J. S. Bach (1685-1750) – Cantatas Profanas (3 de 8 CDs)

A Cantata BWV 205, que leva o nome, traduzido por mim, de Éolo Aplacado é uma das belas que meu pai fez. Trata-se de uma encomenda; foi escrita para comemorar o onomástico do respeitado acadêmico da Universidade de Leipzig August Friedrich Muller e é do ano de 1725. O libreto de Picander é levemente baseado em Virgílio, o qual deve ter dado cabeçadas em sua cova ao ver o que ele e meu pai fizeram de com seus versos da Eneida…

Éolo, deus dos ventos, está nervoso e soprando tudo, há sofrimento no mar e na terra, pois o homem não estava para brincadeiras. Zéfiro, filho de Éolo com tendências gays, ventinho suave como a brisa, mensageiro da primavera, protetor dos marinheiros, mais chegado a um hálito refrescante, foi lá tentar acalmar o pai, mas este não quis nem saber. Outros deuses também foram lá mas o homem estava incontrolável e mandava furacões pra todo lado. Porém…, Palas Atena, a deusa da sabedoria, conversou com Éolo utilizando mortal argumento. Disse ela:

– Olha, Éolo. O negócio é o seguinte: pára com esse coisa porque hoje é o onomástico do Dr. August Friedrich Muller, da Universidade de Leipzig. Não é legal fazer isso num dia em que tão ínclita pessoa está em festa recebendo os amigos, etc.

Éolo aceita o irrefutável, indiscutível e inteligente argumento da deusa e suspende a ventania. Isto em música? Vocês não imaginam! Uma obra-prima sensacional!

Anos depois, meu pai reutilizou a música para outro Augusto, este um advogado, também em data de onomástico. Mas não ficou tão bom quanto o original. O novo libreto ficou muito ruim. Éolo e Palas perderam seus respectivos élans quando tiveram de homenagear um advogado. Talvez naquela época eles já fossem tão preguiçosos, caros, complicados e sensíveis quanto são hoje.

Cantata Profana BWV 205 & Quodlibet BWV 524

1. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Chor der Winde: Zerreißet, zersprenget, zertrümmert die Gruft 5:53
2. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: Ja, ja! Die Stunden sind nunmehro nah 1:44
3. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Aria: Wie will ich lustig lachen 4:03
4. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: Gefürcht’ter Äolus 0:45
5. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Aria: Frische Schatten, meine Freude 3:39
6. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: Beinahe wirst du mich bewegen 0:39
7. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Aria: Können nicht die roten Wangen 3:36
8. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: So willst du, grimmger Äolus 0:48
9. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Aria: Angenehmer Zephyrus 3:51
10. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: Mein Äolus, Ach! 2:22
11. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Aria: Zurücke, zurücke, gerflügelten Winde 3:13
12. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: Was Lust! Was Freude! Welch Vergnügen! 1:27
13. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Aria: Zweig und Äste 2:51
14. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: Ja, ja! Ich lad euch selbst zu dieser Feier ein 0:39
15. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Chor der Winde: Vivat! August, August vivat! 2:52

com Sibylla Rubens , Yvonne Naef , Christoph Genz , Andreas Schmidt,
Gächinger Kantorei Stuttgart,
Bach-Collegium Stuttgart.
Dirigiert von Helmuth Rilling

16. BWV 524 – Quodlibet 10:11

com Sibylla Rubens , Ingeborg Danz , Marcus Ullmann , Andreas Schmidt , Michael Gross , Harro Bertz , Michael Behringer
Gächinger Kantorei Stuttgart,
Bach-Collegium Stuttgart.
Dirigiert von Helmuth Rilling

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Edvard Grieg (1843-1907) – Peer Gynt

F.D.P. Bach escreve:

Para manter o clima escandinavo, minha próxima contribuição é de uma gravação estupenda do “Peer Gynt”, de Grieg, nas competentes mãos de Esa-Pekka Sallonen, regendo a Orquestra Filarmônica de Oslo, com seu respectivo coral e com a maravilhosa voz de Barbara Hendricks. Essa gravação se destaca exatamente pelas partes cantadas, que poucos conhecem. Geralmente o que é gravado são as duas suítes, se deixando de lado estas preciosidades vocais. Comprei este CD há muitos anos atrás, e nunca mais tive oportunidade de encontrá-lo em outro local. É uma gravação fora dos catálogos da Sony. Em minha opinião, as partes que se destacam, escolha difícil diante da beleza desta obra, são as conhecidas “Canção de Solveig”, interpretada por Hendricks, e o coral na conhecida passagem “In the Hall of Mountain King”. De qualquer forma, é uma gravação maravilhosa. Espero que seja devidamente apreciada, pois é um registro um tanto quanto raro.

1 Act one – Prelude : In the wedding garden
2 Act one – The bridal procession passes
3 Act one – Halling
4 Act one – Springar
5 Act two – Prelude : The abduction of the bride – Ingrid’s lament
6 Act two – In the hall of the mountain King
7 Act two – Dance of the mountain King’s daughter
8 Act three – Prelude : Deep in the coniferous forest
9 Act three – Solveig’s song
10 Act three – Ase’s death
11 Act four – Prelude : Morning mood
12 Act four – Arabian dance
13 Act four – Anitra’s dance
14 Act four – Solveig’s song
15 Act five – Prelude : Peer Gynt’s journey home
16 Act five – Solveig’s song in the hut
17 Act five – Whitsun hymn
18 Act five – Solveig’s lullaby

Barbara Hendricks
Oslo Philharmonic Chorus
Oslo Philharmonic Orchestra
Esa-Pekka Salonen
Data de gravação: mai 1989

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Obs: Estou enviando o link para o booklet que converti para .pdf do CD. AQUI

Carl Nielsen (1865-1931) – Os Três Concertos

Os escandinavos, muito organizados, parecem ter acertado que cada país teria seu compositor importante de música erudita. A Noruega ficou com Grieg, a Suécia com Berwald, a Finlândia com Sibelius e a Dinamarca com Nielsen.

Carl Nielsen é mais conhecido como grande sinfonista. É justo e eu, P.Q.P., poderia postar a integral aqui, comprada há muitos anos e bastante ouvida por mim. Mas seus concertos – que receberam poucas gravações – não são de se jogar fora. São belos trabalhos. O longo concerto para violino, o instrumento de Nielsen, foi dedicado ao enteado do compositor, o violinista Emil Telmáyi. O concerto para clarinete é bastante bom, assim como o para flauta. Nielsen escrevia muito bem para sopros e isto pode ser notado em suas sinfonias assim como em seu famoso quinteto para sopros, que infelizmente só tenho em vinil.

Importante: Nielsen escreveu apenas estes 3 concertos: um para violino, o segundo para clarinete e o terceiro para flauta. Temos aqui, portanto, mais uma integral. Afinal, este blog parece ter viciado nelas…

Violin Concerto, Op. 33
Performed by: Bournemouth Symphony Orchestra
Conducted by: Kees Bakels
Jonathan Carney, violin
1. Praeludium: Largo – Allegro cavalleresco 18:54
2. Poco adagio 06:26
3. Rondo: Allegretto scherzando 10:36

Clarinet Concerto, Op. 57
Performed by: Bournemouth Symphony Orchestra
Conducted by: Kees Bakels
Kevin Banks, clarinet
4. Clarinet Concerto, Op. 57 24:41

Flute Concerto (1926)
Performed by: Bournemouth Symphony Orchestra
Conducted by: Kees Bakels
Gareth Davies, flute
5. Allegro moderato 11:06
6. Allegretto 07:14

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Johannes Brahms (1833-1897) – Sinfonia Nº 1, Op. 68

Retirado – ainda que levemente alterado – de um e-mail de F.D.P. Bach:

Creio que a décima sinfonia de Beethoven, ops, a primeira de Brahms, seja um contraponto interessante para os últimos quartetos publicados.

Essa é a versão que eu ouvia em fita cassete quando morava em São Paulo, até o dia em que a fita arrebentou. Um grande regente, uma grande orquestra, um compositor genial, e uma música simplesmente fantástica. Com uma combinação de talentos como essa, é difícil as coisas não darem certo. Karajan tinha o timing perfeito para Brahms. Conduz a orquestra com uma força e uma energia impressionantes e dá à obra uma grandiosidade que lhe é inerente. Não há como ficar indiferente.

1. Symphonie Nr. 1 C-moll Op. 68: 1. Un Poco Sostenuto – Allegro
2. Symphonie Nr. 1 C-moll Op. 68: 2. Andante Sostenuto
3. Symphonie Nr. 1 C-moll Op. 68: 3. Un Poco Allegretto E Grazioso
4. Symphonie Nr. 1 C-moll Op. 68: 4. Adagio – Allegro Non Troppo Ma Con Brio

Orquestra Filarmônica de Berlim
Herbert von Karajan

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Quartetos Nros 15 e 16 – Op. 132 e 135

Curto e grosso: eu simplesmente não vejo, na história da música, obras superiores aos últimos quartetos de Beethoven. Vejo iguais, superiores não. Antes de publicarmos a integral deles, publicamos dois num extraordinário registro. Os “últimos” são os quatetos de Nº 12 à 16. Você terá de procurar muito se quiser encontrar música mais bela (e importante) que o Molto Adagio e o Alegro Appassionato do Op. 132. O Op. 135 é o famoso e enigmático Muss es sein? Es muss sein (É preciso? É preciso.)

Quando lhe disseram que alguns destes quartetos haviam sido mal acolhidos, o compositor respondeu: “Gostarão mais tarde”. Tinha inteira razão.

Toda a série foi composta entre o verão de 1824 e o outono de 1826.

1. String Quartet N 15 In A Minor, Op 132 : Assai Sostenuto, Allegro
2. String Quartet N 15 In A Minor, Op 132 : Allegretto Ma Non Tanto
3. String Quartet N 15 In A Minor, Op 132 : Molto Adagio
4. String Quartet N 15 In A Minor, Op 132 : Alla Marcia, Assai Vivace…
5. String Quartet N 15 In A Minor, Op 132 : Allegro Appassionato
6. String Quartet N 16 In F Major, Op 135 : Allegretto
7. String Quartet N 16 In F Major, Op 135 : Vivace
8. String Quartet N 16 In F Major, Op 135 : Lente Assai E Cantate Tranquillo
9. String Quartet N 16 In F Major, Op 135 : Allegro, Grave Ma Non Tratto…

Quarteto Prazak

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Johannes Brahms (1833-1897) – Complete Chamber Music (CD 3 de 11) Completando os Trios

F.D.P. Bach escreve sobre Brahms:

Sempre fui apaixonado pela obra de Brahms, desde que ouvi o Concerto para Piano nº 2, em uma gravação que nunca mais vi, com a dupla Kovacevich Bishop/Colin Davis. Passei horas ouvindo a Sinfonia nº1, até arrebentou a fita cassete de uma gravação do Karajan, e sua grandiosidade sempre me emociona. Brahms tinha uma incrível capacidade de dizer muito com poucas notas. Para alguns, isso seria uma falha, mas para a imensa maioria esse detalhe apenas comprova sua genialidade. Ouvindo qualquer uma de suas obras, vemos um eterno ir e voltar aos temas originais, com variações múltiplas. Ele trabalha com poucas notas, mas sabe exatamente como escolhê-las, e onde encaixá-las.

Abaixo, P.Q.P. falou em sua postagem que ele era “um compositor que parece ter nascido maduro e basta ouvir seus primeiros opus para se ter certeza disto.” Em minha opinião essa maturidade vem de duas causas principais: Seu nível de exigência para consigo mesmo era altíssimo, não publicava suas obras antes de ter certeza de que estava tudo em seu lugar. Outro ponto era sua veneração por Beethoven. Ele achava que não havia necessidade de compor outras sinfonias, pois o mestre de Bonn havia esgotado todas as possibilidades. Seu primeiro Concerto para Piano também foi tão trabalhado, reescrito e analisado que acabou saindo já quando ele tinha seus 40 e poucos anos. Ele era antes de tudo seu principal crítico. . Não, ele nunca se utiliza de artifícios vulgares ou concertísticos, como P.Q.P. coloca. Creio que para resumir, sua genialidade reside exatamente nesta característica: a certeza de que estava tudo no lugar certo, e nada sobrando. E, ao utilizar um mínimo de recursos, conseguiu criar uma obra única. Ouçam a Sinfonia nº 1 e depois me digam se não estou certo.

Com esta postagem e mais a do dia 22 de janeiro, você tem os Trios Completos de Brahms. Os três para a formação clássica de violino, violoncelo e piano, mais o para violino, trompa e piano e o para clarinete, violoncelo e piano. É grande música.

Estes são os dois primeiros CDs da tarefa que se impôs F.D.P. Bach – a de publicar aqui integralmente a obra de Brahms. Não tenho muito tempo para escrever porque estou organizando o CD com os Trios Completos… Além disto, acho que falar sobre Brahms é muito complicado. É um compositor que parece ter nascido maduro e basta ouvir seus primeiros opus para se ter certeza disto. Suas músicas sempre me impressionaram por sua profundidade e intensidade e por nunca – mesmo – utilizarem artifícios concertísticos ou vulgares. É uma opinião pessoal: Brahms me altera e me melhora.

1. Trio In A Minor, Op. 114, For Piano, Clarinet And Cello: Allegro
2. Trio In A Minor, Op. 114, For Piano, Clarinet And Cello: Adagio
3. Trio In A Minor, Op. 114, For Piano, Clarinet And Cello: Andante grazioso
4. Trio In A Minor, Op. 114, For Piano, Clarinet And Cello: Allegro
5. Piano Trio in C, Op. 87: Allegro
6. Piano Trio in C, Op. 87: Andante con moto
7. Piano Trio in C, Op. 87: Scherzo (Presto)
8. Piano Trio in C, Op. 87: Finale (Allegro giocoso)
9. Piano Trio In C Minor, Op. 101: Allegro energico
10. Piano Trio In C Minor, Op. 101: Presto non assai
11. Piano Trio In C Minor, Op. 101: Andante grazioso
12. Piano Trio In C Minor, Op. 101: Allegro molto

Faixas de 1 a 4:
Bernard Greenhouse (cello) ,
George Pieterson (clarinete) e
Menahem Pressler (piano).

Faixas de 5 a 12:
Beaux Arts Trio, em sua formação clássica:
Bernard Greenhouse (cello),
Daniel Guilet (violino) e
Menahem Pressler (piano).

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Sinfonia Nº 11, Op. 103 – O Ano de 1905

Esta sinfonia talvez seja a maior obra programática já composta. Há grandes exemplos de músicas descritivas tais como As Quatro Estações de Vivaldi, a Sinfonia Pastoral de Beethoven , a Abertura 1812 de Tchaikovski, Quadros de uma Exposição de Mussorgski e tantas outras, mas nenhuma delas liga-se tão completa e perfeitamente ao fato descrito do que a décima primeira sinfonia de Shostakovich.

Alguns compositores que assumiram o papel de criadores de “coisas belas”, vêem sua tarefa como a produção de obras tão agradáveis quanto o possível. Camille Saint-Saëns dizia que o artista “que não se sente feliz com a elegância, com um perfeito equilíbrio de cores ou com uma bela sucessão de harmonias não entende a arte”. Outra atitude é tomada por Shostakovich, que encara vida e arte como se fosse uma coisa só, que vê a criação artística como um ato muito mais amplo e que inclui a possibilidade do artista expressar – ou procurar expressar – a verdade tal como ele a vê. Esta abordagem foi adotada por muitos escritores, pintores e músicos russos do século XIX e, para Shostakovich, a postura realista de seu ídolo Mussorgsky foi decisiva. A décima primeira sinfonia de Shostakovich tem feições inteiramente mussorgkianas e foi estreada em 1957, ano do quadragésimo aniversário da Revolução de Outubro. Contudo, ela se refere a eventos ocorridos antes, no dia 9 de janeiro de 1905, um domingo, quando tropas czaristas massacraram um grupo de trabalhadores que viera fazer um protesto pacífico e desarmado em frente ao Palácio de Inverno do Czar, em São Petersburgo. O protesto, feito após a missa e com a presença de muitas crianças, tinha a intenção de entregar uma petição – sim um papel – ao czar, exatamente esta aqui, solicitando coisas como redução do horário de trabalho para oito horas diárias, assistência médica, melhor tratamento, liberdade de religião, etc. A resposta foi dada pela artilharia, que matou mais de cem trabalhadores e feriu outros trezentos.

O primeiro movimento descreve a caminhada dos trabalhadores até o Palácio de Inverno e a atmosfera soturna da praça em frente, coberta de neve. O tema dos trabalhadores aparecerá nos movimentos seguintes, porém, aqui, a música sugere uma calma opressiva.

O segundo movimento mostra a multidão abordar o Palácio para entregar a petição ao czar, mas este encontra-se ausente e as tropas começam a atirar. Shostakovich tira o que pode da orquestra num dos mais barulhentos movimentos sinfônicos que conheço.

O terceiro movimento, de caráter fúnebre, é baseado na belíssima marcha de origem polonesa Vocês caíram como mártires (Vy zhertvoyu pali) que foi cantada por Lênin e seus companheiros no exílio, quando souberam do acontecido em 9 de janeiro.

O final – utilizando um bordão da época – é a promessa da vitória final do socialismo e um aviso de que aquilo não ficaria sem punição.

Dmitri Shostakovich – Sinfonia Nº 11, Op. 103 – O Ano de 1905 (1957)

Concertgebouw Orchestra.
Bernard Haitink, regência.

1. The Palace Square (Adagio)
2. 9 January (Allegro)
3. In Memoriam (Adagio)
4. Alarme (Allegro non troppo).

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Franz Schubert (1797-1828) – O Quinteto D.956

F.D.P. Bach, que apresenta claramente um fraco por Schubert, enciumou-se com minha postagem de anterior e resolveu vingar-se colocando no ar aquela que, talvez, seja sua maior obra de câmara. Não é pouca coisa escolher a “maior” na obra do compositor.

A gravação é a premiadíssima versão do Emerson String Quartet reforçado por ninguém menos do que o violoncelista Mstislav Rostropovich, que gravou a música mais de 4 vezes em sua carreira com os diferentes quartetos de cordas.

O cineasta Alain Corneau elevou o adágio deste quinteto ao status de personagem em seu filme Noturno Indiano – baseado no romance de Antonio Tabucchi.. Com ele, fez uma das mais estarrecedoras cenas de miséria que conheço.

E há um blogueiro metido a ficcionista que utilizou filme e música numa de suas histórias: aqui.

1. Streichquintett C-Dur D 956 (Op. Post.163): Allegro ma non troppo
2. Streichquintett C-Dur D 956 (Op. Post.163): Adagio
3. Streichquintett C-Dur D 956 (Op. Post.163): Scherzo. Presto – Trio. Andante sostenuto
4. Streichquintett C-Dur D 956 (Op. Post.163): Allegretto

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Franz Schubert (1797-1828) – Os Trios Completos

Esta é uma gravação absolutamente notável do Trio Wanderer, um grupo de três jovens franceses que estão repetindo a competência e o sucesso dos veteranos do Beaux Arts. Outro destaque extraordinário é a qualidade do som do CD áudio original. Pelos intérpretes e pela qualidade da música, vale o investimento.

Além de gênio absoluto, poucos compositores deixam os musicólogos mais felizes. Sua obra é a maior confusão. Schubert deixou uma montanha de manuscritos incompletos por razões ignoradas. Começava trabalhos e deixava-os pela metade; finalizava trabalhos e não apresentava em publicava. Por exemplo, a Sinfonia Nº 8 é a Inacabada, mas a Nº 9 está completa. Nestes belíssimos trios, há o detalhe de Schubert ter escrito primeiro o Nº 2 e depois o Nº 1; além disto, há dois movimentos avulsos que fariam parte de futuros trios nunca compostos. Um deles, o Noturno que está no primeiro CD, é música de primeiríssima linha que devia estar esperando companhia musical adequada…

A interpretação do Wanderer é antológica, com destaque para o famoso Andante con Moto do Trio Nº 2.

A não perder!

1. Trio Nº 1, D898 En Si Bémol Majeur : Allegro Moderato
2. Trio N°1, D898 En Si Bémol Majeur : Andante Un Poco Mosso
3. Trio N°1, D898 En Si Bémol Majeur : Scherzo
4. Trio N°1, D898 En Si Bémol Majeur : Rondo
5. Nocturne En Mi Bémol Majeur, D897

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CD 2:
1. Trio N°2, D929 En Mi Bémol Majeur : Allegro
2. Trio N°2, D929 En Mi Bémol Majeur : Andante Con Moto
3. Trio N°2, D929 En Mi Bémol Majeur : Scherzando
4. Trio N°2, D929 En Mi Bémol Majeur : Allegro Moderato
5. Sonatensatz En Si Bémol Majeur, D28

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Trio Wanderer

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – As Suítes Francesas

Primeiro, um artigo sobre o pianista:
A Provocação de Glenn Gould
Por: Milton Ribeiro

Antigamente, a música – mesmo a mais grandiosa – era utilizada como pano de fundo para jantares e comemorações. Para nós é difícil conceber isto, mas a música de Vivaldi, por exemplo, era ouvida sob o provavelmente alegre som de comensais italianos alcoolizados… Excetuando-se os saraus privados, o único local onde podia-se ouvir música em silêncio era nas igrejas. O ritual de deslocar-se até uma sala de concertos a fim de ouvir e ver silenciosamente a performance de orquestras, cantores e recitalistas é relativamente recente – começou há uns 150 anos. Sob uma forma mais barulhenta, a música popular aderiu a este ritual no século XX, porém hoje seus concertos visam mais a celebração do artista do que a finalidades “expressivas” ou “interpretativas”. Alguns radicais, como o extraordinário pianista canadense Glenn Gould (1932-1982) – cujas interpretações de Bach são até hoje difíceis de superar – trilharam o caminho inverso chegando ao extremo de abandonar suas carreiras de concertistas por não acreditarem mais que o formato de concertos e shows fosse aceitável, quando comparado às vantagens oferecidas pelos estúdios de gravação. Não obstante o abandono dos holofotes e dos aplausos – em seu caso sempre entusiásticos -, Gould seguiu pianista e continuou produzindo discos cada vez melhores; mesmo sem ter marcado um mísero concerto em seus 27(!) últimos anos de vida.

Glenn Gould acreditava que a tecnologia oferecida pelos estúdios o colocava mais próximo de seu ideal artístico, que colocava a técnica pianística em segundo plano. Apesar de ser um instrumentista absolutamente preciso e hábil, a impressão mais forte que temos ao ouvi-lo não é a do virtuosismo, mas a da expressividade. Com ele, pode-se ouvir a música. Gould pensava que existia somente uma interpretação perfeita de cada obra e que esta só poderia ser obtida em estúdio com auxílio da tecnologia.

A verdade é que as gravações revolucionaram inteiramente nossa abordagem à música. Em menos de um século, passamos do sarau ao CD, fomos do amadorismo afetuoso e comovedor de nossas residências (que bom se pudéssemos voltar no tempo, não?) ao sampler. Vejamos como:

1877: Thomas Edison constrói e dá nome ao primeiro fonógrafo, um aparelho que registra e reproduz sons, utilizando um cilindro de parafina.

1888: O disco envernizado substitui o cilindro de Edison.

1925: Aparece o primeiro toca-discos elétrico, que funcionava com discos de 78 rpm. Um movimento – cheio de chiados – de uma sonata de Beethoven poderia ocupar vários discos… Meu pai tinha o Op. 111 do compositor alemão em 8 discos ou 16 lados de discos 78 rpm!

1940: O acetato e o verniz começam a ser substituídos pela fita magnética.

1948: Surge o LP, que podia receber até 30 minutos de música (uma sinfonia de Mozart!) de cada lado. Todos os discos de 78 rotações deveriam ser jogados fora. (Este é outro assunto…)

1958: O som estereofônico torna obsoletas as gravações anteriores, feitas em mono. Chegou a vez de jogar fora tudo o que não era estéreo.

1965: A fita cassete ameaça o disco, mas não o vence.

1979: Aparecem as fitas digitais (DAT) com som semelhante ao do CD; isto é, muito mais claras do que tudo o que já havia surgido antes.

1983: Chega o CD, mais uma vez desvalorizando todas as outras gravações realizadas em outros meios.

Gould falava em quão recente era a supostamente eterna tradição das salas de concerto e ridicularizava vários de seus aspectos. Por que haveria de ser necessário atravessar a cidade – talvez com chuva ou sem a vestimenta adequada -, para ir sentar- com hora marcada -, em cadeiras normalmente piores do que as de nossas casas, a fim de ouvir o mesmo velho e conhecido repertório tocado com acompanhamento de sussurros e tosses? Segundo ele, a única coisa que mantinha viva a tradição dos concertos era a oligarquia do mundo dos negócios musicais, acrescida do que Gould chamava de “uma afetuosa, ainda que às vezes frustrante, característica humana: a relutância em aceitar as conseqüências de uma nova tecnologia.”

Eu, modestamente, adoro ir a concertos. Amo aquela celebração dedicada aos músicos e à música; mas concordo com Gould em muitas coisas. É complicado sair de casa para ver, muitas vezes, concertos constrangedoramente inferiores àquilo que temos em nossa discoteca. Outra coisa triste é o conservadorismo do repertório apresentado: principalmente no Brasil, considera-se que estejamos eternamente “educando o público para a música erudita”. Com este argumento, as orquestras obtém o aval para apresentarem somente o mainstream do repertório. (Há as exceções, mas são raras…) Enquanto isto, o LP e o CD abriram um leque de opções que mudaram nosso conhecimento musical. Obras extraordinárias puderam voltar a fazer parte de nossa cultura, grande parte da música de câmara (música escrita para pequenos grupos de instrumentistas) e da música antiga, inadequadas para as grandes salas, voltaram através dos discos.

Houve uma importante alteração na maneira de tocar a música e, por conseguinte, de ouvi-la e compreendê-la. Uma vez que, no estúdio, os músicos não tinham mais de preencher os grandes espaços das salas de concerto com som, todo o processo de fazer música passou a colocar mais ênfase na clareza e beleza do fraseado. Os microfones que fizessem o resto! Os antigos instrumentos – de som mais fraco – retornaram à vida e surgiram as gravações com interpretações históricas, utilizando instrumentos de época, que respeitam a dinâmica e a forma original das obras.

Ainda dá para brigar a favor ou contra estas opiniões de Gould ou estão definitivamente superadas?

Observação: A maior parte dos argumentos aqui colocados livremente estão sistematizados no livro de Otto Friedrich Glenn Gould: A Life and Variations.

Agora, a qualidade do pianista:

Bach: French Suites, BWV 812-817

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)Suite No. 1 in D Minor, BWV 812
I. Allemande 1:31
II. Courante 1:03
III. Sarabande 2:50
IV. Menuett I 1:12
V. Menuett II 2:28
VI. Gigue 2:07

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)Suite No. 2 in C Minor, BWV 813
I. Allemande 2:35
II. Courante 2:08
III. Sarabande 2:16
IV. Air :54
V. Menuett :50
VI. Gigue 1:41

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)Suite No. 3 in B Minor, BWV 814
I. Allemande 1:34
II. Courante 1:10
III. Sarabande 1:39
IV. Menuett – Trio 2:01
V. Anglaise :49
VI. Gigue 1:39

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 815
I. Allemande 1:09
II. Courante 1:08
III. Sarabande 2:09
IV. Menuett, BWV 815a :56
V. Gavotte :45
VI. Air 1:04
VII. Gigue 1:53

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)Suite No. 5 in G Major, BWV 816
I. Allemande 1:47
II. Courante 1:16
III. Sarabande 2:52
IV. Gavotte :40
V. Bourée :48
VI. Loure 1:07
VII. Gigue 2:25

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)Suite No. 6 in E Major, BWV 817
I. Allemande 1:33
II. Courante 1:00
III. Sarabande 2:38
IV. Gavotte :36
V. Polonaise :54
VI. Menuett :47
VII. Bourée :58
VIII. Gigue 2:03

Glenn Gould, piano

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Johannes Brahms (1833-1897) – Complete Chamber Music (CD 1 de 11) Trio Nº 1, Op. 8, e Trio para Trompa, Op. 40

Com este link, F.D.P. Bach inicia de forma sistemática a integral da obra de câmara de Brahms.

O fato de eu não lembrar do Trio Nº1 não significa que ele seja inferior. Mas garanto que o Trio para Trompa, Violino e Piano é uma obra-prima!

Em tempo: F.D.P. Bach vem em meu auxílio. A composição do Trio nº1, op. 8 foi iniciada com Brahms iniciou ainda jovem, quando frequentava a casa do casal Schumann em Düsseldorf. Ele nunca a apresentou em público, apenas alguns trechos para amigos mais próximos, incluíndo aí, é claro, o casal Schumann. Porém, nunca ficou satisfeito com o resultado. Ele o refez muitos anos mais tarde, 35 anos depois, para ser mais exato. De acordo com seu biógrafo Malcom MacDonald, a única idéia que permaneceu do original foram os acordes iniciais do piano, ainda no primeiro movimento. O restante foi todo refeito. Considero-a uma obra maior, de extrema profundidade e de um romantismo contido, porém facilmente perceptível. O Beaux Arts Trio dispensa apresentações. Creio que seja a melhor interpretração desta peça. Boa audição.

Como sempre faz, F.D.P. capricha na escolha da gravação. Leiam a relação dos músicos que executam os trios e sinta-se tranqüilo, pois não há outro jeito: qualquer gravação com esta turma sempre será referência para as outras.

Horn Trio in E flat, Op. 40:
1. Andante
2. Scherzo: Allegro
3. Adagio Mesto
4. Finale: Allegro Con Brio
Arthur Grumiaux (violin), Francis Orval (horn), Gyorgy Sebok (piano)

Piano Trio No. 1 in B major, Op. 8:
1. Allegro con brio
2. Scherzo: Allegro molto
3. Adagio
4. Allegro
Bernard Greenhouse (cello), Daniel Guilet (violin) e Menahem Pressler (piano); ou seja, o Beaux Arts Trio em sua formação original.

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Georg Friederich Händel (1685-1759) – O Triunfo do Tempo e do Desengano

O anúncio da estréia dizia:

IL TRIONFO DEL TEMPO E DEL DISINGANNO

Oratorio in 2 parti
Libretto di Benedetto Pamphili

Musica di Georg Friedrich Händel

Roma, Collegio Clementino , giugno 1707

PERSONAGGI VOCI
BELLEZZA Soprano (Beauty)
PIACERE Soprano (Pleasure)
DISINGANNO Alto (Disillusion)
TEMPO Tenor (Time)


Direttore: Arcangelo Corelli

Com este nome, poderia ser um oratório existencialista com o tempo e o desengano (ou verdade, ou desilusão) triunfando sobre a beleza e o prazer.

Mas não, é um belíssimo oratório de Händel, muito pouco divulgado. O compositor, aos 22 anos, estava na Itália quando escreveu este que foi o primeiro de seus muitos oratórios. Curiosamente, foi também o último, pois ele o reescreveu, traduzindo-o para o inglês com o nome de The Triumph of Time and Truth. No texto do oratório as personagens Beleza, Prazer, Desengano (ou Verdade) e Tempo discutem. É um tema bastante comum no repertório cheio de alegorias do barroco.

CD 1

1. Prima Parte. Son: Allegro – Adagio – Allegro
2. Prima Parte. Aria: Fido Specchio…
3. Prima Parte. Recitativo
4. Prima Parte. Aria: Fosco Genio, E Nero Duolo Mai Non Vien Per Esser Solo…
5. Prima Parte. Recitativo
6. Prima Parte. Aria: Se La Bellezza Perde Vaghezza…
7. Prima Parte. Recitativo
8. Prima Parte. Aria: Un Schiera Di Piaceri
9. Prima Parte. Recitativo
10. Prima Parte. Aria: Urne Voi, Che Racchiudete Tante Belle…
11. Prima Parte. Recitativo
12. Prima Parte. Duetto: Il Voler Nel Fior Degl’anni…
13. Prima Parte. Recitativo
14. Prima Parte. Aria: Un Pensiero Nemico Di Pace…
15. Prima Parte. Recitativo
16. Prima Parte. Aria: Nasce L’uomo, Ma Nasce Bambino…
17. Prima Parte. Aria: L’uomo Sempre Se Stesso Distrugge…
18. Prima Parte. Recitativo
19. Prima Parte. Son
20. Prima Parte. Aria: Un Leggiadro Giovinetto…
21. Prima Parte. Recitativo
22. Prima Parte. Aria: Venga Il Tempo…
23. Prima Parte. Aria: Crede L’uom Ch’egli Riposi…
24. Prima Parte. Recitativo
25. Prima Parte. Aria: Folle, Dunque Tu Sola Presumi…
26. Prima Parte. Recitativo
27. Prima Parte. Qt: Se Non Sei Piu Ministro Di Pene…

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CD 2

1. Seconda Parte. Recitativo
2. Seconda Parte. Aria: Chiudi, Chiudi I Vaghi Rai…
3. Seconda Parte. Recitativo
4. Seconda Parte. Aria: Io Sperai Trovar Nel Vero…
5. Seconda Parte. Recitativo
6. Seconda Parte. Aria: Tu Giurasti Di Mai Non Lasciarmi…
7. Seconda Parte. Recitativo
8. Seconda Parte. Aria: Io Vorrei Due Cori In Seno…
9. Seconda Parte. Recitativo
10. Seconda Parte. Aria: Piu Non Cura Valle Oscura…
11. Seconda Parte. Recitativo
12. Seconda Parte. Aria: E Ben Folle Quel Nocchier…
13. Seconda Parte. Recitativo
14. Seconda Parte. Qt: Voglio Tempo Per Risolvere…
15. Seconda Parte. Recitativo
16. Seconda Parte. Aria: Lascia La Spina…
17. Seconda Parte. Recitativo
18. Seconda Parte. Aria: Voglio Cangiar Desio…
19. Seconda Parte. Recitativo
20. Seconda Parte. Aria: Chi Gia Fu Del Biondo Crine…
21. Seconda Parte. Recitativo
22. Seconda Parte. Aria: Ricco Pino Nel Cammino…
23. Seconda Parte. Recitativo
24. Seconda Parte. Duetto: Il Bel Pianto Dell’aurora Che S’indora…
25. Seconda Parte. Recitativo
26. Seconda Parte. Aria: Come Nembo Che Fugge Col Vento…
27. Seconda Parte. Recitativo Accompagnato
28. Seconda Parte. Aria: Tu Del Ciel Ministro Eletto…

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Il trionfo del Tempo e del Disinganno, oratorio, HWV 46a
Composé par George Frideric Handel
Joué par Les Musiciens de Louvre
avec Nathalie Stutzmann, Jennifer Smith, John Elwes, Isabelle Poulenard
Dirigé par Marc Minkowski

Franz Liszt (1811-1886) – Os Dois Concertos para Piano

Por FDP Bach: Sviastoslav Richter foi um grande pianista, um dos grandes do século XX. Esta gravação dos concertos de Liszt é histórica, realizada ainda na década de 60, ao lado de outro grande russo, Kiril Kondrashin, que rege a Filarmônica de Londres. Creio que o grande trunfo da dupla Richter/Kondrashin nestas gravações é seu pleno controle da execução, de uma meticulosidade impressionante. Richter não se deixa envolver por demais com a estrutura romântica da obra, a interpreta com racionalidade, diferentemente de outros intérpretes, que resolvem se jogar de corpo e alma na execução. Espero que apreciem.

Por PQP Bach: Curta nota sobre a obra pianística de Liszt: Apesar do pouco sucesso de quase todas as suas obras orquestrais e corais, Liszt seguiu com coerência ferrenha, certo de que estava a produzir para o futuro. E ele realizou-se plenamente apenas na música para piano, seu instrumento. Ainda assim é bom não levar em conta grande parte dela. As variações e fantasias sobre melodias de óperas são medonhas, assim como as danças e as valsas da moda. São músicas de virtuosismo vazio, que apenas serviam como suporte para os concertos do super-astro do teclado que foi Liszt durante boa parte de sua vida. Porém, os dois Concertos para Piano, as peças poéticas Années de péerinage e as Harmonies poétiques et religieuses e, principalmente, a incontestabilíssima Sonata para Piano em Si Menor, são outra conversa.

Liszt: The Two Piano Concertos

1. Piano Concerto No. 1 In E flat: 1. Allegro maestoso
2. Piano Concerto No. 1 In E flat: 2. Quasi adagio
3. Piano Concerto No. 1 In E flat: 3. Allegretto vivace – Allegro animato
4. Piano Concerto No. 1 In E flat: 4. Allegro marziale animato

5. Piano Concerto No. 2 In A: Adagio sostenuto assai – Allegro agitato assai
6. Piano Concerto No. 2 In A: Allegro moderato
7. Piano Concerto No. 2 In A: Allegro deciso – Marziale un poco meno allegro
8. Piano Concerto No. 2 In A: Allegro animato

Composed by Franz Liszt
Performed by London Symphony Orchestra with
Sviatoslav Teofilovich Richter
Conducted by Kiril Kondrashin

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J.S.Bach (1685-1750) – Cantatas Profanas (2 de 8 CDs)

Três excelentes cantatas-solo, principalmente a BWV 202 (Cantata do Casamento). Destaque especial para a primeira ária, em que “vê-se” o lento caminhar da noiva. Um espanto!

Weichet nur, betrubte Schatten, BWV 202, “Wedding Cantata”
01. Aria: Weichet nur, betrubte Schatten (Soprano) 06:00
02. Recitative: Die Welt wird wieder neu (Soprano) 00:27
03. Aria: Phoebus eilt mit schnellen Pferden (Soprano) 02:59
04. Recitative: Drum sucht auch Amor sein Vergnugen (Soprano) 00:34
05. Aria: Wenn die Fruhlingslufte streichen (Soprano) 02:20
06. Recitative: Und dieses ist das Glucke (Soprano) 00:37
07. Aria: Sich uben im Lieben (Soprano) 04:17
08. Recitative: So sei das Band der keuschen Liebe (Soprano) 00:25
09. Gavotte: Sehet in Zufriedenheit (Soprano) 01:38
Sibylla Rubens, soprano
Stuttgart Bach Collegium

Amore traditore, BWV 203
10. Aria: Amore traditore (Bass) 05:19
11. Recitative: Voglio provar (Bass) 00:40
12. Aria: Chi in amore ha nemica la sorte (Bass) 05:13
Dietrich Henschel, bass / Michael Behringer, harpsichord

Ich bin in mir vergnugt, BWV 204
13. Recitative: Ich bin in mir vergnugt (Soprano) 01:45
14. Aria: Ruhig und in sich zufrieden (Soprano) 06:41
15. Recitative: Ihr Seelen, die ihr ausser euch stets in die Irre lauft (Soprano) 02:05
16. Aria: Die Schatzbarkeit der weiten Erden (Soprano) 04:08
17. Recitative: Schwer ist es zwar, viel Eitles zu besitzen (Soprano) 01:57
18. Aria: Meine Seele sei vergnugt (Soprano) 05:32
19. Recitative: Ein edler Mensch ist Perlenmuscheln gleich (Soprano) 01:55
20. Aria: Himmlische Vergnugsamkeit (Soprano) 04:41
Sibylla Rubens, soprano

Stuttgart Bach Collegium
Helmuth Rilling, conductor

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Por amor ao contraditório

Tão infindáveis quanto as discussões sobre política ou futebol são as comparações entre interpretações de música erudita. Na opinião deste P.Q.P. Bach, tão bom quanto descobrir uma nova obra é comparar gravações. Àqueles estranhos a este mundo deve parecer curioso falar no “Beethoven de Karajan”, no “Bach de Gould”, no “Bruckner de Jochum” ou no “Mozart de Maria João Pires”. Eles também ignoram que há pessoas dispostas a matar ou roubar para defender Otto Klemperer ou qualquer outro como o maior de todos os maestros interpretando determinada obra… Os amantes da ópera costumam ser piores ainda neste quesito, pois são obrigados a recorrer a incríveis analogias a fim de descrever sua opinião acerca de um agudo de um soprano, por exemplo. Já vi pessoas romperem definitivamente por causa de Maria Callas.

Muitas vezes tais discussões advém realmente de diferenças de concepção deste ou daquele músico ou cantor, porém, outras vezes, alguns registros são defendidos apenas por alguns compassos em que fulano ou sicrano foi, na opinião do ouvinte, sublime.

A fim de este hábito não se perca, P.Q.P. Bach irá contrapor outra gravação ao Op. 25 de Brahms, recentemente disponibilizado por F.D.P. Bach. Deixo aqui para vocês a esplêndida interpretação do Trio Beaux Arts mais o violista Walter Trampler. Não sei se F.D.P. teria a gravação deste conjunto para o Op. 60. Se tivesse, gostaria que ele nos permitisse ouvir, pois… pois… bem, quero fazer uma comparação entre os andantes do Rubinstein e do Beaux Arts, ora.

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Johannes Brahms (1833-1897) – Quartetos para Piano Op. 25 e 60

F.D.P. Bach voltou impossível das férias e nos mandou uma gravação obrigatória. A célebre gravação do pianista romântico Artur Rubinstein com o Guarneri Quartet dos quartetos para piano de Brahms. É notável o quanto o estilo dos executantes adapta-se à música de Brahms. Estes quartetos prescindem de maiores comentários: são música profunda, de primeiríssima qualidade e merecidamente conhecidos e louvados. Estou ouvindo o Rondo alla zingarese do Op. 25 e sinto certa taquicardia. Que bom! FDP voltou a incluir no arquivo as imagens da capa e dos encartes do CD original. Olha, um show.

Em tempo: nas próximas semanas, F.D.P. Bach nos levará a um tour completo pela música de câmara de Brahms. Teremos as sonatas para piano, as para violino e piano, violoncelo e piano, clarinete e piano, os trios, os quartetos, quintetos, septetos, etc. Preparem-se; fugindo dos trocadilhos, será um verdadeiro porre brahmsiano. Afinal, sabemos que o que todo mundo quer é um carnaval com Brahms, o número 1 (ai, não resisti).

1. Piano Quartet No. 1 (Op. 25): Allegro
2. Piano Quartet No. 1 (Op. 25): Intermezzo: Allegro ma non troppo; Trio Animato
3. Piano Quartet No. 1 (Op. 25): Andante con moto: Animato
4. Piano Quartet No. 1 (Op. 25): Rondo alla zingarese: Presto; Meno presto; Molto presto
5. Piano Quartet No. 3 (Op. 60): Allegro ma non troppo
6. Piano Quartet No. 3 (Op. 60): Scherzo: Allegro
7. Piano Quartet No. 3 (Op. 60): Andante
8. Piano Quartet No. 3 (Op. 60): Allegro

Artur Rubinstein, piano;
Membros do Quarteto Guarneri.

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Concerto para Piano, Trompete e Cordas, Op. 35 (1933)

Shostakovich foi excelente pianista. Poderia ter feito carreira como virtuose, mas, para nossa sorte, escolheu compor. Foi o vencedor do internacional Concurso Chopin de 1927 e fazia apresentações regulares executando seus trabalhos. O pequeno número de gravações do próprio compositor como pianista talvez deva-se ao fato de ele ter perdido parcialmente os movimentos de sua mão direita ao final dos anos sessenta.

Este concerto é realmente espetacular. Era uma boa época para os concertos para piano. O de Ravel aparecera um ano antes, assim como o 5º de Prokofiev. É coincidente que os três sejam alegres, luminosos, divertidos mesmo. Com quatro movimentos, sendo o primeiro muito melodioso e gentil, os dois centrais lentos e o último capaz de provocar gargalhadas, é um grande concerto. A participação de um trompetista meio espalhafatoso é fundamental, assim como de um pianista que possa fazer rapidamente a conversão entre a música de cabaré e a música militar exigidas no último movimento. Uma vez, assistindo a uma apresentação, vi como as pessoas sorriam durante a audição deste movimento. Não há pontos baixos neste maravilhoso concerto, que ainda traz, em seu segundo movimento, um lindíssimo solo para trompete, além de uma cadenza esplêndida, de ecos beethovenianos.

Shostakovich foi o pianista de sua estréia, em 1933, na cidade de Leningrado.

Piano Concerto No. 1 in C minor, Op. 35
Performed by:New Zealand Symphony Orchestra
Conducted by:Christopher Lyndon-Gee
Michael Houstoun, piano

I. Allegretto – Allegro Vivace – Moderato – 06:31
II. Lento – 08:31
III. Moderato 01:42
IV. Allegro con brio 06:54

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Cantatas BWV 65, 123, 154 e 124

Atendendo a pedidos, disponibilizamos o Vol. 21 das Cantatas Completas de meu pai, por Helmuth Rilling. Dois músicos nos solicitaram Cantatas – a 65 e a 123 – que, por pura coincidência estão presentes no mesmo volume.

01 BWV 65 – 1 [Coro] Sie werden aus Saba alle kommen
02 BWV 65 – 2 [Choral] Die Kön’ge aus Saba kamen dar
03 BWV 65 – 3 [Recitativo Basso] Was dort Jesaias vorhergesehn
04 BWV 65 – 4 [Aria Basso] Gold aus Ophir ist zu schlecht
05 BWV 65 – 5 [Recitativo Tenore] Verschmähe nicht
06 BWV 65 – 6 [Aria Tenore] Nimm mich dir zu eigen hin
07 BWV 65 – 7 [Choral] Ei nun, mein Gott, so fall ich dir
08 BWV 123 – 1 [Coro] Liebster Immanuel, Herzog der Frommen
09 BWV 123 – 2 [Recitativo Alto] Die Himmelssüßigkeit
10 BWV 123 – 3 [Aria Tenore] Auch die harte Kreuzesreise
11 BWV 123 – 4 [Recitativo Basso] Kein Höllenfeind kann mich versc
12 BWV 123 – 5 [Aria Basso] Laß, o Welt, mich aus Verachtung
13 BWV 123 – 6 [Choral] Drum fahrt nur immer hin
14 BWV 154 – 1 [Aria Tenore] Mein liebster Jesus ist verloren
15 BWV 154 – 2 [Recitativo Tenore] Wo treff ich meinen Jesum an
16 BWV 154 – 3 [Choral] Jesu, mein Hort und Erretter
17 BWV 154 – 4 [Aria Alto] Jesus, laß dich finden
18 BWV 154 – 5 [Arioso Basso] Wisset ihr nicht, daß ich sein muß
19 BWV 154 – 6 [Recitativo Tenore] Dies ist die Stimme meines Freun
20 BWV 154 – 7 [Duetto Alto e Tenore] Wohl mir, Jesus ist gefunden
21 BWV 154 – 8 [Choral] Meinen Jesum laß ich nicht
22 BWV 124 – 1 [Coro] Meinen Jesum laß ich nicht
23 BWV 124 – 2 [Recitativo Tenore] Solange sich ein Tropfen Blut
24 BWV 124 – 3 [Aria Tenore] Und wenn der harte Todesschlag
25 BWV 124 – 4 [Recitativo Basso] Doch ach, welch schweres Ungemach
26 BWV 124 – 5 [Duetto Soprano e Alto] Entziehe dich eilends
27 BWV 124 – 6 [Choral] Jesum laß ich nicht von mir

Helen Donath (Sopran), Arleen Augér (Sopran), Helen Watts (Alt), Marga Hoeffgen (Alt), Adalbert Kraus (Tenor), Aldo Baldin (Tenor), Kurt Equiluz (Tenor), Niklaus Tüller (Bass), Wolfgang Schöne (Bass), Philippe Huttenlocher (Bass);
Gächinger Kantorei Stuttgart;
Bach Collegium Stuttgart;
Helmuth Rilling (Leitung).

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Oratório de Natal (Completo)

Prezados, mando-lhes um presente de natal especial, que deve ser apreciado com toda concentração e absorção espiritual necessárias, ainda mais nesta época do ano. A indicação da obra é para ser interpretada no primeiro dia de Natal, mas isso não significa que teremos de ficar esperando o resto do ano para ouvi-la, visto tratar-se de obra fundamental do repertório bachiano. Além dos links desta excelente versão de Helmuth Rilling, segue também link para o libreto que acompanha esta gravação, em arquivo PDF, com todas as informações necessárias sobre ela, além do texto, traduzido para várias línguas.

Aproveito e mando a todos um Feliz Natal e um excelente 2007.
Fritz Dietrich Putz Bach

Maravilhosa gravação postada pelo mano FDP. O Oratório de Natal é, coincidentemente à postagem anterior, uma obra dividida em seções. São seis Cantatas que atualmente costumam aparecer separadamente em salas de concertos ou igrejas. Elas foram compostas para o Natal de 1734. Ninguém tenta apresentá-las juntas, pois então teríamos uma função de mais de 3 horas e poucos crentes (em Deus, em Bach ou nos dois) estão dispostos a deixar seus traseiros tão severamente quadrados. No ano passado, assisti a um concerto em que eram interpretadas as Cantatas de Nro. 1, 2 e 6. Mesmo considerando que minha religião é a da música e minha igreja a sala de concertos, garanto-lhes que a beleza e a originalidade destas obras, desdobrando-se à frente de todos, levam qualquer cético à dúvida. A postagem de mestre Buxtehude seguido do “aluno” Bach, é curiosa, pois permite que avaliemos quão longe este foi. Parece ser música de outra era, mas não é, é de outra esfera.

Boas festas.
P.Q.P. Bach

Libreto: BAIXE AQUI

Disco 1: BAIXE AQUI

Disco 2: BAIXE AQUI

Disco 3: BAIXE AQUI

Gächinger Kantorei (Ensemble)
Rubens, Sibylla (Solist)
Danz, Ingeborg (Solist)
Taylor, James (Solist)
Ullmann, Marcus (Solist)
Müller-Brachmann, Hanno (Solist)
Bach-Collegium Stuttgart (Orchester)
Rilling, Helmuth (Regência)

Disc: 1
1. Christmas Oratorio, BWV248: Part I – Coro: Jauchzet, frohlocket, auf preiset die Tage
2. Christmas Oratorio, BWV248: Part I – Evangelista: Es begab sich aber zu der Zeit
3. Christmas Oratorio, BWV248: Part I – Recitativo (A): Nun wird mein liebster Brautigam
4. Christmas Oratorio, BWV248: Part I – Aria (A): Bereite dich, Zion, mit herrlichen Trieben
5. Christmas Oratorio, BWV248: Part I – Choral: Wie soll ich dich empfangen
6. Christmas Oratorio, BWV248: Part I – Evangelista: Und sie gebar ihren essten Sohn
7. Christmas Oratorio, BWV248: Part I – Choral (S) e Recitativo (B): Er ist auf Erden kimmen arm
8. Christmas Oratorio, BWV248: Part I – Aria (B): Grosser Herr, o starker Konig
9. Christmas Oratorio, BWV248: Part I – Choral: Ach, mein hrezliebes Jesulein

10. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Sinfonia
11. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Evangelista: Und es waren Hirten in derselben Gegend
12. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Choral: Brich an, o schones Morgenlicht
13. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Evangelista (+ Recitativo S): Und der Engel sprach zu ihnen
14. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Recitativo (B): Was Gott dem Abraham verheissen
15. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Aria (T): Frohe Hirten, eilt, ach eilet
16. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Evangelista: Und das habt zum Zeichen
17. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Choral: Schaut hin, dort liegt im finstern Stall
18. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Recitativo: Sogeht denn hin, ihr Hirten, geht
19. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Aria (A): Schlafe, mein Liebster, geniesse der Ruh
20. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Evangelista: Und alsobald war da
21. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Coro: Ehre sei Gott in der Hohe
22. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Recitativo (B): So recht, ihr Engel, jauchzt und singet
23. Christmas Oratorio, BWV248: Part II – Choral: Wir singen dir in deinem Heer

Disc: 2
1. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Coro: Herrscher des Himmels, erhore das Lallen
2. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Evangelista: Und da die Engel von iihnen gen Himmel fuhren
3. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Coro: Lasset uns nun gehen gen Bethlehem
4. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Recitativo (B): Er hat sein Volk getrost
5. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Choral: Dies hat er alles uns gatan
6. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Aria Duetto (S, B): Herr, dein Mitleid, dein Erbarmen
7. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Evangelista: Und sie Kamen eilend
8. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Aria (A): Schliesse, mein Herze, dies selige Wunder
9. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Recitativo (A): Ja, ja, mein Herz soll es bewahren
10. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Choral: Ich will dich mit Fleiss bewarhen
11. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Evangelista: Und die Hirten kehrten wieder um
12. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Choral: Seid froh dieweil
13. Christmas Oratorio, BWV248: Part III – Coro: Herrscher des Himmels, erhore das Lallen

14. Christmas Oratorio, BWV248: Part IV – Coro: Fallt mit Danken, fallt mit Loben
15. Christmas Oratorio, BWV248: Part IV – Evangelista: Und da acht Tage um waren
16. Christmas Oratorio, BWV248: Part IV – Recitativo (B) con Choral (S): Immanuel, o susses Wort
17. Christmas Oratorio, BWV248: Part IV – Aria (S, Echo): Flosst, mein Heiland, flosst dein Namen
18. Christmas Oratorio, BWV248: Part IV – Recitativo (B) con Choral (S): Wohlan, dein Name soll allein
19. Christmas Oratorio, BWV248: Part IV – Aria (T): Ich will nur zu Ehren leben
20. Christmas Oratorio, BWV248: Part IV – Choral: Jesus, richte mein Beginnen

Disc: 3
1. Christmas Oratorio, BWV248: Part V – Coro: Ehre sei dir, Gott, gesungen
2. Christmas Oratorio, BWV248: Part V – Evangelista: Da Jesus geboren war zu Bethlehem
3. Christmas Oratorio, BWV248: Part V – Coro e Recitativo (A): Wo ist der neugeborne Konig der Juden
4. Christmas Oratorio, BWV248: Part V – Choral: Dein Glanz all Finsternis verzehrt
5. Christmas Oratorio, BWV248: Part V – Aria (B): Erleucht auch meine finstre Sinnen
6. Christmas Oratorio, BWV248: Part V – Evangelista: Da das der Konig Herodes horte
7. Christmas Oratorio, BWV248: Part V – Recitativo (A): Warum wollt ihr erschrecken
8. Christmas Oratorio, BWV248: Part V – Evangelista: Und liess versammlen alle Hohepriester
9. Christmas Oratorio, BWV248: Part V – Aria Terzetto (S, T, A): Ach, wenn wird die Zeit erscheinen
10. Christmas Oratorio, BWV248: Part V – Recitativo (A): Mein Liebster herrschet schon
11. Christmas Oratorio, BWV248: Part V – Choral: Zwar ist solche Herzensstube

12. Christmas Oratorio, BWV248: Part VI – Coro: Herr, wenn die stolzen Feinde schnauben
13. Christmas Oratorio, BWV248: Part VI – Evangelista: (Recitativo B): Da berief Herodes die Weisen heimlich
14. Christmas Oratorio, BWV248: Part VI – Recitativo (S): Du Falscher, suche nur den Herrn zu fallen
15. Christmas Oratorio, BWV248: Part VI – Aria (S): Nue ein Wink von seinen Handen
16. Christmas Oratorio, BWV248: Part VI – Evangelista: Als sie nun den Konig gehoret hatten
17. Christmas Orato
rio, BWV248: Part VI – Choral: Ich steh an deiner Krippen hier
18. Christmas Oratorio, BWV248: Part VI – Evangelista: Und Gott befahl ihnen im Traum
19. Christmas Oratorio, BWV248: Part VI – Recitativo (T): So geht! Genung, mein Schatz
20. Christmas Oratorio, BWV248: Part VI – Aria (T): Nun mogt ihr stolzen Feinde schrecken
21. Christmas Oratorio, BWV248: Part VI – Recitativo (S, A, T, B): Was will der Hollen Schrecken nun
22. Christmas Oratorio, BWV248: Part VI – Coro: Nun seid ihr wohl gerochen

Dietrich Buxtehude (1637-1707) – Membra Jesu Nostri

Membra Jesu Nostri é a homenagem deste ateu ao Natal. Trata-se de um ciclo de sete pequenas cantatas compostas em 1680. A letra, Salve mundi salutare – também conhecida como Rhythmica oratio – é um poema atribuído às vezes a São Bernardo de Claraval (1153), outras vezes a Arnulf de Louvain (1250), ambos da ordem cisterciense. Cada uma das sete partes em que se divide a obra é dedicada a uma parte do corpo crucificado de Jesus: pés, joelhos, mãos, costas, peito, coração e cabeça. É música sacra da melhor qualidade. F.D.P. Bach deve estar preparando também sua alusão à data: será o Oratório de Natal, composto por papai. Aguardem.

Sobre Buxtehude, tenho a dizer que era imenso compositor, organista admiradíssimo por meu pai – que viajou algumas vezes para encontrá-lo e vê-lo tocar – e que seria mais conhecido, não fora a presença sufocante de papai em nossa cultura. Entre nós, os mais jovens da família, era conhecido como tio Bux.

Membra Jesu Nostri – Ciclo de 7 Cantatas

1. Membra Jesu Nostri – Ad Pedes
2. Membra Jesu Nostri – Ad Genua
3. Membra Jesu Nostri – Ad Manus
4. Membra Jesu Nostri – Ad Latus
5. Membra Jesu Nostri – Ad Pectus
6. Membra Jesu Nostri – Ad Cor
7. Membra Jesu Nostri – Ad Faciem

Sir John Eliot Gardiner, regência;
Monteverdi Choir;
English Baroque Soloists.

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Gustav Mahler (1860 – 1911) – Das klagende Lied

Em 1881, com 21 anos, inscreveu-se para o Prêmio Beethoven, que fora instituído pela Sociedade dos Amigos da Música (Gesellshaft der Musikfreund). Podiam participar do concurso alunos e ex-alunos do Conservatório de Viena. O júri contava com Hans Richter, Carl Goldmark e Johannes Brahms. Mahler disputou com a cantata Das klagende Lied, uma obra dramática que tinha escrito com entusiasmo, mas perdeu, é claro. Brahms odiava as enormidades musicais de Wagner e Bruckner, era hostilíssimo a eles; então, como deixaria aquele Mahler vencer? Perdeu, é claro, e os 500 florins do prêmio foram para outro. Porém nós, que amamos todos os citados e pouco temos a ver com as questões do final do século XIX, podemos dizer que Mahler estreou com uma extraordinária obra: Das klagende Lied, ou A Canção do Lamento. Aproveite, este trabalho não é muito fácil de se achar por aí.

1. Das Klagende Lied: Waldmärchen 28:31
2. Das Klagende Lied: Der Spielmann 17:35
3. Das Klagende Lied: Hochzeitstück 18:57

Conductor: Simon Rattle
Performers: Helena Dose (Soprano), Alfreda Hodgson (Mezzo Soprano), Robert Tear (Tenor), Sean Rea (Baritone)
City of Birmingham Symphony Orchestra
Ensemble City of Birmingham Symphony Orchestra Chorus
Recording Date 1985

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonias Nros. 5 e 7

No mar de gravações disponíveis das sinfonias de Beethoven, quase todo mundo tem suas preferências. Por isto, é surpreendente que as gravações do berlinense Carlos Kleiber (1930-2004) tenham se tornado um consenso nos últimos anos. Excêntrico e considerado um gênio por outros regentes, Kleiber tinha um repertório menor do que o comum dos maestros, os quais costumam aceitar qualquer empreitada. Gravou poucas óperas e poucos autores sinfônicos, mas suas intervenções, principalmente em Beethoven e Brahms, mereceram sempre os elogios mais rasgados. A gravação da 5ª Sinfonia de Beethoven, vinda diretamente do acervo de F.D.P. Bach, rebebeu considerações nestes termos: “É como se Homero tivesse retornado para nos recitar a Ilíada”.

E, bem, trata-se de um Homero de extraordinária energia e entusiasmo. Não poderíamos iniciar melhor a participação de Beethoven no P.Q.P. Bach.

1. Symphony No. 5 In C Minor, Op. 67: 1 – Allegro con brio
2. Symphony No. 5 In C Minor, Op. 67: 2 – Andante con moto
3. Symphony No. 5 In C Minor, Op. 67: 3 – Allegro
4. Symphony No. 5 In C Minor, Op. 67: 4 – Allegro

5. Symphony No. 7 In A Major, Op. 92: 1 – Poco sostenuto – vivace
6. Symphony No. 7 In A Major, Op. 92: 2 – Allegretto
7. Symphony No. 7 In A Major, Op. 92: 3 – Presto
8. Symphony No. 7 In A Major, Op. 92: 4 – Allegro con brio

Vienna Philharmonic Orchestra
Reg.: Carlos Kleiber

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Em tempo, chega-me uma carta – pois trata-se de pessoa antiquada e de hábitos profundamente arraigados – de F.D.P. Bach, que transcrevo ipsis litteris.

Mando aqui os links do You Tube para esta versão fantástica do Kleiber para a sétima sinfonia do gênio de Bonn. Diga aos seus leitores que FDP Bach, passeando por Amsterdam certa vez, teve a oportunidade de assistir a esta apresentação e foi apreciá-la. Conhecedor profundo da obra, e grande amigo de Ludwig, com o qual tomou tomaram muitos chops, reconheceu em Kleiber um legítimo intérprete destas obras, e após a apresentação, fez questão de comparecer aos camarins e felicitá-lo pelo espetáculo. Comentou ainda que, se vivo ainda fosse, Ludwig faria questão de também parabenizá-lo.

Repare no final do 4º e último movimento a alegria e o sorriso estampados no rosto do regente, como se tivesse a certeza de dever cumprido, e de que aqueles momentos realmente tinham sido muito especiais. Como comentei em carta anterior, me arrepio cada vez que o assisto.

Outra coisa, para uma melhor apreciação, sugiro aos leitores salvar estes arquivos através deste site. Assim poderão assisti-los quando quiserem sem o inconveniente das travadas tradicionais que estes vídeos do youtube dão quando estamos ouvindo e baixando ao mesmo tempo. É bem simples:basta colar o link naquele espaço e mandar fazer o donwload. Logo ele irá perguntar em qual local será salvo o arquivo. Aí, basta salvar o arquivo com a extensão .flv e apreciá-lo. Eis os links:

1º movimento – 1ª parte

1º movimento – 2ª parte

2º movimento

3º movimento

4º movimento

Abraços, e uma boa semana.
Franz Dietrich Putz Bach.

Witold Lutoslawski (1913-1994) – Concerto para Orquestra

Lutoslawski foi muito influenciado por Bartók. Considerava que ele e todos os compositores modernos tinham um enorme débito para com o húngaro. Chegou a dedicar obras a Bartók, como a “Música Fúnebre para Cordas”, de 1958. Gosto muito deste concerto feito sobre temas folclóricos polacos. O terceiro movimento – Passacaglia, Toccata e Corale – é notável.

1. Concerto Pour Orchestre : Intrada
2. Concerto Pour Orchestre : Capriccio, Notturno e Arioso
3. Concerto Pour Orchestre : Passacaglia, Toccata e Corale

Royal Stockholm Philharmonic Orchestra
Reg.: Andrew Davis

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As Oito Estações – As Quatro Italianas de Vivaldi e as Quatro Portenhas de Piazzola

– Oito estações? Vivaldi e Piazzolla? O quê? O PQP nos vem com As Quatro Estações de Vivaldi?

Parece que ouço alguns apupos na platéia. Respondo-lhes que estou tão preocupado com as vaias que dormirei na pia hoje. Se algum de vocês torceu o nariz para o lugar-comum representado pelas Quattro Stagioni vivaldianas, deveriam ouvir antes a espetacular versão desta orquestra de Salzburgo regida por um portoalegrense – sim, Lavard Skou-Larsen nasceu em Porto Alegre. Não, ele não é de família árabe, seus pais são dinamarqueses que tocavam na OSPA (Orq. Sinf. de P. Alegre). Como se não bastasse, o programa inclui o super-hiper-ultra filé de “Las Quatro Estaciones Porteñas” de Piazzolla. A versão orquestral, preparada por José Bragato, é simplesmente o máximo.

Já vi os Salzburger Chamber Soloists em ação no palco. É uma orquestra entusiasmada, de altíssimo nível e algo espalhafatosa. Poucas vezes vi tanta entrega à música. E não conheço versão mais feliz e extravagante destes Concertos de Vivaldi, nem mais adequadas ao espírito latino de Piazzolla. Ouçam e revisem seus preconceitos. Nunca é tarde…

:¬))

The Eight Seasons

1 Antonio Vivaldi: La Primavera op. 8 No.1 “Allegro” (03:28)
2 Antonio Vivaldi: La Primavera op. 8 No.1 “Largo e pianissimo” (02:24)
3 Antonio Vivaldi: La Primavera op. 8 No.1 “Danza pastorale. Allegro” (04:27)
4 Antonio Vivaldi: L’estate op. 8 No.2 “Allegro má non molto” (06:29)
5 Antonio Vivaldi: L’estate op.8 No.2 “Adagio – Presto” (02:23)
6 Antonio Vivaldi: L’estate op.8 No.2 “Presto” (02:33)
7 Antonio Vivaldi: L’Autunno op.8 no.3 “Allegro” (05:30)
8 Antonio Vivaldi: L’Autunno op.8 no.3 “Adagio molto” (03:11)
9 Antonio Vivaldi: L’Autunno op.8 no.3 “Allegro” (03:31)
10 Antonio Vivaldi: L’inverno op.8 No.3 “Allegro non molto” (03:31)
11 Antonio Vivaldi: L’inverno op.8 No.3 “Largo” (01:35)
12 Antonio Vivaldi: L’inverno op.8 No.3 “Allegro” (03:44)
13 Astor Piazzolla: Primavera Portena – Allegro (05:55)
14 Astor Piazzolla: Verano Porteno – Allegro Moderato (12:06)
15 Astor Piazzolla: Otono Porteno – Allegro Moderato (06:33)
16 Astor Piazzolla: Invierno Porteño – Lento (08:37)

Violinista e Regente: Lavard Skou-Larsen
Salzburg Chamber Soloists

Tempo Total: 75min09

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