J. S. Bach (1685-1750): Violin & Voice

J. S. Bach (1685-1750): Violin & Voice

Este é um CD apenas OK, nada mais. A ideia foi boa, mas a escolha das árias parece ter passado por cima do conceito de beleza para abraçar outros critérios. O critério comercial? Sei lá. Como filho de Bach, tenho coleções de árias na minha cabeça e acho que este CD apenas acertou em 50% das tentativas. Ah, o disco é uma seleção de árias de Cantatas e Paixões que incluem voz e violino, certo? Pois é como ia dizendo, há dezenas delas, mas a escolha foi assim assim. Quem rouba o disco é o sensacional Matthias Goerne, que é um barítono alemão realmente maravilhoso. Já Christine Schafer é apenas aceitável. Não curti muito a cantora. Acho que foi isso. Paciência.

O disco costuma ser muito elogiado. Vai ver estou errado…

J. S. Bach (1685-1750): Violin & Voice

1. St. Matthew Passion, BWV 244 / Part Two – No.51 Aria (Bass): ”Gebt Mir Meinen Jesum Wieder” 2:59
2. Wachet Auf, Ruft Uns Die Stimme Cantata, BWV 140 – Arie (Duett): ”Wann Kommst Du, Mein Heil?” 5:44
3. Cantata, BWV 204 ”Ich Bin Vergnügt” – Aria ”Die Schätzbarkeit Der Weiten Erde” 4:13
4. Liebster Jesu, Mein Verlangen Cantata, BWV 32 – 3. Aria: Hier, In Meines Vaters Stätte 7:09
5. Zerreißet, Zersprenget, Zertrümmert Die Gruft Dramma Per Musica, BWV 205 – 9. Aria Soprano: ”Angenehmer Zephyrus” 3:29
6. Mass In B Minor, BWV 232/Gloria – Laudamus Te 3:50
7. Ich Lasse Dich Nicht, Du Segnest Mich Denn (Cantata BWV 157) – Ja, Ja Ich Halte Meinen Jesum Fest 6:18
8. Cantata ”Wer Mich Liebet, Der Wird Mein Wort Halten” BWV 59 – 4. Aria: ”Die Welt Mit Allen Königreichen” 3:06
9. Cantata, BWV 58 ”Ach Gott, Wie Manches Herzeleid” – Aria ”Ich Bin Vergnügt In Meinem Leiden” (Soprano) 3:44
10. Cantata, BWV117 – 6. Wenn Trost Und Hülf’ Ermangeln Muß 4:03
11. Der Friede Sei Mit Dir: Cantata, BWV 158 – 2. Aria & Choral: Welt, Ade, Ich Bin Dein Müde 5:49
12. St. Matthew Passion, BWV 244 / Part Two – No.39 Aria (Alto): ”Erbarme Dich” 6:29

Hilary Hahn
Matthias Goerne
Christine Schafer

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PQP gosta
Não funcionou, Hahn

PQP

Biber: Battalia e outras obras / Locke: The Tempest / Zelenka: Fanfare — Il Giardino Armonico

Biber: Battalia e outras obras / Locke: The Tempest / Zelenka: Fanfare — Il Giardino Armonico


IM-PER-DÍ-VEL !!!

Em verdade vos digo: nunca deixeis de ouvir as gravações do Il Giardino Armonico, são sempre FANTÁSTICAS. Mas sim, comecemos pelo que interessa: IM-PER-DÍ-VEL !!!! Ah, já tinha dito, né? Este é um disco de música barroca sem o qual você não pode viver sem. A vitalidade e o frescor das interpretações do Il Giardino Armonico trabalham favoravelmente à música dos grandes Biber e Locke, compositores imerecidamente pouco ouvidos. E, para melhorar ainda mais, são obras divertida, cheias de expressão surpreendente. A Battalia de Biber e a a música incidental escrita por Locke para a peça de Shakespeare A Tempestade são das coisas mais arrepiantes que há.

Mas temos que voltar a Antonini e seu Giardino: há muitos especialistas em barroco, mas este grupo — o preferido por Cecilia Bartoli — é especial. Muitas vezes agressivo, quase sempre inesperado mas sempre eufônico, o grupo costuma explorar seu repertório com tanto entusiasmo que as músicas parecem outras após um tratamento “Armonico”.

Biber: Battalia e outras obras / Locke: The Tempest / Zelenka: Fanfare — Il Giardino Armonico

Jan Dismas Zelenka (1679-1745):
1. Fanfare in D major (02:11)

Heinrich Ignaz Franz Von Biber (1644 – 1704):
2. Battalia – Sonata – Allegro (01:52)
3. Battalia – Die liederliche Gesellsschaft von allerley Humor (Allegro) (00:45)
4. Battalia – Presto (00:26)
5. Battalia – The march (violin I solo) (01:03)
6. Battalia – Presto (2) (01:01)
7. Battalia – Aria (02:39)
8. Battalia – The battle (00:42)
9. Battalia – Lamento der Verwundten Musquetirer (Adagio) (01:31)
10. Passacaglia in C minor (04:55) — Luca Pianca, archlute
11. Anon. / Tune for the woodlark (00:20) – Giovanni Antoini, flautino
12. Sonata Violino solo representativa – Allegro (01:46)
13. Sonata Violino solo representativa – The nightingale (01:22)
14. Sonata Violino solo representativa – The cuckoo (00:42)
15. Sonata Violino solo representativa – The frog (00:42)
16. Sonata Violino solo representativa – Adagio (00:25)
17. Sonata Violino solo representativa – The hen & the cock (00:24)
18. Sonata Violino solo representativa – Presto (00:12)
19. Sonata Violino solo representativa – Adagio – The quail (00:42)
20. Sonata Violino solo representativa – The cat (00:25)
21. Sonata Violino solo representativa – The musketeers’ march (01:14)
22. Sonata Violino solo representativa – Allamande (01:41)
23. – Onofri, Enrico – Ricercare (01:52) Michele Barchi, gravicembalo / Riccardo Doni, organ
24. – Partita VII in C minor – Praeludium (03:24) Enrico Onofri, Marco Bianchi, viole d’amore / Giovanni Antonini, tenor chalumeau / Vittorio Ghielmi, bass and tenor violas da gamba / Luca Pianca, archlute / Michele Barchi, gravicembalo and organ
25. – Partita VII in C minor – Allamande (02:18)
26. – Partita VII in C minor – Sarabande (01:42)
27. – Partita VII in C minor – Gigue – Presto (01:22)
28. – Partita VII in C minor – Aria (01:35)
29. – Partita VII in C minor – Trezza (00:48)
30. – Partita VII in C minor – Arietta variata (05:58)

Matthew Locke (1621 – 1677):
31. – Canon 4 in 2 (00:48)
32. – Music for The Tempest – Introduction (01:03)
33. – Music for The Tempest – Galliard (01:30)
34. – Music for The Tempest – Gavot (01:06)
35. – Music for The Tempest – Sarabrand (03:02)
36. – Music for The Tempest – Lilk (00:54)
37. – Music for The Tempest – Curtain Tune (05:19)
38. – Music for The Tempest – First Act Tune – Rustick Air (01:18)
39. – Music for The Tempest – Second Act Tune – Minoit (01:32)
40. – Music for The Tempest – Third act tune – Corant (01:05)
41. – Music for The Tempest – Fourth act tune – A Martial Jigge (01:43)
42. – Music for The Tempest – Conclusion: A Canon 4 in 2

Il Giardino Armonico
Giovanni Antonini

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Parte dos membros do Il Giardino Armonico
O correto é tocar assim, viu?

PQP

Ludwig van Beethoven – Sonatas para Pianoforte e Violoncelo (Wispelwey, Komen)

As cinco sonatas para piano e violoncelo compostas por Beethoven têm uma vantagem em relação às sonatas para violino e aos concertos: abrangem as três fases de sua produção musical. Ou seja, em apenas dois CDs, pode-se ouvir um panorama da evolução musical do compositor, de forma mais resumida do que ao ouvirmos as 32 sonatas para piano solo. Como escreveu o pianista Paul Komen, são como peças de um quebra-cabeças que se combinam para formar um retrato de Beethoven em todos os aspectos de sua vida musical.

A primeira fase das obras com opus segue modelos típicos de Haydn e Mozart, mas já com algumas características próprias. As duas sonatas do opus 5 (1796) seguem o mesmo esquema: primeiro movimento lento, como uma preparação para o que está por vir; segundo movimento rápido com um tema marcante; terceiro movimento em rondó, forma caracterizada por uma seção principal (A) que se repete como um refrão, alternando com uma ou mais seções secundárias (B, C, D, etc.)

A segunda fase tem como marco inicial a 3ª Sinfonia, “Heróica (1804), é o Beethoven mais grandioso, da ópera Fidelio (1805) e da 5ª Sinfonia (1808). Esta fase, associada à época das revoluções e guerras napoleônicas, vai mais ou menos até o opus 93 (8ª sinfonia) ou o opus 97 (Trio Arquiduque) ou um pouco depois, não há consenso. A Sonata para piano e violoncelo op. 69 (1807), com seus arroubos de sentimentos à flor da pele desde o primeiro movimento, representa perfeitamente essa face de Beethoven, e é hoje talvez a mais famosa deste ciclo de cinco sonatas. Assim como nas sinfonias mais famosas do compositor, a obra não tem aquela introdução lenta típica do classicismo vienense: o violoncelo já chega chutando a porta com um tema bastante sentimental (Allegro ma non tanto – uma boa descrição do caráter de toda a sonata).

E finalmente a última fase, de cerca de 1811 até sua morte em 1827, quando o compositor compôs poucas obras por ano, mas cada vez mais complexas, menos destinadas a agradar ao público da época e mais voltadas para o futuro (já surdo, ele provavelmente ligava pouco para os aplausos). Nesta última fase, em quase todas as obras aparece alguma fuga, forma musical típica dos tempos de J.S.Bach. Assim, Beethoven olha para o futuro ao mesmo tempo em que intensifica o estudo dos mestres do passado.

Na segunda metade do século XX, uma série de músicos também buscou estudar profundamente a música do passado a partir dos documentos de época: tratados, cartas, artigos, além, é claro, dos próprios instrumentos e das pistas que eles deixavam sobre a música de tempos idos.

Alexei Lubimov (nascido em Moscou, 1944), um dos pioneiros no uso de pianos de época, escreveu: “cada instrumento pode nos dar pistas sobre o que o compositor estava pensando e ouvindo enquanto trabalhava. Para mim, tocar música antiga em um piano moderno é uma transcrição, não a peça original.”.

O pianoforte Broadwood de 1823, usado nesta gravação, é do mesmo modelo daquele que foi enviado por John Broadwood para Beethoven em 1818 como um presente e homenagem de Clementi e outros amantes da música de Beethoven residentes na Inglaterra, um gesto que o compositor apreciou como uma grande honra. Este instrumento inglês faz uma excelente harmonia com o violoncelo de 1710, também de origem inglesa, produzindo sons que vão do mais frágil pianíssimo até explosões heroicas que levam esses instrumentos ao limite. O som do pianoforte, que dura menos tempo após o dedo sair da tecla (em comparação com pianos modernos), permite que as passagens mais rápidas soem com uma clareza admirável. Por outro lado, na fuga da quinta sonata (de 1815), a clareza contrapontística dos dois russos carecas é imbatível, mesmo 50 anos depois daquela antológica gravação. Na dúvida, fique com os dois: instrumentos modernos e antigos!

O pianoforte inglês Broadwood

Ludwig van Beethoven – Sonatas para Pianoforte e Violoncelo

Sonata Op.5 nº1 em Fá Maior

1-1         Adagio Sostenuto
1-2         Allegro
1-3         Rondo (Allegro Vivace)

Sonata Op.5 nº2 em Sol Menor

1-4         Adagio Sostenuto e Espressivo
1-5         Allegro Molto Più Tosto Presto
1-6         Rondo (Allegro)

Sonate Op.69 em Lá Maior

2-1         Allegro Ma Non Tanto
2-2         Scherzo (Allegro Molto)
2-3         Adagio Cantabile
2-4         Allegro Vivace

Sonate Op.102 nº1 em Dó Maior

2-5         Andante
2-6         Allegro Vivace
2-7         Adagio
2-8         Allegro Vivace

Sonate Op.102 nº2 em Ré Maior

2-9        Allegro Con Brio
2-10       Adagio Con Molto Sentimento d’Affetto
2-11       Allegro Fugato

Pieter Wispelwey – cello (Barak Norman, 1710)
Paul Komen – pianoforte (Broadwood, 1823)
Gravado na Igreja Protestante de Renswoude, Países Baixos, em Junho de 1991

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#BTHVN250, por René Denon

Pleyel

William Alwyn (1905-1985): Sinfonias nº 2 e nº 5, Concerto para Harpa

Esta é a era das novas invenções
Para matar corpos, e salvar almas,
Todas propagadas com as melhores intenções;
A lanterna de Sir Humphry Davy, com a qual
O carvão é extraído em segurança,
Viagens à África, expedições aos Polos,
São benefícios à humanidade, tão verdadeiros,
Talvez, como atirar nela em Waterloo.
(Lord Byron, Don Juan, 1819)

Lord Byron teve a genialidade de transformar o personagem do Don Juan, originalmente o grande conquistador triunfante, em um anti-herói libertino e perseguido pelo moralismo da Inglaterra capitalista. Ao contrário dos heróis guerreiros dos épicos gregos, o Don Juan de Byron, escravo dos seus sentimentos, vai sendo expulso por onde passa, cheio de paixões proibidas e de ilusões perdidas como as do Lucien de Rubempré de Balzac. Don Juan vai da Espanha à Turquia e à Inglaterra, mas não é o longo retorno de um vencedor como o Ulisses grego, é a sina de um libertino expulso a pedras como a Geni de Chico Buarque.

Em nossa saga, temos acompanhado a sinfonia, também apedrejada pelas vanguardas do século XX. Como diz Alex Ross em O resto é ruído: Wagner, Strauss e Mahler compensavam as sonoridades inovadoras com o uso intenso de acordes comuns; Scriabin manteve um sentido de centralidade tonal mesmo nas passagens de harmonia mais ousada. Schoenberg foi quem insistiu que era impossível retroceder. Com efeito, ele passou a dizer que a tonalidade estava morta – ou, como diria Webern mais tarde, “quebramos o pescoço dela”.

Essa citação de Schoenberg e Webern mostra, no meu entender, tudo que há de mais grotesco no século chamado de era dos extremos por Hobsbawn. Nunca antes desse século as ideologias e tecnologias permitiram que psicopatas sonhassem em acabar com uma raça ou cortar o pescoço da música tonal com sua tradição de séculos.

Nossa heroína, a sinfonia, precisou portanto correr como tantos outros exilados do século XX. Em dois lugares ela foi muito bem recebida, criou raízes e frutificou em abundância. Um deles, como vimos, foi a Rússia, com gênios de fama internacional. O outro foi a ilha que também recebeu o herói de Byron. Mas lá, a sinfonia evoluiu para se tornar uma subespécie raramente compreendida pelo mundo, mais ou menos como o sarcasmo inglês. Como o disco dos Arctic Monkeys de 2011, censurado em muitas lojas americanas por se chamar Suck it and see, expressão sem qualquer conotação sexual. O mundo pode até rir dos ingleses, mas eles riem do mundo e quem ri por último…

As sinfonias de William Alwyn, como as de Elgar, Vaughan Williams e Maxwell Davies, são raramente ouvidas no resto do mundo. Alwyn compôs cinco sinfonias, nas suas palavras são 4+1. As quatro primeiras formam um ciclo em que cada sinfonia, como um todo, tem o caráter de um movimento de sinfonia clássica à maneira de Haydn. A 1ª é como um Allegro, a 2ª tem o temperamento de um adagio, a 3ª o de um scherzo e a 4ª finaliza. A 5ª, composta décadas depois, homenageia o escritor Sir Thomas Browne (1605-1682) e sua elegia sobre a morte “Hydriotaphia: Urn Burial, or a Discourse of the Sepulchral Urns lately found in Norfolk”.

Gosto muito da segunda sinfonia de Alwyn. Os dois movimentos começam com um certo vigor e vão aos poucos se tornando mais tranquilos, culminando em um final (para cada movimento) calmo e pianissimo, com os instrumentos se retirando um a um e o som desaparecendo em um efeito de paz e plenitude similar ao dos finais dos adagios da Nona de Mahler e da Leningrado de Shosta.

Já ia me esquecendo: Alwyn, que compôs música para dezenas de filmes, faz música tonal sem vergonha nem medo de ser feliz. Os pretensiosos Schoenberg e Webern, que acreditavam ter assassinado a música tonal, quebraram a cara.

William Alwyn (1905-1985): Sinfonias nº 2 e nº 5, Concerto para Harpa “Lyra Angelica”

  1. Symphony No. 5, “Hydriotaphia”
  2. Harp Concerto, “Lyra Angelica”: I. Adagio
  3. Harp Concerto, “Lyra Angelica”: II. Adagio, ma non troppo
  4. Harp Concerto, “Lyra Angelica”: III. Moderato
  5. Harp Concerto, “Lyra Angelica”: IV. Allegro giubiloso – Andante con moto
  6. Symphony No. 2: I. Con moto – Molto moderato – Quasi Adagio molto calmato
  7. Symphony No. 2: II. Allegro molto – Moderato largamente – Molto

Royal Liverpool Philharmonic Orchestra

David Lloyd-Jones, Conductor

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Seja bem vindo ao PQP, William Alwyn!

Pleyel

The 20th-Century Piano Concerto, Vol.2 – Vários compositores e artistas

O segundo CD desta curiosa série traz ao menos dois registros memoráveis, a saber, o Segundo Concerto de Prokofiev com Alexander Toratze acompanhado pelo então jovem Valery Gergiev, e a histórica gravação do Segundo Concerto de Béla Bártok com Stephen Kovacevich.
Para muitos essa mistura pode soar estranha, afinal o CD termina com o Concerto para Piano de Schönberg, cmo ninguém mais ninguém menos que Alfred Brendel. O ultra romântico Terceiro Concerto de Rachmaninoff ao lado de Bártok e de Prokofiev… enfim, escolhas do produtor. Mas o que vale realmente é audição destas gravações.

Disc 1
Piano Concerto No. 2 In G minor, Op. 16
Composed By – Prokofiev*
Conductor – Valery Gergiev
Orchestra – Kirov Orchestra
Piano – Alexander Toradze
1.1 I. Andantino
1.2 II. Scherzo. Vivace
1.3 III. Intermezzo. Allegro Moderato
1.4 IV. Finale. Allegro Tempesto
Piano Concerto No.3 In D Minor, Op. 30
Composed By – Rachmaninoff*
Conductor – Edo de Waart
Orchestra – The San Francisco Symphony Orchestra
Piano – Zoltán Kocsis
1.5 I. Allegro Ma Non Tanto
1.6 Intermezzo (Adagio)
1.7 III. Finale (Alle Breve)
Disc 2
Piano Concerto In G major
Composed By – Ravel*
Conductor – Ivan Fischer
Orchestra – Budapest Festival Orchestra
Piano – Zoltán Kocsis
2.1 I. Allegramente
2.2 II. Adagio Assai
2.3 III. Presto
Piano Concerto No. 2, BB 75
Composed By – Bartók*
Conductor – Sir Colin Davis
Orchestra – BBC Symphony Orchestra
Piano – Stephen Kovacevich*
2.4 I. Allegro
2.5 II. Adagio – Presto – Adagio
2.6 III. Allegro Molto
Piano Concert, Op. 42
Composed By – Schoenberg*
Conductor – Rafael Kubelik
Orchestra – Bavarian Radio Symphony Orchestra*
Piano – Alfred Brendel
2.7 I. Andante
2.8 II. Molto Allegro (Bar 176)
2.9 III. Adagio (Bar 264)
2.10 IV. Giocoso (Moderato) (Bar 329)

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R. Gnattali (1906-1988) : Sinfonia Popular / Guerra-Peixe (1914-1993): Ponteado / C. Gomes (1836-1896) : Abertura da ópera “Fosca” / E. Krieger (1928): Abertura Brasileira

Em nosso passeio pelas grandes sinfonias do Século XX, já estivemos na Rússia, Polônia, Inglaterra, França e México. Hoje, vamos finalmente para o hemisfério sul. Nascido em Porto Alegre, filho de imigrantes italianos, Radamés Gnattali foi batizado em homenagem a um personagem de Verdi. Criou, no Rio de Janeiro, a Orquestra Brasileira, atuou na Rádio Nacional e na Globo, trabalhando como maestro, arranjador, além de fazer turnês pelo Brasil interpretando Villa-Lobos, Ernesto Nazareth e composições próprias, que eram sempre fortemente influenciadas pela música popular brasileira. Gravou LPs como “Vivaldi e Pixinguinha” (1983) com a Camerata Carioca. Fez música para o mundo, sem jamais esquecer suas raízes.

Trechos do encarte, pelo maestro Norton Morozowicz:

A nossa discografia, muito pequena, não é representativa do imenso acervo que indiscutivelmente reflete a qualidade de nossos autores.

Gnattali – Sua Sinfonia Popular, tão esquecida e pouco tocada, escrita em 1955/56 e dedicada a Léo Peracchi, constitui-se, através de seus quatro primorosos movimentos, em uma das mais belas páginas sinfônicas do repertório nacional.
Guerra Peixe – outro batalhador pela música brasileira, pesquisador e folclorista, embrenhou-se pelo sertão nordestino garimpando temas e canções, escrevendo importantes trabalhos entre eles os Maracatus de Recife e o seu Ponteado, escrito em 1955, síntese de brasilidade – encontrada no folclore e no popular – transposta para a música sinfônica.
Edino Krieger é um dos mais importantes compositores brasileiros vivos. Sua Abertura Brasileira, composta em Londres, é a primeira obra sinfônica da fase nacionalista do compositor que homenageia Luiz Gonzaga citando o tema do xote “Ela só quer, só pensa em namorar…”.

A Abertura da ópera Fosca, de Carlos Gomes, exemplo marcante do taento melódico e do domínio instrumental/orquestral característicos da produção deste brasileiro.

 

Radamés Gnattali
Sinfonia Popular
1. Allegro moderato
2. Expressivo com fantasia
3. Com espírito (Baião)
4. Allegro

César Guerra-Peixe
5. Ponteado

Carlos Gomes
6. Abertura da ópera “Fosca”

Edino Krieger
7. Abertura Brasileira

Orquestra Sinfônica da Universidade de Londrina
Norton Morozowicz, regente
Gravação ao vivo no Cine Teatro Ouro Verde, Londrina/PR, 2000

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Maestro Radamés

Pleyel

The 20th-Century Piano Concerto, Vol.1 – Vários compositores e artistas

A Coleção Philips DUO era uma espécie de Best of do selo Philips, e sempre tive um sonho de completá-la, pois foi graças a estas gravações que tive acesso a muita coisa boa. Felizmente, nos últimos anos acho que consegui alcançar meu objetivo de ter todos os volumes. E volto a repetir, tem muita coisa boa.

O Volume que ora vos trago (na verdade, serão dois volumes com dois cds cada) traz o que os produtores consideram os Melhores Concertos para Piano do Século XX, com toda a gama de artistas que tinham contratos com aquela gravadora. Alguns mais conhecidos, outros menos conhecidos, enfim, é uma boa oportunidade para conhecermos um pouco a produção do Século XX. Para quem gosta de gravações antigas, principalmente realizadas entre os anos 50, 60 e 70, é um prato cheio.

Neste primeiro volume teremos desde Prokofiev até De Falla, passando, é claro, por Bártok, Stravinsky, Gershwin e Ravel. Temos aqui intérpretes como Clara Haskill, Steven Kovacevich, Zóltan Kóscis, dentre outros. Gostei muito da escolha do repertório e dos músicos envolvidos. Para pincelar um panorama do piano no século XX creio que todos estão muito bem representados. Na sequência trarei o segundo volume. Vamos, no momento, nos degustar com o Bártok de Kovacevich, o Prokofiev de Byron Janis, e o magnífico De Falla de Clara Haskill. Só tem fera aqui.

CD 1

Piano Concerto No. 3 In C
Composed By – Prokofiev*
Conductor – Kiril Kondrashin
Orchestra – Moscow Philharmonic Orchestra
Piano – Byron Janis
1.1 1. Andante – Allegro
1.2 2. Tema Con Variazione
1.3 3. Allegro Ma Non Tropo
Nights In The Gardens Of Spain
Composed By – De Falla*
Conductor – Igor Markevitch
Orchestra – Orchestre Des Concerts Lamoureux
Piano – Clara Haskil
1.4 1. En El Generalife
1.5 2. Danza Lejana
1.6 3. En Los Jardines de la Sierra de Córdoba
Piano Concerto In F
Composed By – Gershwin*
Conductor – Howard Hanson
Orchestra – Eastman-Rochester Orchestra
Piano – Eugene List
1.7 1. Allegro
1.8 2. Adagio
1.9 3. Allegro Agitato

Piano Concerto No. 3
Composed By – Bartók*
Conductor – Sir Colin Davis
Orchestra – The London Symphony Orchestra
Piano – Stephen Kovacevich*
2.1 1. Allegretto
2.2 2. Adagio Religioso
2.3 3. Allegro Vivace
Concerto For Piano And Wind Instruments
Composed By – Stravinsky*
Conductor – Sir Colin Davis
Orchestra – BBC Symphony Orchestra
Piano – Stephen Kovacevich*
2.4 1. Largo – Allegro – Più Mosso – Maestoso
2.5 2. Largo
2.6 3. Allegro
Rhapsody In Blue
Composed By – Gershwin*
Conductor – Howard Hanson
Orchestra – Eastman-Rochester Orchestra
Piano – Eugene List
2.7 Rhapsody In Blue
Piano Concerto In D For The Left Hand
Composed By – Ravel*
Conductor – Ivan Fischer
Orchestra – Budapest Festival Orchestra
Piano – Zoltán Kocsis
2.8 1. Lento
2.9 2. Allegro
2.10 3. Tempo I

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Henri Dutilleux (1916-2013): Sinfonias nº 1 e 2, Métaboles, Le temps l’horloge, etc

No longo livro de Alex Ross “O Resto É Ruído – Escutando o Século XX”, o francês Henri Dutilleux é citado apenas uma vez, no final de um dos vários parágrafos sobre Boulez:

“Nessa época, Boulez não era mais messiaenista. … Boulez foi ter aulas com René Leibowitz … Boulez trouxe … Boulez teve … Boulez viu … Boulez também mostrou animosidade contra colegas compositores que se recusaram a segui-lo no caminho da modernidade. Quando, em 1951, Henri Dutilleux apresentou sua vibrante e diatônica Primeira Sinfonia, Boulez o saudou dando-lhe as costas.”

Dutilleux não precisa ficar ofendido. Outros famosos sinfonistas recebem apenas citações en passant: três menções a Vaughan Williams, uma a Roussel, nenhuma a Rachmaninoff. Reger é citado 3 vezes: em uma delas, fala-se um pouco de sua música, em um parágrafo dedicado a Schoenberg. Nas outras duas, o alemão Max Reger é apenas listado como – vejam que surpresa! – admirado por nazistas.

O que o livro de Alex Ross faz é repetir o grande mito fundador do modernismo musical do século XX, especialmente da música francesa e de inspiração francesa: a sinfonia como relíquia de um passado longínquo, tudo a ver com o romantismo de um Schubert ou de um Bruckner, nada a ver com a modernidade. Fauré, Debussy, Ravel preferiram fazer música orquestral em formas menos associadas ao romantismo, como o poema sinfônico, a valsa, a pavana ou o bolero. Messiaen e Boulez consideravam que a sinfonia em 4 movimentos e o concerto em 3 movimentos já tinham sido explorados até o limite por seus antecessores e buscaram formas novas, como a Turangalîla-Symphonie em 10 movimentos. Era a ideologia do progresso que, como define a antropóloga Anna Tsing, servia como um corrimão de histórias que contava aonde todos estavam indo e por quê. Para vocês verem como essa grande marcha para frente, sem possibilidade de marcha a ré, era contagiosa: Villa-Lobos tinha escrito 5 sinfonias antes de ir a Paris pela primeira vez em 1923. Uma vez tendo respirado o ar parisiense, Villa se dedicou fortemente aos Choros, depois às Bachianas, e a 6ª sinfonia surgiu apenas em 1944!

As sinfonias de Dutilleux aparecem, portanto, como dois pontos fora da curva na modernidade francesa. Compostas em 1951 e 1959, elas mostram um outro tipo de compositor: aquele que pretendia usar formas antiquíssimas, como a Passacaglia, mas com uma linguagem harmônica nova e inventiva, apesar de não ser 100% atonal. Na 2ª Sinfonia, uma orquestra de câmara dialoga com uma orquestra sinfônica, como em um concerto grosso barroco. “Duas personagens em uma só, uma como o reflexo da outra”, explica Dutilleux.

A outra obra que aparece aqui, Métaboles, é frequentemente ouvida nas salas de concerto, ao contrário das sinfonias. Fez parte do repertório de grandes maestros como Celibidache, Szell e Rattle. Assim como o Concerto para Orquestra de Lutoslawski faz um par com a primeira sinfonia do polonês, Métaboles, composta entre 1963-64, também é quase um concerto para os diferentes naipes orquestrais e faz um belíssimo trio com as sinfonias do francês.

Nas últimas décadas da sua vida, não sabemos se de forma deliberada ou por acaso, Dutilleux não compôs mais sinfonias e se dedicou a escrever principalmente obras orquestrais com instrumento solista, peças que entraram para o repertório das orquestras pelo mundo: para violino e orquestra, Tout un monde lointain… (1970) e Sur le même accord (2002), para violoncelo e orquestra, L’arbre des songes (1985).

Essa faceta do compositor é representada aqui por Les Citations (1985-1990), obra para uma peculiar formação: oboé, cravo, contrabaixo e percussão. O oboé parece reinar como solista, até o momento em que os outros instrumentos vão dando uns passinhos à frente e fazem suas intervenções.

Le temps l’horloge, completado em 2009 pelo compositor já nonagenário, traz uma soprano para solar com as orquestrações sempre muito originais de Dutilleux, dessa vez com destaque para o acordeão. Renée Fleming canta textos de três poetas sobre a passagem do tempo. O mais célebre, claro, é Enivrez-vous, de Baudelaire:

É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.
Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se.
(Baudelaire, trad. Jorge Pontual)

Henri Dutilleux (1916-2013) : Sinfonias, Métaboles, Le temps l’horloge, etc

  1. Symphonie n°1 (1951) – I. Passacaglia, II. Scherzo molto vivace, III. Intermezzo, IV. Finale con variazioni (33:26)
  2. Les Citations (1990) (14:17)
  3. Métaboles (1964) (16:57)
  4. Préludes pour piano – I. D’ombre et de silence, II. Sur un même accord, III. Le jeu des contraires (1988) (13:43)
  5. Symphonie n°2 (Le Double) – I. Animato, ma misterioso, II. Andantino sostenuto, III. Allegro fuocoso — Calmato (1959) (31:53)
  6. Sur le même accord (2001) (8:38)
  7. Le temps l’horloge – I: Le temps l’horloge, II: Le masque, III. Le dernier poème, IV. Interlude, V. Enivrez-vous (2009) (14:00)

Orchestre National de France, Daniele Gatti, Paris, 1 oct 2015 (1)
Orchestre Philharmonique de Radio France, Kwamé Ryan, Paris, 21 jan 2016, Maroussia Gentet (piano) (2-5)
Orchestre National de France, Kurt Masur, Paris, 14 nov 2003, Anne-Sophie Mutter (violin) (6)
Orchestre National de France, Seiji Ozawa, Paris, 23 apr 2009, Renée Fleming (soprano) (7)

FLAC: BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Parte 1   e  BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Parte 2

MP3: BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Parte 1   e  BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Parte 2

Obs: esta é uma compilação de gravações ao vivo de rádio, que você só encontra aqui no PQP Bach. Se possível, baixe em Flac, evitando a perda de qualidade dos arquivos.

O maestro canadense Kwamé Ryan

Pleyel

Anton Bruckner – Sinfonias 7, 8 e 9 – Eugen Jochum, Staatskapelle Dresden

Agora o bicho pega. Só tem peso pesado nesta conclusão de mais uma integral, desta vez, das Sinfonias de Bruckner, este compositor tão único dentro do universo de grandes compositores contemporâneos seus, como Brahms, Schumann, Wagner, Tchaikovsky, entre tantos outros. Mais do que nunca, nestas últimas três sinfonias é mais que nítida a influência da música de Wagner, a quem reverenciava.

Eugen Jochum como sempre reina soberano neste repertório, e a Staatskapelle Dresden sob seu comando dispensa comentários.

01. Symphony No.7 in E Major, WAB 107, 1. Allegro moderato
02. Symphony No.7 in E Major, WAB 107, 2. Adagio (Sehr feierlich und sehr langsam)
03. Symphony No.7 in E Major, WAB 107, 3. Scherzo (Sehr schnell)
04. Symphony No.7 in E Major, WAB 107, 4. Finale (Bewegt, doch nicht schnell)

01. Symphony No.8 in C Minor, WAB 108, 1. Allegro moderato
02. Symphony No.8 in C Minor, WAB 108, 2. Scherzo (Allegro moderato) –
03. Symphony No.8 in C Minor, WAB 108, 3. Adagio (Feierlich langsam)
04. Symphony No.8 in C Minor, WAB 108, 4. Finale (Feierlich)

01. Symphony No. 9 In D Minor, WAB 109, 1. Feierlich. Misterioso
02. Symphony No. 9 In D Minor, WAB 109, 2. Scherzo (Bewegt lebhaft) –
03. Symphony No. 9 In D Minor, WAB 109, 3. Adagio (Langsam, feierlich)

Staatskapelle Dresden
Eugen Jochum – Conductor

 

SINFONIA 7 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

SINFONIA 8 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

SINFONIA 9 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

 

Witold Lutoslawski (1913-1994): Sinfonias 1 e 2, Concerto for Orchestra, Jeux Venitiens, Livre pour Orchestre, Mi-Parti, etc

Na série de postagens com as grandes sinfonias do Século XX, trago hoje uma postagem original de CDF Bach em 2010. Não tenho notícias sobre o paradeiro deste irmão de PQP e FDP, quem souber dele, favor nos avisar nos comentários. O Lutoslawski da 1ª Sinfonia, do Concerto para Orquestra e da Música Fúnebre deve muito à linguagem de Bartók. Cito o que escreveu Itadakimasu em outra postagem dos primórdios deste site, quando muitos de nós tínhamos internet discada:
Verdade que é o primeiro Lutosławski, ligado claramente à música de Bartók (de fato, mesmo depois, ele continuaria umbilicalmente ligado, mas de formas mais sinuosas, complexas, ambíguas; aqui, não, tudo é direto e cristalino, ainda que esteja longe, muito longe, de ser a obra que Bartók não escreveu), mas seja o compositor teoricamente visto como conservador (e tenho muitas ressalvas a essa percepção), seja o vanguardista de pouco depois, Lutosławski é grande, fantástico em sua capacidade de manejar a massa sonora, na compactação e na fluência de suas peças, na sua capacidade de construir climas. Pessoalmente, gosto mais desta 1ª Sinfonia do que de qualquer peça puramente orquestral de Bartók (salvo, talvez, pelo início do Mandarim Miraculoso).

O Lutoslawski  da 2ª Sinfonia e do Livre pour Orchestre escreve de modo mais complexo, menos ligado à música folclórica, mas sempre buscando criar uma conexão íntima com o ouvinte, ainda que isso não vá acontecer com 100% das pessoas. Sem problemas: nem toda mensagem jogada em uma garrafa vai ser lida, nem todo poço furado encontra água. Como escreveu Lutoslawski, seu objetivo ao compor era “encontrar pessoas que no fundo de suas almas sintam o mesmo que eu sinto… Essas são as pessoas mais próximas de mim, ainda que eu não as conheça pessoalmente. Considero a atividade criativa como um tipo de pescaria de almas, e a melhor cura para a solidão, esta forma tão humana de sofrimento.” Fiquem com a postagem original de CDF Bach, que foi uma dessa almas pescadas.

Não há nada mais complexo e difícil que ouvir. Quando paramos de falar (um grande passo, aliás), não necessariamente paramos para ouvir. A mente continua sua tagarelice até entrar em uníssono com o interlocutor. Para os mais incontidos, frases rápidas são exclamadas para ressaltar as idéias do outro (que na verdade são também do ouvinte). No fim, tudo continua como começou. O prazer que sentimos na concordância desfaz qualquer possibilidade de aprendermos algo diferente.

A música, no entanto, nos faz aprender um bocado sobre essas deficiências. Ouvindo a música de Haydn, por exemplo, consigo ver minhas limitações, principalmente quando o mestre me prega aquelas surpresas: tudo levando a um caminho e, pronto! Dou de cara com um caminho inusitado e nunca imaginado por mim. No futebol, a experiência foi a mesma. Lembro de ter sido um jogador razoável na minha infância, mas ficava puto da vida com os dribles que um fedelho me dava. Ouvir, assim como viver, é confrontar nossas fraquezas. E quem está disposto a isso com frequência?

Outro compositor que mostra muito como é limitada minha imaginação é o polonês Witold Lutoslawski. Sua linguagem não é fácil, mas tem uma unidade e coerência que ajuda o ouvinte a seguir adiante. No fim tenho a sensação de que ganhei muito com meu silêncio.

Witold Lutoslawski (1913 – 1994): Concerto for Orchestra
/ Jeux Venitiens / Livre pour Orchestre / Mi-Parti

CD 1
1. Symphonic Variations
2. Symphony No. 1 – I:- Allegro guisto
3. Symphony No. 1 – II: Poco adagio
4. Symphony No. 1 – III: Allegro misterioso
5. Symphony No. 1 – IV: Allegro vivace
6. Musique funèbre.mp3
7. Symphony No. 2 – I: Hésitant
8. Symphony No. 2 – II: Direct

CD 2
1. Concerto for Orchestra: I. Intrada (Allegro Maestoso)
2. Concerto for Orchestra: II. Capriccio, Notturno E Arioso (Vivace)
3. Concerto for Orchestra: III. Passacaglia, Toccata E Corale (Andante Con Moto – Allegro Giusto)
4. Jeux Vénitiens
5. Livre Pour Orchestre
6. Mi-parti

CD 3
1. Preludia i fuga 1 Preludes Nos 1-7
2. Preludia i fuga 2 Fugue
3. Trois Poèmes d’Henri Michaux I: Pensées
4. Trois Poèmes d’Henri Michaux II: Le grand combat
5. Trois Poèmes d’Henri Michaux III: Repos dans le malheur
6. Paroles tissées
7. Trzy postludia No. 1

Performed By Polish Radio NSO
Witold Lutoslawski

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dsdsd
Lutoslawski: imaginativo e original

CDF / Pleyel

Anton Bruckner – Sinfonias 4, 5 e 6 – Eugen Jochum, Staatskapelle Dresden

Continuando a integral, hoje estou trazendo três obras primas absolutas de Bruckner (não que as outras não sejam, principalmente as últimas), o cara que criou um mundo sonoro próprio em pleno Romantismo. Hoje temos a mais ‘acessível’ das sinfonias, a Quarta Sinfonia, um petardo sonoro, que nos deixa atordoados em um primeiro momento, mas com o tempo nos envolve até nos deixar totalmente saciados. Comentei em postagem anterior que para melhor entendermos este universo sonoro são necessárias muitas audições, para melhor absorvermos sua complexidade. E Jochum, melhor que ninguém, é maestro ideal para nos apresentar isso.

O maior bruckneriano do grupo, sim, ele mesmo, o próprio PQPBach, já nos deu diversas ‘aulas’ sobre o compositor e sua obra. Sugiro a leitura de seus antigos posts para uma melhor compreensão do homem-compositor.

01. Symphony No.4 in E flat major – ‘Romantic’, WAB 104, 1. Bewegt, Nicht Zu Schnell
02. Symphony No.4 in E flat major – ‘Romantic’, WAB 104, 2. Andante Quasi Allegretto
03. Symphony No.4 in E flat major – ‘Romantic’, WAB 104, 3. Scherzo: Bewegt – Trio: Nicht Zu Schnell
04. Symphony No.4 in E flat major – ‘Romantic’, WAB 104, 4. Finale: Bewegt, Doch Nicht Zu Schnell

01. Symphony No.5 in B Flat Major, WAB 105, 1. Introduction (Adagio) –
02. Symphony No.5 in B Flat Major, WAB 105, 2. Adagio (Sehr langsam)
03. Symphony No.5 in B Flat Major, WAB 105, 3. Scherzo: Molto Vivace – Schnell
04. Symphony No.5 in B Flat Major, WAB 105, 4. Finale: Allegro Moderato

01. Symphony No. 6 in A Major, WAB 106, 1. Maestoso
02. Symphony No. 6 in A Major, WAB 106, 2. Adagio. Sehr feierlich
03. Symphony No. 6 in A Major, WAB 106, 3. Scherzo: Nicht Schnell – Trio: Langsam
04. Symphony No. 6 in A Major, WAB 106, 4. Finale: Bewegt, Doch Nicht Zu Schnell

Staatskapelle Dresden
Eugen Jochum – Conductor

SINFONIA 4 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
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Honegger (1892-1955): Sinfonias nº 2 e No. 3 “Liturgique” / Stravinsky: Concerto para orquestra de cordas

A sinfonia, após Beethoven, se tornou uma forma épica, apropriada para grandes obras afirmativas de sentimentos românticos, espirituais ou trágicos. Não é à toa que, no período imediatamente antes, durante e após a longa 2ª Guerra Mundial, abundam sinfonias de peso: do lado comunista do mundo, as de Shostakovich, Prokofiev e Lutoslaswki; do lado ocidental, a Sinfonia Litúrgica de Honegger, composta entre 1945 e 46, é a mais célebre por expressar a tragédia daquele período, com uma pontinha de esperança quand même.

O próprio Honegger escreveu um extenso programa para a sinfonia, deixando explícita a conexão da música com os horrores da guerra e o desejo de paz. “Eu quis simbolizar a reação do homem moderno contra a maré da barbárie, da estupidez, do sofrimento…”, escreveu o compositor. Como sabemos, o homem que não conhece a história está condenado a repeti-la.

Herbert von Karajan, que regia muito pouca música do século XX, colocou esta sinfonia no seu repertório habitual e foi um dos maiores intérpretes dela, assim como da 2ª sinfonia, para cordas e trompete, escrita durante a guerra. Como escreveram dois comentaristas da Amazon:

It’s never really been out of fashion amongst some to denigrate von Karajan for being smooth and suave when he should be rough and ready, etc. etc. In any event, when he was personally sold on a piece, and championed it in the concert hall, there were few rivals. The Honegger 3rd (and 2nd, really) was one such piece. And yes, Karajan’s magician’s way of getting the Berlin Philharmonic into, and becoming, the piece is certainly in evidence here.

To call the strings impeccable in Symphony 2, (composed 1941), is an understatement, this is the Berlin Philharmonic we’re talking about, under Karajan they were by far the finest strings in the world. Hell, they were the best orchestra in the world, period.
Symphony 3, “Liturgique”, (composed 1945-46), receives a one of a kind, supreme reading as well. It is nigh-definitive, the dies irae passionate, the adagio suitably expansive and moving, the final dona nobis pacem stunning in its virtuosity. Just like the second symphony this music was inspired by World War II and there’s plenty of tragic emotion in the work.

Honegger: Symphony No.2 For Trumpet And Strings (1941)
1. I: Molto moderato – allegro
2. II: Adagio mesto
3. III: Vivace, non troppo
Honegger: Symphony No.3, “Liturgique” (1946)
4. I: “Dies Irae” – Allegro marcato
5. II: “De Profundis Clamavi” – Adagio
6. III: “Dona Nobis Pacem” – Andante
Stravinsky: Concerto In D For String Orchestra, “Basler” (1946)
7. I: Vivace
8. II: Arioso. Andantino
9. III: Rondo. Allegro
Berliner Philharmoniker, Herbert von Karajan

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Karajan – amado e odiado por milhões. Em sua defesa, cabe lembrar que ele jamais plagiou discursos de Goebbels

Pleyel

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonias 1, 2 e 3 – Eugen Jochum, Staatskapelle Dresden

Eugen Jochum já estava com seus setenta e muitos anos quando gravou novamente a integral das Sinfonias de Bruckner, desta vez com a magnífica Staatskapelle Dresden. E é esta integral que vou trazer para senhores, de três em três, para serem melhor degustadas. Sim, porque Bruckner não é um compositor que se deva ouvir sem se prestar a devida atenção. É muita informação que recebemos em cada compasso, gosto da expressão que diz suas sinfonias parecem Catedrais Musicais, tamanha sua portentosidade e magnificência. Exageros a parte, a música de Brucker é realmente difícil de ser assimilada em um primeiro momento. São necessárias várias audições de cada uma delas para se entender um pouco de sua complexidade.

Neste primeiro momento vou trazer as três primeiras, Jochum não gravou a Sinfonia nº 0. Ao menos nesta integral. para os senhores terem ideia da importância deste registro, basta dizer que a Warner Classics, que detém os direitos da EMI, lançou novamente esta integral no mercado, pela enésima vez, creio.

Tenho certeza de que os senhores irão degustar com muito prazer essa papa finíssima…

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonias 1, 2 e 3 – Eugen Jochum, Staatskapelle Dresden

01. Symphony No.1 In C Minor, WAB 101, 1. Allegro molto mode
02. Symphony No.1 In C Minor, WAB 101, 2. Adagio
03. Symphony No.1 In C Minor, WAB 101, 3. Scherzo. Lebhaft
04. Symphony No.1 In C Minor, WAB 101, 4. Finale. Bewegt und

01. Symphony No.2 in C Minor, WAB 102, 1. Moderato
02. Symphony No.2 in C Minor, WAB 102, 2. Andante
03. Symphony No.2 in C Minor, WAB 102, 3. Scherzo. Maessig schnell
04. Symphony No.2 in C Minor, WAB 102, 4. Finale. Mehr schnell

01. Symphony No.3 in D Minor, WAB 103, 1. Mehr langsam, Misterioso
02. Symphony No.3 in D Minor, WAB 103, 2. Adagio, bewegt, quasi Andante
03. Symphony No.3 in D Minor, WAB 103, 3. Ziemlich schnell
04. Symphony No.3 in D Minor, WAB 103, 4. Allegro

Staatskapelle Dresden
Eugen Jochum – Conductor

 

SINFONIA 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

SINFONIA 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

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FDP

BTHVN250 – Beethoven (1770-1827): The Beethoven Journey – Concertos para Piano ∞ Mahler Chamber Orchestra – Leif Ove Andsnes ֍

BTHVN250 – Beethoven (1770-1827): The Beethoven Journey – Concertos para Piano ∞ Mahler Chamber Orchestra – Leif Ove Andsnes ֍

BTHVN

Concertos para Piano

Fantasia Coral

Andsnes

Mahler Chamber Orchestra

 

Estamos em festa! As postagens homenageando o grande Ludovico estão surgindo, reunindo-se em um grande coro – Millionen – saudando o compositor mais Herz und Verstand que eu conheço!

Os Concertos para Piano ocupam um espaço importante na obra de Beethoven, mas diferentemente das Sonatas para Piano e dos Quartetos de Cordas, que foram produzidos ao longo de todas as fases criativas do mestre, a composição de concertos parou no alto do seu período heroico. De qualquer forma, ouvir os concertos na sequência é uma experiência e tanto, mesmo que isso seja dividido em dois ou três concertos…

O conjunto que escolhi para esta postagem tem a formação não muito usual de solista e regente, pelo menos para Concertos de Beethoven. Essa prática é mais comum para Concertos de Mozart. Além disso, temos uma orquestra de câmera, o que cria uma expectativa de interpretação com tintas de HIP, do movimento de instrumentos de época. Mas nada disso deve preocupar nosso seguidor, pois temos aqui ótimas interpretações e som excelente. Estas gravações são o resultado de um projeto intitulado ‘The Beethoven Journey’, idealizado e levado a cabo pelo pianista norueguês, que é excelente solista e muito atuante em conjuntos de câmera. Ele mesmo explica como foi o projeto: “Com a performance do Concerto para Piano No. 1, de Beethoven, no Festival de Stresa, em agosto de 2011, começarei a minha ‘Jornada Beethoven’ […]. O objetivo deste projeto é tocar e gravar os cinco extraordinários Concertos para Piano com os maravilhosos músicos da Mahler Chamber Orchestra em um ciclo de quatro anos, começando em 2012. Espero que você se junte a nós para esta viagem de descoberta musical que promete ser iluminativa e exuberante”.

O pacote também inclui a Fantasia Coral, que foi escrita para terminar o mastodôntico concerto que Beethoven promoveu em dezembro de 1808, no qual foram apresentadas nada mais do que as Quinta e Sexta Sinfonias.

O projeto começou com os Concertos Nos. 1 e 3, gravados ao vivo no Festival da Primavera de Praga, no histórico auditório chamado Rodolfinum. Em seguida vieram os Concertos Nos 2 e 4, gravados em Londres em 2013. O último álbum foi gravado ao vivo novamente no Festival da Primavera de Praga, em 2014.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

CD1

Concerto para Piano No. 1 em dó maior, Op. 15

  1. Allegro con brio
  2. Largo
  3. Rondo – Allegro

Concerto para Piano No. 3 em dó menor, Op. 37

  1. Allegro con brio
  2. Largo
  3. Rondo – Allegro

CD2

Concerto para Piano No. 2 em si bemol maior, Op. 19

  1. Allegro con brio
  2. Adagio
  3. Rondo – Molto allegro

Concerto para Piano No. 4 em sol maior, Op. 58

  1. Allegro moderato
  2. Andante con moto
  3. Rondo (Vivace)

CD3

Concerto para Piano No. 5 em mi bemol maior, Op. 73 ‘Emperor’

  1. Allegro
  2. Adagio um poco moto – attacca
  3. Rondo – Allegro

Fantasia para Piano, Coro e Orquestra em dó menor, Op. 80 ‘Fantasia Coral’

  1. Adagio
  2. Allegro – Allegretto, ma non tropo, quase Andante con moto

The Prague Philharmonic Choir

Mahler Chamber Orchestra

Leif Ove Andsnes, piano e regente

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 668 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 439 MB

 

Estas gravações estão na lista das melhores gravações das obras de LvB segundo a Gramophone. Vejam como eles são elogiosos, falando do último disco a lançado: ‘As qualidades que fizeram os lançamentos anteriores tão irresistíveis estão presentes aqui também: a naturalidade com que o piano e a orquestra se integram e conversam e, às vezes, medem as suas forças; a leveza das texturas; a sutileza dos detalhes’.

Confira você e depois me diga. Pode usar o famoso ‘LEAVE A COMMENT’, no alto da página.

Aproveite!

RD

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Violin Concerto, Romances, The Creatures of Prometheus – Lorenzo Gatto, Orchestre de Chambre Pelléas, Benjamin Levy

Vamos deixar os dinossauros descansarem um pouco e vamos ouvir algo bem mais recente, 2014, para ser mais exato. Foi quando o violinista Lorenzo Gatto uniu-se ao maestro Benjamin Levy e à Orchestre de Chambre Pelléas para gravarem o monumental Concerto para Violino de Beethoven, uma das maiores criações de Ludwig, e provavelmente o maior dos Concertos já compostos parar este instrumento.

Alguns mais acostumados com a obra podem estranhar um pouco a sonoridade da Orquestra, afinal se trata de uma Orquestra pequena, ao contrário de uma Sinfônica ou uma Filarmônica com trocentos músicos. Mas creio que esse pequeno número de músicos torna tudo mais intimista, e Lorenzo Gatto pode melhor explorar todo o lirismo da obra. Prestem atenção nos momentos mais lentos do primeiro movimento para melhor entenderem do que estou falando. Gatto é um grande músico, sem dúvida. O texto abaixo foi retirado do site do próprio violinista:

As Lorenzo says, in an interview by Frederike Berntsen: ‘Beethoven’s freedom, his revolutionary sense of liberty, appeals to me greatly. The structure in his music is very strong, the rhythm powerful. At the same time, there is an idealistic, romantic undertone.’
Conductor Benjamin Levy: ‘We share a strong common ground; to avoid an overly romantic interpretation, we studied the historical practice of playing whilst using modern instruments. Our interpretation is a mix of old and new. We feel that our chamber music like approach makes this music stronger compared to a big orchestra.’
Lorenzo: ‘We do try to convey Beethoven’s message, but not by studying tempo and dynamics with rigor. If his message is one of revolution and ideals, intertwined with life’s tragedies, than why should we think small?’”

Uma grande gravação, com certeza. Lorenzo Gatto ainda é jovem, meros 34 anos de idade, e com certeza irá retornar a este concerto dentro de alguns anos, talvez com uma nova abordagem, um novo entendimento. Quem viver, verá.

01. Die Geschöpfe des Prometheus (The Creatures of Prometheus), ballet, Op. 43 O
02. Violin Concerto in D major, Op. 61 1. Allegro ma non troppo
03. Violin Concerto in D major, Op. 61 2. Larghetto
04. Violin Concerto in D major, Op. 61 3. Rondo Allegro
05. Romance for violin & orchestra No. 1 in G major, Op. 40
06. Romance for violin & orchestra No. 2 in F major, Op. 50

Lorenzo Gatto – Violin
Orchestre de Chambre Pelléas
Benjamin Levy – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (9/9) #BTHVN250

O último volume da aventura fortepianística beethoveniana de PBS segue com o mesmo piano Graf usado no volume anterior e termina, bem, pelo fim. Talvez Beethoven, já completamente surdo, tivesse em sua visionária mente um som bastante distinto destes Grafs, Walters e Broadwoods que ouvimos. Se o som dos modernos pianos de concerto, com seus cepos de aço e mais de sete oitavas, agradaria o legendário turrão, nunca saberemos. Podemos supor que sim, pela insistência com que batia na tecla (desculpem o trocadilho) da ampliação da extensão e da robustez dos instrumentos. O fato é que esta finaleira de PBS é tão boa quanto o volume de abertura, e o som eventualmente tilintante dos agudos e os zumbidos dos baixos, somados aos, como os chama o patrão PQP, ruídos de marcenaria, trazem frescor e riqueza tímbrica para essa genial trinca de obras, que é e sempre será moderna.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para piano em Mi maior, Op. 109

1 – Vivace ma non troppo – Adagio espressivo – Prestissimo
2 – Andante – molto cantabile ed espressivo – Moderato cantabile – Molto espressivo

Sonata para piano em Lá bemol maior, Op. 110

3 – Allegro molto – Adagio ma non troppo – Fuga – Allegro ma non troppo

Sonata para piano em Dó menor, Op. 111

4 – Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
5 – Arietta – Adagio molto semplice e cantabile

Paul Badura-Skoda, hammerflügel (Conrad Graf, Viena, ca. 1824)

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Vassily

Bennet / Browne / Coleman / Pearce / Purcell / Ravenscroft: Purcell in The Ale House

Bennet / Browne / Coleman / Pearce / Purcell / Ravenscroft: Purcell in The Ale House

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A part song é uma forma de canção coral secular organizada em várias partes vocais. Essas canções são comumente cantadas por um coral de soprano-contralto-tenor-barítono ou por um conjunto masculino ou feminino. O Pro Cantione Antiqua é masculino. Criada no período elisabetano, essa música geralmente é homofônica — o que significa que a parte mais aguda carrega a melodia e as outras vozes ou partes fornecem as harmonias que a acompanha — mas também podem ser altamente polifônicas, como a maioria das deste disco. São cantadas sempre a cappella, isto é, sem acompanhamento. Esta música foi criada na Grã-Bretanha e pode ser muito divertida, cantando piadas, amores, poemas líricos ou satíricos. O Pro Cantione Antiqua é um conjunto especialista neste gênero de repertório e, bem, eles dão um show pra nós.

Já sei que vai ter um monte de gente pedindo as Lute Songs. Não adianta pedir. É só conseguir que eu acrescento aqui. Este é um blog colaborativo, não temos SAC ou Central de Atendimento. Temos um Setor de Foda-se que está 24h à disposição de vocês. Quando algum de vocês quiserem pedir algo, façam-no com muitos elogios, salamaleques, agrados e bombons. Ou fodam-se.

Bennet / Browne / Coleman / Pearce / Purcell / Ravenscroft: Purcell in The Ale House
Part Songs
1 Hey Ho, To The Greenwood
Written-By – Thomas Ravenscroft
1:06
2 Luer Falconers
Written-By – John Bennet
1:37
3 Hey Trola, Trola
Written-By – Edward Pearce
3:08
4 We Cats When Assembled
Written-By – Richard Browne (2)
2:20
5 Round About In A Fair Ring
Written-By – John Bennet
1:06
6 Yonder Comes
Written-By – Thomas Ravenscroft
6:25
7 Since Time So Kind
Written-By – Henry Purcell
1:23
8 I Cannot Come Every Day
Written-By – Thomas Ravenscroft
2:57
9 Once, Twice, Thrice
Written-By – Henry Purcell
1:43
10 Tomorrow The Fox Will Come
Written-By – Thomas Ravenscroft
2:09
11 Canst Thou Love
Written-By – Thomas Ravenscroft
2:11
12 Celia Learning On A Spinnet
Written-By – Henry Purcell
1:44
13 Who Liveth So Merry
Written-By – Thomas Ravenscroft
1:51
14 Long Have We Bin Perplext
Written-By – Thomas Ravenscroft
2:03
15 Hey Ho, Nobody At Home
Written-By – Thomas Ravenscroft
1:03
16 Give Us Once A Drink
Written-By – Thomas Ravenscroft
2:58
17 Would You Know
Written-By – Henry Purcell
1:14
18 The Glories Of Our Birth
Written-By – Edward Coleman
4:04
19 Under This Stone
Written-By – Henry Purcell
1:55
20 Who’s The Fool Now?
Written-By – Thomas Ravenscroft
1:42

Pro Cantione Antiqua

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Quem ouvir o CD entenderá

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Sonatas nº 14, 26, 24 e 23 – Robert Casadesus

Ainda fuçando no baú, encontrei esta pérola, esta jóia, gravada lá em 1953, quando este que vos escreve ainda nem era projeto de gente.

Outro grande beethoveniano, e quiçá o maior intérprete de Mozart do século XX, Robert Casadesus (1899-1972) – realiza aqui uma das mais belas gravações da Sonata ao Luar que já ouvi em minha vida. E olha que já ouvi muita gente tocando isso. Já era um experiente músico na época destas gravações, mas sempre é um prazer imenso podermos ouvir todo o talento deste grande músico, nascido francês, que cruzou o Século mostrando a sua arte ao redor do mundo. Os senhores poderão encontrar muita informação sobre Casadesus no sinte http://www.robertcasadesus.com/index.php?req_lang=en. 

Importante salientar que essas gravações ainda foram realizadasm em Mono.

01.Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 – ”Moonlight” I. Adagio sostenuto
02. Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 – ”Moonlight” II. Allegretto
03. Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 – ”Moonlight” III. Presto Agitato
04. Sonata No.26 in E flat, Op.81 – ”Les Adieux” I. Adagio – Allegro (Les Adieux)
05. Sonata No.26 in E flat, Op.81 – ”Les Adieux” II. Andante espressivo (L’absence)
06. Sonata No.26 in E flat, Op.81 – ”Les Adieux” III. Viviacissimamente (Le Retour)
07. Sonata No.24 in F sharp, Op.78 – ”А Therese” I. Adagio cantabile
08. Sonata No.24 in F sharp, Op.78 – ”А Therese” II. Allegro vivace
09. Sonata No.23 in F minor, Op.57 – ”Appassionata” I. Allegro assai
10. Sonata No.23 in F minor, Op.57 – ”Appassionata” II. Andante con moto-attacca
11. Sonata No.23 in F minor, Op.57 – ”Appassionata” III. Allegro, ma non troppo-Presto

Robert Casadesus – Piano

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (8/9) #BTHVN250

Beethoven só compôs a (prometo ser comedido com adjetivos hiperbólicos) colossal sonata Op. 106 porque o fortepiano tinha sido aperfeiçoado também em feitio colossal, não só pela ampliação de sua extensão para seis oitavas e meia, quanto por fortalecimento em sua estrutura que, se ainda não reforçada por metal, como nos pianos modernos, era incomparavelmente mais robusta que a daqueles instrumentos em que o compositor fora iniciado ao teclado, décadas antes. Muito desses avanços devem-se a construtores como Conrad Graf, cujo ateliê em Viena forneceria instrumentos, entre tantos outros, para Liszt e Chopin, além do próprio Beethoven, que ganhou um fortepiano especial de Graf, com uma corda extra junto a cada tecla, chegando a quatro cordas por nota. A intenção era facilitar-lhe as coisas ante a surdez, mas esta já era tão profunda que Ludwig quase não mais se aproximava do teclado para compor. A única obra para piano que publicaria depois do presente seria o arranjo para quatro mãos da Grande Fuga (Op. 134). Depois de sua morte, o piano foi devolvido a Graf, e acabou na Beethoven-Haus de Bonn, onde, claro, é conhecido como o “piano de Beethoven” – o que não é mentira, mas também não é uma verdade vibrante.

Sobre a Op. 106 nós já escrevemos tanto em outras ocasiões que privaremos os leitores-ouvintes de mais mortificação. Aponto, somente, que a Sonata Op. 101, que encerra o disco, também foi chamada “für der Hammerklavier” (“para o piano de martelos”), mas o termo só colou como apelido em sua irmã mais nova e transcendental. Embora longe das dificuldades acachapantes da Op. 106, ela também exige um piano como o de Graf, particularmente no maravilhoso, contrapontístico finale. PBS sai-se tão bem que, mesmo depois da “Hammerklavier” mais famosa, esta “Hammerklavier” soa como um belo poslúdio, e não como anticlímax.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Grande Sonata para piano em Si bemol maior, Op. 106, “Hammerklavier”

1 – Allegro

2 – Scherzo: Assai vivace

3 – Adagio sostenuto

4 – Introduzione: Largo – Allegro – Fuga: Allegro risoluto

Sonata para piano em Lá maior, Op. 101

5 – Etwas lebhaft, und mit der innigsten Empfindung. Allegretto, ma non troppo

6 – Lebhaft, marschmäßig. Vivace alla marcia

7 – Langsam und sehnsuchtsvoll. Adagio, ma non troppo, con affetto

8 – Geschwind, doch nicht zu sehr, und mit Entschlossenheit. Allegro.

Paul Badura-Skoda, hammerflügel (Conrad Graf, Viena, ca. 1824)

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Vassily

Jan Dismas Zelenka (1679-1745): Hipocondrie à 7 Concertanti / Alcune Arie

Jan Dismas Zelenka (1679-1745): Hipocondrie à 7 Concertanti / Alcune Arie

IM-PER-DÍ-VEL !!!

(Em razão do repertório).

Sim, um excelente, um lindíssimo disco pelo repertório. Já a execução é antiguinha, naquele estilo cravo + instrumentos modernos de Karl Richter. Só que as músicas são tão boas que tudo vale a pena. Nada vale a pena, ó meu amor longínquo, senão o saber como é suave saber que nada vale a pena… (Fernando Pessoa)

Este CD traz uma peça instrumental — a sensacional Hipocondrie à 7 Concertanti e algumas esplêndidas árias. Tudo, olha, tudo MUITO BOM.

Bem, Jan Dismas Zelenka foi um compositor barroco boêmio.  Ele escreveu música instrumental e vocal, embora a maior parte de sua obra seja dedicada à música religiosa. Sua música é pouco convencional e de grande originalidade. Apesar disso, e pelo fato de Zelenka ser considerado um compositor muito conservador em sua época (tal como Johann Sebastian Bach), a maior parte de sua obra caiu no esquecimento após sua morte, e não foi antes do fim do século XX que algumas de suas obras voltaram a ser interpretadas. A maior parte de sua música religiosa foi escrita para a corte de Dresden, que se convertera ao catolicismo por questões políticas. Nesse tipo de música, Zelenka une as técnicas de composição antigas, baseadas sobre um contraponto muito estrito, conseguindo desta maneira obras de grande expressividade. Conhecem-se cerca de 20 missas, fragmentos de missas, responsórios, dois Magnificats, numerosos salmos, e três oratórios: Gesù al Calvario, Il Serpente de bronzo e I penitente al Sepolcro.

Jan Dismas Zelenka (1679-1745): Hipocondrie à 7 Concertanti / Alcune Arie

1 Hipocondrie à 7 Concertanti (ZWV 187)
2 Alcune Arie (ZWV 176) IV
3 Alcune Arie VI
4 Alcune Arie V
5 Alcune Arie III
6 Alcune Arie VIII

Zdena Kloubova (S)
Marta Benackova (A)
Ivan Kusnjer (B)
Five arias of eight: no. 3 (for A), 4 (for S), 5 (for S), 6 (for A) and 8 (for B).
Virtuosi di Praga
Oldrich Vlcek

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Zelenka: homens mais bonitos já passaram pelo PQP Bach

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Concertos – Emil Gilels, Kiril Kondrashin, etc.

Dentro da série ‘Quando os Dinossauros andavam sobre a Terra’ trago para os senhores um dos maiores pianistas do século XX, e um dos principais intérpretes de Beethoven, Emil Gilels, interpretando os Concertos para Piano de gênio de Bonn, isso lá nos idos de 1947, no pós guerra, e no início da Guerra Fria. Gilels, Kondrashin e Sanderling realizaram outros registros destes mesmos concertos, mas esse aqui creio que é bem especial. Gilels, especialmente, tem um outro ciclo gravado com Geoge Szell, que pretendo trazer em outra ocasião, assim como a bela gravação de Sanderling com Mitsuko Uchida, bem mais recente, é claro. São todos registros históricos, e já que estamos em pleno Ano Beethoven, vamos aproveitar para mostrar para os senhores estes registros mais antigos.
Lembro que a gravação ainda foi realizada em Mono.

01-Concerto_No_1_I_Allegro_con_brio
02-Concerto_No_1_II_Largo
03-Concerto_No_1_III_Rondo-Allegro_scerzando
04-Concerto_No_2_I_Allegro_con_brio
05-Concerto_No_2_II_Adagio
06-Concerto_No_2_III_Rondo-Molto_allegro

Leningrad State Philharmonic Symphony Orchestra
Kurt Sanderling

07-Concerto_No_3_I_Allegro_con_brio
08-Concerto_No_3_II_Largo
09-Concerto_No_3_III_Rondo

Grand Symphony Orchestra
Kirill Kondrashin – Conductor

10-Concerto_No_4_I_Allegro_moderato
11-Concerto_No_4_II_Andante_con_moto
12-Concerto_No_4_III_Rondo-Vivace
13-Concerto_No_5_I_Allegro
14-Concerto_No_5_II_Adagio_un_poco_mosso
15-Concerto_No_5_III_Rondo-Allegro

Leningrad State Philharmonic Symphony Orchestra
Kurt Sanderling

Emil Gilels – Piano

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (7/9) #BTHVN250

 

 

 

 

Um sanduíche de sonatas parrudas com recheio leve: as sonatinas Op. 49, que mal conseguem dar o ar de sua muita graça após o portento da “Waldstein”, e a pobre Op. 54, que já nasceu eclipsada pelas gigantes que aqui também a antecedem e a sucedem, embora seja uma ótima e primorosamente concisa composição. Dou-me conta de que faltou eu lhes sugerir aquilo que o patrão PQP sempre faz, que é começar a audição de uma série de sonatas justamente pela “Waldstein”, para saber se o resto vale a pena. Eu acho que PBS se sai muito bem, assim como o piano Broadwood de 1815 – que, se comparado ao instrumento de 1796 do mesmo fabricante que quase rompeu as costuras com a Sonata Op. 7, atesta a notável evolução que houve nos recursos do pianoforte concomitantemente à carreira de Beethoven.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano em Dó maior, Op. 53, “Waldstein”

1 – Allegro con brio

2 – Introduzione. Adagio molto

3 – Rondo. Allegretto moderato. Prestissimo.

Duas sonatas para piano, Op. 49

No. 1 em Sol menor

4 – Andante

5 – Rondo. Allegro

No. 2 em Sol maior

6 – Allegro ma non troppo

7 – Tempo di menuetto

Sonata para piano em Fá maior, Op. 54

8 – In tempo d’un menuetto

9 – Allegretto. Più allegro

Sonata para piano em Fá menor, Op. 57, “Appassionata”

10 – Allegro assai

11 – Andante con moto

12 – Allegro ma non troppo – Presto

Paul Badura-Skoda, piano (John Broadwood, Londres, ca. 1815)

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Vassily

J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas – Yuan Sheng

J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas – Yuan Sheng

Bach

Suítes Francesas

Yuan Sheng

 

Na constelação de estrelas do piano brilham muitos nomes orientais, como Lang Lang, Mitsuko Uchida e Yuja Wang. Mais recentemente ouvimos Yundi Li e Seon-Jin Cho. Eu ouço Kun-Woo Paik há muito tempo. Além destes mais conhecidos, podemos buscar outros nomes, pois a arte desconhece fronteiras e as diferentes culturas acrescentam outras perspectivas artísticas às obras musicais que tanto pensamos conhecer.

Eu também uso esse tipo de óculos quando quero ir a algum lugar sem ser reconhecido…

Há pouco fiz uma postagem com a especialíssima pianista chinesa Zhu Xiao-Mei. Agora tenho a grande expectativa de encantar os amantes da música de Bach interpretada ao piano com esta postagem das Suítes Francesas interpretadas por Yuan Sheng, um nome para guardar.

Eu me encantei com este álbum e achei interessante postá-lo no meio deste afã de (Viva!) #BTHVN 2020, que tem sido muito divertido, especialmente para termos um contraponto.

Nunca havia ouvido de Yuan Sheng antes destas gravações, mas os primeiros acordes da Allemande que inicia a Suíte No. 1 de nosso sumo compositor, João Sebastião Ribeiro, colocaram-me imediatamente em alerta. Assim seguimos para a Courante e quando chegamos na Sarabande, eu já havia me tornado fã. Gente, ouçam esta sarabanda! Há nobreza, elegância, mas há também uma certa simplicidade que é resultado de muita sabedoria. Em uma palavra, espetacular!

Yuan Sheng

Pois este excelente pianista nasceu em Beijing, em uma família de artistas. Começou seus estudos aos cinco anos com sua mãe e depois estudou no Conservatório Central de Beijing, com os professores Qifang Li, Huili Li e Guangren Zhou. De 1991 até 1997 ele estudou na Escola de Música de Manhattan, em Nova Iorque. Seu grande interesse pela música de Bach o levou a estudar intensamente com Rosalyn Tureck. Yuan Sheng é agora professor do Conservatório Central de Beijing.

O que dizer do repertório? Que é espetacular, adoro todas as Suítes, mas tenho uma grama de predileção pela No. 5, que conheci antes das outras, e depois, pela No. 1. Além das Suítes Francesas, o álbum tem duas outras peças: Suíte em lá menor, BWV 818 e Suíte em mi bemol maior, BWV 819. Estas suítes estão, de alguma forma, ligadas às Suítes Francesas ‘oficiais’, por aparecem entre elas em alguns dos manuscritos que chegaram até nós. Tenho certeza que ninguém vai reclamar das peças a mais…

Antes de deixá-lo correr para o link e baixar a música, se é que você ainda não fez isto, uma palavra sobre os caracteres chineses. Tenho um enorme interesse pela cultura chinesa e sempre que posso tento aprender algo mais sobre ela. Por conta das poesias de Li Bai, que acabaram em algumas letras do Das Lied von der Erde, de Mahler, andei estudando um pouco os caracteres chineses. Não é fácil, especialmente para que tem uma memória RAM mínima, como eu, mas é excelente passatempo. Uma enorme ajuda veio de um (na minha opinião) excelente tradutor online, do qual faço propaganda e você pode conhecer se clicar aqui.

Os dois caracteres que coloquei no início da postagem formam precisamente o nome do pianista, Yuan Sheng, mas estão na ordem invertida, pois na China se diz primeiro o nome da família ( Sheng) e depois o nome do indivíduo ( Yuan).

Minha caligrafia pode melhorar…

O tradutor que indiquei dá muitas informações sobre cada caractere, inclusive você pode aprender a ordem de cada pincelada (ou de cada traço) para escrevê-lo (ou desenhá-lo).

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Suíte Francesa No. 1 em ré menor, BWV 812
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Menuet I e II; 5. Gigue
Suíte Francesa No. 2 em dó menor, BWV 813
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Air; 5. Menuet I e II; 6. Gigue
Suíte Francesa No. 3 em si menor, BWV 814
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Angloise; 5. Menuet e Trio; 6. Gigue
Suíte Francesa No. 4 em mi bemol maior, BWV 815
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Gavotte; 5. Menuet; 6. Air; 7. Gigue
Suíte Francesa No. 5 em sol maior, BWV 816
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Gavotte; 5. Bourée; 6. Loure; 7. Gigue
Suíte Francesa No. 6 em mi maior, BWV 817
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Gavotte; 5. Polonaise; 6. Menuet; 7. Bourée; 8. Gigue
Suíte em lá menor, BWV 818
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande simple; 4. Sarabande double; 5. Gigue
Suíte em mi bemol maior, BWV 819
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Bourée; 5. Menuet I e II

Yuan Sheng, piano

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FLAC | 467 MB

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MP3 | 320 KBPS | 300 MB

盛原

Yuan quer dizer fonte, origem, começo. Sheng é abundante, próspero, pujante. Assim, você pode perceber que o nome do pianista da postagem é muito significativo.

Resumindo, este álbum é ‘papa-fina’! Aproveite!!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (6/9) #BTHVN250

Ontem, um piano boêmio. Hoje, o piano do morávio Georg Hasska. Tem cinco oitavas e meia, em vez das meras cinco a que Beethoven se acostumara desde que foi apresentado a um pianoforte, e nelas Ludwig se esbalda em algumas de suas obras mais originais. Embora haja no disco sonatas mais votadas – como aquelas alcunhadas “A Caça” e “Les Adieux” -, meu xodó será sempre a Op. 78, aquela de menos votada alcunha, “À Thérèse”, um primor de concisão e criatividade suprassumamente beethovenianas.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três sonatas para piano, Op. 31

No. 3 em Mi bemol maior

1 – Allegro

2 – Scherzo. Allegretto vivace

3 – Menuetto. Moderato e grazioso

4 – Presto con fuoco

Sonata para piano em Fá sustenido maior, Op. 78, “À Thérèse”

5 – Adagio cantabile — Allegro ma non troppo

6 – Allegro vivace

Sonata para piano em Sol maior, Op. 79

7 – Presto alla tedesca

8 – Andante

9 – Vivace

Sonata para piano em Mi bemol maior, Op. 81a (“Lebewohl”/”Les adieux”

10 – Das Lebewohl: Adagio – Allegro

11 – Abwesenheit: Andante espressivo (In gehender Bewegung, doch mit viel Ausdruck)

12 – Das Wiedersehen: Vivacissimamente (Im lebhaftesten Zeitmaße)

Sonata para piano em Mi menor, Op. 90

13 – Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck

14 – Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen

Paul Badura-Skoda, piano (Georg Hasska, Viena, ca. 1815)

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Vassily

Smetana (1824-1884) & Janaček (1854-1928): Quartetos de Cordas – Jerusalem Quartet

Smetana (1824-1884) & Janaček (1854-1928): Quartetos de Cordas – Jerusalem Quartet

Bedřich Smetanta

Leoš Janáček

Quartetos de Cordas

Jerusalem Quartet

 

Seguindo na tentativa de cumprir minhas ‘decisões de Ano Novo’, avancei um pouco mais no processo de expansão de repertório. Usando a tática de avanço gradual, mas seguro, decidi explorar os quartetos de cordas de Leoš Janáček. E não é que me dei bem? O disco que ouvi é o desta postagem, que traz também o Quarteto ‘Da Minha Vida’, de Smetana. Esta peça de Smetana tem em comum com o segundo quarteto de Janaček o fato de ambos terem sido inspirados em fatos das vidas dos compositores.

O quarteto de Smetana foi composto pouco depois de ele ter ficado surdo e ainda tinha esperança de voltar a ouvir. Particularmente tocante é ouvir o quarto movimento do quarteto, no qual os zumbidos que Bedřich ouvia enquanto sua audição se deteriorava é mencionado.

Kamilla…

O Segundo Quarteto de Janáček é denominado ‘Cartas Íntimas’ e faz referência às muitas cartas que trocou com Kamila Stösslová, uma paixão impossível, uma vez que ela era casada e bem mais jovem do que ele. Você poderá descobrir um pouco mais sobre este caso lendo a postagem do sumo PQP Bach e ainda ouvir a Missa Glagolítica do Leoš Janáček.

O Primeiro Quarteto do Janáček é intitulado ‘Sonata Kreutzer’ (Viva BTHVN 2020!), mas a referência é um conto de Liev Tolstói, que tem este título. Portanto, o quarteto foi nomeado ‘por tabela’.

Posso dizer que gostei do disco, caso contrário no o estaria postando. O Jerusalem Quartet é muito bom, já ouvi outros discos gravados por eles. Assim, espero que você, caso seja tentado por esta postagem, mande-me um bilhete com suas próprias impressões. Pode usar nosso ultrassensível dispositivo de interlocução, que fica no alto da página, no cabeçalho da postagem, escondido pelo quase invisível ‘LEAVE A COMMENT’.

Bedřich Smetanta (1824 – 1884)

Quarteto de Cordas No. 1 em mi menor – ‘Da Minha Vida’

  1. Allegro vivo appassionato
  2. Allegro moderato a la Polka
  3. Largo sostenuto
  4. Vivace

Leoš Janáček (1854 – 1923)

Quarteto de Cordas No. 1 – ‘Sonata Kreutzer’

  1. Con moto
  2. Con moto
  3. Con moto. Vivo. Andante
  4. Con moto (Adagio). Più mosso

Quarteto de Cordas No. 2 – ‘Cartas Íntimas’

  1. Con moto. Allegro
  2. Vivace
  3. Andante. Adagio
  4. Andante. Adagio

Jerusalem Quartet

Alexander Pavlovsky, violino

Sergei Bresler, violino

Ori Kam, viola

Kyril Zlotnikov, violoncelo

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MP3 | 320 KBPS | 158 MB

Jerusalem Quartet – sempre há um que é ‘do contra’…

As outras postagens do nosso blog com os dois quartetos de Janáček estão como seus links inativos. Há uma postagem com o Segundo Quarteto que é muito boa! Veja aqui. Tentaremos restaurar os outros links. Portanto, aproveite e vá de Jerusalem Quartet! Aproveite!

René Denon