Ludwig van Beethoven (1770-1827): As 33 Variações Diabelli, Op.120

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As 33 Variações Diabelli, Op.120

IM-PER-DÍ-VEL !!!

As imaginativas Variações Diabelli de Beethoven recebem tratamento de luxo da parte de Martin Helmchen. As 33 Variações é uma obra notável, apesar de que a peça que lhe dá origem é uma ninharia. A interpretação de Helmchen é persuasiva  e convincente. Especialmente bons são os números mais lentos. Uma quietude extasiada cai sobre eles, começando pela Variação XIV. A linda variação que cita Don Giovanni (XXII) também está muito bem tocada. À medida que o trabalho mapeia profundidades insondáveis ​​– a Variação XX é quase subliminar — Helmchen transmite belezas de tirar o fôlego. Bachiana, a tapeçaria da Fughetta (Variação XXIV) está muito bela e a espaçosa trilogia (as cantáveis e expressivas XXIX-XXXI) nem se fala. No Minueto final, elegantemente moldado, estamos de volta à Terra e o final da jornada sugere que tudo foi um sonho. A realidade é que esta é uma ótima gravação.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Variações Diabelli, Op.120
1 Tema, Vivace 0:49
2 Variation I. Alla Marcia Maestoso 1:33
3 Variation II. Poco Allegro 0:52
4 Variation III. L’istesso Tempo 1:19
5 Variation IV. Un Poco Più Vivace 0:56
6 Variation V. Allegro Vivace 0:54
7 Variation VI. Allegro Ma Non Troppo E Serioso 1:42
8 Variation VII. Un Poco Più Allegro 1:10
9 Variation VIII. Poco Vivace 1:20
10 Variation IX. Allegro Pesante E Risoluto 1:39
11 Variation X. Presto 0:37
12 Variation XI. Allegretto 1:19
13 Variation XII. Un Poco Più Moto 0:54
14 Variation XIII. Vivace 1:14
15 Variation XIV. Grave E Maestoso 3:55
16 Variation XV. Presto Scherzando 0:31
17 Variation XVI. Allegro 1:00
18 Variation XVII. Allegro 1:01
19 Variation XVIII. Poco Moderato 1:40
20 Variation XIX. Presto 0:56
21 Variation XX. Andante 2:55
22 Variation XXI. Allegro Con Brio – Meno Allegro – Tempo Primo 1:13
23 Variation XXII. Allegro Molto, Alla ‘Notte E Giorno Faticar’ Di Mozart 0:55
24 Variation XXIII. Allegro Assai 0:56
25 Variation XXIV. Fughetta (Andante) 3:00
26 Variation XXV. Allegro 0:46
27 Variation XXVI. (Piacevole) 1:08
28 Variation XXVII. Vivace 0:57
29 Variation XXVIII. Allegro 1:05
30 Variation XXIX. Adagio Ma Non Troppo 1:30
31 Variation XXX. Andante, Sempre Cantabile 1:55
32 Variation XXXI. Largo, Molto Espressivo 5:24
33 Variation XXXII. Fuga, Allegro 3:25
34 Variation XXXIII. Tempo Di Menuetto Moderato 4:15

Martin Helmchen, piano

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Martin Helmchen, que grande pianista!

PQP

The Art of the Theremin – Clara Rockmore

The Art of the Theremin – Clara Rockmore

61nayAy+HeLMeu interesse em instrumentos musicais já me levou a tocar alguns deles em graus de sucesso que variam do sofrível ao ridículo. Minha experiência com todos, em especial os metais e as cordas, levou-me a admirar sobremaneira a dedicação dos instrumentistas para ajustarem suas bocas e dedos àqueles teimosos aparatos, extraindo deles não só sons agradáveis e condizentes com a intenção de um compositor, mas, o que é ainda mais impressionante, sem sucumbirem no processo.

Se acho uma façanha ser um virtuose de um instrumento que se toca tocando, que se pode dizer de um instrumento que se toca sem que se o toque?

Para mim, amigos, magia negra. Para o resto do mundo, é o assombroso teremim.

ooOoo

Inventado pelo físico russo Léon Theremin (Lev Termen, para os íntimos), este pioneiro entre os instrumentos eletrônicos é controlado pela posição das mãos do intérprete em relação a duas antenas: uma que regula a frequência, outra para o volume. O peculiar timbre resultante, já descrito como o de um “violoncelo perdido em neblina espessa, chorando por não saber como voltar para casa”, soa de melancólico a decididamente fantasmagórico. Não é à toa, portanto, que o teremim seja figurinha fácil de trilhas sonoras de filmes que abordam o incomum, o bizarro, e o inacreditável.

Parece difícil, e é mesmo. Por isso, talvez, passada a curiosidade inicial, o incrível instrumento de Theremin tenha ficado meio esquecido, e certamente limado de todos os círculos de música “séria”, até a entrada em cena de uma certa Clara Rockmore.

Nascida Klara Reisenberg em Vilnius (Lituânia), foi uma criança-prodígio no violino e chegou a estudar com Leopold Auer (sim, o professor de Heifetz; sim, o sujeito que esnobou o Concerto de Tchaikovsky) no Conservatório de São Petersburgo. Problemas de saúde fizeram-na abandonar o violino e a Música como um todo até encontrar, já nos Estados Unidos, o inventor Theremin. Trabalharam juntos no aperfeiçoamento do instrumento como meio de expressão artística. Foram tão próximos que Léon, que não era bobo, nem nada, lhe propôs casamento. Klara deu-lhe o fora, casou-se com um certo Rockmore, passou a chamar-se Clara e, emprestando ao teremim sua extraordinária musicalidade, transformou-se em sua primeira virtuose.

O vídeo acima, apesar do som precário, dá a vocês uma melhor ideia do que lhes tento dizer (além, claro,de ser deliciosamente funéreo!). O timbre, como já falamos, talvez seja um gosto adquirido, mas é assombrosa a expressividade que Rockmore obtém sem nada tocar além do éter. Se vocês perceberem, ao contrário da maior parte dos instrumentos, dos quais os silêncios são obtidos tão só pela suspensão da emissão do som, as pausas no teremim também têm que ser produzidas, através da ação a mão do volume (no caso de Rockmore, a esquerda).

Espero que, vencendo a natural estranheza, vocês possam apreciar a complicada arte desta virtuose incomum.

THE ART OF THE THEREMIN – CLARA ROCKMORE

Sergey Vasilyevich RACHMANINOV (1873-1943)

01 – Canções, Op. 34 – no. 14: Vocalise
02 – Romances, Op. 4 – no. 4: “Ne poj, krasavitsa” [NOTA DO AUTOR: conhecida como “Canção de Grusia”, não se refere a qualquer pessoa, mas sim à região caucasiana da Geórgia, que tem este nome em russo]

Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)

03 – O Carnaval dos Animais – no. 13: O Cisne

Manuel de FALLA y Matheu (1876-1946)

04 – El Amor Brujo – Pantomima

Yosif Yuliyevich AKHRON (1886-1943)

05 – Melodia hebreia, Op. 33

Henryk WIENIAWSKI (1835-1880)

06 – Concerto para violino no. 2 em Ré menor, Op. 22 – Romance

Igor Fyodorovich STRAVINSKY (1882-1971)

07 – O Pássaro de Fogo: Berceuse

Joseph-Maurice RAVEL (1875-1937)

08 – Pièce en forme de Habanera

Pyotr Ilyitch TCHAIKOVSKY (1840-1893)

09 – Dix-Huit Morceaux, Op. 72 – No. 2: Berceuse
10 – Six Morceaux, Op. 51 – No. 6: Valse sentimentale
11 – Sérénade Mélancolique, para violino e piano, Op. 26

Aleksandr Konstantinovich GLAZUNOV (1865-1936)

12 – Chant du ménestrel, Op.71

Clara Rockmore, teremim e arranjos
Nadia Reisenberg, piano

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Boris theremin

Vassily Genrikhovich

Vivaldi, Telemann, Heinichen, Fasch, Graun, Pisendel, Quantz, Zelenka, Hasse, Ariosti, A. Scarlatti, Fux: Música na Corte de Dresden (8 CDs!)

Vivaldi, Telemann, Heinichen, Fasch, Graun, Pisendel, Quantz, Zelenka, Hasse, Ariosti, A. Scarlatti, Fux: Música na Corte de Dresden (8 CDs!)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Copiei esses 8 CDs — pois estamos falando de um ÁLBUM ÓCTUPLO — , num pen drive e saí por aí de carro ouvindo a coisa. Nossa, é muito SEDUTOR, ATRAENTE, DO CARALHO e apenas me vinha à memória o ÍNCLITO blog Prato Feito, que é absolutamente tarado pela Corte de Dresden (grande Dresden!, diria o pessoal de lá). Parei o carro quatro vezes e cada uma delas foi sem relação alguma com meus compromissos ou EMENTÁRIO; parava apenas pela absurda COERÇÃO vinda da grande Dresden de tantos compositores geniais. A questão sempre era a mesma. O que era mesmo a maravilha que eu estava ouvindo naquele momento em meus ouvidos cheios de sons de um passado que URGE ser REEDIFICADO? Da primeira vez, o culpado foi o INSIDIOSO Telemann, da segunda, o VERMELHO Vivaldi e seu per eco in lontano, da terceira, o DELINQUENTE foi Zelenka e, da quarta, foi o FASCHinante. Todos esses seres andavam por Dresden, como disse o Prato Feito aqui

Sinto muito, mas tenho que voltar a falar de Dresden. Nessa cidade, nas primeiras décadas do século XVIII, havia muitos grandes compositores. Se você saísse na rua, era capaz de trombar com Pisendel enquanto olhava Hasse do outro lado da rua, cruzava com Zelenka saindo da igreja e, se não olhasse pra cima, ainda era acertado por Veracini caindo de uma janela (e isso é uma outra história). Mas ainda não é de nenhum deles que vamos falar, e sim de um outro sujeito: Johann David Heinichen.

… assim como antes (ou depois, sei lá) falara aqui

Uma das mais graves perdas históricas da II Guerra Mundial foi o bombardeio e arrasamento da cidade alemã de Dresden, pelas forças dos Estados Unidos. Nessa tragédia se perderam muitas vidas, monumentos e documentos. Após a reunificação alemã, em 1990, Dresden passou por um rápido e bem feito processo de reconstrução, que acabou trazendo de volta grande parte do brilho daquela que foi uma das mais importantes cortes da Alemanha barroca. Musicalmente a cidade foi privilegiada com grandes compositores, dentre os quais dois estão representados neste (no dele) CD.

Oh, esses ianques ignorantes e filhas-da-puta! Deviam ter feito RETROPERISTALTISMO com suas bombas! Ah, e aqui, falando sobre o imenso Schütz…

No entanto nunca compôs música puramente instrumental, e toda a sua obra profana foi perdida. Viveu em Dresden (grande Dresden!), e morreu em 1672.

Grande Dresden, repito! Tchê, Dresden é o canal e eu desafio o pessoal do Prato Feito a gostar mais de Dresden do que nós.

Que esta postagem épica sirva de PRESENTE do PQP para a massa sedenta que segue nosso blog nos três hemisférios, doze continentes e na Via Láctea, onde se DERRAMAM — como os milhões de espermatozóides que EJACULAREI logo mais à noite dentro de minha amada — as sementes de POLINIZAÇÃO de beleza que fazem sorrir a blogosfera e suas margens.

E vou ali na mesa beber mais um pouco, OK?

Ah, intérpretes excelentes, impecáveis.

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sobre Dresden, Harry Crowl comentou:
dezembro 24th, 2010 às 11:21

Essa antologia é muito impressionante. Já conhecia 4 desses Cds que acompanham o belíssimo livro “Dresden”, com as pinturas do sec.XVIII realizadas por Canaletto. Ganhei esse livro quando estive lá em 2007, de uma grande amiga soprano que mora lá.

Queria fazer um esclarecimento em relação ao bombardeio de Dresden. O mesmo foi perpetrado pela Força Aérea Britânica (RAF), com um certo apoio logístico americano. Mas, a ordem veio do alto comando inglês, com aquiescência de Churchill. Os alemães dizem que foi uma vingança pelo bombardeio de Coventry, mas, na verdade, os ingleses já sentindo que não iam mais mandar no mundo, queriam assustar os russos que já estavam chegando perto e não estavam muito inclinados a respeitar os tratados. Durante o período da DDR, a cidade não teve seu monumentos reconstruídos. Depois da reunificação, tudo foi restaurado e reconstruído como era. A cidade voltou a ser exuberante. A reconstrução foi financiada inclusive com dinheiro inglês. A Inglaterra reconheceu o crime que cometera e pediu perdão oficialmente ao povo alemão. Quando a Frauenmarienkirche foi reinaugurada, os dirigentes máximos dos dois países estavam presentes e foi estabelecido o dia do perdão, que me parece que é celebrado em Dresden anualmente. O bombardeio matou tanta gente quanto uma das bombas atômicas. Um dos livros mais interessantes sobre o bombardeio é “Slaughterhouse 5″, de Kurt Vonnegut, que era um prisioneiro americano dos alemães e estava detido em Dresden durante o bombardeio.

Vivaldi, Telemann, Heinichen, Fasch, Graun, Pisendel, Quantz, Zelenka, Hasse, Ariosti, A. Scarlatti, Fux: Música na Corte de Dresden

Disc 1:

Antonio Vivaldi – Concerto for Violin, 2 Oboes, 2 Recorders and Bassoon in G minor, RV 577
1. Concerto for Violin, 2 Oboes, 2 Recorders and Bassoon in G minor, RV 577: 1st movement
2. Concerto for Violin, 2 Oboes, 2 Recorders and Bassoon in G minor, RV 577: 2nd movement, Largo non molto
3. Concerto for Violin, 2 Oboes, 2 Recorders and Bassoon in G minor, RV 577: 3rd movement, Allegro

Georg Philipp Telemann – Concerto for Violin, Hunting Horn & BC in D major
4. Concerto for Violin, Hunting Horn and Basso continuo in D major: 1st movement, Vivace
5. Concerto for Violin, Hunting Horn and Basso continuo in D major: 2nd movement, Adagio
6. Concerto for Violin, Hunting Horn and Basso continuo in D major: 3rd movement, Allegro

Johann David Heinichen – Concerto for 2 Oboe, 2 Flutes, Violin, 2 Horns & BC in F major
7.Concerto for 2 Oboe, 2 Flutes, Violin, 2 Horns and Basso continuo in F major: 1st movement, Allegro
8. Concerto for 2 Oboe, 2 Flutes, Violin, 2 Horns and Basso continuo in F major: 2nd movement, Andante
9. Concerto for 2 Oboe, 2 Flutes, Violin, 2 Horns and Basso continuo in F major: 3rd movement

Johann Friedrich Fasch – Concerto for 2 Trumpets, 2 Horns, 2 Oboes, Bassoon, Strings & BC
10. Concerto for 2 Trumpets, 2 Horns, 2 Oboes, Bassoon, Strings and Basso Continuo: 1st movement, Allegro
11. Concerto for 2 Trumpets, 2 Horns, 2 Oboes, Bassoon, Strings and Basso Continuo: 2nd movement, Andante
12. Concerto for 2 Trumpets, 2 Horns, 2 Oboes, Bassoon, Strings and Basso Continuo: 3rd movement, Allegro

Johann Gottlieb Graun – Concerto for 2 Violins, 2 Horns, Strings & BC in G major
13. Concerto for 2 Violins, 2 Horns, Strings and Basso Continuo in G major: 1st movement
14. Concerto for 2 Violins, 2 Horns, Strings and Basso Continuo in G major: 2nd movement, Adagio
15. Concerto for 2 Violins, 2 Horns, Strings and Basso Continuo in G major: 3rd movement, Allegro molto con spirito

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Disc 2:

Johann Georg Pisendel – Sinfonia in B major
1. Sinfonia in B major: Allegro di molto
2. Sinfonia in B major: Andantino
3. Sinfonia in B major: Tempo di menuet

Johann Georg Pisendel – Concerto for Violin, 2 Oboes, Strings & BC in D major
4. Concerto for Violin, 2 Oboes, Strings and Basso Continuo in D major: Vivace
5. Concerto for Violin, 2 Oboes, Strings and Basso Continuo in D major: Andante
6. Concerto for Violin, 2 Oboes, Strings and Basso Continuo in D major: Allegro

Johann Georg Pisendel – Concerto for 2 Oboes, Bassoon, Strings & BC in E flat major
7. Concerto for 2 Oboes, Bassoon, Strings and Basso Continuo in E flat major

Georg Philipp Telemann – Concerto for Violin in F major
8. Concerto for Violin in F major: Presto
9. Concerto for Violin in F major: Corsicana-Un poco grave
10. Concerto for Violin in F major: Allegrezza
11. Concerto for Violin in F major: Scherzo
12. Concerto for Violin in F major: Chasse
13. Concerto for Violin in F major: Polacca
14. Concerto for Violin in F major: Minuetto

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Disc 3:

Antonio Vivaldi – Concerto in C major, RV 558
1. Concerto in C major, RV 558
2. Concerto in C major, RV 558
3. Concerto in C major, RV 558

Antonio Vivaldi – Concerto for Oboe in F major, RV 455
4. Concerto for Oboe in F major, RV 455
5. Concerto for Oboe in F major, RV 455
6. Concerto for Oboe in F major, RV 455

Antonio Vivaldi – Concerto for Viola d’Amore and Lute in D minor, RV 540
7. Concerto for Viola d’Amore and Lute in D minor, RV 540
8. Concerto for Viola d’Amore and Lute in D minor, RV 540
9. Concerto for Viola d’Amore and Lute in D minor, RV 540

Antonio Vivaldi – Concerto for 4 Violins in A major, RV 552 “Per eco in lontano”
10. Concerto for 4 Violins in A major, RV 552 ‘Per eco in lontano’
11. Concerto for 4 Violins in A major, RV 552 ‘Per eco in lontano’
12. Concerto for 4 Violins in A major, RV 552 ‘Per eco in lontano’

Antonio Vivaldi – Sinfonia for Strings in G major, RV 149
13. Sinfonia for Strings in G major, RV 149
14. Sinfonia for Strings in G major, RV 149
15. Sinfonia for Strings in G major, RV 149

Antonio Vivaldi – Concerto for Violin and Oboe in G minor, RV 576
16. Concerto for Violin and Oboe in G minor, RV 576
17. Concerto for Violin and Oboe in G minor, RV 576
18. Concerto for Violin and Oboe in G minor, RV 576

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Disc 4:

Georg Philipp Telemann – Concerto for Violin 3 Horns 2 oboes in D major
1. Concerto for Violin, 3 Hunting Horns, 2 Oboes, Strings and Basso Continuo in D major
2. Concerto for Violin, 3 Hunting Horns, 2 Oboes, Strings and Basso Continuo in D major
3. Concerto for Violin, 3 Hunting Horns, 2 Oboes, Strings and Basso Continuo in D major

Johann Joachim Quantz – Concerto for 2 flutes
4. Concerto for 2 Flute, Strings and Basso Continuo in G minor
5. Concerto for 2 Flute, Strings and Basso Continuo in G minor
6. Concerto for 2 Flute, Strings and Basso Continuo in G minor

Antonio Vivaldi – Concerto for 2 Violins, 2 Oboes and Bassoon in D major, RV 564a
7. Concerto for 2 Violins, 2 Oboes and Bassoon in D major, RV 564a
8. Concerto for 2 Violins, 2 Oboes and Bassoon in D major, RV 564a
9. Concerto for 2 Violins, 2 Oboes and Bassoon in D major, RV 564a

Jan Dismas Zelenka – Capriccio in A major for 2 oboes, fagott, 2 horns ZWV 185 (*)
10. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185
11. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185
12. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185
13. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185
14. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185
15. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185
16. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185

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Disc 5:

Jan Dismas Zelenka – Capriccio in C major for 2 oboes, fagott, 2 horns ZWV 183
1. Capricci (5): no 2 in G major, ZWV 183: Allegro
2. Capricci (5): no 2 in G major, ZWV 183: Canarie
3. Capricci (5): no 2 in G major, ZWV 183: Gavotte
4. Capricci (5): no 2 in G major, ZWV 183: Rondeau
5. Capricci (5): no 2 in G major, ZWV 183: Menuetto

Jan Dismas Zelenka – Laudate pueri in D major, ZWV 81 (**)
6. Laudate pueri in D major, ZWV 81: Laudate pueri
7. Laudate pueri in D major, ZWV 81: Qui sicut Dominus
8. Laudate pueri in D major, ZWV 81: Amen

Jan Dismas Zelenka – Capricci (5): no 5 in G major, ZWV 190
9. Capricci (5): no 5 in G major, ZWV 190: Allegro
10. Capricci (5): no 5 in G major, ZWV 190: Menuetto 1 & 2
11. Capricci (5): no 5 in G major, ZWV 190: Trio ‘Il contento’
12. Capricci (5): no 5 in G major, ZWV 190: Presto assai ‘Il furibondo’
13. Capricci (5): no 5 in G major, ZWV 190: Villanella 1 & 2

Jan Dismas Zelenka – Confitebor tibi Domine in C minor, ZWV 71
14. Confitebor tibi Domine in C minor, ZWV 71: Confitebor tibi Domine
15. Confitebor tibi Domine in C minor, ZWV 71: Memoriam fecit

Jan Dismas Zelenka – Capriccio in A major for 2 oboes, fagott, 2 horns ZWV 185 (*)
16. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185: Allegro assai
17. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185: Adagio
18. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185: Aria
19. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185: En tempo de canarie
20. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185: Menuet 1 & 2
21. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185: Andante
22. Capricci (5): no 4 in A major, ZWV 185: Paysan 1 & 2

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Disc 6:

Jan Dismas Zelenka – Missa Dei Patris in C major, ZWV 19
1. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Kyrie eleison 1
2. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Christe eleison
3. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Kyrie eleison 2
4. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Gloria in excelsis Deo
5. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Domine Deus
6. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Domine Fili
7. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Qui sedes ad dexteram
8. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Quoniam tu solus Sanctus
9. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Cum Sancto Spiritu
10. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Credo in unum
11. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Et incarnatus est
12. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Cruxifixus
13. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Et resurrexit
14. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Et vitam venturi saeculi
15. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Sanctus
16. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Benedictus
17. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Osanna
18. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Agnus Dei
19. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Agnus Dei
20. Missa Dei Patris in C major, ZWV 19: Dona nobis pacem

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Disc 7:

Johann Adolf Hasse- Mass in G minor
1. Mass in G minor: Kyrie eleison 1
2. Mass in G minor: Christe eleison
3. Mass in G minor: Kyrie eleison 2
4. Mass in G minor: Gloria in excelsis Deo
5. Mass in G minor: Gratias agimus tibi
6. Mass in G minor: Domine Deus, Rex caelestis
7. Mass in G minor: Domine Fili unigenite
8. Mass in G minor: Domine Deus
9. Mass in G minor: Qui tollis peccata mundi
10. Mass in G minor: Quoniam tu solus sanctus
11. Mass in G minor: Cum Sancto Spiritu
12. Mass in G minor: Credo in unum Deum
13. Mass in G minor: Et incarnatus est
14. Mass in G minor: Crucifixus etiam pro nobis
15. Mass in G minor: Et resurrexit tertia die
16. Mass in G minor: Ad te levavi animam meam
17. Mass in G minor: Sanctus
18. Mass in G minor: Benedictus
19. Mass in G minor: Hosanna in excelsis
20. Mass in G minor: Agnus Dei

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Disc 8:

Jan Dismas Zelenka – Laudate pueri in D major, ZWV 81 (**)
1. Laudate pueri in D major, ZWV 81: Laudate pueri
2. Laudate pueri in D major, ZWV 81: Quis sicut Dominus
3. Laudate pueri in D major, ZWV 81: Amen

Attilio Ariosti – O quam suavis est
4. O quam suavis est: O quam suavis est
5. O quam suavis est: Panem quem coelum dat

Alessandro Scarlatti – Su le sponde del Tebro
6. Su le sponde del Tebro: Sinfonia
7. Su le sponde del Tebro: Su le sponde del Tebro
8. Su le sponde del Tebro: Sinfonia
9. Su le sponde del Tebro: Contentatevi
10. Su le sponde del Tebro: Mesto, stanco e spirtante
11. Su le sponde del Tebro: Infelici miei lumi
12. Su le sponde del Tebro: Dite almeno
13. Su le sponde del Tebro: Ritornell
14. Su le sponde del Tebro: All’ aura
15. Su le sponde del Tebro: Tralascia pur di piangere

Johann David Heinichen – Lamentatio
16. Lamentatio: Incipit lamentation
17. Lamentatio: Beth
18. Lamentatio: Ghimel
19. Lamentatio: Daleth
20. Lamentatio: He

Johann Joseph Fux – Plaudite sonat tuba
21. Plaudite: Plaudite, sonat tuba
22. Plaudite: Dum exultat de morte Salvator
23. Plaudite: Mortales, vicit Leo de ttribu Juda
24. Plaudite: O! peccator gaude
25. Plaudite: Alleluja!

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(*) e (**) — Não é um engano de PQP Bach. A edição original colocou estas duas peças repetidas na coletânea.

Peter Schreier (Tenor)
René Jacobs (Countertenor)
Ludwig Güttler (Trumpet)
Ralph Eschrig (Tenor)
Dagmar Schellenberger (Soprano)
Axel Köhler (Countertenor)
Egbert Junghanns (Bass)
Olaf Bär (Bass, Baritone)
Reinhart Ginzel (Tenor)

Virtuosi Saxoniae
Thüringen Academy Choir

Ludwig Güttler

Dresden é bonitinha, não?

PQP

The Art of the Nocturne, CD 4 de 4 – Noturnos para piano de vários compositores

Nocturnes BoxAntes que nossos arretados leitores-ouvintes me intimem novamente a concluir a série, o cabra aqui apressa-se em fazê-lo.

O último álbum é um saco de gatos repleto de noturnos escritos por contemporâneos de Chopin. De Clara Schumann a Camille Pleyel (que faria fortuna como fabricante de pianos), e de Glinka ao boçal Kalkbrenner, que quase foi professor de Chopin e se considerava, após a morte de Haydn e Beethoven, “o último músico clássico vivo”, tem de tudo. Em sua maioria, são bombons tão untuosos e adocicados que farão até os mais ardentes anti-chopinianos querer escutar os noturnos do mestre e espocar fogos em homenagem ao gênio polonês.

Dignas de nota são as peças de Charles-Valentin Alkan (1813-1888), um compositor para piano extremamente original que, para minha total surpresa, faz sua estreia aqui no PQP Bach. Ele foi uma figura excêntrica, amigo de Liszt e Chopin e, ainda assim, tido por vários contemporâneos como o maior pianista de sua época. Daremos um jeito de trazer para cá, nas próximas semanas, um tanto de sua produção desenfreada, e muitas vezes prosopopeica, pelas mãos dos ótimos Marc-André Hamelin e Jack Gibbons.

THE ART OF THE NOCTURNE, volume IV

Joseph Étienne Camille PLEYEL (1788-1855)

01 – Noturno “alla Field” em Si bemol maior

Friedrich (Frédéric) Wilhelm Michael KALKBRENNER (1785-1849)

Noturnos para piano, Op. 121

02 – No. 1 em Lá bemol maior, “Les Soupirs de la Harpe Éolienne”
03 – No. 2 em Fá maior, a três mãos*

Clara Josephine SCHUMANN (1819-1896)

Soirées Musicales, Op. 6

04 – No. 2: Noturno em Fá maior

Louis James Alfred LEFÈBURE-WÉLY (1817-1870)

05 – Noturno em Ré bemol maior, Op. 54, “Les Cloches du Monestère”

Edmond WEBER (1838-1885)

06 – Noturno em Ré bemol maior, Op. 1, “Première Pensée”

Charles-Valentin ALKAN (1813-1888)

07 – Noturno em Si maior, Op. 22
08 – Esquisses, Op. 63 – no. 43: em Fá sustenido menor, “Notturnino Innamorato”

Mikhail Ivanovich GLINKA (1804-1857)

09 – Noturno em Mi bemol maior

Maria SZYMANOWSKA (1789-1831)

10 – Noturno em Lá bemol maior, “Le Murmure”

Ignacy Feliks DOBRZYNSKI (1807-1867)

Noturnos, Op. 21

11 – No. 1 em Sol menor
12 – No. 2 em Mi bemol maior

Noturnos, Op. 24

13 – No. 1 em Fá menor
14 – No. 2 em Ré bemol maior

15 – Noturno em Sol menor, “Pożegnanie” (“Despedida”)

Bart van Oort, piano Érard (1837)
* com Agnieska Chabowska

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Uma das duas únicas fotografias conhecidas de Alkan. Depois que vocês ouvirem sua música, não estranharão.
Uma das duas únicas fotografias conhecidas de Alkan. Depois que vocês ouvirem sua música, não estranharão.

Vassily Genrikhovich

.: interlúdio :. Charles Mingus – New Tijuana Moods (1957)

.: interlúdio :. Charles Mingus – New Tijuana Moods (1957)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando comprei este disco, ele já estava no formato de álbum duplo de vinil e se chamava New Tijuana Moods. Tinha um desenho de Charlie Mingus na capa. Não sou da época do Tijuana Moods original, aquele que ostentava a foto de Ysabel Morel.  Cheguei em casa com o álbum duplo e botei no toca-discos. Na segunda faixa eu já sabia que aquele álbum faria parte de minha vida enquanto ela houvesse. Claro que não o ouço com grande frequência — afinal, sou PQP Bach e tenho que ouvir muitos discos para sugerir los mejores para ustedes –, uma vez por ano está bem, até porque conheço cada solo da banda e cada grito do Mingus entusiasmado da época.

As novas faixas que o disco ganhou não são de temas inéditos, mas de takes antes rejeitados. A conclusão a que se chega é a de que a escolha deu-se no par ou impar, pela simples razão de ser tudo perfeito. O septeto de Mingus estava tocando demais — às vezes soando como uma big band, outras vezes camerístico. Como sempre, Mingus é visceral nos temas e interpretações, e radical nas mudanças súbitas de ritmo. Comprovando ser o homem digno, correto e adequado que efetivamente era, ensaiava tudo em mesas de bar, batendo na mesa com Danny Richmond e cantando enquanto bebia. Não há nada a destacar nesta obra-prima, cada detalhe é perfeito. E mais não preciso dizer.

Afinal, trata-se de um dos auges da Dinastia Mingus.

Charles Mingus – New Tijuana Moods (1957)

1. Dizzy Moods
2. Ysabel’s Table Dance
3. Tijuana Gift Shop
4. Los Mariachis
5. Flamingo
6. Dizzy Moods (Alternate Take)
7. Tijuana Gift Shop (Alternate Take)
8. Los Mariachis (Alternate Take)
9. Flamingo (Alternate Take)

Charles Mingus (bass)
Jimmy Knepper (trombone)
Curtis Porter [Shafti Hadi] (alto sax)
Clarence Shaw (trumpet)
Bill Triglia (piano)
Danny Richmond (drums)
Frankie Dunlop (percussion)
Ysabel Morel (castanets)
Lonnie Elder (voices)

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A capa original.

PQP

The Art of the Nocturne, CD 3 de 4 – Fryderyk Franciszek Chopin (1810-1849) – Noturnos para piano

Nocturnes BoxSim, as agruras de atravessar o Congo deixaram-me meio sequelado. Estou indolente, rumo ao catatônico. Talvez tenham sido os alimentos peculiares que a gente ingere quando se está numa barca superlotada, com crocodilos amordaçados no convés. Ou, então, uma mosca tsé-tsé.

Seja lá o que for que estiver por trás dessa preguiça, não foi ela quem me fez repartir em duas postagens aquilo estes noturnos todos que poderia, tranquilamente, ter colocado numa só.

Julguem-me.

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

NOTURNOS PARA PIANO

Dois Noturnos, Op. 27

01 – No. 1 em Dó sustenido menor
02 – No. 2 em Ré bemol maior

Dois Noturnos, Op. 37

03 – No. 1 em Sol menor
04 – No. 2 em Sol maior

Dois Noturnos, Op. 48

05 – No. 1 em Dó menor
06 – No. 2 em Fá sustenido menor

Dois Noturnos, Op. 55

07 – No. 1 em Fá menor
08 – No. 2 em Mi bemol maior

09 – Noturno em Dó menor, Op. Póstumo

Bart van Oort, piano Érard (1837)

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Não: eu não estava exagerando
Não: eu não estava exagerando

Vassily Genrikhovich

Beethoven (1770-1827): Die Ruinen von Athen / König Stephan / Prometheus Overture – Geza Oberfrank

Beethoven (1770-1827): Die Ruinen von Athen / König Stephan / Prometheus Overture – Geza Oberfrank

Amigos, aqui temos um Beethoven (1770-1827) quase que desconhecido. A música incidental que o mestre de Bonn compôs sobre o texto patriótico do autor vienense August von Kotzebue (1761-1819), foram escritas para a inauguração de um novo teatro em Peste. A primeira “Die Ruinen von Athen”, para a qual Beethoven escreveu uma abertura e oito números dramáticos como seu Opus 113; a segunda “König Stephan”, Opus 117, uma abertura e mais nove números musicais. Apesar de algumas ideias bacanas e de alguns surpreendentes efeitos sonoros, nenhuma dessas obras se aproxima de seu mais alto padrão.
À medida que as guerras napoleônicas reviravam a Europa do século XIX, membros da nobreza e da aristocracia daquela época estavam com menos escolhas de locais para passar as férias de verão. Uma das opções, porque estava em território neutro, era Teplitz (hoje na República Checa) tornou-se o destino para numerosos aristocratas vienenses e cidadãos mais abastados. Foi aqui, no verão de 1811, que Beethoven rapidamente compôs as partituras incidentais para “König Stephan”, op. 117 e “Die Ruinen von Athen”, op. 113 enquanto se recuperava de problemas de saúde. Ambas as obras foram encomendadas para a abertura do novo teatro imperial em Peste em 10 de fevereiro de 1812. A ocasião foi patriótica, e apesar de “König Stephan” ser ostensivamente uma homenagem a um antigo rei húngaro (subtítulo da obra é “Primeiro Benfeitor da Hungria”) , na verdade, é uma homenagem (puxada de saco mesmo) ao então Kaiser austro-húngaro Francisco I. Em 1808, o imperador encomendou a construção de um grande teatro em Budapeste, para aliviar as derrotas sofridas para as tropas napoleônicas e avivar os sentimentos nacionalistas no povão, além de celebrar a lealdade Hungria para com a monarquia austríaca. A época do evento de comemoração a peça “König Stephan” foi o prólogo e “Die Ruinen von Athen” o epílogo.
De quebra o CD nos traz uma versão da abertura “Die Geschöpfe des Prometheus”, op.43.

As Ruinas

Die Ruinen von Athen, incidental music Op.113/114 (1811 rev. 1822)
Como mencionamos acima a música foi escrita para a inauguração do novo teatro em Peste (vale lembrar que a capital da Hungria é dividida pelo Danúbio, a metade baixa é Peste e a metade alta Buda). Uma segunda abertura foi escrita em 1822 para a mesma peça. Foi composta especificamente para a reabertura do Teatro de Viena em Josefstadt em 1822. Talvez a música mais conhecida das Ruínas de Atenas seja a Marcha Turca , um tema popular, mesmo as pessoas que não são ávidos ouvintes de música clássica estão familiarizados. Beethoven em sua genialidade orquestrou as “seis variações sobre um tema original, op. 76” e utilizou na obra como “Marcha turca” (coloquei estas variações também no arquivo de download).
Sobre a peça, trata-se de um tema histórico das lutas de um povo por sua independência nacional, que atendia aos desejos dos governantes, terminando com a glorificação da casa dos Habsburgos. A deusa da antiguidade Minerva, despertada de um sono de dois mil anos, escuta a conversa de um casal grego que se queixa da miséria de seu povo oprimido pelos turcos e perda de sua capital. Ela incita os gregos à vingança e é conduzida por Mercúrio a Peste, onde assiste à inauguração do novo teatro e à procissão triunfal de Tália e Melpone. Júpiter coloca entre as estátuas das duas o busto do Imperador Franz, que é coroado por Minerva. Beethoven inclui na abertura peças centrais das cenas (entre outras o prólogo cromático ao dueto do casal grego, no qual se pode reconhecer a ideia de Beethoven sobre música grega da antiguidade) personificando o tipo de música de ópera que, separadamente da sequência de cenas da peça, é muito executada em salas de concerto.

1.Overture: Andante con moto. Allegro, ma non troppo
2.Chorus: Tochter des mächtigen Zeus
3.Duet: Ohne Verschulden Knechtschaft dulden
4.Chorus of Dervishes: Du hast in deines Armels Falten
5.Marcia alla turca: Vivace (‘Turkish March’)
6. Melodrama
7.March and Chorus: Schmückt die Altäre
8.Recitative: Mit reger Freude die nie erkaltet
9.Chorus: Heil unserm König, Heil!

Sandor Solyom-Nagy Baritone,
Margit Laszlo Soprano,
Geza Oberfrank Conductor,
Hungarian Radio and Television Chorus Choir,
Budapest Philharmonic Orchestra Orchestra

10. Beethoven Variacoes op 76, piano Sviatoslav Richter

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König Stephan, Op. 117

O Rei Stephan

O título refere-se ao rei Estêvão I, fundador do reino da Hungria no ano 1000. A peça exalta as conquistas do rei. Também comemora a esperança em novos tempos de confiança e prosperidade. “Saúde aos nossos netos, eles vão olhar, / o que o espírito profético reconheceu! / Torna-se sua confiança infantil / a coroa mais linda de diamantes! / Dando caridade, diariamente novo, / o rei paga em um futuro distante / a fidelidade imutável, / seu povo é grato a ele! / Salve aos nossos reis! Salve ao rei! “

1.Overture
2.Chor: Ruhend von seinen Taten; Seid mir gegrüßt an dieses Thrones Stufe
3.Chor: Auf dunklem Irrweg in finstern Hainen; Fürst! Mich sandten die Edlen im Heere
4.Victory March
5.Chor: Wo die Unschuld Blumen streute
6.Chor: Eine neue strahlende Sonne
7.Priestly March – Heil unserm Konige! (Chorus)

Sandor Solyom-Nagy Baritone,
Margit Laszlo Soprano,
Geza Oberfrank Conductor,
Hungarian Radio and Television Chorus Choir,
Budapest Philharmonic Orchestra Orchestra

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Die Geschöpfe des Prometheus, op.43
Geza Oberfrank Conductor,
Hungarian Radio and Television Chorus Choir,
Budapest Philharmonic Orchestra Orchestra

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” There is no real intelligence without kindness. I don’t recognize another greatness other than kindness.” Ludwig Van Beethoven

Ammiratore

The Art of the Nocturne, CD 2 de 4 – Fryderyk Franciszek Chopin (1810-1849) – Noturnos para piano

Nocturnes BoxEstava eu em Kinshasa – o toalete do Inferno – bisbilhotando o que vocês aprontavam aqui no PQP Bach, quando então, em meio aos fumos pungentes da banquinha próxima de um vendedor de macaco assado (sic!), recebi a seguinte mensagem acerca da postagem inicial da série “The Art of the Nocturne”:

– Pô, Vassily: bote o restante da série, cabra!

Ôxe!

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

NOTURNOS PARA PIANO

Três Noturnos, Op. 9

01 – No. 1 em Si bemol menor
02 – No. 2 em Mi bemol maior
03 – No. 3 em Si maior

Peças Póstumas para piano, Op. 72

04 – No. 1: Noturno em Mi menor

Três Noturnos, Op. 15

05 – No. 1 em Fá maior
06 – No. 2 em Fá sustenido maior
07 – No. 3 em Sol menor

Dois Noturnos, Op. 32

08 – No. 1 em Si menor
09 – No. 2 em Lá bemol maior

Dois Noturnos, Op. 62

10 – No. 1 em Si maior
11 – No. 2 em Mi maior

12 – Lento con gran espressione – Noturno em Dó sustenido menor, Op. Póstumo

BART VAN OORT, piano Pleyel (1842)

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Vassily Genrikhovich

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 9 – Berliner Philharmoniker – Günter Wand – Post 3 de 5

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 9 – Berliner Philharmoniker – Günter Wand – Post 3 de 5

Bruckner

Sinfonia No. 9

Berliner Philharmoniker

Günter Wand

De boas intensões, dizem, o inferno está cheio! Nada se aplica melhor ao que aconteceu com os amigos e apoiadores de Bruckner, quando tentaram “melhorar” suas composições, fazendo intervenções em suas partituras originais.

No entanto, seus manuscritos foram preservados na Nationalbibliothek, de Viena. Isso por desejo do próprio Bruckner, expresso em seu testamento.

R. Haas

Robert Haas foi o primeiro a estudar sistematicamente os manuscritos de Bruckner para produzir edições de suas obras que fossem fieis às intensões do autor. Sua edição das Obras Completas foi elaborada e publicada entre 1932 e 1944.

No dia 2 de abril de 1932 houve um concerto em Munique, que surpreendeu o mundo musical. A pedido de Robert Haas, que providenciou o material apropriado, Siegmung von Hausegger regeu a Nona Sinfonia de Bruckner por duas vezes seguidas. Primeiro, usando a versão que fora preparada por Ferdinand Löwe em 1903, como a sinfonia era conhecida. Em seguida, usaram a versão editada por Haas, de acordo com os originais autógrafos de Bruckner. Era o início de uma nova era de entendimento da grandiosidade e originalidade deste compositor tão pouco compreendido e apreciado em seus próprios dias.

Não preciso dizer qual versão você ouvirá nesta magnífica interpretação da magistral Berliner Philharmoniker, regida pelo venerando maestro Günter Wand.

Anton Bruckner (1824-1896)

Sinfonia No. 9 em ré menor

Originalfassung/Versão Original
  1. Feierlich, Misterioso
  2. Scherzo. Bewegt, lebhaft – Trio. Schnell
  3. Adagio. Langsam, feierlich

Berliner Philharmoniker

Günther Wand

Gravação ao vivo, setembro de 1998
Produção: Gerald Götze

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 277 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 142 MB

Ande, baixe os arquivos, entre nesta onda bruckneriana que estamos proporcionando. As carteirinhas de sócio do clube “❤ Bruckner” serão emitidas posteriormente…

René Denon

 

Cesar Franck (1822-1890) – Sonata in A – Richard Strauss (1864-1949) – Violin Sonata in E flat, op. 18 – James Ehnes, Andrew Armostrong

Poucas obras me emocionam tanto quanto esta Sonata de Cesar Franck. E nas mãos deste excepcional músico chamado James Ehnes ela se torna ainda mais emocionante. Confesso que já a ouvi dezenas, quiçá dezenas de vezes, com os mais diversos intérpretes, mas Ehnes é um caso a parte. Talvez nem Augustin Dumay / Maria João Pires tenham me deixado tão emocionado. Li em algum lugar que Ehnes é o Heifetz do século XX. Meu ‘chefe’ PQPBach e sua esposa, também violinista, concordam com esta afirmação. Não sei se ainda não é muito cedo para fazermos tal afirmação, vamos esperar um pouco. Mas não posso negar o talento e virtuosismo do rapaz. Ele imprime na sua interpretação aquilo que sempre procuramos, e que encontramos apenas nos grandes mestres: clareza, objetividade, sem subterfúgios, fazendo parecer fácil o que na verdade é um exercício virtuosístico. Espetacular, é o mínimo que podemos dizer. Estou sem meu volume do ‘Caminho de Swann’, de Marcel Proust, onde ele cita inúmeras vezes a pequena ‘passagem’ de Ventuiel’, pequena peça musical que o personagem ouve nos mais diversos momentos durante a obra, e que é a trilha sonora do livro, digamos assim. Ouvindo as primeiras notas desta Sonata não temo em dizer que, quase que com certeza, Proust se inspirou em Franck para imaginar esta obra e este compositor, mesmo com os estudiosos do autor afirmando que a inspiração não foi apenas em um compositor, mas em diversos outros, como Saint-Säens e Debussy. Não importa.

CÉSAR FRANCK (1822–1890)

Sonate pour violon et piano en la majeur

1 I Allegretto ben moderato
2 II Allegro
3 III Ben moderato: Recitative-Fantasia
4 IV Allegretto poco mosso 6.19

RICHARD STRAUSS (1864–1949)

Sonate pour violon et piano en mi bémol majeur

5 I Allegro, ma non troppo
6 II Improvisation: Andante cantabile
7 III Finale: Andante –Allegro

8 Allegretto in E AV149 E-dur

9 Wiegenlied op.41 no.1
10 Waldseligkeitop.49 no.1
11 Morgen! op.27 no.4

James Ehnes – Violin
Andrew Armstrong – Piano

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The Art of the Nocturne, CD 1 de 4 – John Field (1872-1837) – Os Noturnos para piano

The Art of the Nocturne, CD 1 de 4 – John Field (1872-1837) – Os Noturnos para piano

Nocturnes BoxO notável rol de compositores divulgados aqui no PQP Bach ganha mais um integrante.

O irlandês John Field foi muito famoso em seu tempo e tremendamente respeitado por seus colegas. Estudou com Clementi na Inglaterra, fez turnês por toda a Europa e acabou na Rússia, onde fez fama e fortuna. Gastou muito do que tinha – inclusive a saúde – vivendo como um sátiro priápico, e por um triz não morreu na penúria.

Nas décadas que se seguiram à sua morte, e talvez por ter feito sua carreira no que era então um país periférico no mapa-múndi musical (Glinka, na época, era só uma criança), a obra de Field foi sendo esquecida. Hoje, ele praticamente só é lembrado como o primeiro compositor de Noturnos para piano e, nessa condição, como o precursor das obras-primas de Chopin no gênero.

A reputação do dublinense entre os colegas pianistas era tamanha que Franz Liszt escreveu o seguinte no prefácio de uma edição póstuma dos Noturnos de Field:

“Ninguém obteve tais vagas harmonias eólicas, estes meios-suspiros flutuando pelo ar, lamentando suavemente, e dissolvidos em deliciosa melancolia”

Os ouvidos modernos, repletos que estão de Chopin, talvez não encontrem ecos para o entusiasmo de Liszt – que era, aliás, um contumaz rasgador de seda. Quem escuta Field pela primeira vez tem a impressão de que ele se contenta em repetir incessantemente escalas muito ornamentadas sobre um modesto acompanhamento. Por outro lado, quem toma o cuidado de não esperar de Field a audácia harmônica e a invenção melódica do gênio polonês acaba encontrando peças muito agradáveis, que bebem demais da fonte de Hummel – a referência inescapável dos pianistas da época – e parecem olhar, sem preocupação alguma, para o futuro.

Esta bonita caixa da Brilliant Classics, que postaremos ao longo das próximas semanas, é enriquecida por boas interpretações de Bart van Oort e pelo timbre incomum de pianos antigos – aqui, um Broadwood de 1823, semelhante àquele com que o fabricante presenteou Beethoven alguns anos antes.

John FIELD (1782-1837)

OS NOTURNOS PARA PIANO

01 – Noturno em Mi bemol maior, H. 24
02 – Noturno em Dó menor, H. 25
03 – Noturno em Lá bemol maior, H. 26
04 – Noturno em Lá maior, H. 36
05 – Noturno em Si bemol maior, H.37
06 – Noturno em Fá maior, H. 40
07 – Noturno em Dó maior, H. 45
08 – Noturno em Lá maior, H. 14e
09 – Noturno em Mi bemol maior, H. 30
10 – Noturno em Mi menor, H. 46b
11 – Noturno em Mi bemol maior, H. 56a
12 – Noturno em Sol maior, H. 58d
13 – Noturno em Ré menor, H. 59
14 – Noturno em Fá maior, H. 62a
15 – Noturno em Mi maior, H. 54f

Bart van Oort, piano Broadwood (1823)

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Um irlandês ruivo? Mas que surpresa!
Um irlandês ruivo? Mas que surpresa!

Vassily Genrikhovich

Antonio Vivaldi (1678-1741): “Il Proteo” – Double And Triple Concertos

Antonio Vivaldi (1678-1741): “Il Proteo” – Double And Triple Concertos

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Só pela audição do RV 552 — com um dos violinos solistas fora do palco — este CD já valeria a pena, mas o resto também é excelente. Este disco recebeu o Gramophone 96 na categoria de Instrumental Barroco e é com certeza um dos melhores CD de Vivaldi que já foram prensados, não apenas pela execução excepcional, mas também pela maravilhosa gravação (a qualidade do som é surpreendente) e principalmente pelas obras que contém: alguns dos melhores concertos do Padre Rosso. Christophe Coin (violoncelo) e Il Giardino Armonico dão um show. Como o disco é de 1995, temos aqui um jovem Il Giardino Armonico, com instrumentos originais. cabe também destacar a notável versão do Concerto para 2 cellos, RV 531, cheia de força e com um banho de bola do já citado Coin e Paolo Beschi. Absolutamente recomendado!

Antonio Vivaldi (1678-1741): “Il Proteo” – Double And Triple Concertos

Concerto In D Major; RV 564 For 2 Violins, 2 Violoncellos, Strings And Basso Continuo
Allegro 04:31
Largo 02:33
Allegro 03:21

Concerto In F Major; RV 551 For 3 Violins, Strings And Basso Continuo
Allegro 04:29
Andante 01:54
(Allegro) 03:02

Concerto In G Minor; RV 531 For 2 Violincellos, Strings And Basso Continuo
Allegro 03:49
Largo 03:08
Allegro 03:01

Concerto In A Major; RV 552 For Violin, “Violino Per Eco Lontano”, Strings And Basso Continuo
Allegro 06:45
Larghetto 04:07
Allegro 03:40

Concerto In C Major; RV561 For Violin, 2 Violoncellos, Strings And Basso Continuo
Allegro 03:41
Largo 02:52
Allegro 02:46

Concerto In F Major; RV 544 “Il Proteo O Sia Il Mondo Al Rovescio” For Violin, Violoncello, Strings And Basso Continuo
Allegro 03:59
Largo 03:11
(Allegro) 03:14

Violin Sonata RV.063`La Folia’

Christophe Coin
Il Giardino Armonico

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Foto da cidade de Alegrete (RS)

PQP

The Ravi Shankar Edition – West meets East – The Historical Shankar/Menuhin Sessions

The Ravi Shankar Edition – West meets East – The Historical Shankar/Menuhin Sessions

71hXDHJxsOL._SL1118_A parceria entre os gigantes Menuhin e Shankar, iniciada a convite do primeiro no Festival de Bath de 1966, resultou numa amizade que duraria até o final de suas vidas e em três bem-sucedidos álbuns que foram condensados neste volume que ora lhes apresento.

Já defendi em outra postagem a divulgação de música clássica de outras paragens, lançando mão das palavras do colega Ranulfus: “uma das coisas que me motivam na colaboração no blog é tentar demonstrar o quanto nosso conceito de ‘clássico’ pode ser justificadamente expandido para além das suas fronteiras tradicionais (no fundo etnocêntricas), e isso com criações autênticas, não com adaptações tipo ‘transcrições de canções populares para orquestra’.”.

A música clássica indiana, com seus instrumentos peculiares, os microtons (shrutis), sua intensa verve e o caráter improvisatório superposto às estritas definições de raga e tala, às quais voltaremos algum dia, pode trazer dificuldades a ouvidos pouco acostumados a ela. A ilustre presença de Lord Menuhin, aqui muito reverente à arte que busca integrar à sua própria, talvez facilite um pouco a introdução de vós outros a este novo planeta musical. Para quem estranha a presença de violino no conjunto de virtuoses indianos, digo que este instrumento, com o mesmíssimo feitio, mas com afinação e sob técnica muito diferentes, é usado há já alguns séculos na Índia para fazer música, ainda que, para isso, seja apoiado entre o ombro esquerdo e o pé direito do executante.

 

Convido os leitores-ouvintes à apreciação do rico som do sitar, da habilidade de Shankar na improvisação e, especialmente, das intervenções daquele que é considerado por muitos o maior percussionista que já existiu – Alla Rakha, mestre supremo da tabla.

Estas gravações históricas marcaram não só a primeira colaboração entre um músico indiano e um grande nome da música ocidental, como também lançaram a carreira de Shankar no Ocidente, onde se tornaria figurinha fácil nas grandes salas de concertos e influenciaria George Harrison e o som dos Beatles. Conquistou, entre seus pares, a reputação de um dos maiores músicos vivos e, ao morrer em 2012, virou uma lenda – não sem antes deixar para o mundo as maravilhosas filhas Anoushka Shankar e Norah Jones, duas estrelas da música, cada qual em sua própria vertente.

Espero que este grande encontro de notáveis deixe com as senhoras e senhores um sabor de “quero mais” que torne bem-vindo, noutras ocasiões, o que de mais eu lhes trouxer da riquíssima música daquele subcontinente.

WEST MEETS EAST – THE HISTORIC SHANKAR/MENUHIN SESSIONS

01 – Prabhati (baseado no Raga Gunkali)
02 – Swara-Kakali (baseado no Raga Tilang)
03 – Raga Piloo
04 – Dhun
05 – Raga Ananda Bhairava
06 – Tenderness
07 – Twilight Mood

Ravi Shankar, sitar
Yehudi Menuhin, violino
Alla Rakha, tabla
Prodyot Sen, Kamara Chakravarli e Nodu Mullick, tanpura
Amlya Dasgupta, tanpura baixo

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"Tchê, pra que tanta corda???"
“Tchê, pra que tanta corda???”



Vassily Genrikhovich

Barbara Strozzi (1619-1677): Cantatas e Árias

Barbara Strozzi (1619-1677): Cantatas e Árias

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sem favores ao feminismo — como se precisasse… –, este é um lindo e raro disco de compositora barroca. Strozzi foi um enorme talento. O Ensemble Poïesis e a soprano Cristiana Presutti dão um chou. Mas vamos dar uma passada na biografia da compositora?

Barbara Strozzi foi uma compositora e cantora barroca. Era provavelmente filha ilegítima do poeta e libretista veneziano Giulio Strozzi e de sua serviçal, Isabella Garzoni, apelidada la Greghetta. Em 1628, Giulio, também ele filho ilegítimo de Roberto Strozzi, refere-se a Barbara como sua figliuola elettiva, ao designá-la como herdeira em seu testamento. Sob a orientação de seu pai, Barbara estudou música com o cantor, organista e compositor Francesco Cavalli, parceiro próximo de Claudio Monteverdi, cuja morte o levou a assumir a liderança entre os compositores da ópera barroca veneziana. Com ele, Barbara também desenvolveu seus dotes de soprano. Aos 16 anos, ela cantava, acompanhando-se de um dos muitos instrumentos de que seu pai dispunha, nos concertos promovidos por Giulio, nas reuniões da Accademia degli Incogniti e, a partir de 1637, da Accademia degli Unisoni, esta última fundada pelo próprio Giulio. Barbara Strozzi também foi uma compositora talentosa. Em artigo de 1997, publicado na Musical Quarterly, a musicóloga Beth L. Glixon, especialista em ópera veneziana do século XVII, refere-se a Barabara Strozzi como”o mais prolífico compositor — homem ou mulher — de música vocal secular publicada em Veneza, em meados do século XVII”. Em 1644, Strozzi publicou seu opus Nº 1, Il primo libro di madrigali, dedicado à grã-duquesa da Toscana, Vittoria Della Rovere. Esses madrigais tinham letras escritas por seu pai, Giulio Strozzi. As coletâneas publicadas após a morte de seu pai (1652), tiveram textos escritos por amigos do libretista ou por ela mesma. Quase todos os seus trabalhos foram seculares e escritos para sua própria voz (soprano lírico) e mostram o seu domínio de diferentes formas musicais — cantatas, ariettas e duetos. Barbara Strozzi nunca se casou mas teve quatro filhos. Os três últimos eram de Giovanni Paolo Vidman (ou Widmann), um amigo de Giulio Strozzi, que a ele dedicara o libretto de La finta pazza. Vidman era patrono de artistas, membro da Accademia degli Incogniti e, embora fosse casado com outra mulher (Camila Grotta), manteve com Barbara uma longa relação. Barbara Strozzi compôs 125 composições, organizadas em oito coletâneas que foram publicadas entre 1644 e 1664 e dedicadas a mecenas e protetores diversos.

Barbara Strozzi (1619-1677): Cantatas e Árias

1 Serenata con violini (Sinfonia) Op. 8
Composed By – Barbara Strozzi
1:48
2 “Lagrime mie” (Lamento) op. 7
Composed By – Barbara Strozzi
8:39
3 Sonata per due violini op. 22
Composed By – Biagio Marini
4:35
4 “Finche tu spiri” (Cantata) op. 7
Composed By – Barbara Strozzi
10:17
5 “Bel desio che mi tormenti” op. 6
Composed By – Barbara Strozzi
6:18
6 Sinfonia sesto tuono op. 22
Composed By – Biagio Marini
2:04
7 Il Lamento “Sul Rodano severo” op. 2
Composed By – Barbara Strozzi
12:19
8 Costume de grandi “Godere e lasciare” op. 2
Composed By – Barbara Strozzi
4:29
9 L’Eraclito Amoroso “Udite Udite amanti” op. 2
Composed By – Barbara Strozzi
6:32
10 “Mentita” (version instrumentale) op. 6
Composed By – Barbara Strozzi
4:19
11 “Apresso ai molli argenti” (Lamento) op. 7
Composed By – Barbara Strozzi
11:56

Cristiana Presutti (soprano)
Ensemble Poïesis

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A muito talentosa Barbara Strozzi

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Cantatas – Vol 1 de 22 – Ton Koopman, Amsterdam Baroque Orchestra & Choir

Para realizar esta mega postagem, a maior que já fiz, e provavelmente jamais farei algo parecido, preciso da compreensão e da paciência dos senhores.  Paciência por se tratarem de 67 cds ao todo, distribuidos em 22 volumes, e claro que não postarei tudo de uma só vez, mas por volumes. Já há algum tempo cogito em trazer alguma integral das Cantatas de Bach, mas a falta de tempo sempre me atrapalhava no projeto. Em alguns casos, na maior parte deles, provavelmente, o texto que ilustrará a postagem será do próprio booklet dessa coleção, uma jóia preciosa que faz parte de meu acervo já há quase vinte anos. A trato como o bem inestimável que é.

Ton Koopman é um dos maiores especialistas em Bach que já pisaram sobre a face da Terra. Já gravou muita coisa do velho mestre, e este com certeza foi o seu projeto mais ambicioso. Ele mesmo escolheu os músicos que fazem parte da orquestra e do Coro. Nomes conhecidos como o das sopranos Sabrine Piau e Barbara Schlick, ou do baixo Klaus Mertens serão constante, já que acompanharam Koopman durante todo o processo de gravação.

Então vamos ao que viemos. espero que apreciem o esforço, e por favor, comentem.

“Johann Sebastian Bach deixou uma magnífica coleção de música vocal para a posteridade. Entre os melhores exemplos estão as grandes obras musicais como as Paixões, Oratórios e Missas, sem precedente nem paralelo em seu próprio tempo. No entanto, de acordo com uma análise de suas obras, elaboradas em 1750, ano de sua morte, a maior parte do legado musical de Bach consistia em “cinco ciclos anuais de peças da igreja”, ou seja, cantatas para os domingos e dias santos. por um total de cinco anos eclesiásticos. Como há cerca de 65 comemorações por ano, cinco ciclos sugeririam um repertório total de mais de trezentas peças. Porém, ao todo menos de duzentas cantatas permanecem.
No entanto, apesar da perda irrecuperável de cerca de um quinto desta coleção, o repertório sobrevivente constituiu um tesouro muito variado e esteticamente superior de obras vocais e instrumentais, inigualável na história da música sacra. Na íntegra, as cantatas de Bach, abrangendo virtualmente toda a vida criativa do compositor, exibem uma excepcional qualidade artística, riqueza, variedade e originalidade. (…)”

CD 1

“Ich hatte viel Bekümmernis” BWV 21
For the 3rd Sunday after Trinity • For all times

PRIMA PARTE

1 Sinfonia
2 Coro: “Ich hatte viel Bekümmernis”
3 Aria (Soprano): “Seufzer, Tränen, Kummer, Not”
4 Recitativo (Soprano): “Wie hast du dich, mein Gott”
5 Aria (Soprano): “Bäche von gesalznen Zähren”
6 Coro: “Was betrübst du dich, meine Seele”

SECONDA PARTE

7 Recitativo (Soprano, Basso): “Ach Jesu, meine Ruh”
8 Duetto (Soprano, Basso): “Komm, mein Jesu”
9 Coro: “Sei nun wieder zufrieden”
10 Aria (Soprano): “Erfreue dich, Seele”
11 Coro: “Das Lamm, das erwürget ist”

“Aus der Tiefe rufe ich, Herr, zu dir” BWV 131
Penitential Service?

12 Sinfonia-Choral: “Aus der Tiefe rufe ich, Herr, zu dir”
13 Aria (Basso, Choral): “So du willst, Herr, Sünde zurechnen”
14 Coro: “Ich harre des Herrn”
15 Aria (Tenore, Choral): “Meine Seele wartet auf den Herrn”
16 Coro: “Israel, hoffe auf den Herrn”

“Ich hatte viel Bekümmernis” BWV 21 (Appendix):
17 Coro: “Sei nun wieder zufrieden'”

CD 2

“Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit” (Actus tragicus) BWV 106
Unspecified occasion

1 Sonatina
2 a [Coro]: “Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit”
b [Arioso] (Tenore): “Ach Herr, lehre uns bedenken”
c [Arioso] (Basso): “Bestelle dein Haus; denn du wirst sterben”
3 a [Aria] (Alto): “In deine Hände befehl ich meinen Geist”
b [Arioso – Choral] (Alto, Basso): “Heute wirst du mit mir im Paradies sein”
4 Coro: “Glorie, Lob, Ehr und Herrlichkeit”

“Der Herr denket an uns” BWV 196
Wedding cantata

5 Sinfonia
6 Coro: “Der Herr denket an uns”
7 Aria (Soprano): “Er segnet, die den Herrn fürchten”
8 Duetto (Tenore, Basso): “Der Herr segne euch” 8 Duetto (Tenore, Basso): “Der Herr segne euch”
9 Coro: “Ihr seid die Gesegneten des Herrn”

“Gott ist mein König” BWV 71
Ratswechsel – For the Town Council Inauguration

10 Coro: “Gott ist mein König”
11 Aria – Choral (T, S): “Ich bin nun achtzig Jahr” • “Soll ich auf dieser Welt”
12 Coro [a 4 voci]: “Dein Alter sei wie deine Jugend”
13 Arioso (Basso): “Tag und Nacht ist dein”
14 Aria (Alto): “Durch mächtige Kraft”
15 Coro: “Du wollest dem Feinde nicht geben”
16 Coro [Soli, Coro]: “Das neue Regiment

“Nach dir, Herr, verlanget mich” BWV 150
Occasion unspecified

17 Sinfonia
18 Coro: “Nach dir, Herr, verlanget mich”
19 Aria (Soprano): “Doch bin und bleibe ich vergnügt”
20 Coro: “Leite mich in deiner Wahrheit”
21 Aria (Terzetto: Alto, Tenore, Basso): “Zedern müssen von den Winden”
22 Coro: “Meine Augen sehen stets zu dem Herrn”
23 Coro: “Meine Tage in dem Leide”

CD 3

“Der Himmel lacht! die Erde jubilieret” BWV 31
On the 1st day of Easter

1 Sonata
2 Coro (Coro, Soprano, Alto): “Der Himmel lacht! die Erde jubilieret”
3 Recitativo (Basso): “Erwünschter Tag! Sei, Seele, wieder froh”
4 Aria (Basso): “Fürst des Lebens, starker Streiter”
5 Recitativo (Tenore): “So stehe dann, du gottergebne Seele”
6 Aria (Tenore): “Adam muß in uns verwesen”
7 Recitativo (Soprano): “Weil dann das Haupt sein Glied”
8 Aria (Soprano): “Letzte Stunde, brich herein”

“Barmherziges Herze der ewigen Liebe” BWV185
For the 4th Sunday after Trinity

10 Aria (Duetto: Soprano, Tenore): “Barmherziges Herze der ewigen Liebe”
11 Recitativo (Alto): “Ihr Herzen, die ihr euch”
12 Aria(Alto): “Sei bemüht in dieser Zeit”
13 Recitativo (Basso): “Die Eigenliebe schmeichelt sich”
14 Aria (Basso): “Das ist der Christen Kunst”
15 Choral (Coro): “Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ”

«Christ lag in Todesbanden” BWV 4
For the 1st day of Easter

16 Sinfonia
17 [Coro] Versus I: “Christ lag in Todesbanden”
18 [Duetto] (Soprano, Alto) Versus II: “Den Tod niemand zwingen kunnt”
19 [Aria] (Tenore) Versus III: “Jesus Christus, Gottes Sohn”
20 [Coro] Versus IV: “Es war ein wunderlicher Krieg”
21 [Aria] (Basso) Versus V: “Hier ist das rechte Osterlamm”
22 [Duetto] (Soprano, Tenore) Versus VI: “So feiern wir das hohe Fest”
23 Choral (Coro) Versus VII: “Wir essen und leben wohl”

“Christ lag in Todesbanden” BWV 4 (Appendix):

24 Sinfonia
25 [Coro] Versus I: “Christ lag in Todesbanden”
26 [Duetto] (Soprano, Alto) Versus II: “Den Tod niemand zwingen kunnt”
27 Choral (Coro): Versus VII: “Wir essen und leben Wohl”

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

 

Barbara Schlick Soprano
Kai Wessel Alto
Guy de Mey Tenor
Klaus Mertens Bass

THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN

Ton Koopman está feliz pois o PQPBach vai postar sua integral

Colloquium olympicum (fictum): Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – As Sonatas para piano – Glenn Gould (4/4)

MI0000960404[epílogo das três partes anteriores, retomando do ponto em que Amadeus ficou horrorizado com o andamento frenético com que Gould tocou uma de suas sonatas, a ponto de exclamar “So ein spiellen und scheissen ist bey mir einerley!”]

GOULD: Assim fica melhor? [toca novamente o Allegro moderato da Sonata em Dó maior, K. 330, mas dessa vez adota o andamento mais lento de sua gravação de 1958]. Melhor?
MOZART: Melhor, sim. Mas as indicações dinâmicas – o contraste entre forte e piano, os sforzandi
G: “Culpado, meritíssimo!”. Eu nunca toco sforzandi, “já que eles representam um elemento de quase-teatralidade pelo qual minha alma puritana tem vigorosa objeção”.
M: (cautelosamente) Mas o que dizem os críticos? Quero dizer, acerca dos sforzandi que faltam e o resto…
G: (com uma gargalhada) Oh, os críticos! Deveria ler-lhe o que um desses cavalheiros escreveu sobre minha interpretação para sua Sonata em Lá maior? “É muito difícil captar o que Gould tenta provar, a não ser que o boato de que ele realmente odeia essa música seja verdadeiro. Andamentos são dolorosamente lentos, a articulação picotada e destacada viola a estrutura frasal (e muitas das indicações específicas de Mozart) […] isso tudo evoca a imagem de um moleque tremendamente precoce mas muito sacana tentando aprontar uma para seu professor de piano”.
M: (inseguro de si mesmo) E você, er, realmente odeia essa música… minha música?
G: (sinceramente) Não, Sr. Mozart. É verdade que eu a ouço, entendo e interpreto diferentemente da maior parte das pessoas, e sem dúvidas diferentemente de você, “e tenho certeza de que frequentemente você não aprovaria o que eu faço com sua música. No entanto, mesmo que seja cego, o intérprete tem que estar convicto de que está fazendo a coisa certa e de que ele pode achar maneiras de interpretá-la das quais nem o próprio compositor estaria ciente”.
M: Poderia pedir-lhe para tocar-me uma de suas interpretações que você acha que eu aprovaria?
G: Que tal o Alla turca de sua Sonata em Lá maior?
M: (nervosamente) Er…
G: (com uma gargalhada) Não se preocupe, não o tornarei um Presto, quanto menos um Prestissimo. Muito pelo contrário: vou tocá-lo como um Allegretto, como você mesmo indicou (e como, acrescento, ele é raramente ouvido).
M: (com dúvidas) E também com os contrastes entre piano e forte?
G: Esses, também! (com uma gargalhada) Ainda mais porque não há sforzandi neste movimento!
M: Nota por nota, então, como eu o escrevi?
G: Nota por nota – exceto por alguns pequenos arpejos na coda, que dá ao movimento seu toque “turco”.
M: Bem, então… eu sou todo ouvidos!

[Michael Stegemann, 1994 – Tradução de Vassily]

MOZART – THE PIANO SONATAS – GLENN GOULD

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

AS SONATAS PARA PIANO (4/4)

Sonata no. 15 em Fá maior, K. 533/K. 494
01 – Allegro (K. 533)
02 – Andante (K; 533)
03 – Rondo. Allegretto (K. 494)

Sonata no. 16 em Dó maior, K. 545, “Sonata facile”
04 – Allegro
05 – Andante
06 – Rondo. Allegretto.

Sonata no.17 em Si bemol maior, K. 570
07 – Allegro
08 – Adagio
09 – Allegretto

Sonata no. 18 em Ré maior, K. 576
10 – Allegro
11 – Adagio
12 – Allegretto

Fantasia em Ré menor, K. 397 (385g)
13 – Andante

Fantasia em Dó menor, K. 475
14 – Adagio

Glenn Gould, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

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Vassily Genrikhovich

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 4 – Berliner Philharmoniker – Günter Wand – Post 2 de 5

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 4 – Berliner Philharmoniker – Günter Wand – Post 2 de 5

Anton Bruckner

Sinfonia No. 4 – Romantische

Berliner Philharmoniker

Günter Wand

Esta sinfonia é possivelmente a mais conhecida das Sinfonias de Bruckner e foi a primeira que ouvi. O epíteto “Romântica” foi dado pelo próprio Anton e reflete um estado de harmonia com a natureza que nos é transmitido pela perspectiva global da sinfonia.

Há maravilhosas gravações desta Sinfonia de Bruckner, muitas das quais você encontra nas nossas postagens. No entanto, esta gravação, feita ao vivo, reflete o sentido de uma ocasião especial, na qual um reverenciado e experiente maestro dirige uma excepcional orquestra. Günter Wand tem o completo domínio da situação expondo sem esforço aparente a maravilhosa arquitetura da obra, atingindo as alturas por muitos somente almejadas. A dramaticidade dos clímaces, tão importantes em Bruckner, assim como os momentos em que a orquestra deve apenas murmurar, são apresentados com clareza e transparência. A sensação de um momento especialíssimo está realmente presente no disco.

Bruckner iniciou a composição de sua Sinfonia No. 4 em 1874 e continuou trabalhando nela até 1780, quando reescreveu o último movimento.

Obstinado e perfeccionista, Bruckner sabia exatamente o que pretendia de suas enormes sinfonias. Passou a metade de sua vida preparando-se para compô-las e constantemente trabalhou simultaneamente em novas obras e no aprimoramento das que já havia completado.

Se permitiu que seus (mesmo bem intencionados) amigos revisassem e mesmo mutilassem suas obras, era na esperança de que fossem executadas. No entanto, foi cuidadoso para preservar suas reais intenções, deixando os originais livres destas espúrias intervenções com a designação gültig (=válida). Esses manuscritos foram arquivados na coleção de manuscritos da Biblioteca da Corte Imperial, hoje Biblioteca Nacional de Viena, por seu desejo expresso.

Assim, a versão que podemos ouvir nesta gravação representa o que Bruckner esperava que ouvíssemos.

Anton Bruckner (1824-1896)

Sinfonia No. 4 em mi bemol maior – Romântica

Versão original (1878/1880)
  1. Bewegt, nicht zu schnell
  2. Andante quasi Allegretto
  3. Scherzo. Bewegt – Trio. Nicht zu schnell, keinesfalls schleppend
  4. Finale. Bewegt, doch nicht zu schnell

Berliner Philharmoniker

Günter Wand

Gravação feita ao vivo em 1998
Produção: Gerald Götze

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 298 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 173 MB

Ande, baixe os arquivos, entre nesta onda bruckneriana que estamos proporcionando. As camisetas com os dizeres “Eu ouço Bruckner” serão ofertadas posteriormente…

René Denon

Colloquium olympicum (fictum): Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – As Sonatas para piano – Glenn Gould (3/4)

MI0000960404[continuação daquilo e disso]

MOZART: (friamente) Não preciso lhe dizer que, ao manter esse ponto de vista, você está numa minoria de… uma pessoa. Ainda que eu não me inclua entre eles (e tenho certeza de que você entenderá que, por motivos puramente pessoais, não compartilho seu ponto de vista), poderia, com toda modéstia, apontar-lhe milhares, mesmo centenas de milhares de amantes da música que…
GOULD: Mesmo que fossem milhões, não fariam diferença. “Ainda criança, eu não conseguia entender como meus professores, e outros adultos presumivelmente sãos, contavam as suas obras entre os grandes tesouros musicais do homem ocidental. […] Acho que eu tinha em torno de treze anos quando finalmente percebi que o mundo inteiro não via as coisas como eu via. Já que jamais me teria ocorrido, por exemplo,que alguém poderia não compartilhar meu entusiasmo por um céu cinza e nublado, foi então um verdadeiro choque descobrir que havia de fato pessoas que preferiam o ensolarado. Poderia acrescentar que isso continua a ser um mistério para mim, mas essa é outra história.
M: (com pena) Acho que começo a entendê-lo, meu pobre amigo. Escute, há um médico aqui que certamente poderia curá-lo de seu entusiasmo por céus cinzas e nublados. Ele se chama Dr. Freud…
G: (às gargalhadas) Não, obrigado – recusei-me a permitir que qualquer de seus colegas se aproximasse de mim enquanto vivia. Em todo caso, minha preferência por certos fenômenos meteorológicos em particular não está de qualquer maneira conectado com minha crítica a certas inconsistências composicionais em sua música. Tome, por exemplo, o Finale Allegro grazioso de sua Sonata em Si bemol maior, K. 333, ou, para ser mais preciso, a cadenza logo antes do final do movimento. “Para mim, essa página vale o preço do ingresso”.
M: (lisonjeado) Sério?
G: (incensado) Mas como lhe deu na telha a ideia insana de escrever “Cadenza a tempo” sobre ela? “É uma cadenza, não importa o que você diga, e eu simplesmente não posso imaginar como você esperaria que alguém passasse da tônica menor (Si bemol menor) para a submediante (Sol bemol maior) sem reduzir a marcha.
M: Parece-me que, pelo que você diz, você aborda minha música pura e simplesmente dum ponto de vista harmônico.
G: Uma vez que – como já disse – ela é incapaz de despertar o menos interesse contrapontístico…
M: E que tal sua forma?
G: (desdenhosamente) Oh, você sabe, “a forma básica da sonata não me interessa lá muito – a questão de temas tônicos vigorosos e masculinos e temas dominantes femininos e delicados parece-me infestado de clichês, isso para não dizer racista. Além do que, você sabe, muitas vezes sucede o contrário – segundos temas agressivos e masculinos, e aí por diante. Quanto à sua Sonata em Si bemol maior, que mencionamos há um instante, reflita sobre a não-integração entre o primeiro e o segundo temas do seu primeiro movimento, os quais, até onde posso perceber, poderiam ser tocados em ordem reversa e ainda assim prover um contraste perfeitamente satisfatório”.
M: Bem, é certamente uma ideia interessante… e talvez nem um pouco excêntrica, ademais…
G: (exultante) Você vê! (subitamente sério) “Mas o que eu não entendo é por que você ignorou tantas oportunidades canônicas óbvias para a mão esquerda!”
M: Você desaprova os baixos de Alberti?
G: Exatamente. Aqui está, por exemplo, o Allegro moderato de sua Sonata em Dó maior, K. 330 (ele começa o movimento com o mesmo andamento frenético de sua gravação de 1970, incluída na postagem)
M: (horrorizado) Pare – é insuportável! “Rápido demais. Tocar assim ou cagar, para mim, é a mesma coisa!”
G: (rindo) Desculpe – eu me empolguei!!!

[continua]

MOZART – THE PIANO SONATAS – GLENN GOULD

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

AS SONATAS PARA PIANO (3/4)

Sonata no. 11 em Lá maior, K. 331 (300i)
01 – Tema. Andante grazioso e variazioni
02 – Menuetto – Trio
03 – [Rondo] Alla Turca. Allegretto.

Sonata no. 12 em Fá maior, K. 332 (300k)
04 – Allegro
05 – Adagio
06 – Allegro assai

Sonata no. 13 em Si bemol maior, K. 333 (315c)
07 – [Allegro]
08 – [Andante cantabile]
09 – [Allegretto grazioso]

Sonata no. 14 em Dó menor, K.457
10 – Allegro
11 – Adagio
12 – Molto allegro

Glenn Gould, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Oh-oh: mais uma pedra???
Oh-oh: mais uma pedra???

Vassily Genrikhovich

 

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta gravação foi “Editor`s Choice” da Gramophone em 2011, “Gravação recomendada” pela ClassicFM e depois, em 2016, foi considerada a melhor gravação do Concerto de Mendelssohn novamente pela Gramophone. Tá bom?

Aclamado como “o Jascha Heifetz dos nossos dias”, o violinista James Ehnes é considerado um dos artistas mais perfeitos e musicais da música erudita. Talvez seja o melhor violinista em atividade atualmente. Ele já se apresentou em mais de 30 países, atuando e gravando com as melhores orquestras e regentes. A extensa discografia de Ehnes inclui desde sonatas para violino de Bach a Road Movies, de John Adams. Desde que Vladimir Ashkenazy ganhou destaque no cenário mundial na Competição Chopin de 1955 em Varsóvia, ele construiu uma carreira extraordinária de pianista. A regência tomou a maior parte de suas atividades nas últimas duas décadas, e ele mantém um relacionamento de longa data com a Philharmonia Orchestra, da qual foi nomeado regente em 2000.

O Concerto para Violino, Op. 64, de Mendelssohn passou a ser visto como um degrau inescapável na carreira de todo violinista que almejasse o sucesso, multiplicando-se seus recitais e gravações. Hoje é considerado uma das principais composições de Mendelssohn e um dos mais importantes exemplos de seu gênero, continuando a desfrutar de grande popularidade.

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

Violin Concerto In E Minor Op.64 (26:37)
1 I Allegro Molto Appassionato 12:45
2 II Andante 8:16
3 III Allegretto Non Troppo – Allegro Molto Vivace 5:35

Octet In E Flat Op.20 (30:44)
4 I Allegro Moderato Ma Con Fuoco 13:49
5 II Andante 6:31
6 III Scherzo 4:29
7 IV Presto 5:53

Cello – Edward Arron (tracks: 4 to 7), Robert deMaine (tracks: 4 to 7)
Conductor – Vladimir Ashkenazy (tracks: 1 to 3)
Orchestra – Philharmonia Orchestra (tracks: 1 to 3)
Viola – Cynthia Phelps* (tracks: 4 to 7), Richard O’Neill (tracks: 4 to 7)
Violin – Andrew Wan (tracks: 4 to 7), Augustin Hadelich (tracks: 4 to 7), Erin Keefe (tracks: 4 to 7), James Ehnes

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Ehnes, genial.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para Piano vols. 6, 7 e 8 – András Schiff

Quando chegamos a postar obras tão fundamentais do repertório pianístico, que todos os grandes pianistas, e os não tão grandes, pretendem gravar, ou pelo menos tocar, começamos a andar em terreno de areia movediça. Tenho pelo menos três pianistas que considero imbatíveis neste repertório. Não vou dar nomes aos bois, pois sei que pedras irão ser atiradas por não ter citado fulano ou beltrano.
Vou deixar os senhores decidirem se András Schiff entra neste panteão de grandes pianistas que encararam estas tão amadas sonatas de Beethoven. Não posso dizer que é a minha integral favorita, e com certeza não é, mas ela tem bons momentos. Músicos de tal estatura merecem o benefício da dúvida pelo conjunto da obra que até então realizaram.
Digo isso, pois quero encerrar esta integral hoje. Certo? Dentro de alguns dias, nosso querido Vassily retorna com estas sonatas, porém com outro sotaque. Quem viver, verá.

Volume 6

01. Sonate Nr. 22 F-dur, Op. 54 I. In tempo d’un Menuetto
02. Sonate Nr. 22 F-dur, Op. 54 II. Allegretto
03. Sonate Nr. 23 f-moll «Appassionata», Op. 57 I. Allegro assai
04. Sonate Nr. 23 f-moll «Appassionata», Op. 57 II. Andante con moto
05. Sonate Nr. 23 f-moll «Appassionata», Op. 57 III. Allegro ma non troppo
06. Sonate Nr. 24 Fis-dur, Op. 78 I. Adagio cantabile. — Allegro ma non troppo
07. Sonate Nr. 24 Fis-dur, Op. 78 II. Allegro vivace
08. Sonate Nr. 25 G-dur, Op. 79 I. Presto alla tedesca
09. Sonate Nr. 25 G-dur, Op. 79 II. Andante
10. Sonate Nr. 25 G-dur, Op. 79 III. Vivace
11. Sonate Nr. 26 Es-dur, Op. 81a I. Das Lebewohl (Adagio. — Allegro)
12. Sonate Nr. 26 Es-dur, Op. 81a II. Abwesenheit (Andante espressivo)
13. Sonate Nr. 26 Es-dur, Op. 81a III. Das Wiedersehen (Vivacissimamente)

Volume 7

01. Sonate Nr. 27 e-moll, Op. 90 I. Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck
02. Sonate Nr. 27 e-moll, Op. 90 II. Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen
03. Sonate Nr. 28 A-dur, Op. 101 I. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung
04. Sonate Nr. 28 A-dur, Op. 101 II. Lebhaft. Marshmäßig
05. Sonate Nr. 28 A-dur, Op. 101 III. Langsam und sehnsuchtsvoll
06. Sonate Nr. 28 A-dur, Op. 101 IV. Geschwind, doch nicht zu sehr, und mit Entschlossenheit
07. Sonate Nr. 29 B-dur, Op. 106 (für das Hammerklavier) I. Allegro
08. Sonate Nr. 29 B-dur, Op. 106 (für das Hammerklavier) II. Scherzo Assai vivace
09. Sonate Nr. 29 B-dur, Op. 106 (für das Hammerklavier) III. Adagio sostenuto
10. Sonate Nr. 29 B-dur, Op. 106 (für das Hammerklavier) IV. Largo. — Allegro risoluto

Volume 8

01. Sonate Nr. 30 E-dur, Op. 109 I. Vivace, ma non troppo. — Adagio espressivo
02. Sonate Nr. 30 E-dur, Op. 109 II. Prestissimo
03. Sonate Nr. 30 E-dur, Op. 109 III. Tema con Variazioni
04. Sonate Nr. 31 As-dur, Op. 110 I. Moderato cantabile, molto espressivo
05. Sonate Nr. 31 As-dur, Op. 110 II. Allegro molto
06. Sonate Nr. 31 As-dur, Op. 110 III. Adagio ma non troppo. — Fuga Allegro, ma non troppo
07. Sonate Nr. 32 c-moll, Op. 111 I. Maestoso. — Allegro con brio ed appassionato
08. Sonate Nr. 32 c-moll, Op. 111 II. Arietta (con Variazioni)

VOLUME 6 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
VOLUME 7 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
VOLUME 8 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

András Schiff posando junto ao piano na sede do PQPBach

Colloquium olympicum (fictum): Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – As Sonatas para piano – Glenn Gould (2/4)

MI0000960404[continuação da postagem anterior]

GOULD: (algo constrangido) “Eu admito que minha realização do primeiro movimento [da Sonata K. 331] é algo idiossincrática”
MOZART: (acidamente) Não me diga. (depois de uma curta pausa) O que meu tema fez para merecer esse tratamento?
G: (protestando cautelosamente) É um tema banal!
M: Certamente não do modo em que você o tocou!
G: Exatamente. Queria que as pessoas o escutassem e o experimentassem de um modo completamente diferente, entende? “Eu queria submetê-lo a um tipo de escrutínio em que seus elementos básicos fossem isolados uns dos outros, e a continuidade do tema, deliberadamente corroída”
M: E quando você transpõe as defesas – bum! – você explode tudo pelos ares, ahn?
G: Não, muito pelo contrário. “A ideia era que cada variação sucessiva contribuísse para a restauração daquela continuidade e, absorta nesta tarefa, fosse menos visível como um elemento ornamental, decorativo”
M: (estupefato) Como o quê? Como um “elemento decorativo”?
G: Como um “elemento ornamental, decorativo”. “Parece-me que você simplificou as coisas abusando das figurações; tem-se a impressão de que é tudo puramente arbitrário – um deleite puramente tátil que qualquer outra fórmula poderia igualmente prover”. Nada há de atraente nisso, você entende? Isso sem falar da completa ausência de qualquer interesse contrapontístico. Puro hedonismo teatral, se é que você me entende. (após uma breve pausa) Bem, diga algo.
M: Com toda honestidade, estou sem palavras. Ao ouvir você falar desse jeito, qualquer um pensaria que você não gosta de minha música…
G: (rapidamente e com veemência) Não, de modo algum! Que faz você dizer isso? Sua primeira sinfonia, por exemplo, é uma joia absoluta! Eu mesmo a regi certa vez, em 1959, no Festival de Vancouver. Ou que tal suas seis primeiras sonatas para piano? “Elas têm aquelas ‘virtudes barrocas’ – uma pureza de condução de vozes e cálculo de registro – que nunca foram igualadas em suas obras mais tardias e que as fazem as melhores da série. E ainda que ‘quando mais curta, melhor’ geralmente represente minha postura em relação a sua música, tenho que dizer que sua Sonata em Ré maior, K. 284, que é provavelmente a mais longa delas, é minha favorita”.
M: (desanimadamente) Não sei se devo me alegrar ou não…
G: (confidentemente) Sabe, Sr. Mozart, “você deveria ter congelado seu estilo quando deixou Salzburgo; se tivesse se contentado em não alterar sua linguagem musical nas trezentas e tantas obras que escreveria depois, eu estaria perfeitamente contente”.
M: (pensativamente) Você acha que Viena – como devo dizer? – corrompeu meu estilo?
G: Temo que sim, claro. “Quando gerações de ouvintes acham apropriado atribuir-lhe termos como ‘leveza’, ‘facilidade’, ‘frivolidade’, ‘galanteria’, ‘espontaneidade’, convém-nos ao menos refletir acerca dos motivos para tais atribuições – que não são necessariamente nascidas de desapreço ou de caridade”.
M: (incredulamente) Em outras palavras, nada de “Don Giovanni” e nada de “A Flauta Mágica”?
G: Não!
M: Nenhuma das minhas últimas sinfonias?
G: Enfaticamente não!
M: E presumo que nenhuma de minhas últimas sonatas, também?
G: Essas, muito menos! “Eu as acho insuportáveis” – perdoe-me dizer isso. Elas são “repletas de presunção quase teatral, e posso seguramente afirmar que, ao gravar uma peça como a Sonata em Si bemol maior, K. 570, eu o fiz sem qualquer convicção. (à parte) O mais honesto a se fazer teria sido pular essas obras, mas o ciclo tinha que ser concluído”.
M: (quietamente) E tudo que eu teria escrito se eu não tivesse…
G: (furiosamente, quase abrupto) Que disparate! Imaginemos que você… bem, digamos que você tivesse chegado aos setenta anos; você teria então morrido em 1826, um ano antes de Beethoven e dois anos antes de Schubert, pelo que, se eu pudesse extrapolar seu estilo posterior com base nas suas trezentas últimas obras, você acabaria um compositor entre Weber e Spohr. É uma especulação tão absurda quanto seria imaginar o que eu acabaria por gravar se eu não tivesse morrido aos cinquenta anos (amargamente) Deixe-me dizer uma coisa, Sr. Mozart: eu não teria gravado nada – nada mais! Aliás, eu já planejava abandonar o piano quando completasse cinquenta anos…
M: Se eu o compreendi bem, eu morri tarde demais, em vez de muito cedo…
G: Correndo o risco de exagerar: sim.

[continua]

MOZART – THE PIANO SONATAS – GLENN GOULD

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

AS SONATAS PARA PIANO (2/4)

Sonata no. 7 em Dó maior, K. 309 (284b)
01 – Allegro con spirito
02 – Andante un poco adagio
03 – Rondeau. Allegretto grazioso

Sonata no. 8 em Lá menor, K. 310 (300d)
04 – Allegro maestoso
05 – Andante cantabile con espressione
06 – Presto

Sonata no. 9 em Ré maior, K. 311 (284c)
07 – Allegro con spirito
08 – Andante con espressione
09 – Rondeau. Allegro

Sonata no. 10 em Dó maior, K. 330 (300h)
10 – Allegro moderato
11 – Andante cantabile
12 – Allegretto

Glenn Gould, piano

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Gould chamando pro ringue
Gould chamando Amadeus pro ringue

 

Vassily Genrikhovich

Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nº 1 & 2 / Noturno Nº 4

Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nº 1 & 2 / Noturno Nº 4

IM-PER-DÍ-VEL !!!

PQP Bach tem lá suas manias. Uma delas é de considerar Fauré superior a Debussy. Ouçam este disco! Que repertório maravilhoso! Kathtyn Stott é uma intérprete internacionalmente reconhecida da música para piano de Fauré. Trata-se de uma especialista. Há muito tempo ela queria gravar os dois quartetos para piano do compositor, mas estava procurando o grupo certo. Ela descobriu o Hermitage String Trio, um conjunto com o qual ela passou a fazer turnês. Aos quartetos são acrescentados de um trabalho para piano solo de Fauré, o Noturno Nº 4. A pianista inglesa e os russos do Hermitage funcionam muito bem juntos. Os movimentos lentos, no entanto, são estranhos, parecem tensos, como se Stott quisesse um tempo e os russos outro, mas talvez seja apenas uma impressão minha. Mas ficou lindo! A leitura de Stott do Noturno Nº 4 de Fauré é sensível e bonita. Apesar de minha pequena restrição, este é um disco que desafia as grandes performances do passado.

Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nº 1 & 2 / Noturno Nº 4

Piano Quartet No. 1 in C minor, Op. 15

1 1. Allegro molto moderato 09:12
2 2. Scherzo. Allegro vivo 05:17
3 3. Adagio 06:47
4 4. Allegro molto 07:52

Piano Quartet No. 2 in G minor, Op. 45

5 1. Allegro molto moderato 10:52
6 2. Allegro molto 03:29
7 3. Adagio non troppo 11:20
8 4. Allegro molto – Più mosso 08:36

9 Nocturne No. 4 in E flat major, for solo piano, Op. 36 08:17

Kathryn Stott, piano
The Hermitage String Trio

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Eu gosto de Fauré e de Manet.

PQP

Colloquium olympicum (fictum): Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – As Sonatas para piano – Glenn Gould (1/4)

MI0000960404Postar qualquer gravação de Gould é, admito, pedir para levar pedrada. Pedradas, aliás: várias delas. Todas bem merecidas.

Justifico: a postagem com menos downloads entre as que fiz foi aquela do infame concerto em que Leonard Bernstein lavou as mãos ante a plateia antes de tocar com Gould o Concerto no. 1 de Brahms. Um colega de blog confessou-me que não tivera a coragem de baixar a gravação, e a caixa de comentários transbordou, se não de ódio, de manifestações de desprezo pela pessoa e pelo pianismo do canadense – que, reconheço, é merecedor de todas as críticas que recebe, mesmo mais de três décadas depois de sua morte, a despeito de sua criatividade e formidável domínio sobre seu instrumento.

Postar a integral de Gould para as Sonatas de Mozart – que, junto com aquelas de Beethoven, são figurinhas fáceis nas listas de mais detestadas de todos os tempos e estão inscritas com sangue e sanha nos livros de ódio de muitos melômanos – é pedir, como se diz lá na minha terra, para levar nos dedos. Mesmo os fãs mais incondicionais reconhecem, por exemplo, que a gravação da Sonata K. 331 é o pináculo da perversidade gouldiana, com as variações de abertura tocadas em velocidade crescente, um minueto interminável e um Alla turca bizarramente ruminativo. A recomendação mais complacente que encontrei para a série foi “para anti-mozartianos e completistas” – as mais furiosas, bem, furto-me a compartilhá-las em nome do pundonor que cabe a este blog (*pigarro*) ultrafamília.

Por que, então, postar Gould tocando Mozart? Puramente como um pretexto para divulgar a tradução do delicioso texto em que o alemão Michael Stegemann imagina um diálogo entre o compositor e o pianista que tão deliberadamente sabota suas obras, incluído no encarte do relançamento dessas gravações como parte da Glenn Gould Edition, em 1992. Baseada principalmente em entrevistas concedidas ao documentarista Bruno Monsaingeon e em ataques furibundos de críticos (trechos citados entre aspas), ele tem o mesmo tom dos textos com que Gould divulgava suas ideias sobre música, imaginando (dentro das peculiaridades de seu funcionamento cerebral) um colóquio entre um pianista de nome Glenn Gould e um psicanalista chamado, bem, glenn gould.

Enquanto antecipo minhas desculpas por eventuais derrapadas na tradução (pois a vida é demasiado curta para se aprender alemão), faço votos de que se divirtam com o texto. E, ah: o link para a gravação está lá no local de costume. Só para constar.

COLLOQUIUM OLYMPICUM (FICTUM)

Dois homens numa nuvem. Um deles usa um pulôver, jaqueta de tweed, capa de inverno, cachecol de lã, boina xadrez, óculos aro de tartaruga, luvas sem dedos, calças bufantes e sapatos marrons surrados. Ele toca piano – o Andante grazioso con variazioni da Sonata em Lá maior, K. 331, de Mozart. O outro usa uma peruca com tranças, lenço franzido, casaca de brocados ricamente bordados (com a Ordem do “Cavaleiro da Espora Dourada”), calças até os joelhos, meias de seda e sapatos com fivela. Ele escuta atentamente. O primeiro deles é GLENN GOULD, o outro, WOLFGANG AMADEUS MOZART.

GOULD: (concluindo o movimento) E…?
MOZART: (perplexo) Desculpe-me perguntar-lhe, meu amigo, mas você sempre senta tão abaixo do teclado quanto está a tocar piano?
G: Sempre.
M: E sempre nessa, er, cadeira?
G: Sempre, sim. Meu pai a fez para mim quando eu tinha vinte, vinte e um anos.
M: (cautelosamente) Mas está quebrada…
G: Eu sei. Um acidente. Um agente de aeroporto subiu nela e foi-se através do assento.
M: (sem compreender) Um agente de aeroporto…?
G: Esquece. (rapidamente e com desconforto evidente) E antes que você pergunte, eu sempre cantarolo junto com a música quando estou tocando piano. Para mim isso não é qualquer vantagem, é apenas algo inevitável que sempre me acompanhou, eu nunca consegui me livrar disso. Desculpe.
M: Não precisa se desculpar. Não me incomodou, em particular. Não isso, de qualquer maneira…
G: O quê, então?
M: (evasivamente) O instrumento que você usa soa estranho… Não é um dos fortepianos de Streicher, é?
G: É um Steinway, número de série CD 318.
M: (sem muita convicção) Aha.
G: Então, o quê, exatamente, incomodou você?
M: (hesitantemente) Bem, como deveria colocar-lhe… foi… Quero dizer, você…
G: … toquei muito devagar?
M: Bem, eu escrevi “Adagio” sobre a quinta variação, e você a tocou como “Allegro”.
G: Você quer dizer, rápido demais?
M: … enquanto o tema do Andante grazioso soou mais como um Largo, tocado por você. (quietamente) Eu quase não o reconheci.
G: (gargalhando) Você não foi o primeiro! Havia pessoas (e espero que elas ainda existam) que descreveram minha gravação como “a mais repugnante jamais feita”.
M: (sem entender) Gravação…?
G: (benevolamente) Escute, Sr. Mozart, desde que você morreu, um monte de coisas aconteceu, sobre as quais você sequer poderia imaginar. Mas, em termos de nossa conversa, eu não acho que elas sejam importantes e sugiro que as esqueçamos. Por ora, agradeceria se nos mantivéssemos no assunto; quando terminarmos, terei a maior felicidade em falar-lhe de aeroportos, gravações e por aí vai, OK?
M: “OK”, como diz você – seja lá o que signifique.
G: Beleza. Você me falava que achou a quinta variação muito rápida e o tema muito lento, correto?
M: Entre outras coisas. Mesmo com a maior boa vontade do mundo eu não sei por que você…
G: (mantendo-se em seu raciocínio) Veja bem, “de acordo com o esquema que empreguei, a penúltima variação só perde em velocidade para o finale do movimento”
M: (algo perturbado) O esquema que você empregou. Mas, sério, meu amigo, e o meu esquema?
G: (recusando-se a abandonar seu raciocínio) “A ideia por trás da interpretação era, já que o segundo movimento é mais um noturno-com-minueto do que um movimento lento” – você não negará isso – “e já que o pacote é finalizado com aquela curiosa porção de exotismo à moda serralho, estamos lidando com uma estrutura incomum, e virtualmente todas as convenções de sonata-allegro podem ser deixadas de lado”
M: Sério? (sarcasticamente) Bem, muito obrigado por explicar minha própria sonata para mim!

[continua]

MOZART – THE PIANO SONATAS – GLENN GOULD

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

AS SONATAS PARA PIANO (1/4)

Sonata no. 1 em Dó maior, K. 279 (189d)
01 – Allegro
02 – Andante
03 – Allegro

Sonata no. 2 em Fá maior, K. 280 (189e)
04 – Allegro assai
05 – Adagio
06 – Presto

Sonata no. 3 em Si bemol maior, K. 281 (189f)
07 – Allegro
08 – Andante amoroso
09 – Rondeau. Allegro

Sonata no. 4 em Mi bemol maior, K. 282 (189g)
10 – Adagio
11 – Menueto I-II
12 – Allegro

Sonata no. 5 em Sol maior, K. 283 (189h)
13 – Allegro
14 – Andante
15 – Presto

Sonata no. 6 em Ré maior, K. 284 (205b), “Dürnitz”
16 – Allegro
17 – Rondeau en Polonaise. Andante
18 – Thema. Andante – Variationen I-XII

Glenn Gould, piano

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Sim: eu mereço
Sim: eu mereço

Vassily Genrikhovich

Beethoven / Czerny / Ries / Moscheles: A herança de Beethoven (Música para trompa e piano)

Beethoven / Czerny / Ries / Moscheles: A herança de Beethoven (Música para trompa e piano)

Consistindo somente de música para trompa e piano, este pequeno disco não pode sequer esboçar a herança de Beethoven. Mas faz mais do que imaginamos, pois as primeiras peças de câmara de Beethoven, agora entre as menos conhecidas, estavam entre as mais entusiasticamente tocadas durante sua vida. A diversão é principalmente nas outras três partes do álbum, que são bem e mal-sucedidas de diferentes maneiras. A sonata de Ries imita de perto as de Beethoven, tanto no humor geral quanto em vários detalhes, mesmo sem captar sua toda aquela tensão. Carl Czerny, em seu andante e polaca para trompa e piano, op. posth., capta a parte expansiva de Beethoven e dá à trompa e ao piano uma dinâmica extraordinária dentro do contexto do início do século XIX. As peças mais atraentes são as duas obras de Ignaz Moscheles.

Beethoven / Czerny / Ries / Moscheles: A herança de Beethoven (Música para trompa e piano)

1. Ludwig Van Beethoven – Sonate en Fa maj op. 17 – Allegro moderato (8:34)
2. Ludwig Van Beethoven – Sonate en Fa maj op. 17 – Poco Adagio, quasi andante (1:29)
3. Ludwig Van Beethoven – Sonate en Fa maj op. 17 – Allegro moderato (5:02)

4. Carl Czerny – Andante e polacca op. posth – Andante (3:21)
5. Carl Czerny – Andante e polacca op. posth – Allegro alla Polacca (8:41)

6. Ferdinand Ries – Sonate en fa maj op.34 – Largetto (12:11)
7. Ferdinand Ries – Sonate en fa maj op.34 – Andante (3:57)
8. Ferdinand Ries – Sonate en fa maj op.34 – Rondo Allegro (6:58)

9. Ignaz Moscheles – Theme varie du Feuillet d’Album de Rossini (8:32)
10. Ignaz Moscheles – Introduction et Rondeau Ecossais op. 63 (8:21)

Louis-Philippe Marsolais, trompa
David Jalbert, piano

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O título do CD é ambicioso demais, mas Marsolais é excelente!

PQP

O Mestre Esquecido, Capítulo 1 (Chopin: Scherzi – Antônio Guedes Barbosa)

O Mestre Esquecido, Capítulo 1 (Chopin: Scherzi – Antônio Guedes Barbosa)

R-4077973-1354480888-3055.jpegQuem foi Antônio Guedes Barbosa?

Um pianista paraibano, pessoense, que estudou com ninguém menos que Arrau e Horowitz, viveu a maior parte de sua carreira nos Estados Unidos e foi fulminado por um infarto com meros cinquenta anos?

Sim, respostas corretas.

Nada disso, no entanto, poderia prepará-los para o estupor de escutá-lo pela primeira vez. Façam um favor a si mesmos: baixem a gravação dos scherzi de Chopin logo abaixo e, depois de escutá-la, digam-me se não tenho razão.

O sujeito tocava DEMAIS. Era um verdadeiro MONSTRO do teclado.

E se vocês virarem instantaneamente tietes dele, como eu virei ao conhecer seu talento há já um quarto de século, certamente quererão mais, não é?

Pois é aí que vem a surpresa:

NÃO TEM MAIS.

Isso mesmo:

NÃO.

TEM.

MAIS.

Quer dizer, até tem, mas não muito: uma gravação das valsas e das mazurcas de Chopin, um álbum de Liszt, as Bachianas Brasileiras no. 4 (todas lançadas pelo falecido selo Kuarup Classics), esta gravação dos scherzi que ora lhes apresento (“ripada” de um LP), as sonatas nos. 2 e 3 de Chopin (disponíveis no YouTube, também a partir de um LP), e um que outro vídeo pingado pelo YouTube.

E só.

O sujeito foi um dos maiores pianistas do seu tempo, mas tudo o que a gente encontra sobre ele é um punhado de gravações, menções a outras, e algumas notas biográficas esparsas.

Eu acho isso uma desgraça inexplicável. Pior ainda: fora um que outro melômano fanático, parece que poucos já ouviram falar dele.

Consta que ele gravou para o selo Connoisseur Society, dos Estados Unidos, pelo qual lançou, entre outros, os LPs dos scherzos e das sonatas já citados. Procurei em toda parte o catálogo de tal gravadora, sem encontrá-lo. Daí me lembrei da clássica gravação do tcheco Ivan Moravec tocando os noturnos de Chopin, que também era da Connoisseur e que encontrei republicada pela Nonesuch. Naveguei pelo catálogo desta outra, salivando de expectativa, e tudo o que encontrei de Barbosa foi…

NADA.

N-A-D-A

Com o perdão por meu desabafo, que terá que ser em maiúsculas, sublinhado e em negrito, eu pergunto:

– ONDE FORAM PARAR AS GRAVAÇÕES DO GRANDE PIANISTA PARAIBANO ANTÔNIO GUEDES BARBOSA???

Destruídas por alguém? Sumiram? Estão a guardadas sete chaves por conta de algum maldito? Ou no limbo por conta de algum imbróglio familiar ou com alguma gravadora?

Enquanto eu preparo sua paradigmática gravação das valsas de Chopin para uma próxima postagem, vocês tentam resolver minha doída dúvida, enchendo a caixa de comentários esclarecedores.

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

01 – Scherzo no.1 em Si menor, Op. 20
02 – Scherzo no .2 em Si bemol menor, Op. 31
03 – Scherzo no. 3 em Dó sustenido menor, Op. 39
04 – Scherzo no. 4 em Mi maior, Op. 54
05 – Canções Polonesas, Op. 74 – No. 1: “Życzenie ” (transcrição de Franz Liszt)
06 – Canções Polonesas, Op. 74 – No. 12: “Moja pieszczotka” (transcrição de Franz Liszt)

Antônio Guedes Barbosa, piano
LP do selo Connoisseur Society (New York, EUA), dos anos 70.

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

NOTA: já avisei que se trata de uma gravação “ripada” do vinil, não avisei? Não reclamem dos estalidos, portanto, e agradeçam pela oportunidade de escutarem um mestre em ação!

Convidamos os fãs do Mestre Esquecido a acompanharem o GRUPO “ANTÔNIO GUEDES BARBOSA” no Facebook.

E tu, Toninho: sabes onde estão???
E tu, Toninho: sabes onde estão tuas gravações???

Vassily