Giuseppe Tartini (1692-1770): 4 Sonate per Violino. “Il Trillo del Diavolo” – “Didone Abbandonata”

2jbw1vb “Sim, sou o Diabo, repetia ele; não o Diabo das noites sulfúreas, dos contos soníferos, terror das crianças, mas o Diabo verdadeiro e único, o próprio gênio da natureza, a que se deu aquele nome para arredá-lo do coração dos homens. Vede-me gentil e airoso. Sou o vosso verdadeiro pai. Vamos lá: tomai daquele nome, inventado para meu desdouro, fazei dele um troféu e um lábaro, e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo…” Assim se apresenta o Diabo através da pena de Machado de Assis no seu formidável conto A Igreja do Diabo. Satã, Arcano 15 do Tarot, o capeta, o cramunhão, o capiroto, o merda de galinha choca – como dizia minha avô Dona Nenê (que deus a tenha); eis a figura de maior destaque na cultura humana. Exagero? Mesmo os mais dados às crenças o citam de hora em hora e quanto mais devotos (ou fanáticos) mais assíduos em suas invocações. O nome mais comentado em toda Idade Média, que perpassa ao longo das eras através das penas dos literatos, dos compositores, dos pinceis dos artistas. Sempre renovado, desde o Pazuzu mesopotâmico que andou pintando o 7 em Nova York e virando a cabeça da Linda Blair; desde Arimã, gêmeo nefastíssimo do Ahura Mazda de Zoroastro. Asmodeus, Astarot, Azazel, Baphomet. Belial, Belzebu, Belphegor, Demogorgon, Íblis – para os árabes, Lúcifer, Legião – uma galera de chifrudos, Mephistofeles – compadre do Doutor Fausto, Moloch, Orobas, Samael, Súcubos e Íncubos, Brasinha (quem se lembra dele das HQs?), Xesbeth e Zulu-bango (pra completar a ordem semi alfabética). No mundo popularesco, o tinhoso, o rabudo, o coisa ruim, o tranca ruas, espírito de porco (único espírito no qual acredito), Marvi Talarica, Tio do Churrasco (sério!), Tutu de Gaianases, Inês Brasil (tá na pesquisa que fiz); Azelelé, Estácio de Padoka, Mãe de Pantanha, Rabo de Seta. No cordel “A chegada de Lampião no inferno” do cordelista José Pachêco temos três nomes sugestivos: Pilão Virado, Tromba Suja e Boca Insossa. Sem esquecer o Diabolus in música, na verdade o trítono proscrito dos ideais teóricos pitagóricos medievais e contrapontísticos posteriores, chamando-se diabolus o elemento de cisão entre dois extremos – no caso, a oitava. Ufa, é demônio demais para uma página só, embora todos juntos jamais conseguiriam sobrepujar em asco e iniquidade qualquer dos nossos políticos. Ah, faltou o nome do atual presidente, mas todos sabem. A figura diabólica, a princípio bela no angélico Lúcifer, depois esculhambada pelos cristãos (estes também diabos terríveis), que para proscreverem o culto ao doce Pã, nos primórdios da Igreja, trataram de emprestar-lhe os chifres, cascos e rabo de bode. O Diabo se encontra em profusão tal nas artes ao longo da história que seria impossível nesta singela postagem amealhar tantas citações; imaginemos que ele aparece até mesmo numa versão de Doutor Fausto nos programas do Chapolim Colorado, tendo por Fausto o Professor Girafales e por Margarida a Dona Clorinda. Demonologia é coisa seríssima, enfim. No presente caso, dos mais famosos dos bastidores da música, temos o celebérrimo encontro de Giuseppe Tartini (1692-1770) com o Príncipe das Trevas (não o Drácula, mas o Diabo mesmo, em pessoa). Tartini nos conta sobre este fascinante episódio:

“Uma noite sonhei que tinha feito um pacto com o diabo, o qual se dispôs a me obedecer, em troca de minha alma. Meu novo servo antecipava meus desejos e os satisfazia. Tive a ideia de entregar-lhe meu violino para ver se ele sabia tocá-lo. Qual não foi meu espanto ao ouvir uma Sonata tão bela e insuperável, executada com tanta arte. Senti-me extasiado, transportado, encantado; a respiração falhou-me e despertei. Tomando meu violino, tentei reproduzir os sons que ouvira, mas foi tudo em vão. Pus-me então a compor uma peça – Il Trillo del Diavolo – que, embora seja a melhor que jamais escrevi, é muito inferior à que ouvi no sonho”.

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Claro que naqueles tempos não se podia andar por aí falando que se trocou figurinhas com o Cão sem problemas, assim, Tartini primeiro se confidenciou com o amigo astrônomo francês Jerôme Lalande. O diabo teria chegado a desafiá-lo: “Esta nem você é capaz de tocar! He He He”. Ok, a risada foi ideia minha, mas não imagino de outra forma. A coisa não ficou por aí, dois anos depois o capeta retornou trazendo o resto da peça e Tartini completou a obra, que atipicamente para seu momento histórico em matéria de sonatas para violino, traz quatro seções; também, sutilmente e ousadamente faz soar o trítono acima mencionado. Esta narrativa atravessou os tempos e dizem que até mesmo a patalógica Madame Blavatsky a citou em seus abstrusos escritos esotéricos. Se alguém teria de carregar por alter ego a figura do Tinhoso seria o próprio Tartini – um prato cheio para os analista junguianos. Dizem até que o grande Alexandre Dumas teria nele se inspirado para criar seus heróis capa espada, pois que Tartini teve uma vida aventuresca, entre românticos raptos noturnos, duelos nas sombras, esgrimindo tão bem seu florete quanto o arco do seu violino. Um casamento secreto e uma perseguição que o levou a disfarçar-se de frade em Assis. Tartini nasceu em Pirano, que era um povoado de Veneza, porém uma recente mudança de fronteiras fez com que a cidade passasse a ser considerada eslovena e isso gerou uma rusga entre os países que passaram a disputar-lhe a nacionalidade, esquecendo-se de que o planeta é o mesmo e que a música, que é de todos, é o que importa de fato. Tendo as suas tropelias perdoadas por um cardeal, o compositor foi para Pádua, onde reencontrou sua esposa e lá permaneceu até que o seu velho companheiro de virtuosismos oníricos viesse carrega-lo deste mundo. Ali se dedicou à composição, ao ensino de sua arte e à escrita de tratados.

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Mas não é somente Tartini que seria o diabo em pessoa ao seu instrumento. Numa esquina do futuro outro endiabrado violinista esperava para executar com inusitada perfeição a obra diabólica: Roberto Michelucci. Soberbo artista, que foi durante anos solista no hierático I Musici; assim como Felix Ayo, Salvatore Accardo, Pina Carmirelli e outros. Conheci Tartini no vinil da Editora Abril, da série Mestres da Música, capa verde! Este disco trazia a deliciosa Sonata em Fá maior de opus 1 número 12, e um concerto para violoncelo também belíssimo. O violinista era Franco Gulli. Fiquei pasmo com o frescor daquela música, a riqueza melódica, a generosidade de um compositor que não sonega beleza em nome de ideias estéticas vigentes ou teóricas – uma das desgraças da música. Tartini é um compositor fronteiriço, não somente entre Itália e Eslovênia, mas entre o barroco e o clássico. Traz a leveza e a galanteria, mas não perdera ainda o sentido retórico e profundo do barroco. Rico em melodias surpreendentes e expressivas, pura beleza que na época só pude comparar com o magnífico Padre Ruivo, embora com audíveis diferenças. Uma música que para ser devidamente executada e compreendida exige um total comprometimento, entendimento e intensidade por parte do solista; e é precisamente isso que temos no formidável Roberto Michelucci. Além da sonata mefistofélica, o disco traz outra linda obra do mesmo gênero, a patética (no melhor sentido) Sonata Didone Abbandonata, evocação dos lamentos da princesa Dido, largada pelo ingrato Enéas (nada a ver com o Prona), literalmente a ver navios. As duas outras obras não ficam para trás como a pobre Dido. São também soberbas e de grande beleza. Até onde sei este disco não saiu em CD, e me parece que a explicação para isso só obteríamos junto ao amigo chifrudo de Tartini. Mas seja como for, por obra e graça seja de Deus ou do presente comensal, aqui temos Tartini por Michelucci. Um espetáculo que encantaria céus e infernos, sem dúvida.

Giuseppe Tartini – 4 Sonate per Violino

1 Sonata em Sol menor – Il trillo del Diavolo – Larghetto Affettuoso, Allegro, Andante e Presto.
2 Sonata em Sol menor – Didone Abbandonata – Affettuoso, Presto, Allegro.
3 Sonata em Lá menor – Andante Cantabile, Allegro, Allegro Assai.
4 Sonata em Lá maior – Largo, Allegro, Presto.

Roberto Michelucci – Violino
Marijke Smit Sibinga – Cravo
Franz Walter – Cello

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Tartini, antes e depois da possessão demoníaca.

Tartini, antes e depois da possessão demoníaca.

Wellbach

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Vivaldi / Tartini / Sammartini: Música de Câmara (Fire Beneath My Fingers)

Apesar do título feio — talvez seja uma citação erudita, sei lá — um belo CD do barroco italiano. Curti muito ouvir. O grupo Musica Pacifica toma o nome do oceano que banha os locais onde os membros da orquestra vivem, mas não há nada pacífico no desempenho desses seis concertos italianos. Em vez disso, por sua escolha de repertório e por suas decisões estilísticas, esses músicos parecem determinados a mostrar a alegria do barroco. Lembre-se, a Itália em torno de 1700 ainda era uma cultura de arrogância, onde os grandes personagens — reais e fingidos –, vestindo veludo preto, carregavam espadas e (pseudo) autoridade. As performances ardentes da Musica Pacifica são como aquelas lâminas nada pacíficas.

Vivaldi / Tartini / Sammartini: Música de Câmara (Fire Beneath My Fingers)

Vivaldi, Antonio
Chamber Concerto in F Major, RV 98, “Tempesta di mare”
1. I. Allegro 00:02:24
2. II. Largo 00:01:38
3. III. Presto 00:02:18

Tartini, Giuseppe
Violin Concerto in A Major, Op. 1, No. 8, D. 91
4. I. Allegro 00:07:27
5. II. Adagio 00:05:18
6. III. Presto 00:04:24

Vivaldi, Antonio
Trio Sonata in A Minor, RV 86
7. I. Largo 00:02:41
8. II. Allegro 00:02:31
9. III. Largo cantabile 00:01:57
10. IV. Allegro molto 00:02:11

Sammartini, Giuseppe
Recorder Concerto in F Major
11. I. Allegro 00:03:55
12. II. Siciliano 00:05:17
13. III. Allegro assai 00:03:56

Vivaldi, Antonio
Chamber Concerto in G Minor, RV 106
14. I. Allegro 00:02:51
15. II. Largo 00:02:39
16. III. Allegro 00:02:27

Bassoon Concerto in B-Flat Major, RV 503
17. I. Allegro non molto 00:04:44
18. II. Largo 00:03:36
19. III. Allegro 00:03:36

Total Playing Time: 01:05:50

Musica Pacifica Baroque Ensemble

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Giovanni Gerolamo Savoldo, Ritratto of a young man playing flute, about 1540 , Brescia

Giovanni Gerolamo Savoldo, Ritratto of a young man playing flute, about 1540 , Brescia

PQP

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Haydn, Mozart, Boccherini, Tartini: Obras para Violoncelo e Orquestra

Um CD imensamente agradável. Enquanto realizo algumas atividades aqui em casa, estou a ouvir essa música alegre, bela, simples, cheia de uma poesia comovente. Destaco o Concerto para cello de Mozart. Revela aquele aspecto mais essencial de Mozart: dizer de forma singela aquilo que nos comove, envolvendo-nos por completo. Mozart sempre me faz sentir bem. Tenho uma relação de prazer com a beleza e com a alegria todas as vezes que o escuto. Consigo identificar a música e as peculiaridades tão características do compositor à distância. No CD ainda temos Haydn, Boccherini e Tartini. Boa apreciação!

Joseph Haydn (1732-1809) – Divertimento for Cello and String Orchestra in D major
01. Adagio
02. Minueto & Trio
03. Allegro di molto

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concerto for Cello and Orchestra in D major K.447
04. Allegro
05. Romanze
06. Rondo

Luiggi Boccherini (1743-1805) – Adagio and Allegro for Cellor and String Orchestra in A major
07. Adagio
08. Allegro

Giuseppe Tartini (1692-1770) – Concerto for Cello and String Orchestra in D major
09. Poco Largo. Pomposo
10. Allegro Moderato
11. Grave espressivo
12. Allegro

Yuli Turovsky, cello
I Musici de Montréal Chamber Orchestra

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Joshua Reynolds (1723-1792): Autorretrato aos 24 anos

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Carlinus

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Giuseppe Tartini (1692-1770): A Sonata do Diabo (“Il Trillo del diavolo”, “O Trinado do Diabo”) e outras peças

IM-PER-DÍ-VEL !!!

“Uma noite sonhei que tinha feito um pacto com o diabo, o qual se dispôs a me obedecer, em troca de minha alma. Meu novo servo antecipava meus desejos e os satisfazia. Tive a ideia de entregar-lhe meu violino para ver se ele sabia tocá-lo. Qual não foi meu espanto ao ouvir uma Sonata tão bela e insuperável, executada com tanta arte. Senti-me extasiado, transportado, encantado; a respiração falhou-me e despertei. Tomando meu violino, tentei reproduzir os sons que ouvira, mas foi tudo em vão. Pus-me então a compor uma peça – Il Trillo del Diavolo – que, embora seja a melhor que jamais escrevi, é muito inferior à que ouvi no sonho”.

Giuseppe Tartini

Este é um dos CDs mais loucos que você vai ouvir. Mas é uma loucura inspirada. Andrew Manze, seguindo uma sugestão que está em uma das cartas de Tartini, livra-se de qualquer acompanhante e toca estas peças — normalmente executadas no mínimo com cravo contínuo — no violino solo. E Manze se utiliza de grande liberdade, improvisando, afastando-se do texto e voltando à partitura original. É um belo pesadelo e uma grande performance, altamente barroca. Se é “autêntica” ou não, eu não tenho a menor ideia. Manze não parece preocupado com isso. São execuções fluidas e livres, de bela sonoridade. Um CD inesquecível.

A vida de Tartini foi um tanto louca. Mesmo proibido pela família, casou-se secretamente com Elisabetta Premazzone, sobrinha de um cardeal que se opôs ao casamento. O feito rendeu-lhe uma ordem de prisão, o que levou Tartini a fugir para Assis, onde, disfarçado de Frade, se exilou no mosteiro da cidade.

Em Assis, Tartini se entregou ao estudo do violino, pesquisando novas metodologias e possibilidades sonoras do instrumento. Ali ele fez a descoberta do “Terzo Suono”, o terceiro som, um “fantasma sonoro” que pode ser percebido quando dois sons são intensos o suficiente para chegarem simultaneamente ao ouvido e gerar um terceiro som.

É um efeito semelhante ao dos sons binaurais. No violino, é comum executar este som, basta que o violinista toque notas duplas, se seu ouvido for sensível o suficiente ele ouvirá um terceiro tom, também conhecido como “Tons de Tartini”. Foi em seu livro Tratado de música segundo a verdadeira ciência da harmonia, que Tartini tornou o tema público.

Passados dois anos, Tartini foi perdoado e voltou imediatamente à companhia da esposa. Neste período, Tartini deu início a carreira de concertista.

Os três últimos parágrafos foram roubados daqui.

Giuseppe Tartini (1692-1770): A Sonata do Diabo e outras peças

“La Sonata Del Diavolo” En Sol Mineur
1 [Largo] 6:36
2 Allegro 6:06
3 Andante – Allegro – Adagio 6:18

De “L’Arte Del Arco” (14 Variations Sur La Gavotte De L’op. 5 n 10 De Corelli)
4 Theme Et Variation 1 1:00
5 Variations 2 Et 4 1:09
6 Variations 9, 15 Et 12 1:28
7 Variations 10 Et 20 1:52
8 Variations 29 0:46
9 Variations 30 0:38
10 Variations 33 2:04
11 Variations 34 1:11
12 Variations 23 0:53
13 Variations 38 1:11

Sonate En La Mineur
14 Cantabile 1:56
15 Allegro 1:57
16 [Andante] 4:50
17 Giga 2:33
18 Aria [Avec Vatiations] 1:40
19 Variations I 1:18
20 Variations II 3:52
21 Variations III 1:32
22 Variations IV 2:43
23 Variations V 1:19

“Pastorale” Pour Violon Scordatura
24 Grave 5:00
25 Allegro 3:30
26 Largo – Presto – Andante 4:59

Andrew Manze, violino

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Exemplo de execução da Sonata "Il Trillo del diavolo"

Exemplo de execução da Sonata “Il Trillo del diavolo”

PQP

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Giuseppe Tartini (1692-1770): Concertos

Tartini não tem a alegria de Vivaldi nem a categoria de Corelli. Está no segundo escalão do barroco italiano, mas de modo algum deve ser desconsiderado pelos melômanos, principalmente por aqueles que sofrem, como eu, de hipobarroquemia, isto é, de baixo teor de música barroca nos ouvidos, o que causa tremores, suores frios e profunda irritação. A interpretação dos solistas e do Ensemble 415 é uma coisa de louco. Mesmo! Vale a pena ouvir este disquinho!

Giuseppe Tartini (1692-1770): Concertos

1. Concerto grosso No.3 en – C Major: Grave
2. Concerto grosso No.3 en – C Major: Allegro – Adagio
3. Concerto grosso No.3 en – C Major: Allegro assai

4. Concerto pour violon et orchestra en – A Minor ‘Lunardo Venier’: Andante cantabile – Allegro assai
5. Concerto pour violon et orchestra en – A Minor ‘Lunardo Venier’: Andante cantabile
6. Concerto pour violon et orchestra en – A Minor ‘Lunardo Venier’: Presto

7. Concerto pour violoncelle et orchestre en – D Major: Largo
8. Concerto pour violoncelle et orchestre en – D Major: Allegro (assai)
9. Concerto pour violoncelle et orchestre en – D Major: Grave
10. Concerto pour violoncelle et orchestre en – D Major: Allegro

11. Concerto pour violon et orchestre en – G Major: Allegro
12. Concerto pour violon et orchestre en – G Major: Largo – Andante
13. Concerto pour violon et orchestre en – G Major: Presto

14. Concerto grosso No.5 en – E Minor: Largo
15. Concerto grosso No.5 en – E Minor: Allegro – Adagio
16. Concerto grosso No.5 en – E Minor: Allegro assai

Chiara Banchini e Enrico Gatti, violinos
Roel Dieltiens, violoncelo
Ensemble 415

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O homem tem até ESTÁUTA!

O homem tem até ESTÁUTA!

PQP

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Carmen Fantasy – Anne-Sophie Mutter

51N7ExvdDjLEspetacular CD dessa exímia e extraordinária violinista, que mostra a que veio em um repertório montado exatamente para mostrar a que veio. Não sobra pedra sobre pedra.

Com o perdão do exagero, este talvez seja o melhor disco que ela gravou em toda sua carreira, daqueles que servem para mostrar que ela não era apenas mais um rostinho bonito. Os destaques são, é claro, as obras de Pablo de Sarasate, que ela toca com uma perícia e uma técnica absolutamente estonteante. A “Tzigane” de Ravel, também é imperdível, mostrando como Mutter definitivamente não temia desafios, alíás, até hoje não os teme. Ela passa da loucura de Sarasate para a delicadeza de  Wieniawski, para logo em seguida nos levar ao devaneio de Massenet na “Meditation de Thais”, e à descontrução da “Carmen” de Bizet que Sarasate promoveu, enfim, ela transita nesse repertório incrível com a segurança e firmeza tipica dos grandes mestres.

Para ouvir e ouvir e ouvir e ouvir sem cansar.

1. Sarasate: Zigeunerweisen, Op.20
2. Wieniawski: Legende, Op.17
3. Tartini: Sonata For Violin And Continuo In G Minor, B. g5 – “Il trillo del diavolo”
4. Ravel: Tzigane, M.76
5. Massenet: Thaïs / Acte Deux – Meditation
6. Sarasate: Carmen Fantasy, Op.25 – Introduction. Allegro Moderato
7. Sarasate: Carmen Fantasy, Op.25 – 1. Moderato
8. Sarasate: Carmen Fantasy, Op.25 – 2. Lento assai
9. Sarasate: Carmen Fantasy, Op.25 – 3. Allegro moderato
10. Sarasate: Carmen Fantasy, Op.25 – 4. Moderato
11. Fauré: Berceuse, Op.16

Anne-Sophie Mutter – Violin
Wiener Philharmoniker
James Levine – Conductor

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Vivaldi (1678-1741): As Quatro Estações / Tartini (1692-1770): O Trilo do Diabo

É óbvio que eu amo Anne-Sophie Mutter, que a acho linda e que adoraria tê-la comigo em todas as noites após seus concertos e não-concertos. É óbvio que ela é uma extraordinária violinista, mas nada vai me impedir de dizer que este CD é uma porcaria, apesar do excelente repertório. O primeiro problema é o andamento marcial dado à obra de Vivaldi. Há pássaros e borboletas marchando em fila indiana sobre o arvoredo. Parece desenho animado. Em segundo lugar, há um fato pessoal. Eu não consigo mais ouvir música barroca tocada em instrumentos de hoje. Ao vivo, ainda dá para engolir, mas em disco não dá mais, me desculpem. Neste disco, parece que estão serrando Vivaldi em dois. Uma pena. Qualquer um pode discordar sem problemas, mas só depois de ouvir, tá?

Vivaldi (1678-1741): As Quatro Estações / Tartini (1692-1770): O Trilo do Diabo

1. Concerto for Violin and Strings in E, Op.8, No.1, R.269 “La Primavera” – 1. Allegro 3:36
2. Concerto for Violin and Strings in E, Op.8, No.1, R.269 “La Primavera” – 2. Largo 3:14
3. Concerto for Violin and Strings in E, Op.8, No.1, R.269 “La Primavera” – 3. Allegro (Danza pastorale) 4:21

4. Concerto for Violin and Strings in G minor, Op.8, No.2, R.315 “L’estate” – 1. Allegro non molto – Allegro 6:17
5. Concerto for Violin and Strings in G minor, Op.8, No.2, R.315 “L’estate” – 2. Adagio – Presto – Adagio 2:20
6. Concerto for Violin and Strings in G minor, Op.8, No.2, R.315 “L’estate” – 3. Presto (Tempo impetuoso d’estate) 2:33

7. Concerto for Violin and Strings in F, Op.8, No.3, R.293 “L’autunno” – 1. Allegro (Ballo, e canto de’ villanelli) 6:19
8. Concerto for Violin and Strings in F, Op.8, No.3, R.293 “L’autunno” – 2. Adagio molto (Ubriachi dormienti) 2:59
9. Concerto for Violin and Strings in F, Op.8, No.3, R.293 “L’autunno” – 3. Allegro (La caccia) 3:52

10. Concerto for Violin and Strings in F minor, Op.8, No.4, R.297 “L’inverno” – 1. Allegro non molto 3:39
11. Concerto for Violin and Strings in F minor, Op.8, No.4, R.297 “L’inverno” – 2. Largo 2:49
12. Concerto for Violin and Strings in F minor, Op.8, No.4, R.297 “L’inverno” – 3. Allegro 3:50

13. Sonata for Violin and Continuo in G minor, B. g5 – “Il trillo del diavolo” – 1. Larghetto affettuoso 3:56
14. Sonata for Violin and Continuo in G minor, B. g5 – “Il trillo del diavolo” – 2. Allegro 3:25
15. Sonata for Violin and Continuo in G minor, B. g5 – “Il trillo del diavolo” – 3. Andante – Allegro 1:12
16. Sonata for Violin and Continuo in G minor, B. g5 – “Il trillo del diavolo” – 4. Allegro assai 8:26

Anne-Sophie Mutter (violin & conductor)
Trondheim Soloists

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Anne-Sophie Mutter foi flagrada mandando PQP Bach tomar no cu

PQP

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Giuseppe Tartini (1692 – 1770) – Il Trillo del Diavolo e outras peças

Num CD de uma das novas estrelas do barroco especialista em instrumentos originais – o violinista Andrew Manze – trazemos a famosa Devil`s Sonata ou a Sonata Il Trillo del Diavolo de Giuseppe Tartini. O curioso desta excelente gravação é que Manze a interpreta, assim como às outras obras de Tartini que constam no neste CD da Harmonia Mundi France, em versão solo.

Tal postura não é nada diabólica, nem do outro mundo. Afinal, o próprio Tartini escreveu:

“Em minhas pequenas sonatas às vezes utilizo o baixo contínuo apenas per cerimonia. O correto é tocá-las sem o baixo contínuo.”

Mas o habitual é ouvir-se a Sonata acompanhada – até ostensivamente! – por cravo ou viola da gamba mais cravo ou por piano.

A seguir, em itálico, deixo uma notícia biográfica de Tartini retirada daqui.

Giuseppe Tartini nasceu em Pirano d’Istria (Itália) a 8 de abril de 1692. Muito cedo recebeu as primeiras lições de música e violino. Mas até os vinte anos pouco se interessou pela arte, dedicando-se ao estudo de direito na universidade de Pádua. Sua vida de jovem aristocrata sofreu brusca mudança ao casar-se secretamente com a sobrinha de um cardeal, o que lhe valeu ordem de prisão. Disfarçado de frade, Tartini conseguiu evadir-se, encontrando refúgio no convento dos franciscanos de Assis.

Perdoado pelo cardeal, Tartini voltou em Pádua à companhia da esposa, iniciando então a carreira de concertista. O sucesso enorme atraiu-lhe inúmeros discípulos de vários países, fundando ele uma escola de violino em Pádua (1728), logo denominada Escola das Nações. Adquiriu grande reputação como virtuoso e professor, onde teve Nardini com aluno. Tartini morreu em Pádua a 26 de fevereiro de 1770.

Durante o seu retiro, Tartini entregou-se intensamente ao estudo do violino, inclusive pesquisando novas possibilidades sonoras do instrumento. Ao mesmo tempo dedicado à composição, escreveu a célebre Sonata n.º 2 Op. 1 – Trilos do Diabo, cujo apelido provém do espantoso encadeamento de trilos no terceiro movimento. Segundo depoimento que o compositor fez a Lalande – e que este reproduziu durante a sua Viagem à Itália (1790) – a realização dessa sonata teria sido sugerida em sonho pelo próprio demônio. Até hoje a obra permanece como “peça de resistência” no repertório dos virtuoses.

Seu devotamento ao ensino resultou na feitura de trabalhos didáticos, entre os quais o Tratado de música segundo a verdadeira ciência da harmonia (1754). Além de ser o maior violinista do século XVIII, Tartini distingui-se como compositor responsável pela evolução do concerto e da sonata. São as sonatas que mais lhe valem a dupla glória de intérprete e criador. Entre elas se destacam a Sonata n.º 11 em sol menor Op. 11 – Didone, a Sonata n.º 1 em si bemol maior Op. 6 – Imperador, além da já mencionada Sonata n.º 2 Op. 1 – Trilos do diabo. Também são notáveis as Variações sobre um tema de Corelli.

P.Q.P. Bach, de volta.

1. La Sonata del Diavolo in G Minor – Largo
2. La Sonata del Diavolo in G Minor – Allegro
3. La Sonata del Diavolo in G Minor – Andante, Allegro, Adagio

4. L’arte del Arco – Theme & variation 1
5. L’arte del Arco – Variations 2 & 4
6. L’arte del Arco – Variations 9, 15, & 12
7. L’arte del Arco – Variatios 10 & 20
8. L’arte del Arco – Variation 29
9. L’arte del Arco – Variation 30
10. L’arte del Arco – Variation 33
11. L’arte del Arco – Variation 34
12. L’arte del Arco – Variation 23
13. L’arte del Arco – Variation 38

14. Sonata in A minor – Cantabile
15. Sonata in A minor – Allegro
16. Sonata in A minor – Andante
17. Sonata in A minor – Giga
18. Sonata in A minor – Aria (with variations)
19. Sonata in A minor – Variation 1
20. Sonata in A minor – Variation 2
21. Sonata in A minor – Variation 3
22. Sonata in A minor – Variation 4
23. Sonata in A minor – Variation 5

24. Pastorale for violin in scordatura – Grave
25. Pastorale for violin in scordatura – Allegro
26. Pastorale for violin in scordatura – Largo, Presto, Andante

Andrew Manze. violino solo

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