Claude Debussy (1862-1918): Poèmes

Claude Debussy (1862-1918): Poèmes

Este é mais um arquivo que nos foi repassado pelo querido amigo pequepiano WMR.

Um surpreendente e bonito disco de obras pouco visitadas de Debussy. São canções muito bonitas, a quintessência da melodia francesa e também da arte do compositor. A cantora greco-alemã Stella Doufexis é sensível à música da língua francesa e tem pronúncia melhor que a maioria dos cantores franceses. Falo sério. Muitas vezes o disco torna-se mágico, recriando a atmosfera simbolista da virada do XIX para o XX. Estão aqui reunidos ciclos de poemas de autores esquecidos ou famosos (Mallarmé e Verlaine) onde a escrita refinada e tipicamente francesa de Debussy se expressa em total liberdade. Com seu tom caloroso, Stella Doufexies é a intérprete ideal destes poemas com humores às vezes escuros, às vezes felizes ou nostálgicos. Sua capacidade de trazer os textos para a vida é simplesmente fascinante. O acompanhamento preciso e em perfeita harmonia do especialista no gênero Daniel Heide, também é digno de nota.

Claude Debussy (1862-1918): Poèmes

1 Nuit D’étoiles 3:17
2 Fleur Des Blés 2:02
Deux Romances (04:18)
3 1. Romance 2:06
4 2. Les Cloches 2:12
Fêtes Galantes (07:30)
5 1. En Sourdine 3:05
6 2. Fantoches 1:14
7 3. Clair De Lune 3:11
Le Promenoir Des Deux Amants (06:22)
8 1. La Grotte 2:16
9 2. Crois Mon Conseil, Chère Climène 1:46
10 3. Je Tremble En Voyant Ton Visage 2:20
Trois Poèmes De Stéphane Mallarmé (08:33)
11 1. Soupir 3:14
12 2. Placet Futile 2:30
13 3. Éventail 2:49
Cinq Poèmes De Charles Baudelaire (28:00)
14 1. Le Balcon 8:22
15 2. Harmonie Du Soir 4:33
16 3. Le Jet D’eau 5:50
17 4. Recueillement 5:50
18 5. La Mort Des Amants 3:25

Mezzo-soprano Vocals – Stella Doufexis
Piano – Daniel Heide

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Imaginem o fiasco se Debby conhecesse o calor de Porto Alegre…

PQP

Richard Wagner – Götterdämmerung – Dernesch, Ridderbusch, Stewart, etc., Karajan, BPO

Götterdämmerung: a mais grandiosa das quatro óperas do ciclo O Anel do Nibelungo. Composta entre 1869 e 1874, sua estréia ocorreu no Bayreuth Festspielhaus, Bayreuth, em 17 de agosto de 1876, como parte da primeira apresentação completa da Saga do Anel. A Canção dos Nibelungos (conjunto de poemas medievais alemães), é a fonte de inspiração para o “O Crepúsculo dos Deuses”.
Götterdämmerung é musicalmente genial, embora seja narrativamente mais fraco (comparado à Die Walkürie e Das Rheingold). Temos uma Brünnhilde humana, um Hagen dual, um Gunther fraco, um Siegfried com seus defeitos e não mais estereotipado como na ópera anterior. Quanto tempo dura Götterdämmerung? O primeiro ato sozinho passa um pouco de duas horas, mais do que o La Bohème de Puccini em sua totalidade. Para a orquestra e os cantores, numa apresentação ao vivo, é um dos testes de resistência mais difíceis do repertório operístico. Para se ter uma idéia da grandiosidade desse espetáculo, nesta ópera está a cena mais difícil de se representar da história do teatro (última cena do último ato, falarei sobre ela). Analisando percebe-se que, narrativamente falando, sua duração imponente é parcialmente gratuita, com quase uma hora revirando a história e fazendo um resumão dos acontecimentos das três partes anteriores. Pode ser redundante, mas esta exposição ajuda alguém que não conhece as outras peças a entrar e acompanhar a história. A ópera em três atos mostra a caminhada de Sigfried e Brünnhilde ao encontro da morte, levando com eles os deuses e todo o mundo dos antigos. Um novo mundo pode nascer na Terra. Götterdämmerung é a tradução alemã para a palavra em nórdico antigo Ragnarök, que em português seria o Crepúsculo dos Deuses. Götterdämmerung continua a história de Siegfried, filho de Siegmund, e ainda mais que “Die Walkürie e Siegfried”, mudanças drásticas no mito ocorrem, inclusive a própria interpretação do Crepúsculo dos Deuses.

Bayreuther Festspiele 2010

Além das inovações formais já iniciadas por Wagner à ópera, temos em Götterdämmerung um prelúdio antes da 1ª cena. O prelúdio pode ser dividido em duas partes, a primeira onde as Nornas tecem o fio do destino, as três Nornas, filhas de Erda, tecem a trama do destino do mundo. Mas o fio com que trabalham rompe-se de repente, quando procuram desvendar o paradeiro do ouro do Reno: ali também se fazem sentir as consequências da maldição de Alberich. Doravante, o destino dos deuses está selado. O canto das Nornas é belíssimo, elas contam em poucas linhas a história passada e a futura. A segunda parte do prólogo, após uma breve e bela Orchesterzwischenspiel, mostra Siegfried e Brünnhilde saindo de uma gruta, onde a ex-Valkíria afirma que Siegfried deve prosseguir em sua jornada, com mútuas promessas de fidelidade Siegfried como prova de amor lhe dá o anel que tomou de Fafner e ela lhe dá o seu cavalo e seu escudo de Valkíria. Podemos ver no prólogo que o Siegfried de Götterdämmerung não é o mesmo Siegfried de “Siegfried”. O personagem está mais humano e heróico (até na música), e não é mais aquele estereótipo-bombadão. Dá uma prova de amor na mesma medida em que recebe. A música em Götterdämmerung é muito mais sóbria que nas outras óperas da saga, e não é exagerada como “Die Walkürie”, mas ainda possui peso e expressividade.

A primeira cena se passa no palácio de Gunter, próximo ao Reno. Gunter é o rei dos Gibichungos onde Hagen (meio-irmão do rei Gunther) e Gutrune (irmã) estão presentes. Gunther pergunta sobre sua popularidade, e Hagen (depois de fazer mistério), afirma que sua popularidade não é satisfatória porque ambos (Gunther e Gutrune) não são casados. Hagen, filho de Alberich e Grimhilde, mãe também de Gunther e da moça Gutrune, aproveita-se do diálogo para enredar os irmãos em seus planos: instigado por Alberich, pretende apossar-se do anel. Ambos devem casar-se, diz: Gunther com a bela Brunnhilde e Gutrune com o valoroso Siegfried. Não será fácil, porém, concretizarem o projeto, já que Brunnhilde vive cercada por uma barreira de fogo e Siegfried não vê encantos em mulher que não seja a ex-Valquíria. Uma possibilidade existe, no entanto; basta que Gutrune ofereça a Siegfried uma bebida mágica e o rapaz, a um só tempo, deixar-se-á enamorar por ela e consentirá em conquistar Brunnhilde para Gunther. Como no cinema e no teatro, na ópera também a conveniência das situações fala mais alto: Siegfried chega justamente quando estão discutindo como encontrá-lo. Hagen o convida para entrar, e fecha-se a cena.

A cena dois mostra como Siegfried e Gunther se conhecem pessoalmente. Sigfried convida Gunther para medirem forças, mas o outro prefere recebê-lo como hóspede. Siegfried desconhecia o poder do Tarnhelm, que Hagen explica seu poder. Gutrune dá a bebida do esquecimento a Siegfried, e ele esquece totalmente de Brünnhild, e promete tirá-la das chamas e entregar a Gunther em troca da mão de Gutrune. Siegfried foi enganado em sua ingenuidade (justificável, devido sua criação), e essa cena é muito coerente e bem feita, mas, há um ponto que foi esquecido: CADÊ A CLARIVIDÊNCIA DE SIEGFRIED??? O dragão lhe concedeu a clarividência em “Siegfried”, e aparentemente não foi capaz de usá-la agora… esquece, sem poção não há história, então…

Na terceira cena volta aonde está Brünnhilde, a Valkíria Waltraute chega, narrando a Brünnhilde a decadência do Walhalla. Waltraute tenta convencer a irmã de devolver o anel ao Reno (lembrando também da maldição de Alberich), o que Brünnhilde recusa-se a fazer. Após esse discurso, Waltraute vai embora triste, e Siegfried surge (disfarçado de Gunther devido o Tarnhelm). Siegfried subjuga Brünnhild para levá-la (como Gunther), mas ela reconhece sua voz (uma magnífica performance vocal, entre Tenor e Barítono), e ao final ele fala em sua voz normal, afirmando que ele e Gunther são irmãos de sangue.

A primeira cena do segundo ato é uma das mais sinistras e controversas. Hagen está na corte como guarda (adormecido) e Alberich aparece (ou não). Nessa cena há o diálogo entre Hagen e Alberich (filho e pai). Muito se infere desse diálogo, entre elas que Alberich não está materialmente, mas sim nos sonhos, e é uma projeção do próprio Hagen. Pode-se inferir também uma conexão do real e do onírico. A música é sombria, e o diálogo impressionante. Vale a pena conferir (AQUI libreto e texto). Na segunda cena do segundo ato Siegfried chega, afirmando a Hagen que tudo saíra como o planejado, e se coloca a disposição para organizar os dois casamentos. Temos uma melhor descrição de Hagen, que aparece esnobe e irônico. Na cena terceira temos mais Hagen, onde ele brinca com os soldados dando-lhes as boas novas, o que os soldados se espantam, pois, Hagen é carrancudo. Hagen aparece nesse ato múltiplo, mas coerente, podemos inferir algumas coisas sobre suas atitudes. A terceira cena é uma confusão, causada por Brünnhilde, e onde novamente Hagen se destaca. Siegfried defende-se e Brünnhilde o acusa, causando uma confusão geral onde ninguém entende nada (exceto o leitor/ouvinte). Na última cena do segundo ato, Hagen se oferece em amizade à Brünnhilde, e junto com Gunther tenta compreender a confusão da outra cena. Hagen incita a pena capital ao “traidor” Siegfried, enquanto Gunther como sempre indeciso e manipuladíssimo. Hagen pergunta a Brünnhilde se e como Siegfried pode ser morto, e ela o informa que ele é um herói poderoso e não pode ser vencido em combate, mas pode ser atingido pelas costas. A explicação aqui para a invulnerabilidade de Siegfried não é o sangue de dragão do Nibelungenlied, mas as artes de Brünnhilde que lhe protegem dos ferimentos. Como Siegfried jamais daria as costas em fuga para um inimigo, ela não o protegeu nas costas. A última cena do terceiro ato termina com Hagen convencendo Gunther a aceitar a morte de Siegfried. No terceiro ato, Siegfried se perde de seu grupo de caça (que incluia Gunther e Hagen), e depara-se com as ninfas do Reno. Elas lhe contam a história da maldição, e afirmam que Siegfried será liquidado assim como Fasolt, Fafner e todos que porem as mãos no anel. Siegfried não se importa.
Na segunda cena Hagen dá uma bebida a Siegfried (com poder inverso da outra), que lembra e conta sua história, Hagen pergunta-lhe se pode compreender uma ave que está a sua frente, e Siegfried olha-a. Nesse momento Hagen golpeia covardemente Siegfried pelas costas. Siegfried canta uma música à Brunnhilde enquanto ainda estava agonizando, e depois morre. Segue o cortejo fúnebre. Nessa cena aparecem duas das melhores músicas da ópera: a Canção de Siegfried e a Marcha Fúnebre de Siegfried. Na terceira cena o corpo do herói é levado para o palácio onde Hagen reivindica a posse do anel, que, no entanto, Gunther deseja oferecer a Gutrune. Há muita confusão e ação, nesta que é a cena mais difícil da história do teatro. Os dois homens se atracam, após acalorada discussão, e Gunther cai morto por Hagen, que logo procura tirar o anel do dedo de Siegfried. Mas a mão do herói se ergue, ameaçadora, e ele desiste, amedrontado. Brunnhilde aproxima-se e manda que se faça uma fogueira, onde deverá consumir-se o corpo de Siegfried: também se arroja à pira, montada no cavalo que fora seu e do amado. O importante aqui é o Discurso de Brunnhilde, onde muito se pode interpretar sobre toda a obra e a filosofia wagneriana. Transbordando, o Reno alcança o fogo e em suas águas lança-se Hagen, que desaparece levado pelas ondinas. Uma delas mostra, exultante, o anel recuperado. A corrente caudalosa reflui, enquanto a cena mostra, ao longe, as chamas atingindo o Walhalla, o palácio inteiro desmorona, e quando os deuses se reúnem em assembléia todo o cenário entra em chamas, o Reno se acalma, a música cresce a um grande clímax sobre os temas do Reno e do Walhalla, decrescendo com o motivo da redenção pelo amor soando nas cordas. Cai o pano e encerra a obra.

Assim terminamos todo o ciclo do anel, mas antes algumas considerações. Não há termo às reflexões que o drama desperta. Tudo está repleto de profundos símbolos nesse trabalho, vai do “super-homem” de Nietzsche ao profundo pessimismo de Shopenhauer, mas Wagner tudo reveste com o seu próprio simbolismo e ideologia. O desmoronamento do Walhalla é talvez o sonho de Wagner, de 1848, de ver o mundo apodrecido num mar de chamas desaparecer e das cinzas aparecer um mundo novo e virtuoso. As quatro óperas O Ouro do Reno (Das Rheingold), A Valquíria (Die Walküre), Siegfried e Crepúsculo dos Deuses (Götterdämmerung) totalizam 15 horas de espetáculo (três mil setecentas e cinqüenta páginas de música). Wagner é um gênio fora do comum, e essa obra causou uma influência absurda (positiva e negativa) em seu país, apesar de, como pessoa, Wagner ser pouco exemplar. O Anel dos Nibelungos de Wagner é uma obra ímpar.

Wagner Götterdämmerung – Personagens e intérpretes

Agora que terminamos os posts de todo o ciclo do Anel, torna-se possível ver a bela interpretação de Karajan do tremendo trabalho do começo ao fim. O refinamento e delicadeza da textura de Karajan, e a maior clareza dada às palavras são notáveis. Para começar com o Prelúdio do Ato 1, as Nornas: Christa Ludwig possui uma voz altamente individual é inconfundível, se encaixa bem no trio excelente e equilibrado formado com Lili Chookasian e Catarina Ligendza. No final da cena, Karajan faz com as três uma de suas transições finamente gerenciadas, aqui da melancolia ao nascer do sol e à luz do dia, terminando em um clímax brilhante pouco antes do dueto que se segue. Isso leva a Brünnhilde de Helga Dernesch e Siegfried de Helge Brilioth. A bela soprano lírica Dernesch, com sua ampla voz, com um valioso registro baixo, sua musicalidade inata, seu calor de expressão, suas notas altas colocadas com precisão infalível, fazem dela uma atraente Brünnhilde. A voz seca de Brilioth, é um pouco restrita no topo do seu alcance, mas ele fala bem e soa jovem. O excelente Gunther, de Thomas Stewart, transmite algo da dignidade, vaidade e desconfiança do rei. Karl Ridderbusch não tem a qualidade “negra” e nem é tão maléfico mas tem muita beleza em sua voz. Gundula Janowitz como Gutrune está à vontade e canta com um tom encantador. No Prelúdio do Terceiro Ato, as ondinas formam uma equipe equilibrada, Karajan trata a cena muito em seu “estilo de música de câmara”, isto é, com grande delicadeza e refinamento. É muito lindo. Brilioth é bom em suas conversas de troca com as garotas e também na longa narração de Siegfried que se segue quando Hagen e os caçadores entram. Ele canta a história naturalmente e interessa por toda parte, e coloca um patético ponderável em sua cena de morte. Orquestra Filarmonica de Berlim, bom, sensacional é pouco !!!!

Wagner Götterdämmerung

Helga Dernesch soprano – Brünnhilde
Helge Brilioth tenor – Siegfried
Karl Ridderbusch baixo – Hagen

Zoltán Kelemen baixo – Alberich
Thomas Stewart barítono – Gunther
Gundula Janowitz soprano – Gutrune
Christa Ludwig mezzo – Waltraute
Liselotte Rebmann soprano – Woglinde
Edda Moser soprano – Wellgunde
Anna Reynolds mezzo – Flosshilde
Lili Chookasian contralto – First Norn
Christa Ludwig mezzo – Second Norn
Catarina Ligendza soprano – Third Norn
Chorus of the German Opera Berlin, Berlin PhiIharmonic Orchestra / Herbert von Karajan

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI- DOWNLOAD HERE
CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 4 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Maddalena Laura Lombardini Sirmen (1745-1818): Seis Concertos para Violino Op. 3

Maddalena Laura Lombardini Sirmen (1745-1818): Seis Concertos para Violino Op. 3

No dia de hoje, só poderíamos postar uma compositora erudita. Uma mulher compositora nascida em 1745 foi, antes de tudo, uma heroína.  A elas mal era dada uma educação e, quando eram talentosas, vinha um marido, um pai ou toda a família para recolocá-la à sombra. Não se sabe quem foram os pais de Maddalena Lombardini Sirmen. Ela foi admitida num orfanato, o Ospedale dei Mendicanti em Veneza em 1753, lá tornando-se violinista. Em 1760 ela foi convidada para estudar com Tartini em Milão, mas problemas na viagem impediram o encontro. No entanto, Tartini descreveu seu método para Lombardini por meio de carta. Esta carta se transformou em um influente tratado de violino, que foi reproduzido em toda a Europa em 1770. Em 1766 ela se casou com o violinista Lodovico Sirmen e o casal começou uma turnê de concertos pela Europa. Em 1771, Lodovico se estabeleceu na Itália com sua filha, enquanto Maddalena permanecia em Londres para um período de duas temporadas como violinista de concerto. Sua música para cordas (principalmente quartetos e peças para violino solo, assim como alguns concertos) era bem conhecida durante sua vida e até foi publicada.

A gravação que ora apresentamos é a primeira deste repertório e, olha, vale a pena ouvir. Lombardini Sirmen está situada no período do início do classicismo e foi boa compositora.

Maddalena Laura Lombardini Sirmen (1745-1818): Seis Concertos para Violino Op. 3

1. CD 43’10”

Concerto No. 1 in B flat major 13’44”
I. Allegro 5’39”
II. Andante 3’41”
III. Rondo. Allegretto 4’24”

Concerto No. 2 in E major 15’10”
I. Allegro 6’04”
II. Andante 4’10”
III. Rondo. Allegro non tanto 4’57”

Concerto No. 3 in A major 14’02”
I. Allegro 6’00”
II. Adagio 3’56”
III. Rondo. Allegretto 4’06”

2. CD 44’23”
Concerto No. 4 in C major 14’08”
I. Allegro 6’09”
II. Largo 3’18”
III. Rondo. Allegretto 4’40”

Concerto No. 5 in B flat major 15’28”
I. Maestoso 6’39”
II. Andante 3’57”
III. Rondo 4’52”

Concerto No. 6 in C major 14’34”
I. Allegro 6’13”
II. Andante 3’20”
III. Rondo 5’01”

Cadenzas por Levente Gyöngyösi e Piroska Vitárius, violino

Piroska Vitárius, violin
Savaria Baroque Orchestra
Pál Németh

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Maddalena Laura Lombardini Sirmen

PQP

Sofia Gubaidulina (1931-): In croce, 10 Prelúdios para violoncelo, Quaternion

Sofia Gubaidulina (1931-): In croce, 10 Prelúdios para violoncelo, Quaternion

Enquanto vivia na União Soviética, Sofia Gubaidulina era pouco reconhecida, tendo composto trilhas sonoras para mais de vinte filmes para se sustentar. Desde 1990 ela vive na Alemanha e sua fama vem crescendo desde então.

Como descrever a música de Gubaidulina? É mais fácil explicar o que ela não é. Não é música nacionalista: em um entrevista recente ela diz que sua música não se tornou alemã nos últimos anos, porque ela compõe ouvindo sua voz interior. Não é música formalista, formada por regras lógicas: pelo contrário, mais parece uma música preocupada com texturas sonoras, timbrísticas e expressivas.

A obra In croce, para violoncelo e órgão, dá início a uma série que estou iniciando, focada na música para órgão do século XX.

Sofia Gubaidulina (1931-): In croce, 10 Prelúdios, Quaternion

1. In croce, para violoncelo e órgão (1979)
Dez Prelúdios para violoncelo (1974)
2. I. Staccato – Legato
3. II. Legato – Staccato
4. III. Con sordino – Senza sordino
5. IV. Ricochet
6. V. Sul ponticello – Ordinario – Sul tasto
7. VI. Flagioletti
8. VII. Al taco – Da punta d’arco
9. VIII. Arco – Pizzicato
10. IX. Pizzicato – Arco
11. X. Senza arco
12. Quaternion, para quarteto de violoncelos (primeira gravação)

Alexander Ivashkin – cello
with
Malcolm Hicks – organ (faixa 1)
Natalia Pavlutskaya – cello (faixa 12)
Rachel Johnston – cello (faixa 12)
Miranda Wilson – cello (faixa 12)

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Sofia Gubaidulina

Pleyel

Barbara Strozzi (1619-1677): Safo Novella

Barbara Strozzi (1619-1677): Safo Novella

safo-novella-uma-poetica-do-abandono-nos-lamentos-de-barbara-strozzi-vene-64758_m1EX-CEP-CIO-NAL !!! (só para não dizer IM-PER-DÍ-VEL !!! ). Tanto as composições quanto a realização. [Pequena intervenção de Ranulfus na postagem de CVL]

Esta é uma postagem atípica de minha parte, posto que sou notoriamente voltado para o repertório nacional e contemporâneo, mas emblemática: é de um CD com sete cantatas da veneziana Barbara Strozzi anexo ao livro Safo Novella, de Silvana Scarinci. A musicóloga paranaense (acho que ela é paranaense) estudou academicamente a vida e o legado dessa que foi a mais significativa compositora mulher do barroco e responsável pelo surgimento da cantata: cantata entendida não na sua forma barroco-tardia – dividida em movimentos, escrita para coro e orquestra e ligada a temas sacros – e sim como uma ária operística solta, de duração às vezes não tão curta quanto as de óperas, e destinada à execução em salões (e não em teatros). Tais cantatas não estavam vinculadas às formas em voga na ópera ou mesmo a formas-canção e atendiam à contingência de sua criadora, que não podia circular pela sociedade sem importunações devido à sua condição de cortesã, sublimada através da expressão da poesia de Safo. Saiba mais sobre o livro e o CD aqui.

***

Barbara Strozzi (1619-1677): Safo Novella

1. Giusta negativa – 04:44
2. L’astratto – 10:01
3. Lagrime mie – 10:42
4. Amor dormiglione – 03:03
5. Appresso ai molli argenti – 14:01
6. Moralità amorosa – 04:51
7. Hor che Apollo – 14:30

Intérpretes

Marília Vargas (soprano),
Luis Otávio Santos e André Cavazotti (violinos barrocos),
Sérgio Álvares (viola da gamba) e
Silvana Scarinci (tiorba)

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LINK ALTERNATIVO

CVL (publicado originalmente em 28.01.2011 — link revalidado em 2016 por Ranulfus, com insistência de PQP em 8 de março de 2019).

PS.: Recomendo aos estudiosos de música barroca e também da problemática dos gêneros na música a aquisição do livro, que contém as partituras de todas as peças do disco.

Catálogo de Barbara Strozzi

Babi Strozzi em 1640

CVL / Ranulfus / PQP

Joan Cabanilles (1644-1712): Batalles, Tientos & Passacalles

Joan Cabanilles (1644-1712): Batalles, Tientos & Passacalles

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Juan Bautista José Cabanilles (1644-1712) foi compositor e organista principal (a partir de 1666) da Catedral de Valência, na Espanha. Em 1668, ele foi ordenado padre, mas manteve sua posição como organista principal na catedral por mais de 40 anos. Mas esse CD não é de órgão. Este é um extraordinário e muito criativo registro da obra orquestral de Cabanilles. Olha, é de cair o queixo. Mais um tesouro desencavado pelo catalão Savall.

Joan Cabanilles (1644-1712): Batalles, Tientos & Passacalles

1. Batalla Imperial (J.C. Kerll) (Cabanilles) 5:21
2. Tiento De Falsas II (Cabanilles) 3:36
3. Passacalles I (Cabanilles) 2:36
4. Tiento Lleno 2o Tono (Cabanilles) 4:53
5. Corrente Italiana (Obertura) (Cabanilles) 4:12
6. Tiento De Falsas 8 Punt Alt (Cabanilles) 5:29
7. Passacalles IV (Cabanilles 2:00
8. Tiento XVIII Por A La Mi Re (Cabanilles) 7:28
9. Tiento I Ple (Cabanilles) 6:53
10. Tiento XVII De “Pange Lingua” Punt Alt (Cabanilles) 4:00
11. Tiento IX De Contres (Cabanilles) 15:08

Hespèrion XX
Jordi Savall

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O incansável Savall: desenterrando obra-primas atrás de obras-primas.
O incansável Savall: desenterrando obra-primas atrás de obras-primas.

PQP

Anton Bruckner (1824-1896) – Sinfonias nº 7, 8 e 9 – Bernard Haitink, Royal Concertgebouw Orchestra

Vamos então concluir esta série Haitink / Bruckner em grande estilo: suas últimas três sinfonias. Estou disponibilizando também o décimo primeiro CD desta caixa, que traz o Te Deum, só para não deixar a coleção incompleta.

Espero que tenham gostado. Bernard Haitink é o maior dos regentes vivos da atualidade, sem dúvida alguma. Por isso faço questão de apresentá-lo a quem não o conhece.

SYMPHONY NO.7 IN E MAJOR mi majeur · E-Dur 29
I Allegro moderato
II Adagio: Sehr feierlich und sehr langsam
III Scherzo: Sehr schnell – Trio: Etwas langsamer
IV Finale: Bewegt, doch nicht schnell

SYMPHONY NO.8 IN C MINOR ut mineur · c-Moll Robert Haas Edition, 1939
I Allegro moderato
II Scherzo: Allegro moderato – Trio: Langsam
III Adagio. Feierlich langsam, doch nicht schleppend
IV Finale: Feierlich, nicht schnell

SYMPHONY NO.9 IN D MINOR (Original version, 1894) ré mineur · d-Moll
I Feierlich, misterioso
II Scherzo: Bewegt, lebhaft – Trio: SchnellIII Adagio: Langsam, feierlich

TE DEUM WAB 45
I Te Deum laudamus soprano, contralto, tenor, chorus
II Te ergo soli III Aeterna fac chorus
IV Salvum fac soli, chorus
V In te, Domine, speravi soli, chorus

Elly Ameling soprano ·
Anna Reynolds contralto
Horst Hoffmann tenor ·
Guus Hoekman bass
Groot Omroepkoor (Netherlands Radio Choir)
Chorus master: Anton Krelage

Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink

SINFONIA Nº 7 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
SINFONIA Nº 8 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
SINFONIA Nº 9 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
TE DEUM

FDPBACH

Béla Bartók (1881-1945): Concerto para orquestra; Música para cordas percussão e celesta; Esboços húngaros

Béla Bartók (1881-1945): Concerto para orquestra; Música para cordas percussão e celesta; Esboços húngaros

ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL !!!

Eu sempre uso este bordão: Meus três compositores prediletos são Bach, Beethoven, Bartók e Brahms. E são mesmo! Bem, este CD recebeu vinte e cinco notas 5 (a máxima) na Amazon, três notas 4 e uma nota 1, dada por um louco, certamente. A gravação de Fritz Reiner é de se ouvir de joelhos, é a própria perfeição. É miraculosa a forma como ele e a Sinfônica de Chicago interpretam o Concerto para Orquestra e a grande Música para Cordas, Percussão e Celesta. Na História da Música Ocidental, Michèle Reverdy escreve:

Cada um dos quatro movimentos da Música é uma obra-prima: o primeiro é uma das mais belas fugas da história da música; o segundo, de grande dinamismo, joga com a heterofonia dos diferentes grupos orquestrais; no terceiro movimento, Bartók encontra as sonoridades mais desorientadoras: é aí que explora ao máximo os recursos das cordas, combinando-as de maneira inusitada com os timbres percussivos; o caráter de festa do final afirma-se na melodia principal em modo antigo — modo de fá — ritmado à búlgara.

O Concerto para Orquestra, mais tradicional, foi escrito no seu exílio em Nova Iorque, quando Bartók já sofria da leucemia que o matou. O nome se justifica pela alternância dos instrumentos como solistas.

Além de grande compositor, Bartók foi um ser humano da melhor qualidade. Sempre posicionou-se e prejudicou-se por sempre ter externado suas posições anti-nazistas. Mas falta-me tempo para escrever mais.

ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL !!!

Bartók: Concerto for Orchestra; Music for Strings, Percussion and Celesta; Hungarian Sketches

1. Concerto for Orchestra, Sz.116/Introduzione: Andante non troppo; Allegro vivace 9:55
2. Concerto for Orchestra, Sz.116/Giuoco delle coppie: Allegretto scherzando 6:02
3. Concerto for Orchestra, Sz.116/Elegia: Andante non troppo 7:59
4. Concerto for Orchestra, Sz.116/Intermezzo interroto: Allegretto 4:17
5. Concerto for Orchestra, Sz.116/Finale: Pesante; Presto 9:00

6. Music for Strings, Percussion and Celesta, Sz.106/Andante tranquillo 7:12
7. Music for Strings, Percussion and Celesta, Sz.106/Allegro 7:02
8. Music for Strings, Percussion and Celesta, Sz.106/Adagio 7:04
9. Music for Strings, Percussion and Celesta, Sz.106/Allegro molto 6:46

10. Hungarian Sketches/An Evening in the Village 2:51
11. Hungarian Sketches/Bear Dance 1:42
12. Hungarian Sketches/Melody 2:05
13. Hungarian Sketches/Slighty Tipsy 2:19
14. Hungarian Sketches/Swineherd’s Dance 2:02

Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner

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Bartók intrigado com o tuíte de Bolsonaro sobre o golden shower

PQP

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 7 (em transcrição para órgão)

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 7 (em transcrição para órgão)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu sei que Bruckner foi um grande organista e não deveria surpreender que suas sinfonias se adaptassem ao instrumento, mesmo assim tomei um susto ao ver minha amada sétima transcrita. Pois gostei. Achei que Stender saiu-se muito bem, apesar da estranheza com alguma falta de ênfase em momentos que os regentes atuais estão em paroxismo balançando os braços e a cabeça como os bonecos de ar dos postos de gasolina. Como sou um autêntico extra-terrestre, a 7ª é minha sinfonia preferida de Bruckner ao lado da 5ª (assim como minha sinfonia preferida de Mahler é a enorme 3ª…). É claro que Stender não chega nem próximo da impressão causada por uma gravação como a de Haitink, mas sua versão é quase tese. Será que Bruckner compunha pensando no órgão? Refiro-me, claro, ao órgão instrumento, não ao outro órgão, centro e razão de nossas vidas, até a de Bruckner, embora ele não soubesse. Não resisto a qualificar este humilde registro de uma obscura gravadora como IM-PER-DÍ-VEL !!!, mas apenas para quem gosta do estranho Anton Bruckner.

Bruckner: Sinfonia Nº 7 (em transcrição para órgão)

1. Allegro moderato 17:53
2. Adagio (Sehr feierlich und sehr langsam) 15:15
3. Scherzo (Sehr schnell) 9:38
4. Finale (Bewegt, doch nicht zu schnell) 13:05

Ernst-Erich Stender, transcrição e órgão

Ernst-Erich Stender an der Großen Orgel der St. Marienkirche zu Lübeck

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Mexendo no órgão de Bruckner

PQP

Anton Bruckner (1824-1896) – Sinfonias nº 4, 5 E 6, Bernard Haitink, Royal Concertgebouw Orchestra

Dando prosseguimento a esse ciclo Bruckner /Haitink/RCO, hoje teremos as sinfonias de nº 4, 5 e 6. A Quarta Sinfonia talvez seja a mais popular do compositor. Foi por meio dela que conheci este construtor de imensas catedrais sonoras, como li certa vez em algum lugar.

Para quem não sabe, não se tratam de registros recentes do maestro com sua querida orquestra. Ao contrário, são lá dos anos 60, quando Haitink encarou a difícil tarefa de assumir a direção desta orquestra. Nos próximos cinquenta anos suas identidades vieram a se fundir e se confundir. Foi ele quem a tornou a Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam a melhor orquestra dos últimos cinquenta anos, desbancando as poderosas Filarmônicas de Viena e de Berlim.  E isso não sou eu apenas quem estou afirmando. A crítica especializada já há muitos anos confirma isso.

Mas vamos ao que viemos. Bruckner com seu principal regente do final do século XX, e deste início de século XX, Bernard Haitink.

SYMPHONY NO.4 IN E FLAT MAJOR “ROMANTIC”

I Bewegt, nicht zu schnell
II Andante, quasi allegretto
III Scherzo: Bewegt – Trio: Nicht zu schnell, keinesfalls schleppend
IV Finale: Bewegt, doch nicht zu schnell

SYMPHONY NO.5 IN B FLAT MAJOR
I Introduction: Adagio – Allegro (Mäßig)
II Adagio (Sehr langsam)
III Scherzo: Molto vivace (schnell) – Trio: Im gleichen Tempo
24 IV Finale: Adagio – Allegro moderato

SYMPHONY NO.6 IN A MAJOR
I Majestoso
II Adagio. Sehr feierlich
III Scherzo: Nicht schnell – Trio: Langsam
IV Finale: Bewegt, doch nicht zu schnell

Bernard Haitink – Conductor
Royal Concertgebouw Orchestra

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SINFONIA Nº 5 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
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FDP

.: interlúdio :. Benedito Lacerda e Pixinguinha

PQPBach no Carnaval!

O senso comum pode enganar os desavisados. Muita gente que conhece superficialmente a vida e a obra de Pixinguinha expressa sua admiração com o talento desse músico negro que não teve estudos formais e outras platitudes desse tipo…

O que menos gente sabe é que Pixinguinha diplomou-se em teoria musical no Instituto Nacional de Música, foi maestro em orquestras e bandas de rádio, arranjador que conseguiu fundir ritmos brasileiros com estilos europeus e música negra americana. Ouçam, por exemplo, o seu arranjo para a versão original (1941) da marchinha Alalaô, cada vez mais popular no carnaval carioca nesses tempos de aquecimento global:

Ouviram as modulações feitas por quem obviamente sabia ler partitura? Ouviram a banda de sopros que às vezes soa como jazz? Pois é…

Dizem por aí que Pixinguinha foi uma das vítimas de uma certa patrulha ideológica que condenava os músicos que cultivavam influências estrangeiras. Segundo esse ponto de vista, que chegou a auge no nacionalismo do Estado Novo (1937-46), o samba tinha de ser 100% verde-amarelo.

Por exemplo em 1928, quando saiu o choro Lamento em disco 78 rpm, o crítico da revista Phono-Arte escreveu: “nessa música não se encontra um caráter perfeitamente típico. A influência da melodia e mesmo do ritmo da música dos norte-americanos é, nesse choro, bem evidente. Esse fato nos causou surpresa, porquanto sabemos o compositor um dos melhores autores da música típica nacional. É por esse motivo que julgamos este disco o pior dos quatro que a Orquestra Pixinguinha-Donga oferece-nos esta quinzena”

Uma breve pesquisa sobre a origem dos desfiles de escolas de samba – aquela coisa cronometrada, em linha reta que, não por acaso, teve origem na mesma década dos desfiles da juventude hitlerista – mostra essa busca por uma suposta “autenticidade brasileira”:

No desfile de 1933, organizado pelo jornal O Globo, o regulamento proibia o uso de instrumentos de sopro, proibição que permaneceu nos anos seguintes.

Também era obrigatório tratar de temas nacionais. Em 1938 a Escola de Samba Vizinha Faladeira foi desclassificada por ter apresentado o enredo “Branca de neve e os sete anões”.

O regulamento do desfile de 1946 apresentou uma novidade que significava o final de uma fase das escolas de samba: “É dever dos compositores da escola ou de quem responder pela segunda parte dos sambas não improvisar, trazendo a letra completa.” Manteve-se a proibição ao uso de instrumentos de sopro e, ao mesmo tempo, reconhecia como instrumentos próprios de escolas de samba violão, cavaquinho, pandeiro, tamborim, surdo, cuíca, reco-reco, tarol e cabaças.

E o Pixinguinha no meio disso tudo? Como os grandes gênios, Pixinguinha voa muito acima dessas limitações dos teóricos da carioquice e da brasilidade…

Para o músico Marcel Nicolau, “Pixinguinha é quase um semideus. Ele é uma daquelas pessoas que são poucas na humanidade e que, por algum motivo, nascem. É um dos nossos maiores maestros, apesar das pessoas só o conhecerem através do choro. Ele está dentro do nascimento do samba, do choro e da música instrumental brasileira.”

Há também o racismo, é claro. Em 1922, quando o grupo de Pixinguinha tocava em Paris, Benjamin Constallat relatou que “segundo os descontentes, era uma desmoralização para o Brasil, ter na principal artéria de sua capital uma orquestra de negros! Que iria pensar de nós o estrangeiro?”. Ao que parece, foram poucos esses descontentes e a temporada dos Oito Batutas durou 6 meses contínuos em Paris, onde ele teve contato com o saxofone, que com o tempo destronaria a flauta como seu instrumento principal.

Nas gravações com Benedito Lacerda, dos anos 40, Pixinguinha resume sua arte contrapontística, fazendo os graves no sax enquanto a flauta de Lacerda fazia os agudos. O músico contou a um jornal, na época: “O Benedito Lacerda me procurou para gravarmos umas músicas minhas. Só choros. Negócio mais ou menos grande. São 25 discos de uma só tacada e as condições são boas. Além disso, as edições das músicas.”

Pixinguinha é um desses gênios muito maiores do que a censura, do que o nacionalismo e outros refúgios dos canalhas. As censuras d’O Globo passam, a falsa autenticidade verde-amarela passa, a arte fica.

1. André de sapato novo (1947)
Compositor: André Victor Correia

2. Atraente (1950)
Compositores: Chiquinha Gonzaga, Hermínio Bello de Carvalho

3. Um a zero (1946)
Compositores: Pixinguinha, Benedito Lacerda

4. Ainda me recordo (1947)
Compositores: Pixinguinha, Benedito Lacerda

5. O Gato e o canário (1949)
Compositores: Pixinguinha, Benedito Lacerda

6. Naquele tempo (1946)
Compositor: Pixinguinha

7. Língua de preto (1949)
Compositor: Honorino Lopes

8. Vou vivendo (1946)
Compositores: Pixinguinha, Benedito Lacerda

9. Devagar e sempre (1949)
Compositor: Pixinguinha

10. Displicente (1950)
Compositor: Pixinguinha

11. Sofres porque queres (1946)
Compositor: Pixinguinha

12. Soluços (1949)
Compositor: Pixinguinha

Flauta: Benedito Lacerda (1903-1958)
Saxofone Tenor: Pixinguinha (1897-1973)

Obs.: Ficha técnica do disco sem créditos aos arranjadores e aos outros músicos que participam do disco. Lançamento em CD supervisionado por Charles Gavin. As datas entre parêntesis ao lado dos nomes das músicas indicam o ano original de gravação. Os créditos de algumas composições à dupla Pixinguinha/Benedito Lacerda talvez sejam mais por cortesia e amizade, conforme citação acima: “umas músicas minhas”.

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Referências:
Escolas de samba do Rio de Janeiro. Sérgio Cabral

Dicionário Cravo Albin da MPB

Pixinguinha, quintessência da música popular brasileira. Luís Antônio Giron.

“Chorinho é um negócio sacudido e gostoso” – Pixinguinha

Pleyel

Vivaldi – Concerti per Mandolini – I Solisti Veneti – Claudio Scimone

Vivaldi – Concerti per Mandolini – I Solisti Veneti – Claudio Scimone

Viva Vivaldi!

Concerti per Mandolini

I Solisti Veneti

Claudio Scimone

 

Antonio Vivaldi, o padre vermelho, nasceu no dia 4 de março de 1678, em Veneza. Ele renasceria em 1950, como nos conta H. C. Robbins Landon no seu livro Vivaldi, Voice of the Baroque. Landon conta que estava em uma loja de discos em Nova Iorque quando ouviu pela primeira vez, assim como os atendentes da loja e os outros clientes, a famosa gravação das Quatro Estações pelo selo Cetra.

Capa do LP com As Quatro Estações”, lançada pelo selo Cetra

Essa música que havia estado adormecida nas prateleiras das bibliotecas por duzentos anos (o dobro da Bela Adormecida) ressurgia para dar início a um dos maiores sucessos da música clássica, a música de Antonio Vivaldi. O renascimento, pelo menos da música, se deve muito a Gian Francesco Malipiero, outro importante veneziano. E como se diz nestas ocasiões, o resto é história…

Eu ouço música de Vivaldi desde antes do movimento dos instrumentos de época. Às vezes nem tanto, mas sempre sofro recaídas. Eram nosso campeões de Vivaldi: I Musici, Raymond Leppard e The English Chamber Orchestra, Neville Marriner e The Academy of St. Martin-in-the-Fields, entre os ingleses. Havia também Jean-Claude Malgoire e La Grande Ecurie & La Chambre du Roy, tantos mais. Depois vieram os HIP (historically informed performance) Christopher Hogwood e The Academy of Ancient Music, Trevor Pinnock e The English Concert. Os italianos Fabio Biondi, Rinaldo Alessandrini e tantos outros.

Capa da edição do disco do post em LP

Hoje, em homenagem a esta tão importante figura da música, alguém que teve suas obras estudadas e adaptadas por Johann Sebastian Bach, apresento um CD que mata um pouco a saudade daqueles dias anteriores ao HIP. Este CD, aos cuidados de musicos venezianos, mostra que a (boa) música tem um brilho que transcende até mesmo modismos interpretativos.

Aproveite a folga do Carnaval para ouvir este brilhante disquinho com lindos e sonoros concertos vivaldianos.

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerto em sol maior, RV 532

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro

Concerto em dó maior, RV 425

  1. Allegro
  2. Largo
  3. (Allegro)

Concerto em dó maior, RV 558

  1. Allegro molto
  2. Andante molto
  3. Allegro

Concerto em ré maior, RV 93

  1. (Allegro giusto)
  2. Largo
  3. Allegro

I Solisti Veneti

Ugo Orlandi e Dorina Frati, mandolines
Claudio Scimone

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Viva, Vivaldi! Desfrutem!

René Denon

 

 

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Piano Nº 2, Op. 83

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Piano Nº 2, Op. 83

O Concerto para Piano e Orquestra Nº 2 de Brahms é separado por 22 anos do primeiro. É excelente, mas não tanto quando este. Brahms começou a trabalhar na peça em 1878 e a concluiu em 1881. A estréia do concerto foi em Budapeste, em 9 de novembro de 1881, com o próprio Brahms como solista. Foi um sucesso imediato e ela passou a excursionar com seu belo concerto por toda a Europa. Afinal, a grana rules.

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Piano Nº 2, Op. 83

1. Piano Concerto No.2 In B Flat, Op.83 – 1. Allegro Non Troppo  19:17
2. Piano Concerto No.2 In B Flat, Op.83 – 2. Allegro Appassionato  9:21
3. Piano Concerto No.2 In B Flat, Op.83 – 3. Andante – Più Adagio 12:08
4. Piano Concerto No.2 In B Flat, Op.83 – 4. Allegretto Grazioso – Un Poco Più Presto 10:00

Claudio Arrau
Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink

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Paciência: Haitink é muito maior que o Arrau

PQP

Anton Bruckner (1824-1896) – Sinfonias nº 0, 1, 2 e 3 – Haitink, Royal Concertgebouw Orchestra

Inicio aqui um ciclo das sinfonias de Bruckner sempre sob responsabilidade de Bernard Haitink, um dos maiores e mais importantes maestros da atualidade, uma verdadeira lenda nos tablados. Ele tem o toque de Midas, tudo o que grava é ouro, ainda mais quando está à frente da poderosíssima Orquestra do Concertgebouw, de Amsterdam.

Em outras palavras, Bruckner-Haitink-RCO é mais que sinônimo de qualidade, é sinônimo de excelência. E esta postagem está sendo uma singela e inocente homenagem aos seus 90 anos de idade, que completa hoje, dia 04 de março. A gravadora DECCA recém lançou duas caixas com gravações de Haitink, uma é esta que estou trazendo, dedicada a Bruckner, e outra dedicada a  Mahler. Só pauleira, só material de primeira linha e qualidade.

“A pesquisa completa de Bernard Haitink sobre as sinfonias de Bruckner deve muito a um edifício, o Amsterdam Concertgebouw, um dos grandes templos culturais do século 19, e à sua orquestra residente. Também se fortaleceu com o espírito de recuperação pós-guerra e com o crescimento econômico renovado na Holanda, que impulsionou a gigante holandesa de eletrônicos Philips e sua gravadora homônima. Ao escrever a série Bruckner de Graminkhone de Haitink, o radialista e musicólogo Deryck Cooke captou a essência de um ciclo que continua a manter seu lugar entre os melhores do catálogo. “Não posso pagar a Haitink nenhum tributo maior do que dizer que, quaisquer que sejam as reservas que eu possa ter sobre o desempenho deste ou daquele movimento, o efeito geral de cada sinfonia é tal que não consigo pensar em nada melhor, e poucos como bons”.

Assim se inicia o texto de apresentação do booklet deste Ciclo poderosíssimo, que tenho o orgulho de possuir, assim como o de Mahler.

SYMPHONY N0.0 IN D MINOR ré mineur ·
Symphonie in d-Moll “Die Nullte”
1 I Allegro 14.29
2 II Andante 13.01
3 III Scherzo: Presto – Trio: Langsamer und ruhiger 6.34
4 IV Finale: Moderato – Andante – Allegro vivace 9.47

SYMPHONY NO.1 IN C MINOR (Linz version, 1866) ut mineur (Version de Linz) · c-Moll (Linzer Fassung)
5 I Allegro molto moderato 12.01
6 II Adagio 13.02
7 III Scherzo: Lebhaft
8 IV Finale: Bewegt, feurig 12.39

SYMPHONY NO.2 IN C MINOR ut mineur · c-Moll Robert Haas Edition, 1938
9 I Ziemlich schnell 17.40
10 II Adagio. Feierlich, etwas bewegt 15.10
11 III Scherzo: Schnell 8.11
12 IV Finale: Mehr schnell – Sehr schnell 17.20

SYMPHONY NO.3 IN D MINOR (Second version, 1877) ré mineur “Wagner-Symphonie” (Version de 1877) d-Moll (Fassung von 1877)
13 I Gemäßigt, mehr bewegt, misterioso 19.20
14 II Adagio. Bewegt, quasi andante 14.42
15 III Scherzo: Ziemlich schnell 6.58
16 IV Finale: Allegro

Royal Concergebouw Orchestra
Bernard Haitink

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La Folia – Corelli, Marais, Martín y Coll e outros – Jordi Savall

La Folia – Corelli, Marais, Martín y Coll e outros – Jordi Savall

La Folia

1490 – 1701

Corelli, Marais, Martin y Coll,

Ortiz & Anônimos

A motivação para este disco é o carnaval. Evoé, Momo! É claro que poderíamos escolher o Carnaval, de Schumann, mas isso parece muito batido. Então, hoje, vamos de Folia!

Minha primeira lembrança de Folia, em música, é a Sonata de Corelli, que conheci do disco do Grumiaux. Meus dois CDs desta gravação (Sonatas Op. 5, de Corelli, Grumiaux e Castagnone) enferrujaram (sigh…). Tenho ainda  uma cópia virtual em algum lugar. Mas, a postagem de hoje é com Savall, Jordi Savall!

Neste disco ele reuniu oito peças inspiradas nesta dança que (aprendi no livreto) surgiu em Portugal, como nos ensina Gil Vicente, o do teatro. São danças associadas às pessoas simples, pastores e camponeses. Daí também vem o nome, Folia, de folia mesmo.

Jordi Savall, Ariana Savall, Rolf Lislevand e Pedro Estevan

As cinco primeiras faixas do disco são relativamente curtas e servem para esquentar o clima, despertar nossas atenções. A sonoridade das peças, desde os primeiros acordes do disco, deixa claro que a produção é de altíssima qualidade. O conjunto liderado pelo Savall é ótimo. Atenção especial para o Rolf Lislevand, um bamba. Norueguês enorme, toca todo tipo de viola, violão, guitarra, tiórba, o que você imaginar.

Para mim, o núcleo deste disco são as faixas seis, com suas Diferencias sobre las Folias, de Antonio Martín y Coll, e sete, a Sonata de Corelli, aquela do Opus 5. Diferencias aqui significa variações e eu não conhecia qualquer peça de Martín y Coll. Eu que tenho um fraco pelas variações, gostei. Na corelliana sonata, Jordi toca uma viola da gamba soprano, muito lindo!!

A peça final, de Marin Marais, segue ainda por dezoito minutos, mas eu já havia colocado o disco lá, bem alto, na minha lista.

Outros compositores se deixaram inspirar pelas folias, entre eles Alessandro (o pai do Domenico) Scarlatti, Vivaldi e até gente da família aqui, o Carl Philipp Emanuel. Outros ainda, como Rachmaninov e suas Variações sobre um tema de Corelli e até Liszt, que caiu na folia com a Rapsódia Espanhola, são mais tardios, mas provam que a inspiração continuou.

De qualquer forma, o que temos para hoje é o magnífico time do Jordi Savall com suas variações e diferenças sobre a Folia!

 

  1. Anônimo – Folia: Rodrigo Martinez (1490) (Improvisations D’Après Le Villancico Du Cancionero De Palacio)
  2. Diego Ortiz – Recercada Quarta Sobre La Folia (1553)
  3. Antonio de Cabezón – Folia: Para Quien Crié Yo Cabellos (1557) (D’Après Venegas De Henestrosa)
  4. Diego Ortiz – Recercada Ottava Sobre La Folia (1553)
  5. Juan del Enzina – Folia: Hoy Comamos Y Bebamos (Vers 1520) (Improvisations D’Après Le Villancico De Juan Del Enzina)
  6. Antonio Martín y Coll – Diferencias Sobre Las Folias (D’Après Le Mss. Flores De Música 1357-60 Madrid Bibl. Nacional (1706-1709))
  7. Arcangelo Corelli – Follias (1700) (Op. 5 Roma 1700 / MS. VM7 6308 Paris Bibl. Nationale)
  8. Marin Marais – Couplets De Folies (1701) (Seconde Livre De Pièces De Viole, Paris 1701)

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Savall, caindo na Folia!

Aproveitem!

René Denon

Ernest Bloch (1880-1956): Quintetos para Piano

Ernest Bloch (1880-1956): Quintetos para Piano

Bom disco de um compositor meio esquecido. As obras deste CD são bastante desiguais, talvez resultado do fato de serem de diversas fases da longa carreira deste compositor suíço naturalizado estadunidense. Há coisas de entusiasmar e outras nem tanto. O que é sempre impecável é a atuação do grupo de instrumentistas. Os CDs da Hyperion, como sabemos, costumam  trazer boas interpretações vindas de gente nem sempre conhecida. É o caso, mais uma vez.

Ernest Bloch (1880-1956): Quintetos para Piano

1. Piano Quintet No.1 – I. Agitato
2. Piano Quintet No.1 – II. Andante mistico
3. Piano Quintet No.1 – III. Allegro energico

4. Night (for string quartet)

5. Paysages – 1. North: Molto moderato
6. Paysages – 2. Alpestre: Allegretto
7. Paysages – 3. Tongataboo: Allegro

8. Two Pieces for String Quartet – 1. Andante moderato
9. Two Pieces for String Quartet – 2. Allegro molto

10. Piano Quintet No.2 – I. Animato
11. Piano Quintet No.2 – II. Andante
12. Piano Quintet No.2 – III. Allegro

Piers Lane: piano
Goldner String Quartet

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Ernest Bloch:
Ernest Bloch:

PQP

Schubert – Lieder – Dietrich Fischer-Dieskau & Gerald Moore

Schubert – Lieder – Dietrich Fischer-Dieskau & Gerald Moore

Lieder – Um gosto adquirido!

Lieder é a palavra alemã que significa canções, no plural. Lied é o singular, canção. Quando usamos Lied (ou Lieder), estamos nos referindo a uma canção com letra em alemão, com acompanhamento ao piano. Às vezes, o acompanhamento é feito por uma orquestra mas, quase sempre, piano.

Schubert não foi o primeiro a compor Lied, Mozart e Beethoven, por exemplo, o fizeram antes dele. No entanto, Schubert realmente tinha um talento imenso para isso. Em sua breve existência, compôs mais de seiscentos Lieder. Entre essas canções, dois ciclos – Die Schöne Müllerin e Winterreise, ambos com poesia de Willelm Müller. O ciclo chamado Schwanengesang difere um pouco dos anteriores por ser  uma reunião de canções com poesias de três diferentes poetas. Foi assim arranjado e nomeado pelo editor que esperava assim divulgar essas últimas canções.

Ao contrário de outros compositores seus contemporâneos, Schubert não tinha facilidade de ter sua obra orquestral executada. A Sinfonia Inacabada assim ficou não por falta de inspiração ou, mais tragicamente, pela morte do compositor. É mais provável que a falta de perpectiva de execussão tenha levado seus esforços para outras obras. Se bem que os dois movimentos formam bem mais do que um simples torso, eles realmente se completam. Schubert não ouviu suas duas grandes e últimas sinfonias. Assim, sua obra é repleta de Lieder, música para piano, música de câmera (ah, o Quinteto de Cordas…).

Schubert e Vogl

Essas obras sim, eram muito e bem executadas. Schubert esteve sempre rodeado de amigos, em especial o barítono Michael Johann Vogl, que divulgou as canções de Schubert até o fim de sua vida.

Mas, vamos ao disco! Ouvir Lieder é o que podemos chamar, um gosto adquirido (an acquired taste). Nem todo mundo, mesmo entre os que apreciam música, exercem essa excentricidade.

Aqui está a minha proposta: ouça este disco, assim, umas dezessete vezes. Se, depois disto, você não gostar, então é provável que Lieder não  seja a sua praia. Mas, se você tiver uma mínima queda para isso, logo depois da segunda ou terceira vez que ouvir o disco, estará cantarolando ou acompanhando o ritmo, mesmo que, se assim como eu, não for versado em alemão, língua danada de difícil.

Como Schubert era capaz de musicar qualquer poema – de grandes, imensos poetas, até seus menos dotados amigos, suas escolhas para as letras eram assim, um pouco erráticas. Sabe-se lá o que, no poema, lhe inspirava e o colocava ação? Uma vez que o poema lhe tocasse, lá estava a correta melodia, o acompanhamento justo…

Mesmo sem o domínio da língua, se você que adentrar este território, vale a pena estar atento para algumas coisas. Alguns temas são recorrentes e sabendo disto, é mais fácil entrar no clima. Por exemplo, a ideia do caminhante – Wanderer – o cara que sai pela floresta, admirando a natureza, é bem comum. Algumas palavras indicam o caminho: tiefer Nacht (a noite lá é sempre profunda…), Wasser (água, mas assim, água corrente, o riozinho…), Ruh’ (paz, descanso…), Einsame, Abendrot.

Se há alguma chance de que você goste de Lieder (se você já gosta, então sabe do que estou falando), este disco é um ótimo ponto de partida.

Dietrich Fischer-Dieskau dedicou grande parte de sua vida aos Lieder – excelente intérprete, voz inconfundível, também escreveu muito sobre a arte da interpretação. Aqui é acompanhado por Gerald Moore, o decano dos pianistas que acompanham cantores.

O disco é repleto de gemas, peças curtas, lindas melodias com acompanhamento de piano, uma combinação vencedora. Não coloque o disco de lado sem ouvir Auf dem Wasser zu singen, Du bist die Ruh’, Ständchen, faixa 5, há duas canções no disco com este nome. Esta é do Schwanengesang. Der Lindenbaum, do ciclo Winterreise, também tem carreira solo. Die Forelle, canção cujo tema foi usado em um magnífico quinteto com piano. Heinderöslein, com poesia de Goethe e, ímpossível não mencionar o Erlkönig, também com letra de Goethe. Este é o Lied dos Lieder. Nesta canção o cantor interpreta quatro personagens, tudo isso em quatro minutos.

Mas, chega de falar, deixo o Dietrich e o Gerald encarregados de convencê-lo das artes de Schubert. Você pode descobrir que vale a pena adquirir certos gostos.

Schubert – Lieder 

  1. Schubert: Auf dem Wasser zu singen, Op.72, D.774
  2. Lachen und weinen, Op. 59/4, D.777
  3. Du bist die Ruh’, Op. 59/3, D.776
  4. Der Wanderer, Op.4/1, D.493 – Ich komme vom Gebirge her
  5. Ständchen “Leise flehen meine Lieder”
  6. Der Einsame, Op.41, D.800
  7. Im Abendrot, D.799 – O wie schön ist deine Welt
  8. An Sylvia, Op. 106 No. 4, D. 891
  9. Ständchen “Horch, horch, die Lerch!” D.889
  10. Sei mir gegrüsst, Op.20/1, D.741
  11. Seligkeit, D.433
  12. Der Lindenbaum
  13. Die Forelle, Op. 32, D. 550
  14. Rastlose Liebe, Op. 5 No. 1, D. 138
  15. Heidenröslein, Op. 3 No. 3, D. 257
  16. An Schwager Kronos, Op. 19 No. 1, D. 369
  17. Wandrers Nachtlied I, Op. 4 No. 3, D. 224
  18. Erlkönig, Op. 1, D. 328
  19. Der König in Thule, Op. 5 No. 5, D. 367
  20. Jägers Abendlied, Op. 3 No. 4, D. 368
  21. Der Musensohn, Op. 92 No. 1, D. 764
  22. Wandrers Nachtlied II, Op. 96 No. 3, D. 768

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Schubert, dando um tempo…

Não deixe de ouvir!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Os Concertos para Piano (completo)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Os Concertos para Piano (completo)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Apenas pelo fato de serem os cinco concertos para piano de Beethoven já seria imperdível. Só que devemos somar a isso o fato de estarmos frente uma gravação que é um belo petardo desferido pela Deutsche Grammophon em 2007 e que agora chega aos privilegiados ouvidos pequepianos. Pletnev, Gansch e a Orquestra Nacional russa realizam um prodígio que você deve ouvir.

Os discos saíram assim: o primeiro com os concertos 1 e 3, o segundo com os 2 e 4 e o terceiro com o quinto. PQP pôs na ordem para vocês. Os três últimos são registros de gravações ao vivo em que havia — sim, sei, lugar-comum — eletricidade no ar.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827):
Os Concertos para Piano (completo)

Piano Concerto No.1 in C major, Op.15
1) 1. Allegro con brio [13:37]
2) 2. Largo [10:19]
3) 3. Rondo (Allegro scherzando) [8:49]

Piano Concerto No.2 in B flat major, Op.19
1) 1. Cadenza: Ludwig van Beethoven [13:45]
2) 2. Adagio [8:28]
3) 3. Rondo (Molto allegro) [6:11]

Piano Concerto No.3 in C minor, Op.37
4) 1. Allegro con brio [15:55]
5) 2. Largo [8:58]
6) 3. Rondo (Allegro) [9:58]

Piano Concerto No.4 in G, Op.58
4) 1. Allegro moderato [19:29]
5) 2. Andante con moto [5:02]
6) 3. Rondo (Vivace) [10:31]

Piano Concerto No.5 in E flat major Op.73 -“Emperor”
1) 1. Allegro [20:03]
2) 2. Adagio un poco mosso [7:17]
3) 3. Rondo (Allegro) [10:26]

Mikhail Pletnev
Russian National Orchestra
Christian Gansch

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Mikhail Pletnev dando uma canja no Concertgebouw de Amsterdam

PQP

Orlando Gibbons (1583-1625): Cries and Fancies

Orlando Gibbons (1583-1625): Cries and Fancies

Este é mais um arquivo que nos foi repassado pelo querido amigo pequepiano WMR.

Não curto muito nem Gibbons nem Dowland, mas vou postar pro 6 tudo mesmo assim. A mim, as obras parecem muito semelhantes entre si. Desculpem minha grosseria auditiva. Só a partir da faixa 17 a coisa começa a ficar legal. Muito tarde.

Orlando Gibbons foi um compositor britânico. Nascido em Oxford e educado em Cambridge, onde cantou com o coro do King’s College, Gibbons trabalhou para a Chapel Royal desde 1603 até a sua morte. Foi reconhecido como um dos melhores organistas de sua geração; como compositor, dominava todas as formas e estilos da época, incluindo música para grupos de instrumentistas e para teclado.

Orlando Gibbons (1583-1625): Cries and Fancies

1 Fantasia In 6 Parts [VdGS No.3] 3:34
2 Fantasia In 3 Parts [VdGS No.3] 2:26
3 Fantasia In 3 Parts [VdGS No.2] 2:44
4 Fantasia In 6 Parts [VdGS No.1] 3:50
5 Go From My Window In 6 Parts 4:57
Prelude And Ground For Organ (3:18)
6a Prelude [MB No.3]
6b Ground [MB No.26]
7 Galliard In 3 Parts 1:09
8 Fantasia In 3 Parts For The ‘Great Dooble Base’ [VdGS No.1] 4:26
9 Fantasia In 4 Parts For The ‘Great Dooble Base’ [VdGS No.1] 4:59
10 Fantasia In 2 Parts [VdGS No.5] 3:13
11 Fantasia In 3 Parts [VdGS No.8] 2:42
12 Fantasia In 3 Parts [VdGS No.9] 2:28
13 Fantasia In 6 Parts [VdGS No.2] 3:36
14 Fantasia In 3 Parts For The ‘Great Dooble Base’ [VdGS No.4] 4:39
15 Fantasia For Organ [MB No.8] 4:09
16 In Nomine In 5 Parts [VdGS No.2] 4:54
17 The Cry Of London (Part I) 4:22
18 The Cry Of London (Part II) 2:43
19 In Nomine In 4 Parts 3:28

Ensemble [Instrumental] – Fretwork
Ensemble [Vocal] – Red Byrd (tracks: 17, 18)
Organ – Paul Nicholson (tracks: 6, 15)
Viol – Elizabeth Liddle (tracks: 1 to 5, 7 to 14, 16 to 19), Julia Hodgson (tracks: 1 to 5, 7 to 14, 16 to 19), Richard Boothby (tracks: 1 to 5, 7 to 14, 16 to 19), Richard Campbell (tracks: 1 to 5, 7 to 14, 16 to 19), William Hunt (tracks: 1 to 5, 7 to 14, 16 to 19)
Vocals – Harvey Brough (tracks: 17, 18), John Potter (2) (tracks: 17, 18), Linda Hirst (tracks: 17, 18), Richard Wistreich (tracks: 17, 18), Sue Bickley* (tracks: 17, 18)

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Orlando Gibbons

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 4 em si bemol maior, Op. 60 – Carlos Kleiber

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 4 em si bemol maior, Op. 60 – Carlos Kleiber

Qual é o tamanho de um disco?

Esta é a primeira postagem que faço neste Blog, que já faz parte do meu dia-a-dia há muito tempo! Passar a fazer postagens é um grande passo para mim. A possibilidade de compartilhar o amor pela música desta maneira, me dá muitas alegrias! Agradeço a forma fraterna e encorajadora que fui aqui recebido! Bem, aqui vamos nós…

O disco desta postagem fere dois princípios gerais da indústria fonográfica. O Princípio da Integralidade – integral das sinfonias de Mahler, integral das sonatas para piano de Beethoven, integral dos quartetos de Schubert…

Aqui temos um disco com a Sinfonia No. 4, em si bemol maior, Op. 60, de Beethoven. Só isto. Tudo isto! O disco não faz parte de algum ciclo gravado pela orquestra tal sob a batuta do regente fulano de tal.

O segundo princípio que o disco agride é o Princípio do Contrapeso. Como os CDs foram idealizados para uma “nona sinfonia”, para que ele seja economicamente atraente, deve conter uns setenta ou mais minutos de música gravada. É por isso que vemos tantos CDs com um contrapeso além da peça principal. Uma espécie de lado B virtual, uma vez que o CD tem apenas um lado.

Nada disso aqui. Nada de appetizer ou sobremesa, apenas o main course – o prato principal!

O livreto (apenas um folderzinho) com duas folhas nos conta que a gravação foi feita ao vivo, no dia 3 de maio (Im wunderschönen Monat Mai) de 1982. Lembremos que no hemisfério norte, maio é o mês da primavera (Früling, já du bist’s!).

Vejam, Quarta Sinfonia, não uma de número ímpar, Eróica ou Sétima. Para agravar ainda mais, nada de repetição no primeiro movimento. Mas, amigos, que disco destamanho! Baita disco! Carlos Kleiber é lenda, dispensa apresentações – mas vale a pena lembrar, nada afeito a gravações. Dizem as más línguas, o homem só entrava no estúdio quando a geladeira estava vazia.

Por que um disco de pouco mais de trinta minutos é tão imenso? Veja a explicação nas palavras do próprio maestro, expressas no livreto:

Para mim, autorizar uma gravação é normalmente um horror. Mas, a performance da Bayerisches Staatsorchester tornou a aprovação desta gravação ao vivo, um prazer pessoal. Não poderíamos e não queríamos usar qualquer truque de embelezamento ou mínima correção neste retrato aural (snapshot) de uma performance. (…) Para aqueles que têm um ouvido para a vitalidade, há coisas aqui que nenhuma orquestra pode tocar tão fervorosamente e com tanto prazer ou tão inspirada e deliciosamente como esta orquestra naquele dia.

Vielen Dank!

C Kleiber.

Eu diria que a orquestra tocou febrilmente naquele dia de primavera! Portanto, aperte o cinto na cadeira ou no sofá, aumente o volume, delicie-se e redescubra esta inesquecível quarta. Se achar o disco curto, toque de novo, sem problemas!

Sinfonia No. 4, em si bemol maior, Op. 60

  1. Adagio – Allegro vivace
  2. Adagio
  3. Menuetto. Allegro vivace
  4. Allegro ma non tanto

Bayerisches Staatsorchester – Carlos Kleiber

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FLAC | 146 MB

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MP3 | 74,7 MB

Carlos Kleiber

Até a próxima!

René Denon

.: interlúdio :. Stan Getz: Big Band Bossa Nova

.: interlúdio :. Stan Getz: Big Band Bossa Nova

Big Band Bossa Nova é um disco de jazz e bossa nova lançado em 1962 pelo saxofonista Stan Getz e a orquestra de Gary McFarland. É o segundo disco de bossa nova lançado pelo saxofonista para a Verve, sendo o primeiro Jazz Samba (1962), com o guitarrista Charlie Byrd.

É disco de gringo cintura dura. Totalmente desajeitado e sem graça pra nós, brasileiros. Mas eu ouvi a merda inteira e tudo o que eu ouço de cabo a rabo posto aqui. A música tem quatro temas de compositores brasileiros e composições originais de McFarland. Os temas de McFarland são tão parecidos com a Bossa Nova quanto a ponte do Guaíba é igual ao Canal do Panamá. A instrumentação escolhida por McFarland evita o tradicional formato de big band de oito metais e cinco saxofones para um conjunto menor, com quatro instrumentos de sopro e trompa, além de três trompetes e dois trombones. Mas ele reforçou o time de percussionistas, claro.

Stan Getz: Big Band Bossa Nova

1 Manha de Carnaval (Morning of the Carnival) (Luiz Bonfá) – 5:48
2 Balanço no Samba (Street Dance) (Gary McFarland) – 2:59
3 Melancólico (Melancholy) (Gary McFarland) – 4:42
4 Entre Amigos (Sympathy Between Friends) (Gary McFarland) – 2:58
5 Chega de Saudade (No More Blues) (Antônio Carlos Jobim, Vinícius de Moraes) – 4:10
6 Noite Triste (Night Sadness) (Gary McFarland) – 4:56
7 Samba de Uma Nota Só (One Note Samba) (Antônio Carlos Jobim, Newton Mendonça) – 3:25
8 Bim Bom (João Gilberto) – 4:31

Stan Getz – tenor saxophone
Doc Severinsen, Bernie Glow or Joe Ferrante and Clark Terry or Nick Travis – trumpet
Ray Alonge – French horn
Bob Brookmeyer or Willie Dennis – trombone
Tony Studd – bass trombone
Gerald Sanfino or Ray Beckenstein – flute
Ed Caine – alto flute
Ray Beckenstein and/or Babe Clark and/or Walt Levinsky – clarinet
Romeo Penque – bass clarinet
Jim Hall – unamplified guitar
Hank Jones – piano
Tommy Williams – bass
Johnny Rae – drums
José Paulo – tambourine
Carmen Costa – cabasa
Gary McFarland – arranger, conductor

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Stan Getz sonhando em acertar o ritmo

PQP

Richard Wagner – Siegfried – Jess Thomas, Thomas Stewart, Helga Dernesch, Gerhard Stolze, Karl Ridderbusch, etc., Karajan, BPO

Vamos que vamos com o Siegfried, a terceira ópera do ciclo do Anel dos Nibelungos de Wagner, por sinal, Siegfried era o nome de meu falecido sogro. O texto abaixo, como nas postagens anteriores, é de autoria do colega Ammiratore. Os senhores irão reparar que este seu texto está um pouco mais leve, mais descontraído.

“Dentro da tetralogia de Wagner, o terceiro drama, Siegfried, pode ser o menos popular ou conhecido. Porém é o mais importante no estabelecimento de um equilíbrio dramático entre as quatro obras. Wagner interrompeu a composição em 1857 no final do segundo ato de Siegfried para escrever “Tristan und Isolde” e “Die Meistersinger von Nürnberg”, retornando a Siegfried sete anos depois para completar o terceiro ato em 1869. A estréia mundial foi em 16 de agosto de 1876.
Elementos dessas duas óperas alimentam Siegfried: apresenta a música mais leve do ciclo do Anel, acho que é uma celebração musical maravilhosa da natureza, tem o dueto de amor mais extático (influenciado pelo dueto de Tristan und Isolde), quando Brünhilde e Siegfried se descobrem. A principal tarefa dramática da obra está no estabelecimento do grande herói do “Ciclo do Anel”. Há muito menos peças reconhecíveis nesta ópera quando comparadas às outras três, mas “Siegfried” possui alguns grandes momentos. Uma das mais famosas é a música de forjamento, aonde Siegfried num número solo nos mostra imediatamente que Wagner exige uma grande disposição do intérprete com seu principal personagem. Outros momentos famosos são a breve passagem do pássaro na floresta e, mais notavelmente, o dueto de amor final entre Siegfried e Brünhilde. Como em Die Walküre, Siegfried é uma ópera gigantesca por si só. A natureza fantástica e mitológica da trama é uma das razões pelas quais a ópera dura bem mais de quatro horas. Vamos tentar resumir então (fiquei feliz pelos comentários das outras duas e farei uma abordagem, digamos, leve e alguns trechos foram inspirados na casabibliofilia.blogspot.com):

“Mais uma vez nos encontramos com Wotan, agora chamado de Wanderer – que deixamos no final de Die Walküre , chateado com o destino de sua filha amada, Brünhilde. Como o próprio Wagner escreveu ao músico alemão August Roeckel, “depois da despedida de Brünhilde, Wotan realmente não é mais do que um espírito sem luz”. O Wotan de Siegfried é um deus velho e cansado, que perdeu o poder de comandar, que está disposto a deixar que os acontecimentos sigam o seu curso e está contente em desistir. O foco principal de “Siegfried” não é Wotan, mas o lendário personagem nórdico Sigurd, um herói nacional representado em todos os tipos de formas de arte. O personagem Siegfried de Wagner, diferente de outras versões, é filho de Siegmund com sua irmã (os dois são volsungos, ou Wälsung), o que faz de Siegfried neto de Wotan duas vezes (por parte de pai e de mãe). Entre as histórias de “Die Walkürie” e “Siegfried”, Sieglinde é encontrada por Mime na floresta, o anão ferreiro a leva para a caverna onde habita. Ali nasce Siegfried, mas Sieglinde morre: na agonia declara o nome escolhido para o filho e relata quem era o pai. Mime cria o menino, que cresce cheio de vigor e torna-se um rapaz de temperamento ousado, qualidade que vem bem a calhar aos desígnios de Mime: espera que seja Siegfried aquêle a cujos pés Fafner cairá morto, trespassado pela espada (“Nothung”) que, feita em pedaços, recebeu das mãos de Sieglinde. Mime deseja que Siegfried pegue o anel de Fafner e depois planeja matá-lo.
Primeira cena do primeiro ato. Mime está com raiva pois está preparando uma espada para Siegfried, mas sabe que o jovem quebrará a arma assim que estiver pronta. Tem forjado outras espadas, Siegfried as quebrou todas com uma só pancada, entre risos e palavras de zombaria. O nibelungo sonha obter o Anel e o Tarnhelm (aquele elmo que transforma), e para isso precisa de Siegfried. O jovem chega com um urso encoleirado, e brinca com o urso como se este fosse um Yorkshire Terrier. Depois ele quebra a espada pronta como se fosse uma vareta de bambu, o que deixa Mime muito azedão. O anão lamenta-se de tamanha ingratidão. Diz-se injustiçado, ele que criou Siegfried com todo desvelo. Mime conta a história de Siegfried, mas sem lhe contar a história do pai, mostra os fragmentos da Excalibur … ops, digo, Notung, e Siegfried fica animado, pedindo para que Mime reconstrua a espada.
Duas coisas podemos perceber a partir da leitura e audição da primeira cena. A primeira é que “Siegfried” não é tão monumental musicalmente quanto “Die Walkürie”, e que a dramatização é mais importante do que as narrativas e lirismo. É a obra mais dramática das quatro óperas, e ao mesmo tempo a mais épica. A segunda é que Siegfried é o herói com mais testosterona da história da literatura nórdica. Não é qualquer um que brinca com um ursinho de estimação e quebra uma espada de metal feita por um nibelungo como se fosse de bambu.
Na segunda cena Wotan, disfarçado como andarilho, aparece e provoca Mime, o desconhecido insiste e propõe, para provar sabedoria, que Mime lhe faça três perguntas. Se não as responder, dará sua cabeça em troca. Mime concorda e, tendo o outro se havido bem, deve admitir que lhe subestimara a capacidade. Só não esperava de Wotan (a quem ainda não reconheceu) a exigência de submeter-se a igual desafio. Sente-se aliviado ao responder às primeiras duas perguntas: “Qual a raça marcada pela cólera de Wotan, embora êste a amasse mais que a própria vida?” (OS Wilsungos); “Que espada poderá ser o instrumento da morte de Fafner?” (a Nothung). Para a terceira questão, porém, não encontra resposta: “Quem saberá retemperar a espada?” dizendo ao final que apenas quem não conhece o medo poderá forjar a espada Notung , e assim passa para a 3ª cena, onde entra Siegfried e pede a espada, que Mime não conseguiu forjar. Como Siegfried não conhece o medo, ele mesmo forja a espada e para testá-la parte uma bigorna ao meio (quanta testosterona!!!).
No segundo ato, Alberich espreita Fafner (na forma de um dragão), quando surge Wotan e avisa a Fafner que vem alguem matá-lo. Fafner não se importa e na segunda cena Mime conduz Siegfried as proximidades da caverna onde Fafner dorme sobre o tesouro. Desperto pelo som da trompa do rapaz, o dragão deixa seu abrigo. A luta é breve: agonizante, Fafner adverte Siegfried que se acautele, pois quem o induziu a esse ato assassino também trama sua morte e o dragão conta sua história. Após o dragão morrer Siegfried com a mão suja de sangue a leva a boca e acaba por ingerir o líquido que lhe dá o poder clarividente de falar com as aves. Siegfried então descobre o que Mime planejava e mata-o, em seguida conversando com uma ave ela fala sobre Brünhilde. Siegfried se prepara para mais uma prova de bravura.
Na primeira cena do último ato, Wotan invoca a deusa da Terra e conversa com ela. Esse diálogo é muito legal de se ler (o libreto em português está AQUI no link), mas ele não cria mudanças significativas no enredo. Na segunda cena, Siegfried encontra Wotan, e há uma discussão entre eles. Wotan afirma que já quebrou a Notung uma vez e pode fazê-lo novamente, mas Siegfried quebra a lança e Wotan recolhe os pedaços tranquilamente e desaparece. Na última cena, por fim, Siegfried encontra Brünhilde tal como Wotan a deixara no final da “Die Walkürie”, e não sabe o que fazer com ela (pois nunca viu uma mulher na vida). Um pequeno parêntesis, tá bom perdoo o Siegfried, pois quando era mais novo, com uns 14 – 15 anos, provavelmente não saberia o que fazer se uma Valkíria caísse nos meus braços, provavelmente a chamaria para jogar Enduro ou River Raid, tomar um suquinho ouvindo na vitrola um Vivaldi… sei lá… . Após o beijo, Brünnhilde acorda e pergunta quem é o herói, que prontamente se identifica. Brünhilde conta que salvou a vida dele antes, e Siegfried cogita ser ela sua mãe, o que é logo desmentido. Brünhilde ainda faz-se de difícil por um tempinho, mas logo rende-se ao amor do guerreiro volsunga cheio de testosterona, um estereótipo de super-guerreiro-bombado.

Cosima-Siegfried-Richard

Um caso curioso é que presentes de aniversário vêm em todas as formas e tamanhos. Cosima Wagner quando acordou em 25 de dezembro de 1870 para celebrar seu 33º aniversário, um grupo de 17 músicos se reuniu nas escadas que levavam ao seu quarto. Com Richard Wagner regendo, os músicos tocaram “uma saudação de aniversário sinfônica”. Wagner posteriormente mudaria o nome da composição para o conhecido “Siegfried Idyll”.

Siegfried, personagens e intérpretes:
O elenco é absolutamente de primeira linha. O Mime de Gerhard Stolze transmite a malícia revoltante do anão maligno de maneira mais convincente, lembrando que Wagner pediu uma voz “dura e rouca”, uma exigência impossível. Thomas Stewart é novamente um Wotan impressionante e usa sua esplêndida voz com grande efeito. Ridderbusch é um Fafner menos aterrorizante, mas ainda não é uma fera que alguém gostaria de encontrar! Oralia Dominguez transmite bem o mistério de Erda. Catherine Gayer, bom, achei que o seu pássaro esta com uma voz excessivamente trêmula. Gostei imensamente do bombadão Siegfried de Jess Thomas. Ele é excelente em seu total desprezo por Mime. No dueto final, ele mostra que percebeu rapidinho os encantos de uma mulher e canta lindamente para ela. Dernesch tem uma voz adorável, pura e uniforme com um registro baixo e quente, sua Brünnhilde é muito convincente quando acorda para o amor humano, ela canta lindamente o seu despertar. Siegfrid, filho de Wagner nasceu na época em que compôs a parte do dueto final, podemos ouvi rWagner e Cosima evocando o amor de forma intensa. Karajan tinha à sua disposição uma esplêndida orquestra. Como sempre regendo com clareza, intensidade e ritmo!”

Wagner – Siegfrid

Jess Thomas – tenor – Siegfried
Thomas Stewart – baritono – Der Wanderer
Gerhard Stolze – tenor – Mime
Helga Dernesch – soprano – Brünnhilde
Karl Ridderbusch – baixo – Fafner
Oralia Dominguez – mezzo – Erda
Catherine Gayer – soprano – Waldvogel
Berlin Philharmonic Orchestra / Herbert von Karajan

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
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Ludwig van Beethoven (1770-1827): Obras completas para Violoncelo e Piano

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Obras completas para Violoncelo e Piano

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Gostei demais destes dois belos CDs dedicados à obra de Beethoven para violoncelo e piano à cargo de Daniel Müller-Schott e Angela Hewitt. A dupla entendeu-se maravilhosamente tocando tanto as obras mais conhecidas do mestre para ambos os instrumentos, mas atacando também territórios bastante perigosos… Explico: as Sonatas são verdadeiras joias do repertório clássico, mas as obras de Variações que estão aí são de matar, mesmo que sejam sobre temas de Mozart, Haydn, etc. Bem, nada grave, pois as Sonatas são muito maiores e marcantes. O CD é da Hyperion, o que já diz muito de sua qualidade, a qual é superior ao registro de Yo Yo Ma + Emanuel Ax e deve empatar com o de Rostropovich + Richter, apesar do sotaque russo da dupla de carecas.

Beethoven: Works for Cello and Piano, vol. 1

Cello Sonata in F major Op 5 No 1
1) Adagio sostenuto [2:59]
2) Allegro [14:24]
3) Allegro vivace [6:58]

Cello Sonata in G minor Op 5 No 2
4) Adagio sostenuto ed espressivo [6:26]
5) Allegro molto più tosto presto [10:29]
6) Rondo: Alllegro [9:02]

Cello Sonata in A major Op 69
7) Allegro, ma non tanto [12:55]
8. Scherzo: Allegro molto [5:07]
9) Adagio cantabile [2:01]
10) Allegro vivace [6:55]

Beethoven: Works for Cello and Piano, vol. 2

1) Variations in G major on “See the conqu’ring hero comes” from Handel’s Judas Maccabaeus WoO45 [12:54]

Cello Sonata in G major Op 102 No 1
2) Andante [2:46]
3) Allegro vivace [5:14]
4) Adagio – Tempo d’andante [3:15]
5) Allegro vivace [4:30]

6) Variations in F major on “Ein Mädchen oder Weibchen” from Mozart’s Die Zauberflöte Op 66 [10:18]

7) Variations in E flat major on “Bei Männern, welche Liebe fühlen, from Mozart’s Die Zauberflöte WoO46 [10:00]

Cello Sonata in D major Op 102 No 2
8. Allegro con brio [6:53]
9) Adagio con molto sentimento d’affetto [10:48]
10) Allegro – Allegro fugato [4:21]

Daniel Müller-Schott, cello
Angela Hewitt, piano

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Beethoven e uma aluna (Roger Payne)

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Béla Bartók (1881-1945): Concerto para Orquestra

Béla Bartók (1881-1945): Concerto para Orquestra

IM-PER-DÍ-VEL !!!

No início de 1943, enquanto estava ministrando uma série de palestras sobre música folclórica na Universidade de Harvard, Béla Bartók, já com a saúde frágil, piorou subitamente, necessitando de uma bateria de exames médicos urgentes. Quando estes se revelaram inconclusivos, “o pessoal de Harvard me convenceu a fazer novo exame, liderado por um médico muito apreciado por eles e à suas custas”. O exame revelou alguns problemas nos pulmões, que eles acreditavam ser tuberculose. A notícia foi recebida com grande alegria: “Finalmente temos a causa real!”. Quando o compositor retornou a sua casa em Nova York, a ASCAP (Sociedade Americana de Compositores, Autores e Editores), “de alguma forma se interessou no meu caso e decidiu curar-me às suas custas. Mandaram-me para os seus médicos, que mais uma vez me levou para um hospital. Os novos exames mostraram um grau menor de problemas pulmonares. Talvez não fosse tuberculose. E assim, voltei a não saber a causa de minha doença”.

Enquanto estava no hospital de Nova York, Bartók foi visitado por Serge Koussevitzky, maestro da Orquestra Sinfónica de Boston. Ele, por sugentão de dois outros exilados húngaros amigos de Bartók q que sabiam de suas dificuldades — o violinista Joseph Szigeti e regente Fritz Reiner — fez-lhe uma encomenda: um trabalho em memória de sua esposa, recentemente falecida, Natalie Koussevitzky. Bartók aceitou e produziu o Concerto para Orquestra, seu último trabalho completo.

Foi logo após a reunião com Koussevitzky que a fatal leucemia acabou diagnosticada. O compositor não foi comunicado, o que talvez tenha sido uma decisão correta, pois ele, durante o mês subseqüente, ele recuperou a força, a alegria e, obviamente, a criatividade. A partitura foi escrita em apenas dois meses no balneário de Saranac Lake em Nova York. A nota final foi escrita em 8 de outubro de 1943.

Enorme sucesso de público e os crítica, a estreia foi realizada em concerto da Boston Symphony Orchestra, sob a direção de Koussevitzky, em 1 de dezembro de 1944. O compositor assistiu à estreia com sua esposa, Ditta Pásztory. “Fomos lá para os ensaios e apresentações, meu médico deu a permissão a contragosto. Foi uma excelente estreia”. Koussevitzky disse que era “a melhor composição dos últimos, incluindo as obras de meu ídolo Shostakovich!”.

Bartók escreveu a seguinte nota breve para a ocasião:

O título deste trabalho explica-se pelo fato de os instrumentos de uma única orquestra serem tratados de forma solista ou concertante. O tratamento “virtuoso” aparece, por exemplo, nas seções fugato do desenvolvimento do primeiro movimento (instrumentos de sopro), ou no Perpetuum Mobile, como a passagem do tema principal no último movimento (cordas), e especialmente no segundo movimento, no qual pares de instrumentos consecutivamente aparecem com passagens brilhantes. O humor geral do trabalho representa, para além do jocoso segundo movimento, da transição gradual da dureza do primeiro movimento e da canção da morte do terceiro, uma afirmação da vida e do passado.

Uma tremenda gravação de Gustavo Dudamel com a Los Angeles Philharmonic Orchestra !!!. Olha, acho que foi retirada de um DVD… Ouçam como a orquestra ri no quarto movimento.

Béla Bartók (1881-1945): Concerto para Orquestra

1) Introduction: Allegro non troppo
2) Giuoco delle coppie: Allegretto scherzando
3) Elegia: Andante non troppo
4) Intermezzo interrotto: Allegretto
5) Finale: Presto

L.A. Philharmonic Orchestra
Gustavo Dudamel

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Edward Elgar (1857-1934) – Cello Concerto in E Minor op. 85 – Jacqueline Du Pré, John Barbirolli, London Symphony Orchestra

Trago mais uma vez para os senhores a histórica e mítica gravação do Concerto para Violoncelo de Edward Elgar com Jacqueline Du Pré, que é considerada até hoje a melhor intérprete desta obra.
A carreira desta incrível musicista foi meteórica, com detalhes trágicos. Alcançou cedo a fama, porém também cedo foi diagnosticada com uma gravíssima doença degenerativa, Esclerose Múltipla, que a afastou dos palcos com apenas vinte e oito anos de idade, e a matou com apenas quarenta e dois anos.
Alcançou fama após esta mítica gravação, que sem dúvida é extraordinária. Casou-se com Daniel Baremboim, com quem gravou diversos outros discos.
Espero que apreciem. Amo esta gravação. Para mim e para muita gente, esta é o registro definitivo deste concerto.

1 Elgar – Cello Concerto in E minor, Op. 85 – I. Adagio – Moderato
2 Elgar – Cello Concerto in E minor, Op. 85 – II. Lento – Allegro molto
3 Elgar – Cello Concerto in E minor, Op. 85 – III. Adagio
4 Elgar – Cello Concerto in E minor, Op. 85 – IV. Allegro, ma non troppo

Jacqueline Du Pré – Violoncelo
London Symphony Orchestra
Sir John Barbirolli

5 Saint-Saens – Cello Concerto No. 1 in A minor, Op. 33 – I. Allegro non troppo
6 Saint-Saens – Cello Concerto No. 1 in A minor, Op. 33 – II. Allegretto con moto
7 Saint-Saens – Cello Concerto No. 1 in A minor, Op. 33 – III. Allegro non troppo

Jacqueline Du Pré – Violoncelo
New Philharmonia Orchestra
Daniel Baremboim

8 Delius – Cello Concerto – Lento – Con moto tranquillo –

Jacqueline Du Pré – Violoncelo
Royal Philharmonic Orchestra
Sir Malcolm Sargent

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