Dvořák: Quarteto Americano / Borodin: Quarteto Nº 2 / Shostakovich: Quarteto Nº 8

Dvořák: Quarteto Americano / Borodin: Quarteto Nº 2 / Shostakovich: Quarteto Nº 8

Choque. No dia 26 de setembro de 2012, PQP Bach postou Dvořák. Sim, mas é por motivos nobres. Em primeiro lugar, não tenho problemas em opinar que o Quarteto Americano é uma boa composição. Gosto dele. Mas o destaque deste CD chama-se Alexandr Borodin e seu esplêndido Quarteto Nº 2, onde nosso amigo acertou a mão em cheio, escrevendo música sublime de ponta a ponta. Já o Shosta que fecha o disco é notável em termos de repertório — é grande música — , mas não recebeu o melhor dos tratamentos por parte do Borodin Quartet. Já o Borodin (o Alexandr) e o Dvořák estão perfeitos.

Dvořák | String Quartet op.96 »American«
1. String Quartet No. 12 in F major (‘American’), B. 179 (Op. 96): 1. Allegro ma non troppo
2. String Quartet No. 12 in F major (‘American’), B. 179 (Op. 96): 2. Lento
3. String Quartet No. 12 in F major (‘American’), B. 179 (Op. 96): 3. Molto vivace
4. String Quartet No. 12 in F major (‘American’), B. 179 (Op. 96): 4. Finale: Vivace ma non troppo

Borodin | String Quartet No.2
5. String Quartet No. 2 in D major: 1. Allegro moderato
6. String Quartet No. 2 in D major: 2. Scherzo: Allegro
7. String Quartet No. 2 in D major: 3. Notturno: Andante
8. String Quartet No. 2 in D major: 4. Finale: Andante – Vivace

Shostakovich | String Quartet No.8 op.110
9. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 1. Largo
10. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 2. Allegro molto
11. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 3. Allegretto
12. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 4. Largo
13. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 5. Largo

Janáček Quartet (Dvořák)
Borodin Quartet (Borodin, Shosta)

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Alexandr Borodin

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Piano – Anna Vinnitskaya, Kremerata Baltica

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Piano – Anna Vinnitskaya, Kremerata Baltica

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esse CD traz excelentes interpretações dos Concertos para Piano de Shostakovich. A jovem pianista russa Anna Vinnitskaya dá um show, acompanhada pela extraordinária Kremerata Baltica. Em outras palavras, trata-se de um baita CD.

Este é o CD de estreia de Vinnitskaya na Alpha. O repertório foi escolhido pela pianista, a qual revela duas facetas da música do compositor justapondo o Concerto N° 1 para Piano Op. 35, uma composição insolente com um caleidoscópio de atmosferas e registros estilísticos (romantismo russo, jazz americano, neoclassicismo) que surpreende constantemente o ouvinte e o mais tradicional N° 2, escrito para o filho Maxim e que irradia o alegria da juventude.

Sem mais,

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Piano – Anna Vinnitskaya, Kremerata Baltica

01 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 I. Allegretto
02 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 II. Lento
03 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 III. Moderato
04 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 IV. Allegro con brio

05 Piano Concerto No. 2 in F Major, Op. 102 I. Allegro
06 Piano Concerto No. 2 in F Major, Op. 102 II. Andante
07 Piano Concerto No. 2 in F Major, Op. 102 III. Allegro

08 Concertino for Two Pianos in A Minor, Op. 94

09 Tarantella for Two Pianos

Anna Vinnitskaya
Kremerata Baltica

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Link alternativo

Anna, em visita à sede social de gala — porque ela merece — da PQP Bach Corp.

FDP (com uma pequena atualização de PQP)

 

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 (seleção) – Dmitri Shostakovich, piano

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 (seleção) – Dmitri Shostakovich, piano

Sim, prometi a saideira, e quem melhor para oferecê-la que o responsável por tudo o que lhes alcancei nos últimos dias – sim, ele mesmo, o próprio Dmitri Dmitrievich?

Shostakovich legou-nos versões próprias de quase metade de seu Op. 87, gravadas entre vários estúdios e radiodifusões, com qualidade entre sofrível e lamentável. Como já puderam ouvir em outros registros que compartilhamos aqui no PQP, Dmitri Dmitrievich era um pianista muito competente, inda que impaciente, e um prestidigitador propenso a esbarrar em várias notas indesejadas e, ainda assim (pois eu lhes falei que ele era impaciente), considerar o take feito e a gravação aprovada. Noutras palavras, sua preferência como intérprete era a mesma que tenho como ouvinte: a impressão do todo à precisão nota a nota.

Já os leitores-ouvintes que consideram as versões de Tatiana Nikolayeva definitivas e as mais próximas às intenções de Shostakovich – dada sua posição única como inspiradora da obra, sua consultora durante toda a composição, e sua intérprete na estreia, na primeira gravação e ao longo de toda sua carreira de recitalista – estes ficarão surpresos com as ideias que Dmitri tinha ao teclado para seu Op.87.

Dmitri Dmitrievich SHOSTAKOVICH (1906-1975)

VINTE E QUATRO PRELÚDIOS E FUGAS PARA PIANO, OP. 87 (seleção)

Dmitri Shostakovich, piano

01 – Prelúdio e Fuga no. 1 em Dó maior
02 – Prelúdio e Fuga no. 2 em Lá menor
03 – Prelúdio e Fuga no. 3 em Sol maior
04 – Prelúdio e Fuga no. 4 em Mi menor
05 – Prelúdio e Fuga no. 5 em Ré maior
06 – Prelúdio e Fuga no. 6 em Si menor
07 – Prelúdio e Fuga no. 7 em Lá maior
08 – Prelúdio e Fuga no. 8 em Fá sustenido menor
09 – Prelúdio e Fuga no. 12 em Sol sustenido menor
10 – Prelúdio e Fuga no. 13 em Fá sustenido maior
11 – Prelúdio e Fuga no. 14 em Mi bemol menor

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Vassily Genrikhovich

Сигарета/Cigarro № 9231574 de 14551211

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 – Tatiana Nikolayeva (gravação de 1962)

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 – Tatiana Nikolayeva (gravação de 1962)

Foi só desistir da busca de muitos anos para que, do nada, me caíssem na mão estes improváveis CDs russos com aquela que, até onde se sabe, foi a primeira versão integral jamais gravada do monumental Op. 87 de Shostakovich.

Quem a gravou, quem inspirou a obra e acompanhou sua gestação, visitando o compositor repetidamente em seu apartamento e singrando a espessa fumaça de cigarros a cada peça que completava, e quem teve a honra de estreá-la em Leningrado em 1952 foi a extraordinária Tatiana Nikolayeva, que vocês já conheceram em gravações outras da mesma obra, postadas aqui e ali, artista tão indissoluvelmente ligada ao Op.87 que veio mesmo a falecer em consequência de um acidente vascular encefálico sofrido durante a interpretação de um desses prelúdios – parece-me que o em Si bemol menor – num recital em San Francisco.

Esta gravação valiosa mostra uma Nikolayeva imprimindo andamentos mais rápidos às peças e, assim, concluindo o ciclo em meros dois discos. Ainda que prefira sua versão intermediária, gravada ainda na União Soviética em 1987, fico fascinado com a riqueza e frescor dessa interpretação, que certamente muito carrega das sugestões do compositor.

Lembram-se da lista, aquela? Pois ela agora está completa:

Konstantin Scherbakov
Vladimir Ashkenazy
Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1962), a segunda (1987) e a derradeira (1990)
Keith Jarrett
Peter Donohoe
Alexander Melnikov
BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta

Se encerramos? Bem, apreciem mais este portento da Nikolayeva que amanhã teremos a saideira para vocês!

Dmitri Dmitrievich SHOSTAKOVICH (1906-1975)

VINTE E QUATRO PRELÚDIOS E FUGAS PARA PIANO, OP. 87

Tatiana Nikolayeva, piano

DISCO 1

01 – Prelúdio no. 1 em Dó maior
02 – Fuga no. 1 em Dó maior
03 – Prelúdio no. 2 em Lá menor
04 – Fuga no. 2 em Lá menor
05 – Prelúdio no. 3 em Sol maior
06 – Fuga no. 3 em Sol maior
07 – Prelúdio no. 4 em Mi menor
08 – Fuga no. 4 em Mi menor
09 – Prelúdio no. 5 em Ré maior
10 – Fuga no. 5 em Ré maior
11 – Prelúdio no. 6 em Si menor
12 – Fuga no. 6 em Si menor
13 – Prelúdio no. 7 em Lá maior
14 – Fuga no. 7 em Lá maior
15 – Prelúdio no. 8 em Fá sustenido menor
16 – Fuga no. 8 em Fá sustenido menor
17 – Prelúdio no. 9 em Mi maior
18 – Fuga no. 9 em Mi maior
19 – Prelúdio no. 10 em Dó sustenido menor
20 – Fuga no. 10 em Dó sustenido menor
21  – Prelúdio no. 11 em Si maior
22 – Fuga no. 11 em Si maior
23 – Prelúdio no. 12 em Sol sustenido menor
24 – Fuga no. 12 em Sol sustenido menor
25 – Prelúdio no. 13 em Fá sustenido maior
26 – Fuga no. 13 em Fá sustenido maior
27 – Prelúdio no. 14 em Mi bemol menor
28 – Fuga no. 14 em Mi bemol menor

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DISCO 2

01 – Prelúdio no. 15 em Ré bemol maior
02 – Fuga no. 15 em Ré bemol maior
03 – Prelúdio no. 16 em Si bemol menor
04 – Fuga no. 16 em Si bemol menor
05 – Prelúdio no. 17 em Lá bemol maior
06 – Fuga no. 17 em Lá bemol maior
07 – Prelúdio no. 18 em Fá menor
08 – Fuga no. 18 em Fá menor
09 – Prelúdio no. 19 em Mi bemol maior
10 – Fuga no. 19 em Mi bemol maior
11 – Prelúdio no. 20 em Dó menor
12 – Fuga no. 20 em Dó menor
13 – Prelúdio no. 21 em Si bemol maior
14 – Fuga no. 21 em Si bemol maior
15 – Prelúdio no. 22 em Sol menor
16 – Fuga no. 22 em Sol menor
17 – Prelúdio no. 23 em Fá maior
18 – Fuga no. 23 em Fá maior
19 – Prelúdio no. 24 em Ré menor
20 – Fuga no. 24 em Ré menor

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Vassily Genrikhovich

Dmitri Dmitrievich, esperando que Maxim Dmitrievich lhe traga logo o maço que mandou buscar na tabacaria.

 

 

 

 

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Prelúdios e Fugas, Op. 87 – Alexander Melnikov

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Prelúdios e Fugas, Op. 87 – Alexander Melnikov

POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 11/9/2013, LINKS REATIVADOS POR VASSILY EM 19/12/2019

Nota de Vassily: mais uma interpretação desse monumento da literatura pianística do século XX, desta feita pelo discreto – e EXCELENTE – Alexander Melnikov. De todas as interpretações que conheço, e estamos quase a completar a lista delas aqui no PQP, esta é a que mais cresce em meu gosto cada vez que a revisito.

Falando em lista, olhem ela aqui:

Konstantin Scherbakov

Vladimir Ashkenazy

Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e  a derradeira (1990)

Keith Jarrett

Peter Donohoe

Alexander Melnikov

BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta

Quase lá!

Vassily

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Creio que esta seja a terceira integral desta grande obra de Shostakovich que publico. A primeira foi a de Scherbakov, depois veio a de Nikolayeva e agora a de Melnikov. Todas são excelentes — talvez a de Nikolayeva vença — , mas o que interessa é que o Op. 87 é uma composição incontornável de nosso amigo Shosta. Abaixo, para dar uma contextualizada, copio o início de um trabalho acadêmico sobre a obra encontrado na internet.

Para compreendermos o contexto o compositor russo Dmitri Shostakovich compôs os 24 Prelúdios e Fugas, Op.87 (1950) devemos voltar alguns anos no tempo. Em 1942, Shostakovich (1906-1975) estreou da sua Sétima Sinfonia, Op. 60, a qual obteve grande sucesso, tendo sido aclamada como um ícone da resistência das tropas russas contra o cerco nazista em Leningrado (FANNING & FAY, 2009). Logo após este sucesso, o compositor viu sua Oitava Sinfonia, Op. 65, ser duramente criticada. Afirmava-se que Shostakovich havia composto uma “sinfonia otimista (a sétima) quando o país estava sob uma terrível ameaça e agora uma pessimista (a oitava) quando a vitória estava à vista.” (FANNING & FAY, 2009, pg. 1). A partir deste episódio, gradativamente as críticas à sua obra foram ficando ainda mais duras. Havia a expectativa de que sua Nona Sinfonia, Op. 70 (1945) fosse uma sinfonia triunfal em comemoração à vitória soviética sobre os alemães. A obra, estreada no pós-guerra, não atendeu às estas expectativas do Estado, o que resultou em um artigo condenatório publicado no jornal Pravda em 1948, que veio a ser um duro golpe na sua carreira. Como consequência, Shostakovich compôs pouco nos cinco anos seguintes (BRYNER, 2004). A pouca produção de composições foi acompanhada da tarefa a ele delegada de representar a União Soviética em congressos internacionais ao redor do mundo (FANNING & FAY, 2009).

Como o compositor russo mais conhecido no exterior, Shostakovich era o espelho da música russa para o Ocidente, mesmo sendo censurado dentro de seu próprio país. Apesar deste paradoxo, estes eventos foram importantes para sua reabilitação artística (BRYNER, 2004).

No ano de 1950, o compositor foi convidado para participar como jurado de um concurso de piano em um evento, na então Alemanha Oriental, em homenagem ao bicentenário da morte de J. S. Bach. O compositor ficou muito impressionado com a pianista russa Tatiana Nikolayeva, que venceu o concurso, e decidiu ele próprio compor um conjunto de prelúdios de fugas em todas as tonalidades (assim como o Cravo Bem Temperado de J. S. Bach), o qual Shostakovich dedicou à pianista (SEO, 2003). Ele compôs esta obra entre outubro de 1950 e fevereiro de 1951.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Prelúdios e Fugas, Op. 87

Disc: 1
1. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 1 in C major. Moderato
2. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 1 in C major. Moderato (4-voice)
3. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 2 in A minor. Allegro
4. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 2 in A minor. Allegretto (3-voice)
5. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 3 in G major. Moderato non troppo
6. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 3 in G major. Allegro molto (3-voice)
7. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 4 in E minor. Andante
8. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 4 in E minor. Adagio (4-voice double fugue)
9. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 5 in D major. Allegretto
10. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 5 in D major. Allegretto (3-voice)
11. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 6 in B minor. Allegretto
12. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 6 in B minor. Moderato (4-voice)
13. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 7 in A major. Allegro poco moderato
14. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 7 in A major. Allegretto (3-voice)
15. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 8 in F sharp minor. Allegretto
16. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 8 in F sharp minor. Andante (3-voice)
17. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 9 in E major. Moderato non troppo
18. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 9 in E major. Allegro (2-voice)
19. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 10 in C sharp minor. Allegro
20. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 10 in C sharp minor. Moderato (4-voice)
21. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 11 in B major. Allegro
22. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 11 in B major. Allegro (3-voice)
23. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 12 in G sharp minor. Andante
24. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 12 in G sharp minor. Allegro (4-voice)

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Disc: 2
1. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 13 in F sharp minor. Moderato con moto
2. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 13 in F sharp minor. Adagio (5-voice)
3. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 14 in E flat minor. Adagio
4. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 14 in E flat minor. Allegro non troppo (3-voice)
5. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 15 in D flat major. Allegretto
6. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 15 in D flat major. Allegro molto (4-voice)
7. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 16 in B flat minor. Andante
8. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 16 in B flat minor. Adagio (3-voice)
9. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 17 in A flat major. Allegretto
10. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 17 in A flat major. Allegretto (4-voice)
11. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 18 in F minor. Moderato
12. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 18 in F minor. Moderato con moto (4-voice)
13. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 19 in E flat major. Allegretto
14. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 19 in E flat major. Moderato con moto (3-voice)
15. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 20 in C minor.
16. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 20 in C minor. Moderato (4-voice)
17. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 21 in B flat major. Allegro
18. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 21 in B flat major. Allegro non troppo (3-voice)
19. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 22 in G minor. Moderato non troppo
20. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 22 in G minor. Moderato (4-voice)
21. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 23 in F major. Adagio
22. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 23 in F major. Moderato con moto
23. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 24 in D minor. Andante
24. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 24 in D minor. Moderato (4-voice double fugue)

Alexander Melnikov, piano

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Os amigos Shosta e Britten.
Os amigos Shosta e Britten.

PQP

Shostakovich: DVD dos 24 Prelúdios e Fugas com Tatiana Nikolayeva

MI0001172234POSTADO POR PQP BACH EM 18/10/2010, REVALIDADO POR VASSILY EM 29/8/2015 E 18/12/2019

Que seria de nosso blogue sem os leitores-ouvintes? Como se não bastasse serem a própria razão por que existimos, recebendo a música que polinizamos pela blogosfera e contribuindo com o influxo de comentários, volta e meia ainda nos ajudam a aumentar ou (como é o caso) restaurar o acervo do PQP Bach.

Este excelente DVD com a integral do Op. 87 por Tatiana Nikolayeva já tinha sido disponibilizada pelo leitor Rafael Pascini, mas foi tragada pelo desabamento do Megaupload. Graças a um outro leitor, o Angelo, o DVD volta para a alegria dos fãs desse monumento musical do século XX.

Cadê a lista, aquela?

Konstantin Scherbakov

Vladimir Ashkenazy

Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e  a derradeira (1990)

Keith Jarrett

Peter Donohoe

Aleksander Melnikov

BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta

Uma salva de palmas para o Angelo, gurizada!

Vassily

POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 18/10/2015

Texto e uploads: Rafael Pascini (deixado nos comentários deste blog).

O ciclo de 24 prelúdios e fugas de Shostakovich sempre ocupou um lugar especial no repertório de Tatiana Nikolayeva. Ela inspirou e estreou a obra em Leningrado em 1952 e também foi a última peça que ela apresentou no palco antes de sua morte prematura em 1993. O longa amizade entre o compositor e a intérprete começou quando, aos 26 anos de idade, Nikolayeva ganhou o primeiro prêmio no Concurso Internacional de Piano Bach em 1950 na cidade de Leipzig, organizada para o bicentenário da morte compositor alemão. Como um membro do júri, Shostakovich ficou imensamente impressionado com sua maneira de tocar. Inspirado pela experiência, ele retornou a Moscou para compor o seu próprio conjunto de Prelúdios e Fugas de 10 de outubro de 1950 a 25 de Fevereiro de 1951. Nikolayeva testemunhou o processo criativo. Tomando apenas um ou dois dias para completar cada prelúdio e fuga novos, Shostakovich pedia-lhe para vir repetidamente ao seu apartamento em Moscou, onde tocava para Nikolayeva as peças que ele tinha acabado de compor.

Classic Archive
Tatiana Nikolayeva Dmitri Shostakovich: 24 Preludes and Fugues, Op. 87 (complete)
Tatiana Nikolayeva, piano
Broadcast 21-30 December 1992, BBC Archives

Bonus:
Documentary: Tatiana Nikolayeva plays Dmitri Shostakovich

Language (bonus): Russian
Subtitle (bonus): English
Running time: 150 minutes (concert) + 14 mins (bonus)

Parte/Part 1: BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
Parte/Part 2: BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
Extras/Bonus: BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para Piano, Op. 87 – Vladimir Ashkenazy

REVALIDADO POR VASSILY EM JULHO DE 2015 E, OUTRA VEZ, EM DEZEMBRO DE 2019

510Ex03JI5LDia desses mesmo nosso nobre colega Ranulfus revalidou os links para uma preciosa postagem do patrono PQP: a gravação feita pelo monstruoso Konstantin Scherbakov para os Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87, de Shostakovich, Na ocasião, o distinto monge apontou que se tratava de uma das nada menos que SEIS versões da obra-prima que já tinham visto as páginas deste blogue e que nenhuma delas resistira à explosão da fábrica de fogos de artifício (i.e., o desmanche do Megaupload e seus congêneres pelo FBI e o rápido upload dos respectivos proprietários para prisões federais estadunidenses). Ao concluir, o preclaro colega conclamava seus pares a recuperarem as demais versões para a blogosfera.

Pois bem, deixo aqui mais uma moedinha e revalido a gravação de Vladimir Ashkenazy, postada pelo saudoso (porque não mais aqui na equipe, mas felizmente bem vivo por aí) Carlinus em 2010.

Quem prossegue?

Para facilitar, tó aqui a lista de compras para a turminha:

Konstantin Scherbakov

Vladimir Ashkenazy

Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e  a derradeira (1990)

Keith Jarrett

Peter Donohoe

Aleksander Melnikov

BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta


Vassily Genrikhovich (não, não gravei Shostakovich: sou só um mero blogueirinho)


POSTAGEM ORIGINAL DE 7/10/2010, por Carlinus

Dmitri Shostakovich é um dos principais compositores dos últimos cem anos. Gosto de sua música. Esta caixa que principio a postar é algo de muito bom gosto. Como estou com certa pressa neste instante, a informação básica é de que começarei com os 24 Prelúdios e Fugas do mestre Shosta. É algo que impõe e exige atenção respeito. Há algum tempo atrás estes mesmos prelúdios apareceram aqui com Tatiana Nikolaevna, numa gravação antológica, postada pelo PQP. A gravação com Ashkenázy também é muito boa. Ashkenazy tem um talento especial para a música russa. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para Piano, Op. 87

DISCO 1

01. Prelude no.1 in C major
02. Fugue no.1 in C major
03. Prelude no.2 in A minor
04. Fugue no.2 in A minor
05. Prelude no.3 in G major
06. Fugue no.3 in G major
07. Prelude no.4 in E minor
08. Fugue no.4 in E minor
09. Prelude no.5 in D major
10. Fugue no.5 in D major
11. Prelude no.6 in B minor
12. Fugue no.6 in B minor
13. Prelude no.7 in A major
14. Fugue no.7 in A major
15. Prelude no.8 in F sharp minor
16. Fugue no.8 in F sharp minor
17. Prelude no.9 in E major
18. Fugue no.9 in E major
19. Prelude no.10 in C sharp minor
20. Fugue no.10 in C sharp minor
21. Prelude no.11 in B major
22. Fugue no.11 in B major
23. Prelude no.12 in G sharp minor
24. Fugue no.12 in G sharp minor

DISCO 2

01. Prelude no.13 in F sharp major
02. Fugue no.13 in F sharp major
03. Prelude no.14 in E flat minor
04. Fugue no.14 in E flat minor
05. Prelude no.15 in D flat major
06. Fugue no.15 in D flat major
07. Prelude no.16 in B flat minor
08. Fugue no.16 in B flat minor
09. Prelude no.17 in A flat major
10. Fugue no.17 in A flat major
11. Prelude no.18 in F minor
12. Fugue no.18 in F minor
13. Prelude no.19 in E flat major
14. Fugue no.19 in E flat major
15. Prelude no.20 in C minor
16. Fugue no.20 in C minor
17. Prelude no.21 in B flat major
18. Fugue no.21 in B flat major
19. Prelude no.22 in G minor
20. Fugue no.22 in G minor
21. Prelude no.23 in F major
22. Fugue no.23 in F major
23. Prelude no.24 in D minor
24. Fugue no.24 in D minor

Vladimir Ashkenazy, piano

BAIXAR AQUI – DOWNLOAD HERE – CD1
BAIXAR AQUI – DOWNLOAD HERE – CD2

Carlinus

Shostakovich: 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87 – Keith Jarrett

41Bb7A8f5DLPOSTADO POR PQP BACH EM 17/1/2012, REVALIDADO POR VASSILY EM 23/9/2015

Concordo com o patrão PQP: esta é a melhor gravação disponível da obra-prima pianística do século XX. Apesar de Tatiana Nikolayeva ter sido a inspiradora, consultora e intérprete da première da obra de Shostakovich, a verve e a clareza de Jarrett soam-me como o padrão-ouro.

Questão de opinião, claro, até porque o páreo é duro e nele não precisamos de vencedores.

Agora, a lista de interpretações a repor no PQP Bach está assim:

Konstantin Scherbakov

Vladimir Ashkenazy

Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e  a derradeira (1990)

Keith Jarrett

Peter Donohoe

Aleksander Melnikov

BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta

Mais? Em breve!

Vassily Genrikhovich

POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 17/1/2012

Pois, meus filhos, vou lhes dizer uma coisa. Penso que Keith Jarrett realizou a melhor gravação dos 24 Prelúdios e Fugas de Shostakovich. O blog oferece ou ofereceu versões de Konstantin Scherbakov, Tatiana Nikolayeva e Vladimir Ashkenazy. A única que se segura ao lado da de Jarrett é a de Nikolayeva, esqueça as outras. Como nos outros posts dedicados a esta obra já colocamos longas análises a respeito, utiizo desta vez uma pequena e bela apresentação encontrada aqui.

Esta coleção é certamente a obra mais importante da produção pianística de Shostakovich. As peças foram compostas logo depois de sua visita a Leipzig por ocasião das solenidades do segundo centenário da morte de J. S. Bach, e, como tais, representam sua homenagem ao autor do Cravo bem-temperado. O que originalmente fora pensado como uma simples série de exercícios polifônicos acabou por tornar-se uma obra em grande escala, plenamente desenvolvida, na qual os gêneros pianísticos mais díspares são admiravelmente integrados em um painel coerente. A diversidade de estilos e técnicas aproxima-se às vezes do pastiche, mas a coleção é notável como ponto de consolidação das anteriores vertentes composicionais do autor, e a música, por certo, é Shostakovich em sua melhor forma, com aquela peculiar mistura de verve e pathos da qual deriva sua perene fascinação.

Shostakovich: 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87
Keith Jarrett, piano

Disco 1

1. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 1 In C Major
2. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 2 In A Minor
3. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 3 In G Major
4. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 4 In E Minor
5. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 5 In D Major
6. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 6 In B Minor
7. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 7 In A Major
8. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 8 In F Sharp Minor
9. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 9 In E Major
10. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 10 In C Sharp Minor
11. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 11 In B Major
12. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 12 In G Sharp Minor

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Disco 2

1. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.13 In F Sharp Major
2. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.14 In E Flat Minor
3. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.15 In D Flat Major
4. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.16 In B Flat Minor
5. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.17 In A Flat Major
6. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.18 In F Minor
7. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.19 In E Flat Major
8. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.20 In C Minor
9. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.21 In B Flat Major
10. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.22 In G Minor
11. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.23 In F Major
12. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.24 In D Minor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87 – Tatiana Nikolayeva (gravação de 1987)

51LrEkPfOwL._SX300_POSTADO ORIGINALMENTE POR PQP BACH EM 23/12/2009, REVALIDADO POR VASSILY EM 15/8/2015 E EM 14/12/2019

 Déjà vu? Não: o que postei ontem foi a gravação feita em 1990 pela mesma Nikolayeva para o mesmíssimo Op. 87 de Shostakovich, e lançada pela Hyperion. Esta é uma gravação feita em 1987, lançada pelo selo soviético Melodiya e, na minha opinião, superior à de 1990. Ainda há uma terceira, feita nos anos sessenta, disponível somente em LP e em relançamentos em CD marca-diabo, do naipe daquele que eu comprei em Bucareste. A diferença nos andamentos é marcante: se a jovem Nikolayeva adorava a velocidade, a artista madura privilegia a clareza das partes na polifonia. Para mim, vitória clara para a Tatiana, a Senhora.

Vocês se lembram da “listinha de compras” de revalidação dos links no PQP Bach para esse que é talvez o maior monumento da música pianística no século XX? Pois ela agora está assim:

Konstantin Scherbakov

Vladimir Ashkenazy

Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e  a derradeira (1990)

Keith Jarrett

Peter Donohoe

Aleksander Melnikov

BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta

Além da IM-PER-DÍ-VEL versão de Jarrett, que será a próxima a ser postada, e de novos links para o DVD de Nikolayeva tocando o Op. 87 e falando sobre Shostakovich (gentilmente oferecidos por um zeloso leitor do PQP Bach), prometemos ainda uma sobremesa: uma seleção de prelúdios e fugas tocada, entre uns cigarros e outros, pelo próprio Dmitri Dmitriyevich.

Portanto, comportem-se!

Vassily

POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 23/12/2009

Basarov pediu, o Ângelo respondeu e eu, PQP, posto a célebre, histórica versão de Tatiana Nikolayeva para os 24 Prelúdios e Fugas de Shostakovich.

Texto de Anderson Paiva (fragmento).

Em 1950, comemorava-se o bicentenário da morte de Johann Sebastian Bach, em Leipzig. O festival foi o palco da Competição Internacional Bach de Piano, que requeria a execução de qualquer um dos 48 Prelúdios e Fugas do Cravo Bem-Temperado. Entre os jurados, estava Dmitri Shostakovich.

A vencedora do concurso foi Tatiana Nikolayeva, que tocou não apenas um dos prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado, conforme requeria a competição, mas executou todos os 48 Prelúdios e Fugas. Ela ganhou a medalha de ouro.

Dmitri Shostakovich, que entregou o prêmio à vencedora de 26 anos (na condição de presidente do júri), ficou impressionado com a interpretação da jovem pianista.

A última atração do evento foi o Concerto em Ré Menor para Três (cravos) Pianos, de J. S. Bach, tendo Maria Youdina, Pavel Serebriakov e Tatiana Nikolayeva como solistas. Incrivelmente, após Youdina machucar o dedo, Shostakovich, sem nenhuma preparação, e de última hora, tomou o seu lugar ao piano.

O mestre russo havia sido convidado para participar do festival de Leipzig em uma época que sua música silenciara na União Soviética, após o Decreto de Zhdanov (1948). Mas em meio ao silêncio, ele prosseguia compondo. E após retornar de Leipzig, contagiado pelo espírito de Bach – num primeiro momento, pretendia escrever apenas exercícios de técnica polifônica –, resolveu compor os seus próprios Prelúdios e Fugas. A partir daí, nasceria uma das maiores obras para piano do século XX: os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87.

O trabalho é um verdadeiro monumento à arte de J. S. Bach. Shostakovich admirava-o grandemente, e a música do mestre de Leipzig é um dos pilares de sua obra. Aos 44 anos, e a exemplo de compositores como Mozart, Beethoven e Brahms, que em sua fase outonal voltaram-se para o passado em uma justa reverência ao mestre barroco, aqui Shostakovich aprofunda-se no estudo do contraponto e faz música polifônica da mais alta qualidade.

Por que vinte e quatro? São 24 os Prelúdios e Fugas do CBT I, e são 24 os Prelúdios e Fugas do CBT II, de J. S. Bach – que integram os 48 prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado. Vinte e quatro são os Prelúdios de Chopin, e são vinte e quatro os Caprichos de Paganini. O número 24 não é por acaso – ele corresponde aos vinte e quatro tons da música ocidental: doze maiores e doze menores.

Na Idade Mádia e em todo o Renascentismo, não havia música tonal. A música era modal. Predominavam os modos antigos (modos gregos), que eram sete. A partir do sistema tonal, que se consolidou no barroco, passaram a existir somente dois modos: o modo maior e o modo menor. Antes, haviam os complicados sistemas de afinação (temperamento), a fim de fazer os “ajustes das comas”. A coma é a nona parte de um tom inteiro, e é considerado o menor intervalo perceptível ao ouvido humano. Os físicos e músicos divergiam sobre o semitom diatônico e o semitom cromático. Para os músicos, o semitom cromático (de dó para dó sustenido) possuía 5 comas, e o diatônico (de dó sustenido para ré) possuía 4. Os físicos afirmavam o contrário. Durante muito tempo persistiu esse dilema, e os diferentes sistemas de afinação. O cravo precisava ser afinado (temperado) constantemente, de acordo com o modo da música que se estava a tocar. Até que surgiu a idéia de afinar o cravo em doze semitons iguais, com um sistema de afinação fixa, de modo que o intervalo entre cada semitom ficasse ajustado em 4 comas e meia (diferença imperceptível ao ouvido humano), quando o teórico Andreas Werckmeister publicou um documento com essa teoria, em 1691. Desse modo, qualquer peça poderia ser transposta para qualquer tonalidade sem precisar fazer constantes “reajustes” de afinação.

Essa idéia foi recebida com polêmica, mas Johann Sebastian Bach foi um dos primeiros a reconhecer a importância da inovação. Em 1722, publicou sua coleção de 24 Prelúdios e Fugas, para cada uma das doze tonalidades maiores e menores, e a chamou “Cravo Bem-Temperado, ou Prelúdios e Fugas em todos os Tons e Semitons”, provando que era possível tocar e transpor uma música para qualquer tonalidade, com o sistema temperado, sem precisar alterar a afinação. Em 1744, vinte e dois anos depois, publicaria o segundo volume (agora chamado Cravo Bem-Temperado, Livro II). Portanto, cada um dos volumes do CBT foram escritos em épocas distintas de sua vida, e é notável o fato de que a primeira parte foi escrita no mesmo ano em que Jean-Philippe Rameau publicou o seu Tratado de Harmonia (1722), com o mesmo objetivo. Ambos trabalhos foram decisivos para a consolidação do sistema tonal, que revolucionou a Harmonia e as técnicas de composição. O Cravo Bem-Temperado é considerado a “bíblia do pianista”, e permaneceu reconhecido mesmo após a morte de Bach, quando todas as suas outras obras foram esquecidas, de modo que o sistema tonal que prevaleceu até a época de Schöenberg, e que ainda é uma vital referência em nossos dias, é o legado de Johann Sebastian Bach.

A combinação entre o Prelúdio e a Fuga (considerada, mais do que uma forma musical, uma técnica de composição) é um casamento perfeito entre duas “formas” distintas, duas forças, dois opostos. A fuga é provavelmente a técnica de composição mais complexa da música ocidental. Ápice da música polifônica, e com regras que submetem o tratamento dos elementos musicais a padrões extremamente rígidos, reúne arte e ciência.

O Prelúdio é uma “forma” musical de caráter extremamente livre, como a Fantasia e o Noturno, e também de caráter improvisatório, como a Toccata e o Impromptu. Remonta à era da Renascença, desde as composições para alaúde, passando a ser utilizado como introdução das suítes francesas no século XVII. O “prato de entrada”, com a função de Abertura, como as antigas Sinfonias barrocas, e de curta duração, com passagens de difícil execução, sempre fazendo improvisar o virtuose (como a Toccata), com o objetivo de chamar a atenção da platéia, antes da execução da “peça principal”. Johann Pachelbel foi um dos primeiros a combinar Prelúdios e Fugas, e a partir de J. S. Bach, o Prelúdio adquiriu grande importância, sendo utilizado depois mesmo individualmente, por compositores como Beethoven, Chopin, Debussy, Rachmaninoff, Hindemith, Ginastera, etc.

A Fuga é utilizada desde o período medieval, e é uma técnica de composição polifônica que segue o princípio de imitação, como o Canon, porém muito mais complexa do que esse. Toda fuga começa com uma voz sem acompanhamento expondo o tema, que é o sujeito. A seguir, entra a segunda voz repetindo o sujeito na dominante (uma quinta acima ou uma quarta abaixo da tônica), enquanto a primeira voz prossegue, agora dando início a um segundo tema contrastante, que é o contra-sujeito. Os temas devem ser independentes, (como melodias distintas que se combinam), e a distinção entre as vozes, clara. Mas devem “afinar” entre si – e esse é o ponto de desafio que alia a estética da arte à engenharia da ciência. Os temas se contrapõem na direção da música polifônica, que é considerada “horizontal”, ao contrário da música homofônica, em que as partes são dependentes e simultâneas, considerada “vertical”. O contraponto é muito complexo, restrito a muitas regras de consonância e direcionamento de vozes, e, da sua complexidade, a fuga é a expressão máxima. Após todas as vozes exporem o sujeito (a fuga pode ser a duas, três, quatro ou a cinco vozes, etc.) e o contra-sujeito, segue-se um complexo desenvolvimento de temas e
motivos que culminam no ponto alto e de tensão da fuga: o stretto. É onde as vozes se aproximam, cada vez mais – e as vezes ocorrem entradas paralelas –, produzindo a impressão de que uma voz está perseguindo a outra, daí o nome fuga.

Palestrina e outros compositores utilizaram a fuga no Renascentismo. Teve o seu ápice no Barroco, sendo usada por compositores como Sweelinck, Froberger, Corelli, Pachelbel, Buxtehude e Händel. Mas foi através de Bach, com o Cravo Bem-Temperado e A Arte da Fuga, que essa magistral arte e ciência do contraponto atingiu o seu ponto culminante. Depois ela cairia em parcial esquecimento, mas sendo aproveitada por compositores como Haydn, Mozart e Beethoven, no Classicismo; Mendelssohn, Brahms, Schumman, Rmski-Korsakov, Saint-Saëns, Berlioz, Richard Strauss, Rachmaninoff e Glazunov, no Romantismo; e, no século XX, por Max Reger, Kaikhosru Sorabji, Bártok, Weinberger, Barber, Stravinsky, Hindemith, Charles Ives e Dmitri Shostakovich.

Ah! Quão belos e magistrais são os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 de Shostakovich! Elaborados, profundos, sinceros, é arte que desabrocha, ora sutil, ora retumbante, do mais íntimo e abissal silêncio. É música que, uma vez expandida, repreendida e calada, retorna a si, ao íntimo do compositor, e tácita e reflexiva, espera a sua hora, para irromper como um monumento, colosso perpétuo para as gerações futuras que ouvirão, ao seu tempo, os pensamentos calados e as palavras não ditas. Shostakovich, de mão dadas a Bach, como um furacão transcende o momento, atravessa o tempo, e chega como brisa aos nossos ouvidos. Quando ela foi executada pelo pianista soviético Svyatoslav Richter, um crítico que estava presente disse: “Pedras preciosas derramaram-se dos dedos de Richter, refletindo todas as cores do arco-íris”. Essa obra, Shostakovich iniciou após retornar do festival de Leipzig, trabalhando rapidamente, levando apenas três dias em média para escrever cada peça. O trabalho completo foi escrito entre 10 de outubro de 1950 e 25 de fevereiro de 1951. Após concluir a obra, Shostakovich dedicou-a a Tatiana Nikolayeva, a pianista que o inspirou, e que brilhou vencendo a competição do festival do bicentenário de Bach em Leipzig, executando os prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado. Assim que ele completou o ciclo, ele a chamou ao seu apartamento em Moscou para lhe mostrar o seu trabalho. Shostakovich tocou a obra na União dos Compositores Soviéticos, em maio de 1951, e Nikolayeva estreou-a em Leningrado, à 23 de dezembro de 1952.

Mas os 24 Prelúdios e Fugas não foram bem recebidos pelos críticos soviéticos, a princípio, especialmente na União dos Compositores. Desagradaram-lhes a dissonância de algumas fugas, e eles também a reprovaram por a considerarem “ocidental” e “arcaica”. E essa obra, hoje acessível, permanece ainda, por muitos, desconhecida.

Tatiana Petrovna Nikolayeva, pianista russa, como Shostakovich, e também compositora, foi uma das maiores pianistas soviéticas do século XX. Nasceu em 1924 e começou a aprender piano aos três anos de idade. Depois entrou para o Conservatório de Moscou e estudou com Alexander Goldenweiser e Yevgeny Golubev. Após vencer a Competição Internacional Bach de Piano de Leipzig, acumulou um imenso repertório, abrangendo Beethoven, Bártok e diversos compositores. Foi uma das grandes intérpretes de Bach. Enquanto muitos pianistas escolhiam tocar em instrumentos de época, Nikolayeva preferia tocar Bach no moderno piano Steinway, sempre com grande sucesso. Suas composições incluem um concerto para piano em si maior, executado e gravado em 1951 e publicado em 1958, um trio para piano, flauta e viola, gravado pela BIS Records, prelúdios para piano e um quarteto de cordas. A partir de 1950, ela passaria a ser uma das grandes amizades de Dmitri Shostakovich.

Após Nikolayeva gravar os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87, surgiram outras grandes gravações. Vladimir Ashkenazy, pela Decca, Keith Jarret, pela ECM, Konstantin Scherbakov, pela Naxos, e Boris Petrushansky, pela Dynamic, estão entre os poucos discos que disputam no mercado. Keith Jarret, mais conhecido como músico de jazz, afirmou o seu nome na música clássica pela ECM, com o seu toque de impecável técnica. Vladimir, Scherbakov e Petrushansky fizeram gravações notáveis, cada um com a sua interpretação única. E o próprio Shostakovich também gravou os seus 24 Prelúdios e Fugas, pela EMI. Dessas gravações, a que possuo, até o momento, é somente a de Sherbakov, a qual considero uma pérola musical.

Mas é Tatiana Nikolayeva a maior intérprete dessa obra cheia de nuanças, e quem desvenda com toque de perfeição o universo musical de Shostakovich. Ela gravou a obra por três vezes: duas pela BGM-Melodya, em 1962 e 1987, e a terceira pela Hyperion, em 1990. Todas as gravações supracitadas (exceto a primeira de Nikolayeva pela Melodya) encontram-se na internet.

Essa obra completa dura mais de duas horas. Os pianistas costumam executá-la em duas apresentações, tocando metade do ciclo em cada uma.

A ordem dos prelúdios e fugas não é aleatória, nem escolhida por um critério extra-musical qualquer. Partindo de dó maior, percorre um ciclo de progressões harmônicas. Os prelúdios e fugas de Bach, no paralelo maior/menor, seguem a ordem da escala cromática ascendente (dó maior, dó menor, dó sustenido maior, dó sustenido menor, etc.). Mas Shostakovich, a exemplo dos 24 Prelúdios de Chopin, com a relação do par maior/menor, segue o ciclo das quintas (dó maior, lá menor, sol maior, mi menor, ré maior, si menor, etc.). E se a obra é construída em torno das 24 tonalidades, quer dizer que a música é tonal. Sim, Shostakovich faz música tonal em plena era do atonalismo, mas com incursões atonais, abuso de dissonâncias e domínio da técnica com diferentes assimilações que sustentam o seu estilo singular e “poliestilista”. Nos Prelúdios e Fugas de Shostakovich há citações de Bach. Mas a substância dessa obra é a expressão musical única e interior do próprio compositor, Shostakovich, que com grande capacidade eclética e assimilativa, e sendo, ao mesmo tempo, profundamente original, percorre os mais diversos climas e variações de humor, com modulações ora bruscas e desconcertantes, ora tênues e elegantes. Serena, como na fuga n.º. 1 ou na fuga n.º. 13, brincalhona, como na fuga n.º. 3 ou no prelúdio n.º 21, a música de Shostakovich permeia os mais distintos aspectos da expressão musical. Estranhas são as fugas n.º 8 e n.º 19, misteriosas; cômica é a fuga n.º 11, ousada é a fuga n.º 6, luminosa é a fuga n.º 7. Os prelúdios de Shostakovich às vezes combinam-se perfeitamente com as fugas, e eles se atraem; e às vezes se contrastam. As fugas magnificamente elaboradas são emolduradas pelos belos prelúdios que, no entanto, não devem ser considerados obras menores. Cada peça, além de ser parte essencial de um todo, é também uma pequena obra-prima à parte, de modo que o conjunto de 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 formam, na verdade, uma coleção de 48 obras agrupadas em torno de um trabalho monumental e único.

DMITRI DMITRIYEVICH SHOSTAKOVICH (1906-1975)

VINTE E QUATRO PRELÚDIOS E FUGAS PARA PIANO, OP. 87

TATIANA NIKOLAYEVA, piano

DISCO 1

01 – Prelúdio e Fuga no. 1 em Dó maior
02 – Prelúdio e Fuga no. 2 em Lá menor
03 – Prelúdio e Fuga no. 3 em Sol maior
04 – Prelúdio e Fuga no. 4 em Mi menor
05 – Prelúdio e Fuga no. 5 em Ré maior
06 – Prelúdio e Fuga no. 6 em Si menor
07 – Prelúdio e Fuga no. 7 em Lá maior
08 – Prelúdio e Fuga no. 8 em Fá sustenido menor
09 – Prelúdio e Fuga no. 9 em Mi maior
10 – Prelúdio e Fuga no. 10 em Dó sustenido menor

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DISCO 2

01 – Prelúdio e Fuga no. 11 em Si maior
02 – Prelúdio e Fuga no. 12 em Sol sustenido menor
03 – Prelúdio e Fuga no. 13 em Fá sustenido maior
04 – Prelúdio e Fuga no. 14 em Mi bemol menor
05 – Prelúdio e Fuga no. 15 em Ré bemol maior
06 – Prelúdio e Fuga no. 16 em Si bemol menor

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DISCO 3

01 – Prelúdio e Fuga no. 17 em Lá bemol maior
02 – Prelúdio e Fuga no. 18 em Fá menor
03 – Prelúdio e Fuga no. 19 em Mi bemol maior
04 – Prelúdio e Fuga no. 20 em Dó menor
05 – Prelúdio e Fuga no. 21 em Si bemol maior
06 – Prelúdio e Fuga no. 22 em Sol menor
07 – Prelúdio e Fuga no. 23 em Fá maior
08 – Prelúdio e Fuga no. 24 em Ré menor

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Apesar de raramente respondidos, os comentários dos leitores e ouvintes são apreciadíssimos. São nosso combustível.
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PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 – Tatiana Nikolayeva (gravação de 1990)

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 – Tatiana Nikolayeva (gravação de 1990)

CoverSegue a recuperação das gravações desta obra-prima do século XX junto ao acervo PQP Bachiano. Para muitos, as interpretações de Tatiana Nikolayeva são as melhores que existem. Meu indeciso coração divide-se entre as dela e a de Keith Jarrett, que recuperarei nas próximas semanas. O que não se discute é que, na condição de inspiradora, consultora e intérprete da première, Nikolayeva foi a maior autoridade imaginável nessa obra monumental.

Estava pronto a restaurar os links da postagem original feita pelo PQP Bach ainda em 2009, quando percebi que esta gravação que ora lhes alcanço é diferente daquela disponibilizada por nosso patrão. Salvo melhor juízo, Nikolayeva fez três gravações completas do ciclo: uma nos anos 60, outra em 1987 (ambas pelo selo soviético Melodiya) e esta aqui, feita em Londres em 1990, lançada pela Hyperion. Considero a gravação de 1987 superior em vários aspectos, mas aprendi a gostar dos andamentos mais lentos e do tom mais reflexivo desta aqui, parte do testamento musical da grande pianista, falecida em 1993 por conta de um acidente vascular encefálico – iniciado, justamente, durante um recital do Op.87 de Shostakovich em San Francisco.

Mesmo que a gravação postada pelo PQP tenha sido provavelmente a de 1987 (que eu tinha, mas foi destruída por cães – vocês duvidam, mas é porque não conhecem meus cães!), eu recomendo fortemente a leitura da ótima postagem original,  com riquíssima descrição da obra, de sua gênese e de sua repercussão.

Nossa listinha de gravações a recuperar, agora, é a seguinte:

Konstantin Scherbakov

Vladimir Ashkenazy

Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e  a derradeira (1990)

Keith Jarrett

Peter Donohoe

Aleksander Melnikov

BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta

 

Dmitri Dmitrievich SHOSTAKOVICH (1906-1975)

VINTE E QUATRO PRELÚDIOS E FUGAS PARA PIANO, OP. 87

TATIANA NIKOLAYEVA, piano

DISCO 1

01 – Prelúdio no. 1 em Dó maior
02 – Fuga no. 1 em Dó maior
03 – Prelúdio no. 2 em Lá menor
04 – Fuga no. 2 em Lá menor
05 – Prelúdio no. 3 em Sol maior
06 – Fuga no. 3 em Sol maior
07 – Prelúdio no. 4 em Mi menor
08 – Fuga no. 4 em Mi menor
09 – Prelúdio no. 5 em Ré maior
10 – Fuga no. 5 em Ré maior
11 – Prelúdio no. 6 em Si menor
12 – Fuga no. 6 em Si menor
13 – Prelúdio no. 7 em Lá maior
14 – Fuga no. 7 em Lá maior
15 – Prelúdio no. 8 em Fá sustenido menor
16 – Fuga no. 8 em Fá sustenido menor
17 – Prelúdio no. 9 em Mi maior
18 – Fuga no. 9 em Mi maior
19 – Prelúdio no. 10 em Dó sustenido menor
20 – Fuga no. 10 em Dó sustenido menor

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DISCO 2

01 – Prelúdio no. 11 em Si maior
02 – Fuga no. 11 em Si maior
03 – Prelúdio no. 12 em Sol sustenido menor
04 – Fuga no. 12 em Sol sustenido menor
05 – Prelúdio no. 13 em Fá sustenido maior
06 – Fuga no. 13 em Fá sustenido maior
07 – Prelúdio no. 14 em Mi bemol menor
08 – Fuga no. 14 em Mi bemol menor
09 – Prelúdio no. 15 em Ré bemol maior
10 – Fuga no. 15 em Ré bemol maior
11 – Prelúdio no. 16 em Si bemol menor
12 – Fuga no. 16 em Si bemol menor
13 – Prelúdio no. 17 em Lá bemol maior
14 – Fuga no. 17 em Lá bemol maior

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DISCO 3

01 – Prelúdio no. 18 em Fá menor
02 – Fuga no. 18 em Fá menor
03 – Prelúdio no. 19 em Mi bemol maior
04 – Fuga no. 19 em Mi bemol maior
05 – Prelúdio no. 20 em Dó menor
06 – Fuga no. 20 em Dó menor
07 – Prelúdio no. 21 em Si bemol maior
08 – Fuga no. 21 em Si bemol maior
09 – Prelúdio no. 22 em Sol menor
10 – Fuga no. 22 em Sol menor
11 – Prelúdio no. 23 em Fá maior
12 – Fuga no. 23 em Fá maior
13 – Prelúdio no. 24 em Ré menor
14 – Fuga no. 24 em Ré menor

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Shostakovich e Nikolayeva: unha e carne na concepção de um monumento musical
Shostakovich (à esquerda) e Nikolayeva: unha e carne na concepção de um monumento musical

 

Vassily Genrikhovich

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 – Konstantin Scherbakov

PUBLICADO ORIGINALMENTE POR PQPBACH EM 28/5/2007,  RESTAURADO POR RANULFUS EM 4/7/2015 E POR VASSILY EM 12/12/2019

NOTA DE VASSILY: quatro anos atrás, fizemos um esforço de restaurar os links, então todos perdidos, para as gravações em nosso acervo desse maior monumento da literatura pianística do século XX, o op. 87 de Shostakovich. Os links colapsaram novamente, e alguns de nós outros acabaram por hibernar no éter internético (internéter?). Comemoro meu despertar redisponibilizando as gravações para vocês, caros leitores-ouvintes, começando por aquela que entusiasmou tanto o Ranulfus que me instigou a recuperar a série, a do ebuliente siberiano Scherbakov. Se tudo correr bem, em muito breve estarão elas todas por aqui, para completarmos nossa lista de cromos faltantes, a saber:

Tatiana Nikolayeva: três versões, a primeira (1961), a segunda (1987) e a derradeira (1990)

Aleksander Melnikov

Vladimir Ashkenazy

Konstantin Scherbakov

Keith Jarrett

Peter Donohoe  (já disponível em postagem do patrão PQP)

BÔNUS: DVD sobre Tatiana Nikolayeva e uma integral do Op. 87

Publicação original: 28.05.2007

Nota de Ranulfus: Esta postagem do nosso grão-mestre PQP foi a primeira de seis postagens dos Prelúdios e Fugas do Shosta que apareceram aqui – e precisamente a que me conquistou. Depois o próprio PQP publicou a de Nikolayeva, tida como a referência nesta obra, em áudio (2009) e em vídeo (2010), a de Keith Jarrett (de que ele gostou e eu não gostei) em 2012, a de Melnikov em 2013. Além disso, o Carlinus publicou a de Ashkenazy em 2010. Pois mal: devido aos acidentes a que o compartilhamento tem estado sujeito, nenhuma delas chegou a 2015 no ar – o que foi trágico, pois avalio esta obra como um clássico maior, ainda insuficientemente conhecido, mas digno de ficar para sempre – e desde já!

Então está aqui de novo a versão de Scherbakov – e quem sabe os colegas se animem a revalidar também alguma(s) das outras!

Texto de Anderson Paiva (fragmento). Em 1950, comemorava-se o bicentenário da morte de Johann Sebastian Bach, em Leipzig. O festival foi o palco da Competição Internacional Bach de Piano, que requeria a execução de qualquer um dos 48 Prelúdios e Fugas do Cravo Bem-Temperado. Entre os jurados, estava Dmitri Shostakovich.

A vencedora do concurso foi Tatiana Nikolayeva, que tocou não apenas um dos prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado, conforme requeria a competição, mas executou todos os 48 Prelúdios e Fugas. Ela ganhou a medalha de ouro.

Dmitri Shostakovich, que entregou o prêmio à vencedora de 26 anos (na condição de presidente do júri), ficou impressionado com a interpretação da jovem pianista.

A última atração do evento foi o Concerto em Ré Menor para Três (cravos) Pianos, de J. S. Bach, tendo Maria Youdina, Pavel Serebriakov e Tatiana Nikolayeva como solistas. Incrivelmente, após Youdina machucar o dedo, Shostakovich, sem nenhuma preparação, e de última hora, tomou o seu lugar ao piano.

O mestre russo havia sido convidado para participar do festival de Leipzig em uma época que sua música silenciara na União Soviética, após o Decreto de Zhdanov (1948). Mas em meio ao silêncio, ele prosseguia compondo. E após retornar de Leipzig, contagiado pelo espírito de Bach – num primeiro momento, pretendia escrever apenas exercícios de técnica polifônica –, resolveu compor os seus próprios Prelúdios e Fugas. A partir daí, nasceria uma das maiores obras para piano do século XX: os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87.

O trabalho é um verdadeiro monumento à arte de J. S. Bach. Shostakovich admirava-o grandemente, e a música do mestre de Leipzig é um dos pilares de sua obra. Aos 44 anos, e a exemplo de compositores como Mozart, Beethoven e Brahms, que em sua fase outonal voltaram-se para o passado em uma justa reverência ao mestre barroco, aqui Shostakovich aprofunda-se no estudo do contraponto e faz música polifônica da mais alta qualidade.

Por que vinte e quatro? São 24 os Prelúdios e Fugas do CBT I, e são 24 os Prelúdios e Fugas do CBT II, de J. S. Bach – que integram os 48 prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado. Vinte e quatro são os Prelúdios de Chopin, e são vinte e quatro os Caprichos de Paganini. O número 24 não é por acaso – ele corresponde aos vinte e quatro tons da música ocidental: doze maiores e doze menores.

Na Idade Mádia e em todo o Renascentismo, não havia música tonal. A música era modal. Predominavam os modos antigos (modos gregos), que eram sete. A partir do sistema tonal, que se consolidou no barroco, passaram a existir somente dois modos: o modo maior e o modo menor. Antes, haviam os complicados sistemas de afinação (temperamento), a fim de fazer os “ajustes das comas”. A coma é a nona parte de um tom inteiro, e é considerado o menor intervalo perceptível ao ouvido humano. Os físicos e músicos divergiam sobre o semitom diatônico e o semitom cromático. Para os músicos, o semitom cromático (de dó para dó sustenido) possuía 5 comas, e o diatônico (de dó sustenido para ré) possuía 4. Os físicos afirmavam o contrário. Durante muito tempo persistiu esse dilema, e os diferentes sistemas de afinação. O cravo precisava ser afinado (temperado) constantemente, de acordo com o modo da música que se estava a tocar. Até que surgiu a idéia de afinar o cravo em doze semitons iguais, com um sistema de afinação fixa, de modo que o intervalo entre cada semitom ficasse ajustado em 4 comas e meia (diferença imperceptível ao ouvido humano), quando o teórico Andreas Werckmeister publicou um documento com essa teoria, em 1691. Desse modo, qualquer peça poderia ser transposta para qualquer tonalidade sem precisar fazer constantes “reajustes” de afinação.

Essa idéia foi recebida com polêmica, mas Johann Sebastian Bach foi um dos primeiros a reconhecer a importância da inovação. Em 1722, publicou sua coleção de 24 Prelúdios e Fugas, para cada uma das doze tonalidades maiores e menores, e a chamou “Cravo Bem-Temperado, ou Prelúdios e Fugas em todos os Tons e Semitons”, provando que era possível tocar e transpor uma música para qualquer tonalidade, com o sistema temperado, sem precisar alterar a afinação. Em 1744, vinte e dois anos depois, publicaria o segundo volume (agora chamado Cravo Bem-Temperado, Livro II). Portanto, cada um dos volumes do CBT foram escritos em épocas distintas de sua vida, e é notável o fato de que a primeira parte foi escrita no mesmo ano em que Jean-Philippe Rameau publicou o seu Tratado de Harmonia (1722), com o mesmo objetivo. Ambos trabalhos foram decisivos para a consolidação do sistema tonal, que revolucionou a Harmonia e as técnicas de composição. O Cravo Bem-Temperado é considerado a “bíblia do pianista”, e permaneceu reconhecido mesmo após a morte de Bach, quando todas as suas outras obras foram esquecidas, de modo que o sistema tonal que prevaleceu até a época de Schöenberg, e que ainda é uma vital referência em nossos dias, é o legado de Johann Sebastian Bach.

A combinação entre o Prelúdio e a Fuga (considerada, mais do que uma forma musical, uma técnica de composição) é um casamento perfeito entre duas “formas” distintas, duas forças, dois opostos. A fuga é provavelmente a técnica de composição mais complexa da música ocidental. Ápice da música polifônica, e com regras que submetem o tratamento dos elementos musicais a padrões extremamente rígidos, reúne arte e ciência.

O Prelúdio é uma “forma” musical de caráter extremamente livre, como a Fantasia e o Noturno, e também de caráter improvisatório, como a Toccata e o Impromptu. Remonta à era da Renascença, desde as composições para alaúde, passando a ser utilizado como introdução das suítes francesas no século XVII. O “prato de entrada”, com a função de Abertura, como as antigas Sinfonias barrocas, e de curta duração, com passagens de difícil execução, sempre fazendo improvisar o virtuose (como a Toccata), com o objetivo de chamar a atenção da platéia, antes da execução da “peça principal”. Johann Pachelbel foi um dos primeiros a combinar Prelúdios e Fugas, e a partir de J. S. Bach, o Prelúdio adquiriu grande importância, sendo utilizado depois mesmo individualmente, por compositores como Beethoven, Chopin, Debussy, Rachmaninoff, Hindemith, Ginastera, etc.

A Fuga é utilizada desde o período medieval, e é uma técnica de composição polifônica que segue o princípio de imitação, como o Canon, porém muito mais complexa do que esse. Toda fuga começa com uma voz sem acompanhamento expondo o tema, que é o sujeito. A seguir, entra a segunda voz repetindo o sujeito na dominante (uma quinta acima ou uma quarta abaixo da tônica), enquanto a primeira voz prossegue, agora dando início a um segundo tema contrastante, que é o contra-sujeito. Os temas devem ser independentes, (como melodias distintas que se combinam), e a distinção entre as vozes, clara. Mas devem “afinar” entre si – e esse é o ponto de desafio que alia a estética da arte à engenharia da ciência. Os temas se contrapõem na direção da música polifônica, que é considerada “horizontal”, ao contrário da música homofônica, em que as partes são dependentes e simultâneas, considerada “vertical”. O contraponto é muito complexo, restrito a muitas regras de consonância e direcionamento de vozes, e, da sua complexidade, a fuga é a expressão máxima. Após todas as vozes exporem o sujeito (a fuga pode ser a duas, três, quatro ou a cinco vozes, etc.) e o contra-sujeito, segue-se um complexo desenvolvimento de temas e
motivos que culminam no ponto alto e de tensão da fuga: o stretto. É onde as vozes se aproximam, cada vez mais – e as vezes ocorrem entradas paralelas –, produzindo a impressão de que uma voz está perseguindo a outra, daí o nome fuga.

Palestrina e outros compositores utilizaram a fuga no Renascentismo. Teve o seu ápice no Barroco, sendo usada por compositores como Sweelinck, Froberger, Corelli, Pachelbel, Buxtehude e Händel. Mas foi através de Bach, com o Cravo Bem-Temperado e A Arte da Fuga, que essa magistral arte e ciência do contraponto atingiu o seu ponto culminante. Depois ela cairia em parcial esquecimento, mas sendo aproveitada por compositores como Haydn, Mozart e Beethoven, no Classicismo; Mendelssohn, Brahms, Schumman, Rmski-Korsakov, Saint-Saëns, Berlioz, Richard Strauss, Rachmaninoff e Glazunov, no Romantismo; e, no século XX, por Max Reger, Kaikhosru Sorabji, Bártok, Weinberger, Barber, Stravinsky, Hindemith, Charles Ives e Dmitri Shostakovich.

Ah! Quão belos e magistrais são os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 de Shostakovich! Elaborados, profundos, sinceros, é arte que desabrocha, ora sutil, ora retumbante, do mais íntimo e abissal silêncio. É música que, uma vez expandida, repreendida e calada, retorna a si, ao íntimo do compositor, e tácita e reflexiva, espera a sua hora, para irromper como um monumento, colosso perpétuo para as gerações futuras que ouvirão, ao seu tempo, os pensamentos calados e as palavras não ditas. Shostakovich, de mão dadas a Bach, como um furacão transcende o momento, atravessa o tempo, e chega como brisa aos nossos ouvidos. Quando ela foi executada pelo pianista soviético Svyatoslav Richter, um crítico que estava presente disse: “Pedras preciosas derramaram-se dos dedos de Richter, refletindo todas as cores do arco-íris”. Essa obra, Shostakovich iniciou após retornar do festival de Leipzig, trabalhando rapidamente, levando apenas três dias em média para escrever cada peça. O trabalho completo foi escrito entre 10 de outubro de 1950 e 25 de fevereiro de 1951. Após concluir a obra, Shostakovich dedicou-a a Tatiana Nikolayeva, a pianista que o inspirou, e que brilhou vencendo a competição do festival do bicentenário de Bach em Leipzig, executando os prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado. Assim que ele completou o ciclo, ele a chamou ao seu apartamento em Moscou para lhe mostrar o seu trabalho. Shostakovich tocou a obra na União dos Compositores Soviéticos, em maio de 1951, e Nikolayeva estreou-a em Leningrado, à 23 de dezembro de 1952.

Mas os 24 Prelúdios e Fugas não foram bem recebidos pelos críticos soviéticos, a princípio, especialmente na União dos Compositores. Desagradaram-lhes a dissonância de algumas fugas, e eles também a reprovaram por a considerarem “ocidental” e “arcaica”. E essa obra, hoje acessível, permanece ainda, por muitos, desconhecida.

Tatiana Petrovna Nikolayeva, pianista russa, como Shostakovich, e também compositora, foi uma das maiores pianistas soviéticas do século XX. Nasceu em 1924 e começou a aprender piano aos três anos de idade. Depois entrou para o Conservatório de Moscou e estudou com Alexander Goldenweiser e Yevgeny Golubev. Após vencer a Competição Internacional Bach de Piano de Leipzig, acumulou um imenso repertório, abrangendo Beethoven, Bártok e diversos compositores. Foi uma das grandes intérpretes de Bach. Enquanto muitos pianistas escolhiam tocar em instrumentos de época, Nikolayeva preferia tocar Bach no moderno piano Steinway, sempre com grande sucesso. Suas composições incluem um concerto para piano em si maior, executado e gravado em 1951 e publicado em 1958, um trio para piano, flauta e viola, gravado pela BIS Records, prelúdios para piano e um quarteto de cordas. A partir de 1950, ela passaria a ser uma das grandes amizades de Dmitri Shostakovich.

Após Nikolayeva gravar os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87, surgiram outras grandes gravações. Vladimir Ashkenazy, pela Decca, Keith Jarret, pela ECM, Konstantin Scherbakov, pela Naxos, e Boris Petrushansky, pela Dynamic, estão entre os poucos discos que disputam no mercado. Keith Jarret, mais conhecido como músico de jazz, afirmou o seu nome na música clássica pela ECM, com o seu toque de impecável técnica. Vladimir, Scherbakov e Petrushansky fizeram gravações notáveis, cada um com a sua interpretação única. E o próprio Shostakovich também gravou os seus 24 Prelúdios e Fugas, pela EMI. Dessas gravações, a que possuo, até o momento, é somente a de Sherbakov, a qual considero uma pérola musical.

Mas é Tatiana Nikolayeva a maior intérprete dessa obra cheia de nuanças, e quem desvenda com toque de perfeição o universo musical de Shostakovich. Ela gravou a obra por três vezes: duas pela BGM-Melodya, em 1962 e 1987, e a terceira pela Hyperion, em 1990. Todas as gravações supracitadas (exceto a primeira de Nikolayeva pela Melodya) encontram-se na internet.

Essa obra completa dura mais de duas horas. Os pianistas costumam executá-la em duas apresentações, tocando metade do ciclo em cada uma.

A ordem dos prelúdios e fugas não é aleatória, nem escolhida por um critério extra-musical qualquer. Partindo de dó maior, percorre um ciclo de progressões harmônicas. Os prelúdios e fugas de Bach, no paralelo maior/menor, seguem a ordem da escala cromática ascendente (dó maior, dó menor, dó sustenido maior, dó sustenido menor, etc.). Mas Shostakovich, a exemplo dos 24 Prelúdios de Chopin, com a relação do par maior/menor, segue o ciclo das quintas (dó maior, lá menor, sol maior, mi menor, ré maior, si menor, etc.). E se a obra é construída em torno das 24 tonalidades, quer dizer que a música é tonal. Sim, Shostakovich faz música tonal em plena era do atonalismo, mas com incursões atonais, abuso de dissonâncias e domínio da técnica com diferentes assimilações que sustentam o seu estilo singular e “poliestilista”. Nos Prelúdios e Fugas de Shostakovich há citações de Bach. Mas a substância dessa obra é a expressão musical única e interior do próprio compositor, Shostakovich, que com grande capacidade eclética e assimilativa, e sendo, ao mesmo tempo, profundamente original, percorre os mais diversos climas e variações de humor, com modulações ora bruscas e desconcertantes, ora tênues e elegantes. Serena, como na fuga n.º. 1 ou na fuga n.º. 13, brincalhona, como na fuga n.º. 3 ou no prelúdio n.º 21, a música de Shostakovich permeia os mais distintos aspectos da expressão musical. Estranhas são as fugas n.º 8 e n.º 19, misteriosas; cômica é a fuga n.º 11, ousada é a fuga n.º 6, luminosa é a fuga n.º 7. Os prelúdios de Shostakovich às vezes combinam-se perfeitamente com as fugas, e eles se atraem; e às vezes se contrastam. As fugas magnificamente elaboradas são emolduradas pelos belos prelúdios que, no entanto, não devem ser considerados obras menores. Cada peça, além de ser parte essencial de um todo, é também uma pequena obra-prima à parte, de modo que o conjunto de 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 formam, na verdade, uma coleção de 48 obras agrupadas em torno de um trabalho monumental e único.

Dmitri Shostakovich
24 Preludes and Fugues, Op. 87
Konstantin Scherbakov, piano

CD 1

  1. Prelude No. 1 in C major: Moderato 02:50
  2. Fugue No. 1 in C major: Moderato 04:02
  3. Prelude No. 2 in A minor: Allegro 00:52
  4. Fugue No. 2 in A minor: Allegretto 01:33
  5. Prelude No. 3 in G major: Moderato non troppo 01:51
  6. Fugue No. 3 in G major: Allegro molto 01:56
  7. Prelude No. 4 in E minor: Andante 01:57
  8. Fugue No. 4 in E minor: Adagio 05:35
  9. Prelude No. 5 in D major: Allegretto 01:44
  10. Fugue No. 5 in D major: Allegretto 02:01
  11. Prelude No. 6 in B minor: Allegretto 01:42
  12. Fugue No. 6 in B minor: Allegro poco moderato 04:00
  13. Prelude No. 7 in A major: Allegro poco moderato 01:24
  14. Fugue No
    . 7 in A major: Allegretto 02:47
  15. Prelude No. 8 in F sharp minor: Allegretto 01:18
  16. Fugue No. 8 in F sharp minor: Andante 07:10
  17. Prelude No. 9 in E major: Moderato non troppo 02:36
  18. Fugue No. 9 in E major: Allegro 01:36
  19. Prelude No. 10 in C sharp minor: Allegro 01:52
  20. Fugue No. 10 in C sharp minor: Moderato 05:43
  21. Prelude No. 11 in B major: Allegro 01:22
  22. Fugue No. 11 in B major: Allegro 02:10
  23. Prelude No. 12 in G sharp minor: Andante 03:13
  24. Fugue No. 12 in G sharp minor: Allegro 03:28

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CD 2

  1. Prelude No. 13 in F sharp major: Moderato con moto 01:56
  2. Fugue No. 13 in F sharp major: Adagio 04:55
  3. Prelude No. 14 in E flat minor: Adagio 03:33
  4. Fugue No. 14 in E flat minor: Allegro non troppo 02:17
  5. Prelude No. 15 in D flat major: Moderato non troppo 03:03
  6. Fugue No. 15 in D flat major: Allegretto 01:54
  7. Prelude No. 16 in B flat minor: Allegro molto 02:37
  8. Fugue No. 16 in B flat major: Andante 06:46
  9. Prelude No. 17 in A flat major: Allegretto 01:57
  10. Fugue No. 17 in A flat major: Allegretto 03:51
  11. Prelude No. 18 in F minor: Moderato 02:21
  12. Fugue No. 18 in F minor: Moderato con moto 02:54
  13. Prelude No. 19 in E flat major: Allegretto 02:13
  14. Fugue No. 19 in E flat major: Moderato con moto 02:34
  15. Prelude No. 20 in C minor: Adagio 03:47
  16. Fugue No. 20 in C minor: Moderato 05:08
  17. Prelude No. 21 in B flat major: Allegro 01:16
  18. Fugue No. 21 in B flat major: Allegro non troppo 02:59
  19. Prelude No. 22 in G minor: Moderato non troppo 02:08
  20. Fugue No. 22 in G minor: Moderato 03:15
  21. Prelude No. 23 in F major: Adagio 02:52
  22. Fugue No. 23 in F major: Moderato con moto 03:14
  23. Prelude No. 24 in D minor: Andante 03:44
  24. Fugue No. 24 in D minor: Moderato 07:23

Total Playing Time: 02:23:19

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PQP, 28.05.2007. Revalidado por Ranulfus, 2015 e por Vassily, 2019

Hjalmar Borgstrøm (1864-1925): Concerto para Violino Op. 25 / Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concerto para Violino Nº 1, Op. 77

Hjalmar Borgstrøm (1864-1925): Concerto para Violino Op. 25 / Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concerto para Violino Nº 1, Op. 77

Ela é loira e linda. Mas esconde enormes profundezas, pois só assim poderia enfrentar o Concerto para Violino Nº 1, Op. 77, de Shostakovich. A violinista norueguesa Eldbjørg Hemsing não chega a arranhar Oistrath, Vengerov ou mesmo Khachatryan em sua tentativa, mas toca muito bem e vale a audição.

Este Concerto foi escrito entre 1947 e 1948. Shostakovich ainda estava trabalhando na peça na época do decreto Jdanov e, no período posterior a sua denúncia, o trabalho não pôde ser apresentado. A primeira apresentação só foi ocorrer em 29 de outubro de 1955 e, até esta data, o compositor e David Oistrakh trabalharam em várias revisões. O trabalho foi finalmente apresentado pela Filarmônica de Leningrado sob Yevgeny Mravinsky. A obra foi muito bem recebida. Não era para menos, trata-se de uma OBRA-PRIMA.

O concerto de DSCH vem acompanhado por outro do norueguês Borgstrøm (prazer em conhecer). O concerto é romanticão e bom, mas não basta ser bom para fazer companhia a Shosta.

Hjalmar Borgstrøm (1864-1925): Concerto para Violino Op. 25 / Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concerto para Violino Nº 1, Op. 77

Hjalmar Borgström
Violin Concerto in G major, Op. 25 (1914) 36’12
01 I. Allegro moderato 15’59
02 II. Adagio 8’44
03 III. Allegro con spirito 11’29

Dmitri Shostakovich
Violin Concerto No.1 in A minor, Op. 77 (1947–48, rev. 1955) 37’58
04 I. Nocturne. Moderato 12’11
05 II. Scherzo. Allegro 6’41
06 III. Passacaglia. Andante – Cadenza 13’39
07 IV. Burlesque. Allegro con brio – Presto 5’27

Eldbjørg Hemsing, violino
Wiener Symphoniker
Olari Elts

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Eldbjørg Hemsing: parece nórdica, não?

PQP

In memoriam Mariss Jansons: Dmitri Shostakovitch (1906-1975): Sinfonia Nº 10, Op.93

In memoriam Mariss Jansons: Dmitri Shostakovitch (1906-1975): Sinfonia Nº 10, Op.93

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mariss Jansons considerava Dmitri Shostakovich um dos compositores mais sérios e sinceros de todos os tempos e pensava que suas quinze sinfonias eram particularmente emocionantes e cativantes. Ele via aquela música como uma testemunha esmagadora de uma era traumática de escuridão política, enquanto mantinha uma expressão atemporal de sentimento e de experiência humana existencial. Durante dezessete anos, Mariss Jansons gravou todas as sinfonias de Shostakovich, juntamente com a orquestra com a qual ele estava artisticamente associado no momento. Seis das apresentações foram com o Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks. A estupenda gravação deste post foi gravada ai vivo. Em 2006, o ciclo foi concluído a tempo do centenário do nascimento do compositor.

Shostakovich: Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 53:44

I. Moderato (Live) 23:24
II. Allegro (Live) 4:42
III. Allegretto – Largo (Live) 12:12
IV. Andante – Allegro (Live) 13:26

Symphonie-Orchester des Bayerischen Rundfunks
Mariss Jansons

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Mariss Jansons (1943-2019)

PQP

Shostakovich toca Shostakovich – Concertos para piano – Três Danças Fantásticas

O link para a Amazon leva para um CD da EMI, bem menos desgraçado do que este
O link para a Amazon leva para um CD da EMI, bem menos desgraçado do que este marca-diabo

Comprei este CD numa loja que protruía de um buraco na parede num bairro dilapidado na periferia de Bucareste, e… bem, ele está perfeitamente à altura das condições de compra.

O capa, como podem ver ao lado, parece ter sido feita pela avó de alguém no Paint, entre um envio e outro para as amigas de apresentações com mensagens de autoajuda feitas no PowerPoint. O som não é lá tão ruim, e é até uma surpresa (considerando como são as coisas em Bucareste) que o CD realmente contenha a gravação prometida: os Concertos para piano de Shostakovich e suas três pequenas Danças Fantásticas, na interpretação do próprio compositor. Todos os impropérios possíveis em romeno vêm em mente (“nu mă fute!”, em particular) quando a gente constata que o produtor da gravação não se deu sequer ao trabalho de dividir os movimentos em faixas separadas. O resultado dessa meia-sola é o CD desgraçado, e de só três faixas, que lhes apresento a seguir.

Espero que saibam relevar as limitações técnicas desta gravação de 1958 em prol do privilégio de escutar um dos maiores compositores do século XX em ação, e que perdoem ao compositor-pianista algumas rabanadas ao teclado para saborear a concepção peculiar de Shostakovich para estas suas composições – notavelmente os andamentos frenéticos que imprime aos movimentos rápidos. O acompanhamento de André Cluytens consegue, com muita competência, a proeza de realmente acompanhar o solista apressadinho. Dmitri Dmitriyevich, na certa, estava louco para terminar os takes para pitar e, tabagista contumaz que era (há relatos de que chegou a fumar CENTO E CINQUENTA mata-ratos num dia), talvez engatasse um prestississimo para se atirar o quanto antes nos ramos da Nicotiana tabacum.

Ao contrário do que já li em alguns lugares, as gravações de Shostakovich tocando suas próprias obras vão bem além deste volume aqui. Há um número considerável de LP soviéticos com partes de sua obra para piano e para conjuntos de câmara – incluindo a primeira de seu maravilhoso quinteto com piano, sonatas com Oistrakh e Rostropovich, trios e quartetos.

Se houver interesse de vocês, postarei algo mais do que tenho – caprichem, portanto, nos downloads!

Dmitriy Dmitriyevich SHOSTAKOVICH (1906-1975)

1 – Concerto no. 1 em Dó menor para piano, trompete e orquestra de cordas, Op. 35 – Allegretto – Lento – Moderato – Allegro con brio*
2 – Concerto no. 2 em Fá maior para piano e orquestra, op. 102 – Allegro – Andante – Allegro

Dmitri Shostakovich, piano
*Ludovic Vaillant, trompete
Orquestra Nacional da Radiodifusão Francesa
André Cluytens, regência

3 – Três Danças Fantásticas para piano, Op. 5 – Marcha (Allegretto) – Valsa (Andantino) – Polka (Allegretto)

Dmitri Shostakovich, piano

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BÔNUS: Shostakovich fala e toca um trecho de sua Sinfonia no. 7, “Leningrado”. Até onde vai meu russo, os créditos do começo dão conta do “Duplamente Laureado com o Prêmio Stalin – Compositor Dmitri Shostakovich” – ironia tétrica para com alguém tão desgraçado pelo truculento Djugashvilli. Pelo que pude entender, ele diz que sua sétima sinfonia foi inspirada pelo horror de 1941, que dedica sua obra à luta contra o Fascismo, à vitória e à sua cidade de Leningrado, e que tocará um trecho do primeiro movimento. Talvez o PQP possa pedir à sua musa que nos conceda a gentileza de uma tradução melhor daquilo que Dmitri nos tem a dizer!

Vassily

Nelson Freire, 75 anos – Nelson Freire: Encores

Nelson Freire, 75 anos – Nelson Freire: Encores

Estamos no último minuto do 18 de outubro, e ainda em tempo de celebrar o septuagésimo quinto aniversário do Sr. Nelson José Pinto Freire, nascido no rio Grande, não o Rio Grande donde eu venho, mas o que banha a pacata Boa Esperança das Minas Gerais, um cidadão do mundo, e certamente um dos compatriotas que nunca nos deixará sem respostas se alguém nos perguntar o que de bom tem o Brasil, além de butiás e jabuticabas. Parabenizamos o célebre Sr. Freire e abraçamos o gentil Nelsinho, alcançando-lhe nossa gratidão pela longa e profícua carreira, que não para de nos trazer alegrias nessas já tantas décadas que o veem elencado entre os maiores pianistas em atividade. Além do quilate artístico, o mineirinho Nelson é um amor de criatura, ouro maciço. Discreto, caseiro e reservado, vive para a arte e para os amigos. Agora há pouco cheguei a brincar com os companheiros de blog, imaginando-o a bebemorar seu aniversário, entre um cigarro e outro, com a grande amiga Martha Argerich, parceira de vida e arte há seis décadas, só para depois me lembrar de ter lido numa entrevista que ele parou de fumar há alguns anos, por querer manter-se por muito tempo ainda ativo: menos em recitais e concertos, pois a rotina de viagens lhe aborrece muito, e cada vez mais em gravações, depois de por tanto tempo relutar em fazê-las, e legar ao futuro uma resposta a quem quer que pergunte “como tocava Nelson Freire?”.

Numa bonita postagem, o Pleyel já afirmara que muito se poderia “falar do talento de Nelson para escolher peças de bis, parte essencial de recitais à moda antiga”. Pois neste fresquíssimo álbum, nosso cintilante compatriota apresenta-nos parte de seu arsenal de tira-gostos, digestivos e, também, fogos de artifício para arrematar concertos e recitais, abarcando o longo arco de tempo entre os gênios de Purcell e do tabagistíssima Shostakovich. O pianismo é, naturalmente, de chorar de bom, e ao final da guirlanda de peças a gente só consegue se admirar por lhe descobrir mais um talento: o de fazer um recital coeso só com tantos, e tão diversos, e diminutos bombons e bagatelas.

Que sirva de exemplo para tantos outros. E muitas outras.

E, sim: refiro-me a ti, gostosona.

NELSON FREIRE – ENCORES

Christoph Willibald GLUCK (1714-1787)
Arranjo de Giovanni Sgambati
1- Orfeo ed Euridice: Melodia

Henry PURCELL (1659-1695)
2 – Hornpipe em Mi menor

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1759)
3 – Sonata em Ré menor, K. 64
4 – Sonata em Si menor, K. 377

Zygmunt Denis Antoni Jordan de STOJOWSKI (1870-1946)
5 – Aspirations, Op. 39: no. 1, “Vers l’Azur”

Ignacy Jan PADEREWSKI (1860-1941)
6 – Miscellanea, Op. 16: no. 4: Noturno em Si bemol maior

Richard Georg STRAUSS  (1864-1949)
Arranjo de Leopold Godowsky
7 – Seis Lieder, Op. 17: No. 2, Ständchen

Edvard Hagerup GRIEG (1843-1907)
Das “Peças Líricas” para piano:
8 – Livro I, Op. 12 – no. 1: Arietta
9 – no. 2: Valsa
10 – no. 5: Melodia Popular
11  – Livro II, Op. 38 – no. 1.: Berceuse
12 – Livro III, Op. 43 – no. 2: Viajante Solitário
13 – no. 4: Pequeno Pássaro
14 – no. 6: À Primavera
15 – Livro IV, Op. 47 – no. 4: Halling
16 – Livro V, Op. 54 – no. 1: Jovem Pastor
17 – Livro VIII, Op. 65 – no. 6: Dia de Casamento em Troldhaugen
18 – Livro IX, Op. 68 – no. 3: A seus pés
19 – no. 5: No berço

Anton Grigoryevich RUBINSTEIN (1829-1894)
20 – Duas Melodias, Op. 3 – no. 1 em Fá maior

Alexander Nikolayevich SCRIABIN (1872-1915)
21 – Dois Poemas, Op. 32 – no. 1 em Fá sustenido maior

Sergei Vasilyevich RACHMANINOV (1873-1943)
22 – Prelúdios, Op. 32 – no. 10 em Si menor: Lento
23 – no. 12 em Sol sustenido maior: Allegro

Dmitry Dmitryevich SHOSTAKOVICH (1906-1975)
Danças Fantásticas, Op. 5
24 – no. 1: Marcha. Allegretto
25 – no. 2: Valsa. Andantino
26 – no. 3: Polka. Allegretto

Enrique GRANADOS Campiña (1867-1916)
27 – Goyescas, Suíte para piano – no. 4: Quejas ó la maja y el ruiseñor

Frederic MOMPOU Dencausse (1893-1987)
28 – Scenes d’enfants – no. 5: Jeunes filles au jardin

Isaac Manuel Francisco ALBÉNIZ y Pascual (1860-1909)
29 – España, Op. 165 – Tango em Ré maior (arranjo de Leopold Godowsky)
30 – Navarra (completada por Déodat de Sévérac)

Nelson Freire, piano

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Nelson com Guiomar Novaes, 1977. Foto do acervo particular de Nelson Freire, publicada pelo sensacional Instituto Piano Brasileiro (http://institutopianobrasileiro.com.br), comandado pelo indispensável Alexandre Dias, apoiado por Nelson e que recomendamos demais.
No vídeo abaixo, parte do documentário “Nelson Freire” de João Moreira Salles, o aniversariante de hoje relembra a influência inspiradora de Guiomar em sua carreira, enquanto ouve, com olhos suados, a melodia de Gluck (que abre o CD que ora compartilhamos) na interpretação de sua ídola. E a “Nise” a que ele se refere é Nise Obino, sua maior mestra, decisiva para Nelson superar a transição de menino-prodígio a jovem artista e que, como descobrimos pelo documentário (que não podemos recomendar o bastante aos fãs de Nelson), muito mais que professora, foi-lhe uma grande paixão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vassily, com um agradecimento ao incansável FDP Bach por lhe ter alcançado esta gravação.

Beethoven / Pärt / Shostakovich: Sonata Kreutzer / Fratres / Prelúdios, Op. 34

Beethoven / Pärt / Shostakovich: Sonata Kreutzer / Fratres / Prelúdios, Op. 34

Kreutzer SonataIM-PER-DÍ-VEL !!!

Um lindo CD da dupla De Maeyer e Kende. Ela é belga, ele, holandês. A escolha do repertório é realmente excelente. A Kreutzer de Beethoven dispensa apresentações. Fratres, de Pärt, tem luz própria, porém, dentro do CD, dá continuidade poética moderna e coerente à obra de Ludwig van. O CD finaliza com alguns arranjos para peças dos Prelúdios de Shostakovich. Infelizmente, apesar de tratar-se de meu amado Shosta, é a parte mais fraca do trabalho. Mesmo assim, está acima de quase tudo o que se ouve por aí.

Beethoven: Violin Sonata No. 9 in A Major, Op. 47, ‘Kreutzer’
01. I. Adagio sostenuto – Presto 14:26
02. II. Andante con variazioni 15:26
03. III. Finale (Presto) 08:42

Pärt: Fratres
04. Pärt: Fratres 12:06

Shostakovich / arr Tsyganov: Preludes, Op. 34
05. No. 10 in C-Sharp Minor (Moderato non troppo) 02:01
06. No. 12 in G-Sharp Minor (Allegretto non troppo) 01:53
07. No. 13 in F-Sharp Major (Moderato) 01:02
08. No. 15 in D-Flat Major (Allegretto) 00:55
09. No. 16 in B-Flat Minor (Andantino) 01:07
10. No. 17 in A-Flat Major (Largo) 02:27

Jolente De Maeyer, violin
Nicolaas Kende, piano

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Jolente De Maeyer não apenas toca belamente
Jolente De Maeyer não apenas toca belamente

PQP

Aram Katchaturian (1903-1978) – Cello Concerto, Violin Concerto – Arabella Steinbacher, Daniel Müller-Schott, CBSO, Oramo

Ando prestando atenção na obra de Katchaturian, e venho me surpreendendo cada vez mais. As duas obras presentes neste CD são dois monumentos do século XX, e nas mãos desta nova geração ansiosa para mostrar ao que veio, elas se tornam ainda mais especiais. Tanto Arabella Steinbacher, quanto Daniel Müller-Schott são músicos de altíssimo nível, apesar da precoce idade em que encararam estes petardos. Arabella esteve por aqui dia destes, tocando Shostakovich, e este CD foi muito elogiado. Müller-Schott também já apareceu por aqui algumas vezes.
Antes de ouvir esta gravação do Concerto para Violoncelo, estive ouvindo a versão original, gravada lá em 1946 por Sviatoslav Knushevitsky, a quem o próprio Kachaturiam dedicou a obra. Este excepcional músico foi parceiro de longa data de David Oistrakh, com quem, junto de Lev Oberin formaram um famoso trio lá entre os anos 50 e 60. Optei em trazer esta gravação mais recente, de 2003, por diversas razões, mas a principal delas é própria qualidade da gravação.
O Concerto para Violino foi dedicado a David Oistrakh, que também o estreou lá no final dos anos 40. Também tenho essa gravação, quem tiver interesse, basta pedir. Mas vamos dar voz a nova geração, que está muito bem preparada para estes desafios.
Mas vamos ao que viemos.

01. Khachaturian – Cello Concerto – I. Allegro moderato
02. Khachaturian – Cello Concerto – II. Andante sostenuto
03. Khachaturian – Cello Concerto – III. Allegro a battuta

Daniel Müller-Schott – Cello
City of Birmingham Symphony Orchestra
Sakari Oramo – Conductor

04. Khachaturian – Violin Concerto – I. Allegro con fermezza
05. Khachaturian – Violin Concerto – II. Andante sostenuto
06. Khachaturian – Violin Concerto – III. Allegro vivace

Arabella Steinbacher – Violin
City of Birmingham Symphony Orchestra
Sakari Oramo – Conductor

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Dmitri Schostakowitsch (1906-1975): Violin Concertos – Arabella Steinbacher, Andris Nelsons, BRSO

Dmitri Schostakowitsch (1906-1975): Violin Concertos – Arabella Steinbacher, Andris Nelsons, BRSO

Poderia botar no subtítulo desta postagem, e parafraseando o título do filme, ‘Nascem duas estrelas, Andris Nelsons e Arabella Steinbacher’.

Mas enfim, faço esta postagem meio que a toque de caixa, a pedido de nosso Grão-Mestre, PQPBach. E quando ele pede, temos de atendê-lo sem demora. Pois na verdade, sou o culpado por cutucar a onça com vara curta e comentar desta gravação, onde o jovem maestro letão Andris Nelsons junta-se a jovem violinista Arabella Steinbacher para encarar estes dois petardos que são os concertos para violino de Schostakowitsch. Ah, um parêntese importante: antes que reclamem, escrevi o nome do compositor no título de acordo com a grafia em alemão, e que está registrada no libreto do CD, da gravadora alemã ORFEO.

O nome que nos vem automaticamente á cabeça em se tratando dos concertos de Schostakowitsch é o de David Oistrakh, que o estreou e a quem estes concertos foram dedicados. Compositor e músico eram amigos pessoais, e estes registros estão entre os mais importantes do Século XX. Não apenas pelo seu registro histórico, mas também pela qualidade da interpretação. Para quem não o conhece, David Oistrakh foi  um dos maiores músicos do século XX.

Mas aqui a juventude da solista e do maestro falam mais alto. Não quero comparar versões, sessenta anos as separam, e enquanto Oistrakh já era uma lenda viva na época da gravação, tanto a solista quanto o maestro davam seus primeiros passos rumo à fama (?). Arabella nasceu em 1981, e Nelsons em 1978, ou seja, ela tinha 24 anos e ele 27 quando gravaram este CD.

Chega de falar e vamos ao que interessa. Sentem-se em suas melhores poltronas, abram uma garrafa de um bom vinho para poderem apreciar este baita CD. Ah, claro que eles levam o selo de IM-PER-DÍ-VEL !!!

Dmitri Schostakowitsch (1906-1975): Violin Concertos – Arabella Steinbacher, Andris Nelsons, BRSO

01 – Violin Concerto No.1 in A minor, Op.77(99)- I. Nocturne. Moderato
02 – Violin Concerto No.1 in A minor, Op.77(99)- II. Scherzo. Allegro
03 – Violin Concerto No.1 in A minor, Op.77(99)- III. Passacaglia. Andante
04 – Violin Concerto No.1 in A minor, Op.77(99)- IV. Burlesca. Allegro con brio

05 – Violin Concerto No.2 in C-sharp minor, Op.129- I. Moderato – Piu mosso – Moderato
06 – Violin Concerto No.2 in C-sharp minor, Op.129- II. Adagio
07 – Violin Concerto No.2 in C-sharp minor, Op.129- III. Adagio – Allegro

Arabella Steinbacher – Violin
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunk
Andris Nelsons – Conductor

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FDP

Shostakovich / Pärt / Kancheli / Rachmaninov: Echoes of Time

Shostakovich / Pärt / Kancheli / Rachmaninov: Echoes of Time

IM-PER-DÍ-VEL !!! (o disco é ótimo e o repertório… MINHA NOSSA!)

O som de Shostakovich pertence às primeiras memórias de Lisa Batiashvili. Durante sua infância, ela frequentemente ouvia o quarteto de cordas de seu pai ensaiar a música do compositor, e em casa e em concerto, este era o mundo sonoro que moldava seu senso de cultura.

Lisa Batiashvili e sua família deixaram a Georgia quando ela tinha onze anos de idade, mas a música de Shostakovich viajou com eles. Mark Lubotsky, seu professor em Hamburgo, foi aluno de David Oistrakh, para quem Shostakovich escreveu seus concertos de violino e, para a jovem Lisa Batiashvili, isso parecia uma linha direta com a fonte. “Quando minha professora começou a contar histórias sobre o Primeiro Concerto para Violino, eu me apaixonei completamente por essa peça. David Oistrakh havia compartilhado informações muito emocionais e precisas sobre cada movimento. De alguma forma, a peça se tornou simbólica do tempo na União Soviética, que eu também a havia experimentado durante os primeiros dez anos da minha vida. Os artistas, durante os tempos soviéticos, estavam procurando a liberdade que Shostakovich buscava através de sua música. A música era uma fuga e um símbolo de liberdade em um momento difícil. Quando viajei para Moscou com meus pais, encontramos muitas pessoas, e tive a forte impressão de que essa música era um reflexo do que eles estavam passando”.

Esta gravação de Lisa foi sua estreia na DG e traz, claro, o primeiro Concerto para Violino de Shostakovich. Sob o título Echoes of Time, Lisa Batiashvili reuniu uma coleção de obras que iluminam a Rússia soviética. Traz também a Georgia com uma belíssima peça de Kancheli, E a peça de Pärt é ainda melhor.

Com a pianista Hélène Grimaud, Lisa toca para Spiegel im Spiegel de Arvo Pärt e o Vocalise de Rachmaninov. “Estávamos planejando há anos tocar juntas. Ela adora esse tipo de repertório. Eu a admiro muito, não apenas por sua musicalidade, mas também como uma pessoa incrivelmente séria. Enquanto Pärt e Kancheli, como Shostakovich, ambos sentiam o peso da opressão soviética, a música de Rachmaninov expressa um desejo nostálgico por sua pátria. Ah, há também a Valsa Lírica de Shostakovich, escrita para piano e arranjada para violino e orquestra por meu pai, com ecos de outra era”, diz ela.

Alemanha, Finlândia, Geórgia, Moscou, França. Lisa Batiashvili menciona um número surpreendente de lugares que são quase, mas não completamente, sua casa. “Aconteceu com frequência nos últimos quinze anos que eu não tinha certeza de onde eu era. Quando voltei para a Geórgia, descobri que não entendia mais quem eu era ou de onde pertencia. Eu não me integrei totalmente ao estilo de vida alemão, me sentia uma convidada em todos os lugares. Por outro lado, para os músicos, é uma enorme vantagem poder fazer a sua casa onde quer que vá. Agora tenho um marido francês, nossos filhos nasceram na Alemanha e não me sinto mais desconfortável com esse modo de vida. Quando você traz música para o mundo todo, é importante ter uma conexão fácil com todos os tipos de pessoas. E então, no final, você não é mais um estranho em qualquer lugar ”.

Shostakovich / Pärt / Kancheli / Rachmaninov: Echoes of Time

Dmitri Shostakovich (1906 – 1975)
Violin Concerto No.1 in A minor, Op.99 (formerly Op.77)
1) 1. Nocturne (Moderato) [12:23]
2) 2. Scherzo (Allegro) [6:17]
3) 3. Passacaglia (Andante) [14:10]
4) 4. Burlesque (Allegro con brio – Presto) [4:42]

Giya Kancheli (1935 – )
5. V & V [10:51]

Dmitri Shostakovich (1906 – 1975)
Dance of the Dolls
6. Lyric Waltz (orchestrated by Tamas Batiashvili) [3:25]

Lisa Batiashvili
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Esa-Pekka Salonen

Arvo Pärt (1935 – )
7. Spiegel im Spiegel [10:21]

Sergey Vasil’yevich Rachmaninov (1873 – 1943)
8. Vocalise, Op.34 No.14 [5:39]

Lisa Batiashvili
Hélène Grimaud

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Lisa Batiashvili: em casa (e fora dela) em qualquer lugar do mundo

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonias 5, 8 & 9 e Suíte de Hamlet, Op.32a

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonias 5, 8 & 9 e Suíte de Hamlet, Op.32a

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um discaço que abrange um período fundamental do sinfonismo de Shostakovich. Quando a oitava foi estreada, Stálin afirmou que era mais uma imensa realização soviética e que a nona seria de uma grandiosidade tamanha que rivalizaria com as outras Nonas, principalmente a de Beethoven. Porém Shostakovich foi arisco e escreveu a mais despreocupada e jocosa das sinfonias. Tirou um sarro de Stálin, o que lhe causou enormes problemas. Já a 5ª é a clássica sinfonia escrita durante um período de lua de mel com o regime.

Sinfonia Nº 5, Op. 47 (1937)

Esta é a obra mais popular de Dmitri Shostakovich. Recebeu incontáveis gravações e não é para menos. O público costuma torcer o nariz para obras mais modernas e aqui o compositor retorna no tempo para compor uma grande sinfonia ao estilo do século XIX. Sim, é em ré menor e possui quatro movimentos, tendo bem no meio, um scherzo composto por um Haydn mais parrudo. Mesmo para os aficionados, é uma obra apetitosa, por transformar a linguagem do compositor em algo mais sonhador do que o habitual. Foi a primeira sinfonia de Shostakovich que ouvi. Meu pai, um romântico, apresentou-me a sinfonia dizendo que muito melhor que as de Prokofiev, exceção feita à Nº 1, Clássica, que ele amava. Alguns consideram esta obra uma grande paródia; eu a vejo como uma homenagem ao glorioso passado sinfônico do século anterior. A abertura e a coda do último movimento (Allegro non troppo) costuma aparecer, com boa frequência, em programas de rádio que se querem sérios e influentes… Apesar de não ser típica, é absoluta e totalmente a sintaxe, o discurso e o sotaque do compositor. É a música ideal para o primeiro contato com Shostakovich.

Sinfonia Nº 8, Op. 65 (1943)

Muito admirada, ultra dramática e belíssima, perderá em beleza e importância artística para a décima, escrita em estilo quase análogo. Gosto muito da beleza austera do quarto movimento em 12 variações – uma passacaglia — e também dos dois primeiros, o primeiro uma canção da morte e o segundo com destaque para o divertido diálogo entre o piccolo, o clarinete e o fagote. O terceiro movimento é sensacional e heroico.  E o que dizer do finale inesperado, triste e vivo ao mesmo tempo? Grande música!

Sinfonia Nº 9, Op. 70 (1945)

Desde Schubert, com sua Sinfonia Nº 9 “A Grande”, passando pela Nona de Beethoven e pelas nonas de Bruckner e Mahler, que espera-se muito das sinfonias Nº 9. Há até uma maldição que fala que o compositor morre após a nona, o que, casualmente ou não, ocorreu com todos os citados menos Shostakovitch. Esta sinfonia — por ser a “Nona” — foi muito aguardada e, bem, digamos que não seria Shostakovitch se ele não tivesse feito algo inesperado. Stálin ficou muito decepcionado com ela.

Leonard Bernstein lia esta partitura dando gargalhadas desta piada musical, cujas muitas citações formam um todo no mínimo sarcástico. O compositor declarou que faria uma música que expressaria “a luta contra a barbárie e grandeza dos combatentes soviéticos”, mas os severos críticos soviéticos, adeptos do realismo socialista, foram mais exatos e apontaram que a obra seria debochada, irônica e de influência stravinskiana. Bingo! Na verdade é uma das composições mais agradáveis que conheço. O material temático pode ser bizarro e bem humorado (primeiro e terceiro movimentos), mas é também terno e melancólico (segundo e largo introdutório do quarto), terminando por explodir numa engraçadíssima coda.

Apesar dos cinco movimentos, é uma sinfonia curta, muito parecida em espírito com a primeira sinfonia “Clássica” de Prokofiev e com a Sinfonia “Renana” de Schumann, também em cinco movimentos.

Deixando de lado a geopolítica soviética e detendo-se na obra, podemos dizer que esta Nona é uma consciente destilação de experiências e, talvez uma reação, muito cuidadosamente considerada, contra as enormidades musicais oriundas da guerra das duas sinfonias anteriores e das que vieram depois, não todas.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonias 5, 8 & 9 e Suíte de Hamlet, Op.32a

CD 1
Symphony No.9 In E Flat, Op.70
01. 1. Allegro
02. 2. Moderato
03. 3. Presto
04. 4. Largo
05. 5. Allegretto

Symphony No.5 In D Minor, Op.47
06. 1. Moderato
07. 2. Allegretto
08. 3. Largo
09. 4. Allegro non troppo

CD 2
Suite From Hamlet, Op.32a
01. 1. Introduction And Night Patrol
02. 2. Funeral March
03. 3. Flourish And Dance Music
04. 4. The Hunt
05. 5. Ophelia’s Song
06. 6. Cradle Song 07.
07. 7. 11. Requiem

Symphony No.8 In C Minor, Op.65
08. 1. Adagio
09. 2. Allegretto
10. 3. Allegro non troppo
11. 4. Largo
12. 5. Allegretto

Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons, regente

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Shostakovich jogando cartas com seus filhos

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Symphonies Nos. 6 & 7; Incidental Music to King Lear

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Symphonies Nos. 6 & 7; Incidental Music to King Lear

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu dei gargalhadas ouvindo o final da 6ª Sinfonia com esse monstro que é Nelsons.  Que maestro! Que senso de estilo. Mas vamos às Sinfonias:

Sinfonia Nº 6, Op. 54 (1939)

Uma perfeição esta sinfonia cujo dramático, concentrado e lírico primeiro movimento (um enorme Largo) é seguido por dois allegros, sendo o último pra lá de burlesco e circense (Presto). A estrutura estranha e inexplicável tem o efeito, ao menos em mim, de uma compulsão por ouvi-la e reouvi-la. Acho que volto sempre a ela com a finalidade de conferir se o primeiro movimento é mesmo tão perfeito e profundo e para buscar uma explicação para a galinhagem final — isto aqui não é uma tese acadêmica, daí a palavra “galinhagem” ser permitida… Nossa sorte é que existe aquele segundo Allegro central para tornar a passagem menos chocante. Esta belíssima obra talvez faça a alegria de qualquer maníaco-depressivo. É uma trilha sonora perfeita para quem sai das trevas para um humor primaveril em trinta minutos — ou menos. Começa estática e intelectual para terminar num circo. Simplesmente amo esta música! É um pacote completo de desespero, sorrisos e gargalhadas.

Sinfonia Nº 7, Op. 60, Leningrado (1941)

De história riquíssima, a Sinfonia Nº 7 – dedicada à resistência da cidade de Leningrado cercada pelos nazistas – deve sua celebridade a uma transmissão de rádio feita para a cidade devastada e sitiada. Ela auxiliou as autoridades soviéticas a elevar o moral em Leningrado e no país. Várias outras performances foram programadas com intenções patrióticas na União Soviética e na Europa. É música de primeira linha, sem dúvida, mas creio que a notável Sinfonia Nº 11, tão superior à sétima, é tão mais eficiente como musica programática de conteúdo histórico, que torna exagero qualquer grande elogio. De qualquer maneira, é esplêndido o primeiro movimento que descreve a marcha nazista. Também é importante salientar o equívoco do grande público que vê resistência e patriotismo numa obra sobre a devastação e a morte. Mas, como diria Lênin, o que fazer?

Mais? Mais! Imaginem uma cidade cercada por alemães há 18 meses, uma orquestra improvisada vestida com suéteres e jaquetas de couro, todos magérrimos pela fome, a rádio transmitindo o concerto, várias cidades soviéticas estreando a obra ao mesmo tempo, Arturo Toscanini — anti-fascista de cabo a rabo — pedindo a partitura nos Estados Unidos (ela foi levada de avião até Teerã, de carro ao Cairo, de avião à Londres, de onde um outro avião da RAF levou a música ao maestro), Shostakovich na capa da Time. Ou seja, a Sétima é importante. Nos EUA, em poucos meses, foi interpretada por Kussevítki, Stokovski, Rodzinski, Mitropoulos, Ormandy, Monteaux, etc. Um espanto.

Numa das maiores homenagens recebidas por uma obra musical, Anna Akhmátova escreveu o seguinte poema ao ser posta à salvo das bombas alemãs pelas autoridades soviéticas:

Todos vocês teriam gostado de me admirar quando,
no ventre do peixe voador,
escapei da perseguição do mal e,
sobre as florestas cheias de inimigos,
voei como se possuída pelo demônio,
como aquela outra que,
no meio da noite,
voou para Brocken.
E atrás de mim,
brilhando com seu segredo,
vinha a que chama a si mesma de Sétima,
correndo para um festim sem precedentes.
Assumindo a forma de um caderno cheio de notas,
ela estava voltando para o éter onde nascera.

Pois é. Mas falemos a sério: não é a maior sinfonia de Shosta. Fica atrás da Primeira, Quarta, Quinta, Sexta, Oitava, Nona, Décima, Décima-primeira, Décima-terceira, Décima-quarta e Décima-quinta. Mas que é famosésima, é.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Symphonies Nos. 6 & 7; Incidental Music to King Lear

Symphony No. 6 in B Minor, Op. 54
1. 1. Largo 19:39
2. 2. Allegro 6:24
3. 3. Presto 7:11

Incidental Music to the Tragedy „King Lear” by W. Shakespeare, Op. 58a
4. Introduction and Ballad of Cordelia 4:34
William R. Hudgins, Boston Symphony Orchestra, Andris Nelsons
Incidental Music to the Tragedy „King Lear” by W. Shakespeare, Op. 58a
5. Fanfare No. 1 0:21
Incidental Music to the Tragedy „King Lear” by W. Shakespeare, Op. 58a
6. Return from the Hunt 0:54
Incidental Music to the Tragedy „King Lear” by W. Shakespeare, Op. 58a
7. Fanfare No. 4 0:13
Incidental Music to the Tragedy „King Lear” by W. Shakespeare, Op. 58a
8. Approach of the Storm 1:27
Incidental Music to the Tragedy „King Lear” by W. Shakespeare, Op. 58a
9. Scene on the Steppe 2:01
Incidental Music to the Tragedy „King Lear” by W. Shakespeare, Op. 58a
10. Fanfare No. 2 0:15
Incidental Music to the Tragedy „King Lear” by W. Shakespeare, Op. 58a
11. The Blinding of Gloucester 1:00
Incidental Music to the Tragedy „King Lear” by W. Shakespeare, Op. 58a
12. The Military Camp 1:38
Incidental Music to the Tragedy „King Lear” by W. Shakespeare, Op. 58a
13. Fanfare No. 5 0:17
Incidental Music to the Tragedy „King Lear” by W. Shakespeare, Op. 58a
14. March 1:29
15. Festive Overture, Op. 96 6:15

Symphony No. 7 in C Major, Op. 60 “Leningrad”
1. 1. Allegretto 27:21
2. 2. Moderato (poco allegretto) 11:39
3. 3. Adagio 20:33
4. 4. Allegro non troppo 18:52

Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons

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Shostakovich no trabalho.

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violoncelo Nos. 1 & 2

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violoncelo Nos. 1 & 2

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Estou longe de ser um apaixonado por Mischa Maisky, mas o que ele faz neste CD é extraordinário. Aqui ele prova que é russo mesmo e dá a Shostakovich a força, o caráter e a personalidade corretas. Tilson Thomas e a London Symphony o ajudaram demais. A maioria das pessoas gosta mais do Concerto Nº 1, eu prefiro o 2.

Concerto Nº 1 para Violoncelo e Orquestra, Op. 107 (1959)

Shostakovich e o grande violoncelista Mstislav Rostropovich eram amigos tendo, muitas vezes, viajado juntos, fazendo recitais que incluíam entre outras obras, a Sonata para violoncelo e piano, Op. 40, etc. Desde que se conheceram, o compositor avisara a Rostropovich que ele não deveria pedir-lhe um concerto diretamente, que o concerto sairia ao natural. Saíram dois. Quando Shostakovich enviou a partitura do primeiro, dedicada ao amigo, este compareceu quatro dias depois na casa do compositor com a partitura decorada. (Bem diferente foi o caso do segundo concerto, que foi composto praticamente a quatro mãos. Shostakovich escrevia uma parte, e ia testá-la na casa de Rostropovich; lá, mostrava-lhe as alternativas, os rascunhos ao violoncelista, que sugeria alterações e melhorias. Amizade.)

Estilisticamente, este concerto deve muito à Sinfonia Concertante de Prokofiev – também dedicada a Rostropovich – e muito admirada pelos dois amigos. É curioso notar como os eslavos têm tradição em música grandiosa para o violoncelo. Dvorak tem um notável concerto, Tchaikovsky escreveu as Variações sobre um tema rococó, Kodaly tem a sua espetacular Sonata para Cello Solo e Kabalevski também tem um belo concerto dedicado a Rostropovich. O de Shostakovich é um dos de um dos maiores concertos para violoncelo de todo o repertório erudito e minha preferência vai para a imensa Cadenza de cinco minutos (3º movimento) e para o brilhante colorido orquestral do Allegro com moto final.

Concerto para Violoncelo e Orquestra Nº 2, Op. 126 (1966)

Uma obra-prima, produto da estreita colaboração entre Shostakovich e Rostropovich, a quem o concerto é novamente dedicado. A tradição do discurso musical está aqui rompida, dando lugar a convenções próprias que são “aprendidas” pelo ouvinte no transcorrer da música. Não há nada de confessional ou declamatório neste concerto. Há arrebatadores efeitos sonoros que são logo propositadamente abandonados. A intenção é a de ser música absoluta e lúdica, mostrando-nos temas que se repetem e separam momentos convencionalmente sublimes ou decididamente burlescos. Nada mais burlesco do que a breve cadenza em que o violoncelo é interrompido pelo bombo, nada mais tradicional do que o tema que se repete por todo o terceiro movimento e que explode numa dança selvagem, acabando com o violoncelo num tema engraçadíssimo — como se fosse um baixo acústico — , para depois sustentar interminavelmente uma nota enquanto a percussão faz algo que nós, brasileiros, poderíamos chamar de batucada. Esta dança faz parte de uma longa preparação para um gran finale que não chega a acontecer. Um concerto espantoso, original, capaz de fazer qualquer melômano feliz ao ver sua grande catedral clássica virada de ponta cabeça e, ainda assim, bonita.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violoncelo Nos. 1 & 2

1 Shostakovich: Cello Concerto No.1, Op.107 – 1. Allegretto 6:11
2 Shostakovich: Cello Concerto No.1, Op.107 – 2. Moderato 11:57
3 Shostakovich: Cello Concerto No.1, Op.107 – 3. Cadenza 5:43
4 Shostakovich: Cello Concerto No.1, Op.107 – 4. Allegro con moto 4:43

5 Shostakovich: Cello Concerto No.2, Op.126 – 1. Largo 15:15
6 Shostakovich: Cello Concerto No.2, Op.126 – 2. Allegretto 4:40
7 Shostakovich: Cello Concerto No.2, Op.126 – 3. Allegretto 16:06

Mischa Maisky
London Symphony Orchestra
Michael Tilson Thomas

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Com Shostakovich é sempre na caçapa

PQP

Dmitri Shostakovich – Sinfonia nº 13 – Kiril Kondrashin, Moscow Philharmonic Orchestra

Prometi esta gravação para nosso mentor, PQPBach, já há algumas semanas, mas a falta de tempo me impediu de liberar antes. Hoje pretendo cumprir esta promessa.
Temos aqui Kiril Kondrashin, um dos maiores e mais influentes maestros do período soviético, regendo a monumental Sinfonia nº 13, de Shostakovich. Não se trata de obra fácil, de fácil ‘digestão’, não apenas por seu tamanho mas principalmente pela sua temática.
Esta gravação que ora vos trago é a ‘World Premiere”, ou seja, foi a primeira vez em que a obra foi apresentada ao público, lá no longínquo ano de 1962. Kiril Kondrashin encarou a empreitada, após Evgeny Mravinski desistir.
Em postagem de 2017, temos uma descrição completa da obra. Você encontra esta postagem aqui.

Dmitri Shostakovich – Sinfonia nº 13
1.1. Symphony No. 13 in B-Flat Minor, Op. 113 Babi-yar I. Babi Yar Adagio
1.2. Symphony No. 13 in B-Flat Minor, Op. 113 Babi-yar II. Yumor (Humour) Allegretto
1.3. Symphony No. 13 in B-Flat Minor, Op. 113 Babi-yar III. V Magazine (In the Store) Adagio –
1.4. Symphony No. 13 in B-Flat Minor, Op. 113 Babi-yar IV. Strachi (Fears) Largo –
1.5. Symphony No. 13 in B-Flat Minor, Op. 113 Babi-yar V. Kariera (a Career) Allegretto

Vitaly Gromadsky, bass
Male Bass Choir of the A.Yurlov
Republican Russian Choir Capella
Moscow Philharmonic Orchestra

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PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 8

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 8

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A 8ª de Shostakovich é de uma grandiosidade para ninguém botar defeito. Stálin curtiu tanto que pediu ao compositor uma super 9ª. Não levou, levou uma bem pequena e bem-humorada, mas esta é outra história. Gosto muito do longo movimento inicial da 8ª, sério e misterioso, da beleza austera do quarto movimento em 12 variações — uma passacaglia –, do divertido diálogo entre o piccolo, o clarinete e o fagote do scherzo. O terceiro movimento é mezzo heroico e gruda na cabeça como poucas coisas grudam. Nele, há um tema extremamente sarcástico introduzido pelo trompete. Pura gozação de Shosta. O finale é belíssimo com seus solos de clarone, que já vêm desde a passacaglia. Grande interpretação do pessoal da Rainha lá de Liverpool.

Symphony No. 8 In C Minor, Op. 65 (1943) (61:57)

1 I. Adagio – Allegro Non Troppo 25:14
2 II. Allegretto 6:03
3 III. Allegro Non Troppo 6:18
4 IV. Largo 9:34
5 V. Allegretto 14:48

Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Vasily Petrenko

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Vassily Petrenko: especialista em Shosta.

PQP

Dmítri Shostakóvitch (Rússia, 1906 – 1975) – Lady Macbeth of Mtsensk – Dir. Mstislav Rostropovich, London Philharmonic Orchestra, Ambrosian Opera Chorus, Galina Vishnevskaya, Nicolai Gedda – 1978

Lady Macbeth of Mtsensk

Dmítri Shostakóvitch (Rússia, 1906 – 1975)

London Philharmonic Orchestra
Ambrosian Opera Chorus
Dir. Mstislav Rostropovich

Galina Vishnevskaya
Nicolai Gedda

1978

Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk (em russo: Леди Макбет Мценского уезда, transl. Ledi Makbet Mtsenskogo Uyezda) é uma ópera em quatro atos do compositor russo Dmitri Shostakovitch, estreada em 1934.

O libreto é inspirado na novela curta de mesmo nome publicada em 1865 por Nikolai Leskov. Ambientada na Rússia do século XIX, conta a história de uma mulher casada e solitária, Katerina Lvovna Izmaylova, que apaixona-se por outro homem e termina cometendo assassinatos. O argumento é sombrio, com bastante violência e sexo. O título faz referência a Lady Macbeth, a anti-heroína da tragédia shakespeareana Macbeth (1606).

Estreou em 1934 no Teatro Mikhaylovsky em São Petersburgo (então Leningrado), com enorme sucesso de público e crítica. Nos anos seguintes foi encenada pelos palcos de todo o mundo. A ópera, porém, fez-se ainda mais famosa pela intervenção das autoridades soviéticas: em 1936, funcionários do governo comunista – incluindo Josef Stálin – assistiram uma apresentação no Teatro Bolshoi. Na edição de 28 de janeiro do jornal Pravda foi publicada uma severa crítica que descrevia a ópera como “ruído ao invés de música”, entre outras coisas. Frente a essa denúncia, Shostakovitch passou a temer por sua liberdade artística e até por sua vida, e em 1937 escreveu sua Quinta Sinfonia em um tom muito mais convencional, descrita pelo próprio artista como “a resposta de um artista soviético à crítica justa”.

Esta foi a última ópera de Shostakovich. Nos anos 1960 compôs uma nova versão, suprimindo as partes mais controversas. Atualmente, porém, a composição original é a mais executada. (Wikipedia)

As 53 faixas podem ser vistas aqui.

Lady Macbeth of Mtsensk – 1978
Dmítri Shostakóvitch
London Philharmonic Orchestra
Ambrosian Opera Chorus
Dir. Mstislav Rostropovich

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MP3 | 320 KBPS | 354 MB

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Boa audição!

Avicenna