Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Concerto nº 1, op. 15 e nº2 , op. 19

Aqui começo a postar a integral dos concertos para piano de Beethoven, obras fundamentais no repertório pianístico de qualquer intérprete. São daquelas obras ditas essenciais, que estabeleceram padrões na história da música universal.
Vivendo em um período de mudanças, Beethoven melhor que ninguém soube captar e adaptar estas mudanças ás suas obras.
Começando pelo começo, com o perdão da redundância, teremos nesta postagem os Concertos nº 1 e nº 2. Ainda mozartianos/haydnianos em sua concepção, já mostram a faceta do gênio que ira revolucionar o mundo.
Para estas grandes obras, obviamente temos de ter grandes intérpretes. Demorei para decidir qual das integrais de minha coleção iria postar…. Gould, Brendel, Kempff, Arrau… até que caiu-me essa maravilha nas mâos: o grande Maurizio Pollini, um dos maiores intérpretes de Beethoven da atualidade,acompanhado por Claudio Abbado, à frente da Filarmônica de Berlim… para que pedir mais? Mas vamos ao que interessa.

P.S. Pollini se manteve fiel ao mestre: as cadenzas são do próprio Beethoven.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concertos para piano nº 1, op. 15 e nº2, op; 19

1 – No. 1, Op. 15 – I. Allegro con brio
2 – No. 1, Op. 15 – II. Largo
3 – No. 1, Op. 15 – III. Rondo. Allegro
4 – No. 2, Op. 19 – I. Allegro con brio
5 – No. 2, Op. 19 – II. Adagio
6 – No. 2, Op. 19 – III. Rondo. Molto allegro

Maurizio Pollini – piano
Berliner Philarmoniker
Claudio Abbado – Director

BAIXE AQUI

Igor Stravinski (1882-1971) – Ebony Concerto e Dumbarton Oaks / Alban Berg (1885-1935)

Copiado com certa liberdade de “Música da Modernidade”, de J. Jota de Moraes, por P.Q.P. Bach.

Dedicado ao Trauriger Hund (Blue Dog).

Alban Berg foi o primeiro músico a ser aceito fora do reduzido círculo que efetivamente compreendia o sentido e o alcance das experiências levadas a cabo pela Segunda Escola de Viena. Durante aquele longo período em que Schoenberg era ridicularizado e tomado apenas como o esforçado inventor de uma rígida escolástica a qual de castrara inteiramente o élan romântico, época em que Webern era encarado apenas como um cerebralista vazio – um “compositor de papel”, já que suas obras, por conterem quase tantos silêncios quanto sons, deveriam preferencialmente ser lidas em partituras e não ouvidas em concertos -, Berg era louvado por revelar algo assim como “a alma humana de um sistema desumano”…

O Concerto de Câmara para Piano, Violino e 13 Instrumentos de Sopro é dominado por preocupações lúdico-numerológicas. Confessando a Schoenberg que “tudo o que é bom vem em três”, Berg explicava que a obra toda concretizava esse velho ditado germânico. Assim, são três os temas mostrados de início – anagramas sonoros correspondentes aos nomes dos integrantes da Segunda Escola de Viena (Arnold SCHoenBErg, Anton wEBErn e AlBAn BerG), a partir dos instrumentos pertencentes a três famílias: teclado (piano), cordas (violino) e sopros (diversos). Todo o restante – número de compassos, reunião dos instrumentos em três maneiras distintas, dodecafonia de retrogradação, inversão e inversão da retrogradação – segue o número três. Só que… é Berg, o talentoso e humano Berg; então, ele fica distante de Schoenberg e Webern ao aplicar à sua obra um extremado virtuosismo instrumental, de raiz nitidamente romântica.

Stravinski passou sua vida dialogando com a história. Seria insensato referir-se à música do século XX sem evocar seu nome. Sua personalidade controvertida, que parecia ver com certa ironia os valores antigos sendo demolidos à sua volta, suas idéias – nem sempre claras ou lógicas, mas sempre vívidas e bem humoradas -, que provocaram tanta repercussão e, sobretudo, sua vasta notável e heterogênea obra, apontam para uma obviedade: sem Stravinski, a história da arte musical do século XX teria sido definitivamente outra. Ele foi moderno, barroco, clássico, primitivo, neoclássico e até dodecafônico, e sempre relevante.

Stravinski dá a impressão de fazer com que a História se manifeste em suas obras enquanto retórica, por meio de uma escritura baseada fundamentalmente na paródia, pois o que é tradição em Stravinski quase nunca aparece citado ou transformado em pastiche, mas comentado, estranhado, profundamente parodiado… E, enquanto forma de reflexão até certo ponto distanciada, esse procedimento não estaria ligado à metalinguagem, à linguagem crítica?

Dumbarton Oaks e Ebony Concerto são obras muitíssimo ilustradoras da “esponja” (conforme um comentarista deste blog) que o compositor era. O barroco e o jazz aparecem subitamente transformados em outra coisa, muito diferente e brilhante. Neste CD absolutamente obrigatório, são as duas obras citadas as que mais me impressionam. Uma peça é fundamental para o neoclássico; a outra, para nossa diversão.

Chamber Concerto, for piano, violin, and 13 wind instruments

Composé par Alban Berg
avec Pinchas Zukerman, Daniel Barenboim
1. kammerkonzert für klavier und gelge mit 13 bläsern : thema scherzoso con variazioni
2. kammerkonzert für klavier und gelge mit 13 bläsern : adagio
3. kammerkonzert für klavier und gelge mit 13 bläsern : rondo ritmico con introduzione

Concerto for chamber orchestra in E flat major (“Dumbarton Oaks”)

Composé par Igor Stravinsky
Joué par InterContemporain Ensemble
avec Michel Arrignon
Dirigé par Pierre Boulez
4. konzert es-dur für kammer-orchester dumbarton oaks : i. tempo giusto
5. konzert es-dur für kammer-orchester dumbarton oaks : ii. allegretto
6. konzert es-dur für kammer-orchester dumbarton oaks : iii. con moto Instrumental

Miniatures (8), for 15 players

Composé par Igor Stravinsky
Joué par InterContemporain Ensemble
avec Michel Arrignon
Dirigé par Pierre Boulez
7. 8 instrumental-miniaturen für fünfzehn spieler – for fifteen players

Ebony Concerto, for clarinet & jazz band

Composé par Igor Stravinsky
Joué par InterContemporain Ensemble
avec Michel Arrignon
Dirigé par Pierre Boulez
8. ebony concerto : allegro moderato – andante – moderato – com moto – moderato – vivo

BAIXE AQUI – Download

Hector Berlioz (1803-1869) – Symphonie Fantastique, op. 14

Agora, teremos uma outra grande gravação de uma obra única: A Sinfonia Fantástica, de Hector Berlioz. Única por vários motivos, mas destacaria o fato de ser a única sinfonia composta por este francês, única na utilização de recursos orquestrais até então inéditos em uma orquestra, e única no genial arranjo orquestral idealizado por Berlioz. A gravação desta sinfonia realmente fantástica estará a cargo de Igor Markevitch, à frente da Orchestre Lamoureux, Paris.

Hector Berlioz (1803-1869) – Symphonie Fantastique, op. 14 ´Episode de la vie d´un artist

1 – Rèveries – passions (Träume – leidenschaften – Sogni – Passioni) – Largo, allegro agitato e appassionato assai.

2- Un bal – Valse. Allegro non troppo.

3 – Scéne aux champs – Adagio

4 – Marche au supplice – Allegretto no troppo

5 – Songe d´une nuit du Sabbat – Larghetto – Allegro

Orchestre Lamoureux, Paris

Igor Markevitch – Director

BAIXE AQUI

Johannes Brahms (1833-1897) – Complete Chamber Music (CD 5 de 11) – Clarinet Quintet in B minor, Op 115, String Quintet No. 2 in G major, Op. 111

Dando continuidade à obra de câmera integral de Brahms, e ainda com os quintetos, vamos agora ao cd 5.

Clarinet Quintet in B minor, Op 115

1 – Allegro

2 – Adagio

3 – Andantino – Presto non assai – ma con assentimento

4 – Com moto

String Quintet No. 2 in G major, Op. 111

5 – Allegro non troppo, ma con brio

6 – Adagio

7 – Un poco allegretto

8 – Vivace ma non troppo presto

Berlin Philarmonic Octet

Herbert Stahr – Clarinet

BAIXE AQUI

.: interlúdio :.

Com a escusa de PQP, FDP e Clara, este interlúdio é, também, um quase-interlúdio do jazz; desvio um pouco para a seara dos colegas e trago, também, um pouco de clássico. Bach! Interpretado, ou relido, por respeitáveis jazzmen.

769851
Keith Jarrett, pianista que começou nos Jazz Messengers de Art Blakey e tocou com Miles Davis no início dos anos 70, firmou-se por incorporar o clássico, o gospel e o blues ao seu estilo de jazz. Um músico diferenciado, criou sua carreira não apenas tocando em conjuntos, mas também lançando diversos álbuns-solo de piano. (De um de seus shows, puro improviso ao instrumento, vem um dos discos mais reverenciados do jazz, The Köln Concert, que certamente figurará neste blog em algum momento.)

Sua relação com a música clássica sempre acompanhou a trajetória jazzística. Desde 1973, compõe e executa para o estilo. Neste disco de 1992, convidou a virtuose dinamarquesa Michala Petri para interpretar sonatas de Bach. Não se trata de um disco de jazz; aqui ele é, antes, uma inspiração para as execuções.

Michala Petri & Keith Jarrett – Bach: Sonatas (192)

Keith Jarrett: cravo
Michala Petri: flauta doceProduzido para Keith Jarrett e Peter Laenger para a BMG/RCA.

download AQUI – 96,2mB
Sonata for Flute and Harpsichord in B minor, BWV 1030
01 I Andante – 08’18
02 II Largo e dolce – 03’28
03 III Presto – 01’25
04 IV Allegro – 04’14
Sonata for Flute and Harpsichord in E flat major, BWV 1031
05 I Allegro moderato – 03’07
06 II Siciliano – 02’02
07 III Allegro – 04’10
Sonata for Flute and Harpsichord in A major, BWV 1032
08 I Vivace – 04’31
09 II Largo e dolce – 02’50
10 III Allegro – 04’13
Sonata for Flute and Harpsichord in C major, BWV 1033
11 I Andante – Presto – 01’35
12 II Allegro – 02’11
13 III Adagio – 01’40
14 IV Menuetto I & II – 02’49
Sonata for Flute and Basso Continuo in E minor, BWV 1034
15 I Adagio ma non tanto – 02’57
16 II Allegro – 02’22
17 III Andante – 03’08
18 IV Allegro – 04’26
Sonata for Flute and Basso Continuo in E major, BWV 1035
19 I Allegro ma non tanto – 02’19
20 II Allegro – 02’52
21 III Sicilano – 03’32
22 IV Allegro assai – 02’57

1172182694 Blues On Bach
O Modern Jazz Quartet foi um dos grupos mais duradouros e originais do jazz; começaram em 1952, tocando bop, e encerraram as atividades no final dos ’70 como expoentes do third stream – estilo que se pretende um ponto de encontro entre jazz e música clássica. Evidentemente, o rótulo (cunhado por Gunther Schuller) é polêmico; já a música do MJQ, não. Sempre vistos como precursores, usaram o barroco e o blues de combustíveis para firmarem-se como visionários. Neste Blues on Bach, de 1973, o grupo intercala quatro composições originais, inspiradas em Bach, à cinco adaptações de trabalhos clássicos do compositor. Respeitosamente: sem improvisos, e usando o cravo ao invés do piano. Milt Jackson, um dos maiores vibrafonistas da música, destaca-se em passagens brilhantes.

Modern Jazz Quartet – Blues on Bach (320)

Milt Jackson: vibrafone
John Lewis: piano, cravo
Percy Heath: baixo
Connie Kay: bateriaProduzido por Nesuhi Ertegun para a Atlantic

download AQUI – 94,7mB
01 Regret? – 2’04
02 Blues in B Flat – 4’56
03 Rise up in the Morning – 3’28
04 Blues in A Minor – 7’53
05 Precious Joy – 3’12
06 Blues in C Minor – 7’58
07 Don’t Stop This Train – 1’45
08 Blues in H (B) – 5’46
09 Tears from the Children – 4’25

Boa audição!

Blue Dog

Antonio Vivaldi (1678-1741) – “La Stravaganza” op. 4

O conjunto de câmara italiano “I Musici” tornou-se mundialmente famoso por suas interpretações do repertório barroco italiano. Suas versões de “As Quatro Estações” de Vivaldi são famosíssimas e muito vendidas. Um de seus principais solistas é Felix Ayo, mas diversos outros já passaram por lá. Não os considero tão radicais em suas interpretações, como o maravilhoso “Il Giardino Armonico”, que pretende seguir á risca o modo de interpretação utilizado à época de Vivaldi, se utilizando de instrumentos de época.

Independente disso, as interpretações deste renomado grupo são referência, com certeza.

FDP Bach estará postando algumas gravações deles da obra de Vivaldi. Começamos por “La Stravaganza”, Trata-se de uma série de 12 concertos para violino e cordas, e catalogados sob o op. 4. Belíssima música, de fácil assimilação, que com certeza encantará a todos àqueles que ainda não a conhecem.. O solista, claro, é Felix Ayo.

Uma pequena observação: quando baixei esta coleção estranhei a forma em que foi “empacotada”: cada concerto é um arquivo. Mas isso não atrapalha em nada a beleza da música e a clareza da interpretação. Além disso, quem fez a conversão optou por seguir outra catalogação das obras de Vivaldi. Para quem se interessar, posso passar um site canadense que relaciona as devidas obras com as respectivas catalogações existentes. São 5 ou 6, não estou bem certo.

Mas vamos ao que interessa: música e de qualidade…

Antonio Vivaldi – Concertos “La Stravaganza” op. 4

Cd 1
Concerto in B Flat, op. 4 nº1
1 – Allegro
2 – Largo e cantibile
3 – Allegro

Concerto in E minor, op. 4 nº2
1 – Allegro
2 – Largo
3 – Allegro

Concerto in G Major, op. 4 nº 3
1 – Allegro
2 – Largo
3 – Allegro assai

Concerto in A minor, op. 4 nº 4
1 – Allegro
2 – Grave e sempre piano
3 – Allegro

Concerto in A major, op. 4 nº 5
1- Alegro
2 -Largo
3 -Alegro

Concerto in G minor, op. 4 nº 6
1 – Alegro
2 – Largo
3 – Allegro

Cd 2

Concerto in C Major, op. 4 nº 7
1 – Largo
2 – Allegro
3 – Largo
4 – Allegro

Concerto in D Minor, op. 4 nº 8
1 – Allegro
2 – Adagio-Presto-Adagio
3 – Allegro

Concerto in F Major, op. 4 nº 9
1 – Allegro
2 – Adagio
3 – Allegro

Concerto in F Major, op. 4 nº 10
1 – Spirituoso
2 – Adagio
3 – Allegro

Concerto in D Major, op. 4 nº 11
1 – Allegro
2 – largo
3 – Allegro assai

Concerto in G Major, op. 4 nº 12
1 – Spirituoso e non Presto
2 – Largo
3 – Allegro

I Musici
Felix Ayo – violino

CD 1 – BAIXE AQUI
CD 2 – BAIXE AQUI

Franz Ignaz Beck (1734 – 1809) – Sinfonias

Não adianta. Nem todos são Beethoven, Mozart ou meu pai. Mas alguns podem chegar a um bom patamar como este Beck. Suas obras são muito boas, muito agradáveis, mas sem aquela faísca que um gênio colocaria em determinado momento para virar o jogo.

Ele representa a Escola de Mannheim e foi, em vida, um equivocado. Imaginem que ele fugiu da Alemanha, chegou a Veneza e Nápoles, terminando por fixar-se em Marselha por ter participado de um duelo em que pensou ter matado seu oponente. Mas não matou. Seu inimigo talvez esteja vivo até hoje… A vida é assim mesmo.

Ele compôs um apreciado Stabat Mater (não Matar, como eu tinha escrito em ato falho), muitas sinfonias e aberturas.

O CD é bom, muito bom até. Mas não é Mozart, nem Haydn, nem… vocês sabem.

P.Q.P. Bach

Sinfonia in B flat major
I. Allegro 03:59
II. Largo 07:28
III. Allegro 01:57

Sinfonia in D major
I. Allegro 04:25
II. Andante 03:49
III. Minuetto 02:34
IV. Presto 02:24

Sinfonia in G major
I. Allegro molto 03:34
II. Andante moderato 05:54
III. Presto 05:52

Sinfonia in D major, Op. 10. No. 2
I. Allegro 02:17
II. Andante 02:12
III. Presto 02:55

Sinfonia in E major, Op. 13, No. 1
I. Allegro 02:39
II. Andante 02:36
III. Allegro 04:08

Performed by:Northern Chamber Orchestra
Conducted by:Nicholas Ward

Total Playing Time: 49:43

BAIXE AQUI (Download)

Johannes Brahms (1833-1897) – Complete Chamber Music (CD 4 de 11) Piano Quintet in F minor, Op. 34, String Quintet No. 1 in F major, Op. 88

Finalmente, mais um cd da integral da obra de câmera de Brahms. Aqui se destacam os quintetos para piano op. 34 e o op. 88 para cordas. Logo mais postarei o cd 5.
A interpretação está a cargo dos membros do Berlin Philarmonic Octet.

Johannes Brahms (1833-1897) – Piano Quintet in F minor, Op. 34, String Quintet No. 1 in F major, Op. 88

Piano Quintet in F minor, Op. 34 – I. Allegro non troppo
Piano Quintet in F minor, Op. 34 – II. Andante, un poco adagio
Piano Quintet in F minor, Op. 34 – III. Scherzo, Allegro
Piano Quintet in F minor, Op. 34 – IV. Finale.Poco sostenuto-Allegro non troppo
String Quintet No. 1 in F major, Op. 88 – I. Allegro non troppo, ma con brio
String Quintet No. 1 in F major, Op. 88 – II. Grave ed appassionato – Allegretto vivace
String Quintet No. 1 in F major, Op. 88 – III. Allegro energico

Berlin Philarmonic Octet

BAIXE AQUI

Anton Bruckner (1824-1896) – Integral das Sinfonias – Sinfonia Nro. 0 – “Nullte”

Um grande professor que eu tive sempre repetia que a ignorância não gerava dúvidas. Tinha razão, mas digo a vocês que pode ser pior: a ignorância pode gerar certezas!

Foi assim que decidi que a Sinfonia Nro. 00, Study Symphony, era a mesma que Nro. 0. O Leonardo, comentarista deste blog, esclareceu-me. OK, sempre vou poder fazer minha defesa dizendo que dois zeros são o mesmo que um, só que a discussão aqui não é matemática, é de notação (bastante burrinha, por sinal).

Então, eu, P.Q.P. Bach, o aficionado de Bruckner, acabo descobrindo uma nova obra e provando ser um apedeuta. Não que eu tenha pudor ou estaja vexado ao expôr minha ignorância; pelo contrário, fico feliz para ter mais material dos anos de formação do complexo e divertido Anton.

Não escolhi esta gravação dentre outras. Fui visitar a Margarida na Sala dos Clássicos e ela tinha um exemplar Mid Price da Zero com o Daniel Barenboim e a orquestra de Chicago, com seu sempre extraordinário naipe de metais. Ouvi-a várias vezes nos últimos dias e já declaro-me apaixonado.

Pessoal, não há nada que seja menos que o máximo nesta sinfonia, desde sua extraordinária abertura, o belo, tranqüilo e melodioso Andante, um Scherzo que só ouvindo e um Finale para se ouvir a todo volume. Eu disse A TODO VOLUME!!!!

As outras peças são inferiores.

Enjoy Anton!

P.Q.P. Bach

Sinfonia Nro. 0 – “Nullte”
1.: Sinfonie Nr. 0 D – Moll: Allegro
2.: Sinfonie Nr. 0 D – Moll: Andante
3.: Sinfonie Nr. 0 D – Moll: Scherzo. Presto – Trio. Langsamer und Ruhiger
4.: Sinfonie Nr. 0 D – Moll: Finale. Moderato – Allegro Vivace

5.: Helgoland (para coro masculino e orquestra)

6.: Psalm 150 C – Dur (para soprano, coro e orquestra)

Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim

Ruth Welting, soprano
Chicago Symphony Chorus

BAIXE AQUI (Download)

Fryderyk Chopin (1810 – 1849) – The Waltzes

FDP Bach traz para seus ouvintes/leitores uma grande versão das Valsas de Chopin, nas mãos de seu maior intérprete, Artur Rubinstein. Gravação fundamental em qualquer cdteca. Espero que a apreciem.

Frederick Chopin – The Waltzes

1 – Op. 18 in E-Flat (“Grande valse brillante”)
2 – Op. 34 nº1 in A Flat (“Valse brillante”)
3 – Op. 34 nº 2 in A minor (“Valse brillante”)
4 – Op. 34 nº3 in F (“Valse brillante”)
5 – Op. 42 in A Flat (“The “Two-Four” Waltz”)
6 – Op 64 nº1 in D Flat (“Minute” Waltz”)
7 – Op 64 nº 2 in C-Sharp Minor
8 – Op. 64 nº3 in A Flat
9 – Op. 69 nº1 in A-Flat (“L´Adieu”) (posth.)
10 – Op. 69 nº 2 in B Minor (posth.)
11 – Op. 70 nº 1 in G Flat (posth.)
12 – Op. 70 nº 2 in F minor (posth. )
13 – Op. 70 nº 3 in D Flat (posth.)
14 – In E Minor (posth.)

Artur Rubinstein – Piano

BAIXE AQUI

.: interlúdio :.

Falar de Miles Davis é coisa pra vida toda. Então eu saio de fininho e deixo vocês com a certidão de nascimento de um gênero – o cool jazz, um jeito menos apressado, mais suave de fazer o virtuoso bop/hard bop. Três sessões de estúdio (com Gil Evans como arranjador, o que mostrava o caminho escolhido por Davis) nos inícios de 1949 e 1950; de brinde, apresentações ao vivo, radiofonadas – mostrando as músicas em seu pleno desenvolvimento, como uma peça histórica. (“Ladies and gentlemen, let’s give them a big hand for something new in modern jazz”, diz o apresentador.) O som do noneto – com tuba e french horns! – é macio e empolgante, inclusive por contar com composições do inspirado Gerry Mulligan, outra frente do cool jazz. Grupo de vida curta: a novidade, na contramão do mercado e do público (se ouvia bop, com o Charlie Parker de onde vinha Davis), não duraria muito. Mas as gravações – na verdade, uma coleção de 12 lados de 78rpm, só compilados pela primeira vez em 1957 – firmaram a posição de Miles como músico e de primeira linha.

11450528Miles Davis – The Complete Birth of the Cool (128)

Em estúdio:
Miles Davis (trumpet)
Kenny Hagood (vocals)
Lee Konitz (alto saxophone)
Gerry Mulligan (baritone saxophone)
J.J. Johnson, Kai Winding (trombone)
Junior Collins/Sandy Siegelstein/Gunther Schuller (French horn)
Bill Barber (tuba)
John Lewis/Al Haig (piano)
Al McKibbon/Joe Shulman/Nelson Boyd (acoustic bass)
Kenny Clarke/Max Roach (drums)

Ao vivo:
Miles Davis (trumpet)
Kenny Hagood (vocals)
Lee Konitz (alto saxophone)
Gerry Mulligan (baritone saxophone)
Mike Zwerin (trombone)
Junior Collins (French horn)
Bill Barber (tuba)
John Lewis (piano)
Al McKibbon (bass)
Max Roach (drums)

Produzido por Walter Rivers e Pete Rugolo para a Capitol


download AQUI
– 63mb
01 Move (Best) – 2’32
02 Jeru (Mulligan) – 3’11
03 Moon Dreams (MacGregor, Mercer) – 3’18
04 Venus De Milo (Mulligan) – 3’10
05 Budo (Davis, Powell) – 2’33
06 Deception (Davis) – 2’47
07 Godchild (Wallington) – 3’08
08 Boplicity (Henry) – 2’59
09 Rocker (Mulligan) – 3’04
10 Israel (Carisi) – 2’16
11 Rouge (Lewis) – 3’13
12 Darn That Dream (DeLange, Van Heusen) – 3’22
• 04/09/1948 – Royal Roost, NY
13 Birth Of The Cool Theme (live) – 0’17
14 Symphony Sid Announces The Band (live) – 1’02
15 Move (live) – 3’40
16 Why Do I Love You (live) – 3’39
17 Godchild (live) – 5’49
• 18/09/1948 – Royal Roost, NY
18 Symphony Sid Introduction (live) – 0’25
19 S’il Vous Plait (live) – 4’23
20 Moon Dreams (live) – 3’05
21 Budo (live) – 3’24
22 Darn That Dream (live) – 4’23
23 Move (live) – 4’47

Boa audição!

Blue Dog

George Gershwin (1898-1937) – An American in Paris, Rapshody in Blue, Concerto in F

Esta postagem é uma perfeita prova de como o jazz se associa ao que convencionamos chamar de música clássica. E ninguém melhor que George Gershwin para ilustrar esta questão. Exímio compositor de standards da música americana, assim como de obras imprescindíveis no repertório de qualquer músico dos últimos 60 anos, Gershwin se coloca como um catalizador de estilos. Inseriu elementos da música negra norte-americana em suas obras consideradas “clássicas”, como o concerto para piano, em “Rapshody um Blue”, “An American in Paris”, entre diversas outras canções, e em sua ópera “Porgy and Bess”, e as tornou imortais e fundamentais no repertório de diversos instrumentistas, sejam músicos de jazz, como Miles Davis, Louis Armstrong, Duke Ellington, e vou parar por aqui porque esta lista vai longe, além de pianistas, regentes e cantores líricos, como Bernstein, Previn, Ozawa, as irmãs Kátia e Marielle Labeque… enfim, a lista é imensa.

Esta gravação que estou postando foi ripada de um dvd. Trata-se de uma apresentação ao vivo da Filarmônica de Berlim, regida pelo Seiji Ozawa, acompanhada por um trio de jazz. Sim, é isso mesmo. O trio é formado pelo pianista Marcus Roberts, cego de nascença, acompanhado por Jason Marsalis na bateria e Roland Guerin no contrabaixo acústico. O repertório é unicamente dedicado a Gershwin. O improviso é regra de ouro aqui. O trio está perfeitamente sincronizado, e Ozawa se delicia com a performance do trio. Não esqueçamos que o mesmo Ozawa há alguns anos atrás participou de um projeto promovido pelo trompetista Wynton Marsalis, irmão do baterista Jason Marsalis, aliás, esta é uma tradicional família de músicos de jazz, originária da cidade que é considerada o berço deste estilo musical, New Orleans. e que também já gravou diversos cds dedicados a compositores eruditos.

Prestem atenção na versatilidade dos músicos, principalmente do trio de jazz, e como a poderosa Filarmônica de Berlim se rende ao ritmo… claro que não podemos esperar deles a ginga e swing americano dos músicos do trio, mas pode-se ver que antes de tudo, eles se divertem. Sugiro aos que puderem comprar que comprem este dvd. Não irão se arrepender.

CD 1

1 – An American in Paris
2 – Rhapsody in Blue

Marcus Roberts Trio
Marcus Roberts – Piano
Jason Marsalis – Bateria
Roland Guerin – Baixo
Orquestra Filarmônica de Berlim
Seiji Ozawa – Regente

CD 2
Concerto in F
1 – Allegro
2 – Andante con Moto
3 – Allegro agitato

4 – Cole after Midnight
5 – Strike up the Band
6 – I got Rhythm
7 – Berliner Luft

Marcus Roberts Trio
Marcus Roberts – Piano
Jason Marsalis – Bateria
Roland Guerin – Baixo
Orquestra Filarmônica de Berlim
Seiji Ozawa – Regente

CD 1 – BAIXE AQUI

CD 2 – BAIXE AQUI

Sergey Prokofiev – Piano Concertos

FDP Bach confessa: relutou muito em postar esta integral de seu compositor favorito do séc. XX, Prokofiev. Sua relutância se deve ao fato de não ser muito fâ de Vladimir Ashkenazy, mas esta incomodação nem diz respeito a esta gravação específica de Prokofiev, mas sim devido à uma Sonata ao Luar abaixo da crítica, que ouviu certa vez.
Mas este Prokofiev tem seus méritos, entre eles uma bela versão do concerto nº 2, isso FDP tem de reconhecer… mas deixemos de lado essa questão e vamos ao que interessa.

Sergey Prokofiev – Piano Concertos

Disc: 1

1. Piano Concerto No. 1 In D Flat Major, Op. 10: 1. Allegro brioso
2. Piano Concerto No. 1 In D Flat Major, Op. 10: 2. Andante assai-
3. Piano Concerto No. 1 In D Flat Major, Op. 10: 3. Allegro scherzando
4. Piano Concerto No. 4 In B Flat Major, Op. 53: 1. Vivace
5. Piano Concerto No. 4 In B Flat Major, Op. 53: 2. Andante
6. Piano Concerto No. 4 In B Flat Major, Op. 53: 3. Moderato
7. Piano Concerto No. 4 In B Flat Major, Op. 53: 4. Vivace
8. Piaon Concerto No. 5 In G Major, Op. 55: 1. Allegro con brio
9. Piaon Concerto No. 5 In G Major, Op. 55: 2. Moderato ben accentuato
10. Piano Concerto No. 5 In G Major, Op. 55: 3. Toccata: Allegro con fuoco
11. Piano Concerto No. 5 In G Major, Op. 55: 4. Larghetto
12. Piano Concerto No. 5 In G Major, Op. 55: 5. Vivo

Disc: 2
1. Piano Concerto No. 2 In G Minor, Op. 16: 1. Andantino
2. Piano Concerto No. 2 In G Minor, Op. 16: 2. Scherzo: Vivace
3. Piano Concerto No. 2 In G Minor, Op. 16: 3. Intermezzo: Allegro moderato
4. Piano Concerto No. 2 In G Minor, Op. 16: 4. Allegro tempestoso
5. Piano Concerto No. 3 In C Major, Op. 26: 1. Andante — Allegro
6. Piano Concerto No. 3 In C Major, Op. 26: 2. Terna con variazioni
7. Piano Concerto No. 3 In C Major, Op. 26: 3. Allegro, ma non troppo

Vladimir Ashkenazy – piano
Andre Previn – Regente
London Symphony Orchestra

CD 1 – BAIXE AQUI
CD 2 – BAIXE AQUI

Franz Schubert (1797-1828) e Dmitri Shostakovich (1906-1975) – A Morte e a Donzela e Chamber Symphony, Op. 110a (Quarteto Nº 8)

A Salzburg Chamber Soloists é a responsável pelo segundo ou terceiro CD mais baixado deste blog: este aqui. Não chega a surpreender. O programa de Vivaldi e Piazzolla é interessante, combina, e a interpretação da orquestra é cheia de intenções…

O segundo CD que possuo deles também é muito original. O regente Lavard Skou-Larsen, numa gravação ao vivo, faz algo estranho, unindo duas obras aparentemente inconciliáveis. Mas só aparentemente.

O que é estranho? Ele escreve um arranjo para orquestra a partir do quarteto de cordas “A Morte e a Donzela”. Pensando bem, não é tão estranho, pois Mahler, Schoenberg, Berg e outros já fizeram o mesmo. Para completar, usa o arranjo de Rudolf Barschai para o quarteto de Shosta e estamos prontos para o velório.

Schubert escreveu dramaticamente numa carta a um amigo, comentando sobre o quarteto: “Pense numa mulher cuja saúde nega-se a melhorar”. Shostakovich escreveu seu quarteto em três dias (!!!!) de 1960, em Dresden, após ver alguns filmes sobre a destruição na ex-Alemanha Oriental e dedicou-o às vítimas.

São duas obras que levam experiências pessoais com a morte e com grandes aflições a uma perspectiva mais ampla. Em sua paixão e revolta, tratam de situações brutais e inexoráveis e, como se fossem Réquiems, possuem o efeito de uma catarse. (Trad. por mim com muuuita liberdade a partir do encarte do CD.)

Curiosamente, Lavard Skou-Larsen é um portoalegrense. Seu pai tocava na Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e ele nasceu em solo brasileiro. Skou-Larsen gravou para a Naxos as Sonatas para Violino e Piano de Camargo Guarnieri.

P.Q.P. Bach.

Franz Schubert
Dmitri Shostakovich
Salzburg Chamber Soloists
Lavard Skou-Larsen

Franz Schubert: String Quartet in d Minor D810 „Death and the Maiden“ (arr. for String Orchestra by Lavard Skou-Larsen) Premiere Recording
1. Allegro
2. Andante con moto
3. Scherzo. Allegro molto – Trio
4. Presto

Dmitry Shostakovich: Chamber Symphony Op. 110a (arr. for String Orchestra by Rudolf Barshai)

5. Largo
6. Allegro molto
7. Allegretto
8. Largo
9. Largo

BAIXE AQUI (Download)

Anton Bruckner (1824-1896) – Integral das Sinfonias – Sinfonia Nro. 00 “Study Symphony”

Seu nome era Anton mas podia ser Vassili por seu caráter dubitativo (sim, Les Luthiers!). Tinha 39 anos e não sabia ainda se era um sinfonista de verdade ou um estudante. Então, escreveu esta sinfonia que posto hoje e que nunca foi executada durante sua vida. Ele tinha quase certeza que escrevera uma porcaria e, como o neurótico que era, manteve tal quase certeza na quarta, quinta, sétima, oitava e nona, verdadeiras obras-primas do ocaso do século XIX.

Suas onze sinfonias (há esta oo e depois de 0 a 9) têm versões e revisões que o entretiveram durante toda a vida. Esteve em dúvida até morrer e foi uma tortura para maestros e editores. Portanto, neste CD, após a Sinfonia de Estudos, está a segunda das três versões para o último movimento de sua extraordinária Sinfonia Nº4. É uma Volksfest da qual o compositor acabou desistindo, mas que, se tivesse vivido uns três dias, talvez acabasse por mandar um bilhete ao editor, pedindo para recolocar este finale e criando uma nova versão, quem sabe?

As versões que postarei são as que mais gosto. O caos imperará e aparecerão uns cinco regentes diferentes em minha “integral” altamente pessoal.

P.Q.P. Bach.

Symphony No. 00 in F minor, “Study Symphony”, WAB 99
1. I. Allegro molto vivace 11:27
2. II. Andante molto 12:35
3. III. Scherzo: Schnell 05:09
4. IV. Finale: Allegro 08:21
Performed by: Royal Scottish National Orchestra
Conducted by: Georg Tintner

Symphony No. 4 in E flat major, WAB 104, “Romantic” (Fragmento recusado):
5. V. Volkfest (1878 version) 19:03
Performed by: Royal Scottish National Orchestra
Conducted by: Georg Tintner

Total Playing Time: 55:35

BAIXE AQUI (Download)

Atendendo aos pedidos de nosso clientes

Após longa reunião de 3 minutos no MSN, nosso SAC e a diretoria que ora manda e desmanda neste blog decidiu que os autores do mesmo devem seguir postando apenas o que estão ouvindo no momento, acrescido daquilo que lhes der na telha. Isto não significa que ignoraremos os pedidos, significa que os atenderemos em nosso prazo boêmio, sem maiores responsabilidades. Sim, pode acontecer e é até provável de que nunca os atendamos…

Por exemplo, eu, P.Q.P. Bach, juro que cumprirei minha promessa de publicar todos os quartetos de Beethoven e o Réquiem de Mozart assim que tiver vontade.

Juntos, chegamos à conclusão de que o P.Q.P. Bach não pode tornar-se motivo de preocupação e que será menos ansiogênico na medida em que formos mais esquizofrênicos. Isto aqui é puro fun.

Sendo o que tínhamos a proclamar no momento, despedimo-nos atenciosamente,

A Diretoria.

Dietrich Buxtehude (1637-1707) – Obras para Cravo

Em 1703, em Arnstadt, aos 18 anos, meu pai, o imenso Johann Sebastian Bach, tomou posse do cargo de organista da igreja de St. Boniface. Durante sua gestão, fez uma viagem a Lübeck (uma jornada de 300 Km que fez a pé) para ouvir e receber conselhos do grande organista Dietrich Buxtehude. Era para ficar quatro meses com Bux, mas meu pai ficou cinco… Tal descumprimento o fêz perder o emprego e ele foi obrigado procurar outro, encontrando-o em Mülhausen, em 1706. Neste ano ele casou-se com sua prima, Maria Bárbara, que não cheguei a conhecer, tendo apenas tomado contato com Anna Magdalena, sua segunda esposa, mas essa é outra história. (Obs.: há uma correção nos comentários escrita pela filha de titio Bux.)

Buxtehude foi reconhecido principalmente como organista, mas foi bem mais do que isto. Em 1658, Buxtehude assume a função de seu pai, também organista, na igreja em Hälsingburg em 1658 e, em 1660 vai para Helsingor, e, posteriormente, para Lübeck, na Alemanha, onde é nomeado Werkmeister e organista da Marienkirche em 11 de abril de 1668, após concorrido concurso. Casa-se, em agosto desse ano, com Anna Margarethe Tunder, filha de Franz Tunder, seu antecessor nesta igreja. Esse era o costume da época, no qual o sucessor do organista da igreja deveria se casar com a filha do seu antecessor. A partir daí, e nos próximos 40 anos, Buxtehude entraria na parte mais prolífica de sua carreira, principalmente considerando que sua obra era praticamente nula até então.

Buxtehude ganha prestígio com a retomada da tradição dos Abendmusik, que eram saraus vespertinos organizados na igreja, idealizados por seu antecessor inicialmente apenas como entretenimento para os homens de negócios da cidade, previstos para ocorrerem em cinco domingos por ano, precedendo o Natal. Mas Buxtehude ampliou grandemente o escopo destes saraus e para eles compôs algumas de suas melhores obras, em forma de cantata, das quais se preservam cerca de 120 em manuscrito, com textos retirados da Bíblia, dos corais da tradição Protestante e mesmo da poesia secular. Também dedicou-se a outros gêneros, como solos para órgão (variações corais, canzonas, toccatas, prelúdios e fugas) e os concertos sacros. Todos os oratórios se perderam, mas guardam-se os registros de que existiram. Sem esquecer de Bach, em diversas ocasiões, foi visitado por compositores promissores da época, como Haendel e Mattheson, que o procuravam principalmente quanto à sua fama de organista.

Buxtehude é um compositor fundamental do barroco alemão. Foi uma espécie de pai espiritual de Bach. As obras deste CD são uma prova disso. Não pensem que as 30 Variações das Goldberg mais as duas árias não tenham nada a ver com as 32 variações da La Capricciosa. Ouçam esta obra e depois voltem às Goldberg. Está lá o agradecimento de meu pai ao grande Bux.

P.Q.P. Bach

Dietrich Buxtehude: Capricciosa (La) / Suite in G Minor

1. Toccata in G major, BuxWV 165 04:58

La Capricciosa (32 Variations on the “Bergamasca”), BuxWV 250
2. Variations 1 – 8 04:24
3. Variations 9 – 16 05:14
4. Variations 17 – 24 04:00
5. Variations 25 – 32 04:03

Auf meinen lieben Gott, BuxWV 179
6. I. Allemande and Double 02:59
7. II. Sarabande 01:06
8. III. Courante 00:46
9. IV. Gigue 00:45

10. Prelude in G major, BuxWV 162 05:26

11. Air with Two Variations in A minor, BuxWV 249 06:44

12. Prelude in G minor, BuxWV 163 07:31

Suite in G minor, BuxWV 241
13. I. Allemande 02:03
14. II. Courante 01:00
15. III. Sarabande 01:12
16. IV. Gigue 01:02

17. Canzonetta in G major, BuxWV 171 02:06

Glen Wilson, harpsichord

Total Playing Time: 49:19

BAIXE AQUI (Download)

Bela Bartok (1881-1945) – The Works for Piano & Orchestra

FDP Bach resolveu voltar ao século XX em suas próximas postagens. Teremos Bártok, Prokofiev, Stravinsky e talvez Strauss no pacote.
Vamos começar com Bela Bártok. FDP tem um carinho especial para com esta coleção da integral das obras para piano e orquestra do genial pianista, compositor e pesquisador húngaro. Não sabe o por quê… Zoltan Kocsys é um intérprete que captura muito bem o espírito da obra, talvez pelo fato de também ser húngaro, e a direção de Ivan Fischer é sempre correta e segura. Enfim, gravação de excelência, algo que prezamos aqui no Blog.

Disco 1

Concerto para piano e Orquestra nº 1
1 – Allegro Moderato
2 – Andante
3 – Allegro Molto

Música para Cordas, Percussão e Celesta
4 – Andante tranqüilo
5 – Allegro
6 – Adágio
7 – Allegro Molto

Disco 2

Concerto para piano e orquestra nº 2
1 – Allegro
2 – Adágio – piú adágio – Presto
3 – Allegro Molto

Rapsódia para Piano e Orquestra, op.1
4 – Adagio molto
5 – Poco Alegretto

Disco 3

Concerto para Piano e Orquestra nº 3
1 – Allegretto
2 – Adagio riligioso
3 – Allegro Vivace

Scherzo para Piano e Orchestra
4 – Introduzione (Adagio ma non troppo)
5 – Allegro vivace – Scherzo (Allegro)
6 – Trio (Andante)
7 – Scherzo da capo (allegro vivace)

Zóltan Kocsys – piano
Orquestra do Festival de Budapeste
Ivan Fischer – Diretor

DISCO 1 – BAIXE AQUI
DISCO 2 – BAIXE AQUI
DISCO 3 – BAIXE AQUI
BOOKLETBAIXE AQUI

Uma coisinha bem simples

Na Bravo! deste mês, o polêmico maestro John Neschling é entrevistado:

Bravo!: Você escuta muita música?

John Neschling: Muita, constantemente.

B: Clássico?

JN: Clássico e jazz o tempo todo. Primeiro para ouvir coisas novas, para estar sempre atualizado sobre o que está se fazendo tanto no jazz como na música clássica, e para ouvir interpretações…

Neschling está longe de ser meu oráculo, mas também está distante de ser uma besta.

P.Q.P. Bach

.: interlúdio :.

Se muitas vezes se diz, ao ver um músico de jazz tocando com descontração, que “fulano toca como se estivesse brincando” – é preciso afirmar que ninguém se divertiu mais com sua própria música do que Thelonious Monk. Diz-se dele que tinha predileção em fazer as notas erradas soarem corretas. Monk, o compositor, era uma criança irriquieta: alterações de tempo/ritmo e predileções por harmonias dissonantes fizeram-no fundar e, depois, redescobrir o bebop em uma década.

Monk, o pianista, foi dono de um estilo percussivo e de improvisações surpreendentes e irreverentes. Além disso, não raro em uma jam session Monk terminava seu solo e levantava do piano, dançando em círculos. Embriagado da música. Levando pânico a um trompetista que estivesse desconcentrado.

Monk Corners SeloRejeitado em seus primeiros trabalhos por executar um jazz muito difícil, Monk reconciliou-se com público e crítica no seminal “Brilliant Corners”, gravado entre 17 e 23 de dezembro de 1956. Ao lado de ninguém menos do que Sonny Rollins e cercado pela solidez da cozinha de Max Roach e Oscar Pettiford, Monk registrou não apenas composições geniais – deixou um disco de rara variedade em sons, ritmos e texturas, de onde sairiam 4 standards do jazz. (Sendo que a faixa restante já era um deles.)

Brilliant Corners, faixa de abertura homônima ao disco, é considerada uma das mais difíceis composições do jazz de todos os tempos; levou mais de uma dúzia de takes para ser gravada, e a versão do disco foi editada com três deles. É um bebop swingado, cheio de clareiras melódicas para solos em tempos mutantes; um jazz ousado e que parece uma conversa entre bop e blue. E onde mais do que nunca aparecem os talentos do baixista Pettiford e, principalmente, do baterista Roach, cujo timing impecável permite que Monk angule as notas e o ritmo o quanto quiser sem que haja perda da coesão sonora.

Depois do desafio da primeira música, Monk solta o grupo numa jam longa, relaxada e cheia de groove, com tema blues: Moz Screenshot 4Moz Screenshot 5Ba-lue Bolivar Ba-lues-are. O lado B abre com a balada Pannonica, dedicada à “Baronesa do Bebop”, Nica (Rotschild) de Koenigswarter, amiga de Monk, Charlie Parker e diversos músicos do jazz à época. Nesta faixa Monk toca também celesta – em algumas passagens, junto com o piano.

I Surrender, Dear é o standard reinterpretado pelo grupo. Canção mais convencional do disco, onde Monk explora (à sua forma) camadas harmônicas, sincopando e interferindo no andamento normal. E para o final, outra versão para uma música sua já gravada, Bemsha Swing, que cheira a Gillespie e revisita as big bands – muito em parte pelo uso dos tímpanos na percussão.

Monk CornersThelonious Monk – Brilliant Corners (VBR)

Thelonious Monk: piano; celesta
Sonny Rollins: tenor saxophone
Ernie Henry: alto saxophone (faixas 1-4)
Oscar Pettiford: double bass (faixas 1-4)
Max Roach: drums; timpani
Clark Terry: trumpet (faixa 5)
Paul Chambers: double bass (faixa 5)

Produzido por Orrin Keepnews para a Riverside

download AQUI – 67mB
01 Brilliant Corners (Monk) – 7:42
02 Ba-lue Bolivar Ba-lues-are (Monk) – 13:24
03 Pannonica” (Monk) – 8:50
04 I Surrender, Dear (Barris-Clifford) – 5:25
05 Bemsha Swing (Monk-Best) – 7:42

Boa audição!

Blue Dog

Gustav Mahler (1860-1911) – A Sinfonia Nº 10 Reconstruída

Mahler morreu durante a décima, Beethoven fez nove, Bruckner também, Dvorak idem, Schubert escreveu nove e pimba!, bateu as botas, deixando curiosamente a oitava inacabada… Ou seja, há a maldição do número 10, quem quer chegar lá, morre antes!

Claro que sei que Haydn fez 104; Mozart, 40; Shostakovich, 15, etc. Mas deixemos a maldição como algo real, apenas para efeito dramático. Ah, antes que algum ignaro tente me fazer de vítima, digo que Mozart tem mesmo 40, porque a 37 não existe. Sabiam? Pois é. Ela tinha sido atribuída a Mozart, mas hoje sabe-se que é de autoria de Michael Haydn.

Uma das músicas mais belas que conheço é o Adagio desta Sinfonia. Apenas este movimento da décima foi finalizado por Mahler e ele está aqui em toda sua perfeição, o restante ficou inacabado em manuscritos, mas o inglês Joe Wheeler mergulhou nas 171 páginas da sinfonia e remontou-a… Há outras tentativas, como a do alemão Wollschläger, a do americano Carpenter, a do inglês Cooke e a do italiano Mazzetti. Todas elas são raríssimas de se ouvir em CDs, ficando mais na área acadêmica da musicologia. Wheeler fez seu trabalho entre 1952 e 1966. É a sua quarta e última versão que ouvimos aqui.

A gravação da orquestra polonesa é excelente. Coisa rara, portanto. Enjoy!

P.Q.P. Bach

Sinfonia Nº 10 (Versão de Joe Wheeler, de 1966, editada por Robert Olson)

1. Adagio (26min15)
2. Primeiro Scherzo (12min03)
3. Purgatorio ou Inferno (4min30)
4. Segundo Scherzo (12min15)
5. Finale (23min53)

Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional da Polônia
Robert Olson

Tempo Total: 78min59

BAIXE AQUI (Download)

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Sonata para Piano Nº 2 e outras peças para piano solo

Lauro Machado Coelho escreveu 500 páginas sobre Shostakovich – em Shostakóvitch – Vida, Música, Tempo (Ed. Perspectiva, 2006) – e conseguiu não escrever uma linha a respeito desta sonata. Terá sido falha minha? Será que dormi naquela parte? Sei não. É um bom livro para quem quiser uma introdução à música de nosso amigo Shosta.

Otto Maria Carpeaux escreveu Uma Nova História da Música e ignorou um monte de compositores, mas Carpeaux era um diletante em música; na sua História da Literatura Ocidental foi mais memorioso. Acho que Lauro nunca ouviu esta sonata de espetacular terceiro movimento. Talvez o comentarista do encarte do CD tenha razão ao dizer que a culpa é da própria sonata: ela teria saído do repertório por ter sido escrita em 1943 e ser introspectiva, NÃO refletindo a atmosfera da guerra, porém, apesar de admirar o fato de possuirmos uma obra deste porte sobre alguém tão obscuro em nosso país quanto Shosta, acho inadmissível o cara deixar passar uma obra dessas.

O restante do CD é formado por obras menores. Sabidamente, Shosta era um pianista que compôs pouca coisa para quaisquer instrumentos solo, mesmo para o piano; então não há muito mais do que os monumentais 24 Prelúdios e Fugas (já divulgado por este prestigioso blog onde você se encontra) e esta sonata. Mas o restante é divertido. E Konstantin Scherbakov é excelente pianista. É um prazer ouvi-lo.

Ah, os Cinco Prelúdios (excertos) são excelentes. O de nro. 3 é uma linda modernagem.

PQP Bach.

Dmitri Shostakovich

Piano Sonata No. 2 in B minor, Op. 61
1. I. Allegretto 06:54
2. II. Largo 06:01
3. III. Moderato (con moto) – Allegretto con moto – Adagio – Moderato 11:12

Three Pieces (1919-20)
4. No. 1. Minuet 00:50
5. No. 2. Prelude 00:55
6. No. 3. Intermezzo 01:07

A Child’s Exercise Book, Op. 69
7. I. March: in the tempo of a March 00:41
8. II. Valse: in the tempo of a Waltz 00:33
9. III. Sad Tale: Adagio 02:07
10. VI. Merry Tale: Allegro 00:34
11. V. The Bear: Allegretto 00:48
12. VI. Clockwork Doll: Allegretto 00:45
13. VII. Birthday [no tempo indication] 01:12

14. Murzilka 00:49

Five Preludes, Op. 2 (excerpts) (1919-1921)
15. No. 2 in A minor: Allegro moderato e scherzando (Op. 2, No. 5) 02:17
16. No. 3 in G major: Andante (Op. 2, No. 2) 02:17
17. No. 4 in E minor: Allegro moderato 00:55
18. No. 15 in D flat major: Moderato (Op. 2, No. 7 or 8) 01:30
19. No. 18 in F minor: Andantino (Op. 2, No. 6) 01:08

The Limpid Stream, Op. 39 (excerpts) (piano trans. D. Shostakovich)
20. Act I Scene 1: No. 7. Scene and Waltz – Entr’acte: Allegretto 05:56
21. Act I Scene 2: No. 12. Dance of the Milkmaid and the Tractor Driver: Moderato con moto 02:20
22. Act I Scene 2: No. 13. Ballerina’s Waltz: Tempo di valse 02:56
23. Act II Scene 3: No. 23. Tango: Allegro – Andante – Allegro 04:39

Konstantin Scherbakov, piano

Total Playing Time: 46:26

BAIXE AQUI (DOWNLOAD)

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Flute Concerto No. 1 in G Major, No. 2 in D major, Concerto for flute and Harp

Rampal e Mozart, que dupla…! Já me emocionei muito com estas gravações, que apenas consolidaram minha opinião a respeito de Rampal… gênio, mestre absoluto da flauta.
Confesso que minha gravação favorita do concerto para flauta e harpa é com o Aurele Nicolet, acompanhado pelo Karl Richter… mas sejamos fiéis a coleção… tenho certeza de que ninguém vai se arrepender. E estou preparando outra postagem com esta dupla Nicolet / Richter…
Para quem não conhece a obra, prestar atenção no andantino do Concerto para flauta, harpa e orquestra. É um dos mais belos momentos da história da música. A delicadeza do dedilhar da harpa, acompanhada pelo sopro divino que emana dos pulmões de Rampal é de ressuscitar até defunto, de tão emocionante…

F.D.P. Bach

Flute Concerto No. 1 in G major, K. 313 (K. 285c)

Performed by Israel Philharmonic Orchestra
Flauta – Jean-Pierre Rampal
Conducted by Zubin Mehta

01. Allegro
02. Adagio
03. Rondeau

Flute Concerto No. 2 in D major, K. 314 (K. 285d)

Performed by Israel Philharmonic Orchestra
Flute – Jean-Pierre Rampal
Conducted by Zubin Mehta

1- Allegro
2- Andante
3- Allegro

Concerto for flute, harp & orchestra in C major, K. 299 (K. 297c)

with Franz Liszt Chamber Orchestra
Flute – Jean-Pierre Rampal
Harp – Marielle Nordmann
Conducted by Claudio Scimone

  1. Allegro
  2. Andantino
  3. Rondeau

BAIXE AQUI

Johannes Brahms (1833-1897) – Lieder e Duetos

Um CD agradabilíssimo e diferente. Sempre relacionamos Brahms à densidade e ao rigor formal, porém aqui não há nada disso. É uma música de sarau, não tão simplesinha assim e boa de se ouvir nas noites em que estamos trabalhando em casa ou conversando com poucos amigos. Saibam que as faixas 1, 26 e algumas outras pararão a conversa ou interromperão nosso trabalho para que digamos ou pensemos: que coisa linda isso!

As cantoras Julie Kaufmann e Marilyn Schmiege possuem notável senso de estilo – coisa cada vez mais rara – e adaptam-se a cada canção dando a ela personalidade própria. Um maravilhoso CD da Orfeu que merece ser comprado por sua música e pelo excelente encarte com todas as letras. A relação de duetos e lieder é interminável e isto não é uma reclamação, imagine!

PQP Bach, o que acha autenticamente cômicas as opiniões de Adorno sobre jazz, assim como algumas previsões apocalípticas de outros…

1. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 61 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
2. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 61 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
3. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 61 Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
4. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 61 Track 4 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
5. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
6. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
7. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
8. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 4 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
9. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 2 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
10. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 2 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
11. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 2 Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
12. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
13. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
14. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
15. Duette aus: Romanzen und Lieder op. 84 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
16. Duette aus: Romanzen und Lieder op. 84 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
17. Duette aus: Romanzen und Lieder op. 84 Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
18. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
19. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
20. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
21. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 4 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
22. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
23. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
24. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
25. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 4 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
26. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 5 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
27. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
28. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
29. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
30. Duette aus: Balladen und Romanzen op. 75 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
31. Duette aus: Balladen und Romanzen op. 75 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege

BAIXE AQUI (Download)