Amostras do órgão de SWEELINCK (1562-1621)

Sweelinck Organ http://i32.tinypic.com/4rypmg.jpgDiferente dos meus primeiros posts de Franck e de Pachelbel, desta vez não coloco o título “O órgão essencial de…”

Por quê? Porque não acho que este disco dê a conhecer suficientemente este magnífico compositor a ponto de merecer o título “O essencial de”.

E por quê o estou postando mesmo assim?

Porque, acreditem ou não, não estou encontrando outra gravação deste compositor não só magnífico como também chave na história da música: um dos que operaram a transição Renascença-Barroco paralelamente a Monteverdi. Talvez se possa inclusive dizer que este fez a transição na Europa do Sul, aquele na Europa do Norte. (E, coincidência engraçada, cada um deles baseado numa “cidade dos canais”: Veneza, “a Amsterdam do Sul”, e Amsterdam, “a Veneza do Norte”).

Sweelinck portrait http://i25.tinypic.com/ioq3p4.jpgEnfim, senhores, tenham certeza: Sweelinck é mais.

Mas não por isso deixem de baixar este disco que, apesar de ser menos do que podia, ainda assim já me rendeu tantas e tantas horas de encantamento e serenidade sensível (diferente de “sentimental”!)

Aliás, querem saber em que ponto é que eu encrenco com este disco? Lembro que em 1980 e pouco eu conversava com um amigo baixista da noite, e dizia deplorar a invasão das baterias eletrônicas. Disse-lhe que a música perdia coração, perdia vida, já que o músico humano sempre deixa escapar certas oscilações e irregularidades no tempo – o que, longe de ser um defeito, é um dos elementos fundamentais da expressividade da música. E aí ele me disse: “pois é, mas as mais novas já vem com um botão chamado humanizer, o “humanizador”, que introduz artificialmente algumas irregularidades pra deixar a música mais natural…”

Aí está. Desculpem de coração os tantos que gostam dele, mas para mim Gustav Leonhardt é uma ovelha branca que ainda não entendo como foi aceita no movimento de restauração da autenticidade da música antiga. Chego a suspeitar que se trate de um robô: um robô que toca todas as notas com perfeição, mas foi construído antes da invenção do humanizer. Ou seu metrônomo está regulado da velocidade fixa “x”, ou na velocidade fixa “y”, definitivamente não sabe oscilar, gingar, fazer uma transição.

E nunca vou esquecer a lição que o Padre Penalva costumava proclamar em todo ensaio aos seus coralistas, em Curitiba: “mais vale a bossa que a nota”.

(E apesar disso tudo… eu se fosse vocês não perdia esta escassa oportunidade de ouvir o inspirado Sweelinck – nome que, em tempo, os holandeses pronunciam ‘suêilink’).

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621)
Fantasias, Tocatas e Variações para órgão
A1 Echo-Fantasie (Fantasia em Eco) n.º 12, em la 4:20
A2 Da pacem, Domine, in diebus nostris (variações) 8:43
A3 Hexachord Fantasie 9:50
B1 Fantasie n.º 4, em re 13:55
B2 Puer nobis nascitur / Ons is gheboren (variações) 3:30
B3 Toccata n.º 17, em la

Gustav Leonhardt ao órgão da St.Jakobskerk, Den Haag (Haia)
Gravação original em LP (vinil): Harmonia Mundi, 197?
Digitalizado por Ranulfus, jul. 2010

BAIXE AQUI – download here

My name is Sweelinck, Jan Pieterszoon Sweelinck.

My name is Swee, Jan Pieterszoon Sweelinck.

Ranulfus

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Sonata 2ª (Sabará): Antonio Carlos de Magalhães, cravo (Acervo PQPBach)

307ssnqSonata 2ª – Sabará:
Antonio Carlos de Magalhães

Repostagem com novos e atualizados links.

Provém de Sabará a primeira informação sobre a presença de cravos e cravistas no Estado de Minas Gerais: em 1739, o músico José Soares tocou cravo na Matriz de Nossa Senhora da Conceição para festejar o dia de Nossa Senhora do Amparo. Não sabemos o que e como ele tocou, e muito menos a reação do público. Infelizmente, a escassez de informações desse tipo nos impede de reconstituir satisfatoriamente a trajetória dos instrumentos de teclado no Brasil Colonial, a fim de podermos avaliar o impacto de um repertório tecladístico na nascente musicalidade brasileira.

Cresce, assim, em importância o desvelamento de uma peça instrumental, única até o momento, de música colonial mineira, encontrada nos arquivos da Sociedade Musical Santa Cecília de Sabará. Trata-se da Sonata 2º para teclado, de autor anônimo, composta pelos seguintes movimentos: a) Allegro, com estrutura muito próxima dos esquemas da forma sonata bitemática, textura típica do classicismo musical do século XVIII; b) Adagio, com estrutura formal do lied instrumental, atendendo aos padrões de andamentos lentos do século XVIII; c) Rondó, com textura típica do estilo rococó cravístico.

A existência desta sonata nos conduz a uma série de exercícios analíticos, pelos quais tentamos, através de associações de ordem estilística, filosófica e sociológica, situá-la no tempo e no espaço. Acreditamos, no entanto, que tais exercícios seriam inúteis se faltasse à obra a oportunidade de ser em si mesma, isto é, realizar- se enquanto experiência musical. Surge, então, a figura do intérprete, que, com a dimensão transcendental de sua subjetividade, nos oferece o ser da obra.

Neste trabalho, o cravista Antonio Carlos de Magalhães cria um espaço possível de realização da Sonata 2ª – “Sabará”-, ao inseri-la em um universo que se caracteriza pela pluralidade de composições, no qual ocorrem relações de alteridade. Esse universo se constitui a partir de uma lógica historiográfica que nos permite supor, para a música colonial brasileira, vínculos com a música praticada por povos que de alguma forma participaram de nossa colonização. Atendendo a esta lógica, Antonio Carlos de Magalhães imagina o contexto sonoro daquele cravista do século XVIII e reúne em um só objeto peças de doze compositores – a saber: Frescobaldi, Cabezon, Sweelink, Couperin, Purcell, Zipolli, Scarlatti, Carlos Seixas, Rameau, Francisco Xavier Baptista, Padre José Maurício e o anônimo sabarense. Resulta disso que o CD Sabará foi concebido em duas dimensões – uma estética, quando ele exercita a ação reflexiva de nossos sentidos, e outra histórica, no momento em que ele presentifica a intuição de um passado.

Ressaltamos o belo jogo de cores a que Antonio Carlos de Magalhães procede ao alternar as sonoridades de dois cravos – o primeiro, um raro exemplar dobrável, que possui sons mais ásperos e rústicos, e o segundo, um Taskin, que produz sons mais aveludados. Esse procedimento revela urna sensibilidade fragmentadora, típica do fazer musical contemporâneo, que tensifica a sensibilidade unificadora característica das músicas do sistema tonal, realçada pelo respeito uniforme às convenções de dinâmica, agógica e ornamentação inerentes aos períodos de composição das peças.

(José Eduardo Costa Silva, extraído do encarte)

Girolamo Frescobaldi (Italy, 1583-1643)
01. Toccatta prima
Antonio de Cabezón (Spain, 1510-1566)
02. Diferencias cavallero
Jan Pieterszoon Sweelinck (Netherlands, 1562-1621)
03. More palatino
François Couperin (France, 1668-1733)
04. Quatrième prélude (L’art du toucher clavecin)
05. La superbe ou la Forqueray (Dixseptième ordre)
Henry Purcell (England, 1659-1695)
06. Ground (z.D221)
Domenico Zipoli (Prato, Itália,1688 – Córdoba, Argentina 1726)
07. Corrente
Giuseppe Domenico Scarlatti (Italy, 1685-1757)
08. Sonata XXX
José António Carlos de Seixas, (Coimbra, 1704 – Lisboa, 1742)
09. Sonata em Sol m
Jean-Philippe Rameau (France, 1683-1764)
10. Allemande (Pieces de clavecin, avec une table pour les agrémens)
Francisco Xavier Baptista (Portugal, ? – 1797)
11. Sonata IV – 1. Allegro
12. Sonata IV – 2. Allegro
Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830, Rio de Janeiro, RJ)
13. Fantasia 6ª (Método do pianoforte)
Anônimo (Sabará, MG, final do séc. XVIII)
14. Sonata 2ª (Sabará) – 1. Allegro
15. Sonata 2ª (Sabará) – 2. Adágio
16. Sonata 2ª (Sabará) – 3. Rondó

Sabará – 1999
Antonio Carlos de Magalhães
2jcbrls

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XLD RIP | FLAC 470,0 MB | HQ Scans 13,2 MB |

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MP3 320 kbpm – 252,0 MB – 1,1 hr
powered by iTunes 10.7

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Mais um CD do acervo do musicólogo Prof. Paulo Castagna. Não tem preço !!!

Boa audição.

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.Avicenna

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Cabezón / Byrd / Tallis / Bull / Sweelinck / Bach / Frescobaldi / Handel: Journey – 200 anos de música para cravo

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Trevor Pinnock tem cada gravação… O Messias dele… O que é aquilo? E as 6 Partitas de Bach? Aqui, ele resolveu fazer um disco-ostentação explorando 200 anos da história do cravo, entre 1550 e 1750, mais ou menos. O resultado é esplêndido de cabo a rabo, dando um pouquinho mais de espaço para meu pai, além de Handel e Scarlatti, o filho. Eu quase não consegui chegar ao Frescobaldi, tão boa achei sua interpretação da Suíte Francesa Nº 6. Longa vida para Pinnock que, de Pinóquio, só tem o narigão!

Cabezón / Byrd / Tallis / Bull / Sweelinck / Bach / Frescobaldi / Handel: Journey – 200 anos de música para cravo

1. Cabezón Diferencias sobre ‘El canto del caballero’

2. Byrd The Carman’s Whistle

3. Tallis O ye tender babes

4. Bull The King’s Hunt

5. Sweelinck Variations on ‘Mein junges Leben hat ein End’, SwWV 324

J.S. Bach French Suite No. 6 in E major, BWV 817
6. Prélude
7. Allemande
8. Courante
9. Sarabande
10. Gavotte
11. Polonaise
12. Bourée
13. Menuet
14. Gigue

15. Frescobaldi Toccata Nona

16. Frescobaldi Balletto primo e secondo

17. Handel Chaconne in G major, HWV 435

Scarlatti Three Sonatas in D major, K. 490-492
18. Sonata, K. 490: Cantabile
19. Sonata, K. 491: Allegro
20. Sonata, K. 492: Presto

Trevor Pinnock, cravo

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Eu amo Trevor Pinnock e gostaria de ter um filho com ele.

Eu amo Trevor Pinnock e gostaria de ter um filho com ele.

PQP

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Fiesta Andina: órganos barrocos de Andahuaylillas [Alma Latina] + (link extra com encarte/booklet)

Uma preciosidade!

Tem na Amazon: aqui.

Sabe raridade? Então, você está diante de uma daquelas! inestimável.

Trata-se do louco e feliz encontro de dois organistas franceses de peso, Francis Chapelet e Uriel Valedeau (e de um grupo de musicistas que os acompanhou) com a música folclórica do Coro de los Niños y La Danza Cápac Qolla, na estupenda e delirante capela de Andahuaylillas, no Peru, que possui não um, mas DOIS órgãos!

Eu gostaria de escrever uma batelada de coisas aqui, pra que vocês entendessem melhor que supimpa é esse álbum, mas já são 3:25h e o sono me abate terrrivelmente. Quem sabe com uma palhinha (aí abaixo), vocês se animam a baixar.

Tesourinho lá do Peru! Ouça! Ouça! Deleite-se!

Amostra: A Hanaq Pachap (faixa 13):

Ah, não aguentei e acrescentei a Toccata de Zipoli, pois o cara não brincava em serviço!

Fiesta Andina
Órganos Históricos de Andahualillas

Anônimo
01. Villancico Tradicional
02. Dança Ritual Qollas
03. Improvisação Órgão da Epístola *
04. Improvisação Órgão do Evangelho **
Francisco Correa de Arauxo (Sevilha, Espanha, 1584 –  Segóvia, Espanha, 1654)
05. Cantochão da Imaculada Conceição ***
06. Tento de meio registro de quarto tom [Ev.] *
07. Tento cheio de sexto tom [Ep.] **
Pietro Philippi (c. 1560 – 1628)
08. Fantasia [Ev.] *
Domenico Zipoli (Prato, Itália, 1688 – Córdoba, Argentina 1726)
09. Toccata [Ev.] **
Jan Pieterszoon Sweelinck (Deventer, Holanda, 1562 – 1621)
10. Variaciones de ‘Von der Fortuna werd’ich getrieben’ [Ep.] *
11. Variaciones de ‘Ach Gott Von Himmel sieh darein’ [Ep.] *
Ruggiero Trofeo (Mântua, Itália, 1550 – Turim, Itália, 1614)
12. Cancion XIX a 8 ***
Anônimo
13. Hanaq Pachap Kusikuinin ***
14. Reportagem realizada pela Rádio Francesa

Juan Capistrano Pecca, regente
Francis Chapelet, órgão (*)
Uriel Valedeau, órgão (**)
Francis Chapelet, Uriel Valedeau, em ambos os órgãos (***)
El Coro de los Niños y La Danza Cápac Qolla de Andahuaylillas
Les Jeues Musiciens Baroques
Andahuaylillas, Peru, 2007-2008

[Ep.] órgão da epístola
[Ev.] órgão do evangelho

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – PQPShare 185Mb

Comenta, pessoal! É tão legal pra gente…

A Igreja de Andahuaylillas, não à toa chamada de “Capela sistina dos Andes”

O órgão do lado da epístola

Sobre os órgãos, tem mais informações (em francês) aqui.

Bisnaga

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William Byrd (1543 – 1623), Orlando Gibbons (1583 – 1625), Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621)

Dentre as esquisitices do grande Glenn Gould, gosto muitíssimo deste CD. Interpretando obras que gritam e suplicam por um cravo, ele realiza belo trabalho de adestramento. Adestramento de ouvintes, bem entendido. No final, já achamos tudo natural como se Sweelinck, Gibbons e Byrd tivessem ficado 400 anos apenas esperando a irrupção deste gênio do teclado. Sabemos que Gould à vezes fazia disco-tese ou discos-conceito. Não sei da história deste que posto hoje, mas não duvido de nada quando há Gould envolvido. De nada. Ouvi várias vezes sua interpretação destes elisabetanos e acho que identifico algumas magias de estúdio. Ele, além de cantar junto com o piano, adorava brincar com tecnologia… Enjoy!

Consort of Musicke by William Byrd & Orlando Gibbons; Sweelinck: Fantasia in D (The Glenn Gould Edition)

1. William Byrd – First Pavan and Galliard 7:13
2. Orlando Gibbons – Fantasy in C Major 3:38
3. Orlando Gibbons – Allemande (Italian Ground) 1:56
4. William Byrd – Hughe Ashton’s Ground 9:56
5. William Byrd – Sixth Pavan and Galliard 5:20
6. Orlando Gibbons – Lord of Salisbury Pavan and Galliard 5:50
7. William Byrd – A Voluntary 3:33
8. William Byrd – Sellinger’s Round 5:45
9. Jan Pieterszoon Sweenlinck – Fantasia in D 7:22

Glenn Gould, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

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