.:interlúdio:. Andrew Lloyd Webber (1948): VARIATIONS (1978)

.:interlúdio:. Andrew Lloyd Webber (1948): VARIATIONS (1978)

Se eu dissesse “Andrew Lloyd Webber é um dos principais compositores ingleses do fim do século 20”, não duvido que alguém dissesse: “ah, mas ele é um compositor de musicais, não de música séria”.

Bom, a palavra “compositor” significa apenas que o sujeito compõe, não contém em si nenhuma obrigação de que o objeto composto seja isto ou aquilo, e não dá pra negar que esse sujeito vem compondo uma quantidade enorme de música desde 1965 – e música que não me parece pior que a de um monte de compositores admitidos no cânone convencional do “sério”. E confesso que gosto bastante deste divertimento puramente instrumental que ele compôs em 1977 – uma exceção numa obra onde a palavra e a voz são praticamente onipresentes.

Vocês sabem de quem eu estou falando, né? Do sujeito que em 1970 estourou com Jesus Christ Superstar, que pretendia ser a “primeira ópera rock” — mas a Tommy da banda The Who acabou saindo antes (além de ser, talvez, mais legitimamente rock). De um modo ou de outro, JC Superstar ficou dez anos contínuos em cartaz em Londres; nesse meio tempo virou filme (1973), logo depois do que o Andrew atacou de Evita (1976), Cats (1981), e mais tarde The Phantom of the Opera, Sunset Boulevard etc. etc.

No meio disso tudo, esta peça puramente instrumental teria sido composta para… pagar uma aposta de futebol perdida para o seu irmão Julian Lloyd Webber, cellista clássico.

A prenda exigida por Julian foi justamente que Andrew compusesse uma peça para cello e banda de rock… mas é bom não esquecer que isso foi em tempos em que a palavra “rock” estava significando sobretudo a experimentação de emprego dos primeiros sintetizadores (Moog, Arp etc.) por grupos como Pink Floyd ou com pretensões classicizantes como Emerson Lake & Palmer.

Enfim, não sei por quê, Andrew resolveu repetir a seu modo um argumento (digamos assim) de Rachmaninoff: compor um conjunto de 24 variações sobre o tema do Capricho para violino nº 24 de Paganini. No caso de Rachmaninoff saiu a Rapsódia sobre um Tema de Paganini op.43 (1934), para piano e orquestra. Andrew também fez uma introdução, apresentou o tema, mas acrescentou só 23 variações… entremeadas com algumas variações de suas próprias variações.

Que rótulo caberia nessa música? Sei lá, o que menos me interessa são rótulos… O fato é que as tais variações correram mundo — tanto que mesmo se nunca tiver ouvido falar delas com certeza reconhecerá trechos.

Além disso, em 1990 gravou-se uma versão para cello e orquestra, novamente com Julian no solo, e com Lorin Maazel, nada menos, regendo a London Philharmonic Orchestra — num disco que inclui ainda uma peça do pai de Andrew, o também compositor William Lloyd Webber. Mas esse disco eu nunca ouvi, não posso dizer nada a não ser que existe…

A propósito, já falei demais, né? Vamos logo à música:

Andrew Lloyd Webber: VARIATIONS (1978)
para cello solo e banda de rock

Introduction
Theme (Paganini Caprice in A minor No. 24) and Variations 1-4
Variations 5 and 6
Variation 7
Variation 8
Variation 9
Variation 10
Variations 11-15 (including the Tributes)
Variation 16
Variations 13-14 Varied (listed as 14-15)
Variation 17
Variation 18
Variations 19, 20 and 5 Varied (listed as 6)
Variations 21 and 22
Variation 23

Julian Lloyd Webber – cello
Don Airey – Grand Piano, ARP Odyssey, Minimoog, Solina String Ensemble,
Fender Rhodes Piano
Rod Argent – Grand Piano, Minimog, Roland RS-202, Yamaha CS-80
Gary Moore – Gibson Les Paul, Rickenbacker electric 12 string Guitar,
Guild acoustic, Fender Stratocaster
Barbara Thompson – Flute, Alto Flute, Alto & Tenor Saxophone
Jon Hiseman – Arbiter Auto-Tune drums, Paiste cymbals & gongs, Percussion
John Mole – Fender Precision Bass, Hayman fretless bass guitar
Additional performers: Dave Caddick, Phil Collins, Herbie Flowers,
Bill Le Sage, Andrew Lloyd Webber

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Andrew Lloyd Webber: heavy metal, pero no mucho

Ranulfus

Trinta Anos sem o Muro da Vergonha (Ode to Freedom – Bernstein in Berlin – Ludwig van Beethoven (1770-1824) – Sinfonia no. 9, op. 125, “Coral”)

Trinta Anos sem o Muro da Vergonha (Ode to Freedom – Bernstein in Berlin – Ludwig van Beethoven (1770-1824) – Sinfonia no. 9, op. 125, “Coral”)

Celebramos hoje os trinta anos da derrubada do infame Muro de Berlim, naquele incrível novembro de 1989 que viu a Alemanha encaminhar sua reunificação após uma até então inimaginável cadeia de eventos. Logo no mês seguinte, Leonard Bernstein dirigiria as forças combinadas de orquestras e coros das duas Alemanhas e das antigas potências da ocupação em performances muito emotivas da Sinfonia “Coral” de Beethoven, notáveis pela substituição da palavra Freude (“alegria”) por Freiheit (“liberdade”) no texto da “Ode à Alegria” de Schiller, que serve de base para o movimento final. A iniciativa de Bernstein, sugerida por uma história apócrifa que atribuía a substituição ao próprio Schiller, numa versão alternativa da “Ode”, foi uma licença poética que, segundo o regente, certamente teria a aprovação de Beethoven. Nesses moldes, a Sinfonia Coral foi apresentada dos dois lados da cidade outrora dividida, com extraordinária repercussão, e esta gravação, feita ao vivo no dia do Natal de 1989, registra a última dessas performances. Realizada na Schauspielhaus da antiga Berlim Oriental (hoje conhecida como Konzerthaus Berlin) e transmitida ao vivo para dezenas de países, ela tem toda a riqueza e eventuais idiossincrasias que permeiam os últimos anos da carreira de Bernstein e faz parte do canto do cisne deste multitalentoso artista, que deporia a batuta em outubro do ano seguinte para falecer meros cinco dias depois.

ODE TO FREEDOM – BERNSTEIN IN BERLIN

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sinfonia no. 9 em Ré menor, Op. 125, “Coral”
1 – Allegro ma non troppo, un poco maestoso
2 – Molto vivace
3 – Adagio molto e cantabile
4 – Presto – Allegro assai

June Anderson, soprano
Sarah Walker, mezzo-soprano
Klaus König, tenor
Jan-Hendrik Rootering, baixo
Coro da Rádio Bávara
Membros do Coro da Rádio de Berlim
Coro Infantil da Orquestra Filarmônica de Dresden
Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara
com integrantes da Orquestra Estatal (Staatskapelle) de Dresden, Orquestra do Teatro Kirov (Leningrado), Filarmônica de Nova York, Orquestra Sinfônica de Londres e Orquestra de Paris
Leonard Bernstein, regência

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Bônus: o vídeo do concerto, gravado na Schauspielhaus de Berlim em 25/12/1989 (AVI, 900 MB):
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Bernstein e seu cigarro derrubando um ‘cadinho do Muro da Vergonha.

Vassily

 

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino e Piano (Ibragimova)

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino e Piano (Ibragimova)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ontem e anteontem, apresentamos as versões de Mutter e Mullova para este extraordinário repertório. Pois Ibragimova crava sua bandeira no Olimpo dos bons registros modernos destas Sonatas. Aqui, ela é mais do que consistente. Mas ainda fico com Mutter… A delicadeza e a quietude de Alina Ibragimova é talvez a característica mais marcante dessas performances. Escute o centro lírico do final da Op 78, que coisa! Na primeira audição, fiquei desapontado por Ibragimova ser tão contida; na segunda, já achei que sua aparente reticência fazia todo sentido. Há grandes momentos — movimentos inteiros –, neste CD muito bem gravado. O final do Op. 100 transmite calor através de cores sutis, frases flexíveis e uma linda narrativa. A delicadeza do terceiro movimento do Op 108 é arrebatadora, graças em grande parte ao leve toque de Tiberghien. A inclusão de Clara Schumann é um bonito bonus track.

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino e Piano (Ibragimova)

Johannes Brahms Violin Sonata No 1 In G Major (Op 78) (27:22)
1 – Vivace Ma Non Troppo 10:40
2 – Adagio – Pìu Andante – Adagio Come I 8:06
3 – Allegro Molto Moderato – Pìu Moderato 8:35

Johannes Brahms Violin Sonata No 2 In A Major (Op 100) (18:56)
4 – Allegro Amabile 8:08
5 – Andante Tranquillo – Vivace – Andante – Vivace Di Pìu – Andante – Vivace 5:35
6 – Allegretto Grazioso, Quasi Andante 5:12

Johannes Brahms Violin Sonata No 3 In D Minor (Op 108) (21:15)
7 – Allegro 8:29
8 – Adagio 4:13
9 – Un Poco Presto E Con Sentimento 2:58
10 – Presto Agitato 5:33

11 Clara Schumann Andante Molto (No 1 Of Three Romances, Op 22)

Piano [Steinway & Sons] – Cédric Tiberghien
Violin – Alina Ibragimova

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Alina e Cédric, né?

PQP

Frédéric Chopin – Noturnos – Nikita Magaloff

Ah, os Noturnos … nosso incrível Vassilly recém nos brindou com uma série de postagens dedicadas a este gênero … nem sei o que poderia acrescentar àquela aula que tivemos. Talvez possa apenas pedir para os senhores fecharem os olhos para melhor degustar essas peças. Não são de fácil digestão, elas ficam martelando em nossa cabeça.  É necessária uma concentração muito grande. De preferência, sem ruídos externos. Estas pequenas, porém altamente complexas peças, devem ser, ao lado da ‘Marcia Funebre’ da Terceira Sinfonia de Beethoven, a música mais introspectiva que já foi composta.
Quando ouço o Noturno nº 2 tenho a impressão de estar ao lado de um regato tranquilo, a água fluindo, sem perturbações, os pássaros cantando, as borboletas ao redor das flores, sei lá, tenho esta sensação. Minha mãe sempre conta que tem esta mesma sensação quando ouve o ‘Clair de Lune’, de Debussy. Pode ser. Li em algum lugar que o próprio compositor se inspirou em um ambiente destes para compor essa obra. Não sei o que passava na cabeça de Chopin, só sei dizer que ele estava muito inspirado quando compôs todo este ciclo de Noturnos.

CD 1

01. Nocturne No. 1 in B flat minor, Op 9, No 1
02. Nocturne No. 2 in E flat, Op 9, No 2
03. Nocturne No. 3 in B, Op 9, No 3
04. Nocturne No. 4 in F, Op 15, No 1
05. Nocturne No. 5 in F Sharp, Op 15, No 3
06. Nocturne No. 6 in G minor, Op 15, No 3
07. Nocturne No. 7 in C Sharp minor, Op 27, No 1
08. Nocturne No. 8 in D flat, Op 27, No 2
09. Nocturne No. 9 in B, Op 32, No 1
10. Nocturne No. 10 in A flat, Op 32, No 2
11. Nocturne No. 11 in G minor, Op 37, No 1

CD 2

01. Nocturnes No. 12
02. Nocturnes No. 13
03. Nocturnes No. 14
04. Nocturnes No. 15
05. Nocturnes No. 16
06. Nocturnes No. 17
07. Nocturnes No. 18
08. Nocturnes No. 19
09. Nocturnes No. 20 in C sharp minor, op. posth
10. Nocturnes No. 21 in C minor, op. posth

CD 1 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para Violoncelo Solo – Dimos Goudaroulis

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para Violoncelo Solo – Dimos Goudaroulis

05483Nossa cornucópia dessas maravilhosas Suítes traz agora sua primeira gravação brasileira em violoncelo barroco, feita por Dimos Goudaroulis.

O incansável artista grego, que já deu o ar de sua graça por aqui com um bonito álbum duplo de violoncello piccolo, devota recitais inteiros a essas obras seminais.

Tive o privilégio de assistir a dois deles. O primeiro, num teatro pequenino, com iluminação muito econômica e ambiente intimista, em meio a só um punhado de pessoas, deu-me a nítida sensação de estar com os ouvidos encostados na caixa de ressonância, tamanha a proximidade com o instrumentista.  No segundo, as Suítes – por definição, sequências de danças estilizadas – serviram de base para seis coreógrafos suarem suas malhas em torno de um impávido Goudaroulis.

Ismael Ivo e Goudaroulis numa "Pietà" coreográfico-violoncelística
Ismael Ivo e Goudaroulis numa “Pietà” coreográfico-violoncelística

Esta gravação reproduz com bastante fidelidade o que escutei nos recitais: prelúdios tocados com liberdade quase improvisatória, danças pulsantes, e uma proximidade que nos traz aos ouvidos a respiração do músico e, eventualmente, aquilo que o PQP Bach chama de “ruídos de marcenaria”. Goudaroulis executa a Suíte no. 6 num instrumento de cinco cordas, conforme instruções da partitura – o mesmo violoncello piccolo que, num lance de serendipidade, encontrou esquecido no ateliê de um luthier. No primeiro disco há uma faixa-bônus, com a transcrição da allemande da Partita BWV 1004, originalmente para violino solo.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

SEIS SUÍTES PARA VIOLONCELO SOLO, BWV 1007-1012

CD 01

SUÍTE NO. 1 EM SOL MAIOR, BWV 1007

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 2 EM RÉ MENOR, BWV 1008

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courrante
10 – Sarabande
11 – Menuet I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO. 3 EM DÓ MAIOR, BWV 1009

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I & II
18 – Gigue

PARTITA NO. 2 EM RÉ MENOR, BWV 1004 (transcrita para violoncelo solo)

19 – Allemande

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CD 02

SUÍTE NO. 4 EM MI BEMOL MAIOR, BWV 1010

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Bourrée I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 5 EM DÓ MENOR, BWV 1011

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Gavotte I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO.6 EM RÉ MAIOR, BWV 1012*

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I & II
18 – Gigue

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DIMOS GOUDAROULIS, violoncelo e *violoncello piccolo

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Vassily Genrikhovich

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino e Piano (Mutter)

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino e Piano (Mutter)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Lembram do post de ontem, destas mesmas Sonatas com Mullova? Pois bem, disse que achava esta gravação ainda melhor e justifico a opinião pelo sotaque absolutamente germânico de tudo o que ouvimos aqui. É claro que Mutter É GERMÂNICA e faz com que o fator local seja decisivo na peleja. Mas também — e aí temos que esquecer os alemães — o trabalho do pianista norte-americano Lambert Orkis parece fazer uma diferença decisiva a favor de Mutter. A parceria Mutter-Orkis, de tantas gravações — remember a tremenda e enorme integral das Sonatas de Beethoven — parece notavelmente coesa e convincente. Mas é apenas minha opinião. Amanhã, teremos Ibragimova com estas mesmas Sonatas.

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino e Piano (Mutter)

01 Sonata for Violin and Piano No 2 in A Op 100 1 Allegro amabile
02 Sonata for Violin and Piano No 2 in A Op 100 2 Andante tranquillo
03 Sonata for Violin and Piano No 2 in A Op 100 3 Allegretto grazioso – Quasi andante

04 Sonata for Violin and Piano No 1 in G Op 78 1 Vivace ma non troppo
05 Sonata for Violin and Piano No 1 in G Op 78 2 Adagio
06 Sonata for Violin and Piano No 1 in G Op 78 3 Allegro molto moderato

07 Sonata for Violin and Piano No 3 in D minor Op108 1 Allegro
08 Sonata for Violin and Piano No 3 in D minor Op108 2 Adagio
09 Sonata for Violin and Piano No 3 in D minor Op108 3 Un poco presto e con sentimento
10 Sonata for Violin and Piano No 3 in D minor Op108 4 Presto agitato

Anne-Sophie Mutter – Violin
Lambert Orkis – Piano

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Mutter, né?

PQP

Johannes Brahms (1833-1896) – Sonatas para Violoncelo e Piano, Robert Schumann (1810-1856) – Fünf Stünke in Volkston, op. 102 – Anner Bylsma, Lambert Orkis

Este CD reúne dois excepcionais músicos, o violoncelista Anner Bylsma e o pianista Lambert Orkis, dois experientes músicos, que gravaram juntos nos anos 90, até Orkis ser ‘cooptado’ pela divina Anne-Sophie Mutter, para ser seu fiel escudeiro, e assim tem sido nos último 25 anos.  Aqui eles interpretam duas das mais importantes e belas obras do Romantismo, as Sonatas para Violoncelo de Brahms. Isso aqui é tão bom, mas tão bom que só a primeira sonata já ouvi três vezes seguidas.
A intensidade que a dupla impõe às obras é única. Trata-se de um CD emocionante, antes de tudo. O som do violoncelo de Anner Bylsma quase chora em um lamento angustiante, dolorido. Poucas vezes tive a oportunidade de ouvir uma interpretação tão apaixonada e intensa quanto esta. Só os grandes músicos conseguem este resultado, depois de muito tempo de dedicação. A comparação inevitável é Rostropovich – Serkin, e ouso dizer que Bylsma / Orkis ganharia por uma diferença de meio corpo.

01. Brahms Johannes – Cello Sonata No. 1 in E minor (op. 38) I. Allegro non troppo
02. Brahms Johannes – Cello Sonata No. 1 in E minor (op. 38) II. Allegretto quas
03. Brahms Johannes – Cello Sonata No. 1 in E minor (op. 38) III. Allegro
04. Schumann Robert – 5 Stuecke im volkston (op. 102) I. ‘Vanitas vanitatum’. Mi
05. Schumann Robert – 5 Stuecke im volkston (op. 102) II. Lansgam
06. Schumann Robert – 5 Stuecke im volkston (op. 102) III. Nicht schnell, mit vi
07. Schumann Robert – 5 Stuecke im volkston (op. 102) IV. Nicht zu rasch
08. Schumann Robert – 5 Stuecke im volkston (op. 102) V. Stark und markiert
09. Brahms Johannes – Cello Sonata No. 2 in F (op. 99) I. Allegro vivace
10. Brahms Johannes – Cello Sonata No. 2 in F (op. 99) II. Adagio affetuoso
11. Brahms Johannes – Cello Sonata No. 2 in F (op. 99) III. Allegro passionato (
12. Brahms Johannes – Cello Sonata No. 2 in F (op. 99) IV. Allegro molto

Anner Bylsma – Violoncelo
Lambert Orkis – Piano

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O Tenor Perdido – Dimos Goudaroulis – Nicolau de Figueiredo

O Tenor Perdido – Dimos Goudaroulis – Nicolau de Figueiredo

3249306O violoncelista grego Dimos Goudaroulis foi professor da Unicamp e entusiástico divulgador de seu instrumento no país que o acolheu. Responsável pela primeira gravação brasileira das Suítes de J. S. Bach em violoncelo barroco, apresentou com sucesso essas grandes obras como programa único em vários e, até então, impensáveis recitais.

Neste “O Tenor Perdido”, Goudaroulis explora o repertório do violoncello piccolo, que seria (daí o título) o tenor em oblívio da família das cordas. No rico encarte que acompanha a gravação, o violoncelista descreve seu encontro com o raro instrumento, num caso feliz de serendipidade: um violoncelo “de criança”, que encontrou empoeirado num atelier de luteria, cujo som muito “pequeno” era insatisfatório com o encordoamento tradicional, até que lhe ocorreu a ideia de retirar-lhe a corda Dó grave e colocar-lhe uma corda Mi aguda, “como um violino grande” e – voilà! – o pequeno violoncelo, agora com o som “três vezes maior”, assim começar a “cantar no agudo”.

Acompanhado do ótimo cravista Nicolau de Figueiredo, Goudaroulis interpreta o que se considera ser repertório original para violoncello piccolo, muito embora, como explica no encarte [já lhes falei que o encarte é ótimo? Comprem o CD e confiram!], nem sempre as partituras o indicassem como tal. O bonito timbre do “tenor perdido” brilha nas obras dos pouco conhecidos Valentini, Caporalli e Babell, nesta caprichada gravação de 2010.

[meus agradecimentos aos leitores-ouvintes Rameau e Nicholas, que gentilmente corrigiram a minha afirmação de que Goudaroulis fizera a primeira gravação brasileira das Suítes de Bach, e que imperdoavalmente não levou em conta precedentes ilustres como os de Aldo Parisot e de Antonio Meneses, e ao leitor-ouvinte Lucas, que me informou que Goudaroulis não é mais professor da Unicamp]

O TENOR PERDIDO
DIMOS GOUDAROULIS – NICOLAU DE FIGUEIREDO

CD1

Giuseppe VALENTINI (ca. 1680 – 1752)

Allettamenti para violoncello piccolo e baixo contínuo, Op. 8

Allettamento I em Ré menor

01 – Andante affetuoso
02 – Allegro
03 – Amoroso
04 – Presto
05 – Allegro

Allettamento II em Si menor

06 – Largo
07 – Allegro
08 – Adagio
09 – Allegro
10 – Vivace

Allettamento VI em Fá sustenido menor

11 – Largo
12 – Allegro
13 – Amoroso andante
14 – Presto
15 – Vivace

Allettamento VII em Lá maior

16 – Andante
17 – Allegro
18 – Largo andante
19 – Vivace affetuoso
20 – Vivave

Allettamento XII em Ré menor

21 – Adagio
22 – Presto
23 – Largo
24 – Allegro
25 – Presto

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CD 2

Andrea CAPORALE (? – 1757?)

Sonata no. 1 em Lá maior para violoncello piccolo e baixo contínuo

01 – Adagio
02 – Spiritoso
03 – Vivace

William BABELL (1689/90 – 1723)

Transcrições da ópera “Rinaldo” de Georg Friedrich Händel

“First set” em Fá maior, para cravo solo

04 – Preludio – Presto
05 – The Ouverture of Rinaldo: Vivace/Allegro/Adagio?giga, Presto
06 – ‘Sovra balze’ (Aria di Godofredo) – Vivace
07 – ‘Lascia ch’io pianga” (Aria d’Almirena) – Adagio
08 – ‘Sulla ruota di fortuna” (Aria d’Eustazio) – Presto

“Fourth Set” em Sol maior, para cravo solo (excerto)

09 – “Vò far guerra” (Aria d’Armida) – Allegro

Andrea CAPORALE 

Seis Solos para Violoncelo do Senhor Caporale

Sonata III em Ré maior, para violoncello piccolo e baixo contínuo

10 – Adagio
11 – Allegro
12 – Cantabile

Sonata II em Si bemol maior, para violoncello piccolo e baixo contínuo

13 – Adagio
14 – Allegro
15 – Vivace moderato

Sonata em Ré menor para violoncello piccolo e baixo contínuo

16 – Adagio
17 – Allegro
18 – Allegro – tempo di minuetto

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Dimos Goudaroulis, violoncello piccolo de quatro cordas (Alemanha, final do século XVII)
Nicolau de Figueiredo, cravo (William Takahashi, cópia de um instrumento francês do século XVIII de Pascal Taskin)

Dimos

Vassily Genrikhovich

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino e Piano (Mullova)

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino e Piano (Mullova)

Havia um velho post de FDP Bach onde ele perguntava aos pequepianos: quem toca melhor estas Sonatas, Mullova ou Mutter? E disponibilizava ambas as gravações. Eu sei lá onde foi parar este post, mas eu, que não sou bobo, fiquei com os arquivos cá comigo. Na minha opinião, Mutter vence a disputa, apesar da absoluta correção de Mullova. Acho que o trabalho de Mutter é mágico, brilhante, e Mullova ficaria, em minha DESCONSIDERÁVEL opinião. Só que estamos falando do Olimpo das interpretações. Você ouve a que quiser. Amanhã teremos Mutter. E, depois de amanhã, vou meter Ibragimova na disputa. Aguardem.

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino e Piano (Mullova)

01. Brahms Sonata No.1 in G, Op.78 – 1. Vivace ma non troppo
02. Brahms Sonata No.1 in G, Op.78 – 2. Adagio
03. Brahms Sonata No.1 in G, Op.78 – 3. Allegro molto moderato

04. Brahms Sonata No.2 in A, Op.100 – 1. Allegro amabile
05. Brahms Sonata No.2 in A, Op.100 – 2. Andante tranquillo – Vivace – Andante –
06. Brahms Sonata No.2 in A, Op.100 – 3. Allegretto grazioso (quasi Andante)

07. Brahms Sonata No.3 in D minor, Op.108 – 1. Allegro
08. Brahms Sonata No.3 in D minor, Op.108 – 2. Adagio
09. Brahms Sonata No.3 in D minor, Op.108 – 3. Un poco presto e con sentimento
10. Brahms Sonata No.3 in D minor, Op.108 – 4. Presto agitato

Viktoria Mullova – Violin
Piotr Anderszewsky – Piano

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Mullova, né?

PQP

Frederic Chopin – Ballades, Impromptus – Nikita Magaloff

Não sei com relação aos senhores, mas minha vida seria um tédio se não fosse a música. É ela que me alimenta, espiritualmente falando, que me dá forças para encarar as agruras do dia a dia. Preciso dela como se fosse um remédio para curar as mazelas da vida. Não quero parecer pessimista, nem de mal com a vida. Ao contrário. Digamos que cheguei a uma fase de minha vida em que não adianta mais ficar chorando pelo leite derramado, ele nunca vai voltar para o copo. É preciso ir em frente, encarar as adversidades, e para isso preciso desse alimento para a alma, que chamam de música.
E por algum motivo, alguns compositores tem esta incrível capacidade de nos fazer pensar, os senhores também não tem esta sensação? Ouçam o Scherzo nº 2, magistralmente interpretado pelo Nikita Magaloff no segundo CD desta série, que foi disponibilizado dia destes para os senhores. .. não parece um questionamento que o compositor nos faz logo no início, nos perguntando ‘E aí, como vão as coisas?’
Já neste terceiro CD, bem, aqui a coisa é ainda mais séria: temos as magníficas 4 Baladas, já tão gravadas, dissecadas pelos principais pianistas do século XX e deste início de Século XXI. A música de Chopin tem esta incrível capacidade de nos fazer refletir. Volto a pedir sua atenção para este terceiro CD. Temos um intérprete maduro, em sua total capacidade técnica e no apogeu de maturidade artística nos brindando e nos convidando a esta reflexão. Digamos que ele está nos fornecendo a trilha sonora para esta reflexão.

01. Ballade No. 1 (1974)
02. Ballade No. 2
03. Ballade No. 3
04. Ballade No. 4
05. Impromptu No. 1
06. Impromptu No. 2
07. Impromptu No. 3
08. Impromptu No. 4

Nikita Magaloff – Piano

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A Família das Cordas: Violoncello Piccolo – Anner Bylsma

61NLGHcQ7ML._SY355_Encerramos a série d’A Família das Cordas e voltamos à nossa programação normal?

Nah-nah: temos que postar alguma coisa do violoncello piccolo, que não será estranho àqueles que escutaram o bonito O Tenor Perdido, álbum duplo de Dimos Goudaroulis e Nicolau de Figueiredo.

Quem entre vós outros se dá o trabalho, entre os cliques frenéticos nos links de download, de prestar um pouquinho de atenção nos textos que escrevemos, vai lembrar que já contamos algo da história desse instrumento na postagem d’O Tenor Perdido. Como supomos, no entanto, que vocês sejam poucos, tamanho o disparate entre o número de downloads e o de comentários que recebemos, vou repetir. Aliás, eu não: deixo o próprio Goudaroulis repetir (até porque o Estadão não me deixa colar aqui seu interessante texto).

O ótimo Anner Bylsma lança mão deste tenor de bonito timbre e irrisório repertório para tocar transcrições de obras de Johann Sebastian Bach para flauta e violino solo. Bylsma usaria o mesmo instrumento para fazer, junto com o cravista Bob van Asperen, uma maravilhosa gravação das Sonatas BWV 1027 a 1029, originalmente para a viola da gamba, que algum dia será polinizada por este muito acessado, mas pouco comentado blogue.

ANNER BYLSMA – VIOLONCELLO PICCOLO – JOHANN SEBASTIAN BACH

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Partita no. 3 em Mi maior para violino solo, BWV 1006

01 – Prelude
02 – Loure
03 – Gavotte en rondeau
04 – Gavotte I-II
05 – Bourrée
06 – Gigue

Partita em Lá menor para flauta solo, BWV 1013 (transposta para Sol menor)

07 – Allemande
08 – Courante
09 – Sarabande
10 – Bourrée anglaise

Sonata no. 2 em Lá menor para violino solo, BWV 1003

11 – Grave
12 – Fuga
13 – Andante
14 – Allegro

Anner Bylsma, violoncello piccolo e transcrições

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Algumas pessoas que conhecem Bylsma só pelo nome acham que ele seja uma mulher. O rapaz que me vendeu este CD também achava o mesmo e, imaginando uma neerlandesa pernuda, ficou um pouco chateado com a revelação. Bylsma, pelo jeito, também ficou.
Algumas pessoas que conhecem Bylsma só pelo nome acham que ele seja uma mulher. O rapaz que me vendeu este CD também achava o mesmo e, imaginando uma neerlandesa pernuda, ficou um pouco chateado com a revelação.
Bylsma, pelo jeito, também ficou bicudo.

Vassily Genrikhovich

Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nros 1 e 2

Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nros 1 e 2

Gosto muito da música de Gabriel Fauré. Ela soa como um Brahms francês, um Brahms menos denso, mas cheio de elegância e belas melodias. Fico feliz ao ouvi-lo. A música de Fauré também tem sido descrita como uma ligação entre o romantismo e o modernismo, no primeiro quarto do século XX. Quando nasceu, Chopin ainda compunha e, quando morreu, começava-se a ouvir o jazz e a música atonal da Segunda Escola de Viena. O Grove Dictionary of Music and Musicians, que o descreve como o compositor mais avançado da sua geração em França, salienta que as suas inovações harmônicas e melódicas influenciaram a música de muitas gerações. Estes quartetos são belíssimos e a interpretação do Wanderer é digna deles.

Gabriel Fauré: Quartetos para Piano Nros 1 e 2

Piano Quartet No.1 Op.15
1 Allegro Molto Moderato 9:30
2 Scherzo. Allegro Vivo 5:26
3 Adagio 7:10
4 Finale. Allegro Molto 7:43

Piano Quartet No.2 Op.55 In G Minor
5 Allegro Molto Moderato 11:05
6 Scherzo. Allegro Molto 3:29
7 Adagio Non Troppo 9:50
8 Finale. Allegro Molto 8:07

Trio Wanderer:
Cello – Raphaël Pidoux
Piano – Vincent Coq
Violin – Jean-Marc Phillips-Varjabédian
+ Viola – Antoine Tamestit

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Georges Seurat (1859-1891): Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte (estudo)

PQP

A Família das Cordas: Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Sonatas e Partitas para violino solo, executadas na viola – Scott Slapin

MI0001030013Folheando o álbum de família das cordas, chegamos à nobre viola.

Antes que os violinistas venham com piadas e mais piadas, mando chumbo grosso para calar preemptivamente qualquer bullying: uma gravação das sonatas e partitas para violino solo de Johann Sebastian Bach, transcritas e executadas pelo violista Scott Slapin.

Se em sua versão original essas obras fizeram até o grande Sarasate tocar como um estudante em pânico no seu exame, na viola – maior e com cordas mais robustas – elas parecem inexequíveis.

Pareciam: o trabalho de Slapin é notável, e de tal maneira que alguns movimentos, especialmente os adágios e fugas das sonatas, chegam a soar mais idiomáticos na viola. Não há lentificação significativa dos andamentos, que são amplamente respeitados. As sonatas e partitas chegam mesmo a caber separadas em discos, ao contrário da praxe que, por questões de tempo, as coloca intercaladas. Sobraram energia e espaço, vejam só, até para tocar uma transcrição da partita para flauta solo – que disposição, ahn?

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)

THE SONATAS AND PARTITAS FOR SOLO VIOLIN and THE UNACCOMPANIED PARTITA FOR FLUTE
Transcribed and played on viola by Scott Slapin

DISCO 1 – THE SONATAS

SONATA NO. 1, BWV 1001

01 – Adagio
02 – Fugue
03 – Siciliano
04 – Presto

SONATA NO. 2, BWV 1003

05 – Grave
06 – Fugue
07 – Andante
08 – Allegro

SONATA NO. 3, BWV 1005

09 – Adagio
10 – Fugue
11 – Largo
12 – Allegro assai

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DISCO 2 – THE PARTITAS

PARTITA NO. 1, BWV 1002

01 – Allemande
02 – Double
03 – Courante
04 – Double
05 – Sarabande
06 – Double
07 – Bourrée
08 – Double

PARTITA NO. 2, BWV 1004

09 – Allemande
10 – Courante
11 – Sarabande
12 – Gigue
13 – Chaconne

PARTITA NO. 3, BWV 1006

14 – Prélude
15 – Loure
16 – Gavotte en Rondeau
17 – Menuet I-II
18 – Bourrée
19 – Gigue

PARTITA, BWV 1013

20 – Allemande
21 – Courante
22 – Sarabande
23 – Bourrée Anglaise

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Scott Slapin, viola

- Por que as violas são maiores que os violinos? - Elas são menores: as cabeças dos violinistas é que são maiores!
Rindo sei lá do quê.

Vassily Genrikhovich

Haydn (1732-1809): 3 Quartetos de Cordas – Quatuor Ébène

Haydn (1732-1809): 3 Quartetos de Cordas – Quatuor Ébène

Haydn

Quartetos Op. 64, 5 – Op. 33, 1 – Op. 76, 1

Quatuor Ébène

 

Se você for um blogueiro de música e houver um daqueles dias nos quais as ideias sobre postagens mostrarem-se rarefeitas, não se preocupe, sempre há Haydn!

Quartetos de cordas, por exemplo, inúmeros. Não recomendo postagem da integral, isto dará um trabalho insano e a inspiração pode fugir. Sem contar que não parece ser boa política fazer canja de galinha boa poedeira.

Pois eu sou assim, gosto de Haydn, especialmente estes discos com umas duas ou três de suas peças. Portanto, quando avistei este álbum, saltei-lhe logo em cima. É claro, eu precisava antes ser convencido que valeria a postagem. Afinal, para os senhores, apenas o melhor! Pois bem, aqui está, o disquinho é danado de bom.

Gravado ao vivo na Abadia Real de Fontevraud, este é o primeiro álbum do famoso Quatuor Ébène, que já tem uma outra formação. No libreto há uma entrevista na qual o grupo explica as escolhas feitas para o disco: gravação ao vivo e repertório.

Sobre a gravação, eles falam sobre a energia que recebem da audiência. A adrenalina do momento aumenta a concentração, segundo eles, e também ajuda a dar um certo sentido de improvisação.

Sobre o repertório, observam que Haydn é o princípio desta formação musical e que uma vez alcançado o domínio dessas estruturas musicais estariam preparados para outros estágios, tais como os quartetos de Beethoven e Bartók.

Eles buscaram entre os tantos quartetos de Haydn aqueles que pela genialidade do compositor mais espontaneamente mostrassem um apelo ao grupo. Chegaram assim a três quartetos de diferentes períodos da vida de Haydn, o que mostra o quanto era a sua inspiração renovável e infalível.

O Quarteto Op. 64, 5, The Lark (l’Alouette, A Cotovia) é um dos mais famosos quartetos de Haydn e combina sutileza e elegância com extrema vitalidade. Composto em 1790, reflete a alegria que Haydn sentia com a perspectiva da viagem à Londres e por estar finalmente livre de suas obrigações com a família Esterházy.

O Quarteto Op. 33, 1 foi composto em 1781 quando Haydn tinha 48 anos e estava no auge de sua capacidade criativa, autoconfiante, resultando assim em uma obra repleta de audácia e criatividade. Eles mencionam a decisão de substituir o convencional minueto por um surpreendente scherzo e o quanto isto deve ter deixado estupefatos os músicos de Paris e de Viena. Há uma teoria de que esta obra teria persuadido Mozart a escrever a sua série de quartetos que foi dedicada a Haydn. Pela primeira vez Mozart teria se sentido superado por outro compositor.

O Quarteto Op. 76, 1 foi composto em 1796, quando Haydn já estava de volta de suas viagens a Londres e ainda mantinha a mesma incrível energia além de um grande domínio sobre a arte de compor quartetos. Ao longo da peça ouvimos as quatro vozes em total harmonia enquanto passam de um movimento ao outro, deixando momentos de provocação, meditação, vivacidade, terminando com rústica alegria, típica de Haydn.

Com uma estreia assim propícia, não é surpresa que o Quatuor Ébène continue a produzir discos tão bons como os que conhecemos. Para uma crítica bastante equilibrada deste álbum, você pode acessar este link.

Joseph Haydn (1732-1809)

Quarteto de cordas em ré maior, Op. 64, No. 5 (Hob. III. 63) – “l’Alouete”

  1. Allegro moderato
  2. Adagio cantábile
  3. Menuet – Allegretto
  4. Finale – Vivace

Quarteto de cordas em si menor, Op. 33, No. 1 (Hob. III. 37)

  1. Allegro moderato
  2. Scherzo – Allegro di molto
  3. Andante
  4. Finale – Presto

Quarteto de cordas em sol maior, Op. 76, No. 1 (Hob. III. 75)

  1. Allegro com spirito
  2. Adagio sostenuto
  3. Menuet – Presto
  4. Finale – Allegro ma non troppo

Quatuor Ébène

Pierre Colombet, violino
Gabriel Le Magadure, violino
Mathieu Herzog, viola
Raphaël Merlin, violoncelo
Produção: Cécile Lenoir

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FLAC | 266 MB

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MP3 | 320 KBPS | 132 MB

Uma noite na Abadia ouvindo três dos melhores quartetos de Haydn interpretados pelo Quatuor Ébène… quer mais?

René Denon

Frederic Chopin – Scherzos, Berceuse Op. 57, etc. – Nikita Magaloff

Não lembro quando foi que ouvi Chopin pela primeira vez, provavelmente era um CD de uma coleção da antiga Abril Cultural,  que trazia algumas obras como a Balada nº1, o Scherzo nº 1, entre outras. Não lembro quem era o pianista. Só lembro que aquele disco me impactou bastante. De todas as obras daquele LP a que mais me impactou foi a Balada nº 1. Imaginem, eu era apenas um adolescente nos seus doze ou treze anos de idade, não entendia nada nem sabia o que significava aquilo. Com o tempo fui conhecendo melhor a obra do mestre polonês, e conheci Arthur Rubinstein. Mas isso é outra história.

01. Scherzo No. 1, Op. 20 (1976)
02. Scherzo No. 2, Op. 31
03. Scherzo No. 3, Op. 39
04. Scherzo No. 4, Op. 54
05. Berceuse Op. 57
06. Barcarolle Op. 60
07. Fantaisie Op. 49 (1978)
08. Bolero Op. 19
09. Contredanse in G flat major
10. Tarentelle Op. 43

Mikita Magaloff – Piano

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Variações sobre uma Valsa de Anton Diabelli, Op. 120 – Friedrich Gulda

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Variações sobre uma Valsa de Anton Diabelli, Op. 120 – Friedrich Gulda

410NB3FKKJLUm de nossos mais assíduos leitores-ouvintes pediu, dia desses, que repostássemos a gravação de Paul Lewis para as Variações Diabelli e a série das Sonatas para piano de Beethoven com Friedrich Gulda, por terem desaparecido no éter após o colapso dos servidores de compartilhamento.

Como não tenho a gravação de Lewis, e a caixa do Gulda tem um monte de CDs, vou usar o pedido do leitor-ouvinte como pretexto para postar a versão de Gulda para as Diabelli: elétrica e doida como o intérprete, e repleta do toque mágico desse bruxo do teclado, é das melhores que conheço para a obra genial.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Trinta e três Variações para piano sobre uma Valsa de Anton Diabelli, em Dó maior, Op. 120

01 – Thema: Vivace
02 – Variação I: Alla Marcia. Maestoso
03 – Variação II; Poco Allegro
04 – Variação III; L’istesso tempo
05 – Variação IV Un poco più Vivace
06 – Variação V: Allegro Vivace
07 – Variação VI: Allegro ma non troppo e serioso
08 – Variação VII: Un poco più allegro
09 – Variação VIII: Poco vivace
10 – Variação IX: Allegro pesante e risoluto
11 – Variação X: Presto
12 – Variação XI: Allegretto
13 – Variação XII: Un poco più mosso
14 – Variação XIII: Vivace
15 – Variação XIV: Grave e maestoso
16 – Variação XV: Presto scherzando
17 – Variação XVI: Allegro
18 – Variação XVII
19 – Variação XVIII: Poco moderato
20 – Variação XIX: Presto
21 – Variação XX: Andante
22 – Variação XXI: Allegro con brio – Meno allegro
23 – Variação XXII: Allegro molto (Alla »Notte e Giorno Faticar« di Mozart)
24 – Variação XXIII: Allegro assai
25 – Variação XXIV: Fughetta. Andante
26 – Variação XXV: Allegro
27 – Variação XXVI
28 – Variação XXVII: Vivace
29 – Variação XXVIII: Allegro
30 – Variação XXIX: Adagio ma non troppo
31 – Variação XXX: Andante, sempre cantabile
32 – Variação XXXI: Largo, molto espressivo
33 – Variação XXXII: Fuga – Allegro – Poco Adagio
34 – Variação XXXIII: Tempo di Menuetto – Moderato

Friedrich Gulda, piano

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Friedrich Gulda, maluco-beleza: que maluco! e que beleza!!!
Tentem NÃO imaginar a metade de baixo… mmm, tarde demais.

Vassily Genrikhovich

Scriabin – Integral dos Estudos (Nikita Magaloff, piano)

O pianista russo emigrado Nikita Magaloff foi um dos  primeiros a tocar a integral da obra de Chopin e talvez o primeiro a gravar a integral de suas obras para piano. Outra gravação integral que ele fez, no ano de sua morte, foi a dos estudos de Scriabin. A gravação desses estudos é talvez o seu testamento para a posteridade e em nenhum momento é possível supor que o pianista tocando esses estudos diabolicamente difíceis tem 80 anos. Magaloff, que era uma espécie de mentor de jovens pianistas como Dinu Lipatti, Martha Argerich e Michel Dalberto, nos deixou também suas lembranças no encarte do disco:

A música de Scriabin é um amor de infância que jamais me abandonou. Só mais tarde, refletindo, me dei conta da singularidade de sua obra. Scriabin estava realmente fora da corrente principal da música russa se seu tempo. Na época, o grande objetivo era a invenção de uma música russa original, fundada no folclore e na tradição religiosa. Primeiro Glinka, depois Mussorgsky, Rimsky-Korsakov, Tchaikovsky e Rachmaninoff estavam preocupados com isso. Mas a música de Scriabin não tem essas características, ela não soa especialmente “russa”: ele é bem diferente.

Quando esteve em Paris, Scriabin foi apresentado por seu editor a Isidor Philipp*, um dos grandes pedagogos da época. Scriabin tocou para ele, mas Philipp não se convenceu. Eu mesmo, anos depois, toquei alguns de seus Prelúdios para Philipp, que se tornaria meu professor: ele me aconselhou a retirá-los depressa de meu repertório!

Tendo deixado a Rússia na época da Revolução, eu não sei se ele era muito tocado na URSS, exceto por seu genro, o grande pianista Sofronitsky. Na Europa ocidental ele era pouco apreciado.

Nos estudos, Scriabin mostra o que ele deve a Chopin, é claro, explorando diferentes dificuldades (terças, sextas, oitavas, saltos, etc). O rubato também vem de Chopin, assim como o fato de jamais escrever passagens virtuosas que não tenham necessidade musical. É preciso apontar também a influência de Schumann. Quanto à de Wagner, inevitável, ela é talvez a origem de suas explorações harmônicas cada vez mais avançadas.
(Nikitta Magaloff. Traduzido do encarte do CD)

* Philipp também foi o professor, em Paris, de Guiomar Novaes e de Youra Guller. As duas, assim como Magaloff, são excepcionais intérpretes de Chopin.

Entre os primeiros admiradores de Scriabin, Magaloff lista, além de si próprio: Nicholas Roerich, o decorador da estreia da Sagração da Primavera; Prokofieff, que Magaloff viu tocar Scriabin no piano, mas criticando o seu romantismo exacerbado; Rachmaninoff, que estudou junto com Scriabin no Conservatório de Moscou e, no ano da morte do colega, fez vários recitais em sua homenagem, para ser criticado por Prokofieff: “quando Scriabin tocava a 5ª sonata, tudo parecia voar rumo aos céus, com Rach todas as notas ficaram firmemente plantadas na terra”.
Só mais tarde, grandes pianistas como Horowitz, Richter, Gilels divulgariam a música de Scriabin pelos palcos do mundo. Mas nenhum destes três se aventurou a gravar a integral dos estudos, muito menos aos 80 anos, idade em que Horowitz tocava sonatas de Mozart e Richter deu seu último recital tocando sonatas de Haydn.

Александр Скрябин / Alexander Scriabin: Estudos para piano

1 Étude Opus 2 n°1, Andante en Ut # Mineur [1886]

Douze Études pour Piano – Opus 8 [1893-1895]
2 N°1 Allegro, en Ut # Majeur
3 N°2 A Capriccio, con Forza, en Fa # Mineur
4 N°3 Tempestoso, en Si Mineur
5 N°4 Piacevole, en Si Majeur
6 N°5 Brioso, en Mi Majeur
7 N°6 Con Grazia, en La Majeur
8 N°7 Presto Tenebroso, Agitato, en Si Bémol Mineur
9 N°8 Lento, en La Bémol Majeur
10 N°9 Alla Ballata, en Sol # Mineur
11 N°10 Allegro, en Ré Bémol Majeur
12 N°11 Andante Cantabile, en Si Bémol Mineur
13 N°12 Patetico, en Ré # Mineur

Huit Études pour Piano – Opus 42 [1903]
14 N°1 Presto, en Ré Bémol Majeur
15 N°2 La Noire à 112, en Fa # Mineur
16 N°3 Prestissimo, en Fa # Majeur
17 N°4 Andante, en Fa # Majeur
18 N°5 Affannato, en Ut Mineur
19 N°6 Esaltato, en Ré Bémol Mineur
20 N°7 Agitato, en Fa Mineur
21 N°8 Allegro, en Mi Bémol Majeur

Trois Études pour Piano – Opus 65 [1912]
22 N°1 Allegro Fantastico
23 N°2 Allegretto
24 N°3 Molto Vivace

Piano: Nikita Magaloff / Никита Магалов (1912-1992)
Gravado em Lausanne, Suíça, em julho de 1992.

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Scriabin ao piano

Pleyel

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para violino, Op. 61, em arranjo para piano e orquestra – Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Concerto em Ré maior, BWV 1054 – Olli Mustonen

512QkXb64ZLAcrescentar obras novas de Beethoven a um acervo como o do PQP Bach é dureza, ainda mais quando se tem como colegas uns celerados com discografias nababescas como nosso patrão e o ilustre FDP Bach. No entanto, acho – ACHO – que esta ainda não apareceu por aqui: o arranjo para piano e orquestra, feito pelo próprio compositor, de seu célebre Concerto para violino.

Como era habitual a Beethoven, gênio tão ruminativo quanto pessoa proverbialmente desorganizada, a versão original do Concerto foi concluída em cima da hora para a estreia, muito pouco ensaiada, e o solista – um certo Franz Clement – teve que ler boa parte do solo à primeira vista. A relação do público na première, claro, foi uma geleira, e a obra foi esquecida durante muitas décadas, até ser ressuscitada pelo jovem Joseph Joachim em meados do século XIX. Numa tentativa de resgatá-la do ostracismo, Beethoven arranjou-a como um Concerto para piano, quase rasgando suas costuras ao tentar torná-la mais idiomática ao teclado. Fê-lo, aparentemente, com muito entusiasmo, a julgar pela curiosíssima, hiperativa cadenza que escreveu para o Allegro non troppo, que conta com uma nada sutil participação dos tímpanos – os mesmos que abrem, em discreto pulsar, o primeiro movimento.

O finlandês Mustonen é um bom pianista e muito aventureiro na exploração do repertório. Para acompanhar a curiosa reinvenção de Beethoven, escolheu um dos concertos de Bach, para o qual dá uma interpretação correta, tanto ao teclado quanto na regência.

BEETHOVEN – PIANO CONCERTO (VIOLIN CONCERTO ARR. BEETHOVEN)
BACH – CONCERTO BWV 1054
OLLI MUSTONEN 

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Concerto em Ré maior para piano e orquestra, Op. 61a (transcrição do Concerto para violino, Op. 61, feita pelo próprio compositor)
01 – Allegro non troppo
02 – Larghetto
03 – Rondo: Allegro

Olli Mustonen, piano
Deutscher Kammerphilarmonie
Jukka-Pekka Saraste, regência

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Concerto em Ré maior para piano, orquestra de cordas e contínuo, BWV 1054
04 – [sem indicação de andamento]
05 – Adagio e piano sempre
06 – Allegro

Olli Mustonen, piano e regência
Deutscher Kammerphilarmonie

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Vassily Genrikhovich

Debussy / Ravel / Prokofiev: Peças para Flauta e Piano – Emmanuel Pahud & Stephen Kovacevich

Debussy / Ravel / Prokofiev: Peças para Flauta e Piano – Emmanuel Pahud & Stephen Kovacevich

Debussy: Syrinx – Bilitis – La plus que lente

 

Ravel: Chanssons madécasses

 

Prokofiev: Sonata para Flauta e Piano

Os discos e a música sempre me levam a lugares inusitados, diferentes e especiais. Esta postagem levou-me à Ilha da Reunião, antiga Ilha de Bourbon, no Oceano Índico, a leste de Madagascar.

O disco reúne três compositores e basicamente música para flauta e piano. E que intérpretes temos aqui. Emmanuel Pahud é o principal flautista da Filarmônica de Berlim e Stephen Kovacevich é um dos melhores pianistas de sua geração. Eles tocam peças de Debussy e a lindíssima sonata para flauta e piano de Prokofiev, postada aqui um dia destes. O programa começa com Debussy, abrindo com uma peça para flauta solo, Syrinx, de pouco mais de três minutos. Em seguida uma transcrição para flauta e piano da música das Chansons de Bilitis, feita por Karl Lenski. Para fechar a parte dedicada a Debussy, uma peça para piano solo, La plus que lente, interpretada magistralmente por Kovacevich, balanceando assim a distribuição dos trabalhos.

A Sonata de Prokofiev fecha o disco e estas duas partes do programa ladeiam um ciclo de canções composto por Maurice Ravel. Pois é neste núcleo do disco que temos a nossa viagem. Para esta parte do programa, juntam-se aos dois solistas a mezzo-soprano Katarina Kernéus e o violoncelista Truls Mørk. O ciclo é intitulado Chanssons madécasses (Canções de Madagascar) e é formado por três canções. E aí o programa fica bem interessante.

Liz Coolidge

O ciclo foi encomendado a Ravel por uma patrocinadora das artes, a americana Elizabeth Sprague Coolidge (Liz Coolidge), a quem é dedicado. Promotora especialmente de música de câmera, ela comissionou obras de vários compositores contemporâneos, e deixou a escolha do texto com Ravel.  Ela pediu que, se possível, flauta e violoncelo fossem acrescentados ao acompanhamento de piano. Ravel estava lendo um livro de Evariste-Désiré de Parny e escolheu três de seus poemas para o ciclo. Esses poemas de Parny são os primeiros poemas franceses escritos em prosa. (Para a integral desses poemas, clique aqui). O autor, que nasceu na tal Ilha de Bourbon, afirma que os poemas são traduções para o francês de canções líricas que coletou em suas viagens por Madagascar. Mas tudo é muito poético. De fato as viagens assim como as canções são fruto da imaginação e da inventividade do Parny. Figura fascinante, Evariste-Désiré de Parny merece maior investigação. Ravel produziu um ciclo de canções que se diferencia de qualquer uma de suas obras de câmera ou vocal, tanto pelo conteúdo provocante do texto quanto pela natureza emocional e dramática da música. Uma análise detalhada do ciclo pode ser encontrada aqui. Os poemas em prosa de Parny têm um apelo exótico e erótico, além de trazerem um interessante sentimento anti-colonialista. Tudo arranjado pelo compositor francês a pedido da mecenas americana. Ah, a cultura…

As peças resultantes das Chanssons de Bilitis, adaptadas para flauta e piano por Karl Lenski, também tem um que de sensualidade que torna o disco muito, muito bonito. E ainda mais, para fechar o pacote, a interpretação de um dos maiores flautistas da atualidade da belíssima sonata de Prokofiev. Portanto, não demore, baixe logo o disco….

Claude Debussy (1862-1918)

1. Syrinx (La flûte de Pan)

Billitis (Ed. Karl Lenski)
2. Pour invoquer Pan, dieu du vent d’été
3. Pour un tombeau sans nom
4. Pour que la nuit soit propice
5. Pour la danseuse aux crotales
6. Pur l’égyptienne
7. Pour remercier la pluie au matin
8. La plus que lente

Maurice Ravel (1875-1937)

Chansons madécasses
9. Nahandove
10. Aoua!
11. Is est doux de se coucher

Sergei Prokofiev (1891-1953)

Sonata para flauta e piano em ré maior, Op. 94
12. Moderato
13. Scherzo (allegretto scherzando)
14. Andante
15. Allegro con brio

Emmanuel Pahud, flauta (1-7, 9-15)
Stephen Kovacevich, piano (2-15)

Katarina Karnéus, mezzo-soprano (9-11)
Truls Mørk, violoncelo (9-11)
Gravado em 1999, Lyndhurst Hall, Air Studios, Londres
Produção: Stephen Hohns

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FLAC | 229 MB

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MP3 | 320 KBPS | 146 MB

Evariste de Parny

 

Aproveite!

René Denon

Terezín – Theresienstadt – Anne Sofie von Otter – Bengt Forsberg – Christian Gerhaher – Daniel Hope

Terezín_-_Theresienstadt_(Anne_Sofie_von_Otter_album)Este magnífico álbum seria tocante mesmo sem as circunstâncias que, a seguir, passo a lhes descrever – e se o leitor-ouvinte é daqueles que prefere apreciar apenas o que escuta, sem se abalar com circunstâncias extramusicais, sugiro que passe direto ao download.

A fortaleza austro-húngara de Theresienstadt (em tcheco, Terezín) foi criada no século XVIII nas proximidades de Ústí nad Labem, ao norte de Praga. Afora sua função defensiva, também serviu como centro de detenção para prisioneiros políticos, mas foi durante o sombrio período da ocupação alemã da Boêmia (1939-1945) que o nome de Terezín foi definitivamente escrito na História da Infâmia.

"Todos tinham fome" - Liana Frankl, 9 anos
“Todos tinham fome” – Liana Frankl, 9 anos

Depois da anexação do território tcheco dos Sudetos (1938) e de garantir a influência sobre o estado-fantoche da Eslováquia (1939), o Reich transformou o restante do território da então Tchecoslováquia no Protetorado da Boêmia e Morávia, nominalmente autônomo e governado por tchecos colaboracionistas. Na prática, quem mandava no Protetorado era um Reichsprotektor, cargo que coube, entre outros, a dois dos mais truculentos membros dos quadros do Partido Nazista: Reinhard Heydrich (assassinado em 1942 por comandos tchecos) e Wilhelm Frick (executado em Nürnberg em 1946).

[agradecemos ao leitor Fehes pela correção do nome de Heydrich e do ano das mortes de Heydrich e Frick, enquanto pedimos desculpas aos leitores-ouvintes pelos erros que inacreditavelmente permaneceram aqui durante vários anos e revisões]

Josef Novak, 7 anos
Josef Novak, 7 anos

Tão logo tomaram as rédeas do poder, os nazistas começaram a esmagar os movimentos de resistência e expulsar os então mais de cem mil judeus tchecos de suas residências. A maior parte deles foi parar na cidadela de Terezín, que rapidamente viu sua população inflar para quase sessenta mil pessoas, amontoadas em condições degradantes e num espaço preparado para receber menos de sete mil. Além dos judeus da Boêmia, Morávia e Eslováquia, Terezín também recebeu deportados da Alemanha, Áustria, Países Baixos e Dinamarca, bem como prisioneiros de outros países.

Helga Weiss, 13 anos
Helga Weiss, 13 anos

Enquanto a fome, o frio e as epidemias ceifavam vidas entre os prisioneiros, o eficiente aparato de propaganda nazista vendia a imagem de Terezín como uma cidade-modelo, em que os judeus viviam em liberdade e celebravam sua cultura dentro do Reich: o emblema de um tratamento humano e respeitoso que era o antônimo exato do que recebiam. Numa ocasião especialmente infame, os nazistas “embelezaram” Terezín para uma inspeção da Cruz Vermelha e para um filme de propaganda, amontoando os prisioneiros famélicos e doentes em galpões para deixar à vista tão só os pouquíssimos internos em estado razoável de saúde. O resultado da medida, no auge de uma epidemia de tifo, foi mortífero.

"Não no gueto" - Dorita Weiser, 9 anos
“Não no gueto” – Dorita Weiser, 9 anos

Com o advento da infamemente denominada “Solução Final”, os guetos foram evacuados, e seus moradores, transportados para campos de extermínio. Além das 33.000 mortes devidas às péssimas condições de vida em Terezín, outras 88.000 pessoas que por lá passaram foram levadas ao encontro da morte em Auschwitz-Birkenau, Treblinka e Sobibor. No total, das mais de 150.000 vítimas do fascismo que viveram em Terezín, menos de 18.000 sobreviveram – entre as quais apenas 240 das 15.000 crianças.

Ella Liebermann, 16 anos
Ella Liebermann, 16 anos

Apesar da extrema dureza da vida no gueto, e dos abusos e censura rigorosa dos nazistas, a vida e a Arte floresceram em Terezín tanto quanto puderam. Artistas deportados continuaram a escrever, compor, pintar e esculpir suas obras. A pintora Friedl Dicker-Brandeis, notavelmente, deu aulas de Pintura e Desenho para muitas crianças, com o intuito de aliviar-lhes a opressão em que viviam. Estes jovens artistas, que em sua maioria encontraram a morte nos anos subsequentes, deixaram para a posteridade um pungente legado que não só descreve melhor do que quaisquer palavras os horrores que presenciaram, mas que também preservou seus nomes para a posteridade. Alguns destes preciosos desenhos ilustram esta postagem.

Ella Liebermann, 16 anos
Ella Liebermann, 16 anos

Sensibilizada com a história de Terezín, a diva sueca Anne Sofie von Otter rodeou-se de colaboradores para produzir este disco, inteiramente devotado a obras compostas por prisioneiros do gueto. Se algumas delas transpiram alegria, serenidade e escracho, é difícil nossas faringes não se apertarem ante a constatação de que a maior parte de seus compositores faleceu em 1944 – o ano da liquidação de Terezín. O que à primeira vista parece uma colagem com os gêneros mais diversos – de canções de cabaré a Lieder em tcheco e em iídiche, e até uma sonata para violino solo – ganha uma coesão admirável graças às interpretações muito sensíveis e reverentes.

No fim, ao extinguir-se a última nota do violino, o silêncio cala fundo, e é como se uma voz nos sussurrasse:

– Esquecer… é repetir.

NUNCA, pois, esqueçamos Terezín.

"A chega do trem com deportados" - Edita Pollak, 9 anos
“A chegada do trem com deportados” – Edita Pollak, 9 anos

TEREZÍN/THERESIENSTADT

Anne Sofie von Otter, mezzo-soprano
Christian Gerhaher,
barítono
Daniel Hope,
violino
Bengt Forsberg e Gerold Huber,
piano
Ib Hausmann,
clarinete
Philip Dukes,
viola
Josephine Knight,
violoncelo
Bebe Risenfors,
violão e acordeão

Ilse WEBER (1903-1944)

01 – Ich wandre durch Theresienstadt
Anne-Sophie von Otter, Bengt Forsberg, Bebe Risenfors

Karel ŠVENK (1917-1945)
arranjo de Moshe Zorman

02 – Pod destnikem
03 – Vsecho jde!
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg, Bebe Risenfors

Ilse WEBER

04 – Ade, Kamerad!
Christian Gerhaher, Gerold Huber

05 – Und die Regen rinnt
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Adolf STRAUSS (1902-1944)
arranjo de Moshe Zorman

06 –  Ich weiß bestimmt, ich werd Dich
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Emmerich KÁLMÁN (1882-1953)

07 – Gräfin Mariza – Opereta em três atos: Terezín-Lied
Christian Gerhaher, Gerold Huber

Martin ROMAN (1910-1996)

08 – Karrussell
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Ilse WEBER

09 – Wiegala
Anne Sofie von Otter, Bebe Risenfors

Hans KRÁSA (1899-1944)

Três Canções sobre poemas de Arthur Rimbaud, traduzidas por Vítězslav Nezval:

10 – Čtyřverší
11 – Vzrušení
12 – Přátelé
Christian Gerhaher, Ib Hausmann, Philip Dukes, Josephine Knight

Carlo Sigmund TAUBE (1897-1944)

13 – Ein jüdisches Kind
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg, Ib Hausmann

Viktor Ullman (1898-1944)

14 – Drei jiddische Lieder (Brezulinka), Op.53 – no. 1: Berjoskele
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Seis Sonetos de Louize Labané, Op.34

15 – No. 1: “Claire Vénus”
16 – No. 2: “On voit mourir”
17 – No. 3: “Je vis, je meurs…”
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Pavel HAAS (1899-1944)

Quatro Canções sobre Poemas Chineses

18 –  Zaslechl jsem divoké husy
19 – V bambusovém háji
20 – Daleko měsíc je domova
21 – Probděná noc
Christian Gerhaher, Gerold Huber

Erwin Schulhoff [Ervín ŠULHOV] (1894-1942)

Sonata para violino solo (1927)

22 – Allegro con fuoco
23 – Andante cantabile
24 – Scherzo
25 – Finale
Daniel Hope

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Vassily Genrikhovich

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg, BWV 988 (Staier)

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg, BWV 988 (Staier)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hoje é o dia do aniversário de Drummond, então vamos a uma postagem fora do normal. Na minha opinião, Pierre Hantaï e Andreas Staier são os maiores intérpretes das Variações Goldberg. E aqui vai um texto que escrevi ha alguns anos sobre esta obra:

Eu nunca tive insônia. Talvez, em razão de alguma dor ou febre, não tenha dormido repousadamente apenas uns cinco dias em minha vida. Não é exagero. Quando me deprimo, durmo mais ainda e acordar é ruim, péssimo. O sono é meu refúgio natural. Mas há pessoas que reclamam (muito) da insônia. Saul Bellow escreveu que ela o teria deixado culto, mas que preferiria ser inculto e ter dormido todas as noites — discordo do grande Bellow, acho que ele deveria ter ficado sempre acordado, escrevendo, vivendo e escrevendo para nós. Também poucos viram Marlene Dietrich na posição horizontal, adormecida. Kafka era outro, qualquer barulho impedia seu descanso, devia pensar no pai e passava suas noites acordado, amanhecendo daquele jeito após sonhos agitados… Groucho Marx, imaginem, era insone, assim como Alexandre Dumas e Mark Twain. Marilyn Monroe sofria muito e Van Gogh acabou daquele jeito não só por ser daltônico, característica que apenas gera inteligência e genitália avantajadas.

O Conde Keyserling sofria de insônia e desejava tornar suas noites mais agradáveis. Ele encomendou a Bach, Johann Sebastian Bach, algumas peças que o divertissem durante a noite. Como sempre, Bach fez seu melhor. Pensando que o Conde se apaziguaria com uma obra tranquila e de base harmônica invariável, escreveu uma longa peça formada de uma ária inicial, seguida de trinta variações e finalizada pela repetição da ária. Quod erat demonstrandum. A recuperação do Conde foi espantosa, tanto que ele chamava a obra de “minhas variações” e, depois de pagar o combinado a Bach, deu-lhe um presente adicional: um cálice de ouro contendo mais cem luíses, também de ouro. Era algo que só receberia um príncipe candidato à mão de uma filha encalhada.

A história da criação das variações foi tirada da biografia de Bach escrita por Johann Nikolaus Forkel:

(Quanto a essas variações), devemos agradecer ao pedido do ex-embaixador russo na corte eleitoral da Saxônia, o conde Hermann Karl von Keyserling, que frequentemente passava por Leipzig e que trouxe consigo o cravista Goldberg para receber orientações musicais de Bach. O conde tinha frequentes acometimentos de doenças e ficava noites sem dormir. Em tais ocasiões, Goldberg, que vivia em sua casa, tinha que passar a noite na antecâmara para tocar para ele durante sua insônia… Tudo porque certa vez, o conde mencionou, na presença de Bach, que ele gostaria de ter algumas obras para teclado para Goldberg executar, que deveriam ser de caráter “suave e algo vigoroso” de modo que ele pudesse ser um pouco consolado por elas em suas noites sem dormir. Bach imaginou que a melhor maneira de atender a esse desejo seria por meio de variações, cuja escrita ele considerava, até àquela data, uma tarefa ingrata devido ao fundamento harmônico repetidamente semelhante. Mesmo assim, ele produziu um único trabalho desta espécie. Daí em diante, o conde sempre as chamava de “as suas” variações. Ele nunca se cansou delas e, por um longo período, noites sem dormir significavam: ‘Caro Goldberg toque minhas variações.  para mim’. Provavelmente Bach nunca foi tão bem recompensado por um trabalho quanto foi neste. O conde o presenteou com um cálice de ouro com 100 luíses de ouro. Não obstante, mesmo que o presente tivesse sido mil vezes maior, seu valor artístico nunca teria sido pago.

O Conde tinha a seu serviço um menino de quinze anos chamado Johann Gottlieb Goldberg. Goldberg era o melhor aluno de Bach. Foi descrito como “um rapaz esquisito, melancólico e obstinado” que, ao tocar, “escolhia de propósito as peças mais difíceis”. Perfeito! Play it again, Johann Gottlieb. Goldberg era enorme e suas mãos tinham grande abertura. O menino era uma lenda como intérprete e o esperto Conde logo o contratou para acompanhá-lo não somente em sua residência em Dresden como em suas viagens a São Petersburgo, Varsóvia e Postdam. (Esqueci de dizer que o Conde Keyserling era diplomata). Bach, sabendo o intérprete que teria, não facilitou em nada. As Variações Goldberg, apesar de nada agitadas, são, para gáudio do homenageado, dificílimas. Nelas, as dificuldades técnicas e a erudição estão curiosamente associadas ao lúdico, mas podemos inverter de várias formas a frase. Dará no mesmo.

O nome da obra — Variações Goldberg, BWV 988 — é estranho, pois pela primeira vez o homenageado não é quem encomendou a obra, mas seu primeiro intérprete.

O princípio de quase toda obra de variações consiste em apresentar um tema e variá-lo. (Lembram que Elgar fez uma obra de variações sem apresentar o tema, chamando-a de Variações Enigma?). Assim, o ouvinte tem a impressão de estar ouvindo sempre algo que lhe é familiar e, ao mesmo tempo, novo. A escolha de Bach por esta forma mostrou-se adequada às pretensões do Conde. E a realização não poderia ser melhor, é uma das maiores obras disponibilizadas pela e para a humanidade pelo mais equipado dos seres humanos que habitou este planeta, J. S. Bach. O jogo criado pelo compositor irradia livre imaginação e enorme tranquilidade. A Teoria Geral das Belas-Artes, espécie de Bíblia artística goethiana de 1794, diz o seguinte sobre as Goldberg: “em cada variação, o elemento conhecido está associado, quase sem exceção, a um canto belo e fluido”. E está correto. Só esqueceu de dizer que tudo isso tinha propósito terapêutico.

As Variações Goldberg eram tidas no passado como um exercício técnico árido e aborrecido. Mas já faz quase um século que o conteúdo e a abrangência emocional da obra foi reconhecido e se tornou a peça favorita de muitos ouvintes de música erudita. As Variações são largamente executadas e gravadas.

É muito provável que o enfermo Conde concordasse com a Theorie para descrever seu prazer de ouvir aquela música, mas diria mais. Seus efeitos fizeram que Goldberg a tocasse centenas de vezes para ele. O cálice repleto de ouro significava gratidão pela diversão emocional e intelectual. Dormimos por estarmos calmos e felizes, talvez.

Não posso distribuir cálices de ouro por aí, mas talvez devesse dar alguma coisa a Andreas Staier e Pierre Hantaï, os maiores intérpretes da obra. (Por favor, neste momento não me venham com Gould; afinal, o som do cravo é fundamental e só aceito fazer a final contra o grande Gustav Leonhardt. Gould ficou lá pelas quartas-de-final).

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg, BWV 988 (Staier)

1 Aria 4:06
2 Variatio 1. A 1 Clav. 1:58
3 Variatio 2. A 1 Clav. 1:42
4 Variatio 3. Canone All’Unisuono. A 1 Clav. 2:32
5 Variatio 4. A 1 Clav. 0:59
6 Variatio 5. A 1 O Vero 2 Clav. 1:32
7 Variatio 6. Canone Alla Seconda. A 1 Clav. 1:10
8 Variatio 7. A 1 O Vero 2 Clav. Al Tempo di Giga 1:48
9 Variatio 8. A 2 Clav. 2:16
10 Variatio 9. Canone Alla Terza. A 1 Clav. 2:35
11 Variatio 10. Fugetta. A 1 Clav. 1:34
12 Variatio 11. A 2 Clav. 2:16
13 Variatio 12. Canone Alla Quarta. A 1 Clav. 2:27
14 Variatio 13. A 2 Clav. 4:19
15 Variatio 14. A 2 Clav. 2:27
16 Variatio 15. Canone Alla Quinta. A 1 Clav. Andante 4:37
17 Variatio 16. Ouverture. A 1 Clav. 2:43
18 Variatio 17. A 2 Clav. 1:42
19 Variatio 18. Canone Alla Sexta. A 1 Clav. 1:31
20 Variatio 19. A 1 Clav. 1:12
21 Variatio 20. A 2 Clav. 2:28
22 Variatio 21. Canone Alla Settima. A 1 Clav. 2:57
23 Variatio 22. A 1 Clav. Alla Breve 1:31
24 Variatio 23. A 2 Clav. 2:17
25 Variatio 24. Canone All’ Ottava. A 1 Clav. 2:32
26 Variatio 25. A 2 Clav. Adagio 8:05
27 Variatio 26. A 2 Clav. 2:02
28 Variatio 27. Canone Alla Nona. A 2 Clav. 1:42
29 Variatio 28. A 2 Clav. 2:16
30 Variatio 29. A 1 O Vero 2 Clav. 2:24
31 Variatio 30. Quodlibet. A 1 Clav. 2:13
32 Aria Da Capo E Fine 4:38

Andreas Staier, cravo

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Figura su fondo celeste – Felice Casorati

PQP

Ainda mais Cordas: o Bandolim (Bach – Avi Avital)

71B-IOK3IXL._SL1189_Avital dispensa apresentações, pois já passou por aqui com um belo álbum dedicado a Vivaldi e excelente repercussão (pelo menos em termos de downloads, pois, se fôssemos julgar somente pelos comentários, conforme há muito resmungamos, pensaríamos ter somente aquele fiel punhado de leitores-ouvintes). Como o compositor também as dispensa, pois é o Alfa e o Ômega de toda a Música, passo direto à gravação. Ah, e já que Sebastian não escreveu uma nota sequer para o bandolim, coube ao ótimo Avital também o afã de habilmente transcrevê-las. Talvez a Kammerakademie Potsdam esteja alguns degraus abaixo da orquestra veneziana que o acompanhou no álbum de Vivaldi, mas o risonho virtuoso israelense é tão bom que a gente não reclama.

Divirtam-se!

BACH – AVI AVITAL

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
transcrições para bandolim de Avi Avital (1978)

Concerto para cravo, orquestra de cordas e baixo contínuo no. 1 em Ré menor, BWV 1052

01 – Allegro
02 – Adagio
03 – Allegro

Concerto para cravo, orquestra de cordas e baixo contínuo no. 5 em Fá menor, BWV 1056
04 – Sem indicação de andamento
05 – Largo
06 – PrestoConcerto para violino, orquestra de cordas e baixo contínuo no. 1 em Lá menor, BWV 104107 – Sem indicação de movimento
08 – Andante
09 – Allegro assai

Avi Avital, bandolim
Kammerakademie Potsdam
Ophira Zakai, teorba
Shalev Ad-El, cravo e regência

Sonata para flauta e baixo contínuo no. 5 em Mi menor, BWV 1034

10 – Adagio ma non troppo
11 – Allegro
12 – Andante
13 – Allegro

Avi Avital, bandolim
Shalev Ad-El, cravo
Ophira Zakai, teorba
Ira Givol, violoncelo

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Flutuando no vácuo
Flutuando no vácuo

Vassily Genrikhovich

Henry Purcell (1659-1695): Dido and Aeneas – Jessye Norman – ECO – Raymond Leppard

Henry Purcell (1659-1695): Dido and Aeneas – Jessye Norman – ECO – Raymond Leppard

Henry Purcell

Dido and Aeneas

 

 

Raymond Leppard

Raymond Leppard foi regente, cravista e arranjador. Nasceu em 11 de agosto de 1927 e morreu em 22 de outubro de 2019.

Jessye Norman

Jessye Norman foi recentemente homenageada em nossas páginas, mas aproveito a postagem para reforçar a sua importância artística.

Raymond Leppard foi o responsável pelo retorno aos palcos das óperas de Claudio Monteverdi e de outros compositores desta época. Ele convenceu a direção da Ópera de Glyndebourne a apresentar L’Incoronazione di Poppea, de Monteverdi, em uma edição completa feita por ele, em 1962. Seguiu para Veneza em busca de outras óperas de Monteverdi e acabou descobrindo óperas de Francesco Cavalli também. Seguiram apresentações de L’Ormindo, de Cavalli, em 1967 e La Calisto, em 1970. Também houve a apresentação de Il Ritorno d’Ulisses in Patria, de Monteverdi.

Sua colaboração com Janet Baker em La Calisto, Il Ritorno e Orfeo ed Euridice, de Gluck, resultou em apresentações memoráveis destas peças.

No entanto, o surgimento das performances historicamente informadas e em instrumentos da época fez com os esforços pioneiros de Leppard parecessem romantizados e por demais exuberantes.

Ele que tinha uma longa colaboração com a English Chamber Orchestra e era considerado uma referência para música barroca, teve que se adaptar às mudanças. Grande e admirável músico que era, iniciou colaboração com outras orquestras e adaptou-se a novo repertório.

Particularmente notável foi sua colaboração com a Indianapolis Symphony Orchestra, da qual foi o diretor musical por 14 anos.

A obra desta postagem, além de reunir estes grandes artistas – Jessye Norman e Raymond Leppard – apresenta a ópera Dido and Aeneas, de Henry Purcell. Nesta gravação, além da regência, Leppard faz parte do baixo contínuo como cravista.

Você ouvirá, ao lado da maravilhosa voz de Jessye Norman, as vozes do barítono Thomas Allen e da soprano Marie McLaughlin. A ópera tem cenas com bruxas, tempestades e a heroína… hã, hã, … como dizer sem dar spoiler? Bem, é ópera e alguém tem que morrer. Neste link você poderá conseguir a sinopse com lindas ilustrações. Você encontrará o pdf do livreto junto aos arquivos musicais.

Henry Purcell (1658-1695)

Dido and Aeneas

Dido – Jessye Norman, soprano

Aeneas – Thomas Allen, barítono

Belinda – Marie McLaughlin, soprano

Sorceress – Patricia Kerr, mezzo-soprano

English Chamber Orchestra

Raymond Leppard

Gravado em Londres, 1985

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FLAC | 281 MB

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MP3 | 320 KBPS | 167 MB

Certa ocasião, Raymond Leppard recebeu um conselho de Sir Thomas Beecham. ‘Compre as partituras das obras de seu repertório, anote todas as indicações de regência e nunca as empreste a outros regentes’. Pois em 1971, um incêndio destruiu sua residência, queimando todos os seus livros e partituras (com as tais anotações). Apesar disso, em 1976, o ano em que ele mudou-se para os Estados Unidos, disse em uma entrevista ao ‘The Guardian’ que passou a fazer novas leituras das obras de seu repertório. Desta experiência ele concluiu: ‘Se eu descobrir que estou repetindo a mim mesmo, doarei toda a minha biblioteca e recomeçarei novamente’.

Atitude inspiradora!

René Denon

A Família das Cordas: Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Três Suítes para violoncelo solo, executadas no contrabaixo – Edgar Meyer

51lHuDMX0YLTemos trocentas gravações dessas Suítes para violoncelo em nossos porões, mas já que chegou a hora do contrabaixo em nossa minissérie, ei-las então executadas no grandalhão.

Não é qualquer um que se dispõe a tal empreitada, e Edgar Meyer, realmente, não é qualquer um. Sua técnica impecável e tremenda musicalidade resultaram numa gravação melíflua das Suítes, que soa mais delicada que muitas feitas no violoncelo (sim, Mstislav: estou olhando pra ti!)

Para esta gravação, Meyer escolheu as suítes primeira (em Sol maior), segunda (em Ré menor) e quinta (em Dó menor). A preferência pelas suítes mais meditativas e em tons menores parece justificar-se num instrumento maior e com cordas menos responsivas – e a singela Sarabande da Suíte no. 5, que Rostropovich considerava o non plus ultra da obra de Bach, soa como uma revelação. Não obstante, Meyer – que certamente confia em seu arco – intercalou-as com a radiante Suíte no. 1, que passa  tocando quase sem transposição, no registro agudo de seu instrumento e sem quaisquer dificuldades aparentes, para volta e meia chamar o baixo profundo dos registros graves, daqueles que fazem até vibrar os sisos de quem os tem.

Se Meyer gravou as demais suítes, eu desconheço. Tomara que sim.

BACH – UNACCOMPANIED CELLO SUITES
Performed on Double Bass – Edgar Meyer

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Suíte no. 2 em Ré menor, BWV 1008

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I-II
06 – Gigue

Suíte no. 1 em Sol maior, BWV 1007

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Menuet I-II
12 – Gigue

Suíte no. 5 em Dó menor, BWV 1011

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I-II
18 – Gigue

Edgar Meyer, contrabaixo

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Camiseta, bermuda, papete - e MUITO talento.
Edgar Meyer: camiseta, bermuda, papete – e MUITO talento.

Vassily Genrikhovich

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nros 94, 100 & 104 (versões de câmara de Johann Peter Salomon)

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nros 94, 100 & 104 (versões de câmara de Johann Peter Salomon)

Bom disco, apesar de às vezes faltar colorido e potência, é claro.

Johann Peter Salomon (1745-1815) foi um violinista, compositor, maestro alemão e empresário. Ele foi o cara que levou Haydn a Londres, onde ele escreveu suas últimas sinfonias sob contrato. Haydn esteve em Londres em 1791-1792 e 1794-1795 e dividiu com Salomon a condução das primeiras performances de muitos dos trabalhos que Haydn compôs enquanto estava na Inglaterra. Haydn escreveu suas sinfonias números 93 a 104 para essas viagens, que às vezes são conhecidas como sinfonias Salomon (elas são mais conhecidas como sinfonias de Londres). A estima de Haydn por seu empresário e líder orquestral pode ser ouvida nas sinfonias: por exemplo, a cadência no movimento lento da Sinfonia Nº 96 tem a anotação Salomon: solo ma piano. A Sinfonia Concertante em Mi bemol maior foi composta para Salomon, que a solou, os seis quartetos de cordas Op. 71 e 74 , foram escritos para as apresentações públicas que o quarteto de Salomon fez em Londres. Ele foi um dos membros fundadores da Philharmonic Society e liderou a orquestra em seu primeiro concerto em 8 de março de 1813. Salomon também deu o apelido de Júpiter à Sinfonia Nº 41 de Mozart. Ele morreu em Londres em 1815, de ferimentos sofridos quando foi jogado de um cavalo. Ele está enterrado na Abadia de Westminster.

E, bem, foi Salomon quem escreveu os maravilhosos arranjos deste disco. É um time de seis pessoas que tocam essas 3 Sinfonias de Haydn. É um quarteto de cordas, piano e flauta.

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nros 94, 100 & 104 (versões de câmara de Johann Peter Salomon)

Symphony No.94 In G Major ‘Surprise’ “Mit Dem Paukenschlag”
1 Adagio Cantabile – Vivace Assai 8:15
2 Andante 7:09
3 Menuetto. Allegro Molto 3:41
4 Finale. Allegro Molto 3:48

Symphony No.100 In G Major ‘Military’
5 Adagio – Allegro 7:24
6 Allegretto 6:13
7 Menuetto. Moderato 5:31
8 Finale. Presto 5:06

Symphony No.104 In D Major ‘London’
9 Adagio – Allegro 8:14
10 Andante 8:01
11 Menuetto. Allegro 4:42
12 Allegro Spiritoso 6:40

Cello – Anthony Pleeth (tracks: 1 to 4), Jennifer Ward Clarke (tracks: 5 to 12)
Flute – Lisa Beznosiuk (tracks: 5 to 12), Stephen Preston (tracks: 1 to 4)
Fortepiano – Christopher Hogwood
Viola – Jan Schlapp (tracks: 1 to 4), Trevor Jones (tracks: 5 to 12)
Violin – Micaela Comberti (tracks: 5 to 12), Monica Huggett (tracks: 1 to 4), Simon Standage

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A Londres do Século XVIII

PQP