Korngold / Zemlinsky: Piano Trios – Beaux Arts Trio

Erich Wolfgang Korngold (1897-1957) foi um dos grandes fenômenos musicais que o século XX produziu. Menino prodígio, aos 11 anos já tinha sido reconhecido e elogiado por Mahler, que o recomendou para estudar com Zemlinsky e Richard Strauss, deixando-os, cada um à sua maneira, completamente atônitos com seu talento precoce e espontâneo. Escreveu sua primeira obra orquestral completa aos 14 e sua primeira ópera aos 16. Sua ópera de maior sucesso, Die tote Stadt, foi escrita quando ele contava 23 anos. Esse pequeno currículo já nos dá uma boa base da qualidade da música que vamos ouvir. É sempre bom lembrar que Korngold foi solicitado por Hollywood para escrever música de cinema, e acabou ficando por lá por conta da perseguição nazista que assolava a Europa no final da década 30. Apesar das trilhas sonoras de qualidade incomparável (que, a bem da verdade, ensinaram aos americanos como escrever para cinema), ele acabou decepcionado com oamerican way of life e faleceu em 1957 bastante desgostoso. Mas a obra ora apresentada faz parte da sua impetuosa juvenília, e deve-se procurar ouví-la sem saber que tinha 12 anos quando a escreveu (é seu opus 1). É obra de um compositor maduro.

O outro compositor, Alexander Zemlinsky (1871-1942), já foi apresentado aqui em outro post, mas fica a dica: trata-se de uma obra surpreendente, música de câmara da melhor qualidade, diria: brahmsiana. Também é obra de juventude e já demonstra o potencial da competência musical de Zemlinsky.

O que é bacana neste CD é ouvir uma espécie de retrato de uma época, virada de século, novas idéias, e, principalmente, duas obras muito próximas, escritas uma pelo mestre (Zemlinsky), e outra por seu pupilo (Korngold). Comprei este CD sem saber nada dessas obras e devo dizer com satisfação que nunca me arrependi; pelo contrário, cada vez recomendo mais.

Korngold: Piano Trio In D, Op. 1
1. Allegro Non Troppo, Con Espressione
2. Scherzo – Trio. Viel langsamer, innig – Allegro
3. Larghetto. Sehr langsam
4. Finale: Allegro Molto E Energico

Zemlinsky: Piano Trio In D Minor, Op. 3
1. Allegro Ma Non Troppo
2. Andante
3. Allegro

BEAUX ARTS TRIO

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Zemlinsky: Die Seejungfrau, Psalm XIII, XXIII – Chailly [link atualizado 2017]

Mais um compositor para os arquivos do PQP: Alexander von Zemlinsky (1842-1942), nascido em Viena e emigrado para os EUA, onde morreu durante a 2a. Guerra

Tenho sido aqui defensor dos compositores oprimidos e esquecidos, e este não foge à regra: na mesma linha de Hans Rott (embora mais velho), Zemlinsky também foi um compositor extremamente representativo no pós-romantismo alemão que antecedeu imediatamente a Segunda Escola de Viena, sendo também um professor destacado, que teve entre seus discípulos Schoenberg (de quem era cunhado) e Korngold.

Teve uma amizade de amor e ódio com o casal Gustav e Alma Mahler: Alma, em seu diário, conta que, antes de se casar com Mahler, foi cortejada por Zemlinsky, e, apesar de admirá-lo musicalmente, repudiou-o por ser feio como um gnomo (ela dizia: “ele não tem queixo!”). Manteve, por conta disso, certa inveja psicológica em relação a Mahler, chegando mesmo a escrever obras para concorrer com as de seu rival: sua Sinfonia Lírica, por exemplo, é a resposta ao Das Lied von der Erde. Enquanto esta é musicada sobre textos chineses e escrita para Contralto e Tenor, aquela é sobre textos hindus (do poeta Rabinadrath Tagore), e escrita para Soprano e Barítono.

Mesmo assim, frequentava a casa dos Mahler e chegou a ser contratado por Gustav para reger a ópera de Viena em 1907. Teve uma vida tumultuada e nunca conseguiu impor-se na mesma medida de sucesso que seus rivais, o que lhe rendeu muitas inimizades. Uma das obras que escolheu para musicar foi justamente o Salmo XXIII, que fala “Meu Deus, em vós confio: não seja eu decepcionado! Não escarneçam de mim meus inimigos!” e “Aliviai as angústias do meu coração, e livrai-me das aflições. Vede minha miséria e meu sofrimento, e perdoai-me todas as faltas. Vede meus inimigos, são muitos, e com ódio implacável me perseguem.”

Emigrou para a América por conta da perseguição nazista, mas suas tentativas de se estabelecer como compositor foram fracassadas, e acabou morrendo na miséria. Sua música foi banida da Alemanha nazista e só foi redescoberta recentemente. Para ajudar na correção deste sacrilégio musical, eis-me postando sobre ele.

Este CD tinha sido lançado originalmente pela DECCA numa edição normal, e logo em seguida saiu na coleção “Entartete Musik”, que reunia obras de compositores alemães suprimidas pelo Terceiro Reich.

E o disco é uma pérola, que mostra o imenso talento da escrita de Zemlinsky: um poema sinfônico em três movimentos baseados no conto de Hans Christian Anderssen, “A Pequena Sereia”. Obra empolgante e cativante, de riqueza temática, lírica e ao mesmo tempo bastante vigorosa. Meu amigo, o maestro Mateus Araujo, que me apresentou esta obra, costumava compará-la a Sheherazade, com alguns créditos a mais para ela. As demais obras são os Salmos XIII (maravilhoso) e o XXIII, já descrito anteriormente.

ZEMLINSKY: Die Seejungfrau (The little Mermaid), Psalms XIII & XXIII 
1. Die Seejungfrau – 1. Sehr Mässig Bewegt
2. Die Seejungfrau – 2. Sehr Bewegt, Rauchend
3. Die Seejungfrau – 3. Sehr Gedehnt, Mit Schmerzvollem Ausdruck
4. Psalm 13, Op.24
5. Psalm 23, Op.14
Riccardo Chailly – RSO Berlin, Ernst Senff Kammerchor

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Repostado por Bisnaga

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