Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 5 / Schubert (1797-1828): Sinfonia No. 8 “Inacabada” – Leopold Stokowski

Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 5 / Schubert (1797-1828): Sinfonia No. 8 “Inacabada” – Leopold Stokowski

Pessoal, depois de um tempão volto a postar algumas grandes gravações do imenso maestro Leopold Stokowski (1882 – 1977). Nesta quarta parte da mini biografia compreende intenso período na carreira do maestro que vai de 1923 até 1940. No início dos anos vinte Leopold se separou de Olga Samaroff e logo se casou novamente, e desta vez com Evangeline Brewster Johnson, filha e herdeira de Robert Wood Johnson, co-fundador da empresa farmacêutica Johnson & Johnson. Ele renovou a orquestra da Filadélfia para poder se expandir para o balé e a ópera. Carismático conseguiu arrecadar fundos e pressionou a oposição do Conselho da Orquestra da Filadélfia e alguns de seus partidários para montar produções do drama musical de Schoenberg “Die glückliche Hand opus 18”, e uma produção de ballet completo de “Le Sacre du Printemps” de Stravinsky em 1930. As três apresentações, com lotação total, dessas duas obras na Filadélfia e na cidade de Nova York esgotaram-se, justificando a aposta de Stokowski de que teriam sucesso. Com muita moral (e dólares) Stokowski alcançou em 1936 um dos objetivos que procurava há pelo menos uma década: o Conselho da Associação de Orquestra concordou com uma excursão transcontinental da Orquestra da Filadélfia. Isso seria financiado pela RCA Victor Records, e incluiria 33 shows em 27 cidades ao longo de 35 dias.

No final dos anos 30, Stokowski levou ao envolvimento da Orquestra da Filadélfia no histórico filme “Fantasia” de Walt Disney. Um encontro casual com Walt Disney resultou em um jantar no “Chasen’s Restaurant” em Hollywood em 1938. Disney delineou seus planos para fazer “O Aprendiz de Feiticeiro” e outros projetos combinando música clássica com animação. Disney ficou surpreso quando o maestro respondeu “Eu gostaria de fazer estre trabalho com você…”. Ter o proeminente maestro voluntário para o projeto era uma oportunidade que a Disney não podia deixar passar. O projeto foi expandido em vários curtas que seriam combinados no “Concert Feature”. Enquanto considerava vários títulos melhores para o projeto, foi o próprio Stokowski que sugeriu o termo musical “fantasia” – um título perfeito para um filme só com música e sem enredo (O Mestre Aviccena já postou AQUI).
Estas gravações tiveram algumas dificuldades técnicas quanto à sincronização, mas Stokowski as aprovou e elas foram usadas no filme final. No entanto, Walt Disney decidiu que o curta-metragem “The Sorcerer’s Apprentice” precisava ser expandido para um filme completo, a fim de ser financeiramente viável. Depois de discutir seleções musicais adicionadas com Stokowski, Disney garantiu os direitos de “Le Sacre du Printemps” em abril de 1938. Em dezembro de 1939, Stravinsky visitou os estúdios da Disney e, embora anos depois tenha sido crítico de “Fantasia”, Stravinsky, na época, parecia favorável. Mais tarde, houve mais críticas às escolhas musicais de Stokowski e Disney, particularmente na edição da música. Por exemplo, a Sinfonia Pastoral de Beethoven foi cortada em 22 minutos. “Fantasia” foi estreada em 1940. Foi amplamente vendido em DVD, em várias versões restauradas. Esta estadia em Hollywood foi tão ativa e produtiva que em março de 1938, Leopold Stokowski e Greta Garbo passaram férias juntinhos na ilha de Capri, na Itália . Será que ele pegou a Greta ? O resultado, claro, foi o divórcio com a herdeira da Johnson & Johnson.
To be continued…..

Beethoven – Sinfonia No. 5
O que dizer da quinta de Beethoven que já não estamos cansados de saber…. Bom ele terminou a composição no início de 1808. A “Quinta Sinfonia” foi executada, pela primeira vez, no dia 22 de dezembro de 1808, no “Theater an der Wien”, por um grupo de músicos angariados para o concerto, sob a regência do próprio Beethoven. Um ouvinte de hoje transportado para a Viena da época se assustaria com a precariedade dos concertos. Viena não tinha orquestras permanentes nem salas de concerto. Os concertos eram realizados nos palácios dos príncipes ou nos teatros, geralmente com acústica precária. Os músicos eram contratados para ocasiões específicas e geralmente executavam as obras com pouquíssimos ensaios, já que os cachês eram, na maioria das vezes, insuficientes para um trabalho artístico detalhado. Um típico concerto do início do século XIX consistia de uma abertura, um concerto, uma sinfonia, árias e cenas de ópera e uma improvisação do solista. O concerto que Beethoven deu naquele dia, além de muito longo, mesmo para os padrões da época, foi longe de ser perfeito. Nele foram estreadas a “Quinta e a Sexta Sinfonias”, a “Fantasia Coral”; o “Concerto para piano nº 4” que também foram executados em público pela primeira vez; quanto à ária de concerto “Ah! Perfido” e movimentos da “Missa em Dó maior” tiveram naquela oportunidade sua primeira execução em Viena; Beethoven ainda se sentou ao piano para uma série de improvisações. Embora o público estivesse acostumado a concertos longos, o concerto de estreia da “Quinta Sinfonia” durou intermináveis quatro horas, em um teatro com sistema de aquecimento estragado. Beethoven havia requisitado o teatro durante todo o ano e lhe deram apenas uma noite morta, três dias antes do Natal. Foi uma noite longa de inverno para o público vienense, que assistiu a um concerto das 18h30 às 22h30 com obras modernas de um compositor ainda pouco conhecido, executadas por uma orquestra que não havia ensaiado suficientemente. O compositor Johann Reichardt, que estava presente ao concerto, escreveu: “O pobre Beethoven, que finalmente realizava seu próprio concerto e conseguia seu primeiro e único pequeno lucro de todo o ano, recebeu, nos ensaios e na apresentação, apenas oposição e praticamente nenhum suporte. Os cantores e a orquestra, compostos dos elementos mais heterogêneos, não conseguiram realizar um único ensaio completo das peças apresentadas.”

Schubert – Sinfonia No. 8 “Inacabada”
Esta sinfonia é a mais romântica de todas as sinfonias de Schubert. Foi escrita em outubro de 1822, mais ou menos na mesma época em que o compositor foi diagnosticado com sífilis, mais impressionante ainda, e totalmente consistente com o silêncio de Schubert sobre o assunto, ele nos dá um pouco de sua música mais pessoal, angustiada e intimista – música de natureza nunca antes associada com o meio muito ‘popular’ da sinfonia. Esta situação é inteiramente consistente com a escuridão, pungência e violentas erupções de protestos angustiados que caracterizam ambos os movimentos da Sinfonia “Inacabada”. Qualquer que seja a explicação, os dois movimentos concluídos complementam-se perfeitamente e, juntos, constituem uma das supremos obras-primas da história da música. Esta é outra obra que para mim traz uma grande recordação: no início dos anos 80, ainda criança, eu via meu pai chegar do trabalho toda sexta feira e colocar exatamente este LP para ouvir a oitava de Schubert, se deitava no tapete da sala ao lado da “Radio Vitrola Valvulada Telefunken” fechava os olhos e entrava numa espécie de transe. Acabava a música ele se levantava e ia tomar banho. Quem viveu aquela época sabe da grande recessão que o Brasil passava. Ele trabalhava numa grande montadora de veículos que tinha cerca de 30.000 funcionários e deveria reduzir o quadro à metade até o fim do ano. Depois mais calmo ele contava as histórias para minha mãe como esta: “… hoje vi vários amigos e pais de família chorando desesperados após serem mandados embora…”. Esta música acalmava o que chamamos hoje de stress (mas na época ele chegava era puto mesmo).

Acredito que a interpretação deste Beethoven do Stoki é bastante tradicional, mas o Schubert é muito tenso e dramático, espetacular, ambos gravados em setembro de 1969 no Walthamstow Assembly Hall, Londres, com a London Philharmonic Orchestra. Stokowski tinha 87 anos na época da gravação, idoso, mas com controle total dos seus movimentos, seus olhos e as mãos mágicas sem a batuta, transmitindo suas emoções para a orquestra. É interessante ver seu arranjo e sua técnica para criar o “Som Stokowski”. O desempenho destas sinfonias é impecável.

Deleitem-se amigos !

Beethoven – Sinfonia No. 5
1 – Allegro Con Brio
2 – Andante Con Moto
3 – Allegro
4 – Allegro

Schubert – Sinfonia No. 8 “Inacabada”
5 – Allegro Moderato
6 – Andante Con Moto

London Philharmonic Orchestra
Leopold Stokowski
Recorded: 9 and 10 September 1969
Recording Venue: Walthamstow Assembly Hall, London

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E ai Greta, bora para a praia ?

Ammiratore

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino e Orq., Op. 61, Romance para Violino e Orq., Op. 40 e Romance para Violino e Orq., Op. 50

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino e Orq., Op. 61, Romance para Violino e Orq., Op. 40 e Romance para Violino e Orq., Op. 50

51dAwfocJGL._SY355_Gosto imensamente do Opus 61 de Beethoven, cheio sensibilidade, leveza e reflexão. Há outras três ou quatro versões aqui no blog. Esta que trarei agora é com um dos meus condutores favoritos, que entende tudo e mais um pouco de regência e música, Nikolaus Harnoncourt. Ao violino temos o grande Gidon Kremer. Separei para os próximos dias uma versão muito boa com uma das minhas violinistas favoritas da atualidade, Anne-Sophie Mutter, que gosto duplamente pelos seguintes motivos: (1) pela técnica apurada e pela maturidade musical que a moça quase cinquentona conquistou; e (2) pela beleza, pela compleição física. Alguns dirão: “Ela não é nada!” Para mim o é. Tenho devaneios com aquela mulher. O Previn é quem se deu bem. Que pena! Por que não nasci na Alemanha? Voltando ao concerto: Beethoven escreveu o Concerto para violino e orquestra, Op. 61 em 1806. A obra não fez sucesso quando da estreia e foi pouco executada nos anos seguintes. Mendelssohn, em 1844, retomou as execuções desse concerto que de lá para cá tornou-se um dos principais concertos para o instrumento, o violino. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino e Orq., Op. 61, Romance para Violino e Orq., Op. 40 e Romance para Violino e Orq., Op. 50

Concerto para violino e orquestra em Ré maior, Op. 61
01. Allegro ma non troppo
02. Larghetto
03. Rondo, Allegro

Romance para violino e Orquestra em Sol maior, Op. 40
05. Romance para violino e Orquestra em Sol maior, Op. 40

Romance para violino e Orquestra em Fá maior, Op. 50
06. Romance para violino e Orquestra em Fá maior, Op. 50

The Chamber Orchestra of Europe
Nikolaus Harnoncourt, regente
Gidon Kremer, violino

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Alguém pode me explicar que porra foi aquela que fizeram nas cadenzas do meu belíssimo concerto?

Carlinus

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto Nº 5 para piano e orquestra, Op. 73, “Imperador” & 32, 12 e 6 Variações para Piano Solo

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto Nº 5 para piano e orquestra, Op. 73, “Imperador” & 32, 12 e 6 Variações para Piano Solo

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Vamos ao último concerto para piano e orquestra de Beethoven com o Gilels. Uma beleza! O concerto número 5 de Beethoven é conhecido também como “Imperador”. Essa designação não foi dada pelo próprio Beethoven. O compositor Johann Baptist Cramer teria sido o responsável por assim denominá-lo. Ficou primeiramente conhecido com esse epíteto nos países de língua inglesa e logo em seguida tornou-se comum chamar o concerto de “Imperador”. Certo mesmo é que a obra foi escrita entre os anos de 1809 e 1811 em homenagem ao arquiduque Rodolfo, mecenas e aluno de Beethoven. O concerto número 5 é uma peça possuidora daquela beleza idealista de Beethoven. Nele percebemos os sonhos, esperanças e reflexões do grande mestre. Aparecem ainda três variações impelidas pelas mãos geniais de Emil Gilels.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto No. 5 para piano e orquestra in E flat, Op. 73 – “Imperador”, 32 Variations in C minor on an Original Theme, Wo080, 12 Variations in A on Russian Theme from Wranitzky’s ‘Das Waldmädchen’, Wo071 e 6 Variations in D on a Turkish March from “The Ruins of Athens”, Op. 76

Concerto No. 5 para piano e orquestra in E flat, Op. 73 – “Imperador”
01. I – Allegro
02. II – Adagio un poco mosso
03. III – Rondo, Allegro

Cleveland Orchestra
Geroge Szell, regente
Emil Gilels, piano

32 Variations in C minor on an Original Theme, Wo080
04. 32 Variations in C minor on an Original Theme, Wo080

12 Variations in A on Russian Theme from Wranitzky’s ‘Das Waldmädchen’, Wo071
05. 12 Variations in A on Russian Theme from Wranitzky’s ‘Das Waldmädchen’, Wo071

6 Variations in D on a Turkish March from “The Ruins of Athens”, Op. 76
06. 6 Variations in D on a Turkish March from “The Ruins of Athens”, Op. 76

Emil Gilels, piano

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Gilels: uma autoridade em Beethoven
Gilels: uma autoridade em Beethoven

Carlinus

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 3, Op. 55 – "Eroica"

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 3, Op. 55 – "Eroica"

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um portento. Uma coisa de louco esta gravação de Fricsay (1914-1963) com a Filarmônica de Berlim. Se não estou errado é uma gravação de 1958. Aqui não estamos falando de curiosidades como esta, mas de uma orquestra fenomenal regida pelo maior dos regentes, ou quase isso.

Esta Sinfonia contém a dedicatória rasgada mais célebre de todos os tempos: a que Beethoven dedicou a Napoleão, pensando-o um libertador, rasgando-a — ou melhor, apagando-a no papel COM UMA FACA — quando percebeu a que sonhos de grandeza vinha o pigmeu corso. É impossível ouvi-la sem a paixão da dedicatória, antes e depois.

A Marcha Fúnebre… Quem quer viver na “Marcia Funebre” todas as dores da perda, só há a gravação de Ferenc Fricsay. E aqui está ela. Não há melhor gravação da Eroica.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 3, Op. 55 – “Eroica”

1) Allegro con brio
2) Marcia funebre. Adagio assai
3) Scherzo. Allegro vivace
4) Finale. Allegro molto

Berliner Philharmoniker
Ferenc Fricsay

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Nossa, quanta delicadeza ao apagar...
Nossa, quanta delicadeza ao apagar…

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As Criaturas de Prometeu, Op. 43 – Die Geschöpfe des Prometheus

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As Criaturas de Prometeu, Op. 43 – Die Geschöpfe des Prometheus

Em 1800, o mestre de balé na Hoftheater Viena Salvatore Vigano pediu Beethoven a compor a música para seu novo balé sobre a astúcia de Prometeu, que roubou o fogo de Zeus e deu aos mortais. E Beethoven escreveu de forma primorosa a obra ora postada. Não deixe de ouvir esta maravilhosa peça do mestre alemão. Boa apreciação!

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Criaturas de Prometeu, Op. 43 – Die Geschöpfe des Prometheus

01. Overture Adagio – Allegro molto con brio –
02. Introduction ‘La Tempesta’ Allegro non troppo

Ato I

03. Poco adagio
04. Adagio – Allegro con brio
05. Allegro vivace

Ato II

06. Maestoso – Andante
07. Adagio – Andante quasi allegretto
08. Un poco adagio – Allegro
09. Grave
10. Allegro con brio – Presto
11. Adagio – Allegro molto
12. Pastorale Allegro
13. Andante
14. Solo di Gioia Maestoso – Allegro
15. Allegro – Comodo
16. Solo della Casentini Andante – Adagio – Allegro
17. Solo di Vigan Andantino – Adagio – Allegro
18. Finale Allegretto – Allegro molto

Scottish Chamber Orchestra
Sir Charles Mackerras, regente

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Prometeu era fortão.
Prometeu era fortão.

Carlinus

Beethoven, Brahms, Mozart: Sonatas solo / para Violoncelo e Piano / Concerto

Beethoven, Brahms, Mozart: Sonatas solo / para Violoncelo e Piano / Concerto

Já havia um certo tempo que eu tencionava postar este CD duplo, com peças de Beethoven, Brahms e Mozart, interpretados por Rudolf Serkin. Serkin nasceu na Boêmia, Império Astro-Húngaro. Como mostrava propensões para o piano, foi enviado para Viena aos 9 anos para estudar e aprimorar a sua técnica. Deu seu primeiro concerto aos 12 anos pela Filarmônica de Viena. Chegou a estudar composição com Schoenberg. Após mudar para os Estados Unidos na década de 30, Serkin tornou-se habitué da Filarmônica de Nova York, que tinha como diretor Arturo Toscanini. Segue este CD com uma pequena mostra de seu talento. O pianista morreu em 1991, aos oitenta e oito anos. Boa apreciação desse repertório bem escolhido!

DISCO 1

Ludwig van Beethoven (1770-1827) –
Sonata para piano no. 30 em E maior, Op. 109

01. Adagio espressivo
02. Prestissimo
03. Gesangvoll, mit innigster Empfindung
04. Variation I. Molto espressivo
05. Variation II. Leggiermente
06. Variation III. Allegro vivace
07. Variation IV. Etwas langsamer als das Thema
08. Variation V. Allegro, ma non troppo
09. Variation VI. Tempo l del tema (Cantabile)

Sonata para piano no.31 in A flat maior, Op.110
10. Moderato cantabile molto espressivo
11. Allegro molto
12. Adagio, ma non troppo – Fuga. Allegro, ma non troppo

Sonata para piano no.32 em C menor, Op.111
13. Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
14. Arietta. Adagio molto semplice e cantabile

DISCO 2

Johannes Brahms (1833-1897)
Sonata para piano e violoncelo em E menor, Op.38
01. Allegro non troppo
02. Allegretto quasi menuetto
03. Allegro

*Mstilav Rostropovich, violoncelo

Wolfgand Amadeus Mozart (1756-1791) –
Concerto para piano e orquestra no.16 em D maior, K.451
04. Allegro assai (Cadenza. Mozart)
05. Andante
06. (Rondeau.) Allegro di molto (Cadenza. Mazart)

**Chamber Orchestra of Europe
Claudio Abbado, regente

Rudolf Serkin, piano

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Rudolf Serkin e um apreciador
Rudolf Serkin e um apreciador

Carlinus

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Stephen Kovacevich plays Beethoven Piano Concertos – Kovacevich, Colin Davis, BBCSO, LSO

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Postagem realizada originalmente em 2011, com algumas adaptações. Links Novos !!!

Posso chamar esta postagem de projeto em parceria, pois sem a ajuda do Carlinus, iria demorar para eu ter acesso a esse material já há algum tempo cobiçado.
Os críticos são unânimes em considerar estas gravações de Kovacevich, realizadas nos anos 70, como definitivas. Os comentaristas da amazon foram unânimes em dar 5 estrelas. E pelo pouco que ouvi, e ainda estou ouvindo, elas realmente tem aquele “quê” especial. Não perguntem o que é, pois não saberia responder É para sentir.. As escolhas são as mais acertadas? Bem, é difícil dizer, mas dentre as dezenas de gravações que já ouvi destes concertos, e entre as mais de 20 gravações que tenho deles, talvez seja a mais próxima do que posso considerar ideal. Talvez a juventude tenha falado mais alto, e o jovem Kovacevich tenha acertado a mão exatamente por não temer se expor, encarar de frente os grandes intérpretes, lembrando que naquela época muitos dos grandes pianistas do século XX ainda eram vivos, como Rubinstein, Kempff, Richter, Serkin, Horowitz, e a nova geração já vinha se impondo, como Pollini, Argerich, Baremboim, Lupu… para deixar sua marca, Kovacevich resolveu deixar de lado o trivial, e partir para o ataque. Em postagem anterior, trouxe os concertos de Brahms também com ele e com Colin Davis, postagens que já alcançaram a incrível marca de quase 800 downloads, sem contar os mais de 500 downloads do Concerto n°2 postado há uns dois ou três anos atrás. Ou seja, houve uma grande aceitação destas interpretações. Espero que com este Beethoven aconteça o mesmo.

CD 1

01. Piano Concerto No.1 in C major, op.15 – I. Allegro con brio
02. Piano Concerto No.1 in C major, op.15 – II. Largo
03. Piano Concerto No.1 in C major, op.15 – III. Rondo_ Allegro scherzando
04. Piano Sonata No.5 in C minor, Op.10 No.1, 1. Allegro molto e con brio
05. Piano Sonata No.5 in C minor, Op.10 No.1, 2. Adagio molto
06. Piano Sonata No.5 in C minor, Op.10 No.1, 3. Finale (Prestissimo)

Stephen Kovacevich – Piano
BBC Symphony Orchestra
Colin Davis – Conductor

CD 2

01. Piano Concerto No.2 in B flat major, op.19 – I. Allegro con brio
02. Piano Concerto No.2 in B flat major, op.19 – II. Adagio
03. Piano Concerto No.2 in B flat major, op.19 – III. Rondo_ Molto allegro
04. Piano Concerto No.4 in G major, op.58 – I. Allegro moderato
05. Piano Concerto No.4 in G major, op.58 – II. Andante con moto
06. Piano Concerto No.4 in G major, op.58 – III. Rondo_ Vivace

Stephen Kovacevich – Piano
BBC Symphony Orchestra
Colin Davis – Conductor

CD 3

01. Piano Concerto No.3 in C Minor, Op.37, 1. Allegro con brio
02. Piano Concerto No.3 in C Minor, Op.37, 2. Largo
03. Piano Concerto No.3 in C Minor, Op.37, 3. Rondo (Allegro)
04. Piano Sonata No.8 in C Minor, Op.13,’Pathétique’, 1. Grave – Allegro di molto e con brio
05. Piano Sonata No.8 in C Minor, Op.13,’Pathétique’, 2. Adagio cantabile
06. Piano Sonata No.8 in C Minor, Op.13,’Pathétique’, 3. Rondo (Allegro)

Stephen Kovacevich – Piano
London Symphony Orchestra
Colin Davis – Conductor

CD 4

01. Piano Concerto No.5 in E Flat, Op.73,’Emperor’, 1. Allegro
02. Piano Concerto No.5 in E Flat, Op.73,’Emperor’, 2. Adagio un poco mosso
03. Piano Concerto No.5 in E Flat, Op.73,’Emperor’, 3. Rondo (Allegro)

Stephen Kovacevich – Piano
BBC Symphony Orchestra
Colin Davis – Conductor

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CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 4 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Diabelli Variationen – Paul Lewis

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Diabelli Variationen – Paul Lewis

O CD que estou trazendo para os senhores é novidade. Ainda nem foi lançado. Só no dia 14 estará à disposição para os senhores comprarem no site da amazon. A não ser que comprem em mp3.

Nosso mentor PQPBach ama essas pequenas miniaturas beethovenianas. E elas realmente são incríveis. Mais incríveis ainda quando estão sendo executadas por um dos grandes nomes do piano na atualidade, o queridinho das massas, Paul Lewis. E justiça seja feita, o cara é bom mesmo. Vide sua integral dos concertos para piano e das sonatas do mesmo Beethoven. Foi protegido de ninguém menos que Alfred Brendel, que dispensa apresentações. E grava pela Harmonia Mundi.

Como diz nosso colega Carlinus, que está viajando, uma boa apreciação.

1. 33 Variations on a Waltz by Diabelli, op.120: Thème. Vivace – Var. I. Alla Marcia maestoso
2 II. Poco allegro
3. Var. III. L’istesso tempo
4. Var. IV. Un poco più vivace
5. Var. V. Allegro vivace
6. Var. VI. Allegro ma non troppo e serioso
7. Var. VII. Un poco più allegro
8. Var. VIII. Poco Vivace
9. Var. IX. Allegro pesante e risoluto
10. Var. X. Presto
11. Var. XI. Allegretto
12. Var. XII. Un poco più moto
13. Var. XIII. Vivace
14. Var. XIV. Grave e maestoso
15. Var. XV. Presto scherzando
16. Var. XVI. Allegro
17. Var. XVII.
18. Var. XVIII. Poco Moderato
19.Var. XIX. Presto
20.Var. XX. Andante
21.Var. XXI. Allegro con brio – Meno allegro
22.Var. Xxii. Allegro Molto
23.Var. Xxiii. Allegro Assai
24.Var. Xxiv – Fughetta. Andante
25.Var. XXV. Allegro
26. Var. Xxvi.
27. Var. Xxvii. Vivace
28.Var. Xxviii. Allegro
29.Var. Xxix. Adagio Ma Non Troppo
30. Var. XXX. Andante, sempre cantabile
31.Var. Xxxi. Largo, Molto Espressivo
32.Var. Xxxii – Fuga. Allegro – Poco Adagio
33.Var. Xxxiii. Tempo Di Menuetto Moderato

Paul Lewis – Piano

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Hoje tô de mal com o piano.
Hoje tô de mal com o piano.

FDPBach

W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para piano e orquestra Nº 22, K. 482 / L. v. Beethoven (1770-1827): Concerto para piano e orquestra Nº 3, Op. 37

W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para piano e orquestra Nº 22, K. 482 / L. v. Beethoven (1770-1827): Concerto para piano e orquestra Nº 3, Op. 37

Um clássico de capa nova. A anterior era branquinha, lembram? Para um CD como este, penso que as apresentações sejam dispensáveis. Por isso iremos com certa urgência à música. Uma excelente apreciação!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) –
Concerto para piano e orquestra No. 22 em Mi bemol maior, K. 482
01. Allegro
02. Andante
03. Allegro

Ludwig van Beethoven (1770-1827) –
Concerto para piano e orquestra No. 3 em Dó menor, Op. 37
04. Allegro con brio
05. Largo
06. Rondo (Allegro)

Sviatoslav Richter, piano
Philharmonia Orchestra
Riccardo Muti, regente

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mozaer Beethoven

Carlinus

A ‘jam session’ de Beethoven com o violinista negro Bridgetower (Op.47) e seu ‘jazz 120 anos antes’ (Op.111)

Publicado originalmente em 02.07.2010

Juro que tentei fazer mais curto, isto que o Grão-Mestre PQP, o Filho de Bach, chamou de ‘post-tese’… mas acho que a história a seguir é saborosa demais pra ser escondida, e outra chance não haverá. Só espero que vocês concordem! Trata-se do encontro entre Beethoven e o outro violinista negro com George no nome, mencionado de passagem na nossa primeira postagem sobre o Cavaleiro de Jorge francês (Chevalier de Saint-George).

John Frederick Bridgetower era um valete negro numa residência polonesa dos príncipes Esterházy do Império Austro-Húngaro. Lê-se que provavelmente havia fugido da escravidão em Barbados (novamente o Caribe), mas também que alegava ser um príncipe de seu próprio povo.

Sabemos por outros casos que isso não seria impossível, e, verdade ou não, John parece ter vivido nas cortes como um peixe n’água. Ainda na Polônia casou-se com Marianna Ursula – que uns creem suábia, outros polonesa – e aí mesmo, em 1778, nasceu-lhes George Augustus Polgreen Bridgetower – o que definitivamente não parece nome de filho de alguém que se considerasse servo.

George Bridgetower jovem http://i47.tinypic.com/112a0ic.jpg

Quanto a ‘George’, de certa forma também presente no nome daquele outro mestiço, Joseph Bologne, Chevalier de Saint-George – será mera coincidência? Pode ser, mas… um ano antes Mozart havia encontrado a vida musical de Paris dominada pela figura do violinista mestiço. Os Bridgetower viviam dentro da corte austríaca – e muito, muito cedo o pequeno Geoge Bridgetower também estava com o violino nas mãos. Nunca encontrei uma linha sobre isso, mas acho difícil não especular uma relação!

Mesmo se com o nome não houve mais que coincidência, é de fato improvável que não tenham sabido um do outro mais tarde: logo a família passou a servir no próprio Castelo Esterházy, onde atuava ninguém menos que Haydn – tão empregado dos Esterházy quanto os pais de George – e segundo algumas fontes, este logo teve o privilégio de aulas com o gigante.

Ora, se é verdade que Saint-George foi pessoalmente à Áustria encomendar as seis Sinfonias Parisienses (oferecendo por elas um valor que o pobre Haydn jamais havia sonhado), pode ter encontrado aí o pequeno George com 6 ou 7 anos. E mesmo se não foi pessoalmente, não deixou de haver correspondência entre o compositor de Paris e o austríaco que ele evidentemente admirava – pois empenhou-se em promovê-lo numa Paris que ainda não se havia dado conta da sua importância, como se vê no surpreso encantamento registrado nos jornais após essa estréia sêxtupla regida por Saint-George.

Para completar, aos 11 anos George Bridgetower faz seu début como virtuose do violino justamente no Concert Spirituel de Paris – do qual Saint-George havia sido diretor, se é que já havia deixado de ser.

A esta altura o pai aparentemente já não servia aos Esterházy, pois pelas cortes da Europa se comentava da finesse e desenvoltura em cinco idiomas com que empresariava os concertos do filho-prodígio – e este aos 13 anos cai nas graças de mais um George: o Príncipe de Gales, futuro George IV da Inglaterra e Hannover. Este lhe banca estudos de violino, teclado e composição com os maiores mestres da Londres da época – em troca, obviamente, do “passe” do menino.

Aos 25 anos, em licença, George chega a Viena, onde Beethoven, com 33, já pontificava. A amizade parece ter sido imediata, informal e entusiástica: Beethoven retoma alguns esboços, e em uma semana conclui a nona e mais importante das suas sonatas para violino e piano. Vão estreá-la juntos em 25/05/1803, com Bridgetower – acreditem ou não – tocando boa parte à primeira vista, e ainda lendo por sobre o ombro do compositor, pois nem tinha havido tempo para copiar a parte do violino.

Mas o melhor da história vem no segundo movimento, quando o piano reapresentava sozinho uma idéia exposta antes pelo violino – e Bridgetower ousou improvisar comentários uma oitava acima em vez de aguardar. Beethoven teria saltado do piano e… ao contrário do que se poderia esperar do seu gênio, teria abraçado o violinista com palavras que se traduzem perfeitamente por “Mais, camaradinha, mais!” – o que me faz perguntar: terá sido essa a primeira jam session da história?

Que o clima era de divertimento, atesta-o também o título que aparece no manuscrito original: nada menos que “Sonata mulattica, composta per il mulatto Brischdauer [grafia jocosa do nome], gran pazzo [grande maluco] e conpositore mulattico” – havendo referência ainda à anotação “Sonata per un mulattico lunatico”.

Tão informal, porém… que segundo um relato da época os dois teriam comemorado a estréia com uma bebedeira homérica, no meio da qual Beethoven teria se dado por ofendido por uma observação de Bridgetower sobre determinada mulher… A amizade teria terminado aí, e seria por isso que pouco tempo depois Beethoven enviou a sonata com dedicatória ao francês Rodolphe Kreutzer, violinista mais famoso da época.

Outros veem uma razão mais pragmática: com brigas ou não, Beethoven planejava uma temporada em Paris e pensou que dedicar a sonata a Kreutzer podia ajudar no projeto. O fato é que a viagem não se concretizou, e Kreutzer, por sua vez, apenas passou os olhos e disse que a obra era um nonsense inexecutável, e que de resto não lhe interessava porque ‘nem era virgem’ (a expressão é minha)… Nunca tocou a peça que imortalizou seu nome injustamente, enquanto o de Bridgetower só recentemente vem sendo recuperado.

que para este a briga com Beethoven – se é que houve – tenha sido o fim: em 1811 bacharelou-se em Música em Cambridge ‘defendendo’ um anthem para coro e orquestra (e eu fiquei extremamente surpreso de saber que já existia isso em música na época); deixou ainda peças para piano, canções, suítes de arranjos de danças, e ao que parece dois concertos e uma sinfonia desaparecidos (nunca encontrei referência a nenhuma gravação de suas peças, infelizmente). Foi membro das associações profissionais mais importantes, e parece ter tido considerável papel como professor, do que é documento uma carta de Vincent Novello, pioneiro do revival de Bach na Inglaterra, assinada como “seu antigo aluno e admirador profissional sempre”. Bridgetower viveu ainda alguns períodos em Roma e fez diversas viagens pela Europa, até morrer em Londres com 82 anos, em 1860.

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Quanto à música, é de notar que esta Sonata op.47 tenha sido composta no mesmo ano que a Eroica, tida por um marco no estabelecimento do romantismo em música. As duas têm praticamente o dobro da duração das obras anteriores do mesmo gênero, e são saltos definitivos no sentido da pessoalidade da linguagem. (Quanto ao fato de anteriormente Beethoven já ter publicado 8 sonatas para violino e só 2 sinfonias, me faz pensar numa imensa preparação interior para revolucionar esta forma antes de poder adotá-la como seu campo privilegiado de expressão pessoal).

Este blog já tem outra gravação da Sonata “a Kreutzer” (argh!), e com ninguém menos que Yehudi Menuhin – mas fui ouvi-la e achei um tanto fria, e sobretudo daquela solenidade pedante que se costumava atribuir a Beethoven, mas que – como vimos – não tem nada a ver com o clima da criação da obra. Preferi esta gravação recente do austro-canadense Corey Cerovsek com o finlandês Paavali Jumppanen – apesar de a qualidade de som deixar a desejar, nesta versão ao vivo (que não é a mesma do CD acima).

Mas a postagem ainda me parecia incompleta, e aí lembrei daquela outra obra de Beethoven, onde, incompreensivelmente, sua experimentação resultou em cinco minutos que soam literalmente como o mais legítimo jazz pianístico de 120-150 anos depois: sua última sonata para piano, a famosa Opus 111. Para isso escolhi mais uma gravação ao vivo recente, a do inglês Paul Lewis (e, mais uma vez, o selo da Amazon se refere à versão de estúdio. Lewis, a propósito, já fez a integral das sonatas).

Beethoven muitas vezes abriu mão do processo clássico de desenvolvimento de idéias musicais em favor da forma tema-e-variações, tida pela musicologia como de origem espanhola. Uma das vezes foi no 2.º movimento da sonata estreada com Bridgetower. Outra, no 2.º e (de modo incomum) último movimento da op. 111, o que lá pelas tantas ‘vira jazz’.

Também em muito de Saint-Georges parecemos encontrar uma opção pela apresentação de um tema e sua variação, em lugar de um desenvolvimento propriamente dito.

Haverá algo de uma ‘sensibilidade negra’ nessa opção pela variação – que, afinal, é o próprio processo estrutural do jazz? E teria Beethoven sido tocado de algum modo por essa sensibilidade negra através do seu encontro com Bridgetower, ou mesmo de um nada impossível contato com obras de Saint-George?

Talvez não – mas também não seria impossível. E se é certo que nunca teremos certeza, também me parece extremamente estimulante mantê-lo como hipótese em aberto, ‘talvez não, talvez sim…’ Afinal, não se tratando de questões de sobrevivência, a certeza é tanto desnecessária quanto empobrecedora – e sobretudo anti-poética, incompatível com a natureza da arte!

Faixa 1
Sonata para violino e piano n.º 9, op. 47 – ‘Mullatica’, ‘Kreutzer’ (1803)
. . 00:00 Adagio sostenuto – Presto
. . 13:40 Andante con variazioni
. . 28:50 Presto
Corey Cerovsek, violino – Paavali Jumppanen, piano
Gravação ao vivo disponibilizada na internet.
Gravação de estúdio pelos mesmos artistas: Claves Records, 2007

Faixa 2
Sonata para piano n.º 32, op. 111 (1822)
. . 00:00 Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
. . 08:45 Arietta – Adagio molto semplice e cantabile
. . . . (‘jazz’ de 13:59 a 17:40)
Paul Lewis (Inglaterra), piano
Gravação ao vivo disponibilizada na internet.
Gravação de estúdio pelo mesmo artista: Harmonia Mundi, 2008

. . . . . BAIXE AQUI – download here

Ranulfus

Os DOIS encontros de Guiomar e Beethoven no Quarto – e ainda Ao Luar!

Os DOIS encontros de Guiomar e Beethoven no Quarto – e ainda Ao Luar!

http://www.tropis.org/imagext/guiomar novaes beethoven swarowsky.jpgIM-PER-DÍ-VEL !!!

Publicado originalmente em 07.05.2010

Este post só foi possível graças a uma rede de colaborações. Primeiro, nosso leitor Eduardo Maia Bandeira de Melo enviou a gravação do concerto com Klemperer. Eu só conhecia a outra, e fiquei pasmo de ouvir como a mesma pianista pôde produzir duas versões tão diferentes da mesma obra – e as duas antológicas.

Aí veio a vontade irresistível de ouvi-las lado a lado – e obviamente de compartilhar essa audição com vocês – mas trombei com que a versão com Swarowsky anda inincontrável em CD e internet. E aí entrou nosso companheiro de equipe Avicenna, grande mestre em ripagem de LPs de vinil e pós-processamento dos arquivos. E de repente…

… eis que ouço saindo pela primeira vez do micro aqueles sons que me atingiam vindos da vitrola de meu pai quando eu ainda nem havia saído da barriga da minha mãe. (Parece que eram esse concerto e a Pastoral com Walter Goehr. Pouco depois esta era o único jeito de acalmar um certo sujeito um tanto indignado por ter nascido…)

Aí, uma decisão delicada: o CD oferecido pelo Eduardo contém mais 7 peças de recital, desacompanhadas, de Bach-Silotti, Brahms, Gluck-Sgambatti, Saint-Saëns sobre Gluck… em interpretações espantosas por diferentes motivos. Imperdível, mas inseridos artificialmente no mesmo disco. Totalmente fora do campo desse Beethoven. E decidi transferi-las para outro post, a ser feito em breve.

Por outro lado, o disco de Swarowsky contém ainda a Sonata ao Luar – provavelmente a leitura mais clássica, desapaixonada, cool, que já ouvi dessa obra. Ela ficaria totalmente desenturmada entre aquelas outras peças (quando vocês ouvirem vão entender…) e definitivamente não destoa do clima geral deste post. E então ficou aqui, de bis – ou tris, pois aparece depois que o concerto inteiro é bisado!

Antes de deixar com vocês, só quero dizer que não vejo o objetivo de “eleger a melhor” nessa audição lado a lado; acho mesmo que seria uma atitude mesquinha demais para matérias desta ordem. São diferentes, e ponto. Mas confesso que tendo a achar Klemperer mais interessante nos movimentos rápidos, enquanto o Andante com Swarowsky… ouçam em silêncio e atenção até a ÚLTIMA nota e depois me digam.

E ainda: Klemperer perderá um pouco na qualidade de som, e não por culpa do Eduardo: a gravação é de 1951 (informação do leitor Flavio Dutra), e a de Swarowsky foi lançada em 1962 já em stereo.

Finalmente: não parece notável que as duas versões tenham sido gravadas em Viena – a cidade que Beetoven adotou, e onde compôs e apresentou ao mundo esta música toda?

Beethoven, Concerto para piano e orquestra n.º 4, em Sol, op.58
Orquestra Sinfônica de Viena – Regente: Otto Klemperer
Solista: Guiomar Novaes

Ano de lançamento: 1951

01 I Allegro moderato
02 II Andante con moto
03 III Rondo, Vivace

As outras peças contidas no mesmo CD (Bach, Brahms, Gluck etc.) serão postadas separadamente.

Beethoven, Concerto para piano e orquestra n.º 4, em Sol, op.58
Orquestra Pro-Musica de Viena – Regente: Hans Swarowsky
Solista: Guiomar Novaes

Ano de lançamento: 1962

04 I Allegro moderato
05 II Andante con moto
06 III Rondo, Vivace

Beethoven, Sonata para piano n.º 14, em Do sustenido menor, op.27 nº 2
“Ao Luar”, “Moonlight”, “Mondschein”
Pianista: Guiomar Novaes

Incluído no LP (vinil) do 4.º Concerto com Swarowsky (1962)

07 (faixa única)
. . . 0:00 I Adagio Sostenuto
. . . 5:20 II Allegreto
. . . 7:42 III Presto Agitato

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Guiomar, dois encontros com homens diferentes
Guiomar, dois encontros com homens diferentes

Ranulfus

Beethoven (1770-1827): as 32 Sonatas para piano por Paul Lewis (2006-08) – REVALIDADO

Que mistério tem Paul Lewis? Pra ser sincero, conheço uma carrada de pianistas que passam, bem mais que ele, impressões de profundidade, expressividade, grandiosidade no que fazem. Quanto mais ouço, mais me convenço de que Lewis usa, digamos, uma paleta limitada de climas, cores, efeitos –

… entre eles, é verdade, o uso mais afetuosamente aveludado do pedal ‘una corda’ que já ouvi – sem falar da capacidade de fazer cada nota soar audível por si, sem jamais virar mera componente de massas. Mas por magistrais que sejam essas habilidades, continuam sendo parte de um quadro bastante limitado.

E no entanto eu não consigo parar de ouvir! Que mistério tem o Paul?

Tento levantar hipóteses. Penso em chamar sua abordagem de “vitória da simplicidade”, quem sabe até “apoteose”. Suponho uma opção de não carregar a música com emoções e interpretações pessoais, para deixar transparecer com pureza a vida mental-emocional do próprio compositor, corporificada na estrutura mesma da música com tanta clareza que – como a Marina morena que já é bonita com o que Deus lhe deu – torna supérfluo ou contraproducente qualquer tipo de maquiagem.

Será por aí? Venho apostando que sim, mas com uma dimensão adicional: vejo (com os ouvidos) Lewis abordar Beethoven com uma forma eminentemente clássica de tocar, não romântica. Tocá-lo como quem tocasse Mozart, Haydn ou – mais ainda – aquela enxurrada de música mais ou menos didática para teclado deixada pelos Diabellis e Clementis da vida.

Mas isso não seria rebaixá-lo, de certa maneira? Fazê-lo retroceder?

É aí que estaria a genialidade da sacada de Lewis: tocando ao modo romântico, Beethoven pode soar “pré” alguma coisa: estilisticamente, uma espécie precursor imaturo de um Schumann, um Brahms, até um Tchaicóvski… Tocado como clássico, no entanto, desaparece qualquer ideia de “pré”, e em seu lugar se ergue retumbante um “pós-“, um “trans”, um “meta-“,

… a dilatação de uma linguagem até os seus limites e, de repente, para além deles, por territórios que simplesmente não existiam antes – e, se não existiam, nem eles nem os que vieram depois, a troco de quê considerá-los um “pré”?

Se é por isso não sei, mas meu antigo preconceito contra as peças mais antigas do Ludovico desta vez não resistiu: fui ouvir a primeira de todas as sonatas – que é Opus 2, quer dizer: apenas a segunda obra publicada pelo nosso compositor… e já achei música madura, consistente – e estilisticamente (mais uma vez) um passo além de Mozart e Haydn com segurança, sem titubear. E ainda mais: música com conteúdo emocional denso, sem absolutamente nada que se pudesse julgar “banal” (embora, curiosamente, eu não consiga evitar uma impressão de banalidade em vários trechos – trechos, nunca peças inteiras – de obras bem posteriores, como p.ex. da Sonata 18 e mesmo da 28, apesar de esta de certa forma já integrar o Himalaia final, constituído pelas Sonatas 29 [Hammerklavier], 31 e 32, com esta 28 e a 30 como vales surgidos da mesma rocha, no entremeio).

Me perdoem a prolixidade, mas acontece que, apesar de meus pais terem usado um disco da Pastoral (a sinfonia) pra me fazerem dormir no berço (juro!), foi só agora, meio século e meia década mais tarde, que tive a oportunidade de conhecer as 32 sonatas como conjunto – e não há como não estar embriagado. Queria mesmo é falar horas sobre este e aquele detalhe desta e daquela sonata, mas, sosseguem, só vou registrar umas poucas impressões:
• Cada vez mais encantado por diferentes aspectos da Waldstein (nº 21)… e da Tempestade (nº 17).
• Entre as popularmente famosas, parece que a Apassionata (nº 23) é de longe a mais consistente.
• Alguém aí já prestou atenção na “despretensiosa” nº 27? Coisa gostosa, sô!
• Ainda não contabilizei quantos dos 102 movimentos são séries de variações – mas são um monte, dentre eles algumas das criações máximas do Ludovico (vide Opus 111). Ele chega ao cúmulo de abrir a nº 12 com um Andante con variazioni – o que parece uma negação da própria ideia de sonata!
Por outro lado, seu cabelo preto e olhos castanhos têm provocado muitos a supor uma ancestralidade espanhola, e até moura, através do lado flamengo da família (isto é, de região dominada pela Espanha por alguns séculos). E a Espanha é tida como pioneira na construção de peças na forma tema-e-variações, na música europeia. Não tem como evitar uma vontade danada de especular relações… mas a verdade é que, se eu tenho algum bom senso, o que ele diz dessa hipótese é “bullshit!”. Abobrinha pura.
• O Himalaia I: quer me parecer que foi só na Hammerklavier (Op.106, de 1819) que Beethoven transcendeu de vez o uso clássico do teclado, com sua herança cravística ou clavicordística. Os acordes massivos nas duas mãos – que soam como produzidos por 20 dedos, não 10 -, as explorações dos extremos do teclado – parecem estabelecer de uma vez, numa obra só, a linguagem pianística do romantismo e, no último movimento, já grande parte do que o século XX viria a explorar.
• O Himalaia II. A Opus 110 (nº 31) é uma joia de primeira grandeza que nunca deveria ser deixada na sombra da Opus 111, como tantas vezes se faz. Aliás, olhando o conjunto de cada uma dessas quatro ou cinco como sonata, a Opus 111 não é de modo nenhum a melhor. Mas quem diz que a esta altura estamos falando de sonatas? A altitude chegou a tanto que as formas começaram a se evaporar, a sequência de variações virou uma trilha, uma passagem… (Para o quê? Melhor não tentar explicar!)

Voltando a Lewis, pra terminar: ao falar de “modo clássico de tocar”, longe de mim a ilusão de que Lewis toque precisamente como um Mozart ou um Clementi tocariam! Afinal, ele vive hoje, ouviu tudo o que veio depois… mas parece dar preferência a deixar entrever que ouviu jazz, e até mesmo tango, a deixar transparecer que ouviu Chopin ou Liszt ou Brahms, em sua preparação para abordar o Ludovico.

Talvez venha daí um tanto do encanto desta sua realização das sonatas – um encanto que talvez não seja imortal: talvez fique para sempre atrelado a este momento ‘pós-moderno’ que vivemos. Mas mesmo sabendo disso… torço pra que seja infinito enquanto dure!

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As sonatas estão postadas aqui em sua ordem cronológica, que não foi seguida nos 10 CDs da gravação de Lewis, lançados de 2006 a 2008. Se alguém quiser ouvir na ordem dos CDs, é a seguinte:
CD 01: Sonatas 16, 17 e 18 · CD 02: Sonatas 08, 11 e 28 · CD 03: Sonatas 09, 10, 21 e 24
CD 04: Sonatas 25, 27 e 29 · CD 05: Sonatas 01, 02 e 03 · CD 06: Sonatas 04, 22 e 23
CD 07: Sonatas 12, 13 e 14 · CD 08: Sonatas 05, 06 e 07 · CD 09: Sonatas 15, 19, 20 e 26
CD 10: Sonatas 30, 31 e 32
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BEETHOVEN: AS 32 SONATAS PARA PIANO em sua ordem original

ATENÇÃO: os mp3 estão soltos dentro dos arquivos rar; sugiro criar uma pasta e extrair o conteúdo dos 4 arquivos rar dentro dela. Mp3 files are loose within the rar files; the best way to manage them is creating a folder to extract all 4 rar files into it.

Arquivo 1 : Sonatas 1 a 7 : BAIXE AQUI – download here

Arquivo 2 : Sonatas 8 a 15 : BAIXE AQUI – download here

Arquivo 3 : Sonatas 16 a 24 : BAIXE AQUI – download here

Arquivo 4 : Sonatas 25 a 32 : BAIXE AQUI – download here

• • • • • • • • • • ARQUIVO / FILE 1 • • • • • • • • • •
Sonata no.01 in F minor, Op.2 no.1 – 1795
..1………01.1………Allegro
..2………01.2………Adagio
..3………01.3………Menuetto: Allegretto
..4………01.4………Prestissimo

Sonata no.02 in A major, Op.2 no.2 – 1795
..5………02.1………Allegro vivace
..6………02.2………Largo appassionato
..7………02.3………Scherzo: Allegretto
..8………02.4………Rondò: Grazioso

Sonata no.03 in C major, Op.2 no.3 – 1795
..9………03.1………Allegro con brio
10………03.2………Adagio
11………03.3………Scherzo
12………03.4………Allegro assai

Sonata no.04 in E flat major, Op.7 ‘GRAND SONATA’ – 1797
13………04.1………Allegro molto e con brio
14………04.2………Largo con gran espressione
15………04.3………Allegro
16………04.4………Rondò: Poco allegretto e grazioso

Sonata no.05 in C minor, Op.10 no.1 – 1798
17………05.1………Allegro molto e con brio
18………05.2………Adagio molto
19………05.3………Finale: Prestissimo

Sonata no.06 in F major, Op.10 no.2 – 1798
20………06.1………Allegro
21………06.2………Allegretto
22………06.3………Finale: Presto

Sonata no.07 in D major, Op.10 no.3 – 1798
23………07.1………Presto
24………07.2………Largo e mesto
25………07.3………Menuetto: Allegro
26………07.4………Rondò: Allegro

• • • • • • • • • • ARQUIVO / FILE 2 • • • • • • • • • •
Sonata no.08 in C minor Op.13 ‘PATHETIQUE’- 1798
27………08.1………Grave – Allegro di molto e con brio
28………08.2………Andante cantabile
29………08.3………Rondò: Allegro

Sonata no.09 in E major Op.14 no.1 – 1798
30………09.1………Allegro
31………09.2………Allegretto
32………09.3………Rondò: Allegro commodo

Sonata no.10 in G major Op.14 no.2 – 1798
33………10.1………Allegro
34………10.2………Andante
35………10.3………Scherzo: Allegro assai

Sonata no.11 in B flat major Op.22 – 1800
36………11.1………Allegro con brio
37………11.2………Adagio con molto espressione
38………11.3………Tempo di menuetto
39………11.4………Rondò: Allegretto

Sonata no.12 in A flat major, Op.26 ‘MARCIA FUNEBRE’- 1801
40………12.1………Andante con variazioni
41………12.2………Scherzo: Allegro molto
42………12.3………Marcia funebre sulla morte d’un eroe
43………12.4………Allegro

Sonata no.13 in E flat major, Op.27 no.1 ‘QUASI UNA FANTASIA I’ – 1801
44………13.1………Andante
45………13.2………Allegro molto e vivace
46………13.3………Adagio con espressione
47………13.4………Finale. Allegro vivace

Sonata no.14 in C sharp minor, Op.27 no.2
‘QUASI UNA FANTASIA II’, ‘MOONLIGHT’, ‘AO LUAR’ – 1801
48………14.1………Adagio sostenuto
49………14.2………Allegretto
50………14.3………Presto agitato

Sonata no.15 in D major, Op.28 ‘PASTORALE’ – 1801
51………15.1………Allegro
52………15.2………Andante
53………15.3………Scherzo: Allegro vivace
54………15.4………Rondò: Allegro ma non troppo

• • • • • • • • • • ARQUIVO / FILE 3 • • • • • • • • • •
Sonata no.16 in G major, Op.31no.1 – 1802
55………16.1………Allegro vivace
56………16.2………Adagio grazioso
57………16.3………Rondò: Allegretto

Sonata no.17 in D minor, Op.31 no.2 ‘TEMPEST’, ‘A TEMPESTADE’- 1802
58………17.1………Largo
59………17.2………Adagio
60………17.3………Allegretto

Sonata no.18 in E flat major, Op 31 no.3 ‘LA CACCIA’, ‘A CAÇA’ – 1802
61………18.1………Allegro
62………18.2………Allegretto vivace
63………18.3………Menuetto: Moderato e grazioso
64………18.4………Presto con fuoco

Sonata no.19 in G minor, Op.49 no.1 – 1805
65………19.1………Andante
66………19.2………Rondò: Allegro

Sonata no.20 in G major, Op.49 no.2 – 1805
67………20.1………Allegro ma non troppo
68………20.2………Tempo di menuetto

Sonata no.21 in C major Op.53 ‘WALDSTEIN’ – 1803
69………21.1………Allegro con brio
70………21.2………Introduzione. Adagio molto
71………21.3………Rondò: Allegretto moderato

Sonata no.22 in F major, Op.54 – 1804
72………22.1………In tempo di menuetto
73………22.2………Allegretto

Sonata no.23 in F minor, Op.57 ‘APASSIONATA’ – 1805
74………23.1………Allegro assai
75………23.2………Andante con moto
76………23.3………Allegro ma non troppo

Sonata no.24 in F sharp major Op.78 ‘A THERESE’ – 1809
77………24.1………Allegro ma non troppo
78………24.2………Allegro vivace

• • • • • • • • • • ARQUIVO / FILE 4 • • • • • • • • • •
Sonata no.25 in G major Op.79 ‘ALLA TEDESCA’ – 1809
79………25.1………Presto alla tedesca
80………25.2………Andante
81………25.3………Vivace

Sonata no.26 in E flat major, Op.81a ‘LEX ADIEUX’, ‘LEBEWOHL’ – 1810
82………26.1………Adagio – Allegro (Les Adieux)
83………26.2………Andante espressivo (L’Absence)
84………26.3………Vivacissimamente (Le Retour)

Sonata no.27 in E minor Op.90 – 1814
85………27.1………Allegro: Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck
86………27.2………Rondò: Nicht zu geschwind und sehr singbar vorzutragen

Sonata no.28 in A major Op.101 – 1816
87………28.1………Allegretto ma non troppo. Etwas lebhaft
88………28.2………Vivace alla marcia. Lebhaft
89………28.3-4……Adagio ma non troppo – Allegro ma non troppo

Sonata no.29 in B flat major Op.106 ‘HAMMERKLAVIER’ – 1819
90………29.1………Allegro
91………29.2………Scherzo: Assai vivace
92………29.3………Adagio sostenuto: Appassionato e con molto sentimento
93………29.4………Largo – Allegro risoluto

Sonata no.30 in E major, Op.109 – 1820
94………30.1………Vivace ma non troppo. Adagio espressivo
95………30.2………Prestissimo
96………30.3………Andante: Gesangvoll mit innigster empfindung, mezza voce

Sonata no.31 in A flat major, Opus 110 – 1821
97………31.1………Moderato cantabile molto espressivo
98………31.2………Allegro molto
99………31.3………Adagio ma non troppo – Allegro ma non troppo (Fuga)

Sonata no.32 in C minor, Opus 111 – 1822
100………32.1………Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
101………32.2………Arietta: Adagio molto semplice e cantabile

Ranulfus (postado originalmente em 20.10.2012)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Concerto, Op. 61 – Mullova, Oistrakh

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Concerto, Op. 61 – Mullova, Oistrakh

Enquanto o mano PQP goza de suas merecidas férias, e os outros membros do blog também parecem estar desfrutando deste período de festas, trago mais duas versões do Concerto para Violino de Beethoven.


A primeira é a gravação, de 2002, que Viktoria Mullova fez com o John Elliot Gardiner e a Orchestre Revolutionnaire et Romantique, cujos músicos tocam com instrumentos e orientações de época.  Gardiner é um grande especialista neste estilo de interpretação, mas por algum motivo, que não consegui identificar, não conseguiu convencer alguns clientes da Amazon, que em média, deram “apenas” quatro estrelas para esta gravação.  Mas claro que aqui a estrela é Mullova, sempre perfeita, e totalmente à vontade. Um assombro essa menina.


A outra gravação é considerada “A” gravação do século XX desse concerto, com um David Oistrakh no apogeu e auge da carreira, final dos anos 50. E Oistrakh? Para que falar? O homem é, em minha modesta opinião, o maior violinista do século XX. E ponto final. Quem tiver interesse, e tempo, existe uma série de 17 cds postadas no avaxhome chamada “David Oistrakh – The Complete Recordings”. Pode até mesmo comprar, pois está custando apenas 54 dólares no site da amazon. A famosa barbada. Mas vamos ao que interessa. E antes que me esqueça, um excelente 2010 para todos.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Violin Concerto, op. 61

01. Violin Concerto in D major Op.61 – I. Allegro ma non troppo (Cadenza; Kreisler)
02. Violin Concerto in D major Op.61 – II. Larghetto
03. Violin Concerto in D major Op.61 – III. Rondo; Allegro (Cadenza; Kreisler)

David Oistrakh – Violin
Orchestre National Radiodiffusion Française
Andre Cluytens – Conductor

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Viktoria Mullova – Violino
Orchestre Revolutionnaire et Romantique
John Elliot Gardiner – Conductor

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Preferimos Mullova a Oistrakh
No âmbito das fotos, preferimos Mullova a Oistrakh

FDPBach

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Concerto, Op. 61 — Jansen, Perlman

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Concerto, Op. 61 — Jansen, Perlman

Eis uma falha do blog que nunca deverá ser perdoada. Um leitor alertou que não encontrou nenhuma gravação do Concerto para Violino de Beethoven, o famoso op. 61. Em minha cabeça, eu tinha certeza de que havia postado alguma versão, ainda no início do blog, mas para minha surpresa, nem com Heifetz, nem com o Stern, nem com o Oistrakh, enfim,nenhuma. Nem da parte de meus colegas, talvez Clara Schumann tenha postado alguma versão, mas não lembro, e quando ela se retirou do blog, apagou todas as suas postagens.

Para compensar esta tremenda falha, estarei nos próximos dias estarei postando as minhas versões favoritas, desde as mais antigas, até as mais atuais.

Para começar, trago duas versões. Uma é a recentemente lançada pela Janine Jansen, uma jovem holandesa, que já nos deixou embevecidos com sua beleza graças a uma postagem do mano PQP, em sua redenção à obra de Tchaikovsky.

A outra gravação que trago aqui agora é a celebrada versão de Itzhak Perlmann com o Giulini, creio que gravada em 1980.

Não quero fazer comparações, apenas demonstrar de que forma esta obra vem sendo interpretada no correr dos anos. Não posso comparar gigantes em seu apogeu, como Oistrakh ou Heifetz com a própria Jansen, ou Hahn, jovens que tem uma vida inteira pela frente.

Enfim, vamos ao que interessa.

Ludwig van Beethoven – Violin Concerto, op. 61

1 Allegro ma non troppo
2 Larghetto
3 Rondo – Allegro

Itzhak Perlman – Violin
Philharmonia Orchestra
Carlo Maria Giulini

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Ludwig van Beethoven – Violin Concerto, op. 61

1 Allegro ma non troppo
2 Larghetto
3 Rondo – Allegro

Janine Jansen – Violin
London Symphony Orchestra
Paavo Järvi

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No âmbito das fotos, preferimos Jansen a Perlman
No âmbito das fotos, preferimos Jansen a Perlman

FDP Bach

Ospa nas igrejas ou Nada é o que parece ou Concerto de Gatinhos

Clarke: revirando-se no túmulo
Clarke: revirando-se no túmulo

Nossa, que chuvarada a de ontem à noite! E que acústica horrível e gritona a da Igreja dos Navegantes! Quando o excelente oboísta Javier Balbinder começou a ensaiar sozinho no palco já deu para concluir que o final da Abertura Egmont soaria como uma manada de elefantes na ponte do Guaíba. E soou mesmo.

Quando o concerto iniciou, os sismógrafos londrinos tremeram, indicando movimentos no solo abaixo da Catedral de St. Paul. É que Jeremiah Clarke revirava-se e dava socos para todo lado dentro de seu túmulo. O concerto começou com Trumpet Voluntary

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Miau!
Miau!

Desde 1940, é sabido que a obra conhecida por Trumpet Voluntary foi escrita por Jeremiah Clarke e não por Henry Purcell, como anunciou o programa da Ospa. Quando a peça foi escrita, Purcell já estava morto havia cinco anos. A peça foi escrita originalmente para cravo e chama-se Prince of Denmark’s March. De 1878 até 1940, a peça foi atribuída a Henry Purcell e chamada de Trumpet Voluntary. Tudo porque, naquele ano do século XIX, um certo William Sparkes publicou um volume chamado Pequenas Peças para o Órgão, Livro VII, No. 1 (Londres, editado por Ashdown & Parry), incluindo erroneamente a peça de Clarke como se fosse de Purcell. Esta versão chamou a atenção de Sir Henry J. Wood, que fez duas transcrições orquestrais do mesma. Aí é que apareceu o trompete e o novo nome. Antigas gravações do início do século XX cimentaram o erro. Mantido o título dado por Wood, a peça tornou-se popular em casamentos reais, mas sabe-se desde 1940 que seu autor é Jeremiah Clarke, não Purcell.  Não acho muito legal errar o autor de uma obra.

Volo 1
Estou mortinho!

O pobre Clarke não foi sacaneado somente pela Ospa. Dizem os livros que “uma paixão violenta e sem esperança por uma bela senhora de uma classificação superior a sua levou-o a cometer suicídio”. Antes de se matar, ele ficou na dúvida: enforcamento ou afogamento? Como forma de decidir seu destino, ele jogou uma moeda para o alto, mas esta caiu em pé na lama. Gente, não brinco, falo sério. Em vez de considerar o fato como um sinal de que deveria desistir de seu intento, ele escolheu um terceiro método, matando-se com um tiro na cabeça nos jardins da Catedral de St. Paul, em Londres. Suicidas não têm muita chance com igrejas, mas foi feita uma exceção para Clarke, que foi enterrado na cripta da Catedral.

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Óin!
Óin! Olha o adágio de Albinoni aí, gente!

Por outro lado, com toda a razão, estava escrito no programa da Ospa: Albinoni (Remo Giazzoto) – Adagio.

Albinoni foi um compositor barroco veneziano relativamente obscuro. Então, em 1958, surgiu este “Adagio” que tem sido usado por companhias de balé, patinadores, filmes — lembram de Gallipoli, um filme de 1981 sobre a Primeira Guerra Mundial? — e, com letras, por uma série de vocalistas como Sarah Brightman, por exemplo. Esta peça é, no entanto, uma composição moderna, como salientou o maestro Tiago Flores após regê-la. Conto o caso a seguir.

cacda
Gato mau. Será por causa de Wagner?

Manuscritos de Albinoni, incluindo uma série de partituras que nunca tinha sido publicada, estavam há muitos anos na Alemanha. Mas a biblioteca onde se encontravam foi destruída no bombardeio de Dresden, em fevereiro de 1945. Os papéis de Albinoni foram perdidos no incêndio. Porém, algumas obras do compositor tinham sido antes catalogadas por um musicólogo italiano chamado Remo Giazotto, autor de uma biografia de Albinoni. Em 1958, Giazotto introduziu esta peça como obra de seu biografado. Ele a teria reconstruído a partir de fragmentos de uma sonata.

Mas outros musicólogos tinham realizado as mesmas pesquisas e acharam tudo muito estranho. Denunciaram. Diante disso, como bom italiano enrolão, a história de Giazotto mudou um pouco. Ele passou a dizer que tinha se baseado em alguns fragmentos de uma linha de baixo que estavam num manuscrito de Albinoni. Mais: ele alegou que tinha os fragmentos. E mais: disse que eles tinham sido enviados a ele por questões de segurança, quando a biblioteca em Dresden dispersou muitos de seus tesouros… Um cidadão imaginativo, sem dúvida. É fundamental saber que os direitos autorais da peça têm apenas o nome de Remo Giazotto. E que ele, é claro, jamais mostrou os tais manuscritos.

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Bunitinho!
Soninho.

Abertura Egmont. Aqui não há erro nem má intenção, apenas curiosidades. A música incidental para a peça Egmont, de Goethe, foi composta no final de 1809 para o Court Theater de Viena. A obra de Goethe é de 1786 e refere-se à acontecimentos não contemporâneos dos autores. No século XVI, o conde Egmont, de Flandres, lidera o povo flamengo em sua revolta contra a tirania espanhola. Depois de sua captura e prisão pelos espanhóis, sua amante Clärchen tenta resgatá-lo, mas fracassa em sua tentativa e ela se suicida, ingerindo veneno. Em sua cela, Egmont tem visões da imagem da liberdade e esta é uma mulher que se parece com sua amada. Ela coloca uma coroa de louros em sua cabeça enquanto uma música militar é ouvida. Então Egmont é executado, mas leva consigo a certeza de que a liberdade irá prevalecer.

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Meus
Bunitinho…

Este foi um Concerto de Gatinhos. Lembram aquelas seleções de clássicos dos anos 70 e 80 que tinham gatinhos na capa? Ali, o Aleluia de Handel podia vir antes de Rhapsody in Blue, a qual era seguida da Abertura 1812, por exemplo. Salada semelhante foi-nos servida  na noite de ontem. A Ospa estava cheia de gatinhos, óin… Olha, eu acho que isso não cria público, acredito que este gênero de programa seja válido apenas em séries de concertos para escolas ou como eram os velhos “Concertos para a Juventude”, mas enfim. O apelido “Disco de Gatinhos” ou “Concerto de Gatinhos” é de autoria do Júlio e da D. Cristina lá da King`s Discos, esplêndida loja que ficava na Galeria Chaves. Eles não gostavam muito daquelas seleções…

Não vou avaliar o lado artístico do concerto de ontem. Era quase impossível tocar alguma coisa sem desafinar no meio daquela reverberação. Os membros da orquestra devem ter saído meio surdos de lá.

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O programa:

Com aquela chuva, queriam que não estivesse amassado?
Com aquela chuva, queriam que não estivesse amassado?

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Fidelio, Op. 72 (ópera em 2 atos)

Fidelio é uma ópera de Beethoven. O trabalho está dividido em dois atos. A seguir está escrita de forma mais pormenorizada uma explicação da Wikipédia:

Personagens

Don Fernando, (Ministro de Estado) baixo
Don Pizarro, (Governador da Prisão) baixo
Florestan, (Esposo de Leonore, prisioneiro político) tenor
Leonore, (Esposa de Florestan, mas disfarçada de Fidélio) soprano
Rocco, (Carcereiro-Chefe) baixo
Marzelline, (filha de Rocco) soprano
Jaquino, (Porteiro da prisão) baixo

Ato I

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Pátio do presídio, Marzelline, filha do carcereiro-chefe Rocco, engoma à porta da casa de seu pai, enquanto sonha com a felicidade de viver junto do homem que ama. Chega Jaquino, porteiro da prisão, que aproveita o seu encontro a sós com a moça para paquerá-la. Porém, Marzelline não presta o menor interesse às suas intenções amorosas: apesar de estar prometida a Jaquino, ama na verdade Fidelio, um jovem, que é há pouco tempo ajudante de Rocco. Entra em cena Rocco, seguido de Fidelio, que carrega as correntes consertadas pelo ferreiro. Fidelio é, na verdade, a jovem mulher do nobre espanhol Florestan. Sob a aparência masculina, Leonore infiltrou-se na prisão para investigar se o seu marido desaparecido, está escondido na prisão. Florestan poderá ter sido preso injustamente pelo seu inimigo, Don Pizarro, governador da prisão. Dada as circunstancias, Leonore, que também aos olhos de Rocco é preferível a Jaquino, como futuro marido de Marzelline, vê-se obrigada a aceitar o afeto da filha do carcereiro-chefe para não levantar suspeitas sobre sua identidade. Num quarteto, os quatro personagens expressam os seus diferentes sentimentos: Marzelline e Rocco, manifestam o seu desejo de um futuro casamento entre a jovem e Fidelio; Leonore declara a sua angústia pelo marido e a sua preocupação perante a paixão que despertou em Marzelline, Jaquino, por sua vez, apercebe-se que o coração da sua namorada se encontra cada vez mais longe de si, e sai de cena. Rocco revela a Marzelline e a Fidelio o seu desejo de um rápido casamento entre ambos e, de seguida, declara a sua fé, na importância do dinheiro como elemento de estabilidade num casal. Mas Fidelio acrescenta uma circunstancia que será igualmente vital para a sua própria felicidade: que Rocco permita que o ajude nas suas tarefas mais árduas, pois tem a secreta esperança de poder entrar nas masmorras, onde tem esperança de encontra o seu marido ainda vivo lá. O carcereiro-chefe fala-lhe então de um prisioneiro desconhecido que, por ordem do governador da prisão, está sendo alimentado somente com pão e água. Leonore, angustiada perante a possibilidade de que o torturado seja o seu marido desaparecido, insiste no seu pedido e convence, finalmente, o carcereiro-chefe a pedir permissão ao governador para poder o acompanhar nas masmorras. Uma marcha anuncia a entrada de Pizarro. Os guardas abrem a porta ao governador que surge em cena acompanhado por vários oficiais. À sua chegada, Pizarro recebe a notícia da intenção do ministro de investigar a situação dos prisioneiros do Estado presos na Fortaleza, perante os rumores da sua repressão em condições desumanas. Alarmado pela futura descoberta de sua crueldade para com os prisioneiros, o governado ordena a um oficial que quando avistar o ministro chegar que toque na trombeta com um sinal. Em seguida, paga a Rocco para que ele cave uma fossa na cisterna para Florestan, a quem, para além disso, terá que assassiná-lo. Contudo, o carcereiro-chefe nega-se a fazer o papel de carrasco. Perante a recusa do seu empregado, Pizarro lhe comunica a sua intenção de se disfarçar e ele próprio assassinar Florestan. Ambos homens abandonam a cena e entra Leonore, que amaldiçoa com raiva o cruel e tirano governador e, em seguida, sai para o jardim. Surge Marzelline seguida de Jaquino, que se queixa ao carcereiro-chefe das evasivas de sua filha. Chega então Leonore, que pede a Rocco que permita que os prisioneiros saiam para o jardim, para tomar um banho de sol, aproveitando a ausência do governador. O carcereiro-chefe decide atender o pedido de seu genro: Lenore e Jaquino abrem as portas das celas e, lentamente, surgem o pobres presioneiros, que expressam a sua felicidade e agradecimento pelo favor que foi lhes concedido. Após o coro dos prisioneiros, Rocco comunica a Leonore que lhe foi concedido a permissão para que Leonore o acompanhe nas masmorras para ajuda-lo, assim como o seu concentimento para que possa celebrar o seu casamento com Marzelline. Finalmente, acrescenta que Leonore o há de acompanhar à cisterna para que o ajude a cavar a cova do prisioneiro desconhecido, que vai ser assassinado pelo próprio Pizarro. Leonore, visivelmente aflita, aceita a tarefa de modo a aproximar-se daquele que poderá o seu marido. Entram subitamente Marzelline e Jaquino. A moça avisa ao seu pai de que o governador ficou com muita raiva ao tomar conhecimento de que os prisioneiros foram libertados da prisão para o jardim. Surge Pizarro, enfurecido, e acompanhado por vários oficiais e guardas, a quem Rocco consegue acalmar, explicando-lhe que tal favor se deve ao fato de, neste dia, se celebrar o aniversário do rei. Os presos voltam, desolados, para suas celas e Pizarro ordena ao carcereiro-chefe que cumpra imediatamente a tarefa que o mandou fazer. Fim do 1º Ato.

Ato II

Numa masmorra subterrânea e sombria. Florestan, preso, lamenta o seu amargo destino. Num momento de delírio pensa ver a sua esposa em forma de anjo que o conduz ao descanso eterno. Depois, desolado e esgotado, deita-se sobre um banco de pedra com o rosto entre as mãos. Rocco e Leonore descem com as ferramentas para cavar a cova. Quando chegam a cisterna, encontram o condenado à morte, aparentemente imóvel. Apesar de suas tentativas, Leonore não consegue reconhecer o rosto de seu marido e então decide ajudar Rocco a cavar a cova. Num momento de descanso, Leonore consegue ver o rosto de Florestan, que se reanima por breves instantes. O preso pergunta a Rocco, quem é o governador da prisão, Rocco lhe diz que se trata de Don Pizarro. Florestan pede-lhe que procure por Leonore em sevilha, mas Rocco afirma que não pode lhe conceder o seu desejo, pois seria sua perdição, limitando-se a oferecer-lhe um pouco de vinho. Depois, Leonore oferece com emoção um pedaço de pão ao seu marido, que o consome com rapidez. Florestan, profundamente comovido, agradece aos seus carcereiros as suas amostras de solidariedade. Chega em seguida o cruel Don Pizarro, que oculto por uma capa, está disposto para concluir seu propósito. O governador anuncia a Florestan que o vai matar para se vingar dele, que um dia o tentou derrubar, tirando um punhal. Mas, no momento em que vai meter-lhe o punhal, Leonore interpõe-se e revela, perante os três homens surpreendidos, qual é a sua verdadeira identidade. Soa nesse momento a trompeta que avisa a eminente chegada do ministro de Sevilha. Leonore e Florestan abraçam-se apaixonadamente perante a admiração do malvado Don Pizarro. Surge então Jaquino, acompanhado por vários oficiais e soldados, comunicando a chegada do ministro. O criminoso governador, enfurecido e desesperado perante o seu previsível destino, abandona a cena.No pátio de armas da prisão. Os prisioneiros e os parentes do presos recebem com alegria o ministro Don Fernando que anuncia, por ordem do rei, a imediata libertação dos presos políticos. Aparecem, procedentes da cisterna: Rocco, Florestan e Leonore. O carcereiro-chefe reclama justiça para o casal. Don Fernando reconhece o réu, que é o seu amigo Florestan e que pensava estar morto. Rocco dá então a conhecer ao ministro a proeza de Leonore – para visível surpresa de Marzelline – revelando-lhe como o cruel Pizarro queria tirar a vida de Florestan. Don Fernando ordena de imediato a prisão do cruel governador e pede a Leonore que liberte o seu marido das suas injustas correntes. Todos os presentes exaltam o amor e a coragem da mulher, que conseguiu com a sua resolução o triunfo final da justiça. Fim do 2º ato.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Fidelio, Op. 72 (ópera em 2 atos)

DISCO 01

01 Ouverture

Ato I

02. Jetzt, schätzchen, jetzt sind wir allein
03. Der arme Jaquino dauert mich beinahe
04. O wär’ ich schon mit dir vereint
05. Guten Tag, Marzeline. Ist Fidelio noch nicht zurück _
06. Mir ist so wunderbar
07. Höre, Fidelio, weist du, was ich tue _
08. Hat man nicht auch Gold beineben
09. Ihr könnt das leicht sagen, Meister Rocco
10. Gut, Söchnchen, gut, hab’ immer Mut
11. Der Gouverneur … der gouverneur soll heut’ erlauben
12. Nur auf der Hut, dann geht es gut
13. March (orchestra)
14. Wo sind die Depeschen _
15. Ha! Welch’ ein Augenblick!
16. Hauptmann, besteigen Sie mit einem Trompeter sogleich den Turm
17. Jetzt, Alter, jetzt hat es Eile!
18. Abscheulicher! Wo eilst du hin_
19. Komm, Hoffnung, lass den letzten Stern
20. Rocco, Ihr verspracht mir so oft
21. O welche Lust!
22. Wir wollen mit Vertrauen auf Gottes Hülfe bauen
23. Nun sprecht, wie ging’s
24. Ach! Vater, eilt!
25. Verwegener Alter
26. Leb wohl, du warmes Sonnenlicht

DISCO o2

01. Introduktion

Ato II

02. Gott! Welch’ Dunkel hier!
03. In des Lebens Frühlingstagen
04. Und spür’ ich nicht linde
05. Wie kalt ist es
06. Nur hurtig fort, nur frisch gegraben
07. Er erwacht!
08. Euch werde Lohn in besser’n Welten
09. Alles ist bereit
10. Er sterbe!
11. Vater Rocco!
12. Es schlägt der Rache Stunde!
13. O namenlose Freude!
14. Heil sei dem Tag
15. Des besten Königs Wink und Wille
16. Wohlan! So helfet, helft den Armen!
17. Du schlossest auf des Edlen Grab
18. O Gott! O welch’ ein Augenblick!
19. Wer ein holdes Weib errungen

20. Ouvertüre- Leonore Nr. 3

Philharmonia Chorus & Orchestra
Otto Klemperer, regente
Gottlob Frick, Gerhard Unger,
Raymond Wolansky, Christa Ludwig,
Kurt Wehofschitz, Jon Vickers,
Franz Crass, Walter Berry,
Ingeborg Hallstein

BAIXAR AQUI CD1
BAIXAR AQUI CD2

Carlinus