Erik Satie (1866-1925): Peças arranjadas para flauta e violão – Sketches of Satie

Erik Satie (1866-1925): Peças arranjadas para flauta e violão – Sketches of Satie

Eu, como um grande entusiasta da obra de Satie, quero compartilhar essa pequena joia musical.

“Sketches of Satie” é uma coletânea de composições originais para piano de Erik Satie, rearranjadas e tocadas pelos irmãos Steve (violão) e John Hackett (flauta). As peças foram tão bem transcritas para flauta e violão que é difícil acreditar, principalmente para os leigos, que não tenham sido originalmente compostas para estes instrumentos.

Os fãs do grupo Genesis, não serão surpreendidos pelo virtuosismo de Steve Hackett, ex-guitarrista da banda britânica. A revelação aqui é seu irmão John, que toca de forma tão natural e fluente, que demonstra uma inspiração quase divina.

A performance dos irmãos apresenta uma assombrosa e hipnótica, beleza exótica. Steve Hackett mostra aqui, porque é um dos melhores e mais versáteis violonistas (guitarristas) do mundo, cedendo os holofotes para seu irmão, ele exibe sem constrangimentos, uma admirável e irrestrita modéstia.

Uma ótima audição!

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— Sketches of Satie —

1. Gnossienne No. 3 (2:24)
2. Gnossienne No. 2 (1:56)
3. Gnossienne No. 1 (3:18)
4. Gymnopédie No. 3 (2:36)
5. Gymnopédie No. 2 (2:52)
6. Gymnopédie No. 1 (3:55)
7. Pièces Froides No. 1 Airs À Faire Fuir I (2:46)
8. Pièces Froides No. 1 Airs À Faire Fuir II (1:36)
9. Pièces Froides No. 2 (2:05)
10. Avant Dernières Pensées (Idylle à Debussy) (0:57)
11. Avant Dernières Pensées (Aubade à Paul Dukas) (1:11)
12. Avant Dernières Pensées (Méditation à Albert Roussel) (0:54)
13. Gnossienne No. 4 (2:41)
14. Gnossienne No. 5 (3:20)
15. Gnossienne No. 6 (1:41)
16. Nocturnes No. 1 (3:31)
17. Nocturnes No. 2 (2:14)
18. Nocturnes No. 3 (3:36)
19. Nocturnes No. 4 (2:49)
20. Nocturnes No. 5 (2:27)

Steve Hackett (guitar)
John Hackett (flute)

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Os irmãos Hackett

Marcelo Stravinsky

Pierné: Piano Concerto, Marche des Petits Soldats de Plomb, Ramuntcho Suite etc. Bavouzet, Mena CHANDOS 2011

Gabriel Pierné (1863-1937) foi um dos mais festejados compositores de sua geração, contemporânea de Debussy, Roussel, Fauré e Ravel. Entretanto, suas atividades como maestro e professor acabaram por colocá-lo, de certa forma injustamente, num panteão dos grandes intérpretes (estreou diversas obras de seus colegas mais famosos) e não dos grandes compositores. Sobrou a peça de repertório “Marcha dos Soldadinhos de Chumbo” (que constava naquela coleção de LPs com gatinhos na capa) como sua máxima expressão de criatividade.

Este erro parece ter sido aos poucos corrigido mas em tempos muito recentes: este disco é de 2011, uma raridade numa época em que a gravação clássica já era praticamente um artigo de museu. Mas, parafraseando nosso guru pqp, este disco é IMPERDíVEL.

O Concerto de Pierné é, no mínimo, surpreendente pela extrema fluidez melódica, verve rítmica e originalidade temática. Mas basta uma audição para comprovar: nos sentimos impelidos a escutar de novo, e de novo, e de novo, tal é sua qualidade. Mais surpresas: um concerto que não tem movimento lento, são todos rápidos e titânicos, de grandiosidade e polidez que só um francês poderia escrever. Poucas vezes piano e orquestra tiveram diálogo tão franco e direto. Coisa fina.

Ramuntcho é uma obra igualmente surpreendente, escrita para acompanhar o drama homônimo de Pierre Loti, e demonstra, na orquestração brilhante e ritmos folclóricos bascos, uma maestria de escrita digna dos melhores momentos da música francesa. Uma verdadeira revelação.

E de quebra, a tal Marcha dos Soldadinhos de Chumbo, obra realmente simples mas encantadora, e o Divertimento sobre um tema Pastoral, que completam esta breve, mas importantíssima apresentação (ou re-apresentação) de Pierné. Uma pérola oculta no mar de gravações deste século.

Gabriel Pierné (1863-1937)
Marche des Petits Soldats de Plomb
Piano Concerto in C minor op.12
Divertissements sur un Thème Pastoral
Ramuntcho Suites nos.1 & 2
Jean-Efflam Bavouzet, piano
BBC Philharmonic Orchestra
Juanjo Mena

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Arquivo FLAC, 266Mb

CHUCRUTEN

Maurice Ravel (1875-1937): Complete Orchestral Works (Triplo)


Adquiri esse cd numa leva de 21 que comprei de uma só vez. Bons tempos aqueles, pois era desprovido de dívidas e obrigações mensais, gastava tudo do jeito que bem entendia. Os preços eram verificados através de selos e somente quando cheguei em casa, percebi que esse cd triplo tinha saído pelo preço de duplo, pois estava, erroneamente, com apenas dois selos. Como tinha comprado uma quantidade razoável, não me senti culpado e ainda passei a ser tratado à pão-de-ló, não só na filial em que comprei os discos, mas em praticamente todas as outras lojas. Era um cafezinho aqui, uma aguinha ali. Tinha prioridade para escutar qualquer disco, mesmo que os aparelhos já estivessem sendo usados por outras pessoas, eles sempre davam um jeitinho de liberar um pra mim. Gostava da situação, mas muitas vezes fiquei sem graça, pois chegava a ser ridículo. De certa forma, até que eu merecia, pois sempre que passava em frente a uma das lojas, acabava entrando e dificilmente levava apenas um cd, pois estava no início da minha coleção e ainda tinha muita coisa à adquirir.

A partir desse álbum triplo pude ter um contato mais próximo com a obra orquestral de Ravel, pois até antes dele, só conhecia o Bolero e a orquestração para Quadros de uma Exposição de Mussorgsky. Aqui pude apreciar e me encantar à primeira audição, o que Stravinsky considerava uma das mais belas obras do século XX, o bailado Daphnis et Chloé, considerado por muitos sua obra-prima, uma verdadeira sinfonia coreográfica.

Fiquei igualmente extasiado ao ouvir, também pela primeira vez, a obra “neobarroca” Le Tombeau de Couperin e suas sutilezas orquestrais, é notório à todos a genialidade orquestral do compositor francês. Sem falar em uma das melodias mais lindas de todos os tempos, Pavane pour une infante défunte é sublime.

A chocante La Valse, com seus acordes dissonantes, foi encomendada por Diaghilev que acabou por não apreciá-la, recusando-se a chamar a obra de balé. Cinco anos depois Ravel, ainda magoado, recusou-se a apertar a mão de Diaghilev, o que motivou o russo a desafiá-lo a um duelo. Um episódio ridículo e evitado por muito pouco. Mais tarde Diaghilev viria a se retratar devido a persuasão de amigos comuns.

Francês de nascença, mas com descendência espanhola por parte de mãe, Ravel revela seu lado ibérico através de obras como Bolero, Rapsodie Espagnole e Alborada Del Gracioso.

Obs.: Apesar da capa do meu álbum ser diferente (aparece apenas o Abbado da cintura pra cima, concentrado, em posição de regência com a batuta e o selo da DG no cantinho inferior esquerdo) do apresentado pelo site Amazon, trata-se da mesma gravação.

Espero que apreciem e se encantem tanto quanto eu. Boa audição!

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Ravel: Complete Orchestral Works

CD1

1. BoleroTempo di Bolero moderato assai (14:26)

Rapsodie Espagnole
2. I. Prélude à la nuit: Très modéré (4:26)
3. II. Malagueña: Assez vif (2:03)
4. III. Habanera: Assez lent et d’un rythme las (2:41)
5. IV. Feria: Assez animé (6:00)

Ma Mère L’oye – Orchestral version
6. Prélude: Très lent (3:25)
7. 1er Tableau: Danse du rouet et scène – Allegro (3:32)
8. 2e Tableau: Pavane de la Belle au bois dormant – Lent – Allegro – Mouvement de Valse modéré (2:47)
9. 3e Tableau: Les entretiens de la Belle et de la Bête – Mouvement de Valse modéré (5:15)
10. 4e: Petit Poucet  – Très modéré (4:45)
11. 5e Tableau: Laideronnette, Impératrice des Pagodes – Mouvement de Marche – Allegro – Très modéré (4:48)
12. Apothéose: Le jardin féerique – Lent et Grave (3:43)

13. Pavane pour une infante défunteLent (6:37)

CD2

Daphnis et Chloé – Ballet en 3 parties (complete)

Première partie
1. Introduction. Lent – Entrent des jeunes gens – Très modéré (3:31)
2. Danse religieuse. Modéré (2:35)
3. Tout au fond – Chloé le rejoint – Un peu plus lent – Emotion douse (3:13)
4. Vif – Les jeunes filles attirent Daphnis (0:50)
5. A ce moment, elle est entraînée dans la danse des jeunes gens (0:56)
6. Danse générale – Beaucoup moins vif (0:43)
7. Vif – Plus modéré – Très modéré – Pesant – qui termine (2:37)
8. Assez lent – Tous invitent Daphnis – Vif (2:54)
9. Lent – Moins lent – Très libre (1:42)
10. Très modéré – Plus lent – 1er Mouvement (1:35)
11. Modérément animé – Au second plan – Un peu plus animé – Elle se jette – Très animé – Lent – Très agitè (1:35)
12. Modéré – La 2e Nymphe – La 3me Nymphe – Plus lent (1:54)
13. Lent et très souple de mesure – 1er Mouvement – Plus lent – 1er Mouvement – Peu à peu  (3:30)

Deuxième partie
14. Même mesure – Des appels de trompes – Une lueur sourde (2:52)
15. Animé et très rude – (Au camp des pirates) (2:00)
16. Un peu moins animé (1:54)
17. Très rude – Bryaxis lui ordonne – Modéré – Animé – Assez lent – Animé – Lent (3:31)
18. Assez animé – Le chef l’emporte (0:29)
19. Lent – Modére – Par endroits – Cà et là – Les chèvres-pieds (2:09)

Troisième partie
20. Lent – Peu à peu – Un autre berger – Entre un groupe (4:49)
21. Le vieux berger – Lent – Daphnis: Pan apparaît – Au Mouvement – Désepéré, il arrache (2:01)
22. Très lent – En animant toujours (4:08)
23. Lent – Animé – Lent – Animé (1:01)
24. Danse générale – Danse de Daphnis et Chloé – Danse de Dorcon (3:36)

Valses Nobles et Sentimentales
25. I. Modéré – très franc (1:18)
26. II. Assez lent – avec une expression intense (1:52)
27. III. Modéré (1:31)
28. IV. Assez animé (1:10)
29. V. Presque lent – dans un sentiment intime (0:59)
30. VI. Assez vif (0:43)
31. VII. Moins vif (2:53)
32. VIII. Épilogue (Lent) (3:15)

CD3

Le tombeau de Couperin – Orchestral version
1. I. Prélude: Vif (3:01)
2. II. Forlane: Allegretto (5:32)
3. III. Menuet: Allegro moderato (4:36)
4. IV. Rigaudon: Assez vif (3:03)

5. Alborada del GraciosoAssez vif (7:16)

6. Shéhérazade – Ouverture de féerie – Modéré (13:33)

7. Menuet Antique – for Orchestra – Maestoso (6:17)

8. Une barque sur l’océan – Très souple de rythme (7:15)

9. Fanfare from “L’Eventail de Jeanne”Allegro moderato (1:49)

10. La Valse – Choreographic poem, for Orchestra – Mouvement de valse viennoise (12:28)

London Symphony Orchestra
Claudio Abbado

CD 1 – BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
CD 3 – BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Marcelo Stravinsky

Les Petits Chanteurs de Saint Marc – Les Choristes, o filme; Les Choristes, En Concert [links mai.2017]

Álbuns originalmente postados em 23 de dezembro de 2011

Está chegando o Natal e nessa época sempre me vem à cabeça aquelas cenas de crianças cantando nas janelas de edifícios iluminados. Imagem de beleza e pureza unidas no canto, embora eu particularmente ache as canções natalinas, em sua grande maioria, de uma forçosa alegria e simplórias demais (coisas de quem fica reparando na estrutura das canções)…

Nesses coros infantis, fica muito difícil sair do simples, do óbvio, porém, é nisso que está o diferencial de Les Petits Chanteurs de Saint-Marc (Os Pequenos Cantores de São Marcos): não é um coral de crianças comum. Esse coro ganhou destaque e repercussão depois de estrelarem o belo filme Les Choristes (cujo título no Brasil ficou com o nome piegas de A Voz do Coração), daí os nomes dos dois álbuns que estamos disponibilizando. Boa parte das músicas da trilha sonora também é executada no álbum En Concert, com o acréscimo de composições quase exclusivamente francesas, mas aí vai de quem prefere a precisão das gravações em estúdio ou o sentimento dos registros ao vivo.
Tudo bem, as canções não são estruturalmente complexas, mas são de uma beleza tocante, e executadas sem nenhuma grande pretensão, mas sinto o clima de celebração, talvez nisso resida essa beleza. Os solistas, Jean-Baptiste Maurnier, Emmanuel Lizé, Elsa Journet e Jacinthe Vannier sustentam os mais difíceis agudos sem recorrer a vibratos, sem força, puríssimos, como imaginamos orações de anjos. Um espetáculo puro e leve, como queremos nessa época do ano.
Ah, em tempo: não, não são canções natalinas, mas dá muito bem para entrar no espírito do Natal.
Entre, ouça e se deleite.
São belas canções, são IM-PER-DÍ-VEIS !!!

Compositores
Bruno Coulais (Paris, 13/01/ 1954 – )
Christophe Barratier (França, 17/06/ 1963 – ),
Gabriel Urbain Fauré (Pamier, 12 /05/1845 – Paris, 04/11/1924)
John Rutter Milford (Londres, 24/09/1945 – )
Andrew Lloyd Webber (Londres, 22/03/1948)
Jean-Philippe Rameau (25/09/1683, Dijon – 12/09/ 1764)
Johann Ritter von Herbeck (Viena, 25/12/1831 (Natal) – 28/10/1877)

Les Petits Chanteurs de Saint Marc
Les Choristes (A Voz do Coração) , o filme

01. Les Choristes (Christoper Barriatier, Bruno Coulais)
02. In Memoriam (Bruno Coulais)
03. L’arrivée à l’école (Bruno Coulais)
04. Pépinot (Bruno Coulais)
05. Vois sur ton chemain (Christoper Barriatier, Bruno Coulais)
06. Le partition (Bruno Coulais)
07. Caresse Sur L’océan (Christoper Barriatier, Bruno Coulais)
08. Lueur D’eté (Christoper Barriatier, Bruno Coulais)
09. Cerf-Volant (Christoper Barriatier, Bruno Coulais)
10. Sous la Pluie (Bruno Coulais)
11. Complere Guilleri (arr. Bruno Coulais)
12. La Désillusion (Bruno Coulais)
13. La Nuit (Jean-Philippe Rameau)
14. L’incendie (Bruno Coulais)
15. L’evocation (Bruno Coulais)
16. Les Avions en papier (Christoper Barriatier, Bruno Coulais)
17. Action reáction (Bruno Coulais)
18. Seuls (Bruno Coulais)
19. Morhange (Bruno Coulais)
20. In Memoriam a capella (Bruno Coulais)
21. Nous sommes de fund de l’etag (Bruno Coulais, Ph. LopesCurval, Christoper Barriatier)

Jean-Baptiste Maurnier, soprano infantil
Nicolas Porte, regente
Les Petits Chanteurs de Saint-Marc
Deyan Pavlov, regente
Bulgarian Symphony Orchestra

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (51Mb)

Les Petits Chanteurs de Saint Marc
Les Choristes, En Concert

01. La Fin Du Rêve (Bruno Coulais)
02. Vois Sur Ton Chemin (Christoper Barriatier, Bruno Coulais)
03. Maria, Mater Gratiae (Gabriel Fauré)
04. Open Thou Mine Eyes (John Milford Rutter)
05. The Lord Bless You And Keep You (John Milford Rutter)
06. Vies Monotones (Gérard Manset)
07. Pie Jesu (Andrew Lloyd Webber)
08. Pueri Concinite (Johann Ritter Von Herbeck)
09. La Complainte Du Vent (Bruno Coulais)
10. Le Trou Dans La Neige (Bruno Coulais)
11. Karma (Bruno Coulais)
12. L’enfant Qui Voulait Etre Un Ours (Bruno Coulais)
13. Le Choix (Bruno Coulais)
14. Ave Maria (Giulio Caccini)
15. Cerf-Volant (Christoper Barratier, Bruno Coulais)
16. L’evocation (Bruno Coulais)
17. La Nuit (Jean-Philippe Rameau)
18. Compère Guilleri (Bruno Coulais)
19. Lueur D’eté (Christoper Barratier, Bruno Coulais)
20. Vois Sur Ton Chemin (Christoper Barratier, Bruno Coulais)
21. Caresse Sur L’océan c22. In Memoriam (Bruno Coulais)
23. Vois Sur Ton Chemin (Christoper Barriatier, Bruno Coulais)
24. Cerf-Volant (Christoper Barratier, Bruno Coulais)

Jean-Baptiste Maurnier, soprano infantil
Emmanuel Lizé, soprano infantil
Elsa Journet, soprano infantil
Jacinthe Vannier, soprano infantil
Nicolas Porte, regente
Orchestre Lamoureux
Les Petits Chanteurs de Saint-Marc
Palais des Congrès, Paris, janeiro de 2005

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (83Mb)

Boa audição.

Bisnaga

Satie (1866-1925) – Milhaud (1892-1974) – Auric (1892-1983) – Françaix (1912) – Fetler (1920) [link atualizado 2017]

Este é um dos cds que mais tenho ouvido nos últimos dois anos, não entendo porque demorei tanto a compartilhá-lo com os amigos. Trata-se de um álbum com obras de compositores franceses compostas nos extremos do século XX, ou seja, início, com os Les Six Satie, Milhaud e Auric e final do século com Françaix e Fetler. Satie nos presenteia com seu balé Parade, música que mais tenho escutado já há um bom tempo. De Milhaud temos a polêmica e empolgante Le Boeuf Sur Le Toit, pantomima baseada em canções brasileiras. A alegre, ritmada e cheias de emoções Ouverture é uma das poucas peças de Auric que tive a oportunidade de ouvir. Completam o álbum dois compositores que eu nunca tinha ouvido falar, mas que me empolgaram bastante, Jean Françaix nos brinda com seu despretensioso e singelo, mas muito bonito Concertino para Piano e Orquestra e Paul Fetler com os Contrasts para Orquestra, obra que me surpreendeu bastante, com passagens rápidas e ritmadas, bem ao meu gosto. Enfim, um álbum que vale a pena ouvir.

Uma ótima audição!

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Satie – Milhaud – Auric – Françaix – Fetler

Erik Satie
01 Parade (Ballet realiste on theme of Jean Cocteau) (14:27)
[1.1] Choral – Prélude du Rideau rouge – Prestidigitateur Chinois (5:16)
[1.2] Petite fille Americaine (3:51)
[1.3] Acrobates (2:56)
[1.4] Final – Suite au  “Prélude du Rideau rouge” (2:24)

Darius Mihaud
02 Le Boeuf Sur Le Toit (Ballet, after Jean Cocteau) (18:35)

Georges Auric
03 Ouverture (7:51)

Jean Françaix
Concertino for Piano and Orchestra

04 Presto leggiero (1:51)
05 Lent (1:44)
06 Allegretto: Rondeau (4:15)
Claude Françaix, piano
London Symphony Orchestra

Paul Fetler
Contrasts for Orchestra

07 Allegro con forza (4:03)
08 Adagio (5:24)
09 Scherzo: Allegro ma non troppo (3:52)
10 Allegro marciale – Presto (4:58)

Minneapolis Symphony Orchestra (hoje Minnesota Orchestra), Antal Dorati

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Marcelo Stravinsky
Repostado por Bisnaga

French Ballet Music of the 1920s – Les Mariés de la Tour Eiffel & L'Eventail de Jeanne

Estes, curiosamente, são balés compostos a várias mãos, por compositores franceses da primeira metade do século XX, época em que Paris era o point das artes e em que as apresentações de balés rivalizavam de igual para igual com os espetáculos operísticos.

Les Mariés de la Tour Eiffel é um balé de um ato, com libreto de Cocteau e música de Auric, Milhaud, Tailleferre, Honegger, e Poulenc, que teve sua estréia em 18 de junho de 1921. Embora L. Durey não estivesse envolvido no balé, este é, no entanto, considerado uma obra-prima para as idéias musicais do grupo de compositores conhecidos coletivamente como Les Six. Nesta gravação foi suprimido o texto narrativo de Jean Cocteau, muito chato, por sinal, para quem, como eu, não entende “p. n.” de francês.

L’Eventail de Jeanne é um balé infantil coreografado em 1927 por Alice Bourgat e Franck Yvonne. A música foi composta por 10 compositores franceses, cada um contribuiu com uma dança estilizada em forma clássica. São eles, Maurice Ravel, Pierre-Octave, Jacques Ibert, Alexis Roland-Manuel, Delannoy Marcel, Albert Roussel, Darius Milhaud, Francis Poulenc, Georges Auric e Florent Schmitt.

“Jeanne” se refere a uma hospedeira parisiense e patrona das artes, Jeanne Dubost, que dirigia uma escola infantil de balé. Na primavera de 1927, ela entregou a dez dos seus amigos compositores, folhas de seus fãs, pedindo que cada um deles escrevesse uma pequena dança para seus alunos. As crianças estavam vestidas com trajes de conto de fadas e a decoração foi animada por um conjunto projetado com espelhos. Tal foi o sucesso que, dois anos mais tarde, foi realizada na Ópera de Paris com a pequena Tamara Toumanova, que mais tarde viria a se tornar uma famosa bailarina internacional.

É interessante salientar que apenas Poulenc, Auric e Milhaud, participaram dos dois projetos colaborativos. Enfim, este é um cd que me agrada bastante. É ouvir e apreciar!

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French Ballet Music of the 1920s

L’eventail de Jeanne
01. Fanfare (Maurice Ravel) 1:25
02. Marche (Pierre-Octave Ferroud) 03:12
03. Valse (Jacques Ibert) 03:44
04. Canarie (Roland-Manuel) 02:11
05. Bourree (Marcel Delannoy) 03:20
06. Sarabande (Albert Roussel) 03:30
07. Polka (Darius Milhaud) 02:14
08. Pastourelle (Francis Poulenc) 01:58
09. Rondeau (Georges Auric) 03:28
10. Kermesse-Valse (Florent Schmitt) 04:54

Les Mariés de la Tour Eiffel
11. Ouverture: Le 14 juillet (Georges Auric) 02:29
12. Marche nuptiale (Darius Milhaud) 01:57
13. Discours de general: Polka pour 2 cornets a pistons (Francis Poulenc) 00:46
14. La Baigneuse de Trouville: Carte postale en couleurs (Francis Poulenc) 02:03
15. Fugue du massacre (Darius Milhaud) 01:46
16. Valse de depeches (Germaine Tailleferre) 02:33
17. Marche funebre (Arthur Honegger) 03:46
18. Quadrille: Pantalon – Ete – poule – Pastourelle – Final (Germaine Tailleferre) 03:04
19. Ritournelles (Georges Auric) 02:01
20. Sortie de la noce (Darius Milhaud) 00:25

Philharmonia Orchestra, Geoffrey Simon

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Marcelo Stravinsky

Francis Poulenc (1899-1963): Concert Champêtre / Suite Française / Sinfonietta etc

Continuando a minha verdadeira compulsão por Poulenc e a música francesa do século XX, quero chamar a atenção para o singular e apaixonante Concert Champêtre, que assim como o Concerto para Cravo de Falla, logo se transformou numa das minhas peças prediletas para o instrumento. Este concerto para cravo e orquestra foi composto entre 1927 e 1928 para a cravista polonesa Wanda Landowska, que foi responsável pela composição de várias outras peças, no revival do século XX para o instrumento, como por exemplo: o Concerto para Cravo e Cinco Instrumentos e O Retábulo de Mestre Pedro de Manuel de Falla.

A peça escrita nos tradicionais três movimentos de concerto, rápido-lento-rápido, evoca o período Barroco, quando o cravo era um instrumento comum, tanto em termos de sua linguagem melódica e harmônica, quanto  em sua estrutura.

Boa audição!

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Francis Poulenc: Concert Champêtre / Suite Française / Sinfonietta etc

Sinfonietta pour orchestre
1.  I. Allegro con fuoco (8:37)
2. II. Molto vivace (5:54)
3. III. Andante cantabile (7:22)
4. IV. Finale (6:24)

Concert Champêtre
5.  I. Allegro molto (10:36)
6. II. Andante (6:04)
7. III. Finale (8:06)

Hommage à Albert Roussel for small orchestra
8. Pièce brève sur le nom d’Albert Roussel (2:07)

Variations sur le nom de Marguerite Long
9. Bucolique (2:26)

10. Fanfare (2:51)

Deux Marches et un Intermède
11. I. Marche (1889) (1:34)
12 II. Intermède champêtre (1:49)
13. III. March (1937) (1:50)

Suite française for small orchestra
14. I. Bransle de Bourgogne (1:22)
15. II. Pavane (2:25)
16. III. Petite marche militaire (1:06)
17. IV. Complainte (1:29)
18. V. Bransle de Champagne (1:41)
19. VI. Sicilienne (1:53)
20. VII. Carillon  (1:37)

Pascal Rogé, cravo
Orchestre National de France, Charles Dutoit

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Marcelo Stravinsky

Francis Poulenc (1899-1963): Concerto para Órgão – Sinfonieta – Suite Francesa

Aí vai mais Poulenc…

Sei que muitos leitores-ouvintes gostam de Poulenc, mas essa postagem quero dedicar ao camarada CDF, já que o mesmo, certa vez, afirmou nos comentários de uma outra postagem, que adora o Concerto para Órgão.

A volta ao passado, é a principal característica das obras desse álbum. Aqui, Poulenc usa de toda sua criatividade e sensibilidade, produzindo peças baseadas em estilos antigos, mas sem deixar de ser original.

Baseado na Renascença Francesa, o Concerto para Órgão é uma obra que por seu estilo de improviso, lembra muito as tocatas e fantasias de Bach e Buxtehude. Dramática, leve, lírica, empolgante, são alguns dos diversos adjetivos que cabem nessa peça fabulosa.

Na Sinfonietta, Poulenc cria uma atmosfera leve e descontraída. Sua estrutura formal e colorido orquestral lembra muito as sinfonias de Haydn.

O álbum termina com a deliciosa Suite Française, composição leve e bem concatenada, também, inspirada nos modelos da Renascença Francesa.

Uma ótima audição!

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Poulenc: Concerto para Órgão – Sinfonieta – Suite Francesa

Concerto for organ, strings & timpani in G minor, FP 93 (1938)
1.  Andante 3:22
2.  Allegro giocoso 2:05
3. Subito andanate moderato 7:40
4. Tempo allegro. Molto agitato 2:46
5. Très calme. Lent 2:38
6. Tempo de l’allegro initial 2:02
7. Tempo introduction. Largo 3:02

Sinfonietta, for chamber orchestra, FP 141 (1947)
8. No. 1, Allegro con fuoco 9:10
9. No. 2, Molto vivace 5:56
10. No. 3, Andante cantabile 6:57
11. No. 4, Final (Prestissimo et tres gai) 6:55

Suite française (d’après Claude Gervaise), for winds, percussion & harpsichord, FP 80 (1935)
12. No 1, Bransle de Bourgogne 1:22
13. No 2, Pavane 2:33
14. No 3, Petite marche militaire 1:05
15. No 4, Complainte 1:35
16. No 5, Bransle de Champagne 1:43
17. No 6, Sicilienne 2:10
18. No 7, Carillon 1:44

Andre Isoir, órgão Henri Didier (1899) da Catedral de Laon
Orchestre de Picardie, Edmon Colomer

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Marcelo Stravinsky