Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (4/4)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (4/4)

(continuação)

Estilisticamente, a música de Sweelinck também reúne a riqueza, complexidade e sentido espacial dos venezianos Andrea e Giovanni Gabrieli, com quem ele estava familiarizado desde sua estada em Veneza, e as formas de ornamentação dos compositores de teclado ingleses. Em algumas de suas obras, Sweelinck aparece como um compositor do estilo barroco, com a exceção de suas canções que mais se assemelham a tradição renascentista francesa. No desenvolvimento formal, especialmente no uso de contra-stretto e órgão ponto (pedal ponto), a sua música relembra Bach (que muito possivelmente era familiarizado com a música de Sweelinck).

Sweelinck era um mestre da improvisação, e adquiriu o título informal de “Orfeu de Amsterdam”, como dissemos. Mais de 70 obras para teclado sobreviveram e muitas delas devem ser semelhantes às improvisações que os moradores de Amsterdam em 1600 eram acostumados a ouvir. No curso de sua vida, Sweelinck envolveu-se com as liturgias musicais de três tipos de igrejas distintas: a Católica Romana, a calvinista e a luterana, todas as quais se refletem em seu trabalho. Mesmo sua música vocal, que é mais conservadora do que a sua escrita para teclado, mostra uma notável complexidade rítmica e uma riqueza incomum de dispositivos de contraponto.

Sweelinck morreu de causas desconhecidas em 16 de outubro de 1621 e foi sepultado na Oude Kerk. Na época, vivia com sua  esposa e cinco de seus seis filhos. O mais velho deles, Dirck Janszoon que o sucedeu como organista da Oude Kerk.

(fim)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music IV

1 – Nun freut euch, liebenn Christen gemein
2 – Toccata XVII
3 – Fantasia III
4 – Ons is gheboren een kindekijn (Puer nobis nascitur)
5 – Psalm 36
6 – Fantasia IX
7 – Christe qui lux est et dies
8 – Fantasia VIII
9 – Onse Vader in Hemelrijck
10 – Echo Fantasia XIII
11 – Toccata XX
12 – Wir glauben all an einen Gott

Ton Koopman: virginals, harpsichords, organs

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Vermeer (1632-1675): Moça com Brinco de Pérola

PQP

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (3/4)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (3/4)

(continuação)

A influência musical de Sweelinck se espalhou tão longe como na Suécia e Inglaterra, respectivamente por Andreas Düben e por compositores ingleses, como Peter Philips, que provavelmente conheceu Sweelinck em 1593. Sweelinck, e compositores holandeses em geral, tinham ligações evidentes para com a escola de inglesa de composição e a música de Sweelinck aparece no Livro Virginal de Fitzwilliam, que contém principalmente o trabalho de compositores ingleses. Ele escreveu variações sobre a Pavane “Lachrimae” de John Dowland, famoso compositor inglês. John Bull, que provavelmente era um amigo pessoal de Sweelinck, escreveu um conjunto de variações sobre um tema musical de sua autoria, depois da morte do compositor holandês.

A obra de Sweelinck representa o mais alto grau de desenvolvimento da escola de teclado holandês e de fato representou um pináculo na complexidade contrapontística no requinte ao teclado, antes do alemão Johann Sebastian Bach. No entanto, ele também era um compositor hábil para vozes e compôs mais de 250 obras corais, entre elas chansons, madrigais, motetos e Salmos.

Algumas das inovações Sweelinck eram de importância musical profunda, incluindo a fuga, a qual ele foi o primeiro a escrever para órgão. Este estilo inicia apenas com uma linha melódica, acompanhada sucessivamente por outra, acrescentando textura e complexidade até um clímax final, uma ideia que foi aperfeiçoada no fim da era barroca de Bach (por exemplo a conhecida Tocata e Fuga em Ré menor de J.S.Bach). Muitas das obras Sweelinck para o teclado foram concebidos como estudos para seus alunos sendo ele o primeiro a usar o pedal do órgão como uma parte real da fuga.

(continua)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music III

1 – Psalm 116
2 – Psalm 140
3 – Echo Fantasia XI
4 – Toccata XXIII
5 – Ricercar VII
6 – Toccata XXII
7 – Fantasia IV
8 – Allein zu dir, Herr Jesu Christ
9 – Echo Fantasia XII
10 – Allein Gott in der Höh’ sei Ehr
11 – Praeludium XXVII

Ton Koopman: virginals, harpsichords, organs

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Vermeer (1632-1675): A Leiteira

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Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (2/4)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (2/4)

Neste CD, lá pela faixa 7 ou 8, acabam as obras para cravo e virginal e começam as para órgão. O órgão de época utilizado por Koopman é tudo de bom, cheio de som barroco e das marcenarias do instrumento.

(continuação)

De acordo com Cornelis Plemp, um aluno e amigo de Sweelinck, ele começou sua carreira de 44 anos como organista da Oude Kerk em 1577, quando tinha apenas 15 anos. Esta data, porém, é incerta, porque os registros da igreja de 1577-80 foram perdidos e o registro de Sweelinck na Oude Kerk só podem ser encontradas de 1580 em diante, posto este que ocupou para o resto de sua vida. A mãe de Sweelinck morreu em 1585, e Jan Pieterszoon assumiu a responsabilidade sobre seu irmão mais novo e a irmã. Seu salário de 100 florins foi duplicado no ano seguinte, provavelmente para ajudar a família. Além disso, foi oferecido um adicional de 100 florins, após seu casamento, que se deu em 1590 com Claesgen Dircxdochter Puyner, de Medemblik. Também foi oferecido ao mesmo a escolha entre mais 100 florins e acomodações livres em uma casa pertencente à cidade, o último dos quais ele escolheu.

O compositor, muito provavelmente, passou sua vida inteira em Amsterdam, saindo apenas ocasionalmente em visita a outras cidades próximas em conexão com suas atividades profissionais. Foi-lhe pedido para inspecionar órgãos, dar opiniões e conselhos sobre a construção dos mesmos e sua restauração. Essas atividades resultaram em visitas curtas a Delft, Dordrecht (1614), Enkhuizen, Haarlem (1594), Harderwijk (1608), Middelburg (1603), Nijmegen (1605), Roterdão (1610), Rhenen (1616), bem como Deventer (1595, 1616) sua terra natal. A mais longa viagem Sweelinck foi para Antuérpia em 1604, quando ele foi comissionado pelas autoridades de Amsterdam, para comprar um cravo para a cidade. Apesar de não haver provas documentais afirma-se que Sweelinck visitou Veneza — talvez uma confusão com seu irmão, o pintor Gerrit Pietersz Sweelink — e da mesma forma não há nenhuma evidência de que ele alguma vez cruzou o Canal Inglês, embora cópias de sua música apareçam inclusas no Livro de Virginal de Fitzwilliam. Sua popularidade como compositor organista e professor aumentou de forma constante durante toda sua vida. Contemporâneos o apelidaram de “Orfeu de Amsterdam” e até mesmo as autoridades da cidade frequentemente traziam visitantes importantes para ouvir as improvisações de Sweelinck ao órgão. As atividades de Sweelinck em Amsterdam eram apenas de organista. Ao contrário do costume, ele não tocava o carrilhão ou o cravo em ocasiões formais, nem lhe era cobrado produzir composições regularmente. Serviços litúrgicos calvinistas não incluíam tipicamente o órgão tocado, devido à adoção do Princípio Regulador. O Princípio Regulador restringiu os elementos de culto para somente o que foi ordenado no Novo Testamento. No entanto, no Consistório de Dordrecht de 1598, organistas eram instruídos a tocar variações sobre as novas músicas do Saltério genebrino antes e após o serviço, para que as pessoas se familiarizassem com as novas canções. Visto que trabalhou para os magistrados protestantes pelo resto de sua vida, é provável que fosse um adepto do calvinismo. Na década de 1590 três dos seus filhos foram batizados na Oude Kerk. Seu trabalho permitia-lhe ensinar música e compor, o que viria a torná-lo amplamente conhecido. Os alunos Sweelinck compunham o núcleo do qual viria a se formar a escola de órgão do norte da Alemanha, entre os quais: Jacob Praetorius II, Heinrich Scheidemann, Paul Siefert, Melchior Schildt e Samuel e Gottfried Scheidt. Alunos de Sweelinck eram vistos como músicos de referência, contra quem organistas eram avaliados. Sweelinck era conhecido na Alemanha como o “criador de organistas”. Sociável e respeitado, ele tinha grande procura como professor. Seus alunos holandeses foram sem dúvida muitos, mas nenhum deles se tornou compositor de renome. Sweelinck, no entanto, influenciou o desenvolvimento da escola de órgão holandês, como se percebe nas obras de compositores posteriores tais como as de Anthoni van Noordt. Sweelinck, no decorrer de sua carreira, tinha criado música para as liturgias do catolicismo romano, calvinismo e o luteranismo. Era o compositor mais importante da rica “era de ouro” da música holandesa.

Publicou pela primeira vez em 1592-1594 três volumes de canções, o último dos quais é o único volume que resta, publicado em 1594. Por razões incertas o compositor adotou o sobrenome de sua mãe (Sweelinck) que aparece pela primeira vez no título da página da publicação 1594. Sweelinck, em seguida, definia as configurações de publicação de alguns Salmos, com o objetivo futuro de musicar o Saltério completo. Essas obras apareceram em quatro grandes volumes publicados em 1604, 1613, 1614 e 1621. O último volume foi publicado postumamente e, presumivelmente, em formato não revisado.

(continua)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music II

1 – Pavana Philippi
2 – Pavana hispanica
3 – Fantasia VI
4 – Toccata XIX
5 – Toccata XVIII
6 – Pavana Lachrimae
7 – Ballo del granduca
8 – Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ
9 – Echo Fantasia XIV
10 – Da pacem Domine in diebus nostris
11 – Erbarm dich mein, o Herre Gott

Ton Koopman: virginals, harpsichords, organs

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Vermeer (1632-1675): O Astrônomo

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Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (1/4)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (1/4)

Como sempre digo, o barroco é interminável. Isso em todos os sentidos, em repertório, qualidade, instrumentação, variedade, etc. O holandês Sweelinck, por exemplo, é um tremendo compositor. Este álbum quádruplo é uma clara demonstração disto. Neste primeiro CD, Ton Koopman toca virginais e cravo.

Jan Pieterszoon Sweelinck (Deventer, Abril ou Maio de 1562 – 16 de Outubro de 1621) foi um compositor, organista e pedagogo neerlandês.

Seu trabalho remonta ao final da renascença e início da era barroca. Foi um dos compositores de teclado mais importantes da Europa, e o seu trabalho como professor ajudou a criar a tradição de órgãos do norte da Alemanha.

Sweelinck nasceu em Deventer, Holanda, em abril ou maio de 1562. Era o filho mais velho do organista Pedro (Pieter) Swybbertszoon e de Elske Jansdochter Sweeling, filha de um cirurgião. Logo após o nascimento de Sweelinck, a família se mudou para Amsterdam onde, por volta de 1564, Pieter Swybbertszoon atuou como organista da Oude Kerk (o avô paterno de Sweelinck e seu tio também foram organistas). Jan Pieterszoon deve ter recebido as primeiras lições de música de seu pai. Seu pai morreu em 1573 e, em seguida, ele recebeu educação geral de Jacob Buyck, pastor católico da Oude Kerk (estas aulas pararam em 1578 após o advento da Reforma em Amsterdam e subsequente conversão ao calvinismo; neste momento, Buyck optou por deixar a cidade). Pouco se sabe sobre sua educação musical após a morte de seu pai. Entre seus professores de música pode ser incluído Jan Willemszoon, um contratenor pouco conhecido e tecladista em Haarlem, e Cornelis Boskoop, sucessor do pai de Sweelinck na Oude Kerk. Se Sweelinck de fato estudou em Haarlem, foi provavelmente influenciado em algum grau pelos organistas de St. Bavokerk, entre eles Albrechtszoon Claas van Wieringen e Van Floris Adrichem, ambos os quais improvisaram diariamente na Bavokerk.

(continua)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music I

1 – More palatino
2 – Fantasia II
3 – Engelsche Fortuyn
4 – Toccata XXI
5 – Mein junges Leben hat ein End
6 – Ick voer al over Rhijn
7 – Toccata XXV
8 – Fantasia Chromatica I
9 – Toccata XXIV
10 – Toccata XV
11 – Onder een linde groen
12 – Est-ce Mars
13 – Hexachord Fantasia V
14 – Toccata XVI

Ton Koopman: virginals, harpsichords, organs

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Vermeer (1632-1675): Alegoria da Pintura

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The Art Of The Baroque Trumpet, Vol. 2/5 – Virtuoso Music for Trumpet and Organ – Niklas Eklund (baroque trumpet) – 1997

The Art Of The Baroque Trumpet
Vol. 2/5

Niklas Eklund, Marc Ullrich (baroque trumpet)

Knut Johannessen (organ),
Mats Klingfors (baroque bassoon), Tormod Dalen (baroque cello)

1997

No volume 1 de “A arte da trombeta barroca”, Eklund toca uma série de peças, desde um concerto italiano de Giuseppe Torelli (1658-1709) até o concerto de trombeta de 1762 de Leopold Mozart (1719-1787). Exceto pelo Torelli e uma sonata de Henry Purcell de 1694, todas as músicas nesta gravação e a maioria das músicas nos outros volumes do set são de compositores alemães. Isso pode indicar que a trombeta foi mais admirada como um instrumento solo na Alemanha, mas também pode refletir o fato histórico de que a maioria dos melhores trombeteiros, do século XV ao século XVIII e até mesmo das cidades-estado italianas como Ferrara, eram alemães. 

The Art Of The Baroque Trumpet, Vol. 2/5
Virtuoso Music for Trumpet and Organ

Giovanni Buonaventura Viviani (Itália, 1638 – 1693)
01. Trumpet Sonata No. 2 (1674)
Girolamo Fantini (Itália, 1600 – 1675)
02. Trumpet Sonata No. 3, “Detta del Niccolini” (1638)
Girolamo Alessandro Frescobaldi (Itália, 1583 – 1643)
03. Toccata nona (1637)
Johann Jacob Lowe von Eisenach (Alemanha, 1628 – 1703)
04. Capriccio No. 1 (1664)
05. Capriccio No. 2 (1664)
Johann Christoph Pezel (Alemanha, 1639 – 1694)
06. Trumpet Sonata No. 75 (1675)
Jan Pieterszoon Sweelinck (Holanda, 1562 – 1621)
07. Fantasia chromatica in dorian mode
Johann Christoph Pezel (Alemanha, 1639 – 1694)
08. Trumpet Sonata No. 69 (1675)
09. Trumpet Sonata No. 71 (1675)
Johannes Prentzl (Alemanha, 1639-1694)
10. Trumpet Sonata
Michelangelo Rossi (Itália, 1601/2 – 1656)
11. Toccata settima
Anonymous (Séc. XVII)
12. Sinfonia a due Trombe
Girolamo Fantini (Itália, 1600 – 1675)
13. Trumpet Sonata No. 8, “Detta del Nero” (1638)
Giovanni Buonaventura Viviani (Itália, 1638 – 1693)
14. Trumpet Sonata No. 1 (1674)

The Art Of The Baroque Trumpet, Vol. 2/5 – 1997
Niklas Eklund, Marc Ullrich (baroque trumpet)
Knut Johannessen (organ),
Mats Klingfors (baroque bassoon)
Tormod Dalen (baroque cello)

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Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.

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Boa audição!

Sonata 2ª (Sabará): Antonio Carlos de Magalhães, cravo (Acervo PQPBach)

307ssnqSonata 2ª – Sabará:
Antonio Carlos de Magalhães

Provém de Sabará a primeira informação sobre a presença de cravos e cravistas no Estado de Minas Gerais: em 1739, o músico José Soares tocou cravo na Matriz de Nossa Senhora da Conceição para festejar o dia de Nossa Senhora do Amparo. Não sabemos o que e como ele tocou, e muito menos a reação do público. Infelizmente, a escassez de informações desse tipo nos impede de reconstituir satisfatoriamente a trajetória dos instrumentos de teclado no Brasil Colonial, a fim de podermos avaliar o impacto de um repertório tecladístico na nascente musicalidade brasileira.

Cresce, assim, em importância o desvelamento de uma peça instrumental, única até o momento, de música colonial mineira, encontrada nos arquivos da Sociedade Musical Santa Cecília de Sabará. Trata-se da Sonata 2º para teclado, de autor anônimo, composta pelos seguintes movimentos: a) Allegro, com estrutura muito próxima dos esquemas da forma sonata bitemática, textura típica do classicismo musical do século XVIII; b) Adagio, com estrutura formal do lied instrumental, atendendo aos padrões de andamentos lentos do século XVIII; c) Rondó, com textura típica do estilo rococó cravístico.

A existência desta sonata nos conduz a uma série de exercícios analíticos, pelos quais tentamos, através de associações de ordem estilística, filosófica e sociológica, situá-la no tempo e no espaço. Acreditamos, no entanto, que tais exercícios seriam inúteis se faltasse à obra a oportunidade de ser em si mesma, isto é, realizar- se enquanto experiência musical. Surge, então, a figura do intérprete, que, com a dimensão transcendental de sua subjetividade, nos oferece o ser da obra.

Neste trabalho, o cravista Antonio Carlos de Magalhães cria um espaço possível de realização da Sonata 2ª – “Sabará”-, ao inseri-la em um universo que se caracteriza pela pluralidade de composições, no qual ocorrem relações de alteridade. Esse universo se constitui a partir de uma lógica historiográfica que nos permite supor, para a música colonial brasileira, vínculos com a música praticada por povos que de alguma forma participaram de nossa colonização. Atendendo a esta lógica, Antonio Carlos de Magalhães imagina o contexto sonoro daquele cravista do século XVIII e reúne em um só objeto peças de doze compositores – a saber: Frescobaldi, Cabezon, Sweelink, Couperin, Purcell, Zipolli, Scarlatti, Carlos Seixas, Rameau, Francisco Xavier Baptista, Padre José Maurício e o anônimo sabarense. Resulta disso que o CD Sabará foi concebido em duas dimensões – uma estética, quando ele exercita a ação reflexiva de nossos sentidos, e outra histórica, no momento em que ele presentifica a intuição de um passado.

Ressaltamos o belo jogo de cores a que Antonio Carlos de Magalhães procede ao alternar as sonoridades de dois cravos – o primeiro, um raro exemplar dobrável, que possui sons mais ásperos e rústicos, e o segundo, um Taskin, que produz sons mais aveludados. Esse procedimento revela urna sensibilidade fragmentadora, típica do fazer musical contemporâneo, que tensifica a sensibilidade unificadora característica das músicas do sistema tonal, realçada pelo respeito uniforme às convenções de dinâmica, agógica e ornamentação inerentes aos períodos de composição das peças.

(José Eduardo Costa Silva, extraído do encarte)

Girolamo Frescobaldi (Italy, 1583-1643)
01. Toccatta prima
Antonio de Cabezón (Spain, 1510-1566)
02. Diferencias cavallero
Jan Pieterszoon Sweelinck (Netherlands, 1562-1621)
03. More palatino
François Couperin (France, 1668-1733)
04. Quatrième prélude (L’art du toucher clavecin)
05. La superbe ou la Forqueray (Dixseptième ordre)
Henry Purcell (England, 1659-1695)
06. Ground (z.D221)
Domenico Zipoli (Prato, Itália,1688 – Córdoba, Argentina 1726)
07. Corrente
Giuseppe Domenico Scarlatti (Italy, 1685-1757)
08. Sonata XXX
José António Carlos de Seixas, (Coimbra, 1704 – Lisboa, 1742)
09. Sonata em Sol m
Jean-Philippe Rameau (France, 1683-1764)
10. Allemande (Pieces de clavecin, avec une table pour les agrémens)
Francisco Xavier Baptista (Portugal, ? – 1797)
11. Sonata IV – 1. Allegro
12. Sonata IV – 2. Allegro
Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830, Rio de Janeiro, RJ)
13. Fantasia 6ª (Método do pianoforte)
Anônimo (Sabará, MG, final do séc. XVIII)
14. Sonata 2ª (Sabará) – 1. Allegro
15. Sonata 2ª (Sabará) – 2. Adágio
16. Sonata 2ª (Sabará) – 3. Rondó

Sabará – 1999
Antonio Carlos de Magalhães
2jcbrls

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Mais um CD do acervo do musicólogo Prof. Paulo Castagna. Não tem preço !!!

Boa audição.

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.Avicenna

Amostras do órgão de SWEELINCK (1562-1621)

Amostras do órgão de SWEELINCK (1562-1621)

Sweelinck Organ http://i32.tinypic.com/4rypmg.jpgDiferente dos meus primeiros posts de Franck e de Pachelbel, desta vez não coloco o título “O órgão essencial de…”

Por quê? Porque não acho que este disco dê a conhecer suficientemente este magnífico compositor a ponto de merecer o título “O essencial de”.

E por quê o estou postando mesmo assim?

Porque, acreditem ou não, não estou encontrando outra gravação deste compositor não só magnífico como também chave na história da música: um dos que operaram a transição Renascença-Barroco paralelamente a Monteverdi. Talvez se possa inclusive dizer que este fez a transição na Europa do Sul, aquele na Europa do Norte. (E, coincidência engraçada, cada um deles baseado numa “cidade dos canais”: Veneza, “a Amsterdam do Sul”, e Amsterdam, “a Veneza do Norte”).

Sweelinck portrait http://i25.tinypic.com/ioq3p4.jpgEnfim, senhores, tenham certeza: Sweelinck é mais.

Mas não por isso deixem de baixar este disco que, apesar de ser menos do que podia, ainda assim já me rendeu tantas e tantas horas de encantamento e serenidade sensível (diferente de “sentimental”!)

Aliás, querem saber em que ponto é que eu encrenco com este disco? Lembro que em 1980 e pouco eu conversava com um amigo baixista da noite, e dizia deplorar a invasão das baterias eletrônicas. Disse-lhe que a música perdia coração, perdia vida, já que o músico humano sempre deixa escapar certas oscilações e irregularidades no tempo – o que, longe de ser um defeito, é um dos elementos fundamentais da expressividade da música. E aí ele me disse: “pois é, mas as mais novas já vem com um botão chamado humanizer, o “humanizador”, que introduz artificialmente algumas irregularidades pra deixar a música mais natural…”

Aí está. Desculpem de coração os tantos que gostam dele, mas para mim Gustav Leonhardt é uma ovelha branca que ainda não entendo como foi aceita no movimento de restauração da autenticidade da música antiga. Chego a suspeitar que se trate de um robô: um robô que toca todas as notas com perfeição, mas foi construído antes da invenção do humanizer. Ou seu metrônomo está regulado da velocidade fixa “x”, ou na velocidade fixa “y”, definitivamente não sabe oscilar, gingar, fazer uma transição.

E nunca vou esquecer a lição que o Padre Penalva costumava proclamar em todo ensaio aos seus coralistas, em Curitiba: “mais vale a bossa que a nota”.

(E apesar disso tudo… eu se fosse vocês não perdia esta escassa oportunidade de ouvir o inspirado Sweelinck – nome que, em tempo, os holandeses pronunciam ‘suêilink’).

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621)
Fantasias, Tocatas e Variações para órgão
A1 Echo-Fantasie (Fantasia em Eco) n.º 12, em la 4:20
A2 Da pacem, Domine, in diebus nostris (variações) 8:43
A3 Hexachord Fantasie 9:50
B1 Fantasie n.º 4, em re 13:55
B2 Puer nobis nascitur / Ons is gheboren (variações) 3:30
B3 Toccata n.º 17, em la

Gustav Leonhardt ao órgão da St.Jakobskerk, Den Haag (Haia)
Gravação original em LP (vinil): Harmonia Mundi, 197?
Digitalizado por Ranulfus, jul. 2010

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My name is Sweelinck, Jan Pieterszoon Sweelinck.
My name is Swee, Jan Pieterszoon Sweelinck.

Ranulfus

Cabezón / Byrd / Tallis / Bull / Sweelinck / Bach / Frescobaldi / Handel: Journey – 200 anos de música para cravo

Cabezón / Byrd / Tallis / Bull / Sweelinck / Bach / Frescobaldi / Handel: Journey – 200 anos de música para cravo

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Trevor Pinnock tem cada gravação… O Messias dele… O que é aquilo? E as 6 Partitas de Bach? Aqui, ele resolveu fazer um disco-ostentação explorando 200 anos da história do cravo, entre 1550 e 1750, mais ou menos. O resultado é esplêndido de cabo a rabo, dando um pouquinho mais de espaço para meu pai, além de Handel e Scarlatti, o filho. Eu quase não consegui chegar ao Frescobaldi, tão boa achei sua interpretação da Suíte Francesa Nº 6. Longa vida para Pinnock que, de Pinóquio, só tem o narigão!

Cabezón / Byrd / Tallis / Bull / Sweelinck / Bach / Frescobaldi / Handel: Journey – 200 anos de música para cravo

1. Cabezón Diferencias sobre ‘El canto del caballero’

2. Byrd The Carman’s Whistle

3. Tallis O ye tender babes

4. Bull The King’s Hunt

5. Sweelinck Variations on ‘Mein junges Leben hat ein End’, SwWV 324

J.S. Bach French Suite No. 6 in E major, BWV 817
6. Prélude
7. Allemande
8. Courante
9. Sarabande
10. Gavotte
11. Polonaise
12. Bourée
13. Menuet
14. Gigue

15. Frescobaldi Toccata Nona

16. Frescobaldi Balletto primo e secondo

17. Handel Chaconne in G major, HWV 435

Scarlatti Three Sonatas in D major, K. 490-492
18. Sonata, K. 490: Cantabile
19. Sonata, K. 491: Allegro
20. Sonata, K. 492: Presto

Trevor Pinnock, cravo

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Eu amo Trevor Pinnock e gostaria de ter um filho com ele.
Eu amo Trevor Pinnock e gostaria de ter um filho com ele.

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Fiesta Andina: órganos barrocos de Andahuaylillas [Alma Latina] [link atualizado 2017]

Uma preciosidade!

Tem na Amazon: aqui.

Sabe raridade? Então, você está diante de uma daquelas! inestimável.

Trata-se do louco e feliz encontro de dois organistas franceses de peso, Francis Chapelet e Uriel Valedeau (e de um grupo de musicistas que os acompanhou) com a música folclórica do Coro de los Niños y La Danza Cápac Qolla, na estupenda e delirante capela de Andahuaylillas, no Peru, que possui não um, mas DOIS órgãos!

Eu gostaria de escrever uma batelada de coisas aqui, pra que vocês entendessem melhor que supimpa é esse álbum, mas já são 3:25h e o sono me abate terrrivelmente. Quem sabe com uma palhinha (aí abaixo), vocês se animam a baixar.

Tesourinho lá do Peru! Ouça! Ouça! Deleite-se!

Amostra: A Hanaq Pachap (faixa 13):

Ah, não aguentei e acrescentei a Toccata de Zipoli, pois o cara não brincava em serviço!

Fiesta Andina
Órganos Históricos de Andahualillas

Anônimo
01. Villancico Tradicional
02. Dança Ritual Qollas
03. Improvisação Órgão da Epístola *
04. Improvisação Órgão do Evangelho **
Francisco Correa de Arauxo (Sevilha, Espanha, 1584 –  Segóvia, Espanha, 1654)
05. Cantochão da Imaculada Conceição ***
06. Tento de meio registro de quarto tom [Ev.] *
07. Tento cheio de sexto tom [Ep.] **
Pietro Philippi (c. 1560 – 1628)
08. Fantasia [Ev.] *
Domenico Zipoli (Prato, Itália, 1688 – Córdoba, Argentina 1726)
09. Toccata [Ev.] **
Jan Pieterszoon Sweelinck (Deventer, Holanda, 1562 – 1621)
10. Variaciones de ‘Von der Fortuna werd’ich getrieben’ [Ep.] *
11. Variaciones de ‘Ach Gott Von Himmel sieh darein’ [Ep.] *
Ruggiero Trofeo (Mântua, Itália, 1550 – Turim, Itália, 1614)
12. Cancion XIX a 8 ***
Anônimo
13. Hanaq Pachap Kusikuinin ***
14. Reportagem realizada pela Rádio Francesa

Juan Capistrano Pecca, regente
Francis Chapelet, órgão (*)
Uriel Valedeau, órgão (**)
Francis Chapelet, Uriel Valedeau, em ambos os órgãos (***)
El Coro de los Niños y La Danza Cápac Qolla de Andahuaylillas
Les Jeues Musiciens Baroques
Andahuaylillas, Peru, 2007-2008

[Ep.] órgão da epístola
[Ev.] órgão do evangelho

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Comenta, pessoal! É tão legal pra gente…

A Igreja de Andahuaylillas, não à toa chamada de “Capela sistina dos Andes”
O órgão do lado da epístola

Sobre os órgãos, tem mais informações (em francês) aqui.

Bisnaga

William Byrd (1543 – 1623), Orlando Gibbons (1583 – 1625), Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621)

Dentre as esquisitices do grande Glenn Gould, gosto muitíssimo deste CD. Interpretando obras que gritam e suplicam por um cravo, ele realiza belo trabalho de adestramento. Adestramento de ouvintes, bem entendido. No final, já achamos tudo natural como se Sweelinck, Gibbons e Byrd tivessem ficado 400 anos apenas esperando a irrupção deste gênio do teclado. Sabemos que Gould à vezes fazia disco-tese ou discos-conceito. Não sei da história deste que posto hoje, mas não duvido de nada quando há Gould envolvido. De nada. Ouvi várias vezes sua interpretação destes elisabetanos e acho que identifico algumas magias de estúdio. Ele, além de cantar junto com o piano, adorava brincar com tecnologia… Enjoy!

Consort of Musicke by William Byrd & Orlando Gibbons; Sweelinck: Fantasia in D (The Glenn Gould Edition)

1. William Byrd – First Pavan and Galliard 7:13
2. Orlando Gibbons – Fantasy in C Major 3:38
3. Orlando Gibbons – Allemande (Italian Ground) 1:56
4. William Byrd – Hughe Ashton’s Ground 9:56
5. William Byrd – Sixth Pavan and Galliard 5:20
6. Orlando Gibbons – Lord of Salisbury Pavan and Galliard 5:50
7. William Byrd – A Voluntary 3:33
8. William Byrd – Sellinger’s Round 5:45
9. Jan Pieterszoon Sweenlinck – Fantasia in D 7:22

Glenn Gould, piano

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