.: interlúdio :. Hiromi Uehara – Voice (2011)

.: interlúdio :. Hiromi Uehara – Voice (2011)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando postei de enfiada 6 CDs de Hiromi Uehara, escrevi que ela melhorava a cada disco que lançava. Então, dando-me razão, o Bluedog me apresentou seu mais recente trabalho, o maravilhoso, puramente instrumental e paradoxal Voice. Olha, meus amigos, que CD! O vídeo de lançamento (abaixo) talvez não demonstre o quanto é sólido, consistente, PAULEIRA e sério este trabalho de Hiromi. É inacreditável tamanha maturidade aos 32 anos, ainda mais com aquela cara de bonequinha japonesa.

Após um CD solo, o esplêndido Place to be Hiromi traz em Voice um formato trio piano-baixa-bateria e dá um banho. Como já disse, ao contrário de muitos outros artistas que se estabelecem numa zona de conforto, ela continua a evoluir e a redefinir seu estilo até o ponto onde se torna quase impossível imitá-la. É uma tempestade perfeita de talento técnico e criatividade musical, misturando elementos díspares da música clássica, bebop, jazz, fusion e rock como ninguém fez antes.

Em Voice, Hiromi usa e abusa dos ostinati como poucas vezes ouvi um pianista de jazz fazer. Se estilo está mais polifônico e variado do que nunca e seus companheiros… e seus companheiros… Vou até abrir um parágrafo para eles.

Este álbum apresenta uma “banda” nova chamado Trio Project. O baixista é o célebre Anthony Jackson, que trabalhou com Al Di Meola no seu trio de álbuns fusion, marcos da década de 70. Ele trabalhou com muita gente boa longo dos anos, inclusive em dois ábuns anteriores de Hiromi: Another Mind e Brain — ambos postados por este que vos escreve. O baterista é o igualmente maravilhoso Simon Phillips, que muitas vezes parece um metaleiro. (Ouçam-no no vídeo abaixo playing very difficult music…). Apesar de mais conhecido por seu trabalho com Chick Corea, Simon já tocou com artistas como Judas Priest, Jeff Beck, Jack Bruce, Brian Eno, Mike Oldfield, Gary Moore e Mick Jagger, além de ter substituído Keith Moon no The Who do disco Join Together.

Hiromi, Jackson e Phillips complementam-se de forma incrível. Se Hiromi é uma orquestra inteira, Jackson traz o mais puro jazz fusion através de seu baixo e Phillips dá uma intensidade de metal drumming ao todo.

Mais uma joia postada por mim nesta semana e ah!

Talvez como uma homenagem a quem melhor utiizava os ostinati e para garantir o caráter macho do disco — OK, e também para que nosso coração volte a seu ritmo normal depois de tanta velocidade, musicalidade e, bem, pauleira — , Voice finaliza calmamente com uma improvisação sobre a Sonata Nº 8 de Beethoven, Patética. Sim, é o máximo da finesse.

Hiromi Uehara – Voice (2011)

1. Voice (9:13)
2. Flashback (8:39)
3. Now or Never (6:16)
4. Temptation (7:54)
5. Labyrinth (7:40)
6. Desire (7:19)
7. Haze (5:54)
8. Delusion (7:47
9. Beethoven’s Piano Sonata No. 8, Pathetique (5:13)

Hiromi Uehara, Piano
Anthony Jackson, Baixo
Simon Phillips, Bateria

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Hoje, aos 38 anos, com a mesma cara, já os cabelos...
Hoje, aos 38 anos, com a mesma cara, já os cabelos…

PQP

.: interlúdio :. Hiromi Uehara – Discografia de 2003 a 2009 – 6 CDs

.: interlúdio :. Hiromi Uehara – Discografia de 2003 a 2009 – 6 CDs
Hiromi Uehara
Hiromi Uehara

Hiromi Uehara é uma das melhores novidades que o jazz moderno oferece. Pianista de extraordinária qualidade, faz o papel de virtuose para que lhe deem crédito — afinal, mais parece uma menina recém entrada na universidade — , mas quando a bola está no chão, dá um banho de sensibilidade. É jazz e é fusion da melhor qualidade. Seu parentesco maior é com Chick Corea, com quem já gravou dividiu um CD.

Diversão garantida para o povo pequepiano, pus todos os 6 CDs num só arquivo de 320 kbps. Há duas ou três faixas com pequenas falhas, mas como elas também estavam no original… Fazer o quê?

Hiromi Uehara (26 de Março de 1979) é uma pianista e compositora. Sua técnica impressionante, estilo único e energia contagiante a distinguem. As suas composições englobam um variado grupo de estilos musicais como jazz, rock progressivo, jazz fusion e até música clássica. Ela é famosa também por sua contribuição na composição no tema de Tom e Jerry Show. Ela começou a tocar piano clássico com seis anos de idade, e aos 15 anos ela já havia tocado com a Orquestra Filarmônica da República Tcheca. Com oito anos, Hiromi conheceu o jazz e se apaixonou pelo estilo musical. Quando tinha 17 anos, Chick Corea conheceu o som dessa jovem japonesa em Tóquio, e chegou a convidá-la para tocar com ele no mesmo dia. Hiromi foi estudar música nos Estados Unidos com Ahmad Jamal, o pianista favorito de Miles Davis. Antes mesmo de se formar, ela já tinha assinado contrato com o selo independente norte-americano, Telarc.

O primeiro disco em 2003, Another Mind, contava com um trio afinadíssimo, Hiromi no piano, Mitch Cohn no baixo e Dave DiCenso na bateria. Já no segundo trabalho em 2004, Brain, Tony Grey assumiu o baixo e Martin Valihora a bateria. Com essa mesma formação, Hiromi lançou o terceiro disco em 2005, Spiral. Em 2006 o trio adicionou o guitarrista David Fiuczynski e transformou-se em Hiromi’s Sonicbloom. Com esta nova formação, o quarteto lançou o disco Time Control em 2007.

Muita atenção aos dois últimos discos. São extraordinários.

Fontes: PQP Bach, Wikipedia e Apenas Jazz.

2003 – Another Mind

01. XYZ [5:37]
02. Double Personality [11:57]
03. Summer Rain [6:07]
04. Joy [8:29]
05. 010101 (binary system) [8:23]
06. Truth and Lies [7:19]
07. Dancando No Paraiso [7:37]
08. Another Mind [8:43]
09. The Tom and Jerry Show [6:06] bonus track

Total time = 01:10:21

2004 – Brain

01. Kung-Fu World Champion [6:49]
02. If… [7:09]
03. Wind Song [5:40]
04. Brain [8:59]
05. Desert On The Moon [7:04]
06. Green Tea Farm (solo) [4:34]
07. Keytalk [10:02]
08. Legend of the Purple Valley [10:47]
09. Another Mind [11:03] bonus track

Total time = 01:14:41

2006 – Spiral

01. Spiral [9:57]
Music for Three-Piece Orchestra:
02. Open Door – Tuning – Prologue [10:13]
03. Deja vu [7:45]
04. Reverse [5:09]
05. Edge [5:14]
06. Old Castle, by the river, in the middle of the forest [8:16]
07. Love and Laughter [8:57]
08. Return of Kung-Fu World Champion [9:39] bonus track

Total time = 01:05:39

2007 – Time Control

01. Time Difference
02. Time Out
03. Time Travel
04. Deep into the Night
05. Real Clock vs. Body Clock = Jet Lag
06. Time and Space
07. Time Control, or Controlled by Time
08. Time Flies
09. Time’s Up
10. Note from the Past

Total time = 01:13:49

2008 – Beyond Standard

01. Intro – Softly As In A Morning Sunrise
02. Softly As In A Morning Sunrise
03. Clair De Lune
04. Caravan
05. Ue Wo Muite Aruko
06. My Favorite Things
07. Led Boots
08. XYG
09. I’ve Got Rhythm

Total time = 59:36

2009 – Place to Be

01. BQE
02. Choux a la creme
03. Sicilian Blue
04. Bern Baby Bern
05. Somewhere
06. Capecod Chips
07. Islands Azores
08. Pachelbel’s Canon
09. Viva! Vegas: Show City, Show Girl
10. Viva! Vegas: Daytime in Las Vegas
11. Viva! Vegas: The Gambler
12. Place To Be
13. Green Tea Farm bonus track

Total time = 01:09:09

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Bunitinha
Bunitinha

PQP

.: interlúdio – Indigo Jam Unit + Quasimode :.

.: interlúdio – Indigo Jam Unit + Quasimode :.


Apesar de algumas carrancas, fiquei especialmente feliz com o resultado do último interlúdio — o jazz supraenergético do Soil & “Pimp” Sessions. Que uma parte do público deste blog é deveras conservador, já se sabia; o que eu seguidamente me pergunto, ao preparar as postagens para cá, é quão inovadores, permeáveis e, principalmente curiosos outros grupos de leitores podem ser. E ao abraçar o Japão com o groundbreaking jazz do S&PS, as respostas que chegaram pelos comentários foram gratificantes. Como, por exemplo, tangenciou o Juan Carlos Bosco: é preciso louvar as novas iniciativas em torno do jazz. Não se trata exatamente de falar em “renovação” — palavrinha que traz um ranço indesejado, de que o antigo não presta mais —, mas de re-interesse, re-despertar. Mais do que fazer jazz de uma forma leve, arejada, os novos combos que lotam pubs de Nagoya, Tokyo e Osaka estão formando novas gerações de ouvintes de jazz; e estão mostrando que o estilo não serve apenas para ouvir em casa, ou em lounge bars de personalidade molenga.

Não sei o que vocês acham, mas este cão fica sorrindo ao imaginar que, em “botecos” japoneses, tem gente que sai para dançar jazz ao invés de dance music. Curtir ativamente um estilo que parece renegado ao easy listening, pano de fundo, ao menos em nosso país.

Nada mais justo, portanto, que continuar nosso passeio pelo Japão. O post de hoje traz outros dois sensacionais combos — que, ao contrário do S&PS, são menos “barulhentos” e caminham mais próximos ao jazz tradicional, embora sem perder as doses generosas de groove, e os toques de latinidade, que marcam este particular DNA. Aliás, que não fique dúvida: tanto o Indigo Jam Unit quanto o Quasimode tem uma formação básica que inclui bateria e percussão fixas, além de double bass e piano.

O Indigo Jam Unit não precisa de mais nada; suas faixas são calcadas principalmente no baixo, que divide a maior parte da atenção com os belos riffs de piano. Apesar de um toque de nu-jazz, sua base é bop, e com muito a dever ao jazz modal, principalmente o dos anos 60. E boas composições: além de repletas de swing, são faixas que permanecem nos ouvidos e na memória (ouça Rumble, com um solo de piano de tirar o fôlego, e Time, com sua percussão marcante, e concorde comigo). Não só isso; é um álbum bastante cinemático, com muito movimento, e uma trilha sonora grandiosa pra quem se aventura com mp3 portáteis nas ruas da cidade.


Já o Quasimode, apesar de ter a mesma formação de base, utiliza convidados nos metais; no disco presente, um par de trumpetes e um sax alto, se identifiquei bem (impossível achar a listagem completa do cd na internet. Estamos tratando de grupos ainda pouco conhecidos fora do país de origem). Havia dito que o Indigo Jam Unit tem um feeling sessentista? Pois este disco do Quasimode não é apenas o feeling, mas também homenagem. A banda, que neste ano ganhou a chancela Blue Note de qualidade, resolve fazer uma releitura de clássicos daquela década, tocando standards de artistas do catálogo de sua nova gravadora. O resultado é um disco bastante coeso de jazz contemporâneo: das três bandas japonesas apresentadas, esta é a que tem raízes mais expostas — embora as faixas puxadas no soul e nos bongôs e ton-tons deixem claro de que não se trata de um disco antigo.

Para além de um jazz muito bem feito, tenho um particular carinho ao saber que ouço música ao mesmo tempo tradicional e inovadora, gravada do outro lado do mundo, e nos dias de hoje. (Estas duas bandas, inclusive, lançaram novos álbuns no começo deste mês.) Espero que vocês sigam comigo nessa jornada!

Indigo Jam Unit – Pirates /2008 (V2)
download – 65MB

樽栄嘉哉: keyboards
笹井克彦: double bass
和佐野功: percussion
清水勇博: drums

01 Pirates
02 Rumble
03 Giant Baby
04 Arctic Circle
05 Himawari
06 Time
07 Nostalgia
08 Trailer
09 Raindrop

Quasimode – Mode of Blue /2008 [V2]
download – 86MB

Yusuke Hirado: keyboards
Takahiro Matsuoka: percussion
Sohnosuke Imaizumi: drums
Kazuhiro Sunaga: bass

01 mode of blue(新曲/ブルーノート・トリビュート曲)
02 On Children (Jack Wilson)
03 Afrodisia (Kenny Dorham)
04 Little B’s Poem feat. Valerie Etienne (Bobby Hutcherson)
05 The Loner (Donald Byrd)
06 No Room For Squares (Hank Mobley)
07 Congalegre (Horace Parlan)
08 Ghana (Donald Byrd)
09 Sayonara Blues (Horace Silver)
10 African Village (McCoy Tyner)
11 Night Dreamer (Wayne Shorer)

Boa audição!

Os japas do Quasimode
Os japas do Quasimode

Blue Dog

.: interlúdio — das coisas que gostaria de ter compartilhado em 2012 :.

Em 2012, procurei pouco, e desordenadamente, pelo jazz. É assim, são os ciclos; estive entretido com outros barulhos e foram pra eles os esforços de garimpagem, análise e apreciação. Também apresentei sintomas da temida SCMD (Síndrome de Completude em Miles Davis — enfermidade onde o ouvinte, após tanto colecionar, tem a sensação de que não é preciso escutar qualquer coisa além de Miles Davis). No entanto, aqui e ali, atualizei alguns artistas e até descobri um par de ótimos discos esse ano. A pequena lista abaixo é um feliz natal cheio de votos de que, em 2013, haja mais e mais do prazer inenarrável de absorver a boa, divina, iluminada música, a todos nós.

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[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=mQycRAjOACg[/youtube]
Um dos temas preferidos de Blue Dog é essa qualidade efêmera, dicionarizando sutileza, que o piano de Bill Evans tem. Já admiti não entender de onde surge meu fascínio nem porque me comunico tanto ao ouvi-lo. Já Cannonball, outro personagem predileto, entendo bem porque gosto: a bonachice e o espírito leve que o acompanham se traduzem perfeitamente aqui desse lado da caixa de som. Evidente que com muita curiosidade descobri esse disco, onde Cannonball lidera Evans e a cozinha quadradíssima (pero competente) do Modern Jazz Quartet. Em algumas faixas, funciona bastante bem; noutras, Cannonball parece agitado demais para a quietude e clareza do trio que o acompanha. Evidente que é este é apenas um minúsculo comentário acerca de um disco que será sempre 5/5 só pela escalação e pelo encontro.


Cannonball Adderley & Bill Evans – Know What I Mean? /1961 link nos comentários
01 Waltz for Debby (Evans, Lees) 02 Goodbye (Jenkins) 03 Who Cares? [take 5] (Gershwin, Gershwin) 04 Venice (Lewis) 05 Toy (Jordan) 06 Elsa (Zindars) 07 Nancy (with the laughing face) (Silvers, Van Heusen) 08 Know What I Mean? [re-take 7] (Evans) 09 Who Cares? [take 4] 10 Know What I Mean? [take 12]
Cannonball Adderley; alto saxophone; Bill Evans, piano; Percy Heath, bass; Connie Kay, drums. Gravado entre 27/01 e 13/03/1961. Produzido por Orrin Keepnews para a Riverside

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[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=be386oMg2Yo[/youtube]
Todo mundo já sabe que do renascimento da cena jazz na Polônia, certo? Que bom. E que banda, esse sexteto de barulho contemporâneo. Tiremos o noise do caminho e é apropriado demais: brilhante forma de ler o jazz nesses anos 2000. Soa exatamente no tempo-espaço que ocupa, traz o frescor da criação, enquanto usa o vocabulário consagrado. E mostra que é muito mais produtivo divertido interessante dançar com o cânone do que brigar com ele.


Contemporary Noise Sextet – Ghostwriter’s Joke /2011 link nos comentários
01 Walk With Marylin 02 Morning Ballet 03 Is That Revolution Sad 04 Old Typewriter 05 Chasing Rita 06 Norman’s Mother 07 Kill The Seagull, Now!

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[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=fyLhQd8cqpg[/youtube]
Copia/cola parágrafo anterior, troca a Polônia pelo Japão, feito o carreto, segue o baile. (Sempre muito interessante notar as diferenças de estilo entre europeus e japoneses. Acho graça da latinidade que o segundo exibe.) Quase sempre veloz e incansável, o Indigo é um dos preferidos da casa e, tradicional, segue lançando disco bom após disco bom — todo santo dezembro.


Indigo Jam Unit – Rebel /2012 link nos comentários
01 Rebel 02 Belief 03 Rio 04 Graduation Day 05 Danza Eterna 06 Peekaboo 07 4 Caminos 08 Unreachable 09 Reflection

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[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=ClyWznHWRBk[/youtube]
Encontrei Dave Tarras pela minha irmã. Assistimos juntos (longe, mas comentando) o documentário do Ken Burns sobre jazz, e ela pescou a pérola acima de um curto link entre cenas. Depois de algum estarrecimento e pesquisa, saber que Tarras emigrou da Ucrânia para Nova Iorque em 1921, onde se tornou um dos mais populares clarinetistas de klezmer. O disco abaixo é um daqueles registros históricos, coletânea de gravações de qualidades diversas, que se torna uma incrível caminhada pelo passado. E toda aquela carga emocional tão própria do clarinete, permeando lamentos e exaltações, conta tantas histórias quanto o documentário onde as descobri.


Dave Tarras – Yiddish-American Klezmer Music 1925-1956 link nos comentários
01 Unzer Toirele 02 Yiddisher March 03 Good Luck 04 Polka “Strelotchek” 05 Chasidic in America 06 A Yid Bin Ich Gegboiren 07 Dem Monastrishter Rebin’s Chosid’l 08 Hopkele 09 Bridegroom Special 10 Die Goldene Chasene 11 Pas d’Espan 12 Mazel in Liebe 13 A Vaibele a Tsnien 14 Zum Gali Gali 15 Die Reize Nuch Amerkia 16 Branan Hassene 17 Kinos, Tkios un Ashrei 18 What Can You Mach? S’is America 19 Oriental Hora 20 Second Avenue Square Dance 21 Freilachs 22 Dayeynu 23 Rumanian Fantasy

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http://www.youtube.com/watch?v=5mL17N1ajIU
Julia Hülsmann é uma pianista que, além de germânica, grava para a ECM. Isso diz quase tudo que é preciso saber para conferir do que se trata. Falava antes da sutileza de Bill Evans? Bingo. Julia, com seu trio de baixo e bateria, trabalha de forma absolutamente minimalista e não houve qualquer desperdício na realização desse álbum. A música é suave, geralmente lenta, mas à medida em que as faixas se passam, vai se assimilando o estilo e percebendo a intensidade que traz. É um disco quieto e econômico, mas não é preguiçoso ou esparso — e consegue ter personalidade mesmo nos espaços que deixa desocupados. E também é lindo.


Julia Hülsmann Trio – Imprint /2011 link nos comentários
01 Rond Point 02 After the End of It 03 A Ligth Left On 04 Juni 05 Storm in a Teacup 06 Go and Open the Door 07 Luftballong 08 Ritual 09 Lulu 10 Ulmenwall 11 Zahlen Bitte 12 Whos Next

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio :. SOIL & "PIMP" Sessions: Planet Pimp & 6

Links revalidados por PQP, que acha sensacionais estes CDs

Se você não quiser ler mais nada e seguir direto para os links, tudo bem. Não tem problema. Eu entendo.

SOIL & “PIMP” Sessions is an explosive Japanese jazz band, comprised of six musicians. At its core, the group is about giving pulsating live performances. Their brand of jazz is rough around the edges, unadulterated entertainment and constantly kept at boiling point.

They originally met at a club event in Tokyo in 2001. The Tokyo club scene was dominated by DJs until SOIL & “PIMP” SESSIONS arrived, breaking the mold as live pioneers. Calling their music “DEATH JAZZ”, they gained recognition for performing an original form of aggressive alternative jazz.

“We always felt that in the world of jazz, there was an unwritten rule that the musicians were to concentrate on their techniques and the audience were simply there to admire, like a transmitter/ receiver relationship. We wanted to break away from that and create exciting jazz with far more interaction between the players and the audience”.site oficial

Não sei bem que caminho fiz, navegando na internet, mas lá pelas tantas caí numa matéria do The Japan Times. Sendo este cão também um grande admirador das vertentes mais pesadas do heavy metal, fui instantaneamente captado pelo título: Soil creates life with ‘death jazz’. Do artigo fui para o youtube, e com o vídeo acima, meu cérebro renasceu como se tivesse sido bombardeado por uma jarra de café espresso — pela primeira vez em muitos anos. (Foi ontem cedo da manhã. O chefe elogiou a rentabilidade do meu trabalho no fim do dia.)

Claro que a relação com metal ou death metal fica apenas na metáfora brincalhona — apesar de que a ideia de vigor, e até mesmo alguma agressividade, não é de todo fora de lugar. Faixa acima à parte, o sexteto japonês trabalha numa linha de funk jazz que lembra uma mistura de Hermeto Paschoal com um John Zorn mais contido. Há músicas que parecem ter saído de um festival europeu de jazz latino, e até algumas baladas com vocal (inegavelmente as mais fraquinhas – por sorte apenas uma ou duas a cada disco). O S&PS toca swing, toca bebop, joga groove por cima de tudo e apresenta-se com uma vivacidade muito rara no jazz contemporâneo: seus discos não querem soar como se tivessem sido gravados nos anos 70. Passam longe do cool, ao contrário; querem e geram calor, como se pode ver nos shows ao vivo. Já disse que são japoneses? Ah, os japoneses! Os únicos verdadeiros inovadores de hoje, sem jamais restringir sua criatividade infinita, ou veja as capas dos discos deste post (os mais recentes):


Tirem as crianças da sala, e o vovô também: vá com todos pro jardim, levante o volume, e ousem dançar.

Por que não?

SOIL & “PIMP” Sessions
Shacho: agitator, spirit
Tabu Zombie: trumpet
Motoharu: sax
Josei: keyboards
Akita Goldman: double bass
Midorin: drums

6 – set/2009 [320]
download (rapidshare)
01 SEVEN
02 KEIZOKU
03 PAPA’S GOT A BRAND NEW PIGBAG
04 MY FOOLISH HEART ~crazy in mind~
05 DOUBLE TROUBLE
06 POP KORN
07 QUARTZ AND CHRONOMETER
08 PARAISO
09 MY FOOLISH HEART ~crazy on earth~×SHEENA RINGO
10 MIRROR BOY
11 “STOLEN MOMENTS” feat. Jamie Cullum
12 AFTER THE PARTY
13 SATSURIKU TO HEIWA

PLANET PIMP – mai/2008 [192]
download (rapidshare) – 83MB
01 I.N.T.R.O.
02 Hollow
03 STORM
04 Fantastic Planet
05 GO NEXT!
06 Darkside
07 Sea of Tranquility
08 The world is filled by…
09 Khamasin
10 Struggle
11 Mingus Fan Club
12 Mars
13 SATSURIKU Rejects
14 Sorrow

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio – Kaori Muraji :.

Considere o vídeo abaixo:

Seguindo o caminho do interlúdio anterior, continuamos ouvindo violões, por que não. E sobre Kaori, bem; é jovem, linda, e toca de olhos fechados. Que dizer mais? Era daquelas crianças-prodígio, aprendeu a tocar violão com o pai aos três anos, e dali em diante foi conquistando competições e prêmios internacionais — até ser a primeira artista japonesa a assinar um contrato internacional com a Decca.

Credenciais à parte, os ouvidos notam que Kaori leva tudo muito a sério. Tem uma técnica impecável, e suas escolhas nos arranjos não costumam ser bem comportadas. Dos quatro álbuns desde post — talvez 1/5 de sua discografia — , três são de repertório erudito, e se o próprio Joaquín Rodrigo, pouco antes de sua morte, elegeu-a como sua voz no século XXI, a resenha do AMG para “Plays Bach” é bem menos elogiosa. (Este cão, que sabidamente não entende lhufas de música erudita, gostou bastante da segunda parte do cd, em que ela toca sozinha.) O último disco do post é de repertório popular, bem ao estilo balaio de gatos, misturando West Side Story à Internationale — e se eu prefiro mastigar vidro a ouvir Tears in Heaven outra vez nesta ou em qualquer outra vida, há momentos realmente sublimes, como Jongo, Sunburst e até Merry Christmas Mr. Lawrence (no vídeo abaixo, numa parceria muito bem concatenada com o próprio Saka).

Dito isto, aos álbuns? Blue Dog recomenda a ordem cronológia/de postagem mesmo; Lumières é fabuloso.

P.S.: Atendendo a pedidos, e não tão longe do contexto, participamos que o post de Wes Montgomery para “Full House” foi atualizado com um rip em V0. E no mesmo post foi adicionado um outro álbum — que você também deveria ouvir. Ctrl+clique o link acima pra não esquecer.


Kaori Muraji – Lumières /2005 [V0]
Kaori Muraji: guitar
download – mediafire /107MB

01 Gymnopedie No. 1 (Satie)
02 Gymnopedie No. 3 (Satie)
03 La fille aux cheveux de lin (Debussy)
04 Pavane Pour Une Infante Defunte (Ravel)
05 Saudade No. 3 (From Trois Saudades): I Rituel (Dyens)
06 Saudade No. 3 (From Trois Saudades): II Danse (Dyens)
07 Saudade No. 3 (From Trois Saudades): III Fete Et Final (Dyens)
08 2 Barcarolles, Op.60: I Lent, Calme, Dans Une Quietude Expressive (Kleynjans)
09 2 Barcarolles, Op.60: II Allegro (Kleynjans)
10 Fantasie Pour Guitare: I Resolu (De Breville)
11 Fantasie Pour Guitare: II Lent (De Breville)
12 Fantasie Pour Guitare: III Trés Vite (De Breville)
13 Gnossienne No 1 (Satie)
14 Water Color Scalor: I Prelude (Yoshimatsu)
15 Water Color Scalor: II Intermezzo A (Yoshimatsu)
16 Water Color Scalor: III Dance (Yoshimatsu)
17 Water Color Scalor: IV Intermezzo B (Yoshimatsu)
18 Water Color Scalor: V Rondo (Yoshimatsu)
19 Claire de Lune from Suite Bergamasque (Debussy)
20 Summer Knows Theme from “The Summer of ’42” (Legrand)


Kaori Muraji – Viva! Rodrigo /2007 [V0]
Kaori Muraji, guitar; Orquesta Sinfónica de Galícia, reg. Viktor Pablo Pérez. Música de Joaquín Rodrigo
download – mediafire /97MB

01 Concierto de Aranjuez – Allegro con spirito
02 Concierto de Aranjuez – Adagio
03 Concierto de Aranjuez – Allegro gentile
04 Sones en la Giralda
05 Concierto para una fiesta – Allegro deciso
06 Concierto para una fiesta – Andante calmo
07 Concierto para una fiesta – Allegro moderato


Kaori Muraji – Plays Bach /2008 [V0]
Kaori Muraji, guitar; Leipzig Bachorchester, reg. Christian Funke
download – mediafire /113MB

01 Cembalo Concerto No.2 in E major, BWV 1053 – I. Allegro
02 Cembalo Concerto No.2 in E major, BWV 1053 – II. Siciliano
03 Cembalo Concerto No.2 in E major, BWV 1053 – III. Allegro
04 BWV 1068 Air on the G string
05 Cembalo Concerto No.5 in F minor, BWV 1056 – I. Allegro
06 Cembalo Concerto No.5 in F minor, BWV 1056 – II. Largo
07 Cembalo Concerto No.5 in F minor, BWV 1056 – III. Presto
08 BWV 147 Choral Jesus bleibet meine Freude
09 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – I. Allmanda
10 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – II. Corrente
11 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – III. Sarabanda
12 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – IV. Giga
13 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – V. Ciaconna
14 Menuet, BWV Anh. 114 & 115


Kaori Muraji – Portraits /2009 [320]
Kaori Muraji, guitar
download – mediafire /156MB

01 Merry Christmas Mr. Lawrence (Sakamoto)
02 Tango en Skai (Dyens)
03 Tears In Heaven (Clapton)
04 Jongo for guitar(Bellinatti)
05 Energy Flow (Sakamoto)
06 What a Friend We Have in Jesus(Converse)
07 Internationale (De Geyter)
08 Amours Perdues (Kosma)
09 Secret Love (Fain)
10 Porgy and Bess – Summertime (Gershwin)
11 West Side Story – I Feel Pretty (Bernstein)
12 West Side Story – Maria (Bernstein)
13 West Side Story – America (Bernstein)
14 Nocturne No.2 in E flat, Op.9 No.2 (Chopin)
15 Thousands of Prayers (Tanikawa)
16 Träumerei (Schumann)
17 Love Waltz (Neumann)
18 Introduction To Sunburst/Sunburst (York)
19 In My Life (McCartney)

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio – Mama!milk :.

Ok, sejamos diretos e honestos: o interlúdio de hoje traz um grupo de tango. Japonês. Chamado Mama!milk.

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Se você continua neste post, parabéns! Você é um curioso, e isso é muito bom. E por causa disso será recompensado com uma quadra de ases. Afinal, admitamos: friamente, a descrição não é das mais promissoras. No entanto, quem tem alguma intimidade com o universo musical japonês (orgulhosamente presente aqui no PQP) sabe que é preciso abandonar paradigmas ao escutar algo vindo de lá. Embora a proposta pareça inusitada, quem tem ouvidos atentos sabe que nada que surja do Japão pode, com honestidade, ser classificado de improvável.

O cerne do Mama!milk é a acordeonista Yuko Ikoma e o contrabaixista Kosuke Shimizu, ambos baseados em Tóquio, e com músicos convidados (piano, sopros, bateria — até um theremin) a orbitar seus shows e discografia. Mais do que compor e interpretar temas que invariavelmente nos atingem como tangueros, a música do duo parece um estudo sobre as possibilidades do acordeão no cool jazz. Se eu fosse resenhista de alguma revista descoladinha, eu os chamaria de post-tango sem hesitar; frequentemente as músicas estendem-se sem pressa, com as notas colocadas suavemente, e uma produção que enfatiza climas, antes de execuções. Somos remetidos a passeios em ruas antigas, a jardins de grama alta, a sonhos primaveris, a beijos de cinema noir. Sem exigir muito em troca — os andamentos não são simples, mas a técnica passa despercebida — , a música do Mama!milk é uma experiência altamente gratificante.

Os discos deste post se parecem entre si; a carreira do grupo, que já dura quase 15 anos, não marca nenhuma guinada brusca. (Inclusive porque ambos músicos principais tem seus outros projetos, mantendo o foco do Mama!milk intacto enquanto se divertem experimentando em outras frentes.) No entanto, isso não significa que não haja evolução; sua música vai se refinando, ficando mais sofisticada. Sugiro começarem por “Fragrance of Notes”; se não por ter sido eleito um dos 5 melhores álbuns de jazz pela BBC/Radio 1 em 2008, pela faixa The Moon. Me digam se não é a coisa mais bonita que vocês já ouviram nos últimos tempos. (E Two Ripples não fica muito atrás.)

(Além dos discos postados, o grupo lançou três EPs em colaborações especiais, dois discos em 2010 — “Quietude”, apenas com o duo principal, e “Parade”, com grupo completo — e está trazendo mais um, “Nude”, no mês que vem. Tanto no mundo físico quanto no virtual, são uma raridade pra encontrar.)


Mama!milk – Abundant Abandon /1999 [160]
Yuko Ikoma (accordion, piano), Kosuke Shimizu (double bass), Toru Satake (violin), Haruo Kondo (clarinet), Kunihiko Kurosawa (percussion)
download – 55MB /mediafire
01 Tricky clown round midnight
02 Sugar Daddy
03 Marie!; a big sweet dame in red
04 Popula; populus.poplars.pupulorum
05 Balloons over the carny
06 Ecco la carne
07 Dance your destiny, Nana
08 Abundant abandon
09 Pierre Angeric
10 A spree & French jinks
11 Heureux jours sous le ciel


Mama!milk – Lamb and Mutton /2001 [320]
Yuko Ikoma (accordion, piano, organ, music box), Kosuke Shimizu (double bass), Yasuko Saito (violin), Satoshi Yoshiike (clarinet), Satoru Takeshima (flute, sax), Yuki Yano (theremin), Masaki Mori (guitar), Gaku Nakamura (percussion), Tsutom Kurihara (percussion), Maki Takeuchi (drums)
download – 84MB /mediafire
01 Anemone Anaemia
02 Lamb and Mutton
03 Andante, Coquettish “kuroneko”
04 Sugar Daddy’s Daddy
05 4 Down
06 Crimson Erosion
07 Mieulou
08 Ao
09 Granpa in 3a.m.


Mama!milk – Gala de Caras /2003 [320]
Yuko Ikoma (accordion, piano), Kosuke Shimizu (double bass), Atsuko Hatano (violin, cello), Takeo Toyama (marimba), Pyon Nakajima (claves, bongo, castanets, guiro)
download – 82MB /mediafire
01 August
02 Greco on Thursday
03 Gala de Caras
04 Intermezzo, Op. 28
05 0
06 Greco on Monday
07 Zizi
08 Waltz for Hapone
09 Sones
10 A Piacere


Mama!milk – Fragrance of Notes /2008 [192]
Yuko Ikoma (accordion), Kosuke Shimizu (double bass), Yuichi Inobori (flute, trombone), Gak Sato (theremin), Takeo Toyama (piano), Tsutom Kurihara (drums)
download – 67MB /mediafire
01 Kujaku
02 Antique Gold
03 Hourglass
04 The Moon
05 Intermezzo, Op. 32
06 Avant Fermentation
07 Anise
08 Rosa Mundi
09 Smoky Dawn
10 Rosa Moschata
11 Two Ripples
12 Mano Seca
13 Sometime Sweet
14 Waltz, Waltz

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio – Mouse on the Keys :.

Seguindo o giro pelo Japão à procura das novas possibilidades do jazz, peço que parem por quatro minutos e assistam ao vídeo abaixo, preferencialmente em tela cheia.

Sob o singelo nome de Mouse on the Keys, um duo de pianos e um baterista vem fazendo uma daquelas espécies de música difíceis de caracterizar. Tem instrumental e improv de jazz, usa as estruturas leves do post-rock, e alterna momentos de força e velocidade com outros de swing, ou até atmosfera rarefeita. A marcação firme do baterista permite aos pianistas que concentrem-se na alternância entre baixo e solo; o resultado é absolutamente instigante.

Nem todos os momentos são perfeitos; sendo um projeto recente, há ainda que lapidar, com uma inspiração mais cultivada, a criatividade transbordante. Isso não significa que sejam menos dignos de serem ouvidos; é inovador e de poucos paralelos, e isso por si só já justifica a audição (e a torcida). Esta postagem traz os dois discos já lançados. “Sezession” é um EP, e tem composições mais vigorosas, recordando (de alguma forma) os momentos mais agressivos de Stanley Jordan; já no álbum “An Anxious Object” há mais espaço para mostrar a variação, e a evolução, dos estilos que compõem os ‘ratos nas teclas’.

Mouse on the Keys
Akira Kawasaki: drums, keyboards
Atsushi Kiyota: piano, keyboards
Daisuke Niitome: piano, keyboards


Sezession /2007 (V0)
download – 27MB [mediafire]
01 Saigo No Bansan
02 Toccatina
03 RaumKrankheit
04 A Sad Little Town


An Anxious Object /2009 (320)
download – 70MB [mediafire]
01 Completed Nihilism
02 Spectres de Mouse
03 Seiren
04 Dirty Realism
05 Forgotten Children
06 Unflexible Grids
07 Double Bind
08 Soil
09 Ouroboros

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio – Middle 9 :.

Embora a influência do jazz seja notável em diversos outros gêneros, são raras as investidas que efetivamente misturam-no a um outro estilo. Porque convencionou-se dizer que certa batida, ou timbre, dá a uma música um toque jazzy — mas trata-se de apenas isso, um detalhe, sem ultrapassar sua característica original. Exceção feita, claro, ao fusion, que de tão fusion é tratado como um subgênero do jazz, e não uma entidade distinta. (O que me parece acertado.)

Por outro lado, nós aqui, desse lado do planeta, raramente sabemos os que os japoneses andam fazendo — quase sempre de forma surpreendente. E nos últimos 10 anos a cena alternativa de Tóquio e Osaka vem revivendo, expandido e experimentado o jazz — num grande exercício (quase acadêmico) de como apropriar-se dele e recriá-lo.

E quem me impressionou ultimamente foi o Middle 9. Centrado em vibrafone e guitarra, o grupo junta jazz, post-rock, fusion e algum funk para criar ótimas composições híbridas — à medida em que as faixas desse álbum vão passando, a variedade explorada impede que se possa categorizar a banda, ou definir qual seu estilo predominante. Seja lá o que for, é sofisticado e criativo; às vezes enérgico como Weather Report, noutras leve como uma canção lenta de Pat Metheny. E, ao mesmo tempo, evocando as bandas mais sensíveis de post-rock que também usam vibrafone, como Tortoise e The Mercury Program.

Middle 9 – Sea That Has Become Known /2008 (V0)
Toyama Motoko: vibraphone, elec piano, guitar
Shinbori Hiroshi: guitar
Mukai Nakofumi: bass
Aoki Fumihiki: drums

download – 69MB /mediafire

01 Island Pull Out
02 Liam
03 Replique, Tableau
04 Paprika
05 Marsupial
06 Fix
07 Shu Shu
08 Tonotopy The Bamboo Coral
09 After It Pause

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio: The Many Sides of Toshiko Akiyoshi :.

Confesso: durante muito tempo evitei o jazz. Sentia grande atração pelo estilo – principalmente o veloz virtuosismo do bop – mas temia colocar a primeira pata dentro dessa Caixa de Pandora. Porque talvez mais do que qualquer outro gênero musical (o erudito é um universo à parte), seja impossível ouvi-lo de longe: em sua dualidade, se o jazz não incomoda, apaixona – e exige. Pesquisa, audições pacientes, tempo de maturação. Um labirinto que dura o tempo de uma vida e onde não se procura a saída; apenas os corredores mais ricos e ornamentados. (Um amigo disse certa vez que não existem ouvintes de jazz, apenas colecionadores.)

Hoje já me sinto melhor adaptado, mas voltei àquela sensação ao me deparar com Toshiko Akyoshi num post do excelente Jazzever (a quem desde já agradeço). Toshi de quem? Pianista? Japonesa? Disco de 1957, pela Verve??? Já com os fones nos ouvidos, procuro informações – enquanto uma mistura de Gil Evans e Bud Powell tira litros de swing de seu piano no standard “The Man I Love”:


Akiyoshi nasceu no ano de 1929 em Dairen, na China, mas mudou-se para o Japão em 1946. Ela tocou com Sadao Watanabe e depois de ser encorajada por Oscar Peterson, estudou na Berklee durante 1956-59. Casou-se por um tempo com o sax-altista Charlie Mariano, co-liderando o Toshiko Mariano Quartet no início dos anos sessenta.

Depois de trabalhar com Charles Mingus em 1962, Toshiko ficou no Japão por três anos. De volta a New York em 1965, criou séries musicais em rádio e formou um quarteto com o segundo marido, Lew Tabackin, em 1970. Depois de mudar-se para Los Angeles em 1972, Toshiko Akiyoshi montou uma big band impressionante com excelentes solistas, como Bobby Shew, Gary Foster e Tabackin. Eles gravaram vários álbuns notáveis antes de Akiyoshi decidir em 1981, de retornar a New York. Desde então Akiyoshi e Tabackin têm estado bastante ativos, embora a sua big band tenha recebido menos publicidade do que tinha em L.A. Seu nome está presente entre os melhores arranjadores de jazz nas últimas décadas. clube de jazz

 

Muito prazer, Toshiko. Neste The Many Sides… não notei nada que caracterizasse um toque feminino ao bop de altíssima qualidade, formato trio, que se ouve; como isso não tem qualquer importância, fica apenas a sutil e adorável sensação de mãos delicadas improvisando temas com bastante vigor. E uma espécie de transgressão – uma oriental como bandleader de algo tão enciclopedicamente jazz, um ritmo americano que prescindiu das mulheres desde o fim da Era do Swing e suas vocalistas.

E agora, com uma discografia que inclui mais de 80 itens, para onde vou? Mais uma vez o labirinto do jazz me mostra um corredor gigantesco. Ainda bem que sigo pelo faro e pelo instinto. E claro, pelo prazer. Impossível perder-se.

Toshiko Akiyoshi – The Many Sides of Toshiko [320]
Toshiko Akiyoshi: piano
Jake Hanna: drums
Gene Cherico: bass

download – 89MB
01 The Man I Love (G. Gershwin, I. Gershwin) 5’27
02 Minor Moods (Brown) 4’16
03 After You’ve Gone (Layton, Creamer) 3’35
04 We’ll Be Together Again (Fischer, Laine) 4’29
05 Studio J 3’15
06 Tosh’s Fantasy 9’04
07 Bags’ Groove (Jackson) 6’48
08 Imagination (Van Heusen, Burke) 3’35

Boa audição!
Blue Dog