Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violoncelo Nos. 1 & 2

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violoncelo Nos. 1 & 2

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Estou longe de ser um apaixonado por Mischa Maisky, mas o que ele faz neste CD é extraordinário. Aqui ele prova que é russo mesmo e dá a Shostakovich a força, o caráter e a personalidade corretas. Tilson Thomas e a London Symphony o ajudaram demais. A maioria das pessoas gosta mais do Concerto Nº 1, eu prefiro o 2.

Concerto Nº 1 para Violoncelo e Orquestra, Op. 107 (1959)

Shostakovich e o grande violoncelista Mstislav Rostropovich eram amigos tendo, muitas vezes, viajado juntos, fazendo recitais que incluíam entre outras obras, a Sonata para violoncelo e piano, Op. 40, etc. Desde que se conheceram, o compositor avisara a Rostropovich que ele não deveria pedir-lhe um concerto diretamente, que o concerto sairia ao natural. Saíram dois. Quando Shostakovich enviou a partitura do primeiro, dedicada ao amigo, este compareceu quatro dias depois na casa do compositor com a partitura decorada. (Bem diferente foi o caso do segundo concerto, que foi composto praticamente a quatro mãos. Shostakovich escrevia uma parte, e ia testá-la na casa de Rostropovich; lá, mostrava-lhe as alternativas, os rascunhos ao violoncelista, que sugeria alterações e melhorias. Amizade.)

Estilisticamente, este concerto deve muito à Sinfonia Concertante de Prokofiev – também dedicada a Rostropovich – e muito admirada pelos dois amigos. É curioso notar como os eslavos têm tradição em música grandiosa para o violoncelo. Dvorak tem um notável concerto, Tchaikovsky escreveu as Variações sobre um tema rococó, Kodaly tem a sua espetacular Sonata para Cello Solo e Kabalevski também tem um belo concerto dedicado a Rostropovich. O de Shostakovich é um dos de um dos maiores concertos para violoncelo de todo o repertório erudito e minha preferência vai para a imensa Cadenza de cinco minutos (3º movimento) e para o brilhante colorido orquestral do Allegro com moto final.

Concerto para Violoncelo e Orquestra Nº 2, Op. 126 (1966)

Uma obra-prima, produto da estreita colaboração entre Shostakovich e Rostropovich, a quem o concerto é novamente dedicado. A tradição do discurso musical está aqui rompida, dando lugar a convenções próprias que são “aprendidas” pelo ouvinte no transcorrer da música. Não há nada de confessional ou declamatório neste concerto. Há arrebatadores efeitos sonoros que são logo propositadamente abandonados. A intenção é a de ser música absoluta e lúdica, mostrando-nos temas que se repetem e separam momentos convencionalmente sublimes ou decididamente burlescos. Nada mais burlesco do que a breve cadenza em que o violoncelo é interrompido pelo bombo, nada mais tradicional do que o tema que se repete por todo o terceiro movimento e que explode numa dança selvagem, acabando com o violoncelo num tema engraçadíssimo — como se fosse um baixo acústico — , para depois sustentar interminavelmente uma nota enquanto a percussão faz algo que nós, brasileiros, poderíamos chamar de batucada. Esta dança faz parte de uma longa preparação para um gran finale que não chega a acontecer. Um concerto espantoso, original, capaz de fazer qualquer melômano feliz ao ver sua grande catedral clássica virada de ponta cabeça e, ainda assim, bonita.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violoncelo Nos. 1 & 2

1 Shostakovich: Cello Concerto No.1, Op.107 – 1. Allegretto 6:11
2 Shostakovich: Cello Concerto No.1, Op.107 – 2. Moderato 11:57
3 Shostakovich: Cello Concerto No.1, Op.107 – 3. Cadenza 5:43
4 Shostakovich: Cello Concerto No.1, Op.107 – 4. Allegro con moto 4:43

5 Shostakovich: Cello Concerto No.2, Op.126 – 1. Largo 15:15
6 Shostakovich: Cello Concerto No.2, Op.126 – 2. Allegretto 4:40
7 Shostakovich: Cello Concerto No.2, Op.126 – 3. Allegretto 16:06

Mischa Maisky
London Symphony Orchestra
Michael Tilson Thomas

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Com Shostakovich é sempre na caçapa

PQP

Dmitri Shostakovich – Sinfonia nº 13 – Kiril Kondrashin, Moscow Philharmonic Orchestra

Prometi esta gravação para nosso mentor, PQPBach, já há algumas semanas, mas a falta de tempo me impediu de liberar antes. Hoje pretendo cumprir esta promessa.
Temos aqui Kiril Kondrashin, um dos maiores e mais influentes maestros do período soviético, regendo a monumental Sinfonia nº 13, de Shostakovich. Não se trata de obra fácil, de fácil ‘digestão’, não apenas por seu tamanho mas principalmente pela sua temática.
Esta gravação que ora vos trago é a ‘World Premiere”, ou seja, foi a primeira vez em que a obra foi apresentada ao público, lá no longínquo ano de 1962. Kiril Kondrashin encarou a empreitada, após Evgeny Mravinski desistir.
Em postagem de 2017, temos uma descrição completa da obra. Você encontra esta postagem aqui.

Dmitri Shostakovich – Sinfonia nº 13
1.1. Symphony No. 13 in B-Flat Minor, Op. 113 Babi-yar I. Babi Yar Adagio
1.2. Symphony No. 13 in B-Flat Minor, Op. 113 Babi-yar II. Yumor (Humour) Allegretto
1.3. Symphony No. 13 in B-Flat Minor, Op. 113 Babi-yar III. V Magazine (In the Store) Adagio –
1.4. Symphony No. 13 in B-Flat Minor, Op. 113 Babi-yar IV. Strachi (Fears) Largo –
1.5. Symphony No. 13 in B-Flat Minor, Op. 113 Babi-yar V. Kariera (a Career) Allegretto

Vitaly Gromadsky, bass
Male Bass Choir of the A.Yurlov
Republican Russian Choir Capella
Moscow Philharmonic Orchestra

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 8

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 8

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A 8ª de Shostakovich é de uma grandiosidade para ninguém botar defeito. Stálin curtiu tanto que pediu ao compositor uma super 9ª. Não levou, levou uma bem pequena e bem-humorada, mas esta é outra história. Gosto muito do longo movimento inicial da 8ª, sério e misterioso, da beleza austera do quarto movimento em 12 variações — uma passacaglia –, do divertido diálogo entre o piccolo, o clarinete e o fagote do scherzo. O terceiro movimento é mezzo heroico e gruda na cabeça como poucas coisas grudam. Nele, há um tema extremamente sarcástico introduzido pelo trompete. Pura gozação de Shosta. O finale é belíssimo com seus solos de clarone, que já vêm desde a passacaglia. Grande interpretação do pessoal da Rainha lá de Liverpool.

Symphony No. 8 In C Minor, Op. 65 (1943) (61:57)

1 I. Adagio – Allegro Non Troppo 25:14
2 II. Allegretto 6:03
3 III. Allegro Non Troppo 6:18
4 IV. Largo 9:34
5 V. Allegretto 14:48

Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Vasily Petrenko

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Vassily Petrenko: especialista em Shosta.

PQP

Dmítri Shostakóvitch (Rússia, 1906 – 1975) – Lady Macbeth of Mtsensk – Dir. Mstislav Rostropovich, London Philharmonic Orchestra, Ambrosian Opera Chorus, Galina Vishnevskaya, Nicolai Gedda – 1978

Lady Macbeth of Mtsensk

Dmítri Shostakóvitch (Rússia, 1906 – 1975)

London Philharmonic Orchestra
Ambrosian Opera Chorus
Dir. Mstislav Rostropovich

Galina Vishnevskaya
Nicolai Gedda

1978

Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk (em russo: Леди Макбет Мценского уезда, transl. Ledi Makbet Mtsenskogo Uyezda) é uma ópera em quatro atos do compositor russo Dmitri Shostakovitch, estreada em 1934.

O libreto é inspirado na novela curta de mesmo nome publicada em 1865 por Nikolai Leskov. Ambientada na Rússia do século XIX, conta a história de uma mulher casada e solitária, Katerina Lvovna Izmaylova, que apaixona-se por outro homem e termina cometendo assassinatos. O argumento é sombrio, com bastante violência e sexo. O título faz referência a Lady Macbeth, a anti-heroína da tragédia shakespeareana Macbeth (1606).

Estreou em 1934 no Teatro Mikhaylovsky em São Petersburgo (então Leningrado), com enorme sucesso de público e crítica. Nos anos seguintes foi encenada pelos palcos de todo o mundo. A ópera, porém, fez-se ainda mais famosa pela intervenção das autoridades soviéticas: em 1936, funcionários do governo comunista – incluindo Josef Stálin – assistiram uma apresentação no Teatro Bolshoi. Na edição de 28 de janeiro do jornal Pravda foi publicada uma severa crítica que descrevia a ópera como “ruído ao invés de música”, entre outras coisas. Frente a essa denúncia, Shostakovitch passou a temer por sua liberdade artística e até por sua vida, e em 1937 escreveu sua Quinta Sinfonia em um tom muito mais convencional, descrita pelo próprio artista como “a resposta de um artista soviético à crítica justa”.

Esta foi a última ópera de Shostakovich. Nos anos 1960 compôs uma nova versão, suprimindo as partes mais controversas. Atualmente, porém, a composição original é a mais executada. (Wikipedia)

As 53 faixas podem ser vistas aqui.

Lady Macbeth of Mtsensk – 1978
Dmítri Shostakóvitch
London Philharmonic Orchestra
Ambrosian Opera Chorus
Dir. Mstislav Rostropovich

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Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.

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If you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.

Boa audição!

Avicenna

 

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia No. 4; Benjamin Britten (1913-1976): Funeral Russo

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia No. 4; Benjamin Britten (1913-1976): Funeral Russo

PQP Bach
12 anos de Prazer

CONTEXTO

A Sinfonia No. 4 em dó menor de Shostakovich foi feita em 1936, momento auge dos Grandes Expurgos ocorridos de 1934 a 1939, durante os chamados Processos de Moscou. Depois da consolidação do poder nazista em 1933, a Alemanha começara o desenvolvimento de sua indústria de guerra, preparando-se para a futura guerra contra a União Soviética, sua maior inimiga. Diante desse perigo externo, ainda havia o “perigo interno”, o crescimento da oposição de esquerda ao stalinismo por parte dos bolchevique-leninistas (trotskistas) na União Soviética. Muito da agitação dos opositores de esquerda ao stalinismo dessa época vêm do fôlego proporcionado pela Revolução Espanhola que se inicia em 1936, e também pela continuidade da Revolução Chinesa no sucesso da Longa Marcha, além do próprio perigo do nazismo que crescia. Diante disso, Stálin foi obrigado a tomar duas medidas: prender, executar e perseguir todos os perigos em potencial dentro e fora da União Soviética, inclusive executando todos os dirigentes do Partido Comunista e boa parte de seus militantes (executando também militantes revolucionários anarquistas e bolchevique-leninistas na Espanha), e, por outro lado, buscar um acordo com a Alemanha na fé de que a diplomacia impediria o ataque iminente (que foi firmado em 1939 no Pacto de Ribbentrop-Molotov).

No meio dessa conturbada conjuntura, Shostakovich, bebendo ainda dos ventos criativos da década anterior, estudava Mahler, e lançara sua ópera Lady Macbeth de Mtsensk, baseada na novela homônima de Leskov, fazendo imenso sucesso no mundo inteiro.

E foi através do jornal Pravda que Shostakovich, no meio de toda essa turbulência, ficou sabendo que sua ópera Lady Macbeth era atacada como “barulho ao invés de música”. Sua quarta sinfonia buscava dar um fôlego criativo para fora dos limites das duas sinfonias anteriores que se detinham sob a estética do realismo socialista. Além disso, a quarta sinfonia é quase uma apresentação do resultado de seus estudos sobre Mahler. Shosta termina a obra, mas impede a estreia que estaria marcada para dezembro de 1936.

ESCUTANDO A 4ª SINFONIA

Essa obra não se assemelha às sinfonias de Mahler apenas por todo o cromatismo tonal, mas também pelo tamanho da orquestra: 125 músicos. A duração também: por volta de 60 minutos.

Primeiro Movimento (Allegretto poco moderato – Presto)
o tema A se desenvolve por um longo tempo, numa tensão tão infinita que até Mahler ficaria espantado; ao fim, no que parece que será o clímax do início do movimento, temos uma quebra pela percussão, que inicia aos poucos, juntos a um solo de viola um novo tema, um tema B, até que é substituído pelo fagote que canta o tema A junto ao ritmo percussivo dos pizzicatos. Acaba inconclusivo, agudo e grave ao mesmo tempo, como se uma contradição imanente à música apenas se retirasse de cena, para cedo ou tarde, retornar…

Segundo Movimento (Moderato con moto)
Shostakovich aqui demonstra sua capacidade de fazer nascer de uma grande tensão algo libertador, como se a própria tensão estivesse prenhe de sua resolução. Apesar do começo com um tema dançante e lamentoso, já ao meio do movimento, após aparecimento aqui e ali de motivos do tema A do primeiro movimento, a futura resolução no terceiro movimento surge grandiosa, mas rapidamente desaparece; quase como se fosse um ensaio geral do que estaria por vir.

Após variações nas cordas, as flautas surgem repetindo o tema A deste movimento, que é interrompido brevemente pelas cordas, mas o tema retorna, variando, em meio aos metais que surgem com o tema B deste movimento. A harmonia vez ou outra beira outros tons, assim como fazia Mahler. Novamente, entre variações do tema A, o tema B surge nos metais, enquanto nas flautas se mantêm o tema A. É quase como uma briga entre metais e madeiras que sofre uma dura intervenção nas cordas do ritmo compassado do motivo do tema que finalizará a sinfonia no terceiro movimento. Os tímpanos também intervém, e tudo volta à “normalidade”. Isso ocorre ao final dos três minutos. Em seguida, o tema A retorna nas cordas em sua forma original, como uma dança lamentosa. Varia por um longo tempo nos violinos e violas, repete-se nos cellos, e se interrompem. As flautas entram em cena com o tema, variando-o a beira da dissonância, criando uma harmonia quase que “alienígena”, que vai ficando extremamente tensa até que os metais surjam novamente com o tema B, ao que acompanham as flautas. As cordas fazem o “baixo-contínuo”, e toda orquestra agora está engolfada por este tema. Um fagote solista faz a transição para o final do movimento, que termina com uma percussão que beira os dois temas sem se definir.

Terceiro Movimento (Largo – Allegro)
O terceiro movimento inicia com uma melodia grave surgindo nas madeiras e outro mais agudo surge no oboé e se repete nas flautas. Essa melodia, uma marcha fúnebre, tem uma gravidade semelhante à que tem o terceiro movimento da 1ª Sinfonia de Mahler, parecendo um tema folclórico. Os contrabaixos repetem-se no fundo como um coração batendo, enquanto as cordas leve e lentamente repetem o motivo deste movimento final; os sopros respondem; metais reclamam um tom grave e uma percussão delicada toca levemente. Lá, nos fundos, algum metal repete lentamente o motivo deste tema final. A delicada percussão do xilofone (ou vibrafone?) se mantém até o fim da sinfonia, com o grave dos contrabaixos constante, batendo como um coração, provavelmente inspirado no final da Patética de Tchaikovsky, encerrando a sinfonia num sombrio desfecho.

O INTERPRETE

A interpretação de Rattle é tipicamente inglesa: bem definida e comportada, dando ênfase nas danças, tornando as fanfarras dos metais quase em “valsas”. Falta algo da visceralidade misturada com a rigidez teuto-eslava dos russos, como se pode ouvir na interpretação de Kondrashin. O ponto forte de Rattle é a melodiosidade: sua rigorosidade inglesa ajuda a manter as melodias principais da sinfonia bem definidas, tornando-as empolgantes. Além disso, como todo bom inglês, sabe lidar bem com os metais.

FUNERAL RUSSO

A prova de que os ingleses são bons com os metais está na obra seguinte, o “Funeral Russo”, de Britten. Apesar de ser sua única obra com este arranjo, ele se sai muito bem. Pega a famosa canção “Tu caíste, como vítima, na luta!”, e a transforma numa quase-fanfarra de metais e percussão.

Essa canção, muito conhecida na Rússia, foi escrita em 1878. Foi cantada principalmente na Revolução de 1905, após o massacre do Domingo Sangrento realizado pelo Czar, e foi novamente recuperada em 1917, na marcha de março feita em Petrogrado em homenagem às vítimas da Revolução de Fevereiro. Graças às revoluções de 1917, ela se tornou mundialmente famosa, sendo cantada mesmo durante os protestos no ano de 1968 pela Europa. O próprio Shostakovich coloca essa canção no terceiro movimento (o Adagio) de sua 11ª Sinfonia. Foi muito utilizada também em filmes, como no “Encouraçado Potemkin” de Eisenstein, e também no filme soviético de 1935 “A Juventude de Maxim”.

Vejam esta bela cena do filme com a letra da música em português:

É interessante o que Britten faz com a obra: intercala a canção com uma fanfarra militar, quase que burlesca, que não tem muito a ver com a Rússia, nem com a canção. Mas tem muito a ver com Mahler e com o próprio Shostakovich (ambos utilizavam marchas militares de forma séria e também como paródia em suas sinfonias), e também com o momento em que Britten escrevia a obra, 1936: ascensão do fascismo na Alemanha e na Itália, Revolução na Espanha e na China, Processos de Moscou na URSS, etc.

Em síntese, ambas as obras conseguem sintetizar o espírito da primeira parte do século XX: fúria, terror, suspense, pesar, esperança. São obras sublimes, e o álbum é muito inteligente ao juntar as duas.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Symphony No. 4 in C minor op. 43; Benjamin Britten (1913-1976): Russian Funeral

Dmitri Shostakovich (1906-1975):

Symphony No. 4 in C minor opus 43
01 I. Allegretto poco moderato-Presto-(Tempo I)
02 II. Moderato con moto
03 III. Largo-Allegro

Benjamin Britten (1913-1976):

Russian Funeral
04 Russian Funeral (for brass and percussion) – Andante alla marcia – Un pochissimo animando – Tempo primo piu maestoso

City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle, conductor

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A marcha ao Campo de Marte ocorrida em Março/Abril em homenagem aos mortos na Revolução de Fevereiro de 1917.

Luke

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral da Música para Piano e Cordas

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral da Música para Piano e Cordas

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Que repertório, senhores! Os dois Trios para Piano de Shostakovich são maravilhosos, sendo um totalmente diferente do outro. O Quinteto para Piano nem se fala, é obra constante em recitais no mundo inteiro. A Sonata para Violino e Piano é dificílima e árida, mas se entrega belamente quando a ouvimos pela terceira vez… A Sonata para Violoncelo e Piano é muito boa e o que dizer da última obra de Shosta, a Sonata para Viola e Piano, seu tristíssimo canto de morte, escrito numa cama de hospital?

O DSCH-Shostakovich Ensemble não tem este nome por acaso. São impecáveis especialistas em Shosta com perfeito senso de estilo.  A gente ouve e tem certeza de que aquilo está como o autor desejaria. Um CD duplo obrigatório!

O DSCH-Shostakovich Ensemble foi criado pelo pianista Filipe Pinto-Ribeiro em 2006, ano do centenário do nascimento do compositor. Trata-se de um projeto português, sediado em Lisboa. O grupo tem formação variável, sendo uma plataforma de encontro e interação de músicos de excelência, mestres nos seus instrumentos.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral da Música para Piano e Cordas

1 Piano Trio No. 1, Op. 8 “Poème”
DSCH-Shostakovich Ensemble

Piano Quintet, Op. 57
2 I. Prelude. Lento – Poco più mosso – Lento 4:01
3 II. Fugue. Adagio 8:49
4 III. Scherzo. Allegretto 3:21
5 IV. Intermezzo. Lento 5:47
6 V. Finale. Allegretto 7:12

Sonata for Violin and Piano, Op. 134
7 I. Andante 9:48
8 II. Allegretto 6:40
9 III. Largo 12:27

10 Moderato for Cello and Piano 3:03

Sonata for Cello and Piano, Op. 40
1 I. Allegro non troppo 11:24
2 II. Allegro 3:08
3 III. Largo 7:58
4 IV. Allegro 4:10

Piano Trio No. 2, Op. 67
5 I. Andante – Moderato – Poco più mosso 7:16
6 II. Allegro non troppo 3:00
7 III. Largo 5:04
8 IV. Allegretto – Adagio 9:56

Sonata for Viola and Piano, Op. 147
9 I. Moderato 9:02
10 II. Allegretto 7:02
11 III. Adagio 10:38

DSCH-Shostakovich Ensemble
Filipe Pinto-Ribeiro
Corey Cerovsek
Cerys Jones
Adrian Brendel
Isabel Charisius

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Shostakovich, já velho e fraco, com um amigo

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87

Dmitri Shostakovich (1906-1975): 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87

Os 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87 por Dmitri Shostakovich é um conjunto de 24 peças para piano, uma em cada uma das notas maiores e menores da escala cromática. Claro que o estilo musical e os temas são do próprio Shostakovitch, mas a imensa peça segue a forma do Cravo Bem Temperado de Johann Sebastian Bach escrito cerca de 200 antes. Obviamente estas maravilhosas peças não foram bem recebidas por críticos soviéticos quando Shostakovich as apresentou pela primeira vez num encontro especial da União dos Compositores em maio de 1951. Os críticos expressaram rejeição à dissonância de algumas das fugas. Também disseram que a fuga, na música soviética, era muito ocidental e arcaica… Há muito mais nos 24 Prelúdios e Fugas de Shostakovich do que parece. Talvez eles causem uma impressão enganosamente árida em leituras ocasionais, mas os pianistas que se comprometem acabam demonstrando grande variedade de expressão, dando forma convincente às sutilezas do compositor. David Jalbert é faz um excelente trabalho.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87

1. Prelude No. 1 in C major (2:35)
2. Fugue No. 1 in C major (5:09)
3. Prelude No. 2 in A minor (0:55)
4. Fugue No. 2 in A minor (1:26)
5. Prelude No. 3 in G major (1:43)
6. Fugue No. 3 in G major (1:55)
7. Prelude No. 4 in E minor (2:50)
8. Fugue No. 4 in E minor (5:47)
9. Prelude No. 5 in D major (2:08)
10. Fugue No. 5 in D major (1:53)
11. Prelude No. 6 in B minor (1:32)
12. Fugue No. 6 in B minor (4:21)
13. Prelude No. 7 in A major (1:12)
14. Fugue No. 7 in A major (2:08)
15. Prelude No. 8 in F sharp minor (1:13)
16. Fugue No. 8 in F sharp minor (5:28)
17. Prelude No. 9 in E major (2:44)
18. Fugue No. 9 in E major (1:46)
19. Prelude No. 10 in C sharp minor (1:46)
20. Fugue No. 10 in C sharp minor (5:32)
21. Prelude No. 11 in B major (1:14)
22. Fugue No. 11 in B major (2:32)
23. Prelude No. 12 in G sharp minor (4:34)
24. Fugue No. 12 in G sharp minor (3:39)
25. Prelude No. 13 in F sharp major (2:06)
26. Fugue No. 13 in F sharp major (5:27)
27. Prelude No. 14 in E flat minor (4:11)
28. Fugue No. 14 in E flat minor (2:41)
29. Prelude No. 15 in D flat major (3:07)
30. Fugue No. 15 in D flat major (1:41)
31. Prelude No. 16 in B flat minor (2:46)
32. Fugue No. 16 in B flat major (6:58)
33. Prelude No. 17 in A flat major (2:01)
34. Fugue No. 17 in A flat major (3:42)
35. Prelude No. 18 in F minor (2:00)
36. Fugue No. 18 in F minor (3:12)
37. Prelude No. 19 in E flat major (1:33)
38. Fugue No. 19 in E flat major (2:53)
39. Prelude No. 20 in C minor (3:52)
40. Fugue No. 20 in C minor (5:06)
41. Prelude No. 21 in B flat major (1:28)
42. Fugue No. 21 in B flat major (2:58)
43. Prelude No. 22 in G minor (2:36)
44. Fugue No. 22 in G minor (3:55)
45. Prelude No. 23 in F major (2:55)
46. Fugue No. 23 in F major (3:12)
47. Prelude No. 24 in D minor (3:46)
48. Fugue No. 24 in D minor (6:55)

David Jalbert (Piano)

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David Jalbert lança um sedutor Olhar 43 para os pequepianos

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Quartetos de Cordas Completos + Quinteto para Piano

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Quartetos de Cordas Completos + Quinteto para Piano

AB-SO-LU-TA-MEN-TE IM-PER-DÍ-VEL !!!

Os russos compreendem e interpretam melhor os russos. Esta série de Quartetos de Cordas de Shostakovich pelo Quarteto Borodin talvez seja o grande acontecimento do mercado fonográfico de 2018. É a terceira incursão do Borodin na gravação de todos os quartetos. Explico: o quarteto foi se transformando ao longo dos anos e não sobra mais ninguém da clássica formação inicial, que recebeu instruções do próprio Shostakovich.

Com mais de 7 horas, o conjunto inclui os Quartetos de Cordas de 1 a 15 de Shostakovich, além de uma seleção de obras menos conhecidas de Shostakovich, incluindo a gravação de estreia de um movimento não finalizado. O pianista Alexei Lubimov e o trompetista Sergei Nakariakov se juntam ao Quarteto Borodin para as gravações da música do filme Podrugi (‘Girlfriends’), enquanto outro pianista, Alexei Volodin, completa o time para extraordinário Quinteto para Piano.

Nenhum quarteto fez o repertório russo melhor do que o Quarteto Borodin original — o próprio Shostakovich supervisionou pessoalmente o estudo do conjunto de cada um de seus quartetos e isto veio até a geração atual.

E as obras? Minha nossa, que música!

Abaixo, alguns humildes comentários sobre obras escolhidas e que estão presentes no conjunto da Decca:

Quinteto para piano, Op. 57 (1940)

A música perfeita. Irresistível quinteto escrito em cinco movimentos intensamente contrastantes. Seu estilo é clássico. O prelúdio inicial estabelece três estilos distintos que voltarão a ser explorados adiante: um dramático, outro neo-clássico e o terceiro lírico. Todos os temas que serão ouvidos nos movimentos seguintes apresentam-se no prelúdio em forma embrionária. Segue-se uma rigorosa fuga puxada pelo primeiro violino e demais cordas até chegar ao piano. Sua melodia belíssima e lírica que é seguida por um scherzo frenético. É um choque ouvir chegar o intermezzo que traz de volta a seriedade à música. Apesar do título, este intermezzo é o momento mais sombrio do quinteto. O Finale, cujo início parece uma improvisação pura do pianista, fará uma recapitulação condensada do prelúdio inicial.

O Quinteto para piano recebeu vários prêmios que não vale a pena referir aqui, mas o mais importante para Shostakovich foi a admiração que Béla Bartók dedicou a ele.

Quarteto de Cordas Nº 2, Op. 68 (1944)

Este trabalho em quatro movimentos foi escrito em menos de três semanas. A abertura é uma melodia de inspiração folclórica, tipicamente russa. O grande destaque é o originalíssimo segundo movimento, Recitativo e Romance: Adagio. O primeiro violino canta (ou fala) seu recitativo enquanto o trio restante o acompanha como se estivessem numa ópera ou música sacra barroca. O Romance parece música árabe, mas não suficientemente fundamentalista a ponto que a Al Qaeda comemore. Segue-se uma pequena valsa no mesmo estilo. O quarto movimento é um Tema com variações que fecha brilhantemente o quarteto.

É curioso que neste quarteto, talvez por ter sido composto rapidamente, há uma musicalidade simples, leve e nada forçada. Talvez nem seja uma grande obra como os Quartetos Nros. 8 e 12, mas é dos que mais ouço. Afinal, esta é uma lista pessoal e as excentricidades valem, por que não?

Quarteto de Cordas Nº 6, Op. 101 (1956)

Talvez apenas aficionados possam gostar deste esquisito quarteto. Ele tem quatro movimentos, dos quais três são decepcionantes ou descuidados. O intrigante nesta música é o extraordinário terceiro movimento Lento, uma passacaglia barroca que é anunciada solitariamente pelo violoncelo. É de se pensar na insistência que alguns grandes compositores, em seus anos maduros, adotam formas bachianas. Os últimos quartetos e sonatas para piano de Beethoven incluem fugas, Brahms compôs motetos no final de sua vida e Shostakovich não se livrou desta tendência de voltar ao passado comum de todos. Enfim, este quarteto vale por seu terceiro movimento e, com certa boa vontade, pelo Lento – Allegretto final.

Quarteto de Cordas Nº 7, Op. 108 (1960)

Mais um quarteto de Shostakovich com um lindíssimo movimento lento, desta vez baseado no monólogo de Boris Godunov (ópera de Mussorgski baseada em Puchkin), e mais um finale construído em forma de fuga, utilizando temas do primeiro movimento. Uma pequena e curiosa jóia de onze minutos.

Quarteto de Cordas Nº 8, Op. 110 (1960)

Na minha opinião, o melhor quarteto de cordas de Shostakovich. Não surpreende que tenha recebido versões orquestrais. Trata-se de uma obra bastante longa para os padrões shostakovichianos de quarteto; tem cinco movimentos, com a duração total ficando entre os 20 minutos (na versão para quarteto de cordas) e 26 (na versão orquestral). O quarteto abre com um comovente Largo de intenso lirismo, o qual é seguido por um agitado Allegro molto, de inspiração folclórica e que fica muito mais seco na versão para quarteto. O terceiro movimento (Allegretto) é uma surpreendente valsinha sinistra a qual é respondida por outra valsa, muito mais lenta e com um acompanhamento curiosamente desmaiado. O quarteto é finalizado por dois belos temas ; o primeiro sendo pontuado por agressivamente por um motivo curto de três notas e o segundo formado por mais uma fuga a quatro vozes utilizando temas dos movimentos anteriores.

Quarteto Nº 9, Op. 117 (1964),
Quarteto Nº 10, Op. 118 (1964) e
Quarteto Nº 11, Op. 122 (1966)

Os quartetos de números 9, 10 e 11 são semelhantes em estrutura e espírito. São os três muito bons e têm em comum o fato de manterem por todo o tempo a alternância entre movimentos rápidos e lentos, sendo tais contrastes ampliados pelo fato de o nono e o décimo primeiro serem compostos por movimentos executados sem interrupções. O décimo ainda separa os primeiros movimentos, porém o Alegretto final surge de dentro de um Adágio. A postura de fazer com que surjam movimentos antagônicos um de dentro do outro é uma particularidade que torna estes quartetos ainda mais interessantes, sendo que o décimo primeiro é um inusitado quarteto de 17 minutos com sete movimentos; isto é, Shostakovich brinca com a apresentação de temas que fazem surgir de si outros muito diversos em estilo, como se o compositor estivesse sofrendo de uma incontrolável superfetação (*). É, no mínimo, desafiador ao ouvinte. Melodicamente são muito ricos, e exploram com insistência incomum os ostinati, os quais são sempre no máximo belíssimos e no mínimo curiosos. Merecem inteiramente o lugar que modernamente obtiveram no repertório dos quartetos de cordas. É curioso como é fácil confundi-los. Estou ouvindo-os enquanto escrevo e noto quando o CD passa de um para outro, pois têm personalidades muito próprias, mas nunca sei se o que estou ouvindo é o nono ou o décimo. Certamente é uma limitação minha! Já no décimo primeiro, o paroxismo da criação de melodias chega a tal ponto, seus ostinati são tão alucinados, que é mais fácil reconhecê-lo.

Aliás, o décimo primeiro apresenta aqueles finais tranquilos que constituíram-se uma das assinaturas do Shostakovich final. Esqueçam o gran finale. Sem fazer grande pesquisa, sei que os finais quietos, na grandiosos, podem ser encontrados na 13ª, 14ª e 15ª sinfonias, neste quarteto e no sensacional Concerto para Violoncelo que será comentado a seguir.

(*) Palavra pouco utilizada, não? Significa a concepção que ocorre quando, no mesmo útero, já há um feto em desenvolvimento.

Quarteto Nº 13, Op. 138 (1970)

Um pouco menos funéreo que a Sinfonia Nº 14, este quarteto foi escrito nos intervalos do tratamento ortopédico que conseguiu devolver-lhe do parte do movimento das mãos e antes do segundo ataque cardíaco. O décimo-terceiro quarteto é um longo e triste adágio de cerca de vinte minutos. O quarteto foi dedicado ao violista Vadim Borisovsky, do Quarteto Beethoven, e a viola não somente abre o quarteto como é seu instrumento principal. Trata-se de um belo quarteto cuja tranquilidade só é quebrada por um pequeno scherzando estranhamente aparentado do bebop (sim, isso mesmo).

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Quartetos de Cordas Completos

String Quartet No. 1 in C Major, Op. 49 14:15

1 1. Moderato 4:29
2 2. Moderato 4:34
3 3. Allegro molto 2:05
4 4. Allegro 3:07

String Quartet No. 2 in A Major, Op. 68 35:06

5 1. Overture (Moderato con moto) 8:10
6 2. Recitative & Romance (Adagio) 10:23
7 3. Valse (Allegro) 5:56
8 4. Theme & Variations 10:37

String Quartet No. 3 in F Major, Op. 73 33:49

9 1. Allegretto 6:58
10 2. Moderato con moto 5:41
11 3. Allegro non troppo 4:19
12 4. Adagio 5:51
13 5. Moderato 11:00

String Quartet No. 4 in D Major, Op. 83 25:57

14 1. Allegretto 4:20
15 2. Andantino 6:51
16 3. Allegretto 4:02
17 4. Allegretto 10:44

String Quartet No. 5 in B-Flat Major, Op. 92 31:23

18 1. Allegro non troppo 11:20
19 2. Andante 9:04
20 3. Moderato 10:59

String Quartet No. 6 in G Major, Op. 101 25:52

21 1. Allegretto 6:50
22 2. Moderato con moto 5:35
23 3. Lento 5:30
24 4. Allegretto 7:57

String Quartet No. 7 in F-Sharp Minor, Op. 108 13:10

25 1. Allegretto 3:30
26 2. Lento 3:33
27 3. Allegro 6:07

String Quartet No. 8 in C Minor, Op. 110 24:21

28 1. Largo 5:37
29 2. Allegro molto 2:53
30 3. Allegretto 4:35
31 4. Largo 6:50
32 5. Largo 4:26

String Quartet No. 9 in E-Flat Major, Op. 117 27:57

33 1. Moderato con moto 4:29
34 2. Adagio 5:34
35 3. Allegretto 3:58
36 4. Adagio 4:01
37 5. Allegro 9:55

String Quartet No. 10 in A-Flat Major, Op. 118 25:39

38 1. Andante con moto 5:04
39 2. Allegretto furioso 4:35
40 3. Adagio 6:32
41 4. Allegretto – Andante 9:28

String Quartet No. 11 in F Minor, Op. 122 18:48

42 1. Introduction: Andantino 2:56
43 2. Scherzo: Allegretto 2:57
44 3. Recitative: Adagio 1:22
45 4. Etude: Allegro 1:22
46 5. Humoresque: Allegro 1:09
47 6. Elegy: Adagio 4:40
48 7. Finale: Moderato 4:22

String Quartet No. 12 in D-Flat Major, Op. 133 27:19

49 1. Moderato – Allegretto 7:00
50 2. Allegretto – Adagio – Moderato – Allegretto 20:19

51 String Quartet No. 13 in B-Flat Minor, Op. 138 21:27

String Quartet No. 14 in F-Sharp Major, Op. 142 29:51

52 1. Allegretto 9:07
53 2. Adagio 10:52
54 3. Allegretto 9:52

String Quartet No. 15 in E-Flat Minor, Op. 144 37:11

55 1. Elegy 13:04
56 2. Serenade 6:02
57 3. Intermezzo 1:49
58 4. Nocturne 4:28
59 5. Funeral March 4:53
60 6. Epilogue 6:55

Borodin Quartet

Piano Quintet in G Minor, Op. 57 34:11

61 1. Prelude (Lento) 4:54
62 2. Fugue (Adagio) 11:22
63 3. Scherzo (Allegretto) 3:40
64 4. Intermezzo (Lento – Appassionato) 6:56
65 5. Finale (Allegretto) 7:19

Borodin Quartet & Alexei Volodin

66 Unfinished Quartet Movement 9:08

Two Pieces for String Quartet, Op. 36a 7:11

67 1. Elegy 4:37
68 2. Polka 2:34

Borodin Quartet

Girl Friends Op. 41a – Preludes 14:14

69 Girl Friends, Op. 41a – Preludes: 1. Allegretto 3:12
70 Girl Friends, Op. 41a – Preludes: 2. Allegretto 1:18
71 Girl Friends, Op. 41a – Preludes: 3. Allegretto moderato 1:40
72 Girl Friends, Op. 41a – Preludes: 4. Allegretto 1:37
73 Girl Friends, Op. 41a – Preludes: 5. Allegretto 1:34
74 Girl Friends, Op. 41a – Preludes: 6. Andante 2:35
75 Girl Friends, Op. 41a – Preludes: 7. Allegro 2:18

Borodin Quartet, Alexei Lubimov & Sergei Nakariakov

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Dmitri Shostakovich (1906-1975)

PQP

Dmitri Shostakovich (1905-1975): Sinfonia nº 10 – David Oistrakh, Berliner-Sinfonie Orchester

Este Cd é uma grata surpresa, quando podemos ouvir o grande David Oistrakh regendo a Décima Sinfonia de Shostakovich. Claro que não foi a primeira incursão do violinista frente à orquestra, lembro de suas gravações dos concertos de Mozart e de Bach. Maiores informações sobre a Sinfonia sugiro procurarem postagens anteriores da obra, está tudo lá.

Dmitri Shostakovich (1905-1975): Sinfonia nº 10 – David Oistrakh, Berliner-Sinfonie Orchester

1. Dmitri Shostakovich – Symphonie No.10 en mi mineur Op.93 – 1. Moderato
2. Dmitri Shostakovich – Symphonie No.10 en mi mineur Op.93 – 2. Allegro
3. Dmitri Shostakovich – Symphonie No.10 en mi mineur Op.93 – 3. Allegretto
4. Dmitri Shostakovich – Symphonie No.10 en mi mineur Op.93 – 4. Andante – Allegro

Berliner Sinfonier-Orchester
David Oistrakh – Conductor

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Violinkonzert nr. 1 in a-moll op. 99, Sinfonie nº5 in d-moll, op 47 – Oistrakh, Sanderling,

Baita gravação de 1966, com duas lendas do século XX, Igor Oistrakh, filho David Oistrakh, o maior dos violinistas russos, e o regente alemão Kurt Sanderling. O repertório não poderia ser diferente: Shostakovich.
Já nos foi apresentada diversas vezes aqui no PQPBach a relação entre Oistrakh e Shostakovich, por isso não irei tecer maiores comentários sobre o assunto. Nosso guru, PQPBach, já esclareceu. Mas vou me arriscar a trazer alguns dados biográficos sobre o maestro Kurt Sanderling, que creio que apareceu pouco por aqui. Vamos lá.
Nasceu em 1912 na então Prússia Oriental, região hoje pertencente a Polônia. Por sua descendência não ariana, perdeu sua cidadania alemã em 1935, e conseguiu visto na União Soviética, assim como outros alemães judeus. Já vinha estudando regência em Berlim, e em pouco tempo conseguiu se tornar Condutor Chefe da Orquestra da Radio de Moscou e posteriormente da poderosa Filarmônica de Leningrado. Retornou á Alemanhã em 1960 onde tornou-se regente da Sinfônica de Berlim e da Staatskapelle Dresden. Foi além disso, maestro assistente de um dos maiores maestros do periodo soviético, Yevgeny Mravinsky. Ainda nos anos 40 tornou-se grande amigo de Shostakovich. Veio a falecer em 2011, um dia antes de completar 99 anos.
Esta gravação que ora vos trago foi realizada em 10 de março de 1966, quando este que vos escreve recém tinha completado um ano de idade. Igor Oistrakh, filho de David Oistrakh, faz uma interpretação vigorosa do Primeiro Concerto para Violino de Shostakovich. Filho de peixe, peixinho é, como diz o ditado. Nem preciso dizer que trata-se de gravação histórica, lançada pelo selo Harmonia Mundi lá em 2002, mas que apenas recentemente chegou-me em mãos.
Completa o CD a magnífica Quinta Sinfonia do mesmo Shostakovich. Em outras palavras, material histórico, absolutamente imperdível.
Não sei o porque, mas esta me pareceu a trilha sonora ideal para este sombrio e chuvoso dia de eleições.

1. Violin Concerto No.1 in A minor, op.99 (I. Oistrakh on Violin, 66.10.3) – I. Nocturne Moderato
2. Violin Concerto No.1 in A minor, op.99 (I. Oistrakh on Violin, 66.10.3) – II. Scherzo Allegro
3. Violin Concerto No.1 in A minor, op.99 (I. Oistrakh on Violin, 66.10.3) – III. Passacaglia Andante
4. Violin Concerto No.1 in A minor, op.99 (I. Oistrakh on Violin, 66.10.3) – IV. Burlesque Allegro con brio
5. Symphony No.5 in D minor, op.47 (66.10.3) – I. Moderato – Allgro con troppo – Largamente – Moderato
6. Symphony No.5 in D minor, op.47 (66.10.3) – II. Allegretto
7. Symphony No.5 in D minor, op.47 (66.10.3) – III. Largo
8. Symphony No.5 in D minor, op.47 (66.10.3) – IV. Allegro non troppo

Igor Oistrakh – Violin
Berliner Sinfonie-Orchester
Kurt Sanderling – Conductor

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Serguei Prokofiev (1891-1953) e Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violoncelo

Serguei Prokofiev (1891-1953) e Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violoncelo

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IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um dos discos que eu certamente levaria para a Ilha Deserta. Este CD da Erato, há anos fora do catálogo, é uma das melhores gravações de Rostropovich (1927-2007). Ele já tinha um longo histórico de colaborações com o maestro Seiji Ozawa e, aqui, eles decidiram interpretar dois concertos para violoncelo que foram dedicados ao russo. Na verdade, ambos os compositores contaram com sugestões de Rostrô durante o processo de composição. Foram obras-primas criadas quase a quatro mãos, entre amigos, por assim dizer. E que obras-primas! Você simplesmente não pode seguir vivendo sem conhecê-las. Não pode e não pode!

Serguei Prokofiev (1891-1953) e Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violoncelo

Sergei Prokofiev (1891-1953)
Sinfonia Concertante para Violoncelo e Orquestra, Op. 125
1. Andante
2. Allegro giusto
3. Andante con moto

Dmitri Shostakovich (1906-1975)
Concerto para Violoncelo e Orquestra, Op. 107
4. Allegretto
5. Moderato
6. Cadenza
7. Allegro con moto

Mstislav Rostropovich, violoncelo
London Symphony Orchestra
Seiji Ozawa

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Seiji Ozawa com Rostropovich: daria tudo para falar com esses dois!
Ozawa com Rostropovich: daria tudo para falar com esses dois!

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Concertos para Violoncelo

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Concertos para Violoncelo

51NSBOR-poLPois é. Esta gravação é de 1995 e o mesmo Truls Mørk a refez em 2014 com resultados ainda melhores, acompanhado do maestro Vasily Petrenko e a Filarmônica de Oslo. O registro que apresentamos neste post está longe de ser insatisfatório, apenas é inferior ao do link acima. Sobre a qualidade de ambos os concertos, vocês sabem — são obras primas. Shostakovich dedicou os dois concertos que escreveu para violoncelo ao seu ex-aluno do Conservatório de Moscou, o promissor Mstislav Rostropovich. Quando Shostakovich enviou a partitura do primeiro, dedicada ao amigo, este compareceu quatro dias depois na casa do compositor com a partitura decorada… Bem diferente foi o caso do segundo concerto, que foi composto praticamente a quatro mãos. Shostakovich escrevia uma parte, e ia testá-la na casa de Rostropovich; lá, mostrava-lhe as alternativas, os rascunhos ao violoncelista, que sugeria alterações e melhorias. Amizade.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Concertos para Violoncelo

Cello Concerto No. 1 Op. 107 In E Flat Major
1 I Allegretto 6:04
2 II Moderato 12:323
3 III Cadenza 6:47
4 IV Finale: Allegro Con Moto 4:47

Cello Concerto No. 2 Op. 126
5 I Largo 14:37
6 II Scherzo: Allegretto 4:21
7 III Finale (Allegretto) 16:46

Cello – Truls Mørk
Conductor – Mariss Jansons
Orchestra – The London Philharmonic

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Truls Mørk: explicação é pra porteiro
Truls Mørk: explicação é pra porteiro

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonias Nº 4 e 11

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonias Nº 4 e 11

81NFy6mn-mL._SY355_IM-PER-DÍ-VEL !!!

Passou-se algum tempo. Em 2015, a Orquestra Sinfônica de Boston, com seu grande regente titular Andris Nelsons, lançou a 10ª Sinfonia e, em 2016, vieram as Sinfonias 5, 8 e 9. Mas, céus, certamente valeu a espera esperar dois anos pela continuidade. E todos os registros foram feitos ao vivo, como deve ser.

Devido à relação difícil de Shostakovich com o regime de Stálin, a pretendida estréia da 4ª Sinfonia em 1936 foi cancelada, e o trabalho não recebeu sua primeira apresentação até vinte e cinco anos depois. É uma peça monumental e abrangente, usando uma enorme orquestra, e dizer que ela é extremamente exigente tecnicamente é um eufemismo. Trata-se de uma obra decididamente mahleriana. Shostakovich estudara Mahler por vários anos e aqui estão ecos monumentais destes estudos. Sim, monumentais. Uma orquestra imensa, uma música com grandes contrastes e um tratamento de câmara em muitos episódios: puro Mahler. O maior mérito desta sinfonia é seu poderoso primeiro movimento, que é transformação constante de dois temas principais em que o compositor austríaco é trazido para as marchas de outubro, porém, minha preferência vai para o também mahleriano scherzo central. Ali, Shostakovich realiza uma curiosa mistura entre o tema introdutório da quinta sinfonia de Beethoven e o desenvolve como se fosse a sinfonia “Ressurreição”, Nº 2, de Mahler. Uma alegria para quem gosta de apontar estes diálogos. O final é um “sanduíche”. O bizarro tema ritmado central é envolvido por dois scherzi algo agressivos e ainda por uma música de réquiem. As explicações são muitas e aqui o referencial político parece ser mesmo o mais correto para quem, como Shostakovich, considerava que a URSS viera das mortes da revolução de outubro e estava se dirigindo para as mortes da próxima guerra.

Escrita em 1957, a décima primeira sinfonia é chamada de O Ano de 1905 e é amplamente programática, retratando os eventos dos primórdios da Revolução Russa naquele ano. A abertura Adagio, intitulada The Palace Square, é um tema sombrio, e as cordas de Boston são novamente exemplares: há uma calma gelada em seu tom e, ainda assim, um brilho que de alguma forma oferece um sombrio conforto. É um som extraordinário que é o pano de fundo perfeito para as sinistras interjeições dos tímpanos e das fanfarras de trompete e trompa. Há explosões de metais e percussão no segundo movimento — os tiros nos operários –, uma bela canção de luto no terceiro — tema russo que foi depois retomado por Britten — e uma energia maníaca no quarto. É uma performance aterradora, cheia de força bruta e desespero, mas também grande ternura, particularmente no último movimento.

Esta série de Nelsons fica cada vez melhor. A execução destas sinfonias é notável e certamente se tornará referência. A próxima dupla será as Sinfonias Nº 6 e  7 — data de lançamento a ser anunciada. Mal posso esperar para ouvir!

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonias Nº 4 e 11

Symphony No. 4 in C Minor, Op. 43
1. 1. Allegretto poco moderato 14:56
2. 2. Presto 11:47
3. 3. Moderato con moto 8:24
4. 4. Largo 6:52
5. 5. Allegro 22:25

Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons
Duração: 1:04:24

Symphony No. 11 in G Minor, Op. 103 “The Year 1905”
1. 1. The Palace Square (Adagio) 17:15
2. 2. The Ninth of January (Allegro – Adagio – Allegro – Adagio) 18:46
3. 3. Eternal Memory (Adagio) 12:28
4. 4. The Tocsin (Allegro non troppo) 14:10

Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons
Duração: 1:02:39

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Ele REALMENTE merece todos os aplausos
Ele — e a orquestra de Boston — REALMENTE merecem todos os aplausos.

PQP

Shostakovich, Liszt, Prokofiev: Concertos para Piano Nº uns

Shostakovich, Liszt, Prokofiev: Concertos para Piano Nº uns

A pianista Lise de la Salle (1988) está entre as novas estrelas da música erudita. É daquelas mais ou menos bonitinhas. As gravadoras que exploram a imagem dos artistas devem ficar meio decepcionadas com a excelente Lise. Ela se sai muito bem no Shosta e no Liszt, mas não vai tão bem assim no Prokofiev. Não adianta, a gravação que o FDP postou com a integral dos concertos do ucraniano é muito melhor. O legal do CD é o programa. Dois excelentes concertos com um Liszt bem ruinzinho no meio. É um refresco meio sem gosto entre os russos (ou entre o russo e o ucraniano, ambos soviéticos). Funciona como um adágio fraquinho entre dois movimentos rápidos e cheios de vida. Bem, não gosto de quase nada de Liszt e alguns podem discordar fortemente de mim. Todos os concertos são Nº 1… Na boa, por que ela não colocou Primeiro Concerto para Piano do Tchai, muito melhor que o do Liszt? Seria uma estupenda trinca!

Shostakovich, Liszt, Prokofiev: Concertos para Piano Nº uns

1. Shostakovich: Concerto No. 1 for piano, trumpet and strings in C minor, opus 35 – Allegro
2. II Lento
3. III Moderato
4. IV Allegro con brio

5. Liszt: Piano Concerto No.1 in E flat major, s.124 – Allegro maestoso
6. II Quasi adagio
7. III Allegro vivace – allegro animato
8. IV Allegro marziale animato

9. Prokofiev: Piano Concerto No.1 in D flat major, opus 10 – Allegro brioso
10. II Andante assai
11. III Allegro scherzando

Lise de la Salle, piano
Libson Gulbenkian Foundation Orchestra
Lawrence Foster

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Tava guardando o de Tchai para depois, PQP...
Tava guardando o de Tchai para depois, PQP…

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10

IM-PER-DÍ-VEL !!! Uma estupenda gravação da décima de Shosta.

Este monumento da arte contemporânea mistura música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tem, ademais, uma história bastante particular.

Em março de 1953, quando da morte de Stalin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stálin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo. Sua oposição ao restante da obra faz-nos pensar em alguma segunda intenção do compositor. Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastoral e tranquilo, contendo o maior enigma musical do mestre: a orquestra para, dando espaço para a trompa executar o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Para identificá-la, ouça o tema executado a capela pela trompa. Ele é repetido quatro vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stalin está morto, Shostakovich, não. O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente.

PQP Bach adverte: não ouça o segundo movimento previamente irritado. Você e sua companhia poderão se machucar.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10

1. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : I. Moderato 22:45
2. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : II. Allegro 4:05
3. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : III. Allegretto 12:11
4. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : IV. Andante – Allegro 12:56

Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Vasily Petrenko

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Shosta lendo as novidades
Shosta lendo as novidades

PQP

Dmitri Shostakovich / Leoš Janáček: Concertos para Violino

Dmitri Shostakovich / Leoš Janáček: Concertos para Violino

Baiba Skride (1981) é uma violinista letã, vencedora do Concurso de violino da rainha Elisabeth em 2001. Este CD oferece uma mistura muito particular, mas absolutamente coerente, onde ela usa em seu favor a atmosfera de concerto. O CD foi gravado ao vivo em Munique, capturando uma Skride explosiva. As águas escuras do primeiro movimento do Concerto de Shostakovich recebe uma sequência fulminante, enquanto os suspiros entristecidos da “Passacaglia” se dissolvem em um solo frio. Pois é. Não chega a ser tudo aquilo. Porém, ambos os movimentos rápidos de Shosta estão ótimos. Os lentos nem tanto. Monumental e maciço, como um totem musical, o concerto de Janáček é igualmente intenso, oferecendo melodias folclóricas ingênuas, movimentos nervosos, quase mínimos, assim como erupções ardentes. Bom disco!

Dmitri Shostakovich / Leoš Janáček: Concertos para Violino

1. Dmitri Shostakovich – Violin Concerto Nr. 1 A-moll, Op. 77: I. Nocturne. Moderato (13:10)
2. Dmitri Shostakovich – Violin Concerto Nr. 1 A-moll, Op. 77: II. Scherzo. Allegro (6:41)
3. Dmitri Shostakovich – Violin Concerto Nr. 1 A-moll, Op. 77: III. Passacaglia. Andante — Cadenza (14:50)
4. Dmitri Shostakovich – Violin Concerto Nr. 1 A-moll, Op. 77: IV. Burlesque. Allegro con brio (6:15)

5. Leoš Janáček – Violin Concerto “Wanderung einer Seele” (11:41)

Munich Philharmonic Orchestra
Mikko Franck
(Shostakovich)

Radio Symphony Orchestra
Marek Janowski
(Janácek)

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Baiba Skride lança seu Olhar 43 para os pequepianos.
Baiba Skride lança seu Olhar 43 para os pequepianos.

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Piano Concertos – Anna Vinnitskaya, Kremerata Baltica

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Novo link para postagem de 2015… hoje acordei com vontade de ouvir Shostakovich !!!

Se ainda fosse vivo Shostakovich estaria completando 109 anos de idade neste dia 25 de setembro. Esta postagem é uma modesta homenagem a este incrivel compositor, que viveu intensamente século XX.

Esse CD que ora vos trago é bem recente, foi lançado agora no final de agosto e traz excelentes interpretações dos Concertos para Piano de Shostakovich. A jovem pianista russa Anna Vinnitskaya dá um show, acompanhada pela extraordinária Kremerata Baltica. Em outras palavras, trata-se de um baita CD.

Sem mais,

01 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 I. Allegretto
02 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 II. Lento
03 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 III. Moderato
04 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 IV. Allegro con brio
05 Piano Concerto No. 2 in F Major, Op. 102 I. Allegro
06 Piano Concerto No. 2 in F Major, Op. 102 II. Andante
07 Piano Concerto No. 2 in F Major, Op. 102 III. Allegro
08 Concertino for Two Pianos in A Minor, Op. 94
09 Tarantella for Two Pianos

Anna Vinnitskaya
Kremerata Baltica

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Dmitri Shostakovich (1905-1975) – Violin Concertos nº 1 & 2 – Zimmermann, Gilbert, NDR Elbphilharmonie Orchester

51SZoT+jv9L._SS500Neste CD que ora vos trago temos um compositor russo interpretado por um violinista alemão, acompanhado por uma orquestra alemã regida por um descendente por parte de pai de indígenas norte americanos e mãe japonesa. Como diria o ingênuo Robin do saudoso seriado dos anos 60 do Batman, santa salada de frutas, Batman … !!! Mas em verdade, em verdade, eu apenas vos dou um adjetivo para este CD: IM-PER-DÍ-VEL !!! E por que ainda não baixastes, cara pálida? Com certeza esta é uma das melhores gravações que já ouvi destes concertos. David Oistrakh e o próprio Shostakovich iriam se sentir bem satisfeitos quando ouvissem este CD.
Conheço Frank Peter Zimmermann há muito tempo, desde os anos 90, quando tive a oportunidade de ouvir seu Tchaikovsky, ao lado de Lorin Maazel ou Kurt Masur, não tenho certeza. Trata-se de um músico completo, experiente, apesar de jovem, e que já encarou todo o principal repertório do violino, desde o barroco até música contemporânea do século XX. Alan Gilbert também me é bem conhecido, tenho já há alguns anos acompanhado sua carreira frente a New York Philharmonic Orchestra, onde realiza um estupendo trabalho.
Então, senhores, baixem este CD, sentem-se em suas melhores poltronas e ouçam este petardo. Não vai sobrar pedra sobre pedra. Zimmermann é um violinista muito intenso, extrai do seu violino um som vibrante, com muita energia.

P.S. Uma curiosidade: Zimmermann nasceu quase junto comigo, ele é do dia 27 de fevereiro de 1965 e eu nasci no dia anterior, do mesmo ano. Coincidências …

01. I. Nocturne Adagio
02. Violin Concerto No. 1 in A Minor, Op. 77 II. Scherzo Allegro non troppo
03. Violin Concerto No. 1 in A Minor, Op. 77 III. Passacaglia Andante
04. IV. Burlesca Allegro con brio
05. Violin Concerto No. 2 in C-Sharp Minor, Op. 129 I. Moderato
06. violin Concerto No. 2 in C-Sharp Minor, Op. 129 II. Adagio
07. Violin Concerto No. 2 in C-Sharp Minor, Op. 129 III. Adagio – Allegro

Frank Peter Zimmermann – Violin
NDR Elbphilharmonie Orchester
Alan Gilbert – Conductor

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PICEDITOR-SMH
Frank Peter Zimmermann literalmente comendo seu Stradivarius …

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Complete Symphonies – Kirill Kondrashin

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Complete Symphonies – Kirill Kondrashin

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Há exatamente 100 anos atrás, no dia 7 de novembro de 1917 do calendário gregoriano, e 25 de outubro do calendário juliano, soldados armados, sob ordens do Comitê Militar Revolucionário do Soviete de Petrogrado, tomavam pontos chaves da cidade que, até Fevereiro daquele ano, fora símbolo de opulência da autocracia czarista. Era um golpe que se realizava? Um banho de sangue? Um complô?

UM BREVE RESUMO DA REVOLUÇÃO: DE 1905 A 1917*

Do ponto de vista econômico, em 1905, a Rússia era um país majoritariamente agrário, mas portador de um importante setor industrial financiado pelo capital estrangeiro e de grandes pólos urbanos industriais como São Petersburgo e Moscou. Cerca de 80% da população vivia no campo e praticava uma agricultura rudimentar sob um regime de semi-servidão e em situação de miséria. Nas cidades, os operários tinham jornadas de trabalho de até 15 horas e baixos salários. No campo político, todo o poder se concentrava nas mãos do czar, apoiado na nobreza feudal.

Em janeiro de 1905, uma multidão liderada pelo padre Gueórgui Gapon se dirigiu ao Palácio de Inverno de São Petersburgo, residência do czar, reivindicando melhores condições de vida e trabalho. As massas foram recebidas a tiros. O massacre entrou para a história como o “Domingo Sangrento” e desencadeou a Revolução Russa de 1905. Este episódio é bem retratado por um dos filmes mais importantes da história do cinema, O encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein, que traz uma imagem do período, mostrando a rebelião dos marinheiros do navio de guerra Potemkin e o apoio da população.

Foi nesses levantes que surgiram os sovietes (conselhos de trabalhadores), instrumentos de auto-organização compostos por representantes eleitos nos locais de trabalho. Sua finalidade era organizar as greves e a resistência, mas, quando as atividades econômicas foram interrompidas pelas paralisações, os sovietes tiveram de assumir também funções de governo, cuidando da segurança pública e providenciando os serviços essenciais.

O czarismo conseguiu controlar as revoltas, dissolver os sovietes e se manter no poder. No entanto, esses eventos prepararam as Revoluções de 1917: a experiência dos sovietes ensinou às massas um modo de se organizar e as lutas obrigaram os grupos políticos, que atuavam nesses conselhos, a definirem suas estratégias.

Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano da época), trabalhadoras de fábricas de São Petersburgo saíram em greve, denunciando suas condições de trabalho, a fome e a guerra. As paralisações e os atos se propagaram, culminando, após uma semana, na derrubada do czarismo.

O poder político passou para as mãos do Governo Provisório, um governo liberal formado por uma coalizão de partidos socialistas e burgueses. Os bolcheviques se mantiveram de fora. Os sovietes de operários e soldados, os sovietes de camponeses, os comitês de fábricas, os comitês de soldados no front, todos os organismos e ferramentas organizativas que permitiram o combate à velha ordem passaram a exigir do novo governo o atendimento a suas reivindicações, entre as quais a saída da Primeira Guerra Mundial e a solução do problema agrário.

O livro-reportagem Dez dias que abalaram o mundo, do jornalista norte-americano John Reed, descreve esse momento: “A revolução já completava oito meses e tinha pouca coisa a mostrar… Enquanto isso, os soldados começaram a resolver a questão da paz por conta própria, simplesmente desertando; os camponeses incendiavam propriedades rurais e ocupavam latifúndios; os operários sabotavam e faziam greves”.

Os bolcheviques passaram a defender não apenas a transferência do poder para os proletários e camponeses pobres, mas também um programa socialista para a Rússia. Em 7 de novembro (25 de outubro), tendo obtido a maioria nos sovietes das principais cidades, os líderes bolcheviques decidiram que havia chegado a hora da tomada do poder. O Palácio de Inverno de São Petersburgo, sede do Governo, foi ocupado pelos insurgentes. Concretizava-se a Revolução de Outubro.

ALGUMAS QUESTÕES POLÊMICAS SOBRE OUTUBRO

Quem assistiu o Fantástico no domingo do dia 29 de outubro viu uma pequena reportagem sobre a Revolução Russa. Lá, o apresentador diz que a Revolução de Fevereiro foi “apartidária”. Tirando o fato de que este termo é anacrônico para designar o acontecimento, há nesta afirmação uma imprecisão: a revolução de fevereiro foi inesperada, isto é, não foi planejada, portanto, foi uma insurreição sem planejamento prévio de um partido. Mas de forma alguma ela foi feita sem nenhuma consciência política das massas de trabalhadores operários, soldados e camponeses. Ela se deu graças ao trabalho, de anos a fio, realizado pelos partidos socialistas desde a fundação do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR) em 1898. Em 1903, em seu Segundo Congresso, uma divergência sobre a forma de organização dos militantes dividiu o POSDR entre a maioria dos delegados do congresso (bolcheviques) e a minoria (mencheviques). Apenas nesse momento os bolcheviques foram maioria. Essa cisão, na prática, formaria dois partidos diferentes, que atuaram ambos em prol de uma revolução, mas com táticas diferentes. Os mencheviques se tornariam muito mais numerosos, devido a própria concepção de partido, que era mais aberto a dissidências internas e menos disciplinado, focado mais na adesão de novos membros do que na formação de líderes disciplinados.

Lênin, líder dos bolcheviques, tinha uma concepção de organização que basicamente visava a formação de militantes como quadros (líderes) políticos, tanto entre intelectuais quanto entre operários, sendo estes centralizados em torno daquilo que o Partido deliberasse em conjunto. Tal concepção se devia, em parte, do próprio contexto em que a Rússia vivia, o de uma autocracia que perseguia, prendia e censurava os dissidentes políticos. Para lidar com essa situação, era preciso formar militantes extremamente organizados, disciplinados e bem formados na teoria e na prática revolucionária. Numa semelhança e, ao mesmo tempo, numa oposição à concepção de políticos profissionais do sociólogo burguês Max Weber em sua conferência “A Política Como Vocação”, Lênin idealizava a formação de revolucionários profissionais, isto é, revolucionários por vocação. Foi essa concepção organizativa que permitiu com que os bolcheviques formassem diversos líderes políticos entre os próprios trabalhadores industriais de São Petersburgo e Moscou.

Em fevereiro de 1917, antes da revolução, Lênin, Zinoviev, Kameniev e outros líderes dos bolcheviques estavam todos exilados ou presos. Trótski, que ainda não aderira aos bolcheviques, mas que fora líder da Revolução de 1905, estava exilado nos EUA. Os membros do Comitê Central do Partido Bolchevique, que estavam na Rússia no momento da Revolução, não souberam lidar com o momento, que fora totalmente inesperado; foi a base operária, extremamente “trabalhada na propaganda bolchevique” (segundo um relatório policial da época), que dirigiu a Revolução de Fevereiro. O programa político, ou seja, as direções que a Revolução deveria tomar dali para frente, seria objeto de disputa dentro e fora do Partido até outubro, tendo seu ponto de virada nas Teses de Abril que Lênin elabora em seu retorno à Rússia.

A diferença entre Fevereiro e Outubro são, então, basicamente duas: a tomada do poder e o planejamento da revolução; em fevereiro a revolução se realiza sem um programa político definido e nem um planejamento prévio, e, por isso, não toma o poder, mas apenas derruba o antigo; ao contrário, outubro toma o poder político com um programa político definido (todo poder aos sovietes, paz imediata, terra para os camponeses, controle das fábricas pelos operários, etc.), mas é deliberadamente planejada, não é espontânea.

A Revolução de Outubro é realizada sob a direção dos bolcheviques. Após meses pressionando os mencheviques e social revolucionários do Governo Provisório a abandonar a aliança com a burguesia e tomar o poder sozinhos (assim poderiam conseguir coisas a que a burguesia se opunha, como a paz imediata), as massas se voltam para os bolcheviques. Estes, ao contrário do que acusam os detratores, não tomam o poder apenas pelo Partido, mas pelos sovietes. Se fosse para tomar o poder com uma minoria, poderiam tê-lo feito em julho, quando ainda não tinham a maioria de delegados nos sovietes, mas tinham uma imensa massa e operários e soldados que os empurravam para tomar o poder. Somente após o fracasso do golpe que Kerensky trama com o general Kornilov em agosto, as massas passam a desacreditar totalmente no Governo Provisório e se voltam aos bolcheviques. A partir daí eles se tornam maioria nos conselhos. A partir desse momento, Lênin, avaliando as condições favoráveis, pressiona o Partido com toda a força para que tome o poder. É criado o Comitê Militar Revolucionário por iniciativa dos próprios mencheviques. Trótski se torna presidente do Soviete de Petrogrado e já tendo aderido aos bolcheviques, vai elaborar no Comitê Militar Revolucionário, junto dos operários e soldados, além de outros bolcheviques, os planos para a insurreição armada em Petrogrado.

Em todos os Congressos de Sovietes pela Rússia, ocorridos em Outubro, antes da revolução, a resolução pelo poder dos sovietes é aprovada. Ou seja, em toda a Rússia a questão da tomada do poder por um órgão revolucionário das massas é colocado publicamente e é aprovada por todos. Mesmo com todos os jornais burgueses acusando diariamente e incessantemente os bolcheviques de espiões alemães e outras calúnias do tipo. Mesmo sendo um partido relativamente pequeno se comparado aos outros. É interessante notar, assim como notaram Marx e Engels no Manifesto Comunista, que a classe trabalhadora, por ser a única classe revolucionária, é a única que pode declarar abertamente seus objetivos: a tomada do poder pela maioria, a socialização dos meios de produção, trabalho obrigatório a todos, etc. A burguesia, desde que subiu ao poder, se viu obrigada a esconder seus interesses sob declarações e palavras de ordem vagas, como, por exemplo, hoje ela tenta enfiar uma reforma da previdência goela abaixo sob o mote de “ser melhor para o trabalhador”, mal tem coragem de mascarar direito a mentira. Na Revolução Russa não foi diferente, sob o signo de “guerra pela pátria e pela Revolução”, os burgueses e os “socialistas” do Governo Provisório mantiveram a guerra a serviço da Entente sob negociações secretas, até que uma declaração de um deles foi vazada, o que deu novo impulso às massas em direção do que viria a ocorrer em outubro.

As massas aderem à revolução pois os sovietes assim deliberam. A maior parte daqueles que seguiram os bolcheviques na Revolução de Outubro o fizeram em conformação com o que fora deliberado pela maioria, muitas vezes quase unânime, dos delegados nos sovietes. Embora fossem em grande número os operários industriais da cidade que seguiriam os bolcheviques independentemente dos sovietes, a grande maioria da população da Rússia, que são os camponeses, soldados ou não, se guiam politicamente não pelo Partido, mas, pelos sovietes, onde, a partir de setembro de 1917, os bolcheviques serão maioria, e portanto, deliberarão conforme a vontade desta.

É curioso notar que no dia da insurreição as ruas estavam calmas e vazias; diz um jornalista francês em Petrogrado que jamais se sentira tão bem protegido (TROTSKY, 1967, P. 897). Isso não significa que as massas não estavam presentes. Pelo contrário, três dias antes, dia 22 de outubro, os bolcheviques marcaram encontros públicos em Petrogrado que inundaram a cidade de gente. Esses meetings tinham o objetivo de medir o ânimo das massas pela Revolução, e tiveram imenso sucesso, levando milhares de pessoas para discutir política abertamente em espaços públicos cheios de jovens, mulheres com crianças de colo, idosos, soldados, marinheiros, entre todo tipo de gente. No dia da insurreição não havia necessidade de jogar milhares de pessoas às ruas, podendo isso causar tumultos e confrontos. Seguindo a resolução do Comitê Militar Revolucionário, apenas trabalhadores armados, os soldados e os marinheiros são mobilizados. Os pontos chave da cidade são ocupados quase sem nenhuma resistência, e na madrugada do dia 26, o Palácio de Inverno é tomado. Kerensky, o líder do Governo Provisório, foge. O novo poder soviético e seu programa revolucionário é declarado no Congresso dos Sovietes de toda a Rússia que acontecia no mesmo dia. Desapropriação das terras dos nobres e divisão igualitária entre os camponeses, controle das fábricas pelos operários, divulgação dos tratados secretos até aquela data e abolição da diplomacia secreta, etc.

Pela primeira vez na história, as massas tomavam em suas mãos o poder de decidir sobre o rumo de seu próprio destino, não mais deixado ao capricho das classes dominantes.

A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO NO SÉCULO XX

Talvez nenhum período da história tenha sido mais decisivo para os rumos da humanidade do que a primeira parte do século XX. Muito se fala das grandes guerras imperialistas (não dessa forma, obviamente), mas pouco falam das revoluções. Nos meses seguintes a Revolução de Outubro, três outras revoluções se seguiriam na Europa: A Revolução Húngara de 1918-1919, o Biênio Vermelho na Itália e a trágica Revolução Alemã, que, certamente, foi decisiva para os rumos da própria revolução na Rússia.

Assim como o capitalismo só pôde crescer e se desenvolver ao envolver o mundo todo numa rede que definiu a divisão internacional do trabalho e os papéis de cada país no estabelecimento da democracia liberal e a ditadura do capital, o socialismo só poderia sobreviver, segundo compreendiam Lênin e Trótski, se se expandisse ao resto do mundo, promovendo a democratização dos meios de produção e a radicalização da democracia política. Não de cima para baixo, por imposição, mas pela própria continuação do efeito em cadeia de uma revolução, e a organização, a nível internacional, dos trabalhadores. A Revolução Russa, apesar dos fracassos das outras revoluções, conseguiu sobreviver isolada, mas ao custo de sofrer uma transfiguração que arruinaria não só seu futuro, mas o futuro de outras revoluções pelo mundo nas décadas seguintes.

SHOSTAKOVICH E A UNIÃO SOVIÉTICA

Neste contexto contraditório é que se desenvolveu um dos maiores compositores do século XX, e certamente o maior compositor soviético, Dmitri Shostakovich.

Sua trajetória pessoal e artística exprime direta ou indiretamente os conflitos de uma revolução transfigurada. Sabemos que Shostakovich foi limitado pelos interesses da burocracia stalinista, mas a arte não necessariamente precisa ser livre para florescer. Ora, se assim fosse, como que a arte teria florescido com tanto vigor como a música no século XVIII floresceu na Europa, numa sociedade de corte extremamente regrada, onde os músicos eram serventes lacaios dos caprichos da nobreza em seu auge histórico? A liberdade é necessária para a arte burguesa, e Mozart, vivendo na transição dessas duas sociedades, a aristocrática para a burguesa, sentiu na pele a contradição entre uma e outra. Desejava compor e viver como um burguês, mas as condições políticas e sociais ainda não eram tais para que pudesse usufruir da liberdade burguesa, quem ainda ditava as regras eram os nobres. Beethoven, que vivendo alguns anos após Mozart, conseguiu usufruir dessa liberdade de criação como poucos. (ELIAS, 1994)

Muito depois da morte de Mozart, a liberdade burguesa acabou por se tornar cada vez mais decadente, atingindo o auge do decadentismo na virada do século XIX para o XX. O músico, a partir dali, tinha liberdade de criar o que era demandado pelo mercado, e somente com muito esforço arranjaria algum tempo para criar algo que não fosse imposto pelo mercado musical da época. Hoje essa “liberdade” é mais sufocante do que nunca. Mas por que digo tudo isso?

O socialismo não visa acabar com a liberdade de criar, na verdade, ele visa expandi-la. A partir do momento em que o músico, o escritor, o poeta, o cineasta, etc. não precise mais se preocupar com suas necessidades básicas (comer, dormir, morar, etc.) pois o mínimo de trabalho já lhe proporcionará tudo isso, ele terá todo tempo livre do mundo para criar obras das mais variadas espécies. Não de forma desligada de sua realidade, mas, pelo contrário, em maior sintonia com a sociedade de que depende a para a qual contribui.

Infelizmente na União Soviética tal liberdade socialista não foi possível, tanto pelo ditames do regime, quanto pelas próprias dificuldades econômicas pelas quais passou em seu desenvolvimento isolado. Mas isso não impediu que Shostakovich criasse obras que marcaram compositores e plateias pelo mundo todo, apesar das dificuldades econômicas que encontrou nos momentos em que foi cerceado. Só a história de sua Sétima Sinfonia, “Leningrado”, já rende bons calafrios. Esse é um belo exemplo de como a música erudita conseguiu desempenhar um papel social e romper em alguma medida a barreira entre música erudita e popular. Se pensarmos também na Sinfonia No. 11, “O ano de 1905”, ouviremos várias referências a canções revolucionárias populares, como, por exemplo, a referência a “Tu caíste, como vítima, na luta!” no terceiro movimento, o Adagio.

A música de Shostakovich seria um bom exemplo daquilo que o italiano Antonio Gramsci chamou de “nacional popular”, isto é, uma música que estabelece uma identidade nacional e de classe. Infelizmente Shostakovich era um pouco nacionalista demais, mais do que era socialista, consequência das contradições a que estava submetido na União Soviética, mas tinha uma concepção de mundo em favor dos oprimidos, e, não à toa, por exemplo, faz várias referências ao sofrimento dos judeus, sendo o ápice dessa homenagem a Sinfonia Nº14, “Babi Yar”.

Em Shostakovich a melodia é central e age quase como uma fala, nela encontramos a paródia, o hino e o fúnebre. (ANDRADE, 2013) A paródia de seus inimigos, o hino à nação e à Revolução e o fúnebre em memória dos oprimidos. Encontramos a inventividade criativa de um vanguardista e o compositor popular das massas, sendo, nas duas ocasiões, extremamente apolíneo.

Trago a vocês as sinfonias completas deste grande compositor, regidas por Kirill Kondrashin. Embora Shostakovich não seja o maior modelo de compositor revolucionário engajado e revolucionário, é o resultado vivo das contradições e dos desafios da construção de um sonho. Sonho este que, apesar de passado cem anos de calúnias, mentiras e esquecimento proposital, não morreu, e hoje, mais do que nunca, se mostra como uma necessidade frente aos problemas de nosso tempo. Esta história, tanto do artista como da Revolução, deve ser lembrada e discutida, para que aprendamos com ela, superemos seus erros, e façamos que o impossível seja inevitável mais uma vez.

Referências:
* Retirado de http://www.usp.br/cinusp/
ANDRADE, Mario. FRAGELLI, Pedro. Engajamento e sacrifício: o pensamento estético de Mário de Andrade. Rev. Inst. Estud. Bras. [online]. 2013, n.57, pp.83-110. http://www.scielo.br/pdf/rieb/n57/04.pdf
COUTINHO, Carlos Nelson (org.). O leitor de Gramsci. São Paulo: Civilização Brasileira, 2011.
ELIAS, Norbert. Mozart: Sociologia de um gênio. São Paulo: Zahar, 1994
MARX, Karl. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo, 1998.
REED, John. Dez Dias Que Abalaram o Mundo. São Paulo: PENGUIN COMPANHIA, 2010.
TROTSKY, Leon. A História da Revolução Russa. Rio de Janeiro: Editora Saga, 1967.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Symphonies 1-15, Symphonic Poems, Cantata and violin concerto. Conducted by Kirill Kondrashin

CD1

Symphony No. 1 In F Minor, Op. 10
01 Allegretto. Allegro Non Troppo
02 Allegro
03 Lento
04 Allegro Molto

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

05 Symphony No. 2 In B Major, Op. 14 “To October” (Text By A. Bezymensky)

06 Symphony No. 3 For Orchestra And Choir In E Flat Major, Op. 20 “The First Of May’ (text by S. Kirsanov)

Russian State Choral Chapel
Alexander Yurlov, chorus master
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD2

Symphony No. 4 In C Minor, Op. 43
01 Allegretto Poco Moderato
02 Moderato Con Moto
03 Largo

04 October, Symphonic Poem, Op. 131

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD3

Symphony No. 5 In D Minor, Op. 47
01 Moderato
02 Allegretto
03 Largo
04 Allegro Non Troppo

Symphony No. 6 In B Minor, Op. 54
05 Largo
06 Allegro
07 Presto

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD4

Symphony No. 7 In C Major, Op. 60 (“Leningrad”)
01 Allegretto
02 Moderato (Poco Allegretto)
03 Adagio
04 Allegro Non Troppo

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD5

Symphony No. 8 In C Minor, Op. 65
01 Adagio
02 Allegretto
03 Allegro Non Troppo
04 Largo
05 Allegretto

Moscow Philharmonics Symphony Orchestra

06 The Sun Shines On Our Motherland Cantata, Op. 90 (text by Ye. Dolmatovski)

Boys’ Choir Of The Moscow Choral College
Russian State Choral Chapel
Alexander Yurlov, chorus master
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD6

Symphony No. 9 In E Flat Major, Op. 70
01 Allegro
02 Moderato
03 Presto
04 Largo
05 Allegretto

Yuri Nekludov, basoon
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

Symphony No. 10 In E Minor, Op. 93
06 Moderato
07 Allegro
08 Allegretto
09 Andante. Allegro

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD7

Symphony No. 11 In G Minor “1905”, Op. 103
01 Дворцовоая площадь (Palace Square). Adagio
02 Девятое Января (January The Ninth). Adagio
03 Вечная память (Eternal Memory). Adagio
04 Набат (Tocsin). Allegro Non Troppo – Allegro – Adagio – Allegro

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD8

Symphony No. 12 In D Minor “1917”, Op. 112 (In Memory of V.I. Lenin)
01 Революционный Петроград. Revolutionary Petrograd. Moderato. Allegro
02 Разлив. Razliv (The Flood). Allegro. Adagio
03 “Аврора”. “Aurora”. L’istesso Tempo. Allegro
04 Заря человечества. The Dawn Of Humanity. L’istesso Tempo. Allegretto

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

05 The Execution Of Stepan Razin, Op. 119 (Yevgeni Yevtushenko)

Vitaly Gromadski, bass
Russian State Choral Chapel
Alexander Yurlov, chorus master
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD9

Symphony No. 13 For Bass Soloist, Choir Of Basses, And Symphony Orchestra In B Flat Minor, Op. 113 (“Babi Yar”) (text by Yevgeni Yevtushenko)
01 Бабий Яр (Babiy Yar). Adagio
02 Юмор (Humour). Allegretto
03 В магазине (At The Store). Adagio
04 Страхи (Fears). Largo
05 Карьера (Progress). Allegretto

Artur Eizen, bass
Russian State Choral Chapel
Alexander Yurlov, chorus master
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

CD 10

Symphony No. 14 For Soprano, Bass And Chamber Orchestra, Op. 135
01 De Profundis. Adagio
02 Malagueña. Allegretto
03 La Loreley. Allegro Molto. Adagio
04 Le Suicidé. Adagio
05 Les Attentives (On Watch). Allegretto
06 Les Attentives II (Madam, Look). Adagio
07 Ala Santé (In Prison). Adagio
08 Réponse Des Cosaques Zaporogues Au Sultan De Constantinople. Allegro
09 O Delvig, Delvig! Andante
10 Des Tod Des Dichters (The Death Of The Poet). Largo
11 Scheußtück (Conclusion). Moderato

Yevgeni Nesterenko, bass
Yevgenia Tselovalnik, soprano
Ensemble Of Soloists Of Moscow Philharmonic Academic Symphony Orchestra
text in 1 and 2 by Federico Garcia Lorca
text from 3 to 8 by Guillaume Apollinaire
text in 9 by Wilhelm Küchelbecker
text in 10 and 11 by Rainer Maria Rilke

CD11

Symphony No. 15 In A Major, Op. 141
01 Allegretto
02 Adagio
03 Allegretto
04 Adagio. Allegretto

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra

Concerto For Violin And Orchestra No. 2 In C Sharp Minor, Op. 129
05 Moderato
06 Adagio
07 Adagio. Allegro

Moscow Philharmonic Symphony Orchestra
David Oistrakh, violin

CDs 1-4
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CDs 5-8
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CDs 9-11
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"A historia de uma revolução é para nós, antes de tudo, a história da entrada violenta das massas no domínio de decisão de seu próprio destino" - L. Trótski
“A historia de uma revolução é para nós, antes de tudo, a história da entrada violenta das massas no domínio de decisão de seu próprio destino”
– L. Trótski

Luke

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Symphony No. 9 / Piano Concerto No. 1 / 2 Choruses After A. Davidenko

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Symphony No. 9 / Piano Concerto No. 1 / 2 Choruses After A. Davidenko

ABSOLUTAMENTE IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hoje, 25 de setembro de 2017, 111 anos de nascimento de Shostakovich!

Este CD é inteiramente focado na face mais leve de Shostakovich. A neoclássica e sarcástica Sinfonia Nº 9 — tão odiada por Stalin, que sentiu-se traído por ela — e o alegre e jovem Concerto para piano e trompete estão ao lado da música escrita para a comédia cinematográfica As Aventuras de Korzinkina e de dois corais. A breve suite de 9 minutos de música do filme de 1940 deixa um gosto de quero mais e nos dois corais Op. 124, contribuição de Shostakovich para uma cantata escrita com outros compositores celebrando o 10º aniversário da Revolução, há ecos claros da Sinfonia Nº 13 e de A Execução de Stepan Razin. Claro que este grande CD tem seus pontos altos na Sinfonia e no Concerto.

Divirtam-se!

Shostakovich: Symphony No. 9 / Piano Concerto No. 1 / 2 Choruses After A. Davidenko

Symphony No. 9, Op. 70 in E flat major – in Es-Dur – en mi bémol majeur
1 I Allegro 5:17
2 II Moderato 7:57
3 III Presto – 2:54
4 IV Largo – 3:56
5 V Allegretto 6:26
Valeri Popov bassoon

Two Choruses after A. Davidenko, Op. 124* for chorus and orchestra
6 At ten versts from the capital 4:20
7 The street is in turmoil 4:07

Concerto No. 1, Op. 35 for Piano, Trumpet and String Orchestra in C minor – in c-Moll – en ut mineur
8 I Allegro moderato 5:54
9 II Lento 7:28
10 III Moderato – 1:25
11 IV Allegro brio 7:12
Tatiana Polyanskaya piano
Vladimir Goncharov trumpet

The Adventures of Korzinkina, Op. 59 — Suite from music to the film
12 1 Overture 0:33
13 2 March 2:01
14 3 The Chase 2:43
15 4 Music at the restaurant 2:13
16 5 Finale (Yanya)* 1:37
Tatiana Polyanskaya piano
Elena Adamovich piano

Total: 66:28

Russian State Symphonic Cappella
Russian State Symphony Orchestra
Valeri Polyansky

Recorded in: Grand Hall of Moscow Conservatory – June 2003

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Valeri Polyansky não tem nenhuma calma, que bom!
Valeri Polyansky não tem nenhuma calma, que bom!

PQP

Shostakovich (1906-1975): Concerto para piano e trompete, Concertino para 2 pianos, Quinteto para piano e cordas

IM-PER-DÌ-VEL !!!

Hoje, 25 de setembro de 2017, 111 anos de nascimento de Shostakovich!

Este é dos discos que considero obrigatórios. Grande música, grandes intérpretes. Inicia com o belo e jocoso primeiro concerto para piano; segue com o raro e simpático concertino para dois pianos e termina com o espetacular e lírico quinteto para piano. Ou seja, duas peças muito famosas de Shosta entremeadas por outra nem tanto. O quinteto é uma obra da minha mais absoluta preferência, com seus movimentos muito contrastantes, oscilando entre o lirismo, a tristeza e a alegria. (Jamais esquecerei a primeira vez que vi este quinteto ao vivo. Quando terminou o Intermezzo, a primeira violinista estava inteiramente lavada em lágrimas).

Concerto For Piano, Trumpet And Strings In C Minor Op. 35
1. I. Allegro Moderato 5:56
2. II. Lento 7:25
3. III. Moderato 1:28
4. IV. Allegro Con Brio 6:56
Martha Argerich, piano
Sergei Nakariakov, trompete
Orchestra della Svizzera Italiana
Alexander Verdernikov, regência

Concertino For 2 Pianos In A Minor Op.94
5. Adagio – Allegretto – Adagio – Allegro – Adagio – Allegretto 10:05
Martha Argerich, piano
Lilya Zilberstein, piano

Quintet For Piano And Strings In G Minor Op. 57
6. Prelude: Lento 4:25
7. Fugue: Adagio 11:29
8. Scherzo: Allegretto 3:20
9. Intermezzo: Lento 7:34
10. Finale: Allegretto 7:45
Martha Argerich, piano
Renaud Capuçon, violino
Alissa Margulis, violino
Lyda Chen, viola
Mischa Maisky, violoncelo

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Shostakovich e sua turma na estreia do fantástico Quintetão
Shostakovich e sua turma na estreia do fantástico Quintetão

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonias Nos. 2 & 11

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonias Nos. 2 & 11

A maioria de minhas sinfonias são monumentos funerários. Gente demais, entre nós, morreu não se sabe onde. E ninguém sabe onde foram enterrados. Aconteceu a uma porção de amigos meus. Onde se pode erguer um monumento a eles? Somente a música pode fazê-lo. Estou disposto a dedicar uma obra a cada uma das vítimas. Infelizmente, é impossível. Dedico-lhes, então, toda a minha música.

DMITRI SHOSTAKOVICH

Dentre as sinfonias de Shostakovich, creio que três são as menos populares e raramente são interpretadas. São elas a 2ª, 3ª e 12ª. A 11ª também é pouco tocada, mas…

(A gravação de Gergiev não está entre as campeãs, mas é boa).

Sinfonia Nº 11, Op. 103 – O Ano de 1905 (1957)

Esta sinfonia talvez seja a maior obra programática já composta. Há grandes exemplos de músicas descritivas tais como As Quatro Estações de Vivaldi, a Sinfonia Pastoral de Beethoven, a Abertura 1812 de Tchaikovski, Quadros de uma Exposição de Mussorgski e tantas outras, mas nenhuma delas liga-se tão completa e perfeitamente ao fato descrito como a décima primeira sinfonia de Shostakovich. É minha opinião.

Alguns compositores que assumiram o papel de criadores de “coisas belas”, veem sua tarefa como a produção de obras tão agradáveis quanto o possível. Camille Saint-Saëns dizia que o artista “que não se sente feliz com a elegância, com um perfeito equilíbrio de cores ou com uma bela sucessão de harmonias não entende a arte”. Outra atitude é a tomada por Shostakovich, que encara vida e arte como se fosse uma coisa só, que vê a criação artística como um ato muito mais amplo e que inclui a possibilidade do artista expressar — ou procurar expressar — a verdade tal como ele a vê. Esta abordagem foi adotada por muitos escritores, pintores e músicos russos do século XIX e, para Shostakovich, a postura realista de seu ídolo Mussorgsky foi decisiva. A décima primeira sinfonia de Shostakovich tem feições inteiramente mussorgkianas e foi estreada em 1957, ano de muitas glórias além do quadragésimo aniversário da Revolução de Outubro. Foi o ano em que nasci, para vocês terem uma ideia de sua importância. Contudo, ela se refere a eventos ocorridos antes, no dia 9 de janeiro de 1905, um domingo, quando tropas czaristas massacraram um grupo de trabalhadores que viera fazer um protesto pacífico e desarmado em frente ao Palácio de Inverno do Czar, em São Petersburgo. O protesto, feito após a missa e com a presença de muitas crianças, tinha a intenção de entregar uma petição — sim, um papel — ao czar, solicitando coisas como redução do horário de trabalho para oito horas diárias, assistência médica, melhor tratamento, liberdade de religião, etc. A resposta foi dada pela artilharia, que matou mais de cem trabalhadores e feriu outros trezentos.

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O primeiro movimento descreve a caminhada dos trabalhadores até o Palácio de Inverno e a atmosfera soturna da praça em frente, coberta de neve. O tema dos trabalhadores aparecerá nos movimentos seguintes, porém, aqui, a música sugere uma calma opressiva.

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O segundo movimento mostra a multidão abordar o Palácio para entregar a petição ao czar, mas este encontra-se ausente e as tropas começam a atirar. Shostakovich tira o que pode da orquestra num dos mais barulhentos movimentos sinfônicos que conheço.

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O terceiro movimento, de caráter fúnebre, é baseado na belíssima marcha de origem polonesa Vocês caíram como mártires (Vy zhertvoyu pali) que foi cantada por Lênin e seus companheiros no exílio, quando souberam do acontecido em 9 de janeiro.

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O final – utilizando um bordão da época – é a promessa da vitória final do socialismo e um aviso de que aquilo não ficaria sem punição.

Symphony No. 2:
1 I. Largo – Crochet – Poco Meno Mosso – Allegro Molto 7:18
2 II. Crotchet – Meno Mosso – Moderato 5:26
3 III. Chorus – “To October” 6:40

Symphony No. 11:
4 I. The Palace Square – Adagio 15:10
5 II. The 9th Of January – Allegro 17:17
6 III. In Memoriam – Adagio 10:29
7 IV. Tocsin – Allegro Non Troppo 13:42

Mariinsky Orchestra
Valery Gergiev

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Shostakovich: uma sinfonia estarrecedora
Shostakovich: uma sinfonia estarrecedora

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 4 em Dó menor, Op. 43

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 4 em Dó menor, Op. 43

A Sinfonia n.º 4 de Dmitri Shostakovich (Op. 43) foi composta entre setembro de 1935 e maio de 1936. É uma sinfonia decididamente mahleriana. Shostakovich estudara Mahler por vários anos e aqui estão ecos monumentais destes estudos. Sim, monumentais. Uma orquestra imensa, uma música com grandes contrastes e um tratamento de câmara em muitos episódios rarefeitos: Mahler. O maior mérito desta sinfonia é seu poderoso primeiro movimento, que é transformação constante de dois temas principais em que o compositor austríaco é trazido para as marchas de outubro, porém, minha preferência vai para o também mahleriano scherzo central. Ali, Shostakovich realiza uma curiosa mistura entre o tema introdutório da quinta sinfonia de Beethoven e o desenvolve como se fosse a sinfonia “Ressurreição”, Nº 2, de Mahler. Uma alegria para quem gosta de apontar estes diálogos. O final é um “sanduíche”. O bizarro tema ritmado central é envolvido por dois scherzi algo agressivos e ainda por uma música de réquiem. As explicações são muitas e aqui o referencial político parece ser mesmo o mais correto para quem, como Shostakovich, considerava que a URSS viera das mortes da revolução de outubro e estava se dirigindo para as mortes da próxima guerra.

Dmtri Shostakovich (1906-1975) – Sinfonia No.4 em Dó menor, Op.43
01. Allegro poco moderato
02. Presto
03. Moderato con moto
04. Largo
05. Allegro

Philadelphia Orchestra
Myung-Whun Chung, regente

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Shostakovich lendo o Pravda
Shostakovich lendo o Pravda

PQP

Martha Argerich & Friends – Live from Lugano Festival – 2002-2004 – Chamber Music

Box FrontSe existe uma unanimidade aqui entre nós do PQPBach é a adoração ao mito Martha Argerich. Somos apaixonados por ela. Qualquer gravação sua é adquirida sem qualquer tipo de dúvida, pois sabemos que se trata de coisa boa.
Martha dirige este Festival de Lugano já há bastante tempo. E quase que como um relógio suíço, durante vários anos são lançados CDs gravados durante as apresentações, com a divina Martha desfilando seu talento junto com dezenas de outros músicos, muitos deles tendo a primeira oportunidade de tocar ao seu lado. Neste primeiro pacote teremos apresentações realizadas durante os anos de 2002 a 2004. Temos Tchaikovsky, Dvorák, Shostakovich, Schumann, Prokofiev, entre outros.

CD 1

01. Prokofiev – Symphony No. 1 in D major (‘Classical’), Op. 25 I. Allegro
02. Symphony No. 1 in D major (‘Classical’), Op. 25 II. Larghetto
03. Symphony No. 1 in D major (‘Classical’), Op. 25 III. Gavotte Non troppo all
04. Symphony No. 1 in D major (‘Classical’), Op. 25 IV. Finale Molto vivace

Martha Argerich & Yefim Bronfman – Pianos

05. Tchaikovsky – Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a I. Ouverture miniature
06. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a II. Danses caractéristiques. Marc
07. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a II. Danses caractéristiques. Dans
08. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a II. Danses caractéristiques. Dans
09. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a II. Danses caractéristiques. Dans
10. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a II. Danses caractéristiques. Dans
11. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a II. Danses caractéristiques. Dans
12. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a III. Valse des fleurs

Martha Argerich & Mirabela Dina

13. Shostakovich – Piano Trio No. 2 in E minor, Op. 67 I. Andante – Moderato
14. Piano Trio No. 2 in E minor, Op. 67 II. Allegro non troppo
15. Piano Trio No. 2 in E minor, Op. 67 III. Largo
16. Piano Trio No. 2 in E minor, Op. 67 IV. Allegretto

Martha Argerich – Piano
Maxim Vengerov – Violin
Gautier Capuçon – Cello

CD 2

01. Brahms – Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108- I. Allegro
02. Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108- II. Adagio
03. Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108- III. Un poco presto e co
04. Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108- IV. Presto agitato

Lylia Zilberstein – Piano
Maxim Vengerov – Violin

05. Schubert – Piano Trio in B flat major, D. 898 (Op. 99)- I. Allegro moderato
06. Piano Trio in B flat major, D. 898 (Op. 99)- II. Andante un poco mosso
07. Piano Trio in B flat major, D. 898 (Op. 99)- III. Scherzo- Allegro
08. Piano Trio in B flat major, D. 898 (Op. 99)- IV. Rondo- Allegro vivace

Yefim Bronfman – Piano
Renaud Capuçon – Violin
Gautier Capuçon – Cello

CD 3

01. Schumann – Piano Quintet in E flat major, Op. 44 I. Allegro brillante
02. Piano Quintet in E flat major, Op. 44 II. In modo d’una marcia – Un poco lar
03. Piano Quintet in E flat major, Op. 44 III. Scherzo Molto vivace
04. Piano Quintet in E flat major, Op. 44 IV. Allegro ma non troppo

Martha Argerich, Dora Schwarzberg, Renaud Capuçon, Nora Romanoff-Schwarzberg, Mark Drobinsky

05. Schumann – Sonata for violin & piano No. 1 in A minor, Op. 105 I. Mit leidenschaftliche
06. Sonata for violin & piano No. 1 in A minor, Op. 105 II. Allegretto
07. Sonata for violin & piano No. 1 in A minor, Op. 105 III. Lebhaft

Martha Argerich, Géza Hosszu-Legocky

08. Dvorak – Piano Quartet No. 2 in E flat major, B. 162 (Op. 87) I. Allegro con fuoco
09. Piano Quartet No. 2 in E flat major, B. 162 (Op. 87) II. Lento
10. Piano Quartet No. 2 in E flat major, B. 162 (Op. 87) III. Allegro moderato
11. Piano Quartet No. 2 in E flat major, B. 162 (Op. 87) IV. Allegro ma non troppo

Walter Delahunt, Renaud Capuçon, Lida Chen, Gautier Capuçon

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
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Dmitri Shostakovich (1906-1975): 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87

Dmitri Shostakovich (1906-1975): 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Já tínhamos apresentado o excelente pianista Peter Donohoe nesta incrível gravação dos Concertos para Piano de Bartók, agora ele retorna ao PQP com novo e bom trabalho. Acho que Donohoe fica abaixo de Konstantin Scherbakov e Tatiana Nicolayeva, mas não muito. Diria que Donohoe dá uma perspectiva mais ocidental deste monumento de Shostakovich que, quando vai para um recital, exige dois dias. Aqui, Donohoe começa uma nova série de lançamentos de Shostakovich no Signum Classics com os 24 Prelúdios e Fugas de Shostakovich, op. 87. Todos os 24 dos prelúdios e fugas foram compostos dentro de vários meses, depois de Shostakovich foi inspirado pela performance de Tatiana Nicolayeva, que ele ouviu como jurista para o Concurso Bach de Leipzig Bach em 1951. Embora sem dúvida inspirado por Bach na forma e no contraponto, as composições de Shostakovich são todas profundamente originais e enraizadas em seu próprio estilo enigmático e ambíguo, passando de uma simplicidade encantadora a um virtuosismo deslumbrante.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87

DISCO 01
01. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 1 in C Major “Moderato”
02. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 1 in C Major “Moderato”
03. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 2 in A Minor “Allegro”
04. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 2 in A Minor “Allegretto”
05. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 3 in G Major “Moderato non troppo”
06. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 3 in G Major “Allegro molto”
07. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 4 in E Minor “Andante”
08. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 4 in E Minor “Adagio”
09. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 5 in D Major “Allegretto”
10. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 5 in D Major “Allegretto”
11. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 6 in B Minor “Allegretto”
12. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 6 in B Minor “Allegro poco moderato”
13. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 7 in A Major “Allegro poco moderato”
14. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 7 in A Major “Allegretto”
15. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 8 in F-Sharp Minor “Allegretto”
16. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 8 in F-Sharp Minor “Andante”
17. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 9 in E Major “Moderato non troppo”
18. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 9 in E Major “Allegro”
19. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 10 in C-Sharp Minor “Allegro”
20. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 10 in C-Sharp Minor “Moderato”
21. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 11 in B Major “Allegro”
22. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 11 in B Major “Allegro”
23. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 12 in G-Sharp Minor “Andante”
24. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 12 in G-Sharp Minor “Allegro”
25. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 13 in F-Sharp Major “Moderato con moto”
26. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 13 in F-Sharp Major “Adagio”

DISCO 02
01. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 14 in E-Flat Minor “Adagio”
02. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 14 in E-Flat Minor “Allegro non troppo”
03. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 15 in D-Flat Major “Moderato non troppo”
04. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 15 in D-Flat Major “Allegretto”
05. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 16 in B-Flat Minor “Allegro molto”
06. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 16 in B-Flat Major “Andante”
07. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 17 in A-Flat Major “Allegretto”
08. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 17 in A-Flat Major “Allegretto”
09. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 18 in F Minor “Moderato”
10. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 18 in F Minor “Moderato con moto”
11. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 19 in E-Flat Major “Allegretto”
12. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 19 in E-Flat Major “Moderato con moto”
13. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 20 in C Minor “Adagio”
14. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 20 in C Minor “Moderato”
15. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 21 in B-Flat Major “Allegro”
16. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 21 in B-Flat Major “Allegro non troppo”
17. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 22 in G Minor “Moderato non troppo”
18. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 22 in G Minor “Moderato”
19. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 23 in F Major “Adagio”
20. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 23 in F Major “Moderato con moto”
21. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Prelude No. 24 in D Minor “Andante”
22. 24 Preludes and Fugues, Op. 87: Fugue No. 24 in D Minor “Moderato”

Peter Donohoe, piano

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Shostakovich no início dos anos 50
Shostakovich no início dos anos 50

PQP