Francisco Tárrega (1852-1909) – Obra completa para violão – David Russell (com uma palhinha de Narciso Yepes)

RussellCdDepois de engulhar a turma do violão clássico com um duo certa feita apresentado como “bugres que sabem tocar” e com Paco de Lucía tocando o Concierto de Aranjuez, venho redimir-me junto a eles com uma boa dose (a dose integral, aliás) de um dos melhores compositores para seu instrumento.

O virtuoso espanhol Francisco Tárrega foi fundamental para consolidar o violão como um instrumento solista e o primeiro violonista de fama realmente mundial, capaz de atrair multidões para as mais célebres casas de concerto do planeta. Nessa condição de fundador e desbravador de fronteiras, Tárrega encontrou um repertório original muito acanhado, baseado principalmente em obras de precursores como o francês Robert de Visée (1655 – 1732), o catalão Fernando Sor (1778-1839) e o italiano Mauro Giuliani (1781-1829). Devido à insistência de sua família para que tivesse formação em piano – um instrumento sério e nobre, diziam, e não a plebeia e mourisca guitarra -, sua proficiência ao teclado acabou sendo de grande valia na tarefa de transcrever muitas obras do repertório pianístico para o violão.

Escreveu algumas dúzias de obras originais, muitas delas baseadas em reminiscências de suas extensas turnês pelo mundo. Numa delas, tocou um recital num dos recintos do Alhambra, o magnífico palácio-fortaleza dos mouros nos altos de Granada. A forte impressão causada por aquele triunfo da arquitetura islâmica, certamente uma das mais belas coisas já feitas pelo homem, levou-o a escrever a igualmente maravilhosa Recuerdos de la Alhambra, sua segunda obra mais conhecida.

[a primeira, claro, é o infame toque dos celulares Nokia, que vocês reconhecerão nos primeiros compassos da Gran Vals. Sim: falo sério]

Até onde se sabe, os herdeiros de Tárrega nunca viram um pila sequer na Nokia.

Até hoje, os herdeiros de Tárrega nunca viram um pila sequer da Nokia.

O escocês David Russell, que estudou na Espanha, viveu boa parte de seus anos lá e muito pesquisou a obra de Tárrega, fez um bom trabalho nesta gravação, na qual defende com grande competência quase toda a obra do compositor.

Quase toda? Sim: o escocês promete-lhes a obra integral, mas não lhes entrega o que promete. Ficou faltando uma peça bastante conhecida dos fanáticos por violão, La Cartagenera, que não sei por que raios nunca foi gravada por Russell. Como EU cumpro o que prometo e lhes prometi a INTEGRAL da obra de Tárrega, inseri junto ao segundo CD a interpretação do grande Narciso Yepes para a peça que faltava.

De nada.

FRANCISCO DE ASÍS TÁRREGA Y EIXEA (1852-1909)

OBRA INTEGRAL PARA VIOLÃO SOLO

David Russell, violão

DISCO 1

01 – Maria (Gavota)
02 – Pavana
03 – Gran Vals
04 – El Columpio
05 – Vals em Ré maior
06 – Danza Mora
07 – Danza Odalisca
08 – Pepita (polka)
09 – Rosita (polka)
10 – Sueño (mazurka)
11 – Marieta (mazurka)
12 – Mazurka em Sol maior
13 – Adelita (mazurka)
14 – Las Dos Hermanitas (valsa)
15 – Minueto
16 – Paquito (valsa em dó)
17 – Isabel (valsa)
18 – Sueño (tremolo)
19 – Fantasia sobre motivos de “La Traviata” de Verdi
20 – Fantasia sobre “Marina” de Arrieta
21 – El Carnaval de Venezia

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DISCO 2

01 – Capricho Arabe
02 – Recuerdo de la Alhambra
03 – Alborada
04 – Tango
05 – Prelúdio no. 1 em Mi maior
06 – Prelúdio no. 2 em Lá maior
07 – Prelúdio no. 3 em Lá menor
08 – Prelúdio no. 4 em Si menor
09 – Prelúdio no. 5 em Sol maior
10 – Prelúdio no. 6 em Ré menor
11 – Prelúdio no. 7 em Sol maior
12 – Prelúdio no. 8 em Mi maior (“Lagrima”)
13 – Prelúdio no. 9 em Ré menor
14 – Prelúdio no. 10 em Ré menor
15 – Prelúdio no. 11 em Ré menor
16 – Prelúdio no. 12 em Ré maior
17 – Prelúdio no. 13 em Mi maior
18 – Prelúdio no. 14 em Lá menor
19 – Prelúdio no. 15 em Lá menor
20 – Prelúdio no. 16 em Mi maior
21 – Estudo em Forma de Minueto
22 – Estudo de Velocidade
23 – Estudo em Sol maior
24 – Estudo em Sol maior
25 – Estudo em Lá maior
26 – Estudo em Lá maior
27 – Estudo em Lá maior
28 – Estudo em Lá menor
29 – Estudo em Mi maior
30 – Estudo “Petit Menuet”
31 – Estudo em Ré maior
32 – Estudo em Dó maior
33 – Estudo em Lá maior
34 – Estudo “La Mariposa”
35 – Estudo sobre um tema de Wagner
36 – Estudo inspirado em J. B. Cramer
37 – Estudo sobre um tema de Mendelssohn
38 – Estudo em Lá maior
39 – Estudo em Si menor
40 – Estudo Brilhante de Alard
41 – Gran Jota

BÔNUS: “La Cartagenera” intepretada por Narciso Yepes

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David Russell - és ótimo violonista, mas ficaste nos devendo "La Cartagenera", malandro!!!

David Russell – és ótimo violonista, mas ficaste nos devendo “La Cartagenera”, malandro!!!

Vassily Genrikhovich

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Os Índios Tabajaras – The Classical Guitars of Los Indios Tabajaras

Indisponível em CD: só em LP e cassete, e não vendo meu vinil por dinheiro algum!

Indisponível em CD: só em LP, e não vendo o meu por dinheiro algum!

Uma das melhores coisas que podem acontecer a um blogueiro é receber um comentário que, por si só, enseja uma nova postagem.

Assim foi o comentário do camarada Ranulfus, lá naquela postagem que fiz semana passada sobre os MÍTICOS Índios Tabajaras:

FASCINADO depois de ouvir, e ouvindo mais uma vez agora mesmo. Puristas podem franzir o nariz, mas na verdade MÚSICA É ISSO, é realização sobretudo intuitiva. Os rapazes são músicos até debaixo d’água, DIZEM cada frase. Tenho certeza de que Bach também era isso: todo seu saber teórico era apenas apoio ao fazer-música intuitivo, tão naturalmente “como quem mija” (para usar uma fala do Monteiro Lobato relativa ao escrever, dirigida ao Érico Veríssimo e relatada por este).

A noção de agógica dos guris (condução do discurso musical pelo domínio do fraseado, das flexibilizações do tempo, das ênfases) dá de 10 a 0 em MUITO músico de currículo pomposo, seja em termos acadêmicos, de apresentações ou de gravações.

OBRIGADÍSSIMO por resgatar não só as preciosidades específicas que são essas faixas gravadas (de que eu queria muito mais), mas sobretudo A MEMÓRIA desses grandes músicos de BRASILIDADE insuperável – do que somente vira-latas complexados haveriam de se envergonhar (digo-o contrastando com os vira-latas assumidos e orgulhosos de sê-lo, como eu)”

Sou eu quem deve agradecer pelo comentário, e agradeço atendendo a vontade do colega de escutar um pouco mais da arte desses extraordinários músicos brasileiros, cuja trajetória do sertão do Ceará ao Concertgebouw de Amsterdam é das mais improváveis que este planeta já testemunhou.

Para que não pensem que estou sozinho na tietagem incondicional aos virtuosos Tabajaras. "the loin-cloth-to-tuxedo" Fonte: The Nato Lima Foundation

Para que não pensem que estou sozinho na tietagem incondicional aos virtuosos Tabajaras – e “loin-cloth-to-tuxedo legend”, convenhamos, é o melhor resumo possível da epopeia dos irmãos
Fonte: The Nato Lima Foundation

Em The Classical Guitars of Los Indios Tabajaras, seu segundo disco dedicado ao repertório erudito, Muçaperê e Erundi dividem-se entre escolhas batidíssimas (“Pour Elise” e o “Romance de Amor”), as audazes (a “Hora staccato” de Dinicu/Heifetz) e a francamente insana (o “Rondo des Lutins” de Bazzini, peça pra lá de cabeluda do repertório violinístico). Digna de destaque é a regravação de “Recuerdos de la Alhambra”,  em que (corrijam-se se estiver enganado), talvez numa resposta aos puristas que criticaram o arranjo anterior para dois violões como uma simplificação do original, Muçaperê toca a versão original de Tárrega (tremolo e arpejos simultâneos) com discreto acompanhamento de Erundi.

Para mim, a qualidade de gravação deixa a desejar em relação à de Casually Classic. Sou troglodita confesso no que diz respeito a técnicas de gravação, mas tenho a impressão de que os microfones foram posicionados mais perto dos braços dos violões do que de seus corpos, resultando num som menos rico e menos reverberante, sem valorizar à altura o legendário vibrato de Muçaperê/Natalício/Nato Lima. Ainda assim, e mesmo que se tenha a impressão dos irmãos menos inspirados que no disco anterior, as belezas transbordam.

Muçaperê e Erundi gravariam ainda dois álbuns de música erudita, “Dreams of Love” e “Masterpieces”, que só tenho em cassetes, e em muito mau estado. No primeiro, há uma belíssima versão da “Valse Triste” de Sibelius que Muçaperê considerava seu melhor trabalho como arranjador. Farei de tudo para encontrar uma fonte melhor e compartilhá-lo com vocês. Se acham que podem me ajudar, deixem-me saber pela caixa de comentários.

OS ÍNDIOS TABAJARAS – THE CLASSICAL GUITARS OF LOS INDIOS TABAJARAS (1974)

Muçaperê (Natalício Moreira Lima) e Erundi (Antenor Moreira Lima), violões
Transcrições de Muçaperê

01 – Fryderyk Francyszek Chopin (1810-1849) – Valsa em Lá menor, Op. 34 no. 2
02 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Bagatela em Lá menor, WoO 59, “Pour Elise”
03 – Francisco de Asís Tárrega y Eixea (1852-1909) – Recuerdos de la Alhambra
04 – Grigoraş Ionică Dinicu (1889-1949), em arranjo de Jascha Heifetz (1901-1987) – Hora staccato
05 – Fryderyk Francyszek Chopin (1810-1849) – Valsa em Lá bemol maior, Op. 69, No. 1, “Adeus”
06 – Antonio Joseph Bazzini (1818-1897) – Scherzo Fantastico, Op. 25, “La Ronde des Lutins”
07 – Joaquim Malats i Miarons (1872-1912) – Serenata Española
08 – Anônimo – Romance de Amor*

* os créditos do LP atribuem a autoria ao violonista espanhol Vicente Gómez (1911-2001), mas a obra é certamente anterior a ele

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Colagem para divulgação da já extinta Nato Lima Foundation, criada com o fim de angariar fundos para o tratamento de Muçaperê contra o câncer que o mataria. Nela aparece sua esposa, a japonesa Michiko, que aprendeu violão com Muçaperê para assumir a vaga de Erundi, depois que este se aposentou no começo dos anos 80. Emocionei-me profundamente ao encontrar esta colagem, pois foi a primeira vez que vi imagens da dupla ainda na infância e adolescência. Fascinado que sou há tanto tempo pela história de Erundi e Muçaperê, fico a imaginar onde está, ou que fim levou, o precioso material iconográfico gerado pela trajetória destes brasileiros fora-de-série.

Colagem para divulgação da extinta Nato Lima Foundation, criada com o fim de angariar fundos para o tratamento de Muçaperê/Natalício/Nato contra o câncer que o mataria. Nela aparece sua esposa, a japonesa Michiko, que aprendeu violão com Muçaperê e assumiu o lugar de Erundi depois que este se aposentou, no começo dos anos 80. Chorei feito um desgraçado ao encontrar esta colagem, pois não só desconhecia a maior parte das fotos que a compõem, como também porque foi a primeira vez que vi imagens da dupla na infância e adolescência – provavelmente durante a longa viagem, permeada por fome e violência, que empreenderam com a família do Ceará até o Rio de Janeiro. Fascinado que sou há tanto tempo pela história dos Índios Tabajaras, fico a imaginar onde está, ou que fim levou, este inestimável material iconográfico que poderia ajudar a contar, para as novas gerações, a trajetória destes brasileiros extraordinários.

Vassily Genrikhovich

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Os Índios Tabajaras – Casually Classic

Casually Classic - frHá ficção e realidade – e contos, e novelas.

Há mitos, há lendas – e causos, e trovas.

Há histórias tão improváveis que são indeglutíveis.

E há a história de Muçaperê e Erundi, ou de Natalício e Antenor Lima, ou – como o mundo todo viria a conhecê-los – dos Índios Tabajaras.

ooOoo

Eles eram, de fato, indígenas, nascidos da nação Tabajara, na serra de Ibiapaba, perto da divisa entre o Ceará e o Piauí. Receberam seus nomes nativos porque eram o terceiro (“muçaperê”) e quarto (“erundi”) filhos de seu pai. Sua trajetória do sertão até o sucesso mundial é tão inacreditável que minha prosa não tem asas para contá-la: deixo o próprio Natalício fazê-lo, neste longo, fascinante depoimento.

Resumo da epopeia: um primeiro contato com militares (e com o violão) no sertão; um tenente os apadrinha, e adotam “nomes de branco”; a fome move a família para o Rio de Janeiro, a pé e em pau-de-arara, ao longo de três anos, durante os quais se familiarizam com a viola brasileira e o violão; primeiras aparições no rádio e em teatros da Capital Federal e em São Paulo, anunciados como “bugres que sabem tocar”; sem serem levados muito a sério, fazem suas primeiras gravações; saem em turnê pela América Latina; chegam ao México, onde são apresentados por Ricardo Montalbán como “analfabetos musicais”; o constrangimento leva-os a terem aulas de música em Caracas e Buenos Aires; excursão pelos Estados Unidos, onde gravam várias músicas do repertório easy listening, incluindo o fox “Maria Elena”; retorno desiludido ao Brasil e busca de uma nova carreira; no meio-tempo, o compacto de “Maria Elena” transforma-se num imenso sucesso retardado, com mais de um milhão de vendas; os irmãos são catapultados de volta aos Estados Unidos, onde, entre idas e vindas, se radicam e vivem até suas mortes.

A acreditar em tudo o que se conta deles, temos a mais fantástica trajetória artística que ainda não virou livro ou filme. Mas não é ela, claro, que nos interessa, pois isso aqui, afinal de contas, é o PQP Bach e quem me lê não quer saber de histórias fabulosas: quer música, e muita, e da muito boa.

Surge, pois, a minha deixa para apresentar-lhes esta gravação.

Se a maior parte do repertório da dupla consistiu em músicas melosas, feitas para pagar as contas e destinadas invariavelmente aos almoços de família e às salas de espera de consultórios de dentista, os largamente autodidatas Muçaperê e Erundi eram entusiastas da música clássica europeia e, sempre que podiam, incluíam suas peças em seus recitais. Em muitos deles, tocavam música de elevador vestidos em trajes, ahn, “indígenas” (daqueles para inglês ver) para, depois do intervalo e de smoking, tocarem as transcrições de obras de concerto habilmente feitas por Muçaperê.

Este álbum, Casually Classic, inclui algumas delas, com solos de Muçaperê, e acompanhamentos de Erundi.

Talvez alguns torçam o nariz para a transcrição de Recuerdos de la Alhambra para dois violões, em vez da difícil superposição entre melodia em tremolo e acompanhamento em arpejos com o polegar da versão solo. Eu a acho esplêndida e muito mais evocativa que o original. Os excertos orquestrais são cheios de verve, e a fuga de Bach – uma estranha no ninho entre as seleções – é deliciosamente trigueira. O ponto alto, para mim, é a Fantasia-Improviso de Chopin, transcrita e interpretada de uma maneira tão linda que me é até mais convincente que o original pianístico.

Se a muitos será uma surpresa a revelação de que houve um grande duo de violonistas brasileiros antes dos irmãos Assad conquistarem o planeta, espero que ela, ao escutarem esta gravação, seja muito grata.

OS ÍNDIOS TABAJARAS – CASUALLY CLASSIC (1966)

Muçaperê (Natalício Moreira Lima) e Erundi (Antenor Moreira Lima), violões
Transcrições de Muçaperê

01 – Fryderyk Francyszek Chopin (1810-1849) – Valsa em Dó sustenido menor, Op. 64 no. 2
02 – Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) – O Quebra-Nozes, Op. 71: Valsa das Flores
03 – Francisco de Asis Tárrega y Eixea (1852-1909) – Recuerdos de la Alhambra
04 – Nikolay Andreyevich Rimsky-Korsakov (1844-1908) – A Lenda do Czar Saltan – Ato III, Interlúdio: O Voo do Zangão
05 – Fryderyk Francyszek Chopin (1810-1849) – Valsa em Ré bemol maior, Op. 64 no. 1
06 – Johann Sebastian Bach (1685-1750) – O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Dó sustenido maior, BWV 848: Fuga
07 – Manuel de Falla y Matheu (1876-1946) – El Amor Brujo: Dança Ritual do Fogo
08 – Fryderyk Francyszek Chopin (1810-1849) – Fantasia-Improviso em Dó sustenido menor, Op. 66

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Mussaperê e Herundi, vestidos para inglês ver

Erundi e Muçaperê, vestidos para inglês ver

Vassily

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Francisco Tárrega (1852-1909): Recuerdos De La Alhambra; Lágrima; Danza mora; Etc.

IM – PER – DÍ – VEL!!!! Este CD é um super-clássico da discografia de todos os tempos. Não sei quantas vezes foi reeditado. Francisco Tárrega foi um gênio espanhol que não julgava necessário refrigerar o violão abanando-o loucamente. É o anti-Al Di Meola, o calorento norte-americano que, quando não sabe o que fazer, usa a mão direita como leque. No violão, claro. Tárrega revolucionou a composição para o instrumento. Defendeu uma metodologia diferente da que era usada em sua época. Segundo ele, o toque realizado pela mão direita no violão devia ser feita num ângulo de 90º, e com a parte “macia” do dedo, ou seja, a unha não deveria ser utilizada. Tárrega justificava essa metodologia afirmando que o toque do dedo “nu” causava uma sensação de maior “controle emocional” e técnico da obra em execução.

Deve ter razão, pois aqueles abanos à base de unhadas — as quais apenas incentivam as dançarinas a matar todas as baratas do salão a sapatadas fulminantes — são detestáveis.

A obra mais famosa música de Tárrega é conhecida não é conhecida integralmente pela maioria das pessoas… Mas todas já ouviram um pedaço: é o toque padrão do celular Nokia…

Aqui estamos da mão de outro gênio: Narciso Yepes.

Abaixo, uma nota biográfica do violonista. Vai em inglês, acho que tudo lê, né?

Yepes was born into a family of humble origin in Lorca, southern Spain. His father gave him his first guitar when he was four years old. He took his first lessons from Jesus Guevara, in Lorca. Later his family moved to Valencia when the Spanish Civil War started in 1936.

When he was 13, he was accepted to study at the Conservatorio de Valencia with the pianist and composer Vicente Asencio. Here he followed courses in harmony, composition, and performance.

On December 16th 1947 he made his Madrid début, performing Joaquin Rodrigo’s Concierto de Aranjuez with Ataúlfo Argenta conducting the Spanish National Orchestra. The overwhelming success of this performance brought him renown from critics and public alike. Soon afterwards, he began to tour with Argenta, visiting Switzerland, Italy, Germany and France. During this time he was largely responsible for the growing popularity of the Concierto de Aranjuez.

In 1950, after performing in Paris, he spent a year studying interpretation under the violinist George Enesco, and the pianist Walter Gieseking. He also studied informally with Nadia Boulanger. This was followed by a long period in Italy where he profited from contact with artists of every kind.

In 1952 a song Yepes wrote when he was a young boy became the theme to the film Forbidden Games (Jeux interdits) by René Clément. However, the piece, Romance, has often speculatively been attributed to other authors, without conclusive evidence that can stand up to scientific scrutiny, and despite the fact that Yepes confessed to being its composer. If you have a good look at the credits of the movie “Jeux Interdits” however, you will see that Romance is credited as “Traditional: arranged – Narciso Yepes.” Yepes also performed other pieces for the “Forbidden Games” soundtrack. His later credits as film composer include the soundtracks to La Fille aux Yeux d’Or (1961) and ‘La viuda del capitán Estrada’ (1991). He also starred as a musician in the 1967 film version of El amor brujo.

In 1958 he married Marysia Szumlakowska, then a young Polish Philosophy student. They had two sons, Juan de la Cruz (deceased), Ignacio Yepes, an orchestral conductor and flautist, and one daughter, dancer and choreographer Ana Yepes.

In 1964, Yepes performed the Concierto de Aranjuez with the Berlin Philharmonic Orchestra, premièring the ten-string guitar, which he invented in collaboration with the renowned guitar maker José Ramírez III.

Yepes’ 10-string guitar tuning

The instrument made it possible to transcribe works originally written for baroque lute without deleterious transposition of the bass notes. However, the main reason for the invention of this instrument was the addition of string resonators tuned to C, A#, G#, F#, which resulted in the first guitar with truly chromatic string resonance – similar to that of the piano with its sustain/pedal mechanism.

After 1964, Yepes used the ten-string guitar exclusively, touring to all six inhabited continents, performing in recitals as well as with the world’s leading orchestras, giving an average of 130 performances each year.

Aside from being a consummate musician, Yepes was also a significant scholar. His research into forgotten manuscripts of the sixteenth and seventeenth centuries resulted in the rediscovery of numerous works for guitar or lute. He was also the first person to record the complete lute works of Bach on period instruments (14-course baroque lute). In addition, through his patient and intensive study of his instrument, Narciso Yepes developed a revolutionary technique and previously unsuspected resources and possibilities.

He was granted many official honours including the Gold Medal for Distinction in Arts, conferred by King Juan Carlos I; membership in the Academy of “Alfonso X el Sabio” and an Honorary Doctorate from the University of Murcia. In 1986 he was awarded the National Music Prize of Spain, and he was elected unanimously to the Real Academia de Bellas Artes de San Fernando.

Since 1993 Narcisco Yepes limited his public appearances due to illness. He gave his last concert on March 1st 1996, in Santander (Spain).

He died in Murcia in 1997, after a long battle with lymphoma.

Tárrega – Recuerdos de la alhambra

01. Lagrima – Andante
02. Estudio en forma de Minuetto
03. La Cartagenera
04. Danza mora
05. Columpio – Lento
06. Endecha – Andante
07. Oremus – Lento
08. La Mariposa – Allegro Vivace
09. Recuerdos de la Alhambra – Andante
10. Preludio in G major – Allegretto
11. Adelita – Lento
12. Sueno
13. Minuetto
14. Pavana – Allegretto
15. Estudio de velocidad – Allegro
16. Jota – Andante-Allegro-Tempo primo-Lento, expressivo-Cantabile

Narciso Yepes, violão

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PQP

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Narciso Yepes – Guitarra Española – CD 3 de 5

Minha vida anda uma correria só, e tem sido muito difícil arranjar um tempinho para postar. Por isso serei econômico no texto, afinal de contas, o que importa aqui é o violão de Narciso Yepes, o resto é só blá, blá, blá.

O CD começa com o magnífico “Recuerdos de Alhambra”, talvez a peça mais conhecida de Tárrega, depois temos Albéniz, Falla, Turina, Rodrigo, entre outros.

Respondendo ao questionamento feito em postagem anterior, relacionado à autoria da transcrição da obra “Astúrias”, de Albéniz, informo que Yepes aqui toca a versão de Andrés Segovia. Aqui, neste terceiro cd, a transcrição de “Malagueña” é do próprio Yepes.

Narciso Yepes – Guitarra Espanõla – CD 3

Francisco Tárrega

01 Recuerdos de La Alhambra(Andante)

02 ‘Marieta’ Mazurke(Lento)

03 Capricho arabe. Serenata(Andantino)

04 Tango

Isaac Albéniz

05 Malaquena from op.165(Transcr.; Narciso Yepes)

Manuel de Falla

06 Homenaje ‘Le tombeau de Claude Debussy’

Joaquin Turina

07 Garrotin y soleares

08 Rafaga

Joaquin Rodrigo

09 En los Trigales

Anonimo

10 La Filla del marxant

11 La filadora

12 El mestre

13 La canco del lladre

Emilio Pujol

14 El abejorro. Estudio

Federico Moreno Torroba

15 Madronos

Xavier Montsalvatge

16 Habanera(Arr.; Narciso Yepes)

Maurice Ohana

17 Tiento(Arr.; Narciso Yepes)

Antonio Ruiz-Pipó

18 Cancion y danza Nr.1(Arr.; Narciso Yepes)

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FDP Bach

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Narciso Yepes – Guitarra Española – CD 2 de 5

Aí está o segundo cd da coleção “Guitarra Española”, na excepcional interpretação de Narciso Yepes. E este cd aqui, bem, este segundo cd é talvez o melhor da coleção , pois traz aquela que é a maior das composições de Isaac Albeniz, a Suíte Española nº5 – Asturias, uma das belas composições feitas para o violão.

Pois então, divirtam-se:

Narciso Yepes – Guitarra Española – CD 2 de 5

01 Isaac Albeniz; Suite espanola; No. 5 Asturias. Leyenda
02 Isaac Albeniz; Recuerdos de viaje; No. 6 Rumores de las caleta. Malaguena
03 Isaac Albeniz; Piezas características; No. 12 Torre bermeja. Serenata
04 Enrique Granados; Danza espanola no. 4 – Villanesca
05 Francisco Tarrega; Alborada. Capriccio
06 Francisco Tarrega; Danza mora
07 Francisco Tarrega; Sueno
08 Manuel de Falla; El círculo mágico (El amor brujo)
09 Manuel de Falla; Cancíon del fuego fatuo (El amor brujo)
10 Manuel de Falla; Danza del molinero. Farruca (El sombrero de tres picos)
11 Joaquín Turina; Sonata Op. 61 (Allegro – Andante – Allegro vivo)
12 Joaquín Turina; Fandanguillo Op. 36
13 Salvador Bacarisse; Passapie
14 Narciso Yepes; Catarina d’Alió
15 Anónimo; Romance (du film ‘Jeux interdits’)

Narciso Yepes – Violão

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FDP Bach

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