14 – No. 2 em Ré bemol maior

15 – Noturno em Sol menor, “Pożegnanie” (“Despedida”)

Bart van Oort, piano Érard (1837)
* com Agnieska Chabowska

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Uma das duas únicas fotografias conhecidas de Alkan. Depois que vocês ouvirem sua música, não estranharão.
Uma das duas únicas fotografias conhecidas de Alkan. Depois que vocês ouvirem sua música, não estranharão.

Vassily Genrikhovich

Franz Schubert (1797-1828): Quinteto “A Truta” / Clara Schumann (1819-1896): Trio Op. 17

Franz Schubert (1797-1828): Quinteto “A Truta” / Clara Schumann (1819-1896): Trio Op. 17

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Quinteto “A Truta”, de Schubert dispensa apresentações. É lindo! O Beaux Arts idem. Por isso, demos mais espaço a uma rápida biografia de Clara Schumann, uma talentosa compositora e pianista, muito mais fora do repertório habitual. Ela foi importante não apenas por si mesma como por suas relações com Robert Schumann, Brahms, Chopin e pelas célebres inimizades. Seu Trio também é muito bom.

Clara Schumann, nascida Clara Josephine Wieck foi uma pianista e compositora alemã. Foi casada com o também compositor Robert Schumann.

Desde muito jovem, aprendeu a técnica do piano com seu pai, Friedrich Wieck. A mãe, Marianne, era uma excelente musicista e dava concertos. Quando Clara tinha 4 anos, os pais se divorciaram, com Friedrich ganhando a custódia da menina. Aos 5, Clara começou a ter lições de piano mediante a disciplina rígida do pai.

A partir dos 13 anos desenvolveu uma brilhante carreira pianística, apresentando-se em vários palcos pela Europa. Destacou-se não só por isso, mas também pela performance de compositores românticos da época, como Chopin e Carl Maria Von Weber.

Na adolescência iniciou um romance com Robert Schumann que na época era aluno de seu pai. Ao tomar conhecimento da ligação de Robert e Clara, Wieck ficou furioso, pois Robert tinha problemas com a bebida, o fumo e crises depressivas. Preocupado com o futuro da filha, proibiu a relação. A consequência foi uma longa batalha judicial, em que, após um ano de litígio, Schumann conseguiu a permissão para desposar Clara, após ela completar 21 anos.

Depois do casamento, Clara e Robert começaram uma longa colaboração, ele compondo e ela interpretando e divulgando suas composições. Clara continuou a compor, mas a vida em comum era complicada, pois ela foi forçada a parar a carreira por diversos períodos, devido às 8 gestações e, apesar de Schumann aparentemente encorajar sua criação musical, ela abdicou muitas vezes de sua carreira como compositora para promover a do marido.

A situação era agravada por várias diferenças entre o casal: Clara adorava turnês, Robert as odiava; ele precisava de silêncio e tranquilidade para praticar, o que significa que Clara ficava em segundo plano, pois somente após o estudos do marido ela poderia ter suas horas de estudo.

Outro problema eram as constantes crises nervosas do marido, que fizeram Clara assumir as responsabilidades familiares sozinha. A pior crise de sua vida aconteceu quando Schumann entrou em depressão crônica, o que obrigou a família a interná-lo num manicômio, onde ficou por dois anos, até a morte. Após 14 anos de casamento, Clara ficou sozinha com os filhos, tendo que dar aulas e apresentações para sustentar a família.

A partir daí, ela ficou livre para compor e dar concertos, e sua carreira finalmente se desenvolveu. A amizade com Johannes Brahms foi o principal sustentáculo nesse período, o que deu margem a fofocas de que os dois teriam um romance. Foram anos de colaboração mútua, já que os dois artistas eram defensores ferrenhos da estética romântica ligada a um padrão mais formal, e opositores de Wagner e Liszt. A amizade durou até o final da vida de Clara.

Ao mesmo tempo, Clara trabalhou intensamente na divulgação da obra do ex-marido e, toda vez que se apresentava, fazia-o vestida de preto, por ser viúva.

Durante certo período, Clara sofreu de uma síndrome de dor crônica, atribuída aos excessos de treinos na tentativa de executar as obras orquestrais de Brahms. O tratamento realizado à época foi bem sucedido e Clara pode continuar sua carreira. Os últimos anos da compositora foram marcados por uma brilhante carreira como professora e o reconhecimento como concertista.

Franz Schubert (1797-1828): Quinteto “A Truta” / Clara Schumann (1819-1896): Trio Op. 17

Schubert
Piano Quintet In A, Op. 114 D.667 “The Trout”
1 Allegro Vivace
2 Andante
3 Scherzo (Presto)
4 Andantino (Tema Con Variazioni)
5 Finale (Allegro Giusto)
Beaux Arts Trio
Samuel Rhodes
Georg Hörtnagel

Clara Schumann
Klaviertrio G-moll, Op. 17
6 Allegro Moderato
7 Scherzo (Tempo Di Menuetto)
8 Andante
9 Allegretto
Beaux Arts Trio

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A raridade aqui é Clara Schumann, né?

PQP

Clara Wieck Schumann (1819-1896): Piano and Chamber Music

Clara Wieck Schumann (1819-1896): Piano and Chamber Music

Um belo CD. Se você não é familiarizado com a música de Clara Schumann, esta coleção de obras para piano solo e de câmara fornece uma boa visão geral de quem era a esposa de Robert Schumann e possível amante de Brahms. A pianista Micaela Gelius é muito boa intérprete e enfatiza a poesia da música ao invés de cintilar vaidosamente como costumam fazer os intérpretes de Rachmaninov. Ela parece Arrau tocando Bobby Schumann.

Da mesma forma, Gelius e seus colegas chegam a um desempenho soberbo no Trio. O violinista Sreten Krstic é especialmente bom e isto já se nota nos Romances. É boa música romântica. E honesta.

Clara Wieck Schumann (1819-1896): Piano and Chamber Music

1 Scherzo for piano No. 2 in C minor, Op. 14 4:32

2 Romance for piano in A minor, Op. 21/1 5:16

Soirées Musicales, 6 pieces for piano, Op. 6
3 Toccatina 2:29

Romances for piano, Op. 11
4 Romance No. 1 3:39
5 Romance No. 2 5:48

Variations on a Theme by Robert Schumann, for piano in F sharp minor, Op. 20
6 Variation 1 1:01
7 Variation 2 0:48
8 Variation 3 1:02
9 Variation 4 1:11
10 Variation 5 0:49
11 Variation 6 1:10
12 Variation 7 1:05
13 Variation 8 3:40

Romances for violin & piano, Op. 22
14 Romance No. 1 3:17
15 Romance No. 2 2:40
16 Romance No. 3 3:48

Piano Trio in G minor, Op. 17
17 I 10:33
18 II 4:47
19 III 5:24
20 IV 7:45

Micaela Gelius, piano
Sreten Krstic, violin
Stephan Haack, cello

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My name is Schumann, Clara Schumann
My name is Schumann, Clara Schumann

PQP

Stravinsky, Schubert, Ravel, Clara Schumann – Katia Labeque & Viktoria Mullova – Recital

41tg5Dsxp2L._SS280Mas que encontro dos sonhos …!!! Duas de minhas musas tocando juntas, em um repertório impecável, um encontro de duas excepcionais musicistas, e volto a repetir, um verdadeiro encontro dos sonhos.
O repertório abrange aproximadamente 100 anos de história da música, começando com a incrível Sonata barroca de Stravinsky, passando pela modernidade de Ravel e o romantismo de Schubert e Schumann.
Discaço, sem dúvida alguma, que merece sua atenção.

01. Stravinsky Suite Italienne – Introduction Allegro Moderato
02. Stravinsky Suite Italienne – Serenata Larghetto
03. Stravinsky Suite Italienne – Tarantella Vivace
04. Stravinsky Suite Italienne – Gavotte Con Due Variazioni – Allegretto – Alleg
05. Stravinsky Suite Italienne – Scherzino Presto Alla Breve
06. Stravinsky Suite Italienne – Minuetto – Finale
07. Schubert Fantasie For Violin And Piano D.934 – I Andante Molto
08. Schubert Fantasie For Violin And Piano D.934 – II Allegretto
09. Schubert Fantasie For Violin And Piano D.934 – III Andantino
10. Schubert Fantasie For Violin And Piano D.934 – IV Tempo Primo – Allegro Viva
11. Ravel Sonata For Violin And Piano – I Allegretto
12. Ravel Sonata For Violin And Piano – II Blues Moderato
13. Ravel Sonata For Violin And Piano – III Perpetuum Mobile Allegro
14. Schumann, Clara Romanze Fur Violine Und Klavier, Op.221 Db Major. re bemol major

Katia Labeque – Piano
Viktoria Mullova – Violin

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Clara Wieck Schumann (1819-1896) e Carl Maria von Weber (1786-1826): Concertos para Piano

Este disco marca a estreia de Clara Wieck Schumann no PQP, não? Ela é uma tremenda personagem e não sei como não é mais explorada pela literatura e pelo cinema. Mas este CD é… insignificante. Weber é uma bosta e o concerto de Clara não fica muito além. Os intérpretes fazem de tudo para tornar a coisa interessante, mas é complicado.

Clara Wieck Schumann: Piano Concerto in A minor, Op. 7
1. Piano Concerto in A minor, Op. 7: Allegro maestoso
2. Piano Concerto in A minor, Op. 7: Romanze: Andante non troppo, con grazia
3. Piano Concerto in A minor, Op. 7: Finale: Allegro non troppo

Carl Maria von Weber: Piano Concerto No. 1 in C major, J. 98 (Op. 11)
4. Piano Concerto No. 1 in C major, J. 98 (Op. 11): No. 1, Allegro
5. Piano Concerto No. 1 in C major, J. 98 (Op. 11): No. 2, Adagio
6. Piano Concerto No. 1 in C major, J. 98 (Op. 11): No. 3, Finale. Presto

Carl Maria von Weber: Piano Concerto No. 2 in E flat major, J. 155 (Op. 32)
7. Piano Concerto No. 2 in E flat major, J. 155 (Op. 32): No. 1, Allegro maestoso
8. Piano Concerto No. 2 in E flat major, J. 155 (Op. 32): No. 2, Adagio
9. Piano Concerto No. 2 in E flat major, J. 155 (Op. 32): No. 3, Rondo. Presto

Elizabeth Rich, piano
Janácek Philharmonic Orchestra
Dennis Burkh

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PQP